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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O fim do torpor

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Editorial do Estadão



O impeachment da presidente Dilma Rousseff será visto como o ponto final de um período iniciado com a chegada ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, em que a consciência crítica da Nação ficou anestesiada.

A partir de agora, será preciso entender como foi possível que tantos tenham se deixado enganar por um político que jamais se preocupou senão consigo mesmo, com sua imagem e com seu projeto de poder; por um demagogo que explorou de forma inescrupulosa a imensa pobreza nacional para se colocar moralmente acima das instituições republicanas; por um líder cuja aversão à democracia implodiu seu próprio partido, transformando-o em sinônimo de corrupção e de inépcia.

De alguém, enfim, cuja arrogância chegou a ponto de humilhar os brasileiros honestos, elegendo o que ele mesmo chamava de “postes” – nulidades políticas e administrativas que ele alçava aos mais altos cargos eletivos apenas para demonstrar o tamanho, e a estupidez, de seu carisma.
Muito antes de Dilma ser apeada da Presidência já estava claro o mal que o lulopetismo causou ao País. Com exceção dos que ou perderam a capacidade de pensar ou tinham alguma boquinha estatal, os cidadãos reservaram ao PT e a Lula o mais profundo desprezo e indignação.

Mas o fato é que a maioria dos brasileiros passou uma década a acreditar nas lorotas que o ex-metalúrgico contou para os eleitores daqui. Fomos acompanhados por incautos no exterior.

Raros foram os que se deram conta de seus planos para sequestrar a democracia e desmoralizar o debate político, bem ao estilo do gangsterismo sindical que ele tão bem representa. Lula construiu meticulosamente a fraude segundo a qual seu partido tinha vindo à luz para moralizar os costumes políticos e liderar uma revolução social contra a miséria no País.
Quando o ex-retirante nordestino chegou ao poder, criou-se uma atmosfera de otimismo no País. Lá estava um autêntico representante da classe trabalhadora, um político capaz de falar e entender a linguagem popular e, portanto, de interpretar as verdadeiras aspirações da gente simples.

Lula alimentava a fábula de que era a encarnação do próprio povo, e sua vontade seria a vontade das massas.

O mundo estendeu um tapete vermelho para Lula. Era o homem que garantia ter encontrado a fórmula mágica para acabar com a fome no Brasil e, por que não?, no mundo: bastava, como ele mesmo dizia, ter “vontade política”.

Simples assim. Nem o fracasso de seu programa Fome Zero nem as óbvias limitações do Bolsa Família arranharam o mito. Em cada viagem ao exterior, o chefão petista foi recebido como grande líder do mundo emergente, mesmo que seus grandiosos projetos fossem apenas expressão de megalomania, mesmo que os sintomas da corrupção endêmica de seu governo já estivessem suficientemente claros, mesmo diante da retórica debochada que menosprezava qualquer manifestação de oposição.

Embalados pela onda de simpatia internacional, seus acólitos chegaram a lançar seu nome para o Nobel da Paz e para a Secretaria-Geral da ONU.

Nunca antes na história deste país um charlatão foi tão longe. Quando tinha influência real e podia liderar a tão desejada mudança de paradigma na política e na administração pública, preferiu os truques populistas.

Enquanto isso, seus comparsas tentavam reduzir o Congresso a um mero puxadinho do gabinete presidencial, por meio da cooptação de parlamentares, convidados a participar do assalto aos cofres de estatais. A intenção era óbvia: deixar o caminho livre para a perpetuação do PT no poder.

O processo de destruição da democracia foi interrompido por um erro de Lula: julgando-se um kingmaker, escolheu a desconhecida Dilma Rousseff para suceder-lhe na Presidência e esquentar o lugar para sua volta triunfal quatro anos depois.

Pois Dilma não apenas contrariou seu criador, ao insistir em concorrer à reeleição, como o enterrou de vez, ao provar-se a maior incompetente que já passou pelo Palácio do Planalto.

Assim, embora a história já tenha reservado a Dilma um lugar de destaque por ser a responsável pela mais profunda crise econômica que este país já enfrentou, será justo lembrar dela no futuro porque, com seu fracasso retumbante, ajudou a desmascarar Lula e o PT.

Eis seu grande legado, pelo qual todo brasileiro de bem será eternamente grato.


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Não vem da ideologia a força política de Bolsonaro


Não vem da ideologia a força política de Bolsonaro, escreve Xico Graziano


Generais participam da democracia

A essência não reside mais na ideologia
Sérgio Lima/Poder 360 - 05.set.2018.


Perdoem-me os tradicionais analistas políticos: vocês continuam errando. A essência não reside mais na ideologia. Jair Bolsonaro vencerá as eleições porque encarnou o reclamo popular pela decência na vida pública. Daí brota sua grande força.

Esse velho costume em dividir o mundo entre “esquerda” e “direita” perdeu certo sentido na sociedade contemporânea, plena era digital. Repito meu argumento: embora grupos organizados, politizados e elitistas, ainda orbitem naquela toada típica dos anos da Guerra Fria, novos dilemas movimentam hoje a opinião popular. No Brasil e no mundo.

O cientista político Fernando Limongi afirmou noutro dia, me puxando as orelhas, que “está em jogo a barbárie”. Juro, bom caipira que sou, que fico em dúvida sobre o conceito. Os gregos diziam que, fora eles próprios, civilizados, os demais povos eram “bárbaros”. Barbárie, para os romanos, vinha dos germânicos.

Quem acredita que Bolsonaro representa a barbárie se coloca no pedestal da sapiência. Lá no meu interior nós chamamos isso de pernóstico. Pessoas iluminadas, supostos intelectuais, se julgam superiores a nós, mortais comuns, e nos rebaixam pela nossa ignorância. Como pode alguém apoiar a “barbárie”?!

Desde as enormes, e espontâneas, manifestações de rua havidas em junho de 2013, sabíamos que fermentava no país uma insatisfação, difusa, contra o “sistema político”. Muitos quiseram compreender aqueles inusitados acontecimentos pelo crivo da “esquerda x direita”. Não conseguiram, até hoje, entender nada.

Foi nessa época que escutei Fernando Henrique Cardoso falar, pela primeira vez, em decência, referindo-se a um valor moral para capturar o momento político. As pessoas, jovens principalmente, estavam insatisfeitas, sem saber ao certo o porquê de suas angústias. Quebravam e queimavam à busca de respostas.

Vieram depois as eleições de 2014, protagonizadas por Aécio Neves e Dilma Roussef. Avança a Lava Jato, vem o impeachment. Com a queda da petista, troca-se o comando da quadrilha. Mudava a cabeça, mas o poder carcomido continuava ereto. E o câncer da corrupção destruía a credibilidade da democracia.

Aí surgiu Jair Bolsonaro. Moralista e militar, defensor da ordem, apareceu no cenário gritando: vamos acabar com essa putaria em Brasília! Pronunciado na hora certa, seu discurso ecoou longe, atingindo o âmago do “mecanismo” que alimenta a corrupção, e que a todos comandava e seduzia. O capitão caiu na graça do povo e ganhou notoriedade.

Dizer que Bolsonaro é “de direita” é uma obviedade que pouco explica sua força política. Parte do seu eleitorado, claro, vem dessa vertente. Outro tanto, certamente, se arregimenta pelo sentimento “anti-PT”. Boa maioria de seus apoiadores, porém, oriundos no fundão do interior e da periferia das cidades, se move por um desejo ético: querem eleger alguém para moralizar a vida pública do país.

A eleição de Bolsonaro poderá significar o início da reconstrução da democracia, e não sua derrocada. O fato de alguns militares participarem da campanha, preparando programas de governo e que tais, ao invés de temor, me causa satisfação: significa que os generais se expõem, aceitam as regras da democracia, dela participam. Fascismo zero.

Há riscos, sempre os há.
Quem poderia imaginar que Lula, o maior líder operário do país, organizasse tamanho assalto aos cofres públicos, locupletando-se ao destroçar o poder público
nacional?
Qual risco seria maior, à nossa democracia, que a volta da quadrilha vermelha ao poder?


Socorro-me do filósofo José Arthur Giannotti. Ao finalizar uma recente entrevista onde comenta a provável vitória de Bolsonaro, o professor utiliza a pura dialética: “Agora desarrumou tudo. Que bom!”.

Sensacional.

 
Xico Graziano

Xico Graziano, 65, é engenheiro agrônomo e doutor em Administração.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

PF indicia Michel Temer e filha Maristela por corrupção passiva e lavagem de dinheiro


Relatório final do inquérito que apura se emedebista recebeu propina do setor portuário foi enviado ao STF

Aguirre Talento,
Bela Megale
e Carolina Brígido
O Globo
O presidente Michel Temer, durante cerimônia no Palácio do Planalto
Foto: Givaldo Barbosa/Agência O Globo/09-10-2018
 

BRASÍLIA — Após 13 meses de investigação, a Polícia Federal ( PF ) finalizou o inquérito que apurava se o presidente Michel Temer e seu grupo político receberam propina em troca de beneficiar indevidamente empresas do setor portuário. No relatório final, a PF indiciou o atual presidente e sua filha Maristela por corrupção passiva , lavagem de dinheiro e organização criminosa , além de outros acusados.


O relatório final afirma que Temer usou empresas do coronel reformado da PM João Baptista Lima, amigo do presidente de longa data, para receber propina da empresa Rodrimar por meio de uma complexa engenharia financeira envolvendo repasses a empresa de fachada ligada ao coronel. A PF aponta ainda crimes em pagamentos feitos pelo grupo Libra. Ambas as empresas são concessionárias de áreas do porto de Santos, reduto de influência política do emedebista.

O relatório final, assinado pelo delegado Cleyber Malta Lopes, foi enviado nesta terça-feira ao Supremo Tribunal Federal — prazo máximo estabelecido pelo ministro Luís Roberto Barroso. Agora, o material será encaminhado à procuradora-geral da República Raquel Dodge, que deverá decidir se oferece denúncia contra o presidente com base nesses fatos.

Temer já havia sido denunciado duas vezes pelo antecessor de Dodge, Rodrigo Janot, em casos envolvendo a delação do grupo J&F (dono da JBS), mas o Congresso Nacional barrou a abertura de ação penal contra o presidente. Caso Dodge ofereça nova denúncia, será a terceira contra o emedebista no exercício do cargo de presidente.

Além de Temer e Maristela, a PF apontou indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra o coronel João Baptista Lima e sua mulher Maria Rita Fratezi, além do seu sócio Carlos Alberto Costa e o filho dele, Carlos Alberto Costa Filho. A PF também aponta corrupção ativa do empresário Antônio Celso Grecco e seu subordinado Ricardo Mesquita, da Rodrimar, e de Gonçalo Torrealba, do grupo Libra, citados como responsáveis por pagamentos de propina em troca de benefícios na administração pública. A PF pediu o bloqueio de bens de todos eles, inclusive Temer e sua filha.

A PF ainda solicitou a prisão preventiva do coronel Lima, seu sócio Carlos Alberto Costa, sua mulher Maria Rita e o contador Almir Martins Ferreira, que também foi indiciado — Almir é suspeito de operar a empresa de fachada que receberia propina para Temer. No despacho, Barroso proíbe os quatro de saírem do país e pede a manifestação da PGR sobre o pedido de prisão.
 
A investigação tem como base um decreto assinado por Temer no ano passado que prorrogou e estendeu os prazos de concessão de áreas públicas às empresas portuárias. A PF suspeita que Temer tenha recebido propina para favorecer as empresas nesse decreto.



6/10/2018

Cid Gomes: parte do PT já deu por perdida a disputa presidencial no 2º turno





O senador eleito Cid Gomes (PDT-CE) disse nesta terça-feira, 16, ao Estadão/Broadcast, que parte do PT já deu por perdida a disputa presidencial no segundo turno das eleições 2018 e está “se lixando” para o presidenciável Fernando Haddad. Na visão do irmão de Ciro Gomes (PDT), a “companheirada” só está pensando em garantir a hegemonia na oposição a um futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL).

“Eles (petistas) querem ser hegemônicos inclusive na oposição. Boa parte da companheirada aí já deu por perdido (o segundo turno) e está pensando nisso, em ser hegemônico na oposição. Estão se lixando para o Haddad. São incapazes de um gesto de grandeza, mesmo que isso seja permitir uma oportunidade para o jovem, talentoso, inteligente, preparado que é o Fernando Haddad. Eu acho que isso (gesto de autocrítica) tem que partir de quem está no comando do PT”, afirmou.

Cid provocou polêmica em ato político realizado em Fortaleza (CE), na noite desta segunda-feira, 15, no qual conclamou que o PT fizesse uma autocrítica para não “perder feio” de Bolsonaro no pleito presidencial. O pedetista acabou vaiado pela plateia, que começou a gritar o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba na Operação Lava Jato. Após a fala de Cid, o PT considera improvável criação de frente ampla contra Bolsonaro.


Nesta terça-feira, Cid Gomes reiterou à reportagem essas críticas e disse que é uma característica do PT não fazer gestos para reconhecer erros.

“Se tem uma possibilidade de reversão desse quadro (liderança de Bolsonaro), extremamente avesso ao Haddad, que eu considero o melhor candidato, é a gente ir no nó da questão, que é essa ânsia, essa raiva, essa vingança, que boa parte dos brasileiros tem em relação ao PT”, disse. “Penso que a única forma de se contrapor a esse sentimento é desvincular. É um pedido de desculpas, é o reconhecimento de erros. Ser humilde não faz mal a ninguém, nunca vi ninguém sofrer porque fez gesto de humildade, de reconhecimento de erros. Falta infelizmente (esse reconhecimento de erros), que pelo visto é característica do PT”, afirmou.

O senador eleito disse ainda que há um sentimento na sociedade brasileira de “dar uma lição” tanto em PT quanto no PSDB, mas os tucanos já tomaram a “porrada” no primeiro turno, quando o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, figurou como quarto colocado.


“(A rejeição da sociedade) não é só PT, não, ao PSDB também. Acho que há um sentimento de virar as duas páginas (PSDB e PT). O Alckmin levou a primeira porrada, o PSDB levou a primeira porrada no primeiro turno. É óbvio que o PT é um partido que tem mais máquina, acabou elegendo a maior bancada, que no final das contas é 10% do Congresso. Isso, para um partido que teve o presidente da República por quatro mandatos seguidos, é nada. Então há um sentimento de dar uma lição no PSDB e no PT e agora o Haddad será vítima disso”, disse.

Mais cedo, Cid usou seu perfil no Facebook para tentar contornar a repercussão de suas declarações. Ele escreveu na rede social que Haddad é “infinitamente melhor que o Bolsonaro”. “Eu não quero me vingar de ninguém. Para o Brasil o menos ruim é o Haddad. Por isso penso que seria melhor que ele ganhasse”, publicou.


16/10/18


Em evento pró-Haddad, Cid Gomes, irmão de Ciro, culpa PT por 'criar' Bolsonaro e chama militantes de 'babacas'


Senador eleito cobrou pedido de desculpas dos petistas pelas 'besteiras que fizeram' e chamou militantes de 'babacas'


Dimitrius Dantas
O Globo


Cid Gomes, ex-prefeito de Sobral, ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação
Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo
 
SÃO PAULO - Um ato de apoio à campanha de Fernando Haddad (PT) no Ceará , no Marina Park, foi marcado pela discussão do senador eleito Cid Gomes (PDT) , irmão de Ciro Gomes (PDT), com militantes petistas. Escalado para ser o primeiro a discursar, Cid cobrou um pedido de desculpas do PT pelas "besteiras que fizeram". Cid disse, ainda, que o partido "criou" Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas para a Presidência. Ao ser vaiado, disse que o partido vai "perder feio" a eleição se não assumir seus erros, e lembrou que o ex-presidente Lula está preso.



Inicialmente aplaudido, o ex-governador do Ceará cobrou dos petistas presentes que o partido fizesse um "mea culpa" se quisesse vencer a eleição.

- Não cabe a mim cobrar mea culpa de ninguém. Eu conheço o Haddad, é uma boa pessoa, tenho zero problema de votar no Haddad - disse Cid, antes de continuar:

- Mas se quiser dar um exemplo pro país, tem que fazer um mea culpa, tem que pedir desculpas, tem que ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira.

A frase gerou uma reação dividida na plateia. Um deles chamou a atenção de Cid e o senador eleito, apontando para o militante, iniciou uma série de críticas ao partido.



- É assim? É? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir os erros que cometeram é pra perder a eleição. E é bem feito. Pois vão, vão, vão e vão perder feio. Vão perder feio! Porque fizeram muita besteira, porque aparelharam as repartições públicas, porque acharam que eram donos de um país e o Brasil não aceita ter dono - afirmou.

O irmão de Ciro ainda afirmou que "essas figuras que acham que são donos da verdade" criaram Bolsonaro.
 
- Não sei por que me pediram para falar. É para fazer faz de conta? Eu faço faz de conta - disse.

Nesse momento, parte da plateia começou a cantar gritos de ordem favoráveis ao ex-presidente Lula, gerando outra crítica de Cid.

- Lula o que? Lula está preso, babaca. O Lula está preso, o Lula está preso, e vai fazer o que? - afirmou. - Deixa de ser babaca, rapaz, tu já perdeu a eleição.


Após pedir o "silêncio dos babacas do PT", o pedetista diz que falará apenas aos eleitores de Ciro que estavam no local. Após relembrar o apoio dado a candidatos do PT em locais onde a família Ferreira Gomes exerce influência no estado, Cid lembrou que ele e Ciro apoiaram a eleição e reeleição de Camilo Santana, atual governador do Ceará, ao contrário do PT, que seria um partido que quer ser "hegemônico". Apesar disso, Cid pede para que os eleitores de Ciro façam "mais um sacrifício".
 
- Engulam, façam mais um sacrifício. Nunca mereceram. Nunca deram nada em troca. Agora, faltando quatro meses para a eleição, eu convidei a Dilma para ser candidata a senadora no Ceará e o Lula impediu que ela viesse porque queria que o Eunício fosse eleito aqui no Ceará. O Lula! O Lula! - diz, gerando novas críticas de parte da plateia.

A crítica a Lula gerou nova reação exaltada dos presentes, o que levou Cid a terminar seu discurso se negando a pedir diretamente voto em Haddad.

- Grita, que eu não peço. Não vou pedir não. Beijinho, beijinho, tchau, tchau - finalizou.





15/10/2018 

sábado, 13 de outubro de 2018

O sonho mirabolante



Resultado de imagem para 40 navios sondas
 
WILLIAM WAACK
ESTADÃO
São espetaculares os termos da delação do ex-ministro Antonio Palocci cujo sigilo foi levantado pelo juiz Sérgio Moro. Não chegam a ser exatamente “revelações”, mas comprovam de maneira assombrosamente clara como foi produzido o desastre no qual se enfiou o Brasil. Catástrofe na qual o PT e seu chefão, Lula, tiveram papel de liderança e conduta, mas que envolveu amplos círculos do mundo da política, dos negócios, da economia e setores importantes da sociedade civil.

Não, não é a parte que fala de propina, ilicitudes, grana correndo por dentro e por fora e os mais variados crimes de corrupção. É a parte, no anexo 1 da delação, na qual Palocci relata como a descoberta do pré-sal levou Lula, em 2007, a ter “sonhos mirabolantes”. E como o governo vislumbrava um país riquíssimo, e, para isso, se determinava a construção de 40 navios sondas – e a consequente “fundação” de uma indústria naval completa – para a nacionalização e desenvolvimento do projeto do pré-sal, pelo seu interesse social e pela possibilidade de alavancar a indústria nacional.

Estão aí os elementos centrais (políticos, sociais e econômicos) do “nacional-desenvolvimentismo”, que é, talvez, o pior conjunto de ideias capaz de explicar a baixa produtividade, a baixa competitividade, o atraso relativo e a distância que o Brasil vê aumentar em relação às economias avançadas, tanto pelo ponto de vista das nossas relações de trabalho e sociais quanto à nossa capacidade de participar da era da geração do conhecimento.

O “nacional-desenvolvimentismo” dos militares ainda tinha um componente focado em infraestrutura e ocupação de território, enquanto o “nacional-desenvolvimentismo” do lulopetismo desandou para a “nova matriz econômica” dos subsídios, proteções, controle de preços (mais prejudicial à Petrobrás que a totalidade da grana desviada pelos companheiros do PT, PMDB e PP) e anabolizantes de consumo via crédito.

Impossível dizer que os “sonhos mirabolantes” do então presidente fossem delírios saídos de uma só cabeça. O “nacional-desenvolvimentismo” do PT vem de uma longa tradição que capturou também cabeças pensantes do mundo empresarial, acadêmico e político. É parte de um ideário nacional quase, infelizmente, “atávico” e com raízes já anteriores ao varguismo. E seu retrato 3 x 4 moderno só poderia ser o de Dilma Rousseff – para ser colocado na parede com a legenda: “esta é a cara do nacional-desenvolvimentismo”.

Nestas eleições, nas quais a corrupção (com razão) e a insegurança pública (com razão) ocupam um espaço tão importante na maneira como os eleitores encaram os candidatos, ficou em plano muito inferior qualquer debate sobre o conjunto de ideias, sobre o “sonho mirabolante” transformado em pesadelo – e nem estamos falando de seus aspectos éticos e morais. Por mais paradoxal que pareça, dadas a profundidade e a abrangência do fracasso econômico, uma relativamente gigantesca fatia da sociedade é sensível às mesmas promessas e aos mesmos postulados ligados ao atraso, à ineficácia, à estagnação.

Para muita gente, muita mesmo, é mais fácil encarar as mazelas do momento como o resultado da ação de políticos incompetentes, perdulários, corruptos e que agem apenas em benefício do próprio bolso ou de seus grupos. E que uma vez lavado tudo isso a jato, as coisas voltam a funcionar e o País a crescer e a gerar prosperidade. É um grave engano, mas quem disse que elites inteiras não se enganam?


 04/10/18

Mais um engodo petista


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EDITORIAL DO ESTADÃO




O PT planeja lançar uma “frente democrática” no segundo turno, em defesa da candidatura do preposto do presidiário Lula da Silva, Fernando Haddad. Sob a coordenação de Jaques Wagner, a legenda tenta pregar mais uma peça na população brasileira, dizendo que o PT pode ser o bastião da democracia ante o avanço da candidatura do deputado Jair Bolsonaro (PSL).


Com o PT a democracia sempre esteve em risco. Basta ver que, no momento em que Lula ocupava a Presidência da República e o partido desfrutava de expressivo apoio popular, a legenda optou por subverter a democracia representativa, comprando parlamentares por meio do esquema que depois ficaria conhecido como mensalão. Mesmo após a confirmação do caso, o PT não fez nenhuma autocrítica.

Os petistas nunca pediram desculpas à população brasileira por terem desrespeitado o princípio constitucional de que todo o poder emana do povo – sob o jugo do PT, o poder emanava do dinheiro periodicamente pago aos parlamentares.

Não satisfeito com o mensalão, o PT instalou outro esquema de corrupção do sistema político, o petrolão, com o uso das estatais para intermediar a compra de apoio político em troca de benesses econômicas. Além de os valores desviados das empresas públicas terem atingido cifras até então inauditas – o escândalo do mensalão ficou parecendo manobra de principiante –, o petrolão representou um novo grau de subversão do poder.

Era a apropriação de todo o aparato do Estado por parte de uma causa político-partidária. Evidentemente, esse cenário não é compatível com o que se espera de uma democracia pujante.

Nos últimos tempos, o PT voltou a mostrar seu desprezo pelas instituições republicanas. A legenda instalou uma autêntica cruzada contra o Poder Judiciário, simplesmente porque várias instâncias da Justiça entenderam que Lula da Silva também devia estar submetido ao regime da lei.

A absoluta evidência de que o ex-presidente petista pôde exercer um amplíssimo direito de defesa não foi motivo para que o PT interrompesse suas imprecações contra o Judiciário.

Seguiram com sua infantil postulação de que todo o Estado Democrático de Direito deveria se curvar ao grande líder. Nos regimes admirados pelos petistas, o Judiciário não tem a audácia de condenar líderes populares por corrupção e lavagem de dinheiro.

Neste ano, Lula da Silva e seu séquito fizeram de tudo para desrespeitar as regras eleitorais, com uma massiva campanha de desinformação, pregando que, se o demiurgo de Garanhuns não pudesse se candidatar, a eleição seria uma fraude. “Eleição sem Lula é golpe”, repetiram por todo o País.

Sem nenhum apreço pelo princípio da igualdade de todos perante a lei, a fantasiosa argumentação era um descarado pedido de privilégio para o sr. Lula da Silva. Segundo os petistas, a Lei da Ficha Limpa não podia ser aplicada ao grande líder.

E para que não pairasse nenhuma dúvida de que continua havendo nas hostes petistas uma profunda ojeriza pelos princípios democráticos, o programa de governo do candidato Fernando Haddad foi talhado nos moldes do modelo bolivariano. Sem cerimônia, o PT prega um “novo processo constituinte: a soberania popular em grau máximo para a refundação democrática e o desenvolvimento do País”.

A legenda promete subverter a democracia representativa. Além de instalar conselhos populares, ela quer “expandir para o presidente da República e para a iniciativa popular a prerrogativa de propor a convocação de plebiscitos e referendos”.

Também fala abertamente em “instituir medidas para estimular a participação e o controle social em todos os Poderes da União e no Ministério Público”. Para coroar suas pretensões autoritárias, os petistas mencionam a necessidade de um “novo marco regulatório da comunicação social eletrônica”.

A atual liberdade tem incomodado suas pretensões autoritárias.

Quando o PT pede votos em favor de Fernando Haddad, que seria o campeão da defesa democrática do País, falta-lhe credibilidade.

O passado e o presente o desmentem.



12/10/18

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Para diretor do Datafolha, virada de Haddad sobre Bolsonaro se mostra difícil



Ao comentar em encontro na TV Folha os números da nova pesquisa Datafolha, o diretor-geral do instituto, Mauro Paulino, diz que "será muito difícil haver uma reviravolta".

Os números mostram Jair Bolsonaro (PSL) com 58% dos votos válidos e Fernando Haddad (PT) com 42%, uma diferença de 16 pontos percentuais.

"Uma vantagem tão grande nunca foi revertida em favor do segundo colocado em um segundo turno", diz Paulino. Ele lembra que Dilma conseguiu virar sobre Aécio Neves, mas a diferença era de apenas quatro pontos percentuais.

Para o editor de Poder, Fábio Zanini, Haddad, para mudar o cenário, precisará "tirar um coelho da cartola" em duas semanas. Ele lembra também que essa "reviravolta" será dificultada pela ausência de Bolsonaro ao menos nos primeiros debates com Haddad.

Além de Paulino e Zanini, participaram do debate a repórter especial Patrícia Campos Mello e, por Skype, o correspondente da Folha em Salvador (BA), João Pedro Pitombo. A mediação foi da repórter de Poder Thais Bilenky.

A pesquisa, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, foi feita nesta quarta-feira (10) e ouviu 3.235 pessoas em 227 municípios. O estudo está registrado no TSE com o número BR-00214/2018.




10.out.2018

Datafolha: Bolsonaro tem 58% dos votos válidos; Haddad aparece com 42%




Nos votos totais, o candidato do PSL tem 49%, contra 36% do petista

Marco Grillo
O Globo


Pesquisa Datafolha do segundo turno as eleições apontam vitória de Jair Bolsonaro Foto: O Globo
 
RIO — A primeira pesquisa de intenção de votos divulgada após o início do segundo turno mostra que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro , tem 58% dos votos válidos, enquanto Fernando Haddad (PT) aparece com 42%.

Na contagem dos votos totais, Bolsonaro tem 49%, enquanto Haddad tem 36%. Brancos e nulos somam 8%, e 6% não souberam responder.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Nos recortes regionais, o candidato do PSL vence no Sudeste (55% a 32%), no Sul (60% a 26%), Centro-Oeste (59% a 27%) e Norte (51% a 40%). Já no Nordeste, a vantagem é de Haddad: 52% a 32%. Os números levam em consideração os votos totais.

Entre as mulheres, há um empate técnico entre os dois candidatos: Bolsonaro tem 42%, enquanto Haddad aparece com 39%. Já no eleitorado masculino, o candidato do PSL tem ampla vantagem: 57% a 33%.

O Datafolha ouviu 3.235 entrevistados em 227 municípios nesta quarta-feira. O nível de confiança é de 95%, e o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-00214/2018.


Intenção de voto para presidente / Datafolha

Votos válidos

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.


JairBolsonaro 
58%  (PSL)

FernandoHaddad  42%  (PT)

Pesquisa estimulada

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.


JairBolsonaro 
49%  (PSL) 
FernandoHaddad  36%  (PT)

Brancose nulos  8%
Não souberam/não respondeu  6%

Fonte: Datafolha



10/10/2018


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Narrativa renovada




Por Merval Pereira
O Globo

Entre mortos e feridos, poucos se salvaram, mas entre estes o PT, paradoxalmente, é um dos que resistiram à onda bolsonarista, apesar de derrotas emblemáticas em todo o país e de ter sido confinado ao nordeste, e mesmo assim não nas capitais e grandes cidades. Além de ter elegido a maior bancada da nova Câmara, reelegeu no primeiro turno os governadores da Bahia, do Ceará e do Piauí. E governadores aliados no norte e nordeste como Renan Filho, do MDB de Alagoas; Flávio Dino do PCdoB no Maranhão; João Azevedo do PSB na Paraíba, e Paulo Câmara do PSB em Pernambuco. E está no segundo turno da eleição presidencial pela quinta vez seguida, embora pela primeira vez em posição de desvantagem.

A bancada petista no Senado caiu de nove para seis, mas, exceto o MDB, com 12 senadores (tinha 18 antes), nenhum outro partido terá mais representantes. O PT já tem papel de destaque caso Bolsonaro confirme sua vitória no segundo turno: liderará a oposição.

Seu oposto tradicional, o PSDB, sai das urnas ferido de morte. Por sua tibieza, foi engolido pela onda conservadora que varreu o país, fez apenas a nona bancada da Câmara, quando era a terceira, mas pode ter um fôlego se eleger os governadores de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas.

Os que se surpreenderam com o resultado das urnas não levaram em conta que o sucesso de Bolsonaro é produto de três coisas: deu voz a uma onda conservadora nos costumes; fala claramente em combate mais feroz a bandidos, fortalecendo a atuação das polícias e mexendo na Legislação; e, finalmente, o desmonte dos partidos tradicionais.

A onda de antipetismo que se formou no país tem papel complementar às duas primeiras, pois o PT está sendo associado pela maioria dos brasileiros com o que seria um abandono dos valores tradicionais e a leniência com os bandidos em nome dos Direitos Humanos.

Aconteceu a renovação na política que era desejada pela sociedade civil desde 2013, quando espontaneamente cidadãos saíram às ruas para cobrar, basicamente, melhores serviços do Estado. A democracia foi apropriada pelas pessoas em suas redes sociais. Um candidato tosco, por vezes com posições repulsivas, sem sair do hospital e de casa, ganha 50 milhões de votos sem dinheiro nem tempo de TV.

Os partidos, “donos” dos espaços político-partidários, tentaram impedir essa renovação, financiando preferencialmente os candidatos à reeleição com o Fundo Partidário, usado para o fortalecimento das cúpulas partidárias. O resultado é que na Câmara Federal teremos 47 por cento só de deputados estreantes, uma revolução que os eleitores forçaram o establishment a aceitar. Menos da metade dos deputados conseguiu se reeleger. O que não quer dizer que o nível da Câmara melhorará. Pela amostra que já temos, com até ator pornô sendo eleito, não é garantida a qualidade da representação.

Jair Bolsonaro influenciou as eleições em todos os Estados, e o eleitorado tirou vários caciques da vida pública, velhas lideranças e seus filhos não foram reeleitos, a despeito do poder político e econômico. Uma conseqüência desse desmanche dos partidos tradicionais é o fracionamento maior da Câmara, que terá 30 partidos representados, em vez dos já exagerados 25 que lá atuam.

As maiores bancadas serão do PT, com 56 deputados e PSL, que de insignificantes 8 deputados, tendo elegido apenas um em 2014, passa a ter 52, e provavelmente aumentará ainda mais com as adesões que os partidos que estão no governo recebem.

O PMDB foi o que mais perdeu cadeiras: caiu de 66 eleitos em 2014 para 34 em 2018. Esta eleição foi uma prova de vitalidade democrática do país, apesar da onda de fake news. Por fim, há o surgimento de uma consciência liberal e antipetista que surpreendeu.

O plebiscito foi não só em relação ao impeachment da Dilma, mas também em relação à prisão do Lula e à atuação da Lava-jato. Dos inúmeros significados desta eleição, um deles, por seu simbolismo, chama especial atenção: a ex-presidente Dilma teve a sua candidatura ao Senado recusada pelos eleitores mineiros, que tiraram-lhe os poderes políticos que foram mantidos por uma interpretação fajuta da Constituição avalizada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski. E a advogada Janaína Paschoal, co-autora do pedido de impeachment, foi a deputada mais votada da história.

De forma clara e plebiscitária, a tese do golpe foi rechaçada. O povo chancelou o impeachment da Dilma e enterrou a narrativa do golpe.

09/10/2018


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

ARRASTÃO NA URNA

"A política tradicional morreu.

Teremos anos dolorosos pela frente", diz Jairo Nicolau



Por Bernardo Mello Franco
O Globo
Givaldo Barbosa
Agência O Globo


A eleição do novo Congresso sepultou a política tradicional e o sistema partidário construído a partir da Constituição de 1988. A avaliação é do cientista político Jairo Nicolau, um dos maiores estudiosos do Legislativo no país.

Ele afirma que a fragmentação recorde da Câmara, que passa a ter deputados de 30 partidos, deve impedir qualquer presidente eleito de governar com maioria. "Mudou tudo. Estamos diante de fenômenos nunca vistos", diz o professor da UFRJ.

Para Nicolau, o deputado Jair Bolsonaro capitalizou a rejeição ao PT ao discursar contra a corrupção e se vender como "um João Doria nacional". "Ele não precisou discutir nada de concreto. O eleitor comprou um símbolo", avalia.

Leia alguns trechos da entrevista ao blog:

O novo Congresso: "O sistema partidário que nós conhecíamos morreu junto com o aniversário de 30 anos da Constituição. A fragmentação da Câmara já era a maior do mundo. Agora chegamos a um ponto fora de qualquer parâmetro. Estamos diante de uma eleição nunca vista. A política tradicional morreu no Brasil".

Governo sem maioria: "É muito difícil que o próximo presidente consiga formar um governo de maioria. Isso pode comprometer a aprovação de emendas constitucionais, como a reforma da Previdência".

Guinada à direita: "Bolsonaro criou do nada um grande partido de extrema direita. Os analistas esperavam que o PSL faria uma bancada de 15 a 20 deputados. Houve um arrastão (a sigla garantiu 52 cadeiras). O hiperconservadorismo ganhou uma força que ninguém esperava. Vamos conhecer esta bancada agora. A lista dos eleitos está cheia de prenomes como cabo, capitão e coronel".

Mudanças até a posse: "Os deputados eleitos por pequenos partidos de centro-direita que não cumpriram a cláusula de desempenho poderão migrar para o PSL sem serem punidos. Isso deve fazer do PSL a maior bancada no início da legislatura, em fevereiro (ultrapassando o PT, que elegeu 56 deputados)."

Renovação alta: "A renovação foi muito maior do que se imaginava (53,4% das cadeiras na Câmara). É um índice alto para um sistema que tentou se proteger como nunca, com a campanha mais curta e a concentração do fundo eleitoral. Mas uma taxa de renovação alta não garante um Congresso melhor".

Surpresa nas urnas: "Há uma incompreensão do que estava acontecendo no Brasil e nas redes sociais. Mudou tudo. Estamos diante de uma nova direita organizada. Impressiona a incapacidade dos partidos tradicionais de operar como antes".

A ecruzilhada do PT: "O PT se agarrou ao Nordeste. Os pobres do Sul e do Sudeste, que votavam no partido, migraram para Bolsonaro. Há uma rejeição absurda ao partido. Haddad fez uma campanha ruim. Não avançou para o centro, não fez nenhuma inflexão. Ainda vai visitar o Lula hoje".

O fenômeno Bolsonaro: "O eleitor comprou o Bolsonaro como um João Doria nacional. Ele prometeu romper com a política tradicional e explorou a corrupção e o antipetismo como temas centrais. O fato de ter ficado calado depois da facada o ajudou. Ele não precisou discutir nada de concreto. O eleitor comprou um símbolo".

Efeitos da polarização: "O clima na sociedade não está bom. Essa eleição conseguiu dividir mais as famílias do que o impeachment. A polarização está saindo das redes e indo para as ruas. O sujeito que quebrou a placa da Marielle na terça se tornou o deputado mais votado do Rio no domingo. Teremos anos dolorosos pela frente".

08/10/2018


Mapa eleitoral do primeiro turno mostra PT ‘cercado’ no Nordeste

Reduto do partido foi o que garantiu realização de segundo turno; Bolsonaro avançou por Estados onde Dilma havia vencido em 2014

Daniel Bramatti
O Estado de S.Paulo

No mapa eleitoral do primeiro turno da eleição presidencial de 2018, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, encurralou o adversário Fernando Haddad (PT) no Nordeste e em um pedaço da região Norte – mais especificamente o Pará.
Eleitores em zona eleitoral esperam a hora de votar
Foto: Leo Correa/AP Photo


No total, Bolsonaro venceu em 16 Estados e no Distrito Federal. Ganhou na totalidade das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Apesar de não ter repetido o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff no Nordeste, Haddad conseguiu evitar que a onda bolsonarista invadisse a região, o que teria levado a uma definição da disputa já no primeiro turno.


O melhor desempenho de Bolsonaro nos Estados ocorreu em Santa Catarina, onde teve quase dois terços dos votos, deixando Haddad em um distante segundo lugar, com 15%. Nos vizinhos Rio Grande do Sul e Paraná, Bolsonaro teve também o apoio da maioria absoluta do eleitorado.

No Sudeste, o candidato do PSL só não alcançou maioria absoluta em Minas Gerais – e foi por pouco. Entre os mineiros, o placar pró-Bolsonaro foi de quase 49% a 27%. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, o militar da reserva teve 53%. No Rio de Janeiro, seu domicílio eleitoral, Bolsonaro alcançou quase 60%.

Haddad venceu em nove Estados, sendo oito no Nordeste e apenas um – o Pará – no Norte. Em relação ao mapa do primeiro turno de 2014, o candidato do PT não repetiu o desempenho de Dilma Rousseff – candidata do partido na época – nos principais Estados do Norte.

Dilma, por exemplo, teve 55% dos votos no Amazonas no primeiro turno de 2014. Haddad, por sua vez, ficou com 39%, atrás de Bolsonaro, com 45%.

No Nordeste, o melhor desempenho de Haddad ocorreu no Piauí, no Maranhão e na Bahia, onde teve aproximadamente seis em cada dez votos.
Exceção

Nos Estados nordestinos, o petista só não foi o vencedor no Ceará, reduto eleitoral de Ciro Gomes (PDT).

O pedetista teve 41% dos votos dos cearenses. Haddad ficou com 32%, e Bolsonaro, com 22%. Foi o único Estado em que o candidato do PSL ficou na terceira posição.

Os Estados em que o PT teve melhor desempenho são os que possuem maior concentração de eleitorado beneficiado por políticas públicas e programas sociais da época em que o partido comandava o governo federal.

Perfil. A última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo antes da eleição, concluída na véspera da disputa, mostrou que o embate entre Bolsonaro e Haddad reproduziu parcialmente a clivagem social das disputas entre PT e PSDB. Desde a eleição de 2006, o partido de Lula se sai melhor entre os eleitores mais pobres e menos escolarizados, enquanto o adversário do PT tem desempenho superior nas faixas de maior renda e escolaridade. Neste ano, o padrão se repetiu, segundo o Ibope.

Outro recorte que mostrou diferenças entre o eleitorado de Bolsonaro e o de Haddad é o religioso. O Ibope feito na véspera da pesquisa, da mesma forma que todos os levantamentos anteriores realizados durante a campanha, apontou que Bolsonaro tinha desempenho melhor entre evangélicos que entre católicos. Já em relação a Haddad ocorreu o contrário.

No recorte por raças feito pelo Ibope, o candidato do PT se saiu melhor entre os negros e pardos, enquanto Bolsonaro se destacou entre os brancos.
07 Outubro 2018


Capacidade de construir consenso definirá vitorioso entre Bolsonaro e Haddad



Um quarto dos eleitores não votou nem no PSL nem no PT e se torna fundamental para a vitória



Plínio Fraga
Época

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro se enfrentarão no 2º turno pela Presidência do Brasil
Foto: Agência O Globo
 
Os dois candidatos a presidente que vão ao segundo turno somaram 75% dos votos válidos. Em tese, um quarto dos brasileiros deve, no segundo turno, optar por um novo voto; e três quartos dos eleitores, também em tese, tendem a reafirmar o voto anterior. Assim o reposicionamento dos 25% dos eleitores que não votaram em Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) decidirá o pleito no segundo turno. Os 13% dos votos válidos destinados a Ciro Gomes (PDT) são o principal patrimônio em disputa.

Previsto como o mais fragmentado da história, o primeiro turno da eleição presidencial mostrou-se mais aglutinador do que anunciado. Forças políticas com histórico de representação elevada murcharam; caciques e dinastias políticas foram varridas do mapa eleitoral. Como não existe vácuo em política, candidatos fora do sistema e fora dos radares surgem como novidades reais do pleito deste domingo.

O primeiro turno pode ser analisado a partir de dois ângulos opostos. No modo pesselista, Bolsonaro tem de manter sua votação de 49 milhões (46% dos válidos) e ganhar pelo menos 6 milhões de votos, caso seja mantido o grau de comparecimento e votos válidos do primeiro turno. O segmento-alvo são os 27,6 milhões de votantes dos demais 11 candidatos. Para vencer, o pesselista precisa, se não perder votos, atrair 22% desses votos.


No modo petista de análise, Hadadd tem de acrescentar ao seu patrimônio de 31 milhões de votos mais 24 milhões de votos, ou seja, 87% dos eleitores que não votaram nem no PSL nem no PT. Como Ciro responde sozinho por 43% desses eleitores, uma aliança entre PDT e PT poderia reduzir significativamente a diferença em favor de Bolsonaro. No entanto, mesmo que Ciro transfira 100% dos votos para Haddad, o que é improvável, o petista ainda precisaria arrebatar 11 milhões de votos entre os eleitores dos demais candidatos.

O segundo turno é uma nova eleição, mas é também a continuação do primeiro. São ideias interdependentes. Em jogo estará a capacidade de cada candidato comunicar sua mensagem. Bolsonaro sai em vantagem. Precisa agregar menos eleitores do que o petista.

A principal característica do segundo turno é o estabelecimento de políticas e ideais consensuais, que sejam apoiadas por setores sociais amplos. É um dos grandes avanços institucionais da Constituição brasileira de 1988. As vozes que o contestam são aquelas ligadas a setores minoritários, à direita e à esquerda, porque o processo dificulta propostas radicais. Estimula a formação de maiorias estáveis.

Quando o chavão da análise eleitoral prega que o segundo turno é uma nova eleição estimula a afirmação de que o jogo seria zerado e dois candidatos partiriam do nada à busca de eleitores. É fato que nada obriga que um eleitor repita no segundo turno o voto que escolheu no primeiro. Mas estes têm se mostrado minoritários na história da eleição presidencial brasileira em dois turnos. Grande parte dos eleitores repete seu voto. Para estes, o segundo turno é uma continuação do primeiro, não uma nova eleição.


No primeiro turno, começaram a ser construídos os argumentos que levaram a escolha de um candidato e que levaram a rejeição de outro. No segundo turno, as opções são restritas a duas, levando à escolha excludente, comparativa, valorativa, em que o pior e o menos pior também passam a ser posicionamentos relevantes.

Quase 30 milhões de eleitores registrados se abstiveram de votar. Outros dez milhões decidiram votar em branco ou anular. A maior ou menor capacidade de um dos dois candidatos atrair esses eleitores refratários será decisiva para o pleito.

Esses 40 milhões de eleitores e os 27,6 milhões que votaram nos outros 11 nomes que agora estão fora da disputa formam o contingente-alvo de 67,6 milhões de brasileiros que, nas próximas três semanas de campanha, definirão quem será o novo presidente brasileiro.





07/10/2018