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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Capacho - Reinaldo Azevedo


C a p a c h o





O título parece nome de filme iraniano?

Não deixa de ser.

No caso, um filme de terror que se realiza lá e uma tragicomédia que se vive aqui. No Irã, a protagonista é Sakineh Mohammadi Ashtiani (foto), acusada de adultério e condenada a morte por apedrejamento — já recebeu 99 chibatadas.

No Brasil, o ator principal é Luiz Inácio Lula da Silva, capacho de ditaduras em que trogloditas de todo o mundo tentam limpar suas patas sujas de sangue em nome da autodeterminação dos povos.

Há um movimento mundial em favor da libertação de Sakineh. Ao clamor mundial, Lula responde ora com estupidez, ora com chacota falsamente caridosa, que mal disfarça o endosso à tirania iraniana e, acreditem!, o apedrejamento simbólico da vítima.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é aprovado por quase 80% dos brasileiros?

Estou me lixando pra isso. Revela-se, a cada dia, um monstro moral.

Quando e se ele bater nos 100%, vocês me avisem: pretendo ser o traço estatístico a lhe dizer
: “NÃO!!!”.

M
esmo quando parece aquiescer com as noções básicas de justiça, Lula chafurda no pântano da justificação do mal, da impostura, da vilania ética e da ilegalidade.

Este senhor, com efeito, é uma personagem inaugural: nunca antes na história destepaiz a estupidez foi tão bonachona, a burrice tão aclamada, a prepotência tão “autêntica”. Lula é a expressão do bom selvagem de Rousseau — uma formulação já originalmente cretina de um cretino “castelão e vagabundo” (by Fernando Pessoa) — filtrado pelo sindicalismo oportunista e pelo stalinismo do petismo casca-grossa.

No sábado, durante um comício em favor da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, o Babalorixá de Banânia resolveu oferecer a sua ajuda a Sakineh nestes termos
:

“Se vale a minha amizade e o carinho que eu tenho pelo presidente do Irã e o povo iraniano, se essa mulher está causando incômodo, a receberíamos no Brasil de bom grado”.
Notem
que a vítima aparece como aquela que “está causando incômodo”. 

Mahmoud Ahmadinejad, que manda enforcar opositores em praça pública, pendurados em guindastes — como se vê na foto abaixo —, merece a “amizade” e o “carinho” de Lula. Mas isso ainda é pouco.

ira-enforcamentos1

O presidente brasileiro não está se oferecendo para receber a iraniana condenada ao apedrejamento em nome da civilidade, dos direitos humanos ou mesmo da caridade.

Ele se propõe a resolver um “incômodo” de seu amigo Ahmadinejad.

Entende-se que a oferta busca honrar aquela “amizade” e aquele “carinho”. Não é que ele ache a pena, em si mesma, brutal ou injusta
.




Lula, em suma, justifica o mal.


A impiedade de sua oferta — e nisso está sua impostura — se revela na seqüência de sua fala, quando confessa, em seu português exótico, cujo sentido se presume, ter traído Marisa Letícia:
Fico imaginando se um dia tivesse um país do mundo que se o homem trair fosse apedrejado. Eu queria saber quem é que ia gritar: ‘Atire a primeira pedra iá iá aquele que não traiu’”.

Ele cantarolou.

Os presentes riram.

Lula é a face risonha da morte.

Lula é a versão galhofeira das tiranias.

Lula é o clown da violência institucional.


No
fim das contas, oferece o Brasil como abrigo inferindo que esta é uma boa terra para adúlteros, não para vítimas de ditaduras.

Bem, os boxeadores cubanos que o digam.

Lula os jogou no colo de Fidel Castro.


Tudo compatível com o pensador que comparou os protestos contra a fraude eleitoral no Irã a torcedores descontentes porque seu time perdeu o jogo.

Lula atinge o grotesco quando cantarola “atire a primeira pedra” referindo-se justamente a a uma mulher condenada ao apedrejamento
.

Eis o vilão ético.

E, por espantoso que pareça, Lula também transgrediu abertamente a lei ao fazer, num palanque eleitoral, uma oferta que diz respeito ao que seria um ato de governo.

Sua propensão à ilegalidade é incurável.

Mãos sujas



O
Babalorixá já havia lavado as mãos nesse caso — sujando-as, como de hábito, no sangue de todas as ditaduras do planeta. Na quarta-feira, em solenidade no Itamaraty, explicou por que preferia não se envolver:

“Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo todo o pedido que alguém pede de outro país.

É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras.

Se começarem a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, daqui a pouco vira uma avacalhação”.


Seria até ocioso, mas vale lembrar, uma vez mais, a título de registro histórico que este mesmo presidente foi a voz mais estridente contra os governos constitucionais de Honduras — tanto o provisório, que substituiu o golpista Manuel Zelaya, como o eleito (que o Brasil ainda não reconhece) —, ignorando, então, o fato de que aquele país “tem leis”
.

É
claro que são situações incomparáveis: Zelaya foi deposto para que a democracia sobrevivesse em Honduras; a condenação de Sakineh é evidência de uma tirania. Lula é legalista nos regimes de força e porcamente legitimista nas democracias; naquelas, defende o império da lei que perpetua o mal; nestas, alinha-se com os transgressores, que as depredam em busca do mal.

E Dilma, a “mulher”
?



A candidata petista Dilma Rousseff, a exemplo de seu chefe, é uma contumaz defensora do regime iraniano e de seu líder máximo, Ahmadinejad.

Suas entrevistas estão espalhadas por aí. Dada a repercussão mundial do caso e considerando que Lula é um dos poucos “amigos” do facinoroso, resolveu se pronunciar a respeito.

Segundo a candidata, a condenação “fere a nós, que temos sensibilidade, humanidade”.

É a expressão do pensamento afásico da criatura eleitoral de Lula.

Uma ova, minha senhora!

A condenação de Sakineh não é algo que ofende almas sensíveis.

Trata-se de uma brutalidade que fere o que tem de ser considerado um padrão universal, sim, de civilização, que não pode ser seqüestrado pela canalha relativista — canalha esta tão mais propensa a reconhecer os “valores particulares” de cada país quanto mais esses valores se chocam com o Ocidente que adoram detestar.

E só podem detestá-lo, diga-se, porque as prerrogativas democráticas que ele oferece lhes faculta a expressão de seu odioso pensamento.

Eis aqui, leitores, um grande paradoxo:

as democracias permitem até a manifestação do mal; as tiranias costumam proibir a expressão do bem. Lula e Dilma são amigos dos tiranos
.


L
ula, visto inicialmente como o príncipe augural, recebeu o beijo da prepotência e voltou a ser o sapo retrô, que vai deixando, mundo afora, um rastro asqueroso de justificação do mal.

Ao contrário do que reza a propaganda oficial e até de certo senso comum, Lula manchou a reputação do Brasil num valor cada vez mais caro na relação entre os países: os direitos humanos
.

C
onfessando-se um adúltero — e supondo que todos o são —, este senhor ofereceu-se para receber uma “adúltera”, não uma vítima de um regime asqueroso. E assim procede porque, afinal de contas, suas relações com o tirano são de “amizade” e “carinho.


É o mais baixo a que ele chegou até agora.

Mas eu jamais corro o risco de subestimá-lo.

Seu mandato não acabou.

E, nesse particular, Lula pode mais.


02/08/2010


sexta-feira, 30 de julho de 2010

O presidente que exige uma mulher no Planalto nega socorro à mulher condenada à morte por apedrejamento



Por Augusto Nunes

Até na morte por apedrejamento o Irã consegue ser mais brutal com as mulheres.

Os homens, enterrados até a cintura, ficam com os braços livres para proteger o rosto. Nem isso será permitido a Sakineh Mohammadi Ashtiani, viúva de 43 anos, já punida com 99 chibatadas e agora à espera do ritual instituído em 1983 pela revolução dos aiatolás.

O Código Penal determina que as mulheres sejam enterradas até a altura do busto, com as mãos amarradas por cordas e o corpo envolvido por um tecido.

Não podem sequer defender-se das pedras atiradas a curta distância sob o olhar da multidão reunida na praça.

O grupo de executores, liderado pelo juiz que assinou a sentença, inclui os jurados que aprovaram a condenação, parentes da vítima, e figurões da comunidade e voluntários anônimos.

Todos são homens: no Irã, mulheres não apedrejam; só podem ser apedrejadas.

Para que a plateia não se frustre com mortes rápidas, as pedras que circundam o alvo são pequenas.

O juiz atira a primeira.

A agonia que se encerra com o traumatismo craniano não dura menos que uma hora.

Tanto pelo espetáculo da perversidade primitiva quanto pela ausência de motivos para a condenação, o caso de Sakineh provocou uma intensa mobilização na internet.

Como em quase todos os países, multidões de brasileiros tentam impedir a consumação da brutalidade.

Alguém teve a ideia de lançar a campanha “Liga, Lula”, inspirada na convicção de que Mahmoud Ahmadinejad não se negaria a atender a um pedido de clemência formulado pelo amigo brasileiro.



Lula também acha que ouviria um sim.
Mas não vai ligar.

Caso ligasse, não iria além de reparos em tom amistoso ao método escolhido para o assassinato.

“Eu, sinceramente, não acho que nenhuma mulher deveria ser apedrejada por conta de… ter, sabe, traição”, gaguejou nesta quarta-feira.

Adultério – ou “traição”, prefere Lula – não chega a ser um crime hediondo. Estariam de bom tamanho a cadeira elétrica, uma injeção letal, a câmara de gás, até mesmo a forca.

Matar a pedradas pode parecer exagero, diria na conversa telefônica.

Mas a conversa não haverá, sublinhou a continuação da discurseira. “Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo tudo que alguém pede de outro país”, justificou-se.

“Veja, eu pedi pela francesa e pelos americanos que estão lá, pedi para a Indonésia por um brasileiro, pedi para a Síria por quatro. É preciso cuidado, porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras, as pessoas, sabe… Se começam a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, vira uma avacalhação”.


Avacalhar significa desmoralizar, ridicularizar, tratar desleixadamente, não levar a sério.

Não combina com a história de Sakineh.

Mas a expressão usada pelo campeão da vulgaridade se ajusta admiravelmente ao próprio governo:
é uma avacalhação.


O verbo é conjugado o tempo todo há sete anos e meio.E frequenta com especial assiduidade o palavrório dos condutores da política externa.

Lula se desmoraliza ao tratar como problema político uma causa humanitária. Para defender o parceiro, age como ajudante de carrasco.

Não pode ser levado a sério alguém incapaz de compreender que os direitos humanos prevalecem sobre todas as leis ou regras.

Lula encara dramas com desleixo e participa de chanchadas com muita aplicação.
 

É ridícula, enfim, a argumentação invocada para mascarar a verdade escancarada: para recusar ou endossar pedidos, para estuprar ou tratar respeitosamente normas legais, Lula compõe um hino à avacalhação.

O que importa é a conveniência eleitoreira, o parentesco ideológico, a cumplicidade mafiosa.


Fidel Castro, por exemplo, emplacou três pedidos em três anos.

Foi para atender ao ditador-de-adidas que o presidente autorizou a deportação dos pugilistas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, fez que não leu a carta da blogueira Yoani Sanchez e acusou o preso político Orlando Zapata de se se deixar morrer no 85° dia da greve de fome.

Hugo Chávez emplaca todos, até os que chegam ao som da lira do delírio. Foi para agradar ao bolívar-de-hospício, por exemplo, que Lula violentou as leis de Honduras e transformou em pensão a embaixada brasileira.

É para ajudar o comparsa venezuelano que hostiliza o governo colombiano e afaga as FARC.

Para eleger Dilma Rousseff, virou colecionador de crimes eleitorais. Para fechar negócio com José Sarney, transformou-o em homem incomum. Para chegar à presidência, exigiu que os corruptos fossem justiçados.

Para consolidar-se no poder, promoveu-os a amigos de infância.

No momento em que se recusou a estender a mão a Sakineh, em respeito às leis do Irã, estava ajudando Hugo Chávez a desrespeitar as leis da Colômbia.

Enquanto adulava os narcoterroristas das FARC, o ministro Celso Amorim tentava estuprar a legislação israelense que proíbe a entrada na Faixa de Gaza de autoridades estrangeiras que podem ser utilizadas pelo Hamas como peças de propaganda.


Lula acha que uma brasileira merece a Presidência sobretudo por ser mulher. Mas não acha que merece misericórdia uma iraniana que só foi condenada à morte por apedrejamento porque é mulher.

Lula anda chorando quando lembra que a longa temporada no poder está chegando ao fim. Não se comove com a iraniana angustiada com a aproximação do fim terrível.

O candidato sem chances ao Nobel da Paz nem sabe o que é um humanista.

Desde sempre fez a opção preferencial pelos pastores da violência.


Dilma Rousseff acha que todas as mulheres devem apoiá-la porque é mulher. Não deu um pio sobre a saga da iraniana que vai morrer por ser mulher.

Lula só pensa em Lula.

Dilma não consegue pensar.

Sakineh merece compaixão.

O Brasil merece coisa melhor.




30/07/2010

domingo, 20 de junho de 2010

Maioria dos brasileiros apoia as sanções contra o Irã


por Marcos Guterman


Uma pesquisa do Pew Research Center mostra que a maioria absoluta dos brasileiros (85%) condena a possibilidade de o Irã obter armas nucleares.

Desses, 65% consideram correta a imposição de sanções contra o regime iraniano, o que mostra que a decisão do governo Lula de rejeitá-las no Conselho de Segurança da ONU foi tomada a despeito da opinião de boa parte dos brasileiros.

É aceitável o argumento de que política externa não pode se basear em pesquisas de opinião, como sabiamente ensinou Henry Kissinger em seu livro Diplomacia.

Por outro lado, é irônico que um governo tão empenhado em provar-se legítimo por meio de pesquisas de popularidade ignore os sentimentos de muitos brasileiros na hora de tomar decisões esdrúxulas em nome do país.


18.junho.2010

domingo, 13 de junho de 2010

Lula desconfia de Obama em Natal e confia no presidente americano em Maceió


Por Augusto Nunes

Num único dia, duas versões do presidente Lula foram apresentadas a diferentes Estados nordestinos. Com o olhar de quem acabou de ver a noiva com outro, exibiu-se no Rio Grande do Norte o missionário pacifista que só não provou que os aiatolás atômicos são gente boa por ter sido atraiçoado por Barack Obama. Com o olhar de quem chegou do almoço, exibiu-se em Alagoas o estadista que nem precisou estudar para virar doutor em tudo e, depois de ouvir do intérprete que Barack Obama dissera que era ele o Cara, nomeou-se consultor-geral do mundo.


“Fiz tudo o que ele pediu, mas o Obama não cumpriu a palavra”, repetiu em Natal a voz de quem consola a viúva no velório. “Não é porque o Obama disse que eu sou o cara que vou achar que já fizemos tudo o que precisa ser feito neste país”, repetiu em Maceió a voz de quem, ao acordar, cumprimenta-se por ter nascido. Somadas, as performances da quarta-feira informam que Lula agora tem um Obama para cada plateia.

Talvez esteja convencido de que uma metamorfose ambulante pode tudo. Pode muita coisa. Pode até promover a amigo de infância o inimigo que vivia acusando de corrupto, como reafirmou a segunda aparição em Alagoas ao lado de Fernando Collor. Mas não pode avisar de manhã que perdeu a confiança em Obama e afirmar à tarde que confia em Obama. Discursos excludentes frequentemente convivem na mesma cabeça. Mas não saem juntos.

A carta assinada por Obama, segundo o destinatário, prova que não se deve acreditar em coisas que o remetente escreve. Se é assim, não faz sentido acreditar em coisas que um intérprete diz que o presidente americano quis dizer, como ocorreu na reunião do clube dos cucarachas em Trinidad-Tobago. Obama não fala português. Quem transformou em Cara o que chegou aos ouvidos de Lula como maimém e maigai foi o intérprete Sérgio Ferreira.

Em vez de ajudar a remover as pendências que afligem o continente americano, o deslumbrado incapaz de enxergar-se com alguma ironia passou a envolver o Brasil em crises distantes ─ sempre do lado errado. Para vergonha dos brasileiros sensatos, a mistura de soberba e ignorância já se fantasiou de Pacificador do Oriente Médio e de Domador de Aiatolás. A reação do esperto que virou otário informa que o fracasso da missão no Irã não encerrou o carnaval temporão. Vem mais por aí.

Na sessão do Conselho de Segurança da ONU, 12 países aprovaram a quarta rodade de sanções e o Líbano se absteve. Só o embaixador da Turquia, parceira do fiasco, juntou-se ao Brasil. Lula afirma de meia em meia hora que os 5% que desaprovam seu governo em pesquisas amigas não querem dizer nada. Só importam os 80% que, conforme os sensus da vida, acham que, se melhorar, estraga. Nesta semana, decidiu que na ONU são outros 500 (ou outros 51). Os 80% de aprovação obtidos pela ideia de enquadrar o Irã não querem dizer nada. Importante foi o voto da Turquia: significa que 6% do total acharam a proposta ruim ou péssima. Para autoritários vocacionais, minoria a favor é maioria.

Porque só ouve o que dizem os áulicos, os oportunistas e os esquerdistas psicóticos, Lula imagina que tem chances de virar secretário-geral da ONU e ganhar o prêmio Nobel da Paz. Por falta de coragem, os mercadantes não se atrevem a lembrar-lhe que a entidade jamais será comandada por alguém incapaz de falar corretamente qualquer idioma. Por falta de juízo, os dirceus não lhe contam que um comparsa dos pastores da violência jamais será promovido a campeão da paz.

Lula trata a pontapés a democracia hondurenha, afaga a ditadura cubana, aproxima-se de Hugo Chávez, hostiliza Alvaro Uribe, irrita-se com o acordo militar entre Colômbia e os EUA, hospeda em Brasília um embaixador das FARC, isola-se da comunidade mundial para servir ao Irã, ignora o contencioso do continente americano para colecionar trapalhadas em lugares que conhece de vista. A insatisfação crescente de antigos admiradores estrangeiros confirma que ninguém erra tanto impunemente.

O palanqueiro sem freios nem pudores gabou-se com tamanha insistência da construção do Brasil Grande que acabou acreditando na proeza imaginária. Hoje, acredita que o mundo é um grande Brasil. Logo saberá que não é.
10 de junho de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

As lágrimas de lula comoveram Ahmadinejad?

IRÃ – BRASIL
As lágrimas de lula comoveram Ahmadinejad?

O presidente brasileiro ao encontrar com o iraniano não se conteve e chorou copiosamente, como uma mulher traída.

Desabou sobre seus ombros o peso de estar sendo feito idiota por Ahmadinejad, diante da comunidade internacional.

Se sair do Irã de mãos abanando adeus presidência da ONU, Premio Nobel da Paz etc. e tal.

Ao que parece, piedosamente o iraniano resolveu dá como premio de consolação um acordo meia bomba


Foto: Getty Images
O machão Ahmadinejad não acreditou quando viu Lula chorando na sua frente

Por Toinho de Passira

Fontes: BBC Brasil, G1,
O Globo, Portal Terra


Até a chegada de Lula ao Irã, não havia sido fechado qualquer acordo sobre a proposta apresentada pelo Brasil e Turquia para evitar que o Irã seja alvo de sanções internacionais, sob as desconfianças de que o país estivesse manipulando urânio para uso militar.

O chanceler brasileiro Celso Amorim abandonou a comitiva brasileira, quando Lula estava na Rússia e antecipou-se ao presidente na chegada ao território iraniano, para tentar salvar as negociações que haviam empacado.

Foto: Reuters
Ahmadinejad constrangido não sabe o que fazer com o chorôrô presidencial de Lula

A base da proposta turca e brasileira continuaria sendo o plano da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), do final do ano passado, que prevê o enriquecimento do urânio iraniano em outro país em níveis que possibilitariam sua utilização apenas para uso civil: geração de energia e para fins medicinais.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, havia dito na sexta-feira que o Irã não estava comprometido com o acordo proposto e resolveu não ir até o país vizinho, participar das negociações junto com o presidente brasileiro.

Foto: Associated Press
Ahmadinejad levou Lula para um canto, tentando consolá-lo

Depois da chegada de Lula ao país, vendo que a repercussão de nenhum acordo, estimularia os americanos e seus aliados a aplicar as sanções, os iranianos resolverem voltar atrás e engendraram um acordo.

O entendimento apresentou avanços razoáveis a ponto de fazer o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, mudar de idéia e ter ido se junta a Lula em Teerã.

Foto: Reuters
Lula e Mahmoud Ahmadinejad, muitas conversas e nenhum resultado divulgado

Durante todo o domingo, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, não comentaram a proposta do Brasil e da Turquia e nem mesmo o presidente Lula, nos encontro com a imprensa e em notas diplomática fez qualquer menção ao acordo nuclear.

Finalmente durante o jantar com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (foto), disse que um acordo foi alcançado entre Irã, Turquia e Brasil sobre os procedimentos para reavivar o paralisado acordo de troca de combustível nuclear defendido pelas Nações Unidas, mas que só seria revelado os detalhes nesta segunda feira.

A expectativa é que o Irã apresentará um plano escorregadio, capaz de paralisar a comunidade internacional em prosseguir na tentativa de sanções contra ele, a partir da ONU, mas que não impeça sua obstinação de ter sua bomba atômica.

Além do governo brasileiro e o governo turco, ninguém acredita nas boas intenções do governo iraniano.


16/05/2010

domingo, 9 de maio de 2010

A ultrapassagem das últimas fronteiras da canalhice - Augusto Nunes



Parida por stalinistas farofeiros, avalizada por um presidente ignorante também em geopolítica e executada por um chanceler poltrão, a política externa do governo brasileiro ultrapassou uma das últimas fronteiras da canalhice ao retomar a sequência de agressões a Honduras.

Pronto para a viagem ao Irã, em fase de aquecimento para a tarefa de distrair aiatolás atômicos com afagos subalternos e anedotas vulgares, Lula voltou a absolver um governo infame enquanto reiterava a excomunhão de um presidente democraticamente eleito.


O bando de Mahmoud Ahmadinejad fraudou as eleições, reprimiu com ferocidade todas as manifestações de protesto e há meses vem assassinando dissidentes. O presidente Porfirio Lobo candidatou-se por um partido de oposição, foi escolhido pelo voto direto e governa um país sem presos políticos.

Mas só merecerá alguma atenção do Brasil quando o ex-presidente Manuel Zelaya voltar a conspirar em Honduras. Só depois disso Lula decidirá se a pequena nação centro-americana terá o privilégio de ver estendida a mão misericordiosa da potência de araque.

O Itamaraty já não se orienta por normais morais. Não existem mais diretrizes regidas por princípios éticos. Existem manobras e jogadas urdidas por sacerdotes da esquerda psicótica, todas engolidas sem engasgos pelo chanceler sabujo. O país que se nega a reatar relações diplomáticas com Honduras é o mesmo que há seis meses festejou a abertura da embaixada na Coreia do Norte.

O governo que enxerga uma tirania em Tegucigalpa é o mesmo que protege o genocida sudanês Omar al-Bashir. O presidente que hostiliza um chefe de governo livremente escolhido pelo povo é o mesmo que chama de “irmão” o sociopata líbio Muammar Khadaffi, ou culpa presos políticos cubanos pela própria morte para inocentar a ditadura mais antiga do mundo.

Não há mais uma política externa brasileira. O Itamaraty deixou de servir aos interesses da nação. Hoje é só um braço do PT no exterior.

5 de maio de 2010

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Lula 'dá cotovelada' em Obama ao receber líder Irã, diz 'New York Times'



Para jornal americano, visita 'bate de cabeça' com esforços para controlar país e pode arranhar imagem do Brasil.


- Uma reportagem publicada nesta segunda-feira no jornal americano "The New York Times" afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "está dando cotoveladas" no seu colega americano, Barack Obama, ao receber o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em Brasília nesta segunda-feira.

Seguindo a linha de outros artigos publicados na imprensa estrangeira, o jornal vê a visita como uma tentativa brasileira de se afirmar nas grandes questões internacionais mundiais.

Ao mesmo tempo, a matéria levanta preocupações quanto aos efeitos da cartada diplomática nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos, que mantêm relações tensas com Teerã.

"As ambições brasileiras de se tornar um ator importante no palco diplomático global batem de cabeça nos esforços dos Estados Unidos e outras potências mundiais de controlar o programa de armas nucleares do Irã", afirma o "NYT".

Analistas e legisladores americanos ouvidos pelo jornal criticaram a visita, que ocorre pouco depois da recepção brasileira ao presidente israelense, Shimon Peres, e ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Para os críticos do encontro entre Lula e Ahmadinejad, a visita "pode enfraquecer os esforços para pressionar o Irã no seu programa nuclear, e consequentemente esfriar as relações do Brasil com os Estados Unidos e arranhar sua crescente reputação como potência global".
'Diplomacia arriscada'

Da Espanha, o jornal "El País" escreve que a chegada de Ahmadinejad a Brasília é "uma arriscada operação diplomática" de Lula, que "tenta reforçar seu papel como protagonista internacional (...), mas pode ficar em uma posição difícil se a visita acabar em fiasco".

Em meio a uma "busca desesperada por apoio internacional", diz o jornal, "a América Latina se tornou cenário de um importante esforço de penetração diplomática iraniana".

Além do Brasil, a visita do presidente iraniano inclui a Venezuela e a Bolívia. Além disso, as relações com Caracas abriram para o Irã as portas de outros países, como Nicarágua e Equador.

"Nenhuma destas viagens havia despertado tanta inquietude como o giro que começa hoje", diz o "El País". "O Brasil é um país muito diferente e reivindica um cenário distinto."

Citando as ambições brasileiras de usar as negociações no Oriente Médio como um trampolim para tentar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o diário espanhol avalia que "a entrada em campo do Brasil, uma enorme potência em todos os sentidos, muda por completo o mapa".
'Teste'


Para o britânico "Financial Times", a visita de Ahmadinejad é um "sério teste diplomático" para o "status do Brasil como uma potência mundial emergente".

O jornal acredita que a recepção será um "reconhecimento" do regime iraniano por parte do maior país da região.

"Em privado, membros do governo americano se mostraram preocupados com os contatos entre o Irã e outros governos", escreve o "FT".

Por outro lado, sublinha o diário financeiro britânico, após a visita do presidente israelense ao Brasil, o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, "disse que estava considerando encerrar suas operações no Irã, ainda que enfatizando que a decisão é puramente técnica". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.