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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Que bom, Mayara Vivian, que você nunca me enganou! Líder do Passe Livre se preocupa com baderneiros presos, mas não perdoa os fetos. É uma gigante moral!


Raramente eu me deixo enganar por certo tipo de gente. Muito raramente! Quantos foram os apelos feitos aqui para que eu cedesse aos encantos do Movimento Passe Livre, um grupo supostamente sem ideologia?! Quantas foram as mensagens a me acusar de estar cego, com os olhos fechados para a realidade?! Seria o povo, finalmente, acordando para a realidade do lulo-petismo!
E eu nada de mudar! Parecia estar mais surdo e mais cego do que o faraó, não é? E, fosse assim, não me restaria alternativa que não ser engolido pelas águas da minha própria teimosia.
É que eu fui procurar as origens do Movimento Passe Livre, um dado que desapareceu na imprensa. Encontrei, lá na raiz, uma espécie de incubadora de movimentos sociais, com financiamento do Ministério da Cultura, acesso à Lei Rouanet e patrocínio, para um dos projetos, da Petrobras. Seu comandante se diz partidário da “democracia líquida”. A “democracia líquida” é um conceito que elimina do horizonte os entraves da democracia representativa. O mundo é de quem pode mais, de quem grita mais, de quem se impõe.
Boa parte da imprensa tentou atribuir à turma do Passe Livre e a seus associados uma agenda que eles nunca tiveram. Tentou, sim, dar uma endireitada em seu pensamento torto; tentou se apropriar de seu ideário, mudando-lhe, em alguns casos, o vetor.
Mayara Vivian, a sedizente estudante de geografia da USP, vem a público para botar as coisas no seu devido lugar. Em entrevista ao UOL, ela ataca a dita “pauta conservadora” de algumas pessoas que participaram do movimento. Reproduzo, em vermelho, um trecho: (…)
Mesmo dizendo que o MPL não é contra a participação de legendas nos protestos, Mayara criticou diversas faixas e slogans gritados durante as manifestações dos últimos dias.
“Tem gente que não consegue nem mobilizar dez pessoas e leva uma faixa com dizeres horríveis, como coisas contra a legalização do aborto e outras. O MPL é anticapitalista e contra qualquer forma de opressão. Repudiamos várias das reivindicações feitas nos atos.”. Nos protestos desta semana, alguns manifestantes levaram faixas pedindo a redução da maioridade penal e contra o aborto.
Presos por vandalismo Os representantes do MPL se comprometeram a prestar auxílio jurídico a todos os manifestantes detidos e que respondem a processo – cerca de 60, segundo o movimento . Quanto ao caso de pessoas presas por saques e roubos, Mayara afirmou que “fica difícil saber se a pessoa realmente cometeu o crime do qual é acusada. Na terça-feira (18), após os saques, a PM prendeu manifestantes aleatoriamente.” O movimento afirmou que analisará caso a caso para identificar quem poderá ajudar e quais casos serão encaminhado à Defensoria Pública.
“A questão do encarceramento em massa de pessoas pobres é muito grave. O MPL não é juiz para dizer quem cometeu ou não cometeu um crime, mas somos contra vandalismo seja de manifestantes, seja do Estado”, afirmou. (…)
Voltei Então um movimento “sem líderes”, segundo importantes setores da nossa imprensa, vai prestar “auxílio jurídico” a delinquentes que foram presos depredando e saqueando? Que coisa bonita! Para vagabundo que sai roubando pela cidade, ela quer ajuda. Mas não perdoa quem não pode correr: os fetos, por exemplo. Notem: ela é contra até mesmo a que alguém erga um cartaz se manifestando contra o aborto. Acha isso “horrível”.
Mayara Vivian se coloca como juíza das reivindicações feitas nos atos. Ela é a senhora da pauta e deixa muito claro: eles são contra o capitalismo e “outras formas de opressão” — e se entende, assim, que o capitalismo é, por definição, uma forma de opressão. Logo, não havendo uma terceira opção, ela só pode ser a favor da libertação socialista. E isso não é dedução ou conjectura. O MPL se diz socialista, sem meias palavras.
Mayara se refere ainda a um suposto “encarceramento” de pessoas pobres que estaria em curso no Brasil — e toca no assunto quando se refere à canalha que foi presa em atos de vandalismo.
A imprensa que está flertando com essa gente está alimentando a Besta. Os que acham que esse movimento que privilegia a desordem e a afronta à legalidade democrática pode ser ruim para o lulo-petismo não está entendendo nada! Nessa matéria do UOL, Mayara deixa claro que também se opõe àqueles que criticaram a presença de partidos políticos nas manifestações. E dá piscadelas explícitas ao PT, que já ajustou a sua chave ao “movimento”. Em essência, o Passe Livre é o petismo sem a responsabilidade de governar.
Bem-vindos à realidade, senhores liberais do miolo mole! Bem-vindos à realidade, senhores nefelibatas! Em muitos aspectos, literais e metafóricos, a imprensa livre está cercada por essa gente. Os que resolveram brincar de Al Jazeera caipira cobrindo a Primavera Árabe estavam — e estão — flertando com a corda em torno do próprio pescoço.
A foto que vai lá no alto está no site da BBC, que destacou uma frase lapidar dita por esta moça: “Achei um absurdo termos que negociar com o secretário de segurança pública [e não com a Secretaria de Transportes]. O povo tem direito à cidadania e à tarifa zero”. Ela queria paralisar a cidade, como paralisou, mas achou um absurdo ter de negociar com quem responde pela segurança de 11,5 milhões de pessoas. E, como se vê, transformou a tarifa zero num direito natural.
Vão lá brincar com eles, liberais bobões!
Vão lá balançar o berço do bebê-diabo!
Chamem o Polanski. A imprensa brasileira vive a sua fase Rosemary.

Rosemary nina “o troço” no berço do mal. Ela tinha sido incubada pelo “coisa- ruim”
20/06/2013

sábado, 15 de junho de 2013

Descoberta a origem de mais um grupo que ajuda a tocar o terror em São Paulo



Por Reinaldo Azevedo

Ai, ai… As coisas vão ficando cada vez mais divertidas. Nos distúrbios de rua, especialmente em São Paulo, a gente nota a presença ostensiva de bandeiras amarelas.

Vejam
.




Há ali a assinatura de um “movimento”, que tem página na Internet: chama-se “Juntos”. O endereço é juntos.org.br. Mais uma vez, fui fazer a divertida brincadeira de saber quem e o dono do registro.

Tchan, tcha, tcham!




Sim, trata-se de Luciana Genro, militante do PSOL, filha do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT).

Ela anda um tanto afastada da política por razões de saúde, mas o vereador Pedro Ruas, de Porto Alegre, dá toda força à turma e a substitui com sobras. O “Juntos” é uma espécie de movimento social do PSOL. No “Quem somos”, eles se revelam (em vermelho):

“Juntos! é um movimento nacional de juventude. Surgiu no início de 2011 em São Paulo e vem conquistando a simpatia de jovens de todo o Brasil. Surgimos em um novo momento no mundo. O mar da história está agitado, já diria Maiakovski. Representamos uma nova geração de lutadores dispostos a construir um mundo radicalmente novo. Juntos! é a juventude em movimento pela educação de qualidade, em defesa do meio ambiente, contra o preconceito e por uma sociedade com igualdade e liberdade para todos.

Juntos! construímos o nosso I Encontro Nacional que deu o ponta-pé inicial pra nossa empreitada de organizar as lutas onde quer que estejam.

Juntos! é a juventude dos indignados: dos tunisianos, egípcios, espanhóis, chilenos. Somos aqueles que estão sem emprego, sem educação, sem cultura, sem casa, mas também sem medo de lutar! Somos aqueles que estão em defesa da Amazônia nos atos contra a construção de Belo Monte e contra o novo código (anti-)florestal! Somos aqueles que estão nas lutas contra toda forma de preconceito, seja de genêro, etnia, idade, credo. Somos aqueles que estavam nas Marchas da Liberdade, das Vadias, no #ForaRicardoTeixeira, contra a corrupção, nas paradas LGBT. Somos aqueles que #TomamosAsRuas e lutamos por uma #DemocraciaRealJá!


Voltei
Como se vê, para que alguém pertença ao “Juntos”, basta que tenha uma causa, qualquer uma, e que se indigne com alguma coisa. Boa parte dos “revolucionários” modernos, estes que promovem a baderna em várias cidades brasileiras, com destaque para São Paulo e Rio, não têm mais, a exemplo de seus congêneres do passado, Karl Marx como referência.

O marxismo, já afirmei aqui algumas vezes, é difícil. A leitura da teoria propriamente dita é chata. É diferente do Marx divertido de “O 18 Brumário” ou de “A Ideologia Alemã” — ainda assim, também esses livros são ignorados.

A “moçada” que está nas ruas tem pressa demais para se ater a textos de referência. Bastam-lhes as opiniões dos amigos no Facebook e algumas irresponsabilidades daquele professor “bacana” de história que os incita ao ativismo.

Teoria pra quê?

Mesmo os vermelhos que tentam organizar a turma (PSOL, PCO e congêneres), lembrou um amigo ao telefone nesta sexta, estão menos para Marx do que para uma mistura, assim, de Paul Lafargue, que escreveu um panfletozinho chamado “O Direito à Preguiça”, com Bakunin, o anarquista.

Ao mesmo tempo em que parecem rejeitar o estado, exigem que ele se comporte como o grande provedor.

Tempos de obstipação ideológica!

Tenho combatido, desde o primeiro dia, como evidenciam os textos que estão em arquivo, certo esforço que anda por aí de emprestar aos violentos distúrbios de rua — promovidos principalmente por jovens de classe média alta (as roupas o denunciam) — um alcance mais profundo, como se fossem eventos da superfície a denunciar um movimento de placas tectônicas da sociedade brasileira. Será mesmo?

São Paulo tem 11,5 milhões de habitantes; o Rio, 5,5 milhões. O movimento contra o reajuste da passagem de ônibus deve ter reunido pouco mais de 5 mil pessoas na primeira cidade — 0,05% da população — e de 2 mil na segunda: 0,04%.

É mais do que o suficiente para provocar o caos. Aliás, a depender da leniência da polícia ou da violência dos que protestam, dá para provocar um desastre na cidade com muito menos gente do que isso. Basta que dois ou três malucos resolvam se deitar no meio da avenida, sem que ninguém os tire de lá, e pronto!

Mas por que o transporte virou uma espécie de fetiche? Por que essa luta “pegou” — ainda que nesse universo restrito de uns poucos milhares numa cidade de muitos milhões — e conta, segundo pesquisas, com o apoio de boa parte da população. Porque, se formos pensar, de todos os serviços públicos, é aquele cujo pagamento é mais visível.

É diário — ainda que não forma de cartão. E também é o que rende menos satisfação. A educação pública até o ensino médio é uma lástima, mas é gratuita. A saúde, idem, idem. Boa ou má, não se paga de modo perceptível por segurança pública. Há outros serviços oferecidos por concessionárias que causam satisfação imediata: é o caso da energia elétrica ou da telefonia.

Mesmo havendo reclamações às pencas, o fato é que o serviço está disponível na esmagadora maioria das vezes.

Com o transporte público, a coisa é diferente. O serviço nas grandes cidades é mesmo precário, ainda que tenha melhorado muito (falo de São Paulo, que conheço) nos últimos 20 anos. Tanto é um ponto nevrálgico que Fernando Haddad transformou a questão numa bandeira de campanha. E foi eleitoralmente bem-sucedido.

Que o seu “bilhete mensal” fosse só uma tramoia de marketing, isso era evidente. Bastava refletir um pouco. Mas a tese seduziu muita gente, especialmente jornalistas.

Assim, é fácil entender que um movimento que se oponha à elevação do preço da passagem — e que prega, na verdade, tarifa zero — conte com a simpatia de muita gente.

Nada de bom
Não há nada de bom, reitero o que escrevi na manhã de ontem, nesse movimento. Ao contrário. Assistimos ao casamento do estado-babá com o estado prevaricador. Os “lafarguistas” brasileiros estão tentando transformar num valor, numa cláusula pétrea do caráter nacional, o “direito à preguiça”, ao “almoço grátis”. Querem que o estado forneça de camisinha a aborto, tudo graciosamente — tratar-se-ia, asseguram, de “direitos”.

E tem sido esse o mais permanente sinal das ditas políticas de inclusão social, que tendem a criar, dada a forma como se exercem, clientelas políticas.

E qual a causa da violência? Ora, a experiência indica que os “oprimidos” — ou aqueles que falam em seu nome — têm assegurado o direito à transgressão. Não tem sido assim com o MST e com os índios, por exemplo?

Mas vai mudar

A partir de segunda, no entanto, a pauta deve sofrer uma torção. O PT decidiu aderir às manifestações de rua, mudando a sua agenda, que é ruim para Fernando Haddad. Em vez de protesto contra a elevação da tarifa, os alvos serão a Polícia Militar e o governo de São Paulo.

Ontem, a vastíssima rede do PT na Internet, incluindo os blogs e sites sujos financiados pelo governo federal, por gestões petistas e por estatais, entraram firme no apoio ao protesto de segunda.

O PT tem experiência nisso. Sua ala sindical deve ir à rua, inclusive para tentar impedir que a coisa degenere para a violência.

Ingênuo ou espontâneo, esse movimento nunca foi, como este post prova mais uma vez. Ele só se dava um tanto à margem do petismo. Mas, agora, o partido decidiu deglutir o processo.


15/06/2013

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O fascismo nas ruas – O protesto analfabeto de seis deslumbrados em Paris



Por Reinaldo Azevedo

Agora é assim: basta que seis analfabetos universitários — uma categoria que cresceu muito (há números a respeito) na era petista resolvam fazer um protesto contra autoridades brasileiras em Paris e pronto!

Isso vira manchete no Estadão Online.

Se for contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), então, aí é mel na sopa.

Abro o Estadão Online e encontro lá os seguintes título e texto:


Alckmin e PT são alvo de protesto em Paris

“O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o PT foram alvo de um protesto de estudantes brasileiros em Paris. Com cartazes nos quais se lia (sic) frases como “Alckmin, o vândalo é você” e “PT de mãos dadas com o facismo (sic) tucano”, os jovens pediam a libertação dos presos no protesto de terça-feira à noite, entre os quais um jornalista detido entre os manifestantes.
(…)”


Já falo sobre o jornalista”. Mais adiante, a gente lê:

“A manifestação em Paris reuniu menos de dez brasileiros que se concentraram em frente ao Hôtel de Matignon, a sede do primeiro-ministro da França, Jean-Marc Ayrault, com quem Alckmin se encontrou às 18h.”


Menos de dez?
Quanto é menos de dez?
Informo: SEIS!


Já contei aqui que a minha primeira providência quando fui chefe de jornal foi proibir a palavra “esposa”. A segunda foi exigir o uso adequado do “cerca de”. Havia textos que diziam coisas como “cerca de 37 pessoas…” Pois é: “menos de dez” se insere entre as coisas contáveis, não?


Personalizando ou não?

Outra coisa notável no texto e na edição do Estadão é que, no caso do tucano, há a personalização: “Alckmin” foi alvo do protesto. Já Fernando Haddad — que é, afinal, quem reajustou a passagem — é poupado. Nesse caso, o protesto foi contra o… PT!


Quem são os espancadores da língua?

Vejam esta foto.



Informa ainda o texto do Estadão:

“A ideia [do protesto] foi da jornalista Jaqueline Nikiforos, mestranda em Literatura da Sorbonne.

‘Foi em solidariedade às pessoas presas, às manifestações e às reivindicações contra o aumento da tarifa de transporte em São Paulo’, justificou.

‘Nós somos contra todas essas prisões. O esforço de se manifestar dessas pessoas não pode ser reduzido a vandalismo.’
Bia Barbosa, mestranda e jornalista que colabora com o portal de esquerda Carta Maior, também participou da manifestação e protestou contra a prisão do também jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, detido entre os manifestantes. ‘Ele defendeu uma menina e está sendo acusado de formação de quadrilha, para você ter uma ideia’, argumentou. (…)”

Retomo

Ah, bom! A “Carta Maior” é aquele site de esquerda financiado pela Petrobras, onde brilham a sabedoria e a destreza ortográfica e sintática de Emir Sader. Olhando um dos cartazes do protesto, faz sentido…

Quanto à tal Jaqueline Nikiforos… Fiz uma pesquisa rápida e descobri que a moça tinha sido assessora do ex-deputado Raul Marcelo, do PSOL. Seria filiada? Recorri ao site de consulta do TSE e batata! Trata-se de uma militante do PSOL em… Paris! Convenham! Ninguém é de ferro! Socialismo com liberdade é o tipo de casamento só possível às margens do Sena. Duro é encarar esse troço na periferia de Diadema..


Analfabetismo


Vejam a foto. Uma das moças segura um cartaz que diz: “PT de mãos dadas com o facismo tucano”.

Sim, “fascismo” está escrito sem “s”. Alguém diria: “Pô, Reinaldo, é que eles já estão confundindo a sua língua de origem com a do país estrangeiro”.

Bem, só para lembrar, também o idioma de Voltaire inclui o “s” em “fascisme”. É claro que ainda não existia tal vocábulo no tempo de Voltaire, mas estupidez já havia… Sim, resta a hipótese do analfabetismo nos dois idiomas — além do analfabetismo político.


É impressionante que a selvageria a que se assistiu nas ruas de São Paulo seja chamada de direito de manifestação pela elite deslumbrada que estuda em Paris.


É impressionante que essa elite deslumbrada não saiba escrever “fascismo”, embora o pratique com grande destreza.


É impressionante que uma manifestação de seis — SEIS — militantes políticos ganhe destaque na imprensa brasileira.

Eis o estado geral das artes.

12/06/2013