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terça-feira, 23 de abril de 2013

A advertência de Barbosa





 
Por Merval Pereira
O GLOBO
 
“O mundo está de olho no Brasil”, adverte o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, dizendo que esse nosso jeito de “não fazer as coisas fingindo que está fazendo” põe em risco nossa credibilidade como país.

Barbosa, que está nos Estados Unidos para uma palestra na Universidade de Princeton e uma homenagem da revista “Time”, que o colocou como uma das cem pessoas mais influentes do mundo, está se referindo ao julgamento do mensalão, que, divulgado o acórdão, será retomado dentro de dez dias com os embargos da defesa.

Ele considera absurda a possibilidade de haver um novo julgamento, pois o Supremo é a última instância do Judiciário, e diz que a sociedade brasileira não vai entender se houver uma mudança de posição do STF em tão pouco tempo.

O presidente do Supremo não quis falar especificamente sobre os “embargos infringentes”, que considera não existirem mais, embora estejam previstos no regimento interno do STF.


Esse será o debate mais importante da próxima fase do julgamento, pois é através desses embargos, e não dos “embargos de declaração”, que alguns réus poderão ter suas penas reduzidas.

Assim como Barbosa, alguns ministros também consideram que os “embargos infringentes” não existem mais desde que a Lei 8.038, de 1990, regulamentou os processos nos tribunais superiores e não os previu para o STF.

De lá para cá, será a primeira vez que o Supremo enfrentará essa questão, pois desde então não houve pedidos para “embargos infringentes” nos julgamentos ocorridos naquela Suprema Corte.


No caso atual, se confirmada a tendência da maioria do plenário de aceitar os “embargos infringentes”, acontecerá uma situação esdrúxula, pois a maioria não levou em consideração o regimento interno quando dobrou o prazo para que as defesas apresentem seus embargos, preferindo seguir o Código de Processo Civil.

Os “embargos infringentes” podem mudar a condenação de nada menos que 12 dos 25 réus em dois itens: formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

O primeiro item pode beneficiar o núcleo político do PT, a começar pelo ex-ministro José Dirceu, que é o que tem mais a ganhar.

Condenado a dez anos e dez meses, se for absolvido da acusação de formação de quadrilha, terá dois anos e 11 meses deduzidos de sua pena, e, em vez de começar a servir em regime fechado, pegará o semiaberto.


Outra condenada, Simone Vasconcellos, também teria a pena reduzida a menos de dez anos, indo para o semiaberto.

A mudança da pena pode ocorrer porque o plenário que fará a revisão do julgamento será diferente do que o que condenou.


Teori Zavascki, que entrou no lugar de Cezar Peluso, votará pela primeira vez no caso.

Como também Ayres Britto se aposentou, o plenário voltará a ter dez votos, com a diferença de que Peluso não votou em formação de quadrilha nem em lavagem de dinheiro, e, portanto, o placar neste momento está em 5 a 4 pela condenação, e não mais 6 a 4.


Se o novo ministro concordar com os colegas que absolveram os condenados, o julgamento estará empatado, favorecendo os réus.

Na questão da lavagem de dinheiro, o réu João Paulo Cunha tem vantagem ainda maior: o placar que o condenou, de 6 a 5, hoje já está empatado em 5 a 5. O voto de Zavascki será decisivo.


Barbosa pretende fazer uma defesa da não existência dos “embargos infringentes”, mas a tendência clara no plenário é seguir a posição de Celso de Mello, que, no julgamento anterior, contestou a tese da defesa de que não haveria duplo grau de jurisdição no julgamento do mensalão, o que seria contrário à defesa dos réus, alegando justamente os “embargos infringentes” previstos no regimento interno.

Barbosa está convencido de que agiu não com “intransigência”, como coloquei na coluna de sábado, mas com “coerência”, ao ficar isolado na votação em plenário sobre a ampliação do prazo para que a defesa analise o acórdão da Ação Penal 470, popularmente conhecido como “do mensalão”.

O ministro continua achando que o STF não deveria ter flexibilizado a legislação, para evitar dar ao julgamento um caráter excepcional.

“Eu agi sempre assim na minha vida, nunca deixei de cumprir estritamente a lei”,
disse-me por telefone.


23/04/2013


É natural que Lula e Eike se entendam muito bem: os dois são vendedores de nuvens




Por Augusto Nunes

Lula é o Eike Batista da política. Eike é o Lula do empresariado. Um inventou o Brasil Maravilha. Só existe na papelada que registrou em cartório. Outro ergueu o Império do X. No caso, X é igual a nada.

O pernambucano falastrão que inaugurava uma proeza por dia se elogia de meia em meia hora por ter feito o que não fez. O carioca gabola que ganhava uma bolada em dólares por minuto se louva o tempo todo pelo que diz que vai fazer e não fará.

O presidente incomparável prometeu para 2010 a transposição das águas do São Francisco. O rio segue dormindo no mesmo leito. O empreendedor sem similares adora gerúndios e só conjuga verbos no futuro. Está fazendo um buquê de portos. Vai fazer coisas de que até Deus duvida. Não concluiu nem a reforma do Hotel Glória.

Lula se apresenta como o maior dos governantes desde Tomé de Souza sem ter concluído uma única obra visível. Eike entra e sai do ranking dos bilionários da revista Forbes sem que alguém consiga enxergar a cor do dinheiro.

Lula berrou em 2007 que a Petrobras tornara autossuficiente em petróleo o país que, graças às jazidas do pré-sal, logo estaria dando as cartas na OPEP. A estatal agora coleciona prejuízos e o Brasil importa combustível. Eike vive enchendo milhões de barris com o que vai extrair do colosso que continua enterrado no fundo do Atlântico.

Político de nascença, Lula agora enriquece como camelô de empresas privadas. Filho de um empresário admirável, Eike hoje sobrevive com empréstimos do BNDES, parcerias com estatais e adjutórios do governo federal.

Lula só poderia chegar ao coração do poder num lugar onde tanta gente confia num Eike Batista. Eike só poderia posar de gênio dos negócios num país que acredita num Lula.

É natural que viajem no mesmo jatinho. É natural que se entendam muito bem. Os dois são vendedores de nuvens.
23/04/2013

STF publica íntegra de acórdão e mensaleiros podem recorrer a partir de amanhã


O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou na manhã desta segunda-feira a íntegra do acórdão da Ação Penal 470, mais conhecida como o julgamento do mensalão – esquema de compra de apoio parlamentar que resultou no mais grave escândalo político da história da República brasileira
VEJA.com

Um resumo do acórdão já havia sido publicado no Diário de Justiça na sexta-feira. O documento, com 8.405 páginas, traz a íntegra dos votos dos onze ministros e a transcrição dos debates realizados em plenário durante as 53 sessões do julgamento, que durou mais de quatro meses.

Com o acórdão publicado, começa a correr o prazo de dez dias que a defesa tem para apresentar suas contestações com relação às penas aplicadas aos 25 réus condenados, entre eles o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e os atuais deputados federais José Genoino (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). Será a última possibilidade de recurso dos mensaleiros na Justiça brasileira.

Originalmente, o STF daria cinco dias úteis de prazo para o recurso. Após a pressão interna de ministros, o presidente da corte e relator da ação penal, Joaquim Barbosa, levou a discussão para plenário. Por oito votos a um, o colegiado decidiu então duplicar o prazo de cinco para dez dias como forma de garantir ampla defesa a todos os condenados.

A expectativa é a de que a defesa se valha de recursos chamados embargos de declaração para buscar esclarecer uma omissão ou erro da Corte. Esse tipo de apelo, em geral, não altera o mérito da condenação. Outra tentativa de amenizar as sentenças deve ser por meio da apresentação de embargos infringentes – possíveis quando o réu teve pelo menos quatro votos contrários à condenação.

Esse tipo de recurso aplica-se aos casos de José Dirceu, Genoino, e do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares pelo crime de formação de quadrilha; de Marcos Valério, Simone Vasconcelos, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Kátia Rabello e José Salgado, também por quadrilha, e de João Paulo Cunha, João Cláudio Genu e Breno Fischberg por lavagem de dinheiro.

Os ministros, contudo, terão ainda de decidir se os embargos infringentes são cabíveis no Supremo. Embora uma lei de 1990 não preveja sua utilização nos casos de ações penais, o regimento interno do STF, editado anteriormente à lei, admite o uso do recurso.

22/04/2013 

domingo, 21 de abril de 2013

Lula e Rosemary: silêncio cada vez mais revelador


Corrupção
Ex-presidente fez 27 pronunciamentos em 148 dias - mas nada sobre Rose

Gabriel Castro e Marcela Mattos, de Brasília
Veja.com

Rosemary Nóvoa de Noronha e Lula
(AE e Reuters)


Nos oito anos que passou no Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre teve como característica o hábito de falar constantemente e sobre tudo. Em tempos de crise, chegou a ser aconselhado por assessores diretos e marqueteiros a manter relativa distância dos microfones. Mas, quase nunca, a recomendação foi seguida. É quase unânime a avaliação de aliados que convivem com Lula há décadas que o silêncio nunca lhe agradou, ainda que o tema seja dos mais espinhosos, como o mensalão, que quase lhe custou o mandato. Porém, há cinco meses, um assunto é proibido ao redor do ex-presidente: Rosemary Noronha.


A edição de VEJA desta semana detalha a atuação de Rosemary, ou Rose, como era conhecida, nas entranhas do poder. A mulher que chefiava o escritório da Presidência da República em São Paulo e acompanhava Lula em viagens internacionais usava a proximidade com o petista para negociar favores.

Na época do estouro da Operação Porto Seguro, a Polícia Federal desmontou uma quadrilha que traficava influência nos altos escalões do governo federal. Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), comandava o grupo.

Rosemary Noronha deve a Lula sua ascensão no poder público. Intimamente ligada ao petista, ela tinha privilégios e integrou, diversas vezes, comitivas presidenciais no exterior. Apesar da grande expectativa a respeito do que o petista teria a dizer sobre o episódio, Lula silenciou desde a operação Porto Seguro, deflagrada em 23 de novembro. Foram 27 pronunciamentos, entre discursos e entrevistas. Mas, em 148 dias, nada explicou sobre as graves acusações envolvendo a mulher que era sua amiga íntima e que foi indicada por ele para chefiar o escritório da Presidência em São Paulo.

Nesse período, Lula deu ordens a secretários do prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), despachou com ministros do governo Dilma Rousseff, recebeu prêmios, deu palestras, se reuniu com líderes mundiais, prestou consultoria a empresas brasileiras. Sobre Rose, uma frase discreta, a contragosto, quando questionado se tinha sido surpreendido pelas revelações da Polícia Federal: "Não fiquei surpreso, não".

Lula avalia que não tem nada a ganhar comentando o episódio. Ele afirma, reservadamente, que o silêncio evita que o caso seja associado a ele e contribui para que o escândalo perca força no noticiário.

A postura revela o quanto o ex-presidente se sente desconfortável com a revelação de que a antessala do poder era usada para negociações escusas. Mesmo titubeante, Lula não evitou tecer comentários sobre outros escândalos, como o mensalão, o dossiê dos aloprados ou a morte do prefeito Celso Daniel, um fantasma que assombra o PT. Mas, a cada nova revelação sobre as andanças de Rose, pode se supor o que Lula tanto teme.
21/04/2013



sábado, 20 de abril de 2013

A vida de rainha de Rosemary Noronha, a amiga de Lula



VEJA revela os detalhes da sindicância que foi mantida em segredo pelo governo porque poderia criar “instabilidade institucional”.

Ela mostra como a ex-secretária Rosemary Noronha se aproveitou da intimidade com o ex-presidente Lula para ganhar dinheiro, traficar poder e viver como uma soberana

Robson Bonin
EMINÊNCiA - Rosemary se comportava e era tratada como majestade: poder, influência, mordomias e humilhações a subalternos
(Fernando Cavalcanti)

No ano passado, a Polícia Federal descobriu que Rosemary Noronha usava a influência e a intimidade que desfrutava com o ex-presidente Lula para se locupletar do poder.

Exonerada do cargo de chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo e indiciada por formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção passiva, Rosemary foi alvo de uma sindicância conduzida por técnicos da Presidência.

A investigação oficial, mantida em segredo por determinação do próprio governo, destoa da tradição dos governos petistas de amenizar os pecados de companheiros pilhados em falcatruas.

Dedicado exclusivamente aos feitos da poderosa chefe de gabinete, o calhamaço de 120 páginas produzido pela sindicância é severo com a ex-secretária.

Mostra que Rosemary encontrou diferentes formas de desvirtuar as funções do cargo.

Ela pedia favores ao “PR” - como costumava se referir a Lula em suas mensagens - com frequência.

Era grosseira e arrogante com seus subalternos. Ao mesmo tempo, servia com presteza aos poderosos, sempre interessada em obter vantagens pessoais - um fim de semana em um resort ou um cruzeiro de navio, por exemplo.

Rosemary adorava mordomias. Usava o carro oficial para ir ao dentista, ao médico, a restaurantes e para transportar as filhas e amigos. O motorista era seu contínuo de luxo. Rodava São Paulo a bordo do sedã presidencial entregando cartas e pacotes, fazendo depósitos bancários e realizando compras.

Como uma rainha impiedosa, ela espezinhava seus subordinados.

Outros destaques de VEJA desta semana

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Venezuela começa a conhecer o terror castro-comunista


Fiaram-se no silêncio e aceitação passiva de Capriles em 7 de outubro e acreditaram que poderiam elevar à estratosfera o resultado final.

Deram-se mal!


 


Por isso a repressão violenta e criminosa está tão exacerbada.

Temo por uma guerra civil e mais derramamento de sangue, pois isto parece inevitável.

Por Graça Salgueiro 
Notícias Faltantes
Foro de São Paulo


Venezuelanos que vivem no Peru fazem protesto em frente à embaixada em Lima
Foto: ENRIQUE CASTRO-MENDIVIL / REUTERS

A Venezuela está começando a conhecer o que é o terrorismo castro-comunista desde a segunda-feira passada (15), quando Henrique Capriles, anunciando que NÃO aceitaria o resultado apresentado pelo CNE por ter mais de 3.200 provas da mais desavergonhada fraude que aquele país já tenha visto, deu entrada numa petição para que se realizasse uma auditoria e propôs um panelaço em todo o país.

O que se viu desde então foi a mais brutal e desumana perseguição e violência promovida pela Guarda Nacional, a mando do próprio usurpador Nicolás Maduro.

Tenho lido as “opiniões” da mídia escrita e tevisada de que, com a morte de Chávez o chavismo morreu junto com ele. Discordo frontalmente desta bobagem, uma vez que o “chavismo” nunca foi uma ideologia ou um fim em si mesmo, mas a máscara que os ditadores Castro encontraram para dar curso ao seu projeto de implantação do comunismo no continente.

E Chávez lhes caiu como uma luva - malgrado não fosse o “ungido” -, pois tinha vencido as eleições de 1998 com um apoio extraordinário, sofria de um narcisismo patológico e iria manejar uma fortuna incalculável com o dinheiro do petróleo, vital para a sobrevivência de Cuba. A aceitação de Chávez foi por puro oportunismo.

Assim ficou o corpo deste rapaz, agredido por ordens do ditador Maduro

Tendo compreendido isto, os Castro deram asas à imaginação de Chávez, inflaram seu já gigantesco ego e foram cercando-o como se faz para caçar porcos selvagens.

Por sua vez, Chávez, que não via nada além dele mesmo, acreditou que era o novo messias, a re-encarnação de Simón Bolívar e cedeu ao canto de sereia de Fidel Castro.

Isto não quer dizer que ele, Chávez, fosse ingênuo mas estava cego pela vaidade e bajulações, e acabou entregando o país inteiro aos velhos abutres cubanos.

Enquanto isso, Nicolás Maduro, o verdadeiro “ungido” de Havana desde a década dos 80, aguardava tão paciente quanto Jacó, servindo a Chávez (Labão) enquanto sonhava com Raquel (a Venezuela).

Com a morte de Chávez anunciada oficialmente, Maduro e seus mentores cubanos apressaram-se e fraudaram todas as etapas para a escolha de um novo presidente. Só que ele não contava que desta vez Capriles não iria trair seus eleitores como fez em 7 de outubro do ano passado e iria reagir.

No discurso que proferiu logo após Tibisay Lucena anunciar sua vitória, Maduro disse que o CNE “deveria realizar uma auditoria” para “calar a boca da oposição” que reclamava de fraude.

No dia seguinte, entretanto, ele foi juramentado, negou que queria uma auditoria e seu comportamento de ditador, treinado em Cuba, começou a se revelar. No vídeo abaixo pode-se comprovar que ele próprio solicitou uma auditoria que agora rejeita e persegue os que exigem a recontagem dos votos.

Até ontem à noite tinha-se conhecimento de sete assassinatos pela repressão. As vítimas, pessoas absolutamente pacíficas, apenas batiam panelas exigindo uma auditoria.

Nas fotos que ilustram esta edição pode-se ver o tamanho da brutalidade empregada pela Guarda Nacional contra estudantes que protestavam em frente às sedes do CNE em várias cidades do país.

Até ontem, também, tinha-se a informação de 73 oficiais detidos por não acatar ordens do COMANDO ESTRATÉGICO CUBANO.

Motorizados armados passam pelas ruas atirando em pessoas que estão concentradas em frente ao CNE.

Dois jornais opositores foram vítimas de pedradas nessa madrugada mas, enquanto isso, Maduro acusa Capriles de ser o “instigador” dos atos de violência e pelas mortes ocorridas desde então.

Isto não é montagem. Esse rapaz foi agredido pelos brutamontes da Guarda Nacional Venezuelana

Ontem à noite o Ministério Público processou solicitação da “privação de liberdade” a Henrique Capriles, Leopoldo López e outros membros da Mesa de Unidade, na qual a promotora Luisa Ortega acusa-os dos delitos “concerto para delinqüir, formação de quadrilha ou associação ilícita, instigação para causar perturbação à população e obstrução da via pública, assim como a responsabilidade pelos assassinatos ocorridos na segunda-feira durante os vários protestos.

De acordo com o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), o presidente Nicolás Maduro ordenou à Luisa Ortega e à presidente do TSJ, María Estella Morales, a processar Capriles, sua equipe de campanha de outros dirigentes da oposição.

Segundo um ex-magistrado que conhece os métodos empregados desde Chávez, a coisa funciona assim: “O Ministério Público faz a imputação ante um tribunal e este recebe um telefonema do TSJ dando instruções de como tem que agir”.

Quem não lembra de Chávez berrando em cadeia de rádio e televisão que o TSJ processasse a juíza María Lourdes Afiune e que lhe dessem a pena máxima de 30 anos, como de fato ocorreu?

E quem não lembra das infâmias e calúnias imputadas a Alejandro Peña Esclusa?

Esse é o método do castro-comunismo desde há 54 anos, onde a única prova que compõe o processo é a vontade soberana dos ditadores.

Mas as arbitrariedades não param por aí. Numa sessão na Assembléia Legislativa ontem, o deputado opositor Williams Dávila foi agredido fisicamente em plena sessão no plenário, quando lhe arremessaram algo contra a cabeça, resultando em um corte que necessitou suturar com 8 pontos (ver a foto).

Segundo informa o deputado, a agressão foi totalmente gratuita, uma vez que ele ouvia o pronunciamento de outro parlamentar quando foi agredido.

Disse ainda que sentiu a pancada de um objeto preto que lançaram do lado esquerdo do salão, enquanto os chavistas, que são maioria, davam gargalhadas com a cena.

Além de intrinsecamente maus, estes elementos são verdadeiros vândalos, pessoas vulgares acostumadas a baixarias e crimes de toda espécie.

O deputado da oposição, Williams Dávila, necessitou levar 8 pontos após ser agredido por deputados da situação, em plena sessão no plenário, onde ele apenas "ouvia" a exposição de outro deputado.

Também ontem, o presidente da Assembléia, Diosdado Cabello, destituiu vários deputados da presidência de comissões que estes integravam, como retaliação por não terem aceitado a vitória e juramentação de Maduro como presidente, dentre eles o deputado agredido em plenário. Em sua conta de Twitter o ex-presidente Uribe denunciou:

“@ AlvaroUribeVel - Comunidade: ‘Golpe de Estado na Assembléia, Deputados Dinorah Figuera, Nora Bracho, Williams Dávila e Miguel Angel Rodríguez, removidos da Presidência de Comissões por ordem de Diosdado: de imediato”.

Os Estados Unidos não aceitaram a vitória de Maduro e por isso afirmam que só depois de uma auditoria rigorosa se posicionarão quanto ao resultado.

Já os parlamentares que compõem a Rede Latino-Americana para a Democracia, apontam incontáveis irregularidades no pleito e também solicitaram ao CNE que realizem esta auditoria.

Segundo o chefe da missão de observadores da Rede
, Diego Sueiras, “Me preocupa que o CNE tenha dito que os resultados são irreversíveis. Os resultados não são irreversíveis, o serão uma vez se cotejem as atas e cada papel. Que se faça uma cadeia de custódia das caixas de comprovantes e dos cadernos de votação. Que se cotejem os cadernos de votação com as papeletas, que se faça uma contagem imparcial auditada por referências nacionais e internacionais”.

E, finalmente, para fechar esta edição com chave de ouro, o Notalatina apresenta um vídeo muitíssimo bem elaborado que PROVA a monumental e descarada fraude ocorrida no último domingo.

Neste vídeo apresenta-se os resultados oficiais do CNE (inclusive com foto da página), do primeiro boletim, onde se havia escrutinado 99,12% dos votos e o definitivo, apurados os 100%.

No primeiro boletim o CNE informou que o resultado, restando apenas 2% por apurar, dava 50,66% para Maduro e 49,07% para Capriles. Entretanto, no resultado final, incluídos os 2% faltantes, aparece 69% para Maduro e 31% para Capriles!

É tão aberrante essa fraude, que não precisa sequer conhecer de estatística ou matemática para perceber que os dados informados no fechamento da apuração foram manipulados sem qualquer preocupação de que a oposição iria verificar e denunciar perante o mundo.

Fiaram-se no silêncio e aceitação passiva de Capriles em 7 de outubro e acreditaram que poderiam elevar à estratosfera o resultado final.

Deram-se mal!

Por isso a repressão violenta e criminosa está tão exacerbada. É visível o desespero de Maduro com a possibilidade de deixar de realizar um sonho acalentado por mais de 20 anos, e mais ainda o desespero dos ditadores da ilha, pois Capriles anunciou em campanha que não queria mais cubanos invadindo seu país como está há mais de 14 anos.

Temo por uma guerra civil e mais derramamento de sangue, pois isto parece inevitável, uma vez que nem a ditadura cubana nem seu seguidor vão entregar pacificamente aquilo que levaram anos planejando.

Estiveram perto demais da conquista e, a não ser por uma intervenção externa e poderosa, o neo-ditador Maduro vai se conformar com a derrota.

Oremos pela Venezuela e para que se faça justiça.

Chega de ditaduras comunistas!

Fiquem com Deus e até a próxima!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Comissão de Ética diz que investigados pela PF fogem de intimação



                           FERNANDA ODILLA
                                     DE BRASÍLIA


A Comissão de Ética da Presidência enfrenta dificuldade para intimar alvos da Operação Porto Seguro, deflagrada pela Polícia Federal em novembro do ano passado para apurar esquema de corrupção e tráfico de influência no governo federal.

O presidente da Comissão, Américo Lacombe, disse que o caso não será julgado na próxima reunião porque nem todos os investigados foram localizados. "Tem gente que não foi intimada ainda porque está fugindo da intimação", afirmou Lacombe na noite desta segunda-feira (15).
Lacombe, contudo, não revela quem foge da Comissão de Ética. Limitou-se a dizer que apenas um dos quatro investigados entregou explicações.

Julia Moraes - 27.nov.2008/Folhapress
Rosemary Noronha, ex-assessora da Presidência

Em março passado, foram enviados ofícios com novos pedidos de esclarecimentos à ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, ao ex-advogado-adjunto da União José Weber Holanda, e aos irmãos Rubens e Paulo Vieira, ex-diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e ANA (Agência Nacional de Águas), respectivamente.

Apesar de serem processos distintos, a Comissão de Ética decidiu ainda julgar o caso do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, junto com o dos outros quatro. "Pode haver conexão no que se refere às provas", justificou Lacombe.

ACADEMIA

A Comissão também vai analisar o caso de Alessandro Teixeira, secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, filmado usando carro oficial para ir à academia.

Segundo Lacombe, Teixeira se antecipou e, antes mesmo de ser questionado formalmente, encaminhou explicações à Comissão. "É muito grosso, ele juntou até mapa, essa coisa toda", disse o presidente da Comissão de Ética, afirmando que o caso será analisado na próxima reunião, marcada para o dia 20 de maio.

Questionado sobre as regras de uso de carro oficial, Lacombe disse que o tema tem de ser "estudado com muito carinho e bom senso".

SUPREMO


Nesta segunda, Lacombe voltou a dizer que a Comissão está sobrecarregada porque duas das sete vagas permanecem sem ocupantes. Ele disse que deixou um currículo na Presidência mas que ainda não há previsão de quem vai assumir os cargos.

Questionado sobre a disputa no Supremo Tribunal Federal, que tem uma vaga de ministro, Lacombe disse que torce para o advogado tributarista Humberto Ávila.

Apesar de se definir como um "torcedor" de Ávila, disse nunca ter levado o nome do advogado para a presidente Dilma Rousseff. "Nunca me perguntou e eu não vou responder se ela não me perguntar", disse.

Na avaliação de Lacombe, o STF precisa de um tributarista porque "40% lá são processos tributários."


15/04/2013

segunda-feira, 15 de abril de 2013

“Choro fora de hora”




Por Ricardo Noblat
BLOG DO NOBLAT 


Foi Luiz Fux que admitiu ter saído por aí durante o segundo governo Lula à caça de apoios para ser nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Acabou nomeado por Dilma. Em meio ao julgamento do mensalão, líderes do PT plantaram notas em jornais garantindo que o episódio acontecera. Irado, Fux aproveitou uma festa em Brasília e comentou o fato com o ex-deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF).

Na semana seguinte, procurado por Mônica Bergamo, colunista da Folha de S. Paulo, admitiu que fizera, sim, campanha para ocupar uma vaga no STF. E que conversara a respeito com o ex-ministro José Dirceu. Conversou seis vezes. E mais de uma dezena com Evanise, mulher de Dirceu. Negou, porém, que tivesse prometido absolvê-lo caso participasse do julgamento. “Não me lembrei que ele era réu”, alegou Fux, o distraído.

Às vésperas da
publicação do acórdão do julgamento, o que pretende Dirceu ao revisitar o episódio e dizer que foi assediado moralmente por Fux para ajudá-lo a se tornar ministro do STF? Vingar-se por ter bancado o bobão? Desmoralizar o ministro? Difícil que consiga. O distinto público está satisfeito com o resultado do julgamento. E com Fux e todos que votaram pela condenação dos réus.


Dirceu imagina
sugerir que houve parcialidade no julgamento pelo menos da parte de Fux? Difícil de entender o raciocínio dele. Digamos que Fux prometeu votar a favor de Dirceu. Haveria parcialidade se ele tivesse honrado a palavra. Ou a intenção de Dirceu seria forçar a Procuradoria Geral da República a investigar o comportamento de Fux? Com base em que provas? Fux tem credibilidade, Dirceu, não, segundo o procurador.


Quantos ministros
não procederam como Fux para ganhar uma cadeira no STF? Joaquim Barbosa foi um dos poucos que não procederam. O objetivo de Dirceu não era este, certamente não era, mas ao dizer o que disse sobre Fux pode ter estimulado a discussão a cerca do que os três poderes da República sempre passaram ao largo – a natureza doméstica do processo de escolha dos ministros de tribunais superiores.


A Constituição
exige de um aspirante a ministro que tenha notório saber jurídico e reputação ilibada. A escolha é do presidente da República, submetida ao Senado. Na história de mais 100 anos do STF, o Senado só rejeitou um nome. A aprovação, portanto, é um mero e inócuo ritual. Ninguém se interessa em interrogar a fundo um candidato a ministro. E se no futuro precisar dele no exame de alguma questão?


Joaquim Barbosa
tem um notável currículo. O que pesou mais para que virasse ministro, contudo, foi sua cor. Em certa época, Lula encantou-se por ministros temáticos – negro, mulher, do Nordeste, do Sudeste. Dias Tóffoli entrou na cota do PT. Dele não se exigiu notório saber jurídico. Por duas vezes foi reprovado em concursos para juiz. O que vale é que por longo tempo serviu a Lula e ao PT com lealdade.


Se Dirceu discorda
do modo pouco republicano como os ministros do STF costumam ser indicados, deveria, no mínimo, ter dado um fora em Fux ao ser procurado por ele atrás de patrocínio. Se não discorda, choraminga fora de hora. Deixou Dilma sob a suspeita de que promoveu Fux a ministro de olho no voto favorável dele à absolvição dos mensaleiros. Na verdade, o maior cabo eleitoral de Fux foi Antonio Palocci.

A prisão espera Dirceu. Uma aposentadoria cinco estrelas, Fux. Que não pode se queixar da vida confortável e repleta de mimos que leva desde agora.
              
             15 de abril de 2013





Chávez está morto, e o chavismo também! Fraude tira a eleição do oposicionista Capriles; Maduro é “eleito” com menos de 2 pontos de diferença. É roubo!

              

                      
                      

Por Reinaldo Azevedo

Bingo!

Escrevi ontem aqui: “É a ditadura que sustenta o chavismo, não é o chavismo que sustenta a ditadura”. Com essas palavras, chamava a atenção para o fato de que é mentirosa a versão de que a sociedade venezuelana foi mesmerizada pelo tirano e de que a oposição representa não mais do que a vontade de uma extrema minoria. Nicolás Maduro, que já exerce o poder de forma ilegítima — cuja posse foi legalizada por uma Corte de Justiça composta de eunucos —, foi declarado o vencedor das eleições deste domingo. Com pouco mais de 99% da apuração concluída, obteve 50,66% dos votos, contra 49,07% do oposicionista Henrique Capriles, que não reconheceu o resultado e pediu a recontagem do total de votos, não de apenas uma parte. Os oposicionistas dizem ter recebido mais de 3 mil denúncias de fraudes, vindas de todo o país. No discurso da “vitória”, Maduro diz concordar com a recontagem, mas tentará sabotá-la, podem ficar certos.

O resultado representa uma humilhação para todos os institutos de pesquisa. A diferença mínima que se apontava era de 7,2 pontos percentuais; havia quem falasse em 12. Deve ficar em torno de 1,6 ponto. Eis aí: o chavismo, felizmente, morreu com Hugo Chávez. Ainda que se faça a recontagem de 100% dos votos e que a “vitória” de Maduro seja confirmava, é evidente que se trata de roubo e de fraude — mesmo que os votos tenham sido os declarados oficiais. Por quê?

A eleição na Venezuela não é nem livre nem limpa. Não é livre porque a oposição não dispõe dos mesmos instrumentos de que dispõe o governo para falar com a população. Chávez estatizou a radiodifusão no país, e as TVs e as rádios são usadas como porta-vozes oficiais do governo. O Beiçola de Caracas chegava a ficar no ar, por dia, até seis horas. Falava bem da própria gestão e demonizava seus opositores. As notícias passam por um severo serviço de censura interna, e só vai ao ar o que o governo considera “saudável” e “didático” para a consciência do povo. Os críticos do governo são tratados como larápios, como sabotadores, como malvados em defesa de privilégios.

É o modelo que a turma de José Dirceu e Rui Falcão gostaria de implementar no Brasil. É o que quer essa gente xexelenta, financiada por estatais, que pede “o controle da mídia” no Brasil — como se ela já não fosse petista o bastante e não estivesse, no mais das vezes, a serviço de grupos militantes. Mas eles, claro!, querem muito mais. Invejam o chavismo. Invejam Cristina Kirchner. Mas volto ao ponto.

As eleições na Venezuela, pois, não são livres, já que a oposição é obrigada a enfrentar uma estupenda máquina de desqualificação. Ainda assim, praticamente a metade dos que foram votar disse “não” ao chavismo. Isso é formidável! Significa que toda essa gente soube resistir à pressão oficial, especialmente de 5 de março a esta data, quando morreu o tirano. Chávez passou a ser tratado como santo. Declarou-se não apenas a sua imortalidade. Falou-se também na sua ressurreição. Quem se encarregou da peça publicitária indecorosa foi João Santana, o marqueteiro do PT.

Uma emissora estatal fez um desenho animado com a sua chegada ao céu. No céu do bolivarianismo, um monte de “heróis” latino-americanos divide uma choupana. Dante encontra Beatriz para conduzi-lo no paraíso. A gente teria de se apertar, numa cabana, entre outros, com Chávez, Guaiacaipuro, Sandino, Allende, Evita, Simón Bolívar e Che Guevara, que detestava tomar banho, daí o apelido de “Chancho”, o “porco”, o “fedorento”, o “porco fedorento”. Se o céu é isso aí, podem me mandar para o inferno. A choupana, eu já conheci na terra, mas com banho, que a gente pode, sim, ser pobre e limpinho e não matar ninguém (coisa que a esquerda ilustrada não sabe…).

As oposição também têm de enfrentar uma formidável máquina assistencialista. Chávez transformou a Venezuela num país dependente exclusivamente do petróleo, destruiu a indústria, arrasou a agricultura e passou a distribuir caraminguás da renda do óleo às populações mais pobres. É a sua versão do “Bolsa Família”. Só que essa distribuição de benesses é controlada por milícias — armadas! — que dominam as áreas mais pobres do país. A degeneração social é de tal sorte que Caracas é hoje uma das cidades mais violentas do mundo, com, atenção!, 122 mortos por 100 mil habitantes. A taxa, no Brasil, já escandalosa, fica em torno de 25. Mata-se em Caracas DEZ VEZES MAIS do que em São Paulo e quatro vezes mais do que no Rio.

O Chávez amado pelas massas — e, consequentemente, o chavismo supostamente invencível — é fruto da propaganda oficial. Se as oposições pudessem disputar em condições de igualdade e se houvesse imprensa livre no país, essa canalha já teria sido varrida do poder há muito tempo. Até porque a Venezuela continuará em espiral negativa porque o governo está infiltrado de delinquentes — alguns deles procurados internacionalmente por envolvimento com o tráfico de drogas. Parte da cocaína que circula hoje no EUA e no Brasil tem origem na Venezuela, que dá abrigo e apoio material aos narcoterroristas das Farc. É esse o governo para o qual Lula gravou um vídeo emprestando seu apoio entusiasmado.

Se as eleições não são livres, também não são limpas. As milícias chavistas assombram os locais de votação e aterrorizam os eleitores, especialmente os mais pobres. Assim, a Venezuela é hoje um país governado por um súcia autoritária, eivada de criminosos, sim! Se tiverem curiosidade, pesquisem sobre as denúncias feitas pelo juiz venezuelano Eladio Ramón Aponte Aponte. Ele era nada menos que o presidente do Superior Tribunal de Justiça, o STF da Venezuela, e um dos pilares do chavismo no Judiciário.

No ano passado, fugiu do país, entregou-se às autoridades americanas e declarou-se cúmplice da máfia do tráfico de drogas no país, com a qual, afirma, está envolvida a alta cúpula do chavismo. Reproduzo trecho de reportagem de José Casado, de abril do ano passado, no Globo:

“[o juiz] Citou especificamente [como envolvidos com o tráfico]: o ministro da Defesa, general de brigada Henry de Jesus Rangel Silva; o presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello; o vice-ministro de Segurança Interna e diretor do Escritório Nacional Antidrogas, Néstor Luis Reverol; o comandante da IVa Divisão Blindada do Exército, Clíver Alcalá; e o ex-diretor da seção de Inteligência Militar, Hugo Carvajal.
O juiz Aponte Aponte conheceu a desgraça em março, quando seu nome foi descoberto na folha de pagamentos de um narcotraficante civil, Walid Makled. Convocado para uma audiência na Assembleia Nacional, desconfiou. Na tarde de 2 de abril, ajeitou papéis em uma caixa, deixou o tribunal e entrou em um táxi. Rodou 500 quilômetros até um aeroporto do interior, alugou um avião e aterrissou na Costa Rica. Ali, pediu para entrar no sistema de proteção que a agência antidrogas dos EUA oferece aos delatores considerados importantes.”

Eis aí o governo que conta o integral apoio do Brasil. Lula gravou um vídeo em apoio a Maduro, e Dilma deu um golpe no Mercosul, com o apoio de Cristina Kirchner, para afastar o Paraguai e levar para o bloco essas flores do bem.

A Venezuela disse “não”! A despeito da propaganda, a despeito das mistificações, a despeito da truculência, a despeito da violência, metade dos eleitores — mesmo na contagem chavista — disse “não” à continuidade do regime. Numa democracia, essa canalha não teria chance.

Eis aí por que é preciso ficar atento e cuidar dos marcos legais e institucionais. As modernas ditaduras na América Latina, reitero, não se instalam com tanques, mas com golpes legais, como os que Chávez foi aplicando em seu país de maneira dedicada e meticulosa.

Nesta semana, o PT dá início a uma campanha em favor do financiamento público de campanha. É uma tentativa de, por intermédio de um golpe legal, garantir a permanência do PT no poder ainda que, um dia, o povo não queira. Vejam o caso da Venezuela: é claro que a maioria da população não quer mais o chavismo se puder escolher seu destino de modo soberano.

Chávez está morto.

O chavismo sobreviveu pouco mais de um mês e morreu também.

Nicolás Maduro é só um cadáver adiado, o último suspiro de um delírio totalitário na América Latina.


15.04.2013



domingo, 14 de abril de 2013

Eleição na Venezuela. Ou: É a ditadura que sustenta o chavismo; não é o chavismo que sustenta a ditadura



Venezuelanos mostram seus dedos manchados de tinta após votarem para escolha do sucessor de Hugo Chávez, em Caracas



Por Reinaldo Azevedo


É a ditadura que sustenta o chavismo na Venezuela; não é o chavismo que sustenta a ditadura. Não se trata de mero jogo de palavras. Houvesse uma disputa em igualdade de condições, o presidente ilegítimo e ilegal que está no poder, o bolivariano Nicolás Maduro, seria derrotado na eleição deste domingo pelo opositor Henrique Capriles. E assim seria porque a sociedade venezuelana é muito menos “chavista” do que se pode entender à distância. Por isso mesmo, o regime ditatorial se encarregou de criar um arcabouço legal que torna a derrota das forças do governo muito difícil.

Sim, existem regimes ditatoriais que contam com apoio popular esmagador. Foi o que se viu com os vários fascismos na Europa no século passado. “Se o povo apoia, ainda assim, é ditadura?” Perguntem a Hitler. Perguntem a Mussolini. A adesão da maioria é um dado que costuma estar presente nos regimes democráticos, mas ela, por si, não define a democracia, que se caracteriza por um conjunto de valores bem mais amplo — entre eles, o respeito à minoria. Pode até acontecer, e é muito frequente, de um governo democrático ser bastante impopular. No caso daqueles regimes europeus do século 20, podia-se dizer, sem sombra de dúvida, que era o fascismo — DO POVO!!! — que sustentava as ditaduras. Caso elas tivessem promovido eleições livres e limpas, os facínoras teriam vencido.

Não é o que se vê na Venezuela. Ao contrário: é a ditadura que sustenta o chavismo. Promovam-se eleições limpas para ver se os chavistas serão ou não corridos do poder. Pesquisas de opinião que circularam fora da Venezuela — na semana do pleito, é proibido divulgar números no país — apontam uma queda substancial na diferença entre Maduro e Capriles. Segundo o Datanalisis, entre 4 e 11 deste mês, a distância foi encurtada em 9,3 pontos percentuais, fixando-se em 7,2 pontos: 44,4% para o compincha de Chávez e 37,2% para o oposicionista.

Esses números são tão espetaculares para os oposicionistas, dadas as condições em que disputam a eleição, que chego a duvidar um pouco. Outros levantamentos apontam que a vantagem de Maduro, que já chegou a 20 pontos, teria caído para 10.

Com um cadáver e as TVs

As oposições, na Venezuela, têm apenas a mobilização de rua e das redes sociais. Nada mais! Foram banidas das rádios e das TVs, hoje controladas pelo governo. São verdadeiras máquinas de propaganda oficial, inclusive em favor da eleição de Maduro. O vídeo, produzido pelo lulista João Santana, que anuncia o renascimento de Chávez foi veiculado em todas as emissoras. Uma das estatais da comunicação criou um desenho animado, também exibido em rede nacional, em que o ex-ditador é recebido no céu por “heróis” latino-americanos. O regime criou milícias — armadas! — para defender o governo e constranger oposicionistas. Controlam com mão de ferro os bairros pobres de Caracas.

A história é conhecida. Chávez recorreu a eleições para criar instituições e leis que assegurem a permanência de seu grupo no poder. É o caso de as forças políticas no Brasil ficarem atentas. O PT dá início nesta semana a uma campanha em favor do financiamento público de campanha. Como já expliquei aqui, é só uma tentativa de tornar as eleições meros processos homologatórios. As modernas ditaduras prescindem de tanques. Elas gostam mesmo é das urnas como legitimadoras do golpe.



14/04/2013





sábado, 13 de abril de 2013

DILMA PISOU NO TOMATE



Revista Veja


Nos doze meses encerrados em março, a inflação estourou o teto estabelecido pelo próprio governo. A inflação é um animal tinhoso, e só entende uma coisa: aumento dos juros, corte de gastos do governo e aperto no crédito. A presidente não quer tomar essas medidas impopulares, mormente num ano que antecede a eleição presidencial.

Em síntese esse é o gancho da matéria de capa da revista Veja que desta semana que está chegando às bancas neste sábado.

De fato este é o assunto que interessa a todos os brasileiros, menos ao governo petista que meterá sem qualquer remorso a mão no jarro para reeleger a Dilma, mesmo que isso signifique a bancarrota do país.

Quem viveu os anos anteriores à estabilidade da economia implantada pelos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso sabe o quanto dói viver sob o signo da inflação. A geração que cresceu com a estabilidade, sobretudo a que vive de salário, não faz a mínima ideia do que é viver sob inflação.

Já escrevi em alguma oportunidade aqui no blog que por ironia do destino o Brasil caiu nas mãos do PT justamente quando as contas do país pela primeira vez estavam sob controle e começava a desvanecer a memória inflacionária abrindo espaço para os efeitos virtuosos do Plano Real que fora, por incrível que pareça, alvo do escárnio dos petistas. Sim, pois se dependesse desses semoventes o Brasil continuaria patinando numa economia completamente estagnada.

Ao fazer-se um inventário da última década sob o governo do PT, ver-se-á que nada, absolutamente nada foi feito de novo no país. Nem mesmo a festejada “bolsa família”, que também foi uma herança do governo Fernando Henrique Cardoso. E diga-se de passagem, esses programas sociais só foram possíveis em decorrência da estabilidade da economia trazida pelo Plano Real, algo que seria impensável com o país sob o relho inflacionário.

Em boa hora a revista Veja traz como reportagem especial de sua edição desta semana um assunto que interessa a todos, principalmente àquele contingente de brasileiros menos afortunados que, se submetidos ao torniquete inflacionário, verão erodir da noite para o dia os seus salários.
Vive-se portanto neste momento uma situação de emergência que requer medidas de austeridade sobejamente conhecidas. Como o ano é pré-eleitoral o desastroso governo do PT continuará ampliando o gasto público com a finalidade de reeleger a Dilma a qualquer custo.

A completa ausência da Oposição a par de um empresariado chulé que vive às expensas de caraminguás estatais via BNDES, indica que o governo petista continuará tranquilamente a pilhar os cofres estatais tendo em mira apenas a manutenção do poder a qualquer preço.

O prognóstico dessa histriônica irresponsabilidade é, no mínimo, tenebroso.
Só não é para os comensais desse banquete de abutres, que quando o calo aperta saem da toca. É o caso do mega-empresário Marcelo Odebrecht, que em artigo publicado na Folha de São Paulo rasga elogios ao Lula e seus sequazes. O título do artigo não pode ser mais infame: “Viaje mais, presidente”, quando justifica o patrocínio da empreiteira que preside às viagens de Lula. Odebrech desmancha-se em elogios ao Lula, qualificando-o de “liderança incontestável”.

É que o Apedeuta, agora investigado pela Polícia Federal em decorrência do mensalão, abre as portas das ditaduras africanas e latino-americanas aos interesses dos ditos empresários brasileiros, dentre eles, é óbvio, Odebrecht, que já opera em Cuba, Venezuela e Bolívia, países cujos governos fazem parte do Foro de São Paulo, a organização esquerdista que articula a deletéria ação da rapinante vagabundagem comunista no continente.

E, para completar, é mais do que sabido que o governo do PT viabiliza recursos para diversos países, como Cuba por exemplo, onde a Odebrecht atua.

A sangria do erário, portanto, dá-se também pela drenagem de recursos do BNDES que desaguam nesses países cujos governos integram o Foro de São Paulo e fazem parte do jogo que viabiliza o PT no poder. Basta ver quem são os maiores doadores para as campanhas eleitorais do PT.

Toda essa farra com dinheiro público tem um custo astronômico que, por enquanto, se reflete jocosamente no preço do quilo do tomate.

Isto é apenas o começo de um desastre anunciado chamado inflação.

                       13 de abril de 2013


A rotina dos deputados mensaleiros à espera da prisão João Paulo Cunha, José Genoino, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto traçam planos para o futuro, ainda que a cadeia seja o horizonte mais provável


Os deputados João Paulo Cunha, José Genoino, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry
(Dida Sampaio/Dorivan Marinho/Vagner Campos/Lindomar Cruz )


Laryssa Borges e Marcela Mattos, Laryssa Borges e Marcela Mattos, Veja de Brasília 
Na próxima semana, quatro meses depois do término do julgamento do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) publicará o acórdão detalhando cada argumento dos magistrados na condenação dos 25 políticos, empresários e assessores que participaram do maior escândalo de corrupção do país. Com a formalidade, abre-se o prazo de cinco dias para a apresentação de recursos, ainda que a maior parte dos apelos finais dos condenados seja apenas protocolar. Na prática, o acórdão é o prenúncio de que o cumprimento das sentenças se aproxima - para muitos mensaleiros, a hora de enfrentar a prisão.

Condenados por envolvimento no esquema, quatro mensaleiros têm atualmente uma rotina diferente dos demais penalizados no escândalo. Os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP), José Genoino (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e João Paulo Cunha (PT-SP) detêm mandatos, cujas despesas são bancadas com dinheiro público. Desde que ouviram suas sentenças, os quatro não apresentaram nenhuma proposta de lei, não relataram matérias relevantes e, com exceção de Genoino, não se arriscaram sequer a um discurso em plenário.

Embora tenham optado por submergir, a presença dos mensaleiros nos gabinetes da Câmara acarretaram gastos de quase 2 milhões de reais aos cofres das Casa. Até o mês de março, apenas a gestão dos gabinetes desses deputados movimentou 1,17 milhão de reais. Com contratação de consultorias, pagamento de gasolina e selos postais, foram desembolsados outros 797 717 reais.

Valdemar - No sexto mandato consecutivo na Câmara, Valdemar Costa Neto é, dos quatro deputados mensaleiros, o que mantém as atividades políticas a todo o vapor. Apesar de atuar nos bastidores – ele próprio reconheceu após a condenação nunca ter sido um bom legislador –, continua como homem forte do Partido da República e articulador astuto na barganha por cargos públicos. A aliados, Valdemar confidenciou que não espera a redução de sua pena. Ao todo, foram sete anos e dez meses em regime semiaberto por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Ciente de que terá de acertar as contas com a Justiça, Costa Neto já começou a abrir caminho no PR para que o senador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP) ocupe a secretaria-geral da sigla quando seu afastamento dos quadros do partido for mesmo inevitável. Suplente da atual ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT), Rodrigues chegou ao parlamento após um arranjo político com o PT. No ano passado, para forçar o engajamento de Marta na campanha que elegeu Fernando Haddad à prefeitura paulistana, o ex-presidente Lula conseguiu que ela fosse nomeada ministra.

Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues tem a missão de defender os interesses da ala paulista do PR ante o fortalecimento do braço fluminense da legenda, capitaneado pelo ex-governador Anthony Garotinho, e do grupo do senador mato-grossense Blairo Maggi.

Valdemar Costa Neto foi o primeiro dos mensaleiros a anunciar publicamente a tática de apelar à Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica, contra supostos erros processuais do julgamento do mensalão. Mas, para aliados, tem dito que sua intenção é evitar uma “postura Genoino” de enfrentamento ao STF.

Genoino - Ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoino é o parlamentar mensaleiro com perfil mais beligerante entre os condenados. A petistas, afirma “ter direito à indignação”. Penalizado em seis anos e 11 meses por formação de quadrilha e corrupção ativa, ele não fala publicamente sobre o mensalão, mas passa quase todo o dia – chega ao Congresso antes das 8h da manhã – em “articulações políticas”. As “articulações políticas” já haviam sido usadas como argumento central do ex-presidente do PT para tentar se livrar da acusação de partícipe do mensalão. Mas conforme sentenciou a Justiça, a atuação do petista no esquema criminoso foi documentalmente materializada em assinaturas de empréstimos bancários fraudulentos, forjados para camuflar o desvio de dinheiro público usado na compra de apoio político no Congresso.

Mesmo sem votos suficientes para ser eleito deputado – ele chegou ao cargo apenas como suplente –, José Genoino ocupa uma cadeira na poderosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, colegiado responsável por analisar previamente a viabilidade de projetos de lei. “Ele fala e discursa na tribuna, mas dá para perceber que não é mais o mesmo. Perdeu um pouco do brilhantismo”, afirma um aliado na bancada do PT.

Genoino teve o apoio do PT para retornar à Câmara, mesmo já condenado no mensalão. Atualmente, tem alardeado que pretende “discutir até o fim da vida” a sentença imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Experiente, relata sentir uma “sensação dura” por ter sido condenado. A correligionários, compara a condenação às dificuldades dos anos em que viveu na clandestinidade durante a ditadura militar. O advogado Luiz Fernando Pacheco, que defende o petista no processo do mensalão, resume o estado de espírito do parlamentar à espera do cumprimento da sentença: “Ele é um cliente preocupado, ansioso com o andamento do processo”.

Com patrimônio declarado de pouco mais de 170 000 reais, Genoino terá de cumprir a pena imposta por participação no mensalão em regime semiberto, podendo trabalhar normalmente durante o dia. Interlocutores arriscam que ele deverá atuar como palestrante enquanto vigorar a pena do mensalão.

Henry - Presença constante em escândalos políticos, o deputado Pedro Henry (PP-MT) cumpre o quinto mandato parlamentar consecutivo no Congresso, apesar de ter sido condenado a sete anos e dois meses por participação no mensalão. Conhecido entre desafetos como “o homem da lista” – referência a supostas exigências de propina – o parlamentar, penalizado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, anunciou que, quando a sentença for executada, pretende atender como anestesista durante o dia no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá. Uma das sobrinhas de Henry é sócia da instituição, e ele próprio foi acusado de beneficiar o hospital com um contrato sem licitação para a realização de cirurgias ortopédicas. Aos sábados, o mensaleiro já perambula pelos corredores e consultórios médicos do Santa Rosa e, ocasionalmente, atende pacientes.

Escanteado nas últimas eleições municipais, Henry perdeu um pouco da influência no sudoeste do Mato Grosso, sua base política, mas continua nomeando aliados sem dificuldade no Executivo local. Atua sem contratempos na secretaria estadual de Saúde, onde indicou os dois últimos secretários. “Este será o último mandato do Pedro Henry. Ele vai pegar o legado político e fazer um trabalho de bastidor”, diz o aliado de primeira hora e secretário-geral do PP em Mato Grosso, Ezequiel Fonseca.

Para manter sua influência sobre os políticos mato-grossenses, Henry já trabalha para eleger no próximo ano o ex-deputado Neri Geller, que atuará em Brasília como preposto do mensaleiro. Para dar continuidade à sua atuação na área da saúde, Pedro Henry prepara ainda a inauguração de um hospital particular em Florianópolis, especializado em cirurgias bariátricas. O irmão dele, o ex-prefeito de Cáceres Ricardo Henry, deverá administrar formalmente a instituição.

No dia a dia da Câmara, Pedro Henry é discreto e não discursa em plenário desde 2009. Também não apresentou nenhum projeto de lei desde 2011. Para evitar o constrangimento de ser cobrado por seus atos, aparece publicamente nas votações apenas para registrar presença ou formalizar o voto. No intervalo entre o início da sessão e o momento de abertura das urnas para votação, prefere ficar recluso em seu gabinete.

João Paulo - Condenado a nove anos e quatro meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) é o quarto mensaleiro que atualmente ocupa uma cadeira no Congresso Nacional. Ele já tentou articular com a cúpula da Câmara para evitar que os mensaleiros percam seus mandatos. Ex-presidente da Casa, Cunha se reuniu com os novos dirigentes para discutir como atrasar o inevitável processo de cassação dos mandatos.

Desde que foi condenado, logo no início do julgamento do mensalão, João Paulo Cunha viu suas pretensões políticas ruírem. Foi obrigado a deixar de imediato a disputa pela prefeitura de Osasco (SP). Cabisbaixo, trancafiou-se em um quarto por quase um mês após o veredicto do Supremo. Hoje tenta concluir o curso de graduação em direito em uma faculdade particular em Brasília. A esperança do mensaleiro é de se beneficiar com a presença em sala de aula. De acordo com a Lei de Execuções Penais, a cada 12 horas de frequência escolar, incluindo a universitária, um dia de pena é abatido.

Nas aulas, Cunha costuma se sentar ao fundo da sala, afastado dos demais alunos e se recusa a debater assuntos da atualidade com os estudantes. “Nunca ouvi a voz dele”, relatou ao site de VEJA um colega de classe. O comportamento é repetido no Congresso Nacional. Apesar de integrar a cobiçada Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), não relata ou apresenta matérias de interesse do público. Na CCJ, faltou em sete das 14 reuniões do colegiado. Nenhuma das ausências foi justificada.

13/04/2013

A terceira vida de Palocci





 Como tem operado o ex-ministro que depois de ser levado duas vezes ao ostracismo volta à cena política com a missão de aproximar o governo de empresários e banqueiros


Por Mário Simas Filho
IstoÉ




Logo depois do Carnaval, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um recado de um diretor da Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – informando que diversos empresários estariam sendo seduzidos pelo discurso de um estado ágil, enxuto e menos intrometido apresentado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) em reuniões com pequenos grupos de industriais. Dias mais tarde, o ex-ministro José Dirceu relatou a Lula, durante um jantar em São Bernardo, uma crescente insatisfação do setor de logística com a gestão da presidenta Dilma Rousseff. Como conhece muito bem a força do empresariado em uma disputa presidencial, Lula resolveu trazer de volta ao tabuleiro um velho bombeiro, tarimbado na prática de apagar os incêndios que costumam colocar o setor produtivo e o PT em lados opostos: Antônio Palocci.

Na primeira semana de março, o ex-ministro, que estava havia quase dois anos longe dos holofotes e raramente mantinha contatos políticos, atendeu ao chamado de Lula. Foi ao Instituto Cidadania, QG lulista em São Paulo, e, depois de conversar por quase três horas com o ex-presidente e dois assessores, aceitou o desafio de mais uma vez aparar arestas entre o partido e os empresários. Palocci passou a fazer semanalmente avaliações da política econômica – tarefa também realizada pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo – e a participar de encontros reservados com empresários e banqueiros. A maioria das reuniões ocorre sem a presença de Lula. “Assim como atuou durante a campanha em 2002, Palocci é uma espécie de avalista da política econômica de Dilma junto ao empresariado”, disse à ISTOÉ um dos assessores de Lula presentes no encontro no Instituto Cidadania. Desde aquele dia, a participação política de Palocci vem aumentando, ainda que só nos bastidores.

Em 25 de março, o ex-ministro participou ao lado de Lula de um evento fechado no hotel Mercury, em São Paulo, onde foram discutidas a política de juros e a questão do crescimento da inflação e seus possíveis reflexos para a eleição do próximo ano. Também estavam presentes os professores Marco Aurélio Garcia e Luiz Dulci. O objetivo do encontro era buscar uma linguagem comum para a defesa do governo Dilma junto ao empresariado. Outra missão foi dada a Palocci logo na primeira semana de abril. Na sexta-feira 5, um grupo de empresários ligados à indústria de base se reuniu com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Na avaliação feita pelo governo o encontro foi péssimo e serviu apenas para que os empresários criticassem o governo e o que classificaram como “amarras impostas pelo estilo Dilma de administrar”. Na semana seguinte, Palocci entrou em campo. Por mais de três horas ele se reuniu com representantes da Abdib (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base) para tentar aplacar o mal-estar. Segundo um dos presentes, durante o encontro Palocci chegou a adiantar a um grupo de empresários as medidas que o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, tomaria para investir no setor industrial ainda em 2013.

No início de abril, Palocci se encontrou com empresários
da indústria de base para desfazer mal-estar do setor
como presidente do BC, Alexandre Tombini


No PT, as novas movimentações de Palocci foram inicialmente aplaudidas. O presidente nacional do partido, deputado Rui Falcão, chegou a participar de alguns encontros com o ex-ministro e tem ciência de que Palocci é o melhor interlocutor petista do governo com a iniciativa privada. O problema é que, com o aval de Lula, nas últimas semanas o ex-ministro passou a avançar em outras áreas, o que tem incomodado alguns setores do partido. “Ele é o único que pode em pouco tempo reaproximar os empresários do governo”, disse um dos assessores do Instituto Cidadania a um prefeito petista na segunda-feira 8. “Mas o Lula precisa delimitar o espaço, porque Palocci é um trator”, completou. Na quarta-feira 3, durante sete horas o ex-ministro esteve reunido com Falcão, Lula e a presidenta Dilma no hotel Unique, em São Paulo. Na pauta estava a sucessão estadual e dois possíveis candidatos ao governo paulista participaram de parte do encontro: Aloyzio Mercadante, ministro da Educação, Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo. De acordo com um dos presentes, durante a reunião Lula pediu abertamente sugestões a Palocci para iniciar uma estratégia capaz de atrair banqueiros para o projeto petista em São Paulo. Em uma conversa reservada, porém, o ex-presidente teria pedido ao ex-ministro que sondasse junto aos banqueiros qual dos pré-candidatos petistas seria aceito com maior entusiasmo. Em 2010, apenas 7% dos recursos da campanha de Dilma vieram dos grandes bancos.

Essa é a terceira vez que Lula tira Palocci das fronteiras de Ribeirão Preto, no interior paulista, para lhe dar musculatura política e projeção nacional. Em 2002, quando a possibilidade de o ex-sindicalista chegar ao poder ainda assombrava as elites, Palocci foi um dos principais responsáveis pela carta aos brasileiros – documento que acalmou o empresariado, já que nela o PT e Lula se comprometiam a cumprir os contratos estabelecidos. Durante a campanha, o médico que militou em grupos de esquerda e que como prefeito promoveu uma gestão marcada pelas privatizações fez a interlocução com os empresários. No Ministério da Fazenda, Palocci conduziu uma política ortodoxa, impondo um arrocho capaz de fazer inveja a qualquer tucano. Era o homem mais poderoso da Esplanada dos Ministérios, mas caiu depois de flagrado em uma mansão de Brasília onde lobistas de Ribeirão Preto promoviam animadas festinhas. Para tentar se defender recorreu a um método pouco republicano: quebrou o sigilo bancário de um caseiro. Abatido, voltou para Ribeirão Preto e permaneceu na penumbra política até a eleição de 2010. Depois de escolher Dilma como candidata, Lula trouxe Palocci novamente à luz, para mais uma vez avalizar o PT junto à elite econômica e financeira. O sucesso da missão fez dele um poderoso ministro da Casa Civil e homem forte do governo. Em junho de 2011, menos de seis meses depois de retornar à corte, caiu novamente. Dessa vez por não conseguir explicar a multiplicação de seu patrimônio através de uma empresa privada de consultoria.

Com as novas atribuições, a empresa vem sendo tocada por um sobrinho do ex-ministro, André da Silva Palocci, e os negócios em Ribeirão Preto foram delegados a Galeno Amorim, um dos seus homens de confiança. De forma bem mais discreta do que as anteriores, Palocci parece estar pronto para agarrar a chance de começar uma terceira vida com dimensão nacional.

Colaborou Josie Jerônimo


13.Abr.13