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sábado, 13 de abril de 2013

Inflação salga alimentos básicos como farinha de mandioca e feijão







PEDRO SOARES
DO RIO

Folha de São Paulo

Na casa do aposentado Luiz Carlos da Fonseca, 58, só ele vai ao supermercado. A cada mês, diz, compra a mesma lista de produtos. Mas os gastos aumentam, e a culpa, na sua percepção, é dos preços dos alimentos.
"Há um ano, fazia a compra do mês com R$ 450. A despesa foi subindo cada vez mais, e, no mês passado, cheguei a gastar R$ 700."


O ex-garagista, pai de quatro filhos e morador do subúrbio carioca de Del Castilho, controla todo o orçamento da família. "Minha mulher é muito gastona", justifica.
Fonseca sentiu no bolso a alta persistente dos alimentos desde o fim do ano passado, intensificada neste primeiro trimestre --quando a alimentação no domicílio subiu 5,58%, quase o triplo da inflação média pelo IPCA no período (1,94%).
A Folha fez um levantamento com os 146 produtos alimentícios pesquisados pelo IBGE em 11 capitais e regiões metropolitanas do país e constatou que 117 deles, ou 80%, ficaram mais caros no trimestre passado.
E os reajustes não foram nada modestos: 5 produtos tiveram alta maior do que 50%, 13 tiveram reajuste maior que 20% e 33 superaram 10%. Só 29 ficaram mais baratos.



William Mur/Editoria de Arte/Folhapress




No topo da lista, aparecem hortaliças e frutas como tomate (o campeão, com 60,9%), repolho (58,15%), açaí (55,66%), cebola (54,88%) e cenoura (53,3%).

Outros aumentos de destaque são de produtos típicos e básicos do prato do brasileiro, como batata (38,11%), farinha de mandioca (35,18%), feijão-carioca (22,85%) e mandioca (22,18%).


SEM FARINHA

Fonseca, adepto do hábito de anotar todas as despesas, reparou nos preços mais altos. "Eu pagava menos de R$ 2 pelo quilo da farinha de mandioca, que não faltava lá em casa. No mês passado, estava a R$ 7. Simplesmente não comprei." O aposentado diz ainda que, diante do preço salgado do tomate (R$ 9 o quilo), levou só três frutos.
Segundo Priscila Godoy, economista da Rosenberg & Associados, o clima desfavorável e as quebras de safra explicam os reajustes. Pesou ainda, afirma, o custo maior dos fretes com a nova lei que determina a troca de motoristas em viagens longas e os dois aumentos recentes do preço do diesel.
Um pequeno alívio veio de alguns produtos da cesta básica, que já vinham em queda e mantiveram a tendência após a desoneração promovida pelo governo no início de março. "Não sentimos ainda nenhum impacto da queda dos preços dos produtos desonerados."
Entre os itens que tiveram isenção tributária estão o arroz e as carnes, cujos preços caíram 2,28% e 0,62%, respectivamente, no primeiro trimestre. Ambos integram a refeição básica do brasileiro.
Angela Maria Ribeiro, dona de casa, diz que nos supermercados da zona oeste do Rio, onde mora com a família, os preços subiram antes da medida do governo de cortar tributos da cesta básica. "Tudo ficou mais caro. O arroz, o açúcar e o óleo de soja. Quando veio o desconto, os preços ficaram na mesma."
A expectativa de analistas é que, a partir de maio, comece a haver redução do preço dos alimentos.

Variação de preços de todos os itens de alimentação no domicílio no acumulado do primeiro trimestre, em %

Tomate 60,9
Repolho 58,15
Açaí (emulsão) 55,66
Cebola 54,88
Cenoura 53,3
Batata-inglesa 38,11
Farinha de mandioca 35,18
Inhame 33,28
Anchova 27,74
Coentro 25,62
Feijão - carioca (rajado) 22,85
Mandioca (aipim) 22,18
Feijão - macassar (fradinho) 21,47
Laranja - pera 19,44
Banana - prata 18
Mandioquinha (batata-baroa) 17,98
Banana-da-terra 17,77
Alface 16,59
Abóbora 16,11
Couve 15,95
Goiaba 14,08
Maracujá 13,36
Brócolis 13
Ovo de galinha 12,13
Farinha de trigo 12,02
Morango 11,93
Frango em pedaços 11,48
Tilápia 11,44
Abacaxi 10,83
Manga 10,71
Ervilha em conserva 10,51
Couve-flor 10,24
Feijão - mulatinho 10,22
Cheiro-verde 9,97
Pão de forma 9,21
Cação 9,11
Patê 9,09
Corvina (peixe) 8,42
Dourada (peixe) 8,05
Presunto 7,62
Azeite de oliva 7,56
Atum em conserva 7,34
Vermelho (peixe) 7,31
Frango inteiro 7,07
Melancia 7,02
Manteiga 6,15
Macarrão 6,12
Cavalinha (peixe) 5,97
Doce de frutas em pasta 5,82
Merluza (peixe) 5,67
Tangerina 5,58
Leite de coco 5,58
Hambúrger 5,4
Farinha vitaminada 5,21
Milho-verde em conserva 5,17
Bolo 4,8
Coco ralado 4,79
Salame 4,74
Feijão - preto 4,72
Massa semipreparada 4,63
Sardinha em conserva 4,51
Biscoito 4,46
Café solúvel 4,41
Salsicha em conserva 4,38
Pão doce 4,29
Pescada 4,28
Atomatado (molho de tomate) 4,23
Quiabo 4,21
Salmão 4,21
Pão francês 3,87
Farinha de arroz 3,81
Salsicha 3,28
Chocolate e achocolatado em pó 3,26
Carne de porco salgada e defumada 3,21
Sal e condimentos 3,15
Margarina 3,11
Amido de milho 3,09
Leite condensado 3,06
Pão de queijo 3,03
Queijo 3,01
Tempero misto 2,91
Azeitona 2,86
Pepino em conserva 2,84
Leite em pó 2,78
Fermento 2,75
Balas 2,7
Palmito em conserva 2,67
Maionese 2,63
Iogurte e bebidas lácteas 2,59
Fubá de milho 2,58
Alho 2,5
Leite longa vida 2,49
Camarão 2,48
Chá 2,27
Carne de porco 2,07
Peito (corte de carne bovina) 2,05
Carne de carneiro 1,99
Mortadela 1,97
Refrigerante e água mineral 1,96
Caldo concentrado 1,83
Uva 1,83
Sopa desidratada 1,8
Laranja - baía 1,7
Sorvete 1,69
Carne em conserva 1,27
Vinagre 1,27
Linguiça 1,26
Outras bebidas alcoólicas 1,23
Suco de frutas 1,17
Banana - d'agua 1,15
Banana - maçã 0,49
Café moído 0,49
Cerveja 0,31
Caranguejo 0,26
Flocos de milho 0,25
Carne-seca e de sol 0,24
Mamão 0,03
Sal -0,03
Contrafilé -0,08
Maçã -0,12
Pá (corte de carne bovina) -0,26
Costela (corte de carne bovina) -0,54
Alcatra (corte de carne bovina) -0,68
Lagarto redondo (corte de carne bovina) -0,8
Chocolate em barra e bombom -0,86
Cavala (peixe) -0,87
Fígado -1,14
Chã de dentro (corte de carne bovina) -1,15
Acém -1,3
Lagarto comum (corte de carne bovina) -1,33
Patinho (corte de carne bovina) -1,48
Castanha -1,57
Creme de leite -1,89
Músculo -2,11
Arroz -2,28
Pera -2,36
Óleo de soja -2,66
Sardinha -2,83
Tucunaré (peixe) -2,97
Açúcar cristal -3,87
Açúcar refinado -4,77
Filé-mignon -4,81
Serra (peixe) -5,57
Limão -8,14
Pimentão -17,57
Abacate -21,31


13/04/2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

'Ministro do STF não polemiza com réu', diz Fux sobre declaração de Dirceu




MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O ministro Luiz Fux declarou, por meio da assessoria de imprensa do STF (Supremo Tribunal Federal), que não responderá à acusação do ex-ministro José Dirceu de que foi assediado moralmente por ele.

"Ministro do STF não polemiza com réu", afirmou Fux.

Condenado a mais de dez anos no julgamento do mensalão, Dirceu contou em entrevista à Folha e ao UOL que Fux o "assediou moralmente" quando fazia campanha para ingressar no STF.


Alan Marques/Folhapress
O ministro do STF Luiz Fux


Ele conta que a reunião entre ambos ocorreu num escritório de advocacia de conhecidos comuns. Ao relatar esse encontro, Dirceu faz uma acusação grave. O ex-ministro afirma não ter perguntado "nada" [mas Fux] "tomou a iniciativa de dizer que ia me absolver".

Num outro trecho da entrevista, segundo Dirceu, "ele [Fux], de livre e espontânea vontade, se comprometeu com terceiros, por ter conhecimento do processo, por ter convicção".

O ex-ministro afirma ainda que Fux "já deveria ter se declarado impedido de participar desse julgamento [do mensalão]".

No início de 2011, Fux foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff para o STF. Durante o julgamento do mensalão, votou pela condenação de Dirceu --que acabou sentenciado a de dez anos e dez meses de reclusão mais multa.

REPERCUSSÃO

Além do próprio Fux, o único ministro do Supremo a se manifestar sobre as declarações do ex-ministro foi Marco Aurélio Mello. Para ele, as acusações de Dirceu desgastam a Corte, mas não têm a capacidade de prejudicar o resultado do julgamento.

"É tudo muito lamentável, como eu disse ontem [sobre o episódio da tensa reunião entre o presidente Joaquim Barbosa e os presidentes de entidades de juízes]. Desgasta o Supremo", disse Marco Aurélio. "Mas não fragiliza o julgamento [do mensalão], porque não se trata de um argumento jurídico. Pelo contrário. Ele [o ministro Fux] foi um dos mais rigorosos", completou.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que acusou Dirceu pelos crimes do mensalão, disse ter recebido as declarações com "absoluto descrédito".

"Recebo com absoluto descrédito. O ministro Luiz Fux é um magistrado com uma longa carreira pela honorabilidade, correção e seriedade, o que não é precisamente o caso do ex-ministro [José Dirceu]", afirmou Gurgel.

A mesma restrição é adotada pelo presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Nelson Calandra, que minimizou as acusações. "Eu não posso acreditar que um juiz prometa, sem ver os autos, que vai absolver alguém. O que pode ter ocorrido em um dialogo é que, se não houver prova para condenação, se a prova for no sentido de absolver, qualquer um de nós absolve alguém que está sendo julgado. Acho que é a dor de alguém que acabou condenado criminalmente e dá uma entrevista expondo uma figura pública, que é o ministro Fux", disse.

Entre os advogados de réus do mensalão, apenas o defensor de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, comentou a entrevista de Dirceu e disse que ficou "estarrecido".

"Estou estarrecido com essa entrevista do José Dirceu e também com aquela que foi dada pelo ministro Fux à Folha, na qual relatou o contato com o ex-ministro", disse Leonardo.

O advogado referiu-se à reportagem publicada pela Folha em dezembro passado na qual Fux admitiu que encontrara Dirceu quando estava em campanha para o STF. Na oportunidade Fux negou ter prometido a absolvição do ex-ministro.



Marlene Bergamo/Folhapress
O ex-ministro José Dirceu concede entrevista aos jornalistas da Folha Fernando Rodrigues e Mônica Bergamo
10/04/2013

Dirceu ataca Fux, compromete Dilma gravemente e diz que vai recorrer a corte internacional contra julgamento, o que é pura fantasia para tentar melar o jogo. E ainda faz ameaça velada. Dilma está prestes a indicar novo ministro para o STF


                          Por Reinaldo Azevedo

É estupendo!
Há muitos dias tenho tratado aqui com sarcasmo a absurda campanha que a imprensa, ou quase toda, move contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP). Campanha, sim, de caráter fascistoide!

Os nossos luminares do teclado ainda não aprenderam que a democracia não proíbe ninguém de dizer besteira. Enquanto isso, a vergonha na cara fica por aí, esfaimando…

José Dirceu, aquele condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha — o chefe dela, segundo a Procuradoria-Geral da República — concede uma entrevista à Folha e ao UOL em que, claro!, diz ser inocente.

Repete  a acusação que gente ligada a ele já havia feito, segundo a qual o ministro Luiz Fux, antes ainda de ser nomeado, havia prometido inocentá-lo caso ganhasse uma vaga no Supremo.

Em entrevista, Fux já admitiu o encontro, mas nega que tenha prometido um voto favorável. Dirceu diz também que vai, recorrer à “Comissão Internacional de Direitos Humanos” (seja lá o que for isso) e, ora vejam!, faz uma ameaça nem tão velada assim caso Lula seja mesmo processado por alguns crimes do mensalão.

O que o PT pretende fazer, não fica claro. Mas parece ser coisa grande. Será que vão botar os tanques na rua? Cercar o Supremo com os tontons-maCUTes? Não sei. Leiam trechos. Volto em seguida;
* Folha/UOL – Como foi seu encontro com Luiz Fux? José Dirceu - Eu não o conhecia, eu fui assediado moralmente por ele durante mais de seis meses para recebê-lo. Como foi esse assédio? Através de terceiros, que eu não vou nominar. Eu não queria [recebê-lo]. Quem são esses terceiros? São advogados, não são lobistas. Eu o recebi, e, sem eu perguntar nada… Porque ele [hoje] dizer para a sociedade brasileira que não sabia [na época do encontro] que eu era réu do processo do mensalão é tragicômico. Soa ridículo, no mínimo, né? Como o ministro do STJ [cargo ocupado na época por Fux] não sabe que eu sou réu no processo? E ele tomou a iniciativa de dizer que ia me absolver. Textualmente. (…) Como é que o sr. se sentiu quando o ministro Fux votou pela sua condenação? Depois dos 50 anos que eu tenho de experiência política, infelizmente eu já não consigo me surpreender. A única coisa que eu senti é a única coisa que me tira o sono. Nem a condenação me tira o sono porque tenho certeza que eu vou revertê-la. (…) A sua defesa vai apresentar recursos [para reverter a condenação]. O sr. tem esperança? Vai apresentar. Depois do transitado em julgado, vamos para a revisão criminal. E vou bater à porta da Comissão Internacional de Direitos Humanos. Não é que fui condenado sem provas. Não houve crime, sou inocente; me considero um condenado político. Foi um julgamento de exceção, político. (…) Se o ex-presidente Lula não tem nada com isso, por que Marcos Valério é recebido por Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula e um de seus assessores mais próximos? Boa pergunta para ser dirigida ao Paulo Okamotto. Eu nunca tive nenhum contato com Marcos Valério. Nem antes nem depois. E o Lula não tem nenhuma preocupação. Conheço os fatos, ele não tem nada a ver com isso. Absolutamente. A não ser que se queira, agora, dar um golpe que não conseguiram dar antes. Quer dizer, transformar o Lula em réu na Justiça brasileira. A não ser que se vá fazer esse tipo de provocação ao PT e ao país, à nação brasileira.
Voltei
O mais escandaloso na entrevista de José Dirceu é que ele deixa claro que a nomeação de Fux foi decidida no ambiente em que o então ministro do STJ prometeu inocentá-lo caso conseguisse a vaga no Supremo. Ele diz, claro!, não saber se tal promessa pesou na indicação.

Ora… Então José Dirceu, um dos capas-pretas do PT, principal réu do mensalão, recebe um candidato ao Supremo que promete inocentá-lo, e esse homem é, de fato, indicado para o cargo, e devemos acreditar que uma coisa não tem nada a ver com a outra?
O ódio de Dirceu é tão grande que ele não se importa em confessar que a escolha de um ministro para o Supremo obedeceu aos mais baixos interesses. Não se pensava, então, no país, mas em livrar a cara de um poderoso chefão petista.

A entrevista, é evidente, estoura na porta do gabinete de Fux, mas compromete ainda mais a presidente Dilma Rousseff. Trata-se de um verdadeiro escândalo.
Insônia
Fux que se cuide. Eu detestaria ser objeto da insônia de José Dirceu, e o ministro, segundo confessa o próprio condenado, povoa as noites mal dormidas do chefão. Que ele não seja do tipo que perdoa, isso a gente já sabe…
Num país, digamos, razoável, tanto Fux como Dilma estariam obrigados a divulgar notas oficiais nesta quarta-feira. Ele tem de dizer se Dirceu mente ou fala a verdade quando sustenta que recebeu uma promessa de voto; ela tem de deixar claro que princípio orientou a escolha de Fux.
Fantasias de Dirceu
Dirceu decidiu enrolar o público com algumas fantasias. Não sei que diabo vem a ser “revisão criminal” nesse caso. Ele está se referindo aos embargos infringentes? Nem mesmo está claro se eles são cabíveis ou não no caso. Eu entendo que não. A Lei 8.038, vejam aí a íntegra, disciplina justamente os julgamentos nos tribunais superiores — também no STF. E não trata de “embargos infringentes” — vale dizer: da possibilidade de haver um reexame da decisão da maioria. Essa lei é de 1990.

Na prática, ela tornou sem efeito o Artigo 333 do Regimento Interno do STF, que prevê os tais embargos. Os advogados de defesa até podem vir com essa história. Suponho que os ministros do Supremo, responsáveis que são, dirão o óbvio: um artigo de um regimento interno, mesmo do Supremo, não pode mais do que a lei. Vamos ver.
A “Comissão Internacional de Direitos Humanos”, de que ele fala, deve ser a Comissão Interamericana de Direitos Humanos — à qual ele já havia dito que não recorreria… Pelo visto, mudou de ideia.

É pura conversa mole.

Recorrer à comissão por quê?

Ele teve, por acaso, cerceado seu direito de defesa?

Ainda que recorresse e ainda que seu pleito fosse acolhido, é bom Dirceu ler a Constituição Brasileira. A instância máxima da Justiça é o Supremo Tribunal Federal.

E ponto!

Esses petistas são mesmo curiosos. Quando a questão de Belo Monte foi parar na Comissão e depois na Corte Interamericana de Direitos Humanos, os petistas deram de ombros e ainda acharam uma ingerência indevida na política interna brasileira.
Melar o jogo
Os mensaleiros e alguns de seus advogados ainda não desistiram de tentar melar o jogo. Essa entrevista de José Dirceu vem coordenada com uma tentativa de Márcio Thomaz Bastos de impedir a publicação do acórdão do julgamento. São esforços para tentar colar em todo o processo a pecha de “julgamento de exceção”.
Lula e a ameaça
Vejam lá como Dirceu se refere à possibilidade de que Lula se torne réu num dos processos do mensalão. Diz que será uma “provocação ao PT, ao país, à nação brasileira”.

Se Lula atropelar sem querer um gato, esse gato será atropelado pela nação brasileira. Quando mantinha relações especiais e ancilares com uma funcionária da Presidência da República, quem comparecia para os eventos era a “nação brasileira”.

Assim, caso se torne réu, ré, então, será a nação brasileira.

É uma besteira, mas também é uma ameaça.
Tenho cá as minhas desconfianças se Dirceu, no fundo, não torce por isso. Caso Lula também se torne réu, ele se perfila ao lado do outro, um tantinho mais popular, e se diz também uma “vítima”.
Eis aí. Um quadro dirigente de um dos maiores partidos políticos do país, que está no poder há 10 anos, revela que ministro foi nomeado para o Supremo depois de lhe prometer um voto, força a mão para desmoralizar o tribunal e ainda faz ameaças veladas aos órgãos de investigação do estado.

E os bananas ficam por aí perseguindo um deputado porque, no fim das contas, não gostam de suas opiniões.
LEMBREM-SE: DILMA ESTÁ PRESTES A INDICAR UM NOVO MINISTRO DO SUPREMO.

Há dias, a presidente esteve com o tributarista Heleno Torres. Torres já afirmou sobre o julgamento do mensalão o que segue em vermelho:
“O Tratado do Pacto de San José proclama direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior. Por tudo isso, no final, a Corte Interamericana terá que anular esse julgamento, sob pena do seu absoluto descrédito”.


10/04/2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

O PT impede a renúncia de Marco Feliciano porque não abre mão de seus criminosos na CCJ



O deputado Marco Feliciano (PSC-SP), à dir., durante sessão desta quarta (3) na Comissão de Direitos Humanos

Por Reinaldo Azevedo
Se a imprensa, boa parte dela ao menos, que cobre o caso Marco Feliciano (PSC-SP) estivesse empenhada em reportar os fatos aos que estão do outro lado da tela, em vez de tentar convertê-los ao progressismo, só um título — ou variantes com tal conteúdo — seria possível para deixar claro o que se deu nesta terça na reunião de líderes com o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara: é o que está aí no alto.

Sim, foi isto mesmo: o PT impediu a renúncia de Feliciano à presidência da comissão. Ou, se quiserem, o PT mantém Feliciano.


Por quê? O deputado aceitou renunciar à presidência da comissão. Ele só impôs uma condição: que os petistas José Genoino e João Paulo Cunha renunciassem à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

É claro que acho uma boa proposta, até porque ela surgiu primeiro neste blog. E olhem, observei então e observo agora, que Feliciano não é oficialmente um criminoso; os outros dois são. O que é um criminoso? O Houaiss explica: “que ou aquele que infringiu por ação ou omissão o código penal, cometendo crime; delinquente, réu”.


Vamos ver como a imprensa vai noticiar a coisa. Nos sites dos grandes jornais, já vi que a informação foi parar no pé. As TVs, pelo cheiro da brilhantina, tendem a omitir a condição que ele impôs, rejeitada pelo PT.

Assim, os nobres coleguinhas vão esconder dos telespectadores pela segunda vez que os petistas são os responsáveis pela manutenção de Feliciano na comissão:


a) quando a recusaram para pegar postos mais importantes, deixando-a para O PSC;

b) quando recusaram a renúncia de dois deputados criminosos.

E por que vão esconder? Ah, porque não é “progressista”. Como estão em campanha em favor do casamento gay — e podem estar, tudo certo! —, todas as notícias passarão por esse filtro. Eu sempre defendi que os veículos de comunicação tenham agenda. Só os tiranos querem impedir que tenham. Mas distorcer os fatos não é parte do jogo.

Proposta excelente

A proposta de Feliciano era excelente porque se aumentava a moralidade média da CCJ, ainda que muito pudesse ser feito por ali. Notem que Feliciano não exigiu, por exemplo, a renúncia de José Guimarães (PT-CE), irmão de Genoino, líder do PT na Câmara e chefe daquele pobre coitado encontrado com a cueca recheada de reais e dólares. Até os semoventes sabem que o dinheiro não era dele.

O sujeito mal falava; tartamudeava. E olhem que Feliciano não pediu a renúncia de Ricardo Berzoini (PT), presidente do PT quando estourou o caso dos aloprados.

Que ele conhecesse parte da operação ao menos, isso está comprovado pelos fatos. E olhem que Feliciano não pediu, atenção!, a renúncia de Paulo Maluf (PP-SP). Sim, ele mesmo: Maluf, acreditem, é titular de uma comissão chamada de “Constituição e Justiça”.


Que eu saiba, só mesmo os líderes do PT, PSOL, PDT, PCdoB e PPS insistiram na renúncia. Os demais acabaram concordando com a permanência. O PSDB nem mesmo participou da reunião porque considerou que não havia dispositivo regimental que a justificasse. E não há mesmo. Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara — imaginem se Feliciano tivesse proposto a renúncia de todo mundo que está enrolado com a Justiça… — cobrou que as reuniões da comissão voltem a ser abertas. Voltarão.

Quero saber se o homem que responde pela segurança dos trabalhos na Casa Legislativa garantirá também as condições necessárias para a sua realização.


Se não garantir, Feliciano pode recorrer ao Artigo 272 do Regimento Interno e fechar de novo. E o artigo diz o seguinte:

Art. 272. Será permitido a qualquer pessoa, convenientemente trajada e portando crachá de identificação, ingressar e permanecer no edifício principal da Câmara e seus anexos durante o expediente e assistir das galerias às sessões do Plenário e às reuniões das Comissões.
Parágrafo único. Os espectadores ou visitantes que se comportarem de forma inconveniente, a juízo do Presidente da Câmara ou de Comissão, bem como qualquer pessoa que perturbar a ordem em recinto da Casa, serão compelidos a sair, imediatamente, dos edifícios da Câmara.


Para encerrar
Feliciano, certamente, não representa um monte de gente. Também diz tolices e inconveniências sobre a morte de Jesus Cristo. Ooops, errei, ele falou besteira sobre a morte daquele outro mais famoso, né?, o tal John Lennon, acho…

Mas representa outros tantos, como se vê na foto abaixo, de André Borges, da Folhapress. Aqueles dois que estão ali não devem ter entendido, inclusive, que o deputado seja racista.



Aos inconformados, inclusive os do jornalismo, coma liberdade de expressão, resta-me repetir a fala do economista Walter Williams:

“É fácil defender a liberdade de expressão quando as pessoas estão dizendo coisas que julgamos positivas e sensatas, mas nosso compromisso com a liberdade de expressão só é realmente posto à prova quando diante de pessoas que dizem coisas que consideramos absolutamente repulsivas”.


09/04/2013

 

O comício de encerramento da campanha de Capriles foi uma lição da resistência democrática venezuelana aos partidos oposicionistas brasileiros


Direto ao Ponto

                                             Por Augusto Nunes


Em matéria de presidente da República, a Venezuela empata com o Brasil. Nicolás Maduro, o motorista de ônibus que virou piloto de país, confunde eleição presidencial com briga de trânsito, qualifica o adversário de “maricón” e jura que Hugo Chávez ressuscitou disfarçado de passarinho.

Dilma Rousseff não diz coisa com coisa, é incapaz de produzir uma frase com começo, meio e fim, esquece à noite a promessa que fez de manhã e tornou-se uma prova ambulante de que o Brasil sobrevive até a governantes com um neurônio só.

Em matéria de presidente-adjunto e eleitorado, o empate se repete. No momento, Lula se faz de morto para escapar do caso Rose e governar na clandestinidade.

Chávez se faz de vivo (fingindo que dorme no caixão transparente ou voando com a leveza de um colibri) para garantir a vitória de Maduro e tornar-se no primeiro presidente com gabinete no Além.

Nos dois países, a eleição é decidida pela imensidão de desvalidos que se acham felizes por não saberem o que é isso. Gente que imagina que viver é não morrer de fome retribui com votos os donativos dos gigolôs da miséria.

Em matéria de oposição, a Venezuela está ganhando com folga ─ e, se mantiver a estratégia que resultou nas imagens do vídeo acima, talvez acabe impondo uma goleada ao Brasil.

O PSDB troca socos e pontapés com tucanos, o PPS flerta com o PSB de Eduardo Campos, o DEM ainda não descobriu quem é.

No reino dos chavistas, os adversários do chavismo recuperaram a sensatez e reaprenderam a unir-se no combate ao inimigo comum .

Por aqui, a oposição oficial não se junta nem em festinhas de batizado. E há mais de dez anos não dá as caras nas ruas.

No comício de encerramento da campanha de Henrique Capriles, principal adversário de Maduro, foi reencenado em Caracas o espetáculo da multidão disposta a barrar nas urnas o avanço dos pastores do primitivismo.

Uma vitória e tanto.

Seja qual for o resultado da eleição, a resistência democrática venezuelana mostrou-se extraordinariamente maior, mais musculosa e mais lúcida do que os arrogantes herdeiros de Chávez.

Vejam o vídeo. A Venezuela garroteada por um bolívar-de-hospício, quem diria, pode livrar-se do tempo das cavernas bem mais cedo que o Brasil.
09/04/2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Barbosa diz que aprovação de novos tribunais foi 'sorrateira'


Presidente do Supremo recebeu, em clima tenso, dirigentes de associações de juízes e afirmou que os novos tribunais deveriam ser instalados em resorts

Veja.com
Joaquim Barbosa: crítica à criação de mais quatro tribunais no país
(Fellipe Sampaio/SCO/STF)

Em clima tenso, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, recebeu nesta segunda-feira dirigentes de associações representativas de juízes e afirmou que a aprovação da emenda constitucional que cria quatro tribunais regionais federais (TRFs) no país, apoiada por entidades da classe, ocorreu de forma "sorrateira", "ao pé do ouvido" e "no cochicho".

Barbosa disse que as sedes desses tribunais devem ser instaladas em resorts, o mais próximo possível da praia.


Em choque com as entidades de classe desde que afirmou existir um conluio entre magistrados e advogados e que os juízes brasileiros têm mentalidade pró impunidade, Barbosa pediu ao vice-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Ivanir César Ireno, que baixasse o tom de voz. "Sorrateira, não", havia reclamado Ireno segundos antes, numa reação aos comentários de Barbosa.

"O senhor abaixe a voz porque o senhor está na presidência do Supremo Tribunal Federal", afirmou Barbosa. "Só me dirija a palavra quando eu lhe pedir", completou, exaltado.


No encontro, o presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deixou transparente a sua oposição à emenda que cria os quatro TRFs. Segundo ele, a novidade custará ao país 8 bilhões de reais. Apesar disso, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não teria sido ouvido sobre a novidade. Ireno disse que a Ajufe acompanhou o processo por anos.

"Não confunda a legitimidade que o senhor tem enquanto representante sindical com a legitimidade dos órgãos do estado. Eu estou dizendo é que órgãos importantes do estado não se pronunciaram sobre o projeto que vai custar à nação, por baixo, 8 bilhões de reais", disse Barbosa.


Para o presidente do STF, a criação dos tribunais será boa para a advocacia e para os juízes porque milhares de empregos serão criados. "Dá emprego. Dá quinto. Mas isso não é o interesse da nação", afirmou Barbosa. "Esses tribunais vão ser criados em resorts, em alguma grande praia", acrescentou.

Um dos juízes presentes ao encontro observou que em Minas Gerais não existe praia. Barbosa respondeu: "Serão criados o mais próximo da praia possível". Os novos TRFs serão instalados em Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Manaus (AM).


Num outro momento tenso da audiência, Barbosa disse que, se quiserem colaborar, os dirigentes de entidades representativas de juízes devem encaminhar as sugestões para a sua assessoria e não ir antes à imprensa.

No encontro, eles entregaram um documento no qual defendem algumas posições, como a necessidade de mais rapidez na solução de crimes cometidos contra autoridades.

O presidente do Supremo também reagiu quando os magistrados disseram que era necessário fortalecer o estado de direito e a instituição democrática e prestigiar o STF. "O STF se prestigia por si próprio."


(Com Estadão Conteúdo)

PF recebe pedido de abertura de inquérito contra Lula



Ex-presidente será investigado por denúncia de intermediar o repasse de 7 milhões de reais da Portugal Telecom ao PT no auge do mensalão
Gabriel Castro, de Brasília
Veja.com

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: nenhuma vergonha de sonegar explicações

(Helvio Romero/Estadão Conteúdo)

A Polícia Federal recebeu na manhã desta segunda-feira pedido de abertura de inquérito para investigar a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema do mensalão. Na semana passada, o Ministério Público Federal solicitou que a PF apure as denúncias feitas pelo operador do mensalão, Marcos Valério de Souza, de que o ex-presidente intermediou um repasse de 7 milhões de reais feito ao PT por uma subsidiária da Portugal Telecom. Além de Lula, o ex-ministro Antonio Palocci Filho também é citado no caso.

As novas acusações contra Lula surgiram no ano passado, na fase final do julgamento do mensalão. Já condenado, o publicitário Marcos Valério resolveu contar ao menos parte do que sabe à Procuradoria Geral da República (PGR). Ele disse que o então presidente não só sabia da engrenagem criminosa como se envolveu diretamente na montagem do esquema.

A partir desses depoimentos, a PGR elaborou seis procedimentos de investigação. Como Lula não tem mais foro privilegiado, os casos foram encaminhados à Procuradoria da República no Distrito Federal, que ainda analisa se abrirá outros inquéritos. Uma das investigações está a cargo da Procuradoria Eleitoral do Distrito Federal, já que trata de uma acusação de caixa dois.

Portugal Telecom - O novo inquérito vai apurar a participação de Lula na intermediação de um empréstimo de 7 milhões de reais da Portugal Telecom para o PT. De acordo com depoimento prestado por Marcos Valério à Procuradoria Geral da República no ano passado, uma fornecedora da Portugal Telecom, sediada em Macau, repassou o dinheiro ao PT para quitar dívidas de campanha. Os recursos teriam entrado no país por meio das contas de publicitários que trabalharam para o partido.

Segundo a denúncia, Lula teria se reunido com Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom, para negociar o repasse. A transação estaria ligada a uma viagem feita por Valério a Portugal em 2005. O episódio foi usado, no julgamento do mensalão, como uma prova da influência do publicitário em negociações financeiras envolvendo o PT.

Segredos – Com a certeza de que iria para a cadeia, Marcos Valério começou a contar os segredos do mensalão em meados de setembro, como revelou VEJA. Em troca de seu silêncio, Valério disse que recebeu garantias do PT de que sua punição seria amena. Já sabendo que isso não se confirmaria no Supremo – que o condenou a mais de 40 anos por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro – e, afirmando temer por sua vida, ele declarou a interlocutores que Lula "comandava tudo" e era "o chefe" do esquema.

Pouco depois, o operador financeiro do mensalão enviou, por meio de seus advogados, um fax ao STF declarando que estava disposto a contar tudo o que sabe. No início de novembro, nova reportagem de VEJA mostrou que o empresário depôs à Procuradoria Geral da República na tentativa de obter um acordo de delação premiada – um instrumento pelo qual o envolvido em um crime presta informações sobre ele, em troca de benefícios.

domingo, 7 de abril de 2013

Mensalão – Aconteceu! MP não se intimida, e Lula é agora um investigado




O PT ameaçou até botar as tropas na rua para que isto não acontecesse, mas aconteceu

Lula passou à condição de investigado no caso do mensalão

Por Reinaldo Azevedo

A Al Qaeda Eletrônica até ensaiou aquela conversa mole de “Lula é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo” para intimidar o Ministério Público, mas não adiantou.

Agora o ex-presidente da República é, oficialmente, um investigado.


“Mas a Polícia Federal pode se negar?” Claro que não! O que ela pode é fazer o inquérito e concluir que ele não cometeu nenhum crime. Vamos ver. Mas vai ter de investigar. Se o MP pediu que o faça, é porque viu, quando menos, indícios de prática criminosa.

Leiam o que informa Gabriel Castro, na VEJA.com:

A Procuradoria da República no Distrito Federal pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar denúncias feitas pelo operador do mensalão, o publicitário Marcos Valério de Souza, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Antonio Palocci Filho. Valério acusou Lula de ter intermediado um repasse de 7 milhões de reais da Portugal Telecom ao PT.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira pelo Ministério Público e significa que a investigação sobre o papel de Lula no esquema do mensalão avançou mais um passo – será o primeiro inquérito aberto contra o ex-presidente da República.

Até agora, apenas um procedimento de investigação para checar os indícios fornecidos por Valério em seus depoimentos contra o ex-presidente havia sido instaurado.


Nos depoimentos, Valério afirmou que Lula teve participação direta na montagem do esquema de desvio de recursos e compra de apoio político no Congresso Nacional.

As acusações de Valério levaram o MPF a abrir outras cinco apurações preliminares. Dessas, uma já foi encaminhada à Procuradoria Eleitoral do Distrito Federal porque envolve denúncia de caixa dois; as outras investigações ainda estão sob análise de procuradores e também podem se transformar em inquéritos.


                    
                 Portugal Telecom



O novo inquérito vai apurar a participação de Lula na intermediação de um empréstimo de 7 milhões de reais da Portugal Telecom para o PT. De acordo com depoimento prestado por Marcos Valério à Procuradoria Geral da República no ano passado, uma fornecedora da Portugal Telecom, sediada em Macau, repassou o dinheiro ao PT para quitar dívidas de campanha.

Os recursos teriam entrado no país por meio das contas de publicitários que trabalharam para o partido.


Segundo a denúncia, Lula teria se reunido com Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom, para negociar o repasse. A transação estaria ligada a uma viagem feita por Valério a Portugal, em 2005.

O episódio foi usado, no julgamento do mensalão, como uma prova da influência do publicitário em negociações financeiras envolvendo o PT.



05/04/2013

Charges


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sábado, 6 de abril de 2013

Governo nega informação publicada pelo Estadão e diz que Heleno Torres não foi indicado para o STF. Jurista já falou até em anulação do julgamento do mensalão



Por Reinaldo Azevedo

O Estadão anunciou (ver post na home) que o tributarista Heleno Torres tinha sido indicado por Dilma Rousseff para a vaga que está aberta no Supremo Tribunal Federal. Os dois mantiveram um encontro. Segundo o jornal, a presidente ficou irritada com o vazamento, o que levou o Planalto a negar que a decisão já tivesse sido tomada. Se o escolhido for mesmo Torres, cumpre lembrar o que ele andou afirmando sobre o julgamento do mensalão. Já volto ao tema.

Leiam, antes, o que vai no Estadão.

Volto em seguida.

A presidente Dilma Rousseff reuniu-se na noite desta sexta-feira, 5, com o advogado tributarista Heleno Torres, no Palácio do Planalto. Segundo fontes do Supremo Tribunal Federal (STF) informaram à Broadcast, Torres é o escolhido para substituir o ministro Carlos Ayres Britto, que deixou a Côrte no fim do ano passado.

O Palácio do Planalto negou, oficialmente, que Dilma já tenha tomado uma decisão sobre o assunto. O “vazamento” do encontro irritou a presidente. Até agora, o tributarista foi o único chamado para uma conversa reservada com Dilma. Os outros advogados que pleiteiam a vaga – Luiz Roberto Barroso, Eugênio Aragão e Humberto Ávila – não foram convocados por ela.

No Twitter, o professor da USP e articulista do Estado Gaudencio Torquato, escreveu que, em almoço com Torres, o tributarista confirmou ter sido escolhido para assumir cadeira no Supremo.

“No almoço, Heleno Torres me comunicou que foi escolhido para o Supremo. E me convidou para a posse. Claro que irei. Grande jurista”, escreveu Torquato na rede social. Poucos minutos depois, Torquato afirmou ter entendido mal o advogado e atribuiu o erro ao barulho do restaurante onde estavam almoçando.

“Corrigindo: entendi errado. Heleno Torres não foi escolhido STF (sic). Me disse: se for, você está convidado. Ouvido mouco ouve só o bom”, disse. “Reafirmo: barulho de restaurante atrapalha audição. Heleno não foi escolhido. Mas torço por ele. Apenas isso”.

Voltei: o mensalão
No dia 3 de agosto de 2012, o site Consultor Jurídico publicou uma reportagem sobre o que pensavam alguns juristas a respeito do julgamento do mensalão. Um dos ouvidos foi Heleno Torres, que disse o seguinte:

“O Tratado do Pacto de San José proclama direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior. Por tudo isso, no final, a Corte Interamericana terá que anular esse julgamento, sob pena do seu absoluto descrédito”.
O próprio STF já se posicionou a respeito. A Corte Interamericana, obviamente, não é corte revisora do Supremo. Fosse assim, o tribunal deixaria de ser a última instância da Justiça brasileira, que transferiria essa prerrogativa a uma organização multinacional.

Vejam bem… Se Heleno Torres acha que a Corte Interamericana não só pode como “terá” de anular o julgamento do mensalão, entende-se o entusiasmo do PT com a sua eventual indicação.

05/04/2013



Procuradoria pede investigação sobre envolvimento de Lula no mensalão após denúncia de Valério


Empresário afirmou que teria sido feito repasse de US$ 7 milhões ao PT, por meio da Portugal Telecom


O Globo
BRASÍLIA - O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) pediu à Polícia Federal a instauração de inquérito para investigar denúncia feita pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, em depoimento prestado à Procuradoria Geral da República (PGR) em setembro de 2012 de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria envolvido em uma negociação com o executivo da Portugal Telecom, Miguel Horta.

Valério foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 40 anos como operador do mensalão.
“O teor específico desse relato já foi divulgado na imprensa. Nele, o empresário afirma que teria sido feito um repasse de US$ 7 milhões por parte de fornecedora da Portugal Telecom em Macau (China), ao Partido dos Trabalhadores (PT), por meio de contas bancárias no exterior”, diz a nota.

A Procuradoria já havia aberto seis procedimentos preliminares para apurar o depoimento em que Marcos Valério. Ele acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter conhecimento do esquema de compra de votos no Congresso Nacional nos primeiros anos de seu mandato.

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto , afirmou por meio de nota que “não há nova informação em relação às que foram publicadas há cinco meses pelo jornal O Estado de S. Paulo”.

05/04/13

terça-feira, 2 de abril de 2013

Na reta final



Por Merval Pereira
O Globo

O próximo debate do julgamento do mensalão, a Ação Penal 470, será sobre os chamados “embargos infringentes”, recursos que teoricamente a defesa dos réus pode interpor quando a condenação tem um mínimo de quatro votos discordantes.

É o caso da condenação por formação de quadrilha que atingiu dez dos réus, incluindo o núcleo político, com José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares; o núcleo publicitário, com Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Simone Vasconcelos e Cristiano Paz; e o núcleo financeiro, com Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane.

Com a saída de Ayres Britto, o placar está em 5 a 4 e teoricamente, com a participação do novo ministro, Teori Zavascki, que não tomou parte do julgamento, mas atuará nos recursos, pode ser alterado para um empate, o que beneficiaria os réus.

Há ainda a possibilidade de um novo ministro ser indicado para a vaga do próprio Britto (Zavascki entrou na vaga de Cezar Peluso, que se aposentou antes de votar no item “formação de quadrilha”), o que preencheria o plenário do Supremo com 11 ministros.

Escrevi lá em cima “teoricamente” porque há dúvidas sobre se ainda existe a figura dos tais “embargos infringentes”, previstos no regimento interno do Supremo Tribunal Federal, mas não incluídos na Constituição de 1988 nem na Lei 8.038, que disciplinou os processos nos tribunais.

Embora haja ministros no STF e criminalistas que considerem que os “embargos infringentes” não existem mais, pois só são previstos na lei para a segunda instância, no debate deve prevalecer a preocupação com o amplo direito de defesa.

O ministro Celso de Mello, ao apreciar questão de ordem proposta pelo advogado Márcio Thomaz Bastos na primeira sessão de julgamento do mensalão, pedindo que o processo fosse desmembrado, garantiu que há duplo grau de jurisdição no STF, citando a previsão de embargos infringentes no Regimento Interno.

Ontem se encerrou o prazo regimental de 60 dias depois do julgamento, sem contar o recesso, para que o acórdão fosse publicado, com todos os votos dos ministros, mas o ministro Celso de Mello ainda não entregou sua versão revisada. O atraso, no entanto, não será tão grande, pois todos esperam que até o final da semana tudo esteja pronto.

A partir da publicação do acórdão, os advogados de defesa terão cinco dias para apresentarem seus recursos, que podem ser “embargos declaratórios”, onde se pede esclarecimento sobre pontos específicos dos votos, e “embargos infringentes”, onde se tenta mudar a condenação que tenha sido proclamada com pelo menos quatro votos contrários.

Os advogados de defesa estão tentando junto ao presidente do Supremo Tribunal Federal mais prazo para a apresentação dos recursos, alegando que o processo é atípico e muito grande, mas, como de vezes anteriores em que negou, por exemplo, a José Dirceu acesso antecipado aos votos já preparados, o ministro Joaquim Barbosa não deve alterar os prazos.

Ele tem dito que pretende seguir à risca os procedimentos para não “flexibilizar” a lei: “(...) todos me conhecem e sabem que eu não sou de flexibilizar a lei em nenhum sentido. Todas as decisões que tomei até agora foram no sentido de aplicar a lei.” Para ele, o acórdão já poderia estar pronto há um mês, que foi quando entregou a sua parte.

Mas a vontade de não permitir protelações no processo não chega ao ponto de publicar o acórdão sem o voto de um dos ministros, como chegou a ser cogitado. Barbosa garantiu ao ministro Celso de Mello que aguardará sua revisão. Por estar convencido de que todos os pedidos da defesa têm o objetivo de retardar o cumprimento das sentenças, o presidente do Supremo Tribunal Federal pretende colocar em julgamento os recursos o mais rápido possível.

02.04.2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Perdoai-os, cultores da democracia! Eles não sabem quem foi Montesquieu!




Por Reinaldo Azevedo

Vejam esta foto de Sérgio Lima, da Folhapress.


Um grupo de 70 manifestantes, leio em texto de Fernanda Odilla, na Folha, foi ao Palácio do Planalto protestar contra a permanência do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

Não só isso: ELES EXIGEM QUE A PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF TOME UMA PROVIDÊNCIA.

Vou escrever de novo: os que foram se manifestar no Palácio do Planalto cobram que a chefe do Poder Executivo tome uma providência contra o presidente de uma comissão do Poder Legislativo. Ele só está lá porque foi eleito deputado por 212 mil pessoas, porque foi referendado no cargo pelos líderes partidários e porque, ora vejam, as esquerdas esnobaram aquela comissão, que não rende dinheiro.

Eles certamente conhecem o pensamento do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), mas não o de Montesquieu.

Não têm ideia do que seja independência entre os Poderes.

Ignoram — ou, se sabedores, querem que seja Dilma a ignorar — que, num regime democrático, o chefe do Executivo não impõe sua vontade ao Parlamento.

O que costuma acontecer é justamente o contrário.

A imprensa faz uma cobertura sempre simpática aos manifestantes, pouco importa sua pauta, pouco importam seus atos, porque vivemos dias em que as garantias formais da democracia cedem aos apelos militantes das minorias que se querem maiorias, fazendo de sua própria intolerância uma pauta universal.

A censura à liberdade de expressão e de opinião está em alta. Tudo em nome dos “direitos”. Quem discorda não é mais alguém que pensa de modo diferente, mas um ser que tem de ser banido do mundo dos vivos.

Leio na Folha:
“Dilma está calada, até agora não falou nada. A gente não vai parar até ele sair”, diz o publicitário Lucas Valle, 22, munido de um cartaz com os dizeres “Dilma, mulher, mãe, guerreira, torturada, presidenta: manifeste-se”.

Muito bem!

Digamos que ela se manifeste e também peça a saída de Feliciano.

E daí?

Pergunta: Lucas Valle acha que a presidente também deveria se opor à presença dos mensaleiros condenados José Genoino e João Paulo Cunha na presidência da CCJ?

Se acha, cadê o seu panfleto?

Outro cartaz exibido é ainda mais eloquente:
“Até o papa renunciou. Feliciano, sua hora já chegou”.

As palavras fazem sentido. O “até o papa” poderia ser, assim, uma ordem de grandeza apenas: se até Bento 16 renunciou, por que não o simples presidente de uma comissão? Mas há mais do que isso.

O papa que saiu não tinha uma pauta exatamente coincidente com a dessa turma (o que entrou também não tem, note-se). Parece haver aí uma manifestação de alívio. A coisa poderia ser dita de outro modo: “Já nos livramos do papa; agora é a vez de Feliciano…”

Como vivemos dias realmente surrealistas, cumpre observar que renúncia é ato unilateral, como a do papa.

Os manifestantes que foram ao Palácio do Planalto não só pedem que o Executivo imponha sua vontade ao Legislativo, como nos tempos da ditadura, como querem eles próprios impor a Feliciano uma ação que só pode ser determinada por sua própria vontade.

Eu não tenho dúvida de que essa gente se acha um exemplo acabado de amor à democracia. E não duvido de que amplos setores da imprensa pensem a mesma coisa.

Até o dia em que vai aparecer um grupo com velas acesas para defender o “controle social da mídia”, o “controle social do humor”, o “controle social da opinião”.

Tomara que ainda haja gente para protestar contra os controladores, para lembrar Niemöller.

01/04/2013


Seis notas de Carlos Brickmann


 

Augusto Nunes

A hora do Mensalão

O ministro-revisor do processo do Mensalão, Ricardo Lewandowski, já concluiu sua parte no acórdão do julgamento. É provável que o acórdão seja publicado nesta semana, o mais tardar na próxima, abrindo-se então o prazo para recursos. Encerrado o julgamento dos recursos, cumprem-se as sentenças.


Engenhoso Engenhão

A melhor maneira de esconder um escândalo é arranjar outro escândalo com maior poder de escandalizar. Vale a pena ler a nota de um profundo conhecedor do Rio, o excelente colunista Aziz Ahmed, do jornal O Povo: “A divulgação que a prefeitura do Rio está dando à lambança que resultou na interdição do Engenhão tem um componente político articulado pela dupla Eduardo Paes ─ Sérgio Cabral.

Aproveitando a paixão do povo pelo futebol, os dois peemedebistas conseguiram apagar do noticiário uma trapalhada de maior gravidade, porque esconde suspeitas de conluios com empreiteiras, malfeitos e corrupção.

Trata-se do programa Minha Casa Minha Vida. Em Duque de Caxias, construíram um conjunto dentro de um charco. Em Niterói, o conjunto para o pessoal do Morro do Bumba está sendo demolido antes de ser ocupado. Em Itambi (Itaboraí), começaram a construir um conjunto com vários blocos e a obra foi abandonada”.

Alguém tem dúvida de que o problema do Engenhão sirva mesmo para isso?


As boas intenções

O senador mineiro Aécio Neves, provável candidato do PSDB à Presidência da República, conversou com a bancada federal do partido e pediu foco nas propostas tucanas. Tem razão. Só falta descobrir quais são as propostas tucanas.


Chega de intermediários

O PSDB já contratou um conselheiro político das campanhas de Barack Obama, David Axelrod, para trabalhar com seu candidato Aécio Neves. Outro americano, Antonio Villaraigosa, prefeito de Los Angeles em fim de mandato, que comandou a campanha de Hillary Clinton para ser candidata à Presidência (foi batida por Obama), também vem sendo procurado pelos tucanos.

Do marketing o PSDB está cuidando. Agora é só convencer o partido a apoiar o candidato.


A verba voa

A Prefeitura paulistana, com o petista Fernando Haddad, está demonstrando grande disposição de torrar dinheiro com propaganda. Em rádio e TV, no horário nobre (o mais caro), anunciou maciçamente a doação de um terreno para um novo campus da Universidade Federal de São Paulo. Não era verdade: o terreno existe, um dia, dizem, será doado, mas a doação ainda não foi aprovada pela Câmara. O Ministério Público Estadual decidiu abrir inquérito sobre o caso. A Prefeitura explicou que houve um engano, uma troca de anúncios: deveria ter saído um sobre saúde. Mas alguém aprovou a veiculação. Quem? Como? Silêncio.

Outros anúncios, mais baratos, são até ofensivos: apontam novos pontos de ônibus como um presente da Prefeitura para a cidade.

Quem imaginava que instalar pontos de ônibus fosse obrigação da Prefeitura certamente estava enganado.


Onde está Chávez?

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, informou oficialmente, há dias, que não seria possível embalsamar o corpo de Hugo Chávez, porque o tratamento teria de se ter iniciado logo após a morte. Não houve enterro oficial. Onde está o corpo de Chávez? Ficará no Museu Histórico Militar, sem sepultamento?



01/04/2013

Charge





Sponholz