Condenados no julgamento do maior esquema de corrupção do país tentam as cartadas finais para evitar o cumprimento das penas - em alguns casos, a cadeiaLaryssa Borges, de Brasília
Veja.com
STF discute cassação de deputados condenados pelo mensalão, em 10/12/2012
Fellipe Sampaio/SCO/STF
Todos os 25 réus condenados no julgamento do mensalão apresentaram recursos contra a sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) até a noite desta quinta-feira, último dia do prazo. Apesar de não ser algo incomum no STF, os advogados de muitos mensaleiros usaram os chamados embargos declaratórios para pedir verdadeiras transformações na sentença imposta pela corte - que, para alguns réus, implica em cadeia.
O chamado embargo declaratório é um tipo de recurso utilizado para esclarecer omissões ou contradições da sentença. Pode corrigir trechos do veredicto do tribunal, mas não serve para reformular totalmente a decisão dos ministros. No entanto, alguns advogados, como os defensores de Roberto Jefferson e José Dirceu chegaram a pedir, por exemplo, a substiuição do ministro Joaquim Barbosa da relatoria da ação penal. Além dos condenados, o ex-doleiro Carlos Alberto Quaglia, que teve seu caso remetido à 1ª instância e sequer foi julgado pelo STF, pediu explicações adicionais ao tribunal.
Depois de analisados os embargos de declaração apresentados pelos réus do mensalão, parte dos condenados pretende apresentar os chamados embargos infringentes. O prazo regimental para entrar com essa segunda modalidade de recurso é de 15 dias depois do julgamento dos declaratórios. Esse tipo de recurso permite que o Supremo volte a questões que dividiram o plenário no julgamento original. Para isso, o condenado precisaria ter quatro votos contrários à condenação. Aceito o recurso, o relator e o revisor originais da ação penal são substituídos por outros ministros. O dilema dos infringentes é que a legislação e o regimento interno do STF são contraditórios em relação ao recurso: a Lei 8.038, de 1990, que disciplina os processos penais nos tribunais superiores, não os prevê, mas eles estão disciplinados no artigo 333 do Regimento Interno. O STF, portanto, terá de decidir se os embargos infringentes são, ou não, cabíveis nos julgamentos da corte. Caso sejam admitidos, onze dos 25 condenados poderiam ser beneficiados com o recurso.
Glossário
EMBARGO DECLARATÓRIO
Recurso utilizado para esclarecer omissões ou contradições da sentença. Pode corrigir trechos do veredicto do tribunal, mas não serve para reformular totalmente a decisão dos ministros
EMBARGO INFRINGENTE
Recurso exclusivo da defesa quando existem quatro votos contrários à condenação e que permite a possibilidade de um novo julgamento do réu. Apenas os trechos que constam dos embargos podem ter seus efeitos reapreciados; o restante da sentença condenatória segue intacta
Recursos - O primeiro condenado a recorrer da sentença do mensalão foi Rogério Tolentino, ex-auxiliar do empresário Marcos Valério, no dia 24 de abril. Ele alegou contradições do STF na condenação por corrupção ativa e na aplicação da lei que define as penas para corruptos. Foi nos dois dias finais para a apresentação de recursos, porém, que a defesa dos principais mensaleiros condenados encaminharam suas versões de supostas omissões ou contradições da corte. O delator do mensalão, Roberto Jefferson, e os petistas João Paulo Cunha, Delúbio Soares e José Genoino enviaram suas alegações nesta quinta-feira. A defesa do ex-ministro José Dirceu apresentou os embargos de declaração no dia 1º de maio.
Nos recursos, um dos argumentos mais ousados apresentados foi justamente proposto por Dirceu e Jefferson. Embora em lados opostos, tanto o chefe da quadrilha do mensalão quanto o delator do escândalo pediram que o ministro Joaquim Barbosa fosse afastado da relatoria do caso na fase dos recursos. Apesar de ter poucas chances de sucesso, as defesas tentam se livrar da rigidez do magistrado na condução do processo. Juridicamente, alegam que Barbosa não poderia acumular as funções de relator e de presidente do STF.
A tentativa de tirar Joaquim Barbosa da relatoria do mensalão começou em 2009 pela defesa do empresário Marcos Valério, o operador do esquema. Na época, o advogado Marcelo Leonardo alegava que o magistrado não teria isenção suficiente para conduzir o caso. Na atual fase de embargos, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que defende o banqueiro José Roberto Salgado, também defendeu a substituição de Barbosa da função.
Desmembramento - A defesa dos mensaleiros também insistiu, nos embargos de declaração, na tese de que apenas os réus com direito a foro privilegiado na época do julgamento - os deputados João Paulo Cunha, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto - deveriam ter sido julgados originariamente no STF. A estratégia é que, julgados na 1ª instância, os réus poderiam recorrer a instâncias superiores, arrastar o processo e, consequentemente, não começar a cumprir de imediato as penas de condenação. A necessidade de desmembramento é defendida, por exemplo, pelas defesas de José Genoino, Marcos Valério, Bispo Rodrigues e do banqueiro José Roberto Salgado. O STF decidiu, entretanto, não desmembrar o processo em 2006.
Dirceu, João Paulo Cunha e os banqueiros Kátia Rabello e José Roberto Salgado questionaram a metodologia do STF de ampliar as penas em cada crime porque os réus ocupavam posições de chefia no esquema. Os advogados alegam que os mensaleiros foram penalizados mais de uma vez por ocuparem postos hierarquicamente superiores.
As defesas da cúpula do Banco Rural argumentaram que o STF interpretou como crimes diferentes o que seria um mesmo fato: a concessão de empréstimos bancários fraudulentos cujos recursos irrigaram o esquema do mensalão. Para os advogados dos banqueiros, a conclusão de que os empréstimos foram forjados não poderia motivar a penalização dos dois por gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. Assim como já havia feito o ex-presidente do PT, José Genoino, a banqueira Kátia Rabello, por exemplo, também alega que não houve provas de sua participação na trama criminosa e que sua penalização ocorreu apenas em função do cargo que ocupava na época do escândalo do mensalão.
Presidente da Câmara dos Deputados na época do escândalo do mensalão, o deputado petista João Paulo Cunha (PT-SP) contesta a determinação de perda do mandato parlamentar. Para a defesa, não estaria claro se o plenário da Câmara tem de apenas declarar a perda do mandato ou se pode levar à votação o caso. “A dúvida que permanece diz respeito à natureza do pronunciamento posterior do Poder Legislativo no caso de sentença penal transitada em julgado, se declaratório ou constitutivo”, alega o advogado Alberto Toron.
Embora seja comum entre os ministros cortarem trechos dos seus votos quando da publicação do acórdão, a defesa dos mensaleiros utilizou os embargos de declaração para contestar a omissão de cerca de 1.300 falas dos ministros. De acordo com os advogados, partes do acórdão ficaram sem sentido e com cortes bruscos na narrativa do julgamento. O argumento foi utilizado, por exemplo, pelas defesas de José Dirceu e Marcos Valério.
De caráter mais técnico, um dos embargos apresentados pela defesa de Marcos Valério afirma que o tribunal teria deixado de analisar uma prova que poderia amenizar a condenação do empresário: dados de uma auditoria interna do Banco do Brasil sobre serviços supostamente prestados pela DNA Propaganda, agência de Valério. A tese será a mesma do ex-diretor do Marketing do BB Henrique Pizzolato, que também deverá apresentar seus recursos à corte.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Mensaleiros transformam embargos em cura para todos os males
O custo Brasil
POR CORA RÓNAIO GLOBO
Hoje eu queria escrever uma crônica bem levinha, que deixasse todo mundo de bom humor, mas está difícil.
Passei as últimas horas às voltas com o Imposto de Renda, e tive o desgosto de constatar que um terço do que ganho vai para o governo.
Como todo mundo, eu também já sabia disso, mas uma coisa é encontrar descontos mensais no contracheque, e outra, bem diferente, é ver ali, na tela, o total que mando para Brasília.
Claro que aí não estão incluídos outros impostos, como o ISS ou o famigerado ICMS, que levam boa parte do que gasto.
A sorte é que não sou boa de matemática e não sei calcular quanto isso dá por ano, ou corria o risco de ficar seriamente deprimida ao descobrir que, na minha conta, entra menos da metade do que recebo.
O que me consola é saber que este dinheiro todo será empregado de forma séria e judiciosa, garantindo aos brasileiros bons serviços, boa educação e um sistema de saúde próximo da perfeição, conforme constatou o ex-presidente Lula (antes de ir se tratar num hospital particular, mas isso são outros quinhentos).
Fico reconfortada em saber que estou contribuindo para que se paguem salários de R$ 15 mil para os cidadãos que servem cafezinho no Congresso, o que é sinal de que somos um país rico e poderoso: assim mostramos à península escandinava do que somos capazes.
Toma, Noruega!
Também me aquece a alma pensar na vida dos nossos parlamentares, que tanto se esforçam para que o Brasil se transforme numa Democracia bolivariana.
Quando eu morava em Brasília, me explicaram que é muito importante que os homens públicos tenham excelentes salários para que não caiam na tentação de se corromperem.
Foi bom ter aprendido isso, caso contrário eu poderia fazer mau juízo deles.
Já pagar a aposentadoria da Roseana Sarney não chega a ser uma alegria, mas reconheço que ela fez por merecer.
Afinal, trabalhou seis anos inteiros no Congresso, naquele ambiente que é, notoriamente, o lugar mais podre do país.
Uma vez fui assaltada a mão armada. Estava num táxi com a Mamãe e a Laura, e caímos num arrastão.
Um marginal tão marginal que poderia interpretar marginais no cinema levou as nossas bolsas, enquanto seus comparsas limpavam os cidadãos e os carros vizinhos.
A sensação de impotência foi horrível: o que se pode fazer diante de uma arma?
Pois apesar de estar em casa, em suposta segurança, a sensação que tive ao preencher a declaração de imposto de renda foi pior.
O assalto é um ato completo em si mesmo. Ele não depende de nós e, com alguma sorte, não se repete. Não vemos o destino do nosso dinheiro e, com o tempo, esquecemos o que nos levaram.
Preencher a declaração de imposto de renda, porém, é uma violência que praticamos contra nós mesmos, como se fossemos simultaneamente assaltante e assaltado: apontamos a arma para as nossas próprias cabeças indignadas e fazemos a limpa.
Não temos outra opção.
Temos que juntar uma papelada seiscentista e perder um tempo precioso, informando ao governo quanto ele pode levar: “Olhaí, seu ladrão, nessa bolsa tem duzentas pratas, ticket de refeição, um talão de cheques, dois cartões de crédito, óculos Rayban...”
Com a agravante de que, se não praticarmos o assalto muito bem assaltado, ainda corremos risco de levar multa e sermos ainda mais depenados.
A violência não acaba aí. Ao longo do ano, somos constantemente provocados pelas autoridades federais, estaduais e municipais, que tratam o nosso dinheiro como papel higiênico usado.
É superfaturamento de obra, ministério inútil, hotel de luxo em Roma, merenda escolar que vai para o lixo, aparelho hospitalar que apodrece sem sair da embalagem, auxílio moradia com dez anos de retroatividade para juízes sem teto, demolição de equipamentos esportivos recém-construídos — a lista não acaba nunca e desafia a imaginação mais pervertida.
Antes que alguém me acuse de ser uma burguesa elitista que só pensa nos próprios caraminguás, esclareço (é preciso?) que não sou contra o imposto de renda em si, assim como não sou contra o condomínio ou contra as mensalidades do clube.
Quem vive em sociedade deve participar do rachuncho.
Apenas me sinto otária — muito otária! — em pagar impostos suecos por serviços dignos do Afeganistão.
Nosso alcaide teve uma ideia de gênio: juntar a OSB com a Orquestra da Petrobras para formar uma única grande orquestra, bem representativa do Rio de Janeiro.
Tenho uma ideia melhor: por que não juntar todos os times de futebol da cidade para fazer um único timão bem grandão e verdadeiramente representativo do Rio?
Seria muito mais econômico e teria uma torcida muito maior.
Pois é. Ainda por cima, somos obrigados a ouvir uma besteira dessas em plena entrega do Imposto de Renda.
Finalmente: vocês sabiam que, em São Paulo, é proibido entrar com livro nos estádios de futebol?02 de maio de 2013
Sessão de violência
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O Estado de S.Paulo
Nas democracias, quando políticos governistas falam em "bater na oposição", ou vice-versa, todos sabem que se trata de uma metáfora. Significa encurralar, isolar, desmoralizar os adversários.
É bem verdade que, não faz tanto tempo assim, os brasileiros viram o que pode acontecer quando a expressão é empregada em sentido literal. Em junho de 2000, o então presidente do PT, José Dirceu, incitou professores em greve a agredir o governador Mário Covas, já combalido pelo câncer.
"Eles (os tucanos) têm que apanhar nas ruas e nas urnas", ordenou o futuro chefe da quadrilha do mensalão. Embora estarrecedor, foi, no entanto, um episódio excepcional.
Já nos regimes em que as instituições nominalmente democráticas foram capturadas pelo mais crasso autoritarismo, bater fisicamente na oposição acaba sendo apenas uma entre tantas outras modalidades truculentas de enfrentamento político.
Foi o que aconteceu na noite de terça-feira no plenário da Assembleia Nacional da Venezuela, quando deputados chavistas, à maneira de uma matilha, acuaram e em seguida espancaram diversos membros da frente oposicionista Mesa de Unidade Democrática (MUD) que ousaram protestar contra a condição de parlamentares mortos-vivos a que os reduziu o presidente da Casa, Diosdado Cabello, expoente da facção ultratroglodita do aparato chavista de poder.
O mais recente ciclo de violência no país começou tão logo saíram os surpreendentes resultados da eleição presidencial de 14 abril.
Pelos números oficiais - contestados de imediato pelo candidato oposicionista Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda -, o herdeiro político do caudilho Hugo Chávez, falecido havia pouco mais de um mês, Nicolás Maduro levou a melhor por irrisório 1,49 ponto porcentual de vantagem, ou 265 mil votos em um total aproximado de 14 milhões.
Apontando numerosas evidências de irregularidades nos postos eleitorais, Capriles exigiu a recontagem total de votos, em vez da auditoria obrigatória de 54% das urnas eletrônicas, que compara os números nas telas com os comprovantes impressos que os eleitores depositam em um recipiente fechado.
A muito custo, a autoridade eleitoral dominada por chavistas concordou em estender a amostragem a 100% dos sufrágios, mas se recusou a examinar as provas de fraude, entre elas a inclusão de milhares de eleitores fantasmas nas listas dos venezuelanos aptos a votar. Diante disso, a oposição decidiu considerar Maduro um presidente ilegítimo enquanto as demandas de seu candidato não fossem atendidas.
A retaliação não tardou. Enquanto as milícias chavistas batiam nos opositores nas ruas, Diosdado Cabello, o chefe do Legislativo - em um ato reminiscente do clássico de terror político 1984, de George Orwell -, proibiu os deputados do MUD de falar em plenário e de participar de comissões legislativas. Além disso, suspendeu o pagamento de seus salários.
Segundo a sua lógica orwelliana, já que eles não reconhecem "a vontade soberana do povo", não podem exercer os seus mandatos, originários do mesmo sistema eleitoral que contestam. De seu lado, com a mesma especiosa argumentação, Maduro ameaçou suspender as transferências de recursos federais para o Estado governado por Capriles.
Na sessão de terça-feira da Assembleia, quando o líder da bancada chavista, Pedro Carreño, exortou Cabello a manter as represálias aos proscritos, alguns deles desenrolaram um cartaz com a inscrição "Golpe no Parlamento". Foi a senha para a agressão que se transformou em pancadaria, deixando feridos pelo menos 17 oposicionistas e 5 governistas.
"Sem uma palavra, covardemente, eles nos atacaram pelas costas", contou o deputado do MUD Ismael Garcia.
"Não pouparam nem nossas deputadas." O seu colega Julio Borges apareceu no canal privado Globovisión com diversos hematomas na face. Cabello havia proibido a única emissora autorizada a cobrir as atividades do Congresso de entrevistar parlamentares do minoritário MUD. Ninguém o acusará de incoerente.
02 de maio de 2013
domingo, 28 de abril de 2013
BARBÁRIE E CIVILIZAÇÃO
Maria Lucia Victor Barbosa
O brutal atentado de 11 de setembro, de 2001, expôs uma das faces mais temidas da violência globalizada: o terror. E assim, ao susto e à dor provocados pelo ataque às torres do World Trade Center e ao prédio do Pentágono seguiram-se o medo e a insegurança do povo norte-americano, justamente os dois sentimentos sobre os quais o terror lança seus tentáculos para produzir a dominação de determinados grupos ou de todo um povo.
Viver com medo é tornar-se escravo e foi esta escravidão psicológica que Osama Bin Laden, misto de fanático e psicopata prometeu aos Estados Unidos depois de ter assumido a autoria dos atentados.
Bin Laden já foi despachado deste mundo pela ação espetacular dos Estados Unidos sob o comando do presidente Barack Obama, mas de certo modo sua figura sinistra paira sobre intenções hediondas onde se misturam perigosamente religião e ideologia da dominação.
Lembremo-nos que terror significa a espera de um inimigo sem face, que ataca sem se fazer anunciar e em lugares inesperados e, assim, outras tentativas de morticínio indiscriminado foram feitas.
No Natal de 2009, um nigeriano convertido ao islamismo radical tentou explodir um avião que ia para Detroit, Felizmente o explosivo falhou.
Em maio, de 2010, a polícia impediu que um carro-bomba, armado por um paquistanês treinado no terrorismo, causasse tremendo estrago seguido de mortes em Time Square, no coração de Nova York.
Infelizmente, no dia 15 deste abril, em Boston, durante a maratona que sempre ocorre no Dia do Patriota, bombas explodiram matando duas jovens, uma chinesa, uma norte-americana e um menino norte-americano de apenas oito anos, mutilando pessoas que perderam pernas e braços.
O atendimento às vitimas foi rápido e eficiente através de médicos, enfermeiros e ambulâncias, coisa que dificilmente aconteceria no Brasil, como foi célere a identificação dos autores do brutal atentado.
Eram eles os irmãos de origem chechena, Tamerlan Tsarnaev, de 26 anos, morto em tiroteio com a polícia e Dzhokhar Tsarnaev, 19 anos, capturado e hospitalizado com ferimentos dos quais já está se recuperando.
Os irmãos foram cooptados, e aqui me permito usar expressão de Gilles Lapouge, pela “quintessência do islamismo mais enlouquecido”, que faz a cabeça de jovens em qualquer parte do mundo os convertendo em terroristas cuja missão é destruir o “Grande Satã Branco”.
Note-se que Dzhokhar afirmou que “ele e o irmão foram motivados pelas guerras no Iraque e no Afeganistão e por crenças religiosas que deveriam abraçar numa guerra santa contra os Estados Unidos”. (Folha de S. Paulo, 24/04/2012).
Como os terroristas e sua família emigraram para os Estados Unidos passando a usufruir de todos os benefícios da maior democracia mundial, há de se convir que como eles outros bárbaros estão intramuros e pretendem minar por dentro a civilização ocidental, cuja maior expressão é o país norte-americano.
Certamente, como em setembro de 2001, quando a esquerda brasileira se regozijou com o brutal atentado às torres gêmeas e ao Pentágono, houve por aqui aplausos ao ato terrorista perpetrado em Boston.
Atitude que certamente pode ser classificada como imbecilidade ideológica, a menos que o PT e seus seguidores sejam coerentes e se convertam ao Islamismo radical. Entretanto, não vislumbro Dilma Rousseff e suas ministras usando burca.
Também deve causar euforia aos nossos imbecis ideológicos a crítica da imprensa norte-americana ao FBI, que não deu ouvidos ao alerta russo de que Tamerlan, apesar de ter cidadania norte-americana seria perigoso por suas ligações com o islamismo radical.
Agora o FMI está sendo chamado ao Congresso dos Estados Unidos para dar explicações sobre sua falha.
Contudo, chega a ser risível o rigor de nossas esquerdas com a segurança, uma vez que no Brasil a violência campeia, a grande maioria dos crimes não é elucidada, nada é feito para evitar as anunciadas catástrofes naturais ou acudir as vítimas.
Acrescente-se que no momento toma forma mais clara a ditadura petista, na medida em que o PT já consegue ou ensaia as seguintes manobras:
Reiteradas tentativas de censura total da mídia. Protelação infinita do julgamento do Mensalão e isolamento do ministro Joaquim Barbosa. Impedimento da criação de novas siglas partidárias, afim de que Rousseff seja reeleita no primeiro turno em 2014. Perda do poder de investigações da parte do Ministério Público. Tentativa, por enquanto frustrada, de submeter decisões do STF ao Congresso, sendo que o Parlamento já está dominado.
Portanto, vai crescendo a imposição da barbárie petista à civilização brasileira.
Daqui a pouco Lula poderá declarar triunfante, quem sabe em ingreis no unhorque taime: “Quem manda nessa bagaça sou eu e fim de papo”.Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga25/04/2013
A hora dos recursos: a última cartada dos mensaleiros
Quase sem chances de reverter as condenações impostas pelo STF, os réus do mensalão fazem seus apelos finais e pedem até um novo julgamento
Laryssa Borges, de Brasília
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STF discute cassação de deputados condenados pelo mensalão, em 10/12/2012
- Fellipe Sampaio/SCO/STF
Com a publicação das mais de 8.400 páginas do acórdão do mensalão, a defesa dos 25 réus condenados mobilizou equipes de advogados nesta semana à caça de detalhes da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que possam ser contestados na reta final da fase de recursos. São dois caminhos para tentar modificar as sentenças: os chamados embargos declaratórios e os embargos infringentes.
O prazo para a apresentação de recursos termina no próximo dia 2 de maio. Em seguida, os ministros decidirão a forma como irão analisá-los - por exemplo, em bloco ou réu por réu - e quantas sessões serão necessárias. Após o término da fase de recursos, a sentença transita em julgado e os réus condenados deverão começar a cumprir suas penas.
No caso dos embargos declaratórios, estatisticamente, sua eficácia é quase nula na redução das penas porque eles têm tão somente a finalidade de esclarecer pontos obscuros do acórdão. “Só no Brasil é que [os advogados] ficam imaginando que, com os embargos de declaração, vai ocorrer uma hecatombe”, resume o ministro Gilmar Mendes.
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EMBARGO DECLARATÓRIO
Recurso utilizado para esclarecer omissões ou contradições da sentença. Pode corrigir trechos do veredicto do tribunal, mas não serve para reformular totalmente a decisão dos ministros
EMBARGO INFRINGENTE
Recurso exclusivo da defesa quando existem quatro votos contrários à condenação e que permite a possibilidade de um novo julgamento do réu. Apenas os trechos que constam dos embargos podem ter seus efeitos reapreciados; o restante da sentença condenatória segue intacta
Já os infringentes representam um tema controverso na corte. Na teoria, essa modalidade de recurso permite que o Supremo volte questões que dividiram o plenário no julgamento original. Para isso, o condenado precisaria ter quatro votos contrários à condenação. Aceito o recurso, o relator e o revisor originais da ação penal são substituídos por outros ministros.
O dilema dos infringentes é que a legislação e o regimento interno do STF são contraditórios em relação ao recurso: a Lei 8.038, de 1990, que disciplina os processos penais nos tribunais superiores, não os prevê, mas eles estão disciplinados no artigo 333 do Regimento Interno. O STF, portanto, terá de decidir se os embargos infringentes são, ou não, cabíveis nos julgamentos da corte.
Reinaldo Azevedo: Por que os embargos infringentes não devem ser julgados
Se os infringentes forem admitidos, os condenados José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Kátia Rabello, José Roberto Salgado, João Paulo Cunha, João Claudio Genu e Breno Fischberg poderão se beneficiar desse recurso.
Novo ministro - Reservadamente, os defensores dos réus depositam suas fichas nas intervenções do novato Teori Zavascki, que não participou do julgamento do mérito do mensalão. Ele foi nomeado quando a ção penal já estava em análise, mas agora está apto a julgar os recursos. A posição de Zavascki poderá ser decisiva em votações que terminaram apertadas, como as condenações por formação de quadrilha do trio que comandou a engrenagem do esquema criminoso formado por José Dirceu, Delúbio Soares e Marcos Valério. Um voto do ministro a favor dos réus, num julgamento de embargo infringente, provocaria um empate, o que poderia livrar os mensaleiros.
“São muitas contradições no julgamento. Mesmo no caso de réus que o próprio STF considera de importância menor, as penas são desproporcionais”, afirma o advogado Hermes Guerrero, responsável pela defesa do publicitário Ramon Hollerbach. Auxiliar do empresário Marcos Valério, operador do mensalão, Hollerbach foi o condenado a pagar a maior multa no escândalo político: quase 3 milhões de reais. “O juiz pode ter vários pecados, mas falta de critério não pode ter”, diz.
“O STF julgou com base em mera presunção de culpabilidade”, disse ao site de VEJA o advogado Luiz Fernando Pacheco, defensor do ex-presidente do PT José Genoino. “Temos que tentar corrigir, pelo meio que for, o que a gente considera um grande erro Judiciário”, afirmou.
Acusação - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que o Ministério Público, responsável pela acusação contra os mensaleiros, não pretende apresentar nenhum tipo de recurso à corte. "O Ministério Público discorda da absolvição de alguns réus, mas entende que os embargos não se prestam à modificação dos julgados", disse Gurgel. Em suas alegações finais, ele havia pedido absolvição de apenas dois suspeitos de participar do mensalão: o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Luiz Gushiken e o ex-assessor do extinto PL (hoje PR) Antonio Lamas.
Conheça as sentenças impostas aos réus, crime por crime
Leia também: A rotina dos deputados mensaleiros à espera da prisão
Depois de não conseguirem livrar seus clientes da rigorosa condenação do STF, os advogados de alguns condenados alegam que eles são criminosos de menor calibre - ou "mequetrefes", como definiu o advogado Paulo Sérgio Abreu e Silva, ao falar de sua cliente Geiza Dias (foto), assistente de Marcos Valério. Essa será a argumentação, por exemplo, do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, cuja defesa argumenta que o estatuto da instituição financeira atesta que o condenado não tomava nenhuma decisão sozinho nem tinha poderes para assinar atos que resultaram no desvio de dinheiro. A ex-funcionária de Marcos Valério, Simone Vasconcelos, e o sócio do publicitário, Ramon Hollerbach, também vão apelar ao STF para que ambos sejam considerados personagens coadjuvantes na trama criminosa.Mensalão: a hora dos recursos
Mequetrefes![]()
28/04/2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
O que o PT propõe não é Chavismo: é pior!
Por Da Cia
Não há nenhum exagero em se acionarem todos os alertas democráticos diante do que está sendo urdido pelo PT na Câmara. A PEC 33/2011, de autoria de Nazareno Fonteles do PT do Piauí, é um absurdo gigantesco que só poderia mesmo seguir adiante no cenário atual, em que seu partido comanda hegemonicamente todas as ações políticas do país, está acuado com a iminência de ver líderes históricos na cadeia e encontra na aplicação das Leis um obstáculo para a memória do partido.
Para terem uma visão mais técnica do que faz a PEC 33, recomendo o artigo “PEC 33: Golpe governista” . Mas há outros pontos a ressaltar.
A PEC 33 é apenas parte do ativismo deste deputado contra entes do nosso Estado que têm competência para frear seu partido ou crimes governamentais. Este mesmo deputado propôs, pelo Requerimento de Indicação número 2918/2012, a imediata exoneração do Procurador-Geral da República Roberto Gurgel:
“A rigor, os fatos demonstram que o atual PGR – para quem as conclusões das investigações promovidas pela CPMI do Congresso Nacional deverão ser enviadas para tomada de providências – não mais desfruta da confiança e respeito do povo brasileiro, absolutamente imprescindível ao mais alto posto do Ministério Público de nosso País”
E se a PEC 33 “Altera a quantidade mínima de votos de membros de tribunais para declaração de inconstitucionalidade de leis; condiciona o efeito vinculante de súmulas aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal à aprovação pelo Poder Legislativo e submete ao Congresso Nacional a decisão sobre a inconstitucionalidade de Emendas à Constituição“, a PEC 3/2011, também de autoria de Nazareno Fonteles, vai além:
Estabelece a competência do Congresso Nacional para sustar os atos normativos dos outros poderes que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa.
Nosso sistema republicano não é perfeito e nossa Democracia, embora já não tão recente, ainda precisa evoluir. O que não se pode é negar que existe um equilíbrio entre os poderes. O chefe do Executivo pode barrar medidas do Legislativo através de veto, forçando novas apreciações, debates e votações. O Legislativo pode cassar o mandato do chefe do Executivo através de votações na Câmara e no Senado. Membros do STF podem perder seus mandatos por processos de impeachment no Senado. E membros do Congresso podem ter seus mandatos cassados por seus pares ( exceção feita ao caso em que recebem condenações penais, tendo então seus direitos políticos anulados ).
Não faz muito tempo, o mesmo bando de loucos que aplaude a proposta de Nazareno pedia pela internet e movimentos partidários a extinção do Senado Federal. Isto era na época em que o Governo encontrava dificuldades por ali. O cenário mudou de lá para cá, o Senado também virou um puxadinho do Executivo e a iniciativa minguou. O que resta de incômodo ao grupo do poder ainda hoje são as revelações da imprensa ( para acabar com isso propõem o Controle da imprensa nos moldes da estúpida Ley de Medios ), as investigações independentes ( para isso querem ceifar o poder de investigação do Ministério Público ) e as decisões do Supremo Tribunal Federal, guardião e interpretador oficial da nossa Carta Magna.
O conjunto das propostas de Nazareno pretende dar ao Congresso, dominado, o Poder Moderador do país. Ele e seu partido já deveriam ter aprendido que medidas oportunistas às vezes se voltam contra quem as planeja e executa. O caso da vitaminada petista no PSD para enfraquecer a Oposição está aí para servir de lição, e agora o PT e Dilma estão desesperados com um cenário eleitoral para 2014 que tenha alguém do PSDB (forte no Sul, São Paulo e Centro-Oeste ), Eduardo Campos ( forte em seu Estado, que pode refletir em outros do Nordeste) e Marina Silva ( forte nas classes médias esclarecidas dos grandes centros urbanos ).
O conjunto das medidas deixam claro que ao PT não há legitimidade em nada que lhes fique pelo caminho. É sim uma marcha antidemocrática. Mas eu quero agora fazer um pedido e um alerta sobre essas medidas.
O pedido é para que parem todos de usar a Venezuela como paralelo negativo. Falar que “O Brasil não é a Venezuela” ou “Querem fazer do Brasil uma Venezuela” significa jogar no mesmo poço Chávez, seus coronéis e os milhões de venezuelanos que são vítimas, não cúmplices do chavismo. Mesmo entre os eleitores do falecido Chávez, muitos nem sequer tinham a opção de se opôr a ele. O Chávez era um lixo político e uma figura humana desprezível, mas não se deve dizer o mesmo dos venezuelanos. Também não gostaríamos de saber que mundo afora crises de violência e corrupção fossem chamadas de “momentos Brasil”, ”crise brasileira” ou pessoas dizendo que “precisam evitar que X vire um novo Brasil”. Temos muitos governantes corruptos, a elite que comanda nossos rumos está tomada por uma classe política vergonhosa, não queremos e não devemos ser equiparados a eles. Vale o mesmo para os venezuelanos.
O alerta é que não se está a reproduzir aqui o Chavismo. Os golpes institucionais de Chávez se deram de outras formas, mesmo o que fez com o Supremo de seu país foi bastante diferente. O projeto chavista era personalista, no estilo do fascismo-populismo “clássico” da América Latina. O que o PT está armando é um projeto político de longo prazo que não se centra numa pessoa, mas no partido. Até poderia ter como foco Lula, e que não se duvide que Lula tinha delírios totalitários de eternização no poder (ele deu até depoimentos deixando claro este ponto de vista ), mas o PT já deu o passo adiante devido ao sucesso popular do Governo Dilma e aos problemas de saúde de Lula.
O chavismo definhou e não sobreviverá muito tempo sem Chávez. As armações petistas em ação não serão inocentes ao ponto de terem como horizonte o tempo de vida de um ou outro. É preciso interromper esta marcha do Petismo. O avanço da PEC 33/2011 é nosso primeiro teste.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
PF ouve Valério para saber sobre encontro com Lula no Planalto
Depoimento faz parte do inquérito instaurado para investigar envolvimento do ex-presidente com o mensalãoJailton de Carvalho
O publicitário Marcos Valério acusa o ex-presidente Lula de ter se beneficiado do esquema do mensalãoArquivo O Globo
BRASÍLIA — O publicitário Marcos Valério, condenado a 40 anos de prisão por operar o esquema do mensalão, prestou na terça-feira depoimento à Polícia Federal, em Belo Horizonte (MG). Ele foi interrogado pela delegada Andrea Pinho Albuquerque, que está na capital mineira e deve retornar nesta quarta-feira a Brasília. O depoimento faz parte do inquérito instaurado para investigar se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se beneficiou do esquema do mensalão. A PF quis saber mais detalhes sobre o suposto encontro que o publicitário teve com Lula no Palácio do Planalto.
Em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), em setembro, Valério contou que se reuniu no início de 2003 com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o tesoureiro do PT à época, Delúbio Soares, no segundo andar do Palácio do Planalto. Durante o encontro, eles teriam acertado os empréstimos do PT que irrigaram o esquema de compra de votos no Congresso. Segundo Valério, Dirceu teria afirmado que Delúbio, quando negociava com Valério, falava em seu nome e em nome de Lula.
O publicitário contou ainda que, quando a reunião terminou, os três foram ao gabinete de Lula, onde passaram cerca de três minutos. À PGR, Valério afirmou que eles contaram ao então presidente o acerto firmado minutos antes e que Lula teria dito "ok".
No mesmo depoimento em setembro, Valério contou ter feito dois depósitos, em 2003, para a empresa de segurança Caso, de Freud Godoy, ex-assessor de Lula. O publicitário, no entanto, só especificou um deles — de aproximadamente R$ 100 mil. No depoimento, Valério disse que o ex-presidente era o destinatário do dinheiro, que seria usado para “despesas pessoais”. O depósito já havia sido identificado pela CPI dos Correios, após a quebra de sigilo bancário de Freud Godoy, mas na época Valério nada disse.
Em dezembro, quando as novas denúncias de Valério foram divulgadas, o “ex-assessor de Lula negou as acusações e disse que iria processar Valério. O ex-presidente também negou que tenha recebido dinheiro.
Segundo reportagem do jornal “Estado de S. Paulo”, a PF vai pedir a quebra do sigilo bancário do ex-assessor de Lula e deve ouví-lo nos próximos dias, em São Paulo. De acordo com o jornal, a polícia quer ter acesso ainda aos dados bancários de outras 25 pessoas físicas e jurídicas que também receberam dinheiro das empresas de Valério.
O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, se recusou a falar sobre o depoimento à Polícia Federal.
— Não estou tratando deste assunto. Estou preocupado é com o acórdão (do mensalão) — disse na terça-feira.
Leia mais: oglobo
24/04/13
terça-feira, 23 de abril de 2013
A advertência de Barbosa
Por Merval Pereira
O GLOBO
O GLOBO
“O mundo está de olho no Brasil”, adverte o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, dizendo que esse nosso jeito de “não fazer as coisas fingindo que está fazendo” põe em risco nossa credibilidade como país.
Barbosa, que está nos Estados Unidos para uma palestra na Universidade de Princeton e uma homenagem da revista “Time”, que o colocou como uma das cem pessoas mais influentes do mundo, está se referindo ao julgamento do mensalão, que, divulgado o acórdão, será retomado dentro de dez dias com os embargos da defesa.
Ele considera absurda a possibilidade de haver um novo julgamento, pois o Supremo é a última instância do Judiciário, e diz que a sociedade brasileira não vai entender se houver uma mudança de posição do STF em tão pouco tempo.
O presidente do Supremo não quis falar especificamente sobre os “embargos infringentes”, que considera não existirem mais, embora estejam previstos no regimento interno do STF.
Esse será o debate mais importante da próxima fase do julgamento, pois é através desses embargos, e não dos “embargos de declaração”, que alguns réus poderão ter suas penas reduzidas.
Assim como Barbosa, alguns ministros também consideram que os “embargos infringentes” não existem mais desde que a Lei 8.038, de 1990, regulamentou os processos nos tribunais superiores e não os previu para o STF.
De lá para cá, será a primeira vez que o Supremo enfrentará essa questão, pois desde então não houve pedidos para “embargos infringentes” nos julgamentos ocorridos naquela Suprema Corte.
No caso atual, se confirmada a tendência da maioria do plenário de aceitar os “embargos infringentes”, acontecerá uma situação esdrúxula, pois a maioria não levou em consideração o regimento interno quando dobrou o prazo para que as defesas apresentem seus embargos, preferindo seguir o Código de Processo Civil.
Os “embargos infringentes” podem mudar a condenação de nada menos que 12 dos 25 réus em dois itens: formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
O primeiro item pode beneficiar o núcleo político do PT, a começar pelo ex-ministro José Dirceu, que é o que tem mais a ganhar.
Condenado a dez anos e dez meses, se for absolvido da acusação de formação de quadrilha, terá dois anos e 11 meses deduzidos de sua pena, e, em vez de começar a servir em regime fechado, pegará o semiaberto.
Outra condenada, Simone Vasconcellos, também teria a pena reduzida a menos de dez anos, indo para o semiaberto.
A mudança da pena pode ocorrer porque o plenário que fará a revisão do julgamento será diferente do que o que condenou.
Teori Zavascki, que entrou no lugar de Cezar Peluso, votará pela primeira vez no caso.
Como também Ayres Britto se aposentou, o plenário voltará a ter dez votos, com a diferença de que Peluso não votou em formação de quadrilha nem em lavagem de dinheiro, e, portanto, o placar neste momento está em 5 a 4 pela condenação, e não mais 6 a 4.
Se o novo ministro concordar com os colegas que absolveram os condenados, o julgamento estará empatado, favorecendo os réus.
Na questão da lavagem de dinheiro, o réu João Paulo Cunha tem vantagem ainda maior: o placar que o condenou, de 6 a 5, hoje já está empatado em 5 a 5. O voto de Zavascki será decisivo.
Barbosa pretende fazer uma defesa da não existência dos “embargos infringentes”, mas a tendência clara no plenário é seguir a posição de Celso de Mello, que, no julgamento anterior, contestou a tese da defesa de que não haveria duplo grau de jurisdição no julgamento do mensalão, o que seria contrário à defesa dos réus, alegando justamente os “embargos infringentes” previstos no regimento interno.
Barbosa está convencido de que agiu não com “intransigência”, como coloquei na coluna de sábado, mas com “coerência”, ao ficar isolado na votação em plenário sobre a ampliação do prazo para que a defesa analise o acórdão da Ação Penal 470, popularmente conhecido como “do mensalão”.
O ministro continua achando que o STF não deveria ter flexibilizado a legislação, para evitar dar ao julgamento um caráter excepcional.
“Eu agi sempre assim na minha vida, nunca deixei de cumprir estritamente a lei”, disse-me por telefone.23/04/2013
É natural que Lula e Eike se entendam muito bem: os dois são vendedores de nuvens
Por Augusto Nunes
Lula é o Eike Batista da política. Eike é o Lula do empresariado. Um inventou o Brasil Maravilha. Só existe na papelada que registrou em cartório. Outro ergueu o Império do X. No caso, X é igual a nada.
O pernambucano falastrão que inaugurava uma proeza por dia se elogia de meia em meia hora por ter feito o que não fez. O carioca gabola que ganhava uma bolada em dólares por minuto se louva o tempo todo pelo que diz que vai fazer e não fará.
O presidente incomparável prometeu para 2010 a transposição das águas do São Francisco. O rio segue dormindo no mesmo leito. O empreendedor sem similares adora gerúndios e só conjuga verbos no futuro. Está fazendo um buquê de portos. Vai fazer coisas de que até Deus duvida. Não concluiu nem a reforma do Hotel Glória.
Lula se apresenta como o maior dos governantes desde Tomé de Souza sem ter concluído uma única obra visível. Eike entra e sai do ranking dos bilionários da revista Forbes sem que alguém consiga enxergar a cor do dinheiro.
Lula berrou em 2007 que a Petrobras tornara autossuficiente em petróleo o país que, graças às jazidas do pré-sal, logo estaria dando as cartas na OPEP. A estatal agora coleciona prejuízos e o Brasil importa combustível. Eike vive enchendo milhões de barris com o que vai extrair do colosso que continua enterrado no fundo do Atlântico.
Político de nascença, Lula agora enriquece como camelô de empresas privadas. Filho de um empresário admirável, Eike hoje sobrevive com empréstimos do BNDES, parcerias com estatais e adjutórios do governo federal.
Lula só poderia chegar ao coração do poder num lugar onde tanta gente confia num Eike Batista. Eike só poderia posar de gênio dos negócios num país que acredita num Lula.
É natural que viajem no mesmo jatinho. É natural que se entendam muito bem. Os dois são vendedores de nuvens.23/04/2013
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STF publica íntegra de acórdão e mensaleiros podem recorrer a partir de amanhã

O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou na manhã desta segunda-feira a íntegra do acórdão da Ação Penal 470, mais conhecida como o julgamento do mensalão – esquema de compra de apoio parlamentar que resultou no mais grave escândalo político da história da República brasileira
VEJA.com
Um resumo do acórdão já havia sido publicado no Diário de Justiça na sexta-feira. O documento, com 8.405 páginas, traz a íntegra dos votos dos onze ministros e a transcrição dos debates realizados em plenário durante as 53 sessões do julgamento, que durou mais de quatro meses.
Com o acórdão publicado, começa a correr o prazo de dez dias que a defesa tem para apresentar suas contestações com relação às penas aplicadas aos 25 réus condenados, entre eles o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e os atuais deputados federais José Genoino (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). Será a última possibilidade de recurso dos mensaleiros na Justiça brasileira.
Originalmente, o STF daria cinco dias úteis de prazo para o recurso. Após a pressão interna de ministros, o presidente da corte e relator da ação penal, Joaquim Barbosa, levou a discussão para plenário. Por oito votos a um, o colegiado decidiu então duplicar o prazo de cinco para dez dias como forma de garantir ampla defesa a todos os condenados.
A expectativa é a de que a defesa se valha de recursos chamados embargos de declaração para buscar esclarecer uma omissão ou erro da Corte. Esse tipo de apelo, em geral, não altera o mérito da condenação. Outra tentativa de amenizar as sentenças deve ser por meio da apresentação de embargos infringentes – possíveis quando o réu teve pelo menos quatro votos contrários à condenação.
Esse tipo de recurso aplica-se aos casos de José Dirceu, Genoino, e do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares pelo crime de formação de quadrilha; de Marcos Valério, Simone Vasconcelos, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Kátia Rabello e José Salgado, também por quadrilha, e de João Paulo Cunha, João Cláudio Genu e Breno Fischberg por lavagem de dinheiro.
Os ministros, contudo, terão ainda de decidir se os embargos infringentes são cabíveis no Supremo. Embora uma lei de 1990 não preveja sua utilização nos casos de ações penais, o regimento interno do STF, editado anteriormente à lei, admite o uso do recurso.22/04/2013
domingo, 21 de abril de 2013
Lula e Rosemary: silêncio cada vez mais revelador
Corrupção
Ex-presidente fez 27 pronunciamentos em 148 dias - mas nada sobre Rose
Gabriel Castro e Marcela Mattos, de Brasília
Veja.com
Rosemary Nóvoa de Noronha e Lula
(AE e Reuters)
Nos oito anos que passou no Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre teve como característica o hábito de falar constantemente e sobre tudo. Em tempos de crise, chegou a ser aconselhado por assessores diretos e marqueteiros a manter relativa distância dos microfones. Mas, quase nunca, a recomendação foi seguida. É quase unânime a avaliação de aliados que convivem com Lula há décadas que o silêncio nunca lhe agradou, ainda que o tema seja dos mais espinhosos, como o mensalão, que quase lhe custou o mandato. Porém, há cinco meses, um assunto é proibido ao redor do ex-presidente: Rosemary Noronha.
A edição de VEJA desta semana detalha a atuação de Rosemary, ou Rose, como era conhecida, nas entranhas do poder. A mulher que chefiava o escritório da Presidência da República em São Paulo e acompanhava Lula em viagens internacionais usava a proximidade com o petista para negociar favores.
Na época do estouro da Operação Porto Seguro, a Polícia Federal desmontou uma quadrilha que traficava influência nos altos escalões do governo federal. Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), comandava o grupo.
Rosemary Noronha deve a Lula sua ascensão no poder público. Intimamente ligada ao petista, ela tinha privilégios e integrou, diversas vezes, comitivas presidenciais no exterior. Apesar da grande expectativa a respeito do que o petista teria a dizer sobre o episódio, Lula silenciou desde a operação Porto Seguro, deflagrada em 23 de novembro. Foram 27 pronunciamentos, entre discursos e entrevistas. Mas, em 148 dias, nada explicou sobre as graves acusações envolvendo a mulher que era sua amiga íntima e que foi indicada por ele para chefiar o escritório da Presidência em São Paulo.
Nesse período, Lula deu ordens a secretários do prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), despachou com ministros do governo Dilma Rousseff, recebeu prêmios, deu palestras, se reuniu com líderes mundiais, prestou consultoria a empresas brasileiras. Sobre Rose, uma frase discreta, a contragosto, quando questionado se tinha sido surpreendido pelas revelações da Polícia Federal: "Não fiquei surpreso, não".
Lula avalia que não tem nada a ganhar comentando o episódio. Ele afirma, reservadamente, que o silêncio evita que o caso seja associado a ele e contribui para que o escândalo perca força no noticiário.
A postura revela o quanto o ex-presidente se sente desconfortável com a revelação de que a antessala do poder era usada para negociações escusas. Mesmo titubeante, Lula não evitou tecer comentários sobre outros escândalos, como o mensalão, o dossiê dos aloprados ou a morte do prefeito Celso Daniel, um fantasma que assombra o PT. Mas, a cada nova revelação sobre as andanças de Rose, pode se supor o que Lula tanto teme.21/04/2013
sábado, 20 de abril de 2013
A vida de rainha de Rosemary Noronha, a amiga de Lula
VEJA revela os detalhes da sindicância que foi mantida em segredo pelo governo porque poderia criar “instabilidade institucional”.Ela mostra como a ex-secretária Rosemary Noronha se aproveitou da intimidade com o ex-presidente Lula para ganhar dinheiro, traficar poder e viver como uma soberanaRobson Bonin
EMINÊNCiA - Rosemary se comportava e era tratada como majestade: poder, influência, mordomias e humilhações a subalternos
(Fernando Cavalcanti)
No ano passado, a Polícia Federal descobriu que Rosemary Noronha usava a influência e a intimidade que desfrutava com o ex-presidente Lula para se locupletar do poder.
Exonerada do cargo de chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo e indiciada por formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção passiva, Rosemary foi alvo de uma sindicância conduzida por técnicos da Presidência.
A investigação oficial, mantida em segredo por determinação do próprio governo, destoa da tradição dos governos petistas de amenizar os pecados de companheiros pilhados em falcatruas.
Dedicado exclusivamente aos feitos da poderosa chefe de gabinete, o calhamaço de 120 páginas produzido pela sindicância é severo com a ex-secretária.
Mostra que Rosemary encontrou diferentes formas de desvirtuar as funções do cargo.
Ela pedia favores ao “PR” - como costumava se referir a Lula em suas mensagens - com frequência.
Era grosseira e arrogante com seus subalternos. Ao mesmo tempo, servia com presteza aos poderosos, sempre interessada em obter vantagens pessoais - um fim de semana em um resort ou um cruzeiro de navio, por exemplo.
Rosemary adorava mordomias. Usava o carro oficial para ir ao dentista, ao médico, a restaurantes e para transportar as filhas e amigos. O motorista era seu contínuo de luxo. Rodava São Paulo a bordo do sedã presidencial entregando cartas e pacotes, fazendo depósitos bancários e realizando compras.
Como uma rainha impiedosa, ela espezinhava seus subordinados.
Outros destaques de VEJA desta semana
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Venezuela começa a conhecer o terror castro-comunista
Fiaram-se no silêncio e aceitação passiva de Capriles em 7 de outubro e acreditaram que poderiam elevar à estratosfera o resultado final.
Deram-se mal!
Por isso a repressão violenta e criminosa está tão exacerbada.
Temo por uma guerra civil e mais derramamento de sangue, pois isto parece inevitável.
Por Graça Salgueiro
Notícias Faltantes
Foro de São Paulo
A Venezuela está começando a conhecer o que é o terrorismo castro-comunista desde a segunda-feira passada (15), quando Henrique Capriles, anunciando que NÃO aceitaria o resultado apresentado pelo CNE por ter mais de 3.200 provas da mais desavergonhada fraude que aquele país já tenha visto, deu entrada numa petição para que se realizasse uma auditoria e propôs um panelaço em todo o país.
O que se viu desde então foi a mais brutal e desumana perseguição e violência promovida pela Guarda Nacional, a mando do próprio usurpador Nicolás Maduro.
Tenho lido as “opiniões” da mídia escrita e tevisada de que, com a morte de Chávez o chavismo morreu junto com ele. Discordo frontalmente desta bobagem, uma vez que o “chavismo” nunca foi uma ideologia ou um fim em si mesmo, mas a máscara que os ditadores Castro encontraram para dar curso ao seu projeto de implantação do comunismo no continente.
E Chávez lhes caiu como uma luva - malgrado não fosse o “ungido” -, pois tinha vencido as eleições de 1998 com um apoio extraordinário, sofria de um narcisismo patológico e iria manejar uma fortuna incalculável com o dinheiro do petróleo, vital para a sobrevivência de Cuba. A aceitação de Chávez foi por puro oportunismo.
Assim ficou o corpo deste rapaz, agredido por ordens do ditador Maduro
Tendo compreendido isto, os Castro deram asas à imaginação de Chávez, inflaram seu já gigantesco ego e foram cercando-o como se faz para caçar porcos selvagens.
Por sua vez, Chávez, que não via nada além dele mesmo, acreditou que era o novo messias, a re-encarnação de Simón Bolívar e cedeu ao canto de sereia de Fidel Castro.
Isto não quer dizer que ele, Chávez, fosse ingênuo mas estava cego pela vaidade e bajulações, e acabou entregando o país inteiro aos velhos abutres cubanos.
Enquanto isso, Nicolás Maduro, o verdadeiro “ungido” de Havana desde a década dos 80, aguardava tão paciente quanto Jacó, servindo a Chávez (Labão) enquanto sonhava com Raquel (a Venezuela).
Com a morte de Chávez anunciada oficialmente, Maduro e seus mentores cubanos apressaram-se e fraudaram todas as etapas para a escolha de um novo presidente. Só que ele não contava que desta vez Capriles não iria trair seus eleitores como fez em 7 de outubro do ano passado e iria reagir.
No discurso que proferiu logo após Tibisay Lucena anunciar sua vitória, Maduro disse que o CNE “deveria realizar uma auditoria” para “calar a boca da oposição” que reclamava de fraude.
No dia seguinte, entretanto, ele foi juramentado, negou que queria uma auditoria e seu comportamento de ditador, treinado em Cuba, começou a se revelar. No vídeo abaixo pode-se comprovar que ele próprio solicitou uma auditoria que agora rejeita e persegue os que exigem a recontagem dos votos.
Até ontem à noite tinha-se conhecimento de sete assassinatos pela repressão. As vítimas, pessoas absolutamente pacíficas, apenas batiam panelas exigindo uma auditoria.
Nas fotos que ilustram esta edição pode-se ver o tamanho da brutalidade empregada pela Guarda Nacional contra estudantes que protestavam em frente às sedes do CNE em várias cidades do país.
Até ontem, também, tinha-se a informação de 73 oficiais detidos por não acatar ordens do COMANDO ESTRATÉGICO CUBANO.
Motorizados armados passam pelas ruas atirando em pessoas que estão concentradas em frente ao CNE.
Dois jornais opositores foram vítimas de pedradas nessa madrugada mas, enquanto isso, Maduro acusa Capriles de ser o “instigador” dos atos de violência e pelas mortes ocorridas desde então.
Isto não é montagem. Esse rapaz foi agredido pelos brutamontes da Guarda Nacional Venezuelana
Ontem à noite o Ministério Público processou solicitação da “privação de liberdade” a Henrique Capriles, Leopoldo López e outros membros da Mesa de Unidade, na qual a promotora Luisa Ortega acusa-os dos delitos “concerto para delinqüir, formação de quadrilha ou associação ilícita, instigação para causar perturbação à população e obstrução da via pública, assim como a responsabilidade pelos assassinatos ocorridos na segunda-feira durante os vários protestos.
De acordo com o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), o presidente Nicolás Maduro ordenou à Luisa Ortega e à presidente do TSJ, María Estella Morales, a processar Capriles, sua equipe de campanha de outros dirigentes da oposição.
Segundo um ex-magistrado que conhece os métodos empregados desde Chávez, a coisa funciona assim: “O Ministério Público faz a imputação ante um tribunal e este recebe um telefonema do TSJ dando instruções de como tem que agir”.
Quem não lembra de Chávez berrando em cadeia de rádio e televisão que o TSJ processasse a juíza María Lourdes Afiune e que lhe dessem a pena máxima de 30 anos, como de fato ocorreu?
E quem não lembra das infâmias e calúnias imputadas a Alejandro Peña Esclusa?
Esse é o método do castro-comunismo desde há 54 anos, onde a única prova que compõe o processo é a vontade soberana dos ditadores.
Mas as arbitrariedades não param por aí. Numa sessão na Assembléia Legislativa ontem, o deputado opositor Williams Dávila foi agredido fisicamente em plena sessão no plenário, quando lhe arremessaram algo contra a cabeça, resultando em um corte que necessitou suturar com 8 pontos (ver a foto).
Segundo informa o deputado, a agressão foi totalmente gratuita, uma vez que ele ouvia o pronunciamento de outro parlamentar quando foi agredido.
Disse ainda que sentiu a pancada de um objeto preto que lançaram do lado esquerdo do salão, enquanto os chavistas, que são maioria, davam gargalhadas com a cena.
Além de intrinsecamente maus, estes elementos são verdadeiros vândalos, pessoas vulgares acostumadas a baixarias e crimes de toda espécie.
O deputado da oposição, Williams Dávila, necessitou levar 8 pontos após ser agredido por deputados da situação, em plena sessão no plenário, onde ele apenas "ouvia" a exposição de outro deputado.
Também ontem, o presidente da Assembléia, Diosdado Cabello, destituiu vários deputados da presidência de comissões que estes integravam, como retaliação por não terem aceitado a vitória e juramentação de Maduro como presidente, dentre eles o deputado agredido em plenário. Em sua conta de Twitter o ex-presidente Uribe denunciou:
“@ AlvaroUribeVel - Comunidade: ‘Golpe de Estado na Assembléia, Deputados Dinorah Figuera, Nora Bracho, Williams Dávila e Miguel Angel Rodríguez, removidos da Presidência de Comissões por ordem de Diosdado: de imediato”.
Os Estados Unidos não aceitaram a vitória de Maduro e por isso afirmam que só depois de uma auditoria rigorosa se posicionarão quanto ao resultado.
Já os parlamentares que compõem a Rede Latino-Americana para a Democracia, apontam incontáveis irregularidades no pleito e também solicitaram ao CNE que realizem esta auditoria.
Segundo o chefe da missão de observadores da Rede, Diego Sueiras, “Me preocupa que o CNE tenha dito que os resultados são irreversíveis. Os resultados não são irreversíveis, o serão uma vez se cotejem as atas e cada papel. Que se faça uma cadeia de custódia das caixas de comprovantes e dos cadernos de votação. Que se cotejem os cadernos de votação com as papeletas, que se faça uma contagem imparcial auditada por referências nacionais e internacionais”.
E, finalmente, para fechar esta edição com chave de ouro, o Notalatina apresenta um vídeo muitíssimo bem elaborado que PROVA a monumental e descarada fraude ocorrida no último domingo.
Neste vídeo apresenta-se os resultados oficiais do CNE (inclusive com foto da página), do primeiro boletim, onde se havia escrutinado 99,12% dos votos e o definitivo, apurados os 100%.
No primeiro boletim o CNE informou que o resultado, restando apenas 2% por apurar, dava 50,66% para Maduro e 49,07% para Capriles. Entretanto, no resultado final, incluídos os 2% faltantes, aparece 69% para Maduro e 31% para Capriles!
É tão aberrante essa fraude, que não precisa sequer conhecer de estatística ou matemática para perceber que os dados informados no fechamento da apuração foram manipulados sem qualquer preocupação de que a oposição iria verificar e denunciar perante o mundo.
Fiaram-se no silêncio e aceitação passiva de Capriles em 7 de outubro e acreditaram que poderiam elevar à estratosfera o resultado final.
Deram-se mal!
Por isso a repressão violenta e criminosa está tão exacerbada. É visível o desespero de Maduro com a possibilidade de deixar de realizar um sonho acalentado por mais de 20 anos, e mais ainda o desespero dos ditadores da ilha, pois Capriles anunciou em campanha que não queria mais cubanos invadindo seu país como está há mais de 14 anos.
Temo por uma guerra civil e mais derramamento de sangue, pois isto parece inevitável, uma vez que nem a ditadura cubana nem seu seguidor vão entregar pacificamente aquilo que levaram anos planejando.
Estiveram perto demais da conquista e, a não ser por uma intervenção externa e poderosa, o neo-ditador Maduro vai se conformar com a derrota.
Oremos pela Venezuela e para que se faça justiça.
Chega de ditaduras comunistas!
Fiquem com Deus e até a próxima!
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