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terça-feira, 9 de abril de 2013

O PT impede a renúncia de Marco Feliciano porque não abre mão de seus criminosos na CCJ



O deputado Marco Feliciano (PSC-SP), à dir., durante sessão desta quarta (3) na Comissão de Direitos Humanos

Por Reinaldo Azevedo
Se a imprensa, boa parte dela ao menos, que cobre o caso Marco Feliciano (PSC-SP) estivesse empenhada em reportar os fatos aos que estão do outro lado da tela, em vez de tentar convertê-los ao progressismo, só um título — ou variantes com tal conteúdo — seria possível para deixar claro o que se deu nesta terça na reunião de líderes com o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara: é o que está aí no alto.

Sim, foi isto mesmo: o PT impediu a renúncia de Feliciano à presidência da comissão. Ou, se quiserem, o PT mantém Feliciano.


Por quê? O deputado aceitou renunciar à presidência da comissão. Ele só impôs uma condição: que os petistas José Genoino e João Paulo Cunha renunciassem à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

É claro que acho uma boa proposta, até porque ela surgiu primeiro neste blog. E olhem, observei então e observo agora, que Feliciano não é oficialmente um criminoso; os outros dois são. O que é um criminoso? O Houaiss explica: “que ou aquele que infringiu por ação ou omissão o código penal, cometendo crime; delinquente, réu”.


Vamos ver como a imprensa vai noticiar a coisa. Nos sites dos grandes jornais, já vi que a informação foi parar no pé. As TVs, pelo cheiro da brilhantina, tendem a omitir a condição que ele impôs, rejeitada pelo PT.

Assim, os nobres coleguinhas vão esconder dos telespectadores pela segunda vez que os petistas são os responsáveis pela manutenção de Feliciano na comissão:


a) quando a recusaram para pegar postos mais importantes, deixando-a para O PSC;

b) quando recusaram a renúncia de dois deputados criminosos.

E por que vão esconder? Ah, porque não é “progressista”. Como estão em campanha em favor do casamento gay — e podem estar, tudo certo! —, todas as notícias passarão por esse filtro. Eu sempre defendi que os veículos de comunicação tenham agenda. Só os tiranos querem impedir que tenham. Mas distorcer os fatos não é parte do jogo.

Proposta excelente

A proposta de Feliciano era excelente porque se aumentava a moralidade média da CCJ, ainda que muito pudesse ser feito por ali. Notem que Feliciano não exigiu, por exemplo, a renúncia de José Guimarães (PT-CE), irmão de Genoino, líder do PT na Câmara e chefe daquele pobre coitado encontrado com a cueca recheada de reais e dólares. Até os semoventes sabem que o dinheiro não era dele.

O sujeito mal falava; tartamudeava. E olhem que Feliciano não pediu a renúncia de Ricardo Berzoini (PT), presidente do PT quando estourou o caso dos aloprados.

Que ele conhecesse parte da operação ao menos, isso está comprovado pelos fatos. E olhem que Feliciano não pediu, atenção!, a renúncia de Paulo Maluf (PP-SP). Sim, ele mesmo: Maluf, acreditem, é titular de uma comissão chamada de “Constituição e Justiça”.


Que eu saiba, só mesmo os líderes do PT, PSOL, PDT, PCdoB e PPS insistiram na renúncia. Os demais acabaram concordando com a permanência. O PSDB nem mesmo participou da reunião porque considerou que não havia dispositivo regimental que a justificasse. E não há mesmo. Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara — imaginem se Feliciano tivesse proposto a renúncia de todo mundo que está enrolado com a Justiça… — cobrou que as reuniões da comissão voltem a ser abertas. Voltarão.

Quero saber se o homem que responde pela segurança dos trabalhos na Casa Legislativa garantirá também as condições necessárias para a sua realização.


Se não garantir, Feliciano pode recorrer ao Artigo 272 do Regimento Interno e fechar de novo. E o artigo diz o seguinte:

Art. 272. Será permitido a qualquer pessoa, convenientemente trajada e portando crachá de identificação, ingressar e permanecer no edifício principal da Câmara e seus anexos durante o expediente e assistir das galerias às sessões do Plenário e às reuniões das Comissões.
Parágrafo único. Os espectadores ou visitantes que se comportarem de forma inconveniente, a juízo do Presidente da Câmara ou de Comissão, bem como qualquer pessoa que perturbar a ordem em recinto da Casa, serão compelidos a sair, imediatamente, dos edifícios da Câmara.


Para encerrar
Feliciano, certamente, não representa um monte de gente. Também diz tolices e inconveniências sobre a morte de Jesus Cristo. Ooops, errei, ele falou besteira sobre a morte daquele outro mais famoso, né?, o tal John Lennon, acho…

Mas representa outros tantos, como se vê na foto abaixo, de André Borges, da Folhapress. Aqueles dois que estão ali não devem ter entendido, inclusive, que o deputado seja racista.



Aos inconformados, inclusive os do jornalismo, coma liberdade de expressão, resta-me repetir a fala do economista Walter Williams:

“É fácil defender a liberdade de expressão quando as pessoas estão dizendo coisas que julgamos positivas e sensatas, mas nosso compromisso com a liberdade de expressão só é realmente posto à prova quando diante de pessoas que dizem coisas que consideramos absolutamente repulsivas”.


09/04/2013

 

O comício de encerramento da campanha de Capriles foi uma lição da resistência democrática venezuelana aos partidos oposicionistas brasileiros


Direto ao Ponto

                                             Por Augusto Nunes


Em matéria de presidente da República, a Venezuela empata com o Brasil. Nicolás Maduro, o motorista de ônibus que virou piloto de país, confunde eleição presidencial com briga de trânsito, qualifica o adversário de “maricón” e jura que Hugo Chávez ressuscitou disfarçado de passarinho.

Dilma Rousseff não diz coisa com coisa, é incapaz de produzir uma frase com começo, meio e fim, esquece à noite a promessa que fez de manhã e tornou-se uma prova ambulante de que o Brasil sobrevive até a governantes com um neurônio só.

Em matéria de presidente-adjunto e eleitorado, o empate se repete. No momento, Lula se faz de morto para escapar do caso Rose e governar na clandestinidade.

Chávez se faz de vivo (fingindo que dorme no caixão transparente ou voando com a leveza de um colibri) para garantir a vitória de Maduro e tornar-se no primeiro presidente com gabinete no Além.

Nos dois países, a eleição é decidida pela imensidão de desvalidos que se acham felizes por não saberem o que é isso. Gente que imagina que viver é não morrer de fome retribui com votos os donativos dos gigolôs da miséria.

Em matéria de oposição, a Venezuela está ganhando com folga ─ e, se mantiver a estratégia que resultou nas imagens do vídeo acima, talvez acabe impondo uma goleada ao Brasil.

O PSDB troca socos e pontapés com tucanos, o PPS flerta com o PSB de Eduardo Campos, o DEM ainda não descobriu quem é.

No reino dos chavistas, os adversários do chavismo recuperaram a sensatez e reaprenderam a unir-se no combate ao inimigo comum .

Por aqui, a oposição oficial não se junta nem em festinhas de batizado. E há mais de dez anos não dá as caras nas ruas.

No comício de encerramento da campanha de Henrique Capriles, principal adversário de Maduro, foi reencenado em Caracas o espetáculo da multidão disposta a barrar nas urnas o avanço dos pastores do primitivismo.

Uma vitória e tanto.

Seja qual for o resultado da eleição, a resistência democrática venezuelana mostrou-se extraordinariamente maior, mais musculosa e mais lúcida do que os arrogantes herdeiros de Chávez.

Vejam o vídeo. A Venezuela garroteada por um bolívar-de-hospício, quem diria, pode livrar-se do tempo das cavernas bem mais cedo que o Brasil.
09/04/2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Barbosa diz que aprovação de novos tribunais foi 'sorrateira'


Presidente do Supremo recebeu, em clima tenso, dirigentes de associações de juízes e afirmou que os novos tribunais deveriam ser instalados em resorts

Veja.com
Joaquim Barbosa: crítica à criação de mais quatro tribunais no país
(Fellipe Sampaio/SCO/STF)

Em clima tenso, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, recebeu nesta segunda-feira dirigentes de associações representativas de juízes e afirmou que a aprovação da emenda constitucional que cria quatro tribunais regionais federais (TRFs) no país, apoiada por entidades da classe, ocorreu de forma "sorrateira", "ao pé do ouvido" e "no cochicho".

Barbosa disse que as sedes desses tribunais devem ser instaladas em resorts, o mais próximo possível da praia.


Em choque com as entidades de classe desde que afirmou existir um conluio entre magistrados e advogados e que os juízes brasileiros têm mentalidade pró impunidade, Barbosa pediu ao vice-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Ivanir César Ireno, que baixasse o tom de voz. "Sorrateira, não", havia reclamado Ireno segundos antes, numa reação aos comentários de Barbosa.

"O senhor abaixe a voz porque o senhor está na presidência do Supremo Tribunal Federal", afirmou Barbosa. "Só me dirija a palavra quando eu lhe pedir", completou, exaltado.


No encontro, o presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deixou transparente a sua oposição à emenda que cria os quatro TRFs. Segundo ele, a novidade custará ao país 8 bilhões de reais. Apesar disso, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não teria sido ouvido sobre a novidade. Ireno disse que a Ajufe acompanhou o processo por anos.

"Não confunda a legitimidade que o senhor tem enquanto representante sindical com a legitimidade dos órgãos do estado. Eu estou dizendo é que órgãos importantes do estado não se pronunciaram sobre o projeto que vai custar à nação, por baixo, 8 bilhões de reais", disse Barbosa.


Para o presidente do STF, a criação dos tribunais será boa para a advocacia e para os juízes porque milhares de empregos serão criados. "Dá emprego. Dá quinto. Mas isso não é o interesse da nação", afirmou Barbosa. "Esses tribunais vão ser criados em resorts, em alguma grande praia", acrescentou.

Um dos juízes presentes ao encontro observou que em Minas Gerais não existe praia. Barbosa respondeu: "Serão criados o mais próximo da praia possível". Os novos TRFs serão instalados em Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Manaus (AM).


Num outro momento tenso da audiência, Barbosa disse que, se quiserem colaborar, os dirigentes de entidades representativas de juízes devem encaminhar as sugestões para a sua assessoria e não ir antes à imprensa.

No encontro, eles entregaram um documento no qual defendem algumas posições, como a necessidade de mais rapidez na solução de crimes cometidos contra autoridades.

O presidente do Supremo também reagiu quando os magistrados disseram que era necessário fortalecer o estado de direito e a instituição democrática e prestigiar o STF. "O STF se prestigia por si próprio."


(Com Estadão Conteúdo)

PF recebe pedido de abertura de inquérito contra Lula



Ex-presidente será investigado por denúncia de intermediar o repasse de 7 milhões de reais da Portugal Telecom ao PT no auge do mensalão
Gabriel Castro, de Brasília
Veja.com

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: nenhuma vergonha de sonegar explicações

(Helvio Romero/Estadão Conteúdo)

A Polícia Federal recebeu na manhã desta segunda-feira pedido de abertura de inquérito para investigar a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema do mensalão. Na semana passada, o Ministério Público Federal solicitou que a PF apure as denúncias feitas pelo operador do mensalão, Marcos Valério de Souza, de que o ex-presidente intermediou um repasse de 7 milhões de reais feito ao PT por uma subsidiária da Portugal Telecom. Além de Lula, o ex-ministro Antonio Palocci Filho também é citado no caso.

As novas acusações contra Lula surgiram no ano passado, na fase final do julgamento do mensalão. Já condenado, o publicitário Marcos Valério resolveu contar ao menos parte do que sabe à Procuradoria Geral da República (PGR). Ele disse que o então presidente não só sabia da engrenagem criminosa como se envolveu diretamente na montagem do esquema.

A partir desses depoimentos, a PGR elaborou seis procedimentos de investigação. Como Lula não tem mais foro privilegiado, os casos foram encaminhados à Procuradoria da República no Distrito Federal, que ainda analisa se abrirá outros inquéritos. Uma das investigações está a cargo da Procuradoria Eleitoral do Distrito Federal, já que trata de uma acusação de caixa dois.

Portugal Telecom - O novo inquérito vai apurar a participação de Lula na intermediação de um empréstimo de 7 milhões de reais da Portugal Telecom para o PT. De acordo com depoimento prestado por Marcos Valério à Procuradoria Geral da República no ano passado, uma fornecedora da Portugal Telecom, sediada em Macau, repassou o dinheiro ao PT para quitar dívidas de campanha. Os recursos teriam entrado no país por meio das contas de publicitários que trabalharam para o partido.

Segundo a denúncia, Lula teria se reunido com Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom, para negociar o repasse. A transação estaria ligada a uma viagem feita por Valério a Portugal em 2005. O episódio foi usado, no julgamento do mensalão, como uma prova da influência do publicitário em negociações financeiras envolvendo o PT.

Segredos – Com a certeza de que iria para a cadeia, Marcos Valério começou a contar os segredos do mensalão em meados de setembro, como revelou VEJA. Em troca de seu silêncio, Valério disse que recebeu garantias do PT de que sua punição seria amena. Já sabendo que isso não se confirmaria no Supremo – que o condenou a mais de 40 anos por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro – e, afirmando temer por sua vida, ele declarou a interlocutores que Lula "comandava tudo" e era "o chefe" do esquema.

Pouco depois, o operador financeiro do mensalão enviou, por meio de seus advogados, um fax ao STF declarando que estava disposto a contar tudo o que sabe. No início de novembro, nova reportagem de VEJA mostrou que o empresário depôs à Procuradoria Geral da República na tentativa de obter um acordo de delação premiada – um instrumento pelo qual o envolvido em um crime presta informações sobre ele, em troca de benefícios.

domingo, 7 de abril de 2013

Mensalão – Aconteceu! MP não se intimida, e Lula é agora um investigado




O PT ameaçou até botar as tropas na rua para que isto não acontecesse, mas aconteceu

Lula passou à condição de investigado no caso do mensalão

Por Reinaldo Azevedo

A Al Qaeda Eletrônica até ensaiou aquela conversa mole de “Lula é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo” para intimidar o Ministério Público, mas não adiantou.

Agora o ex-presidente da República é, oficialmente, um investigado.


“Mas a Polícia Federal pode se negar?” Claro que não! O que ela pode é fazer o inquérito e concluir que ele não cometeu nenhum crime. Vamos ver. Mas vai ter de investigar. Se o MP pediu que o faça, é porque viu, quando menos, indícios de prática criminosa.

Leiam o que informa Gabriel Castro, na VEJA.com:

A Procuradoria da República no Distrito Federal pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar denúncias feitas pelo operador do mensalão, o publicitário Marcos Valério de Souza, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Antonio Palocci Filho. Valério acusou Lula de ter intermediado um repasse de 7 milhões de reais da Portugal Telecom ao PT.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira pelo Ministério Público e significa que a investigação sobre o papel de Lula no esquema do mensalão avançou mais um passo – será o primeiro inquérito aberto contra o ex-presidente da República.

Até agora, apenas um procedimento de investigação para checar os indícios fornecidos por Valério em seus depoimentos contra o ex-presidente havia sido instaurado.


Nos depoimentos, Valério afirmou que Lula teve participação direta na montagem do esquema de desvio de recursos e compra de apoio político no Congresso Nacional.

As acusações de Valério levaram o MPF a abrir outras cinco apurações preliminares. Dessas, uma já foi encaminhada à Procuradoria Eleitoral do Distrito Federal porque envolve denúncia de caixa dois; as outras investigações ainda estão sob análise de procuradores e também podem se transformar em inquéritos.


                    
                 Portugal Telecom



O novo inquérito vai apurar a participação de Lula na intermediação de um empréstimo de 7 milhões de reais da Portugal Telecom para o PT. De acordo com depoimento prestado por Marcos Valério à Procuradoria Geral da República no ano passado, uma fornecedora da Portugal Telecom, sediada em Macau, repassou o dinheiro ao PT para quitar dívidas de campanha.

Os recursos teriam entrado no país por meio das contas de publicitários que trabalharam para o partido.


Segundo a denúncia, Lula teria se reunido com Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom, para negociar o repasse. A transação estaria ligada a uma viagem feita por Valério a Portugal, em 2005.

O episódio foi usado, no julgamento do mensalão, como uma prova da influência do publicitário em negociações financeiras envolvendo o PT.



05/04/2013

Charges


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sábado, 6 de abril de 2013

Governo nega informação publicada pelo Estadão e diz que Heleno Torres não foi indicado para o STF. Jurista já falou até em anulação do julgamento do mensalão



Por Reinaldo Azevedo

O Estadão anunciou (ver post na home) que o tributarista Heleno Torres tinha sido indicado por Dilma Rousseff para a vaga que está aberta no Supremo Tribunal Federal. Os dois mantiveram um encontro. Segundo o jornal, a presidente ficou irritada com o vazamento, o que levou o Planalto a negar que a decisão já tivesse sido tomada. Se o escolhido for mesmo Torres, cumpre lembrar o que ele andou afirmando sobre o julgamento do mensalão. Já volto ao tema.

Leiam, antes, o que vai no Estadão.

Volto em seguida.

A presidente Dilma Rousseff reuniu-se na noite desta sexta-feira, 5, com o advogado tributarista Heleno Torres, no Palácio do Planalto. Segundo fontes do Supremo Tribunal Federal (STF) informaram à Broadcast, Torres é o escolhido para substituir o ministro Carlos Ayres Britto, que deixou a Côrte no fim do ano passado.

O Palácio do Planalto negou, oficialmente, que Dilma já tenha tomado uma decisão sobre o assunto. O “vazamento” do encontro irritou a presidente. Até agora, o tributarista foi o único chamado para uma conversa reservada com Dilma. Os outros advogados que pleiteiam a vaga – Luiz Roberto Barroso, Eugênio Aragão e Humberto Ávila – não foram convocados por ela.

No Twitter, o professor da USP e articulista do Estado Gaudencio Torquato, escreveu que, em almoço com Torres, o tributarista confirmou ter sido escolhido para assumir cadeira no Supremo.

“No almoço, Heleno Torres me comunicou que foi escolhido para o Supremo. E me convidou para a posse. Claro que irei. Grande jurista”, escreveu Torquato na rede social. Poucos minutos depois, Torquato afirmou ter entendido mal o advogado e atribuiu o erro ao barulho do restaurante onde estavam almoçando.

“Corrigindo: entendi errado. Heleno Torres não foi escolhido STF (sic). Me disse: se for, você está convidado. Ouvido mouco ouve só o bom”, disse. “Reafirmo: barulho de restaurante atrapalha audição. Heleno não foi escolhido. Mas torço por ele. Apenas isso”.

Voltei: o mensalão
No dia 3 de agosto de 2012, o site Consultor Jurídico publicou uma reportagem sobre o que pensavam alguns juristas a respeito do julgamento do mensalão. Um dos ouvidos foi Heleno Torres, que disse o seguinte:

“O Tratado do Pacto de San José proclama direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior. Por tudo isso, no final, a Corte Interamericana terá que anular esse julgamento, sob pena do seu absoluto descrédito”.
O próprio STF já se posicionou a respeito. A Corte Interamericana, obviamente, não é corte revisora do Supremo. Fosse assim, o tribunal deixaria de ser a última instância da Justiça brasileira, que transferiria essa prerrogativa a uma organização multinacional.

Vejam bem… Se Heleno Torres acha que a Corte Interamericana não só pode como “terá” de anular o julgamento do mensalão, entende-se o entusiasmo do PT com a sua eventual indicação.

05/04/2013



Procuradoria pede investigação sobre envolvimento de Lula no mensalão após denúncia de Valério


Empresário afirmou que teria sido feito repasse de US$ 7 milhões ao PT, por meio da Portugal Telecom


O Globo
BRASÍLIA - O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) pediu à Polícia Federal a instauração de inquérito para investigar denúncia feita pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, em depoimento prestado à Procuradoria Geral da República (PGR) em setembro de 2012 de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria envolvido em uma negociação com o executivo da Portugal Telecom, Miguel Horta.

Valério foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 40 anos como operador do mensalão.
“O teor específico desse relato já foi divulgado na imprensa. Nele, o empresário afirma que teria sido feito um repasse de US$ 7 milhões por parte de fornecedora da Portugal Telecom em Macau (China), ao Partido dos Trabalhadores (PT), por meio de contas bancárias no exterior”, diz a nota.

A Procuradoria já havia aberto seis procedimentos preliminares para apurar o depoimento em que Marcos Valério. Ele acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter conhecimento do esquema de compra de votos no Congresso Nacional nos primeiros anos de seu mandato.

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto , afirmou por meio de nota que “não há nova informação em relação às que foram publicadas há cinco meses pelo jornal O Estado de S. Paulo”.

05/04/13

terça-feira, 2 de abril de 2013

Na reta final



Por Merval Pereira
O Globo

O próximo debate do julgamento do mensalão, a Ação Penal 470, será sobre os chamados “embargos infringentes”, recursos que teoricamente a defesa dos réus pode interpor quando a condenação tem um mínimo de quatro votos discordantes.

É o caso da condenação por formação de quadrilha que atingiu dez dos réus, incluindo o núcleo político, com José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares; o núcleo publicitário, com Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Simone Vasconcelos e Cristiano Paz; e o núcleo financeiro, com Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane.

Com a saída de Ayres Britto, o placar está em 5 a 4 e teoricamente, com a participação do novo ministro, Teori Zavascki, que não tomou parte do julgamento, mas atuará nos recursos, pode ser alterado para um empate, o que beneficiaria os réus.

Há ainda a possibilidade de um novo ministro ser indicado para a vaga do próprio Britto (Zavascki entrou na vaga de Cezar Peluso, que se aposentou antes de votar no item “formação de quadrilha”), o que preencheria o plenário do Supremo com 11 ministros.

Escrevi lá em cima “teoricamente” porque há dúvidas sobre se ainda existe a figura dos tais “embargos infringentes”, previstos no regimento interno do Supremo Tribunal Federal, mas não incluídos na Constituição de 1988 nem na Lei 8.038, que disciplinou os processos nos tribunais.

Embora haja ministros no STF e criminalistas que considerem que os “embargos infringentes” não existem mais, pois só são previstos na lei para a segunda instância, no debate deve prevalecer a preocupação com o amplo direito de defesa.

O ministro Celso de Mello, ao apreciar questão de ordem proposta pelo advogado Márcio Thomaz Bastos na primeira sessão de julgamento do mensalão, pedindo que o processo fosse desmembrado, garantiu que há duplo grau de jurisdição no STF, citando a previsão de embargos infringentes no Regimento Interno.

Ontem se encerrou o prazo regimental de 60 dias depois do julgamento, sem contar o recesso, para que o acórdão fosse publicado, com todos os votos dos ministros, mas o ministro Celso de Mello ainda não entregou sua versão revisada. O atraso, no entanto, não será tão grande, pois todos esperam que até o final da semana tudo esteja pronto.

A partir da publicação do acórdão, os advogados de defesa terão cinco dias para apresentarem seus recursos, que podem ser “embargos declaratórios”, onde se pede esclarecimento sobre pontos específicos dos votos, e “embargos infringentes”, onde se tenta mudar a condenação que tenha sido proclamada com pelo menos quatro votos contrários.

Os advogados de defesa estão tentando junto ao presidente do Supremo Tribunal Federal mais prazo para a apresentação dos recursos, alegando que o processo é atípico e muito grande, mas, como de vezes anteriores em que negou, por exemplo, a José Dirceu acesso antecipado aos votos já preparados, o ministro Joaquim Barbosa não deve alterar os prazos.

Ele tem dito que pretende seguir à risca os procedimentos para não “flexibilizar” a lei: “(...) todos me conhecem e sabem que eu não sou de flexibilizar a lei em nenhum sentido. Todas as decisões que tomei até agora foram no sentido de aplicar a lei.” Para ele, o acórdão já poderia estar pronto há um mês, que foi quando entregou a sua parte.

Mas a vontade de não permitir protelações no processo não chega ao ponto de publicar o acórdão sem o voto de um dos ministros, como chegou a ser cogitado. Barbosa garantiu ao ministro Celso de Mello que aguardará sua revisão. Por estar convencido de que todos os pedidos da defesa têm o objetivo de retardar o cumprimento das sentenças, o presidente do Supremo Tribunal Federal pretende colocar em julgamento os recursos o mais rápido possível.

02.04.2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Perdoai-os, cultores da democracia! Eles não sabem quem foi Montesquieu!




Por Reinaldo Azevedo

Vejam esta foto de Sérgio Lima, da Folhapress.


Um grupo de 70 manifestantes, leio em texto de Fernanda Odilla, na Folha, foi ao Palácio do Planalto protestar contra a permanência do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

Não só isso: ELES EXIGEM QUE A PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF TOME UMA PROVIDÊNCIA.

Vou escrever de novo: os que foram se manifestar no Palácio do Planalto cobram que a chefe do Poder Executivo tome uma providência contra o presidente de uma comissão do Poder Legislativo. Ele só está lá porque foi eleito deputado por 212 mil pessoas, porque foi referendado no cargo pelos líderes partidários e porque, ora vejam, as esquerdas esnobaram aquela comissão, que não rende dinheiro.

Eles certamente conhecem o pensamento do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), mas não o de Montesquieu.

Não têm ideia do que seja independência entre os Poderes.

Ignoram — ou, se sabedores, querem que seja Dilma a ignorar — que, num regime democrático, o chefe do Executivo não impõe sua vontade ao Parlamento.

O que costuma acontecer é justamente o contrário.

A imprensa faz uma cobertura sempre simpática aos manifestantes, pouco importa sua pauta, pouco importam seus atos, porque vivemos dias em que as garantias formais da democracia cedem aos apelos militantes das minorias que se querem maiorias, fazendo de sua própria intolerância uma pauta universal.

A censura à liberdade de expressão e de opinião está em alta. Tudo em nome dos “direitos”. Quem discorda não é mais alguém que pensa de modo diferente, mas um ser que tem de ser banido do mundo dos vivos.

Leio na Folha:
“Dilma está calada, até agora não falou nada. A gente não vai parar até ele sair”, diz o publicitário Lucas Valle, 22, munido de um cartaz com os dizeres “Dilma, mulher, mãe, guerreira, torturada, presidenta: manifeste-se”.

Muito bem!

Digamos que ela se manifeste e também peça a saída de Feliciano.

E daí?

Pergunta: Lucas Valle acha que a presidente também deveria se opor à presença dos mensaleiros condenados José Genoino e João Paulo Cunha na presidência da CCJ?

Se acha, cadê o seu panfleto?

Outro cartaz exibido é ainda mais eloquente:
“Até o papa renunciou. Feliciano, sua hora já chegou”.

As palavras fazem sentido. O “até o papa” poderia ser, assim, uma ordem de grandeza apenas: se até Bento 16 renunciou, por que não o simples presidente de uma comissão? Mas há mais do que isso.

O papa que saiu não tinha uma pauta exatamente coincidente com a dessa turma (o que entrou também não tem, note-se). Parece haver aí uma manifestação de alívio. A coisa poderia ser dita de outro modo: “Já nos livramos do papa; agora é a vez de Feliciano…”

Como vivemos dias realmente surrealistas, cumpre observar que renúncia é ato unilateral, como a do papa.

Os manifestantes que foram ao Palácio do Planalto não só pedem que o Executivo imponha sua vontade ao Legislativo, como nos tempos da ditadura, como querem eles próprios impor a Feliciano uma ação que só pode ser determinada por sua própria vontade.

Eu não tenho dúvida de que essa gente se acha um exemplo acabado de amor à democracia. E não duvido de que amplos setores da imprensa pensem a mesma coisa.

Até o dia em que vai aparecer um grupo com velas acesas para defender o “controle social da mídia”, o “controle social do humor”, o “controle social da opinião”.

Tomara que ainda haja gente para protestar contra os controladores, para lembrar Niemöller.

01/04/2013


Seis notas de Carlos Brickmann


 

Augusto Nunes

A hora do Mensalão

O ministro-revisor do processo do Mensalão, Ricardo Lewandowski, já concluiu sua parte no acórdão do julgamento. É provável que o acórdão seja publicado nesta semana, o mais tardar na próxima, abrindo-se então o prazo para recursos. Encerrado o julgamento dos recursos, cumprem-se as sentenças.


Engenhoso Engenhão

A melhor maneira de esconder um escândalo é arranjar outro escândalo com maior poder de escandalizar. Vale a pena ler a nota de um profundo conhecedor do Rio, o excelente colunista Aziz Ahmed, do jornal O Povo: “A divulgação que a prefeitura do Rio está dando à lambança que resultou na interdição do Engenhão tem um componente político articulado pela dupla Eduardo Paes ─ Sérgio Cabral.

Aproveitando a paixão do povo pelo futebol, os dois peemedebistas conseguiram apagar do noticiário uma trapalhada de maior gravidade, porque esconde suspeitas de conluios com empreiteiras, malfeitos e corrupção.

Trata-se do programa Minha Casa Minha Vida. Em Duque de Caxias, construíram um conjunto dentro de um charco. Em Niterói, o conjunto para o pessoal do Morro do Bumba está sendo demolido antes de ser ocupado. Em Itambi (Itaboraí), começaram a construir um conjunto com vários blocos e a obra foi abandonada”.

Alguém tem dúvida de que o problema do Engenhão sirva mesmo para isso?


As boas intenções

O senador mineiro Aécio Neves, provável candidato do PSDB à Presidência da República, conversou com a bancada federal do partido e pediu foco nas propostas tucanas. Tem razão. Só falta descobrir quais são as propostas tucanas.


Chega de intermediários

O PSDB já contratou um conselheiro político das campanhas de Barack Obama, David Axelrod, para trabalhar com seu candidato Aécio Neves. Outro americano, Antonio Villaraigosa, prefeito de Los Angeles em fim de mandato, que comandou a campanha de Hillary Clinton para ser candidata à Presidência (foi batida por Obama), também vem sendo procurado pelos tucanos.

Do marketing o PSDB está cuidando. Agora é só convencer o partido a apoiar o candidato.


A verba voa

A Prefeitura paulistana, com o petista Fernando Haddad, está demonstrando grande disposição de torrar dinheiro com propaganda. Em rádio e TV, no horário nobre (o mais caro), anunciou maciçamente a doação de um terreno para um novo campus da Universidade Federal de São Paulo. Não era verdade: o terreno existe, um dia, dizem, será doado, mas a doação ainda não foi aprovada pela Câmara. O Ministério Público Estadual decidiu abrir inquérito sobre o caso. A Prefeitura explicou que houve um engano, uma troca de anúncios: deveria ter saído um sobre saúde. Mas alguém aprovou a veiculação. Quem? Como? Silêncio.

Outros anúncios, mais baratos, são até ofensivos: apontam novos pontos de ônibus como um presente da Prefeitura para a cidade.

Quem imaginava que instalar pontos de ônibus fosse obrigação da Prefeitura certamente estava enganado.


Onde está Chávez?

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, informou oficialmente, há dias, que não seria possível embalsamar o corpo de Hugo Chávez, porque o tratamento teria de se ter iniciado logo após a morte. Não houve enterro oficial. Onde está o corpo de Chávez? Ficará no Museu Histórico Militar, sem sepultamento?



01/04/2013

Charge





Sponholz


sexta-feira, 29 de março de 2013

O fantasma do plano Collor amedronta a Europa


Para combater a crise econômica, o governo do Chipre aprova o confisco do dinheiro de correntistas dos dois maiores bancos do país e faz lembrar o pesadelo que assombrou milhões de brasileiros

IstoÉ

Mariana Queiroz Barboza

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SOB A SOMBRA DA FALÊNCIA
Fernando Collor e manifestantes cipriotas contrários
ao plano de resgate: confiscos igualmente dolorosos

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Apesar de ser uma ilha de apenas 9,5 mil quilômetros quadrados (menos da metade de Sergipe, o menor Estado brasileiro) encravada no Mar Mediterrâneo, o Chipre provocou, nos últimos dias, uma onda de pânico na Europa. Com o temor de que a falência do sistema financeiro do país contaminasse a já debilitada economia do Velho Continente, o conjunto de forças chamado de “troika” (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) aprovou um plano de resgate de 10 bilhões de euros para socorrer os cipriotas. O dinheiro, porém, só será liberado com uma condição: a reforma completa do sistema financeiro do Chipre.

O surpreendente é que o programa elaborado pelo governo cipriota – e que foi chancelado pela troika – prevê o confisco dos depósitos bancários. Se você pensou no famigerado Plano Collor, não se enganou.

O mesmo confisco que traz pesadelos para os brasileiros (e que deixou como saldo a pior recessão da história recente do Brasil) será adotado agora do outro lado do oceano. Pior ainda: teme-se que esse modelo seja replicado por outros países europeus.

Na semana passada, Jeroen Dijsselbloem, ministro das finanças da Holanda e presidente do Eurogrupo, declarou que o pacote cipriota pode servir de inspiração para futuros resgates realizados na Europa.

Diante da repercussão negativa, o ministro divulgou um desmentido, dizendo que o Chipre era “um caso específico”. Ele não evitou, porém, as quedas nas bolsas de valores e a desvalorização do euro frente ao dólar.

O pacote cipriota poderá confiscar integralmente o dinheiro de quem tem mais de 100 mil euros no Banco Popular, chamado de Laiki, e até 40% dos recursos dos correntistas do Banco do Chipre. Somados, os saldos representam 11,2 bilhões de euros.

Os depósitos de até 100 mil euros são segurados devido a um acordo entre os líderes da zona do euro, mas estiveram sob ameaça na primeira proposta enviada ao Parlamento.

O plano rejeitado, que previa taxar em 6,75% os pequenos e médios poupadores, causou indignação imediata na ilha e espalhou pânico em outros países. “O confisco transmite uma situação de desconfiança do sistema bancário”, diz André Biancareli, professor do Centro de Estudos de Conjuntura Política Econômica da Universidade Estadual de Campinas. “Isso pode ser a semente para uma tragédia econômica mais significativa.”


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NAS MÃOS DE PANICOS
O presidente do BC é o alvo preferido de protestos


Na opinião da chanceler alemã, Angela Merkel, que conduziu o acordo, os custos do resgate foram bem distribuídos. Para alguns analistas, a gritaria contra as medidas se deve ao fato de o Chipre ser um paraíso fiscal – principalmente para investidores russos –, com ativos que totalizam oito vezes o PIB da ilha.

O impacto do plano de resgate deve ser sentido por toda a população. Depois de manter as instituições fechadas por mais de 10 dias, o governo anunciou sua reabertura parcial com estrito controle do fluxo de capitais para evitar uma corrida aos bancos.

Os correntistas cipriotas não poderão, por exemplo, sacar mais de 300 euros por dia, e sofrerão limites para transações comerciais e uso do cartão de crédito no Exterior. As restrições, espera-se, serão temporárias.

Na quarta-feira 27, dia do anúncio, manifestantes se reuniram em frente ao Palácio Presidencial, na capital Nicósia, para protestar contra as medidas.

Por coincidência, o presidente do Banco Central, a quem os manifestantes se referem como “traidor”, chama-se Panicos Demetriades. Dadas as atuais circunstâncias, não poderia ser mais apropriado.

Na semana passada, ISTOÉ procurou os mentores do Plano Collor: Zélia Cardoso de Mello, Ibrahim Eris, Antônio Kandir e o próprio Fernando Collor. Nenhum deles quis comentar o confisco cipriota.


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Fotos: Petros Karadjias/AP Photo; Yannis Behrakis e Gregg Newton/REUTERS


29.Mar.13

Jornal espanhol ABC condena ostentação de Dilma em Roma – que é alvo de investigação no MPF



Por Jorge Serrão
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  A Presidenta Dilma Rousseff ficou PT da vida com uma reportagem publicada ontem pelo jornal espanhol ABC, com o título “De Kirchner a Rousseff, o desperdício dos Bolivarianos” (“De Kirchner a Rousseff: el derroche de los bolivarianos”).

O texto traz um relatório detalhando os estilos de vida opulentos de líderes latinoamericanos "que alegam ser socialistas e anti-imperialistas”, mas na vida pessoal ou em seus governos torram dinheiro como se fossem bilionários dignos de figurar na revistinha Forbes.

Dilma odiou ser comparada com a exibicionista e consumista argentina Cristina Kirchner.

Também detestou ser incluída entre os presidentes latinos que ostentam luxúria, vaidade e gastos sem limite em sua rotina pessoal – como é o caso de Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Daniel Ortega (Nicarágua), e, principalmente, o cadáver ainda insepulto Hugo Chávez Frias (Venezuela).

A matéria do ABC expôs a distância entre o discurso demagógico socialista dos líderes do Foro de São Paulo e a a prática de vida que levam – digna do mais vaidoso e selvagem capitalista.

Dilma entrou na dança dos famosos ostentadores por causa dos gastos nada franciscanos de no mínimo R$ 325 mil na viagem a Roma para participar da missa de entronização do novo Papa Francisco.

O filme dela ficou queimado com a desastrosa atuação do Itamaraty que reservou nada menos que 52 quartos em um hotel de luxo e alugou 17 carros para três dias de estadia para os eventos do Vaticano.

O jornal ABC meteu o pau na Dilma: “Essa imagem não se encaixa com o seu compromisso com os mais vulneráveis, como ele disse em sua posse, e sua aspiração de tornar o Brasil um país menos desigual”.

A farra romana da turma de Dilma já é objeto de um inquérito Civil aberto na terça-feira pelo Ministério Público Federal.

A Procuradoria da República quer apurar as "eventuais irregularidades, em especial aos gastos e ao número de integrantes da comitiva".
Evidentemente, o caso vai dar em nada, sendo providencialmente arquivado - como acontece em tais casos de abuso com dinheiro público no Brasil.

Pelo menos - se pode restar algum consolo - o movimento do MPF promove mais uma ação de desgaste contra o capimunista governo Dilma - que tem tudo para se reeleger, no que depender dos belos índices de popularidade nas pesquisas de opinião - certamente feitas com os tais "vulneráveis" que recebem algum benefício do governo federal.

Como de costume, tal “notícia negativa contra o Brasil” não terá a mínima repercussão na amestrada mídia tupiniquim – o que só confirma que por aqui temos uma liberdade de imprensa assegurada pela Constituição que não se transforma em plena liberdade de informação e expressão...

Mais malvados que os hermanos...

Voltando à reportagem do ABC, os espanhóis foram sarcasticamente irônicos com Dilma:

“A presidente não costuma realizar esses shows, e, geralmente, lidera pelo exemplo. Suas roupas são feitas por costureiros brasileiros, não usa marcas de jóias e tem pouco valor, sendo constantemente repetidas, como um conjunto de pérolas e uma pulseira de ouro inspirada nas fitas do Senhor do Bonfim da Bahia no olho de vidro turco, amuletos de boa sorte. Assim, surpreendeu tanto a ostentação de sua visita a Roma há duas semanas para participar da missa de abertura do Papa Francisco”.
Antes de tal trecho, a publicação espanhola tinha retratado Dilma como uma pessoa austera:

“A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, é uma mulher discreta em seu estilo de vida e pessoal. Vive no Palácio da Alvorada, a residência oficial, com sua mãe e sua tia, ambas octogenárias. Em seu tempo livre é dedicado ao caminhar, ler e ouvir música clássica, uma paixão que herdou do pai búlgaro. Suas férias no Brasil são passadas em uma base militar localizada em uma base naval, na Bahia, ou com a sua filha e neto, na cidade de Porto Alegre, em teto da própria família. Geralmente trabalha mais de 12 horas por dia e só viaja para o exterior para atender a agenda de convites oficiais, cimeiras e reuniões diplomáticas”.

Gastança da Hermana Cristina

Além de Dilma, o ABC meteu o pau na hermana bolivariana da argentina:
"A presidente da Argentina faz movimentos diários da residência oficial de Olivos para a Casa Rosada de helicóptero (...) As quatro aeronaves são o transporte oficial de Cristina Fernández de Kirchner viajar para El Calafate, província de Santa Cruz do sul”.

O jornal também detonou que os filhos dela, especialmente seu filho Max" também usa o que eles chamam de "transporte público especial" de Cristina Kirchner, que sempre foi marcada pela ostentação.
28 de março de 2013

quinta-feira, 28 de março de 2013

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