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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Ideologia: "Nunca subestimem a estupidez humana" Tente Caracas, senhor "Lost Garcia"


Na ilha de Lost

Tente Caracas, senhor "Lost Garcia"

O ideólogo petista, assessor de Lula e coordenador do programa da candidata Dilma Rousseff, tem medo de navios de guerra americanos e de TV a cabo, mas é fã de uma ilha tropical parada no tempo – que não é a do seriado
Jerônimo Teixeira
e Marcelo Marthe
Montagem com fotos de Andre Dusek/AE e Divulgação
HAJA GRAMSCI...
Na montagem, Marco Aurélio Garcia e o elenco do seriado Lost:
"Nunca subestimem a estupidez humana"

No seriado Lost, sobreviventes da queda de um avião descobrem-se em uma ilha esquisita, onde o próprio tempo parece ter parado. Assessor especial da Presidência e coordenador do programa de governo da ministra Dilma Rousseff, Marco Aurélio Garcia habita um mundo semelhante.

Seu relógio ideológico parou lá pelos anos 70, quando críticos culturais esquerdistas denunciavam a suposta pregação capitalista de programas de TV americanos como Vila Sésamo ou das páginas do Pato Donald.

Num discurso na sede do PT em Brasília, no sábado 6, Garcia acusou a ameaça aos interesses do Brasil representada pelos pouco mais de cinquenta canais por assinatura que exibem produções estrangeiras.

"Os canais de televisão a cabo realizam, de forma indolor, um processo de dominação muito eficiente.

Despejam esterco cultural", afirmou o ideólogo petista.

"Garcia precisa atualizar seu arsenal teórico. A última vez que eu ouvi essa bobagem falada a sério foi na década de 70", diz o sociólogo Demétrio Magnoli, que identifica duas matrizes para a paranoia do "imperialismo cultural".

A primeira viria do líder bolchevique Vladimir Lenin, que falava do imperialismo como um "estado avançado do capitalismo", no qual as disputas entre nações reproduziriam em escala internacional a luta de classes.

A contribuição mais recente viria do marxista francês Louis Althusser, influente nos anos 60 e 70, que caracterizava o estado e as instituições públicas e privadas de comunicação como um sistema coordenado de dominação cultural.

Suas teorias foram diluídas em um libelo que já foi popular em faculdades de comunicação: Para Ler o Pato Donald, lançado em 1971 pelo chileno Ariel Dorfman e pelo belga Armand Mattelart.

Agora as esquerdas seguem a cartilha de esterilização cultural proposta pelo italiano Antonio Gramsci, um revolucionário comunista que ordenou à militância que trocasse as armas pelo lento, silencioso e constante envenenamento do manancial de ideias livres da nação que se tenta subjugar.

A luta gramsciana não é travada contra as ideias passadas por produções culturais de gosto duvidoso ou de baixa qualidade.

Não.

A luta é contra ideias que fujam do controle do partido.

Isso explica a raiva de "Lost Garcia" contra a TV a cabo, pois nem nos Estados Unidos a televisão é um veículo de propaganda do capitalismo.

Criativa, plural, independente, a produção de televisão americana em seus melhores momentos faz a demolição constante e impiedosa de tudo o que "Lost Garcia" odeia, como bem sabe quem já assistiu a Os Sopranos ou Os Simpsons (que, apesar de seu claro alinhamento com a esquerda, já foi censurado na Venezuela de Hugo Chávez, patrono espiritual de Garcia).

Qualificá-la em bloco como "esterco cultural" revelaria preconceito e desinformação – mas é apenas cálculo político. Está-se diante da tentativa de abrir uma nova frente de combate no objetivo marxista permanente de dominação, controle e vigilância da mente dos brasileiros.

Essa ideia fixa petista vem sendo tentada de diversas maneiras há sete anos – sempre rechaçada pelas pessoas bem-intencionadas de todos os matizes ideológicos.

Agora se tenta via controle da TV a cabo.

Se não funcionar – e tudo indica que não vai funcionar –, um novo ataque virá com o objetivo de esterilizar outro quadrante da atividade pensante.

O certo é que virá.

Sem a supressão da capacidade de indignação, do poder de crítica e da liberdade de expressão, o projeto bolivariano chavista não tem como avançar.

Tente Caracas, senhor "Lost Garcia".

Na Veja

FHC: "nem paz, nem amor": Se o PT quiser ir para o pau, nós vamos para o pau"

A tempestade FHC
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso inaugura o estilo
"nem paz, nem amor": diz que topa "ir para o pau" com o PT, chama Dilma Rousseff de "autoritária" e impõe ao PSDB a defesa de seu legado na disputa presidencial deste ano

Fábio Portela
Valeria Gonçalvez/AE
"O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades.

Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos."

"A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...).

Por que seríamos o inimigo principal?

Porque podemos ganhar as eleições."

"Dilma não é líder.

É reflexo de um líder."

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República (PSDB)



Há quem o ame e quem o odeie. Mas uma coisa é indiscutível: no mundo da política, ninguém fica indiferente a ele. Quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fala, os outros escutam. Foi o que ocorreu na semana passada, quando FHC assinou em sua coluna quinzenal no jornal O Estado de S. Paulo um artigo intitulado "Sem medo do passado".

Com o texto, ele entrou de vez na campanha eleitoral – e, pelo visto, não sairá dela tão cedo. Em dois movimentos, fez o que a oposição foi incapaz de fazer nos últimos sete anos: enfrentou duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de "enunciar inverdades" e "distorcer" fatos para inflar as realizações do PT, e defendeu vigorosamente as conquistas econômicas e sociais do seu próprio governo (1995-2002), enfileirando estatísticas que revelam que o desempenho dos tucanos no poder foi muito mais positivo do que tenta fazer crer a propaganda oficial.

FHC entrou nessa briga depois de o Palácio do Planalto alardear que tentaria reduzir a eleição a um processo plebiscitário, orientado a partir da comparação do governo dele com o de Lula.

"O PT fica ameaçando o tempo todo comparar os governos, como se isso amedrontasse o PSDB. Isso é conversa. Com o artigo, mostrei ao nosso pessoal que é possível defender o que foi feito com toda a tranquilidade. Temos resultados para mostrar. Se o PT quiser ir para o pau, nós vamos para o pau", diz Fernando Henrique.
O discurso belicoso do ex-presidente elevou o moral da tropa.

Tucanos que andavam ressabiados diante do crescimento nas pesquisas da candidata do PT, Dilma Rousseff, voltaram a bater as asas, e FHC passou a semana recebendo telefonemas de congratulações.

"O presidente Fernando Henrique colocou em brios pessoas que ajudaram a transformar o país durante seu mandato. Parecia que a gente estava com vergonha de afirmar o legado do PSDB só porque o Lula está bem nas pesquisas. Isso não tem sentido",
diz Arthur Virgílio, líder tucano no Senado.

Até o governador de São Paulo, José Serra, candidato do partido à Presidência, enviou a FHC um e-mail dizendo que ele havia sido "muito feliz" nas suas considerações.

Fernando Henrique se animou.

Afinal de contas, nas duas últimas campanhas presidenciais, o PSDB parecia tentar esconder o governo dele – que, se cometeu alguns erros, colecionou acertos em número muito superior.
FHC, então, decidiu aumentar o bombardeio ao inimigo.
Em São Paulo, disse que a ministra Dilma não é boa candidata por não ser, sequer, uma líder.

Ao jornal americano Miami Herald, classificou-a de "autoritária" e "dogmática" e acres-centou que ela poderá se aproximar do venezuelano Hugo Chávez caso vença a eleição.

Os petistas estrilaram com a saraivada, mas sua candidata, desacostumada de sofrer ta-manho bombardeio, limitou-se a dizer que se orgulha do governo ao qual pertence e que seu líder é o presidente Lula.
Dida Sampaio/AE
"Nós temos orgulho do nosso governo e temos orgulho do líder que nos lidera neste governo, que é o presidente Lula."
Dilma Rousseff, pré-candidata a presidente (PT)

A nova fase "nem paz, nem amor" de FHC anima a militância, mas embute dois riscos para o PSDB.

O primeiro é que as críticas do ex-presidente acabem, involuntariamente, aumentando a estatura política de Dilma. Por esse raciocínio, FHC deveria se confrontar apenas com Lula, que ocupa o cargo que já foi dele um dia – e não com Dilma, figura comparativamente menor, que jamais recebeu um voto na vida.

O segundo risco é que, se o PSDB entrar na campanha determinado a comparar exaustivamente os resultados dos governos anteriores, estará desperdiçando um tempo precioso.
Mais importante do que falar sobre o passado, é discutir o futuro.
O Brasil precisa debater o que o próximo presidente da República vai fazer – e não comparar o trabalho dos que já passaram. Essa armadilha preocupa alguns tucanos, mas FHC é o primeiro a dizer que a defesa de seu governo não deve ser, nem de longe, prioridade de campanha:

"Entrei nessa discussão para dar um basta às ameaças do PT.

Não podemos ter receio de fazer comparações, mas é óbvio que a campanha do PSDB não é essa.
Seria um erro eleitoral ficar discutindo o passado.

Temos de olhar para a frente e discutir o que o Serra e Dilma podem oferecer ao país.

É aí que vamos ganhar a eleição".

 

OPOSIÇÃO NECESSÁRIA

OPOSIÇÃO NECESSÁRIA


Maria Lucia Victor Barbosa


Nos totalitarismos ou nas ditaduras, naturalmente oposições inexistem, pois são características dos regimes democráticos.

Segundo C. J. Friedrich e Z. Brzezinski (Totalitarian Dictatorship and Autocracy) o totalitarismo pode ser definido por seis critérios:

“ideologia imposta,

partido único,

terror exercido por política secreta,

monopólio das comunicações,

monopólio das armas,

centralização da economia”.

O totalitarismo se encarrega totalmente do indivíduo e abole as fronteiras entre o político e o social.

Ditadura é considerada geralmente como sinônimo de totalitarismo, pois significa o poder absoluto de um homem ou de um grupo que concentra em si todos os poderes.

Entretanto, em que pese a semelhança entre os dois sistemas, ditaduras têm caráter mais político, permitindo um determinado grau de liberdade social, como a religiosa, a artística, etc., desde que essa liberdade não afronte o poder do ditador.

Para explicar melhor, Hitler reinava sobre toda a sociedade, Getúlio Vargas sobre o Estado.

A tentação totalitária ou ditatorial sempre existe no exercício da autoridade e isso aparece na análise clássica dos autores liberais como Locke e Montesquieu, sendo que este escreveu no O Espírito das Leis:

“Qualquer homem que dispõe de poder é levado a abusar desse poder; irá até onde encontrar limites”.

Justamente nos regimes democráticos é que se encontram esses limites, na medida em que a democracia pressupõe, além da igualdade de oportunidades, a rotatividade de poder através de eleições livres;

o multipartidarismo;

as liberdades políticas e sociais;

a oposição dos grupos de interesse e de pressão;

a oposição partidária ao governo que pode compor-se de coalizões;

o componente normativo que chamamos de Constituição, lembrando que só através das leis é possível coibir excessos dos governantes e dos cidadãos.

Hoje vemos curiosos sistemas que simulam democracias pelo fato de neles haver eleições. É o caso da Venezuela, onde uma constituição feita por Hugo Chávez à sua imagem e semelhança o torna ditador de fato, apesar de ter sido eleito. Chávez pode-se dizer, instalou no seu país uma democradura.

Quanto a Mahmoud Amadinejad, tornou-se presidente do Irã através de eleições fraudadas e preside uma teocradura, na qual opositores são presos, torturados e mortos.
Este perigoso déspota tem contra si quase o mundo inteiro, menos alguns países, entre eles o Brasil que dá todo apoio ao plano do persa de obter a bomba atômica.

Só falta Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim dizerem que Ahmadinejad almeja destruir o planeta com fins pacíficos. De todo modo, regimes antidemocráticos acabam acumulando erros e falhas de gestão por não aceitarem ser esclarecidos pela crítica livre e criativa.

No Brasil se pode notar uma nítida tendência ditatorial ou autoritária do governo, bem expressa recentemente no Programa de Direitos Humanos elaborado por ministros de Lula da Silva, e que foi transformada em decreto devidamente assinado pelo presidente.

Entre outras coisas, esse esboço de Constituição de Dilma Rousseff, a candidata do Lula da Silva, atenta contra a liberdade de expressão e a propriedade privada.

A tendência ditatorial do governo petista vai se estendendo com facilidade sem oposições partidárias e institucionais. O mínimo esboço de oposição, como foi o caso do artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, publicado no O Estado de São Paulo (07/02/2010) causou comoção nas hostes do PT.

No entanto, diferente dos petistas, FHC critica com luvas de pelica, punhos de renda e maneiras diplomáticas, que diferem dos palavrões e ataques virulentos desferidos por Lula da Silva e seus companheiros.

O PT sabe fazer oposição stalinista, rancorosa, violenta e não admite ser contestado, enquanto os tucanos, mornos, apáticos, condescendentes foram apoio muito mais fiel a Lula da Silva do que o de seus próprios correligionários.

Entretanto, as estatísticas do IBGE já demonstram que a melhora dos índices sociais e econômicos brasileiros é fruto de um processo de anos, iniciado ainda no governo Itamar Franco com o advento do equilíbrio fiscal e inflacionário.

Tudo mudou depois dos ajustes do Plano Real.

Quanto ao esboço do Programa “Bolsa Família” deu-se em Campinas em gestão do PSDB e seu desenvolvimento foi capitaneado, tempos depois, pela primeira dama Ruth Cardoso.

O PT se apropriou dessa bandeira, inflando de forma brutal o “Bolsa Família”. O mesmo aconteceu em relação ao “Orçamento Participativo”, iniciado em Belo Horizonte pelo governo Pimenta da Veiga, na década de 80, o qual o PT também apresenta como realização sua.

Fizeram o mesmo com o equilíbrio fiscal e com o controle monetário, chegando a cooptar o deputado do PSDB, Henrique Meirelles, que figura como o maior sustentáculo da política do governo Lula da Silva, no Banco Central.

Entretanto, durante todo o governo de FHC o PT foi oposição implacável contra todas as políticas que depois imitou e chamou de herança maldita. Mas o PSDB calado e tímido sustentou Lula da Silva não deixando que sofresse o impeachment quando do escândalo do “mensalão”.

Tucanos, com honrosas exceções, foram omissos como oposição.

E não contamos com nenhuma liderança, nenhum partido, nenhuma instituição, nenhum dos Poderes para se opor às deturpações, à corrupção, ao culto da personalidade de caráter autoritário do governo Lula da Silva. Estamos necessitando urgentemente de oposição, sem ela periga nossa frágil democracia.


Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

É bom querer punir os maus. Mas é melhor ainda que isso seja feito segundo o devido processo legal.


Vamos lá, leitor!

O objetivo declarado deste post é um só: não ficar alimentando aquela conversa demagógica de que os bons mandam prender, e os maus mandam soltar. Isso é demagógico porque, no geral, quem entra nessa acha justa a prisão de adversários e injusta a de aliados.

O que eu, Reinaldo, penso a respeito, como questão de gosto e torcida, já está mais do que claro. Por mim, Arruda passaria o resto da vida jogando dominó com José Dirceu na Papuda.

Por que essa introdução?

Porque vêm duas coisas pela frente que vão mobilizar as pessoas e submeterão dois ministros do Supremo — ou os 11 — a uma severa patrulha.

Patrulha, nesse caso, salutar.

É bom querer punir os maus.

Mas é melhor ainda que isso seja feito segundo o devido processo legal.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, entrou com um pedido de intervenção federal no Distrito Federal. Gilmar Mendes, presidente do STF, vai definir, depois do Carnaval, se arquiva o pedido ou o submete ao plenário.

Se aprovado, cabe a Lula decidir o interventor.

Aceitar a intervenção significaria acatar o argumento de Gurgel: Executivo e Legislativo estariam irremediável e totalmente corrompidos, e não existiria solução local. Isso sem que se concluísse o devido processo legal.

Acho difícil que o tribunal escolha esse caminho. Faço tal observação porque, em momentos assim, o clamor público costuma ganhar do muito pouco estimado “devido processo legal” — sem o qual não se tem estado de direito.

Mendes pode arcar sozinho com o arquivamento ou pode dividir a decisão com seus pares.

Vamos ver.

Habeas corpus
Também o ministro Marco Aurélio de Mello está com uma batata quente na mão. Os indícios de que Arruda tentou criar obstáculos à investigação são bastante fortes, mas qualquer criminalista — a começar da estrela máxima da área no Brasil, Márcio Thomaz Bastos — diria que não se trata de uma prisão incontroversa.

O site Consultor Jurídico reproduz parte dessa controvérsia, levantada por Nilson Naves, decano da casa e ministro muito respeitado no meio jurídico — o que também é o caso de Fernando Gonçalves, diga-se, que relatou o caso, acatando a petição de prisão.

Vamos a um trecho do Consulto (em azul):

A questão levantada pelo ministro Nilson Naves gerou bastante polêmica. Naves argumentou que, não sendo o STJ competente para iniciar a ação penal contra o governador, não pode, portanto, determinar prisão preventiva, pois o inquérito presidido nesse Tribunal já foi concluído. Foi acompanhado pelo ministro Teori Zavascki, que alegou pouco tempo para refletir sobre o assunto, mas que não entendia qual a necessidade de um governador ser preso nessa fase do processo.

Zavascki abriu uma pequena lista de ministros que seguiu a questão levantada pelo decano do STJ, enumerando vários habeas corpus julgados no Supremo Tribunal Federal, onde ficou decidido que é indispensável ouvir o Legislativo local para processar o governador. “Vamos ter de enfrentar a questão de constitucionalidade”, argumentou Teori Zavascki. Os ministros João Otávio de Noronha e Castro Meira também votaram pela incompetência do STJ de determinar a prisão do governador nessa situação.

A luz da discussão veio com questão levantada pela ministra Eliana Calmon. Ela buscou no site do STF e encontrou o HC 89.417, relatado pela ministra Cármen Lúcia, que relativizou a necessidade de se ouvir o Legislativo local para decretar prisão de governador. Eliana Calmon convenceu pelo menos dois dos que estavam contrários à prisão de Arruda. João Otávio Noronha e Castro Meira se renderam aos fatos relatados pelo ministro Fernando Gonçalves, e, embora vencidos na preliminar, acompanharam a decisão de decretar a prisão de José Roberto Arruda. Teori Zavascki votou a favor somente da prisão preventiva dos secretários do governador relacionados pelo Ministério Público.

O ministro Nilson Naves não se convenceu. “Não consigo me livrar da questão constitucional, não vejo necessidade de se impor prisão de governador”, afirmou o decano do STJ. Para ele, não seria possível decretar a prisão nem dos secretários. “A regra para mim é a liberdade, a exceção é a prisão, pois presume-se que a pessoa é inocente até a sentença condenatória”, afirmou o ministro Naves.

Nilson Naves entende que a denúncia de que o governador estaria coagindo testemunhas e impedindo o andamento do processo não é suficiente. Para ele, o Ministério Público “tem meios para evitar que isso continue acontecendo”. O ministro Luiz Fux argumento que “a prisão preventiva não pressupõe o recebimento da denúncia ou o recebimento da ação penal, mas pressupõe exatamente coligir os elementos para a propositura da ação penal”. Já a ministra Eliana Calmon foi mais incisiva e considerou que a prisão preventiva ocorre quando há flagrante. “É um caso de formação de quadrilha, em que o flagrante é permanente”, afirmou.

Para decidir pela prisão preventiva de José Roberto Arruda, vários ministros alegaram que não decretar seria “uma homenagem à impunidade”.

Encerrando
 
Já disse qual é o meu gosto; já disse qual é a minha torcida; está claro que prefiro Arruda preso. Mas peço que vocês não caiam na conversa fácil de que, se Marco Aurélio decidir em favor do habeas corpus, estará cometendo ou uma aberração jurídica ou uma impropriedade.

Não estará.

Estará, isto sim, amplamente amparado na lei.

Quanto ao argumento de que se deve prender para não se fazer uma “homenagem à impunidade”, bem, eis algo para ser pensado com cuidado.

Prisões, julgamentos etc não são atos exemplares disso ou daquilo.

São decisões instruídas PELA LEI.


Isso vale para Arruda e para Dirceu, por exemplo.

Submetidos ao mesmo rigor e mesma proteção, quem sabe chegue o dia em que joguem dominó juntos…


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Presidente Lula define prêmio para jogadores que venceram Copas do Mundo; valor pode chegar a 465 mil reais.


O presidente Lula e a Associação dos Campeões Mundiais do Brasil negociam aposentadoria e indenização para os atletas da seleção que ganharam Copas do Mundo.

O benefício valerá inicialmente aos ex-jogadores de 1958 e se estenderá, posteriormente, a quem atuou nos Mundiais de 1962, 1970, 1994 e 2002.

Reunião na Casa Civil discutiu as cifras a serem pagas aos campeões. Inicialmente, o valor negociado para cada um gira em torno de mil salários mínimos, no caso da indenização (465 mil reais), e de dez salários mínimos (4.650 reais), o teto da

Previdência, para a aposentadoria.

A expectativa é que o anúncio da nova medida seja feito pelo governo na próxima semana.


O texto abaixo foi escrito por TOSTÃO, ex-jogador de futebol, comentarista esportivo, escritor e médico, e foi publicado em vários jornais do Brasil:
Tostão escreveu:-

Na semana passada, ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o governo federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas.

Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia.

O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época..

O que precisa ser feito pelo governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias.

É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades.

A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda.

Alguns vão lembrar e criticar que recebi, junto com os campeões de 1970, um carro Fusca da prefeitura de São Paulo . Na época, o prefeito era Paulo Maluf. Se tivesse a consciência que tenho hoje, não aceitaria.

Tinha 23 anos, estava eufórico e achava que era uma grande homenagem.

Ainda bem que a justiça obrigou o prefeito a devolver aos cofres públicos, com o próprio dinheiro, o valor para a compra dos carros.

Não foi o único erro que cometi na vida. Sou apenas um cidadão que tenta ser justo e correto. É minha obrigação.
Tostão

Ai minha hipertensão !!!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ARRUDA E A RODA DA FORTUNA

Por Nivaldo Cordeiro:
um espectador engajado

Está consumado.

A imprensa dá conta de que o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, teve hoje a prisão preventiva decretada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, por grande maioria dos votos dos magistrados (14x2).

O passo seguinte é sua saída da condição de governador.

Os fatos levam à conclusão de que sua carreira política está encerrada e que ele dificilmente escapará de algum tipo de ação penal, com possível condenação.

Um fato a comemorar?

Não. Um drama humano a lamentar.

Para além da questão pessoal, todavia, estão os impactos políticos. Se estivéssemos diante de uma simples intervenção judicial corretora de malfeito, tudo bem, porém nem o mais distraído dos analistas pode acreditar nessa versão.

Não duvido que os juízes agiram corretamente, tanto do ponto de vista ético quanto do ponto de vista jurídico. Também não duvido de que o governador José Roberto Arruda cometeu todos os deslizes de que está sendo acusado, fazendo por merecer o ocaso desabonador da vida pública.

A questão substantiva é bem outra.
Bem sabemos que, sob a direção do PT, as forças federais foram postas a serviços do mesquinho serviço da perseguição política.

As modernas técnicas de escuta, filmagem e afins tornaram qualquer ato de intimidade devassável aos elementos policiais.

Bem sabemos também da facilidade com que juízes militantes estão autorizando a invasão de privacidade.

O fato é que as práticas de José Roberto Arruda não diferem muito das em uso de uma grande maioria de políticos, inclusive da situação.

Assim, não foi o mero delito que pôs o governador atrás das grades.

Nem a parafernália tecnológica.

Nem a ação traidora de seu secretário Durval Barbosa.

Foi a campana insidiosa da vontade política do partido governante na esfera federal, que está preferindo, quando possível, liquidar a questão eleitoral antes dos eleitores irem às urnas.

Claro que a hybris do governador ajudou.

Achou-se acima do bem e do mal.

Mas temos que ter em contas que aqueles que apontam o dedo são ainda piores do que o governador aprisionado.

Vimos o caso da governadora Yeda Crusius, que quase perdeu o cargo sob falsas acusações e teve um auxiliar, Marcelo Cavalcante, morto em condições suspeitíssimas. O episódio quase que inviabilizou o nome da governadora para reeleição. Nada ao acaso, como se vê.

É muito sério e muito grave o que se passa.

O farisaísmo de Lula e dos seus ministros no episódio é mais do que evidente.

O cinismo correu solto.

Eu não lamento nada pelo destino merecido de Arruda, mas eu manifesto o meu temor de que, de fato, estejamos vivendo o embrião de um Estado policial, de quem toda gente pode ser vítima, por mais poderoso que seja.

Somente o partido governante situa-se acima da polícia e da lei, delas fazendo uso para atingir seus objetivos políticos.

A saída desonrosa de Arruda do cenário político praticamente favoreceu uma chapa governista para a instância local, afetando o pleito presidencial.

Da mesma forma, a decisão “queimou” a marca do DEM, inviabilizando qualquer nome dos seus quadros para a disputa majoritária, ainda que como vice-presidente.

E prejudicou diretamente o candidato José Serra, que terá a sua campanha fragilizada. Afinal, Arruda seria um aliado seu de primeira hora.

A jogada de quem destruiu José Roberto Arruda foi completa.

Atingiu o alvo em cheio.

Meu caro leitor, eu confesso-lhe que acontecimentos como esse aumentam meu medo, em muito.

O risco totalitário está nos rondando.

O episódio Arruda foi apenas um elo de uma longa cadeia no rumo do Estado Total.
11 de fevereiro de 2010

Chávez saúda Ahmadinejad no aniversário da Revolucão Islâmica

(AFP)

CARACAS — O presidente venezuelano Hugo Chávez saudou nesta quinta-feira o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad pelo 31º aniversário da República Islâmica e defendeu o "desenvolvimento energético" impulsionado pelo governo de Teerã.

"Daqui enviamos um cumprimento solidário ao presidente Mahmud Ahmadinejad e ao povo iraniano, à Revolução Islâmica", disse Chávez durante um programa de seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), transmitido pela rede de televisão oficial VTV.

O presidente disse que enviou uma "carta de felicitações" a Ahmadinejad e compartilhou com seus simpatizantes as primeiras linhas da mensagem.

"Receba um fraternal cumprimento bolivariano com o querido povo do Irã em nossos corações. Em nome do povo da Venezuela quero estender uma afetuosa saudação pelas comemorações do 31º aniversário da Revolução Islâmica", leu Chávez.  Leia mais.

Bill Clinton foi internado nesta quinta-feira em Nova York

O ex-presidente Bill Clinton foi internado nesta quinta-feira em Nova York, informou hoje a rede de TV ABC News.

Segundo duas fontes ouvidas pela rede de TV CNN, Clinton, de 63 anos, foi levado ao hospital após sentir dores no peito.

A Casa Branca já foi avisada sobre a situação, informa a CNN.
AP
Clinton abraça criança em evento

"Hoje o ex-presidente Bill Clinton foi admitido no Hospital Presbiteriano de Columbia Campus de Nova York após sentir desconforto no peito", disse Douglas Band, conselheiro de Clinton em uma nota.

"Depois de uma visita a seu cardiologista, ele foi submetido a um procedimento para colocar dois stents em uma de suas artérias coronárias. Clinton está com boa disposição", afirma a nota.

Em 2004, Clinton implantou quatro pontes de safena durante uma cirurgia no Hospital Presbiteriano de Nova York. Sobre essa operação, a nota divulgada por seu conselheiro diz que o procedimento foi bem-sucedido. Em 2005, médicos tiveram de remover tecido e fluidos que se formaram na região após a cirurgia.

Em semanas recentes, Clinton vinha vistoriando a missão de assistência das Nações Unidas no Haiti, país que foi atingido por um terremoto há quase um mês. "Clinton continuará com o trabalho de sua fundação e com os esforços de recuperação do Haiti", diz a nota.

Leia mais sobre Bill Clinton

Dilma é 'autoritária' e 'dogmática'

Em jornal americano, FHC diz que Dilma
é 'autoritária' e 'dogmática'

"O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante cerimônia no Congresso Nacional em comemoração aos 15 anos do Plano Real
(Foto: Antonio Cruz/ABr/ 7 de julho de 2009) "

Um artigo do colunista Andres Oppenheimer publicado nesta quinta-feira no jornal americano The Miami Herald traz uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso, na qual o ex-presidente classifica a possível candidata do PT nas eleições presidenciais deste ano, Dilma Rousseff, como uma pessoa "autoritária", "dogmática" e mais próxima da esquerda do que o presidente Lula.

Na entrevista, que segundo Oppenheimer foi concedida a ele nesta semana, FHC afirma que é possível que Dilma suba nas pesquisas de opinião, já que o "presidente Lula acelerou o início de sua campanha, e a oposição ainda não escolheu oficialmente seu candidato".

O ex-presidente, no entanto, afirma que, apesar deste eventual crescimento, no entanto, "as coisas irão mudar" quando os eleitores forem às urnas, devido à falta de experiência da ministra em cargos eletivos.

Comparando as personalidades de Lula e de Dilma, FHC afirma que a ministra é uma pessoa "dura, autoritária", enquanto Lula seria "um negociador habilidoso, com a habilidade de mudar de opinião".

"Não acho que Dilma seria assim (como Lula), porque ela é mais - talvez isso seja um pouco duro - dogmática. Ela tem uma visão ultrapassada, a favor de uma maior interferência do Estado (na economia)", disse FHC, segundo o jornal.

Na entrevista, o ex-presidente diz que "o coração de Dilma é mais próximo à esquerda" e afirma que ela "provavelmente" poderia se aproximar do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mas que a existência de "instituições fortes" no Brasil serviria de "contrapeso".

Ave, Ministros membros do STJ!

Prisão de Arruda é 'luz no fim do túnel'

Oooops!

Faltam os mensaleiros!

MUITO BOMMMM !!!!

ALELULIAAAA !!!!

APROVEITEM O CAMBURÃO E PASSEM NA CASA DO ZÉ REPILO !!!!

  [Caio] [São Paulo (SP)]

Arruda: retrato em branco e preto

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Dilma e os dados


Dilma Rousseff voltou a defender a comparação entre os governos de Lula e de Fernando Henrique.

Disse que é importante para a escolha do caminho a seguir.

E que está muito à vontade para comparar, porque “estamos vendo os dados”.

Seria importante a candidata de Lula esclarecer a quais dados está se referindo. Como se sabe, essa questão de dados é sensível para ela.

Em seu currículo acadêmico, por exemplo, surgiu um título biônico de doutora. Um dado preocupante.



Outro dado que deve preocupá-la é o das privatizações. O governo de FHC liquidou o Estado brasileiro, diz o refrão petista. O governo Lula, porém, mesmo criando uma série de novos cabides na máquina, não reestatizou nada.

Agora quer privatizar os aeroportos. Mas vai esperar a eleição passar.

Por que será?

Se privatizasse logo, a brincadeira perderia toda a graça. Não faria tanto efeito atirar pedras no bicho-papão do neoliberalismo. O povo, esse ente distraído, ia ficar confuso.

Os dados dizem que a classe C cresceu, e a pobreza diminuiu. Quanto disso se deve à privatização da telefonia, que democratizou o celular e a internet? Dilma Rousseff não deve ter tido tempo de fazer essa conta.

A agenda da ministra-candidata é apertada. Muito comício, muito dossiê, muita história para contar. E ainda tem a agenda secreta, reservada a encontros sombrios com figuras como Anthony Garotinho e José Dirceu – o homem proscrito, banido, sem mandato, sem cargo, sem lenço e sem documento que, misteriosamente, continua mandando no PT e em Dilma.

Fernando Henrique escreveu um artigo pedindo um mínimo de honestidade na comparação entre seu governo e o do sucessor. Deve se incomodar um pouco ao ver Lula se gabar para os americanos do Proer (o plano de FH de socorro aos bancos, que o PT chamou de tramóia financista).

Se a roda da história continuar nesse ritmo, logo o filho do Brasil vira pai do Plano Real.

O que o ex-presidente parece desejar não é muito: que os aprendizes de Stalin peguem leve no copidesque da história. Já viu que Dilma é capaz até de apagar as árvores de Natal da Lagoa e do Ibirapuera em 2002. Se ninguém checar, eles vão retocando tudo.

E ainda há os relatórios acadêmicos diligentes, como esse último da FGV sobre ascensão da classe média baixa, curiosamente partindo sempre do ano de 2003 – a nova data do descobrimento do Brasil.

“Estamos vendo os dados”, disse Dilma Rousseff.

Talvez seja o caso de alertá-la como se faz com criança em museu: olha, mas não mexe.

Neoliberalismo


Podemos definir o neoliberalismo como um conjunto de idéias políticas e econômicas capitalistas que defende a não participação do estado na economia.

De acordo com esta doutrina, deve haver total liberdade de comércio (livre mercado), pois este princípio garante o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país.

Características do Neoliberalismo
(princípios básicos):

- mínima participação estatal nos rumos da economia de um país;
- pouca intervenção do governo no mercado de trabalho;
- política de privatização de empresas estatais;
- livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização;
- abertura da economia para a entrada de multinacionais;
- adoção de medidas contra o protecionismo econômico;
- desburocratização do estado: leis e regras econômicas mais simplificadas para facilitar o funcionamento das atividades econômicas;
- diminuição do tamanho do estado, tornando-o mais eficiente;
- posição contrária aos impostos e tributos excessivos;
- aumento da produção, como objetivo básico para atingir o desenvolvimento econômico;
- contra o controle de preços dos produtos e serviços por parte do estado, ou seja, a lei da oferta e demanda é suficiente para regular os preços;
- a base da economia deve ser formada por empresas privadas;
- defesa dos princípios econômicos do capitalismoAqui.

Só no Brasil

“Então a campanha vai ser com FHC?

Mas os tucanos, governadores-candidatos, Aécio Neves e José Serra, não teriam como explicar?

O ex-presidente se sente na obrigação de defender seu governo”.

José Dirceu, ainda em liberdade, com tempo de sobra para a campanha por ter conseguido ser expulso do Congresso, aconselhando meio mundo a defender-se para não ficar pensando, pelo menos durante o Carnaval, na defesa que terá de apresentar ao STF para escapar do constrangimento de presidir na cadeia a próxima reunião do bando dos 40.
9 de fevereiro de 2010

O POVO!


Trechos da coluna de domingo de Mariano Grondona no La Nacion (07).
Ex-Blog do Cesar Maia
1. Juan Domingo Perón costumava dizer que "o melhor que temos é o povo".

A palavra povo nasceu nos tempos da República Romana, quando foi instalado como um dos componentes essenciais da sigla SPQR, que significava Senatus Populus Que Romanus: "O Senado e o Povo Romano".

Esta famosa sigla figurou no cabeçalho de todos os documentos oficiais durante os cinco séculos que durou a República, entre 509 e 27 AC, até o advento do Império Romano, que, apesar de conservá-lo formalmente, acabou com seu antigo significado republicano, desvirtuando-o em direção ao autoritarismo.

2. Mas mesmo nos tempos mais gloriosos da República, a palavra populus, "povo", podia significar duas coisas: ou "todo" o povo, todos os cidadãos sem exceção; ou a parte mais humilde do povo, seu segmento maior e “popular”.

Perón, ao referir-se ao "povo", referia-se aos pobres, aos seus "descamisados", por oposição à "oligarquia" que ele enfrentava.

3. Da mesma forma, a alusão ao Senado romano vem em duas versões: em um caso quando se refere às instituições que controlavam a República, entre elas destacando-se o Senado; e no outro, quando apontava para a classe patrícia, que dominava o Senado em oposição à classe plebeia, "popular" que a questionava. Enquanto patrícios e plebeus marcharam em harmonia, a República Romana conheceu seu apogeu.

4. Quando, porém, os patrícios e os plebeus se enfrentaram, o que se seguiu foi a luta fratricida, a guerra civil, e com ela o surgimento dos senhores da guerra que a resolveriam mediante o Império, ainda que, isso sim, à custa da liberdade. Não podemos esquecer que "imperador" significava "general".

Estas antigas distinções, só têm um valor histórico por estarem no passado, ou, pelo contrário, traduzidas para nosso tempo lançam uma abundante luz sobre a crise que hoje atravessa a República Argentina?

(Ex-Blog: E por que não dizer: boa parte da América Latina)