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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Análise: Verborragia de Ciro é prato cheio para a internet


Pré-candidato chamou o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM) de 'capitão do mato'


Por Flávio Freire
O Globo
Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência da República, no Unica Fórum 2018
Edilson Dantas - 18/06/2018 / Agência O Globo

SÃO PAULO – A despeito dos argumentos usados ao fim de cada polêmica em que se envolve, o pré-candidato à Presidência Ciro Gomes terá de se desdobrar para evitar que o palavrório adotado em época de eleição não prejudique sua campanha. As redes sociais criaram uma corda capaz de puxar para cima ou para baixo a popularidade de um candidato. Num país em que o chamado discurso radical recebe aplausos e críticas, não é possível dimensionar o quanto a verborragia de Ciro Gomes vai ou não lhe render frutos.

Hoje, em entrevista a uma rádio, Ciro chamou o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM) de "capitão do mato". O presidenciável foi bombardeado, mas uma lida minuciosa nos comentários digitais revela também eleitores representados por suas palavras. Se assim é no espaço virtual, que dirá no espinhoso mundo político, onde Ciro mostrou interesse em buscar apoio do DEM apenas depois de formar uma hegemonia moral com o PSB e PCdoB, outro assunto efervescente na internet.

A dificuldade de qualquer observador político em entender o que pensa o eleitor brasileiro encontra fundamentos na performance de um outro presidenciável, Jair Bolsonaro (PSL). Ele já humilhou mulheres, faz uma cruzada contra gays e declarou em alto e bom som se tratar de uma pessoa preconceituosa. Resultado: aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás apenas de Luiz Inácio Lula da Silva, preso por corrupção. Isso numa época em que as questões de gênero ganham evidência mundo afora.

A falta de controle verbal, não é de hoje, tem ajustado ainda mais a saia do candidato forjado politicamente no Ceará. Lá atrás, em 2002, Ciro disse que o papel de sua então esposa na campanha presidencial, a atriz Patricia Pillar, era dormir com ele. Também naquele ano, numa entrevista ao vivo para uma rádio, chamou o eleitor de burro, declaração que ele mesmo disse ter se arrependido dias depois.

Por mais que as declarações de Ciro ganhem repercussão que fazem transbordar o ódio e a euforia na internet, tal qual as de Bolsonaro, diga-se, a história política de ambos os colocam em campos opostos. Resta saber o quanto o mundo sem lei da internet vai conseguir separar o que tem de exagero e o que tem de orgânico nos discursos dos candidatos, principalmente os de improviso.
18/06/2018

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