Por Reinaldo Azevedo
“Sininho”, como vocês sabem, é o apelido, assim, chuca-chuca, “tinker bell”, de uma mulher de 28 anos chamadas Elisa de Quadros Pinto Sanzi (acima, em foto de Gabriel de Paiva, da Agência Globo). É aquela jovem sem ocupação conhecida — parece não precisar de emprego… — que se oferece, assim, para ser uma espécie de porta-voz, melhor amiga e relações-púbicas dos black blocs. A nossa imprensa a chama de “ativista” — o contrário, creio, deve ser “passivista”. Os pobres do Rio não simpatizam com ela, mas ela quer falar em nome deles. Ontem, tentou pegar um ônibus, mas os passageiros não permitiram a entrada da “patricinha hipócrita” (leia post na home), embora ela ostentasse a palavra “favela” na camiseta.
Leio o seguinte trecho em de Sérgio Ramalho e Rubem Berta, no Globo Online:
(…)
Sininho acumula fichas na polícia desde o início das manifestações, em junho do ano passado. A última delas aconteceu em 19 de janeiro, quando foi levada à 5ª DP (Mem de Sá) sob acusação de ter chamado de “macaco” um policial militar durante discussão na Lapa. Antes desse episódio, onde acabou indiciada por desacato e foi liberada, Sininho já havia sido presa outras duas vezes por formação de quadrilha.
A ativista é natural de Porto Alegre e afirmou, ao ser presa em 2013, que não trabalhava. Mesmo assim tem dois endereços no Rio: um em Copacabana e outro no Rio Comprido. A Polícia Civil também descobriu que a ativista possui duas carteiras de identidade, com números diferentes.
O cinegrafista Santiago Andrade, de 49 anos, teve morte cerebral anunciada nesta segunda-feira. Ele foi atingido na última quinta-feira por um rojão lançado por manifestantes durante um protesto no Centro. Foi o primeiro caso de morte entre jornalistas atacados durante os protestos que, desde junho de 2013, acontecem no Rio e em outras cidades do país.
Encerro
Deixo um conselho a Sininho: pare de cutucar o povo com a sua varinha curta.12/02/2014
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
A fadinha dos black blocs – “Sininho”, 28, não trabalha, tem dois endereços no Rio — um em Copacabana —, dois RGs, já chamou policial de “macaco” e foi presa duas vezes, acusada de formação de quadrilha
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
As cadeias brasileiras são pocilgas asquerosas que matam, mas o risco de morrer fora delas é ainda maior
Por Reinaldo Azevedo
É, meus queridos. Antigamente, aconteciam coisas estarrecedoras no Brasil. Depois, a situação piorou um pouco. A manchete da Folha de hoje revela, sem dúvida, uma realidade vergonhosa: “Cadeias no Brasil têm um preso morto a cada dois dias”. Em 2013, foram 218 ocorrências. É claro que é um absurdo e que algo precisa ser feito. Mas e se eu provar pra vocês que, em boa parte dos estados brasileiros, é mais perigoso viver fora da cadeia do que dentro?
Então vamos fazer as contas. Há, arredondando os números, 550 mil presos no Brasil. Se 218 foram assassinados no ano passado, isso corresponde a 39,63 assassinatos por 100 mil “habitantes dos presídios”. É claro que se trata de uma taxa escandalosa — sempre notando que as mortes são desigualmente distribuídas. No ano passado, só o Complexo de Pedrinhas, no Maranhão, respondeu por 28% do total.
Atenção, leitores! Abaixo, segue uma lista de estados brasileiros que têm uma taxa de homicídios superior ou igual, com variante depois da vírgula, à dos presídios brasileiros. O número que aparece entre parênteses é o de mortos por 100 mil habitantes. Todos os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e dizem respeito a 2012:
- Alagoas (61,8)
- Bahia (40,7)
- Ceará (42,5)
- Pará (44,6)
- Paraíba (39,3)
- Sergipe (40)
E a realidade pode ser, acreditem, bem pior. Por quê? A população carcerária tem necessariamente mais de 18 anos — vale para quem mata e para quem morre. Se, cá fora, formos verificar a taxa de homicídios excluindo-se as pessoas abaixo dessa faixa etária, a base ficaria reduzida a mais ou menos 65%. Logo, a taxa de homicídios por 100 mil cresceria bastante.
Inclusive a brasileira. Segundo o anuário, em 2012, a taxa de homicídios no Brasil foi de 25,8 por 100 mil — tendo por base uma população estimada em 194 milhões. Se formos excluir a população abaixo de 18 anos, esses 194 milhões ficariam reduzidos a pouco mais de 126 milhões. Aí, meus caros, a taxa brasileira subiria de 25,8 por 100 mil para 39,7 — ligeiramente superior à dos presídios.
Mas esperem! Praticamente 100% dos mortos nos presídios são homens. Se formos excluir as mulheres da base de dados da população brasileira, aí a coisa assume proporção escandalosa. Fantasio? Não mesmo! Consultem o anuário. A taxa de homicídios por 100 mil de jovens na faixa entre 15 e 19 anos é de 45,7; entre 20 a 24, de 63,7; entre 25 a 29, de 54; entre 30 a 34, de 43,7 — todas elas superiores à taxa nos presídios. Reitero: a esmagadora maioria dos mortos é formada por homens, e a conta dos 100 mil habitantes inclui também as mulheres, o que acaba mascarando os números.
Assim, ainda que os presídios brasileiros sejam verdadeiras pocilgas; ainda que a vida por lá seja um inferno; ainda que se assista permanentemente a um show de horrores, a verdade é que os fatos, à luz da matemática, estão a nos dizer que, em muitos lugares do Brasil, é mais perigoso estar fora da cadeia do que dentro.
Nem poderia ser diferente. Em 2012, houve no Brasil 50.108 homicídios. É claro que a desgraça dos presídios deve nos constranger a todos; é claro que devemos cobrar uma resposta das autoridades. Mas é preciso deixar claro que, em certas faixas etárias, especialmente na população masculina, há um inferno ainda mais rigoroso fora das cadeias.
A campanha eleitoral está chegando. Quem vai se interessar pelo assunto? Daqui a pouco, começa aquele espetáculo virtual de amanhãs sorridentes na propaganda política.
A cada dois dias, morre assassinado um preso no Brasil. A cada dia, morrem assassinados 137 brasileiros fora das cadeias. E o que se ouve é apenas o silêncio cúmplice. O tema nem sequer está na agenda dos políticos.09/01/2014
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Cardozo e seu governo, por atos e omissões, ajudaram a promover a violência que agora tentam combater. Ou: um texto com fatos e fotos
Por Reinaldo Azevedo
José Eduardo Cardozo agora acha necessário organizar uma ação contra os black blocs?
Pois é…
Que coisa, não?
A primeira manifestação promovida pelo Movimento Passe Livre, em São Paulo, ocorreu no dia 6 de junho. Não houve a chamada “violência policial”.
Só os manifestantes botaram para, literalmente, quebrar e queimar. No dia 7, informava a Folha:
““Em protesto contra a elevação da tarifa de ônibus, metrô e trens em São Paulo, manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar, interditaram vias e provocaram cenas de vandalismo ontem à noite na região central. O ato levou à interdição de vias como 23 de Maio, Nove de Julho e Paulista na hora de pico. Estações de metrô foram depredadas e fecharam. No centro e na Paulista, quebraram placas, picharam muros e ônibus, atearam fogo, provocaram danos a um shopping e ao Masp. Os manifestantes são ligados ao Movimento Passe Livre, liderado por estudantes e alas radicais de partidos.”
O Passe Livre não deu trégua. No dia 7, promoveu outro quebra-quebra, também notavelmente violento. Mais uma vez, a Polícia Militar evitou o confronto. Novas depredações, incêndios, quebra-quebras, aí com o fechamento das marginais, causando um colapso na cidade. Os mascarados já estavam lá, atuando junto com o Passe Livre. Os jornais do dia 8 de junho traziam o devido registro.
Estava na cara que havia algo estranho no ar. Muito bem! No dia 9 de junho, o Estadão de domingo chega às bancas com uma estranha entrevista de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, tornada manchete. O alvo principal: o governador Geraldo Alckmin, em particular a política de segurança pública. Era um domingo.
Na terça-feira, dia 11 de junho, o Passe Livre e os black blocs voltaram às ruas. A violência chegava ao paroxismo. Coquetéis Molotov foram lançados contra a polícia. Um policial foi linchado. Assim evidenciavam os jornais no dia 12.
Estão acompanhando?
Até aqui, três de seis dias dedicados à depredação e à violência, com a Polícia Militar fazendo um trabalho praticamente de contenção. Entre esses dias, uma entrevista do ministro da Justiça atacando o governador. Observem que estou documentando tudo.
Aí veio a tragédia do dia 13. O Passe Livre voltou às ruas ainda mais disposto ao confronto e à pauleira. Aqui e ali já se colhiam na imprensa sinais de simpatia pelos vândalos. Mas como endossar as práticas terroristas? Era preciso que um valor mais alto se alevantasse. Jornalistas, no geral, têm mais ódio da polícia do que de bandidos com uma “boa causa”. Sei que frases como essa não me rendem uma boa fama. Escrevo o que quero. Não devo satisfações a aiatolás do pensamento. Pois bem: nesse dia, a tropa de choque combinou com “os meninos” (como diria um repórter de TV…) que eles não romperiam o cordão de policiais rumo à Avenida Paulista. Não adiantou. Eles romperam. E o pau comeu. A Polícia Militar reagiu com bombas de gás e de efeito moral e balas de borracha. Jornalistas foram alvejados. Aí a coisa toda mudou de figura, como se via no dia 14.
Uma imprensa que já estava doida para aderir encontrou ali o pretexto de que precisava. E que se note: não estou endossando a ação da PM naquele dia. Foi exagerada, atabalhoada, desorganizada. Mas não muda a moral da história.
A PM passava a ser a vilã. E os protagonistas da truculência dos dias 6, 7 e 11 eram tratados como heróis que estivessem lutando contra um estado autoritário. As TVs, em especial, passaram a dar aos trogloditas a grandeza de resistência civil. A GloboNews, por exemplo, entrou em rimo de AL Jazeera cobrindo a Primavera Árabe. A diferença nada ligeira é que o Brasil é um estado democrático.
CARDOZO DE NOVO!
Naquele mesmo dia 13, com a cidade tomada pelo caos — eu voltava de uma palestra no Rio e fiquei quase cinco horas preso no Aeroporto de Congonhas porque meu bairro estava sitiado por vândalos —, Cardozo concedeu uma entrevista aos portais oferecendo “ajuda” ao governador Geraldo Alckmin. Não telefonou, não conversou, não procurou nem foi procurado. Falava pela imprensa. Tirava uma casquinha. Fazia de conta que o problema era de São Paulo.
No dia 17, marca-se outra manifestação em São Paulo. A Polícia aceita as condições dos trogloditas que haviam vandalizado a cidade no dias 6, 7, 11 e 13: nada de tropa de choque, nada de bala de borracha, nada de bombas e nada de restrição a áreas de protesto. Qualquer lugar é lugar. Tudo pode e tudo vale. Os petistas aderiram ao protesto. Já não era mais pelos 20 centavos, dizia-se, mas por cidadania, sei lá o quê. Algo começava a sair do planejado: em São Paulo, a convocação reuniu 65 mil pessoas. A do Rio, que seria apenas em solidariedade, juntou mais de 100 mil… Epa!!!
No dia 18 de junho, aí era a Folha que trazia outra entrevista de José Eduardo Cardozo, também contra o governo de São Paulo, com ataques diretos à Polícia.
Concedida no dia 17, antes do término das manifestações, este gênio usou como exemplo bem-sucedidos as polícias do Rio e do Distrito Federal:
“O que vi em SP, e as câmeras mostraram, é de uma evidência solar que houve abuso. Vi o que aconteceu no Distrito Federal e no Rio. Padrões de comportamento bem diferentes”.
Patético! Naquele dia 17, não houve violência em São Paulo. Alguns bananas tentaram invadir os jardins do Palácio dos Bandeirantes, mas nada muito grave. No Rio, no entanto, um dos bons exemplos de Cardozo, assistiu-se aos caos, como isto aqui:
Brasília
O ministro da Justiça que “ofereceu” ajuda a Alckmin no dia 13, que já o havia atacado no dia 9 e que censurou a polícia de São Paulo no dia 17, tinha tudo para organizar, então, com o seu aliado Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal, uma ação preventiva exemplar quando o protesto chegou ao Distrito Federal, certo?
Pois bem! No dia 20, o caos se instalou em Brasília. Meteram fogo no Itamaraty. E ninguém ouviu a voz de Cardozo, o chefe da Polícia Federal e o homem que pode acionar a Força Nacional de Segurança.
Vejam.
Setores importantes da imprensa, as esquerdas de modo geral e o governo federal promoveram a demonização da Polícia Militar de São Paulo, que logo virou a demonização de qualquer polícia. Também se inventou a mentira estúpida de que manifestantes eram uma coisa, e baderneiros, outra. Chegou a ser por um brevíssimo período. Logo, os chefes dos protestos deixaram claro que os mascarados eram a sua tropa de choque e que eles estavam juntos.
A violência que José Eduardo Cardozo agora diz querer combater é a mesma que ele e seu governo, por atos e omissões, estimularam. Em São Paulo, muitos patriotas estavam certos de que a confusão lhes seria eleitoralmente útil. Deu no que deu.
Este não é um texto de opinião. É um texto com fatos e fotos.31/10/2013
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terça-feira, 8 de outubro de 2013
Enquanto Dilma exaltava as “manifestações” no Programa do Ratinho, o pau comia no Rio e em São Paulo. Estava escrito na estrela
Por Reinaldo Azevedo
Tomei uma decisão editorial. Sempre que eu escrever sobre a barbárie promovida por fascistas mascarados, a primeira imagem do meu texto será essa. Sim, é Caetano Veloso. Ele é favorável à censura prévia no caso das biografias, mas contra a repressão aos black blocs. Aos fatos da hora.
Enquanto o pau comia nas ruas em São Paulo e no Rio, Dilma Rousseff concedia uma entrevista a Ratinho. Não há nada de errado com o apresentador. Faz o trabalho dele. A questão é saber se ela faz o dela.Enquanto a presidente dizia no SBT que “os protestos fazem parte do processo da democracia e da evolução social do Brasil”, os mascarados do Black Bloc faziam isto em São Paulo.Black blocs destroem e viram carro da PM em SP (Foto: Eduardo Anizelli-Folhapress)
Enquanto a presidente dizia a Ratinho que os protestos “têm um sentido positivo”, os black blocs faziam isto no Rio.
Enquanto a presidente fazia poesia e garantia que os manifestantes querem “mais garantias de direitos” e “mais democracia”, na capital fluminense, assistia-se a esta beleza:Agência bancária é depredada no Rio por black blocs (foto: Christophe Simon-AFP)Bomba incendiária é lançada contra a Assembleia Legislativa do Rio (Foto: Pablo Jacob – Agência O Globo)Enquanto a presidente interpretava os tais protestos como coisa de gente que quer sempre avançar, os “avançados” faziam coisas como esta:No Rio, Black blocs acendem coquetel molotov para lançar contra PMs (Foto: Christophe Simon-AFP)Em SP, os black blocs lançam com estilingue artefato incendiário contra policiais (foto: Fábio Braga-Folhapress)
Então vamos verO que você sente, leitor amigo, telespectador amigo, quando repórteres e apresentadores de TV recorrem à expressão “manifestação pacífica”? Não está cansado dessa ladainha, dessa mentira escancarada, dessa pilantragem jornalística? Estão querendo enganar a quem? Nesta segunda, a violência estava inscrita na própria convocação dos atos, desde o começo. Questionei aqui: que sentido fazia marcar um protesto em São Paulo em apoio aos grevistas do Rio?Era o PSOL, que invadiu a Reitoria da USP, se solidarizando com o PSOL que comanda a absurda greve dos professores no Rio. Tanto lá como cá, contava-se com a colaboração dos black blocs, não é? No Rio, como num desfile de escola de samba, criou-se uma comissão de frente, com jovens e uma criança, batizada de “Tropa de Prof”. Parte da imprensa carioca delirou, achou lindo, achou demais, fez poesia, babou de satisfação. Às vezes, tenho a impressão de que há mais black blocs nas redações do que nas ruas. Vejam a foto.Comissão da Frente da Escola Unidos do Reacionarismo, que fez delirar parte da imprensa carioca (Foto: Christophe Simon-AFP)Logo atrás, vinha uma outra ala, a dos… black blocs propriamente. E, como é de seu feitio, mandavam a polícia se f…r.Black blocs estavam na manifestação dos professores desde o começo: eram uma ala do desfile (Foto: Cristophe Simon-AFP)Respondam, senhores apresentadores de TV. Respondam, senhores jornalistas de TV. Respondam, senhores editores de TV. Respondam, senhores diretores de jornalismo de TV. Quem, planejando uma “manifestação pacífica”, aceita a colaboração dos black blocs já na própria organização do suposto ato de protesto?O chato é que a condescendência com a violência e com a desordem não muda o espírito dos que odeiam a imprensa livre e o jornalismo, como se vê na foto abaixo.Black blocs e professores fundidos num grupo só: hostilidade injustificada à TV GloboEmbora a Globo faça uma cobertura dos eventos de rua que, para ser ameno, é “amigável” com os protestos, os trogloditas continuam a satanizá-la. Se, amanhã, num ato de delírio extremo, a emissora passasse a tratar os black blocs como heróis, eles a acusariam de tentativa de cooptação. Não existem nem amenidade nem adesão o bastante para a fome do gigante.País estúpido Leiam este trecho em azul. A grande mentira é esta: as manifestações nunca foram pacíficas, desde o início. Depois que se decretou que a “culpa é da polícia” e que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, debaixo de uma artilharia como nunca se viu, foi obrigada a declarar qualquer área da capital território livre para as manifestações — “sem repressão” —, estava, para lembrar imagem que usei aqui, aberta a Caixa de Pandora. Como no mito, só a esperança ficou grudada ao fundo. Os males do mundo escaparam todos.Mais: teve início outra tese ridícula — a da “maioria pacífica”, uma espécie, como direi?, tautologia conceitual. Quando a maioria não é pacífica, o que se tem é revolução. Aliás, também as revoluções são feitas por minorias. A questão é saber se elas são ou não usadas como instrumento de luta. Ou foram os “pacíficos” que empurraram os governadores e prefeitos contra a parede? (…) O governo federal está recuperando a ofensiva no terreno político, e não há muito o que a oposição possa fazer. Com as pessoas comuns um pouco assustadas e de volta a seus lares, sobraram nas ruas a turma da porradaria e os radicais de esquerda, que já se mobilizam para dirigir de modo mais claro os ataques contra a imprensa — a mesma que incensou o movimento. E desqualifico, mais uma vez, uma mentira estúpida: o jornalismo não entrou nessa “para derrubar Dilma”, não! Entrou porque não resiste a qualquer coisa que tenha cheiro de povo. (…) Vá lá na Suécia e diga que tudo vale a pena se a disposição não é pequena para ver o que acontece. Lembram-se do furacão Katrina, nos EUA? As vítimas foram mandadas para escolas e alojamentos. Todos estavam unidos na tragédia, não é? Os idealistas esperavam solidariedade, a ajuda mútua etc. As Forças Armadas americanas estavam lá. Mesmo assim, começaram a se multiplicar os casos de estupro, e as autoridades alertaram: “Protejam-se; não temos como evitar esses atos”.“Ah, então o povo, deixado por sua própria conta…” Sim, é isso mesmo! É por isso que existem governos e pactos sociais. O estado não precisa ser o Leviatã, não! Mas precisa ter legitimadas as suas forças de contenção. Ou é a guerra de todos contra todos. Uma coisa é criticar os maus policiais; outra, como se fez, é deslegitimar as polícias. É visível que as PMs do Brasil inteiro estão com medo de agir. Os policiais temem parar atrás das grades por cumprir sua função.Se a amiga da presidente Dilma, a tal Rosa Maria, da Comissão da Verdade, elege as PMs como inimigas do povo e dos direitos humanos, então está declarado o vale-tudo. Vale-tudo que setores da imprensa pediram e aplaudiram. E agora? Agora são as próximas vítimas.Retomo Este é trecho de um post que escrevi aqui no dia 27 de junho de 2013, há mais de três meses. Quem se orienta segundo princípios inegociáveis não precisa esperar o desenrolar os fatos para dizer “não” ao que merece “não”. E eu digo “não” à violência que é dirigida contra as balizas do regime democrático.VOCÊS SABEM QUE JAMAIS ME DEIXEI LEVAR PELO CANTO DA SEREIA, NÃO É? APANHEI MUITO POR ISSO, INCLUSIVE DE ALGUNS LEITORES HABITUAIS DO BLOG.“É necessário ficar lembrando o que você escreveu?” É, sim! Não é sem um custo razoável que se afirmam certas coisas, na contramão, na contracorrente, quando há quase uma unanimidade em sentido contrário. É preciso ter memória.Volto a Dilma Na entrevista ao Ratinho, Dilma afirmou que, sem as manifestações, talvez o governo não tivesse conseguido aprovar os 75% dos royalties do pré-sal para a educação e 25% para a saúde e criar o programa “Mais Médicos”. Num caso, conta-se com o ovo na barriga da galinha. No outro, como é sabido, o programa já estava em curso e nada tinha a ver com a saúde dos brasucas, e sim com os cofres de Cuba. Isso é o de menos. O que importa é que o governo se desvinculou dos protestos, como antevi que aconteceria ainda em junho, e largou a barbárie para ser resolvida pelas Polícias Militares, que, prudentemente, cansaram de ser vítimas das milícias politicamente corretas das redações.Se setores da imprensa, a exemplo de Caetano Veloso, acham que os black blocs “fazem parte”, por que seriam os homens de farda a dizer que não?
Eles, convenham, pertencem àquele grupo que detém o monopólio do uso legítimo da força. Se os “companheiros” da imprensa acham que esse monopólio foi transferido para os outros fardados, os mascarados, não há muito o que os policiais, que são apenas o povo de farda, possam fazer. Os respectivos comandos das PMs deveriam mandar seus homens saírem às ruas distribuindo rosas & poesias.
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Não toquem em Voltaire!
Olhem bem este rapaz.
Por Reinaldo Azevedo
Ele está com uma barra de ferro na mão e depreda uma agência bancária em São Paulo. Veste o uniforme de sempre. Alguns sinais indicam que é bastante jovem, talvez um “dimenor”.
Muito bem! Em 1968, Jean-Paul Sartre tinha 63 anos, mas já estava mais gagá do que Caetano Veloso, com 71 — entendam: não é uma questão de idade cronológica, mas de decrepitude intelectual. Sartre apoiava os atos violentos da juventude maoísta e distribuía seus jornalecos.
Ainda na Presidência da República, perguntaram a De Gaulle como agir com o dito-cujo. O presidente deu ordens para que não se tocasse no filósofo com a frase: “Não se pode prender Voltaire”.
Esse rapaz aí acima é o nosso Sartre, é o nosso Voltaire. E este, aí abaixo, é o nosso adolescente black bloc.
07/10/2013
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Sob o signo da estupidez. Ou: Trata-se de escolher se vamos dizer “sim” ou “não” à violência
Num mundo em que triunfassem os valores dele, você seria mais livre ou menos?Por Reinaldo Azevedo
Sabem os leitores que, desde as primeiras manifestações, quando ainda conduzidas pela meia dúzia de gatos-pingados do Movimento Passe Livre (o queridinho de alguns anarquistas velhuscos da “mídia tradicional”), repudio os atos de violência. Com a ajuda da imprensa — sim, a dita “tradicional” (existe alguma outra?), criou-se a farsa de que o confronto das ruas se dava entre manifestantes essencialmente pacíficos e uma polícia essencialmente violenta. Não se atentava, e não se atenta ainda, para o óbvio: impedir, ao bel-prazer dos donos do espaço público, o livre direito de ir e vir viola um direito constitucional. Pode parecer um direito besta, irrelevante, mas ele é o resultado de alguns séculos de luta em favor de prerrogativas individuais. Num estado democrático e de direito, a ágora é terra de todos; na barbárie, é terra de ninguém.O Estadão de domingo traz uma reportagem de Bruno Paes Manso intitulada “Black Blocks já se articulam em 23 Estados do País”, vazada numa abordagem, como posso dizer?, benigna, para dizer pouco, com o movimento que faz a apologia da violência.Embora se dê de barato que, para a turma, a “violência é uma intervenção simbólica que atinge o cerne do capitalismo: a propriedade privada”, não há a menor sombra de reprovação — ao contrário até — de tal escolha. Alguém poderia dizer: “A função do jornalismo não é julgar, mas apenas retratar…”.
É? Isso vale também para outros crimes (como corrupção, por exemplo), ou essa suposta neutralidade só é considerada obrigatória no caso dos ataques à “propriedade privada”? Deve-se, assim, supor que, a partir de agora, também para o Estadão, “toda propriedade é um roubo”?Paes Manso resolveu ouvir “especialistas” nessa tática de violência. E aí nos damos conta da miséria intelectual que toma conta também da academia. Leiam isto:
“Muitos dos jovens que estão usando essa estratégia da violência nas manifestações vieram das periferias brasileiras. Eles já são vítimas da violência cotidiana por parte do Estado e por isso os protestos violentos passam a fazer sentido para eles”.
A afirmação e do professor Rafael Alcadipani Silveira, que é coordenador de pesquisas organizacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP). Segundo informa o texto, ele acompanha as discussões virtuais dos anarquistas e esteve nos últimos protestos.Cadê os dados? Cadê os presos que violaram uma penca de leis? Cadê os estudos sobre o perfil de tais “jovens”? Ao contrário do que ele diz, os que ganharam alguma visibilidade são estudantes de classe média, que não precisam nem mesmo trabalhar para ganhar a vida. Podem depredar a propriedade alheia porque pais abastados se encarregam de cuidar de seu futuro patrimônio.Outro “estudioso” ouvido por Manso é um notório extremista de esquerda chamado Pablo Ortellado. Já escrevi sobre ele neste blog. Uma rápida pesquisa na Internet dirá quem é o valente. Reproduzo mais um trecho da reportagem (em vermelho):“Depois de Seattle, os movimentos sociais passaram a aceitar a violência como uma das estratégias políticas e a debater abertamente a questão”, explica o filósofo Pablo Ortellado, coautor do livro Estamos Vencendo! (Conrad), sobre os movimentos autonomistas no Brasil. Além da estratégia dos Black Blocs, há nos movimentos globais as ações lúdicas e festivas (chamadas de Pink Blocs), estratégias no Brasil representadas pelas Paradas Gays, Marchas da Maconha e das Vadias, e as pacifistas (White Blocs).Notem que, então, a diferença entre o pacifismo e a violência não é de convicção; será ditada apenas pela necessidade. Assim, entende-se que os “pobres da periferia” do professor Alcadipani são participantes do “movimento global” do professor Ortellado… Ou Manso não encontrou ou não teve tempo de falar com “especialistas” que criticam a violência…
E por que não?Porque a imprensa brasileira — com raras exceções —, na ânsia de competir com grupelhos da Internet, deixou que as redações fossem ocupadas NÃO PELO JORNALISMO, MAS PELA MILITÂNCIA POLÍTICA. Isso se verificou especialmente nas TVs, que pareciam tomadas por uma horda de adolescentes arruaceiros.Conservadores equivocados
Muitos liberais e muitos conservadores se deixaram e se deixam ainda trair pelo que vai nas ruas. Por quê? Porque também o governo Dilma e as gestões petistas foram tragados pela voragem. A questão que sempre me pareceu pertinente — e que segue mais relevante do que nunca — é esta: esse movimento em favor, como direi?, da superação do petismo se dá pela esquerda ou pela direita? Essa pressão se exerce em favor de mais eficiência, de mais ordem e de um uso mais racional dos recursos, ou se dá em prejuízo da ordem democrática, dos canais institucionais de representação e da racionalidade mais comezinha? A resposta me parece óbvia.Sei que o que vou dizer agora marcha na contramão do confortável descontentamento difuso “contra tudo o que está aí”, mas precisa ser dito. Apesar da sem-vergonhice que vigora no Brasil, a despeito de toda roubalheira, mesmo com uma das piores elites políticas do planeta, o fato é que, ora vejam!, os dados sobre mortalidade infantil e expectativa de vida recentemente divulgados indicam que o Brasil avançou bastante. “Mas não é o suficiente!” Ora, é claro que não é! Mas certamente não foi a anarquia que nos conduziu até aqui.Eu quero conhecer a base de dados do professor Rafael Alcadipani Silveira — do tal Ortellado, nada me interessa porque eu o considero só um prosélito vulgar. Leio em seu currículo que Silveira ensina “disciplinas relacionadas com estudos organizacionais, métodos de pesquisa e perspectivas críticas em análise das organizações em cursos de graduação, mestrado, doutorado e educação executiva”. Parece ser coisa séria.
Suponho que tenha um sólido banco de informações demonstrando que são mesmo os pobres que estão botando pra quebrar nas ruas.Meu currículo perto do dele é de dar pena. Por isso, humildemente, aguardo a sua pesquisa. Até onde acompanho — analiso comportamentos, fragmentos de significação como roupa, estilo, pele e até os dentes dos manifestantes (é um método mais próximo de Nelson Rodrigues) —, não só não há pobres nas manifestações como estes não estão quebrando é nada. O movimento Passe Livre tentou, por exemplo, organizar protestos na periferia de São Paulo.
Deu-se mal. Compareceram apenas algumas dezenas de manifestantes — a maioria oriunda de bairros ricos, que não tinham a menor noção do que era periferia. Imaginem se a Rocinha ou o Complexo do Alemão, no Rio, decidirem descer para o asfalto… Não dá para chamar de “povo” os vermelhos do Leblon, Copacabana e Ipanema, né?A mesma lógica do terror
Atenção! Ainda que fosse verdade — e não é! — que os vândalos que estão nas ruas apenas reagem a um histórico de violências de que teriam sido vítimas, cumpriria indagar: deveria, por isso, a sociedade aceitar essa forma de expressão política (notem que nem me refiro a, sei lá, “método de solução de conflitos”)?
A resposta, claro!, é negativa. Essa é, sem tirar nem pôr, a lógica que justifica o terrorismo: recorre-se, então, à violência indiscriminada porque, de algum modo, os potenciais alvos da barbárie seriam os verdadeiros responsáveis pelos males que passam a afligi-los.Os black blocs e outros são mesmo “anarquistas”, como informa a reportagem de Manso, e atacam a propriedade privada porque julgam que, assim, estão a fragilizar o capitalismo? De que anarquismo se cuida? Alguma referência teórica há de haver.
São partidários, por exemplo, de Bakunin ou apenas se aproveitam de um momento em que a imprensa, temerosa de perder a batalha para a informalidade da Internet, decidiu aderir à onda demencial, demonizando os fundamentos da ordem democrática, de que fazem parte, sim, as polícias?Notem que as Polícias Militares do Brasil inteiro estão inermes. A chamada mídia tradicional resolveu dar as mãos à tal “Mídia Ninja” — como ninguém se alimenta de maná, é o caso de saber quem financia essa gente — e passou a selecionar, de maneira meticulosa, imagens que caracterizam os policiais como truculentos, violentos, autoritários etc. Já aqueles que, de modo deliberado, vão para as ruas para quebrar e para impor a sua vontade na porrada surgem como anunciadores de uma nova ordem.Assim, tanto a “mídia tradicional” como aquela que se quer alternativa passam a ser cúmplices e promotoras, voluntárias ou não, da violência. Por que aquela gente está de rosto coberto? Por que não pode expor a cara no estado democrático e de direito? A resposta é óbvia: porque está ocupando o espaço público para, deliberadamente, impor a sua vontade por intermédio da pancadaria. O nome disso é banditismo.Pessoas eventualmente flagradas quebrando o que encontram pela frente são detidas pela polícia e postas em liberdade em seguida — afinal, estavam, como é mesmo?, apenas combatendo o capitalismo por intermédio da agressão “à propriedade privada”. E, como a gente pode ler, o Ministério Público e as Defensorias Públicas logo se mobilizam para pôr na rua esses partidários da truculência.
A impunidade conduz à reincidência e convida outros a agir de igual modo. Assim, a violência passa a ser admitida como uma forma aceitável e eficiente de expressão de uma contrariedade.Caminhando para a conclusão
Vou caminhando para a conclusão deste texto, mas volto ao assunto. O papel da dita “imprensa tradicional” precisa ser visto com mais cuidado. O jornalismo, meus caros, tem obrigações que vão muito além da isenção, palavra que também requer algumas considerações.Entre a depredação da ordem democrática e essa própria ordem, a isenção se chama “flerte com o terror” — quando não se trata mesmo de uma forma velada de apologia da barbárie.
05/08/2013
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quinta-feira, 27 de junho de 2013
Mitos, farsas e má-consciência: as PMs estão com medo, e os delinquentes estão no comando
Por Reinaldo Azevedo
A cobertura que a imprensa faz dos confrontos de rua está um pouco menos, como posso chamar?, tecnicamente dolosa.
Mas ainda se hesita muito em chamar vagabundo de “vagabundo”, bandido de “bandido”.
E pensar que essa barafunda começou, na verdade, no dia 13, quando os manifestantes, em São Paulo, romperam um acordo com a tropa de choque, o que degenerou em conflitos e se inventou, então, a tese da “Polícia contra o povo”.
E teve início a fantasia de que qualquer rua ou avenida no Brasil é a praça Tahrir.
No dia 11 de junho — antes, portanto, do fantasioso massacre de manifestantes do dia 13, inventado pela imprensa paulistana e reproduzido país e mundo agora — , este blog noticiava: “Delinquentes voltam a promover quebra-quebra em SP e atacam a polícia com pedras, paus e coquetel molotov”.
Gente pacífica leva coquetel molotov para manifestações? O Movimento Passe Livre se negava a condenar a violência. Dizia que tudo era culpa da PM. Um policial foi impiedosamente espancado.
A grande mentira!
A grande mentira é esta: as manifestações nunca foram pacíficas, desde o início. Depois que se decretou que a “culpa é da polícia” e que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, debaixo de uma artilharia como nunca se viu, foi obrigada a declarar qualquer área da capital território livre para as manifestações — “sem repressão” —, estava, para lembrar imagem que usei aqui, aberta a Caixa de Pandora. Como no mito, só a esperança ficou grudada ao fundo. Os males do mundo escaparam todos.
Mais: teve início a outra tese ridícula — a da “maioria pacífica”, uma espécie, como direi?, tautologia conceitual.
Quando a maioria não é pacífica, o que se tem é revolução. Aliás, também as revoluções são feitas por minorias.
A questão é saber se elas são ou não usadas como instrumento de luta. Ou foram os “pacíficos” que empurraram os governadores e prefeitos contra a parede?
Peguem os conflitos desta quarta em Belo Horizonte. Repetiram, com grau exacerbado de violência, o que aconteceu no dia 13 em São Paulo.
A polícia estabeleceu um limite, que foi transgredido. E o choque começou. “E os jornalistas machucados em São Paulo?”
Sim, lamento!
Mas bala de borracha ainda não aprendeu a distinguir profissionais de imprensa de vândalos.
O governo federal está recuperando a ofensiva no terreno político, e não há muito o que a oposição possa fazer. Com as pessoas comuns um pouco assustadas e de volta a seus lares, sobraram nas ruas a turma da porradaria e os radicais de esquerda, que já se mobilizam para dirigir de modo mais claro os ataques contra a imprensa — a mesma que incensou o movimento.
E desqualifico, mais uma vez, uma mentira estúpida: o jornalismo não entrou nessa “para derrubar Dilma”, não! Entrou porque não resiste a qualquer coisa que tenha cheiro de povo.
A pancadaria come solta hoje em Fortaleza. E esses eventos se repetirão enquanto os responsáveis não forem presos e severamente punidos. As Polícias Militares, Brasil afora, estão com medo de agir. Ontem, a Comissão Nacional da Verdade, cuja ineficiência só compete com a má-fé, soltou um verdadeiro manifesto contra as PMs.
Vá lá na Suécia e diga que tudo vale a pena se a disposição não é pequena para ver o que acontece. Lembram-se do furacão Katrina, nos EUA? As vítimas foram mandadas para escolas e alojamentos.
Todos estavam unidos na tragédia, não é? Os idealistas esperavam solidariedade, a ajuda mútua etc.
As Forças Armadas americanas estavam lá. Mesmo assim, começaram a se multiplicar os casos de estupro, e as autoridades alertaram: “Protejam-se; não temos como evitar esses atos”.
“Ah, então o povo, deixado por sua própria conta…” Sim, é isso mesmo! É por isso que existem governos e pactos sociais.
O estado não precisa ser o Leviatã, não! Mas precisa ter legitimadas as suas forças de contenção. Ou é a guerra de todos contra todos. Uma coisa é criticar os maus policiais; outra, como se fez, é deslegitimar as polícias. É visível que as PMs do Brasil inteiro estão com medo de agir. Os policiais temem parar atrás das grades por cumprir sua função.
Se a amiga da presidente Dilma, a tal Rosa Maria, da Comissão da Verdade, elege as PMs como inimigas do povo e dos direitos humanos, então está declarado o vale-tudo.
Vale-tudo que setores da imprensa pediram e aplaudiram.
E agora?
Agora são as próximas vítimas.27/06/2013
sábado, 10 de novembro de 2012
Alckmin perdeu a chance de sugerir a Dilma e ao ministro Cardozo que tentem reduzir a taxa de criminalidade no primeiro escalão
A uma velocidade de 70 piscadas por minuto ─ quem não está mentindo se mantém na média de 10 a 15 ─, o ex-jornalista Rui Falcão liberou a população de São Paulo para circular pelas ruas sem sobressaltos e dormir em paz.Por Augusto Nunes
Como a presidente da República e o ministro da Justiça celebraram uma parceria com o governador em apuros, avisou o dirigente do PT, a onda de violência que assusta os paulistanos há algumas semanas está com os dias contados.
O PCC só andou matando policiais e a PM andou matando bandidos ─ além de civis inocentes, registrou o campeão mundial de piscadas por minuto ─ porque os xerifes tucanos demoraram demais para chamar o delegado federal.
Na discurseira, Falcão ensinou que se o Palácio dos Bandeirantes abrigasse não Geraldo Alckmin, mas um militante do PT, o companheiro no poder pediria socorro a Dilma Rousseff assim que ouvisse um disparo.
A chefe acionaria por telefone José Eduardo Cardozo, que entraria imediatamente em ação para deixar claro que com o PT ninguém pode.
Se lembrasse que foi eleito pela oposição, Alckmin poderia desmontar com três ou quatro constatações o palavrório cafajeste.
Para começo de conversa, ressalvaria que o PCC talvez fosse desbancado do ranking das maiores organizações criminosas se a lista incluísse quadrilhas com representação no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.
Depois, recomendaria à presidente que cuidasse de vigiar as fronteiras, suprir as carências da Polícia Federal e reduzir a criminalidade no primeiro escalão.
Em menos de dois anos de governo, deveria sublinhar o alvo de Rui Falcão, Dilma foi obrigada a livrar-se de sete ministros envolvidos em assaltos a cofres públicos.
Caso esteja efetivamente interessada em combater a bandidagem, a presidente deve antecipar-se a denúncias da imprensa e demitir mais quatro prontuários ainda infiltrados na equipe ministerial.
E não custa nada aconselhar o padrinho a parar de aparecer em fotografias confraternizando com delinquentes procurados pela Interpol.
Se fosse oposicionista, enfim, o governador tucano recordaria que, a cada quatro anos, o PT não lança candidatos ao governo paulista; lança ameaças.
Em 2002, por exemplo, ao vencer José Genoino, Alckmin impediu que São Paulo caísse nas mãos de um mensaleiro condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha.
Repetiu o bom trabalho consumado por Mário Covas em 1994, quando impediu que José Dirceu fizesse no Palácio dos Bandeirantes o que fez na Casa Civil.
A lista de candidatos de alta periculosidade mistura condenados à cadeia e condenados ao naufrágio administrativo.
Nessa segunda categoria o destaque é Aloizio Mercadante, que colocou os paulistas em perigo nas eleições de 2006 e 2010.
Segundo o PT, Alckmin não controla o PCC nem a polícia. Pelo menos tem tentado.
Caso Mercadante fosse o vitorioso, o gabinete do governador estaria provavelmente deserto.
Antes que terminasse o primeiro tiroteio, o Herói da Rendição teria batido em retirada.
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012
A polícia de SP não deixará de enfrentar bandidos nem que o PT, um dia, chegue ao governo e ainda que seja essa a vontade de certa imprensa. Não vai porque é contra a sua natureza
Se algum governante mandar condescender com o crime, não será obedecido.
Ainda bem!
Por Reinaldo Azevedo
Vamos lá, queridos. Resolvi passear um pouco com Dona Reinalda. Mas sabem como é este velho coração dividido, hehe… Não posso fica longe de vocês. Podem me procurar aqui no feriado prolongado, que vocês vão me achar. Talvez não com a presença obsessiva de sempre. Mas sempre aqui.
Adiante.O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um dos “porquinhos” da presidente Dilma, exagerou na dose. Quem quer que lhe tenha encomendando a tarefa de acrescentar confusão ao cenário de recrudescimento da violência em São Paulo esqueceu de lhe recomendar que estudasse um pouco da mimese aristotélica.
Ainda que, na representação dramática, a farsa possa apelar à caricatura, o papel desempenhado pelo caricato tem de ser ao menos verossímil.
Cardozo encarnando a personagem que sabe resolver problemas relacionados ao crime organizado não convence nem suas admiradoras…O jornalismo, com algumas exceções, ignora o sentido das palavras. E também não se ocupa minimamente da coerência – própria ou alheia. Por que digo isso?A presidente Dilma Rousseff telefonou ontem para o governador Geraldo Alckmin para oferecer colaboração no combate ao crime organizado em São Paulo.
O governo federal dá, assim, a primeira resposta oficial a um documento encaminhado por São Paulo ao Ministério da Justiça em 29 de junho.
Antes disso, só se conhecia aquele texto redigido no joelho por Cardozo, datado a mão (30 de outubro de… 2012!!!), eivado de coisas malcriadas, entregue primeiro à Rede Globo e só depois ao Palácio dos Bandeirantes.O governador e a presidente combinaram uma ação conjunta que ainda vai ser definida. Eis aí: as palavras fazem sentido. O governo federal não tinha e não tem, por óbvio, plano nenhum. Por intermédio de Cardozo, resolveu atuar para emparedar o governo de São Paulo, acusando-o indiretamente de perda de controle da situação.
Que ajuda será essa?
Veremos.Não houvesse mais nada – e há -, em uma coisa ao menos São Paulo é muito melhor do que a federação: combate à violência. Mesmo assim, claro!, a ajuda, havendo, é bem-vinda. O que Dilma pretende? Combater o crime organizado ou fazer propaganda? Infelizmente, a segunda alternativa é insofismavelmente a correta. E por que é?Porque a violência, em São Paulo – que passa, sim, por um surto preocupante –, está entre as menores do país. O que Cardozo tem feito efetivamente para tentar diminuir o escandaloso número de 50 mil homicídios por ano no Brasil???
Querem alguns delinquentes intelectuais que a “estratégia do enfrentamento (com os bandidos)”, que São Paulo realmente aplica, não seja a melhor. Não? Então qual seria? Quem não enfrenta acomoda – é assim na linguagem e na vida.
O que querem os patriotas? Um acordo com marginais; a celebração da pax com a bandidagem, o reconhecimento do crime como “força beligerante” – tese que Marco Aurélio Garcia, assessor de Dilma, defendia para os narcoterroristas das Farc???Dilma quer ocupar Paraisópolis com o Exército e a Força Nacional de Segurança porque pretende emprestar ao estado do país que menos mata a mácula da desordem e da falta de controle. E conta com o apoio quase unânime da imprensa petista por convicção ou petistófila por conveniência. Na Folha de hoje, Wálter Maierovitch, colunista da revista petista Carta Capital, concede esta pequena entrevista:Folha – O que o senhor acha da proposta?
Wálter Maierovitch – É preciso fazer a pacificação, a retomada do controle dos territórios. O sucesso das UPPs do Rio de Janeiro parte da retomada dos controles territorial e social.
Para se ter esse controle, há necessidade de se ter uma polícia comunitária, que retome a confiança do cidadão, que faça com que se encerre esse medo difuso do crime organizado e que volte a implantar a cidadania.
E não adianta manter a Polícia Militar?
O que o governo federal propõe com a instalação de uma unidade pacificadora é o contrário da política de São Paulo, que tem uma polícia que vai para o confronto.
Deixar a PM é fazer uma UPP capenga, militarizada. Essa política de enfrentamento vem colhendo maus resultados.
Voltei
Trata-se de uma soma fabulosa de estultices ideologicamente orientadas. Ah, sim: o jornal o chama de “jurista” – o que só pode ser humor involuntário. A comparação com o Rio é um cretinismo, já escrevi aqui, porque Paraisópolis já conta com polícia comunitária. Atenção: NÃO HÁ FAVELA “PACIFICADA” NO RIO QUE TENHA A PRESENÇA DO PODER PÚBLICO QUE TEM A FAVELA DE SÃO PAULO. Talvez o estado não seja assim tão bom no marketing…
Vejam ali: este impressionante Maierovitch não quer uma polícia que “vá para o confronto” com os bandidos. Fica implícita a ideia – e é a única verdade de sua fala – de que as UPPs não existem mesmo para enfrentar bandidos. Certo! Então elas pacificam quem? Vai ver pacificam os já pacificados…Estamos diante do casamento de uma ação partidariamente orientada com uma doxa que tomou conta de influentes veículos de comunicação do país.
A ação partidária, obviamente, é a do PT, que já está em franca campanha eleitoral. Dilma e Cardozo querem o Exército e a Força Nacional de Segurança desfilando em São Paulo para ter boas imagens na campanha eleitoral de 2014. A doxa diz respeito às tais UPPs: ora, elas significaram, no Rio, a chegada de algum poder público a áreas que eram governadas pelo narcotráfico. Aliás, nas mais de 1.200 favelas (em cabralês castiço, é obrigatório usar o termo “comunidade”) ainda sem “polícia pacificadora”, o crime organizado ou as milícias dão as cartas. E só é possível ir e vir com a autorização da bandidagem – muitos dos meliantes são oriundos das áreas a que chegaram as UPPs.O não enfentamento, como quer Maierovitch, compreende não prender ninguém. Bandido bom é bandido solto? Em São Paulo, inexistem áreas assim, o que não quer dizer, claro!, que inexista o crime organizado – que continua a ditar a, vamos dizer, “rotina administrativa” das “comunidades pacificadas” do Rio. A notícia não vai parar na TV porque não pegaria bem à tese, mas é fato: os traficantes dominam, por exemplo, todos os aparelhos públicos levados às favelas pelo PAC. Ou esse controle se dá diretamente ou por intermédio de associações de moradores, controladas por eles.
A genial política de Sérgio Cabral e de José Mariano Beltrame, à medida que não prende ninguém e que, na prática, proíbe os policiais de “entrar em confronto com a população” (bandido vira “população”), dá ao narcotráfico mais infraestrutura do que tinha antes. Não só: como a polícia está lá e não pode “enfrentar” bandidos, os manda-chuvas ficam felizes: estão livres do assédio de forças rivais e das milícias.É o que Dilma quer para São Paulo. É o que esses setores da imprensa querem para São Paulo. As corporações têm sua história e sua tradição. A polícia deste estado não deixará de enfrentar bandidos nem que o PT, um dia, chegue ao governo e ainda que seja essa a vontade de certa imprensa. Não vai porque é contra a sua natureza. Se algum governante mandar condescender com o crime, não será, na prática, obedecido. Ainda bem!Concluindo
Conforme antevi aqui, os mais serenos decretam uma espécie de empate. Dilma tomou a iniciativa de ligar para Alckmin.
Ele, claro, aceitou a oferta de colaboração – seja ela qual for. Chamei aqui a atenção para o fato de que aquele documento encaminhado à Globo (ah, sim, até Alckmin o recebeu) continha uma única proposta: receber alguns detentos em presídios federais, mas bem poucos…Faz de conta, então, que Cardozo não plantou fofoca em jornal. Faz de conta, então, que Cardozo tinha alguma prova do que dizia. Faz de conta que Cardozo não demorou quatro meses para responder a um ofício de São Paulo – e o fez, ainda, em termos deseducados, tratando o estado que responde por mais de um terço do PIB como um pedinte sem honra. Decretou-se o empate entre a mentira e a verdade.Procurem nos primórdios do blog ou lá nos tempos ancestrais do Primeira Leitura: eu sou favorável à presença das Forças Armadas em favelas dominadas pelo narcotráfico desde sempre – no Rio, em São Paulo e em qualquer lugar. Mas tem de estar lá para fazer o contrário do que recomenda o colunista da Carta Capital e sedizente jurista. Tem de estar lá para confrontar o crime, sim. A MENOS QUE SE QUEIRAM SOLDADOS UNIFORMIZADOS COMO SEGURANÇAS DO NARCOTRÁFICO.Na era do “outro-ladismo” jornalístico, alguém pode sustentar que dois mais dois são quatro. Mas é preciso ouvir os que acham que são cinco. Quem está com a verdade? Ora, a tarefa da imprensa é dar todos os ângulos de uma questão e todas as opiniões, não é? Se a turma do cinco se mostra mais influentes e convincente; se é composta de pessoas que tocam mais fundo na afetividade ideológica (!!!) dos jornalistas; se é formada, em suma, de “progressistas” a serviço de uma boa causa, então dois mais dois passam a ser cinco.Dilma e Cardozo poderiam ter feito uma oferta politicamente honesta a São Paulo, em benefício dos paulistas. Mas há erros que nunca cometi na vida: jamais aposto que as pessoas possam ir contra a sua natureza.02/11/2012
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Olhem aí, paulistas e brasileiros! A isto foi reduzida uma das polícias mais eficientes do país!
Por Reinaldo AzevedoBaixaria, estupidez, ilegalidade, maluquice, violência retórica, acusações levianas, proselitismo político, campanha eleitoral, agressões gratuitas.
Essa é a síntese, como vocês verão, da chamada “audiência pública” realizada ontem no auditório do Ministério Público Federal, em São Paulo, com a participação de outras entidades, notadamente a Defensoria Pública de São Paulo, representada pela buliçosa defensora Daniela Skromov de Albuquerque (post acima).A estrela do dia foi o procurador Matheus Baraldi, do Ministério Público Federal. Com ampla cobertura da imprensa. Pior do que isso: endosso mesmo, no misto habitual de militância ideológica e ignorância de causa. Ele deu um prazo — sim,vocês entenderam direito! — de três dias para o governador Geraldo Alckmin mudar o comando da PM. Ou… Ou ele promete entrar como uma ação civil pública.
“Mas o que o Ministério Púbico Federal tem a ver com essa história?”, poderia se perguntar alguém.
Rigorosamente nada!
Este senhor exorbita claramente de suas funções. Baraldi, já disse, é imodesto! Ele quer nada menos do que uma intervenção federal em São Paulo porque, segundo ele, o comando da PM perdeu o controle dos soldados.
É inacreditável!
Ainda que o segundo semestre repita o primeiro em números de homicídios, o Estado fechará o ano com 11,4 homicídios por 100 mil habitantes, o que coloca o estado nas últimas posições — se é que não será a última — no ranking nacional.
Não, senhor Baraldi! Os companheiros terão antes de ganhar as eleições. Se ganharem, levarão!
O procurador deveria estar preocupado em saber como andam as nossas fronteiras, por onde entram armas que não fabricamos e cocaína que não produzimos. Mas não! Ele queria aplauso. E o circo foi montado para isso. Uns pobres desavisados aceitaram participar da audiência para tentar demonstrar que as coisas não eram como se dizia ali. Foram linchados moralmente, chamados de “fascistas”, aos berros! Aquilo não passava de uma chacrinha eleitoral e eleitoreira.
Daniela afirmou que a PM de mata pelas costas e se comporta como se estivesse numa guerra. Foi aplaudida. Não se contentou com isso, não! A polícia que, por ano, realiza mais de 300 mil resgates de pessoas em situação de perigo, foi acusada de prestar falsos socorros. A moça perdeu para Ivan Seixas, presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), que acusou o governo de São Paulo de ter uma política errada e criminosa. Num discurso que poderia ser entendido como incentivo à insubordinação, disse que os oficiais têm privilégios que não são garantidos aos praças (não me diga!) e que — agora vem a coisa muito grave — os policiais dispõem de um kit para incriminar as pessoas, composto de armas e drogas. Daniela e Seixas têm provas ou evidências do que dizem? Pra quê? Era uma sessão de linchamento da PM. Sabiam que teriam ampla cobertura da imprensa.
Um certo Rildo Marques de Oliveira, do Centro de Defesa dos Direitos Humanos, não teve o menor medo de ser feliz. Afirmou que o motivo da audiência pública era, vejam só, o aumento do número de homicídios e raciocinou, como quem relinchasse: se a economia cresceu, por que as pessoas estariam se matando? Uma boa pergunta a ser feita ao governador da Bahia, o petista Jaques Wagner, não é mesmo? Mas ele tem a resposta: é que a PM estaria aplicando pena de morte… Ah, bom! Disse que homens que não aceitam participar de grupos de extermínio são demitidos. Pediu o fim da militarização da corporação e conclamou: “Não podemos ter militares de 1964!” Foi aplaudido de pé!
Calma, que está faltando coisa!
A Sheila, que representa uma entidade de defesa de Direitos Humanos no bairro de Sapopemba, acusou a existência de uma lista de adolescentes marcados para morrer na região — pela PM, é evidente! Mas longe mesmo foi Débora da Silva Maria, da ONG Mães de Maio. Mandou ver: “A Segurança Pública tem de ser extinta”. Segundo ela, jornalistas que falam a verdade sobre a PM são ameaçados. É mesmo? Quem?
Não podia faltar ao evento Ariel de Castro, diretor-presidente da Fundação Criança de São Bernardo. Ele é ligado ao prefeito da cidade, Luiz Marinho, que é do PT, vai se candidatar à reeleição e já foi nomeado por Lula candidato ao governo de São Paulo em 2014.
Chamou os policiais de “bandidos de farda”. E a PM e o governo do estado seguiram apanhando, um verdadeiro pelotão de fuzilamento.
O coronel Paes de Lira e o deputado estadual Major Olímpio tentaram fazer a defesa da corporação.
Pra quê?
Foram vaiados, chamados de fascistas, aos berros.
Mal conseguiram abrir a boca.
Ai vigorava a democracia deles.
Ainda bem que a vereadora Juliana Paes, do PT!!!, estava lá para revelar a real natureza do evento. Acusou o governo do estado de “torturas contínuas”.
Fiz uma síntese das delinquências intelectuais e políticas lá ditas. E olhem que falta muita coisa! A PM, segundo o que se disse naquela audiência pública — excitada por uma campanha da imprensa contra a corporação e o governo do Estado como não vejo há anos —, não passa de um centro de tortura, que está completamente fora do controle, existindo apenas para massacrar cidadãos honestos. Os policiais, segundo aqueles valentes, nunca morrem, só matam; nunca salvam vidas, só as condenam; nunca prendem bandidos, só se acovardam; não protegem a população, só a ameaçam.
São Paulo precisa urgentemente importar tecnologia do Rio — se não a de segurança (acho que não é o caso de dobrar os mortos por 100 mil), que seja ao menos a de marketing.
Quando PM do Rio é assassinado, vira mártir e ganha carta de Dilma. Os PMs mortos de São Paulo valem menos do que cães sarnentos.
Quando acontece abuso policial no Rio, trata-se a coisa como exceção; quando acontece em São Paulo, tem-se a suposta expressão de uma rotina.
Lá vou eu citar Caetano Veloso, para sua eventual chateação: este estado paga um certo preço por não olhar quem sobe e desce a rampa!
Refiro-me à rampa do Planalto, é evidente.
Até pensei se não seria o caso de importar, então, Sérgio Cabral.
Mas acho que ele não se daria bem neste ambiente sisudo e sem charme de São Paulo.
E Geraldo Alckmin não sabe dançar na boquinha da garrafa…
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