Por Reinaldo Azevedo
Caetano fantasiado de black bloc: ele apenas viu uma estética, sabem?Mas os black blocs são também uma ética e fazem isto: Santiago Andrade ferido
Caetano Veloso, o esteta dos black blocs, que se deixou fotografar fantasiado de bandido, resolveu, mais uma vez, fazer reflexões políticas. É aquele senhor que chegou a escrever certa feita que os “os black blocs fazem parte”. Infelizmente, não revelou o complemento nominal que tinha em mente para que soubéssemos, afinal de contas, parte de quê.
Neste domingo, em seu artigo no Globo, ele volta à carga com dois truques manjados, velhos, mas que têm eficácia: atacar o veículo em que escreve para a) demonstrar independência; b) fazer com que o jornal prove, então, que ele está errado. Sempre que veículos da grande imprensa são desafiados por esquerdistas e bocós (ou a soma das duas coisas) a provar que não são “de direita”, caem no truque. Até porque não faltam nas redações… esquerdistas e bocós (ou a soma das duas coisas).
Parafraseando uma deliciosa coluna de Diogo Mainardi, sobre outras personagens, noto que Peter Pan e os black blocs têm a fada Sininho. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) tem Caetano Veloso. Caetano é a fada Sininho de Freixo. Quando a bomba dos piratas está para estourar no colo de Freixo, providencialmente aparece Caetano, batendo as asinhas. Ele carrega a bomba para longe e – bum! – estoura junto com ela, sempre pronto a se sacrificar pela Terra do Nunca.
Leiam o texto de Caetano publicado no domingo. Volto depois.
*
Gosto de Freixo não porque ele é do PSOL. Acho que gosto um tanto do PSOL por ele abrigar Freixo. Sou independente, conforme se vê. Ser estrela é bem fácil. Nada importam as piadas dos articulistas reacionários que classificam minhas posições como Radical Chic. Desprezo a tirada de Tom Wolfe desde o nascedouro. Antigamente tentavam me incluir na chamada esquerda festiva. Isso sim, embora incorreto, me agradava: a expressão brasileira é muito mais alegre, aberta e democrática do que a de Wolfe. Mas tenho vivido para desmontar o esquema que exige adesão automática às ideologias da moda. Deploro o resultado das revoluções comunistas. Todas. E, considerando o Terror que se seguiu a 1789, sou cético quanto a revoluções em geral. Na maioria das vezes, a violência se dá, não para fazer a história humana caminhar, mas para estancar seu fluxo. Olho com desconfiança os moços que entram em transe narcisista ao quebrar vidros crendo que desfazem a trama dos poderes. Ainda hoje não consigo adotar a posição que considera Eduardo Gianetti, um liberal crítico, ou André Lara Rezende, o homem que põe em discussão o crescimento permanente, conservadores. Nem acho que o conservadorismo seja necessariamente um mal. A adesão de alguns colegas meus à nova direita me deixa nauseado, não por ser à direita, mas por ser automática.
Simplesmente me pergunto qual exatamente será a intenção do GLOBO ao estampar manchetes e editoriais induzindo seus leitores a ligarem Marcelo Freixo aos rapazes que lançaram o rojão que matou Santiago Andrade. A matéria publicada no dia em que saiu a chamada de capa com o nome do deputado era uma não notícia. Nela, a mãe de Fábio Raposo, o rapaz que entregou o foguete a Caio Souza, é citada dizendo acreditar que o filho “tem algum tipo de ligação com Freixo”. Isso em resposta a uma possível declaração do advogado Jonas Tadeu Nunes, que, por sua vez, partiu de uma suposta fala da ativista apelidada Sininho. O GLOBO diz que esta nega. Como então virou manchete a revelação da possível ligação entre o deputado e os rapazes envolvidos no trágico episódio? Eu esperaria mais seriedade no trato de assunto tão grave.
Li o artigo do grande Jânio de Freitas em que ele defende a tese de intenção deliberada de assassinar um jornalista, o que está em desacordo com as imagens exibidas na GloboNews. Sem falar na entrevista do fotógrafo, que afirma que o detonador do artefato tinha mirado os policiais. Claro que me lembrei, ao ver a primeira reportagem na GloboNews, dos carros de emissoras de TV incendiados durante as manifestações, o que me levou a participar da indignação dos âncoras do noticioso. Um vínculo simbólico entre aquelas demonstrações de antipatia e o ocorrido em frente à Central é óbvio: um rojão sai das mãos de um manifestante e atinge a cabeça de um jornalista. Mas parece-me abusivo ver nisso o propósito de matar o repórter. Nas matérias que se seguiram, O GLOBO, ecoando falas do advogado Jonas Tadeu, que diz não ser pago por ninguém para defender os dois réus mas conta que um deles diz receber dinheiro para ir às manifestações, insiste em lançar suspeita sobre Freixo, por ser o PSOL, seu partido, um possível doador do alegado dinheiro. Na verdade, as declarações do advogado, mesmo nas páginas do GLOBO, soam inconvincentes. O mesmo Jânio de Freitas, em artigo posterior àquele em que defende a tese de assassinato deliberado, se mostra desconfortável com o comportamento de Jonas Tadeu. Já O GLOBO, no qual detecto uma sinistra euforia por poder atacar um político que aparentemente ameaça interesses não explicitados, trata as falas de Tadeu sem crítica. Uma das manchetes se refere a vereadores do PSOL que teriam contribuído para uma ação na Cinelândia, na véspera de Natal, sugerindo ligação do partido com vândalos, quando se tratava de caridade com moradores de rua. O tom usado no GLOBO é, para mim, de profundo desrespeito pela morte de Santiago.
Freixo, em fala firme ao jornal, desmente qualquer ligação com os dois rapazes. Ele também lembra (assim como faz Jânio) que Jonas Tadeu representou o miliciano Natalino.
Quando Freixo era candidato a prefeito, escrevi artigo elogioso sobre ele. O jornal fez uma chamada de capa que, a meu ver, desqualificava meu texto. Manifestei minha indignação. A pessoa do jornal que dialogava comigo me assegurou não ter havido pressão dos chefes. Acreditei. Agora não posso deixar de me sentir mal ao ver a agressividade do jornal contra o deputado. Tudo — incluindo os artigos de autores por quem tenho respeito e carinho — me é grandemente estranho e faço absoluta questão de dividir essa estranheza com quem me lê.
*
Comento
Caetano Veloso acha que basta classificar de “colunistas reacionários” aqueles que criticam suas irresponsabilidades para que fique tudo bem. Não, senhor! A causa a que ele, em alguma instância, aderiu já tem um morto e é hoje a força que mais constrange a imprensa livre. Essa mesma onde ele vai posar de pensador alternativo.
Os vereadores do PSOL não “teriam contribuído” com black blocs; eles contribuíram. É preciso ser Caetano Veloso para ter a cara de pau de afirmar que quem promove quebra-quebra num dia vai fazer caridade de Natal no outro. É do poeta já morto Wally Salomão a melhor expressão para designar esse lado falso sonso de Caetano: posa de “Soninha Toda-Pura”.
O “instituto”, ou algo assim, que fornece os advogados que livram da cadeia os black blocs são umbilicalmente ligados ao PSOL, a Freixo. Até outro dia, a página do partido trazia o texto de um membro da direção considerando a tática black bloc aceitável, parte do jogo político. Os covardes tiraram o texto do ar. A notícia, omitida por Caetano, saiu no Globo.
Ele faz de conta também que o Sindicato dos Professores do Rio, comandado pelo PSOL — e isso quer dizer “Marcelo Freixo” —, não promoveu ações conjuntas com os black blocs, o que foi admitido até em nota oficial. A parceria é antiga.
Raramente li texto tão desonesto intelectualmente. E, se notarem bem, não há um só lamento, uma miserável linha, nada, pela morte de Santiago Andrade. Vai ver isso também “faz parte”.
Eu achava que Caetano estava apenas decadente e que ninguém, à sua volta, por medo de perder o emprego, tinha coragem de dar um toque. Mas vejo que ele já morreu faz tempo.
Estou respondendo ao texto de um defunto moral. Vejam as duas imagens lá do alto. Caetano, nos últimos anos, vinha provocando em mim algo como repulsa intelectual. Desta feita, santo Deus!, é nojo físico mesmo. Não é assim que se lida com a morte de pessoas. Não é assim que se lida com sangue humano.
Seu irresponsável!
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Caetano, a Soninha Toda-Pura dos black blocs, decide ser a Fada Sininho de Marcelo Freixo
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
A fadinha dos black blocs – “Sininho”, 28, não trabalha, tem dois endereços no Rio — um em Copacabana —, dois RGs, já chamou policial de “macaco” e foi presa duas vezes, acusada de formação de quadrilha
Por Reinaldo Azevedo
“Sininho”, como vocês sabem, é o apelido, assim, chuca-chuca, “tinker bell”, de uma mulher de 28 anos chamadas Elisa de Quadros Pinto Sanzi (acima, em foto de Gabriel de Paiva, da Agência Globo). É aquela jovem sem ocupação conhecida — parece não precisar de emprego… — que se oferece, assim, para ser uma espécie de porta-voz, melhor amiga e relações-púbicas dos black blocs. A nossa imprensa a chama de “ativista” — o contrário, creio, deve ser “passivista”. Os pobres do Rio não simpatizam com ela, mas ela quer falar em nome deles. Ontem, tentou pegar um ônibus, mas os passageiros não permitiram a entrada da “patricinha hipócrita” (leia post na home), embora ela ostentasse a palavra “favela” na camiseta.
Leio o seguinte trecho em de Sérgio Ramalho e Rubem Berta, no Globo Online:
(…)
Sininho acumula fichas na polícia desde o início das manifestações, em junho do ano passado. A última delas aconteceu em 19 de janeiro, quando foi levada à 5ª DP (Mem de Sá) sob acusação de ter chamado de “macaco” um policial militar durante discussão na Lapa. Antes desse episódio, onde acabou indiciada por desacato e foi liberada, Sininho já havia sido presa outras duas vezes por formação de quadrilha.
A ativista é natural de Porto Alegre e afirmou, ao ser presa em 2013, que não trabalhava. Mesmo assim tem dois endereços no Rio: um em Copacabana e outro no Rio Comprido. A Polícia Civil também descobriu que a ativista possui duas carteiras de identidade, com números diferentes.
O cinegrafista Santiago Andrade, de 49 anos, teve morte cerebral anunciada nesta segunda-feira. Ele foi atingido na última quinta-feira por um rojão lançado por manifestantes durante um protesto no Centro. Foi o primeiro caso de morte entre jornalistas atacados durante os protestos que, desde junho de 2013, acontecem no Rio e em outras cidades do país.
Encerro
Deixo um conselho a Sininho: pare de cutucar o povo com a sua varinha curta.12/02/2014
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Black blocs – Resultado da reunião com Cardozo: o nada em torno de coisa nenhuma
Por Reinaldo Azevedo
Se os black blocs formassem um grupo organizado, coeso, com um centro decisório, seus membros poderiam estar rindo de orelha a orelha — escondidas debaixo de um capuz, é claro! José Eduardo Cardozo, o Garboso, encontrou-se com os secretários de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, e do Rio, José Mariano Beltrame, para discutir medidas para conter a violência.
E sabem o que eles combinaram?
Nada!
Acho que a reunião pode ter servido para marcar outra reunião. Entre as ações, estaria a adoção de um protocolo comum de ação entre as duas polícias, seja lá o que isso signifique.
Afirmar ser possível uma estratégia comum supõe que, do outro lado, exista também um discurso organizado. Mas não há nada. Tudo se resolve com certa simplicidade: cumprimento da lei. Eis uma boa ideia. Desde, é claro, que não se tope com algum “juiz para a democracia” que considere que coibir mascarados é coisa de estado autoritário…
Nem mesmo uma declaração política forte contra a violência existe. Foi uma reunião em torno do nada para decidir coisa nenhuma. Leiam o que informa Gabriel Castro, na VEJA.com.
*
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se reuniu nesta quinta-feira com o secretários de Segurança de São Paulo, Fernando Grella Vieira, e do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, para traçar um plano de ação no combate aos grupos de vândalos que têm atuado em protestos. Após o encontro, o trio anunciou intenções de realizar um trabalho integrado, especialmente na área de inteligência. Mas, de concreto, quase nada foi decidido
Foram duas horas de reunião. No encontro, os secretários de Segurança defenderam mudanças na legislação. Cardozo se comprometeu a agendar um encontro com os presidentes do Conselho Nacional de Justiça, Joaquim Barbosa, e do Conselho Nacional do Ministério público, Rodrigo Janot, para sugerir novas regras que permitam um combate mais duro aos grupos criminosos que atuam em manifestações.
Entre as propostas, estão a elevação da pena para o crime de dano (cuja pena máxima atualmente é de seis meses) e a aplicação de um agravante em caso de agressão a policiais. “O policial precisa ter uma garantia de que, quando ele apresenta alguém em uma delegacia, aquilo termine em uma ação penal”, afirmou Beltrame.
Cardozo disse que as autoridades de segurança vão acompanhar de perto as atividades dos grupos violentos para prevenir ataques, e negou que isso signifique um monitoramento de movimentos sociais pacíficos. Os órgãos de inteligência, afirmou o ministro, vão “prevenir práticas ilícitas por meio de sanções legalmente estabelecidas”.
O ministro afirmou também que pode acionar a Polícia Federal para coibir a atuação de grupos violentos. “Não podemos concordar com as situações de abuso e de ilegalidade que vêm ocorrendo em algumas manifestações”, disse.
Por outro lado, o grupo concordou em criar um protocolo unificado para padronizar a atuação das polícias do Rio e de São Paulo durante os protestos. O objetivo é impedir abusos e facilitar a negociação com os manifestantes.
31/10/2013
Cardozo e seu governo, por atos e omissões, ajudaram a promover a violência que agora tentam combater. Ou: um texto com fatos e fotos
Por Reinaldo Azevedo
José Eduardo Cardozo agora acha necessário organizar uma ação contra os black blocs?
Pois é…
Que coisa, não?
A primeira manifestação promovida pelo Movimento Passe Livre, em São Paulo, ocorreu no dia 6 de junho. Não houve a chamada “violência policial”.
Só os manifestantes botaram para, literalmente, quebrar e queimar. No dia 7, informava a Folha:
““Em protesto contra a elevação da tarifa de ônibus, metrô e trens em São Paulo, manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar, interditaram vias e provocaram cenas de vandalismo ontem à noite na região central. O ato levou à interdição de vias como 23 de Maio, Nove de Julho e Paulista na hora de pico. Estações de metrô foram depredadas e fecharam. No centro e na Paulista, quebraram placas, picharam muros e ônibus, atearam fogo, provocaram danos a um shopping e ao Masp. Os manifestantes são ligados ao Movimento Passe Livre, liderado por estudantes e alas radicais de partidos.”
O Passe Livre não deu trégua. No dia 7, promoveu outro quebra-quebra, também notavelmente violento. Mais uma vez, a Polícia Militar evitou o confronto. Novas depredações, incêndios, quebra-quebras, aí com o fechamento das marginais, causando um colapso na cidade. Os mascarados já estavam lá, atuando junto com o Passe Livre. Os jornais do dia 8 de junho traziam o devido registro.
Estava na cara que havia algo estranho no ar. Muito bem! No dia 9 de junho, o Estadão de domingo chega às bancas com uma estranha entrevista de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, tornada manchete. O alvo principal: o governador Geraldo Alckmin, em particular a política de segurança pública. Era um domingo.
Na terça-feira, dia 11 de junho, o Passe Livre e os black blocs voltaram às ruas. A violência chegava ao paroxismo. Coquetéis Molotov foram lançados contra a polícia. Um policial foi linchado. Assim evidenciavam os jornais no dia 12.
Estão acompanhando?
Até aqui, três de seis dias dedicados à depredação e à violência, com a Polícia Militar fazendo um trabalho praticamente de contenção. Entre esses dias, uma entrevista do ministro da Justiça atacando o governador. Observem que estou documentando tudo.
Aí veio a tragédia do dia 13. O Passe Livre voltou às ruas ainda mais disposto ao confronto e à pauleira. Aqui e ali já se colhiam na imprensa sinais de simpatia pelos vândalos. Mas como endossar as práticas terroristas? Era preciso que um valor mais alto se alevantasse. Jornalistas, no geral, têm mais ódio da polícia do que de bandidos com uma “boa causa”. Sei que frases como essa não me rendem uma boa fama. Escrevo o que quero. Não devo satisfações a aiatolás do pensamento. Pois bem: nesse dia, a tropa de choque combinou com “os meninos” (como diria um repórter de TV…) que eles não romperiam o cordão de policiais rumo à Avenida Paulista. Não adiantou. Eles romperam. E o pau comeu. A Polícia Militar reagiu com bombas de gás e de efeito moral e balas de borracha. Jornalistas foram alvejados. Aí a coisa toda mudou de figura, como se via no dia 14.
Uma imprensa que já estava doida para aderir encontrou ali o pretexto de que precisava. E que se note: não estou endossando a ação da PM naquele dia. Foi exagerada, atabalhoada, desorganizada. Mas não muda a moral da história.
A PM passava a ser a vilã. E os protagonistas da truculência dos dias 6, 7 e 11 eram tratados como heróis que estivessem lutando contra um estado autoritário. As TVs, em especial, passaram a dar aos trogloditas a grandeza de resistência civil. A GloboNews, por exemplo, entrou em rimo de AL Jazeera cobrindo a Primavera Árabe. A diferença nada ligeira é que o Brasil é um estado democrático.
CARDOZO DE NOVO!
Naquele mesmo dia 13, com a cidade tomada pelo caos — eu voltava de uma palestra no Rio e fiquei quase cinco horas preso no Aeroporto de Congonhas porque meu bairro estava sitiado por vândalos —, Cardozo concedeu uma entrevista aos portais oferecendo “ajuda” ao governador Geraldo Alckmin. Não telefonou, não conversou, não procurou nem foi procurado. Falava pela imprensa. Tirava uma casquinha. Fazia de conta que o problema era de São Paulo.
No dia 17, marca-se outra manifestação em São Paulo. A Polícia aceita as condições dos trogloditas que haviam vandalizado a cidade no dias 6, 7, 11 e 13: nada de tropa de choque, nada de bala de borracha, nada de bombas e nada de restrição a áreas de protesto. Qualquer lugar é lugar. Tudo pode e tudo vale. Os petistas aderiram ao protesto. Já não era mais pelos 20 centavos, dizia-se, mas por cidadania, sei lá o quê. Algo começava a sair do planejado: em São Paulo, a convocação reuniu 65 mil pessoas. A do Rio, que seria apenas em solidariedade, juntou mais de 100 mil… Epa!!!
No dia 18 de junho, aí era a Folha que trazia outra entrevista de José Eduardo Cardozo, também contra o governo de São Paulo, com ataques diretos à Polícia.
Concedida no dia 17, antes do término das manifestações, este gênio usou como exemplo bem-sucedidos as polícias do Rio e do Distrito Federal:
“O que vi em SP, e as câmeras mostraram, é de uma evidência solar que houve abuso. Vi o que aconteceu no Distrito Federal e no Rio. Padrões de comportamento bem diferentes”.
Patético! Naquele dia 17, não houve violência em São Paulo. Alguns bananas tentaram invadir os jardins do Palácio dos Bandeirantes, mas nada muito grave. No Rio, no entanto, um dos bons exemplos de Cardozo, assistiu-se aos caos, como isto aqui:
Brasília
O ministro da Justiça que “ofereceu” ajuda a Alckmin no dia 13, que já o havia atacado no dia 9 e que censurou a polícia de São Paulo no dia 17, tinha tudo para organizar, então, com o seu aliado Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal, uma ação preventiva exemplar quando o protesto chegou ao Distrito Federal, certo?
Pois bem! No dia 20, o caos se instalou em Brasília. Meteram fogo no Itamaraty. E ninguém ouviu a voz de Cardozo, o chefe da Polícia Federal e o homem que pode acionar a Força Nacional de Segurança.
Vejam.
Setores importantes da imprensa, as esquerdas de modo geral e o governo federal promoveram a demonização da Polícia Militar de São Paulo, que logo virou a demonização de qualquer polícia. Também se inventou a mentira estúpida de que manifestantes eram uma coisa, e baderneiros, outra. Chegou a ser por um brevíssimo período. Logo, os chefes dos protestos deixaram claro que os mascarados eram a sua tropa de choque e que eles estavam juntos.
A violência que José Eduardo Cardozo agora diz querer combater é a mesma que ele e seu governo, por atos e omissões, estimularam. Em São Paulo, muitos patriotas estavam certos de que a confusão lhes seria eleitoralmente útil. Deu no que deu.
Este não é um texto de opinião. É um texto com fatos e fotos.31/10/2013
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Em SP, a conversa dos hipócritas e a marca dos violentos. Ou: O endosso à ética e à estética da violência. Ou ainda: Muita gente brincou com fogo. Eis aí…
Por Reinaldo AzevedoTão nefastos como os black blocs são os hipócritas. Os invasores da Reitoria da USP — também eles pertencem, na maioria dos casos, ao PSOL e ao PSTU, os mesmos que comandam a patuscada no Rio — marcaram um protesto em São Paulo. Pedem eleições diretas para o comando das universidades paulistas e se dizem solidários com os professores do Rio. O dito protesto reuniu umas 400 pessoas, que decidiram marchar para o Palácio dos Bandeirantes. Gritam ainda palavras de ordem contra Geraldo Alckmin e Sérgio Cabral…
Muito bem. Um grupo acabou se desgarrando. Vi há pouco pela TV uma verdadeira invasão de uma loja da Tok & Stok, na esquina da Eusébio Matoso com a Marginal Pinheiros. Clientes correram apavorados. Sim, são os mascarados de sempre, aquela gente que o doutor Wadih Damous, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, se nega a condenar com a veemência com que critica a Polícia Militar. A condescendência de setores importantes da imprensa com esses marginais produziu esse estado de coisas. Houve depredação também da estão Butantã do Metrô.
Por que me referi aos hipócritas no início deste post? Leiam pequenas notas publicadas no Estadão online. Volto em seguida.
19h36 – Mascarados tentam se esconder no estacionamento de uma unidade da rede de lojas Tok & Stok, na esquina da Avenida Eusébio Matoso com a Marginal do Pinheiros. Uma grande quantidade de policiais tentam cercar quem se desprendeu do bloco central. Há focos de incêndio na pista e rojões estão sendo lançados por parte dos manifestantes.
19h31 – Mascarados entram em confronto com a policia, jogando coquetéis molotov. A PM responde com bombas de gás e persegue os black blocs, que entraram em um posto de gasolina na Marginal do Pinheiros para se defender.
19h12 – Tumulto na Avenida Eusébio Matoso: manifestantes destruíram os vidros de uma concessionária na altura do Shopping Eldorado. O policiamento foi reforçado no local, e a marcha parou momentaneamente. Logo foi retomada e se encontra na Ponte Eusébio Matoso, totalmente interditada no sentido da Avenida Francisco Morato.
19h05- Manifestantes deixam pichações na Avenida Eusébio Matoso enquanto seguem no sentido Marginal do Pinheiros: “Mais escolas”; “Escolas padrão Fifa” e “Fogo na PM” foram algumas das mensagens escritas.
19h01 – Manifestantes e um grupo de mascarados tiveram um pequeno atrito. Os mascarados jogavam sacos de lixo na rua e tentavam tirar as bandeiras presentes na passeata, atitude repudiada pelo restante dos participantes do ato. Membros do Diretório Central de Estudantes da USP chegaram a repreender os mascarados usando o megafone.
Voltei
Atenção! Estes que aparecem aí supostamente repreendendo a ação de vândalos invadiram a Reitoria da USP com marreta e pé de cabra. Muitos deles estavam também mascarados. Acham, portanto, que a depredação e a violência são caminhos eficazes para a luta política. Não reconhecem o estado de direito. Há um arcabouço legal para a eleição do reitor da USP. Eles têm todo o direito de querer mudar a lei, mas não pode ser de marreta na mão. Ou pode? Segundo a Justiça de São Paulo, sim! Foi negada uma liminar de reintegração de posse. O juiz preferiu acusar a intransigência da Reitoria — vale dizer: da vítima.
Ataque a uma equipe da Globo
Uma equipe da Rede Globo foi atacada por black blocs, e a lente de uma câmera foi pichada. Os black blocs só aceitam o acompanhamento da chamada “Mídia Ninja”, que os trata como verdadeiros poetas da democracia. Na expressão de Bruno Torturra, ligado ao grupo — que é financiado pelo Fora do Eixo, aquela turma acusada de explorar trabalho similar à escravidão —, o black blocs são, antes de mais nada, “uma estética”.
Deve ser assim mesmo, não é? Li em algum lugar que Torturra foi um dos convidados do encontro promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Pelo visto se considera que ele tem muito a ensinar, nem que seja no campo ético, não é mesmo? Acompanho a cobertura na Globo News. Há quebra-quebra e confronto em São Paulo e no Rio. A emissora chama bandidos de “manifestantes” e pauleira de “manifestação”. O que aconteceu com o sentido das palavras? Não sei. Esse vocabulário ajuda a explicar por que chegamos aqui. Ainda voltarei a esse tema. Muita gente decidiu brincar com fogo. Eis aí. Alguns equivocados acharam que se podia abrir impunemente a caixa de Pandora. Não é possível. Nem no mito nem na vida.
15/10/2013
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terça-feira, 8 de outubro de 2013
Enquanto Dilma exaltava as “manifestações” no Programa do Ratinho, o pau comia no Rio e em São Paulo. Estava escrito na estrela
Por Reinaldo Azevedo
Tomei uma decisão editorial. Sempre que eu escrever sobre a barbárie promovida por fascistas mascarados, a primeira imagem do meu texto será essa. Sim, é Caetano Veloso. Ele é favorável à censura prévia no caso das biografias, mas contra a repressão aos black blocs. Aos fatos da hora.
Enquanto o pau comia nas ruas em São Paulo e no Rio, Dilma Rousseff concedia uma entrevista a Ratinho. Não há nada de errado com o apresentador. Faz o trabalho dele. A questão é saber se ela faz o dela.Enquanto a presidente dizia no SBT que “os protestos fazem parte do processo da democracia e da evolução social do Brasil”, os mascarados do Black Bloc faziam isto em São Paulo.Black blocs destroem e viram carro da PM em SP (Foto: Eduardo Anizelli-Folhapress)
Enquanto a presidente dizia a Ratinho que os protestos “têm um sentido positivo”, os black blocs faziam isto no Rio.
Enquanto a presidente fazia poesia e garantia que os manifestantes querem “mais garantias de direitos” e “mais democracia”, na capital fluminense, assistia-se a esta beleza:Agência bancária é depredada no Rio por black blocs (foto: Christophe Simon-AFP)Bomba incendiária é lançada contra a Assembleia Legislativa do Rio (Foto: Pablo Jacob – Agência O Globo)Enquanto a presidente interpretava os tais protestos como coisa de gente que quer sempre avançar, os “avançados” faziam coisas como esta:No Rio, Black blocs acendem coquetel molotov para lançar contra PMs (Foto: Christophe Simon-AFP)Em SP, os black blocs lançam com estilingue artefato incendiário contra policiais (foto: Fábio Braga-Folhapress)
Então vamos verO que você sente, leitor amigo, telespectador amigo, quando repórteres e apresentadores de TV recorrem à expressão “manifestação pacífica”? Não está cansado dessa ladainha, dessa mentira escancarada, dessa pilantragem jornalística? Estão querendo enganar a quem? Nesta segunda, a violência estava inscrita na própria convocação dos atos, desde o começo. Questionei aqui: que sentido fazia marcar um protesto em São Paulo em apoio aos grevistas do Rio?Era o PSOL, que invadiu a Reitoria da USP, se solidarizando com o PSOL que comanda a absurda greve dos professores no Rio. Tanto lá como cá, contava-se com a colaboração dos black blocs, não é? No Rio, como num desfile de escola de samba, criou-se uma comissão de frente, com jovens e uma criança, batizada de “Tropa de Prof”. Parte da imprensa carioca delirou, achou lindo, achou demais, fez poesia, babou de satisfação. Às vezes, tenho a impressão de que há mais black blocs nas redações do que nas ruas. Vejam a foto.Comissão da Frente da Escola Unidos do Reacionarismo, que fez delirar parte da imprensa carioca (Foto: Christophe Simon-AFP)Logo atrás, vinha uma outra ala, a dos… black blocs propriamente. E, como é de seu feitio, mandavam a polícia se f…r.Black blocs estavam na manifestação dos professores desde o começo: eram uma ala do desfile (Foto: Cristophe Simon-AFP)Respondam, senhores apresentadores de TV. Respondam, senhores jornalistas de TV. Respondam, senhores editores de TV. Respondam, senhores diretores de jornalismo de TV. Quem, planejando uma “manifestação pacífica”, aceita a colaboração dos black blocs já na própria organização do suposto ato de protesto?O chato é que a condescendência com a violência e com a desordem não muda o espírito dos que odeiam a imprensa livre e o jornalismo, como se vê na foto abaixo.Black blocs e professores fundidos num grupo só: hostilidade injustificada à TV GloboEmbora a Globo faça uma cobertura dos eventos de rua que, para ser ameno, é “amigável” com os protestos, os trogloditas continuam a satanizá-la. Se, amanhã, num ato de delírio extremo, a emissora passasse a tratar os black blocs como heróis, eles a acusariam de tentativa de cooptação. Não existem nem amenidade nem adesão o bastante para a fome do gigante.País estúpido Leiam este trecho em azul. A grande mentira é esta: as manifestações nunca foram pacíficas, desde o início. Depois que se decretou que a “culpa é da polícia” e que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, debaixo de uma artilharia como nunca se viu, foi obrigada a declarar qualquer área da capital território livre para as manifestações — “sem repressão” —, estava, para lembrar imagem que usei aqui, aberta a Caixa de Pandora. Como no mito, só a esperança ficou grudada ao fundo. Os males do mundo escaparam todos.Mais: teve início outra tese ridícula — a da “maioria pacífica”, uma espécie, como direi?, tautologia conceitual. Quando a maioria não é pacífica, o que se tem é revolução. Aliás, também as revoluções são feitas por minorias. A questão é saber se elas são ou não usadas como instrumento de luta. Ou foram os “pacíficos” que empurraram os governadores e prefeitos contra a parede? (…) O governo federal está recuperando a ofensiva no terreno político, e não há muito o que a oposição possa fazer. Com as pessoas comuns um pouco assustadas e de volta a seus lares, sobraram nas ruas a turma da porradaria e os radicais de esquerda, que já se mobilizam para dirigir de modo mais claro os ataques contra a imprensa — a mesma que incensou o movimento. E desqualifico, mais uma vez, uma mentira estúpida: o jornalismo não entrou nessa “para derrubar Dilma”, não! Entrou porque não resiste a qualquer coisa que tenha cheiro de povo. (…) Vá lá na Suécia e diga que tudo vale a pena se a disposição não é pequena para ver o que acontece. Lembram-se do furacão Katrina, nos EUA? As vítimas foram mandadas para escolas e alojamentos. Todos estavam unidos na tragédia, não é? Os idealistas esperavam solidariedade, a ajuda mútua etc. As Forças Armadas americanas estavam lá. Mesmo assim, começaram a se multiplicar os casos de estupro, e as autoridades alertaram: “Protejam-se; não temos como evitar esses atos”.“Ah, então o povo, deixado por sua própria conta…” Sim, é isso mesmo! É por isso que existem governos e pactos sociais. O estado não precisa ser o Leviatã, não! Mas precisa ter legitimadas as suas forças de contenção. Ou é a guerra de todos contra todos. Uma coisa é criticar os maus policiais; outra, como se fez, é deslegitimar as polícias. É visível que as PMs do Brasil inteiro estão com medo de agir. Os policiais temem parar atrás das grades por cumprir sua função.Se a amiga da presidente Dilma, a tal Rosa Maria, da Comissão da Verdade, elege as PMs como inimigas do povo e dos direitos humanos, então está declarado o vale-tudo. Vale-tudo que setores da imprensa pediram e aplaudiram. E agora? Agora são as próximas vítimas.Retomo Este é trecho de um post que escrevi aqui no dia 27 de junho de 2013, há mais de três meses. Quem se orienta segundo princípios inegociáveis não precisa esperar o desenrolar os fatos para dizer “não” ao que merece “não”. E eu digo “não” à violência que é dirigida contra as balizas do regime democrático.VOCÊS SABEM QUE JAMAIS ME DEIXEI LEVAR PELO CANTO DA SEREIA, NÃO É? APANHEI MUITO POR ISSO, INCLUSIVE DE ALGUNS LEITORES HABITUAIS DO BLOG.“É necessário ficar lembrando o que você escreveu?” É, sim! Não é sem um custo razoável que se afirmam certas coisas, na contramão, na contracorrente, quando há quase uma unanimidade em sentido contrário. É preciso ter memória.Volto a Dilma Na entrevista ao Ratinho, Dilma afirmou que, sem as manifestações, talvez o governo não tivesse conseguido aprovar os 75% dos royalties do pré-sal para a educação e 25% para a saúde e criar o programa “Mais Médicos”. Num caso, conta-se com o ovo na barriga da galinha. No outro, como é sabido, o programa já estava em curso e nada tinha a ver com a saúde dos brasucas, e sim com os cofres de Cuba. Isso é o de menos. O que importa é que o governo se desvinculou dos protestos, como antevi que aconteceria ainda em junho, e largou a barbárie para ser resolvida pelas Polícias Militares, que, prudentemente, cansaram de ser vítimas das milícias politicamente corretas das redações.Se setores da imprensa, a exemplo de Caetano Veloso, acham que os black blocs “fazem parte”, por que seriam os homens de farda a dizer que não?
Eles, convenham, pertencem àquele grupo que detém o monopólio do uso legítimo da força. Se os “companheiros” da imprensa acham que esse monopólio foi transferido para os outros fardados, os mascarados, não há muito o que os policiais, que são apenas o povo de farda, possam fazer. Os respectivos comandos das PMs deveriam mandar seus homens saírem às ruas distribuindo rosas & poesias.
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Não toquem em Voltaire!
Olhem bem este rapaz.
Por Reinaldo Azevedo
Ele está com uma barra de ferro na mão e depreda uma agência bancária em São Paulo. Veste o uniforme de sempre. Alguns sinais indicam que é bastante jovem, talvez um “dimenor”.
Muito bem! Em 1968, Jean-Paul Sartre tinha 63 anos, mas já estava mais gagá do que Caetano Veloso, com 71 — entendam: não é uma questão de idade cronológica, mas de decrepitude intelectual. Sartre apoiava os atos violentos da juventude maoísta e distribuía seus jornalecos.
Ainda na Presidência da República, perguntaram a De Gaulle como agir com o dito-cujo. O presidente deu ordens para que não se tocasse no filósofo com a frase: “Não se pode prender Voltaire”.
Esse rapaz aí acima é o nosso Sartre, é o nosso Voltaire. E este, aí abaixo, é o nosso adolescente black bloc.
07/10/2013
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terça-feira, 13 de agosto de 2013
Nesta quarta, haverá petistas, Passe Livre, black blocs e Mídia Ninja nas ruas de SP. Lula deu o comando: Alexandre Padilha precisava entrar no jogo
Por Reinaldo Azevedo
Luiz Inácio Apedeuta da Silva esteve num encontro do PT do Interior (de São Paulo), que ocorreu na sexta e no sábado passados, em Bauru.
Foi o lançamento não oficial da candidatura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo do Estado de São Paulo.
Regozijando-se com as denúncias sobre a formação de cartel, exultante mesmo, feliz a mais não poder, Lula — este monumento à ética da política pátria — comemorou com Padilha: “Você entrou no jogo!”.
Ora, isso remete ao começo de tudo, não é mesmo?
Vamos lembrar um tantinho.
As primeiras manifestações violentas, cujo pretexto era o reajuste da passagem de ônibus, se deram em São Paulo, reunindo meia dúzia de gatos-pingados.
Os protestos sempre foram caracterizados por uma incrível truculência e por provocações deliberadas dirigidas contra os policiais militantes, em particular contra a tropa de choque.
Agora sabemos de tudo.
Os black blocs já estavam lá.
A tal Mídia Ninja, do grupo petista Fora do Eixo, já estava lá.
A baderna, o quebra-quebra, a busca de confronto com a PM, todos esses atos eram deliberados.
O resto é história, que já contei aqui muitas vezes. O que interessa é deixar isto registrado: o intuito era mesmo provocar a bagunça em São Paulo, de olho já nas eleições.
O tiro acabou saindo pela culatra — e, sobre isso também escrevi dezenas de textos.
A desordem não se instalou por aqui, e o governador Geraldo Alckmin acabou com a imagem menos arranhada do que a da própria presidente Dilma Rousseff.
Urgia fazer alguma coisa.
E, tchan, tchan, tchan!!!
Eis que surgem os vazamentos da investigação dita “sigilosa” que se dá no Cade sobre a formação der cartel, com base num acordo de leniência firmado pela Siemens com o órgão federal e com o Ministério Público.
Como deixam claros os documentos, as suspeitas não recaem apenas sobre São Paulo, não.
Mas, por alguma razão, os ditos “executivos” parecem ter se esmerado em fornecer e-mails que comprometem só o estado.
Pois é!
A Siemens, não obstante, é a maior fornecedora da área de energia para o governo federal.
Mas esse não é eixo deste texto (há outros posts a respeito).
Lula sempre oportuno
Lula, como sempre, diz coisas oportunas. Era preciso pôr Alexandre Padilha no jogo, certo?
Lá no governo federal, ninguém se conforma com o fato de que um aliado importante, como Sérgio Cabral, teve a reputação calcinada pelos protestos.
Em São Paulo, não se deu o mesmo. Então os companheiros decidiram que era chegada a hora de promover o baguncismo por aqui também.
Assim, o Passe Livre — um dos aliados barulhentos do PT nas eleições de 2010 e 2012 — decidiu marcar uma manifestação de protesto para esta quarta-feira.
O PT, claro, aderiu.
Trata-se, de fato, de uma parceria.
E, podem esperar, em casos assim, aparecem os black blocs e seus porta-vozes oficiosos: a Mídia Ninja, aquela gente que pertence ao tal “Fora do Eixo”, de Pablo Capilé.
Mais uma vez, a tática será a mesma: tentar promover o caos na cidade com o objetivo de atingir a reputação do governo do estado.
Afinal, como disse Lula, Alexandre Padilha precisava “entrar no jogo”.13/08/2013
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