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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Vargas, a pedra do meio do caminho do comando petista



E o deputado André Vargas (PT-PR), decidiu mesmo resistir e se nega a renunciar ao mandato.


O comando do PT está furioso com ele, e já se fala abertamente em expulsão.

Será?
 
Por Reinaldo Azevedo

Se eu fosse petista, daquele tipo que faz reunião em barraca, também estaria. Vamos ver. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) apresentou hoje o seu relatório ao Conselho de Ética da Câmara. Fez o que dele se esperava: defendeu a cassação do mandato de Vargas por quebra do decoro parlamentar.

Há duas acusações fundamentais contra ele: ter aceitado o jatinho fretado pelo doleiro Alberto Youssef e ter mentido aos deputados sobre a sua proximidade com Youssef, preso pela Polícia Federal no âmbito da operação Lava Jato.

Qual seria o trâmite normal? Cada membro do conselho se posicionaria sobre o texto de Delgado, e a decisão seria submetida ao plenário na Câmara, agora em voto aberto. Vargas será cassado. É um cadáver adiado apenas.

O ainda deputado tem, no entanto, defensores e amigos no partido. O deputado José Geraldo (PA) decidiu pedir vista, adiando o parecer da comissão e estendendo, obviamente, o processo. Desde que as relações de Vargas com Youssef vieram a público, observei aqui que ele não era da mesma têmpera de um Delúbio Soares, por exemplo.

Não está disposto a se sacrificar para preservar o partido. E tem defensores na legenda, como os deputados Cândido Vaccarezza e José Mentor, ambos de São Paulo, e Luiz Sérgio, do Rio.

Vargas já havia anunciado que iria renunciar ao mandato. Ocorre que, segundo o parágrafo 4º do Artigo 55 da Constituição, depois de admitido o processo no Conselho de Ética, ele não pode mais ser interrompido pela renúncia.

Ocorre que essa disposição vem de um tempo pré-Lei da Ficha Limpa, quando um parlamentar enroscado em falcatruas podia renunciar para se livrar da cassação, preservando seus direitos políticos e se candidatando na eleição seguinte. Isso, hoje, não é mais possível. Ao renunciar, Vargas já está inelegível por oito anos a partir de 2015.

Notem: não existe lei nenhuma que impeça alguém de renunciar. O que a Constituição determina é que o processo prossiga. Mas como cassar o mandato de quem já não é mais deputado ou suspender os direitos políticos de quem já os tem suspensos? A questão, fatalmente, iria parar na Mesa da Câmara, que não teria como recusar a renúncia. E, provavelmente, não haveria mais processo nenhum. Vargas sairia de cena, e a questão estaria encerrada.

É o que quer desesperadamente o comando do PT. Mas Vargas, até agora, não topou. Não custa lembrar que ele já andou fazendo algumas ameaças. Rui Falcão, presidente do PT, o fez ver que ele pode prejudicar as campanhas de Alexandre Padilha e Gleisi Hoffmann aos governos de São Paulo e do Paraná, respectivamente, e da própria Dilma. O homem, no entanto, resiste e tem dado a entender que trabalha para o partido, não para si mesmo.

No PT, há quem defenda abertamente a sua expulsão.
O seu caso está sendo apreciado também pelo Conselho de Ética da legenda.

Quem sabe isso ainda tenha um outro desdobramento virtuoso, não é?

Vargas é expulso e conta tudo o que sabe.

O que lhes parece?

Não custa ter alguma esperança.

22/04/2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014

André Vargas puxou a faca, e os petistas graúdos saíram correndo. Quem tem Vargas tem medo! Na mira, Padilha, Gleisi e Bernardo




André Vargas:
ele agora faz ameaças nem tão veladas a “companheiros”.

Quer ficar no partido; julga ter moral compatível com a legenda.

Como discordar?

Por Reinaldo Azevedo


Afirmei aqui na sexta-feira que o deputado André Vargas (PT-PR) andou dizendo coisas desagradáveis a seus companheiros. Não aceita ser enxotado do partido e promete reagir. Pelo visto, o PT entendeu o recado. A disposição de puni-lo até com a expulsão se transformou numa comissão para ouvir os seus motivos.

Segundo reportagem de Daniel Pereira e Robson Bonin na VEJA desta semana, os primeiros, digamos, “ameaçados” por Vargas são Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, que vai concorrer ao governo de São Paulo, pelo PT; a senadora Gleisi Hoffmann, que deve disputar o governo do Paraná pelo partido, e seu marido, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Vargas estaria insinuando a “companheiros” que Paulo Bernardo é beneficiário de propinoduto da Petrobras e que seria intermediário de contratos entre o grupo Schahin, que costuma aparecer em escândalos petistas, e a estatal. O ministro teria recebido uma corretagem por isso, devidamente repassada ao “Beto”, que é como Vargas chama o doleiro Alberto Youssef.

Schahin? Lembram-se de Marcos Valério, o operador do mensalão petista? Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que a construtora simulou no passado uma prestação de serviços para a Petrobras para arrumar dinheiro para os petistas comprarem o silêncio de um empresário que ameaçava envolver Lula e outros membros da cúpula do partido na morte de Celso Daniel.

As insinuações vão além. A senadora Gleisi e seu marido não gostariam ainda de ver expostas as suas relações com a Agência Heads Propaganda do Paraná. Seria, na expressão atribuída a Vargas, um “esquema deles”.

Bem, no governo Dilma, a Heads se tornou líder no recebimento de verbas da propaganda oficial. A ascensão foi tão espetacular que chamou a atenção do Tribunal de Contas da União, que decidiu apurar se há algo de errado. Todo mundo, evidentemente, nega tudo. Só uma coisa é inegável: até agora, Vargas não demonstra disposição de ir para o cadafalso em silêncio.

Sem saída
O chato para o petismo é que não há saída virtuosa para essa história. Leiam a reportagem de VEJA, que foi a Indaiatuba conhecer a Labogen, que, acreditem, no papel, pertence a um frentista chamado Esdra Ferreira. Também no papel, ele tem um sócio, o “autônomo” Leonardo Meirelles. Os dois já admitiram para a polícia que, de início, a Labogen era mesmo uma empresa de papel. Mas muito bem-sucedida, claro!!! Sem produzir um comprimido ou um supositório, faturou R$ 79 milhões entre agosto e novembro de 2010. Um portento!

Com a influência de Vargas, os técnicos do Ministério da Saúde, comandado por Padilha, foram vistoriar os equipamentos da Labogen para saber se esta estava apta a fazer a parceria com a gigante EMS e com o Laboratório da Marinha. Equipamentos??? Esdra, o frentista, contou à polícia: o maquinário era sucata comprada em cemitério de peças, revestida de alumínio, “para dar a aparência de novas”. Mesmo assim, a parceria ganhou um sinal verde. Leiam reportagem na edição desta semana.

Vargas, como está dito, puxou a faca. E os petistas tremeram. Mais um pouco, ele também vai virar “guerreiro, herói do povo brasileiro”.

Parece que tanto empenho em tentar impedir a CPI da Petrobras vai um pouco além da “questão política”, não é mesmo?

4/04/2014



sexta-feira, 11 de abril de 2014

Gleisi não enxerga nem a Petrobras, Gilberto Carvalho vislumbra uma conspiração encabeçada por FHC, Renan não vê coisa nenhuma e Rui Falcão entra na briga com o apoio do companheiro André Vargas




Por Augusto Nunes

“A chefa não viu problema nenhum em Pasadena, não viu nada de errado na Abreu e Lima e avisou que, em respeito aos superiores interesses do governo e da nação, nessa ordem, não está conseguindo enxergar direito nem a Petrobras”, avisou um dos 77 funcionários de confiança de Gleisi Hoffmann, durante a solenidade que anunciou a candidatura da senadora ao título de Homem sem Visão de Abril.

“Ela está disposta a tudo para se juntar ao timaço abrilhantado por gente como Ideli Salvatti, Marilena Chauí e Dilma Rousseff, entre outras maravilhas femininas da fauna nacional contempladas com o troféu. Além do mais, ela ganha de goleada no quesito estampa & fachada”.
Como André Vargas não pôde inscrever-se por ter arrebatado o HSV de Fevereiro, o melhor amigo do doleiro Alberto Yousseff vai pedir um jatinho emprestado para ajudar a eleger o companheiro Rui Falcão. O presidente do PT credenciou-se para entrar na briga de foice ao não enxergar nenhuma ligação entre o PT e o deputado do PT do Paraná que o PT indicou para a vice-presidência da Câmara.

Ao saber da entrada em campo dos dois craques, Renan Calheiros escalou um dos 12 mil servidores comissionados do Senado para protocolar sua candidatura. Antes de embarcar rumo a São Paulo num jatinho da FABTur requisitado pelo presidente da Casa do Espanto, o servidor público teve de decorar a mensagem manuscrita que o chefe enfiou em seu bolso: “Quem nunca viu nada de errado em nenhum governo de nenhum partido merece mais que o troféu mensal: merece ser o HSV do Ano”.

Conforme informou a reportagem sobre a entrega do título de março a Luís Roberto Barroso, o caixa-preta Gilberto Carvalho conseguiu autorização para ingressar na disputa antes que abril começasse. A exceção foi aberta porque o secretário-geral da Presidência enxergou no rebaixamento da nota de crédito do Brasil uma conspiração que juntou Aécio Neves e a agência S&P, sob a supervisão de Fernando Henrique Cardoso.

É só campeão em campanha, leitores-eleitores! Outras feras se preparam para entrar na jaula! Quem será o vencedor? Ou vencedora? Que vença o pior!
10/04/2014


terça-feira, 8 de abril de 2014

Se lhe sobrou algum juízo, Vargas deve aproveitar a licença para cuidar de álibis e roteiros que o livrem de atuar na cadeia



“Tô no limite. Preciso captar”, aflige-se o doleiro Alberto Youssef na mensagem ao deputado federal André Vargas.


Augusto Nunes


“Vou atuar”, informa o vice-presidente da Câmara, com a segurança de um colecionador de estatuetas do Oscar, ao amigo e parceiro de negócios escusos.

Entre tantas frases extraídas de diálogos entre a dupla de vigaristas, divulgadas por VEJA neste fim de semana, nenhuma instiga tão irresistivelmente a imaginação de quem conhece André Vargas quanto essa resposta: “Vou atuar”. Com apenas duas palavras, o canastrão do PT paranaense declara-se pronto para entrar em cena encarnando o protagonista fora-da-lei prestes a virar multimilionário na vida real.

Bastaria não tropeçar no script, bastaria caprichar na performance para que fosse materializado o sonho resumido por Youssef em outra troca de recados capturada pela Polícia Federal: “Você vai ver o quanto isso vai valer… Tua independência financeira e nossa também, é claro…” Uma causa de tamanho calibre justifica qualquer esforço. Por um jatinho para chamar de seu, o suarento pai da pátria toparia molhar não só a camisa, mas também os sapatos, as meias, a calça, as peças íntimas, a cinta, a gravata e o paletó cujo corte sufocante denuncia alguém que se acha muitos centímetros mais alto e algumas arrobas menos gordo.

A alforria econômica foi adiada por VEJA, com uma reportagem que fez mais do que transformar o sócio de Youssef em outra evidência ambulante de que sábado é o mais cruel dos dias para gente com culpa no cartório. Ao pulverizar o desfile de mentiras que promoveu na tribuna da Câmara, a reportagem também tornou inviável a permanência no cargo de um vice-presidente que tenta tapear o plenário para escapar da degola e do xilindró. E apressou o pedido de licença que Vargas apresentou nesta segunda-feira. Oficialmente, ficará distante do Congresso por 60 dias. Se o Poder Legislativo ainda não revogou o que resta de vergonha, o sumiço será perpetuado pela cassação do mandato.

Pressionado por líderes do PT e de partidos aliados, todos convencidos de que o colega louco por um jatinho não escaparia da cassação caso permanecesse exposto aos holofotes, Vargas deixou o palco alegaldo a necessidade de “cuidar de interesses particulares” e ”preparar sua defesa diante do massacre midiático que está sofrendo, fruto de vazamento ilegal de informações”. Se o despachante de doleiro especializado em cofres do Ministério da Saúde e da Petrobras não perdeu o juízo de vez, passará os próximos meses ensaiando o que dizer no tribunal sob a direção de um advogado capaz de forjar álibis, falas e roteiros menos bisonhos.

Ou Vargas melhora o desempenho ou logo estará atuando na cadeia.


07/04/2014

 

sábado, 5 de abril de 2014

NA VEJA DESTA SEMANA – Tchau, ex-deputado André Vargas!


 Vai renunciar agora ou aguarda a cassação do mandato?

Em seu blog, André Vargas exibe suas amizades influentes; acima, em companhia de Dilma
Em seu blog, André Vargas exibe suas amizades influentes; acima, em companhia de Dilma
                                   Por Reinaldo Azevedo

Como lembra a “Carta ao Leitor” da edição de VEJA desta semana, costuma haver uma relação diretamente proporcional entre o ódio à liberdade de imprensa e o apreço pela lambança. Ou por outra: os que têm muito a esconder costumam ser os mais entusiasmados com a censura.

E não seria diferente com o deputado André Vargas (PT-PR), ex-secretário nacional de Comunicação do PT, entusiasta do “controle social da mídia” (que é a expressão a que recorrem vigaristas para designar a censura), membro da tropa de choque que saiu em defesa dos mensaleiros e, por um bom tempo, chefe político da rede do subjornalismo delinquente que chama a si mesma, num rasgo de sinceridade, de “blogs sujos”.

Pois é…

O meteórico André Vargas meteu os pés pelos pés e foi flagrado pela Polícia Federal prestando serviços àquele que pode ser chamado, sem favor, de seu sócio: o doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava-Jato.

O plano era encher o bolso de dinheiro, fazer a “independência financeira” às custas dos cofres públicos.

Reportagem na edição de VEJA desta semana põe um ponto final na questão e, tudo indica, na meteórica carreira de Vargas.

Parece que a questão agora é saber se ele renuncia já ou espera a cassação do mandato.

Como se sabe, não existe mais voto secreto para proteger gente da sua estirpe.
Amigão de Youssef e “homem muito influente no PT”, Vargas era, nas hostes do governismo, como posso adequar o adjetivo à sua prática?, um fuçador de oportunidades de negócio para o doleiro, que sabia ser grato.

Como informou a Folha, alugou um jatinho para levar o deputado e a família em viagem de férias à Paraíba. Custo do mimo: R$ 100 mil. O deputado folgazão definiu o agrado como “coisa de irmão”. Nem diga!
“Empresário” de múltiplos talentos, Youssef é dono de uma “empresa” de nome imponente: “Labogen Química Fina e Biotecnologia”. É um troço que existe no papel, não na vida real. Nem mesmo chega a ter planta industrial. Seu feito mais notável, até agora, segundo a Polícia Federal, é ter enviado para o exterior, de forma irregular, US$ 37 milhões.
Muito bem!

Vargas, o parceirão de Yousseff, detectou no Ministério da Saúde, então sob o comando de Alexandre Padilha — agora candidato ao governo de São Paulo pelo PT —, a chance de um contrato milionário para fornecimento de remédio, coisa, assim, de R$ 150 milhões.

Mas como é que a Labogen, uma biboca com capital social de R$ 28 mil e folha de pagamentos de R$ 30 mil, poderia se candidatar a tamanha grandeza?

É para isso que servem os amigos. É nesse ponto que entrou André Vargas — leiam a reportagem da revista.

A síntese é a seguinte: a Labogen, mera empresa de fachada, conseguiu se associar à EMS, uma gigante na produção de genéricos, o que lhe conferiria um ar de seriedade, e pronto!

Tudo resolvido.

O diálogo captado pela Polícia Federal entre Vargas e Youssef não deixa a menor dúvida. O deputado petista relata a Youssef sua conversa com Pedro Argese, da Labogen e ouve um prognóstico do interlocutor:
VARGAS – Estamos mais fortes agora. Vi documento com o Pedro. Ele estava no voo de volta de Brasília. Ele estava com o documento da parceria com a EMS. YOUSSEF – Cara, estou trabalhando. Fique tranquilo. Acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer. Tua independência financeira e nossa também, é claro!
É claro!
Eis aí. Esse é o doleiro “irmão”, cujas atividades ilícitas Vargas dizia desconhecer. Da parceria estimada em R$ 150 milhões, uma já estava em curso, de R$ 31 milhões — suspensa pelo Ministério da Saúde quando o escândalo veio à tona: a de fornecimento de citrato de sildenafila, a substância ativa do Viagra, que é o remédio oficialmente empregado pelo sistema público de saúde para o tratamento de uma doença grave: a hipertensão pulmonar.

Esse contrato contou com a ajuda do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Calos Augusto Gadhelha — a quem Vargas se refere, carinhosamente, num telefonema, como “Gadha”. Padilha, pessoalmente, assinou o contrato.

Relatório da PF fala do parceiro de Youssef que atuava no Ministério da Saúde. Depois ficou claro: era Vargas!
Relatório da PF fala do parceiro de Youssef que atuava no Ministério da Saúde. Depois ficou claro: era Vargas!

Leiam a reportagem.

A coisa vai longe. Youssef está preso, como sabem. O deputado está tentando se virar. Já mandou um emissário ao doleiro afirmando que, se ele, Vargas, cair, gente mais graúda vai junto, “gente de cima”.

Huuummm…

Quem estaria acima de Vargas nessa operação?

Eis uma boa questão.

E por que Youssef deveria temer essa “gente de cima”?

Temer o quê?


Vargas não é o único interlocutor de Youssef no PT. Há outros, como o deputado Vicente Cândido (SP). Vocês já o conhecem. É aquele senhor que ofereceu “honorários para um conselheiro da Anatel livrar a Oi de uma multa bilionária. Disse, então, que falava em nome de Lula. Tudo gente fina.
Segunda-feira é bom dia para André Vargas pegar o boné e ir pra casa, refletir sobre os males da liberdade de imprensa.

Afinal, até onde se sabe, ele já tem garantida a “independência financeira”.

Leiam a reportagem na edição impressa na revista.

05/04/2014



quinta-feira, 3 de abril de 2014

Levanta a mão! Ou: André Vargas e os presidiários


A moçada já sacaneia no Twitter com esta foto e a seguinte legenda:

“Quem voa em jatinho de doleiro preso levanta a mão”.



Por Reinaldo Azevedo

E a foto, como sabem, é aquele em que o deputado André Vargas cerra o punho, na presença de Joaquim Barbosa, para indicar que ele se solidarizava é com a turma da Papuda.

Que coisa!

Esse rapaz gosta de um presidiário, né?




02/04/2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Mais um petista graúdo aparece perto do doleiro Youssef: André Vargas, vice-presidente da Câmara. E o Ministério da Saúde estava na pauta!


O deputado André Vargas (PT-PR) é mesmo um homem de comportamento bastante heterodoxo.

Vice-presidente da Câmara, ele também é vice-presidente do Congresso.

Por Reinaldo Azevedo

André Vargas, o lulista roxo, e a grosseria com Joaquim Barbosa em favor dos mensaleiros

É aquele senhor, vocês devem se lembrar, que, na abertura do ano legislativo, na presença do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo e convidado para a solenidade, ergueu o punho esquerdo, cerrado, um gesto que virou símbolo dos mensaleiros.

Em março do ano passado, reportagem da revista VEJA revelou que um militante petista chamado André Guimarães, especializado em montar perfis falsos nas redes sociais para atacar pessoas, era funcionário de Vargas. Esse tal Guimarães foi, por exemplo, o criador da RedePT13, uma organização virtual formada por gente que não existe e blogs apócrifos, usados para alvejar aqueles que são considerados inimigos do partido. O rapaz ganhou tal expertise no trabalho de difamação que, acreditem!, saía Brasil afora oferecendo o seu método para estados e prefeituras. O pacote oferecido, a depender do serviço, podia custar de R$ 2 mil a R$ 30 mil por mês.

André Guimarães e seu chefe: especialista em perfis falsos

Reportagem da Andréia Sadi na Folha desta terça informa que André Vargas pegou emprestado um avião com o doleiro Alberto Youssef, principal investigado da operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Youssef, que está preso, é acusado de envolvimento com um esquema de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado R$ 10 bilhões.

A viagem a João Pessoa, informa a Folha, “foi discutida em uma conversa entre os dois por um serviço de mensagem de texto, no dia 2 de janeiro, segundo documentos da investigação da PF”. Não fica claro se o avião pertence ao doleiro, que desejou ao deputado “boa viagem e boas férias”. Indagado pela Folha a respeito da conversa, adivinhem qual foi a resposta de Vargas ao jornal…

Reproduzo: “Eu não sabia com quem eu estava me relacionando. Não tenho nenhuma relação com os crimes que ele eventualmente cometeu.” Não sabia, embora admita que conhecia o doleiro há 20 anos.

É a segunda vez que o nome do doleiro aparece ligado a um figurão do PT. Reportagem da VEJA publicada no dia 23 de março informa que uma empresa chamada Labogen assinou com o Ministério da Saúde um contrato de R$ 150 milhões para o fornecimento de remédios, R$ 31 milhões desse dinheiro são destinados à compra de citrato de sildenafila, o princípio ativo do Viagra, substância usada no tratamento de uma doença grave: a hipertensão arterial pulmonar.

Pois é…

A PF descobriu que essa “empresa” não tem planta industrial e que os remédios seriam fabricados por outro laboratório, ao qual a Lobogen repassaria 40% do contrato. Ou por outra: segundo a Polícia, a turma pagaria R$ 60 milhões pelo produto e embolsaria nada menos de R$ 90 milhões.

Uma beleza!

E o que isso tem a ver com o doleiro?

Segundo a polícia, a Lobogen, que tem capital de apenas R$ 28 mil, é um dos instrumentos de lavagem de dinheiro de Youssef. Só essa empresa teria remetido ilegalmente para o exterior US$ 37 milhões. O contrato foi celebrado pelo então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo.

Ah, sim: a polícia federal descobriu também outro diálogo entre André Vargas, que é um dos braços de Lula no PT, e o doleiro. Sobre avião? Não! Vargas diz ao doleiro que a reunião com o Gadhella foi “boa demais”. Num outro momento, cheio de intimidade, diz: “O Gadha vai nos ajudar”.

Quem é Gadhelha, o Gadha?

Conto pra vocês: é o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério da Saúde, um dos responsáveis pela compra de… remédios.

Não é lindo?


01/04/2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Associação de magistrados divulga carta de desagravo a Joaquim Barbosa, em protesto contra falta de decoro do petista André Vargas


Por Reinaldo Azevedo

A Associação Nacional dos Magistrados Estaduais divulgou uma nota de desagravo a Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, e em sinal de protesto contra a atitude escandalosa, indecorosa mesmo, do deputado André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara, que resolveu, na mesa de uma solenidade oficial, cerrar o punho em sinal de protesto contra a atuação de Barbosa no processo do mensalão. Mais do que isso, durante a sessão, Vargas enviou pelo celular mensagens com críticas grosseiras ao convidado. Sim, o presidente do Supremo estava no Congresso para abertura do Ano Legislativo. Entre outras coisas, diz a carta dos juízes: “O Plenário não é palco ou palanque eleitoral, nem pode admitir condutas contrárias ao decoro parlamentar e à regras mínimas de educação e convivência.” Segue íntegra.

NOTA PÚBLICA

DESAGRAVO AO EXMO. SR.MINISTRO JOAQUIM BARBOSA


PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MAGISTADOS ESTADUAIS – ANAMAGES, vem a público externar sua insatisfação pela falta de decoro e de respeito ao PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, em razão da conduta antiética do Exmo. Sr. Deputado Federal André Vargas (PT-PR) durante a solenidade de abertura do ano legislativo.

A Constituição da República acolheu a tripartição de Poderes, atribuindo aos Chefes do Poder Executivo, do Poder Legislativo e do Poder Judiciário o mesmo status de mandatários da Nação.

Se o ilustre Deputado, como publicamente tem se manifestado, discorda do julgamento da AP 470, popularmente chamada de processo do mensalão, é um direito seu. Mas, o seu entendimento pessoal, não o autoriza a afrontar a honra e dignidade do Presidente da Suprema corte brasileira, em Sessão Solene na Casa Legislativa.

Ao se colocar de punho cerrado, gesto de contestação e insatisfação dos condenados na referida ação penal quando foram presos, S. Exa. não ofendeu apenas e tão só o Sr. Ministro Joaquim Barbosa, um dos julgadores, mas toda a Nação brasileira, eis que o poder de julgar é atribuído aos magistrados pela vontade soberana do povo, através das normas votadas pelas Casas Legislativas.

Não se diga, como o fez o Ilustre Deputado: “O ministro está na nossa Casa. Na verdade, ele é um visitante, tem nosso respeito, mas estamos bastante à vontade para cumprimentar do jeito que a gente achar que deve”.

O Congresso Nacional, o Senado a República e a Câmara dos Deputados não pertencem a um partido ou a alguma pessoa, mas sim ao povo brasileiro e devem ser tratados como um santuário da democracia, da diversidade de pensamentos e de ideias.

A independência e harmonia entre os Poderes da República somente serão efetivamente respeitados se o protocolo e a fidalguia imperarem.

O Plenário não é palco ou palanque eleitoral, nem pode admitir condutas contrárias ao decoro parlamentar e à regras mínimas de educação e convivência.

Como cidadão e fora dos limites da casa do Povo, o Sr. Deputado pode se manifestar como bem entender, assim como qualquer outro cidadão, arcando, por óbvio, com as responsabilidade por eventuais ofensas à honra. Contudo, enquanto Parlamentar, tem o dever de se haver com lhanura e fidalguia, máxime quando recebe, junto com seu colegiado, o Chefe de outro Poder.

Ao Ministro Joaquim Barbosa apresentamos nosso desagravo, com a certeza de que S.Exa. não se deixará abalar pelo incidente e que continuará conduzir o julgamento dos recursos com INDEPENDÊNCIA e LIVRE DE PRESSÕES, honrando a toga e a magistratura brasileira. Ao bom Juiz não importa o resultado de um julgamento, pressões de grupos ou a vontade pessoal de quem quer seja, mas sim A REALIZAÇÃO PLENA DA JUSTIÇA.

Brasília, 04 de fevereiro de 2.014
Antonio Sbano

05/02/2014



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sob o comando de Lula, petistas tentam intimidar o STF e dizem que transmissão do julgamento pela TV põe em risco a democracia; o partido exibe a sua cara: odeia a imprensa livre, odeia a Justiça livre, odeia os homens livres, odeia a liberdade!


Ou: O bolivarianismo da boca do caixa



Por Reinaldo Azevedo

Ontem, parlamentares petistas, na Câmara e no Senado, obedecendo ao grito de guerra lançado pela Executiva do PT, sob a inspiração de Luiz Inácio Stálin da Silva, assumiram a tribuna para defender o partido.

Acusaram a existência de uma suposta conspiração contra o partido. Dela fariam parte, como sempre, as tais elites e a imprensa.

O partido que mais arrecada recursos de campanha junto a indústrias, empreiteiras e bancos não disse exatamente a que elite se referia — quem sabe estivesse a falar sobre a elite dos homens de espírito livre, que não aceitam se submeter às vontades de um partido, de um candidato a tiranete, de alguém que acredita ser Deus.

O deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação da legenda, não teve dúvida: afirmou que a transmissão ao vivo do julgamento, pela TV Justiça, põe em risco a democracia.

Viva!

Eis, finalmente, sem máscara, a verdadeira cara do PT. Ao longo de 32 anos, a legenda se apresentou com várias faces.

Já foi o partido “do socialismo”, da “terra, trabalho e liberdade”, da “ética na política”, da “sociedade organizada”, das “minorias”, da “democracia”.

Um dos truques mais antigos do demônio — a rigor, é seu único recurso — é se apresentar por aquilo que não é.

Do socialismo, o PT só herdou o autoritarismo.

Da luta por igualdade e justiça, só conservou os burocratas da militância.

Da pregação em favor da ética, restou a construção de uma moral coletiva que só serve ao partido, a transformar seus bandidos em heróis e em bandidos aqueles que a ele se opõem, sejam ou não culpados.

Da sociedade organizada, fez uma máquina de aparelhar o estado, submetendo o bem coletivo aos interesses de um grupo.

Da luta das minorias, organizou as suas micropolícias do pensamento, de inspiração fascistoide.

Era fatal que chegasse, então, ao repúdio claro, escancarado, arreganhado, sem subterfúgios, à democracia.

O secretário de Comunicação do PT disse ontem, com todas as letras, que uma Justiça que se exerce à luz do dia e ao alcance de uma parcela ao menos do povo é uma… ameaça a ordem democrática.

Vamos ver.





No dia 2 de outubro, não se esqueçam, eu espero leitores de São Paulo na Livraria Cultura da Avenida Paulista para assinar “O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo”.

No dia 4, espero os do Rio na Livraria Argumento, do Leblon. Já há outras datas agendadas. Informo amanhã. Eu me orgulho de ter escrito o Volume I. Eu me orgulho de ter escrito o Volume II.

E escreverei quantos livros se mostrarem necessários para denunciar o autoritarismo, a vigarice política, as tentações totalitárias, o ódio à democracia, a apologia dos “bons ladrões”.

Eles não se cansam de mentir sobre si mesmos e sobre nós?

Eu não me canso de fazer o contrário.

Talvez um dia escreva “Como nos livramos deles”, mas não sou um finalista, não me proponho tarefas dessa natureza.

Denuncio as tentações totalitárias do PT bem antes de essa gente chegar ao poder. Conheço de perto seu repúdio à democracia. O ódio contra a Justiça e a defesa da censura decorre do fato de que essa turma não acredita na existência de culpados e inocentes. O mundo de Lula e de seus comandados obedece a outra clivagem: eles só enxergam aliados e adversários.

Tudo o que serve aos propósitos do partido e a seu fortalecimento é bom; tudo o que se mostra um empecilho à expansão de seus domínios é mau.

Afinal, não é esse mesmo Lula que, em menos de dois anos, tanto satanizou o clã Sarney em palanque como o classificou de paladino de democracia?

Em solenidade recente, Marta Suplicy, ministra da Cultura (!), chamou o presidente do Senado de “estadista”.





O título dos meus livros, noto, nem sempre é bem compreendido. “O País dos Petralhas” não é o Brasil, onde também há milhões de pessoas decentes.

O país dos petralhas é aquele em que o compadrio toma o lugar das leis.

O país dos petralhas é aquele em que a impunidade dos companheiros é chamada de justiça.

O país dos petralhas é aquele em que o bem coletivo é tratado como propriedade privada de um partido.

O país dos petralhas é aquele em que um partido vigia a sociedade, em vez de a sociedade, por meio de suas leis democráticas, vigiar os partidos.

O país dos petralhas é aquele que quer censurar a imprensa livre.

O país dos petralhas é aquele que financia pistoleiros disfarçados de jornalistas.

O país dos petralhas é aquele que quer transformar o Supremo Tribunal Federal numa repartição de um partido.

Denuncio o país dos petralhas porque acredito no país dos homens livres, que não devem obediência a aiatolás e a aiatolulas; que podem pensar sem peias, que podem opinar sem medo, que se deixam intimidar pela policia do pensamento.


Espantoso atrevimento


É espantoso o atrevimento dessa gente!

Nas conversas que manteve com seus interlocutores, Marcos Valério deixou mais do que claro: ele havia recebido dos petistas a garantia de que não seria molestado pela Justiça.

Os ministros do Supremo que têm vergonha na cara — e, hoje, eles são uma maioria esmagadora — não aceitam ser tutelados por Lula porque, de fato, no estado de direito, essa tutela pertence à Constituição e às leis.

Aqueles aos quais é dado ter a última palavra no que concerne às leis são primariamente indicados para o cargo pelo presidente da República porque este é um dos ofícios do chefe do Executivo, constitucionalmente definido.

Ao Senado cabe indicar ou reprovar o nome. O ministro que chega à Corte não está investido nem da vontade do presidente nem da vontade dos senadores.

Sua investidura decorre da origem popular do mandato daqueles dois outros Poderes.

Ministros do Supremo, senhor Luiz Inácio Lula da Silva, servem ao povo, dentro dos parâmetros da Constituição e dos demais códigos legais.

Ministros do Supremo, em suma, não são corruptos passivos que praticam atos de ofício em benefício de um corruptor ativo — ainda que em nome da ideologia ou de um partido.

Lula jamais vai entender isso.

Não porque lhe falte instrução formal.

Ele é mais autoritário do que propriamente ignorante.

E é também um sem-limites.

A Brasília e a corredores do STF já chegaram seus ódios e seus vitupérios, sua desmesura no uso de palavrões — comum, diga-se, mesmo em conversas amenas —, suas iras santas.

Porque ele próprio nunca se reconheceu como um devedor das instituições, estava firmemente convencido de que os ministros que nomeou deviam vassalagem a ele, não ao estado democrático e de direito.

É o que leva o deputado André Vargas a fazer aquela declaração boçal.

A sociedade com a qual Lula sonha não é muito diferente da de Chávez.

O petismo só escolheu outro método: o da boca do caixa.



O PT está em seu terceiro mandato presidencial.

A oposição no Brasil é a menor — acreditem! — da América Latina (e de todo o mundo democrático).

Até Chávez, Rafael Correa, Cristina Kirchner e Evo Morales têm mais adversários nos respectivos Parlamentos do que o PT.

Mesmo assim, os petistas alimentam um permanente sentimento de derrota.

Para que experimentassem mesmo a sensação de vitória, seria preciso ter juízes e imprensa debaixo do chicote.

E não terão.

O Brasil que se preza, acreditem, já derrotou o país dos petralhas.


19/09/2012