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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Sucessão na Câmara


A indireta mais do que 'reta' de Bolsonaro frustra Rodrigo Maia

Francisco Leali,
coordenador na sucursal de Brasília
O Globo
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, filma o presidente eleito, Jair Bolsonaro
Jorge William/O GLOBO




Formalmente, o presidente eleito Jair Bolsonaro tem dito que vai se manter distante da disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Mas o recado dado hoje não parece nada bom. Pelo menos para os planos do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que planeja se manter no cargo.

Bolsonaro deixou claro que não vai dar aval, fazer força ou mesmo indicar minimamente à sua bancada que Maia é o homem. E falamos da bancada do PSL, a segunda maior da Casa. E Bolsonaro avisou isso antes mesmo de se reunir com o presidente da Câmara. Numa entrevista, adiantou o que diria ao presidente da Câmara. O "bolsonarês" nem precisaria de tradução, mas numa livre interpretação, teríamos:

- ... o Rodrigo tem os seus interesses e eu tenho os meus.

(Bolsonaro sabe que Maia quer se reeleger. Mas seu interesse não é necessariamente o interesse do futuro presidente da República.)

- Nós não vamos interferir nas eleições na Mesa (da Câmara) como um todo, até porque nós não reunimos a bancada ainda, a bancada é em fevereiro.

(O presidente anuncia um aparente pacto de não-interferência, mas ao mesmo tempo diz que vai esperar a nova bancada chegar.)

- Não tenho nada a me opor a ele (Maia), existem outros candidatos também muito bons se lançando e nós vamos esperar a bancada, afinal de contas o presidente não pode se envolver diretamente nessa questão. Isso não é bom para o governo.

(Essa é a parte politicamente mais complicada para o presidente da Câmara. Bolsonaro avisa que tem outros nomes na disputa. E ainda pontua que são bons. Ou seja, compromisso zero em reconduzir Maia ao cargo.)

Ao final, temos um presidente eleito que prefere adiar mais um pouco o assunto até que os novos deputados cheguem. Rodrigo Maia pode se ver, então, na seguinte situação no próximo ano: identificar se a base parlamentar do novo governo vai apoiá-lo ou, constatado que tem outro na preferência dos bolsonaristas, associa-se aos partidos de oposição para garantir votos.

14/11/2018

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