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sábado, 13 de outubro de 2018

O sonho mirabolante



Resultado de imagem para 40 navios sondas
 
WILLIAM WAACK
ESTADÃO
São espetaculares os termos da delação do ex-ministro Antonio Palocci cujo sigilo foi levantado pelo juiz Sérgio Moro. Não chegam a ser exatamente “revelações”, mas comprovam de maneira assombrosamente clara como foi produzido o desastre no qual se enfiou o Brasil. Catástrofe na qual o PT e seu chefão, Lula, tiveram papel de liderança e conduta, mas que envolveu amplos círculos do mundo da política, dos negócios, da economia e setores importantes da sociedade civil.

Não, não é a parte que fala de propina, ilicitudes, grana correndo por dentro e por fora e os mais variados crimes de corrupção. É a parte, no anexo 1 da delação, na qual Palocci relata como a descoberta do pré-sal levou Lula, em 2007, a ter “sonhos mirabolantes”. E como o governo vislumbrava um país riquíssimo, e, para isso, se determinava a construção de 40 navios sondas – e a consequente “fundação” de uma indústria naval completa – para a nacionalização e desenvolvimento do projeto do pré-sal, pelo seu interesse social e pela possibilidade de alavancar a indústria nacional.

Estão aí os elementos centrais (políticos, sociais e econômicos) do “nacional-desenvolvimentismo”, que é, talvez, o pior conjunto de ideias capaz de explicar a baixa produtividade, a baixa competitividade, o atraso relativo e a distância que o Brasil vê aumentar em relação às economias avançadas, tanto pelo ponto de vista das nossas relações de trabalho e sociais quanto à nossa capacidade de participar da era da geração do conhecimento.

O “nacional-desenvolvimentismo” dos militares ainda tinha um componente focado em infraestrutura e ocupação de território, enquanto o “nacional-desenvolvimentismo” do lulopetismo desandou para a “nova matriz econômica” dos subsídios, proteções, controle de preços (mais prejudicial à Petrobrás que a totalidade da grana desviada pelos companheiros do PT, PMDB e PP) e anabolizantes de consumo via crédito.

Impossível dizer que os “sonhos mirabolantes” do então presidente fossem delírios saídos de uma só cabeça. O “nacional-desenvolvimentismo” do PT vem de uma longa tradição que capturou também cabeças pensantes do mundo empresarial, acadêmico e político. É parte de um ideário nacional quase, infelizmente, “atávico” e com raízes já anteriores ao varguismo. E seu retrato 3 x 4 moderno só poderia ser o de Dilma Rousseff – para ser colocado na parede com a legenda: “esta é a cara do nacional-desenvolvimentismo”.

Nestas eleições, nas quais a corrupção (com razão) e a insegurança pública (com razão) ocupam um espaço tão importante na maneira como os eleitores encaram os candidatos, ficou em plano muito inferior qualquer debate sobre o conjunto de ideias, sobre o “sonho mirabolante” transformado em pesadelo – e nem estamos falando de seus aspectos éticos e morais. Por mais paradoxal que pareça, dadas a profundidade e a abrangência do fracasso econômico, uma relativamente gigantesca fatia da sociedade é sensível às mesmas promessas e aos mesmos postulados ligados ao atraso, à ineficácia, à estagnação.

Para muita gente, muita mesmo, é mais fácil encarar as mazelas do momento como o resultado da ação de políticos incompetentes, perdulários, corruptos e que agem apenas em benefício do próprio bolso ou de seus grupos. E que uma vez lavado tudo isso a jato, as coisas voltam a funcionar e o País a crescer e a gerar prosperidade. É um grave engano, mas quem disse que elites inteiras não se enganam?


 04/10/18

Mais um engodo petista


Resultado de imagem para Mais um engodo petista




EDITORIAL DO ESTADÃO




O PT planeja lançar uma “frente democrática” no segundo turno, em defesa da candidatura do preposto do presidiário Lula da Silva, Fernando Haddad. Sob a coordenação de Jaques Wagner, a legenda tenta pregar mais uma peça na população brasileira, dizendo que o PT pode ser o bastião da democracia ante o avanço da candidatura do deputado Jair Bolsonaro (PSL).


Com o PT a democracia sempre esteve em risco. Basta ver que, no momento em que Lula ocupava a Presidência da República e o partido desfrutava de expressivo apoio popular, a legenda optou por subverter a democracia representativa, comprando parlamentares por meio do esquema que depois ficaria conhecido como mensalão. Mesmo após a confirmação do caso, o PT não fez nenhuma autocrítica.

Os petistas nunca pediram desculpas à população brasileira por terem desrespeitado o princípio constitucional de que todo o poder emana do povo – sob o jugo do PT, o poder emanava do dinheiro periodicamente pago aos parlamentares.

Não satisfeito com o mensalão, o PT instalou outro esquema de corrupção do sistema político, o petrolão, com o uso das estatais para intermediar a compra de apoio político em troca de benesses econômicas. Além de os valores desviados das empresas públicas terem atingido cifras até então inauditas – o escândalo do mensalão ficou parecendo manobra de principiante –, o petrolão representou um novo grau de subversão do poder.

Era a apropriação de todo o aparato do Estado por parte de uma causa político-partidária. Evidentemente, esse cenário não é compatível com o que se espera de uma democracia pujante.

Nos últimos tempos, o PT voltou a mostrar seu desprezo pelas instituições republicanas. A legenda instalou uma autêntica cruzada contra o Poder Judiciário, simplesmente porque várias instâncias da Justiça entenderam que Lula da Silva também devia estar submetido ao regime da lei.

A absoluta evidência de que o ex-presidente petista pôde exercer um amplíssimo direito de defesa não foi motivo para que o PT interrompesse suas imprecações contra o Judiciário.

Seguiram com sua infantil postulação de que todo o Estado Democrático de Direito deveria se curvar ao grande líder. Nos regimes admirados pelos petistas, o Judiciário não tem a audácia de condenar líderes populares por corrupção e lavagem de dinheiro.

Neste ano, Lula da Silva e seu séquito fizeram de tudo para desrespeitar as regras eleitorais, com uma massiva campanha de desinformação, pregando que, se o demiurgo de Garanhuns não pudesse se candidatar, a eleição seria uma fraude. “Eleição sem Lula é golpe”, repetiram por todo o País.

Sem nenhum apreço pelo princípio da igualdade de todos perante a lei, a fantasiosa argumentação era um descarado pedido de privilégio para o sr. Lula da Silva. Segundo os petistas, a Lei da Ficha Limpa não podia ser aplicada ao grande líder.

E para que não pairasse nenhuma dúvida de que continua havendo nas hostes petistas uma profunda ojeriza pelos princípios democráticos, o programa de governo do candidato Fernando Haddad foi talhado nos moldes do modelo bolivariano. Sem cerimônia, o PT prega um “novo processo constituinte: a soberania popular em grau máximo para a refundação democrática e o desenvolvimento do País”.

A legenda promete subverter a democracia representativa. Além de instalar conselhos populares, ela quer “expandir para o presidente da República e para a iniciativa popular a prerrogativa de propor a convocação de plebiscitos e referendos”.

Também fala abertamente em “instituir medidas para estimular a participação e o controle social em todos os Poderes da União e no Ministério Público”. Para coroar suas pretensões autoritárias, os petistas mencionam a necessidade de um “novo marco regulatório da comunicação social eletrônica”.

A atual liberdade tem incomodado suas pretensões autoritárias.

Quando o PT pede votos em favor de Fernando Haddad, que seria o campeão da defesa democrática do País, falta-lhe credibilidade.

O passado e o presente o desmentem.



12/10/18

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Para diretor do Datafolha, virada de Haddad sobre Bolsonaro se mostra difícil



Ao comentar em encontro na TV Folha os números da nova pesquisa Datafolha, o diretor-geral do instituto, Mauro Paulino, diz que "será muito difícil haver uma reviravolta".

Os números mostram Jair Bolsonaro (PSL) com 58% dos votos válidos e Fernando Haddad (PT) com 42%, uma diferença de 16 pontos percentuais.

"Uma vantagem tão grande nunca foi revertida em favor do segundo colocado em um segundo turno", diz Paulino. Ele lembra que Dilma conseguiu virar sobre Aécio Neves, mas a diferença era de apenas quatro pontos percentuais.

Para o editor de Poder, Fábio Zanini, Haddad, para mudar o cenário, precisará "tirar um coelho da cartola" em duas semanas. Ele lembra também que essa "reviravolta" será dificultada pela ausência de Bolsonaro ao menos nos primeiros debates com Haddad.

Além de Paulino e Zanini, participaram do debate a repórter especial Patrícia Campos Mello e, por Skype, o correspondente da Folha em Salvador (BA), João Pedro Pitombo. A mediação foi da repórter de Poder Thais Bilenky.

A pesquisa, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, foi feita nesta quarta-feira (10) e ouviu 3.235 pessoas em 227 municípios. O estudo está registrado no TSE com o número BR-00214/2018.




10.out.2018

Datafolha: Bolsonaro tem 58% dos votos válidos; Haddad aparece com 42%




Nos votos totais, o candidato do PSL tem 49%, contra 36% do petista

Marco Grillo
O Globo


Pesquisa Datafolha do segundo turno as eleições apontam vitória de Jair Bolsonaro Foto: O Globo
 
RIO — A primeira pesquisa de intenção de votos divulgada após o início do segundo turno mostra que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro , tem 58% dos votos válidos, enquanto Fernando Haddad (PT) aparece com 42%.

Na contagem dos votos totais, Bolsonaro tem 49%, enquanto Haddad tem 36%. Brancos e nulos somam 8%, e 6% não souberam responder.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Nos recortes regionais, o candidato do PSL vence no Sudeste (55% a 32%), no Sul (60% a 26%), Centro-Oeste (59% a 27%) e Norte (51% a 40%). Já no Nordeste, a vantagem é de Haddad: 52% a 32%. Os números levam em consideração os votos totais.

Entre as mulheres, há um empate técnico entre os dois candidatos: Bolsonaro tem 42%, enquanto Haddad aparece com 39%. Já no eleitorado masculino, o candidato do PSL tem ampla vantagem: 57% a 33%.

O Datafolha ouviu 3.235 entrevistados em 227 municípios nesta quarta-feira. O nível de confiança é de 95%, e o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-00214/2018.


Intenção de voto para presidente / Datafolha

Votos válidos

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.


JairBolsonaro 
58%  (PSL)

FernandoHaddad  42%  (PT)

Pesquisa estimulada

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.


JairBolsonaro 
49%  (PSL) 
FernandoHaddad  36%  (PT)

Brancose nulos  8%
Não souberam/não respondeu  6%

Fonte: Datafolha



10/10/2018


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Narrativa renovada




Por Merval Pereira
O Globo

Entre mortos e feridos, poucos se salvaram, mas entre estes o PT, paradoxalmente, é um dos que resistiram à onda bolsonarista, apesar de derrotas emblemáticas em todo o país e de ter sido confinado ao nordeste, e mesmo assim não nas capitais e grandes cidades. Além de ter elegido a maior bancada da nova Câmara, reelegeu no primeiro turno os governadores da Bahia, do Ceará e do Piauí. E governadores aliados no norte e nordeste como Renan Filho, do MDB de Alagoas; Flávio Dino do PCdoB no Maranhão; João Azevedo do PSB na Paraíba, e Paulo Câmara do PSB em Pernambuco. E está no segundo turno da eleição presidencial pela quinta vez seguida, embora pela primeira vez em posição de desvantagem.

A bancada petista no Senado caiu de nove para seis, mas, exceto o MDB, com 12 senadores (tinha 18 antes), nenhum outro partido terá mais representantes. O PT já tem papel de destaque caso Bolsonaro confirme sua vitória no segundo turno: liderará a oposição.

Seu oposto tradicional, o PSDB, sai das urnas ferido de morte. Por sua tibieza, foi engolido pela onda conservadora que varreu o país, fez apenas a nona bancada da Câmara, quando era a terceira, mas pode ter um fôlego se eleger os governadores de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas.

Os que se surpreenderam com o resultado das urnas não levaram em conta que o sucesso de Bolsonaro é produto de três coisas: deu voz a uma onda conservadora nos costumes; fala claramente em combate mais feroz a bandidos, fortalecendo a atuação das polícias e mexendo na Legislação; e, finalmente, o desmonte dos partidos tradicionais.

A onda de antipetismo que se formou no país tem papel complementar às duas primeiras, pois o PT está sendo associado pela maioria dos brasileiros com o que seria um abandono dos valores tradicionais e a leniência com os bandidos em nome dos Direitos Humanos.

Aconteceu a renovação na política que era desejada pela sociedade civil desde 2013, quando espontaneamente cidadãos saíram às ruas para cobrar, basicamente, melhores serviços do Estado. A democracia foi apropriada pelas pessoas em suas redes sociais. Um candidato tosco, por vezes com posições repulsivas, sem sair do hospital e de casa, ganha 50 milhões de votos sem dinheiro nem tempo de TV.

Os partidos, “donos” dos espaços político-partidários, tentaram impedir essa renovação, financiando preferencialmente os candidatos à reeleição com o Fundo Partidário, usado para o fortalecimento das cúpulas partidárias. O resultado é que na Câmara Federal teremos 47 por cento só de deputados estreantes, uma revolução que os eleitores forçaram o establishment a aceitar. Menos da metade dos deputados conseguiu se reeleger. O que não quer dizer que o nível da Câmara melhorará. Pela amostra que já temos, com até ator pornô sendo eleito, não é garantida a qualidade da representação.

Jair Bolsonaro influenciou as eleições em todos os Estados, e o eleitorado tirou vários caciques da vida pública, velhas lideranças e seus filhos não foram reeleitos, a despeito do poder político e econômico. Uma conseqüência desse desmanche dos partidos tradicionais é o fracionamento maior da Câmara, que terá 30 partidos representados, em vez dos já exagerados 25 que lá atuam.

As maiores bancadas serão do PT, com 56 deputados e PSL, que de insignificantes 8 deputados, tendo elegido apenas um em 2014, passa a ter 52, e provavelmente aumentará ainda mais com as adesões que os partidos que estão no governo recebem.

O PMDB foi o que mais perdeu cadeiras: caiu de 66 eleitos em 2014 para 34 em 2018. Esta eleição foi uma prova de vitalidade democrática do país, apesar da onda de fake news. Por fim, há o surgimento de uma consciência liberal e antipetista que surpreendeu.

O plebiscito foi não só em relação ao impeachment da Dilma, mas também em relação à prisão do Lula e à atuação da Lava-jato. Dos inúmeros significados desta eleição, um deles, por seu simbolismo, chama especial atenção: a ex-presidente Dilma teve a sua candidatura ao Senado recusada pelos eleitores mineiros, que tiraram-lhe os poderes políticos que foram mantidos por uma interpretação fajuta da Constituição avalizada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski. E a advogada Janaína Paschoal, co-autora do pedido de impeachment, foi a deputada mais votada da história.

De forma clara e plebiscitária, a tese do golpe foi rechaçada. O povo chancelou o impeachment da Dilma e enterrou a narrativa do golpe.

09/10/2018


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

ARRASTÃO NA URNA

"A política tradicional morreu.

Teremos anos dolorosos pela frente", diz Jairo Nicolau



Por Bernardo Mello Franco
O Globo
Givaldo Barbosa
Agência O Globo


A eleição do novo Congresso sepultou a política tradicional e o sistema partidário construído a partir da Constituição de 1988. A avaliação é do cientista político Jairo Nicolau, um dos maiores estudiosos do Legislativo no país.

Ele afirma que a fragmentação recorde da Câmara, que passa a ter deputados de 30 partidos, deve impedir qualquer presidente eleito de governar com maioria. "Mudou tudo. Estamos diante de fenômenos nunca vistos", diz o professor da UFRJ.

Para Nicolau, o deputado Jair Bolsonaro capitalizou a rejeição ao PT ao discursar contra a corrupção e se vender como "um João Doria nacional". "Ele não precisou discutir nada de concreto. O eleitor comprou um símbolo", avalia.

Leia alguns trechos da entrevista ao blog:

O novo Congresso: "O sistema partidário que nós conhecíamos morreu junto com o aniversário de 30 anos da Constituição. A fragmentação da Câmara já era a maior do mundo. Agora chegamos a um ponto fora de qualquer parâmetro. Estamos diante de uma eleição nunca vista. A política tradicional morreu no Brasil".

Governo sem maioria: "É muito difícil que o próximo presidente consiga formar um governo de maioria. Isso pode comprometer a aprovação de emendas constitucionais, como a reforma da Previdência".

Guinada à direita: "Bolsonaro criou do nada um grande partido de extrema direita. Os analistas esperavam que o PSL faria uma bancada de 15 a 20 deputados. Houve um arrastão (a sigla garantiu 52 cadeiras). O hiperconservadorismo ganhou uma força que ninguém esperava. Vamos conhecer esta bancada agora. A lista dos eleitos está cheia de prenomes como cabo, capitão e coronel".

Mudanças até a posse: "Os deputados eleitos por pequenos partidos de centro-direita que não cumpriram a cláusula de desempenho poderão migrar para o PSL sem serem punidos. Isso deve fazer do PSL a maior bancada no início da legislatura, em fevereiro (ultrapassando o PT, que elegeu 56 deputados)."

Renovação alta: "A renovação foi muito maior do que se imaginava (53,4% das cadeiras na Câmara). É um índice alto para um sistema que tentou se proteger como nunca, com a campanha mais curta e a concentração do fundo eleitoral. Mas uma taxa de renovação alta não garante um Congresso melhor".

Surpresa nas urnas: "Há uma incompreensão do que estava acontecendo no Brasil e nas redes sociais. Mudou tudo. Estamos diante de uma nova direita organizada. Impressiona a incapacidade dos partidos tradicionais de operar como antes".

A ecruzilhada do PT: "O PT se agarrou ao Nordeste. Os pobres do Sul e do Sudeste, que votavam no partido, migraram para Bolsonaro. Há uma rejeição absurda ao partido. Haddad fez uma campanha ruim. Não avançou para o centro, não fez nenhuma inflexão. Ainda vai visitar o Lula hoje".

O fenômeno Bolsonaro: "O eleitor comprou o Bolsonaro como um João Doria nacional. Ele prometeu romper com a política tradicional e explorou a corrupção e o antipetismo como temas centrais. O fato de ter ficado calado depois da facada o ajudou. Ele não precisou discutir nada de concreto. O eleitor comprou um símbolo".

Efeitos da polarização: "O clima na sociedade não está bom. Essa eleição conseguiu dividir mais as famílias do que o impeachment. A polarização está saindo das redes e indo para as ruas. O sujeito que quebrou a placa da Marielle na terça se tornou o deputado mais votado do Rio no domingo. Teremos anos dolorosos pela frente".

08/10/2018


Mapa eleitoral do primeiro turno mostra PT ‘cercado’ no Nordeste

Reduto do partido foi o que garantiu realização de segundo turno; Bolsonaro avançou por Estados onde Dilma havia vencido em 2014

Daniel Bramatti
O Estado de S.Paulo

No mapa eleitoral do primeiro turno da eleição presidencial de 2018, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, encurralou o adversário Fernando Haddad (PT) no Nordeste e em um pedaço da região Norte – mais especificamente o Pará.
Eleitores em zona eleitoral esperam a hora de votar
Foto: Leo Correa/AP Photo


No total, Bolsonaro venceu em 16 Estados e no Distrito Federal. Ganhou na totalidade das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Apesar de não ter repetido o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff no Nordeste, Haddad conseguiu evitar que a onda bolsonarista invadisse a região, o que teria levado a uma definição da disputa já no primeiro turno.


O melhor desempenho de Bolsonaro nos Estados ocorreu em Santa Catarina, onde teve quase dois terços dos votos, deixando Haddad em um distante segundo lugar, com 15%. Nos vizinhos Rio Grande do Sul e Paraná, Bolsonaro teve também o apoio da maioria absoluta do eleitorado.

No Sudeste, o candidato do PSL só não alcançou maioria absoluta em Minas Gerais – e foi por pouco. Entre os mineiros, o placar pró-Bolsonaro foi de quase 49% a 27%. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, o militar da reserva teve 53%. No Rio de Janeiro, seu domicílio eleitoral, Bolsonaro alcançou quase 60%.

Haddad venceu em nove Estados, sendo oito no Nordeste e apenas um – o Pará – no Norte. Em relação ao mapa do primeiro turno de 2014, o candidato do PT não repetiu o desempenho de Dilma Rousseff – candidata do partido na época – nos principais Estados do Norte.

Dilma, por exemplo, teve 55% dos votos no Amazonas no primeiro turno de 2014. Haddad, por sua vez, ficou com 39%, atrás de Bolsonaro, com 45%.

No Nordeste, o melhor desempenho de Haddad ocorreu no Piauí, no Maranhão e na Bahia, onde teve aproximadamente seis em cada dez votos.
Exceção

Nos Estados nordestinos, o petista só não foi o vencedor no Ceará, reduto eleitoral de Ciro Gomes (PDT).

O pedetista teve 41% dos votos dos cearenses. Haddad ficou com 32%, e Bolsonaro, com 22%. Foi o único Estado em que o candidato do PSL ficou na terceira posição.

Os Estados em que o PT teve melhor desempenho são os que possuem maior concentração de eleitorado beneficiado por políticas públicas e programas sociais da época em que o partido comandava o governo federal.

Perfil. A última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo antes da eleição, concluída na véspera da disputa, mostrou que o embate entre Bolsonaro e Haddad reproduziu parcialmente a clivagem social das disputas entre PT e PSDB. Desde a eleição de 2006, o partido de Lula se sai melhor entre os eleitores mais pobres e menos escolarizados, enquanto o adversário do PT tem desempenho superior nas faixas de maior renda e escolaridade. Neste ano, o padrão se repetiu, segundo o Ibope.

Outro recorte que mostrou diferenças entre o eleitorado de Bolsonaro e o de Haddad é o religioso. O Ibope feito na véspera da pesquisa, da mesma forma que todos os levantamentos anteriores realizados durante a campanha, apontou que Bolsonaro tinha desempenho melhor entre evangélicos que entre católicos. Já em relação a Haddad ocorreu o contrário.

No recorte por raças feito pelo Ibope, o candidato do PT se saiu melhor entre os negros e pardos, enquanto Bolsonaro se destacou entre os brancos.
07 Outubro 2018


Capacidade de construir consenso definirá vitorioso entre Bolsonaro e Haddad



Um quarto dos eleitores não votou nem no PSL nem no PT e se torna fundamental para a vitória



Plínio Fraga
Época

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro se enfrentarão no 2º turno pela Presidência do Brasil
Foto: Agência O Globo
 
Os dois candidatos a presidente que vão ao segundo turno somaram 75% dos votos válidos. Em tese, um quarto dos brasileiros deve, no segundo turno, optar por um novo voto; e três quartos dos eleitores, também em tese, tendem a reafirmar o voto anterior. Assim o reposicionamento dos 25% dos eleitores que não votaram em Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) decidirá o pleito no segundo turno. Os 13% dos votos válidos destinados a Ciro Gomes (PDT) são o principal patrimônio em disputa.

Previsto como o mais fragmentado da história, o primeiro turno da eleição presidencial mostrou-se mais aglutinador do que anunciado. Forças políticas com histórico de representação elevada murcharam; caciques e dinastias políticas foram varridas do mapa eleitoral. Como não existe vácuo em política, candidatos fora do sistema e fora dos radares surgem como novidades reais do pleito deste domingo.

O primeiro turno pode ser analisado a partir de dois ângulos opostos. No modo pesselista, Bolsonaro tem de manter sua votação de 49 milhões (46% dos válidos) e ganhar pelo menos 6 milhões de votos, caso seja mantido o grau de comparecimento e votos válidos do primeiro turno. O segmento-alvo são os 27,6 milhões de votantes dos demais 11 candidatos. Para vencer, o pesselista precisa, se não perder votos, atrair 22% desses votos.


No modo petista de análise, Hadadd tem de acrescentar ao seu patrimônio de 31 milhões de votos mais 24 milhões de votos, ou seja, 87% dos eleitores que não votaram nem no PSL nem no PT. Como Ciro responde sozinho por 43% desses eleitores, uma aliança entre PDT e PT poderia reduzir significativamente a diferença em favor de Bolsonaro. No entanto, mesmo que Ciro transfira 100% dos votos para Haddad, o que é improvável, o petista ainda precisaria arrebatar 11 milhões de votos entre os eleitores dos demais candidatos.

O segundo turno é uma nova eleição, mas é também a continuação do primeiro. São ideias interdependentes. Em jogo estará a capacidade de cada candidato comunicar sua mensagem. Bolsonaro sai em vantagem. Precisa agregar menos eleitores do que o petista.

A principal característica do segundo turno é o estabelecimento de políticas e ideais consensuais, que sejam apoiadas por setores sociais amplos. É um dos grandes avanços institucionais da Constituição brasileira de 1988. As vozes que o contestam são aquelas ligadas a setores minoritários, à direita e à esquerda, porque o processo dificulta propostas radicais. Estimula a formação de maiorias estáveis.

Quando o chavão da análise eleitoral prega que o segundo turno é uma nova eleição estimula a afirmação de que o jogo seria zerado e dois candidatos partiriam do nada à busca de eleitores. É fato que nada obriga que um eleitor repita no segundo turno o voto que escolheu no primeiro. Mas estes têm se mostrado minoritários na história da eleição presidencial brasileira em dois turnos. Grande parte dos eleitores repete seu voto. Para estes, o segundo turno é uma continuação do primeiro, não uma nova eleição.


No primeiro turno, começaram a ser construídos os argumentos que levaram a escolha de um candidato e que levaram a rejeição de outro. No segundo turno, as opções são restritas a duas, levando à escolha excludente, comparativa, valorativa, em que o pior e o menos pior também passam a ser posicionamentos relevantes.

Quase 30 milhões de eleitores registrados se abstiveram de votar. Outros dez milhões decidiram votar em branco ou anular. A maior ou menor capacidade de um dos dois candidatos atrair esses eleitores refratários será decisiva para o pleito.

Esses 40 milhões de eleitores e os 27,6 milhões que votaram nos outros 11 nomes que agora estão fora da disputa formam o contingente-alvo de 67,6 milhões de brasileiros que, nas próximas três semanas de campanha, definirão quem será o novo presidente brasileiro.





07/10/2018


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

LAVA JATO: PRECISAMOS FALAR SOBRE GILMAR MENDES



Resultado de imagem para GILMAR MENDES

 
A força-tarefa do MPF em Curitiba soltou uma dura nota sobre a decisão de Gilmar Mendes de livrar Pepe Richa e demais presos da Operação Integração.

“A Lava Jato chama a atenção para a necessidade de a sociedade discutir com seriedade os excessos praticados pelo ministro Gilmar Mendes e expressa sua confiança de que o Supremo Tribunal Federal reverterá esta teratológica decisão”, dizem os procuradores.

Leiam a íntegra:

“Em relação à decisão de soltura de oito investigados presos na Operação Integração II proferida nesta quinta-feira, 5 de outubro, a força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) repudia a decisão proferida pelo ministro Gilmar Mendes, que:

1) Apoderou-se da jurisdição do ministro que seria o juiz natural competente por livre distribuição e sorteio. A decisão foi proferida mediante direcionamento do pedido ao ministro Gilmar, em processo que não diz respeito ao preso, José Richa Filho, irmão do ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), ou aos demais investigados, e não diz respeito a prisões temporárias ou preventivas, sem qualquer identidade subjetiva ou objetiva que justificasse tal direcionamento. O argumento de que o juiz de Curitiba determinou prisões para burlar a vedação da condução coercitiva não tem qualquer sustentação na realidade. As medidas foram decretadas com base na presença concreta dos pressupostos das prisões temporária e preventiva;

2) Apoderou-se da jurisdição do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que seria a instância competente para julgar recurso ou habeas corpus contra a prisão;

3) Desrespeitou princípios básicos do devido processo legal, como a colegialidade, o descabimento da supressão de instância e o juiz natural, que visam justamente impedir a escolha casuística de magistrados;

4) Desconsiderou a existência de evidências claras de corrupção sistêmica nos pedágios do governo do Paraná, vigente há mais de 19 anos e que importou no pagamento de dezenas de milhões de reais em propinas para majorar preços e suprimir obras necessárias, o que acarretou inúmeros acidentes e mortes;

5) Fechou os olhos para as razões da sua suspeição apresentadas pelo Ministério Público do Paraná e para os fundamentos da inadequação da decisão exarada apresentados pela Procuradoria-Geral da República, diante de decisão idêntica proferida no bojo da Operação Rádio Patrulha. Tais razões e fundamentos se aplicam a este caso e se somam a inúmeras declarações proferidas pelo Ministro contra a Lava Jato ao longo dos dois últimos anos, que reforçam sua suspeição.

Nesse contexto, a força-tarefa da Lava Jato chama a atenção para a necessidade de a sociedade discutir com seriedade os excessos praticados pelo ministro Gilmar Mendes e expressa sua confiança de que o Supremo Tribunal Federal reverterá esta teratológica decisão.”



 05.10.18


Ele vence Haddad no 2º turno


Bolsonaro abre vantagem e tem 40,9% dos votos válidos, aponta Paraná Pesquisas

Segundo colocado, Haddad tem 25,6%; Petista perderia no segundo turno
   
Candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro.
Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress


Diário do Poder

Segundo levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas e divulgado nesta sexta-feir, 5, o candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, abriu larga vantagem sob o segundo colocado, o petista Fernando Haddad,

Considerando apenas os votos válidos (conta que exclui brancos e nulos), Bolsonaro tem 40,9% das intenções de voto, enquanto Haddad tem 25,6%. Ciro Gomes (PDT) aparece em seguida, com 11%. Geraldo Alckmin (PSDB) tem 8,6% e Marina Silva (Rede) tem 4,1%.

Ainda considerando apenas os votos válidos, no segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, o candidato do PSL vence com 47,1% contra 38,1%.

O ex-capitão também ganha de Geraldo Alckmin, com 44,5% da preferência do eleitorado, contra 35,9% do tucano.

Bolsonaro empata tecnicamente com Ciro Gomes. Eles têm 44,2% e 42,5%, respectivamente.

A Justiça Eleitoral considera somente os votos válidos na apuração das eleições e é dessa forma que o resultado oficial é divulgado.

Num universo considerando brancos e nulos, Jair Bolsonaro tem 34,9% das intenções de voto. Os números do candidato cresceram em comparação com os da semana passada, quando o militar aparecia com 31,2%.

Fernando Haddad está com 21,8%. O petista oscilou 1 ponto percentual em relação à semana passada, quando apareceu com 20,2%. 

Ciro Gomes e Alckmin continuam empatados, dentro da margem de erro, em 3º lugar com 9,4% e 7,4%, respectivamente.

Marina aparece com 3,5% e João Amoêdo (Novo) com 3,1%. Ainda não decidiram em quem votar 4,6% dos entrevistados e 10,1% disseram não escolher ninguém.

Num segundo turno, Bolsonaro venceria de todos os candidatos, menos de Ciro Gomes. No cenário mais provável, Haddad versus Bolsonaro, o militar fica com 47,1% e o petista com 38,1%. Eis os cenários:

Fernando Haddad 38,1%
Jair Bolsonaro 47,1%

Ciro Gomes 42,5%
Jair Bolsonaro 44,2%

Geraldo Alckmin 35,9%
Jair Bolsonaro 44,5%

Fernando Haddad 35,2%
Geraldo Alckmin 37,5%

Ciro Gomes 40,7%
Fernando Haddad 31,8%

A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 4 de outubro, com 2.080 pessoas, em 172 municípios de 26 Estados e do Distrito Federal. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08437/2018. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos e o grau de confiança é de 95%.

05/10/2018


MPF denuncia Cunha, Geddel, Alves e mais 15 por fraude de R$ 3 bi na Caixa e no FGTS


Arte UOL
Geddel Vieira Lima (à esq.) e Eduardo Cunha estão entre os 18 denunciados pelo MPF


Do UOL, em São Paulo


O Ministério Público Federal apresentou quatro denúncias, no âmbito da operação Cui Bono, envolvendo cinco empresas e 18 pessoas, todas implicadas em fraudes na liberação de empréstimos da Caixa Econômica Federal que somam mais de R$ 3 bilhões.

Também foram denunciados desvios em aportes do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS), que é gerido pela Caixa.

Entre os denunciados estão o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e os ex-ministros Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima, bem como o analista financeiro Lúcio Funaro e o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto.

Todos os acusados devem responder pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O MPF também pediu o pagamento de mais de R$ 3 bilhões em multas e reparação de danos.

As denúncias foram encaminhadas à 10ª Vara Federal de Brasília, cujo titular é o juiz Vallisney de Souza Oliveira.
Como funcionava o esquema, segundo o MPF

"As investigações demonstraram a existência de três frentes criminosas: o grupo empresarial, o grupo dos empregados públicos que operavam na Caixa e no FGTS, o grupo político e de operadores financeiros", disse o MPF em comunicado.

Segundo os procuradores responsáveis, empresários que buscavam recursos junto à Caixa e ao FGTS agiram em conluio com agentes públicos, empregados da Caixa e agentes políticos, que ocupavam cargos de direção no banco. O esquema garantia vantagens indevidas às empresas mediante pagamento de propina, usadas tanto para enriquecimento ilícito como para caixa dois de campanha.

"O grupo dos empregados públicos era responsável por fornecer informações privilegiadas aos agentes políticos e operadores financeiros sobre o projeto apresentado pela empresa à Caixa. Cabia a eles também agir internamente para beneficiar as empresas e/ou influenciar as decisões dos comitês da Caixa ou do FGTS, para aprovar ou desaprovar a concessão de empréstimos (ou os investimentos) às empresas requerentes", disse o MPF, por meio de nota.

Os crimes teriam ocorrido entre 2011 e 2015, período no qual Geddel Vieira Lima foi vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa. Outro vice-presidente do banco acusado de participar do esquema, Cleto teria sido indicado ao cargo por Cunha.
Repasse de R$ 89,5 mi para Cunha, diz MPF

Ex-operador financeiro de Cunha, o analista Lúcio Funaro delatou o esquema em acordo de colaboração premiada. Segundo ele, "o valor da propina tinha como base um percentual sobre o valor liberado, em geral 3%, e a distribuição desse percentual girava em torno de 50% para Geddel, 30% para Cunha e 20% para ele", diz a nota do MPF.

"Até o momento, foi identificado o repasse de valores ilícitos, por Lúcio Funaro, de R$ 89,5 milhões, no período de 2011 a 2015, a Eduardo Cunha; R$ 17,9 milhões, no período de 2012 a 2015, a Geddel Vieira Lima; e R$ 6,7 milhões, no período de 2012 a 2014, a Henrique Alves", acrescenta o MPF.

Cunha e Geddel já estão presos por envolvimento em escândalos de corrupção, enquanto Alves já esteve preso, mas atualmente está em liberdade.

Não foi possível fazer contato com os advogados deles de imediato.
Marfrig e J&F entre empresas citadas

Foram denunciados empresários e executivos ligados às empresas Marfrig, Bertin, J&F (holding dos irmãos Batista, dona da JBS) e Grupo BR Vias e Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários.

A Marfrig, questionada pela agência de notícias Reuters sobre as denúncias, disse que o empresário Marcos Molina dos Santos, presidente do conselho da companhia, participou de acordo fechado em maio com o Ministério Público Federal, mediante formalização de um termo de compromisso de reparação de eventuais dados, que protege a Marfrig e seus executivos de quaisquer responsabilidade financeira e jurídica.

"Não se trata de um acordo de colaboração ou de delação e não há admissão de qualquer culpa por parte do empresário, que mantém suas atividades empresariais inalteradas", disse a Marfrig.

A J&F disse em nota que o MPF "não ofereceu denúncia contra Joesley Batista em obediência ao acordo de colaboração firmado com a PGR e homologado pelo STF". "Enquanto o Supremo não decidir sobre o pedido de rescisão requerido pela PGR, este acordo continua válido e vigente. Assim, nenhuma denúncia nesse interregno de tempo poderá ser oferecida contra o colaborador sob pena de o próprio MPF descumprir o acordo."

A Caixa afirmou que as informações são repassadas exclusivamente às autoridades policiais. O banco disse que "coopera integralmente com as investigações dos órgãos competentes".

A Bertin e o Grupo BR Vias e Oeste Sul não puderam ser contatados imediatamente.
Celular de Cunha motivou investigação

As investigações tiveram origem em mensagens encontradas no celular de Eduardo Cunha. O aparelho foi apreendido ainda em 2015, no âmbito da operação Lava Jato. Os dados deram origem às operações Sépsis e Cui Bono, ambas tocadas pela força-tarefa denominada Greenfield, pelo MPF.

O órgão contou com acordos de colaboração premiada de operadores, além de provas colhidas em investigações, para basear as denúncias.

(Com Reuters e Agência Brasil)

05/10/2018


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Datafolha: Bolsonaro avança para 35%, e Haddad tem 22%



Candidato do PSL abre vantagem de 13 pontos sobre petista.

Ciro tem 11%, Alckmin, 8%

O Globo
 

Os candidatos Jair Bolsonaro (PSL), Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede)
Foto: Arquivo O GLOBO



RIO - A penúltima pesquisa Datafolha do primeiro turno das eleições presidenciais mostrou que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) avançou para 35% das intenções de voto. Fernando Haddad (PT) aparece em segundo, com 22%. Na sequência, Ciro Gomes (PDT) tem 11%, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB), 8%.

Na pesquisa anterior, divulgada na terça-feira, Bolsonaro tinha 32% das intenções de voto. Ele cresceu, portanto, três pontos percentuais na pesquisa. Já Haddad havia registrado 21% e agora oscilou um ponto, dentro da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos. O candidato do PSL abriu 13 pontos de vantagem em relação a Haddad, a maior distância desde meados de setembro, quando a candidatura do PT foi oficializada. Na sondagem anterior, essa distância era de 11 pontos.


04/10/2018

Uma extensa ficha corrida



Preposto de Lula na disputa presidencial, Fernando Haddad responde a 32 processos, que vão do recebimento de dinheiro da Lava Jato a denúncias por improbidade administrativa e superfaturamento de obras.

O candidato reproduz o modelo petista de malfeitos na gestão pública

NAS CORDAS
Acossado pela escalada de más notícias, o petista vê disparar seus índices de rejeição

(Crédito: Marcelo Chello/CJPRESS/Estadão Conteúdo)



Germano Oliveira
Revista IstoÉ


Fernando Haddad não foi escolhido pelo presidiário Lula para substituí-lo na corrida presidencial por acaso. Ele carrega o mesmo DNA dos malfeitos de seu padrinho político encarcerado na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, desde abril. O candidato do PT à Presidência responde a 32 processos na Justiça, que o colocam como um dos campeões da ficha de ilícitos cometidos na vida pública. Na extensa folha corrida, Haddad, já réu em dois processos, é acusado de receber dinheiro de caixa dois de empreiteira condenada na Operação Lava Jato, denunciado por crimes de Improbidade administrativa, suspeito de superfaturamento de obras e serviços, acusado pelo desvio de recursos e até da aplicação ilegal de dinheiro público. Não bastasse seu envolvimento direto em inúmeras irregularidades, o presidenciável petista se cercou na campanha rumo ao Palácio do Planalto, a mando de Lula, de assessores e coordenadores igualmente processados por crimes no Petrolão, dando indicativos concretos de que o partido reativará – num eventual futuro governo – a máquina de corrupção azeitada durante os 13 anos de PT no poder. Pior. Além do risco de retrocesso ético, a eleição de um novo poste de Lula para o cargo de presidente resgatará a ameaça da ineficiência e da incompetência administrativa que marcou a gestão de Haddad tanto à frente da Prefeitura de São Paulo, como do Ministério da Educação.

Dinheiro de caixa dois

Formado em Direito pela tradicional Faculdade do Largo do São Francisco, Haddad sempre alardeou pautar sua vida pública pelo caminho da retidão. A narrativa, como quase tudo no PT, não pára em pé. Basta jogar uma lupa sobre sua vida pregressa para se perceber que o presidenciável petista é lobo com cútis de cordeiro –ou seja, encontra-se tão encrencado quanto seus padrinhos políticos petistas. A Kurier Analytics, uma empresa de gestão de informações jurídicas, foi quem levantou, a pedido de ISTOÉ, a ficha corrida de Haddad na Justiça e catalogou a existência de 31 processos contra o ex-prefeito, apurando o número da ação, a vara em que está ajuizada a causa e os motivos dos procedimentos. A reportagem acessou um por um dos processos. Na relação, apenas não constava a 32ª ação contra o petista, por correr na Justiça Eleitoral. Versa sobre o recebimento de caixa dois na campanha a prefeito em 2012 e cuja denúncia, formulada pelo promotor Luiz Henrique Dal Poz, foi aceita pelo juiz Francisco Shintate.


Como desdobramento da operação Lava Jato, o ex-prefeito é acusado de ter recebido, em 2013, R$ 2,6 milhões da Construtora UTC para o pagamento de uma dívida contraída junto a gráficas. O dinheiro não foi contabilizado e chegou ao PT por meio do doleiro Alberto Youssef, segundo delação do ex-presidente da empreiteira Ricardo Pessoa. Como contrapartida, a Constran, do grupo UTC, ganhou uma licitação de R$ 417 milhões promovida pelo prefeito para a construção de um terminal rodoviário em Itaquera, segundo denúncia do promotor Marcelo Mendroni.

As contas de campanha de Haddad, na verdade, sempre foram uma espécie de caixa de Pandora do petista. Na campanha à reeleição para prefeito em 2016, Haddad ficou devendo R$ 2,1 milhões para o publicitário Giovane Favieri, da F5BI, em razão da locação de equipamentos de edição de vídeos. Favieri, investigado pela operação Lava Jato por receber dinheiro sujo em campanhas eleitorais, inclusive para o PT, entrou na 6ª Vara Cível com ação para receber o débito. No último dia 16 de agosto, o PT fez acordo para ele receber o dinheiro em parcelas até 2020. O mais suspeito, contudo, é que, no último dia 25, Favieri recebeu outros – ou seriam os mesmos? – R$ 2,1 milhões oriundos do caixa da campanha presidencial de Haddad, conforme registrado no TSE, também a título de locação de equipamentos para edição de vídeos.









Haddad parece mesmo não gostar de jogar às claras com a Justiça Eleitoral. Em declaração de bens obrigatória ao TSE, o presidenciável atesta que o apartamento em que reside em São Paulo vale a pechincha de R$ 90 mil. No Cartório de Registro de Imóveis, porém, consta que ele declarou ter pago R$ 120 mil pelo imóvel em 1998 e realizado um investimento de mais R$ 20 mil na compra de uma garagem, esta não declarada pelo presidenciável. O valor venal do apartamento é de R$ 997,9 mil – mais de 10 vezes a quantia orçada pelo candidato petista ao TSE.

Entre as dezenas de processos aos quais Haddad responde na Justiça, a maioria é composta por pelo menos 15 ações populares e nove por improbidade administrativa. Em uma delas, Haddad é acusado de superfaturar a ciclovia que liga o Ceagesp ao Ibirapuera, ao custo de R$ 54,7 milhões. Cada quilômetro custou para a Prefeitura R$ 4,4 milhões, bem acima do preço pago numa ciclovia na mesma região durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab, — R$ 617 mil por quilômetro. Nesse caso, o juiz Kenichi Koyama, da 11ª Vara da Fazenda Pública, já aceitou a denúncia e Haddad virou réu. Ele é acusado também de superfaturar a compra de salsicha para a merenda escolar. O Ministério Público Estadual o acusa ainda de desviar R$ 129,2 milhões de verbas destinadas ao Teatro Municipal. Nesse processo, estão envolvidos ex-assessores diretos de Haddad.

Não bastassem os processos, o candidato do PT ao Planalto acumula uma grande rejeição entre o eleitorado – acima de 40% segundo as últimas pesquisas de intenção de voto. A reprovação segue em curva ascendente. A aversão ao seu nome por parte do eleitor não constitui propriamente uma novidade. Haddad experimentou o infortúnio em 2016, quando acabou perdendo para João Doria (PSDB) no primeiro turno. Atualmente candidato ao governo do Estado, Doria desenvolve uma explicação para o baixo desempenho do ex-prefeito. Guarda relação com a fama de laborfóbico do candidato do PT à Presidência. “Ele não gostava de trabalhar. Chegava à Prefeitura às 10h e ia embora às 18h. Nos finais de semana não aparecia”, disse o tucano. Num rápido balanço de sua gestão, percebe-se que o petista deixou de cumprir grande parte das promessas feitas ao assumir o cargo. Prometeu construir 243 creches e só entregou 38. Prometeu erguer três novos hospitais, mas nenhum deles abriu as portas. Disse que iria construir 55 mil casas populares e só levantou 10 mil. O déficit de professores aumentou de 1.800 para 4.700 ao final de seu mandato. Um desastre.

Fraudes no Enem

A passagem de Haddad pelo comando do Ministério da Educação também foi marcada por intempéries. Desde a polêmica criação do chamado “kit gay” às fraudes na aplicação do Enem, que provocou um prejuízo de R$ 30 milhões aos cofres públicos. Logo no início de sua gestão, o petista virou alvo das primeiras reprimendas dos órgãos fiscalizadores. Uma ação da Controladoria Geral da União (CGU) detectou uma verdadeira “farra das passagens” no ministério. Conforme o relatório da CGU, em 2005 foram desembolsados R$ 3,3 milhões, um valor R$ 932 mil acima do teto estabelecido. “O gestor (Haddad) não adotou as providências necessárias para limitar os gastos com diárias e passagens, desconsiderando a Portaria da Subsecretaria de Planejamento e Orçamento – SPO”, descreve a CGU. Ainda segundo a auditoria a qual ISTOÉ teve acesso, a Controladoria fez uma análise minuciosa de gastos de 16 servidores, entre os quais Fernando Haddad, relacionada ao exercício financeiro de 2005 do MEC. O que a CGU descobriu é que o compromisso com a coisa pública não é uma máxima no petista. Para camuflar o péssimo desempenho no ministério, Haddad investia pesado em propaganda. Os gastos saltaram de R$ 9,5 milhões, em 2005, para R$ 30,1 milhões, em 2012.

Mesmo com uma gestão atabalhoada à frente do MEC, Haddad se manteve no cargo por sete anos, dois dos quais já no governo Dilma, que chegou a pensar em substituí-lo por Marta Suplicy. Mas Haddad era intocável. O petista só deixou o ministério em 2012, convencido por Lula a disputar a Prefeitura de São Paulo. Para catapultar Haddad novamente, desta vez ao posto de mandatário do País, Lula fez as vezes de tutor e coordenador informal da campanha. Conforme antecipou ISTOÉ na última edição, Lula montou um verdadeiro QG na cadeia, de onde articulou a cooptação de caciques do Nordeste e determinou até repasses de dinheiro, em troca do apoio de lideranças regionais a Haddad. Para torná-lo mais palatável ao núcleo duro petista, Lula o orientou a se inscrever na corrente majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB). Depois, destacou petistas de sua confiança para o assessorarem – todos investigados ou processados pela Justiça.

O tesoureiro da campanha petista é Francisco Macena, vereador do PT e que responde ao lado de Haddad pela acusação de recebimento de R$ 2,6 milhões da UTC para o pagamento de dívidas da campanha à prefeitura paulista em 2012. A ex-presidente Dilma Rousseff, uma das acusadas pelo STF como integrante do “quadrilhão do PT, coordena a campanha em Minas Gerais, onde é candidata ao Senado. A senadora Gleisi Hoffmann, presidente do partido, também investigada na Lava Jato, é quem toca a campanha no Paraná. Outro que exerce papel de destaque é ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que responde a duas ações de improbidade por prejuízos à estatal. Completam o time o presidente do Instituto Lula e o mais fiel escudeiro de Lula, Paulo Okamoto, Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete de Lula investigado na Operação Zelotes, o ex-presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, e Lindberg Farias, candidato do PT ao Senado pelo Rio – velhos conhecidos das páginas político-policiais que regressarão ao poder, se Haddad eleito for.



04/10/18