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terça-feira, 11 de novembro de 2014

CCJ nega recurso e processo de André Vargas vai a Plenário



Processo de cassação será analisado pelo Plenário em votação aberta
Por: Redação
Diário do Poder

André Vargas (E) foi flagrado em conversas com o doleiro Alberto Youssef (D)

Por votação simbólica, a Comissão de Constituição e Justiça de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou hoje o parecer do deputado Sergio Zveiter (SD-RJ) contra o recurso do deputado André Vargas (PT-PR) que tentava reverter a recomendação de cassação do seu mandato feita pelo Conselho de Ética.

DEM, Psol, PSDB, PSB, PSD, PPS, PV, PRB, PMDB e Pros manifestaram voto favorável ao relatório de Zveiter, enquanto o PT, com exceção do deputado Luiz Couto (PB), recomendou a aprovação do recurso.

Em agosto, o Conselho de Ética decidiu pela cassação de Vargas por quebra de decoro parlamentar, devido a denúncias de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef.

Diante da derrubada do recurso, o processo de perda de mandato do deputado será analisado agora pelo Plenário da Câmara, em votação aberta.



11 de novembro de 2014 


Doleiro confirma elo da Lava Jato com o mensalão do PT


À Justiça, AlbertoYoussef afirmou que ex-deputado mandava repassar propinas a
'agentes políticos'

RICARDO BRANDT
O Estado de S.Paulo

 O doleiro Alberto Youssef, alvo da Operação Lava Jato, confirmou ontem à Justiça Federal o elo do mensalão do PT com o esquema de corrupção e propinas na Petrobrás. Ele disse que mantinha uma conta corrente conjunta com o ex-deputado José Janene (PP-PR) - morto em 2010 -, responsável pela indicação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento da estatal petrolífera, em 2004.
CRONOLOGIA - Entenda as suspeitas

Youssef declarou que, por orientação de Janene, repassava valores a "agentes públicos" e "agentes políticos" e usava para isso um segundo doleiro, Carlos Habib Chater, dono do Posto da Torres, em Brasília, para entregar o dinheiro. Ele disse que parte da quantia vinha do caixa de construtoras.

Youssef está preso acusado de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro


O juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, perguntou a ele qual a origem do dinheiro. "Comissionamento de empreiteiras", declarou Youssef. O juiz perguntou: "Decorrente de contratos com a administração pública, em geral propinas?" Youssef respondeu: "Sim senhor, Excelência."

"Tudo o que o seo Janene precisava de recursos ele pedia a mim e eu disponibilizava", contou Youssef. "Às vezes essa conta ficava negativa, às vezes ficava positiva.

Na verdade nessa conta também ia recurso para outras pessoas, não que eu administrasse os recursos dessas outras pessoas, mas eu via esse caixa como caixa do partido, o Partido Progressista."

O doleiro não citou nome de nenhum agente público ou agente político. Tais nomes ele já citou em acordo de delação premiada que ainda terá de ser homologado pela Justiça.
Youssef é réu em cinco ações penais da Lava Jato na Justiça Federal no Paraná.

Em uma ação, ele é acusado de ter participado da lavagem de R$ 1,16 milhão do mensalão do PT através de investimentos em uma empresa de equipamentos industriais situada em Londrina (PR). A ação penal em que Youssef depôs ontem trata da ligação do doleiro com o ex-deputado Janene e com o doleiro Carlos Habib Chater.

Youssef afirmou que Janene investiu na empresa de Londrina por meio de outra companhia ligada a ele, a CSA Project. Essa firma foi usada para receber recursos do fundo de pensão da Petrobrás, a Petros, alvo da Lava Jato.

Assista a trechos do depoimento de Youssef:


Primeira parte
          



Segunda parte

            


 
11 Novembro 2014


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Alberto Youssef volta a depor à Justiça Federal após ser hospitalizado



Este foi o primeiro depoimento desde que doleiro recebeu alta, em outubro.

Outros três réus também participam de audiência nesta segunda (10).


Do G1 PR



Alberto Youssef voltou a depor nesta segunda-feira
(Foto: Joedson Alves/Estadão Conteúdo)

O doleiro Alberto Youssef prestou mais um depoimento à Justiça Federal em Curitiba nesta segunda-feira (10). Esta foi a primeira vez que Youssef depôs à Justiça depois de ter recebido alta da UTI coronariana na qual foi hospitalizado ao passar mal na carceragem da Polícia Federal (PF), onde está preso desde março.

Ele foi o primeiro de quatro réus de processo originado da Operação Lava Jato a depor. A audiência ocorre a portas fechadas desde o início da tarde, e não há previsão de término. Também devem depor nesta tarde Carlos Alberto Pereira da Costa, Carlos Habib Chater, e Ediel Viana da Silva. Os quatro respondem neste processo por lavagem ou ocultação de bens oriundos de corrupção, e por crimes praticados contra a Administração.

Youssef é acusado de chefiar um esquema de desvio e lavagem de dinheiro, estimado em R$ 10 bilhões, desvendado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal. Ele e os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) entraram em um acordo de delação premiada. Com isso doleiro se comprometeu a dizer tudo o que sabe sobre o esquema de lavagem de dinheiro que chefiava, em troca de reduções nas penas que podem ser imputadas.



Hospitalizado
Alberto Youssef, foi internado no dia 25 de outubro no hospital Santa Cruz, em Curitiba, após passar mal na carceragem. Ele ficou internado na UTI coronariana e recebeu alta no dia 29 de outubro, sendo reencaminhado para a carceragem da PF, onde está preso desde março deste ano.

Os agentes da PF informaram que ele teve uma forte queda de pressão arterial, causada pelo "uso de medicação no tratamento de doença cardíaca crônica". Segundo a polícia, esta foi a terceira vez que Youssef precisou de atendimento médico desde que foi preso.

O problema de saúde dispensou o doleiro de comparecer à CPI mista da Petrobrás no Congresso Nacional. A presença dele chegou a ser autorizada pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos originados a partir da Operação Lava Jato, porém, após a defesa pedir dispensa sob o argumento de que ele ficaria calado e se recusaria a responder perguntas dos parlamentares, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CPI mista, decidiu cancelar o depoimento.

Operação Lava Jato

A operação Lava Jato foi deflagrada no dia 17 de março de 2014 em vários estados brasileiros e no Distrito Federal. A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que pode ter movimentado cerca de R$ 10 bilhões, segundo a PF.

De acordo com as investigações, a organização criminosa era liderada pelo doleiro Alberto Youssef. Ele e os procuradores do MPF entraram em um acordo de delação premiada. Com isso, ele se comprometeu a dizer tudo o que sabe sobre o esquema de lavagem de dinheiro que chefiava, em troca de reduções nas penas que podem ser imputadas. O documento que pede a absolvição do doleiro no caso do tráfico de drogas não cita o acordo de delação.

O acordo de delação premiada será homologado pela Justiça se, depois da fase dos depoimentos, ficar comprovada a veracidade das informações que Youssef fornecer. O acordo foi assinado um dia após a defesa revelar que o doleiro tinha essa pretensão.


10/11/2014


José Eduardo Cardozo não pode ser ministro por falta de biografia e de bibliografia; acusar o PMDB é só tramoia intelectual de seus amiguinhos



Por Reinaldo Azevedo

Tento aqui conter lágrimas de emoção, mas não consigo. Ocorre sempre que me deparo com uma flagrante injustiça. Antes que eu me prepare para a batalha, vem a comoção. E qual é o motivo da hora? Os amigos de José Eduardo Cardozo agora espalham na imprensa que é a banda de malvados do PMDB que tenta inviabilizar a sua indicação para o Supremo Tribunal Federal. Sim, conforme antecipei na minha coluna na Folha, de sexta, Dilma quer nomear o seu ministro da Justiça para a vaga de Joaquim Barbosa. Prudentemente, perguntou a Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, se o seu “Porquinho”, como ela o chamou certa feita, seria aprovado. Ele mandou dizer que não.

A resistência partiria de setores insatisfeitos do PMDB com a atuação da Polícia Federal e com a suposta falta de atenção do Planalto aos pleitos dos peemedebistas nos palanques regionais. Assim, os lobistas voluntários e involuntários de Cardozo espalham a patacoada de que a resistência a seu nome se deveria à sua impecável atuação à frente do Ministério da Justiça. Só pode ser comédia. É coisa de chanchada.

Não sei quais seriam os senadores do PMDB que hoje resistiram a Cardozo. Não me interessam os seus motivos privados ou mesmo partidários. Sei, e isto me basta com folga, que este senhor não tem nem biografia nem bibliografia para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Já há outros por lá que também não têm nem uma coisa nem outra? Há, sim. Então cabe a pergunta: por que havemos de ter mais?

Chega a ser escandaloso que a presidente pense em indicar para o posto o homem que foi um de seus coordenadores de campanha eleitoral há meros quatro anos, ocasião, então, em que ela o apelidou de um de seus “Três Porquinhos” — os outros dois eram Antonio Palocci e José Eduardo Dutra. Posso imaginar na eventual cerimônia de posse — que, espero, não aconteça —, a chefe do Executivo a cumprimentar um dos 11 membros do tribunal maior brasileiro: “Parabéns, meu Porquinho”. Ele responde o quê? (?) “Oinc, oinc?”.
“Est modus in rebus”, como diria o poeta. As coisas têm de ter uma medida. Estão escrevendo muita besteira por aí sobre a bolivarizanização do Brasil, recorrendo ao estranho método de negar identidades a partir das diferenças. Aí fica fácil, não é? Como também é fácil afirmar identidades a partir de semelhanças. Pelo primeiro critério, dá para provar que o nazismo e o fascismo não se confundiam; pelo segundo, a gente consegue provar que não há diferenças entre um homem e um porco.

Quem compara tem de buscar identidades nas diferenças e diferenças nas identidades. Controlar a corte suprema do país é pressuposto dos regimes autoritários da moderna América Latina. Há o país em que essa corrente atingiu o seu estado de arte — e de desastre: a Venezuela —, e há os países em que essa mesma tendência se pronuncia de maneira menos intensa. Ainda voltarei a esse ponto em outros comentários.

Retomo o principal. A corte suprema do país não pode servir de esbirro de um partido político. Precisa contar com o concurso de juristas independentes, que tenham sua trajetória marcada pelo apuro intelectual na área e que não se prestem ao proselitismo vulgar. Mais: em seu campo de atuação, as pessoas indicadas têm de ter dado provas de competência.

A gestão de Cardozo no Ministério da Justiça é desastrosa, para usar um adjetivo modesto. As mais recentes evidências apontam, por exemplo, que o movimento terrorista Hezbollah atua em parceria com o PCC. Tudo sob as barbas e a pança deste senhor, que assistiu, inerme, à explosão do número de homicídios no país. Que resposta ele ofereceu?

Tentar fazê-lo, agora, vítima dos malvados do PMDB é uma piada de quinta categoria. Cardozo não pode ser ministro porque não tem biografia e bibliografia para isso. Chego a ter fundados receios de que ele não conhece direito nem mesmo a Constituição.

Os motivos íntimos do PMDB e dos peemedebistas não me interessam. Cardozo não pode ser ministros é por sua própria falta de méritos.
10/11/2014

Projeção de expansão do PIB em 2014 cai de 0,24% para 0,20%, diz Focus


Por Ana Conceição
Valor

SÃO PAULO - Os analistas de mercado seguem ajustando para baixo suas estimativas para a economia brasileira, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central. A mediana das previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano caiu de 0,24% para 0,20%. Há um mês, a projeção era de crescimento de 0,28%. Depois de ficar estacionada algumas semanas em 1%, a estimativa para 2015 recuou para aumento de 0,80%.

A produção industrial deste ano também foi revisada para baixo, de queda de 2,17% para recuo de 2,21%. A estimativa para 2015, contudo, teve ligeira melhora, de crescimento de 1,42% para 1,46%.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial de setembro caiu 0,2%, ante agosto, quando se esperava aumento de 0,2%. No trimestre entre julho e setembro, houve queda também de 0,2% ante o trimestre anterior, segundo o IBGE.

Para analistas consultados pelo Valor na ocasião, esse resultado colocou um viés de baixa para o PIB do período, que será divulgado no fim deste mês. O primeiro mês do quarto trimestre também não parece ter sido bom para o setor a julgar pelo PMI industrial do Brasil, medido pelo HSBC, que recuou a 49,1 em outubro, de 49,3 em setembro. Medições abaixo de 50 indicam contração da atividade. Esse índice composto leva em conta produção, emprego, preços, demanda interna e externa.

10.11.2014

Petrolão – Dez pessoas, que eram apenas subordinadas, podem devolver até R$ 500 milhões aos cofres públicos. Imaginem quanto dinheiro não foi parar nos cofres do PT, do PMDB e do PP, partidos para os quais trabalhavam


Quinhentos milhões de reais! Sim, R$ 500 milhões.

Esse é o montante que dez pessoas que negociam acordos de delação premiada, no curso da investigação do petrolão, podem devolver aos cofres públicos.

Por Reinaldo Azevedo


Três pessoas respondem por R$ 165 milhões desse montante. O engenheiro Paulo Roberto Costa se comprometeu a devolver R$ 70 milhões, que correspondem aos US$ 25,8 milhões que ele tem depositados no exterior. O doleiro Alberto Youssef aceita ressarcir os cofres públicos em R$ 55 milhões. Outros R$ 40 milhões virão das contas de Júlio Camargo, executivo da Toyo Setal. Sete outras pessoas que estão colaborando com a investigação responderiam pelo resto.

É assombroso! Atenção, meus caros! Nenhuma dessas dez pessoas era chefe do esquema. Até agora, não se sabe quem estava na ponta do petrolão. Eram todos operadores que trabalhavam para partidos políticos. Três dessas legendas monopolizavam o dinheiro da propina: PT, PMDB e PP. Segundo Paulo Roberto, a maior parte da grana era enviada mesmo ao Partidos dos Trabalhadores.

Esses prováveis R$ 500 milhões nada têm a ver com o dinheiro dos políticos. Essa grana toda foi desviada, reitere-se, por simples operadores, por peixes de tamanho médio. Se esses dez, que trabalhavam para outros e eram apenas subordinados, conseguiram amealhar R$ 500 milhões, imaginem quanto não foi roubado pelos chefes. Ou melhor: não dá nem para imaginar.

Mas a gente tem algumas pistas. Tudo indica que a obra que mais serviu à roubalheira foi a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Só para lembrar: ela estava orçada em US$ 2,5 bilhões e já custou mais de US$ 20 bilhões. Chega a ser um milagre que o Brasil ainda não tenha sucumbido.

Não! Essa dinheirama toda não inclui os políticos envolvidos no esquema. Como eles têm direito a foro especial por prerrogativa de função, seus respectivos nomes foram enviados ao Supremo Tribunal Federal. O relator do caso é o ministro Teori Zavascki. Consta que o papelório chegou a seu gabinete e por lá foi ficando, sem consequências até agora. Vamos ver.

Vai ser difícil tentar assar alguma pizza no Supremo — embora, a depender das personagens por ali, a gente possa esperar sempre o pior. Será difícil porque os dez que ou já fizeram acordo de delação ou estão em vias de fazê-lo trabalhavam para alguém: no caso, trabalhavam para políticos e para partidos. Não roubaram apenas para si mesmos. Ao contrário: roubavam para o esquema criminoso e pegavam uma parcela a título, digamos, de corretagem.

Nunca houve nada parecido no país, seja em organização, seja em volume de roubalheira. Em entrevista recente, o ainda ministro Gilberto Carvalho saiu a choramingar, afirmando que há uma campanha de ódio contra o seu partido, que, segundo ele, é tratado por setores da imprensa como se tivesse inventado a corrupção. É claro que não! O PT não seria tão criativo. Não inventou, não! Mas, sob os seus auspícios, a roubalheira se profissionalizou. Virou método. Virou sistema. Virou até coisa de, como é mesmo?, “heróis do povo brasileiro”.

Cumpre lembrar uma vez mais: enquanto se desenvolvia a investigação do mensalão, enquanto corria o julgamento e eram declaradas as condenações, o petrolão funcionava a todo vapor. Impressionante, não é mesmo?

Acabou, sim, havendo punições no mensalão petista, mas não deixa de ser uma piada que todos os políticos envolvidos na sujeira já estejam em prisão domiciliar ou perto de consegui-la, e os não políticos do chamado núcleo financeiro estejam na cadeia. Será que a banqueira Kátia Rabelo e o publicitário Marcos Valério teriam conseguido operar o mensalão sozinhos? Afinal, não eram os políticos que trabalhavam para eles, mas eles é que trabalhavam para os políticos. No meu conjunto de valores, os homens públicos deveriam ser punidos como mais rigor porque fraudaram, além de tudo, a boa-fé de quem depositou neles a sua confiança. Vamos ver o que vai acontecer desta vez.

A propósito: e aí, ministro Zavascki? Esse negócio anda, ou vai ficar criando bolor aí no seu gabinete? Celeridade, homem! Ou os EUA, que também investigam a Petrobras, acabam concluindo o seu trabalho primeiro. Por lá se tem respeito com o dinheiro do contribuinte. E isso vai ser um vexame adicional.

10/11/2014



domingo, 9 de novembro de 2014

Ao contrário dos manifestantes de 2011, os indignados que voltarão às ruas em 15 de novembro sabem quem são e o que querem




Por Augusto Nunes




Em novembro de 2011, ilustrado por um mapa do Brasil com informações sobre o horário, o local e o acesso aos organizadores das passeatas programadas para 40 cidades, um post assinado pela jornalista Fernanda Costa chamou a atenção dos leitores para os atos de protesto que ocorreriam no feriado de 15 de novembro de 2011. Passados três anos, o texto e o mapa voltaram a circular na internet, mas associados às manifestações de rua convocadas para o próximo dia 15. Nada a ver.

Ao abismo no calendário se somam as diferenças entre os dois movimentos. Os envolvidos nos protestos de 2011 nunca souberam direito quem eram e o que queriam. Como voltaria a acontecer em junho de 2013, os manifestantes sucumbiram à crise de identidade, à inexistência de objetivos claramente definidos, à falta de palavras-de-ordem que evitassem a dispersão. Dessas carências não padecem os indignados de 2014 que mostraram sua cara na Avenida Paulista no primeiro dia deste novembro. Esses sabem perfeitamente quem são e o que querem, como se verá em outro post.

Antecipo o esclarecimento para desfazer equívocos e, sobretudo, para colocar a coluna à disposição dos organizadores ou participantes das manifestações marcadas para 15 de novembro. Sejam bem-vindos às ruas os incontáveis inconformados, saúdam os integrantes da resistência democrática. O Brasil decente enfim se dispôs a travar a luta sem tréguas contra a seita lulopetista — no terreno e com as armas que os adversários escolherem. A desfaçatez dos incapazes capazes de tudo foi longe demais.

Os corruptos a serviço do governo estão por toda parte, e financiam com roubos bilionários a conspiração contra o Estado Democrático de Direito. Os farsantes no poder acham que os fins justificam os meios e se julgam condenados à perpétua impunidade. O sossego dos cínicos acabou. Mais de 51 milhões de eleitores advertiram em 26 de outubro que todos são iguais perante a lei. Lula e Dilma não são mais iguais que os outros, avisaram os participantes do ato de protesto na Avenida Paulista.

Em coro, multidões continuarão a exigir o esclarecimento da roubalheira na Petrobras (e de todos os escândalos), cobrar a punição dos envolvidos e repetir que Dilma e Lula sabiam de tudo. A oposição está na ofensiva. E o PT não mete medo em mais ninguém.
09/11/2014


País vai recuperar R$ 500 milhões com delações na Lava Jato, diz força-tarefa





Procuradores que atuam na investigação do esquema de corrupção e desvios na Petrobras acreditam que montante será devolvido por meio de acordos de contribuição premiada; se confirmado, será o maior

Andreza Matais
O Estado de S. Paulo

Brasília - Os investigadores da Operação Lava Jato calculam que vão recuperar R$ 500 milhões com acordos de delação premiada e colaboração formalizados até março do próximo ano, quando devem se encerrar os trabalhos da força-tarefa do Ministério Público Federal que investiga o esquema de corrupção, desvios de recursos e pagamento de propinas na Petrobrás.


O meio bilhão de reais é referente à parte que um grupo de dez pessoas – que decidiu colaborar com as investigações ou ainda negocia os termos do acordo de delação – deverá devolver aos cofres públicos após negociações com a Justiça.

A recuperação de R$ 500 milhões é dada como certa pelos procuradores federais e significará o maior valor já devolvido aos cofres públicos na história do País. O montante corresponde a 11 vezes tudo o que já foi ressarcido desde 2004, quando o Ministério da Justiça criou um órgão específico para tratar da recuperação de ativos.

Nessa conta não entra o quanto os políticos a quem o esquema beneficiava teriam recebido de propina. As autoridades com foro privilegiado só poderão ser investigadas após autorização do Supremo Tribunal Federal.

Segundo fontes ouvidas pelo Estado, a investigação envolvendo deputados e senadores, que tramita em segredo de Justiça, está há um mês no gabinete do ministro Teori Zavascki sem qualquer movimentação.

Conforme afirmou em depoimento à Justiça, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, a maior parte do dinheiro desviado era loteada entre três partidos políticos: PT, PP e PMDB. O PT ficava com até 3% do valor dos contratos de obras superfaturadas.

Do braço operacional do esquema de corrupção na estatal que está sob investigação da força-tarefa, apenas três pessoas vão devolver R$ 165 milhões aos cofres públicos em troca de eventual redução de pena.

Acertos. Costa, o primeiro a firmar um acordo de colaboração premiada, comprometeu-se a devolver cerca de R$ 70 milhões – ele vai renunciar aos valores mantidos em contas bancárias e investimentos no exterior em seu nome e de familiares que totalizam US$ 25,8 milhões.

O doleiro Alberto Youssef, considerado peça central do esquema de corrupção, se comprometeu a devolver aproximadamente R$ 55 milhões.


Terceiro acusado a firmar o acordo de delação, o executivo Júlio Camargo – que agia em nome da Toyo Setal, empresa que tem contratos bilionários com a Petrobrás – se comprometeu a devolver R$ 40 milhões.

O empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, também da Toyo Setal, é o quarto a fazer delação premiada na Lava Jato, mas ainda não se sabe o valor de ressarcimento negociado com o Ministério Público.

A diferença desse montante já conhecido para a conta de R$ 500 milhões virá de outros delatores que estão em negociação com procuradores federais e a Justiça. Investigadores que participam da Lava Jato afirmaram ao Estado que se depararam com um esquema extremamente organizado. Isso facilitou as investigações porque a taxa de propina era cobrada sobre toda a obra, e não parte dela.

Dessa forma, a investigação não precisou se debruçar em detalhes como superfaturamento no "preço do parafuso", como destacou um dos envolvidos na operação. Os contratos da Petrobras que eram alvo do esquema já embutiam a propina sobre o valor total da obra.

Conforme os investigadores, nem sempre quem tinha mais poder, como executivos da estatal, recebia mais propina. Na estrutura da petroleira, muitas vezes os gerentes têm mais poder de segurar um contrato ou pagamento do que seus superiores. Por essa razão, os investigadores têm a segurança de que o valor a ser recuperado com as delações premiadas e os acordos chegará ao histórico meio bilhão de reais.

09 Novembro 2014


Senador tucano reafirma que não irá abdicar do papel de oposição e que PT enfrentará “oposição conectada com a sociedade”



Aécio Neves: ‘Para a direita não adianta me empurrar que eu não vou’
Aécio diz que vai ser oposição vigilante e fiscalizadora para que os escândalos não sejam “varridos para debaixo do tapete - O Globo / Pablo Jacob

Por Maria Lima, Lydia Medeiros
e Silvia Fonseca
O Globo

RIO - Aécio Neves chega caminhando sozinho pela rua. Vem do pediatra e entra na casa do amigo onde daria entrevista, em Ipanema, contando que os filhos gêmeos, nascidos prematuros, engordaram. Diz que depois de olhar tanto no olho da adversária que o derrotou na campanha mais acirrada da História não abdicará de seu papel de fazer oposição. Admite erros. Mas diz que, pela primeira vez, o PT enfrentará uma “oposição conectada com a sociedade, e isso os assusta”.

Como o senhor viu a entrevista da presidente Dilma, que chamou de lorota o corte de ministérios e de ideia maluca sua proposta de choque de gestão?
A candidata Dilma estaria muito envergonhada da presidente Dilma. Para a candidata, aumentar juros era tirar comida da mesa dos pobres. Três dias depois da eleição, o BC aumentou os juros. Para a candidata, não havia inflação. A presidente agora admite que há e que é preciso controlá-la. A candidata dizia que as contas públicas estavam em ordem, e descobrimos que tivemos um setembro com o pior resultado da história. A candidata dizia que cumpriria o superávit fiscal, e agora se prepara para pedir a revisão da meta de 1,9%. Estamos assistindo ao maior estelionato eleitoral da História. O choque de gestão, que incomoda tanto o PT, nada mais é do que gastar menos com o Estado e mais com as políticas fins. É o contrário do que o PT pratica. O próximo mandato, que se inicia, já começa envelhecido. A presidente não se acha no dever de sequer sinalizar como será a política econômica. E é curioso vermos a presidente correndo desesperada atrás de um banqueiro para a Fazenda. Eu hoje chego na minha casa, coloco a cabeça no travesseiro e durmo com a consciência muito tranquila. Fiz uma campanha falando a verdade, não fugi dos temas áridos, sinalizei na direção da política econômica que achava correta. Não sei se a candidata eleita pode fazer o mesmo.

A oposição também não está envelhecida?
A oposição sai extremamente revigorada da eleição. A campanha teve duas marcas muito fortes. A primeira, protagonizada pelo PT e pela candidata que venceu: a utilização sem limites da máquina pública, do terrorismo eleitoral, aterrorizando beneficiários do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida. Inúmeras regiões ouviram durante meses, isso sim uma grande lorota, que, se o 45 ganhasse, seriam desfiliados dos programas. Infelizmente, essa é uma marca perversa. Mas há uma outra, extraordinária, que é um combustível para construir essa nova oposição. O Brasil acordou, foi às ruas. Minha candidatura passou a ser um movimento. Nosso e desafio é manter vivo esse sentimento de mudança, por ética.
Como atuar de forma diferente?
Pela primeira vez, o PT governará com uma oposição conectada com a sociedade. O sentimento pós-eleição foi quase como se tivéssemos ganhado. E os primeiros movimentos da presidente são de desperdiçar a oportunidade de renovar, de admitir equívocos, mudar rumos. Ela começa com o mesmo roteiro: reúne partidos para discutir um projeto de reforma política ou uma agenda de crescimento? Não! Reúnem-se em torno da divisão de ministérios, de nacos de poder. As pessoas não se sentam para ouvir da presidente: "Quero o apoio para um grande projeto de país." Era o que eu faria. A grande pergunta dos brasileiros será: para que novo mandato se não há projeto novo de país? Para continuar distribuindo cargos e espaço de poder para as pessoas fazerem negócios? A presidente corre o risco de começar o mandato com sentimento de fim de festa.

O PSDB fará um “governo paralelo”?

Vamos constituir dez grupos, de dez áreas específicas, para acompanhar as ações do governo. Comparar compromissos de campanha com o que acontece em cada área. Queremos subsidiar nossos companheiros, lideranças da sociedade, vereadores, governadores, parlamentares.

Isso não reforça o discurso de que vocês precisam desmontar o palanque?

Chega a ser risível ouvir o PT falar que é hora de descer do palanque. O PT, sempre que perdeu, nunca desceu. E quando venceu também não desceu. E quem paga a conta são os brasileiros.
Cumprimentei a presidente pela vitória. Agora vou cumprir o papel que me foi determinado por praticamente metade da população. Vamos ser oposição vigilante, fiscalizadora, e não vamos deixar que varram para debaixo do tapete, como querem fazer, esses gravíssimos escândalos que estão aí.

Mas não houve acordo na CPI da Petrobras para blindar políticos, com apoio do PSDB?


Quero dizer de forma peremptória e definitiva: vamos às últimas consequências nessas investigações, não importa a quem atinjam. Até pelo nível de insegurança de setores da base do governo, o que pode estar vindo por aí é algo muito, mas muito grave. Não depende mais apenas da ação do Congresso ou da Justiça no país, porque essa organização criminosa que, segundo a PF, se institucionalizou na Petrobras, tem ramificações fora do Brasil. E outros países estão agindo. Nosso papel é não permitir, do ponto de vista político, tentativas de limitação das investigações. Se alguém pensou em algum acordo, e no caso do deputado Carlos Sampaio ele foi ingenuamente levado a isso, será corrigido.


A desconstrução marcou a campanha. Como enfrentar isso em 2018?

O marketing petista deseduca a população porque não permite o debate. Será que vai dar certo sempre? Queremos transformar o Bolsa Família em política de Estado para que saia dessa perversa agenda eleitoral. Apresentamos o projeto, e agora ficou claro porque o PT votou contra. O PT prefere ter um programa para manipular as vésperas das eleições, como se fosse uma bondade. Há uma manipulação vergonhosa de instituições como Ipea e IBGE. A presidente usou o marketing de que tinha tirado não sei quantos milhões da miséria já sabendo que a miséria aumentara. Mais um estelionato. Setembro foi o pior mês do século em geração de emprego. Há 20 milhões de jovens sem ensino fundamental e médio. Nossa educação, comparativamente a nossos vizinhos, é péssima. E o governo acha que política social é o Bolsa Família. Não. Tem que ser saúde, educação de qualidade e geração de emprego para incorporar essas pessoas ao mercado formal.

Como o PSDB se manterá unido com uma disputa interna que se anuncia para 2018?

Antecipar uma divisão no PSDB hoje é uma bobagem. Não tenho obsessão em ser candidato a presidente. O que há hoje é um PSDB, ao lado de outras forças, conectado a setores da sociedade com os quais não estávamos vinculados. Esse é o grande fato novo. Lá na frente, o candidato será aquele que tiver melhores condições de vencer.

Há uma nova direita indo às ruas e pedindo a volta dos militares. Como fazer com que o PSDB não se confunda com esse movimento?

Com nosso DNA. Sou filho da democracia. O que houve foi a utilização de movimentos da sociedade por uma minoria nostálgica que nada tem a ver conosco e com nossa história. A agenda conservadora, antidemocrática, totalitária, é a do PT. Esse documento do PT, lançado depois das eleições, é muito grave. Fala no cerceamento da liberdade da imprensa, de um projeto hegemônico de país, sem alternância de poder. Fala de uma democracia direta que, de alguma forma, suplantaria ou diminuiria a participação do Congresso na definição das políticas públicas. Teve um momento na campanha do meu avô Tancredo, em 1984, que pregaram uns cartazes em Brasília com o símbolo do comunismo. Era um movimento da direita mais radical para dizer que ele era comunista. Tancredo disse: "Olha, para a esquerda não adianta me empurrar que eu não vou." Ele era um homem de centro. E, agora, eu digo: "Para a direita não adianta me empurrar que eu não vou".

E os erros na campanha? Faltou conexão com minorias, movimentos de base?


Faltaram poucos votos que não conseguimos por falta de estrutura. Nas eleições municipais teremos candidatos com capilaridade em segmentos muito mais amplos. Em dezembro, reuniremos a Executiva com esse foco. Faremos ampla campanha, uma semana de filiação no Brasil. Com gente nas ruas, sindicatos, universidades. Estarei em Maceió, numa grande teleconferência, para sinalizar que o Nordeste sempre será prioridade para o PSDB. As pessoas estão procurando saber como participar, como se filiar. Isso nunca acontecera. Voltamos a ser depositários da confiança de parcela importante da sociedade que nunca fez política e está querendo fazer.

Quais foram os erros em Minas? É consenso que o senhor perdeu porque foi derrotado lá.

Ainda estou tentando entender. Meus adversários tiveram ação organizada muito forte nas regiões mais pobres de Minas. Temos imagens de deputados com megafones dizendo: "Aécio vai acabar com o Bolsa Família". Os Correios não levavam nosso material, e não estávamos atentos. Houve talvez certa negligência do nosso pessoal. E nossa candidatura estadual também não foi bem. No segundo turno, a força do governador eleito acabou sendo um contraponto forte. Ninguém é invencível. Eu não sou infalível. É do jogo político. Souberam ser mais competentes do que nós. A responsabilidade é minha mesmo. Vamos recuperar esse espaço. Lançar candidato a prefeito em Belo Horizonte, onde ganhamos por 60% a 30%, e em todas a grandes cidades.

E a derrota no Rio?
Eu ter tido 45% dos votos no Rio foi um ato de heroísmo. Os dois candidatos do segundo turno estavam com Dilma. E ainda espalharam jornais apócrifos me colocando como inimigo do Rio.

A aliança de oposição será mantida?


É bom que a oposição tenha várias caras. É um erro estratégico, além de gesto de absoluta arrogância, achar que sou o líder das oposições. Não sou. Somos um conjunto de pessoas credenciadas para falar em nome de uma parcela importante da população. Sou cioso da autonomia do Congresso. Mas gostaria de ver alguma forma essa aliança reeditada na eleição para a presidência da Câmara. Quem sabe num gesto em direção do PSB. A mim agradaria, mas é uma decisão que será tomada com absoluta autonomia pelos deputados.

O senhor sempre repete a frase de Tancredo que ser presidente, mais do que projeto, é destino. Ainda concorda?

Não é obsessão, como jamais foi. Sou hoje um homem de bem com a vida, conheci um Brasil novo, vibrante, com esperança. Não é frase de efeito. Vi coisas de emocionar. Gente que via esperança em mim. E isso é muito sério.

09/11/2014

Polícia Federal aponta elo entre facção brasileira e Hezbollah

Documentos mostram que criminosos estrangeiros abriram canais para o envio de armas a grupo brasileiro

Por Francisco Leali
O Globo
Participação da comunidade Árabe no comércio de fronteira Brasil-Paraguai.
Na foto, a Mesquita Sunita se mistura ao conjunto de prédios de Foz de Iguaçu, Paraná 

Agência O Globo / Michel Filho



BRASÍLIA - Na região de fronteira que separa Brasil, Argentina e Paraguai, a atuação de grupos ligados ao terrorismo internacional sempre foi, para as autoridades americanas, um fato incontestável. No Brasil, pelo menos oficialmente, o caso nunca foi admitido, e as declarações governamentais costumam minimizar o tema. Nos últimos anos, no entanto, os serviços de inteligência do país reuniram uma série de indícios de que traficantes de origem libanesa ligados ao Hezbollah, o "Partido de Deus", se aventuraram numa associação com criminosos brasileiros. Relatórios produzidos pela Polícia Federal apontam que esses grupos se ligaram ao PCC, organização criminosa que atua nos presídios brasileiros, principalmente nos de São Paulo.


Uma série de documentos obtidos pelo GLOBO revela que essa espécie de sociedade da delinquência começou a ser montada em 2006. Mas as provas só foram descobertas dois anos depois, quando uma operação realizada pela PF reuniu os primeiros indícios da ligação entre libaneses e a organização criminosa brasileira. Na época, envolvidos com o tráfico internacional foram presos. Segundo as autoridades americanas, o dinheiro da droga é justamente uma das fontes de financiamento de entidades terroristas. Já a PF encontrou indícios de que esse grupo de libaneses que operava com o tráfico abriu canais para o contrabando de armas destinadas à organização criminosa brasileira.


Trecho do relatório da PF destaca a aproximação do Hezbollah com traficantes brasileiros - Reprodução

Em troca, os criminosos brasileiros prometiam dar proteção a presos da quadrilha libanesa já detidos no Brasil. A notícia da associação criminosa surgiu de informante da PF. A veracidade acabou sendo confirmada pela área de inteligência, que monitorou não só os suspeitos sob investigação, como também os integrantes da facção brasileira que comandavam ações mesmo detidos em presídios federais e estaduais em São Paulo e Paraná.

Segundo relatório da PF, "a concentração de tais detentos vem auxiliando na aglutinação de indivíduos com interesses comuns, além de viabilizar o contato de traficantes de origem árabe com grupos" como a facção "com marcante presença nos estabelecimentos prisionais do estado de São Paulo". O documento diz ainda que os contatos internacionais dos traficantes libaneses "têm atendido aos interesses" da facção brasileira, "que, por seu turno, viabiliza uma situação favorável aos estrangeiros dentro do sistema prisional, além de assegurar algum lucro com negociações mesmo enquanto estão presos".


A partir de investigações e conversas com informantes que atuam na região da Tríplice Fronteira, o setor de inteligência da PF se convenceu de que os traficantes libaneses não só abriram canais para a organização criminosa obter armas no exterior, como teriam tido participação na venda de explosivos supostamente roubados pela facção brasileira. Foi identificada a participação dos traficantes libaneses na negociação de C4, um tipo de explosivo plástico que fora roubado no Paraguai. "Os libaneses em atividade criminosa, apesar de terem no tráfico de cocaína seu principal foco de atividades, também atuariam no tráfico de armas para grupos criminosos de São Paulo, sendo que, recentemente, também teriam intermediado uma negociação de explosivos (aparentemente C4, sendo também sabido que um carregamento de tal material foi subtraído no Paraguai e vem sendo vendido a preços bem baixos)", diz o relatório.

A área de inteligência da PF registrou ainda a troca de favores entre os dois grupos. Se os libaneses ajudavam no contrabando internacional de armas, a organização brasileira se encarregava de proteger os estrangeiros que já foram detidos no país. Diz documento da PF que "vários libaneses estariam estreitando suas relações" com a facção brasileira há cerca de três anos, "sendo qualificado como forte o vínculo com a referida organização criminosa, sendo constantes seus contatos". "Sabe-se, entretanto, que a ligação de libaneses estaria beneficiando mais a organização criminosa (brasileira), com poucos benefícios para os estrangeiros, embora tal situação venha sendo aceita por conveniências dentro do sistema prisional", diz um documento da PF, produzido em 2009.


As informações sobre os vínculos entre as duas quadrilhas foram compiladas depois que o governo americano passou a apontar em seus relatórios anuais de combate ao narcotráfico a participação de libaneses da Tríplice Fronteira ligados ao comércio ilegal de drogas e ao financiamento de ações terroristas. Em 2006, relatório do Departamento do Tesouro americano chegou a listar nove pessoas acusadas de ajudar a enviar recursos para o Hezbollah. Além dos nomes, o relatório apontava que a Galeria Pagé, em Ciudad del Leste, no Paraguai, vizinha da cidade brasileira de Foz do Iguaçu, era o bunker dos agentes que davam suporte financeiro ao Hezbollah. Na época, o governo brasileiro emitiu nota negando haver prova de que terroristas atuassem na região do Sul do país. Nos anos seguintes, o DEA, a agência americana de combate às drogas, reiterou a acusação.

Em 2008, dois anos após o primeiro relatório do Tesouro dos EUA, os serviços de inteligência da PF já estavam apontados para a região. O GLOBO teve acesso à parte do acervo produzido que lista prisões de libaneses, identifica remessas de drogas e confirma a perigosa associação dos libaneses com a facção criminosa de brasileiros. O trabalho de monitoramento incluiu ainda missões para vigiar estrangeiros de origem libanesa que circulavam pelas cidades de Foz, Ciudad del Leste e Porto Iguazu, na Argentina. Os documentos reúnem desde listas de nomes e períodos de hospedagens em hotéis até registros de um suposto risco de atentado terrorista no Brasil. No dia 28 de agosto de 2008, relatório de inteligência assegura que recebeu informe de "fonte não comprovada" de que um estrangeiro "integrante de uma organização terrorista" estaria viajando para Brasília para executar plano de assassinato. Há ainda a descrição de ações na Ponte da Amizade, na fronteira entre Brasil e Paraguai. Em fevereiro de 2008, por exemplo, policiais pararam um veículo em que estavam o libanês Mostapha Hamdan e o sírio naturalizado paraguaio Farouk Sadek Abdou. Esse último, pouco antes de ser abordado tentou destruir um papel onde havia 17 números de telefones.

Em abril do mesmo ano, mais uma vez a área de inteligência disparou alerta. Desta vez, sobre atuação da facção criminosa brasileira no Paraná. Havia suspeita de que armas contrabandeadas do Paraguai seriam usadas no resgate do preso Leandro Antonio, conhecido como Chacal. As autoridades locais foram alertadas, e a PF se encarregou de distribuir fotos e nomes dos possíveis envolvidos na operação.


09.11.2014



sábado, 8 de novembro de 2014

Eduardo Cunha: sem conversa com o PT. Pior para Dilma


Antiga pedra no sapato da presidente, deputado segue firme na briga pela presidência da Câmara. Ao revelar irritação com petistas, prenuncia 'tensão'

Marcela Mattos, de Brasília
Veja.com
Eduardo Cunha: se o PT não quer, não há diálogo
(Lúcio Bernardo Jr/Agência Senado/VEJA)
"Não há um espaço aberto que não haja um petista reivindicando”
Eduardo Cunha

Passadas as eleições presidenciais, uma nova disputa já domina os corredores da Câmara dos Deputados: a que definirá o novo presidente da Casa. E a briga aqui não se dá entre governo e oposição, mas entre os maiores partidos da base – PT e PMDB. Pivô da disputa, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é uma antiga pedra no sapato da presidente Dilma Rousseff. A ideia de vê-lo no comando da Câmara provoca arrepios nos petistas, que já lançaram um contra-ataque a sua campanha. E afirmam: “jamais” concordarão com a candidatura de um membro da base que “age como oposição”. Diante da postura do PT, Cunha afirma: “Quando um não quer, dois não conversam. Se eles têm uma postura radical, tudo bem. A democracia inventou uma maneira fácil de resolver isso, que é o voto”. Ao que parece, o propalado “diálogo” da presidente Dilma passará longe da disputa na Câmara – o que deve significar mais dores de cabeça para a petista.

Pouco depois de Cunha anunciar que procuraria o PT para conversar, o líder da sigla na Câmara, deputado Vicentinho (SP) afirmou nesta semana que não há espaço para conversas. E continuou: “Nós jamais vamos concordar com qualquer candidatura que signifique uma postura de oposição. Se é de um partido da base, como age sendo oposição?”, afirmou, pouco depois do PT definir que lançará uma candidatura adversária à do líder do PMDB. A decisão irritou Cunha.

Em conversa com o site de VEJA, Cunha indicou também certa irritação ao ser tratado como “oposição” pelos petistas. “Essa rotulação é equivocada ou, no mínimo, não é de boa fé. Eu não estou postulando uma candidatura como oposição, mas não sou um candidato submisso ao governo. O PT, nas vezes em que ocupou a presidência da Câmara, teve uma atitude muito mais receptiva ao Planalto do que, por exemplo, o Henrique Alves (PMDB-RN), atual presidente. Não quero levar a disputa da presidência da Câmara à continuidade da disputa eleitoral. Mas quero defender a autonomia do Parlamento”, continuou.

Nos bastidores, a campanha petista tenta propagar a tese de que a quebra do acordo firmado com o PMDB em 2007, pelo qual os partidos se revezariam no comando da Câmara, pode levar ao rompimento de outros pactos, como a distribuição das comissões que compõem a Casa, que também se dá em relação ao tamanho das bancadas. E desafia Cunha: “Os açodados comem frio. Com o PT unificado em época de composição ministerial, seria muita incompetência perder a presidência da Câmara”, disse um dos postulantes ao cargo. O PT ainda não definiu quem será o candidato do partido.

Já Cunha carrega a bandeira de que os deputados não querem apoiar uma dobradinha petista no Palácio do Planalto e na Câmara, que representa a segunda linha sucessória do presidente da República, atrás somente do vice-presidente. “A Casa não quer nenhum processo hegemônico. Não há um espaço aberto que não haja um petista reivindicando”, afirmou. E diz não temer ataques nos moldes feitos durante a corrida para a Presidência da República: “Qualquer maneira que não seja correta na disputa certamente vai acabar produzindo algum tipo de dificuldade de convivência posterior. Então, cada um escolhe um caminho”.

Nesta semana, PT e PMDB lançaram estratégias similares para intensificar a campanha: vão conversar com representantes dos partidos da Câmara em busca de votos. O peemedebista já tem praticamente definido o apoio do chamado “blocão”, composto por PR, PSC, PTB e Solidariedade, além do PMDB, e vai negociar individualmente com as bancadas. No mesmo molde, os petistas criaram uma comissão composta por ex-presidentes e lideranças influentes para dialogar com todos os partidos.

Turbulência – Cunha começou a pavimentar a candidatura já em fevereiro, quando passou a se reunir semanalmente com lideranças partidárias, consolidando o “blocão”. À época, teve nas mãos quase metade dos deputados da Casa, que agiam em sintonia às suas demandas, como as mudanças em torno do Marco Civil da Internet – aprovado somente depois que o governo concordou em acatá-las. Estudioso das matérias de seu interesse e profundo conhecedor da legislação da Câmara dos Deputados, o parlamentar fluminense consegue brincar com o andamento das sessões recorrendo a estratégias regimentais. Graças a ele, por exemplo, a votação da regulação portuária se arrastou por mais de 30 horas em dois dias e foi alterada às pressas pelo governo para viabilizar a aprovação, antes que perdesse a validade.

Também é de praxe Cunha causar dificuldades ao governo para impor suas vontades. Caso emblemático se deu em 2007: relator da emenda na Comissão de Constituição e Justiça, o deputado somente apresentou parecer pela prorrogação da CPMF – um apelo do então presidente Lula – após ter a presidência de Furnas em suas mãos. Ele indicou o ex-prefeito do Rio Luiz Fernando Conde para o cargo.

Agora, o deputado já antecipa o posicionamento contrário a matérias caras ao governo petista, como a regulação econômica dos meios de comunicação e o plebiscito para a reforma política. Os dois temas compõem resolução divulgada nesta semana pela cúpula do partido. “O PMDB é absolutamente contrário à regulação da mídia e ao plebiscito, como foi contrário aos conselhos populares. Então nós temos pelo menos três divergências claras, três contrastes fortes com o PT, o que talvez provoque tensão no debate”, diz.
08.11.2014

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

No dia 15 de novembro, todos nas ruas contra a “República de Bananas”!




  

Por Rodrigo Constantino

Indivíduos indignados com os rumos de nosso país pretendem se reunir nesse feriado do dia 15 de novembro, que celebra nossa República, para protestar contra o atual governo, a roubalheira impune, o abuso de poder, o autoritarismo, o desejo de controlar a imprensa etc. A mobilização é necessária e muito bem-vinda. O governo teme gente nas ruas, e o PT perdeu esse monopólio.

Por isso mesmo tenta desqualificar essas milhares de pessoas que espontaneamente se manifestam. Quer associar essa gente toda a “movimentos golpistas” ou antidemocráticos, reacionários que não aceitam as regras do jogo. É o contrário! Justamente por desejarem as regras do jogo é que protestam contra o PT, que fez o “diabo” para vencer. Querem investigações para comprovar a lisura do processo, e querem punições para os corruptos.

Todo cuidado é pouco. Sabemos do que essa turma é capaz. Podem até mesmo infiltrar seus agentes nas passeatas para destruí-las de dentro, acusando-as de demandar golpe militar ou algo do tipo. Não! As manifestações devem clamar pelo respeito aos valores republicanos e democráticos, pelo fortalecimento de nossas instituições, e não sua substituição.

Que todos lotem as ruas nesse feriado de nossa República, de forma ordeira e pacífica, com uma mensagem de resgate de uma democracia sólida. Que protestem contra essa “República de Bananas” que o PT vem instalando em nosso amado Brasil!

Segue, por falar nisso, um artigo meu publicado em 2011 no GLOBO sobre o assunto, justamente no aniversário da República também:



República das Bananas


“Vês, pois, que, onde tudo está sob o poder de uma facção, não se pode dizer que existe República.” (Cipião)

Neste feriado, que celebra mais um aniversário de nossa República, vem ao caso refletirmos sobre os rumos de nosso país. Até que ponto vivemos sob um regime que podemos chamar, efetivamente, de republicano?

Todos dizem defender a “res pública”, até mesmo os regimes socialistas totalitários. Mas a essência do modelo republicano está na questão da representatividade. Sem um modelo eficiente de representação política, com claros limites constitucionais ao poder do Estado, não é adequado chamar de República o regime.

Sob esta ótica, o Brasil não está nada bem na foto. Feudalismo, patrimonialismo ou mercantilismo: esses são os termos mais adequados para descrever nosso modelo. Há extrema concentração de poder no governo central, dominado por uma patota que transformou a coisa pública em “cosa nostra”. O Estado foi privatizado. A pilhagem é sistemática.

Um “Ogro filantrópico” (Octavio Paz). Um “Dinossauro” (Meira Penna). Estas são as imagens mais fiéis ao Estado brasileiro, uma máquina que distribui privilégios aos “amigos do rei”, enquanto espalha os custos, especialmente sobre a classe média, esmagada pelos impostos e sem representação política adequada. Ou o leitor se sente representado em Brasília?

Nossa República nasceu sem participação popular. Entre os principais motivos de descontentamento com a monarquia, estavam os altos índices de analfabetismo e de miséria. Pergunto: como estamos após 122 anos? Malgrado algumas conquistas, parece evidente que o modelo tem fracassado, e muito. Temos elevado índice de analfabetismo funcional, péssima qualidade de ensino público, e muita miséria ainda.

Inúmeros parasitas são sustentados pelas benesses estatais, restando aos hospedeiros uma fatura que já chega a um trilhão de reais! Se as instituições republicanas já eram frágeis, foram enfraquecidas ainda mais durante a gestão petista. O ex-presidente Lula muito contribuiu para esgarçar de vez os valores republicanos, ao escancarar, com escárnio, suas alianças espúrias em nome da “governabilidade”.

O “mensalão”, com sua completa impunidade até agora, foi a pá de cal nas esperanças daqueles que sonham com um modelo mais justo e ético. Levaremos anos, quiçá décadas até recuperarmos os estragos causados pelos abusos de poder do lulopetismo. O Estado foi transmutado em um gigantesco instrumento de compra de votos, possível graças ao crescimento chinês, que inundou o Brasil com divisas para a compra de recursos naturais. A expansão de crédito fez o restante.

O governo criou bolsas para diversas classes, desde as esmolas para os mais pobres, até a “Bolsa Empresário” do BNDES. Os sindicatos foram comprados, assim como a UNE, que aderiu a um constrangedor silêncio frente aos infindáveis escândalos de corrupção. As ONGs, agora em evidência, ignoraram a letra N e se tornaram braços governamentais envoltos em esquemas de desvio de recursos públicos. As exceções comprovam a regra.

Alguns podem alegar que a elevada popularidade justifica isso tudo. Os que assim fazem, apenas demonstram não compreender o conceito de República. Até Mussolini foi popular na Itália fascista! Como Cícero explica nos diálogos sobre a República Romana, “não creio que corresponda mais o nome de República ao despotismo da multidão”. Tirania popular ainda é tirania.

O Brasil não chega a tanto, é verdade. Não estamos no mesmo estágio da Venezuela de Chávez, a despeito do desejo de muitos petistas. Mas ainda vivemos no Antigo Regime, das castas e capitanias hereditárias, tributário do autoritarismo da Era Vargas e do positivismo. Estamos muito distantes da Grande Sociedade Aberta e do império da lei isonômica.

O alerta feito por Ayn Rand mostra a precária situação brasileira: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

Vamos deixar isso acontecer passivamente? Republicanos legítimos, uni-vos! Está na hora de romper com os grilhões do patrimonialismo e instaurar uma República de fato em nosso país.


07/11/2014

Promotoria quer ouvir delator da Lava Jato sobre aumento de renda de Sérgio Machado


Ministério Público Estadual do Rio investiga evolução patrimonial de presidente licenciado da Transpetro

Ricardo Brandt e Fausto Macedo
Estadão


PAULO ROBERTO COSTA/CPMI

O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro solicitou à Justiça Federal no Paraná que autorize o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar, em um inquérito que apura “incompatível aumento de renda” do presidente licenciado da Transpetro Sérgio Machado – indicado para o cargo pelo presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e citado na Operação Lava Jato.

“Indispensável a oitiva de Paulo Roberto da Costa” afirma a promotora de Justiça Glaucia Maria da Costa Santana no inquérito aberto em 2010 para apurar “suposta evolução patrimonial incompatível com a renda do presidente da Transpetro”.

Paulo Roberto Costa é o alvo maior da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Ele fez delação premiada e citou pelo menos 32 parlamentares como supostos beneficiários de propinas no esquema de corrupção da Petrobrás.

A promotora não cita o nome de Sérgio Machado no pedido, mas ele se refere dentro inquérito instaurado em 2010 – quando Machado já presidia a subsidiária da Petrobrás, responsável pela transporte de petróleo e derivados da estatal.

Indicado por Renan, ele ocupou até a segunda-feira da semana passado a presidência da Transpetro, quando pediu afastamento do cargo após ter seu nome envolvido na Operação Lava Jato.

Paulo Roberto Costa afirmou em depoimento no dia 8 de outubro à Justiça Federal em Curitiba que recebeu de Machado R$ 500 mil em dinheiro, referente a propinas atrasadas, na negociação de um navio. O dinheiro, segundo o delator, foi entregue no próprio apartamento do ex-presidente da Transpetro, no Rio.

Titular da 6ª Promotoria de Cidadania do Rio a promotora solicitou ao juiz federal Sérgio Moro, que preside as ações penais da Lava Jato – que resultaram na prisão de Costa – a autorização para ouvir o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás em sua casa, no Rio, onde ele cumpre prisão domiciliar desde que fez a delação.

LEIA O PEDIDO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO:

transpetro - pedido

No pedido, a promotora estadual do Rio quer ouvir Costa também em outro inquérito aberto em 2010 sobre o suposto superfaturamento na contratação da empreiteira Andrade Gutierrez nas obras de ampliação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes). A obra foi inaugurada em 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Andrade Gutierrez é uma das 14 envolvidas na Operação Lava jato com parte de um suposto cartel que miravam as obras na estatal.

07 novembro 2014


O Herói da Rendição continua de olho no trono de imperador da economia

Por Augusto Nunes

Bigodão de ditador cucaracha realçado pela deserção do topete, condecorações imaginárias transformando em farda o terno cinza-Brasília, o companheiro Aloizio Mercadante tem caprichado na pose de general do miúdo exército leal à presidente reeleita. Neste começo de novembro, entrincheirado no gabinete do 4° andar reservado ao chefe da Casa Civil, o comandante concentrou-se na etapa inicial da guerra, planejada para despejar do Palácio do Planalto (ou impedir que ali consigam alojar-se) os infiéis assumidos, os fariseus dissimulados e os suspeitos de sempre.

Empunhando o trabuco que dispara intrigas, o combatente que não sabe a diferença entre um gatilho e uma bala anda se gabando das duas baixas resultantes do tiroteio. Guido Mantega, fabricante de previsões cretinas e especialista na ocultação de provas do fiasco da política econômica, vai perder em janeiro o emprego de ex-ministro em exercício. Gilberto Carvalho, a caixa preta de Santo André acampada no Planalto há 12 anos, conformou-se em servir ao PT em outras freguesias. Deverá ser incorporado ao mobiliário do Instituto Lula, mais seguro e mais rentável.

Se sobreviver sem ferimentos a essa etapa inicial, Mercadante talvez consiga anexar o posto de primeiro-ministro de araque ao considerável acervo de títulos honoríficos que mereceu, façanhas de chanchada que protagonizou e monumentos ao ridículo que ergueu. Ele foi promovido a Herói da Rendição por esta coluna graças aos incontáveis recuos, mudanças de rumo, retiradas e capitulações que liderou em poucos anos. Em abril de 2010, por exemplo, como recorda o post reproduzido na seção Vale Reprise, nosso herói precisou de poucas horas para revogar o irrevogável e renunciar à renúncia que o afastara da liderança da bancada do PT no Senado.

Em 13 de junho de 2010, Mercadante reivindicou a paternidade de um prodígio capaz de matar de inveja o mais milagreiro dos santos: para atender ao pedido do autor de “Brasil, a construção retomada’, Lula não só havia lido o livro de ponta a ponta como escrevera o prefácio. Até os bebês de colo e os índios das tribos isoladas sabem que o ex-presidente não fez mais que garatujar a assinatura embaixo do palavrório encomendado a algum companheiro alfabetizado. Mercadante continua jurando que aquilo foi redigido pelo chefe incapaz de desenhar um O com o fundo da garrafa.

A mistura de currículo com prontuário informa que Mercadante merece uma vaga na comissão de frente do bloco que agrupa os incapazes capazes de tudo. Candidato a governador de São Paulo em 2006, enrascou-se na história da compra de um dossiê forjado para prejudicar o adversário José Serra. Foi socorrido por Lula, que rebaixou a “bando de aloprados” uma quadrilha a serviço do PT e transformou em coisa de louco um escandaloso caso de polícia.

Sempre por ordem do chefe, em 2010 Mercadante disputou de novo o Palácio dos Bandeirantes em 2010. De novo, naufragou no primeiro turno. Não é pouca coisa. Mas quem conhece a figura sabe que o ex-senador, ex-ministro de Ciência e Tecnologia, ex-ministro da Educação e agora chefe da Casa Civil trocaria tudo ─ honrarias, galardões, sacos de dinheiro, prefácios e todas as demais proezas ─ por uma temporada no cargo que persegue desde o dia do parto.

O menino ainda não sabia falar quando revelou aos pais que queria ser ministro da Fazenda. Nem Lula topou ir tão longe: preferiu nomear o médico Antonio Palocci a instalar no ministério um economista como Aloizio Mercadante. Mas ele está bem no retrato que Dilma leva na bolsa. E ela talvez acredite que ninguém no mundo é pior do que Guido Mantega. Aos 60 anos, o Herói da Rendição continua de olho no trono de imperador da economia. Enquanto não for anunciado o escolhido, a ameaça estará apavorando o Brasil que pensa, presta e trabalha.

Antes que tivesse nascido nas urnas a frente antipetista formada por 51 milhões de brasileiros, o fecho deste texto repetiria a sugestão de praxe: oremos. Mas o resultado da disputa eleitoral informa que rezar já não é a única opção. Que tal mostrar nas ruas que o país já não é propriedade dos farsantes, gatunos e ineptos que ainda infestam o coração do poder?

07/11/2014



Dilma encampa projeto petista de regular a imprensa




Por Reinaldo Azevedo

Na VEJA.com. Ainda voltarei ao assunto.
Na semana em que a Executiva do PT publicou resolução em que faz diversos ataques à oposição e prega a regulação dos meios de comunicação em prol da hegemonia do partido, a presidente Dilma Rousseff admitiu que pretende abrir um “processo de discussão” sobre a regulação econômica da imprensa. Disse que não sabe ainda como será esse processo, mas afirmou que “isso jamais poderá ser feito sem consultar a sociedade”. Sobre a resolução do partido, a presidente afirmou: “Eu não represento o PT, represento a Presidência da República”, informa a versão on-line do jornal O Globo. “A opinião do PT é a opinião do partido, não me influencia. Não sou presidente do PT, sou presidente dos brasileiros”, disse Dilma, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

“Liberdade de imprensa é uma pedra fundadora da democracia. E a liberdade de expressão talvez seja a maior coisa que emergiu da democracia”, disse. “Democracia é o direito de todo mundo ter uma opinião mesmo que não concorde com ela”, prosseguiu. Na sequência, Dilma afirmou que “outra coisa é confundir isso com a regulação econômica do setor”. “Essa é uma outra discussão. Diz respeito a monopólios. Em qualquer setor econômico, seja energia, petróleo, tem regulações e a mídia não pode ter?”, questionou.

Assim como o controle de conteúdo, o fim do que o PT classifica como “monopólio dos meios de comunicação” sempre foi bandeira defendida nos projetos do partido para regulação da imprensa. Ou seja, além de voltar sua artilharia contra os grandes grupos de comunicação, sempre alvo dos irados discursos petistas contra a imprensa, o partido busca golpear a receita publicitária dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle indireto do conteúdo pelo governo. Desde que assumiu o Planalto, a presidente vinha mantendo distância do projeto petista de controle da imprensa: sepultou, inclusive, o projeto de lei para “regulação das comunicações” elaborado pela legenda durante o governo Lula, e que trazia na raiz o embrião autoritário da censura.
(…)

06/11/2014