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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os Porcos de Orwell



Liberdade | Democracia

Capa da Pinguin Editions para o clássico “Animal Farm” de George Orwell. Ficção política em que porcos fazem uma revolução de animais no poder, em uma fazenda da Inglaterra, e depois se locupletam deste poder, esquecendo os velhos preceitos do “animalism” que propunha todo poder para os animais.

Os Porcos de Orwell

Blog do Onyx


Fazer discursos maniqueístas, do tipo “quem não é da minha turma não presta” é o mais puro preconceito político troglodita. O debate político brasileiro precisa amadurecer muito ainda para se tornar mais realista e sintonizado com as necessidades e problemas reais das famílias, das comunidades e das pessoas que as constituem.

A esquerda festiva outorgava a si o monopólio da ética, da luta pelo fim da miséria e da independência do capital. Acreditar que a esquerda é mais ética ou menos ética que a direita não passa do mais puro preconceito político, não podemos ser ingênuos ao ponto de acreditar que um político é melhor ou pior que o outro por causa de suas cores ideológicas. É como acreditar que católicos são melhores que protestantes, ou vice-versa, evidente que esta discussão é absurda.

A imprensa, que o PT hoje acusa de “burguesa”, como se ainda existisse burguesia, repetidamente defendeu e acolheu aos petistas, muitas vezes descritos, em nossa crônica política, como os mocinhos do embate pelo poder; o Davi vermelho contra o Golias do capitalismo multinacional imperialista. Quem nunca ouviu ou leu alguma balela deste tipo nas entrelinhas do jornalismo político brasileiro?

Assim como no livro “Animal Farm”, de George Orwell, os petistas se revelam os verdadeiros porcos da metáfora orwelliana. Agora os nossos neo-socialistas-de-boutique, com suas camisetas de Che e bonezinhos do exército vermelho maoista enfrentam a realidade política nacional brasileira, a administração de um país da complexidade do Brasil. Esta administração só consegue ser feita razoavelmente com muito bom senso e descentralização, ouvindo-se as diferentes vozes nacionais e com a coalizão de todos em torno de um projeto de desenvolvimento nacional bem fundamentado e feito em coautoria com técnicos de alto nível especializados nas mais diversas áreas.

Mas isto está totalmente fora do horizonte político brasileiro. Não temos um projeto de país, ou proposta estratégica de desenvolvimento nacional. O governo Lula/Dilma, ao estilo bombeiro, se ocupa mais em apagar incêndios do que em articular as forças produtivas para darmos o salto que a tanto tempo se espera, e que corre sérios riscos de não acontecer sob a égide petista.

Mesmo sabendo que Carlos Chagas é o autor de excelentes textos, me dou ao luxo de discordar deste grande colunista (abaixo transcrito). Os petistas não estão “ficando iguais aos outros” políticos, como afirma Chagas, talvez em nenhum outro momento de nossa história política eles conseguiram ser tão “eles mesmos”, sua essência é isso que vemos na “confusão” referida pelo colunista. Discursos baratos, atitudes bombásticas e irresponsáveis e muito apelo populista para justificar uma insaciável busca do poder pelo poder, sem rumo, sem projeto e fortemente marcado pelo preconceito troglodita contra qualquer um que não esteja de estrela vermelha no peito.
Segue o texto de C. Chagas compartilhado na Tribuna da Internet.

“Todos animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros.” (Compartilhado do truedemocracyparty.net)

A fatalidade nas queimas de arquivo

por Carlos Chagas

São milhares os casos de queima de arquivo em nossa história. Aliás, da história do mundo inteiro. Vamos ficar em três exemplos recentes. Em 1962 Gregório Fortunato estava para ser libertado em poucos dias, por ato do presidente João Goulart. Em 1954 mobilizara a Guarda Pessoal da presidência da República, que chefiava, para tentar assassinar o jornalista Carlos Lacerda, responsável por impiedosa campanha contra o presidente Getúlio Vargas. Identificado, Gregório viu-se condenado a mais de vinte anos de prisão.

Gregório jamais abriu a boca para revelar se havia um mandante ou se o atentado onde morreu um oficial da Aeronáutica fora de sua iniciativa. Prestes a ganhar a liberdade, teria manifestado o desejo de contar tudo e revelar a quem obedecia, ou quem o havia estimulado. Morreu esfaqueado na Penitenciária Lemos Brito por um preso meio débil mental, incapaz de revelar o porquê de seu ato.

Um corte na história nos leva ao assassinato de PC Farias, o caixa de campanha de Fernando Collor, responsável pelas contas pessoais e familiares do então presidente da República, óbvio achacador dos meios econômicos e financeiros da época. Poucos empresários escaparam de sua coleta milionária. Denunciado e condenado, conseguiu sair clandestinamente do país, passando a viajar pelo mundo. Identificado na Tailândia, foi recambiado para o Brasil, ficando algum tempo na prisão, beneficiando-se em seguida para estabelecer-se em Alagoas. Lá, foi morto por uma namorada recente, que se suicidou em seguida. Pairaram dúvidas sobre os policiais militares encarregados de sua segurança, mas nada foi apurado. Crime passional, concluíram.

Não faz pouco mataram o prefeito de Santo André, Celso Daniel, um dos companheiros mais chegados ao Lula, recém-eleito presidente. O caso foi dado como crime comum, ele teria sido vítima de latrocínio, um assalto seguido de morte. Ampla cortina de fumaça envolveu o episódio, inconcluso como os outros dois referidos. Cheio de buracos, como agora levanta Marcos Valério, operador do mensalão e já condenado a 40 anos de prisão. A República vai tremer, se o publicitário vier a falar o que sabe e o que viu, como anuncia num dia para desmentir no seguinte.

É preciso tomar cuidado com as coincidências. Mesmo estando em liberdade, pois sua sentença ainda não transitou em julgado, Valério assemelha-se a um arquivo vivo. Não pela lei, mas pela natureza das coisas, o Supremo Tribunal Federal é responsável por sua segurança. Adianta pouco imaginar que se já estivesse preso, estaria imune a atentados. Basta lembrar o que aconteceu com Gregório Fortunato. De qualquer forma, cabe ao poder público zelar pela vida dos cidadãos. Depois, quando as coisas acontecem, e como acontecem, a palavra fica com os ingênuos e com os outros, para os quais tudo não passou de fatalidade.
CONFUSÃO

A confusão é geral no acampamento dos companheiros, ora inclinados a declarar guerra ao Supremo Tribunal Federal, ora contidos pelo bom-senso do ex-ministro Márcio Thomas Bastos. Chegaram a sustentar que a presidente Dilma Rousseff não deveria comparecer à cerimônia de estado da posse de Joaquim Barbosa como presidente da mais alta corte nacional de justiça. Prevaleceu o bom-senso, ela cumprirá o protocolo, mas nem por isso acalmou-se o PT.

O alvo agora é a mídia, que estaria estimulando os julgadores do mensalão a não pouparem os mensaleiros, como se fosse possível influenciá-los. Pensam em ressuscitar a proposta de controle estatal sobre os meios de comunicação, apesar de excessos aparecerem diariamente nas primeiras páginas dos jornais. Jogam os petistas, pela janela, montes de serviços prestados ao país, o maior dos quais foi surgirem como valor diferente dos demais partidos. Estão ficando iguais, ou já ficaram…

Fonte: Tribuna da Internet

Se tomar posse, Genoino deve ser afastado pelo STF


Mensalão

Corte determina que parlamentares não podem seguir no cargo durante o cumprimento da pena; petista foi condenado por quadrilha e corrupção

Laryssa Borges
e Gabriel Castro

O ex-presidente do PT José Genoino
(Rodrigo Paiva/Folhapress)

As articulações de setores petistas para que o ex-deputado José Genoino assuma um mandato como deputado federal, mesmo condenado por participar do mensalão, devem esbarrar nas ressalvas que o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) pretende impor aos congressistas considerados culpados por participar do maior escândalo de corrupção do país.

O entendimento dos magistrados do Supremo é o de que parlamentares condenados com sentença definitiva no STF não perdem o mandato de imediato, mas são afastados de suas funções enquanto durar o cumprimento da pena. Isso porque todo preso condenado em definitivo fica automaticamente sem os direitos políticos - não pode nem mesmo votar. Com as condenações com trânsito em julgado (com decisões consolidadas, sem possibilidade de recursos), os deputados mensaleiros seriam retirados do exercício parlamentar.

Nas eleições de 2010, José Genoino, ex-presidente do PT condenado por formação de quadrilha e corrupção ativa, teve pouco mais de 92.000 votos. Ficou de fora da bancada de 70 deputados federais que representam São Paulo, mas, por ser o segundo suplente da coligação, passou a ter o direito de assumir o mandato na Câmara após a eleição do petista Carlinhos Almeida para a prefeitura de São José dos Campos (SP).

O caso de Genoino, se ele assumir a vaga de deputado federal, soma-se aos dos atuais deputados João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), todos condenados no processo do mensalão.

Mandatos
- Caso a ação penal transite em julgado antes do início da próxima legislatura, em 2014, todos terão seus mandatos suspensos pelo tempo da condenação. Uma cassação definitiva do cargo público, entende o STF, só ocorreria por decisão da maioria absoluta do plenário da Câmara dos Deputados; ou seja, com os votos de 257 deputados federais.

O Supremo Tribunal Federal já analisou as restrições que pode impor a políticos condenados. Em setembro de 2011, o plenário da Casa discutiu a possibilidade de o Poder Judiciário determinar a cassação do direito de o deputado exercer seu cargo. A Constituição prevê uma condenação em última instância como razão para a perda definitiva do mandato. Mas, na ocasião, os magistrados foram categóricos ao rejeitar que o STF não pode impor a perda imediata do mandato: a punição (que é diferente da suspensão temporária) depende do aval da Câmara.

“A privação do mandato por efeito da suspensão dos direitos políticos vai depender de uma deliberação tomada por maioria absoluta, em votação secreta. E, no Congresso Nacional, por iniciativa da mesa diretora ou de partido político”, disse na época o ministro Celso de Mello.

“Com a condenação criminal transitada em julgado, o que se dá? A suspensão dos direitos políticos, não a perda. Com a suspensão dos direitos políticos, não pode haver exercício do mandato parlamentar. Parece-me isso tranquilo”, completou na ocasião o atual presidente do STF, Carlos Ayres Britto.

Existem registros de parlamentares condenados que, mesmo com direitos políticos suspensos, permaneceram no mandato. O deputado distrital Cristiano Araújo (PTB), por exemplo, foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Distrito Federal por abuso de poder econômico, ficou inelegível por três anos, mas pôde continuar no mandato eletivo.

O caso do mensalão, no entanto, é diferente porque os ministros da suprema corte entendem que a Constituição é clara ao estabelecer a suspensão dos direitos políticos em caso de “condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos”.

Pela tese defendida pelos ministros do STF, se o mensaleiro condenado recebesse uma pena pequena - de um ano, por exemplo - poderia voltar a exercer o mandato. Mas como as sanções impostas pelos ministros do Supremo aos 25 condenados pelo mensalão tendem a ultrapassar a marca de quatro anos, o afastamento temporário dos cargos, determinado pelo Supremo, acabará perdurando por todo o mandato. No fim das contas, a suspensão terá o mesmo efeito da perda definitiva do cargo.

E Dirceu, condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, continua tentando intimidar a imprensa e o Judiciário





Cadê o manifesto do PT contra o STF e a “mídia”?

Estava prometido para quinta-feira.

Por Reinaldo Azevedo

Luiz Inácio Apedeuta da Silva dissuadiu Rui Falcão e José Dirceu da investida.

O presidente do PT trocou o “documento” por uma entrevista à imprensa estrangeira.

Quem fez a, digamos assim, reportagem mais elucidativa a respeito foi o próprio… Dirceu!

Em seu blog, publicou este post, que segue em vermelho (os destaques são meus).

Volto depois.

As três prioridades do PT em 2013
Importante, de extraordinária relevância a entrevista em que o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão (SP) detalhou a correspondentes estrangeiros no Brasil as prioridades da luta política do nosso partido para o ano que vem, dentre estas, a questão da regulamentação da mídia.

O partido faz muito bem em eleger esta regulação como uma das principais metas a serem conquistadas em 2013, ao lado da reforma política tão imprescindível ao país e da luta para desconstituir a farsa do mensalão.

É bom que o Rui tenha falado a correspondentes estrangeiros, porque sabemos que a mídia nacional fará de tudo para ignorar a questão da regulamentação.

À exceção dos momentos em que virá com o noticiário enviezado de sempre, para dizer que regulamentação é censura e ameaça à liberdade de imprensa.

À luta pela regulação, reforma política e fim da farsa do mensalão
O PT não tem e não pode ter nenhuma ilusão de que a mídia mudará e será diferente agora ou em 2013 quando ela tratar do assunto.


Vamos à batalha, então.
O partido vai se posicionar, defender, tomar iniciativas, ocupar todas as tribunas que lhe forem possíveis, manter o assunto em evidência e priorizá-lo, mas como bem destacou o presidente nacional do PT aos correspondentes estrangeiros “quem pode regulamentar os meios de comunicação não é o partido, é o Congresso.”
“Esperamos que o governo envie um projeto de marco regulatório no país” completou Rui.

Ele lembrou ser fundamental a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam da programação (mídia eletrônica) e da propriedade das empresas no setor de comunicação.

“Não pensamos em expropriar ninguém”
“Naturalmente há que se ter um tempo para uma transição. Nós não pensamos em expropriar ninguém”, tranquilizou o dirigente petista.

”Acho incompatível quem concede se beneficiar da concessão”, considerou Rui, ao responder questionamento dos correspondentes sobre o fato de no Brasil um grande número de parlamentares e suas famílias terem concessão de rádio e TV (o Congresso homologa as concessões encaminhadas pelo Ministério das Comunicações).

Rui insistiu que a regulamentação defendida pelo partido não tem nada a ver com censura, como a grande e velha mídia costuma e vai querer continuar confundindo.

“Não é censura, nada a ver. É ampliar a liberdade de expressão, não restringi-la”, concluiu.

Já que falo dessa entrevista do presidente nacional do partido, convido vocês a lerem, também, o artigo que ele publicou na Folha de S.Paulo no fim de semana (sábado) com o título “O PT cresce e consolida seu projeto nacional”.


Voltei
Eis um guerreiro!

Condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, está aí o homem a soprar as palavras de ordem do partido.

Continua a catilinária contra a “velha mídia” — ele emprega o que já um jargão dos blogs sujos; “nova mídia”, para a turma, é, com dinheiro de estatais, ofender o Judiciário, a oposição e a imprensa independente.

O irônico é que a agressão de Dirceu à imprensa ganhou visibilidade porque noticiada pela… imprensa!
Seu post não poderia ter conclusão mais patética: remete a um artigo publicado por Falcão na Folha — afinal, uma “velha mídia”…

As agressões, já apontei aqui, acabam funcionando. Os petistas aprenderam que boa parte da imprensa se deixa patrulhar.
Acusá-la de antipetista costuma ser uma boa garantia de que ela tentará provar o contrário.

O jogo chega a ser infantil, mas é eficaz.

Dirceu nega que se esteja pensando em censura ou coisa parecida. Mas por que esse item da pauta vem atrelado a dois outros diretamente ligados ao mensalão?

Defender o financiamento público de campanha como antídoto a práticas mensaleiras chega a ser uma ofensa à inteligência.

Em primeiro lugar, o processo que está no STF já demonstrou que a dinheirama não estava relacionada ao custeio de eleições.

Mas atenção!

Ainda que estivesse, isso tornaria ético o assalto aos cofres?

Em segundo lugar, dado o financiamento público, o que impediria os larápios de continuar a operar com caixa dois de recursos privados?

A nota do PT, consta, ainda será divulgada, mas o partido vai esperar as penas impostas ao próprio Dirceu e a José Genoino.

A ser verdade que os petistas pretendem se lançar numa campanha “contra a farsa do mensalão”, vai aí a confissão, já feita por Falcão, de que uma legenda intenta dar início a uma cruzada contra o… Poder Judiciário!

Se o mensalão é mesmo uma farsa, então os ministros que condenaram seus protagonistas são nada menos do que farsantes.
Na dosimetria, pesa bastante o comportamento do condenado.

O post de Dirceu, na véspera da definição de sua pena, e a entrevista de Falcão são tentativas canhestras de intimidar a imprensa e o próprio STF.

Espero que os ministros levem tudo isso em conta ao lhe conferir a punição.

06/11/2012


Promotores de SP querem ouvir Marcos Valério





DANIEL RONCAGLIA
FOLHA DE SÃO PAULO

Promotores que investigaram o caso Celso Daniel pediram ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, mais informações sobre o depoimento do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e estudam a possibilidade de convocá-lo para testemunhar nas ações sobre o assassinato do prefeito de Santo André.

A solicitação foi feita com base na reportagem da revista "Veja" que atribuiu a Valério declarações em que ele diz ter recebido do PT um pedido de dinheiro para silenciar um empresário de Santo André que teria extorquido o ex-presidente Lula.


Marcelo Prates - 2.dez.2011/Hoje em Dia/Folhapress
Marcos Valério, quando foi preso em dezembro de 2011


"Queremos ouvi-lo para examinar o possível envolvimento de outras pessoas", afirmou o promotor Roberto Wider Filho, que iniciou as investigações do caso.

Cinco dos sete réus do caso Celso Daniel já foram condenados pelo assassinato. Além disso, tramitam na Justiça de Santo André ações vinculando o crime a um suposto esquema de corrupção para financiar campanhas do PT.

Em 2006, o Ministério Público tentou ouvir Valério para saber se dinheiro desviado em Santo André teria abastecido o valerioduto.

Também foram convocados outros envolvidos no mensalão como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB). Mas uma liminar do STF, concedida a pedido de Dirceu, impediu os depoimentos.

06/11/2012


Pânico no PT: para dar proteção, Gurgel quer mais revelações de Marcos Valério.





Indagado sobre declarações de Valério neste depoimento que envolveriam o ex-presidente Lula, Gurgel pediu "cautela" e, falando em tese, disse que esse tipo de manifestação teria que ter ocorrido na fase de inquérito, com apresentação de provas. A procuradora Raquel Branquinho disse, via assessoria da PGR, que não se manifestaria sobre o depoimento.

Cláudia Sampaio não foi localizada pela assessoria. Também ontem o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, afirmou que eventuais revelações de Valério não terão influência sobre possível redução de sua pena.

O ministro, que participou à tarde de uma solenidade em Recife, disse que uma redução só é "viável" por critérios técnicos. "No plano das possibilidades, é viável." Segundo ele, "tudo é possível" no ajuste final das penas.
Mais tarde, no encontro de Aracaju, ele falou sobre corrupção -principal tema do evento- a magistrados dos 91 tribunais do país. "Vivemos novos tempos.

Um tempo de transparência, um tempo mais republicano, um tempo de compromisso mais forte, mais vivo, do Poder Judiciário com a ética, com o civismo e com a democracia", afirmou o ministro em seu discurso.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que não há motivo para conceder, no momento, proteção especial ao empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Segundo ele, não há "risco iminente" de atentado contra sua integridade física. Gurgel disse ainda, em encontro nacional de magistrados em Aracaju, que eventuais revelações dele sobre o mensalão poderão levar a delações premiadas somente em novas investigações.

Valério foi condenado a mais de 40 anos no julgamento do mensalão, que ainda não terminou. Sua defesa enviou, em setembro, um fax ao Supremo dizendo que ele estaria disposto a trazer novos fatos. Em troca, pedia proteção alegando risco de morte.

"A notícia que me chegou dele foi no sentido de que não havia ainda nada que justificasse uma providência imediata", disse Gurgel. "Agora, se ele viesse a fazer novas revelações, aí sim, esse risco poderia se consubstanciar." Em setembro, Marcos Valério procurou Gurgel dizendo ter novas informações.

Um depoimento foi prestado, segundo a Folha apurou, às procuradoras Cláudia Sampaio -mulher de Gurgel- e Raquel Branquinho. Gurgel não comenta publicamente o depoimento.

A estratégia da defesa de Valério, na avaliação de ministros do STF, é tentar incluí-lo no programa de proteção à testemunha, que o enviaria a lugar não identificado, sob proteção do Estado. A ação não anularia sua condenação, mas abriria brecha para evitar a cadeia.



(Folha de São Paulo) 

Nova pesquisa dá pequena vantagem a Obama. Ou: Como votam os EUA nos últimos 40 anos. Ou ainda: O que é o que não é legitimo na democracia




Presidente norte-americano, Barack Obama (D), e o candidato republicano Mitt Romney cumprimentam-se no início do último debate presidencial na Lynn University em Boca Raton, Flórida. Obama e Romney farão uma corrida frenética por uma série de Estados decisivos nesta segunda-feira, apresentando os argumentos finais aos eleitores no último dia de uma disputa extremamente acirrada pela Casa Branca. 22/10/2012 REUTERS/Kevin Lamarque


Por Reinaldo Azevedo

Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda aponta uma vitória do democrata Barack Obama sobre o republicano Mitt Romney por 48% a 46% nos votos totais na eleição desta terça. Foram ouvidos 4.725 eleitores em todo o país, e a margem de erro é de 3,4 pontos para mais ou para menos. Logo, trata-se de um… empate. O cenário lembra mesmo a primeira eleição de George W. Bush, em 2000, embora dificilmente se repita placar tão apertado: o republicano acabou obtendo 271 votos no colégio, contra 267 do adversário democrata, Al Gore, que conquistou mais eleitores nos votos totais do que aquele que se fez presidente. Em 2004, contra John Kerry, o resultado foi um pouco mais folgado: 286 a 252.

Em 2008, Barack Obama conseguiu, no colégio, uma vitória expressiva contra John McCain: 365 a 173, mas sem superar o também democrata Bill Clinton: em 1992, 370 contra 168 de Bush pai e, em 1996, 379 a 159 contra Bob Dole. Outro democrata que governou os EUA nos últimos 40 anos, Jimmy Carter, não obteve marca expressiva: 297 a 240 no confronto com o atrapalhado Gerald Ford, que tivera a má sorte de suceder Nixon. Em matéria de massacre eleitoral, os republicanos é que levam vantagem nas últimas quatro décadas.

Em 1972, Richard Nixon venceu em todos os estados americanos, exceção feita a Massachusetts, que deu os únicos 17 votos ao democrata McGovern — morto, aliás, aos 90 anos no dia 21 do mês passado. Nixon levou 520 votos. Ainda não seria essa a maior lavada. Em 1984, Ronald Reagan obteve 525 votos. Os 13 de Walter Mondale saíram doo único estado em que venceu: Minnesota. Na sua primeira eleição, em 1980, Reagan já lograra contra Carter vitória esmagadora: 489 a 49 — ou 44 estados. Em 1988, Bush pai venceu Michael Dukakis por expressivos 426 votos a 111.

De novo, viva a democracia!
Vejam, então, que sociedade notável! Nos últimos 40 anos, os EUA já foram governados por quatro republicanos — Nixon-Ford (1973-1976); Reagan (1981-1988); Bush pai (1989-1992) e Bush Filho (2001 a 2008). São seis mandatos do partido. Ao todo, 24 anos. Tiveram três democratas: Carter (1977-1980); Bill Clinton (1993-2000) e Barack Obama (2009-2012) — um total de 16 anos. Se o democrata vencer — é a aposta majoritária —, os 16 se farão 20 até 2016, encostando na marca republicana.

Quando os republicanos esmagaram os democratas no colégio eleitoral, nem por isso esse partido ousou declinar de seu papel. Depois de dois mandatos de Reagan, tornado um mito nos EUA, fazendo seu sucessor, apareceu a notável figura de Bill Clinton. Não fez o sucessor como Reagan, é fato. Mas lá estavam os democratas com um candidato viável depois dos dois mandatos de Bush filho. Cada partido cumpriu, em suma, rigorosamente o seu papel. Fazer oposição é coisa distinta de sabotar o país — o que só é possível se um partido estimula que leis democraticamente instituídas sejam atropeladas.

A literatura sobre o declínio do império americano é vastíssima — e também muito chata. Uma coisa é certa: enquanto as instituições vigerem plenamente, valores como o direito à oposição, a alternância no poder e respeito às leis estarão assegurados. São fundamentos da democracia. Censuro em Obama — especialmente nos obamistas e no obamismo (os deles e os nossos, porque os há às pencas por aqui também — certa propensão à deslegitimação do outro, à oposição, à divergência. Veio a público ontem uma pesquisa (material reproduzido, claro!, por nossa imprensa nesta segunda) atestando que a eleição de Obama, em 2008, teria causado uma elevação do racismo nos EUA, especialmente, ora vejam!, no eleitorado… republicano!

Trata-se de uma armadilha intelectual, eivada de absurdos lógicos. A prova maior de que os EUA não votaram levando em conta a raça — os negros são 13% da população americana apenas — é a própria eleição de Obama. Mas isso teria tornado as pessoas, na média, mais… racistas! Assim, a única maneira de demonstrar o contrário seria, mais uma vez, eleger Obama — o que valeria até mesmo para o eleitorado… republicano! Mais: como Obama é negro, só se poderia recusar o seu nome na urna por… razões raciais.

Não é um jeito honesto de fazer política.

Dado o conjunto da obra, torço, sim, pela vitória de Romney, embora saiba que o mais provável seja a vitória de Obama. Lá, aqui e em qualquer lugar, ganhar e perder têm de fazer parte do jogo.
*
PS - Ah, sim: os nossos intelectuais não gostam dos EUA e amam Cuba. Desde 1959, quando Fidel Castro chegou ao poder, os EUA já tiveram 14 mandatos presidenciais (incluindo o de Dwight Eisenhower, em curso quando se deu o golpe comunista na ilha) e 11 presidentes. Querem um tiranete mais recente? Desde 1998, quando se deu a ascensão de Hugo Chávez na Venezuela, também muito apreciado por nossos delinquentes da democracia, já se assistiram a quatro mandatos presidenciais nos EUA, com três presidentes distintos. No entanto, na ONU, Dilma resolveu puxar o saco de Cuba e dar um puxão de orelha nos americanos…

05/11/2012



Charge




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um parto

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domingo, 4 de novembro de 2012

Chegou a hora de esclarecer de vez o assassinato do prefeito Celso Daniel






Por Augusto Nunes
“Os executores de Celso Daniel começaram a ser castigados.

Chegou a hora de identificar e punir os mandantes do assassinato”, informa o título do post de 18 de novembro de de 2010.

Passados dois anos, as ameaças de Marcos Valério exigem a republicação do texto.

Ao escapar da merecidíssima punição pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, o ex-ministro Antonio Palocci inventou o estupro sem estuprador.

Quase 11 anos depois da morte do prefeito de Santo André, gente que se acha muito esperta continua tentando inventar o crime encomendado sem mandante.

Com o silencioso aval da oposição e o endosso explícito do governo, o PT decidiu que o assassinato de Celso Daniel foi um crime comum. Esqueceram de combinar com a imprensa, que continuou investigando o caso, com a família da vítima, que desafiou as pressões dos interessados em enterrar a história, e sobretudo com o Ministério Público, comprovou em novembro de 2010 o julgamento de Marcos Roberto Bispo dos Santos no foro de Itapecerica da Serra.

O promotor Francisco Cembranelli provou que o crime foi político e acusou o réu de participação no sequestro seguido de assassinato encomendado pela quadrilha de políticos corruptos que agia na prefeitura de Santo André.

Os jurados avalizaram a argumentação de Cembranelli e condenaram Bispo dos Santos, foragido, a 18 anos de reclusão em regime fechado. O Ministério Público não está sob o controle do Executivo, reiteraram o destemor e a objetividade de Cembranelli.

Não são poucos os brasileiros capazes de enxergar as coisas como as coisas são, reafirmou a decisão do júri. E ainda há juízes no Brasil, mostrou Antonio Augusto Galvão de França Hristov, que determinou a duração do castigo imposto ao homicida.

O país que presta espera que seja só o começo. Bispo dos Santos foi o motorista de um dos dois carros mobilizados para a captura de Celso Daniel. Faltam os outros integrantes da milícia formada por assassinos de aluguel. E faltam os mandantes.

Por enquanto, o único formalmente acusado de figurar entre os autores da encomenda é Sérgio Gomes da Silva, vulgo Sombra, ex-assessor e segurança do prefeito executado, que aguarda o julgamento em liberdade.

Em janeiro de 2002, os supostos amigos voltavam do jantar num restaurante em São Paulo quando ─ segundo o relato de Sombra ─ um grupo de bandidos interceptou o carro blindado que dirigia e arrancou Celso Daniel do banco ao lado.

Horas depois, o corpo foi encontrado numa estrada de terra no município de Itapecerica da Serra, desfigurado por marcas de tortura e inúmeras perfurações a bala.

O depoimento de Sombra na delegacia deixou intrigada a mais crédula das carmelitas descalças. Ele diz que não tentou escapar porque o câmbio hidramático emperrou. O fabricante do veículo desmontou a versão malandra.

Nem o depoente nem os policiais que o interrogaram decifraram outro enigma: por que os sequestradores permitiram que uma testemunha ocular sobrevivesse ─ e para contar uma história muito mal contada?

Por que Sombra e Celso Daniel, por exemplo, não permaneceram no interior do carro blindado?

Como foi destravada a porta do passageiro, que só poderia abrir por dentro?

Por que Sombra não pediu socorro assim que os bandidos se afastaram?

Se aquilo não passara de um assalto, por que nenhum dinheiro, nada de valioso foi levado?

Por que Celso Daniel foi torturado antes da morte?

O que os torturadores desejavam saber?

O que procuravam?

Logo se juntaram as peças do mosaico. Na segunda metade dos anos 90, empresários da área de transportes e pelo menos um secretário municipal, todos vinculados ao PT, haviam forjado em Santo André o embrião do esquema do mensalão.

Recorrendo a extorsões ou desvios de dinheiro público, a quadrilha infiltrada na administração municipal garantia parte da gastança com as campanhas do partido.

A multiplicação das boladas aguçou a cobiça de alguns quadrilheiros, que começaram a embolsar quantias de bom tamanho.

Escolhido para o papel de coordenador da candidatura de Lula na disputa presidencial de 2002, Celso Daniel achou melhor desativar o esquema criminoso. Foi punido com a morte.

Em julho de 2005, a TV Bandeirantes divulgou o escabroso conteúdo de conversas telefônicas entre Sombra, Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula, e o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, encarregado pelo PT de impedir que as investigações avançassem.

Feitas por solicitação do Ministério Público, as gravações pilharam o trio em tratativas destinadas a enterrar a história de vez.

Na hipótese menos inquietante, comprovam que Altos Companheiros tentaram obstruir a ação da polícia e da Justiça quando o cadáver do prefeito de Santo André ainda esfriava na sepultura.

Numa das fitas, Gilberto Carvalho procura amainar a inquietação de Sombra. “Marcamos às três horas na casa do José Dirceu”, informa o secretário do presidente da República.

“Vamos conversar um pouco sobre nossa tática da semana, né?

Porque nós temos que ir para a contra-ofensiva”.

A voz de Sombra revela que o suspeito ficou menos intranquilo ao saber da movimentação fraternal.

“Vou falar com meus advogados amanhã, nossa ideia é colocar essa investigação sob suspeição”.

Carvalho concorda com a manobra: “Acho que é um bom caminho”.

Em outra conversa, a inquietação de Sombra fora berrada ao parceiro Klinger Oliveira, secretário de Assuntos Municipais de Santo André.

“Fala com o Gilberto aí, tem que armar alguma coisa!”, exalta-se o último companheiro a ver o prefeito vivo.

“Só quero que as coisas sejam resolvidas!”

Além do nervosismo de Sombra, causava preocupação à equipe especializada em socorrer suspeitos o comportamento do médico João Francisco Daniel, irmão do assassinado.

Como o caçula Bruno, João Francisco sempre afirmou que Celso se condenou à morte ao resolver desmontar a máquina de fazer dinheiro que ajudara a instalar nos porões da prefeitura.

Ao notar que fora longe demais, Celso contou ao irmão que decidira entregar a dirigentes do PT um dossiê que detalhava as patifarias.

E transformou o irmão numa testemunha de alto risco para os padrinhos de Sombra.

Como neutralizar o homem-bomba?

A interrogação aquece uma das conversas entre Gilberto Carvalho e Greenhalgh.

“Está chegando a hora do João Francisco ir depor!”, alerta o advogado do PT.

“Antes do depoimento preciso falar com você para ele não destilar ressentimentos lá!”.

Gilberto se alarma com o perigo iminente.

“Pelo amor de Deus, isso vai ser fundamental! Tem que preparar bem isso aí, cara, porque esse cara vai… Tudo bem”.

Os donos das vozes nas fitas recitam desde 2002 que houve um crime comum.

Se foi assim, por que tirou o sono de tantos figurões da política brasileira?

O promotor Francisco Cembranelli provou que Celso Daniel foi vítima de uma conspiração tramada por bandidos vinculados ao PT de Santo André e consumada por um grupo de matadores profissionais.

O Brasil quer ver esclarecidas tanto a eliminação de Celso Daniel quanto a sequência de mortes misteriosas que silenciou oito testemunhas.

E quer ver na cadeia todos os culpados ─ incluídos os mandantes. As gravações podem ajudar a identificá-los.

As conversas entre Sombra, Greenhalgh e Carvalho não se limitam a escancarar uma mobilização política.

Documentam a movimentação de comparsas.

Crimes que envolvem muita gente sempre são esclarecidos.

Até Marcos Valério acabou entrando na história.

Chegou a hora de esclarecer de vez o caso insepulto.

04/11/2012

Sem medo de mistificar


EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo


É inacreditável a capacidade que o PT tem de mistificar quando a situação lhe é adversa, e de jogar abertamente com dois pesos e duas medidas quando se trata de defender seus próprios interesses.

Nos últimos dias, os companheiros de Lula deram pelo menos dois magníficos exemplos de como não se encabulam de subestimar a inteligência do distinto público e fazer pouco do senso comum.

O primeiro, ao avaliar o resultado das eleições municipais paulistanas.

O segundo, ao afrontar mais uma vez a Suprema Corte a propósito do mensalão.


A executiva estadual do PT, reunida para fazer uma avaliação do pleito, emitiu nota oficial em que afirma: "A sociedade falou em alto e bom tom que o PT não está e nunca esteve no banco dos réus", porque o resultado das urnas "abafou as vozes daqueles que tentaram fazer do julgamento do Supremo Tribunal Federal - STF - (mensalão) um instrumento de desgaste e de destruição da sigla".

De fato, a Ação Penal 470 jamais colocou no banco dos réus o PT, mas apenas seus dirigentes máximos, pelo menos do número dois para baixo, durante o primeiro mandato presidencial de Lula.

E condenou-os um colegiado constituído, na maior parte, de ministros nomeados por dois presidentes da República petistas.

Esses juízes consideraram procedente a peça acusatória apresentada por dois chefes do Ministério Público Federal colocados no cargo por Lula: Antonio Fernando de Souza, que iniciou as investigações, e Roberto Gurgel, que formalizou a denúncia.

Se, como quer o PT, sua vitória em São Paulo significa uma clara manifestação de desaprovação dos paulistanos às condenações do STF e um atestado de inocência conferido aos acusados petistas, isso quer dizer também, contrario sensu, que as derrotas do PT em Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Manaus, Belém, Campinas e outras centenas de municípios significam apoio às decisões da Suprema Corte.

Por esse critério, as coisas vão muito mal para o PT, que afinal venceu as eleições com candidato próprio em apenas 635 cidades, que equivalem a uma população de 58 milhões dos 190 milhões de brasileiros.

Fica combinado, então, que mais de 130 milhões de brasileiros condenam José Dirceu & Cia.

Por outro lado, o presidente nacional do PT, o iracundo Rui Falcão, anunciou que o partido divulgaria um manifesto contendo críticas ao que classifica de "politização" do julgamento do mensalão pelo Supremo, que, pressionado pela mídia "de direita", estaria ameaçando as liberdades individuais consagradas pela lei penal e pela Constituição.

Os petistas estavam esperando apenas a realização do segundo turno do pleito municipal para saírem em defesa de seus dirigentes condenados por corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e outros delitos.

E Falcão deixou claro, ao arrepio do Estatuto do PT, que os apenados não serão expulsos.

Afinal, os petistas consideram Dirceu, Genoino, Delúbio e João Paulo Cunha "prisioneiros políticos" julgados por um "tribunal de exceção" - todos eles cidadãos que têm "serviços prestados ao País".

Na verdade, é o PT quem está politizando o debate sobre o mensalão. Insistem os seguidores de Lula que os ministros da Suprema Corte estão julgando sob pressão da mídia e de uma opinião pública por ela manipulada.

É quase um insulto à biografia dos ministros, a maioria dos quais passou pelo crivo do comando petista no processo de escolha para compor o STF. Além disso, o argumento tropeça em outra incongruência.

Se a opinião pública está pressionando a favor da condenação do mensalão, por que teria colocado nas urnas, "em alto e bom tom", um voto de absolvição dos mensaleiros?

Persistindo nas incongruências, afirmam os petistas que o mensalão é "uma farsa", ou seja, nunca existiu, mas asseguram que foi inventado, em Minas Gerais, em 1998, pelo mesmíssimo Marcos Valério, a serviço da campanha de reeleição do tucano Eduardo Azeredo.

Esse escândalo já foi denunciado ao STF pelo Ministério Público e está entregue à relatoria do ministro Joaquim Barbosa.

Só falta o PT - para manter-se coerente com sua incoerência - sair também em defesa dos mensaleiros tucanos, acusados das mesmas práticas criminosas que estão levando a cúpula petista à cadeia.

 03.11.2012


Governo teme falta de combustível no país ainda neste ano



RENATA AGOSTINI
DIMMI AMORA
DE BRASÍLIA

Algumas regiões do país estão sob ameaça de ficar sem combustível no fim deste ano. 



Para evitar o desabastecimento, ou atenuá-lo, o governo federal já começou a traçar um plano de emergência, que envolve a ampliação da capacidade de transporte e de armazenamento.
As reuniões tiveram início em outubro, com técnicos do Ministério de Minas e Energia, Agência Nacional do Petróleo, Petrobras e representantes das distribuidoras e dos produtores de etanol.

"Há uma grande preocupação com o curto prazo. O governo já sabe que será preciso um forte ajuste entre Petrobras e distribuidoras para que não ocorram problemas no fim do ano", diz Antônio de Pádua Rodrigues, presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que participa das reuniões.

Segundo avaliação do grupo, as regiões mais ameaçadas são o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste, além de Minas e Rio Grande do Sul.

A perspectiva de colapso se deve a três fatores:

1) o consumo recorde de gasolina, que, em 2012, pela primeira vez passará de 30 bilhões de litros;

2) a falta de capacidade interna de produção;

e 3) problemas de infraestrutura de armazenagem e distribuição.

No fim do ano esse problema se agrava porque, historicamente, o consumo nos meses de novembro e dezembro é cerca de 10% superior à média registrada nos bimestres anteriores.

Para acompanhar a alta da demanda interna, a Petrobras vem importando cada vez mais gasolina. Até setembro, foram 2,4 bilhões de litros, quase o triplo do registrado no mesmo período de 2011, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

A importação torna a distribuição mais complexa. O transporte da gasolina por navios, já sujeito a intempéries, sofre com a falta de infraestrutura dos portos, hoje sem espaço para atracação e armazenamentos.

              Editoria de Arte/Folhapress
          

PELO MAR

Pará, Amapá, Maranhão, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte são os Estados mais vulneráveis. Quase todo o combustível que abastece os consumidores desses locais chega pelo mar.

Em outubro, o Amapá ficou sem gasolina. O Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Pará relata que houve, também, problemas de abastecimento em Belém, além de cidades do Amazonas e do Piauí.

"A coisa está bem torta aqui", diz Eurico Santos, presidente da entidade.

Para o sindicato, o número de caminhões-tanque não deu conta do aumento rápido do consumo. Além disso, os terminais que recebem combustível reduziram investimentos em ampliação porque estão com contratos provisórios, o que dificulta o acesso ao crédito.

PRODUÇÃO
A Petrobras se empenha para produzir mais gasolina e amenizar o problema. Na apresentação dos resultados do terceiro trimestre, afirmou que suas refinarias já atingiram 98% da capacidade.

Em algumas regiões, no entanto, já há um esgotamento da capacidade de produção.

É o caso da Regap, refinaria em Betim (MG). Para abastecer os postos de parte de Minas Gerais e do Centro-Oeste, ela passou a redistribuir combustível de outras unidades. Atrasos e a falta de caminhões podem levar a interrupções da distribuição.

O mesmo acontece no Rio Grande do Sul, outro Estado que teve crise de abastecimento no mês passado. A refinaria Refap, em Canoas, está com problemas de produção para atender à gasolina demandada. Com isso, passou a buscar combustível no Paraná e parte precisou ser importada, entrando no país via porto do Rio Grande.

O Sindicom (Sindicato dos Distribuidores de Combustíveis), que tem assento nas reuniões com o governo federal, informou que o plano de contingência deverá ampliar o número de caminhões e a capacidade dos tanques de armazenagem.

Os encontros entre governo e o setor serão permanentes até o fim do ano. "Estamos nos empenhando para evitar os problemas", disse Alísio Vaz, presidente do Sindicom.

Procurada pela Folha, a Petrobras afirmou que não iria comentar a questão. O Ministério de Minas e Energia foi procurado no fim da tarde de quinta-feira e, até o fechamento desta edição, não havia dado resposta.

Importação de gasolina pode chegar a 20%

04/11/2012

sábado, 3 de novembro de 2012

Gurgel pedirá que Polícia Federal vigie e proteja Marcos Valério para que ele não acabe como Celso Daniel



 

Por Jorge Serrão

O publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza terá mesmo coragem de revelar qual foi o banco (não arrolado no processo do Mensalão) utilizado por um amigo pessoal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acertar as contas da chantagem feita pelo empresário Ronam Maria Pinto contra Lula e Gilberto Carvalho, para não envolvê-los no até hoje não resolvido sequestro, tortura e assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, bárbaro crime ocorrido em janeiro de 2002?

Será que Marcos Valério tem elementos comprobatórios para assegurar que não colaborou pessoalmente com a operação de arranjar dinheiro para supostamente financiar o “silêncio” do empresário Ronan Pinto – que era dono de empresas de ônibus e de uma empresa de coleta de lixo suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção, para arrecadação ilegal de dinheiro para campanha eleitoral, que acabaram redundando na morte do prefeito petista de Santo André?

Caso Marcos Valério faça tais revelações, ele realmente terá provas objetivas do que supostamente revelará à Procuradoria Geral da República, em troca de ingressar em no Sistema Nacional de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, podendo mudar de cidade e trocar de nome?

Será que Valério tem mesmo detalhes para narrar uma reunião entre Ronan Maria Pinto e Silvio Pereira, ex-homem forte do partido e que se livrou do processo do Mensalão pela via da delação premiada?

Será que o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, atenderá ao pedido da defesa de Marcos Valério – um arquivo-vivo que ainda responde a mais responde a pelo menos outras dez ações criminais, além da Ação Penal 470 do STF (que mexe com a cúpula petista) e do chamado “Mensalão Mineiro” (que envolve dirigentes do PSDB, como o ex-governador Eduardo Azeredo)?

Diantes de tantas perguntas com respostas complexas, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, já declarou ontem que está na hora de o operador do mensalão "desembuchar, não falar em doses homeopáticas".

Marco Aurélio defendeu que Estado "proporcione aparato de segurança" a quem "se mostrar disposto a colaborar".

O ministro detonou: "Depois da porta arrombada, não adianta colocar cadeado. Na área da delinquência, falo de forma geral, o jogo é pesado."

Diante da repercussão midiática de que Valério corre risco de vida – e já teria sofrido ameaças concretas, como a de semana passada, em Belo Horizonte, revelada ontem nesta Alerta Total -, o mais provável é que, de imediato, o Procurador-Geral da República solicite uma proteção especial para Valério.

A missão de vigiar e resguardar o “arquivo-vivo” seria da Polícia Federal.

Mas pode acabar nas mãos da Agência Brasileira de Inteligência ou, em último caso, de oficiais experientes da área de inteligência do Exército.

Fato objetivo é que, ao meter o caso Celso Daniel no meio, Valério mexeu com o único escândalo que realmente apavora a cúpula petista.


Celso Daniel é um cadáver politicamente insepulto.


Até hoje, está impune o empresário Sérgio Sombra, “amigo” dele e principal suspeito de comandar o crime.

Fora da esfera judicial, o escândalo também envolve outro amigo de Daniel, o atual secretário Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que saberia de todo o esquema de corrupção em Santo André – de acordo com versão do irmão da vítima, Bruno Daniel.

Marcos Valério voltou a desenterrar o cadáver politicamente insepulto do PT.

Resta aguardar para ver se ele vai mesmo ter condições de falar, ou se o caso, como de costume, será providencialmente abafado.

Os petistas sempre defendem a absurda tese de que a morte de Daniel foi um crime comum.

O Ministério Público sustenta que o crime, além de incomum, envolve corrupção.

Daniel teria sido morto pelo grupo que beneficiava-se dum esquema irregular de propina na prefeitura.

O problema é sempre chegar ao verdadeiro chefe da máfia..

3 de novembro de 2012

Um cadáver volta a assombrar a República petista: o de Celso Daniel. Partido decide adiar seu manifesto contra o STF e a “mídia golpista”



Por Reinaldo Azevedo

Sempre que está acuado, não importa o assunto – uma disputa eleitoral ou uma investigação policial –, o PT parte para o ataque.
Infelizmente – para o país e para a ordem dos fatos –, costuma ser bem-sucedido.

Vimos isso recentemente, na disputa eleitoral em São Paulo.

Desde que Lula decidiu que o candidato seria mesmo Fernando Haddad, o partido iniciou uma intensa campanha acusando forças supostamente obscurantistas e a oposição de explorar a questão do kit gay.

Quem quer que faça uma pesquisa vai constatar que os adversários do partido mal tocavam no assunto.

Era só uma reação preventiva para conquistar, como conquistou, a imprensa.

Tocar no tema passou a ser visto como coisa reacionária, conservadora, religiosa.

Mais ainda: inverteu-se o ônus do tema.

O tucano José Serra é que passou a ser literalmente perseguido por jornalistas para se posicionar a respeito, sendo acusado de explorar um tema que não diria respeito à cidade – o que, de resto, é falso porque há milhares de alunos da rede municipal de ensino.
Muito bem!

Qual foi a consequência?

O kit gay ficou longe da campanha.

O tema não foi levado ao horário eleitoral gratuito ou aos debates na TV.

A questão ficou circunscrita aos jornais, que atingem uma fatia mínima do eleitorado, e mal chegou às rádios.

O PT conseguiu, assim, com o barulho que fez junto aos chamados “setores formadores de opinião”, blindar Fernando Haddad, preservando-o de sua própria obra.

O ministro que autorizou a produção de um material – destinado a alunos a partir de 11 anos – que sustentava a superioridade da bissexualidade no cotejo com a heterossexualidade e que estimulava o debate sobre pessoas insatisfeitas com seu órgão genital não teve de responder por suas escolhas.

O mais impressionante: Serra, que não tocou no assunto, foi acusado de estimular o preconceito.

Um sedizente “cientista social” afirmou que sua campanha estaria contaminada pelo “ódio”.

O PT, em suma, fez um movimento preventivo e se deu bem.

Até alguns tucanos de alta plumagem, para não variar, falaram besteira a respeito, apontando o erro de uma suposta campanha contaminada pela religião.
O caso da CPI do Cachoeira
Enquanto o ministro Ricardo Lewandowski permanecia sentado sobre a revisão do processo do mensalão – Lula havia prometido aos seus e a Marcos Valério que o julgamento jamais ocorreria; talvez “em 2050”, ele profetizou –, o próprio Apedeuta e José Dirceu urdiram pelas costas até da presidente Dilma a CPI do Cachoeira.

Alguém buzinou informações erradas ao ouvido dos dois patriotas, sustentando que a Operação Monte Carlo tinha potencial para liquidar com a oposição, com a imprensa independente, com o procurador-geral da República e até com ministros do Supremo.

No dizer de Rui Falcão, presidente do PT e pensador refinado, a bancada do PT na Câmara e no Senado defendia uma CPI “para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão”. Tudo parecia caminhar bem até que surgiu na mesa os nomes de Fernando Cavendish e Sérgio Cabral.

Aí os petistas precisaram correr com o rabo enfiado entre as pernas. Afinal, ficou claro, Carlinhos Cachoeira era só um peixe pequeno de um escândalo gigantesco, que iria estourar no Palácio do Planalto.

Mas, como resta evidente, houve, sim, a tentativa de usar a CPI para melar o julgamento. Parte da imprensa aderiu inicialmente à farsa.
Depois da condenação…
Condenado Marcos Valério, o PT passou a viver o pânico da concessão do benefício da delação premiada ao empresário.

Sabe que os 40 anos de cadeia não são coisa trivial e que seu antigo aliado está injuriado.

Alguém na sua situação pode, sim, decidir se safar contando o que sabe.

Então o PT resolveu correr de novo para a galera. Passou a acusar nada menos do que o próprio STF de se comportar como tribunal de exceção.

De quebra, promete levar adiante a luta pela “regulamentação da mídia golpista” e discutir o financiamento público de campanha.

O partido havia prometido um manifesto para quinta-feira, mas parece ter adiado em face das notícias que começaram a circular sobre o depoimento de Valério.
Agora ao ponto
Recuperem o noticiário de janeiro de 2002, por ocasião do assassinato do prefeito Celso Daniel.

Antes que qualquer pessoa aventasse publicamente a possibilidade de que o PT pudesse ter algum envolvimento com a morte, os petistas botaram a boca no trombone e saíram acusando a suposta tentativa de incriminar o partido, exigindo, em tom enérgico, que a polícia fizesse alguma coisa.

Montou-se uma verdadeira operação de guerra para controlar o noticiário.

No arquivo do blog, vocês encontram alguns textos a respeito.

Celso foi o primeiro de uma impressionante fila de oito cadáveres relacionados ao caso.


O prefeito morto era já o coordenador do programa de governo do então pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva.

O partido seria o primeiro a ter motivos para desconfiar de alguma motivação política para o sequestro e imediato assassinato.

Deu-se, no entanto, o contrário: o partido praticamente exigia que a polícia declarasse que tudo não havia passado de crime comum.
O último morto, por causa desconhecida (!), foi o legista Carlos Delmonte Printes, que assegurou que Celso fora barbaramente torturado antes de ser assassinado.

Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do PT que acompanhou o caso em nome do partido e teve acesso ao cadáver, assegurou à família de Celso, no entanto, que não havia sinais de tortura.

O fato é conhecido porque foi denunciado pela família do prefeito.
Gilberto Carvalho, braço direito de Celso na Prefeitura, movimentou-se freneticamente logo após a morte do “amigo” para que prevalecesse a versão do partido: crime comum.

O esforço deixou um rastro de conversas gravadas que vieram a público.

Tudo muito impressionante.

Leiam, por exemplo, este diálogo em que Sérgio Sombra, acusado de ser ao assassino de Celso, entra em pânico e pede para falar com Carvalho.

Alguém garante que está sendo montado “um esquema”. S

ombra, no diálogo abaixo, é o “personagem A”.
A – Ô Dias!
B – Oi chefe!

A – Onde é que você está cara?

B – Tô na avenida (…). Eu tô saindo, to indo praí.

A – (…) Fala prá ligá nesse instante (…) Pará de fazer o que está fazendo.

B – Peraí, Peraí, Perai. Ei! Oi! Escuta o (…) Já está aí onde está todo mundo (…) Alô!

A – Ô meu irmão!

B – Cara cê está no sétimo?

A – Ô meu! O cara da Rede TV está me escrachando, meu chapa! Tá falando que… Tá falando que é tudo mentira, que o carro tá pegando, que não destrava a porta, que sou o principal suspeito.

B – Ô cara! Deixa eu te falar. O que hoje tá pegando contra você é esse negócio do carro. Nós temos que fazer é armar um esquema aí: “porque as empresas de (…) junto com a Mitsubishi, por razões óbvias de mercado, se juntaram para dizer que você está mentindo, que o câmbio está funcionando”…
Entendeu? Então é o seguinte…

A – Peraí. Perai, péra um pouquinho.

B – (…) Pô! Pegá o que Porra?

A – Chama o Gilberto aí! Chama o Gilberto! Tem que armar alguma coisa!

B – Calma!

A- Eu tô calmo. Quero é que as coisas sejam resolvidas.


Outro diálogo: “Puta! Tá dez!”
Há outro diálogo bastante interessante. Alguém liga para Ivone, tornada pelo partido a “viúva oficial” de Celso — consta que era sua “namorada” à época… E lhe dá nota dez por sua performance como “viúva” numa entrevista. Vocês entenderam direito. Leiam. Ivone é a personagem B.
A – Oi!
B – Oi meu amor. O Xande quer falar com você. Tá bom?

A – Ok.

B – Tchau.

C – Como vai minha querida?

A – Vou assim. Arrastando.

C – Ótima a sua entrevista! Viu?

A – Você gostou Xande?

C – Eu gostei muito mesmo.

A – É importante a sua opinião pra mim porque estou totalmente sem referência. Né?

C – Eu achei muita boa. Entendeu. Tá super. Tem coisas… tá perfeito!

(…)

B – Hoje tem uma coisa. Programa pra ir na Hebe.

A – É. Porque vai a mulher… a viúva do Toninho.

B – Sabe que o Genoino quer. E é uma merda né. Uma merda.

A – Olha. Se você falar o que falou ai está 10. Puta! Tá 10, não parece estrela, a dor de uma viúva. Tá dez!


Como se nota, a morte do “companheiro” havia se transformado apenas numa questão de marketing e de guerra para ganhar a “mídia”.

Com direito a nota pela performance da, sei lá como chamar, “atriz” talvez.


Retomo
Já lhes contei aqui. Mesmo a ala petista da família Daniel rompeu com o PT. Um dos irmãos, Bruno, teve de se exilar na França com mulher e filhos. Estavam sendo ameaçados de morte no Brasil. Outro irmão relatou que Celso havia lhe contando que Carvalho era o portador de malas de dinheiro de um propinoduto de Santo André para o então presidente do PT, José Dirceu. Os dois negam.
Vale a pena, reitero, por curiosidade quase científica, voltar ao noticiário daqueles dias para constatar a frenética movimentação preventiva do partido, certo de que poderia conduzir para onde quisesse a opinião pública.

Passada uma semana, quem estava na defensiva era a polícia paulista…

Agora, Marcos Valério denuncia ao Ministério Público que o PT tentou fazê-lo participar de uma esquema para silenciar, com dinheiro, pessoas que estariam chantageando Lula e Carvalho, podendo implicá-los no assassinato de Celso.

Valério diz que não participou, mas dá a entender que tem mais detalhes da operação, que teria sido realizada. Diz que sabe até que banco foi usado na operação.
Vamos ver. Uma coisa é certa: o cadáver de Celso Daniel volta a se agitar no armário.

E o PT decidiu adiar o seu manifesto contra o STF e a “mídia golpista”.
*
PS – Reitero: a vida de Marcos Valério vale mais a cada dia.

E, por isso mesmo, também vale menos…

Se o STF não tomar as devidas precauções, o óbvio acontece.

Porque o óbvio sempre acontece.


03/11/2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A polícia de SP não deixará de enfrentar bandidos nem que o PT, um dia, chegue ao governo e ainda que seja essa a vontade de certa imprensa. Não vai porque é contra a sua natureza



Se algum governante mandar condescender com o crime, não será obedecido.

Ainda bem!

                    
                      Por Reinaldo Azevedo


Vamos lá, queridos. Resolvi passear um pouco com Dona Reinalda. Mas sabem como é este velho coração dividido, hehe… Não posso fica longe de vocês. Podem me procurar aqui no feriado prolongado, que vocês vão me achar. Talvez não com a presença obsessiva de sempre. Mas sempre aqui.

Adiante.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um dos “porquinhos” da presidente Dilma, exagerou na dose. Quem quer que lhe tenha encomendando a tarefa de acrescentar confusão ao cenário de recrudescimento da violência em São Paulo esqueceu de lhe recomendar que estudasse um pouco da mimese aristotélica.

Ainda que, na representação dramática, a farsa possa apelar à caricatura, o papel desempenhado pelo caricato tem de ser ao menos verossímil. 

Cardozo encarnando a personagem que sabe resolver problemas relacionados ao crime organizado não convence nem suas admiradoras…
O jornalismo, com algumas exceções, ignora o sentido das palavras. E também não se ocupa minimamente da coerência – própria ou alheia. Por que digo isso?
A presidente Dilma Rousseff telefonou ontem para o governador Geraldo Alckmin para oferecer colaboração no combate ao crime organizado em São Paulo.

O governo federal dá, assim, a primeira resposta oficial a um documento encaminhado por São Paulo ao Ministério da Justiça em 29 de junho.

Antes disso, só se conhecia aquele texto redigido no joelho por Cardozo, datado a mão (30 de outubro de… 2012!!!), eivado de coisas malcriadas, entregue primeiro à Rede Globo e só depois ao Palácio dos Bandeirantes.
O governador e a presidente combinaram uma ação conjunta que ainda vai ser definida. Eis aí: as palavras fazem sentido. O governo federal não tinha e não tem, por óbvio, plano nenhum. Por intermédio de Cardozo, resolveu atuar para emparedar o governo de São Paulo, acusando-o indiretamente de perda de controle da situação.

Que ajuda será essa?

Veremos.
Não houvesse mais nada – e há -, em uma coisa ao menos São Paulo é muito melhor do que a federação: combate à violência. Mesmo assim, claro!, a ajuda, havendo, é bem-vinda. O que Dilma pretende? Combater o crime organizado ou fazer propaganda? Infelizmente, a segunda alternativa é insofismavelmente a correta. E por que é?
Porque a violência, em São Paulo – que passa, sim, por um surto preocupante –, está entre as menores  do país. O que Cardozo tem feito efetivamente para tentar diminuir o escandaloso número de 50 mil homicídios por ano no Brasil???

Querem alguns delinquentes intelectuais que a “estratégia do enfrentamento (com os bandidos)”, que São Paulo realmente aplica, não seja a melhor. Não? Então qual seria? Quem não enfrenta acomoda – é assim na linguagem e na vida.

O que querem os patriotas? Um acordo com marginais; a celebração da pax com a bandidagem, o reconhecimento do crime como “força beligerante” – tese que Marco Aurélio Garcia, assessor de Dilma, defendia para os narcoterroristas das Farc???
Dilma quer ocupar Paraisópolis com o Exército e a Força Nacional de Segurança porque pretende emprestar ao estado do país que menos mata a mácula da desordem e da falta de controle. E conta com o apoio quase unânime da imprensa petista por convicção ou petistófila por conveniência. Na Folha de hoje,  Wálter Maierovitch, colunista da revista petista Carta Capital, concede esta pequena entrevista:

Folha – O que o senhor acha da proposta?
Wálter Maierovitch
– É preciso fazer a pacificação, a retomada do controle dos territórios. O sucesso das UPPs do Rio de Janeiro parte da retomada dos controles territorial e social.

Para se ter esse controle, há necessidade de se ter uma polícia comunitária, que retome a confiança do cidadão, que faça com que se encerre esse medo difuso do crime organizado e que volte a implantar a cidadania.

E não adianta manter a Polícia Militar?
O que o governo federal propõe com a instalação de uma unidade pacificadora é o contrário da política de São Paulo, que tem uma polícia que vai para o confronto.

Deixar a PM é fazer uma UPP capenga, militarizada. Essa política de enfrentamento vem colhendo maus resultados.

Voltei
Trata-se de uma soma fabulosa de estultices ideologicamente orientadas. Ah, sim: o jornal o chama de “jurista” – o que só pode ser humor involuntário. A comparação com o Rio é um cretinismo, já escrevi aqui, porque Paraisópolis já conta com polícia comunitária. Atenção: NÃO HÁ FAVELA “PACIFICADA” NO RIO QUE TENHA A PRESENÇA DO PODER PÚBLICO QUE TEM A FAVELA DE SÃO PAULO. Talvez o estado não seja assim tão bom no marketing…
Vejam ali: este impressionante Maierovitch não quer uma polícia que “vá para o confronto” com os bandidos. Fica implícita a ideia – e é a única verdade de sua fala – de que as UPPs não existem mesmo para enfrentar bandidos. Certo! Então elas pacificam quem? Vai ver pacificam os já pacificados…
Estamos diante do casamento de uma ação partidariamente orientada com uma doxa que tomou conta de influentes veículos de comunicação do país.

A ação partidária, obviamente, é a do PT, que já está em franca campanha eleitoral. Dilma e Cardozo querem o Exército e a Força Nacional de Segurança desfilando em São Paulo para ter boas imagens na campanha eleitoral de 2014. A doxa diz respeito às tais UPPs: ora, elas significaram, no Rio, a chegada de algum poder público a áreas que eram governadas pelo narcotráfico. Aliás, nas mais de 1.200 favelas (em cabralês castiço, é obrigatório usar o termo “comunidade”) ainda sem “polícia pacificadora”, o crime organizado ou as milícias dão as cartas. E só é possível ir e vir com a autorização da bandidagem – muitos dos meliantes são oriundos das áreas a que chegaram as UPPs.
O não enfentamento, como quer Maierovitch, compreende não prender ninguém. Bandido bom é bandido solto? Em São Paulo, inexistem áreas assim, o que não quer dizer, claro!, que inexista o crime organizado – que continua a ditar a, vamos dizer, “rotina administrativa” das “comunidades pacificadas” do Rio. A notícia não vai parar na TV porque não pegaria bem à tese, mas é fato: os traficantes dominam, por exemplo, todos os aparelhos públicos levados às favelas pelo PAC. Ou esse controle se dá diretamente ou por intermédio de associações de moradores, controladas por eles.

A genial política de Sérgio Cabral e de José Mariano Beltrame, à medida que não prende ninguém e que, na prática, proíbe os policiais de “entrar em confronto com a população” (bandido vira “população”), dá ao narcotráfico mais infraestrutura do que tinha antes. Não só: como a polícia está lá e não pode “enfrentar” bandidos, os manda-chuvas ficam felizes: estão livres do assédio de forças rivais e das milícias.
É o que Dilma quer para São Paulo. É o que esses setores da imprensa querem para São Paulo. As corporações têm sua história e sua tradição. A polícia deste estado não deixará de enfrentar bandidos nem que o PT, um dia, chegue ao governo e ainda que seja essa a vontade de certa imprensa. Não vai porque é contra a sua natureza. Se algum governante mandar condescender com o crime, não será, na prática, obedecido. Ainda bem!

Concluindo
Conforme antevi aqui, os mais serenos decretam uma espécie de empate. Dilma tomou a iniciativa de ligar para Alckmin.

Ele, claro, aceitou a oferta de colaboração – seja ela qual for. Chamei aqui a atenção para o fato de que aquele documento encaminhado à Globo (ah, sim, até Alckmin o recebeu) continha uma única proposta: receber alguns detentos em presídios federais, mas bem poucos…
Faz de conta, então, que Cardozo não plantou fofoca em jornal. Faz de conta, então, que Cardozo tinha alguma prova do que dizia. Faz de conta que Cardozo não demorou quatro meses para responder a um ofício de São Paulo – e o fez, ainda, em termos deseducados, tratando o estado que responde por mais de um terço do PIB como um pedinte sem honra. Decretou-se o empate entre a mentira e a verdade.
Procurem nos primórdios do blog ou lá nos tempos ancestrais do Primeira Leitura: eu sou favorável à presença das Forças Armadas em favelas dominadas pelo narcotráfico desde sempre – no Rio, em São Paulo e em qualquer lugar. Mas tem de estar lá para fazer o contrário do que recomenda o colunista da Carta Capital e sedizente jurista. Tem de estar lá para confrontar o crime, sim. A MENOS QUE SE QUEIRAM SOLDADOS UNIFORMIZADOS COMO SEGURANÇAS DO NARCOTRÁFICO.
Na era do “outro-ladismo” jornalístico, alguém pode sustentar que dois mais dois são quatro. Mas é preciso ouvir os que acham que são cinco. Quem está com a verdade? Ora, a tarefa da imprensa é dar todos os ângulos de uma questão e todas as opiniões, não é? Se a turma do cinco se mostra mais influentes e convincente; se é composta de pessoas que tocam mais fundo na afetividade ideológica (!!!) dos jornalistas; se é formada, em suma, de “progressistas” a serviço de uma boa causa, então dois mais dois passam a ser cinco.
Dilma e Cardozo poderiam ter feito uma oferta politicamente honesta a São Paulo, em benefício dos paulistas. Mas há erros que  nunca cometi na vida: jamais aposto que as pessoas possam ir contra a sua natureza.

02/11/2012