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quarta-feira, 20 de julho de 2011

As férias de Pagot

Corrupção pré-datada

O crime só compensa em 30 dias




A faxina de Dilma Rousseff no Dnit não tem paralelo na história deste país

A presidenta varreu do órgão várias cabeças acusadas de corrupção. E a maior delas foi varrida para debaixo do tapete.
As férias do diretor-geral Luiz Antonio Pagot se tornaram o grande enigma da República.
Mais alta patente da turma do PR suspeita de inflar valores de obras, Pagot já desafiou Dilma publicamente a demiti-lo – ou a dizer que vai demiti-lo.

Fez isso em dois depoimentos no Congresso Nacional, aos quais compareceu sacrificando dois dias de suas férias. Talvez a presidenta tenha considerado essa punição suficiente.

Os demitidos do Dnit devem estar lamentando que suas férias não tenham coincidido com o escândalo.
É mesmo muito azar.

Mas não é justo o que Dilma está fazendo com Pagot. Ele não sabe se voltará das férias para a farra do Dnit ou se sua cabeça será trocada por mais alguns favores ao PR. Assim não dá para relaxar.

Se Pagot vier a ser demitido por Dilma um mês depois das acusações, terá sido o primeiro caso na história de corrupção pré-datada. O crime só compensa em 30 dias.

O problema, como sempre, é a imprensa.

A seleção brasileira perde quatro pênaltis contra o Paraguai e os jornalistas continuam falando do Dnit.

Assim fica difícil empurrar o Pagot com a barriga.

Deve ser por isso que Lula meteu o pau de novo na imprensa burguesa, dessa vez no congresso da UNE.


O ex-presidente disse aos seus estudantes de aluguel que não importa o que os jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro publicam, porque o ABC e a Baixada Fluminense não lêem.

O ideal era que ninguém lesse nada, para não atrapalhar o expediente no Dnit.

Seja qual for o destino de Pagot, ele já entrou para a história.

Com suas férias blindadas, provou que com boa vontade da chefia – e dos seus patrocinadores – até a corrupção é relativa.


 19/07/2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

Dilma desarticula rede de influência do PR no Ministério dos Transportes com a demissão de cinco servidores



Após denúncias





Adriana Vasconcelos
e Roberto Maltchik

O Globo

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff desarticulou a rede que conectava o Partido da República (PR) ao comando das decisões sobre a execução de obras no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Os principais operadores do ex-ministro Alfredo Nascimento e do deputado Valdemar da Costa Neto (PR-SP) tiveram suas exonerações publicadas nesta terça-feira no Diário Oficial da União (DOU).

A oposição também tomou a iniciativa nesta terça-feira de protocolar junto à secretária da Mesa do Senado, Cláudia Lyra, requerimento para convocar o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

As exonerações atingiram três postos chaves na estrutura do órgão: o coordenador-geral de Operações Rodoviárias, Luiz Cláudio dos Santos Varejão, o coordenador-geral de Administração Geral, Mauro Sérgio Fatureto, e o secretário de fomento para ações de transportes do Ministério dos Transportes, Darcy Humberto Michiles.

O último pediu para sair.

As demissões, de acordo com um técnico do governo ouvido pelo GLOBO, eliminam o elo que permitia ao PR comandar o destino dos recursos bilionários executados pelo Dnit.

Fatureto e Michiles tem ligação estreita com Nascimento.


Varejão seria homem de confiança do diretor de Infraestrutura Rodoviária, Hideraldo Caron.

Além dos "chefes" do Dnit, o DOU ainda publica nesta terça-feira a demissão da secretária de Michiles, Maria das Graças Fernando de Almeida.

No Ministério dos Transportes, o sub-secretário de Assuntos Administrativos, da Secretaria-Executiva, Estevam Pedrosa, foi outro exonerado.

Pedrosa trabalhava diretamente com o atual ministro, Paulo Sérgio Passos, que, antes da crise, era o secretário-executivo da pasta.

De acordo com a assessoria do ministério, as demissões fazem parte dos ajustes anunciados pelo ministro Paulo Sérgio Passos quando tomou posse na semana passada.

PSDB protocola requerimento de convocação do ministro dos Transportes

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), protocolou na manhã desta terça-feira junto à secretária da Mesa do Senado, Cláudia Lyra, requerimento para convocar o ministro dos Transportes.

Para Nogueira, o ministro precisa explicar o aumento do número de contratos aditivos e o volume de recursos autorizados justamente no período em que Passos assumiu o comando dos Transportes no ano passado, quando o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) se desincompatibilizou do cargo para disputar o governo do Amazonas.
Também foi protocolado nesta terça-feira um requerimento convidando Frederico Augusto de Oliveira, conhecido como Fred, a prestar esclarecimentos sobre suposta prática de crime de usurpação de função pública.

Demitido na última sexta-feira, Fred teria sido indicado pelo deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) para trabalhar numa empresa que presta serviços terceirizados ao Dnit e vinha cuidando de convênios no órgão.

Lyra vai comunicar o presidente do Senado, José Sarney (PDMB-AP), sobre os requerimentos ainda nesta terça, uma vez que ele também é presidente da Comissão Representativa do Congresso, que funciona durante o recesso. Caberá a Sarney decidir se acolhe ou não os requerimentos da oposição.

Caso faça isso, ainda assim a Comissão, integrada por oito senadores titulares e 17 deputados, necessita de um quórum de um terço para se reunir.

- O Ministério dos Transportes se transformou numa fábrica de irregularidades que precisam ser esclarecidas.

O Congresso Nacional, mesmo em recesso, precisa continuar trabalhado.

Por isso existe a Comissão Representativa - disse Nogueira, lembrando ainda que no início deste ano, por exemplo, a comissão se reuniu para tratar da tragédia da região serrana do Rio.

Na opinião dele, o ministro está sob suspeição.

- Na minha opinião, ele sabia de tudo. Se não sabia, era ingênuo e também não poderia continuar no cargo.

Perguntado se a oposição criaria uma CPI na Câmara, ele disse que a tática é insistir na CPI no Senado, uma vez que a resistência governista na Câmara é maior.

Segundo ele, a oposição já teria 24 assinaturas das 27 necessárias para criar um CPI no Senado.
19/07/2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Dnit e Valec fecham contratos de R$ 31 milhões com empresas sob suspeita


Fornecedoras de mão de obra são acusadas de usar documentação falsa





Por Leandro Colon / BRASÍLIA
O Estado de S. Paulo

Os diretores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da Valec Engenharia e Construções montaram um esquema com duas empresas de fachada acusadas de usar documentos falsos em contratos que somam R$ 31 milhões - desse total, R$ 13 milhões sem licitação.

Os contratos são para fornecer funcionários em áreas estratégicas, incluindo obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em pelo menos 20 Estados e no Distrito Federal.

As pessoas contratadas por essas duas empresas, a Alvorada e a Tech Mix, são escolhidas pelo PR, partido que comanda o Ministério dos Transportes, para trabalhar na gestão de obras sob suspeita de corrupção.

O processo de assinatura dos contratos passou pelo alto escalão do Dnit e da Valec envolvido na crise de irregularidades nos Transportes.

O dono da Tech Mix é marido da dona da Alvorada.

A Alvorada Comercial e Serviços mudou seu ramo de atividade em 25 de novembro de 2010, um dia antes da liberação de R$ 5,8 milhões pelo então diretor financeiro e hoje presidente interino da Valec, Antonio Felipe Sanchez Costa.

A empresa era registrada, até então, para atuar no ramo de embalagens, embora nunca tenha saído do papel. Apesar de não ter nenhuma experiência na terceirização de mão de obra, ganhou dois contratos: esse de R$ 5,8 milhões e outro, no mês passado, de R$ 7,4 milhões, ambos sem licitação.

A Alvorada pertence a Alcione Petri Cunha. O marido, Luiz Carlos Cunha, é dono da Tech Mix Serviços, contratada pelo Dnit por R$ 18,9 milhões anuais após a desclassificação de oito concorrentes que apresentaram preço inferior a esse valor.

O Diário Oficial da União fornece indícios de que Valec e Dnit atuaram juntas. O contrato de R$ 5,8 milhões com a Alvorada foi assinado em 14 de dezembro, mesmo dia em que a Tech Mix foi declarada vencedora no Dnit.



Os documentos do Dnit foram assinados pelo diretor-geral Luiz Antônio Pagot, e pelo diretor executivo, José Henrique Sadok de Sá, hoje afastados dos cargos.

Os contratos da Valec foram respaldados por Antonio Felipe Sanchez Costa e por José Francisco das Neves, o Juquinha, que também deixou o posto na primeira leva de denúncias. A publicação dos contratos ocorreu no mesmo período.

A Tech Mix e a Alvorada sempre mudam de endereço. As empresas já foram registradas, inclusive, no mesmo lugar. Hoje, são vizinhas. Funcionam numa pequena sala comercial de 30 metros quadrados. Na Tech Mix, por exemplo, há apenas duas mesas e um computador.

Documentação

Funcionários da empresa relataram ao Estado que a seleção de quem vai trabalhar no Dnit passa por parlamentares do PR. Quem quer emprego precisa procurar políticos do partido aliado do governo.

Luiz Carlos Cunha disse não poder confirmar essa informação, mas admitiu ao Estado que não decide quem terá emprego, por meio de sua própria empresa, no Dnit. "Não tenho esse controle", afirmou.

São 129 pessoas "cedidas" pela Tech Mix, a maioria advogados, com salários de R$ 7 mil a R$ 16 mil. Desses, 81 estão em Brasília, sendo 10 na diretoria-geral.



O contrato de R$ 18,9 milhões foi assinado em dezembro por Pagot e Sadok.

No pregão eletrônico, oito empresas ofereceram uma proposta menor que a da Tech Mix, mas foram desclassificadas pela comissão de licitação.

Empresas adversárias denunciaram ao Dnit uma série de irregularidades, incluindo o uso de documentos falsos por parte da Tech Mix.

De acordo com documentação entregue a Sadok, a empresa teria fraudado documento do Conselho de Administração de Goiás (CRA-GO) atestando capacidade técnica da Tech Mix.
A empresa apresentou, por exemplo, um atestado da Ciami Profissionais Ltda., com datas de 2005 e 2007, dizendo que a Tech Mix teria executado serviços semelhantes aos que o Dnit exige. A empresa Ciami seria, no entanto, de uma contadora da própria Tech Mix.

Coube a Pagot e Sadok comandar todo o processo de licitação. Pagot revogou os recursos das empresas perdedoras para declarar a Tech Mix vencedora. A empresa entregou ainda uma lista de "acervo técnico" para mostrar que já prestou o serviço requisitado pelo Dnit, conforme pedia o edital. Uma das empresas relacionadas, porém, têm como sócio o próprio dono da Tech Mix.


A crise nos Transportes começou há duas semanas, após reportagem da revista Veja revelar a existência de um esquema de corrupção na pasta, tendo como foco principal o Dnit. Logo em seguida, o governo anunciou o afastamento de Pagot e de Juquinha - o chefe de gabinete do ministério, Mauro Barbosa, e o assessor Luiz Tito também foram afastados no mesmo dia.

O então ministro Alfredo Nascimento pediu demissão dias depois. Na sexta-feira, foi a vez de o diretor executivo do Dnit, José Henrique Sadok de Sá, perder o cargo, após o Estado revelar que a construtora da mulher dele ganhou R$ 18 milhões em obras de rodovias federais vinculadas a convênios com o Dnit.

17 de julho de 2011



domingo, 17 de julho de 2011

Roubar virou um imperativo, quem não rouba é otário, está por fora.


É triste mas é verdade: o povo está anestesiado, não reage, aceita tudo de bico calado, os principais valores são pisoteados, só vale o que o PT quer que valha.

Roubar virou um imperativo, quem não rouba é otário, está por fora.

Assaltar os cofres das empresas estatais virou mania, para poder financiar as falcatruas dos petralhas.

Não vejo solução no curto prazo.

A cada dia surgem leis para dividir ainda mais a população, jogando uns contra os outros.

Desde o dia 4 deste mês, praticamente todos os crimes, ficaram afiançáveis: quem rouba o estado, quem mata, quem pratica os maiores absurdos pode pagar fiança e ficar impune.
O STF virou palco do PT, não há mais segurança jurídica nenhuma, todos estamos à mercê do arbítrio, salve-se quem puder.




Adamor Neves


13/07/2011

Trovoada sem chuva





Por José Roberto Guzzo
REVISTA VEJA

Uma das principais dificuldades do governo Dilma Rousseff, pelo que foi possível perceber nestes primeiros seis meses, é que a presidente da República vive brava.
Diante de todo e qualquer problema que aparece, o noticiário diz sempre a mesma coisa:

Dilma ficou brava, ou muito brava.

Está irritada.

Ou está impaciente.

Ou não gostou.

Ou passou uma descompostura geral à sua volta.

Ou deixou de castigo os doutores fulano, beltrano e sicrano, e por aí se vai.

E quanto ao problema real que causou esse mau humor todo ─ ficou bem resolvido?

Não vai acontecer de novo?

Alguma coisa melhorou?


Nada disso; fica tudo igual e, às vezes, pior.

A presidente acha que está, com os seus pitos, corrigindo os erros cometidos e mostrando que tem braço firme para governar.

Na prática, o que está fazendo é outra coisa.

Está confundindo cara feia com autoridade; é o governo através da bronca.


Talvez seja bom para a máquina de propaganda do Palácio do Planalto, que pode vender a imagem de uma presidente capaz de botar na linha qualquer peixe graúdo que lhe apareça pela frente, que age rápido e não tolera serviço mal feito.

Mas na prática, até agora, a qualidade de seu governo não melhorou nada com isso, pois Dilma não muda, e talvez nem possa mudar aquilo que realmente está criando os problemas. É trovoada que vai embora e não traz um pingo de chuva.

O que está criando os problemas é o avanço cada vez mais rápido da privatização do estado brasileiro ─ ou, em linguagem mais direta, a utilização da máquina do governo em benefício de interesses privados e a transferência de renda pública para bolsos particulares.

É história que está aí há muito tempo, mas que atravessa, na atual administração, fronteiras nunca atingidas antes neste país.

Os exemplos são constantes, custam caro e acontecem praticamente à vista de todos.

Basta olhar, para começo de conversa, as empreiteras de obras públicas ─ jamais mandaram tanto no governo como agora.

Decidem preços, falsificam licitações, alteram contratos, ignoram prazos e dão ordens nos ministérios.

O empresário Abílio Diniz se comportava até outro dia como presidente do BNDES
, que se dispunha a lhe oferecer mais de 4 bilhões de reais para a realização de um negócio de seu interesse pessoal no Grupo Pão de Açúcar; o projeto acabou em naufrágio, mas deixou claro como empresários amigos do governo se sentem à vontade diante do patrimônio público.

O notório deputado Valdemar Costa Neto, dono de um dos mais extensos prontuários da política brasileira, despachava até outro dia dentro do Ministério dos Transportes, foco do último escândalo classe “A” da administração federal.



Amigos, aliados e parceiros do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
, que não tem cargo oficial nenhum e teoricamente é um cidadão particular, circulam nos ministérios, empresas estatais e outros órgãos públicos como se estivessem em casa.

Jatinhos de magnatas que têm negócios pendentes com o governo são hoje o meio de transporte regular de Lula e da companheirada.

Enquanto as coisas forem assim, e elas são cada vez mais assim, não adianta nada a presidente ficar brava.

A braveza de Dilma pode assustar os subordinados mais inseguros, mas não causa a menor impressão em profissionais calejados como o deputado Costa Neto ─ podem até trocar de sala, mas não mudam de atividade.

O desfecho da mais recente calamidade fornecida pelo Ministério dos Transportes, onde reportagens de VEJA flagraram práticas grosseiras de corrupção, é um excelente exemplo disso.

O ministro Alfredo Nascimento, depois de receber a “confiança” de Dilma, acabou sendo colocado na rua junto com os burocratões mais vistosos do seu entorno.

Mas para o seu lugar foi nomeado o número 2 do ministério, que está lá há anos; a menos que não comparecesse ao local de trabalho, viveu esse tempo todo no meio da ventania.

Qual é a mudança, então?


O PR, grupo que foi presenteado com o Ministério dos Transportes pelo presidente Lula, não vai largar o osso; a “base aliada” e as gangues partidárias que mandam em Brasília não vão mudar de conduta.

Alteração, mesmo, só continua acontecendo com o PT, em consequência de sua caminhada ao lado de gigantes da política brasileira como o PR e bandos semelhantes.

O partido-farol das massas populares, em algum momento dessa viagem que já dura mais de oito anos, acabou trocando de lado.

Na pose e no palavrório, ainda se apresenta como a vanguarda das forças do bem.

Na vida real, fica cada vez mais parecido com o deputado Costa Neto.


16/07/2011


Charge


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sábado, 16 de julho de 2011

REINALDO AZEVEDO RESPONDE AO JUAN ARIAS - POR QUE O BRASiLEIRO NÃO REAGE


Por que o brasileiro não se indigna e não vai à praça protestar contra a corrupção?

Ensaio uma resposta antes de alguns dias de folga.

O “povo” não está nas ruas, meu caro Juan, porque foi privatizado pelo PT.

Note que recorro àquele expediente detestável de pôr aspas na palavra “povo” para indicar que o sentido não é bem o usual, o corriqueiro, aquele de dicionário.

Até porque este escriba não acredita no “povo” como ente de valor abstrato, que se materializa na massa na rua.
 
Eu acredito em “povos” dentro de um povo, em correntes de opinião, em militância, em grupos organizados — e pouco importa se o que os mobiliza é o Facebook, o Twitter, o megafone ou o sino de uma igreja.

Não existe movimento popular espontâneo.


Essa é uma das tolices da esquerda de matriz anarquista, que o bolchevismo e o fascismo se encarregaram de desmoralizar a seu tempo.

O “povo na rua” será sempre o “povo na rua mobilizado por alguém”. Numa anotação à margem: é isso o que me faz ver com reserva crítica — o que não quer dizer necessariamente “desagrado” — a dita “Primavera Árabe”.

Alguém convoca os “povos”.


No Brasil, as esquerdas, os petistas em particular, desde a redemocratização, têm uma espécie de monopólio da praça.

Disse Castro Alves:

“A praça é do povo como o céu é do condor”.


Disse Caetano Veloso:

“A praça é do povo como o céu é do avião” (era um otimista; acreditava na modernização do Bananão).

Disse Lula: “A praça é do povo como o povo é do PT”.

Sim, responderei ao longo do texto por que os não-petistas não vão às ruas quase nunca. Um minutinho. Seguindo.


O “povo” não está nas ruas, meu caro Juan Arias, porque o PT compra, por exemplo, o MST com o dinheiro que repassa a suas entidades não exatamente para fazer reforma agrária, mas para manter ativo o próprio aparelho político — às vezes crítico ao governo, mas sempre unido numa disputa eleitoral.

Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad, ministro da Educação e candidato in pectore do Apedeuta à Prefeitura de São Paulo, estarão neste 13 de julho no 52º Congresso da UNE.

Os míticos estudantes não estão nas ruas porque empenhados em seus protestos a favor. Você tem ciência, meu caro Juan, de algum outro país do mundo em que se fazem protestos a favor do governo?

Talvez na Espanha fascista que seus pais conheceram, felizmente vencida pela democracia. Certamente na Cuba comuno-fascistóide dos irmãos Castro e na tirania síria.

E no Brasil.

Por quê?


Porque a UNE é hoje uma repartição pública alimentada com milhões de reais pelo lulo-petismo.

Foi comprada pelo governo por quase R$ 50 milhões.

Nesse período, esses patriotas, meu caro Juan, se mobilizaram, por exemplo, contra o “Provão”, depois chamado de Enade, o exame que avalia a qualidade das universidades, mas não moveram um palha contra o esbulho que significa, NA FORMA COMO EXISTE, o ProUni, um programa que já transferiu bilhões às mantenedoras privadas de ensino, sem que exista a exigência da qualidade.

Não se esqueça de que a UNE, durante o mensalão, foi uma das entidades que protestaram contra o que a canalha chamou “golpe da mídia”.

Vale dizer: a entidade saiu em defesa de Delúbio Soares, de José Dirceu, de Marcos Valério e companhia.

Um de seus ex-presidentes e então um dos líderes das manifestações que resultaram na queda de Fernando Collor é hoje senador pelo PT do Rio e defensor estridente dos malfeitos do PT.

Apontá-los, segundo o agora conservador Lidbergh Farias, é coisa de conspiração da “elites”.

Os antigos caras-pintadas têm hoje é a cara suja; os antigos caras-pintadas se converteram em verdadeiros caras-de-pau.

Centrais sindicais

O que alguns chamam “povo”, Juan, chegaram, sim, a protestar em passado nem tão distante, no governo FHC.

Lá estava, por exemplo, a sempre vigilante CUT.

Foi à rua contra o Plano Real. E o Plano Real era uma coisa boa. Foi à rua contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. E a Lei de Responsabilidade Fiscal era uma coisa boa. Foi à rua contra as privatizações. E as privatizações eram uma coisa boa.

Saiba, Juan, que o PT votou contra até o Fundef, que era um fundo que destinava mais recursos ao ensino fundamental.

E onde estão hoje a CUT e as demais centrais sindicais?


Penduradas no poder. Boa parte dos quadros dos governos Lula e Dilma vem do sindicalismo — inclusive o ministro que é âncora dupla da atual gestão: Paulo Bernardo (Comunicações), casado com Gleisi Hoffmann (Casa Civil).

O indecoroso Imposto Sindical, cobrado compulsoriamente dos trabalhadores, sejam sindicalizados ou não, alimenta as entidades sindicais e as centrais, que não são obrigadas a prestar contas dos milhões que recebem por ano.

Lula vetou o expediente legal que as obrigava a submeter esses gastos ao Tribunal de Contas da União.

Os valentes afirmaram, e o Apedeuta concordou, que isso feria a autonomia das entidades, que não se lembraram, no entanto, de ser autônomas na hora de receber dinheiro de um imposto.

++-----------

Há um pouco mais, Juan. Nas centrais, especialmente na CUT, os sindicatos dos empregados das estatais têm um peso fundamental, e eles são hoje os donos e gestores dos bilionários fundos de pensão manipulados pelo governo para encabrestar o capital privado ou se associar a ele — sempre depende do grau de rebeldia ou de “bonomia”do empresariado.


O MST, A UNE E OS SINDICATOS NÃO ESTÃO NAS RUAS CONTRA A CORRUPÇÃO, MEU CARO JUAN, PORQUE SÃO SÓCIOS MUITO BEM-REMUNERADOS DESSA CORRUPÇÃO.


E fornecem, se necessário, a mão-de-obra para o serviço sujo em favor do governo e do PT.

NÃO SE ESQUEÇA DE QUE A CÚPULA DOS ALOPRADOS PERTENCIA TODA ELA À CUT.

Não se esqueça de que Delúbio Soares, o próprio, veio da… CUT!



Isso explica tudo?

Ou: “Os Valores”

Ainda não!
Ao longo dos quase nove anos de poder petista, Juan, a sociedade brasileira ficou mais fraca, e o estado ficou mais forte; não foi ela que o tornou mais transparente; foi ele que a tornou mais opaca.

Em vez de se aperfeiçoarem os mecanismos de controle desse estado, foi esse estado que encabrestou entidades da sociedade civil, engajando-as em sua pauta.

Até a antes sempre vigilante Ordem dos Advogados do Brasil flerta freqüentemente com o mau direito — e o STF não menos — em nome do “progresso”.

O petismo fez das agências reguladoras meras repartições partidárias, destruindo-lhes o caráter.
Enfraqueceram-se enormemente os fundamentos de uma sociedade aberta, democrática, plural.

Em nome da diversidade, da igualdade e do pluralismo, busca-se liquidar o debate.

A Marcha para Jesus, citada por você, à diferença do que querem muitos, é uma das poucas expressões do país plural que existe de fato, mas que parece não existir, por exemplo, na imprensa.

À diferença do que pretendem muitos, os evangélicos são um fator de progresso do Brasil — se aceitarmos, então, que a diversidade é um valor a ser preservado.
Por que digo isso?

Olhe para a sua Espanha, Juan, tão saudavelmente dividida, vá lá, entre “progressistas” e “conservadores” — para usar duas palavras bastante genéricas —, entre aqueles mais à esquerda e aqueles mais à direita, entre os que falam em nome de uma herança socialista e mais intervencionista, e os que se pronunciam em favor do liberalismo e do individualismo.

Assim é, você há de convir, em todo o mundo democrático.
Veja que coisa, meu caro: você conhece alguma grande democracia do mundo que, à moda brasileira, só congregue partidos que falam uma linguagem de esquerda?

Pouco importa, Juan, se sabem direito o que dizem e são ou não sinceros em sua convicção.

O que é relevante é o fato de que, no fim das contas, todos convergem com uma mesma escolha: mais estado e menos indivíduo; mais controle e menos liberdade individual.

Como pode, meu caro Juan, o principal partido de oposição no Brasil pensar, no fim das contas, que o problema do PT é de gestão, não de valores?

Você consegue se lembrar, insisto, de alguma grande democracia do mundo em que a palavra “direita” virou sinônimo de palavrão?


Nem na Espanha que superou décadas de franquismo.
Imprensa

Se você não conhece democracia como a nossa, Juan, sabe que, com as exceções que confirmam a regra, também não há imprensa como a nossa no mundo democrático no que concerne aos valores ideológicos.

Vivemos sob uma quase ditadura de opinião.

Não que ela deixe de noticiar os desmandos — dois ministros do governo Dilma caíram, é bom deixar claro, porque o jornalismo fez o seu trabalho.


Mas lembre-se: nesta parte do texto, trato de valores.
Tome como exemplo o Código Florestal. Um dia você conte em seu jornal que o Brasil tem 851 milhões de hectares.

Apenas 27% são ocupados pela agricultura e pela pecuária; 0,2% estão com as cidades e com as obras de infra-estrutura.

A agricultura ocupa 59,8 milhões (7% do total); as terras indígenas, 107,6 milhões (12,6%).

Que país construiu a agropecuária mais competitiva do mundo e abrigou 200 milhões de pessoas em apenas 27,2% de seu território, incluindo aí todas as obras de infra-estrutura?

Tais números, no entanto — do IBGE, do Ibama, do Incra e da Funai — são omitidos dos leitores (e do mundo) em nome da causa!
A crítica na imprensa foi esmagada pelo engajamento; não se formam nem se alimentam valores de contestação ao statu quo — que hoje, ora veja!, é petista.

Por quê?

Porque a imprensa de viés realmente liberal é minoritária no Brasil.


Dá-se enorme visibilidade aos movimentos de esquerdistas, mas se ignoram as manifestações em favor do estado de direito e da legalidade.

Curiosamente, somos, sim, um dos países mais desiguais do mundo, que está se tornando especialista em formar líderes que lutam… contra a desigualdade.

Entendeu a ironia?


Quem vai à rua?



Ora, Juan, quem vai, então, à rua?

Os esquerdistas estão se fartando na lambança do governismo, e aqueles que não comungam de suas idéias e que lastimam a corrupção e os desmandos praticamente inexistem para a opinião pública.

Quando se manifestam, são tratados como párias.

Ou não é verdade que a imprensa trata com entusiasmo os milhões da parada gay, mas com evidente descaso a marcha dos evangélicos?

A simples movimentação de algumas lideranças de um bairro de classe média para discutir a localização de uma estação de metro é tratada por boa parte da imprensa como um movimento contra o… “povo”.

As esquerdas dos chamados movimentos sociais estão, sim, engajadas, mas em defender o governo e seus malfeitos.

Afirmam abertamente que tudo não passa de uma conspiração contra os movimentos populares. As esquerdas infiltradas na imprensa demonizam toda e qualquer reação de caráter legalista — ou que não comungue de seus valores ditos “progressistas” — como expressão não de um pensamento diferente, divergente, mas como manifestação de atraso.
Descrevi, meu caro Juan, o que vejo. Isso tem de ser necessariamente assim?

Acho que não!

A quem cabe, então, organizar a reação contra a passividade e a naturalização do escândalo, na qual se empenha hoje o PT?

Essa indagação merecerá resposta num outro texto, que este já vai longe.

Fica para depois do meu descanso.
Do seu colega brasileiro Reinaldo Azevedo.

A impressionante lista de escândalos do governo Dilma


Seis meses de gestão foram suficientes para quatro trocas ministeriais;
nomes do primeiro time da presidente se envolveram em situações comprometedoras


Gabriel Castro

Dilma Rousseff durante a posse: em seis meses, mais escândalos e menos feitos
(Ueslei Marcelino/Reuters)


Em seis meses de governo, a gestão da presidente Dilma Rousseff se notabilizou pela profusão de escândalos - mais do que por medidas concretas de governo.

Dois ministros foram demitidos.

Outros dois trocaram de lugar.

Dois se safaram por pouco.

Outros dois ainda devem explicações.



Antonio Palocci, chefe da Casa Civil, comandava uma consultoria bem-sucedida antes de ingressar no governo. O crescimento patrimonial espantoso levantou suspeitas de que o braço-direito da presidente autou como lobista.

Quando resolveu se explicar,
Palocci já era um cadáver político.

Sem o principal articulador político do governo, a presidente se viu novamente em apuros.



Luiz Sérgio, ministro de Relações Institucionais, tinha poderes limitados.

Dilma Roussef evitou mais uma demissão: preferiu rebaixar o petista a ministro da Pesca. Luiz Sérgio trocou de cargo com Ideli Salvatti.

A paz aparente durou pouco tempo.

Aloizio Mercadante, responsável pela pasta de Ciência e Tecnologia, também ficou exposto por uma revelação feita por VEJA.



Foi ele quem ordenou a compra do falso dossiê contra o então candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, em 2006.

O episódio também respingou em Ideli Salvatti: então senadora, ela ajudou a espalhar o material para a imprensa.

Mercadante e Ideli continuam sob fogo da oposição.
O primeiro deve ir à Câmara dos Deputados se explicar. A segunda é alvo de requerimentos de convocação, mas os governistas atuam para blindar a petista.



O último escândalo teve um desfecho nesta quarta-feira.

Alfredo Nascimento, ministro dos Transportes, deixou o cargo depois que VEJA revelou o funcionamento de um grande esquema de corrupção na pasta.

Dilma ainda protelou a demissão por quatro dias. 



Houve também episódios que não chegaram a derrubar ministros. Ana de Hollanda, da Cultura, foi flagrada usando verba pública para passar o fim de semana no Rio de Janeiro, onde tem casa. Devolveu o dinheiro e ficou no cargo.



Pedro Novais havia aproveitado verba da Câmara dos Deputados para custear uma farra coletiva em um motel de São Luís. Devolveu o dinheiro e ficou no cargo.

Fernando Haddad, campeão de trapalhadas também no governo Lula, manteve a média na nova gestão. Defendeu a distribuição de um livro que ensina crianças a falar errado e se contradisse ao tentar justificar a distribuição do chamado "kit-gay".



Leia aqui.






A guerrilha da corrupção



Revista Veja

Diretor afastado do Dnit diz que petista negociava reajustes de preço e recebia "ajuda de custo" diretamente das empreiteiras
Governo


Rodrigo Rangel

Luiz Pagot ameaçou revelar no Congresso a participação do PT e de petistas no escândalo do Ministério dos Transportes, mas calou-se

(Ailton de Dreitas/Ag. O Globo)

Havia uma monumental expectativa em torno do depoimento, no Congresso, do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot.

Pilar da estrutura de corrupção montada pelo Partido da República (PR) no Ministério dos Transportes, Pagot foi afastado do cargo pela presidente Dilma Rousseff e, desde então, ameaça envolver o PT e os petistas nas denúncias de irregularidades.

Se era blefe, houve quem sentisse calafrios.
De renegado, Pagot passou a ser tratado com uma deferência incomum para alguém acusado de cobrar propina e superfaturar obras públicas.

Foi recebido pelo chefe de gabinete da Presidência, ouviu elogios de ministros, senadores e lideranças políticas do governo.

Sua "demissão sumária", anunciada pelo Palácio do Planalto, foi substituída temporariamente por "férias".

No Congresso, Pagot falou como "diretor", alegou desconhecer qualquer irregularidade e disse que as decisões no Dnit eram colegiadas, ou seja, precisavam ser aprovadas por todos os diretores.

Portanto, se houve algo errado, o que ele desconhece, a responsabilidade seria coletiva.

Sobre o PT e os petistas?


Nenhuma palavra direta, ao menos por enquanto.

Mas a ameaça continua - é real e gravíssima.


O alvo de Pagot e do Partido da República é o petista Hideraldo Caron, diretor de infraestrutura do Dnit.

Em conversas com correligionários antes de seu depoimento ao Congresso, Pagot revelou que Caron não só sabia como se empenhava pessoalmente para viabilizar alguns "estranhos reajustes" de preço de obras.

Citou especificamente a duplicação da BR-101, no trecho entre o balneário catarinense de Palhoça e a cidade gaúcha de Osório.

Foi Caron, segundo ele, quem sustentou no colegiado do Dnit a necessidade de assinar contratos aditivos com as empreiteiras encarregadas da obra, que teve seu preço "inflado" em nada menos que 73% do valor original do contrato.

O reajuste foi tão espantoso que chamou a atenção de Dilma Rousseff.

Na famosa reunião com a cúpula do Ministério dos Transportes, em 24 de junho, no Palácio do Planalto, a presidente pediu explicações sobre o custo da rodovia, ocasião em que afirmou que o ministério estava "descontrolado", seus dirigentes eram "inadministráveis" e que os valores das obras, entre elas as da BR-101, deveriam ser revistos.

A lei estabelece que os aditivos não podem ultrapassar 25% do valor original do contrato. Portanto, o reajuste teria sido ilegal.

E o responsável pela ilegalidade, segundo Pagot, foi Hideraldo Caron, que desconsiderou as advertências jurídicas apresentadas a ele na ocasião.


Os aditivos da BR-101 chegaram a ser censurados pela área do Tribunal de Contas da União, mas o processo acabou arquivado.

Nos recados que enviou para tentar convencer a presidente a mantê-lo no cargo, Pagot fez insinuações ainda mais graves contra o colega petista.

Segundo ele, todas as obras rodoviárias no sul do país são de responsabilidade de Hideraldo Caron.

O que isso quer dizer?




"Ele que defende no colegiado os reajustes, que negocia com as empreiteiras, que discute projetos, que define custos", explicou Pagot.

Caron receberia até uma "ajuda de custo" dessas mesmas empreiteiras - coisa pequena, para complementar o salário, que é muito baixo.

"O Pagot é um animal enjaulado e com sede", advertia o líder do PR no Senado, Magno Malta.

As ameaças mobilizaram o governo.

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, foi incumbido de demover Pagot de qualquer ideia extremista.

Também vítima de insinuações maldosas por parte dos republicanos, o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, passou a defender a permanência de Pagot até que as denúncias de superfaturamento e cobrança de propina fossem devidamente esclarecidas.

Apesar da determinação da presidente Dilma de afastar imediatamente toda a cúpula do ministério, Pagot era o único dos envolvidos no escândalo que continuava formalmente vinculado ao governo.

Por fim, o diretor do Dnit, de férias, recebeu a garantia de que não haveria investigações pontuais contra ele.


Satisfeito com as conquistas, Pagot, a fera enjaulada, apareceu no Congresso manso feito um gato.

O diretor afastado do Dnit negou as acusações de cobrança de propina e cuidou para que as ameaças de antes ficassem restritas a mensagens cifradas.

Num discurso repleto de eufemismos, em que superfaturamento de obras virou "mudança de escopo", ele fez questão de repetir que as decisões tomadas no Dnit eram sempre colegiadas.

Foi uma forma de deixar nas entrelinhas o que vinha ameaçando falar.

Indagado sobre o papel de Hideraldo Caron, Pagot foi lacônico: "Ele é o responsável por 90% das obras". Nada mais. "Nada disso procede. Duvido que o Pagot tenha feito essas insinuações", afirmou Caron.

Na semana passada, o novo ministro dos Transportes, Paulo Passos, afastou José Henrique Sadok, diretor executivo do Dnit, depois de uma reportagem mostrando que a esposa dele tinha contratos milionários no órgão.

O Palácio do Planalto informou que Pagot será mandado para casa assim que retornar das férias.

Será o sexto homem da cúpula dos Transportes a perder o cargo desde que VEJA revelou, há duas semanas, o esquema de recolhimento de propina montado pelo PR no ministério.

O petista Hideraldo Caron ainda vai ter de explicar muito para não ser o sétimo.
16.07.2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Lula beija militante na saída de congresso em São Paulo


Por Bruno Siffredi
Agência Estado

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um beijo em uma militante, nesta sexta-feira, 15, na saída do congresso da União Geral dos Trabalhadores (UGT), no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo.

O fato ocorreu após evento em que o ex-presidente fez um discurso inflamado e abordou diversos temas, como a disputa interna do PT paulistano pela chapa que vai concorrer à Prefeitura e a crise no Ministério dos Transportes.

No seu discurso, Lula defendeu a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura de SP. “Acho que o companheiro Haddad é adequado. Foi ministro da Educação e acho que ele está na disputa interna”, disse.

O ex-presidente também comentou as denúncias que seguem abalando o Ministério dos Transportes e defendeu uma investigação do caso.

“Se a pessoa for inocente, terão de publicar que ela é inocente. Se forem culpadas, pagarão por isso”, observou.

Lula avisou que pretende voltar a viajar pelo País para promover uma agenda social.

“Serei o lobista número 1 das causas sociais e vou voltar a incomodar algumas pessoas outra vez”, indicou.
15.julho.2011

Charges




Justiça recebe denúncia contra diretores da TAM e da Anac por acidente que matou 199 pessoas

Acidente Aéreo

Justiça recebe denúncia contra diretores da TAM e da Anac por acidente que matou 199 pessoas



Flávio Freire
O Globo

SÃO PAULO - A Justiça Federal de São Paulo recebeu nesta sexta-feira denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra diretores da TAM e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) por conta do acidente ocorrido em 17 de junho de 2007, quando um avião da companhia atravessou a pista do aeroporto de Congonhas e colidiu com um prédio, matando 199 pessoas.

O juiz federal Márcio Assad Guardia, substituto da 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo, recebeu a denúncia contra Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro, então diretor de segurança de voo da TAM, Alberto Fajerman, que era vice-presidente de operações da empresa, e Denise Maria Ayres Abreu, ex-diretora da agência.

Na denúncia, o Ministério Público Federal imputou aos réus a prática do crime de atentado contra a segurança de transporte aéreo - artigo 261 do Código Penal.

Castro e Fajerman foram acusados de colocar em risco aeronaves alheias mediante negligência.

Denise Abreu, na qualidade de diretora da Anac, foi acusada de imprudência.

"Constato que a peça acusatória obedece aos requisitos previstos no artigo 41 do Código de Processo Penal, porquanto contém a descrição circunstanciada dos fatos, a qualificação dos acusados e a classificação do crime", afirma a decisão do juiz.

Os réus deverão ser citados pessoalmente para apresentarem defesa, por escrito, no prazo de dez dias.

15/07/2011

Dilma afasta diretor-executivo do Dnit



Decisão foi tomada após revelação do 'Estado' de que construtora da sua mulher ganhou R$ 18 milhões em obras; governo vai apurar denúncias

João Domingos
e Leandro Colon

O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff decidiu afastar o diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), José Henrique Sadok de Sá.

A decisão foi tomada após a revelação do Estado, na edição desta sexta-feira, 15, de que a Construtora Araújo Ltda, da mulher de Sadok, assinou contratos que somam pelo menos R$ 18 milhões para tocar obras em rodovias federais entre 2006 e 2011, todas vinculadas a convênios com o órgão.

Wilson Pedrosa/AE
José Sadok negou ter influência sobre negócios

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, assinou portaria determinando o afastamento temporário de Sadok e a abertura de um processo de administrativo que pode resultar na demissão dele do serviço público.

O ministério divulgou nota sobre o assunto:

"O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, decidiu afastar temporariamente o diretor-executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) que estava respondendo pela Diretoria Geral do órgão.

Ao mesmo tempo, constituiu Comissão de Processo Administrativo Disciplinar para apuração dos fatos noticiados pelo jornal Estado de São Paulo, na edição do dia 15 de julho de 2011".


Sadok acumulava o cargo de diretor-geral interino do Dnit em substituição a Luiz Antônio Pagot, que tirou férias após ameaça de ser demitido em meio ao escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes.

A mulher de Sadok, Ana Paula Batista Araújo, é dona da Construtora Araújo, contratada para cuidar de obras nas rodovias BR-174, BR-432 e BR-433, todas em Roraima e ligadas a convênios com o Dnit, principal órgão executor do Ministério dos Transportes.

A aplicação de aditivos, que aumentam prazos e valores, ocorreu em todos os contratos.

Sadok trabalhou em Roraima em 2001, no antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), como diretor de obras.

Em entrevista nesta quinta-feira, 14, ao Estado, Sadok de Sá contou que conhece a empresária desde 2001 e vive com ela há pelo menos quatro anos. "É minha mulher", disse.

Ele alegou que, apesar de serem obras vinculadas a convênios com o Dnit, os contratos são assinados com o governo de Roraima por licitações.

"Nunca me meti na empresa dela. O contrato do Dnit é com o Estado. O Estado pega e licita as obras", disse.
15 de julho de 2011