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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Deputado quer ‘CPI paralela’ com Pagot




O ex-diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot

Depois que a CPI do Cachoeira rejeitou a convocação de Luiz Antônio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) teve uma ideia: como Pagot demonstra disposição de contar o que sabe, o parlamentar pretende realizar uma audiência pública aberta com os deputados e senadores que quiserem participar para ouvir o ex-diretor.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) já aceitou comandar os trabalhos.

A ideia é arranjar um escrivão para registrar o depoimento de Pagot e dar um caráter oficial às declarações dele.

Mas, mesmo dentro da oposição, que queria a vinda de Pagot ao Congresso, há ceticismo sobre a viabilidade do projeto de Miro.



(Gabriel Castro, de Brasília)


14/06/2012

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Nas contas dos ladrões federais, 1 milhão de dólares já parece dinheiro de troco

Direto ao Ponto


Nos anos 80, a capa dos sonhos de todos os diretores e editores de VEJA seria magnificamente singela. Para o resumo da ópera, bastaria uma pilha de cédulas verdes com o rosto de Benjamin Franklin sublinhando a chamada feita de cinco palavras e um algarismo:
COMO GANHAR 1 MILHÃO DE DÓLARES

Valorizada por acrobacias gráficas ou manuscrita por Lula com uma Bic, a chamada para a reportagem de capa pareceria igualmente irresistível até aos olhos dos bebês de colo e dos napoleões-de-hospício.

Nas bancas ou nas portas dos assinantes, cada exemplar seria disputado a socos e pontapés por gente disposta a tudo para conhecer a fórmula que ensinava a ficar milionário ─ em moeda americana ─ sem precisar assaltar um banco, dar um golpe na praça ou ganhar na loteria.

Passados menos de 30 anos, essa capa talvez fizesse menos estardalhaço que um comício do PCdoB.

No Brasil deste começo de século, conseguir 1 milhão de dólares parece menos complicado que subir o Corcovado de trenzinho.

Nada a ver com a crise econômica dos Estados Unidos, nem com o risco de calote, muito menos com a enganosa musculatura do real.

O que transformou essa quantia em dinheiro de troco foi o tsunami de bandalheiras que devasta o Brasil.

As cifras astronômicas movimentadas pelas quadrilhas especializadas no assalto aos cofres públicos informam que juntar 1 milhão de dólares é coisa de gatuno aprendiz.

Ladrão federal que se preza fatura mais que isso com qualquer negociata de baixo calibre.

As organizações criminosas da classe executiva não se contentam com pouco.

Cresceram em tamanho, sofisticação, safadeza e atrevimento.

As contas agora são feitas em bilhões.


Os bandos envolvidos na roubalheira incomparável agrupam ministros de Estado e funcionários do segundo escalão, figurões de estatais e “laranjas” obscuros, jornalistas iniciantes ou em fim de carreira, donos de partidos, senadores e prefeitos, deputados e vereadores, empresas portentosas e consultorias de fachada.

Mobilizam, além dos chefes, as mulheres, os filhos, parentes próximos ou distantes, amigos ou agregados.

Há centenas, milhares de larápios em ação.

Há bilhões de sobra à espera dos delinquentes.

Na edição da semana passada, VEJA divulgou os espantosos resultados da maior auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União no sistema de compras do governo federal.

Depois de esquadrinhar 142.000 contratos celebrados na Era Lula, envolvendo gastos superiores a R$ 100 bilhões, o TCU encontrou mais de 80 mil irregularidades.

As somas surrupiadas ultrapassam R$ 10 bilhões.


Tudo é superlativo no Brasil Maravilha registrado no cartório.

Sobretudo a ladroagem institucionalizada, adverte o conjunto de informações perturbadoras divulgadas neste fim de semana.


As obras em andamento sob a supervisão do Dnit, segundo o Estadão, sofreram acréscimos de preços que chegam a R$ 2,2 bilhões.

Demitido pelas patifarias que andou cometendo no Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Oscar Jucá, irmão do líder do governo no Senado, garantiu a VEJA que os casos de corrupção na sigla envolvem o ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

A revista IstoÉ revelou que em 2010, em troca de doações ao PP, três grandes empreiteiras embolsaram R$ 2,7 bilhões liberados ilegalmente pelo Ministério das Cidades.

A Folha conferiu tonalidades ainda mais escuras ao aluvião de más notícias com a descoberta de que a Procuradoria-Geral da Justiça Militar investiga a participação de generais do Exército em convênios fraudulentos celebrados com o Departamento de Infraestrutura de Transportes.

O Dnit, de novo, agora ameaçando arrastar para o pântano oficiais de alta patente.

Decididamente, as coisas foram longe demais.

Cadê a indignação dos brasileiros que pagam todas as contas e bancam todos os prejuízos?, perguntou na semana passada a Carta ao Leitor.

“Só a mobilização forte e permanente da sociedade”
, alertou o editorial de VEJA, “obrigará a Justiça e os políticos a tomar medidas sumárias para limpar a administração pública dos ladrões, colocá-los na cadeia ─ sim, na cadeia ─ e fazê-los devolver as quantias roubadas ao Erário”.

A entrada do Exército no noticiário político-policial era o sinal vermelho que faltava.

Ou o Brasil reencontra a capacidade de indignar-se ─ e reage imediatamente ─ ou nunca passará de um arremedo de nação.

01/08/2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

As férias de Pagot

Corrupção pré-datada

O crime só compensa em 30 dias




A faxina de Dilma Rousseff no Dnit não tem paralelo na história deste país

A presidenta varreu do órgão várias cabeças acusadas de corrupção. E a maior delas foi varrida para debaixo do tapete.
As férias do diretor-geral Luiz Antonio Pagot se tornaram o grande enigma da República.
Mais alta patente da turma do PR suspeita de inflar valores de obras, Pagot já desafiou Dilma publicamente a demiti-lo – ou a dizer que vai demiti-lo.

Fez isso em dois depoimentos no Congresso Nacional, aos quais compareceu sacrificando dois dias de suas férias. Talvez a presidenta tenha considerado essa punição suficiente.

Os demitidos do Dnit devem estar lamentando que suas férias não tenham coincidido com o escândalo.
É mesmo muito azar.

Mas não é justo o que Dilma está fazendo com Pagot. Ele não sabe se voltará das férias para a farra do Dnit ou se sua cabeça será trocada por mais alguns favores ao PR. Assim não dá para relaxar.

Se Pagot vier a ser demitido por Dilma um mês depois das acusações, terá sido o primeiro caso na história de corrupção pré-datada. O crime só compensa em 30 dias.

O problema, como sempre, é a imprensa.

A seleção brasileira perde quatro pênaltis contra o Paraguai e os jornalistas continuam falando do Dnit.

Assim fica difícil empurrar o Pagot com a barriga.

Deve ser por isso que Lula meteu o pau de novo na imprensa burguesa, dessa vez no congresso da UNE.


O ex-presidente disse aos seus estudantes de aluguel que não importa o que os jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro publicam, porque o ABC e a Baixada Fluminense não lêem.

O ideal era que ninguém lesse nada, para não atrapalhar o expediente no Dnit.

Seja qual for o destino de Pagot, ele já entrou para a história.

Com suas férias blindadas, provou que com boa vontade da chefia – e dos seus patrocinadores – até a corrupção é relativa.


 19/07/2011