Em seu acordo de delação, Delcídio acusou o ministro Aloizio Mercadante de lhe oferecer ajuda financeira, política e jurídica em troca de seu silêncio.
VEJA revela com exclusividade o conteúdo das conversas, que podem ser consideradas uma tentativa de obstrução da Justiça
Por Robson Bonin e Daniel Pereira Veja.com
O recado de Mercadante a Delício: 'Só estou aqui pra ajudar' (Ed Ferreira/Folhapress)
O senador Delcídio do Amaral cumpria uma jornada dupla quando era líder
do governo. Em público, presidia a poderosa Comissão de Assuntos
Econômicos do Senado e negociava a aprovação das medidas de ajuste
fiscal consideradas prioritárias pela presidente Dilma. Nos bastidores,
era peça-chave na estratégia destinada a impedir que a Operação
Lava-Jato descobrisse a cadeia de comando do petrolão.
Longe dos
holofotes, Delcídio atuava como bombeiro. Conversava com empreiteiros,
funcionários da Petrobras e políticos acusados de participar do esquema
de corrupção, anotava suas demandas e informações de bastidor e, depois,
relatava-as em detalhes a Dilma e a Lula. Sua missão era antever
dificuldades e propor soluções.
Foi ele quem alertou a presidente de que
a Odebrecht tinha pagado no exterior ao marqueteiro João Santana por
serviços prestados a campanhas presidenciais do PT. Foi ele quem falou
para Lula que petistas estrelados estavam reclamando de abandono e falta
de solidariedade. Aos dois chefes, Delcídio fazia o mesmo diagnóstico:
"Enterramos nossos cadáveres em cova rasa. É um erro. Precisamos
enterrá-los com dignidade".
Dignidade, no caso, significava ajudar companheiros e executivos presos
ou sob investigação com dinheiro, assistência jurídica e lobby a favor
deles nos tribunais superiores, para evitar que contassem às autoridades
segredos da engrenagem criminosa que desviou, segundo a Polícia
Federal, quase 50 bilhões de reais da Petrobras.
Delcídio repetiu essa
cantilena de forma exaustiva até ser preso e - como gosta de dizer -
traído.
Lula o chamou de imbecil por ter sido gravado ao tentar comprar o
silêncio de Nestor Cerveró, um dos delatores do petrolão. O PT também o
rifou em público. Com medo de expiar seus pecados em cova rasa, o
bombeiro, agora no papel de incendiário, mostrou-se disposto a contar às
autoridades tudo o que viu, ouviu e fez a mando de Lula e Dilma durante
treze anos de intimidade com o poder.
Não era um blefe.
O acordo de
delação premiada no qual Delcídio afirma que Lula e Dilma sabiam da
existência do esquema de corrupção e atuaram a fim de mantê-lo em
funcionamento foi homologado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo
Tribunal Federal (STF).
A colaboração, apelidada de "A delação", só foi
formalizada porque o senador resistiu a uma proposta generosa de
"enterro com dignidade" apresentada pelo petista Aloizio Mercadante.
Ex-chefe da Casa Civil do governo Dilma, atual titular da pasta da
Educação e um dos ministros mais próximos da presidente, Mercadante
prometeu dinheiro e ajuda para que Delcídio deixasse a prisão e
escapasse do processo de cassação de mandato no Senado.
Em
contrapartida, pede que Delcídio não "desestabilize tudo" com sua
delação. O ministro não tratou diretamente com o senador, que já estava
sob a custódia da polícia, mas com um assessor da estrita confiança do
senador, José Eduardo Marzagão.
Os dois se reuniram duas vezes no
gabinete de Mercadante no ministério. As conversas foram gravadas por
Marzagão e entregues à Procuradoria-Geral da República por Delcídio,
que, em depoimento formal, disse que o ministro agira a mando de Dilma.
Com essa observação, acusou o ministro e a presidente de tentar comprar o
silêncio de uma testemunha, obstruindo o trabalho da Justiça.
Era o
acerto de contas de Delcídio com os senhores que lhes viraram as costas.
"Me senti pressionado pelo governo", disse ele aos procuradores.
Delcídio: preso e, como gosta de dizer, traído (Pedro Ladeira/Folhapress)
Nos diálogos, aos quais VEJA teve acesso, Mercadante oferece ajuda
financeira à família de Delcídio e promete usar a influência política do
governo junto ao Senado e ao Supremo Tribunal Federal para tentar
evitar a cassação do senador e conseguir sua libertação. Além de dizer a
Marzagão que Delcidio deveria ficar "calmo", deixar "baixar a poeira" e
não fazer "nenhum movimento precipitado", Mercadante prometeu procurar o
presidente do Senado, Renan Calheiros, para armar um plano de modo a
fazer com que o Senado voltasse atrás na decisão, tomada em plenário,
ratificando a ordem de prisão expedida pelo Supremo.
"Por que é que não
pede reconsideração ao Senado? Pode?", questiona o ministro. "Acho que
não", diz o assessor. "Em política, tudo pode", ensina Mercadante. Descrevendo seu plano, Mercadante deixa claro ao assessor que vai
tentar "construir com o Supremo uma saída" para Delcídio.
Diz que
Ricardo Lewandowski, o presidente do STF, poderia libertar Delcídio por
meio de liminar, durante o recesso de fim de ano do Judiciário. "O
presidente vai ficar no exercício... Também precisa conversar com o
Lewandowski. Eu posso falar com ele pra ver se a gente encontra uma
saída", oferece Mercadante. Sem citar o nome, o ministro dá a entender
que irá procurar outro ministro do STF e que sua ideia é fazer com que o
Senado procure Teori Zavascki para pleitear a soltura do senador.
"Talvez o Senado possa fazer uma moção, a mesa do Senado, ao Teori,
entendeu? Um pedido: olha, nós demos autorização considerando o
flagrante, considerando as condições etc, mas não há necessidade pá, pá,
pá - pá, pá, pá. E tentar construir com o Supremo uma saída", diz.
A
menção ao STF foi ligeira mas estratégica. Naquela altura, a prioridade
da família de Delcídio era libertá-lo antes do Natal. Havia, entretanto,
a suspeita de que Teori negaria, como de fato ocorreu, o pedido de
habeas-corpus. A oferta de Mercadante remediaria o problema.
Sobre a possibilidade de uma delação de Delcídio, Mercadante diz: "Eu
acho que ele devia esperar, não fazer nenhum movimento precipitado,
deixar baixar a poeira, ele vai sair, a confusão é muito grande."
A
primeira conversa entre Mercadante e o assessor de Delcídio ocorreu no
dia 1º de dezembro, uma semana após a prisão do ex-líder do governo. A
segunda conversa deu-se no dia 9 de dezembro, um dia após a família de
Delcídio decidir contratar o escritório do advogado Antonio Augusto
Figueiredo Basto, um dos principais especialistas em delação premiada no
país.
No primeiro encontro com assessor, Mercadante se mostra
cauteloso. Diz que Delcídio é "fundamental para o governo", fala em
lealdade, promete ajuda e deixa entender que fala em nome da presidente
Dilma: "Eu sou um cara leal. A Dilma sabe que se não tiver uma pessoa
para descer aquela rampa, eu vou com ela até o final." Fica claro que Mercadante está preocupado em acalmar a mulher e as
filhas de Delcídio, principais incentivadoras de um acordo de delação.
Diz ao assessor do senador: "Eu tô te chamando aqui para dizer o
seguinte: eu serei solidário ao Delcídio. Eu gosto do Delcidio, eu acho
ele um cara muito competente, muito habilidoso, foi fundamental para o
governo (...) Eu vi o que estão fazendo com as filhas dele. Uma
canalhice monumental. Imagino o desespero dele. Então você veja o que
ele precisa que eu posso ajudar."
O ministro aconselha o assessor a
dizer para Delcidio seguir em silêncio para "não ser um agente que
desestabilize tudo". Chega a fazer uma ameaça velada, caso o petista
revele os podres do governo: "Vai sobrar uma responsabilidade pra ele
monumental, entendeu?".
No segundo encontro, ainda sob o impacto da notícia da contratação do
especialista em delações, Mercadante é mais explícito. Revela seu plano
no Judiciário, reclama que por causa dos rumores de acordo com a
Lava-Jato nem Renan Calheiros, investigado no STF, nem o governo poderão
se mexer para salvar Delcídio. Chega a pedir para que o petista abafe o
assunto delação. Diz Mercadante: "Como é que o Renan vai se mexer... Eu
sei que ele tá acuado porque o outro vai... Entendeu? Como é que o
governo se mexe, porque parece que tem alguma coisa que ele (Delcídio)
sabe do rabo de alguém. Então, eu acho que tem que tirar isso (delação)
da pauta nesse momento."
O assessor de Delcídio relata as dificuldades financeiras do senador,
afirma que a família está planejando vender imóveis e se desfazer de
bens para custear o processo. Mercadante se dispõe a viajar ao Mato
Grosso do Sul para dar assistência à família: "Isso aí também a gente
pode ver no que é que a gente pode ajudar, na coisa de advogado, essa
coisa. Não sei. Pô, Marzagão, você tem que dizer no que é que eu posso
ajudar. Eu só tô aqui pra ajudar. Veja o que que eu posso ajudar".
O
ministro explica que, se a mulher de Delcídio aceitasse conversar, ele
organizaria uma visita, como ministro da Educação, em alguma
universidade do estado para ocultar o real objetivo da viagem.
Marzagão trabalha com o senador há treze anos. Nos 87 dias em que o
petista ficou preso, Marzagão só não fez companhia a ele uma única vez,
quando foi ao casamento da filha em Fortaleza. Era Marzagão quem levava e
trazia informações, providenciava alimentação e livros, ouvia histórias
e compartilhava de desabafos e crises de choro.
Antes de procurar o
assessor, Mercadante tentou contato com a esposa do senador. O ministro
foi repelido com contundência. Maika, a esposa de Delcídio, não escondia
a raiva pelo fato de o marido ter se prestado, segundo ela, a fazer
serviços sujos para Lula e Dilma, como a tentativa de comprar
testemunhas do petrolão, motivo que o levou à prisão.
Além disso, Maika
sabia que o ministro sempre fora um desafeto de Delcídio no partido. Os
dois, senador e ministro, nunca foram amigos, nem mantinham relações
amistosas. Por isso, Maika viu a tentativa de aproximação de Mercadante
com estranhamento.
Ao ser chamado para uma conversa com um desafeto de Delcídio, Marzagão
resolveu gravar tudo, como medida de precaução. Temia ser alvo de uma
armadilha tramada pelo governo a fim de desmoralizar o senador, que,
como antecipara VEJA, ameaçava contar seus segredos às autoridades.
O
senador e seu assessor também sabiam como o Ministério Público
valorizava gravações com tentativas de obstruir a Justiça. Afinal, uma
gravação e uma proposta de auxílio financeiro levaram Delcídio à cadeia,
acusado de tentar sabotar o trabalho da Justiça. Como Mercadante,
Delcídio também queria calar uma testemunha. A proposta de silêncio "Eu acho que ele devia esperar"
Ex-chefe da Casa Civil e um dos ministros mais próximos da presidente
Dilma, Aloizio Mercadante conversou duas vezes com José Eduardo
Marzagão, assessor do senador Delcídio do Amaral. O objetivo do
ministro, segundo o parlamentar, era comprar o seu silêncio. A segunda
reunião entre eles ocorreu um dia depois de o senador contratar um
advogado especializado em delação premiada. Nela, Mercadante reforça o
pedido para que não haja colaboração com o Ministério Público e deixa
claro que a delação, se confirmada, desestabilizaria o governo. AM - O que é que tem que você acha que eu possa ajudar? JEM - Ministro... AM - De verdade. Tô falando assim. Eu tô aqui. Ó, eu falei: Eu não quero nem saber o que o Delcídio fez. JEM - É. AM - Eu quero... (inaudível) eu acho que ele devia
esperar, não fazer nenhum movimento precipitado, ele já fez um
movimento errado, deixar baixar a poeira, ele vai sair, a confusão é
muito grande. Aí... entendeu? JEM - Ministro, o problema é o seguinte. AM - Pra ele não ser um agente que desestabilize tudo. Porque senão vai sobrar uma responsabilidade pra ele monumental, entendeu? Ajuda financeira "Veja o que eu posso ajudar"
Ciente de que a família de Delcídio pressionava o senador a fechar um
acordo de delação premiada, Mercadante diz a Marzagão estar disposto a
forjar uma agenda oficial, como ministro da Educação, para visitar a
esposa e as duas filhas do petista. Informado de que elas enfrentavam
dificuldades financeiras, não hesita em prometer uma providencial ajuda
em dinheiro, para pagar os custos com os advogados, ressalta AM - É o seguinte, eu me disponho, já te falei
isso reservadamente, eu faço uma agenda no Mato Grosso do Sul, eu tenho
que ir visitar uma universidade, um instituto... eu falo Maika, eu quero
passar aí ...da outra vez ela fez um jantar pra mim... quando eu fui lá
fazer uma agenda e ela fez um jantar na casa. Então, ó eu gostaria de
passar aí, lhe dar um abraço e tal, se tiver espaço. JEM - Só pra você ter uma ideia, eles estão vendendo a casa. AM - Pra não ficar expostos. JEM - Não, até pra... AM - Arrecadar dinheiro. JEM - Arrecadar dinheiro. Os carros, a casa. A
fazenda, porque é da mãe e do irmão, então lá não vai mexer. Aliás, o
irmão tá vindo aí pra tratar desses assuntos. Assuntos financeiros
mesmo. AM - Patrimônio da família. JEM - Patrimônio, as dívidas que ele tem. Pra você
ter uma ideia da situação dele, o salário dele tem consignado. O
salário do Delcídio tem empréstimo consignado, que ele está pagando. AM - Bom, isso aí também a gente pode ver no que é
que a gente pode ajudar, na coisa de advogado, essa coisa. Não sei. Pô,
Marzagão, você tem que dizer no que é que eu possa ajudar. Eu só to
aqui pra ajudar. Veja o que que eu posso ajudar. Ajuda política "Vou conversar com o Renan"
Mercadante sabia que Delcídio se sentira traído pelo PT, que o
censurara publicamente e, ao lavar as mãos, incentivara o plenário do
Senado a referendar a sua prisão. Para adular o ex-líder do governo, o
ministro esbanja solidariedade na conversa com Marzagão. Ele critica o
próprio partido e avisa que negociará com o presidente do Senado, Renan
Calheiros, uma moção, a ser apresentada à Justiça, destinada a garantir o
relaxamento da prisão AM - Eu conversei com vários senadores JEM - Hã. AM - Eu falei: vocês se acocoraram! JEM - Foi. AM - Ah, pô! Nós tínhamos feito um movimento com o Sarney, o Jader e o... JEM - Renan AM - ...o Renan e tal... Aí veio a nota do PT. Que
nota do PT? Onde que o Rui Falcão agora dirige o plenário do Senado?
... é história... essa instituição tem quase 200 anos de história! Como é
que vocês aceitam uma coisa como essa, gente! Porque isso vai ser um
precedente. JEM - Abriu uma porteira. AM - Vai abrir a porteira. Então, vocês precisam
repensar o encaminhamento. Talvez o Senado fazer uma moção, a mesa do
Senado, ao Teori, entendeu? Um pedido: olha, nós demos autorização
considerando o flagrante, considerando as condições etc, mas não há
necessidade pá, pá, pá - pá, pá, pá. E tentar construir com o Supremo
uma saída. Não pode aceitar isso. Eu acho que se a gente não for pelo
jurídico, pelo político, pelo bom senso e deixar tudo pra ele que tá
acuado, fodido, a família desestruturada, vai sair só bateção de cabeça.
Porque eu posso tentar ajudar nisso aí no Senado. Vou tentar conversar
com o Renan e ponderar a ele de construir uma, entendeu, uma moção... Ajuda jurídica "Pedido de relaxamento de prisão" A proposta de compra do silêncio de Delcídio era ampla e irrestrita.
Além de dinheiro e lobby em defesa do petista no Senado, Mercadante
promete conversar com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
Ricardo Lewandowski, a fim de convencê-lo a acolher o pedido de
relaxamento de prisão durante o recesso do Judiciário. A ação, se
realizada, não surtiu o efeito esperado. Delcídio só foi solto em
fevereiro, depois de negociar a colaboração com as autoridades. AM - Eu vou tentar um parecer jurídico que tente
encontrar uma brecha pra que o Senado se pronuncie junto ao Supremo com o
pedido de relaxamento da prisão, porque ela não se justifica mais. Acho
que esse é o caminho que eu vejo. Vou estudar e te dou o retorno de
hoje pra amanhã. JEM - Isso, porque o problema é que o dia D é terça-feira. AM - Tá. JEM - Porque se passar terça-feira e não sair, só no ano que vem. AM - Não, não, mas o presidente vai ficar no
exercício... também precisa conversar com o Lewandowsky. Eu posso falar
com ele pra ver se a gente encontra uma saída. Mas eu vou falar com o
ministro no Supremo também. JEM - Complicado. AM - Mas é o seguinte, eu não tenho nada a ver...o
Delcídio... zero... não tô nem aí se vai delatar, não vai delatar, não
tô nem aí... a minha, a minha questão com ele é que eu acho um absurdo o
que aconteceu com ele. Primeiro pelo quadro que ele é, segundo pela
cagada que não era necessária aquela exposição que ele teve, terceiro
pela atitude das instituições e do partido (inaudível)... lava a mão,
vira as costas, um cara totalmente... uma coisa covarde pra caralho, um
absurdo. Na minha interpretação, de uma vingança até da... ele pode ter
se excedido na CPI dos Correios, mas é evidente que ele segurou bronca
pra caralho. JEM - Vai saber. AM - É, lógico que ele sabe. Não sei exatamente os
detalhes, mas eu sei que ele fez o que era possível, prudente, coisas
que não estavam comprovadas, que não eram sérias, mas, é isso aí...
(inaudível)... a função era muito difícil a cobrança em cima dele... Estratégia de defesa "O Renan está acuado" Na segunda e mais incisiva conversa com Marzagão, Mercadante alega que
seria necessário acabar de vez com os rumores sobre a possibilidade de
Delcídio fechar uma delação. Se o assunto não saísse de pauta,
argumentou o ministro, seria difícil envolver o presidente do Senado,
acusado de receber dinheiro sujo do petrolão, e o governo nos esforços
empreendidos para salvar o mandato do petista e livrá-lo da prisão AM - A estratégia de defesa é nesse sentido,
entendeu? Ele foi: meu mandato, eu quero defender meu mandato, eu quero
ter liberdade pra poder defendê-lo, não posso constranger o meu direito
de defesa no Senado e pá pá pá, prerrogativas, estão aqui as minhas
condições e pelo direito que é líquido e certo, a ilegalidade do ato - é
um absurdo o que foi feito... JEM - Mas ele não pode falar isso AM - Não, mas tem que construir. Tem que ter gente pra fazer e falar. JEM - É. AM - O que que é a dificuldade? O que é que eu quero te alertar. O Renan é um cara que tem uma zona cinzenta nessa história. JEM - É. AM - Como é que o Renan vai se mexer....eu sei que ele tá acuado porque o outro vai... entendeu? JEM - É. AM - Como é que o governo se mexe, porque parece
que tem alguma coisa que ele sabe do rabo de alguém. Então, eu acho que
tem que tirar isso da pauta nesse momento, pra defesa dele, tô
falando... pra tentar construir - não sei se é possível a defesa... JEM - Honestamente eu não sei... AM - Eu não sei, o que eu vou... o que eu me
disponho...como eu te falei. Olha, eu não quero me envolver mais do que
posso. Faço isso por absoluta solidariedade. Acho que o que o PT fez é
indigno e acho que o Senado não devia ter recuado. JEM - É. Mas nem só por causa dele. AM - Não... é institucional, gente. Evitar a delação "Parece que ele está fazendo porque tá com medo" Neste trecho, Mercadante detalha como seria a operação de bastidor em
favor de Delcídio e, para dar credibilidade ao discurso, dá nome a um
dos participantes da empreitada. O ministro diz que advogados de
confiança, como o ministro do TCU Bruno Dantas, ex-advogado-geral do
Senado, ajudariam a elaborar uma tese jurídica que permitisse à Casa
defender o senador no Supremo Tribunal Federal. AM - O cara, pô, fodido, acuado, arrebentado,
sangrando... eu vou fazer o seguinte: eu vou conversar com alguns
advogados que eu confio. Acho que vou chamar o Bruno Dantas pra
conversar, que foi advogado-geral da União muito tempo... do Senado, ou
algum consultor do Senado que pense juridicamente se o Senado tem alguma
providência pra interferir. Inclusive alegar o seguinte: nós queremos
que ele se defenda, de um processo aqui pi, pi, pi... JEM - Sim. Normal. AM - E crie qualquer porra de um argumento contanto que ele não fique lá preso, acuado desse jeito. JEM - Que fique em casa com tornozeleira, que fique num quartel do Exército, o caralho que seja, mas lá é... AM - É ruim. Quando ele fala do risco da delação,
hoje o advogado desmentiu. Fica um negócio assim: Parece que ele tá
fazendo porque tá com medo, entendeu? Porque não tinha essa pauta... JEM - O problema é o seguinte: é que ele tá
desestruturado. Então, alguém tá colocando pra ele que essa é a única
maneira de ele sair de lá. AM - Bom, eles fazem isso com todo mundo.
Desestruturam o cara. Botaram... caralho... O que fizeram com o filho do
Paulo Roberto foi isso, com as filhas... JEM - Sim. Agora, vê a situação dele: um senador com um mandato vigente AM - Preso. JEM - Preso, continua sendo senador e... um zé-ninguém lá. AM - Sim... mas tem um lado e tem que pensar o
seguinte... eu acho que precisa esfriar o assunto dele. Vão vir outros.
Vai vir Andrade Gutierrez, não sei quem, não sei quem, o Zelada, o
caralho, vai vir merda pra caralho toda hora. Aí vai diminuindo. Precisa
esfriar o caso dele. Segundo: ele tando lá, não tem inquérito no
Senado. Não tem como cassar um senador preso. Solidariedade do governo "Veja o que eu posso ajudar" Já na primeira conversa com Marzagão, Mercadante oferece "apoio pessoal
e político" em troca do silêncio do senador Delcídio do Amaral. De
início, o ministro até registra se tratar de uma iniciativa de cunho
pessoal. Depois, se trai, ressalta sua relação de lealdade com a
presidente Dilma e registra, em alto e bom som, que a ajuda se dará
"dentro do governo". AM - Eu não conheço a Maika. Mas se você achar,
porque eu vou dizer o seguinte. Eu sou um cara leal. A Dilma sabe que se
não tiver uma pessoa para descer aquela rampa, eu vou com ela até o
final. Eu gosto do Delcidio, eu acho ele um cara muito competente, muito
habilidoso, foi fundamental para o governo, um monte de virtudes, muito
mais jeitoso, ia atrás, se empenhava, fazia... você não pode pegar uma
biografia como essa, uma história como essa, porque o cara tropeçou numa
pedra, numa situação de desespero, tentando encontrar uma saída, você
vê aquele jeito que ele vai tentando mostrar um serviço, eu não consigo
entender porque ele foi aonde ele foi. Mas foi, não adianta. Então vamos
ter que deglutir isso aí. O que eu acho que ele está precisando agora é
algum tipo de apoio e solidariedade pessoal e político. Então, você
veja o que eu posso ajudar. 'Se você achar, Mercadante, era bom você ir
no Mato Grosso do Sul falar com as filhas dele.' Eu não vou me meter na
defesa dele. Não sou advogado, não tenho o que fazer, não sei do que se
trata, não conheço o que foi feito. JEM - Mas o que o Rui fez, queimou qualquer possibilidade. AM - Foi um absurdo. Eu dentro, vou tentar ajudar
no que eu posso. Dentro do governo, dentro do partido menos, porque eu
não tenho muitas relações hoje. Mas vou tentar porque achei um absurdo.
Eu quero ajudar no que eu puder. Só vou fazer o que eu puder. Não
adianta me pedir para fazer o que eu não posso fazer porque eu não vou
fazer. Agora, o que eu puder fazer, eu farei. Então eu quero que você
saiba disso. Conversamos nós dois. Você veja lá o que você acha que
ajuda e me passa que eu vejo a providência que a gente pode tomar. Eu
imagino que ele está completamente sozinho, fica ruim para a segurança
dele. JEM - O senhor é a terceira pessoa. No dia do
acontecido, ligou o Renan e o Sarney para a Maika. Mais nada. E disseram
barbaridades, chamaram a presidente de filha da puta. 15 de março de 2016
Nomear um investigado como superministro é um tapa na cara do Ministério Público Federal, que, por outro lado, tem o saco devidamente puxado com a escolha de “Eu Gênio” Aragão para o Ministério da Justiça
Por Reinaldo Azevedo
O PT está em festa. Consta que Lula decidiu “aceitar” — ah, os verbos… — um ministério do governo Dilma. Seria a Casa Civil, de Jaques Wagner, ou a Secretaria de Governo, de Ricardo Berzoini. Qualquer coisa serve. Os estão lá como prepostos mesmo. Lá do ponto de vista deles, do ponto de vista do diálogo institucional, faria mais sentido Wagner ficar porque transita em algumas áreas pode onde Lula não passa. Por outro lado, Berzoni tem mais trânsito entre sindicatos. De qualquer modo, todos pertencem à mesma “organização”, dentro ou fora do governo.
O PT decide, assim, afrontar as instituições e ponto final. Nomear um investigado como superministro é um tapa na cara do Ministério Público Federal, que, por outro lado, tem o saco devidamente puxado com a escolha de “Eu Gênio” Aragão para o Ministério da Justiça.
Confirmada a nomeação de Lula, Dilma será, mais do que nunca, figura decorativa no governo. Enquanto durar esse arranjo, ele estará exercendo o seu terceiro mandato. Como nunca, revela-se a natureza do que está em curso. O PT deu um chega-pra-lá na presidente. Isso, sim, é golpe!
O que estará pensando o PT após tamanha manifestação contra Lula, Dilma e associados, ontem, em todo o país?
POR LUIZ FELIPE PONDÉ FOLHA DE SÃO PAULO
Não temos bola de cristal, mas não é difícil ter alguma ideia do que estará passando na cabeça do PT. O PT é uma seita. Sempre foi. E o traço essencial de toda seita é o ódio. Esta seita colheu seu fanático séquito de seguidores entre grande parte da inteligência (tola?) do país, arregimentando professores, jornalistas, intelectuais, cientistas e estudantes, além, é claro, do pelotão de choque dos militantes profissionais.
Eu apostaria que o PT não está nem aí para o que aconteceu no Brasil ontem. Não que os petistas não estejam preocupados com a possível perda do PMDB na sua base, ou com o risco crescente do impeachment, ou com o sangramento e paralisia do governo. Isto é um pesadelo mesmo. Devem estar mijando nas calças. Devem acordar suando, com o gosto da comida de cadeia na boca, ou com a estranha sensação de que foram desmascarados na sua profunda vocação para o engodo.
Refiro-me a outra coisa. Há dez dias, após a condução coercitiva para o depoimento no aeroporto de Congonhas, o ex-presidente Lula fez um discurso raivoso contra todo este processo que reúne procedimentos jurídicos (Lava Jato como grande exemplo) e o nojo que seu partido parece causar na maior parte da população. Lula referiu-se a si mesmo como uma jararaca. Acho que deveríamos levar a sério sua metáfora.
O PT hoje continua sendo uma seita, mas não mais a seita da estrela da esperança (que enganou muitos e continua enganando alguns), mas a seita da jararaca. E seu veneno ainda pode ser mortal, justamente porque ele não está nem aí para a população. A essência do veneno da seita da jararaca (o PT) é justamente sua indiferença para com o Brasil e sua população comum, contrariamente ao discurso populista com o qual enfeitiçou o país por décadas.
O Partido dos Trabalhadores não tem nenhuma elegância diante da derrota. E isso nada tem a ver com a fato de que a maior parte dos petistas seja arrivista social. A deselegância é um comportamento que atravessa todas as classes sociais de forma "democrática". Mesmo se tiver que estrangular o pais, levando-nos à miséria absoluta, continuará a tentar mobilizar sua seita de seguidores da jararaca para impedir o que grande parte da população demonstrou ontem nas ruas.
A soberania popular (base da democracia), em grande parte, demonstrou ontem não mais reconhecer na presidente Dilma alguém que mereça confiança ética, política ou técnica. Além disso, a soberania popular "escolheu" Sérgio Moro em detrimento da jararaca. Mas, isso pouco importa à seita da jararaca.
Eis seu veneno, na sua forma atual. Este veneno, na sua forma clássica, foi a corrupção sistemática que montou no país e seu atraso mental em termos econômicos que pode levar o Brasil ao tempo da economia de subsistência. Há quem diga que grama que socialista pisou leva muito tempo para florescer de novo. Na sua forma atual, este veneno será sua tentativa, mesmo que a custos gigantescos para o país, de se manter no poder. E para o sofrimento do povo, ele oferecerá o sorriso sinistro da jararaca.
Viveremos dias fascinantes de agora em diante. Preparem seus corações para turbulências. As alma mais frágeis poderão ter medo, mas é em momento como esses que virtudes como coragem e disciplina são necessárias. Os covardes, provavelmente, ficarão paralisados. As jararaquinhas serão soltas pelas ruas, cuspindo seu discurso de que são vítimas das elites. Difícil imaginar que um "boy das empreiteiras" represente o grosso da população brasileira que está vendo sua vida ir pelo ralo.
Mas, vale lembrar que grande parte dessas jararaquinhas habita o pensamento público, apesar de que estão chocadas com o fato de que nem todo mundo "inteligente" teme ou pertence à seita delas. Penso mesmo, às vezes, que essas jararacas não conseguem entender que grande parte do país não as vê mais como santinhas redentoras. O PT é coisa do passado. Restará apenas as jararacas loucas correndo pelas ruas.
Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, acusou Ricardo Berzoini, ministro da coordenação política, de negociar propina em obras federais. E disse que Edinho Silva, da Comunicação Social, pediu dinheiro para a campanha de 2014 e foi informado sobre “doações” oriundas do petrolão
Por Robson Bonin Veja.com
O DELATOR - O ex-presidente da empreiteira contou que o esquema de cobrança de “comissões” começou no governo Lula (Vagner Rosario/VEJA)
Das grandes empreiteiras envolvidas no escândalo de corrupção na Petrobras, a Andrade Gutierrez foi a primeira a decidir contar seus segredos. Durante quase uma década, Otávio Azevedo presidiu o que é hoje um vasto conglomerado, expandiu seus negócios para a área de energia, saneamento, transportes e tecnologia, e passou a atuar em quatro continentes - crescimento combinado com as boas relações que sempre manteve com o poder, especialmente a partir de 2003, quando Lula chegou ao governo. Preso e acusado de pagar propina a políticos envolvidos no escândalo do petrolão, Otávio Azevedo assinou um acordo de delação premiada com a Justiça. Em troca da liberdade, comprometeu-se a contar detalhes da relação simbiótica que, por mais de uma década, transformou políticos em corruptos e empresários em corruptores. As revelações do executivo fornecem evidências que não deixam dúvidas sobre a natureza dos governos de Lula e Dilma Rousseff. Ambos tinham na corrupção um pilar de sustentação.
Em sua confissão, Otávio Azevedo contou que pagar propina por obras no governo petista era regra em qualquer setor - e não uma anomalia apenas da Petrobras. Nos depoimentos prestados pelo empreiteiro aos investigadores da Procuradoria-Geral da República são descritas transações associadas ao nome de alguns dos políticos mais influentes do país. Combinados a um calhamaço de demonstrativos bancários, minutas de contratos e registros de reuniões secretas, os relatos produzem um acervo sobre o grau de contaminação dos governos petistas. Estão envolvidos ministros, ex-ministros, ex-governadores e parlamentares de múltiplos quilates. Eles negociaram pagamentos milionários de propina com a empreiteira e, com isso, vilipendiaram o mais sagrado dos rituais em uma democracia: o processo eleitoral. A lista de Otávio Azevedo deixa em péssima luz tanto o ex-presidente Lula quanto a presidente Dilma Rousseff. Todos os comprometidos nas maquinações narradas pelo empreiteiro são figuras presentes na intimidade do ex e da atual mandatária do Planalto.
No governo Lula, segundo ele, cobrava-se propina de 1% a 5% das empreiteiras interessadas em participar dos consórcios que executavam as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O negociador do pacote de corrupção, de acordo com o empreiteiro, era Ricardo Berzoini, atual ministro da coordenação política. O executivo contou que, certa vez, a cúpula da Andrade Gutierrez foi procurada por Berzoini, que se apresentou como representante do PT para resolver pendengas financeiras. Em outras palavras, o petista era o encarregado de acertar o recebimento de "comissões" por contratos no governo. O ministro, durante bom tempo, foi responsável pela administração da "conta corrente" das obras de Angra 3 e da hidrelétrica de Belo Monte.
O setor elétrico, como a Lava-Jato já descobriu, era um dos grandes vertedores de dinheiro sujo para os cofres do PT. As empreiteiras eram achacadas em todas as fases, e por personagens distintos. Berzoini cobrava depois de assinados os contratos. Antes disso, ainda na fase de estudos, apareciam outros figurões do partido para "ajudar" nas negociações. Segundo o empreiteiro, Erenice Guerra, ex-chefe da Casa Civil de Lula e braço-direito de Dilma, e Antonio Palocci, ex-chefe da Casa Civil de Dilma e braço-direito de Lula, auxiliavam as empreiteiras na formação dos consórcios que mais tarde executariam as obras. Cobravam 1% de propina pelo serviço. Só depois disso os projetos destravavam, os preços ficavam dentro do que as empreiteiras queriam e todos, exceto os contribuintes, saíam ganhando.
Em janeiro passado, VEJA revelou que Otávio Azevedo havia sido alvo de uma abordagem nada republicana durante a campanha presidencial de 2014. O executivo contou que foi procurado pelo tesoureiro Edinho Silva, hoje ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e por Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete e atual assessor especial de Dilma. Os dois queriam dinheiro, mais dinheiro, 100 milhões a mais do que a quantia que a empreiteira havia combinado "doar" à campanha. Da negociação, sabe-se agora, surge uma evidência mais grave. Para explicar que não podia atender ao pedido, Azevedo explicou que os "acertos" da Petrobras já haviam sido repassados. O tesoureiro e o assessor disseram que isso era outra coisa. Ou seja, Edinho e Giles, ao menos naquele instante, foram informados sobre a existência de repasses oriundos do petrolão. Não se surpreenderam ou não se interessaram. Como a pressão continuou, a Andrade "doou" mais 10 milhões à campanha petista.
A roubalheira não poupou as obras dos estádios para a Copa de 2014. Em sua lista, Azevedo incluiu como beneficiários de propinas cinco ex-governadores de estados que sediaram o Mundial. Todos embolsaram "comissões" para favorecer a empreiteira na construção das arenas e na realização de outras obras relacionadas à Copa. Otávio Azevedo admite o pagamento de propina aos ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda (então no DEM) e Agnelo Queiroz (PT), responsáveis pelas obras do Estádio Nacional Mané Garrincha, um monumento ao superfaturamento que custou quase 2 bilhões de reais. Ele também disse ter pago propina a Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, a Eduardo Braga (PMDB), ex-governador do Amazonas e atual ministro de Minas e Energia, e a Omar Aziz (PSD), hoje senador. Otávio Azevedo foi transferido para prisão domiciliar após entregar a lista de seus "clientes" famosos. A empreiteira também aceitou pagar uma multa de 1 bilhão de reais.
Criticados no início da Lava-Jato, os acordos de delação foram, sem dúvida, fundamentais para o sucesso das investigações. Através deles, quebraram-se pactos de silêncio, localizaram-se contas secretas no exterior, figurões e figurinhas foram parar na cadeia. Em busca da liberdade ou da redução da pena, outros envolvidos entraram na fila para contar o que sabem. Na semana passada, advogados da Odebrecht e da OAS estiveram em Curitiba conversando com o Ministério Público sobre a possibilidade de seus clientes serem admitidos no programa. Marcelo Odebrecht está condenado a dezenove anos e quatro meses de prisão. Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, a dezesseis anos e quatro meses. Além deles, buscam o acordo o marqueteiro João Santana, que recebeu dinheiro sujo como pagamento de serviços eleitorais a campanhas do PT, o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula e envolvido até o pescoço no petrolão, e o senador petista Delcídio do Amaral.
Não será uma negociação fácil: o esquema de corrupção na Petrobras está praticamente todo desvendado. Falta apenas confirmar quem era o chefe, o mandante. Ou seja, os benefícios serão concedidos a quem ajudar os procuradores a chegar lá. Todos os investigados têm informações que podem levar ao topo da cadeia de comando. A dúvida é saber quem vai tomar a iniciativa de falar primeiro. O senador Delcídio está na frente. Preso em novembro do ano passado por atrapalhar as investigações, ele revelou que tanto Dilma quanto Lula sabiam e se beneficiaram do petrolão. O petista narrou detalhes de negócios fraudulentos realizados pelo PT na China e em Angola, também citando os ex-ministros Antonio Palocci e Erenice Guerra. Elencou, ainda, dezenas de políticos que receberam dinheiro de corrupção - incluindo, de novo, o presidente do Congresso, Renan Calheiros, e os peemedebistas Romero Jucá, Jader Barbalho e Eunício Oliveira - e até um representante da oposição, no caso, o senador tucano Aécio Neves. Por fim, acrescentou uma nova história de extorsão ao currículo do ministro Edinho Silva. O então tesoureiro de Dilma, de acordo com o senador petista, repetiu os métodos denunciados pela Andrade para arrancar dinheiro do laboratório EMS na campanha presidencial. Se tudo for verdade, faltará mesmo muito pouco para ser contado.
Juíza manda denúncia e pedido de prisão de Lula para Moro Juíza
Maria Priscilla Ernandes alegou que indícios de ocultação de patrimônio
e lavagem de dinheiro apontados pelo MP-SP têm relação direta com os
temas investigados pela Lava Jato e, por isso, passou o caso a Moro
Por Felipe Frazão e Laryssa Borges, de Brasília Veja.com
Sergio Moro durante evento realizado pela revista "The Economist" no Hotel Grand Hyatt em São Paulo (Vanessa Carvalho/Folhapress)
A Justiça de São Paulo encaminhou para as mãos do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba (PR), a denúncia e o pedido de prisão preventiva feitos pelo Ministério Público de São Paulo contra o ex-presidente Lula. A Justiça paulista decidiu que o caso do tríplex em Guarujá (SP) já era alvo da Operação Lava Jato e que os crimes investigados são de esfera federal. A decisão da 4ª Vara Criminal da Capital foi divulgada nesta segunda-feira pelo Tribunal de Justiça do Estado.
A juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira declinou da competência para atuar no processo e decidiu levantar o sigilo do caso. Em sua decisão, ela escreveu que, conforme Moro, os favores indevidos recebidos pelo ex-presidente têm relação com as empreiteiras investigadas na Lava Jato. Ela citou despacho em que o juiz federal fala em "fundada suspeita de que o ex-presidente teria recebido benefícios materiais, de forma sub-reptícia, de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, especificamente em reformas e benfeitorias de imóveis de sua propriedade".
A referência de Moro a "suspeitas de que o ex-presidente seria o real proprietário de dois imóveis em nome de pessoas interpostas", como o tríplex no Edifício Solaris, no Guarujá, e o sítio Santa Bárbara, em Atibaia, também foi destacada pela juíza como um dos motivos pelos quais o caso deve tramitar na 13ª Vara Federal de Curitiba, onde está centralizada a maior parte dos processos relacionados à Lava Jato.
"Têm-se que nos processos da Operação Lava Jato são investigadas tanto a cessão do tríplex no Guarujá ao ex-presidente e sua família, bem como as reformas em tal imóvel, (...) e ainda a mesma situação com o notório Sítio na Comarca de Atibaia, ambos no Estado de São Paulo, após minucioso trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal", afirma a juíza, que conclui que "é inegável a vinculação entre todos esses casos da Operação Lava Jato".
"O pretendido nestes autos, no que tange às acusações de prática de delitos chamados de 'lavagem de dinheiro', é trazer para o âmbito estadual algo que já é objeto de apuração e processamento pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba/PR e pelo MPF, pelo que é inegável a conexão, com interesse probatório entre ambas as demandas, havendo vínculo dos delitos por sua estreita relação", decidiu a juíza.
Supremo - O ex-presidente Lula havia recorrido diversas vezes ao Supremo Tribunal Federal (STF) alegando ser alvo de duas apurações simultâneas, do Ministério Público de São Paulo e do Ministério Público Federal, sobre os mesmos fatos. Isso, segundo a defesa do petista, seria uma afronta à lei porque, no limite, ele estaria sujeito a ser penalizado duas vezes por um mesmo fato. Mas ao contrário do que entendeu a juíza Maria Priscilla Veiga Oliveira, os advogados de Lula argumentavam que ele não deveria ser investigado na Lava Jato, e sim em São Paulo porque é lá que está localizado o imóvel que o Ministério Público estadual considera alvo de suspeitas - o tríplex no Guarujá.
Em manifestação entregue ao STF, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol defendeu a ideia de que não há conflito de competência nas investigações envolvendo o petista porque o MP em São Paulo e a força-tarefa da Lava Jato estariam lidando com casos diferentes. Os indícios, segundo Dallagnol, são de lavagem de dinheiro com participação do pecuarista José Carlos Bumlai, executivos da construtora Odebrecht e da OAS.
Ex-presidente foi conduzido de forma coercitiva a prestar depoimento aos agentes da Polícia Federal em 4 de fevereiro
CONDUZIDO - Por segurança, a força-tarefa da Lava-Jato ouviu o depoimento de Lula no Aeroporto de Congonhas (MARCOS BIZZOTTO/Estadão Conteúdo)
O
depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi liberado
nesta segunda-feira no site da Justiça Federal do Paraná. No último dia
4, quando foi deflagrada a 24ª fase da operação, o petista cumpriu
mandado de condução coercitiva para prestar esclarecimentos aos
investigadores na delegacia da Polícia Federal no aeroporto de
Congonhas. Há suspeitas de que o ex-presidente tenha recebido vantagens
indevidas das empreiteiras envolvidas no escândalo de corrupção do
petrolão, na forma de obras do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), e
do tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo.
Palestras de 200 mil dólares "Quando eu deixei a presidência todas as empresas de
palestras, que organizam palestras de Bill Clinton, Bill Gates, Kofi
Annan, Felipe Gonzales, Gordon Brown, todas as empresas mandaram e-mail,
mandaram telegrama, mandaram convite, telefonaram, que queriam me
agenciar para fazer palestra, nós então fizemos um critério de não
aceitar nenhuma empresa para me agenciar, primeiro por cuidado político,
que a gente não sabia quem eram, e segundo porque a gente queria fazer
palestras selecionadas, ou seja, que a gente pudesse falar do Brasil, eu
posso até mandar para vocês alguns discursos que eu faço, ou seja, a
gente fazia discurso primeiro mostrando o que aconteceu no Brasil em 8
anos, que era o que todo mundo queria, e depois a gente dizia qual era o
futuro do Brasil, o que o Brasil tinha de perspectiva para a frente, e
decidimos cobrar um valor, todas as minhas palestras custam exatamente
200 mil dólares, nem mais e nem menos" Lula desconversa sobre os valores que eram doados ao Instituto Lula "Nem no instituto e nem em casa eu cuido disso, em casa tem uma
mulher chamada dona Marisa que cuida e no instituto tem pessoas que cuidam." Sobre os pedalinhos do sítio de Atibaia "Certamente que a dona Marisa adoraria ver os netos dela e outras
crianças que fossem lá possivelmente passear naquilo (...) Eu fico, acho
que não é legal, eu fico constrangido de você me perguntar de pedalinho
e de me perguntar de um barco de 3 mil reais, sinceramente eu fico." Sobre se José Dirceu tinha alguma interlocução com o senhor na indicação e nomeação de diretores da Petrobras "Ele era o chefe da Casa Civil, ele cumpria com o
papel reservado a ele. As discussões com as lideranças aconteciam, com
os ministros, e chegava pra Casa Civil, mandava para o GSI pra trazer
pra mim." Soube se José Dirceu recebia vantagens indevidas relacionadas à Petrobras? "Pela imprensa (...) E sinceramente não acredito." Sobre todas as acusações levantadas pela Justiça contra ele "Eu espero que quando terminar isso aqui alguém peça desculpas. Alguém fale: 'Desculpa, pelo amor de Deus, foi um engano'"
Sistema
trabalha com uma antena ligada a um computador para emitir um sinal de
frequência que reconhece celulares que estejam com o Wi-Fi ligado.
Essa
ferramenta registra o IP do aparelho.
Não é mágica nem chute: é ciência.
Por Reinaldo Azevedo
O Movimento Brasil Livre utilizou uma tecnologia de ponta chamada SmartLok, desenvolvida e cedida gratuitamente ao grupo pela startup israelense StoreSmarts.
Ela serve para estimar a presença de público em concentrações. Trabalha com uma antena ligada a um computador para emitir um sinal de frequência que reconhece celulares que estejam com o Wi-Fi ligado. Essa ferramenta registra o IP do aparelho.
Vários computadores com antenas foram empregados para abranger toda a Avenida Paulista e ruas adjacentes. Ao mesmo tempo, militantes do MBL entrevistaram grupos de pessoas para saber a proporção dos presentes que estavam com os aparelhos.
Muito bem. Segundo esses dados, passaram pela Paulista 1,4 milhão de pessoas, numero que coincide com o da Polícia Militar.
O Movimento Brasil Livre e a própria StoreSmarts estão disponíveis para oferecer aos interessados detalhes técnicos sobre esse sistema.