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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

UTC diz ter pago R$ 2,2 milhões a afilhado de Dirceu


Segundo Ricardo Pessoa, valor foi remuneração por consultoria.

Ele também disse que repassou dinheiro em espécie a Youssef para pagar ex-amante
Daniel Haidar, de Curitiba

O ELO – Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, que cobrava 3% de propina para o PT: preso depois que a Polícia Federal descobriu que ele tinha contas secretas no exterior
(Márcia Poletto/Agência o Globo)


O presidente e sócio-majoritário da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em depoimento à Polícia Federal que pagou um total de 2,2 milhões de reais ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, indicado ao cargo pelo mensaleiro José Dirceu.
De acordo com o empresário, os valores foram pagos por serviços de consultoria mediante dois contratos entre a UTC e a D3TM, uma das empresas de Duque. Os investigadores apuram se a remuneração era uma tentativa de disfarçar o pagamento de propina pela assinatura de contratos com a Petrobras.

No interrogatório tomado pelo delegado Eduardo Mauat, o empresário também confirmou ter feito pagamentos ao doleiro Alberto Youssef. Nesse caso, a polícia suspeita que os valores eram comissões distribuídas a políticos e agentes públicos pelo doleiro. Mas o presidente da UTC alegou que nenhum dos desembolsos tinha ligação com contratos da Petrobras.

Ele disse que emprestava dinheiro ao doleiro e que contou com a ajuda dele em um problema pessoal. Segundo o empresário, Youssef ficou responsável por repassar dinheiro a uma ex-amante por quem Pessoa disse ter sido chantageado.


No depoimento, Pessoa disse que pagou cerca de 800.000 reais para a ex-amante, sem esclarecer se todo esse montante foi repassado pelo doleiro.

"Parte do dinheiro em espécie entregue a Youssef foi levado para pagar uma chantagem por parte de mulher de nome Mônica Santos com quem teve um breve relacionamento há cerca de 22 anos, a qual passou a lhe importunar a partir de meados de 2012", diz o depoimento.

A advogada Carla Domênico, que defende o presidente da UTC, afirmou que vão ser apresentados documentos à Justiça para comprovar a prestação de serviços de consultoria pelo ex-diretor da Petrobras Renato Duque e a extorsão sofrida pelo empresário. "Temos documentação de tudo. Alberto Youssef resolveu um problema pessoal do doutor Ricardo. O dinheiro entregue ao doleiro não tem nenhuma ligação com qualquer obra pública", afirmou a advogada ao site de VEJA.

'Clube do Bilhão' – No depoimento, Pessoa também negou ser o coordenador do "Clube do Bilhão", o cartel formado por empreiteiras para fraudar contratos da Petrobras. De acordo com depoimentos do lobista Júlio Camargo e do empresário Augusto Mendonça Neto, o presidente da UTC desempenhava a função de chefe de cartel.

Pessoa confirmou, entretanto, ter pago cerca de 40 milhões de reais ao lobista Júlio Camargo, representante do grupo Toyo Setal, como remuneração para "elaboração de projetos" e por tratativas da UTC com a empresa Sembawang Corporation, de Singapura. Em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, Camargo disse que repassava pagamentos de empreiteiras para políticos e executivos da Petrobras, exigidos para que as empresas assinassem contratos com a estatal.

O sócio-majoritário da UTC disse ainda que tem "contato mais próximo" com João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, que lhe solicitava recursos para o partido, mas também afirmou manter contato com "Dr. Freitas" que seria representante do PSDB.

Por intervenção do advogado Alberto Toron, Pessoa não comentou a atuação de Youssef junto ao governo do Maranhão para que a Constran, uma das empresas do grupo UTC, recebesse um pagamento milionário de um precatório, cuja dívida estava acumulada havia mais de 20 anos. Pelo precatório, a UTC recebeu cerca de 14 milhões de reais. A polícia suspeita que o doleiro pagou propina a representantes do governo maranhense para resolver o imbróglio. O advogado Toron argumentou que o assunto está sob análise do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que não seria "pertinente" tratá-lo nesta instância. O argumento foi aceito pelo delegado.
19/11/2014


Os nomes para a Fazenda: “Ô Dilma, liga pra mim; não, não liga para ele!”




Por Reinaldo Azevedo

Fico realmente tão impressionado ao saber que Dilma Rousseff se reuniu com Luiz Inácio Lula da Silva na terça à noite para definir nomes de seu futuro ministério e debater a crise da Lava Jato. Por que ela se encontrou com ele? Ele é presidente do PT? É autoridade na República? Tem ainda algum poder institucional. Por quê?

Não há resposta a não ser o Brasil patrimonialista, patriarcal e, sim, senhores!, machista, que remanesce e de que o PT é a perfeita expressão contemporânea. Nessas horas, as feministas oficiais do PT ficam de boca bem fechada, não é? Eis aí um bom momento para queimar sutiãs metafóricos. Vocês acham que um macho petista se submeteria à supervisão de uma mulher se a sequência fosse invertida, e Lula fosse o sucessor de Dilma? Uma ova! E não apenas porque, afinal, o Poderoso Chefão é ele, mas porque Lula sempre a tratou como uma café-com-leite. Vejam as vezes em que ele já a chamou, em comícios, docemente, de “a Bichinha”…

A ele falta pudor. A ela falta decoro. A ele falta simancol. A ela falta a solenidade do cargo. A ele falta senso de ridículo. A ela falta… senso de ridículo. Se o Brasil fosse uma empresa, você confiaria num presidente incapaz de escolher seus próprios subordinados? “Ah, mas o Brasil não é uma empresa…” Ainda bem, se é que me entendem!

Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil, e Rui Falcão participaram do encontro, o que ajudou a tornar tudo mais cinzento. Fico cá a pensar: Deus do céu! Nem a “Bichinha” merece esse destino. Mercadante foi aquele senhor que sugeriu que os ministros pedissem demissão coletiva quando a presidente ainda não tinha alternativas. Gênio mesmo!

A turma de Lula não dá muita bola para a presidente e vaza que Lula preferiria mesmo Henrique Meirelles, ex-presidente do BC. Mas Dilma acha que ele é “mercado demais”, entendem? Os dois concordariam com o nome de Luiz Carlos Trabuco, presidente-executivo do Bradesco, mas parece que é Trabuco quem não está disposto a virar alvo de ansiedades coletivas. Alexandre Tombini, atual presidente do BC, estaria entre as opções, o que me parece piada. Se ele não conseguiu a confiança dos agentes econômicos como presidente do BC, por que deveria assumir a Fazenda. Vai saber com quais critérios lida essa gente. Também teria entrado na lista Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro no Governo Lula e hoje presidente da Bradesco Asset Management, o braço de fundos de investimento do Bradesco. E há ainda a hipótese Nelson Barbosa, ex-secretário-geral da Fazenda.

O único com perfil para a Fazenda aí, que tem alguma intimidade com formulação de política econômica — e se é ministro da Fazenda para isso, não apenas para cuidar da política monetária —, é Barbosa. E isso nada tem a ver com a competência dos demais. Acho que o Brasil sai ganhando se Trabuco continuar no Bradesco, um banco importante. E ganhará muito menos se ele for para a Fazenda.

Dilma deveria me ouvir e parar com soluções extravagantes. Chame Murilo Portugal, atual presidente da Febraban. Ele é bom. Sabe das coisas e tem uma visão abrangente de economia. É tecnicamente capaz e tem o tal respeito dos mercados.

Presidente, liga pra mim; não, não liga pra ele!

19/11/2014

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O regime petista prometeu conduzir a Petrobras à glória. O regime petista quebrou a Petrobras. E tem de pagar por isso nos tribunais e nas urnas




Por Reinaldo Azevedo

Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu a sua promessa: “Nunca antes na história ‘destepaiz’”.

O PT cumpriu a sua promessa: “Nunca antes na história ‘destepaiz’”.

Os mistificadores cumpriram a sua promessa: “Nunca antes na história ‘destepaiz’”.

Nunca antes na história deste país, com efeito, se produziu tamanho desastre numa única estatal, com graves repercussões, ainda a serem devidamente apuradas, nas contas públicas.

Segundo cálculos preliminares do banco americano Morgan Stanley, as perdas na Petrobras, em razão da quadrilha que assaltou a empresa, podem chegar a R$ 21 bilhões. A perspectiva mais otimista, o número mais magrinho e improvável, pasmem!, é R$ 5 bilhões.

Nunca antes um outro governo foi capaz de produzir esse resultado. Nunca antes uma outra gestão chegou tão longe. Nunca antes um outro grupo foi tão ousado. Nunca antes uma outra quadrilha foi tão imodesta.

A questão é saber: tudo isso se deu sob as barbas de Lula? Tudo isso se deu nas sinuosidades robustas dos tailleurs vermelhos de Dilma Rouseff? Segundo Alberto Youssef, eles sabiam de tudo. E, se sabiam, cometeram crime de responsabilidade, além de outros crimes. E, se isso ficar comprovado, Dilma vai cair não porque será vítima de um golpe, mas porque será colhida pela lei. Golpismo seria o país continuar com uma presidente da República que permite o assalto aos cofres públicos.

A Petrobras está em palpos de aranha. Realizando ou não imediatamente o prejuízo monstruoso causado pela quadrilha, a empresa terá dificuldades de se financiar no mercado. Os empréstimos para ela serão mais caros; os investidores vão se distanciar da empresa; os pesados investimentos que lhe foram impostos pelas regras — de resto, estúpidas — de exploração do pré-sal acarretarão encargos com os quais ela não poderá arcar.

E pensar que o PT ganhou as eleições de 2002, 2006 e 2010 mentindo que os tucanos pretendiam privatizar a Petrobras. Nunca pretenderam! Mas o que fez o petismo? A privatização, ao menos, acarreta a entrada de dinheiro nos cofres do Tesouro. Privatizar uma estatal significa trocar um ativo por dinheiro. O que aconteceu com a maior empresa brasileira foi, de fato, algo diferente: um pedaço do seu patrimônio lhe foi roubado, lhe foi arrancado, lhe foi amputado em benefício de vagabundos, de pilantras, de bandidos.

E há, reitero, um enigma nessa história toda: quem é Pedro Barusco, o engenheirozinho de meia-tigela que aceita devolver R$ 252 milhões aos cofres públicos — ou US$ 97 milhões? Como é que um mero estafeta de Renato Duque, o petista que era o chefão da Diretoria de Serviços, tinha todo esse dinheiro disponível em contas secretas, pronto para ser movimentado? Por que não o pulverizou como costumam fazer os bandidos comuns? Por que não o transformou em patrimônio? Por que não pôs em nome de terceiros?

Eu me dou o direito de desconfiar: será que esse dinheiro era mesmo seu? Não estaria este senhor a serviço da máquina verdadeiramente criminosa que se esconde por trás da roubalheira na Petrobras? Não seria ele mero laranja de uma organização muito maior e muito mais poderosa?

Sim, uma penca de crimes comuns e financeiros foi cometida no assalto organizado à Petrobras. Mas o maior de todos os crimes foi mesmo o político.

O regime petista prometeu conduzir a Petrobras à glória. O regime petista quebrou a Petrobras. E tem de pagar por isso nos tribunais e nas urnas.


19/11/2014


Oliver: ‘O bosque’


O cheiro pútrido invade as narinas da nação e nem assim se faz justiça. Escândalo mesmo é isso.
Augusto Nunes
VLADY OLIVER


Com cheiro de bosque, cor de bosque, cara de bosque, consistência de bosque. E a justiça que fingiu que não viu a quadrilha aboletada no poder é obrigada agora a engolir um mar de lama se aproximando inexoravelmente da coisona pública toda.

Não sei se vou adquirir essa fleugma segura de quem conhece estes escaninhos políticos – como o mestre Augusto Nunes – ou nunca passarei de um tremendo indignado com tudo o que vejo desfilar em minha frente. A coisa está irremediavelmente podre. Tem cheiro de coisa podre e atributos de coisa podre, mas sua essência nauseabunda nem sempre é corretamente identificada pelos narizes incautos desta república de bananas da terra.


Enquanto saudamos a primeira vez que alguns tubarões entram no cercadinho da Polícia Federal, também sabemos que a lista de “otoridades” envolvidas na roubalheira ainda é um solene segredo, correto? Vi minha sobrinha tentar enganar o próprio pai estes dias, tentando convencê-lo de que o mundialmente famoso discurso do “cachorro atrás de cada criancinha brazuca” nada mais é que um efeito especial parido pelo golpistas da revista VEJA, aquela que é queimada em salas de aula de universidades públicas que são verdadeiras privadas ideológicas.

Que tempos estes, não?

Você apresenta as provas do crime, o criminoso confessa sua participação, negocia um abrandamento da pena, denuncia o esquema criminoso e nada disso é avassalador o suficiente para a desgraça fossa admitir que é uma anta disfarçada de caveira.


Eu duvido de muita coisa por aqui, menos da ousadia desmesurada dessa gente tosca. Tudo leva a crer que a quadrilha no poder se move como quadrilha, se defende como quadrilha, se junta como quadrilha e nem assim o STF consegue ver sua verdadeira natureza. Tungar a sociedade agora é uma questão de honra avessa dessa gente manca. Mentir, dissimular e negar até o fim dos seus propósitos pilantras será a palavra de ordem, repetida como um mantra, dessa camarilha financiada com o nosso lombo combalido. Acho que vamos precisar de algo mais que simples burocracia tupi-guaraná para apear essa gente do dorso dos pagantes, meus caros.

Por este prisma, o impeachment é sim de uma urgência urgentíssima, clamando para que a classe política finalmente tome vergonha na cara parva e comece a fazer a vontade soberana do povo que paga a conta.

O país parou. Estacionou fragorosamente sua embarcação à deriva para exigir ser tratado com um pingo de respeito por toda essa laia, que finge não ver as manifestações país afora, aceita passivamente o resultado de uma eleição fraudada por todos os lados e permite que milícias vagabundas sejam financiadas com o NOSSO DINHEIRO PÚBLICO para ficarem diuturna e noturnamente achincalhando, constrangendo e ameaçando pobres pagadores dos impostos mais vergonhosos do planeta.


Não sei até quando a corda não rói os pescoços, meus caros, mas os olhos fora das órbitas de Khadafi, que tudo vêem, já estão vendo a pororoca assoreando as margens da decência. Há um plano por trás de tudo isso. Uma tal de Pátria Grande, que é o sonho de consumo e sadismo de dez em cada dez candidatos a ditadores picaretas dessa América prostrada na latrina.

A seita vagabunda se move pela causa. Sabe que os “meninos do Brasil” não são mais peça de ficção, mas a gangue da qual a camorra deve sua eleição este ano ameaçador. Ninguém foi atrás da Smartmatic até o momento. Ninguém quis saber o que fazia por aqui aquele “ministro da agitação” bolivariano e sua babá de garrucha na lancheira. Ninguém foi perguntar para os pobres nordestinos sob que pressões tiveram que votar na Máfia da petralharia.


E depois querem me fazer acreditar nessa oposiçãozinha bamba, nos jornalistas cheios de moscas cobrindo as manifestações para ninguém ver e nos nobres togados que não enxergam uma quadrilha onde já há um exército. É nesse caldo que o bosque prolifera, meus caros. O cheiro pútrido invade as narinas da nação e nem assim se faz justiça. Escândalo mesmo é isso.


19/11/2014


O potencial explosivo de Fernando Baiano, que se entregou à polícia



Por Reinaldo Azevedo


Mario de Oliveira Filho, advogado do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, parece ter mudado de ideia. Ele havia dito que seu cliente não se entregaria de jeito nenhum. Acusava ilegalidade na prisão e dizia esperar o resultado de um pedido de habeas corpus. Inútil. Fernando Baiano, acusado de ser o homem do PMDB na negociação com as empreiteiras, se entregou nesta terça. Parece ser o caminho mais prudente. Multiplicam-se as delações premiadas, e empreiteiras já buscam a Controladoria-Geral da União para acordos de leniência.


Fernando Baiano é apontado por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef como o negociador do PMDB. Ele é que receberia a propina destinada ao partido, repassando depois os valores a quadros da legenda. Duas outras personagens que fizeram acordos de delação premiada o comprometem com o esquema. Segundo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Júlio Camargo, da Toyo Setal, Baiano recebeu US$ 40 milhões da empresa para facilitar o fechamento de contratos com a Petrobras.

O advogado de Baiano se mostrava inconformado com a decretação de prisão. Referindo-se a seu cliente, afirmou: “Ele vinha colaborando, estava intimado, se apresentou espontaneamente duas vezes por petição, forneceu o endereço, aceitou intimação por telefone, o que não existe, abriu mão da carta precatória para ser ouvido no Rio de Janeiro, marcou audiência para amanhã e mandaram prendê-lo. Não tem sentido”, afirmou.

Michel Temer, vice-presidente da República, já negou que o lobista tenha qualquer relação com o seu partido: “Repudio essas insinuações. Repudio a tentativa de envolver o PMDB nesse caso. O senhor Fernando Soares não é interlocutor do PMDB. Nós queremos uma apuração rigorosíssima dos fatos ‘duela a quem duela’”, disse há uma semana, repetindo expressão empregada pelo então presidente Fernando Collor, em 1992, pouco antes de ter de deixar a Presidência.

Vamos ver agora o que Fernando Baiano conta à polícia. O potencial é explosivo. Afinal, o PMDB é apenas o segundo maior partido da aliança que está no poder. O primeiro é o PT, enrolado nessa tramoia até o pescoço.



18/11/2014


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Oposição cobra explicação de Graça Foster por mentir à CPI da Petrobras


A presidente da Petrobras, Graça Foster, durante audiência conjunta no Senado em Brasília, para prestar esclarecimentos sobre denúncias envolvendo a estatal
(Fernando Bizerra Jr/EFE/VEJA)


Maquiavel
VEJA

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) quer que a CPI da Petrobras interpele judicialmente a presidente da estatal, Graça Foster, por ter omitido dos parlamentares uma informação crucial que já possuía, no mínimo, desde maio: a holandesa SBM Offshore pagou propina a funcionários da estatal.

Graça Foster fez a confissão publicamente nesta segunda-feira. Em 11 de junho deste ano, a companhia estava tão ciente do caso que já havia eliminado a SBM Offshore das licitações dos campos de Libra e Tartaruga Verde, segundo admitiu a própria Graça Foster.

Mas, quando depôs naquela data à CPI, a presidente da Petrobras se apegou a uma notícia velha para esconder a revelação.

"A Comissão de Apuração Interna não identificou, na sua esfera de atuação, dentro das atribuições que tinha e que tem, pagamento de qualquer vantagem a qualquer um dos nossos empregados", afirmou.

Lorenzoni protesta: "Isso é muito grave, porque ela mentiu na condição de testemunha em uma CPI. No que mais a senhora Graça Foster mente?"

(Gabriel Castro, de Brasília)

"A Petrobras virou bodega", diz Reinaldo Azevedo



Acusado de receber ‘comissões’, Cosenza autorizou contratos de R$ 2,6 bi com empresas do cartel





Atual diretor de Abastecimento foi acusado por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef de receber dinheiro de empresas contratadas pela Petrobras

Por Eduardo Bresciani
O Globo


BRASÍLIA - Acusado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef de ter recebido "comissões" de empreiteiras contratadas pela estatal, o atual diretor de Abastecimento José Carlos Cosenza autorizou a assinatura de pelo menos sete contratos de R$ 2,6 bilhões com empresas citadas na Operação Lava-Jato como integrantes do cartel de fornecedores da companhia, chamado de "clube". Em nota, Cosenza nega o recebimento de comissões e diz que os contratos foram aprovados pela diretoria executiva da Petrobras.

Documento enviado pelo próprio diretor à CPI mista da Petrobras revela a assinatura dos contratos, que são para obras na refinaria Abreu e Lima, a Rnest, e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Cosenza foi indicado pela presidente da Petrobras, Graça Foster, para ser o responsável pela comissão interna criada para apurar suspeitas de irregularidades nestes dois empreendimentos.

Segundo a Petrobras, os serviços medidos e pagos representam cerca de 40% desses contratos. A empresa ressaltou que todos eles tiveram a aprovação da diretoria executiva.

O maior deles foi celebrado em maio de 2013 com a Toyo Setal no valor de R$ 1,1 bilhão para o fornecimento de bens e serviços relativos às unidades de geração de hidrogênio no Comperj. Foram representantes desta empresa, Julio Gerin Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça, que contaram em suas delações premiadas como funcionava o esquema. Eles disseram que a regra era o pagamento de 3% de propina nos contratos das empresas do “clube”, como o cartel era chamado.

Há na lista enviada pelo diretor contratos com a Queiroz Galvão, Galvão Engenharia e OAS, que têm executivos presos em Curitiba. Constam ainda da lista a GDK e o Consórcio Conest, liderado pela Odebrecht, empresas também citadas em delações premiadas como participantes do cartel. O último desses contratos autorizados pelo atual direto foi firmado em fevereiro deste ano, antes da deflagração da primeira fase da Operação Lava-Jato e da prisão de Costa, fatos ocorridos em março.

A acusação feita pelos delatores Costa e Youssef contra o atual diretor de Abastecimento foi revelada em perguntas feitas pelos delegados da Polícia Federal Agnaldo Mendonça Alves e Felipe Eduardo Hideo Hayashi no interrogatório de nove executivos de empreiteiras presos.

“Paulo Roberto e Alberto Youssef mencionaram o pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras para si, para os diretores Duque, Cerveró e Cosenza e para agentes políticos, confirma?”, indagaram os delegados.

A pergunta foi feita pela primeira vez no último sábado a Othon Zanoide de Moraes Filho, da Queiroz Galvão. O executivo disse desconhecer o pagamento de comissões. Othon afirmou conhecer Cosenza da época em que o hoje diretor trabalhava como subordinado de Costa em uma das gerências na área de Abastecimento. O executivo afirmou que Cosenza participou de “quase todas” as reuniões que teve com Costa. Perguntado se algum diretor exigiu dele pagamento de propina, Othon negou.

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O ex-presidente da Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho disse que esteve com Cosenza apenas uma vez, quando ele já era diretor, para “tratar de assuntos referentes aos contratos em andamento”. Negou ter pago propina ou comissão. O executivo da Engevix Newton Prado Júnior disse conhecer Cosenza apenas “de vista” e não saber de qualquer repasse. Carlos Eduardo Strauch Albero, também da Engevix, respondeu apenas que não conhecia o diretor. Cinco executivos da OAS se negaram a responder às perguntas da PF.

Cosenza, que substituiu Costa na diretoria em abril de 2012, rebateu a acusação por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa da Petrobras. “O diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, nega e repudia, veementemente, qualquer imputação que lhe seja feita de recebimento de ‘comissões’ ou favorecimento de quaisquer empresas ou pessoas”, disse a assessoria. Ainda segundo a nota, Cosenza afirmou desconhecer Youssef e que “todo contato mantido com representantes de empresas visam, estritamente, o acompanhamento dos empreendimentos contratados”.

A defesa do ex-diretor de Serviços de Engenharia da Petrobras Renato Duque, que está preso em Curitiba, disse que “as notícias sobre ilícitos cometidos na Petrobras envolvendo o engenheiro são decorrentes de falsas delações premiadas e, até o momento, sem nenhuma prova”. O advogado Edson Ribeiro, que defende o ex-diretor da área internacional Nestor Cerveró destacou que ele deixou a diretoria em 2008 e que as contratações das obras da refinaria de Abreu e Lima, principal foco da operação, aconteceram depois disso. Disse que seu cliente desconhece Youssef e questionou “delações premiadas feitas por pessoas que estão presas e com a família ameaçada”.


18/11/2014


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Graça admite só agora escândalo que VEJA revelou em fevereiro e que ela própria negou em março. Vá pra casa, minha senhora!



Graça, ouça um bom conselho, eu lhe dou de graça, como dizia Chico Buarque: vá para casa, peça demissão, facilite a vida da presidente.

Seu tempo acabou.



Por Reinaldo Azevedo

É… Quando Dilma Rousseff vai demitir Graça Foster? Ou quando Graça Foster vai se demitir? Quando essa gente vai ter um pouco de bom senso? Por que escrevo essas coisas?

Em fevereiro, a VEJA denunciou que a empresa holandesa SBM havia pagado propina para funcionários e intermediários da Petrobras. A revista, claro!, apanhou da canalhada. No fim de março, Graça anunciou com solenidade que a empresa havia feito uma investigação interna e não havia encontrado nada de errado.

Na semana passada, o Ministério Público da Holanda aplicou uma multa de US$ 240 milhões à SBM por propinas pagas mundo afora, inclusive… no Brasil, em negócios com a Petrobras!

E eis que acontecem, então, milagres. O ministro Jorge Hage, da Corregedoria-Geral da União, revela que há, sim, uma investigação em curso. É mesmo? E, mais surpreendente, Graça Foster revela hoje que a Petrobras, de fato, tinha conhecimento do pagamento de propina desde meados do ano.

É? Alguém foi punido? Algum funcionário foi preventivamente afastado? Providências foram tomadas? É razoável que a confirmação oficial da roubalheira parta do Ministério Público da Holanda? Disse:
“Passadas algumas semanas, alguns meses [da investigação interna da Petrobras], eu fui informada de que havia, sim, pagamentos de propina para empregado ou ex-empregado de Petrobras. Imediatamente, e imediatamente é “imediatamente”, é que informamos a SBM de que ela não participaria de licitação conosco enquanto não fosse identificada a origem, o nome de pessoas que estão se deixando subornar na Petrobras. E é isso que aconteceu, tivemos uma licitação recente, para plataformas nos campos de Libra e Tartaruga Verde, e a SBM não participou.”

É pouco e errado, minha senhora! Quem estava informado sobre tudo isso? A Petrobras não é patrimônio seu, mas do povo brasileiro.

Esta senhora falou ainda outra coisa estranha. Disse não haver nenhuma “informação avassaladora” que justifique rompimento de contrato com empreiteiras. Epa! Eu também me oponho a que se paralisem todas as obras ou a que se rompam todos os contratos. Mas daí a dizer que não existem “informações avassaladoras” vai uma distância imensa.

Graça não considera “avassalador” que um mero estafeta do PT, como Pedro Barusco, aceite devolver R$ 252 milhões? Ela não considera “avassalador” que uma única empresa, a Toyo Setal, confesse ter pagado pelo menos R$ 154 milhões a dois diretores?

Graça, ouça um bom conselho, eu lhe dou de graça, como dizia Chico Buarque: vá para casa, peça demissão, facilite a vida da presidente. Seu tempo acabou.

17/11/2014


O cheiro sempre foi de podridão




 Ninguém mais nega o cometimento de crimes.

Apenas confia na incapacidade de produção de provas, na lentidão da Justiça.

Por Ricardo Noblat

O olfato talvez seja o menos exigente dos sentidos. Se exposto por tempo suficiente, parece adaptar-se a qualquer cheiro. Bom ou ruim. Embora capaz de captar qualquer odor, ele se adapta e ignora aqueles que lhe trazem desprazer. Ignorar cheiros, muitas vezes resulta em benefícios e conforto.

Por outro lado, talvez tenha sido esta tolerância com os odores emanados do apodrecimento que tenha contribuído para alguns dos maiores problemas contemporâneos. Cheiro, ruim, afinal, é e sempre foi, indicador de que algo precisa ser feito.

Muito antes de o conhecimento do código penal ser pré-requisito indispensável à leitura dos jornais, a coisa já não cheirava bem. O nariz fez seu trabalho e captou a podridão no tempo e na intensidade certa.

Faltou o cérebro dar a devida atenção aos sinais, obscurecidos que foram pelo desinteresse, a desesperança ou a negligencia. O cheiro sempre foi de podridão. A escolha coletiva foi ignorá-lo. E, ao ignorá-lo, de alguma maneira, contribuir para a aceleração da putrefação.

Faz tempo que inocência e ausência de culpa se divorciaram. Faz tempo que a noção de certo e errado perdeu a relevância. Faz tempo que as conversas, noticias, comentários, artigos giram em torno de entediantes questões técnicas sobre a existência ou não de provas.

Ninguém mais nega o cometimento de crimes. Apenas confia na incapacidade de produção de provas, na lentidão da justiça, ou na simples ausência de interesse do distinto publico.

Já vai longe o tempo em que, pelo menos para consumo externo, o discurso (ao menos) defendia a retidão. A aparência não engana mais. E, para horror de todos, não é mais importante que engane. O olfato, afinal, aceita tudo.

A realidade, entretanto, é dura. Ignorar problemas não é sinônimo de condena-los a inexistência. Tolerar os odores que emanavam da podridão foi um equivoco. Grande equivoco. Que custa caro e cujo tamanho da conta ainda é incerto.

Resta agora um modelo podre. Resto putrefato de ilusões passadas. Carcomido pela tolerância com o erro. Gangrenado pela ausência de valores.

Felizmente, os outros sentidos são menos tolerantes. A visão ainda pode reconhecer os responsáveis. O erros, de tão grandes, de tão evidentes, são palpáveis, concretos, impossíveis de ignorar. Os ouvidos ainda podem captar as vozes, roucas mas gritando, em protesto ao que se vê, se vive, e se comete.

E tudo deixa, de maneira quase permanente, um gosto amargo na boca que todos temos que tragar na esperança de que, um dia, o sabor o futuro reserve uma realidade mais doce.
 
17/11/2014

Costa e Youssef dizem que atual diretor de Abastecimento da Petrobras recebeu ‘comissões’


Acusação foi revelada em questionamento feito por delegado da PF em depoimento de três executivos presos na sexta-feira

Por Eduardo Bresciani

O Globo


Diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, (o 2º da esq. p/ a dir.) participou da conferência para divulgação de dados operacionais da Petrobras ao lado da presidente da estatal Graça Foster
Alexandre Cassiano / Agência O Globo


BRASÍLIA - O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef afirmaram que o atual diretor de Abastecimento da Petrobras José Carlos Cosenza recebeu “comissões” de empreiteiras contratadas pela estatal. Cosenza substituiu Costa na diretoria e participou nesta quarta-feira, ao lado da presidente da Petrobras, Graça Foster, da conferência de divulgação de dados operacionais do terceiro trimestre de 2014.

A acusação foi revelada em um questionamento feito pelo delegado da Polícia Federal, Agnaldo Mendonça Alves, no interrogatório de três executivos presos na sexta-feira passada.

“Paulo Roberto e Alberto Youssef mencionaram o pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras para si, para os diretores Duque, Cerveró e Cosenza e para agentes políticos, confirma?”, questionou o delegado em depoimento realizado no sábado.

A pergunta foi feita a Othon Zanoide de Moraes Filho, da Queiroz Galvão. Ele disse desconhecer o pagamento de comissões e que nunca teve conversa com ambos neste sentido. Sobre o atual diretor, o executivo da Queiroz Galvão disse conhecê-lo da época em que Cosenza trabalhava como subordinado de Costa. Afirmou que Cosenza participava de “quase todos” os encontros que teve com o ex-diretor. Perguntado se algum diretor da Petrobras exigiu dele qualquer pagamento de propina, respondeu de forma negativa.

O GLOBO procurou a assessoria de imprensa da Petrobras e aguarda resposta.

Citado no questionamento feito pelo delegado, Nestor Cerveró foi diretor da área internacional da Petrobras. Seu advogado, Edson Ribeiro, nega qualquer irregularidade. Destaca que ele deixou a diretoria em 2008 e que as contratações das obras da refinaria de Abreu e Lima, principal foco da operação, aconteceram depois disso. Afirmou que seu cliente desconhece Youssef. Manifestou ainda “reservas” com delações premiadas feitas por pessoas que estão presas e com a família ameaçada, que seriam os casos de Costa e Youssef.

17/11/2014

Superfaturamento na Petrobras pode chegar a R$ 3 bilhões, diz TCU




Valor é de obras investigadas pelo Tribunal de Contas da União.

Mais da metade desse superfaturamento estimado se deve a Pasadena.


Fábio Amato Do G1, em Brasília

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, disse nesta terça-feira (11) que pode chegar a R$ 3 bilhões o superfaturamento em obras da Petrobras investigadas por auditorias da corte. Mais da metade desse valor se refere a irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, que segundo investigação do tribunal levou a prejuízo estimado em US$ 792 milhões.

“Já temos comprovado [o superfaturamento na compra] de Pasadena. E (com) os indícios de outras obras é que chega próximo de R$ 3 bilhões”, disse Nardes após almoço com jornalistas na sede do TCU, em Brasília.

Ele apontou, porém, que os processos envolvendo essas “outras obras”, entre elas as executadas nas refinarias de Abreu e Lima, em Pernambuco, e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), ainda não foram concluídos e, por isso, os valores podem mudar até o julgamento pelos ministros da corte.

Investigações
Além do TCU, a compra da refinaria de Pasadena é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), por suspeita de superfaturamento. O negócio também é investigado por duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) no Congresso.

A aquisição de 50% da refinaria, por US$ 360 milhões, foi aprovada pelo conselho da estatal em fevereiro de 2006. O valor é superior ao pago um ano antes pela belga Astra Oil pela refinaria inteira.

Depois, a Petrobras foi obrigada a comprar 100% da unidade, antes compartilhada com a empresa belga. Ao final, aponta o TCU, o negócio custou à Petrobras US$ 1,2 bilhão.

Em julho passado, em decisão preliminar, o TCU determinou o bloqueio dos bens de 11 atuais e ex-diretores da estatal, entre eles o ex-presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, conforme pedido pelo ministro José Jorge. No relatório, ele não apontou entre os possíveis responsáveis a presidente Dilma Rousseff, presidente do conselho de administração da Petrobras na época da compra de Pasadena.

No total, o documento cita 11 executivos. Entre eles, nomes ligados a setores financeiro e jurídico e representantes da Petrobras América, subsidiária da estatal nos EUA. Depois, Jorge reformou o seu relatório para incluir o nome da atual presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, entre os que deveriam ter os bens bloqueados. A análise disso, porém, está parada por pedido de vista.

Abreu e Lima
Nos R$ 3 bilhões de superfaturamento apontados por Nardes também estão incluídos R$ 243 milhões que uma auditoria do TCU encontrou nas obras da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Esse prejuízo, apurado de forma preliminar, foi provocado por supostas irregularidades em reajustes de contratos com empresas que realizam os trabalhos.

Por conta dessa descoberta, em setembro o plenário do tribunal aprovou medida cautelar para reter parte dos pagamentos futuros que a Petrobras fará por essas obras, no valor de R$ 125 milhões. Determinou ainda que a estatal, e as suas contratadas, sejam ouvidas sobre as suspeitas.

De acordo com o relator do processo, ministro José Jorge, a auditoria analisou 52 contratos de obras em cinco refinarias da estatal. Em quatro contratos foram encontradas irregularidades, todos eles referentes a Abreu e Lima.

As irregularidades, diz o TCU, estão nos pesos considerados pela Petrobras para os itens mão-de-obra, materiais e equipamentos, nos reajustes dos valores desses quatro contratos. Para os técnicos do tribunal, os pesos eram maiores do que os registrados em outros contratos da estatal e não captavam a variação real do custo de produção.

Se os índices de reajuste considerados irregulares fossem mantidos, estimam os técnicos, até o fim das obras em Abreu e Lima, previsto para maio de 2015, outros R$ 125 milhões seriam pagos de maneira indevida às empreiteiras. Por isso, o tribunal decidiu reter este valor.

11/11/2014

Executivo da Galvão Engenharia presta depoimento à PF, em Curitiba


Contrariando expectativa de silêncio, Erton Medeiros Fonseca fala sobre fraude na Petrobras

Advogados sobem escadarias da PF para acompanhar depoimentos
Foto: Carlos Rollsing / Agencia RBS



Na superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, no Paraná, começou a prestar depoimento pouco depois das 11h da manhã desta segunda-feira o executivo Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia.

O depoimento dele será tomado na sala 213 da sede da PF curitibana. Em meio a informações de que alguns dos 23 presos na Operação Lava-Jato estariam optando pelo silêncio, o advogado de Erton, Pedro Henrique Xavier, assegurou que o seu cliente prestará esclarecimentos aos delegados.

— Ele não ficará calado — disse.

Deflagrada na sexta-feira, a sétima etapa da Operação Lava-Jato prendeu 23 pessoas suspeitas de envolvimento com um suposto cartel que definia vencedores de licitações, superfaturamento de preços e distribuição de propina na Petrobras, tendo como beneficiários partidos como PT, PMDB e PP. Em maioria, os detidos são executivos de oito das maiores empreiteiras do Brasil.

Pouco depois das 11h desta segunda-feira, chegou à superintendência da PF o almoço dos detidos. No total, 27 marmitas foram entregues.
17.11.2014

domingo, 16 de novembro de 2014

Lobista do PMDB não vai se entregar, afirma defesa


Fernando Baiano é suspeito de atuar como lobista e operador do PMDB no esquema de corrupção e pagamento de propinas na Petrobras
Veja.com
(Com Estadão Conteúdo)


Presos na operação Lava-Jato deixam a sede da Policia Federal com destino ao IML da cidade de Curitiba para fazer o exame de corpo de delito
Avener Prado/Folhapress

O empresário Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano - procurado pela Polícia Federal por suspeita de atuar como lobista e operador do PMDB no esquema de corrupção e pagamento de propinas na Petrobras - não pretende se entregar às autoridades da Operação Lava Jato.

Segundo o criminalista Mário de Oliveira Filho, que defende Fernando Baiano, a estratégia é ingressar com pedido de habeas corpus perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para tentar derrubar o decreto de prisão expedido pela Justiça Federal em Curitiba, base da Operação Juízo Final, sétima fase da Lava Jato.

Fernando Baiano está sob suspeita da PF porque teria distribuído propinas a agentes públicos e valores para partidos políticos sobre porcentuais de contratos bilionários da estatal petrolífera. O PMDB teria o controle da Área de Internacional da Petrobras. A prisão de Fernando Baiano em regime temporário foi ordenada dia 10. A PF vasculhou o endereço do empresário, no Rio, e apreendeu documentos e computadores. A PF lançou o nome de Fernando Baiano na difusão vermelha, índex dos mais procurados do planeta, segundo registros da Interpol - a Polícia Internacional que mantém conexões com quase 200 países."Minha orientação é para (Fernando Baiano) não se entregar, vamos tentar o habeas corpus", declarou Oliveira Filho.

O criminalista está hoje em Curitiba e sua meta é apresentar três habeas corpus simultaneamente ­- um em favor de Fernando Baiano, outro em favor do presidente da Iesa Óleo e Gás, Valdir Lima Carreiro, e outro em favor de um diretor da empresa, Otto Sparenberg. Estes dois, Carreiro e Sparenberg, estão presos. Fernando Baiano está foragido.

Os pedidos de habeas corpus são subscritos pelos advogados Oliveira Filho, Edson Silvestrin e Manoel César Lopes. Os pedidos serão apresentados ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4). Oliveira Filho reafirma que não vai entregar Fernando Baiano. "A prisão do sr. Fernando é absolutamente desnecessária", protesta Oliveira Filho. "Em duas oportunidades anteriores ele se ofereceu espontaneamente para prestar quaisquer esclarecimentos. Aceitou até receber intimação pelo telefone."

Oliveira Filho destacou que Fernando Baiano já estava com depoimento marcado para a próxima terça feira em Curitiba, base da Operação Lava Jato. "Por isso não havia a menor necessidade de sua prisão. Na terça feira ele iria se apresentar para depor."




Delatores falam em propina de R$ 200 mi a PT e PMDB



Operadores dos dois principais partidos do governo teriam recebido ao menos R$ 200 milhões em propinas na Petrobras para viabilizar contratos com empreiteiras.

Renato Duque

Fábio Fabrini e Andreza Matais
 O Estado de S. Paulo


Conforme delatores do esquema de corrupção na estatal, os pagamentos foram feitos ao ex-diretor de Serviços Renato Duque, apontado como integrante do esquema do PT que teria como operador o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, e a Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado pela Polícia Federal como lobista do PMDB, que indicou Nestor Cerveró para a diretoria da Petrobras.

Detalhes sobre o pagamento de suborno, que seria uma pre-condição para obter obras na companhia petrolífera, foram revelados aos investigadores da Operação Lava Jato pelos executivos Júlio Camargo e Augusto Ribeiro, da Toyo Setal, em troca de eventual redução de pena.

Nos depoimentos, eles revelam os valores e as empresas usadas para o repasse do dinheiro aos dois investigados.

O relato do delator deu base à sétima fase da Lava Jato, batizada de "Juízo Final", deflagrada sexta-feira, quando a cúpula das maiores empreiteiras do País e o ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras Renato Duque, indicado pelo PT, foram presos.

Fernando Baiano está foragido e teve o nome incluído na lista de procurados da Interpol.

Conforme as investigações, os fornecedores da Petrobras pagavam aos supostos operadores até 3% de propina para conseguir contratos superfaturados, mediante fraude a licitações. Parte desses recursos seria repassada aos partidos da base aliada do governo.

Segundo os depoimentos, Fernando Baiano recebeu ao menos US$ 40 milhões (R$ 104 milhões) para viabilizar o fornecimento de sondas de perfuração. A negociação foi feita com a Diretoria Internacional da Petrobras, sob o comando do ex-diretor Nestor Cerveró. O lobista teria influência na área.

Outros R$ 95 milhões teriam sido pagos a Duque e um de seus subordinados na estatal, o então gerente Pedro Barusco, para que "arranjassem" contratos para construtoras em ao menos cinco grandes obras.

Segundo as investigações, as propinas eram pagas pelas empresas Treviso, Auguri e Piemonte, de Júlio Camargo, contratadas pelas empreiteiras como intermediárias junto à Petrobras. Parte da comissão recebida por elas era transferida a Duque e Soares, conforme os depoimentos feitos na delação.

À força-tarefa encarregada das investigações, Camargo disse que o grosso dos pagamentos a Duque foi feito no exterior, em contas indicadas por ele. Uma delas estava em nome da offshore Drenos, mantida no Banco Cramer, na Suíça. Segundo o executivo, também foi pago suborno em espécie, no Brasil, por meio de empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef, responsável por lavar dinheiro do esquema.

Autoridades suíças já informaram ao Brasil a apreensão de US$ 20 milhões em nome de Barusco.

Para direcionar à Camargo Corrêa uma obra de R$ 1 bilhão na refinaria paulista de Henrique Lage (Repav), Camargo diz ter pago R$ 6 milhões para Duque e Barusco, a maior parte no exterior. Segundo ele, Eduardo Leite, vice-presidente da empreiteira, sabia dos repasses ilegais.

Na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, o delator contou ter azeitado a contratação do Consórcio Interpar, formado pelas empresas SOG, Mendes Júnior e Skaska. "Houve solicitação de pagamento de vantagem indevida por Duque e Barusco do valor aproximado de R$ 12 milhões", declarou.

Na refinaria paranaense, Augusto Ribeiro disse que os valores pagos a Duque e Barusco pelo cartel de empreiteiras, chamado por ele de "clube", foi de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões entre 2008 e 2011.

Segundo os executivos houve pagamento de propinas para a construção de gasodutos pela Toyo (Cabiúnas) e pela Camargo Correa (Urucu-Manaus). Nesses casos, a soma dos repasses seria de R$ 5 milhões.

A defesa de Renato Duque informou, por sua assessoria de imprensa, que as notícias sobre ilícitos cometidos na estatal, envolvendo o engenheiro, "são decorrentes de falsas delações premiadas e, até o momento, sem nenhuma prova".

Barusco não foi localizado.

O criminalista Mário de Oliveira Filho, que defende Fernando Baiano, repudia com veemência as suspeitas sobre seu cliente. "O sr. Fernando é representante no Brasil de duas empresas da Espanha, não é lobista, nunca foi operador do PMDB e não fez atos ilícitos."
15/11/2014