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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Impactantes fotos: Brasil vivencia la mayor protesta de los últimos 20 años


Casi dos semanas después del inicio las mayores protestas en 20 años, los líderes políticos brasileños parecen estar por fin reaccionando y comenzaron a responder a las demandas populares de cambios.
Foto: Reuters / Hugo Cordeiro

(Brasilia, Belo Horizonte, 26 de junio – Reuters).- Decenas de miles de personas salieron el miércoles a las calles de Brasil en nuevas manifestantes para exigir el fin de la corrupción y mejores servicios públicos, justo un día después de que el Congreso cediera ante algunas demandas clave de las extendidas protestas.

En Belo Horizonte, cerca de 40.000 personas se congregaron para pedir mejorías en los sistemas de educación y de salud, en momentos en que el estadio Mineirao de la tercera ciudad del país era sede del triunfo de Brasil 2-1 sobre Uruguay por las semifinales de la Copa Confederaciones de fútbol, un evento previo a la Copa del Mundo 2014.

Jóvenes encapuchados lanzaron piedras a la policía, que usó gas lacrimógeno para detener a los manifestantes a unos tres kilómetros del estadio.

Un cartel que colgaba de un puente decía “FIFA vuelve a casa”, en referencia a la federación que gobierna el fútbol internacional. El presidente de la FIFA, el suizo Joseph Blatter, estuvo en el partido, que no se vio interrumpido por las protestas.

Autoridades locales dijeron que un joven de 21 años resultó herido de gravedad.

En Brasilia, manifestantes patearon balones de fútbol hacia el cordón policial en dirección al Congreso en una protesta pacífica contra los miles de millones de dólares que Brasil ha invertido en construir nuevos estadios para los torneos globales.

Los manifestantes dicen que los fondos deberían haber sido empleados para mejorar los servicios públicos de salud, educación y transporte.

La policía se desplegó en la ciudad y cortó el tráfico en la explanada central de la moderna capital brasileña, donde los ministerios federales permitieron a sus empleados volver a casa temprano.

Alrededor de 2.000 personas marcharon pacíficamente en la ciudad noreste de Recife para denunciar la corrupción.
Gobierno toma medidas

Casi dos semanas después del inicio las mayores protestas en 20 años, los líderes políticos brasileños parecen estar por fin reaccionando y comenzaron a responder a las demandas populares de cambios.

Durante la noche del martes, el Congreso rechazó una enmienda constitucional que habría limitado la autoridad de los fiscales federales para investigar delitos, una medida que los manifestantes veían como un intento de los políticos por evitar las investigaciones de corrupción.

“Nuestros representantes están escuchando a la gente ahora. Estamos creando una nueva conciencia política”, dijo Amanda Caetano, portavoz de un grupo llamado “Suficiente es Suficiente” que exige el fin a los privilegios que disfrutan los políticos.

En otra respuesta a las protestas, la Cámara baja del Congreso votó durante la noche a favor de un proyecto de ley que destina regalías de la producción futura de petróleo a programas de educación y salud.

Además, una comisión del Senado aprobó una medida que removería los impuestos al transporte público, facilitando a las ciudades y estados una rebaja en las tarifas de bus y tren subterráneo. También se espera que el Senado vote el miércoles respecto a un proyecto de ley que introduce sentencias más duras contra la corrupción.

Una protesta relativamente pequeña contra un aumento en los pasajes del transporte y la subsiguiente represión policial a inicios de este mes desataron finalmente los disturbios que han remecido al país más grande de América Latina.

Varias ciudades brasileñas dieron pie atrás en las alzas de tarifas, pero el movimiento amplió su foco a una letanía de reclamos, desde los miles de millones de dólares gastados en estadios de fútbol para el Mundial de 2014 hasta una ley sobre una “cura gay” que se tramita en el Congreso y que permitiría a los sicólogos a tratar la homosexualidad como una enfermedad.

Sin embargo, uno de los temas comunes que se mantiene en las marchas es la profunda desconfianza hacia una clase política percibida como corrupta, con sueldos excesivos y que parece más preocupada de ayudarse a sí misma que a la sociedad en general. (Reporte adicional de Maria Carolina Marcello y Carl Patchen.
Foto: Reuters / Hugo Cordeiro
Foto: Reuters / Hugo Cordeiro
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira
Foto: EFE / Sebastião Moreira

26 de jun de 2013

A trinca de conselheiros comprova que Dilma não entendeu a mensagem das multidões



 

Por Augusto Nunes

O jornalista Lauro Jardim informou que Gilberto Carvalho anda amuado por não ser consultado pela presidente Dilma Rousseff.

Essa é a notícia boa: pouco importa o que tem a dizer quem só diz besteira.

A notícia ruim é que, segundo o ex-seminarista que virou porteiro de bordel (além de secretário-geral da Presidência), a chefe agora ouve apenas ─ além das ordens de Lula ─ a trinca formada por Aloizio Mercadante, Fernando Pimentel e João Santana.

Ministro da Propaganda,João Santana costuma alternar lances espertos com ideias de jerico. Na campanha de 2010, por exemplo, o marqueteiro baiano acertou ao condecorar Dilma Rousseff com a medalha de Mãe do PAC.

A malandragem ajudou a fantasiar de supergerente a dona da lojinha que faliu em Porto Alegreio.

Em contrapartida, foi Santana quem convenceu a presidente a dar as caras na abertura da Copa das Confederações.

Teria uma recepção de rainha, apostou. Foi mais vaiada que um zagueiro que enterrou o time.

Seja qual for o cargo que ocupe, Aloizio Mercadante jamais perde uma chance de justificar o título de Herói da Rendição, obtido graças a notáveis demonstrações de falta de bravura em combate.

Especialista em retiradas e capitulações, inventou a revogação do irrevogável quando liderava a bancada do PT no Senado.

Agora no triplo papel de ministro da Educação, da Economia e de Crises Políticas, foi o primeiro a aconselhar Dilma Rousseff a entrar na batalha da Constituinte. E foi o primeiro a recomendar que se rendesse.

Disfarçado de ministro de Indústria, Comércio e Desenvolvimento, Fernando Pimentel é o Primeiro-Acompanhante e Melhor Amigo da presidente, com quem convive desde quando tentavam trocar a tiros a ditadura militar pela ditadura do proletariado.

A força do afeto manteve Pimentel no emprego mesmo depois da descoberta de que ganhou muito dinheiro usando as fantasias de “conferencista” e “consultor financeiro” .

O palestrante enriqueceu sem abrir a boca. O consultor precisou de meia dúzia de conselhos para levar à falência uma fábrica de tubaína.

Se estivesse disposta a combater a corrupção, Dilma já teria remetido Pimentel para a delegacia mais próxima.

Se quisesse mesmo reduzir a gastança federal, já teria mandado para casa Mercadante e João Santana.

Caso desejasse fazer as duas coisas com um único despejo, Gilberto Carvalho estaria procurando trabalho há muito tempo.

A demissão do secretário-geral reduziria a taxa de mediocridade do Planalto e talvez impedisse o engavetamento das investigações sobre o escândalo protagonizado pela segunda-dama Rosemary Noronha.

Dilma não fará nada disso, claro. Vai continuar ouvindo o coro dos áulicos, contando mentiras, desfiando promessas grisalhas e irritando milhões de brasileiros fartos de tapeação.

Até que as multidões percam a paciência de vez e acordem a presidente surda à mensagem das ruas com uma passeata debaixo da cama.

25/06/2013

Todas as mentiras do pronunciamento de Dilma e o "golpe" da "nova Constituinte"





terça-feira, 25 de junho de 2013

Câmara derruba PEC que tentava limitar o poder de investigação do MP




PEC 37 impedia promotores e procuradores de abrir investigações próprias.
Protestos pelo país pediram que Congresso rejeitasse a proposta polêmica.




Nathalia Passarinho

e Fabiano Costa
Do G1, em Brasília


Deputados no plenário da Câmara em sessão
de votação da PEC 37

(Foto: Luis Macedo/Agência Câmara)


A Câmara dos Deputados derrubou nesta terça-feira (25), por 430 votos a nove (e duas abstenções), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que impedia o Ministério Público de promover investigações criminais por conta própria. O texto da chamada PEC 37 (entenda) previa competência exclusiva da polícia nessas apurações. Com a decisão da Câmara, a proposta será arquivada.

Pela proposta de alteração na carta constitucional, promotores e procuradores não poderiam mais executar diligências e investigações próprias – apenas solicitar ações no curso do inquérito policial e supervisionar a atuação da polícia. A rejeição da proposta era uma das reivindicações dos protestos de rua que se espalharam em todo o país.

Tenho o dever e a sensibilidade de declarar, me perdoe a ousadia, que seria um gesto importante, por unanimidade, derrotar essa PEC"
Deputado Henrique Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara

Antes de iniciar a votação nominal, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), fez um apelo para que a proposta que limita o MP fosse derrotada por unanimidade.

“Tenho o dever e a sensibilidade de dizer a esta casa que todo o Brasil está acompanhando a votação desta matéria, nesta noite, no plenário. E por isso tenho o dever e a sensibilidade de declarar, me perdoe a ousadia, que seria um gesto importante, por unanimidade, derrotar essa PEC”, disse.

A votação foi acompanhada por procuradores e policiais, que ocupavam cadeiras na galeria do plenário da Câmara. Conduzidos pelo líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), promotor de Justiça licenciado, parlamentares tucanos ergueram cartazes no plenário contra a PEC 37. As cartolinas estampavam “Eu sou contra a PEC 37. Porque não devo e não tenho medo da investigação. A quem interessa calar o MP?”, indagava o manifesto.

Ao abrir a sessão extraordinária, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou que era necessário votar a PEC 37, mesmo sem acordo.

“Lamentavelmente chegamos a 95% de acordo. Faltaram 5% para concluirmos um texto. Esta Casa demonstrou sua vontade de estabelecer um perfeito entendimento entre o Ministério Público e os delegados. Mas na hora que não foi possível, isso não poderia ser pretexto para não votar a PEC. Ela não poderia ficar pairando”, disse.

Henrique Alves disse ainda “ter certeza” de que os parlamentares voltariam a proposta pensando no que seria melhor para o país.“ Tenho certeza de que cada parlamentar estará votando de acordo com a sua consciência, para o combate à corrupção, o combate à impunidade”, disse

Em discurso no plenário, o líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente (RJ), destacou o papel das manifestações populares na derrubada da PEC 37. “Lá na CCJ da Câmara a maioria dos deputados era a favor da PEC 37. A maioria desse plenário era a favor da PEC 37. [...] Essa PEC vai ser derrubada pelo povo nas ruas”, afirmou.

A maioria dos partidos orientou as bancadas para rejeitar a proposta. “A bancada do Democratas vai votar em sua ampla maioria, senão na sua totalidade, para derrotar a PEC 37. Mas aos colegas que votarem favoravelmente a ela, o meu respeito, porque eu respeito qualquer parlamentar no momento da sua decisão e votação”, disse o líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO).

Queremos dar uma resposta à sociedade, uma resposta às ruas. Não queremos que nenhuma criminalidade fique sem investigação."
Deputado Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB na Câmara

Ao defender a rejeição da PEC 37, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), afirmou que o partido quer dar uma reposta às manifestações.

“Ninguém quer acabar com o poder de investigar. Todos nós queremos que todos investiguem. Queremos dar uma resposta à sociedade, uma resposta às ruas. Não queremos que nenhuma criminalidade fique sem investigação”, afirmou.

Autor da PEC lamenta 'rótulo'
O autor da proposta, deputado Lourival Mendes (PTdoB-MA), foi o único a defender o texto no plenário. Ele afirmou que a PEC 37 foi rotulada de forma “indevida” como sinônimo de “impunidade”.

“Essa PEC tramitou nesta Casa com 207 assinaturas, foi aprovada na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], foi aprovada na comissão especial. Lamentavelmente, num acidente de percurso, a PEC foi rotulada e alcançada por um movimento que nada tem a ver com sua propositura. Não é verdadeiro o rótulo de impunidade da PEC”, afirmou.

25/06/2013



Barbosa defende redução do poder dos partidos políticos e diz que povo se cansou dos 'conchavos'


Joaquim Barbosa defende voto distrital e vê 'grave crise' de representação
Para presidente do STF, a população deveria poder revogar o mandato de parlamentares

Carolina Brígido
O Globo

Presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, fala com a imprensa
Givaldo Barbosa / Agência O Globo

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, defendeu o voto distrital e o “recall” para políticos nesta terça-feira. A proposta é que os eleitores fiscalizem os atos dos eleitos para ocupar cargos públicos. Caso as autoridades não estejam fazendo jus aos mandatos, a sociedade teria o direito de expulsar o político do cargo e eleger novo ocupante. O ministro deu a declaração em entrevista concedida após reunião com a presidente Dilma Rousseff, a quem sugeriu propostas para resolver o que chama de “crise grave de representação política” no país. Embora não tenha exposto o “recall” à presidente, ele aproveitou a ocasião para criticar os partidos políticos brasileiros.

- Não falei para a presidente, mas sou inteiramente favorável, acho que seria medida adequada à nossa realidade, adotar a possibilidade do recall. O que é o recall? A pessoa é eleita, claramente identificada como eleita, havendo a possibilidade de o mandato ser revogado por quem a elegeu, ou seja, os próprios eleitores. Medida como essa tem o efeito muito claro de criar uma identificação entre o eleito e eleitorado, impor ao eleito responsabilidade para com quem o elegeu. (Isso) falta ao sistema político brasileiro, especialmente na representação dos órgãos legislativos - afirmou.

Joaquim Barbosa defendeu que o país seja dividido em distritos para as eleições:

- Eu sou inteiramente favorável ao voto distrital, seja o voto distrital puro, em um turno, seja o voto distrital qualificado, ou seja, se faz um primeiro turno de votação e vão para o segundo turno apenas candidatos em cada distrito que obtiveram um percentual, digamos, de 10%, 15%.

Para Barbosa, os partidos brasileiros devem participar menos da vida política, dando lugar à voz direta do povo. Nesse contexto, ele louvou a ideia do plebiscito aventada por Dilma. A presidente quer ouvir a sociedade sobre a convocação de um plebiscito sobre a reforma política. O ministro evitou opinar sobre a necessidade ou não de Constituinte.

- Disse (à presidente) que há um sentimento difuso na sociedade brasileira, e eu como cidadão penso assim, há uma vontade do povo brasileiro, especialmente os mais esclarecidos, de diminuir ou de mitigar, e não de suprimir, o peso da influência dos partidos sobre a vida política do país e sobre os cidadãos. Essa me parece ser uma questão chave em tudo o que vem ocorrendo no Brasil hoje. Eu sei muito bem que nenhuma democracia vive sem partidos. Mas há formas de mitigar essa influência, de introduzir pitadas de vontade popular, de consulta direta à população - contou.

O ministro também disse à presidente que “não se faz reforma política consistente no Brasil sem mudar a Constituição”. Para ele, “está descartada reforma política consistente com lei ordinária”.

Segundo o ministro, a população "não aguenta mais" decisões tomadas por meio de "conchavos".

- A sociedade brasileira está ansiosa de se ver livre desses grilhões partidários que pesam sobre o seu ombro. E isso é muito salutar - afirmou.

Barbosa defendeu que o povo seja ouvido nesse momento. Ele afirmou que todas as grandes mudanças do país foram promovidas pelas elites, sem a participação popular. O ministro citou como exemplos a Independência do Brasil e a Proclamação da República.

O presidente do STF criticou o número excessivo de suplentes de senadores:

- Falei com a presidente do meu entendimento sobre a questão dos suplentes de senador. É uma excrescência totalmente injustificada. Temos percentual muito elevado de senadores que não foram eleitos. Ingressaram na chapa da pessoa que era o candidato mais forte e, passado algum tempo, com renúncia, morte, fato de titular ter assumido cargo no executivo, esse suplente substitui o titular. Sou eleitor no Rio. Confesso que não sei quem é o terceiro senador do estado. Essa situação ocorre em diversos estados.

Barbosa defendeu candidaturas avulsas como forma de fortalecimento da democracia.

- Eu não falei para a presidente, mas sou inteiramente favorável às candidaturas avulsas em diversos níveis de eleição. Por que não? Já que a nossa democracia peca pela falta de identificação entre eleito e eleitor, porque não permitir que o povo escolha diretamente em quem votar? Por que essa mediação por partidos políticos sem credibilidade? Isso contribuir para a robustez da democracia. A sociedade brasileira está ansiosa por se ver livre, pelo menos parcialmente, desses grilhões partidários que pesam sobre o seu ombro - afirmou.

Questionado sobre pesquisas recentes de intenção de voto em que é lembrado para ocupar a Presidência da República, Barbosa disse que não tem intenções de entrar na vida política, apesar de ter se sentido lisonjeado.

- Eu não tenho a menor vontade de me lançar a presidente da República. Eu tenho quase 41 anos de vida publica. Está chegando a hora, chega - disse.

Dilma recua e não quer mais a Constituinte exclusiva. Ah, bom…


Por Reinaldo Azevedo
Pronto!

Agora Dilma já não quer mais a Constituinte exclusiva!

Na verdade, nunca quis pra valer.

Foi alertada para mas dificuldades, mas não houve tempo para o debate.

Não é que fosse jogo de cena.

Se colasse…

O objetivo era e é outro.

Conto tudo daqui a pouquinho.

O que os petistas querem, aí sim, é fazer uma reforma política, mesmo pelas vias convencionais (Projetos de Lei e Projeto de Emenda Constitucional), que beneficie as forças que estão atualmente no poder e liquide a oposição.

O Planalto está aturdido?

Está.

Mas é bom não esquecer que essa gente tem uma teoria de poder, e os seus adversários não.

25/06/2013



Dilma volta atrás na Constituinte golpista



Folha Poder

A presidente Dilma Rousseff desistiu da proposta de fazer um plebiscito para convocar uma Assembleia Constituinte, relatou nesta terça-feira (25) o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Marcus Vinícius Coelho, após participar de reunião com a presidente, o vice, Michel Temer, e o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), no Palácio do Planalto.

A mudança de posição do Planalto em relação ao assunto - que foi a principal e mais polêmica proposta apresentada pela presidente em resposta às manifestações que têm tomado as ruas do país nas últimas semanas será apresentada publicamente pelo ministro da Justiça, conforme relato de Coelho.

A Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto não confirma a informação. "O governo sai convencido de que convocar Constituinte não é adequado, porque atrasa a reforma política", disse.

Segundo o presidente da OAB, entidade que desde ontem é uma das mais frontalmente contrárias à proposta de Dilma Rousseff, o modelo que deverá ser proposto publicamente agora é que a própria reforma política seja colocada em plebiscito.

Traduzindo: perguntas específicas, ainda a serem definidas, mas que envolverão basicamente reformas do processo eleitoral e não do sistema de representatividade atual, serão feitas à população, que poderá dizer sim ou não a cada um dos pontos.

O presidente da OAB disse que a ideia é fazer o plebiscito até outubro, de forma que valha para as eleições de 2014.

Pela proposta apresentada ontem pela presidente Dilma, e que pegou até Michel Temer de surpresa, a pergunta a ser levada à população seria sobre a concordância ou não com a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva para deliberar sobre uma reforma política mais ampla.mNo modelo proposto pela OAB, e agora supostamente encampado pela Presidência da República, não haverá necessidade de alterações na Constituição.


25 de junho de 2013

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Grito de São João



1958.7.13 xarope são joão2

Cley Scholz

Ministros do Supremo Tribunal Federal afirmam que convocação de constituinte exclusiva seria um ‘golpe’ contra a Carta em vigor; proposta foi recebida com perplexidade por oposicionistas


Proposta é mal recebida no STF e no Congresso

Eduardo Bresciani
e Felipe Recondo
O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Deputados, senadores e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) questionaram, nesta segunda-feira, 24, a viabilidade da realização de um plebiscito sobre a convocação de uma constituinte exclusiva para debater e reforma política, proposta feita pela presidente Dilma Rousseff.

O anúncio de Dilma foi recebido com surpresa por surgir em uma reunião com chefes de Executivo e não na presença de integrantes do Legislativo. A convocação do plebiscito, na forma como defendido pela presidente no discurso, teria de acontecer por meio de emenda constitucional, proposição que tem trâmite lento e precisa da aprovação de 2/3 dos parlamentares na Câmara e no Senado.

Um ministro do STF destacou não haver na Constituição previsão de convocação de constituintes exclusivas – integradas não por parlamentares, mas por pessoas eleitas apenas para esse fim. Para outro integrante da Corte, essa possibilidade não está na legislação justamente para dar segurança jurídica ao País. Na visão desses ministros, a atitude seria um golpe contra a Constituição de 1988. Observam que, como o tema é amplo, seria possível mudar o sistema de presidencialista para parlamentarista, por exemplo.

O ex-presidente do Supremo Carlos Velloso classificou como “uma forma de distrair o povo que está nas ruas” o anúncio feito pela presidente. “Que o povo deseja uma reforma política, não há dúvida”, disse. “Deseja muito mais: que se ponha fim à gastança desenfreada e deseja reformas que aperfeiçoem o regime político e tornem mais saudável a vida das pessoas”, afirmou Velloso, que presidiu o STF de 1999 a 2001.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinicius Furtado, criticou a proposta de Dilma, destacando ser possível fazer alterações no sistema de forma mais simples. “É muita energia gasta em algo que pode ser resolvido sem necessidade de mexer na Constituição. Basta alterar a Lei das Eleições e a Lei dos Partidos.”

No Congresso, a proposta foi recebida com perplexidade por oposicionistas. “Todos aqueles que eu consultei disseram que, conceitualmente, está errado”, afirmou o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO).

Interesses. Na base aliada, líderes manifestaram apoio, mas reconheceram confusão na proposta. “É preciso ainda esclarecer por que a presidente também fala em extrair da população pontos para a reforma, mas a ideia demonstra um respeito pela população”, afirmou o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM).

Os defensores da proposta avaliam que o Congresso atual não faria mudanças profundas por não desejar mexer em seus próprios interesses. “Nós sabemos que não vai ter reforma para valer com o Congresso que temos aqui”, disse Wellington Dias (PI), líder do PT no Senado. “Defendo a constituinte exclusiva porque não se faz uma reforma política com um Congresso eleito por este sistema que se deseja mudar”, disse o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF).

COLABORARAM: RICARDO DELLA COLETTA E MARIÂNGELA GALLUCCI

24 de junho de 2013 

Proposta de Constituinte é inconstitucional. Trata-se de uma tentativa de golpe bolivariano.





Por Reinaldo Azevedo

Constituinte exclusiva para fazer reforma política é golpe.

É evidente que se trata de uma proposta inconstitucional, que não passaria no Supremo — aos menos, espero que não.

Se passasse, então seria sinal de que estaríamos no reino onde o perdão seria desnecessário porque não haveria mais pecado.

Pois é…

Eu conheço esses caras e essas caras. Sei como pensam. Sei com quais categorias operam. Sei como funcionam. Tenho advertido aqui há três semanas que esse negócio de ser reverente às massas na rua acaba dando em porcaria.


Uma coisa é ser contra congressistas que não prestam. Outra, distinta, é hostilizar o Congresso. Uma coisa é criticar uma justiça lenta e ineficaz. Outra, distinta, é hostilizar o Judiciário e as leis.

A ideia de uma Constituinte exclusiva para fazer a reforma política é de Lula.

E é antiga.


Dilma, quando candidata, defendeu essa ideia numa entrevista ao programa Roda Viva. Não conseguiu dizer direito nem por que queria governar o Brasil, mas veio com essa história.

Escrevi a respeito em julho de 2010. Felizmente, ao longo de sete anos, completados hoje, este blog se manteve no prumo e no rumo.

Na sua proposta, também a reforma tributária seria feita por essa “Constituinte”.

Como ela se operaria?

A “Assembleia da Reforma Política” seria bicameral ou unicameral?

Representaria só os cidadãos ou se tentaria garantir o equilíbrio federativo já no processo de representação?

Vai saber o que se passa pela cabeça tumultuada de Dilma Rousseff. Eu sei o que se passa na cabeça da cúpula do PT: criar mecanismos para se eternizar no poder.
É um escárnio!

O Brasil passou pelo impeachment.
O Brasil passou pela crise dos anões do Orçamento, que dizimou reputações no Congresso.
O Brasil passou, e está passando ainda, pela crise do mensalão.
Ninguém falou em Constituinte. Agora, por causa de meia dúzia na rua — ainda que fossem muitos milhões —, os feiticeiros vêm falar em “Constituinte exclusiva”?

Por quê?

Houve algum rompimento da ordem?

Boa parte da reforma política necessária pode ser feita por legislação ordinária. É raro o caso em que se precisa de emenda, só aprovada com três quintos das duas Casas.

E por que não se chega a lugar nenhum?

Porque o governo não tem rumo e porque, como em jornada recente, os petistas querem impor uma reforma que o beneficie, que torne as eleições meros rituais homologatórios.

Ora, Dilma não recebe em palácio esses patetas do Passe Livre por acaso.

Não acho que essa porcaria vá prosperar, mas é claro que estou preocupado.

Ao mesmo tempo, fico satisfeito. Então eu não estava doido, não!

Muita gente boa se perdeu nesse processo porque não conseguiu resistir ao encanto das massas na rua.

Uma coisa é reconhecer — e isto eu sempre reconheci — que existem bons e enormes motivos para protestar.

Outra, distinta, é não distinguir o ataque à roubalheira e aos desmandos do ataque às instituições.

Que fique claro:
– sapatear no teto do Congresso agride a Constituição;
– botar fogo no Itamaraty agride a Constituição;
– impedir o direito de ir e vir — SENHOR MINISTRO LUIZ FUX — agride a Constituição;
– promover quebra-quebras de norte a sul do país, cotidiana e reiteradamente, agride a Constituição.

Certa estupidez deslumbrada se esqueceu da natureza dessa gente. Os que estão nas ruas não obedecem a nenhum comando, mas estão lidando com forças organizadas.

Daqui a pouco, lembrarei que tipo de reforma política quer o PT e por quê.

Conheço a crítica segundo a qual citar o nazismo como exemplo tende a ser inócuo porque nada se iguala aquilo e coisa e tal…

Mas não dá para ignorar: parte dos liberais e dos democratas brasileiros resolveu, nestes dias, se comportar como os liberais e social-democratas da República de Weimar.
24/06/2013

O novo ministro do STF, Luis Roberto Barroso discorda de Dilma


Por que eu digo “não” 2 – O Brasil não é o Egito, e Dilma não é Mubarak. Ou: Os problemas são reais, o transe é coisa de “engenheiros de opinião”. Ou: Um terço dos manifestantes justifica depredações. É uma “minoria” grande demais!



Ou ainda: Repudio que os esquerdistas do Passe Livre sejam a catraca do nosso cotidiano


                         Por Reinaldo Azevedo

Escrevi ontem o primeiro capítulo da série “Por que eu digo ‘não’”, com o subtítulo “A rebelião das massas. Ou: Dilma fala, mas o quebra-pau nas ruas continua”.

Vamos à segunda parte, que começa com uma reiteração. Embora eu já tenha deixado isto claro inúmeras vezes, a questão insiste em aparecer nos comentários. Os que estranham a minha falta de entusiasmo com o movimento que está nas ruas ou jamais entenderam o que eu penso ou não compreendem o que veem.

Não endosso e jamais endossarei o clamor por democracia direta ou pela instituição no país de mecanismos que a tanto conduzam se aprovados. Se e quando tal pleito sair vitorioso, estaremos todos à mercê da ditadura de minorias organizadas.

E as manifestações a que assisto, com seu declarado ódio ou fastio às instituições, abrem uma vereda que nos conduz à terra do “quem grita mais chora menos”, destruindo, em vez de aprimorar, os mecanismos de representação. Isso se choca frontalmente com o que entendo por uma democracia organizada.

Atenção!

Parte substancial das dificuldades por que passa o país deriva do fato de que o governo está, sim, loteado entre partidos políticos, mas também está loteado, a seu modo, entre movimentos militantes. E o alarido tende a ampliar esse militantismo.


Não será com o meu assentimento. Tratarei desse aspecto com mais vagar no terceiro texto. O transe por que passa o país nasce, sem dúvida, de problemas reais, mas a sua potencialização é artificial. Entendo que, longe de ser uma explosão espontânea de indignação e cidadania, trata-se, na sua fase inicial, de um fenômeno razoavelmente manejado de controle da opinião pública. Eu explico.
Vi na TV algumas senhoras e senhores já maduros, um tantinho acima do tom, a bradar: “Não esperava que fosse ver essa geração na rua! O país acordou e está reagindo!”.

Epa! O Brasil não é o Egito, a Tunísia ou o Iêmen! Não é nem mesmo a Turquia, que não vive um regime democrático na acepção plena do termo.

Ainda que venha sendo permanentemente agredida, ainda que viva sob permanente ataque especulativo, estamos numa democracia de direito.

O tom emprestado à cobertura das manifestações, apontei aqui desde os primeiros dias, buscava mimetizar o apelo épico que a Al Jazeera, a emissora da ditadura do Catar, emprestava à mal chamada “Primavera Árabe”.

As coberturas ao vivo no Brasil percorreram todos os adjetivos e exclamações do ridículo, da mistificação e da discurseira laudatória. Vocês sabem o que penso sobre o PT há muitos anos. Sabem, igualmente, o que penso sobre Dilma Rousseff, mas ela não é Hosni Mubarak ou Muamar Kadafi.

Se desafiar o estado de direito numa ditadura pode até resultar em democracia (não aconteceu em nenhum país árabe ainda), o desafio ao estado de direito numa democracia acena para a ditadura. É uma questão óbvia.
Legalidade desafiada e Fux “Mas a legalidade está sendo desafiada, Reinaldo?” Ora, as manifestações falam por si, seja pela degeneração em vandalismo, seja pela permanente agressão ao direito constitucional de ir e vir. Pior: o clima das ruas começa a contaminar o juízo de quem deveria ter juízo e de quem é, a rigor, o próprio juízo.

No dia 19, o ministro Luiz Fux, do STF, concedeu uma liminar aos “companheiros” do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, ligado à CUT, derrubando outra liminar que havia sido concedida pelo Tribunal de Justiça de Minas, que havia proibido manifestação que impedisse o trânsito de pessoas e veículos.

A prevalecer a liminar de Fux, qualquer grupo pode, a qualquer hora, interromper o trânsito onde bem entender, sem prévio aviso, sem nada. Basta ir lá e pronto! O ministro só faz uma ressalva: não pode haver violência.

Nesse caso, então, a Polícia Militar pode intervir. Pergunto: forçar as pessoas, porque é disto que se trata, a participar de um ato com o qual eventualmente não concordem ou impedi-las de transitar livremente constitui ou não violência? Para Fux, não! A íntegra de sua liminar está aqui.

A Constituição não contém fundamentos que se negam mutuamente.

Pergunto: o que Fux fez do direito de ir e vir? “Mas como as pessoas poderão protestar?” Há praças para isso. Pode-se combinar previamente com o poder público um itinerário para evitar o caos na cidade. Que nada!

Fux evoca o testemunho da imprensa de que as manifestações são pacíficas e concede uma liminar que não lhes impõe nenhum limite, a não ser este: só não pode depredar. Em que país do mundo é assim?

Em nenhum! É mais uma jabuticaba de Banânia.
Atenção!

A prevalecer o texto de Fux, manifestantes podem impedir o trânsito que conduz a estádios ou a megaeventos, que envolvam milhares de pessoas. Se, por exemplo, no próximo Rock in Rio, um grupo de fanáticos da MPB — ou mesmo do verdadeiro rock (será que fui muito sutil?) — decidir que é o caso de obstruir a passagem da turma, a polícia poderá no máximo observar.

Se não houver quebra-quebra, tudo bem! Vênia máxima, não se trata de uma liminar, mas de um engajamento — aliás, o texto do ministro chega a ter certo tom condoreiro.

Há mais: juízes estão mandando soltar os vândalos que estão botando pra quebrar Brasil afora, promovem arruaça, depredam, desaparecem, a polícia os encontra e são imediatamente postos na rua.
Causas reais, tensão artificial

Saúde, educação, infraestrutura… Nada disso anda bem. Há roubalheira no país. Os corruptos estão soltos por aí. O Congresso há muito é mero caudatário do Executivo, reunindo algumas figuras pouco recomendáveis. É claro que há motivos em penca para protestar. As causas são verdadeiras.

Mas a tensão a que chegou o país é matéria de engenharia de opinião pública — e, como tal, embute um discurso político que tem de ser destrinchado.


E eu não me furtarei a fazê-lo, ainda que tomando algumas porradas aqui e ali. Estou acostumado.


Tudo começou com um pleito absurdo de grupelhos de extrema esquerda em São Paulo, aliados históricos do PT: querem o tal “passe livre” e passaram a ser tratados como gente séria, de respeito, que tem algo a dizer. Na quinta, dia 13, manifestantes, que já vinham fazendo protestos notavelmente violentos, desrespeitaram um acordo feito com a tropa de choque em São Paulo e avançaram a linha do combinado.

A PM reagiu. Essas coisas nunca são bonitas. Decretou-se, o que é uma mentira escandalosa, que os policiais é que haviam dado início ao conflito. Cenas de exageros da polícia — e tudo indica que aconteceram — passaram a ser exibidas insistentemente nas TVs.

Os grupos organizados nas redes sociais se encarregaram de espalhá-las. Os vândalos e aqueles que usaram a sua mão de obra passaram a ser tratados como os utopistas de um novo mundo.

Quando a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, atendendo ao clamor, especialmente da imprensa, combinou com o Passe Livre que não haveria tropa de choque na rua, balas de borracha, bombas de gás, nada disso, e que a cidade inteira era um território livre para a manifestação, os protestos se tornaram nacionais pra valer.
As Policias Militares de todos os estados passaram a ser tratadas como as forças de Muamar Kadafi ou de Mubarak. Deu-se de barato que estavam proibidas de intervir. As escandalosamente reiteradas cenas de barbárie nas ruas passaram a ser chamadas por aquilo que não eram: EXCEÇÃO!

Nunca antes na história do mundo se viu uma exceção se repetir tantas vezes. Ora, em movimentos dessa natureza, é sempre uma minoria que parte para o ataque. A questão é saber qual era a sua conexão com a maioria ou com os organizadores do evento.

O MPL, por exemplo, jamais condenou o vandalismo. Nunca! Numa entrevista coletiva, seus líderes disseram-se contrários apenas à hostilidade dos manifestantes aos jornalistas — e, claro, criticaram a polícia.


Insisto neste aspecto: a Polícia Militar é sempre a primeira força de contenção quando explodem conflitos de grandes proporções. Demonizada, satanizada nas ruas, tratada como bando de aloprados, vista como aglomerado de brucutus, qual seria a consequência?

Some-se a isso uma reivindicação da imprensa que foi plenamente atendida: as cidades como territórios livres — das cidades, logo se chegou às estradas. Todos os acessos a São Paulo — ou saídas, se quiserem — chegaram a ser bloqueados.

O aeroporto de Cumbica, uma área de segurança, ficou isolado. Se os patriotas decidirem fazer isso durante a Copa do Mundo, Luiz Fux chamará de “democracia”…
Mas lá estavam os engenheiros de opinião pública a decretar: trata-se de uma manifestação pacífica, infiltrada por alguns baderneiros. Não! Quebrar banco, invadir loja, depredar a Assembleia Legislativa, ah, isso não podia. Mas tomar as estradas, isolar o aeroporto, impor às pessoas uma rotina de guerra, ah, isso tudo bem!

Com isso Fux, por exemplo, concorda. Com isso, as TVs concordam. Chamam de “manifestação pacífica”.
As causas são reais? São! A “crise da democracia” é artificial. E eu lhes apresento uma espécie de “prova pela ausência”.



Cadê os policiais feridos?


Quantos policiais feridos vocês viram na televisão ou nos jornais? Um só! Aquele que quase foi linchado em São Paulo, no dia 11, se não me engano. Só na Assembleia Legislativa do Rio, 20 se machucaram.

Não obstante, imagens de jornalistas atingidos por balas de borracha — podemos debater se elas devem ou não ser usadas — passaram a ser exibidas ou como evidência da truculência da polícia ou, sei lá, do martírio dos profissionais de imprensa.

As edições têm privilegiado especialmente os atos violentos dos PMs. Não por acaso, na pesquisa encomendada pela TV Globo ao Ibope, levada ao ar ontem no Fantástico, 57% dos que participaram das passeatas consideram que a polícia agiu com muita violência.

Pois é… Em, sei lá, 95% das vezes, os policiais reprimiram vândalos. Há casos de gente atingida por gás de pimenta, por exemplo, que não estava quebrando nada? Há! Exibi-los à exaustão converte a exceção em regra. Assim como a rotina das depredações era, absurdamente, chamada de exceção.
O Fantástico ontem, diga-se, entrevistou o policial Nilmar Avelino, do Rio, aquele que levou uma pedrada na cabeça e ficou estirado no chão, atacado por aquilo que parecia ser um bando de urubus. Muito bem. Seguiu-se o seguinte diálogo:


Fantástico: Você não tem mágoa de quem te fez levar esses dez pontos na cabeça? Nilmar: Por que teria? De repente, ele não sabe nem o que fez. Sempre vai haver os mais exaltados. Mas acho que as pessoas ali estão reivindicando é um país melhor. Quem não sonha? Eu sonho com um país melhor.
Pergunta óbvia: o policial poderia ter dado uma resposta diferente dessa? Vamos imaginar que dissesse que tem mágoa, sim. Vamos supor que dissesse que, na próxima, se perceber que vai apanhar, vai é bater primeiro. Teria ido ao ar? Se fosse, o coitado, que já estava de volta ao serviço, seria afastado.

É evidente que se trata de uma forma nada sutil de sugerir que aos policiais cabe a grandeza do perdão, como se estivessem lá para aquilo mesmo. E não estão. Policial militar não recebe para levar pedrada e apanhar de vagabundo. E não conservar mágoa não é uma superioridade moral obrigatória.

NOTA À MARGEM: nenhum jornalista foi convidado a perdoar policial. Corolário: um bandido até pode merecer perdão; um PM não.
Pesquisa desmente farsa do pacifismo. Ou: A grande irresponsabilidade Faustão, ontem, num discurso em favor da ocupação das ruas, transformando programa de auditório em comício, disse que os eventos desmentem essa história de que o brasileiro é um povo pacífico e coisa e tal. É verdade! Mas não da maneira como sugere.

A pesquisa encomendada pela Globo revela que 5% dos entrevistados acham que depredações são sempre justificadas. Outros 28% acham que elas se justificam em alguns casos. Para 66%, nunca se justificam, e 1% não soube responder.
Minoria???

Em relação aos 66%, sim. Mas atenção! UM TERÇO DAS PESSOAS QUE PARTICIPAM DOS PROTESTOS JUSTIFICA AS DEPREDAÇÕES.
Digamos que tenham comparecido, num número talvez subestimado, 400 mil pessoas no megaevento do Rio. Digamos que a amostragem do Ibope esteja certa e que a pesquisa reproduza a média das opiniões. Naquele dia, pelos menos 132 mil pessoas flertavam com a possibilidade de partir para o pau: 20 mil delas aceitariam isso em qualquer caso; 112 mil, só em alguns…
Destaco essa questão para dar relevo à grande irresponsabilidade que é demonizar as Polícias Militares numa situação como essa. O que querem no lugar? Se não forem eles, será quem intervir se as coisas fugirem do controle?

É UM ABSURDO QUE 33% DE MANIFESTANTES ADMITAM A POSSIBILIDADE DA DEPREDAÇÃO.

Quando o ministro Luiz Fux concede uma liminar que torna o Brasil inteiro território livre para manifestações, está flertando com o perigo — alheio, claro!, não com o seu próprio.
Inventar uma “Primavera Árabe” num país democrático é um despropósito. Transformar as Polícias Militares em exércitos treinados para reprimir o seu próprio povo — como se dizia das forças que sustentavam aquelas tiranias — é igualmente falso.

Flertar com manifestações de descrédito às instituições é um risco. A propósito: esse tal Passe Livre tem como lema “a vida sem catraca”.

Totalitários que são, querem ser a catraca da vida de milhões de brasileiros. Preço que cobram: o seu direito de ir e vir. Mas por que chegamos aqui?
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Ataque às instituições e canais obstruídos


Há muito tempo já, mas há dez anos de forma sistemática, as instituições têm sido alvos de ataques especulativos. Escrevi, sem qualquer hipérbole, milhares de textos apontando as muitas vezes em que o petismo, mesmo o que está no poder, que integra o estado, dá de ombros para as leis.

Existem, estão aí, mas quem se importa? A presidente Dilma Rousseff atribuiu justamente a Gilberto Carvalho a tarefa de estabelecer a tal “interlocução com movimentos sociais”, atrelando-os ao Planalto.

“O que há de mal nisso, Reinaldo? Você é mesmo um reacionário!” Não há mal nenhum desde que o governo — ou, de forma ainda mais profunda, o estado — não se torne o principal promotor da desordem no país.
Ora, em que resultou e tem resultado a “interlocução” de Carvalho? O MST invade e depreda fazendas quando lhe dá na telha. Mas, é claro!, trata-se de um dos “interlocutores” de Carvalho. Meio Mato Grosso do Sul está conflagrado por causa da questão indígena, e essa é uma crise que eu ousaria dizer fabricada na Secretaria-Geral da Presidência.

Nestes dez anos, com ênfase no governo Lula, nada ficou imune à depredação e ao vandalismo moral: Legislativo, Judiciário, imprensa… A oposição foi impiedosamente desqualificada, desmoralizada — e se deixou, é bem verdade, desqualificar e desmoralizar.
Notem que há um estranho casamento de agendas na praça: a extrema esquerda está lá, sim. Foi ela, diga-se, que abriu a primeira janela — e os petistas incitaram o baguncismo em São Paulo.

Mas há também os que não suportam mais a rotina de incompetências e desmandos e que repudiam o petismo. Mas nem por isso se sentem representados pela oposição. E nem poderiam.

Ao longo dos anos, ela se mostrou um tanto frouxa, incapaz de articular um discurso que reunisse valores alternativos aos triunfantes. Resultado: há, sim, milhões de pessoas que, embora repudiem a visão de mundo petista, não têm onde ancorar as suas frustrações.


Gilberto Carvalho tem razão ao dizer que há um certo moralismo nas ruas. É verdade! E ele se dirige contra o governo do PT, que resolveu declarar imoral a própria moral, não é mesmo?

Assim, descontentamentos ficaram represados: nem havia como expressá-los por intermédio da capilaridade governista — já que os movimentos sociais estavam e estão todos cooptados, comprados pelo petismo com seus “bolsismo” e medidas de reparação disso e daquilo — nem por intermédio da oposição, que seria o canal natural por onde deveria escoar as contraditas ao discurso do poder.

Um bom exemplo é a UNE. Há milhares de estudantes na rua que jamais sentiram a presença dos pelegos em seu cotidiano.
Por que digo que os problemas são reais, mas a tensão é matéria de engenharia? Porque parte deles, que assumiu a forma da urgência, é crônica. Alguns se tornaram mais agudos, é claro!, à medida que as políticas de inserção social dos últimos 20 anos — e elas existem — aumentaram o número de usuários de aparelhos do sistema público, escandalosamente ineficientes.

E, então, chegamos a um busílis importante, que ficará para o terceiro capítulo desses textos, que são independentes entre si, mas conectados: a coloração que estão assumindo os justos protestos nos leva à solução ou pode criar novas e graves problemas?

Direi, então, no texto de amanhã por que há o risco imenso de incidirmos na segunda hipótese. Por que a educação é sofrível? Por que a saúde é uma lástima? Por que a segurança é precária? Por que a infraestrutura está em pandarecos? Não é por causa dos estádios da Copa nem é por falta de dinheiro (acreditem!).
O caminho que se abre pela frente — e torço muito para estar errado — caminho não é.

Há um risco razoável de que esse militantismo sem alvo, ou de muitos alvos, crie novos e severos embaraços, maiores do que aqueles que já estão aí.

De resto, meus caros, por melhores que fossem ou que sejam os propósitos, nunca vi nada de bom sair do desrespeito sistemático às leis e da agressão permanente a direitos fundamentais.
Eu quero de volta o meu direito de ir e vir e de planejar o meu dia sem ter de consultar a agenda de manifestações do MPL ou sei lá quem.

Eu não posso aceitar que cada grupo organizado, por mais justo que seja, se assenhore das garantias constitucionais, apesar da liminar do ministro Luiz Fux — que jamais terá problemas para ir e vir. Se for o caso, reivindico, então, o meu direito de minoria.

Os liberais que podem estar vendo no que está em curso uma nova aurora podem acordar abraçados a um Tirano de Siracusa, só que sem o amor pela sabedoria.
Texto originalmente publicado às 7h02
24/06/2013

domingo, 23 de junho de 2013

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Os lulopetistas conseguiram o que queriam. Agora somos Nós x Eles


POR REYNALDO ROCHA

Não é ainda hora de rescaldos. Há muito que acontecer. Somente os míopes não conseguem identificar no horizonte o que vem lá.

O que leva milhares de brasileiros às ruas após um dia de trabalho, com uma Copa acontecendo?

São desordeiros? Vândalos? São inocentes usados por radicais de esquerda? Ou seriam marionetes nas mãos das oposições? As hipóteses são tão absurdas que não merecem sequer uma linha de qualquer comentário.

São deserdados. Da esperança de um futuro, roubado seguidamente por uma corja que se julgava acima do bem e do mal. Que se sentiam imperadores do Brasil, com um povo pronto a ouvir e aceitar qualquer desculpa ou explicação do inexplicável.

Apostaram na ignorância. Na mediocridade. Na compra pura e simples, na boca do caixa. No uso de nossos esforços e trabalhos como matéria de uso pessoal.

Esqueceram – ou nunca aprenderam a lição. De um povo que derrotou uma ditadura. Que enfrentou um desequilibrado como presidente até escorraçá-lo do Planalto.

Julgavam-se acima de julgamentos. Acreditavam que eram os réus e juízes dos próprios crimes diariamente cometidos. À luz do dia, com a arrogância dos egoístas e egocêntricos.

Minoraram as vozes que ousavam ser de oposição. Demonizaram a discordância. Atacaram o mensageiro. Tentaram por um país de joelhos. Humilharam uma nação, oferecendo auxílios que um dia foi chamado pelo líder da seita de compra de cidadania. E compraram em proporções continentais. Mantendo um povo desprovido de futuro na eterna dependência da ajuda que deveria ser um degrau. Nunca um curral.

Não, ainda não vencemos. Avançamos. De modo definitivo, pois estes passos foram (e são) tão determinados que não serão apagados. As pegadas estão em asfaltos do Brasil todo.

Os deserdados também sentem que ninguém os amparava. A oposição que se escondeu e se recolheu, que foi apática e covarde, talvez agora entenda que são menores que nós.

NÓS SOMOS MAIS! Somos deserdados, mas acreditamos que, mesmo sem heranças (fiquem com elas!) saberemos caminhar por nós mesmos.

Não há um único político com mandato popular que tenha coragem suficiente para aparecer em alguma manifestação. Seria colocado no mesmo saco de lixo. Assim, estão escondidos.

Ontem, modestamente, desafiei o PT a sair às ruas. Era mais uma ironia, que a cegueira e a ignorância ─ em uma feliz coincidência ─ tornaram real.

BEM-VINDO AO BRASIL REAL, senhores petistas!

Aqui há um povo (sim, POVO, conceito prostituído por vocês) que sabe fazer história. Que observa. Que não esquecia. Que esperava por vozes que nunca tiveram coragem de se manifestar.

Aqui há uma nação (conceito que vocês jamais entenderam) que se faz para além de regionalismos, de separações odiosas sonhadas por vocês ou de divisões ridiculamente arquitetadas por quem não consegue enxergar o Brasil.

Há gente decente neste país. Que trabalha. Que não depende de benesses, padrinhos ou tutores. Que ouve e não aceita, mesmo em silêncio.

Vocês, lulopetistas, erraram em quase tudo. Acreditavam-se donos da vontade popular. Imaginavam que bandidos seriam defendidos nas ruas por cidadãos prontos a marchar ao primeiro chamado. Que os crimes seriam esquecidos no dia seguinte. Não estavam sendo esquecidos: estavam sendo armazenados em uma conta difusa que, se não cita detalhes, sente a totalidade.

Acreditaram no bando chapa-branca que mostrava um país de felizes e contentes! Com uma minoria de raivosos e odiosos opositores.

Planejaram a compra de deputados, senadores e partidos como se a oposição fosse resumida a eles. Nunca foram. Eramos nós! E nós não estamos à venda.

Vocês, milicianos, só conseguiram sucesso em um tema: na divisão entre “nós e eles”, tão insistida como mote de atuação do líder lobista e de todos os asseclas da seita.

Conseguiram!

Não sei – ninguém sabe! – o que irá acontecer. Nós x Vocês!.

E para espanto de tantos, sinto informar: NÓS SOMOS MUITOS!

21/06/2013