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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Reforma política: a tentação bolivariana de Dilma, que pode nem terminar o mandato, agora visa a quebrar o PMDB




Por Reinaldo Azevedo

O PT conseguiu quatro mandatos com a Constituição que aí está. Ficará, se Dilma conseguir encerrar o próximo período, 16 anos no poder. E se prepara, um tanto alheio à realidade, para fazer uma reforma que busque eternizá-lo no poder. Não vai conseguir.

Mesmo com o país dividido, mesmo tendo obtido apenas 38% dos votos, com uma abstenção recorde; mesmo estando quase exilado às faixas de renda do país hoje mais dependentes dos benefícios estatais, os petistas se acham na condição de liderar uma reforma política contra o Congresso. Que os peemedebistas não duvidem um só segundo: o partido, embora o principal aliado do petismo, é o principal alvo das tentações totalitárias dos companheiros.

Em seu discurso, Dilma afirmou que pretende encaminhar a reforma política via plebiscito, que é como colocar o carro adiante dos bois; que é como fazer o rabo abanar o cachorro. Repetiu a sua intenção nas duas entrevistas concedidas até agora. No seu modelo ideal, fazem-se um plebiscito e uma constituinte exclusiva para a reforma. Em favor da tese, alega ter recebido uma petição de movimentos sociais com oito milhões de assinaturas. Ocorre que mais de 80 milhões deixaram de votar na represidenta. Perceberam a desproporção?

Fazer uma constituinte exclusiva corresponde a montar uma assembleia só com a finalidade de fazer a reforma, que será, obviamente, distorcida pelos ditos movimentos sociais, que nada mais são do que braços do PT. Pior: se os constituintes podem elaborar o texto e ir para casa, não terão compromisso nenhum com os seus efeitos.

É claro que, desse processo, resultaria um modelo tendente a fortalecer os fortes e a enfraquecer os fracos. O partido quer, por exemplo, financiamento público de campanha. Ora, como seria distribuído esse dinheiro? Teria de obedecer necessariamente aos votos obtidos na eleição anterior. Vale dizer: quem hoje dispõe de uma vantagem tenderia a carregá-la para o futuro. O PT tem também especial predileção pelo voto em lista. Quer encher o Congresso com os seus burocratas sem rosto.

Se propostas como essas vencem um plebiscito, os congressistas estariam obrigados a aceitá-las. “Ah, mas se é a vontade da maioria…” Bem, propostas as mais asquerosas e fascistoides podem contar com o apoio da maioria sem que a democracia saia ganhando com isso, não é mesmo? Proponha pena de morte e mutilações para bandidos perigosos, e isso tende a contar com a anuência popular. Quem disse que é bom?

O PMDB resiste à tentação totalitária da senhora Dilma Rousseff e faz muito bem! Até porque a legenda está na mira dos companheiros. Eles sabem que o partido dificilmente deixará de ter um candidato próprio nas próximas eleições.

A única forma decente de conciliar uma participação mais direta com os pressupostos da democracia representativa é fazer a reforma com o auxílio de referendo. Aí, sim: o Congresso vota uma reforma, e a população diz se aceita ou não a mudança.

Fora desse modelo, o que se tem é tentação golpista.

O golpismo das urnas, que substituiu os tanques no neoautoritarismo em curso em vários países da América Latina.

Dilma que não venha posar de bolivariana.

A gente nem sabe se ela termina o mandato, certo? A Venezuela, a Bolívia e o Equador não são aqui.


28/10/2014 

terça-feira, 2 de julho de 2013

O plebiscito dos espertalhões vai tropeçar na revolta da rua e desaparecer no sumidouro que engole malandragens eleitoreiras






Por Augusto Nunes
O plebiscito sobre a “reforma política” é o mais recente lançamento da usina de pirotecnias eleitoreiras instalada pelo bando de vigaristas, ineptos e gatunos que está no poder há mais de dez anos ─ e lá quer ficar para sempre.

Atarantados com a revolta da rua, a presidente Dilma Rousseff e seus conselheiros trapalhões imaginam que a manobra malandra vai esvaziar o pote até aqui de cólera que enfim transbordou para as ruas de centenas de cidades.


Versalhes reencarnou no Planalto.Os espertalhões não demorarão a descobrir o tamanho da encrenca em que se meteram.

As multidões sem medos nem donos já não suportam a impunidade dos corruptos, o apodrecimento dos sistemas de saúde e educação, a gastança debochada dos exploradores da Copa do Mundo, o cinismo dos políticos profissionais, a institucionalização da trapaça, da tapeação, da promessa que não descerá do palanque.

Em sua essência, as palavras de ordem reiteradas nos atos de protesto, encampadas pela imensa maioria do país que pensa, exigem a imediata interrupção da Ópera dos Canalhas.

O governo lulopetista acha que, com um plebiscito malandro, vai mandar os manifestantes para casa, livrar a chefe de vaias, inverter a curva desenhada pelas pesquisas de popularidade, reeleger Dilma Rousseff no primeiro turno e correr para o abraço. Vão quebrar a cara.

A esperteza da hora será tragada pelo mesmo sumidouro onde jazem, agonizam ou sobrevivem com injeções bilionárias de dinheiro público tantos projetos delirantes, invencionices diversionistas, façanhas imaginárias, milagres de araque, maluquices perdulárias e ideias natimortas.

O legado dos arquitetos do Brasil Maravilha já inclui, por exemplo,

o Programa Fome Zero,
as três refeições por dia,
o fim da pobreza,
o extermínio da miséria,
o Programa Primeiro Emprego,
o trem-bala,
a Ferrovia do Sarney,
a ressurreição da rede ferroviária em ruínas ,
a transposição das águas do Rio São Francisco,
a rede nacional de hidrovias,
as 6 mil creches prometidas em 2010,
as 6 mil casas na Região Serrana do Rio prometidas em 2011,
os 6 mil agentes especializados na prevenção de enchentes,
os 6 mil médicos cubanos,
o sistema de saúde que Lula considera “perto da perfeição”,
a importação do SUS pelos Estados Unidos,
a recuperação das rodovias federais,
a autossuficiência em petróleo anunciada em 2007,
a entrada na OPEP a bordo das jazidas do pré-sal,
a chegada da Petrobras ao topo do ranking das maiores empresas do ramo,
a vaga no Conselho de Segurança da ONU,
o poderio econômico do Mercosul,
a conquista do Nobel da Paz por Lula,
a candidatura de Lula a secretário-geral da ONU,
a esquadrilha de caças franceses,
a fórmula milagrosa que rebaixa qualquer crise econômica a marolinha,
os pitos telefônicos de Lula em George Bush,
as advertências de Lula a Barack Obama,
a Copa do Mundo de matar argentino de inveja,
a Olimpíada de assombrar dinamarquês,
o colosso de “obras de mobilidade urbana” legado pelos dois eventos esportivos,
o terceiro aeroporto de São Paulo,
os 800 novos aeroportos distribuídos por todo o país,
a reforma e ampliação dos aeroportos das capitais,
os recordes de popularidade estabelecidos por Lula e Dilma,
o controle social da mídia,
a regulamentação da mídia,
a promoção de Dilma a superexecutiva onisciente,
o doutorado em economia da doutora em nada,
o PT detentor do monopólio da ética,
o partido que não roubava nem deixava roubar,
fora o resto.

A lista será ampliada pelo plebiscito que é mais que uma tentativa de golpe: é também a confirmação de que os chefões do lulopetismo e seus comparsas não conseguem ou não querem ouvir a voz da rua.

Essa espécie de surdez invariavelmente eleva em milhares de decibéis o som da fúria.

E acaba consolidando a certeza de que governantes como Lula e Dilma só ouvem com nitidez a palavra de cinco letras que, gritada em coro pela multidão, costuma prenunciar o final infeliz: basta.

02/07/2013


terça-feira, 25 de junho de 2013

Dilma recua e não quer mais a Constituinte exclusiva. Ah, bom…


Por Reinaldo Azevedo
Pronto!

Agora Dilma já não quer mais a Constituinte exclusiva!

Na verdade, nunca quis pra valer.

Foi alertada para mas dificuldades, mas não houve tempo para o debate.

Não é que fosse jogo de cena.

Se colasse…

O objetivo era e é outro.

Conto tudo daqui a pouquinho.

O que os petistas querem, aí sim, é fazer uma reforma política, mesmo pelas vias convencionais (Projetos de Lei e Projeto de Emenda Constitucional), que beneficie as forças que estão atualmente no poder e liquide a oposição.

O Planalto está aturdido?

Está.

Mas é bom não esquecer que essa gente tem uma teoria de poder, e os seus adversários não.

25/06/2013