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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Politicamente correto - a vingança do marxismo






Escrito por Edward S. May -“Baron Bodissey”
Artigos - Movimento Revolucionário
MSM

FrontPage Magazine : Você faz a perspicaz observação da forma como o politicamente correto gera o mal "devido à violência que leva a cabo nas almas das pessoas ao forçá-las a afirmar ou a aludir coisas em que não acreditam, mas que não podem questionar."

Pode falar um pouco mais disto?

Theodore Dalrymple: O politicamente correto é propaganda comunista em ponto pequeno. Durante o meu estudo das sociedades comunistas, cheguei à conclusão de que o propósito da propaganda comunista não era persuadir ou convencer, mas humilhar, e desde logo, quanto menos estiver de acordo com a sociedade, melhor é.


Quando as pessoas são forçadas a permanecer caladas quando lhes é dita a mais óbvia das mentiras, ou pior ainda quando são obrigadas a repetir elas mesmas a mentira, elas perdem o seu senso inquisitor.

Concordar com mentiras óbvias é co-operar com o mal, e em menor escala, tornar-se também maligno.

A capacidade da pessoa de resistir a qualquer coisa é corroída e até destruída.

Uma sociedade de mentirosos emasculados é mais fácil de controlar.


Eu acho que se examinarmos o politicamente correto, ele tem o mesmo efeito e é suposto que tenha.

Eu ouvi pessoas que cresceram em países comunistas a afirmar que nós, no Ocidente, somos tão doutrinados pelo multiculturalismo e pelo politicamente correto tal como eles o eram sob o comunismo, ou até mais.

Mesmo nos tempos áureos do Bloco do Leste existiam grupos dissidentes nestes países. O mais assustador é que eu acho que ele tem razão.

Mas como é isso possível? Não temos nós liberdade de expressão aqui? Não estamos nós livres de sermos enviados para um Gulag?

O problema é que nós nunca chegamos a vencer a Guerra Fria da forma decisiva que deveríamos ter vencido. Sim, o Muro de Berlin caiu e a União Soviética entrou em colapso. Isto retirou a ameaça militar sobre o Ocidente, e a economia marxista mais hardcore sofreu um golpe na sua credibilidade como alternativa crível.

No entanto, um dos maiores erros que nós fizemos depois da Guerra Fria foi declarar que o socialismo encontrava-se agora morto, e como tal, não tinhamos mais com o que nos preocupar.

No entanto, eis-nos aqui agora, uma geração depois, a descobrir que a retórica e a forma de pensar marxista penetrou todos os estratos da nossa sociedade, desde as universidades até à mídia.

O terrorismo islâmico é explicado como sendo um fenômeno causado pela "pobreza, opressão e marginalização," uma interpretação marxista clássica.

O que aconteceu foi que, embora o marxismo "rígido" da União Soviética possa ter entrado em colapso, pelo menos por agora, o marxismo "soft" da esquerda ocidental na verdade tornou-se mais forte, em parte porque nós o consideramos menos ameaçador.

Os marxistas "rígidos" possuíam mísseis nucleares intercontinentais e abertamente afirmavam que nos iriam "enterrar".

Os marxistas "soft" falam de tolerância e aparentam ser menos ameaçadores, mas o seu propósito de subverter o maligno Ocidente capitalista continua a ser o mesmo.

Aliás, os marxistas "soft" são mais perigosos porque escondem o seu propósito por trás de qualificações distintas. Se calhar, o melhor seria chamarmos a isto de "socialismo oculto" em vez de marxismo "soft".
Um dos leitores do blog Fjordman ressaltou uma vez que, depois da Guerra Fria, nunca chegamos a ter um processo de des-marxização semelhante ao processos de des-nazificação que ocorreram após da Segunda Grande Guerra.

Ele tinha em mente a antiga União Soviética e os países da Europa do Leste, mas provavelmente ele deveria ter incluído os acompanhantes dos marxistas, os seus simpatizantes e apologistas do Ocidente.

Nós nunca chegamos a confrontar a ideologia marxista, e nem demonstramos que o sofrimento causado a centenas de milhões de pessoas era consequência direta das ideias marxistas.

Nós apenas assumimos que o marxismo estava morto, o que permitiu que muitos dos seus ideais sofressem mutações e surgissem com nova roupagem, permitindo que os seus advogados prosseguissem ininterruptamente com o seu trabalho, às vezes com um sentimento de vingança e um renovado zelo no seu ataque ao Ocidente capitalista.

Hoje em dia estamos a pagar o preço disso. Não só o marxismo sobreviveu, como está a prosperar e tornou-se mais forte.

As ideias esquerdistas em torno do multiculturalismo e das fronteiras abertas praticamente adquiriram a hegemonia no discurso público, ao mesmo tempo que os seus críticos são atacados e demonizados.

Ao esconderem as suas intenções por trás de nomes como "anti-racismo" e "tolerância”, os esquerdistas adquiriram um grau de censura no discurso público que nunca poderiam ter imaginado adquirir se tivessem declarado abertamente as suas intenções de transformar radicalmente a civilização Ocidental e destruir os seus fundamentos.

A esquerda tornou-se orfã ideológica após o fim da Guerra Fria; se calhar o termo mais apropriado é mercenários ideólogos.

Apesar da alternativa econômica viável ao capitalismo não ter funcionado, o seu ódio pelo sistema nunca acalmou; apenas se transformou em outras coisas.

O multiculturalismo é apenas outra palavra para "dividir e conquistar", colocando os vários grupos étnicos e culturais uns contra os outros, destruindo a coerência da sociedade ocidental a partir do seu interior.

As pessoas que viviam nos antigos países comunistas sabiam e admitiam que faziam parte duma gigantesca experiência social, e que a mídia e as autoridades lhes serviam propaganda como forma de alcançar apoio para seus projetos.

No entanto, no Ocidente supostamente livre, nós fazemos parte da gigantesca experiência social com o nome de multiculturalismo e imigração muçulmana que é tão radical, utópica e potencialmente tão perigosa como o comunismo - buscando formas de transformar toda a nossa sociedade de cima a baixo - no entanto nos recusamo-nos a aceitar que essa experiência está a decorrer.

Na Noruega, um pequeno país que até há pouco tempo tinha uma população 99% branca e cristã luterana, os nativos noruegueses serão em breve uma minoria na capital do seu país, e mais tarde uma minoria em todo o país.

Mesmo assim, os políticos, jornalistas e professores universitários noruegueses insistem que não existe motivo para preocupação.

O multiculturalismo e a imigração não são coisas novas. De fato, há cerca de um século atrás o nosso rei de então havia nascido na Dinamarca, portanto ter uma capital dominada por paquistaneses, curdos, árabes e somalis não é nada de anormal.

A transformação mais colossal do país em mil anos, e provavelmente a maior transformação registada pela História, é, portanto, tratada como algo natural.

Sugerir que pode haver algo de errado com isto é suficiente para se ser silenciado debaixo de acusações de "racismo."

Eric Hoffer ressalvou:

É perfeitamente óbvio que o movimento de massas que tenta converter os outros tem que destruir todos os laços de grupo existentes, se é propósito seu fazer-se rodear por uma considerável massa de seguidores.

O potencialmente ideal convertido é aquele que se encontra sozinho, que não faz parte de qualquer corpo coletivo onde se possa misturar, e perder-se no seu interior como forma de mascarar a sua mesquinha, insignificante e superficial existência.

Nos sítios onde os movimentos de massas encontram um padrão corporativo de família, tribo, nação, etecera, num estado de perturbação e decadência, o movimento de massa muda-se para o seu interior e recolhe os dividendos. Onde ele encontra um padrão corporativo em boa forma, ele têm primeiro que atacá-lo e perturbá-lo.

Isto corresponde na perfeição com o comportamento da esquerda ocidental atual.


Na Alemanha, Hans-Peter Raddatz no seu livro “Allahs Frauen” (As Mulheres de Alá) expõe a destrutiva atitude do multiculturalismo que é partilhada por muitos funcionários civis, jornalistas, políticos e advogados na Alemanha e na União Europeia (UE).

Ele documenta particularmente a forma como o partido "Os Verdes" alemão possui um plano para desmantelar e dissolver a “Leitkultur” cristã, ou a cultura comum, que até agora tem sido a base da Alemanha e do Ocidente.

Raddatz é de opinião de que as décadas de imigração muçulmana estão a ser usadas como um instrumento para destruir as instituições, as normas e as ideias que a esquerda tentou no passado destruir por meio da economia.

Através de posições poderosas na mídia, nas instituições públicas e no sistema de educação, estes multiculturalistas estão a trabalhar num projeto de larga escala que visa renovar a civilização ocidental que, segundo eles, falhou.

Um jornal norueguês com o nome de Dagens Næringsliv expôs o fato de que a maior organização "anti-racista" do país, SOS Rasisme, esta fortemente infiltrada por comunistas e membros da extrema-esquerda.

Eles infiltraram-se na organização nos finais dos anos 1980 e princípios dos anos 1990, isto é, durante o período da queda do comunismo na Europa Oriental.

Eles passaram diretamente do comunismo para o multiculturalismo, o que pode indicar que pelos menos alguns deles viam o multiculturalismo como uma continuação do comunismo, mas por outros meios.

Para além disso, isto revela-nos muito acerca da íntima ligação entre o marxismo econômico e o marxismo cultural; estas ideologias são apenas caminhos distintos que visam atingir os mesmos objetivos.

A maior parte da esquerda política está determinada a expor os seus adversários como malignos, em vez de discutir de forma racional os seus argumentos.

Atribuir qualificações tais como "racista" ou mesmo "fascista" a alguém que critica a imigração em massa ou o multiculturalismo tornou-se tão comum que os anti-islamistas noruegueses cunharam um novo termo para isso: “hitling,” que, em sentido lato, pode ser traduzido como "fazer como Hitler."

A lógica por trás do “hitling” é mais ou menos assim: “Você tem uma barba. Adolf Hitler também tinha pêlos faciais, portanto você deve ser como Hitler. Adolf Hitler gostava de cães. Você também tem animais de estimação, portanto você deve ser como Hitler. Adolf Hitler era vegetariano. Você gosta de cenouras, você é exatamente como Hitler”.

Qualquer "direitista" pode ser atacado com tais acusações. Curiosamente, o reverso quase nunca é verdade. Embora o marxismo tenha matadoo 100 milhões de pessoas durante o século XX, e tenha falhado em todas as sociedades onde quer que tenha sido instalado, não parece haver qualquer estigma em ser um esquerdista.

O fato dos esquerdistas poderem sair ilesos com alegações de superioridade moral demonstra de forma ampla que nós não vencemos a Guerra Fria.

Nós baixamos a guarda depois da queda do Muro de Berlim e nunca chegamos propriamente a denunciar a ideologia por trás dela. Isto agora voltou para nos assombar.

Um membro de um partido anti-imigração do Reino Unido disse que ser chamado de racista no século 21 é "o mesmo que ser chamado de bruxa durante a Idade Média."

Ele provavelmente tem razão, o que significa que o anti-racismo tornou-se a moderna caça às bruxas.

Naomi Klein, ativista canadense e autora do livro No Logo, é figura querida da esquerda ocidental. Ela alega que o verdadeiro motivo por trás do terrorismo islâmico é o racismo ocidental, diretamente ligado às experiências pessoais de Sayyid Qutb - teórico da jihad islâmica moderna - durante o período em que ele viveu nos EUA dos anos 1940.

“O verdadeiro problema,” conclui ela, “não é a existência de demasiado multiculturalismo mas o fato de haver pouco.” O aumento do multiculturalismo, alega Klein, “tiraria dos terroristas o que sempre foi a sua melhor arma de recrutamento: o nosso racismo.”

Robert Spencer, no entanto, não está muito impressionado com a lógica ou o conhecimento histórico de Klein:

“A raiva de Qutb que mudou o mundo?” Será que essa raiva é mesmo de Qutb? Será que o terrorismo islâmico moderno pode ser atribuído a ele e às suas experiências racistas que sofreu no Colorado?

Seria de esperar que, se isto fosse verdade, não existissem evidências do Islã político e violento antes de 1948. Mas de fato, a Irmandade Muçulmana, da qual Qutb fazia parte, foi fundada não em 1948 mas em 1928, e não por Qutb, mas por Hasan Al-Banna.

Foi Al-Banna, não Qutb, que escreveu: “Na tradição (islâmica) existe um claro indicador em favor da obrigação de lutar contra os Povos do Livro (Judeus e Cristãos), e o fato de Deus duplicar a recompensa daqueles que lutam contra eles.

A Jihad (guerra santa aprovada pela tradição islâmica) não é só contra os politeístas, mas contra todos os que não aceitam o Islã.”

Paul Berman também não partilha da interpretação de Klein. Segundo ele, o livro que Qutb escreveu nos anos 1940 com o nome de 'Social Justice and Islam' (Justiça Social e o Islã) demonstra que, mesmo antes da sua viagem para EUA, Qutb “encontrava-se firme no seu fundamentalismo islâmico,” embora possa ter piorado depois de ele se deparar com a "imoralidade" ocidental.

Segundo Berman, o elemento realmente perigoso da vida americana, segundo as estimativas de Sayyid Qutb, “não era o capitalismo, a política externa, o racismo ou a infeliz veneração da independência feminina. O verdadeiro elemento perigoso dos EUA encontrava-se na separação entre a Igreja e o Estado - o legado moderno da antiga divisão cristã do sagrado e do secular. Os verdadeiros proponentes do Islã tinham que se unir em torno do que Qutb, no seu livro Milestones chamou de vanguarda. Esta vanguarda de genuínos muçulmanos iria restaurar o califado e levar o Islã para todo o mundo, tal como Muhammad o havia feito.”

Tanto o livro Milestones como partes do livro provavelmente mais importante de Qutb, In the Shade of the Qur’an, encontram-se disponíveis online e em inglês. No livro Milestones, ele escreve como a jihad continuará até que todo o mundo responda ao Islã, que “o Islã veio ao mundo para estabelecer o domínio de Deus na Terra de Deus”. “O Islã tem o direito de remover todos os obstáculos que se encontram no caminho,” e “tem o direito de destruir todos os obstáculos, quer sejam instituições e tradições,” por tudo o mundo. “O domínio de Deus na terra que Lhe pertence só pode ser estabelecido através do sistema islâmico.”

De que forma é que isto está relacionado com o racismo ocidental? Porque é que a Jihad teve início mil anos antes do colonialismo ocidental ter entrado em contato com terras islâmicas? E o que dizer dos milhões massacrados na Índia através da jihad islâmica? Foi também isso o resultado do racismo ocidental? Disto Naomi Klein não fala. Ela só culpa o Ocidente. E ela não é a única a sofrer desta desilusão.

Comentando os tumultos-jihad ocorridos na França no outono de 2005, o filósofo Alain Finkielkraut afirmou:

Na França, muito gostariam eles de reduzir este confrontos à sua dimensão social e olhar para eles como uma revolta de jovens dos subúrbios contra a sua situação, contra a discriminação que sofrem, contra o desemprego. O problema é que estes jovens são, na maioria, negros ou árabes com identidade islâmica. Reparem numa coisa: na França existem outros imigrantes também eles numa situação difícil — chineses, vietnamitas, portugueses — e eles não estão a tomar parte das manifestações. Devido a isto, torna-se claro que esta é uma revolta com características etnico-religiosas.

Estas pessoas são tratadas como rebeldes, como revolucionários. (…) Eles são ‘interessantes’. Eles são os ‘desprezados do mundo’.

Imaginem por um momento que eles eram brancos, tal como em Rostock na Alemanha. Imediatamente, todos diriam coisas como "o fascismo não será tolerado." Quando um árabe incendia uma escola, isso é qualificado de rebelião. Quando um branco faz o mesmo, isso é fascismo. O mal está errado, independentemente da cor de quem o faz.

Numa entrevista com o semanário dinamarquês Weekendavisen, Finkielkraut disse que:

O racismo é a única coisa que ainda pode gerar raiva entre os intelectuais, entre os jornalistas e entre as pessoas da área do entretenimento, isto é, as elites. A cultura e a religião entraram em colapso; apenas o anti-racismo permanece, e funciona como uma idolatria intolerante e desumana.

Um dos líderes duma das organizações contra o racismo teve a audácia de se referir às ações da polícia dos subúrbios de Paris como "limpeza étnica." Este tipo de terminologia usada em torno da situação francesa indica um deliberada manipulação da linguagem.

Infelizmente, estas mentiras malucas convenceram o público de que a destruição dos subúrbios deveria ser vista como um protesto contra a exclusão e contra o racismo. Acho que esta elevada ideia de "guerra ao racismo" gradualmente se está a tornar numa ideologia horrível. E este anti-racismo será no século 21 o que o comunismo foi no século 20: uma fonte de violência.

Será que os franceses tornaram-se vítimas do niilismo de Jean-Paul Sartre? Roger Scruton escreveu em torno desta continuada influência do The Spectator:

Os franceses ainda não se recuperam de Sartre e provavelmente nunca se irão recuperar uma vez que tiveram que viver com um establishment intelectual que repudiou as duas coisas que unem o país: o cristianismo e a ideia da França.

A postura anti-burguesa dos intelectuais da esquerda adentrou o processo político e deu forma a uma elite para quem nada é seguro excepto o repúdio da ideia nacional. É graças a esta elite que o projeto louco da União Europeia se tornou indelevelmente inscrito no processo político francês, embora o povo francês o tenha rejeitado. É graças a esta elite que a imigração em massa para França de comunidades muçulmanas não-assimiláveis foi encorajada e subsidiada e é graças a esta elite que o socialismo se tornou embutido no estado francês de forma tão firme que ninguém o pode reformar.

Não só de negociação viverá o homem.

O próprio Karl Marx declarou que “o significado de paz é a total ausência de oposição ao socialismo,” um sentimento que se corresponde de modo quase exato com a ideia islâmica de que a "paz" significa a ausência de oposição ao domínio islâmico. O marxismo cultural - isto é, o politicamente correto - e o Islã partilham da mesma visão totalitária, e instintivamente concordam na sua oposição à livre discussão e na posição de que a liberdade de expressão tem que ser controlada se a mesma for "ofensiva" para alguns grupos.

O ex-muçulmano Muslim Ali Sina ressalva que,

... as diferenças entre a esquerda e o Islão são mínimas. O que falta a ambos os credos é a aderência à Regra de Ouro.Tal como para muitos muçulmanos tudo o que é islâmico está a priori certo e é bom e tudo o que é não-islâmico está a priori errado e é maligno, para a esquerda, tudo o que é esquerdista é a priori oprimido e é bom, e tudo o que vem da direita é opressor e é maligno. Os fatos não interessam.A justiça é determinada por quem tu és e não por aquilo que tu fizeste... O politicamente correto é uma doença intelectual que significa mentir de modo expediente quando dizer a verdade não é proveitoso. Esta prática encontra-se tão disseminada que é considerada normal.

Sina cita também o historiador Christopher Dawson quando escreve:

É relativamente fácil o indivíduo adotar uma atitude negativa de ceticismo crítico, mas quando a sociedade como um todo abandona todas as crenças positivas, ela fica sem forças para resistir aos efeitos desintegradores do egoísmo e do interesse egocêntrico. De modo lato, todas as sociedades dependem do reconhecimento de princípios e ideias comuns. Mas se elas não fazem nenhum apelo moral ou espiritual à lealdade dos seus membros, elas inevitavelmente entram em colapso.

Este será o resultado do multiculturalismo, e suspeita-se que este era o objetivo desde o princípio.

Outro antigo muçulmano, o escritor Ibn Warraq, visitou a Dinamarca aquando do lançamento do seu livro Why I am not a Muslim. Durante uma entrevista, Ibn Warraq declarou que entre a esquerda existe um complexo de culpa pós-colonial que constitui um obstáculo quase intransponível para quem quer criticar o Islã ou as culturas do Terceiro Mundo. Portanto, a esquerda colocou de lado os seus valores universais em favor do perigoso relativismo.

Ibn Warraq notou que mesmo depois de terem decorrido mais de 50 anos desde o momento em que o Ocidente abandonou as colônias do Terceiro Mundo, os esquerdistas continuam a culpar o Ocidente por todos os males existentes na África e no Oriente Médio. No entanto, passados que estão dez anos da queda do Comunismo, eles culpam o capitalismo descontrolado pelos problemas da Rússia.

A esquerda recusa-se a buscar respostas em outros lugares. Ao mesmo tempo, e muito por culpa de Marx, eles estão habituados a procurar explicações econômicas para tudo. Consequentemente, eles buscam explicações econômicas para o terrorismo islâmico. Mas é um mistério enorme como é que 200 mortos em Madrid podem de alguma forma ajudar os pobres do mundo islâmico.

O presidente da República Checa Vaclav Klaus, que tem experiência pessoal de viver sob o jugo do socialismo, avisa-nos que o mesmo pode não estar tão morto como nós pensamos que está:

Podemos afirmar de modo confiante que a "versão rígida" - comunismo - acabou. No entanto, temo que quinze anos depois do colapso do comunismo estejamos a presenciar o início da sua versão mais suave (ou fraca), o social-democratismo, que - sob vários nomes como por exemplo: estado pensionista - se tornou o modelo social e econômico dominante da atual civilização Ocidental. O mesmo baseia-se num governo grande e patronizador, numa extensiva regulamentação do comportamento humano, e numa redistribuição em larga escala dos rendimentos. O socialismo explícito perdeu o seu apelo e como tal, nós não o deveríamos ter como o rival principal das nossas ideias atuais.

Klaus avisa que estas ideias anti-liberais estão a regressar com formas distintas:

Estas ideias são, no entanto, semelhantes a ele. Existe sempre uma limitação (ou constrangimento) da liberdade humana, existe sempre uma ambiciosa engenharia social, existe sempre uma imodesta "implementação dum bem" por parte daqueles que são “ungidos” (Thomas Sowell) sobre outros contra a vontade destes últimos.

As ameaças atuais à liberdade podem usar "chapéus" diferentes, esconder melhor a sua natureza, e agir de uma forma mais sofisticada que em eras passadas, mas, em princípio, são as mesmas de sempre.

Estou a falar no ambientalismo (que tem como princípio colocar a Terra - e não a Liberdade - em primeiro lugar), no direito-humanismo radical (baseado - como defende de modo preciso de Jasay – em não distinguir os direitos do direitismo), na ideologia da "sociedade cívica" (ou "communitarism"), que mais não é do que uma versão do coletivismo pós-marxista que deseja privilégios para grupos organizados, e como consequência, uma refeudalização da sociedade.

Estou a falar também do multiculturalismo, do feminismo, do tecnocratismo apolítico (baseado no ressentimento contra a política e os políticos), o internacionalismo (e especialmente a sua variante europeia, o europeísmo) e um fenômeno em crescimento rápido que eu gosto de chamar de ONGuismo.

Vladimir Bukovsky é um antigo dissidente soviético, além de autor e ativista pelos direitos humanos.

Foi um dos primeiros a expor o uso de aprisionamento psiquiátrico contra os prisioneiros políticos na URSS, e passou o total de 12 anos nas prisões soviéticas.

A viver atualmente na Inglaterra, ele lança avisos contra alguns impulsos anti-democráticos no Ocidente, especialmente os impulsos da União Europeia, que ele vê como herdeiros da União Soviética.

Em 2002 ele juntou-se a um protesto contra a obrigatória "TV licence" da BBC, fato que ele considera ser

"um arranjo tão medieval que eu pura e simplesmente tinha que protestar contra ele. Os britânicos estão a ser forçados a subsidiar uma corporação que suprime a liberdade de expressão, e que publica posições que nem sempre estão de acordo com as posições mantidas pelo público em geral”.

Ele atacou a BBC pelo seus "viés e propaganda", especialmente em sua cobertura de eventos em torno da UE e do Oriente Médio.

Gostaria que a BBC se torna-se na sucessora da KGB e me lançasse na prisão por exigir liberdade de expressão. Nada os revelaria de modo mais óbvio aquilo que eles são.

Ele não é o único farto daquilo que ele pensa ser o viés esquerdista da BBC. Michael Gove, um MP (membro do parlamento) conservador, e Mark Dooley, comentarista político, queixam-se da cobertura invertida de alguns assuntos.

Tomemos como exemplo a cobertura da BBC em torno do falecido Yasser Arafat. Numa emissão de 2002, ele foi caracterizado de "ícone", e "herói", mas nenhuma menção foi feita aos seus esquadrões de terror, à corrupção, ou à sua supressão brutal dos dissidentes palestinos. Semelhantemente, quando, em 2004, Israel assassinou o líder espiritual do Hamas, Sheikh Ahmed Yassin, um repórter da BBC descreveu-o como um homem "simpático, amável, espirituoso, e profundamente religioso." Isto apesar do fato de que, debaixo da liderança de Yassin, o Hamas assassinou centenas de pessoas.

Um ligeira influência esquerdista na visão do mundo da BBC influencia demais o que a corporação produz. Temos o direito de esperar mais honestidade do serviço de emissão que nos é pedido que subsidiemos.

Vladimir Bukovsky é de opinão de que o Ocidente perdeu a Guerra Fria:

Nunca houve julgamentos ao estilo de Nuremberg em Moscou. Po rquê? Porque embora nós tenhamos vencido a Guerra Fria em termos militares, perdemos no contexto das ideias. O Ocidente parou um dia cedo demais, tal como na Tempestade do Deserto. Imaginem se os aliados tivessem ficado satisfeitos com algo parecido com a Perestroika na Alemanha nazi - em vez de rendição incondicional. Qual seria a situação da Europa então, isto sem falar na própria Alemanha? Todos os colaboradores nazis teriam permanecido no poder, embora com um novo disfarce.

Foi exatamente isto que aconteceu na União Soviética em 1991... O comunismo provavelmente estava morto, mas os comunistas permaneceram no poder nos países do Pacto de Varsóvia, e os seus colaboradores ocidentais ascenderam ao poder em todo o mundo (particularmente na Europa).

Isto é pouco menos que um milagre: a derrota dos nazis em 1945 logicamente virou a política mundial para a esquerda, ao mesmo tempo que a derrota do comunismo em 1991 virou a mesma política também para a esquerda - desta vez de forma bastante ilógica. Não é surpreendente, portanto, que, apesar da derrota do comunismo, a esquerda radical ainda atribua si mesma um patamar moral superior.

Quando os nazis perderam a Segunda Guerra Mundial, o ódio racial foi desacreditado. Quando os soviéticos perderam a Guerra Fria, os pilares do ódio de classes permaneceram tão populares como sempre.

Bukovsky alega que embora o Ocidente tenha obtido uma vitória militar, ideologicamente o socialismo prevaleceu como uma ideia popular por todo o mundo. Ele escreve:

Havendo falhado em acabar de modo conclusivo com o sistema comunista, encontramo-nos agora em perigo de integrar o monstro resultante no nosso mundo. Pode não ser chamado de comunismo, mas retém muitas das mesmas características perigosas... Enquanto os crimes do comunismo não forem sujeitos a um julgamento ao estilo de Nuremberg, o mesmo não está morto e a guerra ainda não acabou.

Marxismo cultural

O marxismo cultural tem as suas raízes nos anos 1920, quando pensadores socialistas propuseram um ataque às bases culturais da civilização ocidental como forma de pavimentar o caminho para a transição socialista. O marxismo cultural, portanto, não é nada de "novo", mas sim algo que tem coexistido com o marxismo econômico há já algumas gerações, mas que recebeu um forte impulso no Ocidente a partir da década 60 e 70 do século passado.

À medida que a União Soviética ruia e a China abraçava o capitalismo, os marxistas econômicos juntaram-se também ao comboio "cultural" uma vez que, por esta altura, era o único jogo a decorrer. Eles não têm qualquer alternativa ao presente, mas eles não estão preocupados. Eles genuinamente acreditam que nós, o Ocidente, somos tão malignos e exploradores que virtualmente qualquer coisas seria melhor, mesmo o Califado Islâmico.

A "Free Congress Foundation" tem um livreto interessante online chamado Political Correctness: A Short History of an Ideology, editado por William S. Lind. Segundo Lind, o politicamente correto...

...quer alterar o comportamento, o pensamento e até as palavras que nós usamos. De modo significativo, isto já está feito. Quem quer, ou o que quer, que controle a linguagem, controla o pensamento. O politicamente correto é, de fato, marxismo cultural. O esforço de traduzir o marxismo da economia para a cultura não teve início na rebelião estudantil dos anos 60. Ela tem as suas origens, pelo menos, nos anos 1920 e nos escritos do comunista italiano Antonio Gramsci.

Em 1923, na Alemanha, um grupo de marxistas fundou um instituto dedicado a fazer esta transição: o "Institute of Social Research" (mais tarde conhecida como a Escola de Frankfurt). Um dos fundadores, George Lukacs, declarou o seu propósito como sendo a resposta à questão: "Quem nos salvará da Civilização Ocidental?"

Lind é de opinião de que existem paralelos significativos entre o marxismo clássico e o marxismo cultural:

Ambas as ideologias são totalitárias. A natureza totalitária do politicamente correto pode ser vista nas universidades onde o "PC" tomou conta da instituição: a liberdade de expresssão, a liberdade da imprensa, e até a liberdade de pensamento encontram-se eliminadas.

Hoje, com o marxismo econômico morto, o marxismo cultural prosseguiu a sua missão. O método mudou, mas a mensagem é a mesma: uma sociedade de igualitarismo radical imposto através do poder do Estado.

Tal como no marxismo clássico, certos grupos - operários e camponeses - são a priori bons, outros grupos - a burguesia e os donos do capital - são malignos. No politicamente correto do marxismo cultural certos grupos são bons, por exemplo, as mulheres feministas. Semelhantemente, os homens brancos são automaticamente maus, transformando-se no equivalente da burguesia no marxismo econômico.

Tanto o marxismo econômico como o cultural têm um método de análise que automaticamente lhes dá as respostas que eles querem. Para o marxista clássico, é a economia marxista. Para o marxista cultural é a desconstrução. A desconstrução essencialmente pega num texto, retira todo o significado dele, e re-insere qualquer dos sentidos desejados.


Raymond V. Raehn concorda com Lind quando este diz que o "politicamente correto é marxismo, com tudo o que isso implica: perda da liberdade de expressão, polícia do pensamento, inversão da ordem social tradicional e, por fim, um Estado totalitário." Segundo ele,

...Gramsci tinha em mente uma longa marcha pelas instituições sociais, incluindo o governo, o sistema legal, os militares, as escolas e os média. Ele concluiu também que enquanto os trabalhadores tivessem uma alma Cristã, eles nunca responderiam ao apelo revolucionário.

Outro teórico marxista cultural, Georg Lukacs, reparou que "tal subversão mundial dos valores não pode ocorrer sem primeiro a aniquilação dos antigos valores e a criação de novos valores por parte dos revolucionários”. No encontro que decorreu na Alemanha, em 1923, “Lukacs propôs o conceito da indução do ‘Pessimismo Cultural’ como forma de aumentar o estado de falta de esperança e alienação da sociedade ocidental como pré-requisito necessário para a revolução.”

William S. Lind ressalva que este marxismo cultural teve início depois da revolução marxista da Rússia de 1917 não se ter espalhado para outros países. Os marxistas tentaram analisar as razões para isso, e descobriram-na na civilização e cultura ocidental.

Gramsci disse que os trabalhadores nunca se mentalizariam dos seus interesses de classe, tais como definidos pelo marxismo, até que eles se vissem livres da cultura ocidental, e particularmente da religião cristã; os trabalhadores encontravam-se alienados dos seus interesses de classe devido à cultura e à religião. Em 1919, Lukacs, que foi considerado o mais brilhante teórico marxista desde o próprio Marx, disse "quem nos salvará da Civilização Ocidental?"

John Fonte descreve como esta guerra cultural está a ser levada a cabo nos EUA no seu poderoso artigo “Why There Is A Culture War: Gramsci and Tocqueville in America.” ["Por que Existe Uma Guerra Cultural: Gramsci e Tocqueville na América"]

Segundo ele,

“abaixo da superfície da política americana um intenso confronto ideológico está a decorrer entre duas visões do mundo concorrentes. Eu chamo a isto "gramsciano" e "tocquevilleano", segundo os intelectuais e autores das ideias em confronto - o pensador italiano do século XX Antonio Gramsci e, claro está, o intelectual francês do século XIX Alexis de Tocqueville. O que está em jogo nesta batalha entre os herdeiros destes dois homens nada menos é que o tipo de país que teremos nas décadas que se seguem,"

Antonio Gramsci (1891-1937), intelectual e político marxista,

“acreditava que primeiro era necessário delegitimizar os sistemas de crença dominantes dos grupos predominantes e criar uma "contra-hegemonia" (i.e., um novo sistema de valores para os grupos subordinados) antes dos marginalizados poderem receber poder. Para além disso, uma vez que os valores hegemónicos permeiam todas as esferas da sociedade civil - escolas, igrejas, os média , associações voluntárias - a própria sociedade civil, disse ele, é o grande campo de batalha na luta pela hegemonia, a "guerra posicional." A partir deste ponto, também, seguiu-se um corolário pelo qual Gramsci deveria ser conhecido (que encontra-se presente no slogan feminista) - que toda a vida é "política".

Portanto, a vida privada, o local de trabalho, a religião, a filosofia, as artes, a literatura, e a sociedade civil no seu todo, eram campos de batalha contestados na luta para se atingir a transformação social.

Isto, segundo Fonte,

...é o cerne da cosmovisão gramsciana-hegeliana - moralidade de grupo, ou a ideia de que o que é moralmente aceito é o que serve os interesses dos grupos étnicos, raciais e sexuais "oprimidos" ou "marginalizados". A noção da "opressão internalizada" é igual à noção hegeliana-marxista da "falsa consciência" na qual as pessoas dos grupos subordinados "internalizam" (e, como tal, aceitam) os valores e as maneiras de pensar dos seus opressores presentes nos grupos dominantes. Esta forma de pensar é clássica do hegelianismo-marxismo - ações (tais como a liberdade de expressão) que "objetivamente" causam dano às pessoas das classes subordinadas são injustas (e deveriam ser ilegalizadas).

Ele documenta como as ideias de Gramsci e dos marxistas culturais se propagaram por todas as universidades ocidentais. A professora de Direito Catharine MacKinnon escreve no seu texto Toward a Feminist Theory of the State (1989), “O estado de direito e o domínio do homem são a mesma coisa, indivisíveis" porque "o poder do Estado, incorporado na lei, existe através da sociedade como poder masculino." Para além disso, "o poder masculino é sistemático. Coercivo, legitimado, e epistêmico, é o regime.”

MacKinnon alegou que o assédio sexual é, na sua essência, "um assunto de poder exercido pelo dominador sobre o grupo subordinado.” Numa conferência acadêmica patrocinada pela Universidade do Nebraska, “os participantes articularam a visão de que 'os estudantes brancos precisam desesperadamente de "treino" formal em percepção racial e cultural. O objetivo moral de tal treino é eliminar a noção dos brancos em torno da privacidade e individualismo”.

Por vezes isto transforma-se em simples lavagem cerebral mascarada de pensamento crítico. Fonte menciona que, na Universidade de Columbia, “os novos estudantes são encorajados a livrarem-se das 'suas crenças sociais e pessoais que fomentam a desigualdade.' Para se levar a cabo isto, o deão assistente para os caloiros, Katherine Balmer, insiste que 'treinamento' é necessário. No princípio da década 1990, na Bryn Mawr, e segundo o programa escolar, no final da orientação dos novos estudantes, os mesmos estavam a 'ver-se livres' do 'ciclo de opressão' e transformarem-se em 'agentes de mudança'. O programa multicultural da Universidade de Syracuse está construído para ensinar os alunos que eles vivem 'num mundo impactado por vários tópicos de opressão, incluindo o racismo.'"

John Fonte é de opinião de que a resistência primária ao avanço do marxismo cultural nos EUA vem dum segmento que ele qualifica de “tocquevillianismo contemporâneo". "Seus representantes tomam a descrição empírica de Alexis de Tocqueville em torno do excepcionalismo americano, e celebram as características desde excepcionalismo como valores normativos que devem ser abraçados."

Tal como Tocqueville ressalvou nos anos 1830, os americanos de hoje "tal como no tempo de Tocqueville, são muitos mais individualistas, religiosos, e patrióticos que qualquer outra nação comparativamente avançada. O que era particularmente excepcional para Tocqueville (e para os tocquevillianos contemporâneos) é o singular caminho americano para a modernidade. Ao contrário de outros modernistas, os americanos combinaram crenças religiosas e patrióticas fortes com uma energia entrepreneurial dinâmica e incansável que colocava ênfase na igualdade e na oportunidade individual, e desdenhava afiliações grupais hierárquicas e ascriptivas."

Esta batalha está agora a ser levada a cabo na maioria das instituições americanas.

Os tocquevillianos e os gramscianos entram em rota de colisão em virtualmente tudo o que interessa. Os tocquevillianos acreditam que as verdades morais objetivas existem e que elas são vinculativas para todo o ser humano, independentemente da linha temporal. Os gramscianos acreditam que "verdades" morais são subjetivas e que as mesmas dependem de circunstâncias históricas. Os tocquevillianos acreditam na responsabilidade pessoal. Os gramscianos acreditam que "o pessoal é político".

Em jeito de análise final, os tocquevillianos são a favor da transmissão do regime americano; os gramscianos são a favor da transformação. Embora o marxismo econômico pareça ter morrido, a variedade hegeliana articulada por Gramsci e outros não só sobreviveu à queda do Muro de Berlim, como avançou para desafiar a república americana ao nível das suas ideias mais preciosas. Durante mais de dois séculos a América tem sido uma nação "excepcional", uma onde o dinamismo entrepreneurial tem sido temperado pelo patriotismo e um forte âmago religioso-cultural.

O triunfo final do gramscianismo significaria o fim desta América muito "excepcional". A América tornar-se-ia mais europeizada: estatista, amplamente secular, pós-patriótica, e preocupada com hierarquias de grupo e direitos de grupos onde a ideia da igualdade perante a lei, como tradicionalmente entendida pelo americanos, seria finalmente abandonada. Por trás do nosso aparente tempo plácido, as consequências ideológicas, políticas e históricas são enormes.

O britânico Anthony Browne escreve em The Retreat of Reason como o politicamente correto é muito mais intolerante com a dissidência que os liberais tradicionais ou os conservadores, visto que os liberais de tempos idos...

"aceitavam a não-ortodoxia como normal. De fato, o direito à diferença de opinião era um pilar do liberalismo clássico. O politicamente correto não confere a esse direito uma prioridade máxima uma vez que causa desconforto às suas mentes programadas. Aqueles que não se conformam (ao politicamente correto) têm de ser ignorados, silenciados ou desacreditados. Existe um tipo de totalitarismo suave no politicamente correto. Uma vez que os politicamente corretos não só acreditam que estão do lado da verdade mas também da virtude, logicamente segue que aqueles que se encontram na oposição não só estão errados, como são malignos. Na mente PC, a busca pela verdade confere-lhes o direito de limitar as posições daqueles que discordam."

“As pessoas que transgridem as crenças politicamente corretas são vistas não só como erradas, dignas de serem debatidas, mas malignas, dignas de serem condenadas, silenciadas e abafadas. A ascenção do politicamente correto representa um ataque à razão e à democracia liberal."

Browne define o politicamente correto como "a ideologia que classifica certos grupos de pessoas como vítimas que precisam de ser protegidas do criticismo, e que faz com que os crentes acreditem que nenhuma voz contrária deve ser tolerada." Ele avisa também que "boas intenções pavimentam a estrada para o inferno. O que não falta no mundo são boas intenções. O que falta são boas formas de raciocinar."

No entanto, Anthony Browne foca-se mais na situação geopolítica - e não na estratégia marxista - para explicar a ascensão do PC:

Essencialmente, o politicamente correto é o produto duma civilização poderosa mas decadente que se sente suficientemente segura para deixar de lado a razão e colocar no seu lugar a emoção, e de subjugar a verdade em favor do bem. No entanto, os ataques terroristas do 11 de Setembro de 2001, e aqueles que se seguiram em Bali, Madrid e Beslan, deixaram um sentimento de vulnerabilidade que fez com que as pessoas se sentissem mais assertivas em relação aos benefícios e defeitos da civilização ocidental.

De alguma forma, a ascensão das potências do Leste, China e índia, vai garantir que nas décadas que se seguem, a culpa ocidental murche: tendo agora poderes análogos com os quais se comparar, o Ocidente não mais se sentirá inclinado a mergulhar em autocrítica, mas vai procurar formas de reafirmar a sua identidade. (...) a longo prazo, o politicamente correto será visto como uma aberração do pensamento ocidental.

O produto da posição única e inquestionável do Ocidente, a sua afluência sem rival, o declínio comparativo do Ocidente, quando comparado com o Leste, certamente que irá significar o fim do politicamente correto.

No seu artigo “Why Isn’t Socialism Dead?” Lee Harris pondera se o socialismo não se encontra vivo apenas e só porque não pode morrer. O economista peruano Hernando de Soto alegou no seu livro, "The Mystery of Capital", que o fracasso das várias experiências socialistas durante o século XX deixaram a humanidade com apenas uma escolha racional no que toca ao sistema econômico a adotar, nomeadamente, o capitalismo.

No entanto, alega Harris, "a vida dum socialista revolucionário é transformada porque ele aceita o mito de que um dia o socialismo triunfará, e a justiça geral prevalecerá."

Devido a isto, existe "uma analogia entre a religião e o socialismo revolucionário que aspira à aprendizagem, preparação, e até reconstrução do indivíduo - uma tarefa gigantesca...

Pode até ser que o socialismo não esteja morto porque não pode morrer.

Quem é que não quer ver os maldosos e os arrogantes julgados?

Quem, de entre os desprezados e entre os expulsos das suas terras, pode ficar imune à promessa dum mundo onde todos os homens serão iguais e onde todos terão o que precisam?"

Se calhar o socialismo é como o virus da gripe: ele continua em mutação e mal o nosso sistema imunitário derrota um tipo de vírus da gripe, ele muda o suficiente para não ser reconhecido pelo nosso corpo, e depois volta a atacar.

O politicamente correto pode atingir níveis absurdos. Em junho de 2006 a polícia canadense prendeu um grupo de homens suspeitos de planejarem um ataque terrorista. Alegadamente o grupo "estava bastante avançado nos seus planos" de atacar um certo número de instituições canadenses, entre elas o Parlamento Canadense - chegando ao ponto de se colocar a hipótese da decapitação do Primeiro Ministro - e o Metro de Toronto.

No entanto, o parágrafo inicial da história como reportada pelo Toronto Star em torno da prisão dizia:

Nas instalações dos investigadores, um gráfico complexo exibindo as ligações entre os 17 homens acusados de serem membros duma célula terrorista local cobre pelo menos uma parede. Mas mesmo assim, afirma uma fonte, é difícil encontrar um denominador comum.

Mike McDonell (Comissário Assistente da "Royal Canadian Mounted Police") disse que os suspeitos são todos residentes canadenses e que a maioria tem nacionalidade canadense. Ele disse que “eles representam um estrato alargado da nossa comunidade. Alguns são estudantes, alguns estão empregados, outros desempregados." No entanto havia um denominador comum entre todos os suspeitos que não foi mencionado: todos eles eram muçulmanos.

De igual modo, o artigo do dia 4 de junho presente na capa do New York Times era um estudo em torno da forma mais correta de não usar a perversa palavra começada por "m", os suspeitos eram referenciados como "residentes de Ontário", "residentes canadenses", "o grupo", "em larga maioria, descendentes de imigrantes provenientes do Sul da Ásia." Tudo e mais alguma coisa, desde que não fossem "muçulmanos."

O chefe policial de Toronto, Bill Blair, ressalvou orgulhosamente durante a conferência de imprensa que se seguiu à prisão dos suspeitos que "por parte dos agentes de autoridade, não posso deixar de notar que não houve uma única referência feita a "muçulmano" ou à comunidade muçulmana."

Antes do raid anti-terrorismo, a polícia canadense não só recebeu “treino de sensibilidade” como recebeu instruções cuidadosas em torno das tradições islâmicas tais como o manuseamento do Alcorão, o uso dos tapetes durante as rezas, e a auto-explosão durante um decurso duma prisão.

Como Charles Johnson do blogue "Little Green Footballs notou, “será que a polícia canadense extende tais considerações quando prende cristãos, judeus, hindus ou membros de outras confissões religiosas? Se não, então os muçulmanos já ganharam um reconhecimento importante ao serem tratados como "pessoas especiais."

Comentando a apreensão, o Globe e o Mail declararam que "este pode ter sido a operação anti-terrorismo mais politicamente correta da história." O aparato da segurança secreta canadense há já alguns anos que "desenvolvia esforços sérios para suavizar a sua imagem" junto aos muçulmanos.


O governo federal do Canadá chegou a considerar alterações no Anti-Terrorism Act de modo a tornar claro que a polícia e os agentes de segurança não levam a cabo discriminação religiosa. O jornal The Calgary Sun entrevistou o criminólogo canadense Mahfooz Kanwar, que declarou que o "multiculturalismo tem sido mau para a unidade do Canadá uma vez que leva a cabo uma ‘guetificação” das pessoas, e as faz acreditar, erradamente, que o isolamento e a não-adaptação na nova sociedade é perfeitamente aceitável. Não é... O politicamente correto é uma ameaça porque nós não conseguimos combater algo que nos recusamos a identificar e entender."

Kanwar disse que a quantidade de politicamente correto levada a cabo durante a prisão dos 17 Muçulmanos na área de Toronto foi "enjoativa."

“O politicamente correto já foi longe demais, e o mesmo ameaça a nossa sociedade,"
declarou Kanwar, nascido no Paquistão.

“É responsabilidade das minorias adaptarem-se à maioria e não o contrário,"
acrescentou Kanwar.

Entretanto, o Canadian Islamic Congress atribuiu culpas ao governo canadense por este não lhes dar dinheiro suficiente para lidar com o problema. Eles queriam mais financiamento de modo a que pudessem "cientificamente diagnosticar os problemas e elaborar soluções."

Para a nação inteira, eles queriam também um "Programa de Integração Inteligente", seja lá o que isso for. Uma vez que recentemente muçulmanos canadenses desenvolveram esforços para a implementação parcial das leis da Sharia no país, nós podemos suspeitar que a "integração inteligente" significaria que os não-muçulmanos deveriam demonstrar uma atitude mais apaziguadora.

Afinal, se as autoridades canadense prestaram atenção aos conselhos da compatriota Naomi Klein, estes planejados assassinatos em massa direcionados aos civis canadenses tem como causa o racismo canadense e o fato deste país não ser suficientemente multiculturalista.

Os muçulmanos querem matar os canadenses, e estes sorriem de volta, declaram como "os respeitam" e questionam de que forma é que eles (os canadenses) os podem agradar.

O politicamente correto conduz-nos a situações como esta.

Não é engraçado e nem é uma piada. O politicamente correto mata. Já matou milhares de civis ocidentais e se não for controlado, ele pode vir a matar nações inteiras ou, no caso da Europa, continentes inteiros.

Tal como já disse previamente, o Islã é apenas uma infecção secundária, uma que, de outro modo, nós poderíamos resistir. O marxismo cultural enfraqueceu o Ocidente e tornou-o pronto a ser tomado. O marxismo cultural é AIDS cultural, devorando o nosso sistema imunológico até que esteja demasiado fraco para resistir as tentativas de infiltração Islâmicas. O Marxismo Cultural tem que ser destruído antes que nos destrua a todos.

A aliança esquerdista-islâmica terá consequências profundas. Ou ela derrotará o Ocidente, ou ambos cairão juntos. Nós nunca chegamos a vencer a Guerra Fria do modo decisivo que a deveríamos ter vencido. O marxismo recebeu permissão para perdurar e, sorrateiramente ou através dum proxy, levar a cabo outro ataque contra nós. No entanto, este namoro com os muçulmanos pode potencialmente revelar-se mais devastador para os marxistas que a queda do Muro de Berlim.

Como William S. Lind ressalva: “embora estejamos atrasados, a batalha ainda não está decidida. Muito poucos americanos se apercebem que o politicamente correto é, na verdade, marxismo com outra roupagem. À medida que a realização se propagar, a resistência vai-se propagar também. Atualmente, o politicamente correto prospera ao se disfarçar. Através da resistência, e através da educação levada a cabo por nós mesmos (que deve fazer parte de todos os atos de resistência), podemos revelar a camuflagem e revelar o marxismo por trás de termos como "sensibilidade", "tolerância" e "multiculturalismo."

O politicamente correto é marxismo com uma operação no nariz. O multiculturalismo não tem nada a ver com a tolerância e a diversidade; é, sim, uma ideologia de ódio anti-ocidente criada com o expresso propósito de destruir a civilização ocidental.


Se nós formos capazes de demonstrar isto, uma parte importante da batalha estará já vencida.

Do blog Gates of Vienna.
Tradução: blog O Marxismo Cultural

26 Outubro 2012

Minha cela, minha vida!




O Supremo deu um basta
na majestosa pandilha,
que andava feito matilha
se achando acima da lei,
protegida pelo " rei "
ficava tudo em família!

Mas desabou o castelo
desses bandidos safados,
falo desses atolados
na lama do mensalão,
saqueadores da Nação
da vergonha deserdados!

Subestimaram a força
dos homens de capa preta,
que não usam baioneta
mas não temem camarilha,
pois desmontaram a quadrilha
Somente usando caneta.

O brilhante Joaquim Barbosa,
Ministro de fundamento,
homem de conhecimento
e do mais notável saber,
não precisa nem dizer
que é o grande herói do momento.

Liderou toda uma equipe
com firmeza e maestria,
nessa nobre cirurgia
feita na quadrilha inteira,
pra estancar a roubalheira
que há muito se promovia.

Mas parte da nossa imprensa,
covarde, não fala nada... ,
pois vem de longe comprada
por verbas publicitárias,
propagandas milionárias
para se manter calada.

O que me tapa de nojo
nesse covil de falsários,
é ouvir os comentários
de bandidos condenados,
se dizendo "injustiçados:"
Mas que bando de ordinários!!!

Que a máfia não se preocupe
com a chuva, sol ou com vento,
pois não vai ficar ao relento...
sem casa, cama e comida,
pois ela será incluída
num eficiente programa,
que oficialmente se chama:
" MINHA CELA, MINHA VIDA! "



Por Álvaro Pedreira de Cerqueira

O mensaleiro condenado pelo Supremo quer esperar na Câmara a chegada do camburão





Por Augusto Nunes

Condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha pelo Supremo Tribunal Federal, além de enquadrado por falsidade ideológica pela Justiça Federal de Minas Gerais, José Genoino foi assaltado por um surto de sensatez e, surdo aos apelos da presidente Dilma Rousseff, manteve a decisão de demitir-se do cargo de “Assessor Especial do Ministério da Defesa”. Neste domingo, animado com a derrota imposta a meia dúzia de jornalistas pela tropa de jagunços que o escoltou até a seção eleitoral, retomou a rotina da insanidade. E quer esperar no Congresso a fixação do tempo em que dormirá na cadeia.

Reduzido a suplente pela eleição de 2010, o companheiro que presidia o PT quando o escândalo foi descoberto agora reivindica a vaga aberta na Câmara pela saída de Carlinhos Almeida, eleito prefeito de São José dos Campos .”O Genoino é o suplente e vai assumir sem problema nenhum”, endossa Rui Falcão, presidente do PT. “Genoino precisa recuperar a sua cidadania política”, avaliza o deputado paulista Paulo Teixeira, feliz com o regresso iminente do parceiro que manteve um gabinete por lá entre 1982 e 2002.

Derrotado por Geraldo Alckmin na disputa pelo governo paulista, ele teria reincidido em 2006 se a repercussão da roubalheira descoberta um ano antes não o aconselhasse a conformar-se com mais uma temporada no Legislativo. Eleito com menos de 100 mil votos, não foi além da suplência quatro anos mais tarde. Sonhava com um desempenho menos pífio na próxima quando foi atropelado pelo Código Penal.

Na Mansão dos Horrores, o deputado Genoino vai sentir-se em casa. Primeiro, porque conhece todo mundo. Segundo, porque na Câmara da Era Lula folha corrida vale muito mais que currículo, e o prontuário do companheiro condenado é bem mais impressionante que a biografia. Desde que foi condenado, por exemplo, ele recita que a Corte Suprema do Brasil democrático tem obrigação de inocentá-lo por ter lutado nos cafundós do Araguaia pela implantação da ditadura comunista. Esse argumento só recomenda uma internação no hospício.

Bem mais convincentes são as anotações na capivara. Um quadrilheiro corrupto não é um deputado qualquer. Merece esperar a chegada do camburão na presidência da Câmara.

30/10/2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Terminadas as eleições, PT prepara ataques ao Supremo


Partido só esperava a definição nos pleitos municipais para lançar manifesto em que defende mensaleiros condenados e acusa ministros de politizar julgamento


Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante sessão do julgamento do mensalão, em 25/10/2012
Pedro Ladeira/AFP
Veja on line


Terminada a campanha do segundo turno das eleições municipais, o PT organiza um manifesto com ataques ao Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta-feira, o partido vai divulgar um documento em que endurece sua artilharia verbal contra os ministros da corte - e os acusa de abandonarem a cultura do direito penal, que garante as liberdades individuais.

O motivo, é claro, são as condenações de petistas estrelados pelo Supremo, por envolvimento no maior escândalo de corrupção da República, o mensalão. Para o PT, o julgamento que condenou 25 réus no processo foi politizado pela corte.

Como de praxe no partido, sobraram acusações para a imprensa: o manifesto afirma, ainda, que os ministros do STF julgaram os mensaleiros "sob pressão da mídia".

Vale lembrar que foram justamente os petistas, liderados por Lula, que tentaram controlar os rumos do julgamento no Supremo.

A estratégia incluiu, até mesmo, uma clara chantagem ao ministro Gilmar Mendes, que denunciou a ação de Lula.

A mais alta corte do país, contudo, resistiu às pressões, numa clara demonstração de que instituições republicanas não se curvam às vontades imperiais de políticos recordistas de popularidade.

O PT só esperava o fim das eleições para sair em defesa dos réus do partido. O STF condenou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares por corrupção ativa e formação de quadrilha, mas ainda não fixou as penas.

Além deles, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara, foi condenado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro e teve de desistir da candidatura a prefeito de Osasco.

"A minha expectativa é que eles não sejam condenados a penas privativas de liberdade", afirmou nesta segunda-feira o deputado Rui Falcão, presidente do PT.

"Todos eles têm serviços prestados ao país." Falcão negou que a nota a ser divulgada pelo PT contenha a defesa da regulação da mídia.

"Não vamos tomar esse debate como revanche", afirmou ele. "Isso seria tolice". Não é, contudo, o que afirmam outros petistas. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo há duas semanas, o secretário de Comunicação do Partido, deputado André Vargas, afirmou que o debate sobre a regulação do setor de comunicação no país – termo utilizado pelos petistas para mascarar uma intenção bastante clara: controlar o que é veiculado pela imprensa brasileira – seria retomado após o segundo turno dos pleitos municipais.

Embora o estatuto do partido determine a expulsão de filiados condenados pela Justiça, o PT vai descumprir sua própria regra interna e não aplicará a norma no caso dos réus do mensalão.

Dirigentes do partido alegam que Dirceu, Genoino, Delúbio e João Paulo são "prisioneiros políticos" de um "tribunal de exceção".
(Com Estadão Conteúdo)

Charge



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halloween antecipado



sponholz

ELEIÇÕES: Secretário do Planejamento da Bahia faz vergonhosas ameaças ao prefeito eleito de Salvador, ACM Neto (DEM), se não se submeter “à liderança” e “condução” do governo petista


 

José Sergio Gabrielli, Secretário do Planejamento do Estado da Bahia (Foto: AE)


Por Ricardo Setti
Amigas e amigos do blog, o secretário do Planejamento da Bahia, José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e candidato à sucessão do governador petista Jaques Wagner, publicou no Facebook um texto com claras ameaças de retaliação financeira — para dizer o menos — contra o futuro prefeito de Salvador, ACM Neto, do oposicionista DEM.

Em alguns países civilizados, o texto de Gabrielli daria processo e, talvez, cadeia.

Aqui, é claro, fica tudo por isso mesmo. Leiam vocês mesmos e julgem o texto, cujo título vai em negrito, abaixo:

Algumas reflexões sobre o dia seguinte a vitória de ACM Neto em Salvador

Os eleitores de Salvador elegeram ACM Neto prefeito. Até aí uma vitória da democracia, pela escolha livre os dirigentes municipais.

E agora?

A Prefeitura Municipal de Salvador tem um orçamento de pouco mais de 4 bilhões e não tem capacidade de financiamento por falta de condições financeiras.

Uma Prefeitura que precisa de obras estruturantes no que se refere a mobilidade urbana, a recuperação da Orla Atlântica e Orla do interior da Baia de Todos os Santos, no Centro Antigo da Cidade, nos bairros mais populosos com a necessidade de expansão de rede de assistência básica a saúde e ampliação da rede municipal de educação.

Uma Prefeitura que precisa ampliar o ordenamento urbano com obras de desafogo dos gargalos do trânsito.

Uma cidade que precisa tratar bem as suas diversas populações e incluir milhares de pessoas nos serviços básicos da cidade.

Uma Prefeitura que precisa dos governos do Estado e da União para realizar parte dessas obras.

Mas os eleitores de Salvador escolheram ACM Neto com os partidos DEM, PSDB, PMDB, PPS e PV, partidos que são ferozes opositores ao governo no plano estadual e federal ou em ambos.

Para implementar os projetos necessários para enfrentar as necessidades de Salvador há de haver uma ação harmônica e equilibrada entre a Prefeitura e os governos do Estado e federal.

Como fazer a integração da Linha 1 do Metro com a Linha Dois que vai até Lauro de Freitas, sem o acordo entre os dois governos?

Como fazer os viadutos e passarelas para melhorar o trânsito da cidade sem a cooperação entre as duas esferas de governo?

Como articular as concessões das novas linhas de ônibus com a alimentação das estações de alimentação do Metro sem que haja um trabalho conjunto entre a PMS e o Governo Estadual?

Como fazer as grandes intervenções programadas no Centro Antigo de Salvador sem a equilibrada cooperação da PMS e governo do Estado?

A questão não é de perseguição ou comportamento não republicano de retaliação ao opositor que ganhou as eleições em um determinado município.

A questão é a realidade difícil de diálogo entre um conjunto de partidos que deliberadamente são de oposição ao governo do Estado, e buscam se legitimar no combate a esse governo, com a necessidade desse governo municipal de aceitar a liderança e condução desses projetos pelo governo estadual, que é o único que tem capacidades financeira e gerencial de gerir as ações desses programas.

Some-se a isso a reação dos movimentos sociais que vão exigir da Prefeitura Municipal de Salvador a aceleração dos benefícios prometidos em campanha e a diversificação das atuações do governo municipal, ameaçando ainda mais a combalida posição financeira do município.

Por cima disso, a nova Câmara de Vereadores pode ser mais um campo de batalha entre o Executivo de Salvador e seu legislativo, com vários temas conflitantes na agenda legislativa.

Frente a esse quadro, os partidos que apoiaram Pelegrino [Nelson Pellegrino, candidato derrotado do PT a prefeito] não dispõem de muita alternativa: só resta a oposição ao novo governo.

Não uma oposição por oposição, mas uma ação que busque ampliar as pressões referentes aos interesses de importantes segmentos da sociedade soteropolitana que não estarão representados na coalizão vencedora, que exija um reconhecimento do papel do governo do Estado na execução e liderança desses importantes projetos para a cidade e uma plataforma de reverberação para as demandas do movimento social que tenderão a estar limitadas pelo ideário dos partidos que ganharam a eleição.

Nesse movimento de conflito e tensão, o governo estadual é o único que tem as condições de implementar vários dos programas previstos.

O novo prefeito precisa levar em conta essa realidade de que o Estado é o principal condutor de muitas da soluções dos problemas para o povo da cidade. Não é do feitio da coligação vencedora com tradição oligárquica e autoritária admitir que tem que reconhecerr a importância e tamanho dos seus adversários.

Espero que o povo de Salvador não sofra por sua escolha!


30/10/2012

Marcos Valério pede proteção e delação premiada ao STF



Notícia Terra

O empresário Marcos Valério, operador do mensalão, encaminhou em setembro para o Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de proteção, pois sua vida estaria correndo perigo, e ofereceu em troca delação premiada.

O documento é mantido em sigilo e não foi anexado ao processo do mensalão, que já está em julgamento.

Um processo em separado foi aberto, mas é mantido em segredo por causa do risco relatado por Marcos Valério de ser assassinado. A petição será relatada pelo ministro Joaquim Barbosa, pois o processo do mensalão está sob seus cuidados. Mas ele deixará a relatoria desse caso assim que assumir a presidência da Corte.

O fax - revelado pela revista Veja - foi recebido pelo presidente do tribunal, ministro Carlos Ayres Britto. Ele foi logo encaminhado para o gabinete do ministro Joaquim Barbosa e, em seguida, para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Seu teor é mantido em reserva. O processo não aparece nem sequer no andamento dos processos em tramitação no Supremo. Segundo integrantes do tribunal, o risco alegado por Valério seria a razão para a cautela. O STF não divulga nem o que estaria sob investigação. Conforme integrantes do Supremo, o documento não interfere no julgamento do mensalão, que já está na reta final. Não haveria, portanto, nenhum elemento novo, nenhuma prova nova que pudesse alterar o resultado.

O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, não quis falar sobre o assunto. "Sobre isso assumi o compromisso com diversas pessoas de não declarar nada, não falar nada."

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão.

Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara.

Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.
30 de outubro de 2012


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Cuidado, governador Alckmin, com a aliança objetiva entre o governo federal, setores da imprensa e o PCC. A campanha eleitoral de 2014 já começou!





A campanha do governo federal para desestabilizar o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), à esteira do processo eleitoral, já está em curso

Como os petistas sabem que é muito fácil plantar conversa mole na imprensa porque jornalistas entendem de lógica elementar um pouco menos do que entendem de física quântica, qualquer mentira cola; qualquer plantação rende frutos



Por Reinaldo Azevedo
A última patacoada influente é de José Eduardo Cardozo, este impressionante ministro da Justiça, que, num dia aparece na imprensa fazendo proselitismo político-partidário — como fez em favor de Fernando Haddad — e, no outro, afirmando que ofereceu ajuda para o governo de São Paulo para conter a violência. Numa democracia convencional, seria chutado pela imprensa. No Brasil, dão-lhe um megafone. 
É mesmo, é? O governo federal quer ajudar São Paulo? Que bom! Faço uma pausa para citar um texto. Volto depois.
Leitores me enviaram um texto de Clóvis Rossi, jornalista da Folha, que é de estarrecer. Leiam este trecho:
A julgar pelas aparências, o Brasil ou, ao menos, o Estado de São Paulo caminha para “mexicanizar-se” em termos de violência.
O que a Folha chamou, adequadamente, de “explosão de assassinatos” ocorrida em setembro tem como uma das explicações “o acirramento do confronto entre policiais e criminosos”, sempre segundo a Folha.
É a explicação que o governo mexicano sempre dá quando cobrado sobre a violência no sexênio de Felipe Calderón, prestes a se encerrar: das 55 mil mortes ocorridas no país, 80% pelo menos se deveriam ou a confrontos com as forças repressivas ou a ajuste de contas entre os carteis do narcotráfico.
O subtexto dessa explicação é sinistro: o cidadão comum, que nem veste farda nem é bandido, não tem por que ter medo porque suas chances de ser vítima são reduzidas.
Tolice pura. O medo se instalou no México, como em São Paulo, porque a violência é parte indissociável do cotidiano.
Aliás, o número de vítimas de homicídio dolosos e de latrocínio no Estado de São Paulo, de janeiro a setembro, dá 3.826. Se se pudesse extrapolar para um período de seis anos, teríamos 30 mil vítimas só em um Estado, quando, no México inteiro, foram 55 mil – o que torna os dados desgraçadamente comparáveis.
Quando se transformam os números brutos em assassinatos por 100 mil habitantes, dá um infernal empate entre México e São Paulo (10 por 100 mil, com a diferença apenas depois da vírgula). Se se tomar o Brasil inteiro, piora para o Brasil: dados do Banco Mundial para 2011 apontavam, no Brasil, 26 mortes/100 mil habitantes, contra 11/100 mil no México.


Voltei

É espantoso que alguém escreva um troço desses e depois diga de alguma contradita que lhe façam ser “tolice pura”. São Paulo, segundo Rossi, estaria a se mexicanizar, entre outras coisas, porque apresenta o mesmo índice de homicídios: 10 por 100 mil. Uau! Ele próprio lembra que o do Brasil é de 26 por 100 mil — quase o triplo.
O dado intelectualmente vigarista desse debate é que, com esse índice, São Paulo ainda está em último lugar no ranking dos homicídios — a capital também. Não é impressionante? O Estado que tem o melhor desempenho nessa área estaria a precisar de auxílio federal, entenderam? Já os demais não precisam de nada.
Rossi quer fazer contas? Eu também! Se o Brasil tivesse o índice de homicídios de São Paulo, salvar-se-iam por ano 30 mil vidas. Não! Não se trata de negar a realidade. É claro que há um recrudescimento da violência e que o crime organizado, DE OLHO NA PAUTA DA IMPRENSA, resolveu participar do processo político. Como decidiu no México, diga-se. Aliás, o terrorismo também costuma fazer isso. A sorte do México é que a maioria do eleitorado, a despeito da dor, preferiu eleger um governo que enfrenta o narcotráfico a outro que faça acordo com ele.
Polícia X bandidos
A imprensa paulistana começou a fazer uma estranha leitura do mundo, segundo a qual ninguém ganha na guerra entre polícia e bandido, como se estivéssemos falando de duas forças antagônicas, porém legítimas. Se ninguém ganha na guerra entre esses lados, supõe-se que todos ganhem na não-guerra — os bandidos também. O sonho dourado do PCC, e não é de hoje, é derrotar o PSDB em São Paulo. O governo do estado comete um único erro nessa história toda: não reconhecer a existência do crime organizado e sua influência. Existe no mundo inteiro e também aqui. A questão é saber se o crime será enfrentado ou se vai se buscar um pacto com ele.
Periferia e crime organizado
Na periferia de São Paulo, crime organizado e política se misturam de maneira escandalosa, como sabem todos os candidatos que passaram por lá — os derrotados e os vitoriosos. A decisão do PSDB tem sido, felizmente, a de confrontar os bandidos. Outras forças pretendem fazer uma aliança objetiva com o crime, que hoje já se transformou numa cultura, que tem até uma estética — eu ousaria dizer que tem até uma “poética”. A rima é ruim, o som é de lascar! Mas eles estão cheios de amanhãs sorridentes!
Rossi, vejam lá, aponta o “infernal empate” entre México e São Paulo, mas nada diz do Brasil, com um índice de quase o triplo, a exemplo do Rio; em Pernambuco, do incensado Eduardo Campos, mais do que o quádruplo… E assim vai. Basta consultar o Mapa da Violência. Rossi deveria parar de opinar a partir “das aparências”, como confessa fazer, e procurar os dados — além de se ater à lógica.
De volta a Cardozo
Agora vamos voltar a Cardozo. À Folha, este impressionante senhor afirmou que o governo federal fez uma parceria com Alagoas, estado governado pelo PSDB, e que “o projeto, em 90 dias, reduziu em 50% o índice de violência nas cidades mais perigosas…”
Que bom, né, ministro?, poder falar uma tolice como essa e não ser contradito pela lógica e pelos fatos!
Alagoas tem mais de 60 mortos por 100 mil habitantes. Algumas cidades estão tomadas por pistoleiros. Em casos assim, ações pontuais têm mesmo um efeito imediato porque espantam ou desmobilizam gangues. Isso nada tem a ver com um combate efetivo e permanente da violência. Mais: assim como o recrudescimento da violência em 90 dias não significa um dado permanente, a queda também não implica uma situação definitiva. Por que este senhor não vai combater o tráfico de armas e drogas na fronteira? Não! O governo federal prefere financiar a estrada da coca na Bolívia com dinheiro do BNDES!!!
O ministro José Eduardo Cardozo está fazendo campanha eleitoral com dois anos de antecedência. E, lamento afirmar, o crime organizado passa a ser “parceiro objetivo” — parceiro objetivo não quer dizer, necessariamente, conluio ou formação de quadrilha, mas também não quer dizer o contrário… — nessa empreitada.
Para encerrar: se um dia São Paulo tiver os mesmos 26 mortos por 100 mil do resto do Brasil, aí Clóvis Rossi pode dizer: “Pronto! Já não é mais igual ao México; agora São Paulo está igual ao Brasil!” É o que o PT promete se um dia conquistar o poder no Estado.

Senado recebe denúncia contra ministro Dias Toffoli


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli é alvo de denúncia de crime de responsabilidade, protocolada nesta quarta na presidência do Senado por dois advogados de São Paulo.
Guilherme Campos Abdalla e Ricardo de Aquino Salles pedem o impeachment de Toffoli, pela suspeita de atuar com parcialidade no julgamento do mensalão e por proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções.
Notícia
ROSA COSTA
Agência Estado

Eles relacionam uma série de dados mostrando a proximidade do ministro com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, acusado pelo Ministério Público de ser o "chefe da quadrilha do mensalão".

Informam, por exemplo, que, em 2000, Toffoli teria atuado como advogado de defesa de Dirceu, então deputado do PT. E lembram que Toffoli foi reprovado duas vezes no concurso para juiz de primeira instância e que não detém "título acadêmico enquanto prestador de serviço privado ou professor".
Abdalla e Salles afirmam que o "reconhecimento" recebido pelo ministro como profissional de Direito decorreu todo ele de sua ligação com o PT: 
ele teria recebido seis medalhas por mérito pessoal durante o exercício de suas funções como subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil da Presidência da República e 20 medalhas e homenagens em reconhecimento aos serviços prestados na qualidade de advogado-geral da União do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Quanto à falta de decoro, os advogados citam o fato de o ministro ter se expressado com palavras de baixo calão contra um jornalista que teria criticado José Dirceu.

Pela lei que trata do impeachment de ministros do STF, prerrogativa exclusiva do Senado, a denúncia terá de ser lida no expediente da sessão seguinte e "ato contínuo despachada a uma comissão especial".

A Mesa Diretora do Senado entende diferente, que o primeiro passo é encaminhar a denúncia à advocacia-geral da Casa para subsidiar a decisão dos senadores.

Se no plenário os parlamentares julgarem a iniciativa embasada, a denúncia será encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso contrário, será arquivada. No último mês de maio, a Mesa do Senado arquivou denúncia contra o ministro do STF, Gilmar Mendes, por suspeita da prática de crime de responsabilidade. A queixa, no caso, se referia a declarações do ministro sobre o aborto.
22 de agosto de 2012

Post do Leitor: “Aos que acham que nossa determinação de se opor ao projeto do PT, más notícias: ainda estamos aqui — e vamos continuar”


Política & Cia



O palanque da vitória de Haddad (ao microfone): olha o Maluf ali, gente! À esquerda da foto, meio escondidinho -- mas firme com o aliado. Até o Eymael (atrás da mulher de bolsa, casaco bordô e camiseta vermelha) foi papagaio-de-pirata. Estava todo mundo lá

(Foto: Reinaldo Marques)

                                      Por Ricardo Setti

Amigas e amigos do blog, o texto de comentário enviado há pouco pelo amigo do blog Reynaldo-BH é tão primoroso e ao ponto, e expressa em tão bom grau muito do que penso, que decidi compartilhá-lo aqui na coluna.

Então, além de publicá-lo como Post do Leitor, digo também que o plural que o Reynaldo utilizou no título e no início do texto me inclui. Confiram:

 Por Reynaldo-BH

Aos que acham que a nossa determinação de se opor ao projeto hegemônico do PT, más notícias: ainda estamos aqui. E vamos continuar.

Algumas notas que chamaram atenção, hoje.

1 – Maluf na festa de anúncio da vitória de Haddad.
Todo livre, leve e solto (porque está no Brasil. Se fosse fora, estaria preso pela Interpol).


2 – A imensa curiosidade sobre quais serão os argumentos de defesa do PT para o atual prefeito, Geraldo Kassab
, o próximo ministro dos Transportes de Dilma (conforme se le hoje nos jornais)? Quem não serve – segundo o PT – para ser prefeito de uma cidade, está apto para ser executivo em plano nacional?


3 – O agradecimento de Haddad a Lula ANTES de a Dilma.
Quebrou o protocolo. Mas expôs a verdade.


4 – Artur Virgílio, em Manaus, e ACM Neto, em Salvador. Dois inimigos (e não adversários) eleitos por Lula como alvo preferencial. O que houve com o gênio estrategista?


5 – Diadema não é mais PT.


6 – Poste por poste, o de Campinas dançou…


7 – No palanque de Haddad, hoje, tínhamos: Marta, Mercadante e Suplicy. Qual será o neo-poste para 2014, em SP, que Lula vai colocar para ser candidato?

Alexandre Padilha?
Até quando o PT ficará cordato com o caudilho?

8 – Quer dizer que Dirceu está absolvido pela vitória de Haddad? É melhor avisar ao quadrilheiro corrupto: ele já está em processo de escolha da nova residência, com grades na janela.


9 – Urna não absolve ninguém. E diz outro: também não condena. De pleno acordo: quem condena é a Justiça.


10 – 32% do eleitorado de SP não votou. Anulou, votou em branco ou não compareceu. É para pensar.

TODOS, sem exceção.

11 — E por fim, qual será o tutor de Haddad (poste admitido) já que o criador está mais interessado na criatura presencial?

Quem vai mandar em Haddad?
Lula vai conseguir ser, simultaneamente, co-presidente e co-prefeito?
Ou vai delegar?
A quem?
Afinal, poste pode até iluminar, mas por si só não serve para nada além que suportar algo que possua luz.
No mais, sorry SP, a coleção aumenta: Maluf, Erundina. Martaxa, Pitta…
Alguma novidade?

(OBS: exceção à Pitta que já não está aqui, TODOS os outros desastres apoiaram o poste. Haverá de ter alguma lógica. Na verdade, TEM!)

                      
                         29/10/2012





domingo, 28 de outubro de 2012

É só o começo




Por Claudio Humberto

Terá sequência a revolução nos costumes políticos promovida pelo julgamento do mensalão, no STF: os ministros discutirão a eventual anulação de leis como a reforma da Previdência, aprovadas durante o governo Lula mediante suposto suborno pago a parlamentares.

28/10/2012

Votação de Genoino é marcada por tumulto e vandalismo



Militantes do PT empurraram eleitores, quebraram vidros e bateram em jornalistas





Votação de Genoino causou tumulto em São Paulo
Eliária Andrade/Agência O Globo


SÃO PAULO — Cercado por aproximadamente 50 militantes do PT, o ex-deputado José Genoino votou neste domingo na cidade de São Paulo em meio a um tumulto que terminou em pancadaria e cenas de vandalismo. Os petistas, que xingavam e batiam em jornalistas, além de derrubar eleitores que estavam no local, avançaram pelos corredores da universidade empurrando cadeiras, chutando lixeiras e quebrando vidros de um dos murais da entidade. Usando bengala, a aposentada Jose Bacarácia, 82 anos, foi derrubada no chão durante a passagem da militância petista.

Genoino carregava uma bandeira do Brasil, vestindo-a como uma capa e usando-a em algumas ocasiões para esconder o rosto e evitar ser fotografado. No tumulto, apenas seguiu em direção à seção de votação. Depois de votar, caminhou agitando o braço esquerdo com o punho cerrado, sempre rodeado pelos militantes, que impediram a aproximação ou perguntas dos jornalistas.

O humorista Oscar Filho, do CQC foi agredido repetidas vezes pelos petistas. Ele recebeu socos e foi jogado para dentro de uma das salas de votação. Com machucados na boca e pressão alta, o comediante foi atendido na enfermaria do colégio eleitoral e disse que registaria um Boletim de Ocorrência.

Um dos envolvidos na pancadaria foi o advogado Danilo Camargo, da Comissão de Ética do PT paulista e um dos petistas mais ligados a Genoino. Apesar de ter sido visto agredindo Oscar Filho antes de José Genoino votar, Camargo disse que se atracou com o repórter do CQC depois, ao deixar o colégio eleitoral, porque foi provocado.

— Estava com minha mulher, tentando sair com meu carro. Ele estava bloqueando a passagem e disse “passa por cima, mensaleiro”. Isso não é jornalismo. Passa por cima, mensaleiro? — falou o petista, que disse ter empurrado o jornalista.

Danilo disse que participou da votação de Genoino porque é delegado do partido e tem autorização para entrar nas áreas de votação. Mas o advogado admitiu que o grupo perdeu o controle:

— Era uma massa de gente. Foi uma loucura. Estava difícil controlar.

Enquanto aguardavam a chegada de Genoino, militantes do PT e do PSDB trocaram ofensas. A polícia foi chamada para apartar a briga, que envolvia cerca de 20 pessoas. Ninguém foi detido. Enquanto os tucanos gritavam “partido dos bandidos” e “malufistas”, os petistas repetiam: “burguesada reacionária, vocês vão ter que nos engolir”.

No primeiro turno, no mesmo colégio, Genoino apareceu para votar dez minutos após a abertura dos portões e mostrou irritação ao ver a imprensa no local, chamando os jornalistas de “urubus e torturadores da alma humana”.

28/10/12

LIXO MORAL – Homem de Lula começa a pressionar Dilma para conceder indulto a mensaleiros e sugere que Joaquim Barbosa estaria obrigado a inocentar réus porque é negro!


Paulo Vannuchi, ex-ministro dos Direitos Humanos, demonstra que continua com a biruta tão certa como quando aderiu à cartilha terrorista de Carlos Marighella ou tentou censurar a imprensa, extinguir a propriedade privada no campo, legalizar o aborto e perseguir os crucifixos por meio de um decreto — o tal “Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos”


Essa gente é um lixo moral!

Por Reinaldo Azevedo

Como os petistas perceberam que, não importa a barbaridade que digam, vão ser mesmo notícia — e com destaque! —, eles vão perdendo a mão. E a declaração da véspera é sempre menos estúpida do que a do dia seguinte e mais do que a do dia anterior. Há uma escalada.

Leio na Folha que Vannuchi comparou a condenação de José Dirceu e de José Genoino à extradição de Olga Benário para a Alemanha nazista: “Dirceu e Genoino foram condenados sem provas num julgamento contaminado. Isso vai entrar para a galeria de erros históricos do Supremo, ao lado da expulsão de Olga Benário”.

É espantoso!

Uma nota antes que continue: Olga Benário não foi aquela heroína sem mácula do livro perturbado do ainda mais perturbado Fernando Morais. Aquilo é pura mistificação! Estava no Brasil a serviço da Internacional Comunista para instaurar aqui a “ditadura do proletariado”. Felizmente, deu tudo errado. Mas é evidente que a extradição de uma judia comunista para a Alemanha nazista correspondia a uma sentença de morte — embora as condições formais para a extradição estivessem dadas. E assim decidiu o STF em 1936.

Getúlio poderia ter-lhe concedido o indulto, mas tinha simpatias pelo regime nazista e não o fez. Olga estava grávida de Anita Leocádia, única filha do casal, que nasceu na prisão e foi entregue à avô paterna. Em 1942, foi assassinada no campo de extermínio de Bernburg.

Em 1936, o Brasil ainda não era uma ditadura plena, mas estava a caminho. No ano seguinte, Getúlio dá o golpe do Estado Novo, de óbvia inspiração fascista. É evidente que Olga, ainda que as condições legais estivessem dadas, jamais poderia ter sido extraditada. Era uma pena de morte. Naquele caso, sim, à diferença da comparação intelectualmente delinquente de Vannuchi, o Supremo fez o que queria o protoditador.

Desta feita, no Brasil, deu-se o contrário. Os ministros do Supremo Tribunal Federal tomaram as decisões de acordo com a lei, independentemente de pressões políticas. Agiram segundo a lei, não segundo a vontade do Poder Executivo ou de um partido político.

Fala moral e politicamente dolosa
A fala de Vannuchi é mais moral e politicamente dolosa do que parece. Na verdade, está plantando na militância petista a pressão para que a presidente Dilma conceda indulto aos réus do mensalão, entenderam?

Está convidando a presidente a fazer, na sua comparação transtornada, o que Getúlio não fez. A questão nada irrelevante é que o Brasil é uma democracia plena, e Dirceu e Genoino não foram condenados à morte.

Vannuchi disse outra coisa espantosa:
“O Judiciário deve ser um poder contramajoritário. É ele quem segura a multidão que quer matar os judeus, que quer matar os negros. Aqui aconteceu o contrário. Os ministros aderiram a um clamor para condenar”.

Comecemos pelo óbvio. O homem de Lula está se referindo de forma oblíqua, o que é asqueroso, à cor da pele do ministro Joaquim Barbosa, relator do mensalão, que é negro.

O que este senhor, que já cuidou da pasta dos Direitos Humanos (!) está a dizer é que o ministro teria a obrigação de absolver os réus. No fim das contas, seria uma “vítima da história” — um negro! — absolvendo outras vítimas: os mensaleiros.

Vannuchi, este notável humanista, acha que a cor da pele do relator o impede de ser independente para, seguindo as leis, condenar ou absolver.


De resto, essa história de o Supremo ser um poder contramajoritário é de uma tolice estupenda.

O Poder Judiciário não tem de ser nem a favor das vagas de opinião nem contra elas.

Tem é de se ater aos rigores da lei.

Fosse como quer este senhor, os juízes tomariam a temperatura das ruas antes de decidir e fariam sempre o contrário do que pretende o senso comum.

Justamente porque as ruas ora estão certas, ora erradas, cabe fugir do alarido e se ater aos fundamentos inscritos na Constituição e nos códigos legais. Como fez o Supremo.

Quanto mais falam os petistas, mais evidente fica a necessidade de o Supremo deixar claro que não ouve nem a voz rouca das ruas nem a voz estridente dos poderosos. Que ouça apenas a voz clara da lei.

Para arrematar: Vannuchi pode não ser racista, mas a inspiração de suas ilações é. Quando se sugere que a cor da pele de uma pessoa a obriga a tomar uma determinada decisão, é evidente que se está a dizer que uma condição natural a fez, desde sempre, menos livre. Eis o partido que institui cotas raciais nas universidades federais e agora as quer também no serviço público.

É um partido que quer deixar claro que gosta dos negros. Desde que sejam negros disciplinados, obedientes e dóceis!
Essa gente é um lixo moral!


28.10.2012



Réus condenados só devem ser presos em, no mínimo, 6 meses


Publicação de acórdão com pelo menos 5 mil páginas deve demorar




Ministro relator Joaquim Barbosa
Agência O Globo / Ailton de Freitas


BRASÍLIA — Os réus condenados no maior julgamento da história do Supremo Tribunal Federal (STF) devem escapar da cadeia por um longo tempo. Os votos dos 11 ministros responsáveis pelas condenações e as transcrições dos debates travados em plenário resultarão num acórdão com pelo menos cinco mil páginas, segundo cálculos de advogados dos acusados.

Levando-se em conta o tempo que outros acórdãos de casos menos complexos de políticos condenados pelo Supremo demoraram para ser publicados, o do mensalão levará pelo menos seis meses para sair no Diário de Justiça.

Só então, os advogados de defesa poderão apresentar embargos — recursos que as defesas já anunciaram que vão apresentar:

— A prisão, a rigor, só pode ocorrer quando não houver mais recursos ao acórdão. A pena só pode ser executada quando a culpa estiver selada — explicou o ministro Marco Aurélio Mello.

Cada ministro revisará seus respectivos votos e falas, que serão acrescidos dos resumos sobre o que foi decidido. Em 2007, o acórdão com a decisão do STF de receber a denúncia do mensalão demorou dois meses e meio para ser publicado.

Naquela ocasião, cinco sessões sacramentaram o recebimento da denúncia. O julgamento já consumiu 42 sessões.

Em média, seis meses para publicar acórdão

Outro exemplo que dá a dimensão da provável demora para as detenções dos réus é o tempo transcorrido entre as decisões e a publicação dos acórdãos referentes aos cinco julgamentos mais importantes no STF envolvendo políticos.

A Corte demorou, em média, seis meses para oficializar as decisões em plenário. Em razão dessa demora e dos recursos propostos, nenhum parlamentar condenado cumpriu pena até agora.

Para o processo do mensalão, há ainda outro agravante: o STF entra em recesso no próximo dia 20 de dezembro e só retoma as atividades no início de fevereiro. Nesse período, nada pode ser feito em relação ao acórdão.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu a prisão imediata dos réus condenados ao fim do julgamento, antes da publicação do acórdão e da análise dos recursos a serem apresentados pelas defesas.

A proposta, porém, não encontra ressonância entre ministros do STF. O próprio relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, tem dito a interlocutores que não deve endossar a solicitação do Ministério Público Federal (MPF), uma vez que não há precedentes nesse sentido na Corte.

Assim, o cumprimento das penas por parte dos 25 condenados dependerá da publicação do acórdão e da apreciação dos embargos que serão apresentados pelos advogados dos réus.

O ministro Marco Aurélio Mello acredita que o relator Joaquim Barbosa dará prioridade ao caso, até por já estar na presidência do STF a partir do final de novembro.

Antes da confusão sobre a definição das penas nesta etapa final, o ministro Celso de Mello, decano do STF, chegou a estipular a publicação do acórdão para fevereiro de 2013.

O julgamento, porém, sofre atrasos sucessivos.


O relator acreditava ser possível concluir a dosimetria das penas na semana passada, antes da sua viagem à Alemanha para um tratamento de saúde.

Os embates em plenário e a falta de metodologia para o cálculo fizeram com que apenas dois réus — Marcos Valério e seu ex-sócio Ramon Hollerbach — tivessem as penas calculadas.

No caso de Hollerbach, faltam três condenações a serem analisadas para a dosimetria final da pena. Diante da demora, o relator já descartou o prazo estipulado pelo decano. Barbosa disse a pessoas próximas que “não há prazo de 90 dias para o acórdão”.

Segundo assessores do relator, não há previsão para a publicação do documento no Diário da Justiça. O ato depende da revisão de todos os ministros que participam do julgamento, entre eles o revisor, Ricardo Lewandowski, que trava duelos com Barbosa em quase todas as sessões.

Os votos proferidos pelo ex-ministro Cezar Peluso, que se aposentou no início do julgamento, também serão incluídos no acórdão.

O regimento interno do STF prevê que um acórdão seja publicado no Diário da Justiça em até 60 dias, “salvo motivo justificado”.

Nenhum dos cinco julgamentos considerados mais importantes até agora, envolvendo políticos com mandato, teve o acórdão publicado conforme a previsão do regimento interno da Corte.

Todos eles têm uma dimensão bem inferior ao processo do mensalão, em quantidade de réus, crimes imputados, complexidade das acusações, consolidação de jurisprudências e número de condenados.

Pena de 13 anos de prisão, mas ainda livre
A condenação do deputado federal Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), acusado de trocar laqueaduras por votos em Marabá, demorou quase dez meses para constar do Diário da Justiça.

A defesa do parlamentar apresentou um embargo infringente que ainda precisa ser analisado pelo STF. Asdrúbal continua desobrigado do cumprimento da pena e no exercício do mandato.

É a mesma situação do deputado Natan Donadon (PMDB-RO), condenado por peculato e formação de quadrilha em razão de um esquema de desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa de Rondônia.

O acórdão foi publicado em 28 de abril de 2011. Cinco dias depois, a defesa apresentou um embargo de declaração, até hoje — um ano e meio depois — não julgado pelos ministros do STF.

Natan continua a exercer o mandato, apesar de o tempo de prisão — mais de 13 anos — implicar regime fechado.

Advogados de réus condenados dizem que os embargos só podem ser apresentados após a publicação do acórdão. A confusão na atual fase de definição das penas será usada por esses advogados como argumento para contestar as condenações.

A base para os embargos, que questionam contradições ou obscuridades das decisões, é o acórdão.

— Se forem seguidos os procedimentos rotineiros, a publicação levará entre seis e oito meses — afirma Marcelo Leonardo, advogado de Marcos Valério.


27/10/12

Saiba onde Marcos Valério ficará preso


Complexo Penitenciário Nelson Hungria tem 1900 detentos, entre eles o ex-goleiro Bruno Fernandes, como mostra reportagem de VEJA desta semana

                                      veja.abril.

Marcelo Sperandio
A Cela - A ala nova do presídio onde Valério deve cumprir pena tem janelas maiores

(Rodrigo Clementino/Tempo)

Há muito a sorte abandonou o publicitário Marcos Valério, mas ao menos sob um aspecto seu futuro não será tão tenebroso.

Autoridades da área de segurança de Minas Gerais e integrantes da sua equipe de defesa afirmam que seu destino deverá ser uma cela no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, uma ilha de calmaria no inferno do sistema prisional brasileiro.

O presídio fica em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, não tão distante assim da casa onde o publicitário morou nos últimos anos, na Pampulha, região nobre da capital mineira.

No Nelson Hungria, muitas celas abrigam apenas um prisioneiro.

A ocupação máxima jamais ultrapassa três pessoas para cada cubículo de 6 metros quadrados.

O total de 1 900 prisioneiros supera em apenas 18% a capacidade do local, de 1 600 detentos, muito abaixo da média de superlotação do sistema mineiro, que é de 50%.

Ao contrário do que ocorre em alguns presídios, onde os chuveiros são coletivos, no complexo Nelson Hungria cada cela tem o seu (a água é fria).

Os dias de Marcos Valério começarão às 7h30, horário em que o café com leite é servido.

Às 12 horas, os carcereiros passarão, por entre as grades, os talhares de plástico e a vasilha de papel-alumínio com o almoço do publicitário, em geral composto de arroz, feijão e carne ou frango.

A cena se repetirá às 18 horas, no jantar.

Dentro das celas, ele poderá ouvir rádio e ver televisão.

O presídio não fornece os aparelhos, mas autoriza os presos a recebê-los de fora.

Em 2008, uma nova ala para 300 presos foi inaugurada, com janelas maiores e portas com uma pequena abertura no lugar de grades, o que aumenta a privacidade dos internos.

Valério terá direito a uma visita íntima por mês e a duas horas diárias de banho de sol.

Nesse período, poderá fazer exercícios e jogar futebol.

Tendo sorte, a partida poderá contar com a participação do (até agora) mais famoso detento do Nelson Hungria, o ex-goleiro Bruno Fernandes, acusado de matar a jovem Eliza Samudio.