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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Síndrome da saúva


A aprovação do Regime Diferenciado de Contratações para as obras da Copa e da Olimpíada sem resistência nem debate no Senado e a manutenção da cota do PR no Ministério dos Transportes, depois da comprovação de que as indicações do partido foram todas deletérias, dizem quase tudo a respeito da promiscuidade nas relações entre Executivo e Legislativo.

Por Dora Kramer

O Estado de S.Paulo

Mostram como se opera o milagre da transformação da contestação em concordância sobre uma medida provisória rechaçada de início até pelo presidente do Senado, sem que seja necessário fazer alterações no conteúdo antes criticado.

Mostram também como um partido que indica gestores com o objetivo comprovado de se locupletar consegue não só preservar sua capitania na administração pública, como ganha a prerrogativa de comandar a substituição dos demitidos sob forte suspeita de corrupção ao ponto de condicionar a decisão da presidente da República às suas vontades.

Consolidou-se nas últimas décadas, desde a redemocratização, e aprofundou-se nos últimos anos a tese de que no modelo governo de coalizão brasileiro não há outro jeito a não ser seguir a norma segundo a qual o Executivo é comprador, fornecedor e distribuidor e o Legislativo entra na história no papel de mercadoria.


Dissemina-se também a convicção de que a vida é mesmo assim: sempre foi e sempre será.

Não é verdade.

O cientista político José Álvaro Moisés está lançando o livro O Papel do Congresso Nacional no Presidencialismo de Coalizão e a respeito do tema deu uma entrevista ao caderno Aliás, na edição do último domingo do Estado, dizendo que pode sim ser diferente.

"Se o mandatário tiver habilidade e capacidade de negociar, cria uma base homogênea para acompanhá-lo, com base em um programa de governo claramente anunciado. Admite a coabitação, mas determina qual programa a ser seguido", argumenta.

É uma operação de difícil execução, mas não impossível. Como aponta Moisés citando o professor da UnB Lúcio Rennó, "depende da virtude do presidente".

Desde José Sarney, o fisiologismo grassou em diferentes níveis. O primeiro governo civil depois do período militar foi refém do poderio do PMDB no Congresso, que lançou as bases da dinâmica "é dando que se recebe".

Fernando Henrique Cardoso impôs um programa.

Cedeu bastante, notadamente em função do plano de criar o instituto da reeleição, mas não cedeu completamente: conseguiu viabilizar reformas, acabou com o cabide das "teles" e profissionalizou a Petrobrás.

Não do dia para a noite nem de forma conclusiva. Mas iniciou um processo que o sucessor, Luiz Inácio da Silva, interrompeu ao optar pelo caminho aparentemente mais fácil: a cooptação pura e simples, partindo do princípio de que se os "picaretas" estavam à venda bastava comprá-los.

Foi bem-sucedido em termos imediatos, mas ajudou a construir a armadilha da qual Dilma Rousseff é prisioneira e que só tende a desqualificar, a tirar a legitimidade da democracia representativa.

A fim de que o fisiologismo não acabe por arrasar a democracia no Brasil, urge que se dê um jeito no fisiologismo.

Mário de Andrade, em Macunaíma, usou a saúva - "Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil" - para ironizar politicagens em geral.

Acabar com elas não parece factível, mas entre o 8 ideal e o 80 dos tempos atuais há um meio termo, um modus operandi mais decente e que não desmoralize as instituições.

Complicado?

Claro, mas o combate à inflação também pareceu impossível por duas décadas e, no entanto, se fez. Juntando-se fatores como compreensão do problema, capacidade de decisão, competência na operação, habilidade de convencimento, eficácia na comunicação, honestidade de propósitos e, sobretudo, vontade de fazer.

Transposição

Engendra-se no Planalto a retirada de todas as obras do PAC do Ministério dos Transportes e a transferência para a jurisdição de Miriam Belchior, no Planejamento.

Com isso, a pasta ficaria praticamente reduzida ao acompanhamento de obras de manutenção de estradas.


08 de julho de 2011

Eu e Dirceu somos irmãos siameses

Eu e Dirceu somos irmãos siameses, o que der para ele no julgamento do mensalão, dá para mim', diz Roberto Jefferson

Por Juliana Castro
O GLOBO

RIO - Pivô do maior escândalo do governo Lula, o deputado cassado Roberto Jefferson está entre os 36 réus do processo do mensalão, cuja condenação foi pedida na quinta-feira em parecer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

O único nome para o qual Gurgel pede absolvição é o do ex-ministro Luiz Gushiken .

Ao GLOBO, Roberto Jefferson disse que ainda há muita gente inocente na lista de réus, que não está preparado para qualquer decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e que sua pena estará diretamente ligada à punição aplicada ao ex-ministro José Dirceu.
GERSON CAMAROTTI:
PT fica abalado com parecer final da PGR

O GLOBO: O senhor já leu o parecer da Procuradoria-Geral da República?

Roberto Jefferson: Não li. Tudo o que eu sei são sobre as especulações que saíram na imprensa. Tentei entrar no site da PGR, mas não tem nada lá. O parecer não está nem nos autos do processo ainda.
Admito o delito de caixa dois, mas não fiz mensalão. Não aluguei minha bancada

O GLOBO: O que o senhor achou da decisão da procuradoria de pedir a absolvição do ex-ministro Luiz Gushiken?
Jefferson: Eu penso que está correta. Nunca ouvi dizer que ele tivesse envolvido no mensalão. Tem muita gente inocente ali (na lista de réus do processo).

O GLOBO: E quem são esses inocentes?


Jefferson: Eu não vou citar nomes. Quem vai decidir isso é o plenário do STF. Eu não sou juiz, sou réu. Mas tem gente inocente ali e também gente culpada. Tem mais gente culpada que inocentes.

O GLOBO: Como está a preparação da sua defesa?

Jefferson: Estou esperando o parecer. Mas minha linha de defesa é muito clara. Admito o delito de caixa dois, mas não fiz mensalão. Não aluguei minha bancada. Fiz caixa dois de campanha, mas mensalão eu não deixei entrar no meu partido. Não permiti que esse dinheiro contaminasse minha bancada. Eu mantenho tudo o que eu disse.

O GLOBO: O que espera da decisão do STF?


Jefferson: Eu creio numa decisão justa. Meu advogado já disse: "você e Dirceu são irmãos siameses. O que der para o Dirceu dá para você". Então, é isso: o que der para ele, dá para mim.

Se eles me condenarem por crime eleitoral, eu não tenho o que discutir. Mas não aceito essa denúncia de corrupção e lavagem de dinheiro

O GLOBO: O que seria uma decisão justa?


Jefferson: Se eles me condenarem por crime eleitoral, eu não tenho o que discutir. Mas não aceito essa denúncia de corrupção e lavagem de dinheiro. Se for culpado por essa denúncia, eu me rebelo. Não fiz isso. Não podem me empurrar nesse mesmo bolo.

O GLOBO: O senhor está preparado para qualquer decisão que saia do julgamento no STF?

Jefferson: Não estou, não. Essa denúncia de corrupção e lavagem de dinheiro, eu não aceito. Contra mim essa denuncia é injusta. Não pratiquei o que eles estão descrevendo contra mim na denúncia. (Se for culpado por ela) Vou me rebelar porque é incorreto e injusto.

O GLOBO: O ex-presidente Lula prometeu comprovar que o mensalão foi uma farsa. Quais são as chances de ele conseguir manter essa palavra?

Jefferson: Ele vai ter que discutir com a PGR. Não é mais um fato político e sim processual. Lula é um animal político, mas não é advogado ou procurador. Será a palavra dele contra a da procuradoria.
LEIA MAIS: Advogado de Dirceu considera parecer de Gurgel sobre mensalão 'peça de ficção'

INFOGRÁFICO: Relembre o escândalo do mensalão



08/07/2011

Procurador pede ao STF que condene 36 réus do mensalão

Para Roberto Gurgel, ficou clara existência de um esquema de corrupção no Congresso.

Foi recomendada a absolvição de Luiz Gushiken e Antônio Lamas

O empresário Marcos Valério, operador do mensalão, em frente ao Congresso Nacional (Alan Marques/Folha Imagem)

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu nesta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação de 36 réus envolvidos no esquema do mensalão.

O STF deverá estabelecer um prazo para que os advogados dos réus apresentem suas defesas finais.

O encaminhamento da votação ainda depende de um pedido para que o processo seja incluído na pauta de julgamentos do Supremo, ação que caberá ao ministro Joaquim Barbosa, relator do processo.

Gurgel recomendou a absolvição apenas do ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e de Antônio Lamas, ex-assessor do deputado Valdemar Costa Neto (PR).

Todos os outros réus devem ser considerados culpados, de acordo com o relatório do procurador-geral, para quem ficou clara a existência de um esquema de corrupção.

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-presidente do PT José Genoíno e o publicitário Marcos Valério fazem parte da lista dos réus.

Mensalão

O escândalo do mensalão foi a maior crise política do governo Lula (2003-2010).

Em 2005, descobriu-se que o PT havia montado um gigantesco esquema de compra de votos de deputados na Câmara Federal, para aprovar projetos do governo.

Cada deputado custava cerca de 30.000 reais por mês. A fatura era paga com dinheiro público, desviado por um esquema criado por Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e por Marcos Valério.

Pressão

Além de encontrar infindáveis maneiras de adiar o julgamento do processo, a defesa dos envolvidos na quadrilha tem artimanhas para reconstruir a imagem dos acusados – e tentar coagir o Supremo.

Os mensaleiros foram, ao longo dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, gradualmente reabilitados.

Em abril, Genoíno foi nomeado assessor especial do Ministério da Defesa.

A ideia é mostrar que o ex-deputado ocupa um cargo relevante, subordinado diretamente a Nelson Jobim, ex-ministro do STF.

A mensagem subliminar é que um ex-magistrado não ousaria nomear um criminoso para um cargo de tanta confiança.

João Paulo Cunha, que presidia a Câmara no período do escândalo, facilitava contratos a financiadores do esquema e usava o dinheiro da propina, assumiu agora a Comissão de Constituição e Justiça da Casa.


Já Dirceu, que se dedicou aos negócios fazendo meteórica carreira como despachante de empresas nacionais e estrangeiras com interesses em decisões de órgãos estatais, voltou com força total ao jogo político na eleição que levou Dilma Rousseff à Presidência, já esteve diversas vezes no Palácio do Planalto neste ano e não perde um holofote.

No velório do ex-vice-presidente José Alencar, ficou a poucos metros dos ministros do STF Gilmar Mendes e Ellen Gracie, que vão julgá-lo no processo do mensalão.

Dirceu chegou a ser cotado para o cargo de ministro do governo Dilma.

As nomeações de mensaleiros para postos estratégicos têm o único objetivo de conferir a eles algo que a investigação oficial lhes tirou: respeitabilidade.
É uma maneira de tentar conseguir a absolvição perante os cidadãos, para, depois, contar com a tradição do Supremo Tribunal Federal de não condenar políticos.



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Perguntar não ofende...


Roberto Freitas
Brasília - DF

De onde está saindo o dinheiro para a defesa do terrorista italiano, para pagar hotel 5 estrelas, passagens aéreas, aluguel do meliante em São Paulo, alimentação, etc... etc...?


Quem está pagando aos advogados, inclusive o intragável bigodudo Greenhalgh, que não cobra nada barato e se locupletou todo esse tempo defendendo petistas enrolados com a Justiça?


Quem ?


Esse dinheiro está saindo de algum lugar para dar boa vida a um criminoso estrangeiro aqui no país. Gostaria de ver a imprensa investigativa apurando esse fato: de onde sai essa dinheirama toda?

Do PT, do saldo dos mensaleiros?

Do governo?

Do Ministério da Justiça?

Dos impostos dos contribuintes?

Ficam aí as indagações!

Dilma inaugura teleférico do Complexo do Alemão


Sem a intenção de julgar precocemente o governo que está 'instalado' desde o antecessor (Lulismo), não consigo perceber a 'lógica' que move as ações no mínimo extravagantes do mesmo.

Então vejamos: apenas 6 meses de governo atual e a demissão por 'justa causa' de 3 ministros em postos importantíssimos!

Será que o legado é a permanência a qualquer custo no poder?

Não consigo encontrar o 'algorítimo' para o entendimento do cenário atual e antecessor a não ser apelando para equações equivocadas ou falsas.

Quem sempre alardeou inclusive como 'arautos da honestidade e lisura com o trato da coisa pública e dos interesses da Nação', estão, agora, demonstrando exatamente o que na verdade são?

Será que uma mísera 'bolsa' compra a verdadeira face apocalíptica dos 'cavaleiros' confortavelmente instalados no poder?

Nunca poderemos, como brasileiros, nos honrar de sermos filhos de uma Pátria como nos inspira o nosso 'hino nacional'?

Continuaremos a ser filhos da 'outra'?

Quando essa desordem 'quântica' será finalmente controlada?

Quando o 'poder' deixará pelo menos de ser hipócrita e sórdido nos seus atos legais?

Enfim, companheiros de luta, creio que resta-nos somente apelarmos que sobreviva os sentimentos patrióticos do que ainda não estiolou e morreu da nossa querida Pátria mãe gentil!

Saudações fraternais.



07/07/2011 - 18h06

Ministro a serviço de um partido


Vídeo obtido por ISTOÉ mostra como o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e o principal dirigente do PR, o deputado Valdemar Costa Neto, engrossam a bancada da sigla no Congresso trocando filiações por milionárias obras públicas

Por Lúcio Vaz e
Sérgio Pardellas

Vídeo obtido por ISTOÉ:


Vídeo obtido por Istoé mostra como o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, usa dinheiro público para atrair deputados ao PR


ACERTO
Negociação entre Nascimento e Davi foi fechada no gabinete do ministro, com a presença de Valdemar Costa Neto, que não aparece no vídeo

Diálogo no gabinete do ministro

Na tarde de 24 de junho de 2009, o ministro Alfredo Nascimento recebeu em seu gabinete o deputado Davi Alves da Silva Júnior, então no PDT, para negociar a liberação de obras na rodovia BR- 010. Embora não tenha sido focalizado pelo cinegrafista, o deputado Valdemar Costa Neto também estava no gabinete e participou de toda a conversa.

O diálogo, no gabinete do ministro, mostra Nascimento discutindo a liberação de obras com o deputado Davi Júnior. No primeiro trecho da conversa, o deputado Valdemar Costa Neto conduz a negociação e admite ter feito um acordo prévio com o ministro para a assinatura do projeto.

Durante a conversa, Nascimento deixa claro que Davi poderá obter mais recursos do ministério quando deixar o PDT e migrar para o PR.

Ministro Alfredo Nascimento – Já vou logo copiar aqui o pedido dele... Davi Alves da Silva Júnior, BR- 010, construção da travessia urbana...

Deputado Valdemar Costa Neto – ... de Imperatriz.

Deputado Davi Alves da Silva Júnior – Imperatriz, acesso a Davinópolis.
Costa Neto – Já começou o projeto, não é, Davi?

Davi Júnior – Já.
Costa Neto – Já estão contratando, já está na fase final, viu, Alfredo?... Por isso que ele (deputado Davi Júnior) veio aqui te agradecer.

Nascimento – Ah!... É aquele negócio que tu me pediste?
Costa Neto– É, é...

Nascimento – Pra ele? (referindo-se ao deputado Davi Alves)
Costa Neto – É...

Nascimento – Rapaz, tu não tá nem no partido e já tá conseguindo arrancar as coisas daqui, imagina quando estiver no partido! (diz, dirigindo-se ao deputado Davi) (risos).

Na sequência da conversa, o ministro faz uma rápida leitura no texto que libera R$ 1,5 milhão para a obra e demonstra assinar de qualquer jeito o documento indicado por Costa Neto, sem saber do que se trata, nem mesmo em que lugar do Maranhão o projeto será implantado. Quem dispõe de todas as informações é Costa Neto.

Nascimento – ... (lendo o documento) informo que está sendo liberado nesta data limite adicional para movimentação do empenho, no valor de um milhão e meio de reais...
Costa Neto – Um milhão e meio, você que liberou.

Nascimento – (ainda lendo o documento) ... Ação... estudo de viabilidade e projeto de infra-estrutura de transporte, travessia urbana, na divisa das cidades de Divinópolis e Imperatriz.
Davi Júnior – Davinópolis (corrigindo o nome da cidade maranhanse).

Nascimento – São duas cidades?
Costa Neto – É Davinópolis... “da”...
Davi Júnior – Não, Davinópolis é a entrada, né?... seria a entrada.

Nascimento – São duas cidades?
Davi Júnior – São duas cidades, isso.
Costa Neto – Mas são ligadas?... Não?... não?...é só acesso.
Davi Júnior – É só acesso, é BR e o acesso... tem aquele bairro, que é o conjunto Vitória, onde... acontece mais acidente é ali.

Nascimento – Porque o acesso a gente só pode fazer até cinco quilômetros...
Costa Neto – ... Mas estão fazendo o projeto já... Só pega a parte da BR, não vai entrar na cidade... Isso que você liberou.
No final da conversa, mais uma vez o ministro mostra que não tinha conhecimento sobre a obra que estava aprovando.

Nascimento – É Davi ou Divinópolis?
Davi Júnior – É Davi... Ah, que botaram Divinópolis aqui (olhando para o documento), é Davi... é Davi mesmo.

Nascimento – Porra, você dono da cidade?
Costa Neto – É Davi, por causa do nome dele, por causa do pai dele, o pai dele que fez a cidade, o pai dele era deputado federal, Alfredo.

Nascimento – ... (observando os documentos) Então Davinópolis e Imperatriz... Mas não são as duas, é só uma.
Costa Neto – É só uma.

Davi Júnior – Isso.

Costa Neto – É que pega só acesso...

Nascimento – É travessia urbana de Imperatriz?

Costa Neto – De Imperatriz.

Em Brasília, as paredes não têm ouvidos, mas há muitas câmeras indiscretas e uma delas gravou uma daquelas conversas armadas para ficar em segredo.

São diálogos mantidos durante uma reunião registrada em áudio e vídeo em pleno gabinete do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento.

O vídeo obtido por ISTOÉ revela como o ministro e presidente do Partido Republicano (PR) usa o dinheiro público para cooptar deputados para a sigla e comprova a atuação do deputado Valdemar Costa Neto – réu no processo do Mensalão acusado de receber R$ 11 milhões do publicitário Marcos Valério – no Ministério dos Transportes, agindo como uma espécie de ministro de fato.

E com amplo acesso a um cobiçado orçamento de R$ 21,5 bilhões para 2011.

SONHO

A recuperação da BR-010 (acima) já teve um sobrepreço de R$ 106 milhões e está longe de se parecer com a maquete apresentada pelo ministro Nascimento (abaixo)

Participam do encontro o ministro Nascimento, Costa Neto, o deputado Davi Alves da Silva Júnior, na época filiado ao PDT do Maranhão, e um assessor do parlamentar.

A reunião é rápida e as imagens se concentram na mesa da sala de reuniões do gabinete do ministro, onde estão sentados Nascimento e Davi Júnior.

Na conversa, o ministro custa a entender o pedido formulado pelo parlamentar para obras na rodovia BR-010, no Maranhão, até que pergunta a Costa Neto: “Ah! É aquele negócio que tu me pediste?”

Confirmada a transação, o ministro comenta com Davi: “Rapaz, tu não tá nem no partido e já tá conseguindo arrancar as coisas daqui. Imagina quando estiver no partido!”.

Na sequência da declaração nada republicana, Nascimento e Costa Neto soltam uma sonora gargalhada.

E, mais tarde, Davi Júnior vai de fato parar nas fileiras do PR e é agraciado com mais liberações milionárias pelo ministro.

FOCO

Luís Antônio Pagot (acima) foi afastado do DNIT junt o com a cúpula do ministério, mas o senador Álvaro Dias (abaixo) insiste na criação de uma CPI

O encontro aconteceu na tarde de 24 de junho de 2009.

Na conversa, mantida na mesa de reuniões do gabinete do ministro, ficou acertada a liberação para o deputado de R$ 1,5 milhão para o projeto da travessia urbana de Imperatriz, sua base eleitoral. A obra estava orçada em R$ 86 milhões.

Na época, o encontro do deputado com o ministro chegou a ser divulgado, mas nenhuma providência foi tomada e a dupla Nascimento e Costa Neto continuou a agir com o apoio dos cofres do Ministério dos Transportes.

Hoje, a obra na BR-010 é estimada pelo próprio deputado Davi Júnior em R$ 192 milhões.

Obedecendo ao roteiro traçado por Costa Neto e declarado pelo ministro no vídeo, Davi, menos de dois meses depois de sacramentado o negócio, mais precisamente em 19 de agosto daquele ano, apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de desfiliação do PDT e, em seguida, subscreveu a ficha de ingresso no PR.

Levantamento feito por ISTOÉ mostra que a migração partidária trouxe novos e imediatos benefícios ao deputado, como se a transferência de partido tivesse gerado uma fatura a ser paga. Em setembro daquele ano, Davi Júnior conseguiu a liberação de recursos para outra obra vinculada aos Transportes. Dessa vez, com orçamento de R$ 340 milhões.

As cenas que mergulham Nascimento ainda mais no lamaçal da corrupção dos Transportes deixam claro o uso do dinheiro público para angariar correligionários. Mostram ainda que o deputado mensaleiro atua como uma eminência parda, indicando o que o ministro deve assinar para beneficiar seus aliados.

É Costa Neto quem alicia o parlamentar, tem autorização para despachar de dentro do gabinete do ministro e orienta, quase determina, para onde vai e quando a verba será liberada.

Logo no início do vídeo, Nascimento comenta: “Já vou copiar o pedido. Construção da travessia urbana...”

É interrompido por Costa Neto, que não aparece na imagem (a pedido de ISTOÉ, uma perícia confirmou que a voz ouvida ao fundo é de Costa Neto – leia quadro na pág. 41). “...de Imperatriz”, completa, ansioso.

Ele avisa, num tom bastante íntimo, que a obra já está sendo contratada. “Está na fase final, viu, Alfredo? Por isso ele (o deputado Davi Júnior) veio aqui te agradecer.” O ministro demonstra que tinha conhecimento prévio do pedido feito pelo chefe do partido ao indagar a Costa Neto se ele se referia “àquele negócio” acertado antes.

Diante da confirmação, Nascimento vira-se de volta para o visitante e faz o comentário no qual lembra que o parlamentar vai ser ainda mais bem atendido depois de entrar no partido. No encerramento da conversa informal, diz que Davi Júnior vai receber um comunicado do ministério sobre a liberação.


PRODÍGIO

Reportagem de ISTOÉ aponta, em 2009, o enriquecimento de Gustavo, filho de Nascimento.
O rapaz é investigado pelo MP do Amazonas

Os interesses de Valdemar e Davi Júnior se cruzaram em 2009, quando os partidos já se preparavam para o embate eleitoral do ano seguinte. Davi, filiado ao PDT, tentava havia dois anos a execução de uma emenda individual de R$ 800 mil para o projeto de uma obra no seu principal reduto eleitoral, a construção da travessia urbana de Imperatriz e Davinópolis.

Costa Neto andava atrás de deputados de outros partidos para ampliar a sua bancada até a data-limite para a troca de legenda, no início de outubro.

O mensaleiro, ex-presidente e agora secretário-geral do PR, tratou de chamar o deputado trabalhista para o seu ninho.

Para atraí-lo, prometeu ajudar na liberação da verba para a obra tão desejada. O orçamento ficaria em torno de R$ 86 milhões. Antes de marcar a audiência no Ministério dos Transportes, adiantou e negociou o pedido com o amigo ministro, Alfredo Nascimento.
Filho do ex-deputado e ex-prefeito de Imperatriz Davi Alves, assassinado em 1998, Davi Júnior deseja seguir o caminho do pai, que deu nome à cidade de Davinópolis.

As conquistas do herdeiro político do ex-prefeito são divulgadas com orgulho.

Em agosto do ano passado, o seu informativo na internet anunciou:

“Tudo pronto para o início das obras de revitalização da BR-010.” O texto explica que se trata da travessia urbana de Imperatriz até Davinópolis.

“A obra está orçada em R$ 192 milhões”, informa o boletim, revelando um sobrepreço de R$ 106 milhões em relação ao projeto inicial.

Em setembro de 2009, Davi informa que, na reunião em que tratou da travessia urbana de Imperatriz, questionou o ministro sobre o motivo da paralisação do projeto da travessia de Santa Luzia, Buriticupu e Bom Jesus das Selvas pela BR-222.

“O ministro convocou o deputado Davi para reunião e confirmou que o projeto seria atualizado imediatamente e licitado pelo DNIT em dois lotes”, diz a nota. Um lote teria início em fevereiro e outro em julho de 2010. O gabinete do deputado informou na última terça-feira 5 que a obra já está em andamento e terá um custo de R$ 340 milhões.

A ação dos dirigentes do PR dentro do Ministério dos Transportes não é inédita e também não se encerra neste episódio. Em março de 2007, reportagem da ISTOÉ revelou um esquema de aliciamento de oito deputados que disseram ter recebido propostas para se filiar ao PR em troca de cargos e obras do Ministério comandado por Alfredo Nascimento.

Líderes do PFL, do PSDB e do PPS afirmaram ter ouvido relatos de deputados que foram sondados para se filiar ao partido, por Nascimento ou seus emissários.

Quem abordava os deputados era o então líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR).

A conversa se iniciava sempre com o argumento de que deputado de Estado pobre não pode ser de oposição porque precisa de recursos federais para as suas regiões ou não se reelege. Aí, era oferecida a possibilidade de indicar cargos e liberar recursos orçamentários nas áreas ligadas ao Ministério dos Transportes.

Seis deputados receberam a oferta de ganhar o poder sobre o escritório local do DNIT, órgão responsável pela construção e manutenção das rodovias federais. O deputado Márcio Junqueira (PFL-RR) contou que teve dois encontros com Nascimento.

Disse que, nessas conversas, Nascimento lhe prometeu a liberação de emendas de obras rodoviárias. O PR saíra das urnas com 23 deputados em 2006, mas já tinha 38 em março 2007. Agora com maior rigor para o troca-troca partidário, o PR mantém 40 deputados desde as eleições do ano passado.

A lista de denúncias envolvendo o ministro e a sua pasta não para de crescer. O Ministério Público Federal no Amazonas, por exemplo, investiga o suposto enriquecimento ilícito de Gustavo Moraes Pereira, filho do ministro. O rapaz, arquiteto de 27 anos, criou a Forma Construções, com capital social de R$ 60 mil. Dois anos depois, a empresa tem um patrimônio superior a R$ 50 milhões, um crescimento de 86,5 mil por cento. O enriquecimento rápido de Pereira já havia sido denunciado por ISTOÉ em julho de 2009.

Então com 25 anos, o jovem declarava um patrimônio de R$ 1,28 milhão, o dobro do que o pai informava possuir à Justiça Eleitoral em 2006. O MP está analisando contratos da empresa do filho do ministro com empresas que prestam serviços ao Ministério dos Transportes. Diante das pressões, Nascimento suspendeu por 30 dias as licitações realizadas pelo DNIT e pela Valec, ligadas ao seu Ministério, e decidiu aceitar a convocação para comparecer ao Congresso e se explicar.

Apesar de ter o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho no ministério, e presidir um partido importante para a sustentação política do governo, Alfredo Nascimento enfrenta ataques cada vez mais fortes da oposição. Na última semana, PSDB, PPS e DEM iniciaram a coleta de assinaturas para instalar uma CPI a fim de investigar as irregularidades no ministério.

“Os desmandos ocorrem há muitos anos e continuam nesse governo”, reclama o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Na verdade, Nascimento nunca gozou de confiança cega da presidente Dilma Rousseff.

Por isso, conforme apurou ISTOÉ, Dilma mantinha um olheiro e informante dentro da pasta.

Trata-se de Hideraldo Luiz Caron, diretor de infraestrutura rodoviária do DNIT, que ela importou do Rio Grande do Sul.

Para não levantar suspeitas, Caron se reunia com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, repassando-lhe informações preciosas sobre o andamento dos processos no DNIT, sobretudo em relação aos superfaturamentos e aditivos feitos de forma irregular.

Miriam, por sua vez, contava tudo a Dilma.

Quando percebeu que a pasta estava envolta em irregularidades praticamente insanáveis, a presidente afastou a cúpula do ministério, entre eles o diretor-geral do DNIT, Luís Antônio Pagot.

A preocupação da presidente com os desmandos no Ministério dos Transportes persiste. E, como comprova o vídeo revelado por ISTOÉ, Dilma tem motivos de sobra para querer ver os caciques do PR longe da pasta.

Na última semana, a pergunta mais ouvida em Brasília era: se Dilma sabia das irregularidades nos Transportes, por que ainda mantém Nascimento no comando do órgão?

O que se sabe é que o ministro, além de próximo a Lula, sempre foi um aliado estratégico do PT no Amazonas. Nos últimos dias, o PT do Senado fez forte pressão para que Dilma não tirasse Alfredo Nascimento do cargo.

Os petistas têm, na verdade, um argumento corporativo. O ministro é senador licenciado e, se perder o emprego, voltará para o Senado, ocupando a vaga de João Pedro, do PT do Amazonas, o que diminuiria a bancada do partido para 13 senadores, e aumentaria a do PR para seis.

As pressões do PT, no entanto, deverão ser inócuas.

Nos últimos dias, embora tenha divulgado comunicado afirmando que “o governo manifesta sua confiança no ministro” e que ele é o “responsável pela coordenação” da apuração das irregul=aridades ocorridas no ministério, Dilma disse em reuniões com auxiliares bem próximos que, se houvesse novas denúncias contra o ministro, ele não seria poupado.

Diante do novo cenário e com a revelação de que dinheiro público vem sendo usado para cooptar parlamentares para o PR, com a tutela do mensaleiro Costa Neto e o aval de Nascimento, a situação do ministro se complica de vez.



Como o vídeo foi gravado


No dia 24 de junho de 2009, o deputado Davi Alves Júnior foi até o gabinete de Alfredo Nascimento levado pelo secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto. Levou junto uma equipe de tevê para gravar entrevistas.

O ministro e o deputado visitante sentaram na ponta de uma mesa. Uma câmera foi colocada na outra ponta para gravar apenas imagens e não o som.

Os dois deveriam conversar e folhear documentos.

As entrevistas seriam feitas depois.

Costa Neto não poderia aparecer sequer nas imagens, porque não haveria como explicar a presença do principal dirigente do partido numa audiência oficial do ministro.

Por descuido ou imprudência, o operador da câmera deixou o áudio ligado, captando assim as conversas reservadas entre o ministro, o deputado visitante e o dirigente do partido.

Situação semelhante ocorreu com o então ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, em 1994.

Na época, ele dava uma entrevista à TV Globo e, durante um intervalo, fez inconfidências sobre a política econômica, acreditando que não estava sendo gravado. O vídeo foi divulgado e Rícupero perdeu o cargo de ministro da Fazenda.
Gravação autêntica

MOLINA
perito confirma que Costa Neto participou do encontro

Na terça-feira 5, o professor Ricardo Molina de Figueiredo concluiu uma perícia realizada a pedido de ISTOÉ no vídeo que registra a reunião do ministro Alfredo Nascimento com os deputados Davi Júnior e Valdemar Costa Neto, em 24 de junho de 2009.


Depois de submeter o vídeo a diversos filtros, Molina concluiu que a “gravação não apresenta qualquer indício de manipulação, podendo ser considerada autêntica.” Além do vídeo, a reportagem encaminhou ao perito a gravação de uma entrevista concedida por Costa Neto à TV Câmara.

O objetivo era fazer uma comparação de voz para que ficasse comprovado cientificamente que um dos interlocutores, que não aparece na imagem, é mesmo o secretário geral do PR.

“A voz questionada é, acima de qualquer dúvida razoável, a voz de Valdemar Costa Neto, de acordo com exaustivos confrontos realizados entre o material questionado e o material padrão”, afirma Molina.


Gilberto Carvalho e Pagot quase levam crise para dentro do Planalto


A crise no Ministério dos Transportes ameaçou alastrar-se para outras áreas do governo, atingindo de forma direta a presidente Dilma Rousseff e o secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho.

Na terça-feira, 5, enquanto Dilma visitava as obras da Usina de Santo Antonio em Rondônia, Carvalho reunia-se com Luiz Antonio Pagot para dar uma aparência de normalidade ao pedido de férias do afastado diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Ao tomar conhecimento do que ocorrera, Dilma mostrou-se irritada.

No sábado, 2, ela havia ordenado o afastamento de quatro dirigentes da área dos Transportes, entre eles Pagot .

Carvalho e Pagot, apadrinhados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tinham redigido uma nota, que chegou a ser divulgada, mas logo foi suspensa.

Nela, o Dnit assegurava que as férias de Pagot não eram uma manobra e que ele estava encaminhando as explicações necessárias.

Já informada da operação, Dilma desembarcou em Brasília cerca das 19 horas e seguiu para o Planalto, onde mandou dizer aos jornalistas que Pagot seria sumariamente demitido assim que retornasse das férias.

Toda a operação causou forte desconforto no Planalto.

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, foi a primeira a estrilar.

Telefonou para o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, questionando-o sobre a nota que estava sendo divulgada, segundo a qual 'por decisão da Casa Civil da Presidência da República, corroborada pelo Ministério dos Transportes', o diretor-geral do Dnit estava cumprindo programação de férias.

'Como vocês divulgam informação com nome da Casa Civil sem falar comigo?'
, reclamou Gleisi.

Nascimento explicou que a nota resultava de um acerto entre Pagot e Gilberto Carvalho.

Por ordem do Planalto, a nota foi abortada.

Carvalho negou que estivesse tentando salvar Pagot.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Charge

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Patrimônio de empresa de filho de Alfredo Nascimento aumenta 86.500%



 
O Ministério Público Federal Federal está investigando suposto enriquecimento ilícito de Gustavo Morais Pereira, arquiteto de 27 anos, filho do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento.

Dois anos após ser criada com um capital social de R$ 60 mil, a Forma Construções, uma das empresas de Gustavo, amealhou um patrimônio de mais de R$ 50 milhões, um crescimento de 86.500%.

As investigações podem complicar ainda mais a situação do ministro, que, desde sábado, tem sido obrigado a se explicar sobre o suposto envolvimento de seus principais assessores com corrupção.


As investigações começaram ano passado, a partir de um nebuloso negócio entre Pereira e a SC Carvalho Transportes e Construções, empresa beneficiária de recursos do Ministério dos Transportes.

Em 2007, a SC Transportes repassou R$ 450 mil ao filho do ministro, conforme documentos em poder da Procuradoria da República do Amazonas.

Nesse mesmo ano, a empresa recebeu R$ 3 milhões do Fundo da Marinha Mercante, administrado pelo Ministério dos Transportes para incentivar a renovação da frota do país.

Em 2008, a empresa ganhou mais R$ 4,2 milhões.


Os repasses do ministério à empresa estão registrados no Portal da Transparência, do governo federal. O Ministério Público abriu investigação para apurar se houve conflito de interesse nas decisões do ministério chefiado por Nascimento e os benefícios pagos à empresa que negociou com o filho do ministro:

- O que nos causou estranheza foi o fato de uma empresa de um dos amigos do ministro receber grandes valores (do ministério) e depois fazer negócio com o filho do ministro - disse ao GLOBO um dos investigadores do caso.

Leia mais sobre esse assunto no O Globo.





Intocáveis: Supremo diz que chamar político de ladrão é uma ofensa gigante contra a nação




STF decide multar quem chamar político de ladrão


Supremo diz que chamar político de ladrão é uma ofensa gigante contra a nação 

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que chamar um político de ladrão será uma ofensa contra a nação, e quem fizer deverá indenizar o governo moralmente.

A multa para quem desobedecer varia de 46 a 171 mil reais.

A decisão do STF valerá também para os internautas que chamam os políticos de ladrões pelas redes sociais Orkut, Facebook, Twitter, e outras.


“Nenhum político pode ser considerado ladrão enquanto não for condenado pelo STF, e até agora o STF inocentou todos”, disse o ministro do Supremo.

A próxima etapa do Supremo é decidir sobre a extinção da prisão temporária e preventiva para políticos envolvidos em escândalos.

“Se todo político será no futuro inocentado pelo STF, não há motivos para prendê-los então”,
diz a nota da assessoria do STF.


Comentário

Não é possível.

Só pode ser piada de salão.


Lula: impostura até diante de um cadáver




Por Reinaldo Azevedo

Poderia deixar passar, mas não vou.

Acusar as imposturas de Lula é uma questão civilizatória.

A cada vez que ele brutaliza a verdade, é um dever moral acusar a mentira.

Na Folha de hoje, o Babalorixá de Banânia afirma que foi preciso Itamar Franco morrer para que lhe reconhecessem o mérito do Plano Real.

É uma forma indireta e vigarista de atacar FHC, como se este houvesse sequestrado a obra daquele.

O tucano sempre reconheceu, e o fez ainda outra vez há dois dias, que Itamar era o presidente à época da decretação do Real.

Mas também é fato notório que este não tinha a exata noção do problema.

Quem não reconhece as virtudes do real é Lula.

Tanto é assim que seu partido votou contra a lei que o instituiu.

Os petistas diziam que o plano seria um desastre para o Brasil.

Quem satanizou Itamar foi Lula, especialmente durante a privatização da CSN.

Quem hostilizou Itamar foi Lula, tanto é que o PT se negou a fazer parte da base de apoio ao governo e puniu Luiza Erundina, que aceitou ser Ministra da Administração.

Vai ver Lula fala de si mesmo.

Enquanto Itamar era Presidente da República, o PT, na oposição, fez o que sabe fazer: sabotar o governo.


05/07/2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Por que Dilma hesita em demitir Alfredo Nascimento

Dilma soube que estava havendo superfaturamento em obras tocadas pelo Ministério dos Transportes. Soube também que licitações ali eram fraudadas e que empresas contratadas contribuíam para o caixa 2 do Partido da República (PR, presidido por seu ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento).

Foi por isso que no último fim de semana ela mandou afastar a cúpula do ministério, toda ela formada por auxiliares de confiança do ministro. Não esperou, sequer, a volta de Nascimento, que viajara para o Amazonas, seu Estado.

Se Nascimento tiver um pingo de vergonha na cara pedirá demissão. Ou porque foi conivente com a roubalheira. Ou porque foi um administrador leniente, descuidado, omisso. Não mandava, de fato, no seu pedaço. Desconhecia o que se passava em torno do seu gabinete.

Caso Nascimento não peça para sair, Dilma só tem uma atitude a tomar para ser coerente com seus atos recentes: demitir o ministro. Bancar a babá dele, jamais.

O PR não sairá da barra da saia de Dilma se Nascimento perder o emprego. Não terá para onde ir. Continuará refém das migalhas do poder. Quando nada porque tais migalhas significam alguns milhões de reais aqui e acolá.

Dilma só enfrentará um problema se demitir Nascimento: ele voltará para o Senado. E João Pedro, o suplente que assumiu a vaga dele, voltará para o Amazonas.

João Pedro é amigo de longa data e de farras inesquecíveis de Lula. Comeram muitos tambaquis juntos com as águas do rio Amazonas pela cintura.

Virou suplente de Nascimento por imposição de Lula.

E foi por isso, e só por isso, que Nascimento virou ministro - antes de Lula, agora de Dilma.

Collor tem comportamento cínico diante da morte de Itamar





Por Ricardo Setti

Amigos, parece muito bonito o gesto do ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL) de elogiar, depois de morto, o ex-presidente Itamar Franco, seu vice e sucessor após o impeachment, e comparecer, de ar grave e compungido, a seu velório.

Parece bonito, e seria, se em sua atitude e em suas palavras houvesse um pingo de respeito à realidade dos fatos, à memória ainda fresca para muitos brasileiros da campanha eleitoral que levou Collor ao poder, em 1989, e de seu governo (1990-1992).

Na declaração inicial sobre a morte do ex-presidente, Collor disse, textualmente:

“Sinto muitíssimo a perda de um amigo e grande presidente do país. Itamar foi um companheiro inexcedível durante o período em que militamos juntos”.

Itamar nunca foi “grande amigo” de Collor, coisa nenhuma.

Muito pelo contrário.

Tendo sido convidado para ser o vice do então jovem governador de Alagoas para fortalecer-lhe a candidatura com sua impecável folha corrida moral, Itamar não demorou a ser desrespeitado pelo cabeça de chapa, que o ignorou durante a campanha eleitoral, não o consultava sobre nada e não o informava sobre decisões importantes.

Já no Planalto, manteve Itamar afastado do centro do poder e não lhe atribuía funções.

Depois do impeachment, zombou várias vezes de seu substituto, chegando a, grosseiramente, duvidar de sua masculinidade em mais de uma ocasião.

Ao se reencontrarem os dois no Senado em fevereiro passado – Collor, ali instalado desde 2007, e Itamar recém-eleito pelo PPS de Minas Gerais –, o falecido ex-presidente, apesar de homem simples e cortês, recusou qualquer aproximação com o suposto “amigo”.

Sobre o cinismo de Collor, quem melhor disse foi o senador Pedro Simon (PMDB-RS), amigo e admirador de Itamar e líder de seu governo no Senado, em declaração ao Estadão:

– A vinda do Collor hoje [domingo] aqui [em Juiz de Fora, paras onde foi levado de São Paulo, inicialmente, o corpo do ex-presidente] é um gesto dele para mostrar que a vida continua.

Agora que o Itamar morreu, né?

Não há no mundo dois pontos tão eqüidistantes um do outro que nem foi o Itamar com o Collor.

Não dá nem para entender.


04/07/2011

Dilma manifesta apoio e decide manter ministro dos Transportes


num país sério, seria: "pra cadeia !!"




A presidente Dilma Rousseff optou por manter o ministro Alfredo Nascimento no comando do Ministério dos Transportes.

De acordo com a assessoria do Palácio do Planalto, Dilma já conversou com Nascimento e pediu que ele conduza as investigações do suposto esquema envolvendo servidores do ministério e de órgãos ligados à pasta em superfaturamento de obras e recebimento de propina de empreiteiras e consultorias.

Segundo assessores, o governo "reitera apoio ao ministro".

Nascimento foi obrigado a afastar a cúpula do ministério.

Sua permanência não estava assegurada e dependia do encontro com a presidente. Aqui.

Deputado admite reuniões nos Transportes para tratar do PR

Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento

Cúpula do ministério foi afastada após denúncias de corrupção

BRENO COSTA,
CATIA SEABRA
E DIMMI AMORA


FSP DE BRASÍLIA

Secretário-geral do PR, o deputado federal Valdemar Costa Neto (SP) admitiu, em nota, participar de reuniões no Ministério dos Transportes, em Brasília, para tratar de interesses do partido.

Segundo reportagem da revista "Veja", Valdemar, servidores do ministério e de órgãos ligados à pasta estão envolvidos em esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina de empreiteiras e consultorias.

Anteontem, o ministro Alfredo Nascimento, presidente licenciado do PR, foi obrigado a afastar a cúpula do ministério.

Sua permanência não está garantida e depende de uma conversa dele, entre ontem à noite e hoje cedo, com a presidente Dilma.

Um dos pontos levantados pela revista é que Valdemar, réu no inquérito do mensalão, participa de reuniões com a presença de empreiteiros, e não apenas com servidores do ministério.

Em nenhum momento Valdemar disse que as reuniões tinham a participação de empreiteiros.

O deputado afirma que eram "organizadas por servidores", ocorriam de forma "sempre transparente" e buscavam "garantir benfeitorias federais para as regiões representadas por lideranças políticas do PR".

O Ministério dos Transportes faz parte da cota do PR, partido da base aliada e que faz dobradinha com o PT desde o primeiro governo Lula.

O partido tem 40 deputados federais e seis senadores.

PAC
Entre os servidores afastados estão o diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antônio Pagot, e o diretor-presidente da Valec (Engenharia, Construções e Ferrovias S.A.), José Francisco das Neves.
Os órgãos são responsáveis por obras vitais para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), afirmou que vai pedir a convocação do ministro dos Transportes e de Pagot.
DEM e PPS também cobraram explicações de Nascimento.