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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

É asqueroso!

PARLAMENTARES BRASILEIROS DÃO APOIO AO HOMICIDA


Por Reinaldo Azevedo


parlamentares-battisti
A foto acima é de José Cruz, da Agência Brasil, com reprodução autorizada. Vemos um grupo de parlamentares de esquerda, que foi à Polícia Federal dar seu apoio ao homicida Cesare Battisti (no centro, de camisa branca).

Dou o nome daqueles que identifico.


Da esquerda para a direita, vemos o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), com fitinha no braço; o senador José Nery (PSOL-PA), de gravata listrada de vermelho; o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), gravata listrada de cinza; o senador Eduardo Suplicy, que é aquele com cara de Eduardo Suplicy, e o deputado Luiz Couto (PT-PB), na ponta direita.


A prevalência de psolianos — psolistas, psolentos, sei lá eu — se explica. O partido tem experiência nesse negócio de terrorista italiano.


Achille Lollo, conterrâneo de Battisti, já foi colaborador deste partido de homes meigos liderados pela ex-senadora Heloísa Helena (AL).


Outro dia, Suplicy sugeriu que os ministros do STF conversassem com Battisti, olhassem em seus olhos, como ele próprio fez, e perceberiam que ele é inocente. Suplicy é assim. Substituiria um tribunal, que julga segundo as leis e a Constituição, por um olho no olho.


É asqueroso!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A “Declaração de Hamburgo” é o tratado que pretende defender os direitos de autor na web

Google responde à declaração de Hamburgo
A “Declaração de Hamburgo” é o tratado que pretende defender os direitos de autor na web, que foi entregue à comissão europeia no passado dia 9. Este documento diz-nos que “a Internet proporciona numerosas oportunidades para o jornalismo profissional – mas apenas se a base de rentabilidade permanecer segura através dos canais de distribuição digitais. Actualmente isto não acontece”, ou seja, basicamente querem proibir a indexação dos conteúdos produzidos “profissionalmente” na web. Vários grupos vão juntar-se hoje em Belém para assinar este documento.

Analisando esta situação eu não podia estar mais satisfeito com isto, para quem não sabe uma das minhas principais áreas de interesse, é a antropologia web, que não é mais do que muito resumidamente, tentar perceber como as coisas funcionam online, e já reparei que para quem não é “web native” isto pode ser  muito difícil perceber. Estes senhores não vão fazer mais do que matar o jornalismo online, o que para mim são óptimas notícias, pois vão aumentar o tamanho da porta que já existe para o conteúdo de autor, blogues, sites, redes sociais …etc. Fantástico!


Estes senhores que supostamente deveriam estar a arranjar formas de o seu conteúdo ser cada vez mais agregado, não, estão a tentar fazer exactamente o contrário, ou seja, estão a tentar criar muralhas, ilhas ou penínsulas com o seu conteúdo, o mal disto, é que esse tipo de estratégia já deu provas que não é por ai que se deve seguir, e estas provas vêm de há 20 anos atrás quando surgiu a web (não estive a confirmar datas). Para vos provar que a minha ideia é o caminho certo a seguir vejam o vídeo a baixo, do criador da web Sir Tim Berners-Lee, considerado um dos poucos génios vivos, a falar sobre este assunto, e a insistir com tudo o que tem que o caminho é exactamente o oposto. Mas os senhores dos grandes grupos de comunicação (que só querem é encher os bolsos) é que sabem. Aos jornalistas, que alguns deles já se aperceberam há muito que o caminho a seguir não é esse, bem hajam, aos outros, opha, temos pena!




Quanto à resposta do google, foi das mais simples que podia existir, “nós ao agregar as notícias não estamos a cometer nenhum acto ilegal, o nosso software permite restringir a indexação de sites”, ou seja, usem o “Disallow /” no robots.txt ou “noindex, nofollow” no site, e passado uns meses digam-me o resultado!

Já agora aproveito aqui para deixar a solução simples para os conteúdos produzidos poderem ser rentabilizados da melhor maneira:

Mais agregação + mais tráfego = maior rentabilização

Leia aqui.

A DECLARAÇÃO DE HAMBURGO



A internet é uma grande oportunidade para o jornalismo profissional - mas apenas se se mantiver o equilíbrio econômico-financeiro das empresas jornalísticas nos novos canais de distribuição digitais. Não é o que acontece atualmente.

Vários agregadores de conteúdo utilizam obras de jornalistas, editores e empresas jornalísticas sem pagar por este uso. No longo prazo, esta prática põe em risco a criação de conteúdos de alta qualidade e o próprio jornalismo independente.

Por este motivo, precisamos melhorar a proteção da propriedade intelectual na internet. O acesso livre à web não significa necessariamente acesso livre de custos. Discordamos dos que afirmam que a liberdade de informação só será obtida com todos os conteúdos gratuitos.

O acesso universal aos nossos serviços deverá estar disponível, mas não queremos ser obrigados a ceder a nossa propriedade sem autorização prévia.

Assim sendo, consideramos necessárias e urgentes medidas para a proteção dos direitos autorais de jornalistas, editores e empresas jornalísticas na internet.

Não devem existir zonas da internet onde as leis não se aplicam. Os governos e legisladores, em nível nacional e internacional, devem proteger mais eficazmente os conteúdos intelectuais dos autores e produtores. Deve ser proibida a utilização, sem prévia autorização, da propriedade intelectual de terceiros.

Em última análise, também na rede mundial de internet deve valer o princípio: não há democracia sem jornalismo independente.

Movimento de Justiça e Direitos Humanos divulga manifesto contra visita de Ahmadinejad


MANIFESTO DE REPÚDIO DO MJDH À VISITA DE AHMADINEJAD AO BRASIL

O Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grade do Sul, ao longo de sua história, vem lutando por garantir direitos e liberdades para todos os Homens. Durante a Ditadura Militar, auxiliou brasileiros e estrangeiros a fugirem dos regimes autoritários.

Com o fim da Ditadura, vem atuando na denúncia das arbitrariedades que persistem e na defesa dos cidadãos que se percebem oprimidos. Dentre estas ações, se destaca a luta contra o neonazismo, que, no Rio Grande do Sul, ataca negros, judeus, punks e outras minorias que não consideram “puras”.

Neste sentido, iniciou ação judicial que resultou na condenação de Siegfried Ellwanger, um de seus líderes, proprietário da Editoria Revisão, que publicava livros negando a existência do Holocausto.

Assim como se opõe ao estado das (boas) relações do governo brasileiro com o regime genocida de Omar Hasan Ahmad, ditador no Sudão (que extermina a população negra do sul do país desde 2003, com o resultado de, até aqui, mais de 300 mil mortos e cerca de três milhões de refugiados na região de Darfur) e da China, cujas ações no Tibet significam a morte, nos últimos 40 anos, de 1,2 milhão de pessoas e a destruição de mais de 6 mil monastérios budistas, o MJDH vem agora repudiar a decisão de convidar Mahmoud Ahmadinejad, presidente da República Islâmica do Irã, para estar no Brasil.

No Irã, os direitos humanos não existem. Os veículos de comunicação são todos controlados pelo Estado. Mulheres são açoitadas e execradas por mera suspeita de adultério; homossexuais por sua opção sexual. A liberdade religiosa tampouco existe, e minorias como os muçulmanos sunitas e bahais são perseguidas e proibidas de realizar seus cultos.

Não há real oposição política. Os partidos laicos não existem, e seus integrantes (por exemplo, os do Partido Comunista Iraniano, que auxiliaram na derrubada da Ditadura do Xã Reza Pahlavi) foram exterminados ou obrigados a viver no exílio.

Deve-se lembrar também que, quando no primeiro semestre, o MJDH se manifestou contra a presença de Ahmadinejad, já se denunciava que o Irã é o segundo país que mais aplica a pena de morte no mundo (atrás da China).

Lá, os enforcamentos são feitos em praça pública, e este foi o destino de Delara Darabi, uma jovem de 21 anos, aprisionada desde os 17 anos. Ela foi assassinada a despeito dos apelos de entidades internacionais para que a execução fosse comutada por outra pena.

Ahmadinejad também é tristemente famoso por negar o Holocausto, e suas aparições em eventos diplomáticos são boicotadas por países democráticos. Além disso, funcionários iranianos foram condenados, na Argentina (inclusive um atual ministro de estado), pelo planejamento do atentado à Associação Judaica Argentina, em Buenos Aires, em 1994.

A oposição a Ahmadinejad se repete em todo mundo, inclusive no Irã. Neste ano, após sua “reeleição”, denunciada como fraudulenta, o povo iraniano foi às ruas para protestar e acabou violentamente reprimido. A morte da jovem Neda Soltani, difundida pela Internet, mostrou a dimensão dessa opressão.

Assim, o senhor Lula da Silva estará recebendo Ahmadinejad, um fato que repudiamos, pois agride a todos que respeitam os direitos humanos fundamentais e escarnece de um país que enviou tropas para combater o nazismo e o totalitarismo genocida na 2ª Guerra Mundial.

A visita de Ahmadinejad ao Brasil é uma mancha em nossa diplomacia; ela degrada nossos ideais de justiça e liberdade. Como brasileiros livres, denunciamos a recepção deste tirano e esperamos que o governo brasileiro, se deseja realmente ocupar a vaga que merecemos, no Conselho de Segurança, mostre que o país está engajado na luta pelas liberdades, que denuncie as tiranias e nunca receba em nosso solo assassinos.

Nós, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, que buscamos zelar pelo primado da decência e dos valores democráticos, declaramos, nesta data que marca a libertação de nosso povo, a oposição a tal infeliz visita e requeremos que o Estado brasileiro retome sua tradição de respeito aos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.

Porto Alegre, 15 de novembro de 2009.

Que democracia é esta pela qual o MST alega lutar?



Não me recordo como obtive esta imagem, a mesma é real, não possui o artifício da montagem. Creio que foi no Estadao.com. Não posso afirmar, pois às vezes fico navegando e catando imagens diversas, que esqueço de formalizar a referência.

Porém o que considero mais importante na mesma são as "bandeiras", entrelaçadas, presentes, ostentadas pela esquerda histérica e invejosa, que conduz estes idiotas úteis para a balbúrdia e o vandalismo, sempre presentes no modus operandi do MSpT.


A bandeira à esquerda da foto é nada mais, nada menos que a do páis basco, muito utilizada pelo E.T.A. (Euskaiidi Ta Askatasuña), Pátria Basca e Liberdade




O E.T.A. é um grupo separatista que luta pela independência do país basco e para isso não poupa explosivos e muito menos compaixão pelas suas vítimas na Espanha que somam um numero bastante expressivo.


A bandeira da direita é a da Palestina do grupo radical fundamentalista islâmico Hamas, QUE É FINANCIADO PELO IRÃ e que também prega a destruição do Estado Democrático de Israel, aliás único tipo de acordo que lhe serve.



Imagem: Emilio Morenatti/AP; BLOG MSNBC TV

Assinalado por um círculo e uma seta parece estar presente ao "bafafá" do MST, um muçulmano portando uma takía, uma espécie de gorro tradicional muito usado nos países do oriente médio.


Que democracia é esta pela qual o MST alega lutar? É aquela velha máxima, manjada, mas que ainda funciona nos dias de hoje; "Dize-me com quêm andas que eu te direi quêm és"!


Não adianta aplicar relativismos repugnantes, pois quem realmente luta pela Democracia e por seus direitos não se alia a TERRORISTAS e muito menos com os seus "princípios"!

Este bando de idiotas úteis enriquecem os estelionatários políticos que os comandam e assim que estes consigam golpear o país e se perpetuarem no poder, serão os primeiros a serem escravizados.

Vão se aliando com radicais muçulmanos e dêem às costas ao ódio que os mesmos possuem para com os crentes de outras religiões, os quais consideram "infiéis", e depois vejam para onde este ato levará vocês!

Se Comunismo fosse bom, teria dado certo por onde passou e não teríamos que escutar as historias de horror que vitimaram fatalmente 100 milhões de pessoas pelo planeta.

Destino do povo covarde


E o Brasil entra na era bolivariana…
Já comprou sua lanterna? E o cronômetro para o banho?
Haverá bolsa apagão ou bolsa vela?
Eta nóis!

enviada por Gracias a La Vida

domingo, 15 de novembro de 2009

Para calar um blogueiro, é preciso eliminá-lo ou intimidá-lo. Yoani Sánchez

Direitos humanos

"Eu achei que não sairia viva"

Quem vê a cubana Yoani Sánchez, blogueira conhecida por driblar a censura, automaticamente se contrai só de pensar no sofrimento a que seu corpo frágil, de apenas 49 quilos, foi submetido enquanto era surrada por três brutamontes dentro de um carro.

Na tarde da sexta-feira 6, Yoani estava a caminho de uma quase impossível manifestação de protesto em Havana quando foi atacada por agentes da polícia política.

Sofreu ameaças e espancamentos antes de ser jogada na calçada de um bairro longínquo. Yoani escreve há dois anos sobre as dificuldades de viver na ilha no blog Generación Y (www.desdecuba.
com/generaciony)  e é autora do livro De Cuba, com Carinho (Contexto).

Vive sob vigilância, mas nunca havia sido fisicamente atacada. Aqui, ela descreve o ocorrido com exclusividade para VEJA e, com a habitual coragem, manda um recado ao "general" – Raúl Castro.

De muletas, sequela do espancamento que a imobilizou em casa, pediu a uma amiga que levasse o relato em um pen drive até um ponto de acesso à internet para enviá-lo por e-mail.

Enrique de la Osa Reuters
 
DE MULETAS
Yoani Sánchez, em casa, depois de ser agredida:
"Durante vinte minutos, nos espancaram sem parar"


"Não era uma sexta-feira qualquer. As comemorações do vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim se aproximavam e um grupo de jovens artistas cubanos planejava uma passeata contra a violência naquele dia.

A tarde era cinza em uma cidade onde quase sempre brilha um sol inclemente, que nos faz caminhar colados às paredes para nos beneficiarmos da sombra.

Estavam comigo Claudia Cadelo e Orlando Luís Pardo, dois autores de blogs que recebem milhares de visitas a cada semana.

Enquanto andávamos, contei a eles sobre uma desconhecida que, dias antes, havia se aproximado e me perguntado: "Você não tem medo?", em referência, claro, ao fato de que digo livremente minhas opiniões em um país onde o governo detém o monopólio da verdade.

Meus amigos sorriram quando narrei a eles a resposta que dei à transeunte angustiada: "Meu maior temor é ter de viver com medo".

Não imaginava que em poucos minutos eu viveria o terror de um sequestro e enxergaria o rosto da impunidade policial em sua forma mais dura.


Eu caminhava pela Avenida dos Presidentes, em Havana, com a intenção de participar da demonstração pacifista convocada pelos jovens.

À altura da Rua 29, a uns 300 metros de onde estavam os manifestantes, um carro da marca Geely, de fabricação chinesa, cor preta e placa amarela, de uso privado, parou diante de nós.

Três homens em trajes civis nos mandaram entrar no automóvel. Não se identificaram nem mostraram um mandado de prisão.

Eu me recusei a obedecer. Disse que, como não tinham ordem judicial, seria um sequestro.

Depois de uma breve discussão, um deles chamou alguém pelo celular, pedindo orientações. Imediatamente, os três começaram a nos tratar com violência para que entrássemos no carro.

Enquanto nos empurravam, os homens do automóvel negro usaram o celular outra vez e uma viatura da polícia se aproximou.

Pensei que os policiais nos salvariam. Pedi ajuda a eles, explicando que estávamos sendo atacados por supostos sequestradores.

Os homens que estavam à paisana então deram ordens aos policiais para levar Claudia Cadelo e outra amiga que estava conosco.

Eles obedeceram e ignoraram o pedido de ajuda que eu e Orlando fazíamos.

As pessoas que observavam a cena foram impedidas de prestar ajuda, com uma frase que resumia todo o pano de fundo ideológico da cena: "Não se metam. Eles são contrarrevolucionários".

Fazendo uso de toda a força física e de um evidente conhecimento de artes marciais para nos dominar, obrigaram-nos a entrar no carro.

Comigo empregaram especial violência, enfiando-me de cabeça para baixo e me mantendo imobilizada com um joelho sobre o peito.


Dentro do veículo e durante cerca vinte minutos, os sequestradores nos espancararam sem parar.

Frases de mau presságio saíam da boca daqueles três profissionais da intimidação:

"Yoani, isso é o seu fim", "Você não vai mais fazer palhaçadas", ou "Acabou a brincadeira".

Achei que não sairia viva. Tentei escapar pela porta, mas não havia maçaneta para acionar. A certa altura, o carro parou. Eu já tinha perdido a noção do tempo. Do lado de fora, caía a noite.

Finalmente, ambos fomos jogados em plena via pública, longe do lugar onde se realizava a passeata contra a violência.


Por causa dos golpes desferidos por esses profissionais da repressão, estou com a face esquerda inflamada. Tenho contusões na cabeça, nas pernas, nos glúteos e nos braços, além de uma forte dor na coluna, que me obriga a caminhar com muletas.

Na noite de 7 de novembro, um sábado, fiz uma consulta médica, mas não quiseram redigir um exame de corpo de delito sobre os maus-tratos físicos.

A médica teve de me atender na presença de um funcionário que estava ali apenas para me vigiar. Uma radiografia mostrou que não havia traumas internos, apesar dos sinais exteriores das pancadas.

Recebi apenas algumas recomendações para minha recuperação.


Eu já me sinto fisicamente melhor e desde sexta-feira tenho uma ideia constante.

As autoridades cubanas acabam de compreender que, para silenciar uma blogueira, não podem usar os mesmos métodos com os quais conseguiram calar tantos jornalistas.

Ninguém pode despedir os impertinentes da web nem lhes prometer umas semanas na Praia de Varadero ou presenteá-los com um Lada.

Muito menos podem ser cooptados com uma viagem para o Leste Europeu. Para calar um blogueiro, é preciso eliminá-lo ou intimidá-lo.

Essa equação já começou a ser entendida pelo estado, pelo partido e pelo general. 

sábado, 14 de novembro de 2009

Lula queria mesmo era ser FHC


LULA, UM POUCO DE PSICOLOGIA, UM POUCO DE POLÍTICA


Problemas de formação — ou má-formação — de personalidade não escolhem classe social, cor da pele, sexo, nada. Atingem a todos igualmente. Assim é com o complexo de inferioridade, por exemplo. Pode afetar o magnata e o operário — mesmo quando o operário se torna, à sua maneira, um magnata. É o caso de Lula. Toda aquela arrogância, toda aquela jactância, toda aquela bufonaria têm, certamente, uma raiz.

A minha hipótese: como ele se sente inferior — e isso nada tem a ver com a sua origem social, reitero —, não há o que o satisfaça, não há elogio que lhe baste, não há reconhecimento que chegue. E como tudo lhe é e será sempre insuficiente, Lula canta as próprias glórias e não vê mal nenhum em ser injusto ou brutal com a biografia daqueles que o antecederam.


Sim, leitores, esta é outra característica das pessoas com déficit de auto-estima e que conseguem vencer a timidez: não vêem nada além do próprio umbigo; não entendem a existência do outro senão na relação consigo mesmas; o mundo externo se define em razão de sua própria existência. No caso de Lula, como se nota, ninguém é poupado: a história do Brasil, o próprio país, FHC e até Barack Obama.

Tudo o que há no mundo serve ou para adulá-lo ou para insultá-lo ou para desafiá-lo. Compreendo que o presidente goste, como ele mesmo diz, de uma “branquinha”  — na verdade, ele prefere malte escocês. Não deve ser fácil viver assim.


Lula discursou ontem na abertura do 9º Congresso Nacional de Iniciação Científica, na FMU, em São Paulo. Todos já sabemos que “nunca antes na história destepaiz” — expressão que agora tem a versão internacionalmente consagrada pela revista The Economist: “Never before in the history of this country” — houve um presidente como ele.

Todos já sabemos que a história do Brasil começou no dia 1º de janeiro de 2003. Antes, o país era aquele misto de Vale de Lágrimas com a Caverna dos Ladrões de que falava o PT. Aí tivemos o advento, e o país nasceu. Do nada. Antes de Lula, eram as trevas (ooops!), o caos primitivo, a desordem… Aí ele surgiu e disse: “Fiat lux” (lux?), e o país passou a existir. E, vocês sabem, sem ladrões… Disso tudo, nós já sabíamos.


Nesta sexta, ele resolveu acrescentar ineditismos à sua biografia. Ao discursar, afirmou:

“Pela primeira vez na história do País, um presidente da República vai torcer para o outro dar certo. Lamentavelmente, a prática histórica desse País é quem perde torcer para outro cair em desgraça.

Eu, quando deixar a Presidência, vou ser o primeiro presidente a torcer e rezar todo santo dia para quem me suceder fazer muito mais coisas do que eu, o dobro, o triplo.”


Com a devida vênia, trata-se de um discurso politicamente vigarista. Sejamos elementares: Lula não está e jamais esteve na alma de ex-presidentes para saber o que pensavam.

Dou um exemplo: o país passava momentos difíceis no fim de 2002 em razão do chamado “risco PT”, pouco importando se ele existia ou não: os mercados haviam posto um preço alto na chegada de Lula ao poder.

E FHC usou o seu prestígio junto a organismos multilaterais para garantir a Lula uma transição tranqüila. O PSDB e o então PFL votaram a favor das reformas que o próprio PT havia recusado quando oposição
— reformas que, de novo, os tais “mercados” julgavam essenciais para o governo ser considerado “de confiança”. Isso é torcer para o governo dar errado?
Lembro que a própria base de Lula o deixou na mão.


É impressionante! Lula se diz um presidente como “nunca antes houve na história destepaiz” e já se prepara para ser um “ex-presidente como nunca antes houve na história destepaiz”.

No caso em questão, além daquela prepotência típica dos que têm déficit de amor próprio, há a visão troglodita, mentirosa, da história. Uma revista como a Economist, note-se, faz um especial de capa sobre o Brasil reconhecendo méritos no governo Lula, claro; mas, é óbvio, coloca-o na continuidade de um processo de reformas iniciado em 1994, o que o petista faz questão de negar, contra todas as evidências.

Ele usa a soma de seu prestígio com o seu problema de formação de personalidade para distorcer os fatos de modo miserável.


Pessoas com tais características podem ser perigosas, mormente se lideram partidos — mais ainda quando o partido é o PT, que jamais reconheceu qualquer mérito dos adversários.

A fala de Lula não se limita ao auto-elogio; ela traz um componente de ameaça velada que a muitos escapará, mas que faço questão de grifar.

Ao afirmar “Eu, quando deixar a Presidência, vou ser o primeiro presidente a torcer e rezar todo santo dia para quem me suceder fazer muito mais coisas do que eu, o dobro, o triplo”, está fazendo uma espécie de desafio, que, naturalmente, só terá validade se seu sucessor for um adversário político.


Dilma, já sabemos, será vendida apenas como a nova cara de Lula.  O que o PT promete é um governo de continuidade, um terceiro mandato — e, assim, não há algo como “fazer mais ou fazer menos”. Trata-se de um conjunto.

E não seria Lula, obviamente,
caso faça a sua sucessora, a anunciar: “Essa Dilma aí não é de nada!” Essa história de fazer o dobro, de fazer o triplo, é desafio que ele lança ao adversário. Agora pensem: Lula, de tal sorte mitifica e mistifica seu governo que não é possível haver quem faça mais do que ele.

A razão é simples e óbvia: seria necessário alguém que dissesse mais inverdades do que ele, que mistificasse mais do que ele, que vendesse castelos de ar mais do que ele. E NÃO EXISTE ESSA PESSOA.


AFINAL, NÃO HÁ QUEM POSSA COMPETIR COM A IMAGINAÇÃO MEGALÔMANA E AUTOCENTRADA DE LULA.


Megalômana e autocentrada?

Todos sabem o que penso de Barack Obama. Acho que ele é sintoma, sim, do declínio dos EUA — e isso nada tem a ver com a cor de sua pele. Seu discurso, sempre entendi e escrevi aqui muitas vezes, simbolizava e simboliza uma espécie de mergulho dos EUA no utopismo cascateiro do Terceiro Mundo.

Só não creio, à diferença de muitos, que aquele país não possa se levantar. Acho que vai. Mas é evidente, o que também já escrevi, que a eleição de Obama é expressão importante de um valor da democracia: a igualdade. Dada a história dos EUA, a eleição de um negro é uma conquista não só de Obama, mas da sociedade americana.


E como Lula vê Obama?

Ora, do modo como vê qualquer outra coisa: cotejando-o com… Lula! Leiam outra pérola dita ontem:


“Os Estados Unidos acham que são o País das oportunidades. Somos mais que eles. Agora eles têm um presidente negro, mas nunca um torneiro mecânico chegou à Presidência lá.
“


Dizer o quê? Tolice, vulgaridade, frivolidade. Para começo de conversa, quando foi eleito, Lula não era mais torneiro-mecânico  havia quase 30 anos. Tornou-se dirigente sindical e depois político profissional — vivendo do que a política profissional lhe pagava. 

Além da ajuda do supercompadre Roberto Teixeira. Antes de Francisco de Oliveira, este escriba  pespegou na elite sindical a definição de “nova classe social” — no meu caso, até a batizei: “burguesia do capital alheio”. Lula não foi o primeiro ex-pobre que o Brasil elegeu. Nem mesmo chega a ser, infelizmente, o presidente mais ignorante da nossa história.


Quanto a um torneiro-mecânico nos EUA… Aposto que Lincoln, aos 21 anos, era tão modesto como Lula com a mesma idade. Veio de uma família também humilde. Aos 22 anos, era balconista. Só se tornou advogado aos 27. Aos 48, já era presidente dos EUA. Foi o homem que venceu a guerra civil e que libertou os escravos. Sei que Lula deve achar Lincoln um Zé-Mané. Mas o brasileiro não tem o direito, como presidente da República, de falar tanta bobagem. Ocorre que os EUA, felizmente para eles, jamais cultivaram o “pobrismo” como um valor — preferem a superação.


Há um componente curioso nessa história toda. Claramente, Lula faz de conta que não houve história antes dele — ou, se houve, foi só uma seqüência de desastres.

E, se notarem bem, parece-lhe inadmissível que possa haver história depois dele. Quando afirma que o sucessor tem de realizar o dobro ou o triplo de suas conquistas imaginárias, já está se preparando para fazer com os que o sucederem o que faz com os que o precederam: eliminá-los da história.


Lula deveria agradecer todos os dias a Deus por ter sido derrotado em 1989, em 1994 e em 1998. Em especial, como escreveu a Economist, deveria ser grato a FHC, que lhe entregou um país com reformas essenciais já feitas — algumas, inclusive, custaram impopularidade àquele governo —, sempre lembrando que o PT torcia para que tudo desse errado e antevia o caos, como fez quando o Plano Real foi lançado.


Lula pode ser popular o quanto for; pode até ser que faça a sua sucessora, vamos ver… E daí? Isso não muda o fato de que seu discurso distorce a história, deforma a política e deixa o país menos inteligente.

E não há como esse procedimento não comprometer nosso futuro. Ainda que eu fosse o único a dizê-lo, a realidade não seria diferente por isso. Mas eu não sou. E eles sabem disso.


PS - Lula resolveu arrostar, anteontem, até com a Terra, o planeta mesmo. Atribuiu alguns dos problemas decorrentes da poluição ao fato de ela ser redonda. “Se fosse quadrada…”, conjecturou…

Suas ambições já se voltam para o Sistema Solar. E tudo, no fundo, porque, contrariando as aparências, Lula não consegue gostar de si mesmo.

Não é preciso ser muito bidu para intuir que ele queria mesmo era ser FHC. E só por isso tenta eliminar o outro da história do Brasil.

Entrevista com Fernando Henrique Cardoso (bloco 1)



Na primeira parte desta entrevista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fala sobre inflação e o Plano Real, desde sua criação até como estava a situação econômica na entrada do governo Lula.


  A introdução do próprio Augusto Nunes:

Na primeira viagem ao exterior como ex-presidente, Fernando Henrique embarcou para Paris e se hospedou, com Ruth, na casa de um amigo. Ali, foi surpreendido por um telefonema de Lula, que estava a caminho de Davos, na Suiça. Depois da introdução amistosa, o novo presidente informou ao antecessor que Antonio Palocci, ministro da Fazenda, gostaria de dizer-lhe algo. “Só queria agradecer pelo bom trabalho”, ouviu Fernando Henrique.

A frase se referia ao comportamento de FHC no período que separou o triunfo eleitoral e a posse de Lula. O governo não só abriu as portas a todas as informações disponíveis como condicionou à aprovação do sucessor a tomada de decisões que produzissem efeitos a longo prazo. Mas, como a política econômica não sofreu mudanças relevantes, é possível que Palocci estivesse pensando num universo mais abrangente ao dizer a frase revelada só agora, quase sete anos depois.

Esta e outras revelações temperam o longo e denso depoimento a VEJA.com que começa a ser divulgado hoje. Nestas cinco partes, que compõem o primeiro dos três blocos da entrevista, Fernando Henrique reconstitui pedagogicamente fatos históricos deformados pela má memória, pela má vontade ou pela má fé.

A inflação, por exemplo, não foi derrotada por Lula em 2003, mas por FHC em 1994, quando o então ministro da Fazenda de Itamar Franco comandou a implantação do Plano Real, que o PT primeiro rechaçou e, depois, prometeu revogar.

O ex-presidente conta que, ao longo de oito anos, todos os projetos enviados ao Congresso pelo governo foram rejeitados pelo PT. Comenta o processo de privatização, analisa o papel das agências reguladoras, pulveriza acusações e invencionices, fala com franqueza dos erros que cometeu, diz o que pensa sobre a Petrobras ou a Vale ─ trata com desembaraço e serenidade, enfim, de qualquer tema relevante.

Tudo somado, o primeiro bloco do depoimento informa que o Brasil de 2009 não existiria se não tivesse existido um governo que modernizou extraordinariamente o país ─ apesar da resistência feroz do PT.

PT, Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal (2/15)

Parte 2

Como foi a transição de FHC para Lula (3/15)

Parte 3


FHC X Privatizações (4/15)

Parte 4

Privatizações: FHC se arrependeu? (5/15)

Parte 5

Uma lição ao país sem memória


Por Augusto Nunes
14 de novembro de 2009

Em muitos anos de silêncio, Dilma Rousseff consolidou a imagem da superministra onisciente e arrogante. Em poucas semanas de verborragia, sobrou a arrogância. “Tudo o que a oposição não quer é que comparemos o governo do presidente Lula com o anterior, porque o anterior perde de 400 a zero”, disse há dias a candidata. Só uma oposição exemplarmente inepta ouve em silêncio esse hino à soberba sem reduzir a autora a suas dimensões liliputianas.

Releiam, por exemplo, o que acaba de dizer a gerente-geral da República sobre o apagão rebatizado de blecaute. “Para o sistema ser 100% seguro, seria muito mais caro e nós teríamos que pagar uma conta de luz bastante mais gorda do que nós pagamos. Porque nenhum país do mundo tem esse nível de redundância”. Em seguida, confrontem a conversa de colegial tatibitate com qualquer trecho do depoimento de Fernando Henrique Cardoso que começou a ser publicado. Foram quase duas horas de conversa sem agressões ao idioma ou à lógica.

Fica claro que o Brasil é que atingirá um altíssimo “nível de redundância” se, depois do monumento à ignorância, eleger a fraude de terninho, diariamente escancarada por algum falatório sem pé nem cabeça. Dilma não sabe o que diz, não diz o que sabe e não sabe dizer coisa com coisa. Pode-se discordar de coisas que Fernando Henrique diz, mas é possível entender tudo o que está dizendo. Também por isso a entrevista foi alojada na seção O País quer Saber.

Milhões de jovens que não conheceram o Brasil devastado pela inflação precisam conhecer o homem que derrotou o inimigo aparentemente invencível. Os brasileiros de todas as idades precisam lembrar que é possível presidir o Brasil sem escorregar em bravatas, bazófias, grosserias. Precisam também reaprender que diploma não é prontuário, que saber não é defeito e, sobretudo, que a formação escolar indigente jamais será virtude.

FHC pratica com naturalidade o convívio dos contrários só permitido a quem enxerga os erros que cometeu, sabe contemplar-se com ironia, não se considera onisciente nem dá conselhos ao mundo e conhece a diferença entre a divergência democrática e o ataque boçal. Ao longo do depoimento, sem renunciar ao tom crítico, contempla Lula com o respeito que, dias depois da entrevista, novamente lhe seria negado pelo sucessor.

Num artigo publicado no Estadão, o ex-presidente amparou-se em sólidos argumentos para apontar os riscos embutidos no “autoritarismo popular” que marca a Era Lula, e pode instituir no Brasil uma espécie de subperonismo. Lula não sabe quem foi Perón, nem o que quer dizer subperonismo. Incapaz de sustentar um debate civilizado com quem pensa, refugiou-se no reducionismo de praxe. É inveja, decidiu.

Revejam o que andam dizendo a mãe do Pac e o maior dos governantes, comparem a discurseira com o depoimento do ex-presidente. Fernando Henrique não tem motivos para invejar os dois. Dilma tem mais de 400. Lula, que vê o mundo em forma de urna, tem pelo menos duas derrotas no primeiro turno.

...Ora tenha dó, sr. presiMente !!!