Por Rodrigo Constantino
O debate da Record foi bem mais morno, sem muita faísca, talvez porque o marqueteiro do PT tenha percebido que o tom agressivo de Dilma estava jogando contra. Não teve um claro vencedor também, pois Dilma conseguiu disseminar mentiras sem maiores refutações. E como mentiu a presidente! Aécio realmente precisa ter muito sangue frio para suportar aquele show.
Dilma começou levantando uma bola para Aécio: falou de empreendedorismo e estímulo para pequenos e médios negócios. O PT quer mesmo competir nisso com os tucanos? Será que o pequeno empresário prefere Mantega ou Arminio? Como anda a carga tributária durante o governo Dilma? Subiu! Simplificou alguma coisa? Não! O PT é amigo do pequeno negócio? Ninguém acredita nisso. Dilma como aliada dos empresários que não gozam de privilégios do BNDES não cola…
A presidente acha Aécio pessimista e disse que a economia não vai crescer 0,3% como “ele” afirma. Isso mesmo: vai crescer ZERO! Nada! Crescimento NULO! E isso é realismo, não pessimismo. Quem prevê esse nível de “crescimento” é o FMI e os principais analistas consultados pelo próprio Banco Central. Pessimismo?
A petista tentou puxar o tema das leis trabalhistas para colar em Aécio a imagem de inimigo dos trabalhadores. Se flexibilizar leis trabalhistas fosse sinônimo de tirar direitos e conquistas dos trabalhadores, a Escandinávia seria um inferno para eles. Suécia e Dinamarca têm menos “conquistas legais”, mas condições bem melhores de vida para os trabalhadores.
Aécio esfregou na cara de Dilma que a inflação é só brasileira (e venezuelana e argentina), mas no Chile está tudo sob controle de verdade, e com muito mais crescimento, ao contrário do que ocorre por aqui. Para ter 3% de inflação não é preciso aumentar desemprego coisa alguma, como alega Dilma. Isso é mais um mito do PT. Nossa inflação maior não trouxe crescimento algum, e o desemprego já começou a subir. E olha que tem muita gente ganhando para não procurar emprego…
A candidata Dilma teve a cara de pau de afirmar que o Plano Real foi feito no governo Itamar, ignorando quem era o ministro responsável. Isso mesmo: FHC! E o PT de Dilma votou contra. Queria congelamento de preços, o que julga adequado até hoje para combater a alta de preços, assim como trocar carne por ovo…
O tema da corrupção na Petrobras voltou à tona. Aécio perguntou se Dilma confia no tesoureiro do PT, Vaccari, apontado pelo delator Paulo Roberto Costa, o “Paulinho” para Lula, de coordenar o repasse dos desvios para o partido. Ele ocupa cargo em Itaipu, indicado por Dilma. Dilma não respondeu. Mas tentou citar o falecido Sérgio Guerra, do PSDB, que teria, segundo o delator ainda, recebido propina para impedir a CPI da estatal. Dilma não percebeu que, com isso, vai contra seu próprio governo, que oferece propina para impedir investigações?
Outra coisa que tem chamado a atenção nesses debates: o Goebbels que fala por meio de Dilma é o sujeito mais repetitivo do mundo! Martela essa ladainha de que havia impunidade antes e que agora a diferença é que os corruptos vão presos. E o pior é que tem gente alienada que acredita!
Uma vez mais, Dilma pensa que o Brasil é Cuba, e que cabe ao presidente “mandar investigar”. Aécio soube demarcar bem a diferença entre quem acredita nas instituições republicanas e quem se julga uma espécie de ditadora do país. O DNA autoritário está em todo o PT, camarada de Fidel Castro.
Por falar nele, Dilma insinuou que Aécio não disse ainda o que pensa sobre o programa Mais Médicos. Aécio já deixou claro o que pensa sobre ele sim: não tratar com privilégios os cubanos escravos ou milicianos importados para cá para financiar a ditadura de Fidel. Aqueles que Dilma acha que cuidam dos pacientes com mais “carinho”, enquanto ela vai se tratar no Sírio Libanês com médicos brasileiros…
Nos intervalos, um golpe de mestre do PSDB: mostrar a própria Dilma tecendo vários elogios à gestão de Aécio Neves no governo de Minas Gerais. O PT é assim mesmo: adota um discurso para cada ocasião, e esquece tudo aquilo que disse antes.
De volta ao tema da Petrobras, Aécio lembrou que todos aqueles trabalhadores que investiram via FGTS na estatal perderam muito dinheiro, cerca de metade de tudo aquilo que colocaram. Dilma fugiu dos fatos. Disse que a estatal não perdeu valor, que isso era “terrorismo” do tucano. Ora, quem diz que ela perdeu valor não é Aécio, mas os milhões de investidores do Brasil e do mundo que, voluntariamente, compram e vendem suas ações no mercado.
Sobre segurança pública, faltou Aécio lembrar que o PT de Dilma é conivente com os traficantes internacionais que trazem drogas para cá, pois são seus sócios no Foro de São Paulo. O PT sempre foi negligente com as Farc, por exemplo. Dilma, por outro lado, cita sempre a Copa para falar de segurança. Já sabemos a solução para a violência: ter Copa todo mês no Brasil…
Excelente foi a tirada de Aécio ao falar diretamente aos funcionários de carreira dos bancos públicos. O PT vem tentando espalhar que os tucanos seriam prejudiciais aos empregados dessas instituições. O alvo, na verdade, são os malandros políticos que aparelham essas estatais, não aqueles que realmente trabalham nelas e entraram por concurso.
Dilma falou do Pronatec novamente e levantou a bola para Aécio: hoje mesmo o programa foi alvo de denúncias da CGU, por má administração e estatísticas infladas. Assim é o PT, divulgando as “maravilhas” de programas que, na prática, acumulam problemas atrás de problemas…
Por fim, Dilma ultrapassou qualquer limite de mentiras ao declarar várias obras inacabadas como concluídas. O metrô do Rio foi um exemplo. Moro na “cidade maravilhosa”, e o metrô não está nem perto de conclusão. Como a presidente pode mentir tanto assim na maior cara lavada? Ainda disse que a ligação entre Brasil e a Amazônia estava pronta. Um momento: Amazônia não fica no Brasil?
No geral, para quem tem mais apreço pelos fatos, Dilma se saiu mal. Mas para os mais leigos, que costumam cair nessas mentiras repetidas mil vezes, a presidente conseguiu evitar maior constrangimento. Aécio terá que se esforçar mais no debate da TV Globo para desconstruir as falácias da presidente. As mentiras precisam ser esfregadas em sua cara com mais rigor.
Talvez o tucano tenha ficado intimidado com a enorme pressão da imprensa, que o colocou em pé de igualdade como responsável pelas baixarias. Como se elas não tivessem partido do lado de lá, mestre em descer o nível dos debates.19/10/2014
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Em debate morno, Dilma evita grandes erros, mas mente do começo ao fim
terça-feira, 3 de setembro de 2013
No segundo palavrório em Campinas, Dilma retoma a mulher que invadiu por engano o discurso da casa própria, avisa que existe ‘uma coisa chamada sommelier’ e conclui: ‘gripe é aquilo que ataca cada um de nós’
Augusto Nunes
POR CELSO ARNALDO ARAÚJO
Na volta triunfal de Maria Salete, agora no discurso certo, Dilma fala das novas profissões técnicas, entre elas camareira de hospedagens e “uma coisa chamada sommelier”, e explica o Mais Médicos: o Brasil precisa de mais médicos. E o curioso caso do sujeito com a cabeça na geladeira, os pés no fogareiro e o umbigo morno
Na formatura de alunos do Pronatec, segunda cerimônia do dia em Campinas, Dilma já estava senhora de si, para alívio do assessor responsável por fazer chegar às mãos da presidente o roteiro em português de cada discurso – para posterior desenvolvimento em dilmês.
Por ter trocado os papéis no primeiro evento o dia, de entrega de casa própria, o funcionário da Secretaria de Comunicação provavelmente ficou sem almoço, enquanto – tudo indica — tinha suas gengivas delicadamente massageadas com um tijolo trazido do canteiro de obras do Residencial Campinas Sirius.
Maria Salete – que fora subitamente retirada do primeiro discurso quando a presidente se deu conta de que ela não tinha nada o que fazer ali – agora terá o destaque devido, no discurso certo, e de corpo presente. Superada a tensão, Dilma está de volta à zona de conforto, craque em desenhar perfis de mulheres especiais como ela. É com visível gosto que Dilma retoma o prólogo interrompido no discurso anterior:
“Eu quero cumeçar hoje aqui contando a história de uma mulher. E essa mulher é uma mulher guerreira, como todas as mulheres deste país são mulheres guerreiras”.
E “essa mulher” que sumiu repentinamente do primeiro discurso agora ganha nome completo, Maria Salete de Moraes, e novos dados biográficos. Na história errada, quando criança, tinha nove irmãos. Agora, já casou, tem filhos e, no Pronatec, segundo Dilma, fez o curso de “camareira em hotéis e hospedagens”. E gostou tanto da experiência que vai continuar os estudos de um jeito que só Dilma sabe descrever:
“Porque pra gente continuar, eu falei a palavra conseguir porque para a gente conseguir continuar os estudos tem uma coisa que é necessária antes: a gente tem de querer, e a Maria Salete quis (…) Ela percebeu uma coisa que é muito importante quando a gente percebe, quando a gente percebe que é capaz, quando a gente sabe que a gente, lutando, a gente consegue, quando a gente sabe que ser capaz nasce, não de fora, nasce aqui dentro. A gente é capaz e, por isso, faz”.
A variedade de cursos oferecidos pelo Pronatec empolga a presidente, enófila de Petrus:
“Outro dia eu tive numa formatura, eu achei interessantíssimo, foi a primeira vez que eu vi, tinha um grupo se formando numa coisa chamada sommelier, e sommelier é o provador de vinho, então ele ia ser provador de vinho, porque tinha demanda para o provador de vinho”.
Dilma parece estar muito à vontade porque o tema do discurso, a educação, a começar do exemplo pessoal de quem não parou de estudar sem nunca ter começado, é sua menina dos olhos.
“Para nós, para o meu governo, a questão da educação é algo fundamental. E, pra ter educação, aí eu quero parar e cumprimentar os nossos professores que estão aqui, porque para ter educação precisa de ter professor de qualidade, o professor tem que ser valorizado. E o professor, o professor, a pessoa professor e professora, nós, sociedade brasileira, governo, estudantes, nós temos de valorizar”.
Na plateia, pessoas professores e pessoas professoras não escondiam a emoção. E chegaram às lágrimas quando a mestra, com carinho, explicou o Pronatec, didaticamente, para os ainda pouco familiarizados com o programa:
“O Pronatec tem três áreas. Tem uma área que é o ensino médio profissionalizante. Tem outra área que é o trabalhador que está trabalhando, que quer uma formação. E tem essa área que é esse caminho, que é o Pronatec do pessoal do Cadastro Único, que vai passar a ser Pronatec depois da formação profissional mais avançada, que depois pode até querer voltar a estudar e fazer um curso técnico profissionalizante de nível médio. Enfim, esse é o início do caminho”.
Sim, é o caminho. Os exemplos de Dilma são sempre de cima para baixo, de trás para frente, do particularíssimo para o geral:
“Nós todos na vida, de presidente da República à criança pequena, temos de sempre estudar. Ninguém pode parar de estudar”.
Ao que se vê, há exceções bem-sucedidas. Mas, como palestrante motivacional, Dilma é sempre exuberante:
“E eu vejo um brilho nos olhos dos formandos, e esse brilho nos olhos é aquilo que nós carregamos. Independentemente de quem quer que seja, nós carregamos a educação que nós conquistamos para nós”.
Bem, educação não é o único ponto de honra de seu governo. Saúde é o assunto mais caliente do momento, com essa polêmica toda envolvendo médicos cubanos. Depois de 10 anos de lulopetismo, Dilma descobriu que o Brasil, onde segundo Lula dava gosto ficar doente, precisa de mais médicos. E para os que ainda não entenderam o programa, eis as explicações definitivas da presidente:
“Nós escutamos que a saúde tem um problema e as pessoas falam que o problema é o atendimento: eu não consigo ser atendida porque não tenho médico, etc. E também porque eu quero um atendimento mais humano, eu quero um atendimento humano na hora em que eu chegar lá para ser atendido”.
Dilma colocou o dedo na ferida: as pessoas querem atendimento justamente na hora de serem atendidas. E os doutores estrangeiros, nesse contexto, são inevitáveis:
“Nós fizemos uma consulta aos municípios e os municípios pediram 15 mil médicos – é 15 mil e algum quebrado –, 15 mil médicos. Nós não conseguimos esses 15 mil médicos serem atendidos por brasileiro, pelo contrário, veio menos do que a gente esperava. E agora nós estamos preenchendo, sim, com médicos vindos de outro lugar”.
O risco é ser atendido por “algum quebrado”. Mas vamos em frente que atrás vêm mais médicos. Dilma justifica o programa até com um exemplo de família:
“Aqui no Brasil tem municípios onde não tem nenhum médico que lá more. São 700 municípios nessa situação. Eventualmente um médico chega lá, mas vai embora. Então, portanto, a minha filha, por exemplo, teve asma. Mãe com filho asmático sabe perfeitamente que parece até combinado, mas a asma só acontece de madrugada. Ao meio-dia eu nunca vi criança ter crise de asma, mas é batata: duas horas da manhã tem crise de asma. Então o que é que a mãe faz? Para onde ela corre? Quem é que vai ajudá-la? Óbvio que o Brasil precisa então de mais médicos”.
É hora de a doutora em economia e estatísticas traduzir essa carência em números:
“Nós temos 1,8 médico por mil habitantes, na média geral. Você sabe que, na média, o cara pode estar com a cabeça na geladeira e o pé no fogareiro e no meio, aqui, no umbigo, ele estar com a temperatura normal. Na distribuição é a mesma coisa, tem gente que tem muito médico, no Brasil, e tem gente que não tem nenhum, mas é 1,8″.
Dilma não explica se a fração 0,8 chegou a terminar o curso de medicina, mas aponta onde estamos mais carentes:
“Não sei se ocês sabem, mas quase 90% dos requerimentos de saúde deste país, entre 80 e 90, eu não vou falar 90, vou falar entre 80 e 90, é hipertensão, diabetes e outras doenças, mas essas duas concentram o tratamento que tem de ser dado cotidianamente”.
E o corpo humano é caprichoso, segundo a presidente:
“Além disso, você vê criança com asma, com diarreia. Você tem aquelas chamadas doenças… a pessoa pegou uma bronquite, a pessoa tá num tratamento de gripe, que é aquilo que ataca cada um de nós, fora quando a gente tem uma doença mais grave que tem de ir, sim, pro hospital. Nós temos de melhorar também a qualidade do atendimento nos hospitais, mas nós vamos primeiro atacar o grosso. Levar médico aonde não tem, garantir que o médico atenda e trabalhe oito horas por dia”.
Esse dia, em Campinas, será inesquecível para Dilma e para Maria Salete. Mas esse planeta de fantasia descrito em dilmês colidiria com a realidade três dias mais tarde. Dos cinco profissionais do programa Mais Médicos que se apresentariam na segunda-feira seguinte para começar a trabalhar na prefeitura de Campinas, dois desistiram em cima da hora, por causa dessa carga horária. “Nunca tive grande expectativa em relação a esse programa quanto ao número de médicos”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Carmino de Souza, em português.
Confira o discurso da presidente em dilmês primitivo a partir de 39:49:
03/09/2013
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