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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Governo Dilma é cúmplice de uma ditadura assassina


                                                              Por Reinaldo Azevedo

O governo petista escreve mais uma página indigna da história da política externa do país nos últimos 11 anos. Milícias chavistas estão caçando a bala manifestantes que vão às ruas, de forma pacífica — não há black blocs por lá —, cobrar democracia, liberdade e segurança.

Governado por Nicolás Maduro, um sujeito demencial, o país vai mergulhando no caos. Nesta quarta-feira, mais uma estudante foi morta, desta feita com tiro na cabeça. Trata-se de Génesis Carmona, que tinha 22 anos e era aluna de marketing da Universidade Tecnológica do Centro, no Estado de Carabobo.
O governo Dilma está em silêncio. Diz que a sua posição é aquela expressa numa nota oficial do Mercosul, um texto que é acintoso, chegando a ser debochado. Atenção: a Venezuela ocupa a presidência rotativa do bloco econômico, e o comunicado que veio a público parece ser um despacho do governo Maduro. É vergonhoso! O texto diz repudiar a violência, mas acusa “as ações criminosas de grupos violentos que querem espalhar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela como uma ferramenta política”. É uma vigarice! Os únicos manifestantes violentos do país hoje são as milícias chavistas, que atuam em defesa do governo Maduro. A violência é promovida, financiada e incentivada pelo governo.
O PT destruiu a tradição de independência de nossa política externa, que não se deixou pautar pela ideologia antes da chegada do partido ao poder. O Brasil conseguia manter um bom equilíbrio entre o pragmatismo e princípios que são a base da civilização. Lembro que, em plena ditadura militar, o país esteve entre os primeiros que reconheceram a independência de Angola e Moçambique, por exemplo, que fizeram revoluções socialistas, cuja ideologia era avessa ao regime aqui vigente.
A independência acabou. Não há ditadura escancarada ou mascarada — Cuba ou Irã, para citar um caso de cada — que não mereça o endosso e o apoio do governo petista. A entrada da Venezuela no Mercosul, leitores, patrocinada por Dilma e Cristina Kirchner, a doida que governa a Argentina, já foi um acinte e descumpriu o protocolo do Mercosul.
Provo o que digo. Não se trata de mera opinião. Existe uma coisa chamada Protocolo de Ushuaia. Estabelece as condições para que um país possa ou não ser aceito no Mercosul. Leiam estes artigos:
ARTIGO 1 A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes do presente Protocolo. FATO: A Venezuela é uma ditadura, em que não existe liberdade de imprensa e liberdade de manifestação.
No caso de haver ruptura da ordem democrática, o Artigo 5 estabelece o seguinte:
ARTIGO 5
“(…) desde a suspensão do direito de participar nos diferentes órgãos dos respectivos processos de integração até a suspensão dos direitos e obrigações resultantes destes processos.”
Quando Dilma e Cristina aceitavam a Venezuela, já desrespeitaram o Artigo 4 do acordo. Agora, quando o governo Maduro, por meio de suas milícias, sai matando manifestantes, o que se está desrespeitando é o Artigo 5.
Não custa lembrar que Dilma patrocinou a suspensão do Paraguai do Mercosul porque o Congresso desse país depôs, segundo as regras legais e constitucionais, o então presidente Fernando Lugo — aquele padreco que fez uma penca de filhos quando ainda usava batina… Afinal, Lugo era um amiguinho do PT, e o governo brasileiro considerou que a sua deposição, mesmo sendo legal, era inaceitável. Com a Venezuela, dá-se o contrário: mesmo o país ignorando os princípios do Mercosul, foi aceito no grupo e, no momento, é quem o preside. Mais: a violência conta com o apoio do governo brasileiro.
O Planalto é hoje cúmplice de uma ditadura assassina.
* Segue a nota asquerosa do Mercosul
Os Estados membros do Mercosul, diante dos recentes atos violentos na irmã República Bolivariana da Venezuela e as tentativas de desestabilizar a ordem democrática, repudiam todo o tipo de violência e intolerância que busquem atentar contra a democracia e suas instituições, qualquer que seja sua origem.
Reiteram seu compromisso com a plena vigência das instituições democráticas e, neste contexto, rejeitam as ações criminosas de grupos violentos que querem espalhar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela como uma ferramenta política.
Expressam seu mais forte rechaço às ameaças de ruptura da ordem democrática legitimamente constituída pelo voto popular e reiteram a sua posição firme na defesa e preservação das instituições democráticas, de acordo com o Protocolo de Ushuaia sobre compromisso democrático no Mercosul (1998).
Sugerem que as partes a continuem a aprofundar o diálogo sobre as questões nacionais, dentro do quadro das instituições democráticas e do Estado de direito, como tem sido promovido pelo presidente Nicolás Maduro nas últimas semanas, com todos os setores da sociedade, incluindo parlamentares, prefeitos e governadores de todos os partidos políticos representados.
Finalmente, expressam suas sinceras condolências às famílias das vítimas fatais, resultado dos graves distúrbios causados, e confiam totalmente que o governo venezuelano não descansará no esforço para manter a paz e plenas garantias para todos os cidadãos.
19/02/2014

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Uma foto para a história da impostura e delírio megalonanico



Luiz Inácio Apedeuta da Silva dava a impressão de saber tudo, mas tendia a delegar decisões nas áreas em que sabia que não sabia

Dilma Rousseff, nesse particular, é mais temerária



É menos falastrona, sim, do que o antecessor, mas, atenção para o sentido das palavras!, ela ignora o quanto não sabe.
No caso do Mercosul, seu voluntarismo vai além da imprudência já conhecida do Itamaraty nos tempos petistas.

No alto, vemos a foto que celebra a entrada da Venezuela no Mercosul, uma decisão flagrantemente ilegal, que viola a essência do tratado.

Uma foto para entrar para a história da impostura.

O Paraguai está suspenso, mas continua membro do grupo.

Dilma Rousseff e Cristina Kirchner deram um golpe naquele país.

Olhem lá: um tiranete perigoso (Hugo Chávez), uma doida que agora convoca presidiários para seus comícios e que marcha para o fascismo dos pampas (Cristina Kirchner), um esquisitão que pretende estatizar a maconha (José Mujica, presidente do Uruguai) e… Dilma Rousseff.

Abaixo, vocês leem trecho de reportagem de Lisandra Paraguassu, Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, no Estadão.

Dilma parece estar entrando na fase de negação da realidade.

O Mercosul do Caribe ao extremo sul das Américas é só um delírio megalonanico.

É “megalo” porque pretende emprestar à coisa uma grandeza que não terá.

E é “nanico” porque há nisso a ambição de rivalizar com os Estados Unidos.


Há também um problema de lógica.

Se a cláusula do Mercosul impede que seus membros celebrem acordos bilaterais fora dos interesses dos bloco, os potenciais candidatos teriam de fazer uma escolha, abrindo mão dos acordos já celebrados.

Caso pudessem conciliar as duas coisas, por que isso não valeria também para os antigos integrantes?

Nesse caso, então, um Mercoul do Caribe para baixo seria o mesmo que Mercosul nenhum.

Leiam trecho de reportagem do Estadão:
*
Quatro presidentes anunciaram nesta terça-feira, 31, em Brasília que o Mercosul agora tem cinco integrantes. Questionado sobre o peso da ausência do Paraguai na ampliação, o líder do mais novo membro do bloco, Hugo Chávez, disse que não houve oportunismo político no ingresso venezuelano. O país passou a integrar o grupo só depois da suspensão paraguaia, sob alegação de que o impeachment do presidente Fernando Lugo, há 40 dias, contrariou uma cláusula democrática do bloco.

Questionado pelo Estado se a Venezuela não havia aproveitado uma brecha para ingressar no Mercosul, Chávez respondeu: “De maneira nenhuma. Suponha que, em um jogo de futebol, suspenderam o Pelé por uma falta e deram-lhe cartão vermelho. E aí o Brasil não pode marcar os gols necessários para ganhar uma partida. E alguém diz, ‘Mas o Pelé não jogou’. Bom, o Pelé estava suspenso. O Paraguai está suspenso, não é parte do Mercosul agora”, disse.

Em um encontro fechado de quase duas horas, a presidente Dilma Rousseff e seus colegas do Uruguai, José Mujica, da Venezuela, Chávez, e da Argentina, Cristina Kirchner, discutiram os próximos passos da integração venezuelana e a situação paraguaia. Dilma aproveitou para reforçar sua intenção de ampliar cada vez mais o Mercosul – uma ideia que ganhou apoio explícito de José Mujica.

Apesar dos empecilhos jurídicos, Dilma quer discutir uma forma de atrair novos membros fortes para o Mercosul, de olho especialmente em Colômbia, Chile e Peru. Os três trariam mais de US$ 1 trilhão ao Produto Interno Bruto do bloco. No entanto, todos têm hoje acordos de livre comércio com os EUA, o que impede sua entrada no Mercosul.

“O que podemos examinar é se podemos criar mecanismos que aprofundem a possibilidade de países que não estão formalmente nas normas do Mercosul possam estar”, afirmou o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

Para o Itamaraty, juridicamente, essa mudança é impossível. Entre os presidentes, no entanto, essa impossibilidade não é tão categórica. Em seus discursos, a entrada venezuelana foi tratada como uma questão de sobrevivência econômica do bloco – dando a entender que ocorreria de qualquer forma, e não é consequência direta da suspensão paraguaia. “O que não cresce, perece. Estamos obrigados a buscar uma incidência maior do que a de hoje”, defendeu o presidente uruguaio. “Temos de buscar formas inteligentes de incorporar. Temos de abrir a cabeça, porque quando a coisa está demasiadamente fechada, rígida, cheia de regras, não funciona.”

“Há tempos desejamos um Mercosul ampliado em suas fronteiras e com capacidades acrescidas”, afirmou Dilma. “Foi com esse propósito que assinamos, em 2006, o Protocolo de Adesão da Venezuela ao Bloco, instrumento que entrará em vigor formalmente no dia 12″, completou. Os candidatos hoje a uma vaga no Mercosul são Bolívia, Equador, Suriname e Guiana. Juntos, os quatro países acrescentariam apenas US$ 200 bilhões ao PIB do bloco. Dilma gostaria, também, de mercados mais ativos.

“O governo brasileiro, assim como os demais países que integram o Mercosul, apresentaram com toda a clareza nossa visão no que se refere à situação no Paraguai. O que moveu a totalidade da América do Sul foi o compromisso inequívoco com a democracia”, afirmou. “Nossa perspectiva é que o Paraguai normalize sua situação institucional interna para que possa reaver seus direitos plenos no Mercosul”.
(…)

01/08/2012


sexta-feira, 29 de junho de 2012

A questão é ideológica







Por Reinaldo Azevedo

Assim como os generais ditadores da América do Sul se uniam antes para a mútua colaboração — e uma das vítimas era a democracia —, a atual safra de governantes de esquerda do subcontinente também atua em conluio.

E a democracia continua a ser a principal vítima. Nesta quinta, os chanceleres do Brasil, Argentina e Uruguai se reuniram e decidiram suspender o Paraguai do Mercosul.

A punição vale até a posse de um novo governo, depois das eleições de abril.

Agora o escracho: o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, que ainda não pertence ao bloco, participou do encontro.


O evento é cheio de simbolismos. Cento e quarenta e dois anos depois da Guerra do Paraguai, que arrasou o país e responde, sim, em parte ao menos, pelos desastres que se sucederam no país, a mesma Tríplice Aliança se forma para punir o país — sem que, atenção, haja qualquer motivo justificável, nem mesmo verossímil, para isso. Trata-se unicamente de uma questão ideológica. “Esta é uma forma de combater os ‘neogolpes’ que os setores conservadores querem aplicar nos governos da região”, afirmou ao Estadão um diplomata da Argentina, do governo de Cristina Kirchner, que está tentando esfacelar a democracia em seu país.

Ou por outra: a questão é ideológica.

A presença da Venezuela no encontro é um escândalo moral e diplomático que faz sentido. O país é candidato a ingressar no Mercosul. Segundo as regras do bloco, a entrada de um novo membro tem de ser aprovada pelo Parlamento dos respectivos países. O Senado paraguaio, até agora, recusa o pleito venezuelano. A Tríplice Aliança quer aproveitar a suspensão do Paraguai para consumar a integração da ditadura chavista.

Parece piada, mas é assim mesmo: Brasil, Argentina e Uruguai suspendem o Paraguai, onde estão em vigência todas as liberdades democráticas, para tentar abrigar a chavismo, que censura a imprensa, espanca, prende e exila opositores e aterroriza o país com uma milícia armada

Acho que vocês se lembram — escrevi isso desde o primeiro dia: a safra de esquerdistas da América do Sul, ora mais populistas, ora menos, não está nem aí para o povo paraguaio.

Tenta é tornar irrelevantes os mecanismos de vigilância e controle de que dispõem as democracias para conter os celerados.



28/06/2012