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sábado, 2 de junho de 2012

A privatização do mensalão




Luiz Inácio da Silva procurou o ministro Gilmar Mendes
, do STF, para discutir a escalação do Corinthians. Até porque, graças aos esclarecimentos do ex-presidente, o Brasil hoje sabe que o mensalão não existiu.

E isso é um grande alívio. Seria uma temeridade o país continuar sendo governado por um grupo político que tivesse criado um duto entre os cofres públicos e a conta bancária do seu partido.

Felizmente, foi só um pesadelo. Seria grave demais se os principais homens do presidente tivessem usado um publicitário picareta para roubar dinheiro do Banco do Brasil e entregar ao PT, entre outros golpes.

É uma história tão absurda, que só poderia ser fantasiosa. E é por isso que esse escândalo – que não houve – completou sete anos sem que os réus fossem julgados. O Supremo Tribunal Federal tem mais o que fazer do que julgar crimes fictícios.

Na já famosa reunião no escritório de Nelson Jobim, não se sabe o que ficou decidido sobre a escalação do Corinthians. Mas segundo Gilmar Mendes, Lula lhe disse que é melhor o STF deixar o julgamento do mensalão para depois das eleições.

Deve ter sido um comentário ameno, na hora do cafezinho. Ameno e enigmático: por que Lula se preocupa com a data do julgamento de um delito que não existiu?
Aí vale dar uma olhada na paisagem desse encontro. Se as paredes do escritório de Nelson Jobim falassem, talvez contassem um bocado sobre a lenda do mensalão.
Quando Jobim era ministro do Supremo, tentou com bravura intervir no Congresso para barrar o julgamento político de José Dirceu – acusado de mentor desse crime imaginário.

Sete anos se passam, e lá está Nelson Jobim de novo, agora como anfitrião de Lula, metido nesse assunto. Deve ser coincidência.

Dizem que é um absurdo um ex-presidente da República, padrinho da presidente atual, se insinuar na penumbra em assunto do Poder Judiciário – que envolve o partido governante. Dizem até que assim Lula pode atrapalhar Dilma.

Ledo engano. Não há esse perigo. Parece até que o Brasil se esqueceu da equação eleitoral de 2010, que garantiu o tricampeonato do PT: Lula é Dilma e Dilma é Lula.

Seria injusto atribuir só ao padrinho a refinada tecnologia chavista de atropelar as instituições. Com o mesmo jeitinho, Dilma já domesticou a Comissão de Ética da Presidência (que fuzilara as ONGs de Lupi, mas anistiou as lanchas de Ideli).
Como ministra, ela já invadira a autonomia da Receita Federal para defender José Sarney. E o Banco Central já aprendeu, graças ao governo Dilma, que taxa de juros também se resolve no grito.

Portanto, não há surpresa alguma no cafezinho de Lula com Gilmar Mendes sobre o mensalão.

É só mais uma cena da privatização do Estado brasileiro pela esquerda patriótica.
30/05/2012

domingo, 20 de março de 2011

O presidente americano nem precisou escutar o batuque para sair com a certeza: este é o país do carnaval.



Por Guilherme Fiuza

Barack Obama lamentou ter chegado ao Rio de Janeiro depois do carnaval.

Não seja por isso.

Não há nada mais carnavalesco do que a sua chegada.


No grande coquetel de espuma e purpurina de que é feita a diplomacia internacional, uma alegoria se destaca na visita do presidente americano: a discussão sobre uma vaga para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

É mesmo um tema crucial. Com essa vaga, os brasileiros finalmente mostrarão ao mundo quem são.

E quem são?

São os bons e velhos pedintes, especialistas na arte de se candidatar a uma boquinha aqui e acolá. De preferência, aquelas que não exigem currículo do candidato.

Nos coloquemos no lugar dos atuais membros do Conselho de Segurança, diante da questão de abrir uma vaga para o Brasil. Quais são as credenciais do candidato a integrar o clube dos que arbitram os conflitos do mundo?

São credenciais fortes. De saída, o Brasil é o país que apóia o programa nuclear clandestino do Irã, e se tornou aliado político do tarado radioativo de lá. Como se sabe, a radioatividade está na moda. Ponto para nós.

Também é o Brasil aquele que, nos últimos anos, andou de mãos dadas para cima e para baixo com Muammar Kadafi – o nome que mais inspira segurança ao mundo no momento. Mais uma credencial eloqüente.

Foi o Brasil que se meteu em Honduras, fazendo da sua embaixada um spa para o presidente deposto e seus amigos tocarem violão e sonharem com Che Guevara, enquanto jogavam pedras nos passantes. Foi a intervenção diplomática mais inócua da história, mas fez a alegria do coronel Hugo Chávez, outro símbolo do pacifismo tarja preta.

É também o Brasil, e seu governo popular, o principal fiador latino-americano do regime de Fidel Castro.

Como se vê, Obama e o Conselho de Segurança da ONU têm todos os motivos para abrir uma vaga ao Brasil.

A paz mundial não pode esperar mais um minuto por esse novo árbitro altamente qualificado.


E o Brasil?

Por que quer tanto essa vaga?

De onde vem tal convicção de que precisamos definitivamente figurar nesse fórum de potências militares, participando de suas decisões bissextas e eventualmente inúteis?

Não se sabe ao certo. Alguém deve ter soprado à diplomacia brasileira que o jetom é gordo.

Além do habitual chororô pró-forma sobre barreiras comerciais, e da inevitável macumba para turista, a recepção a Barack Obama serviu para se escrever mais um capítulo dessa novela surrealista do Conselho de Segurança.

O presidente americano nem precisou escutar o batuque para sair com a certeza: este é o país do carnaval.

  20/03/2011

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Lula, o coitado

Lula, o coitado

Por Guilherme Fiuza

Epoca

Em comício em Porto Alegre ao lado de Dilma Rousseff, Lula acusou as elites de direita de tentarem derrubar seu governo a cada 24 horas.

É um ingrato.

Se não fossem as “elites de direita” – esse avatar altamente lucrativo –, Lula não existiria mais.

Lula é uma espécie de Bush dos pobres.

Assim como o imperialista americano precisava desesperadamente de Saddam Hussein para justificar sua existência, o ex-operário brasileiro precisa do mito da elite opressora para manter vivo seu personagem.

Como se sabe, a elite mais voraz existente no Brasil hoje é a República Sindical fundada pelo próprio Lula.

Uma turma da pesada que tomou de assalto o Estado nacional em benefício de uma casta política.

Já flagrado com a boca na botija do valerioduto, o companheiro Delúbio, por exemplo, ainda gritava que as denúncias eram conspiração da direita contra o governo popular.

Lula é um gênio.



Passou oito anos cultivando, dia a dia, o mito do presidente coitadinho.

Brasileiro adora isso.

Conseguiu a proeza de fazer oposição a si mesmo, perpetrando críticas ao neoliberalismo do Banco Central – o mesmo que sustenta sua política econômica.

Brincando de terceiromundismo com atos bizarros como o apoio à ditadura atômica iraniana, foi alimentando seu próprio mito de vingador internacional dos fracos.

O mundo já perdeu a paciência com sua pantomima ao lado de Ahmadinejad, Fidel, Chávez e outros embusteiros.

Mas o Brasil ainda está achando graça.

Enquanto seus aliados afundam os Correios, manipulam a Receita Federal, sangram as estatais, engendram o controle da imprensa e conspiram em praça pública, Lula reclama dos poderosos.


De fato, atingiu a perfeição como vítima profissional.

A julgar pelos cerca de 40% de intenção de voto em Dilma Rousseff, esse autoritarismo com verniz de oprimido ainda vai longe no Brasil.

Mas ainda há focos de sinceridade na aliança montada pelo PT.

O ex-presidente Collor, por exemplo, parceiro eleitoral de Dilma, acaba de se dirigir a um jornalista, por telefone, sem fingir que defende a liberdade de expressão:



“Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu fdp”.

Pelo menos um pouco de franqueza no salão.

30/7/2010


Imagens: Silsaboia




sábado, 10 de julho de 2010

Dilma e o vôo do jabuti



As investigações sobre o vazamento de dados da Receita Federal sobre o tucano Eduardo Jorge Caldas não fazem o menor sentido. São absolutamente desnecessárias, pois todos já sabem quais serão as conclusões.

Em primeiro lugar, mais uma vez, o PT não tem culpa. O pessoal da campanha de Dilma Rousseff não sabia. E a própria candidata não tem a menor idéia nem do que seja vazamento de dados.

O único fato realmente intrigante nessa história é como esses dossiês e pré-dossiês aparecem no comitê de Dilma, sem que ninguém os leve para lá.

Isso, sim, merece investigação – em nome da própria segurança da candidata. E se em vez de papéis de bisbilhotagem, colocarem uma bomba no local? Todo cuidado é pouco.

Quanto à possibilidade de Dilma e seus asseclas terem usado a máquina do governo para fuxicar a vida dos adversários, melhor esquecer.

A montagem do dossiê sobre os gastos de Fernando Henrique e Ruth Cardoso, por exemplo – o famoso “banco de dados” –, como se sabe, foi um fenômeno da natureza.

Tudo indicava que tinha sido obra de Dilma, operada por sua chefe de gabinete na Casa Civil. Mas a chefe de gabinete virou ministra – então não pode ter sido ela.

O dossiê sobre a filha de José Serra, que por coincidência também foi parar dentro do comitê do PT – e, por mais coincidência ainda, foi preparado por um araponga contratado pela assessoria de comunicação da candidata – também não tinha nada a ver com Dilma. Tanto que ninguém foi punido, nem será.


Era só mais um jabuti em cima de uma árvore, dos tantos jabutis que habitam as árvores da capital federal. Tudo normal.

Como se vê, suspeitar de Dilma e sua turma no caso da criminosa quebra do sigilo fiscal de Eduardo Jorge é perda de tempo. Claro que eles não sabiam de nada.

Talvez a candidata de Lula nem se lembre para que serve a Receita Federal. Já faz muito tempo que ela interveio lá para dar uma mãozinha ao filho encrenqueiro de Sarney. Mas disso ela também não se lembra.

Pelo visto, a blindagem da área econômica, feita no governo anterior contra a politicagem dos partidos, continua intacta. O vazamento de dados veio dos quadros da própria Receita, mas no final vai-se descobrir que o PT não tem nada com isso. Provavelmente foi só mais um desastre natural.

O diabo é que o jabuti cismou de aparecer de novo em cima da árvore do comitê de Dilma. Deve ser a evolução da espécie.

Se vierem mais quatro anos de governo petista, talvez os jabutis terminem o mandato de Dilma voando como pássaros.

sáb , 10/7/2010

Comentário
Luiz Inácio sofre de um complexo de inferioridade INFINITO.

E, por mais que amealhe fortuna e poder, sempre se sentirá inferior perante os outros mandatários do mundo civilizado por um simples motivo: ele, Inácio, é inferior.

E ele interiormente sabe disto. A única defesa que ele possui é esta. Atacar quem quer que o lembre da sua inferioridade.

Este homem é louco, em sentido psiquiátrico.

Um médico já publicou o seu diagnóstico em 2005 no Blog do Aluizio: paranóico delirante crônico.

Inclusive este médico clamava pela interdição do desgovernante por motivos médicos.


Varuzza