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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Você não vale nada, mas eu gosto de você..."

O TUITEIRO NACIONAL


De um jingle famoso de um comercial da Caixa Econômica Federal

Por Waldo Luís Viana*

O presidente Lula promove uma revolução sem precedentes em termos de comunicação no Brasil. É de tirar o chapéu! Funciona assim: o governo propõe incansáveis campanhas, uma atrás da outra, não deixando o pano baixar nem o espetáculo acabar. E todos o seguem. Sem usar qualquer computador, o noço guia é o tuiteiro nacional...


O princípio de Baudrillard, sob o qual as massas requerem espetáculo - e numa infindável sucessão -, parece ser seguido à risca pelo presidente e seus fiéis seguidores, temperando as sequências com um gramscismo tropical, misturado a um peleguismo sindicalista ciceroneado pelas inspirações latinoamericanas do Foro de São Paulo.

Somos pacientes de uma experiência de laboratório em matéria de condicionamento psíquico que faria corar Joseph Goebbels e as ideias nazistas de fabricação do consentimento.  Nem Noam Chomsky, o estudioso norteamericano do duplipensar sobre as massas, preveria que iríamos tão longe, empacotando personagens, criando competências onde não existem e antecipando fatos que só povoam a imaginação dos governantes.


Aproveita-se a capacidade do dirigente máximo em plantar, pela palavra, um discurso de platitudes, batatadas, lugares comuns e metáforas futebolísticas, direcionadas para a plebe ignara (uma capacidade infinda de ganhar tempo e explicar o inexplicável) enquanto o governo toma todas as medidas para a permanência da máquina no poder, procurando atingir o ideal de manutenção de uma ditadura africana disfarçada.  Um gigantesco Gabão!

O disfarce engambela inclusive a oposição, que se acostumou a bocejar, sem programas nem fins, limitando-se a seguir o que Lula e o governo fazem e nada mais.  A agenda é sempre pautada pelo poder dominante, sempre seguida como num monumental twitter e qualquer coisa que surge fora dela é 
diligentemente abafada.
Assim foi, por exemplo, com a CPI da Petrobrás, que era um perigo para o sistema sindical, devido ao inegável aparelhamento e a mastodôntica corrupção que aparentemente cerca hoje a empresa. 

Contra o perigo de serem revelados os segredos da coroa, o governo apressou-se a lançar o pré-sal, uma gigantesca obra de ficção, que simplesmente não existe no presente, sendo apenas promessa relativa num futuro de dez a quinze anos, em que nem se sabe se outras energias alternativas serão mais rentáveis e compensadoras que o petróleo a ser extraído a sete quilômetros de profundidade.

A máquina de comunicação do governo, azeitada com abundantes recursos de propaganda à disposição, sempre em torno do quadrilátero de prosperidade: o BNDES, a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica -

como se o país fosse todo prosperidade - desenha uma nação sem problemas, que superou a crise e não tem qualquer importante problema estrutural.

Toma-se a popularidade do presidente como biombo para todos os expedientes.

Os marqueteiros do governo raciocinam então que com o Bolsa-Família se forma a massa de manobra de um sistema que quer se perpetuar à custa da manutenção da miséria real de camadas ponderáveis da população brasileira.  Tais classes não manejam nem seguem a opinião pública, mas votam, afinal, que é o que realmente interessa...

Ao mesmo tempo, cioso de que as elites estão morrendo de medo, porém silenciosas e agachadas como a cidadania e a maioria dos formadores de opinião, o governo vai formulando simulacros de socialismo: sistemas de cotas raciais e educacionais, acenos para o MST com o sonho de fazendas coletivas, legitimação de reservas indígenas e quilombolas - balões de ensaio e factóides sociológicos, usados apenas para colocar o bode na sala e acostumar essas camadas com doses posteriores de alívio, em que sentir-se-ão resgatadas no momento posterior em que o presidente, a pretexto de manter a governabilidade, se une aos piores agentes do patrimonialismo na República, faz vista grossa para seus negócios obscenos e detém, boquiaberta, a oposição. 

Nesse sentido, a oposição também segue, com lenço no nariz, o tuiteiro-mór...

A capacidade de contentar a esquerda com sonhos e manobrar a realidade negocial da direita, mantendo a sua lógica predatória sem qualquer pejo, é uma qualidade exponencial do presidente da República como governante.
Ninguém é bifronte "nezte paíze" com tanta cara de pau! 

Lula é "o cara" de Obama e da mídia internacional e talvez seja nosso futuro e primeiro prêmio Nobel, quando terminar o mandato. 
 
Aliás, se o prêmio sair será do tamanho de nossa eterna miséria mental e moral, provando-se que, para o capitalismo, pouco importa a inteligência para o capital, desde que possa ser transformada sempre em esperteza.

O presidente dá lições a todos com o seu gigantesco twitter: as celebridades podem continuar escrevendo errado e atraindo milhares de fãs, porque temos, de vez, o melhor paradigma a copiar.  Somos todos seguidores de Lula, até sem saber...


*Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e pangaré serrano, procurando seguir, solitário, a própria consciência.  Não se importa com o fato de que nezte paíze só se escute alguém com mais de 500 mil dólares na conta...

Teresópolis, 15 de setembro de 2009

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