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terça-feira, 18 de junho de 2013

Faz sentido....




"O que REALMENTE está por trás das manifestações no Brasil?


Pra quem não sabe o que está acontecendo no Brasil, este é um texto traduzido da CNN Americana:

#naosao20centavos

"O que REALMENTE está por trás das manifestações no Brasil?

Os protestos que vêm ocorrendo no Brasil vão além do aumento de R$ 0,20 na tarifa dos transportes públicos.

O Brasil está experimentando atualmente um colapso generalizado em sua infraestrutura.

Há problemas com portos, aeroportos, transporte público, saúde e educação.

O Brasil não é um país pobre e as taxas impostos são extremamente altas.

Os brasileiros não veem razão para uma infraestrutura tão ruim quando há tanta riqueza tão altamente taxada. Nas capitais, as pessoas perdem até quatro horas por dia no tráfego, seja em automóveis ou no transporte público lotado que é realmente de baixíssima qualidade.

O governo brasileiro tem tomado medidas remediadoras para controlar a inflação apenas mexendo nas taxas e ainda não percebeu que o paradigma precisa compreender uma aproximação mais focada na infraestrutura.

Ao mesmo tempo, o governo está reproduzindo em escala menor o que a Argentina fez há algum tempo atrás: evitando austeridade e proporcionando um aumento com base em interesses da taxa Selic, o que está levando à inflação alta e baixo crescimento.

Além do problema de infraestrutura, há vários escândalos de corrupção que permanecem sem julgamento, e os casos que estão sendo julgados tendem a terminar com a absolvição dos réus.

O maior escândalo de corrupção da história do Brasil finalmente terminou com a condenação dos réus e agora o governo está tentando reverter o julgamento usando de manobras através de emendas constitucionais inacreditáveis: uma, o PEC 37, que aniquilará os poderes investigativos dos promotores do ministério público, delegando a responsabilidade da investigação inteiramente à Polícia Federal.

Mais, outra proposta busca submeter as decisões da Suprema Corte Brasileira ao Congresso – uma completa violação dos três poderes.

Estas são, de fato, a revolta dos brasileiros.

Os protestos não são movimentos meramente isolados, unificados ou badernas de extrema esquerda, como parte da imprensa brasileira afirma.

Não é uma rebelião adolescente.

É o levante da porção mais intelectualizada da sociedade que deseja pôr fim a esses problemas brasileiros.

A classe média jovem, que sempre se mostrou insatisfeita com o esquecimento político, agora “despertou” – na palavra dos manifestantes."

Será que significa alguma coisa? Significa



Por Reinaldo Azevedo

Apesar da cobertura deslumbrada, cheia de adjetivos e pontos de exclamação, com perorações sobre as virtudes da participação e coisa e tal, repórteres das TVs têm de revestir os logotipos de suas respectivas emissoras com espuma preta.

Ou, então, são obrigados a gravar suas reportagens com celular.

Assim, não são identificados por aqueles democratas que estão tomando as ruas, impedindo o povo de ir e vir.

Será que significa alguma coisa?


Significa.



18/06/2013

No pé de quem?

 
O ministro Gilberto Carvalho parece que estava adivinhando. Em meados de dezembro, há exatos seis meses, o secretário-geral da Presidência da República gravou em vídeo uma saudação de fim de ano ao PT convocando a militância a ir às ruas “assim que passarem as festas”.

Aconselhava os companheiros a “descansarem bem agora” porque “em 2013 o bicho vai pegar”. Demorou um pouquinho, mas não deu outra: o bicho pegou.


Por Dora Kramer

ESTADÃO



Em configuração diferente daquela pretendida pelo ministro na convocatória de dezembro. Lá a ideia era “a gente ir para as ruas” em defesa do governo federal, contra os “ataques sem limites ao nosso querido presidente Lula”.

Na concepção do ministro, em protesto a “eles”. Quem? “Os mafiosos midiáticos da oposição ao Brasil”, cujo objetivo único na versão natalina de Carvalho seria a destruição “do nosso projeto, do nosso governo, do nosso PT”.

Note-se a expressão “da oposição ao Brasil”. Refere-se a qualquer grupo, cidadão ou instituição que critique ou discorde do governo tornando-se, por isso, automaticamente inimigo do País.

O ministro atirou na imagem construída por devaneios persecutórios costumeiramente usados como armas de ataque disfarçadas em instrumentos de defesa, mas acertou em sentimentos distantes do alcance da vista.

Há exaustão, há revolta, há contrariedade. Mas não há por parte dos exaustos, dos revoltados, dos contrariados adesão a partido algum. Não que os manifestantes ou parte deles não tenham suas preferências, mas elas não se expressam na explosão da chama acesa pelo aumento das passagens de ônibus.

À exceção de grupos alojados em pequenas legendas cuja expressão é nenhuma, não há até agora a digital de partidos por trás dos protestos que pegaram o Brasil de surpresa.

De um modo geral os políticos têm evitado falar. Estão tentando entender o que se passa, antes de se pronunciar. Os poucos que o fizeram ou falaram bobagem ao repetir os velhos bordões sobre “orquestração” de adversários ou passaram ao largo da questão central: a discrepância entre a agenda do mundo política e as demandas de uma sociedade maltratada pelo Estado.

Seja ele representado por governantes do PT, PSDB, PMDB ou qualquer partido. Estão evidentemente à margem dessa mobilização popular. Além de não terem o menor interesse em transferir o jogo da política de espaços conhecidos (gabinetes, Congresso e tribunais) para o terreno desconhecido das ruas, são todos eles alvos da insatisfação.

Nessa altura quem aparecer para tentar capitalizar eleitoralmente a comoção provavelmente será repudiado. O levante também é motivado pelo descrédito na política. A desqualificação do Congresso, a preocupação exclusiva dos partidos com a disputa de votos, a discussão concentrada em eleição distante enquanto as condições objetivas da vida vão piorando dia a dia, não faz dos políticos aliados confiáveis.

Os “mafiosos midiáticos da oposição ao Brasil”, referidos pelo ministro Gilberto Carvalho para (des) qualificar os críticos, como se vê não são mafiosos, não são midiáticos, não são inimigos do País. Ao contrário, estão chamando atenção para a indiferença do poder público, independentemente do matiz partidário.

O bicho realmente está pegando. Resta saber, porém, no pé de quem exatamente. Em outras palavras: é de se conferir para onde caminhará essa insatisfação quando chegar a hora de a manifestação se expressar nas urnas.

No momento a única certeza é a de que não se direciona em favor de força político-partidária alguma. De um lado é bom porque não permite que nossos representantes enfrentem a questão debitando o custo na conta do vizinho. De outro há o risco de se deixar prosperar a semente para a pregação do voto nulo, ferindo gravemente a representação.

18/06/2013

OS PROTESTOS EM IMAGENS




PM espirra spray de pimenta em manifestante durante protesto no Rio


Em Brasília, manifestantes conseguiram invadir a área externa do Congresso Nacional


Milhares de manifestantes tomam a avenida Faria Lima, em SP


Após protesto calmo em SP, grupo tenta invadir o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo


Manifestantes tentam invadir o Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio


Um carro que estava estacionado em uma rua do centro do Rio foi virado e incendiado


Jovem é detida pela Brigada Militar durante protesto realizado em Porto Alegre


Cláudia Romualdo, comandante do policiamento de Belo Horizonte, posa com manifestantes


Estudante é preso dentro diante do Congresso Nacional


Manifestantes levam faixa alusiva a 1964 em Porto Alegre


Protestos pelo mundo, como este em Berlim, manifestam apoio aos atos no Brasil


Fotógrafos protestaram contra a violência da PM em relação aos jornalistas


Manifestante preso no protesto no dia 11 é solto em SP


Policial atinge cinegrafista com spray de pimenta


PM agride clientes de um bar na avenida Paulista


Policial atira bombas contra manifestantes


Cartaz faz referência à música Cálice, de Chico Buarque, escrita durante a ditadura


Manifestantes se ajoelham para tentar se proteger de ação policial


Mulher anda de bicicleta em meio a confronto entre policiais e manifestantes


Garota segura flor enquanto usa orelhão pichado durante protesto


Mulher é ferida na cabeça ao passar por confronto entre polícia e manifestantes


Policial atira contra manifestantes em rua do centro de São Paulo


Vídeo mostra policial quebrando o vidro do próprio carro da polícia em SP


Manifestante faz sinal da paz para policiais


Policial Militar aponta arma para se defender de agressores


Manifestantes se ajoelham diante de PMs durante protesto na avenida Paulista


Policial tenta apagar fogo provocado por manifestantes


Manifestantes fazem fogueira durante protesto contra o aumento das passagens



Manifestantes tomam a avenida Paulista no segundo protesto

Multidão participa do primeiro protesto contra a aumento na tarifa de ônibus

Fonte: Uol

Vamos lá, Brasil!


Em Brasília, milhares de manifestantes pedem a prisão de Dirceu





Protestos se espalham por capitais brasileiras nesta segunda-feira


No Rio, 100 mil marcharam em paz, mas um pequeno grupo provocou grande confronto com a polícia
Em Belo Horizonte, polícia atirou bombas de gás e balas de borracha contra os manifestantes
Em Brasília, um grupo tentou invadir o Congresso Nacional e foi rechaçado pela polícia

O GLOBO

Manifestantes tomaram a Ponte Estaiada, no Brooklin, em São Paulo, em protesto nesta segunda-feira
Michel Filho / Agência O Globo



RIO - Manifestantes tomaram as ruas de diversas capitais do Brasil nesta segunda-feira. No Rio, 100 mil pessoas ocuparam pacificamente o Centro da cidade; no fim do protesto, um pequeno grupo entrou em conflito com a polícia nas imediações da Assembleia Legislativa, atirou coquetéis molotov, incendiou um carro e depredou prédios públicos, num confronto que terminou com oito feridos.

Em São Paulo, ao menos 65 mil pessoas foram às ruas
, de acordo com o Instituto DataFolha. Em Brasília, manifestantes invadiram a cobertura do Congresso Nacional, de onde desceram, algum tempo depois, em clima de festa. Mais tarde, voltaram a ocupá-la.

Os atos levaram a presidente Dilma Rousseff, que até então se mantivera em silêncio, a se pronunciar pela primeira vez. “As manifestações pacíficas são legítimas e próprias da democracia. É próprio dos jovens se manifestarem”, disse.

Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva também comentaram o movimento nacional. Para FH, é um erro desqualificar os protestos. Lula criticou a violência policial.

Os protestos aconteceram em capitais como São Paulo, Rio, Brasília, Maceió, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador, Vitória, Curitiba, Belém e Belo Horizonte, e foram acompanhados de perto pela polícia.

Ao todo, mais de 240 mil pessoas participaram dos atos, cuja pauta se amplia a cada dia: as manifestações desta segunda-feira combinaram protestos contra o aumento de tarifas de ônibus, os gastos excessivos na Copa de 2014, a PEC 37 (conhecida como a PEC da Impunidade), o polêmico Estatuto do Nascituro, além de pedidos de investimentos em transporte público, saúde e educação, numa clara exigência da sociedade civil por uma atualização da agenda política do país.

Em São Paulo, o "Quinto Grande Ato Contra o Aumento das Passagens" ocupou a Ponte Estaiada e foi marcado pela tranquilidade e pela divisão de trajetos entre os manifestantes, que ocuparam simultaneamente diversos locais da cidade.

A pedido deles, PMs chegaram a sentar no chão, num gesto de boa vontade. Um grupo, então, decidiu seguir para o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do estado, onde gritou palavras de ordem contra o governador Geraldo Alckmin.

Uma parte das pessoas tentou ainda invadir o prédio, mas não houve confronto com a polícia.

Em Brasília, ao menos 5 mil pessoas (números da PM), entre eles centenas de estudantes, principalmente secundaristas, ocupam todas as faixas do Eixo Monumental, no Centro da capital, e tomaram o canteiro central em frente ao Congresso Nacional.

Alguns tentaram subir a rampa e foram impedidos pela Polícia Legislativa e a Polícia Militar.

A polícia chegou a fazer uso de gás de pimenta para conter o grupo e o clima ficou tenso.

Eles conseguiram entrar na cobertura do prédio e se concentraram lá por algum tempo. Em seguida, desceram a rampa sem tumultos.

Às 22h, a tropa de Choque da PM ocupou o Salão Verde da Câmara, posicionando-se para o caso de uma invasão.

No Rio, milhares caminharam da Candelária, com flores nas mãos, pela Avenida Rio Branco em direção à Cinelândia. Domingo, na Quinta da Boa Vista, o Batalhão de Choque foi para cima dos manifestantes que tentavam se aproximar do Maracanã; eles terminaram se refugiando na Quinta da Boa Vista, onde foram alvo de bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta, ao lado de pais e filhos que nada tinham a ver com a manifestação.

No início do protesto, houve um princípio de tumulto entre representantes de partidos políticos, que começaram a vaiar uns aos outros, mas foram rechaçados. “Nenhum partido tutela este protesto”, afirmou um dos coordenadores da manifestação, do alto do carro de som.

De acordo com especialistas da Coppe/ UFRJ, ao menos 100 mil pessoas tomaram o Centro, de acordo com informação do telejornal RJTV.

A PM diz ainda não ter estimativas.

Por volta das 20h, um pequeno grupo tentou ocupar a escadaria da Assembleia Legislativa e foi rechaçado pela polícia com gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Os conflitos aconteceram na Rua Primeiro de Março, em frente à Alerj e na travessa ao lado do Paço Imperial.

Alguns manifestantes atiraram coqueteis molotov em direção aos policiais e atearam fogo em um carro.

Em Belo Horizonte, onde Nigéria e Taiti jogaram pela Copa das Confederações, o ato começou mais cedo, e mais de 20 mil pessoas, de acordo com a PM, participam do protesto que começou na Praça Sete, no Centro da capital mineira.

Com palavras de ordem contra o reajuste da passagem de ônibus e gastos excessivos com Copa do Mundo e Olimpíadas, a manifestação ocorre em frente ao Mineirão; para impedir a marcha de se aproximar do estádio, a polícia atirou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha nos manifestantes.

Na fuga, um manifestante caiu de um viaduto e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros.

Em Porto Alegre, 15 mil pessoas protestaram em frente à prefeitura da cidade, com palavras de ordem contra a Copa do Mundo e repúdio aos partidos políticos.

No fim do protesto, também houve confronto com policiais na Avenida Ipiranga.

Em Maceió, capital de Alagoas, cerca de 3 mil pessoas fazem um ato que começou na Praça Centenária, no Bairro do Farol; na pauta, o reajuste das passagens de ônibus se juntou a protestos contra violência policial, corrupção e os altos gastos para a Copa de 2014.

Um participante do ato levou um tiro, mas o autor do disparo ainda não foi identificado.

Em Salvador, cinco mil pessoas marcharam pacificamente pela Avenida Tancredo Neves; no caminho, convidavam as pessoas nos pontos de ônibus e trabalhadores nos escritórios a se juntarem a eles.

Em Belém, 13 mil pessoas lotaram a Avenida Almirante Barroso, com protestos contra a PEC 37 e a Copa do Mundo.

Em Vitória e Curitiba também ocorreram manifestações.

Mais cedo, em São Paulo, o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, garante que não haverá proibição para que o protesto chegue à Avenida Paulista.

Também garantiu que, desta vez, a Polícia Militar não usará balas de borracha contra os manifestantes, ao contrário do ato da última quinta-feira, reprimido violentamente pelo Batalhão de Choque.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, apareceu de surpresa em reunião do Movimento Passe Livre (MPL), que iniciou os protestos na capital paulista, com o secretário de governo, Antônio Donato, mas disse que não seria possível “revogar o aumento da tarifa por motivos técnicos”.

Em nota, integrantes do MPL discordaram da posição de Haddad, afirmando que não se trata “de uma questão técnica, mas política”.

17/06/13

O Brasil Maravilha morreu afogado pela enorme onda de descontentamento



 
Por Augusto Nunes

Depois do que se viu nesta segunda-feira, é impossível prever os desdobramentos das manifestações que, precipitadas pelo aumento das tarifas de ônibus em São Paulo, assumiram dimensões nacionais, mobilizaram centenas de milhares de cidadãos e ampliaram notavelmente as palavras de ordem que resumem a pauta de reivindicações.

Não há como antecipar os rumos ou calcular o fôlego de um movimento ainda sem líderes visíveis e sem contornos definidos.

Os candidatos a vidente que enfileiram palpites na TV apenas confirmam a sabedoria da frase popularizada por Marco Maciel: “Pode acontecer tudo, inclusive não acontecer nada”.
Os espasmos de violência que pareciam inevitáveis em São Paulo irromperam no Rio de Janeiro ─ que, também surpreendentemente, abrigou a maior das manifestações que se espalharam por 11 capitais.

Os espertalhões que saborearam de manhã o desgaste de Geraldo Alckmin passaram a noite consolando Sérgio Cabral.

Os oportunistas que acordaram sonhando com o cerco do Palácio dos Bandeirantes tentarão dormir pensando nas correrias provocadas pela ocupação da cobertura do prédio do Congresso ─ e pela suspeita de que os manifestantes marchariam sobre o Planalto.

O mapa dos protestos incluiu cidades e estados administrados tanto por governistas quanto por gente eleita pela oposição. Os caroneiros oportunistas do Psol, do PSTU e do PT foram rechaçados pela imensa maioria de manifestantes que não se sentem representados por quaisquer partidos ou líderes políticos.

É cedo para saber, insista-se, o que vai nascer da insatisfação aguda mas ainda difusa das multidões sem rosto.

O que está claro é que a farsa forjada para celebrar a Pasárgada lulopetista foi liquidada nesta segunda-feira.

Afogado por uma enorme onda de descontentamento, o Brasil Maravilha morreu.

17/06/2013

Manifestantes derrubam um portão do Palácio dos Bandeirantes; polícia repele vândalos com bombas de gás. Eles querem mortos e feridos


SP: grupo tenta entrar no Palácio; PM reage (Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo)

 Por Reinaldo Azevedo

Às 19h17 chamei aqui a atenção para o fato de que a manifestação em São Paulo haviam se dividido. Uma parte rumava pela Faria Lima e buscava a Paulista, e outra seguia pela Marginal Pinheiros.

No ponto em que estavam, havia dois destinos possíveis: o Palácio dos Bandeirantes e a sede da TV Globo em São Paulo.

De novo, uma divisão: uma parte ficou lá vituperando contra a emissora, apesar da cobertura feita pela emissora ser dulcíssima com os protestos e outra seguiu mesmo para o palácio.

A turma que foi pela Marginal Pinheiros era aquela mais, digamos assim, política, com bandeiras do PSTU, do PCO e de um movimento ligado ao PSOL.

Muito bem! Até havia alguns minutos, a Polícia Militar de São Paulo não havia usado nem uma miserável bomba sequer. É verdade que os manifestantes, por seu turno, fizeram o que lhes deu na telha, ocuparam a parte as áreas da cidade que bem quiseram, ditaram, enfim, as ordens. A polícia se limitou a acompanhar.

É claro que a turma da desordem não ficou contente com isso. É uma gente que lucra com o conflito e com o confronto. Mesmo sabendo que um grupo rumava para o palácio, Alckmin ordenou que os policiais deixassem livre a frente do prédio. Muito bem, eles chegaram. Inicialmente, houve apenas protestos.

Mas aí um grupo forçou e conseguiu derrubar um portão dos jardins do palácio. A invasão foi repelida com bombas de efeito moral.

Neste momento, há centenas de pessoas em frente à sede do governo, onde fazem um grande fogueira. Eis os militantes pacíficos cantados em prosa e verso por setores do jornalismo.

Chamem Aiatoelio Gaspari para que diga, exatamente, a hora — com a preciso dos minutos — em que esses democratas britânicos decidiram derrubar a grade do palácio.

Os bandos ligados à extrema esquerda querem porque querem mortos e feridos. Isso justifica a sua luta.

Suas ideias sempre se alimentaram do sangue dos idiotas, dos inocentes úteis e dos culpados inúteis.
17/06/2013

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Funcionários do Planalto envolvidos com manifestação contra a Copa das Confederações


Por Noblat

Jornal Nacional

Antes dos protestos desta segunda-feira (17), em Brasília, o ministro Gilberto Carvalho se reuniu com manifestantes no Palácio do Planalto. E a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal disse ter identificado os líderes da manifestação da última sexta-feira.

A polícia chegou aos nomes após ouvir quatro manifestantes que foram detidos. Um deles é o motorista do caminhão que levou pneus que foram queimados durante o protesto. No depoimento, o motorista disse que recebeu R$ 250 para fazer o transporte.

Segundo a Secretaria de Segurança, os líderes do protesto são:

* Mayra Cotta Cardozo de Souza, assessora especial da Secretaria Executiva da Presidência da República;

* Danniel Gobbi Braga da Silva, especialista na assessoria internacional do gabinete da Secretaria-Geral da Presidência da República;

* João Vitor Rodrigues Loureiro, assessor da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Presidência da República;

* Gustavo Moreira Capela, do Gabinete da Super-Procuradoria Geral da República;
e

* Gabriel dos Santos Elias.

Até maio ele era assessor da Subchefia de Assuntos Parlamentares, da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

“Todo servidor público tem os direitos civis e políticos garantidos”, disse o estudante Gabriel dos Santos Elias.

O governador do Distrito Federal disse que a manifestação foi paga. “Está comprovado agora que foi uma ação paga para fazer uma manifestação”, afirmou Agnelo Queiroz.

Um dos integrantes nega a acusação. “Nós não temos nenhum envolvimento com nenhum tipo de financiamento, conforme diz o governo do Distrito Federal”, declarou Edemilson Paraná, representante do Comitê Popular da Copa.

O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, recebeu, nesta segunda-feira (17), manifestantes que participaram dos últimos protestos na capital.

E, no caso dos funcionários subordinados a ele, acusados de receber dinheiro para participar de protestos, o ministro pediu cautela.

“Se ele praticou algum ilícito, ele será responsabilizado pelo ilícito praticado. Mas para isso nós temos que ter prova, temos que ter comprovação”, afirmou o ministro.

Em nota, a Casa Civil da Presidência disse que os servidores negaram participação no protesto. Mas informou que vai apurar o caso e tomar as medidas cabíveis se for comprovada alguma irregularidade.

A Casa Civil ressalta, ainda, que respeita o direito à liberdade de expressar opiniões e convicções políticas.

O servidor da Procuradoria-Geral da República, Gustavo Moreira Capela, também disse que não teve participação na organização ou na manifestação.
12.06.2013

Setenta PMs estão encurralados na Assembleia Legislativa do Rio, 20 deles feridos. Vândalos continuam em ação. PM não atua




Por Reinaldo Azevedo
Do tom politicamente correto, com sotaque universitário da Globo News (é a maior concentração de especialistas de terceiro grau do mundo mundial!), à peroração demagógico-bagaceira de Marcelo Rezende, na Record, passando por Datena, na Band, tinha-se a impressão, já afirmei aqui, de que se assistia à Queda da Bastilha.

As TVs, cada uma dentro do seu estilo, abandonaram qualquer compromisso com a objetividade.

A cobertura virou uma salada russa.

Na madrugada, tentarei caracterizar cada um dos componentes da mistureba.

Vocês vão entender, por exemplo, por que o Movimento Passe Livre está irritadinho: acha que a pauta está sendo desvirtuada.

Fica para depois.


Globo, GloboNews, Record, Band, a maioria dos sites noticiosos e portais…

Em uníssono, declararam a ilegitimidade das polícias para realizar qualquer tipo de intervenção.

Assim, consagra-se o sacrossanto direito à manifestação, pouco importa o local.

Aí, convenham, aumenta a possibilidade de que não haja confronto.

A se repetir o padrão de hoje em algumas cidades, fica consagrado o “direito” dos manifestantes de parar a cidade quando lhes der na telha.

Mas pergunto: eles têm mesmo esse direito?

E amanhã?

E depois de amanhã?


No Rio, a visão edulcorada, encantada, deslumbrada — CRETINA MESMO — da realidade começou a ceder espaço à verdade quando um grupo de mais ou menos 300 pessoas começou a atacar a Assembleia Legislativa, a promover quebra-quebra, a agredir policiais.

Pior: enquanto essa turma partia para o tudo ou nada, uma massa compacta, de milhares, atuava como uma espécie de cordão de isolamento.


Só aí o tom das TVs começou a mudar: “Ah, não, assim não!”. Ora, mas não é isso o que se fez em São Paulo em quatro manifestações?

Pois é.

Há 70 policias dentro da Assembleia, impedidos de sair.

Pelo menos 20 deles estão feridos.

Na rua, uma fogueira é alimentada, acabo de ver, com móveis e cadeiras de escritório. Não sei de onde foram retirados.


E agora?

Sei lá eu!

Acho que é o caso de convocar uma junta de jornalistas e professores universitários.

Já que a Polícia Militar nunca sabe o que faz, segundo esses valentes, eles próprios devem saber, certo?



17/06/2013

Popularidade de Dilma desaba dentro do PT






Ontem à noite, no twitter, a hashtag #apoioDilma "não subiu". Morreu na praia. Normalmente, o PT colocaria as suas milícias virtuais a apoiar o movimento na internet. Não o fez. Grande parte do PT não quer mais Dilma. Quer Lula de volta.

Leiam, abaixo, matéria do Valor Econômico.

Lula e Dilma em evento pelos 10 anos do PT em Curitiba na semana passada: fomentadores de desavença vão do movimento sindical ao meio empresarial Um encontro recente reuniu sindicalistas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Reclamavam do estilo da presidente Dilma Rousseff. Um deles sugeriu o retorno de Lula, que lhe respondeu com um palavrão. Foi quando Paulo Okamotto, braço-direito do petista, entrou na sala. Lula lhe disse: "Esses f... d... p... estão querendo que eu volte". Okamotto respondeu: "Não seria uma má ideia, presidente". Lula, então, revidou com outro palavrão: "Ah, vá.... você também".

A postura de cada um nesse episódio é um bom retrato de como anda o ambiente no PT sobre o movimento "Volta Lula". Há petistas que sonham; sindicalistas que pressionam; e o próprio, que diz que não quer. A dúvida é se sua rejeição suportaria o risco de entregar o projeto de poder petista a outro grupo político antecipadamente, se essa ameaça for mais latente em meados de 2014. Como essa resposta hoje inexiste, a especulação permanece e aumenta, alimentada por incertezas na economia e queixas na base aliada, PT inclusive.

Para falar sobre o assunto com petistas é preciso primeiro romper uma barreira similar à existente quando abordados sobre o mensalão. A diferença é que, neste caso, eles querem falar. A partir daí, há dois grupos. Os que querem evitar que o assunto vá adiante, por receio de contaminar o partido, depois a base aliada, virar movimento político e tornar a ideia irreversível. E os que querem que ocorra exatamente tudo isso aí.

Esses compõem a maioria dos que o Valor conversou nas últimas duas semanas e têm ou já tiveram postos de destaque. Declaram coisas do tipo: "com Dilma não dá mais", "é um governo muito só", "de pouco diálogo", "ela não tem vínculo com ninguém no PT", "ela só se sustenta na sua popularidade", "tem muita gente insatisfeita com o método e com o conteúdo", "que acha que o modelo econômico adotado passou a concentrar renda, pois retira da sociedade e concentra em poucos setores da economia" e "o que dá segurança a ela é o PT e Lula".

Apontam que a solidão de Dilma no PT é bem medida pela condição em que se encontram os homens-forte de sua campanha. Dois estão longe dela. José Eduardo Dutra exerce um cargo apagado na Petrobras e Antonio Palocci continua a ser o elo do mercado com Lula, a quem entrega os relatos constantes de insatisfação do setor produtivo e financeiro com o governo Dilma -quando o próprio Lula não ouve essas críticas diretamente. O que sobrou, José Eduardo Cardozo, é um ministro da Justiça que desempenha mais funções burocráticas do que políticas.

Os relatos, porém, dão conta de que não se trata de um movimento interno organizado ligado a alguma corrente ou a algum Estado, embora revelem que ele seja mais perceptível no meio sindical, em especial na Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ou ainda em movimentos sociais, como a União Nacional por Moradia Popular e o Movimento Sem Terra. Todos que aderem a esta tese só aguardam uma faísca, um sinal, ou uma declaração pública de alguém que a defenda para que ela se espalhe e ganhe força.

Há a sensação ainda de que esse debate reservado tem reflexos nas discussões das eleições internas da legenda em novembro ou na montagem dos palanques estaduais. Por exemplo, em São Paulo, Dilma tem preferência pela candidatura de seu ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Os lulistas preferem Alexandre Padilha, da Saúde.

Na Bahia, o Palácio do Planalto patrocina as conversas para ceder a vaga ao vice, Otto Alencar (PSD). O próprio Lula apostava no ex-presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli. Na disputa pelo diretório petista de Minas houve um racha. Os ex-ministros de Lula Luiz Dulci e Patrus Ananias apoiam Gleide Andrade, secretária estadual de finanças do PT-MG. Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, apoia o deputado federal Odair Cunha, vice-líder do governo no Congresso.Por outro lado, os petistas que tentam conter o falatório em geral exercem ou já exerceram cargos de direção no partido e se preocupam com os efeitos negativos que dele podem decorrer.

"Uma coisa é muita gente achar que a Dilma tem que aprender com o Lula, outra é que trocar uma presidente bem avaliada por outro, é suicídio", "passaria a mensagem que ela não deu certo", "eles (Lula e Dilma) já decidiram isso", "não podemos permitir surgir qualquer fato que ajude a oposição", "é atirar para dentro do quartel" e "tem que ter cuidado para essas conversas de corredor não virarem clima político".

Esse grupo parte do princípio de que Lula já enterrou esse assunto e que retomá-lo, mais do que prejudicial, é contraproducente e sem resultado prático. Garantem que as eleições internas passarão longe deste tema e estarão muito mais centradas em discutir a relação do PT com o governo do que em substituir a presidente da condição de candidata à reeleição. "Será o momento e o espaço de expressar, de discutir a relação do partido com o governo. Hoje o diálogo está muito ruim, o partido não consegue expressar o conjunto de sua diversidade", disse um petista que acompanha de perto o chamado Processo de Eleições Diretas (PED).

 17 Jun 2013 

A tarifa da ignorância





O terrorismo — defendido abertamente por Marx — não é o lado lamentável de uma "manifestação" pacífica, como a grande mídia quer fazer crer.

Ele é a essência e a razão de ser do ato, legitimado pela presença numerosa de desavisados (os "idiotas úteis", diria Lenin) mais ou menos pacíficos.


Por Felipe Moura Brasil
Artigos - Movimento Revolucionário

Mídia sem Máscaras


Quem não se admite ignorante precisa depois se admitir idiota.

Quem não se admite idiota precisa depois se admitir manipulado.

Quem não se admite manipulado precisa depois se admitir cúmplice de crime.

Quem não se admite cúmplice de crime precisa depois se admitir delinquente.

Quem não se admite delinquente precisa depois se admitir bandido...

E assim por diante, na escalada possível do ativismo juvenil.

O tamanho do esforço psicológico necessário para a própria salvação vai aumentando de acordo com o nível de estupidez e presunção alcançado.

Os comunistas são grandes mestres em transformar qualquer ignorante em bandido a seu serviço, principalmente depois que Herbert Marcuse percebeu que o proletariado industrial — a massa de manobra original de Karl Marx — já estava "corrompido" pelas benesses do capitalismo e que a nova classe revolucionária poderia ser formada por todos que tivessem qualquer tipo de frustração psicológica: intelectuais, estudantes, mulheres, gays, crianças, prostitutas, drogados, estupradores, assassinos etc.

Bastava organizá-los para destruir o "sistema".


No Brasil, como a estratégia de Antonio Gramsci de infiltrar militantes nos sistemas de ensino e comunicação foi altamente bem-sucedida nas últimas quatro décadas, milhões de jovens estudantes já foram reduzidos ao estado de boçalidade necessário para atender prontamente à primeira voz de comando, por mais que ela venha dos cantores de churrascaria da UNE, do Movimento Passe Livre, da Juventude do PT, do PSOL, do PSTU ou do PCO.


Revoltados contra tudo que não presta, eles não perdem a chance de reforçar tudo que não presta.

Como dizia o filósofo Olavo de Carvalho: "É natural que um povo que se sente ludibriado sem saber por quem tenha um fundo e dolorido anseio de moralidade.

Com um pouco de esperteza, esse anseio pode ser pervertido em desconfiança, a desconfiança em ódio, o ódio em instrumento de destruição sistemática de lideranças indesejáveis."


A horda de jovens que aderem real ou virtualmente às "manifestações" organizadas pelos partidos comunistas brasileiros, sob o pretexto de combater o aumento do preço da tarifa de ônibus, imagina-se lutando em favor dos pobres, quando está apenas sendo usada por manipuladores profissionais e propagandistas partidários em busca do mesmo poder político que, onde quer que tenha sido alcançado por seus similares, só fez piorar a vida dos pobres.


O terrorismo — defendido abertamente por Marx — não é o lado lamentável de uma "manifestação" pacífica, como a grande mídia quer fazer crer.

Ele é a essência e a razão de ser do ato, legitimado pela presença numerosa de desavisados (os "idiotas úteis", diria Lenin) mais ou menos pacíficos.


Acatar suas reivindicações, ou mesmo dialogar com seus líderes a respeito, como faz o prefeito Fernando Haddad, é ensinar à população que o terror compensa — o que é muito mais grave do que o aumento de 20 centavos na tarifa de um serviço pelo qual a população vai pagar de qualquer jeito, seja como 'consumidora', seja como 'contribuinte', sendo que, neste caso, sem saber quanto está pagando e muito mais sujeita ao esquema de compadrio empresarial e falta de transparência do Estado no trato das verbas públicas.


Os jovens da horda, no entanto, meninos mimados acostumados à ideia de ter todos os direitos (inclusive o de exigir todos os direitos para si ou para os outros) e nenhuma obrigação, não querem saber disso, é claro, nem da inflação de alimentos que vem afetando o bolso dos pobres muito mais do que qualquer outra coisa.

Aprenderam desde cedo a colaborar cegamente com o crime e não vai ser agora que vão se informar antes, para não fazê-lo.


Se nunca estudaram a obra de Marx, Lenin, Marcuse, Gramsci e demais intelectuais comunistas que inventaram o Brasil de hoje — do qual Lula ainda é o maior líder —, que dirá a crítica de seus legados, incluindo como chegamos ao estado de calamidade e abuso geral, contra o qual imaginam se revoltar dessa maneira estupidamente alienada.

Naturalmente, pouco lhes importa ainda se, passada a semana inicial de terrorismo, o PT e o PCdoB, para evitar danos à imagem de Haddad, tenham decidido assumir o comando do movimento e mudar sutilmente o sentido dos "protestos", cujos alvos passam a ser a Polícia Militar e o governador Geraldo Alckmin, a verdadeira liderança indesejável que se quer odiosamente destruir.


Os jovens ativistas amam tanto os "oprimidos" quanto odeiam todo tipo de conhecimento necessário para ajudá-los. E preferem ser (cúmplices de) bandidos a reconhecer — antes tarde do que nunca — a própria ignorância.


É por isso que eu digo:

O perfeito idiota brasileiro é aquele que quer remediar um problema que ele não sabe qual é, com um remédio que ele não sabe para que serve, receitado por um médico que ele não tem a menor ideia de quem seja; e ainda está convicto e orgulhoso de fazer a sua parte para salvar o país.


Parabéns, seus manés.

O país agradece.
               15 Junho 2013

sábado, 15 de junho de 2013

Dilma leva três sonora vaias no Mané Garrincha, na abertura da Copa das Confederações





Por Reinaldo Azevedo

Joseph Blatter, presidente da Fifa, discursou na abertura da Copa das Confederações, no estádio Mané Garricha, em Brasília. O jogo de estreia é Brasil contra o Japão. Estava ao lado de Dilma Rousseff. Tão logo citou o nome da presidente, explodiu uma sonora vaia no estádio.




As autoridades brasileiras, definitivamente, se arriscam em situações assim. Lula, que é Lula — transformado no demiurgo nacional —, foi vaiado em pleno Maracanã, na abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007.

Os petistas podem tentar citar Nelson Rodrigues — “Brasileiro vaia até minuto de silêncio” — ou podem achar que está em curso algum desconforto com o governo. E olhem que o jogo se dá em Brasília, não é?, que tem a renda per capita mais alta do país.

A vaia quer dizer alguma coisa e aponta para 2014? Não dá para saber. As pesquisas indicam que a popularidade da presidente é alta, mas está em queda. Lula, como lembrei, foi vaiado em 2007 e, como se sabe, elegeu sua sucessora. Vamos ver.

Ah, sim: Neymar abriu o placar aos três minutos do primeiro tempo.


15/06/2013

Uso da força em protestos não é ilegítimo nem autoritário



É provável que investigação da PM traga à tona erros cometidos na operação montada para conter protestos em São Paulo

Mas exageros e erros não devem colocar em xeque o direito e o dever policial de zelar pela ordem
Veja.com

  


Conflito entre manifestantes e policia durante protesto contra o aumento das passagens em São Paulo - Eduardo Biermann

Na manhã desta sexta-feira, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, autorizou o início de uma investigação para averiguar se houve excessos da PM durante a última passeata do Movimento Passe Livre na capital do estado.

É provável que a investigação da Corregedoria da PM traga à tona erros cometidos na operação para conter e dispersar os manifestantes. Na internet espalham-se imagens de pessoas que alegam ter sido agredidas de maneira arbitrária. Notoriamente, há déficits no treinamento dos policiais brasileiros.

Uma análise perfunctória dos confrontos de quinta-feira mostra que não foram seguidas à risca diversas recomendações do Código de Conduta para Agentes de Segurança Pública das Nações Unidas, uma espécie de código internacional para ações policiais durante manifestações públicas. Isso não significa, no entanto, que tenha sido ilegítima a ação da PM na marcha de São Paulo.

É uma questão de princípios. “No Estado de Direito, a Polícia tem autorização para usar a força a fim de garantir a ordem e a segurança”, diz Maria Stela Grossi Porto, socióloga e membro do Núcleo de Estudos sobre Violência e Segurança da Universidade de Brasília. "Mais ainda, o uso da força é monopólio dela."

A tentativa de fazer da ação da PM um exemplo de autoritarismo comparável à repressão dos tempos de regime militar no Brasil, ou à ação das polícias de regimes ditatoriais, é um evidente absurdo, uma vez que o país não vive um regime de exceção.

Mais razoáveis seriam comparações com embates ocorridos nos Estados Unidos e na Europa - ou seja, em nações democráticas - em anos recentes. Londres, Madri, Nova York, Toronto são apenas algumas das metrópoles que foram palco de choques entre a polícia e ativistas inspirados por ideais não muito diferentes daqueles abraçados por quem protesta em São Paulo - a rejeição ao "sistema", em algum de seus aspectos particulares ou de maneira genérica.

Em novembro de 2011, por exemplo, durante a desmonte dos acampamentos de manifestantes do Ocupe Wall Street, em Nova York, ao menos 300 pessoas foram presas.

Houve uma larga discussão sobre "uso abusivo da força" e dois oficiais se tornaram emblemas desse hipotético excesso, pelo uso indiscriminado de spray de pimenta.

Eles foram submetidos a sindicâncias e punições, mas nenhum deles sofrera uma ação criminal, como foi decidido em meados de abril deste ano. Em reportagem sobre o caso, o jornal The New York Times ouviu um especialista em direito penal que ressaltou a dificuldade em se processar policiais envolvidos em situações "caóticas" como a de uma manifestação de rua.

"Seria preciso provar, para além de qualquer dúvida razoável, que o polícial usou a força em total desacordo com as suas atribuições", disse o ex-promotor Thomas J. Curran. "Ocorre que o uso da força é parte das suas atribuições." Quando posta em movimento, nenhuma polícia é angelical.

Uso da força — “É muito tênue o limite do que é legítimo e do que não é em situações de multidão", diz Maria Stela Grossi Porto. "Os casos precisam ser sempre analisados individualmente.” Os possíveis exageros e erros da quinta-feira não devem, portanto, colocar em xeque o direito e o dever policial de zelar pela ordem durante uma passeata.

A sua presença é a única maneira de garantir a segurança dos transeuntes, do patrimônio público e, em certas circunstâncias, até mesmo dos manifestantes — uma vez que as marchas costumam reunir um público heterogêneo, como sem dúvida foi o caso nos últimos dias em São Paulo.

Isso não está em contradição com a necessidade - também ela permanente - de aprimorar e "civilizar" as forças policiais.

Num ato de rua, ditam os protocolos, a polícia deve seguir três passos: esclarecimento, contenção e repressão. Num primeiro momento, há que se coletar informações sobre o movimento e negociar locais e itinerários com os manifestantes.

Isso foi feito na quinta-feira em São Paulo, e um dos motivos da situação ter fugido ao controle foi a tentativa de alguns líderes da passeata de mudar o trajeto combinado e furar ou contornar o bloqueio policial.

A fase de contenção é preparada para quando a manifestação pode evoluir a um tumulto. Nessa situação, a tropa de choque se posiciona de maneira ostensiva para tentar dissuadir os manifestantes. Entre esse momento e os primeiros atos de repressão, uma série de medidas dussuasórias deve ser empregada.

Segundo José Inácio Cano, do Laboratório de Análise de Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), reclamações sobre o uso abusivo da força policial durante manifestações são comuns no mundo todo.

“É importante que fique claro apenas uma questão: a primeira abordagem policial tem de ser sempre pacífica, a tentativa de ganhar os manifestantes pela conversa, pela negociação.”

Um histórico de manifestações anteriores não deve justificar ações açodadas. “A polícia não pode dar início a uma ação repressiva com base em algo anterior.

Assim como tem o direito de usar a força, o policial é profissional e deve ser treinado para não agir no impulso.”

(des)preparo — “O policial precisa ser melhor treinado, precisa de educação continuada e de socialização. Infelizmente, isso ainda não atinge aquele policial que está na linha de frente”, diz Maria Stela. Uma medida relativamente simples de aprimoramento, testada em outros países e ainda de maneira incipiente no Brasil, é a criação de relatórios diários.

Em linhas gerais, isso significa que o policial, após um dia de trabalho, deve relatar por escrito o que aconteceu e como atuou em cada ocorrência.

“Esse é um caminho eficiente, usado em países estrangeiros, para que o policial reflita sobre seus atos e tenha um retorno sobre se agiu, ou não, corretamente.”



Recomendações da Anistia Internacional

Facilite manifestações públicas pacíficas
É direito legítimo das pessoas se manifestarem publicamente. A função da polícia é facilitar e não coibir a marcha. Em casos de manifestações não violentas, mesmo aquelas que não respeitem às leis, a polícia deve evitar o uso da força. Se inevitável para assegurar a segurança, deve-se usar o mínimo de força necessária.

Proteja manifestações pacíficas
Violações menores da lei, como pequenos danos à propriedade, devem ser investigadas e, eventualmente, responsabilizadas. Elas não devem, entretanto, levar à dispersão da manifestação. A decisão de se dispersar a marcha deve ser tomada com base em princípios de necessidade e proporcionalidade — apenas quando não há outra maneira de se proteger o público de uma onda de violência eminente. Em locais onde minorias tentam transformar uma manifestação pacífica em violenta, os policiais devem proteger os manifestantes pacíficos.

Reduza situações de tensão e violência
A comunicação com a organização do movimento deve criar um vínculo de compreensão mútua e prevenir a violência. Em locais nos quais casos de violência são muito prováveis, a comunicação se torna ainda mais importante. Quando a decisão de dispersar a multidão é tomada, essa ordem deve ser claramente comunicada e deve-se dar tempo suficiente para as pessoas se dispersarem.

Use a força policial apenas para manter a lei
A força não deve ser usada para punir participantes que não cumpriram ordens ou contra aqueles que simplesmente participam da manifestação. Prisões devem ser feitas de acordo com os procedimentos previstos em lei, e não devem ser usadas como mecanismo para evitar a participação na marcha ou como punição.

Minimize os danos, preserve e respeite a vida e proteja aqueles não envolvidos
Armas de fogo não devem ser usadas para dispersar uma multidão. Cassetetes e armas de baixo impacto não devem ser usadas contra pessoas que não são agressivas ou que não apresentam ameaça. Quando o uso dessas armas for necessário, os policiais não devem causar sérios ferimentos e evitar lesionar partes vitais do corpo. Produtos químicos irritantes, como gás lacrimogênio, não devem ser usados em ambientes fechados ou de uma maneira que possa causar danos permanentes.

Seja responsável com a população e o judiciário
Qualquer uso de força durante uma manifestação deve ser motivo de análise e, quando apropriado, de sanções disciplinares e criminais. Reclamações contra a polícia devem ser investigadas de maneira imparcial.