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terça-feira, 5 de março de 2013

Charge



segunda-feira, 4 de março de 2013

LULA E O MENSALÃO: Bastos lhe disse que denúncias de Valério não prosperam


 O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece que não está nem aí para a denúncia do publicitário Marcos Valério de que era ele o chefe do mensalão

Felipe Patury 
ÉPOCA


Em particular, conversou com o criminalista Márcio Thomaz Bastos sobre o caso, em apuração pelo Ministério Público.

Na avaliação de Bastos, o pior cenário para Lula é uma eventual convocação para depoimento.

A dor de cabeça para por aí.

Bastos está convencido que não há base para a investigação seguir.

  4 de March de 2013

Falando como pré-candidato, Aécio diz que vai “refrescar a memória sobre a bendita herança do governo Fernando Henrique”




Por Reinaldo Azevedo
VEJA.com

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi recebido nesta segunda-feira em Goiânia como candidato tucano à Presidência da República em 2014.

Ao chegar ao evento organizado pelo governador Marconi Perillo (PSDB-GO), o mineiro ouviu gritos de “Aécio Presidente” e acabou aderindo ao clima de campanha. Questionado se o seu nome já está na disputa, respondeu: “(Está) Na boca do povo”.

Em rápida entrevista, Aécio voltou a criticar a gestão federal: “O governo levou à bancarrota patrimônios públicos como a Petrobras”, disse. “A Petrobras é uma demonstração clara do desgoverno e da perversidade nas empresas públicas”, enfatizou.

Ele disse que o PSDB vai discutir nas próximas semanas os equívocos na estatal e afirmou ainda que o país assiste “passivamente ao desmonte da indústria e vê gargalos na infraestrutura”.

“O governo tirou os olhos de 2013 e focou em 2014″, disse. O senador ainda criticou as políticas sociais do governo Dilma. “Governo que acha que pode acabar com a pobreza por decreto merece ser enfrentado e combatido.”

Indagado se sua campanha era sem volta, Aécio limitou-se a dizer: “Será”. Em seguida, afirmou que pertence a um grupo e a um partido que irão “refrescar a memória sobre a bendita herança do governo Fernando Henrique” e mostrar ao país gestões de sucesso nos estados administrados pelos tucanos.

A escalada de críticas do senador mineiro à gestão petista é parte de sua estratégia para tentar se consolidar como adversário de Dilma em 2014. No mês passado, ele usou a tribuna para discursar em contraponto à festa preparada pelo PT para comemorar dez anos no poder. “Não é mais a presidente quem governa. Hoje, quem governa o Brasil é a lógica da reeleição”, disse na ocasião.

O “Fórum Discutindo o Futuro de Goiás e do Brasil”, organizado pelo diretório do partido no estado, é também uma tentativa de Perillo recuperar espaço no PSDB depois de ter seu nome envolvido nas investigações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que apurou esquema de jogos ilegais comandado por Carlinhos Cachoeira.
04/03/2013


sábado, 2 de março de 2013

O petista que explora, na internet, a indústria da difamação


Reportagem de VEJA mostra como André Guimarães, que difundiu falso dossiê sobre Yoani Sánchez, tenta vender tecnologia da RedePT13 a prefeituras do partido

Revista Veja
Hugo Marques
DINHEIRO PÚBLICO - André Guimarães (à dir.) trabalha no gabinete do deputado André Vargas, vice-presidente da Câmara
(Juliana Knobel/Frames/Estadão Conteúdo)

São muitas as histórias de anônimos que alcançaram a fama por meio da internet.

O petista André Guimarães tem planos ambiciosos nessa direção. Criador da RedePT13, uma organização virtual formada por perfis falsos e blogs apócrifos usados para atacar aqueles que são considerados inimigos do partido, ele já é uma celebridade entre seus pares.

Se é preciso espalhar uma mentira para difamar alguém, Guimarães é acionado.

Se for apenas para ridicularizar um oponente, o rapaz conhece todos os caminhos sujos.

Na visita da blogueira Yoani Sánchez, ele trabalhou como nunca. A rede postou montagens fotográficas, incentivou os protestos e difundiu um falso dossiê produzido contra ela pela embaixada cubana.

O problema é que o "ciberguerrilheiro" petista sustenta sua atividade criminosa com dinheiro público, dinheiro do contribuinte.

André Guimarães é funcionário do Congresso.

Está lotado e recebe salário no gabinete do deputado André Vargas, o atual vice-presidente da Câmara e secretário nacional de comunicação do PT.

Mas, como dito, o rapaz é ambicioso.



sexta-feira, 1 de março de 2013

Barbosa prevê prisões do mensalão até julho e chama sistema penal de 'frouxo'


Advogados dos condenados dizem que ministro tem 'ânsia por celeridade' e faz 'futurologia'


FELIPE RECONDO, MARIÂNGELA GALLUCCI
O Estado de S.Paulo


BRASÍLIA - Presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa disse na quinta-feira, 28, que as penas dos 25 condenados no julgamento do mensalão devem começar a ser cumpridas até 1.º julho deste ano. Ele afirmou, porém, que por causa de um sistema penal "frouxo" boa parte dos condenados deverá ficar na cadeia pouco mais que dois anos.


Nelson Jr./STF/Divulgação
Para Barbosa, falhas do sistema penal vão reduzir substancialmente as penas dos condenados

"Eu espero que até julho (sejam expedidos os mandados de prisão)", disse o ministro em entrevista a correspondentes internacionais. "Mas a minha expectativa é que tudo se encerre antes de 1.º de julho, antes das férias."

Treze dos condenados têm penas superiores a oito anos, o que os levará ao regime fechado de prisão. O restante cumprirá penas diferenciadas, como o regime semiaberto, no qual o condenado apenas dorme na cadeia.

Barbosa afirmou que espera encerrar o julgamento de todos os recursos dos advogados contra a condenação até essa data. Depois, os mandados de prisão poderão ser expedidos. "Os votos de alguns ministros ainda não foram liberados e eles ainda têm um prazo para fazer isso. Assim que todos apresentarem os seus votos, eu vou determinar a publicação, e aí começa a correr o prazo de recursos dos réus", disse. O calendário só não será cumprido, segundo ele, se houver "chicana" dos advogados.

Barbosa criticou as penas impostas pelo tribunal no julgamento do mensalão e afirmou que há um problema sistêmico na Justiça criminal. "Nosso sistema penal é muito frouxo. É um sistema totalmente pró-réu, pró-criminalidade", disse.

"Essas sentenças que o Supremo proferiu aí, de dez anos, 12 anos, no final se converterão em dois anos, dois anos e pouco de prisão, porque há vários mecanismos para ir reduzindo a pena", disse. "E, por outro lado, esse sistema frouxo tem vários mecanismos de contagem de prazo para prescrição que são uma vergonha. São quase um faz de conta. Tornam o sistema penal num verdadeiro faz de conta."

Barbosa chamou o sistema prisional de "caótico". "Isso, no Brasil, infelizmente, é utilizado para afrouxar ainda mais o sistema penal. O que eu acho um absurdo", disse o presidente do STF. "Os governantes brasileiros não dão importância a esse fenômeno que é esse sistema prisional caótico."

Apontado pelo Supremo como figura central no esquema de pagamento de parlamentares em troca de apoio político ao governo Luiz Inácio Lula da Silva entre os anos de 2003 e 2005, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi condenado a dez anos e dez meses de reclusão. Já o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como o operador do mensalão, foi condenado a mais de 40 anos.

O julgamento da ação penal do mensalão terminou em 17 dezembro do ano passado, após mais de 4 meses de sessões e embates entre o relator, ministro Joaquim Barbosa, e o revisor, ministro Ricardo Lewandowski. Mas o acórdão do julgamento ainda não foi publicado, pois depende da liberação de todos os votos e das notas taquigráficas, que estão sendo revisadas pelos ministros. Depois de publicada a decisão, os advogados de defesa terão prazo para recorrer.

Barbosa já antecipou o entendimento de que não serão novamente julgados os casos em que houve quatro votos pela absolvição. Advogados de defesa tentarão refazer o julgamento desses réus por meio de embargos infringentes. Um dos possíveis beneficiários seria Dirceu, condenado pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha.

Reações. O advogado José Luís Oliveira Lima, que defende Dirceu, não comentou as declarações do presidente do STF.

O criminalista Marcelo Leonardo, que defende Marcos Valério, criticou a "futurologia" de Barbosa. "Enquanto o acórdão não for publicado, qualquer previsão não tem sustentação. Se não se souber quais os recursos interpostos e sua fundamentação, não se deve fazer futurologia na Justiça."

01 de março de 2013

Mantega está mais otimista do que os dados permitem


Após anunciar o ‘pibinho’ de 0,9% no ano passado, ministro da Fazenda afirma que economia brasileira está em aceleração com a melhora do cenário externo; o PIB pode crescer até 4% este ano, segundo ele

Ano de crise não conta: o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os governos de Lula e Dilma elevaram o patamar de crescimento médio da economia brasileira. "Criamos condições para crescer acima de 4%"

(Ueslei Marcelino/Reuters)

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente Dilma Rousseff encontraram-se na noite de quinta-feira para debater o fraco desempenho da economia brasileira no ano passado. Apesar de os dados oficias terem sido liberados apenas na manhã desta sexta-feira, Mantega afirmou que o resultado já não era novidade para ninguém – inclusive para a presidente, que cobrou da equipe econômica do governo um desempenho melhor a partir deste ano. O ‘pibinho’ de 0,9% confirmado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, segundo o ministro, é culpa do cenário externo. “O desempenho da economia, em momentos de crise, é fraco”, reforçou. “A crise toda foi produzida lá fora e a resposta do Brasil foi boa.”

O ministro tentou ficar imune às críticas pelo pífio desempenho da economia nos dois primeiro anos do atual governo. O biênio inicial de Dilma Rousseff só é melhor que o mesmo período de Fernando Collor de Mello, quando a economia brasileira estava em recessão. Para se defender, Mantega afirma que não é correto fazer comparação com o passado, principalmente porque desde 2003 os governos Lula e Dilma elevaram o patamar de crescimento médio da economia brasileira. “Criamos condições para que o crescimento volte ao patamar de 4%”, reforçou.

Bons ventos - Mantega demonstrou otimismo – em alguns momentos exagerado – com a situação atual da economia brasileira. Para ele, os dados preliminares do primeiro trimestre mostram um nível de atividade em recuperação, repetindo o desempenho do quarto trimestre.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,62% do terceiro para o quarto trimestre de 2012. O ministro espremeu os dados e reforçou que as vendas no varejo continuam em alta.

O consumo foi o modelo de crescimento escolhido pelo governo para empurrar a expansão da economia brasileira nos últimos anos, mas a estratégia parece mostrar sinais de esgotamento. No segundo semestre do ano passado, houve uma perda constante no indicador, que aproximou-se de expansão de 0,5% em dezembro.

Mesmo assim, fechou em 8,4% no ano, segundo o IBGE. Mas, como no início do ano passado, quando previu um crescimento robusto, o tal “pibão” que a presidente Dilma tanto cobra, Mantega repetiu o discurso agora. “O crescimento para este ano ficará entre 3 e 4%”, afirmou.


Para o consumidor, porém, a situação é oposta. O Índice de Confiança do Consumidor, da FGV, caiu pelo quinto mês consecutivo em fevereiro. Analistas do mercado financeiro e economistas também estão reticentes. A expectativa é de que o Copom promova uma alta na taxa Selic na reunião de abril. O juro básico da economia brasileira está em 7,25% ao ano.

Além disso, a inflação é uma incógnita. Pressionada pelos preços, acumula 6,15% em 12 meses e tem dado sinais de resistência à queda. Alguns analistas aceditam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medidor oficial de inflação, fechará 2013 em 6,2%.

Na última pesquisa Focus, a projeção do IPCA para este ano caiu para 5,7%.



Investimentos - A grande aposta de Mantega é na recuperação das taxas de investimento, que apresentaram forte queda no ano passado. Um primeiro sinal de recuperação, segundo ele, é o desempenho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no primeiro bimestre.

Nesta semana, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, disse em Nova York que os desembolsos superaram a expectativa nos dois primeiros meses do ano. “Estamos criando mecanismos para os bancos privados participarem junto com os bancos públicos do aumento do crédito para investimentos no país”, garantiu Mantega.


Para conseguir elevar novamente a Formação Bruta de Capital Fixo, que no ano passado recuou 4% com a queda na produção interna de máquinas e equipamentos, Mantega formou uma blitze para atrair investimentos privados para o setor de infraestrutura.

Nos últimos dias, o ministro e uma comitiva oficial participaram de viagens para a Europa e os Estados Unidos para atrair o capital estrangeiro para a concessão de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. “Estamos oferecendo uma demanda garantida para o investimento no Brasil, com uma série de regras favoráveis”, afirmou Mantega.

“As taxas são elevadas e vamos atrair primeiro os investidores brasileiros e depois os internacionais.” No entanto, o site de VEJA apurou que o governo modificou a comunicação das taxas de retorno para os investimentos em infraestrutura sem alterar o retorno.



Com Dilma, PIB tem segundo pior resultado dos últimos 60 anos
Desde os dois primeiros anos do segundo governo Vargas, em 1951, o único presidente que levou o PIB a patamares mais baixos do que Dilma foi Fernando Collor.

Obs. Os números são de crescimento do PIB e se referem à soma das porcentagens de crescimento dos dois primeiros anos de cada governo.


Fonte: Ipeadata Elaboração e projeção: MB Associados


Brasil cresce só 0,9% em 2012 – pior marca desde 2009





Dados do IBGE divulgados nesta manhã de sexta-feira mostram que economia brasileira cresceu ainda menos do que o esperado pelo governo e pelo mercado

Fábrica de computadores da Positivo
em Curitiba
(Marcelo Almeida/EXAME)


O mau resultado da economia brasileira em 2012 já era esperado por analistas de mercado e pelo próprio governo. Mas os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são ainda piores do que se previa. No ano passado, a economia brasileira registrou expansão de apenas 0,9% em relação a 2011 - o pior resultado desde 2009 quando, afetado pela crise internacional, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu 0,3%.
O governo esperava crescimento de pelo menos 1% da economia em 2012, ano em que a soma das riquezas produzidas pelo Brasil ficou em 4,4 trilhões de reais. O resultado veio abaixo também do previsto no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de sinalizador do PIB, que cresceu 1,35% em 2012.

O pibinho se confirmou em meio a sucessivos esforços do governo para estimular o consumo, como a redução do quadro de juros - com baixa recorde da Selic a 7,25% ao ano, desonerações em folhas de pagamento e redução de impostos.

Segundo o IBGE, houve aumento no consumo das famílias, de 3,1% ante 2011, e também crescimento do setor de serviços - 1,7% ante o ano anterior. Já a produção da indústria recuou 0,8% no ano e a agropecuária caiu ainda mais, 2,3%. O consumo do governo cresceu 3,2% em relação a 2011.

O PIB per capita alcançou 22.402 reais, mantendo-se praticamente estável (0,1%) em relação a 2011. Ainda segundo o IBGE, a taxa de investimento no ano de 2012 foi de 18,1% do PIB, inferior à taxa referente ao ano anterior (19,3%). A taxa de poupança foi de 14,8% em 2012 (ante 17,2% no ano anterior).

Quando o desempenho do quarto trimestre é comparado ao terceiro trimestre, a economia brasileira cresceu 0,6%. Em relação ao quarto trimestre de 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou crescimento de 1,4% no último trimestre de 2012.

Também na comparação entre o terceiro e o quarto trimestres do ano passado, o mercado se surpreendeu, uma vez que analistas esperavam, em média, um crescimento de 0,7% neste confronto.

Sem investimentos - Um fator importante que explica a desaceleração da economia no ano passado é a taxa de investimento em queda. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador do IBGE que mede o nível de investimentos na atividade, recuou 4% em 2012 ante 2011 - a primeira queda desde 2009, quando a taxa ficou negativa em 6,7%.

“A partir do momento em que há uma estimativa de crescimento menor para a economia e nenhum sinal evidente de avanço na competitividade, as empresas acabam pisando no freio para desenvolver projetos”, analisa Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Entre os fatores que espantaram a ânsia de investimentos dos empresários no ano passado estão as medidas intervencionistas do governo, o protecionismo, os altos custos salariais – apesar de importantes desonerações estarem em curso -, e a falta de infraestrutura.

O ‘Custo Brasil’ ainda não foi combatido e continua tirando a competitividade da indústria brasileira. “São muitos os fatores que justificam o fato de uma empresa pensar duas vezes antes de investir no Brasil”, diz Vale.

Indústria segue na berlinda – O setor industrial já teve anos melhores. A queda de 0,8% também a primeira desde 2009, quando o desempenho ficou negativo em 5,6%. O excesso de estoques remanescentes de 2011 também são responsáveis, segundo especialistas, pelo desempenho industrial ruim de 2012.

“Estimamos que a questão dos estoques deve ter roubado quase 1% do PIB de 2012”, afirma Bráulio Lima Borges, economista-chefe da área de macroeconomia da LCA.

“Além de o consumidor colocar o pé no freio, o empresário comprou menos máquinas e o resto do mundo consumiu menos produtos brasileiros”, explica.

Agroindústria em queda - A queda de 7,5% da produção da agroindústria no quarto trimestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2011 também chama a atenção. Nos últimos três meses de 2011 o indicador havia crescido 8,4%.

Em seu programa semanal de rádio em fevereiro, a presidente Dilma Rousseff já havia destacado que a produção brasileira de grãos esperada para este ano, de 185 milhões de toneladas, será a maior da história e disse que vai aumentar o crédito para a agricultura brasileira.

Perspectivas - Com o ano novo, as expectativas são renovadas – e, pela primeira vez no governo Dilma, o Palácio do Planalto prevê um crescimento relativamente em linha com o mercado – em torno de 3%. Devido ao desempenho ruim dos investimentos no ano passado, o governo começou a tentar estimular o setor de infraestrutura - que é um dos grandes motores do crescimento - apenas na segunda metade do ano, com a retomada das concessões, redução drástica do valor energia elétrica e desoneração de folha de pagamentos. A expectativa é que essas medidas tenham impacto positivo no PIB de 2013.

Contudo, nem se a economia crescer os 3% esperados, a presidente perderá o título de "autora" do segundo pior resultado econômico dos últimos 60 anos entre os governos brasileiros.

Dilma ocupa a posição com certa folga e terá de fazer mágica até 2014 - ano eleitoral - para conseguir reverter esse resultado.

A corrida já começou.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

PSB reage e ameaça deixar o governo



RUMO A 2014

Em resposta ao que considera "ingerência" do PT em assuntos internos e tentativa de acuar Eduardo Campos, partido avalia aprovar resolução pela saída do ministério de Dilma


Eduardo estaria incomodado com o "cerco" que Lula e Dilma estariam arquitetando
Cemílson Campos/JC Imagem

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB,) estuda reagir ao que considera ser um cerco do PT nacional ao seu projeto presidencial.

As provocações públicas dirigidas pelo ex-ministro Ciro Gomes (PSB), seu adversário dentro do partido, somadas às visitas que o ex-presidente Lula (PT) e presidente Dilma Rousseff (PT) farão ao Ceará, Estado governado por Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, estão sendo encaradas como uma tentativa aberta de intimidação para que Eduardo declare, desde já, se é candidato ou não em 2014.

Como resposta, não está descartada uma medida extrema por parte do PSB: a entrega imediata dos cargos que o partido possui nos ministérios.

Socialistas entendem que Lula quer tirar Eduardo da “zona de conforto” e forçá-lo a tomar uma posição antecipada, seja pelo apoio à reeleição de Dilma, seja pelo lançamento de sua candidatura à Presidência.
A movimentação silenciosa dos petistas para tirar o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB), da legenda também é encarada como mais um elemento dessa ofensiva contra o PSB.

Com o entendimento de que a campanha eleitoral foi deflagrada, Eduardo está de olho nas próximas movimentações do PT e pode induzir seu partido, do qual é presidente nacional, a aprovar uma resolução favorável ao desembarque do governo federal.

Caso o ministro Fernando Bezerra Coelho e o secretário nacional dos Portos, Leônidas Cristino, não sigam a possível orientação partidária, ambos só permaneceriam nos cargos como cota pessoal da presidente.

Leônidas foi indicado pelo PSB do Ceará, comandado pelos irmãos Gomes.

Nos bastidores, socialistas alegam “desconforto” com as atitudes das lideranças petistas, a quem atribuem a articulação para que Ciro abrisse sua “metralhadora” contra Eduardo.

No último fim de semana, o ex-ministro afirmou que o governador não possui “estrada” nem “visão de País” e defendeu que o partido apoie a reeleição de Dilma.

Ao mesmo tempo, disse que se a legenda tem alguma pretensão de lançar uma candidatura própria, deve deixar, desde já, a base de apoio ao governo federal.

Eduardo escalou figuras nacionais do PSB – como o líder da bancada socialista na Câmara Federal, Beto Albuquerque, e o vice-presidente do partido, Roberto Amaral – para rebater publicamente as declarações de Ciro e, de quebra, enviar recados aos petistas.

Blindado, sua intenção, porém, é deixar que o PT, sozinho, “estique a corda”. O governador não quer levar o crédito pelo futuro rompimento até para conseguir manter seu discurso de que não pretende antecipar o debate eleitoral.

Caso se confirme a saída do partido dos ministérios, Eduardo sustentará o argumento de que o PSB não ficou “confortável” com as investidas do PT e que sua legenda não “depende” de cargos.

Ao mesmo tempo, terá caminho livre para enfatizar seu já crítico discurso ao governo federal e pavimentar seu voo em direção a uma candidatura ao Palácio do Planalto.
28/02/2013


Ato do DEM lembra mensalão e acaba em tumulto na Câmara


Irritado, deputado do PT arrasta placa pela Câmara


Por Cristiane Jungblut
O Globo

Deputados se desentenderam na Câmara após colocação de placa sobre o mensalão em frente a painel que comemora os 10 anos de governo do PT
Ailton de Freitas / O Globo


BRASÍLIA - Cenas de xingamentos, empurra-empurra e confusão marcaram um ato realizado pelo DEM como contraponto aos atos do PT em comemoração aos dez anos do partido à frente do Palácio do Planalto. A confusão começou quando o líder do DEM na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO), mostrava uma placa gigante onde eram retratado o ano de 2005 e as reportagens sobre a existência do mensalão. Irritado com a placa, o deputado Amaury Teixeira (PT-BA) surpreendeu os poucos parlamentares da oposição que estavam no local e, literalmente, saiu puxando a placa pelo corredor da Câmara que liga o Plenário e as comissões.

Uma espécie de outdoor, a placa foi colocada estrategicamente em frente à mostra fotográfica que está ocorrendo na galeria da Câmara e que mostra a história cronológica do PT. Nela, o ano de 2005 foi esquecido. Por isso, o DEM colocou a placa em frente à mostra fotográfica que entre os anos de 2004 e 2006, de forma a "preencher" no painel petista o ano de 2005.

- Que coisa de moleque! Isso é falta de respeito! - gritava Amary, enquanto carregava a enorme placa.

- Mensaleiro! Mensaleiro! - responderam parlamentares do DEM e outros participantes do ato.

O deputado Onxy Lorenzoni (DEM_RS) chegou a brincar:

- Eles roubaram até a placa do mensalão.

Amaury foi seguido pela galeria afora, inclusive por deputados como Felipe Maia (DEM-RN). Cercado, o deputado foi socorrido pelo colega Edson Santos (PT-RJ), que passava pelo local. A placa foi levada por assessores por uma escada lateral, que dá acesso à liderança do PT na Câmara. O DEM disse que ela foi levada à liderança do PT na Câmara, mas os petistas negam.

Amaury ficou muito irritado com os ataques.

- Moleque, sou homem direito! Quem me chamou de mensaleiro? - dizia Amaury.

A placa tem foto de Lula, a estrela e diz que a palavra mensalão surgiu, pela primeira vez, em junho de 2005. Há ainda reproduções dos jornais da época.

Os ânimos continuaram exaltados no Plenário. O deputado Onyx Lorezonzi usava o microfone para tentar explicar o ato do DEM, quando levou um tapa no ombro do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP).

- Canalha! Canalha! - gritou Devanir.

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) interveio. O deputado Zca Dirceu (PT-PR) também chegou a se aproximar de Onyx.

Mais comedido, o líder do PT na Câmara, deputado José Guimarães (CE), foi à Tribuna lembrar que a exposição sobre os 33 anos do PT tinha autorização da Câmara para ser realizada.

O líder do DEM, Ronaldo Caiado, disse que a ideia era lembrar do ano de 2005, que fora esquecido na mostra sobre a história do PT.

- Estamos preenchendo aquele hiato que existe na história de 33 anos do PT - disse Caiado.

Curiosamente, o PT marcou, para o mesmo local, uma festa para o final da tarde com a presença do presidente do partido, Rui Falcão. Assessores da Casa correram para saber se a oposição voltaria, mas foram tranquilizados de que não.

28/02/13

Quem mandou fazer?




Por Pedro Luiz Rodrigues

Parece sarna, talvez uma praga, mas por mais que me esforce para diversificar os assuntos que abordo neste espaço, não consigo me livrar da Petrobras. É prejuízo, é produção que cai, é refinaria cujos preços decuplicam em dez anos, é essa opacidade que aflige qualquer brasileiro ou brasileira que não engole a versão de que a empresa é de todos nós. Por outro lado, vejam como é a vida, torço pelo sucesso da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, corajosa mineira de Caratinga, que tem se desdobrado para tentar corrigir o amontoado de trapalhadas que recebeu de herança em fevereiro do ano passado.

Ao mesmo tempo, fico preocupado com meu conterrâneo, o governador da Bahia, Jaques Wagner, que teve de acomodar o responsável por tanto desarranjo em sua secretaria. Mas o que se pode fazer, o Partido precisava tirar o ex-presidente da Petrobras do cenário nacional, enfiá-lo em algum canto mais discreto, não é mesmo? É o tal de espírito de solidariedade que tanto valoriza o Partido que completa este ano seu décimo aniversário no poder.

Mas agora, com a benção dos orixás, o Tribunal de Contas da União vai começar a examinar a maior das trapalhadas dos últimos anos. Não vai levantar toda a gestão de José Sérgio Gabrielli à frente da Petrobras, mas pelo menos vai jogar luz numa suspeitíssima operação, que fez evaporar, como num passe de mágica, quase um bilhão de dólares.

Simplesmente não há explicação razoável, correta, lógica, incluída no curso de doutoramento da Boston University, plausível, justificável, honesta, para se comprar, em 2006, uma titica de refinaria em Pasadena, no Texas, por um bilhão e cento e oitenta milhões de dólares (em reais, cerca de R$ 2.360.000.000,00) que um ano antes fora comprada por uma emprega belga por muitos zeros a menos (R$85.000.000,00). É dinheiro demais para poder se acreditar em qualquer desculpa esfarrapada para explicá-la ou justificá-la.

Consta que naquele ano a presidente do Conselho de Administração da Petrobras – e hoje a nossa Presidente da República, Dilma Rousseff – teria se oposto à proposta de aquisição da refinaria. E em 2006, lembremo-nos, a Presidente já era toda poderosa, no comando da Casa Civil da Presidência da República (no lugar do então ministro José Dirceu, que teve de largar o cargo por conta de seu envolvimento no esquema do ‘mensalão’. Quem apoiou então Gabrielli, para que ele fosse contra a decisão de Dilma e realizasse a suspeitíssima operação?

O procurador Marinus Marsico já fez a sua parte. Profissional, relata, sem avançar prejulgamento: “Comecei a estudar esse caso há um ano. Pedi informações detalhadas à Petrobras e analisei com o máximo cuidado. As informações só reforçaram a minha convicção de que [a compra da refinaria] foi um ato antieconômico, uma decisão que lesou o país e a empresa”. Na representação que enviou ao TCU, Marsico pede a responsabilização de todos os gestores da Petrobras. Caberá ao TCU a individualização das responsabilidades,

Vou ver se consigo sintonizar o programa de rádio que José Sérgio Gabrielli tem na Bahia, e que vai ao ar todas as quintas-feiras. Quero saber que explicações ele, que aspira a voos mais altos na política baiana, vai dar a nós, os sempre-palermas. Quem mandou fazer a operação que a própria Presidente Dilma foi contra? Essa é a grande pergunta que se deve fazer.

É preciso, também, se solicitar às justiças dos Estados Unidos e da Bélgica o rastreio da dinheirama paga a mais.

Não se preocupe, embaixador





Por Demétrio Magnoli
Estadão

* A Carlos Zamora Rodríguez, embaixador de Cuba no Brasil:


Circulam rumores de que a passagem da blogueira Yoani Sánchez pelo Brasil terá efeitos desastrosos para sua carreira diplomática.

Escrevo para acalmá-lo. À luz dos critérios políticos normais, qualquer um dos quatro motivos mencionados como causas possíveis de sua queda seria suficiente para fulminar um diplomata. Contudo os governos de Cuba e do Brasil não se movem por critérios normais.


Comenta-se, em primeiro lugar, que o Planalto solicitaria sua remoção em reação à interferência ilegal da embaixada nos assuntos internos do País.

De fato, é ultrajante reunir militantes do PT e do PCdoB na representação diplomática cubana para distribuir um CD contendo calúnias contra uma cidadã em visita ao Brasil.

Mas não se preocupe. Sob Lula, quando prendeu e deportou os pugilistas cubanos que tentavam emigrar, o governo brasileiro violou a Carta Interamericana de Direitos Humanos para atender a um desejo de Havana.
Dilma Rousseff só precisa ignorar a violação de leis nacionais para encerrar o "caso Yoani".


Em segundo lugar, corre o rumor de que Havana pretende substituí-lo por razões de incompetência funcional. A causa seria o vazamento para Veja das informações sobre a reunião na embaixada, que contou com a presença de Ricardo Poppi Martins, auxiliar do ministro Gilberto Carvalho - uma notícia depois confirmada pela própria Secretaria-Geral da Presidência.

Certamente as agências de inteligência de seu país não apreciaram a condução desastrada da operação, mas duvido que o governo de Raúl Castro desconsidere os fatores atenuantes: a inconveniência representada pela liberdade de imprensa e os "dilemas morais pequeno-burgueses" de militantes de esquerda não submetidos ao centralismo do Partido Comunista Cubano.


Um terceiro motivo para seu afastamento residiria nas implicações lógicas das acusações difundidas pela embaixada contra a blogueira. O CD qualifica Yoani como "mercenária financiada pelo governo dos EUA" para "trabalhar contra o povo cubano".

Afirmar isso, porém, significa dizer que, mesmo dispondo das provas da atuação de uma agente inimiga em seu território, o governo de Cuba optou por não prendê-la e processá-la, pondo em risco a segurança do país.

O raciocínio, impecável, destruiria um diplomata de um país democrático, mas não arranhará sua reputação perante o regime dos Castros: o discurso totalitário não almeja a persuasão racional, não se deixa limitar pela regra da consistência interna e não admite o escrutínio da crítica.


Afigura-se mais grave a quarta razão que apontam como ameaça à sua carreira. Ao estimular a perseguição movida por hordas de militantes organizados contra Yoani, a embaixada amplificou a voz e o alcance da mensagem da blogueira, produzindo um efeito contrário ao desejado por Havana.

Construído no terreno de um cínico pragmatismo político, o argumento parece irretocável, mas não creio que deva alarmá-lo.

Na perspectiva do regime cubano, as repercussões da visita sobre a opinião pública são o preço a pagar pela afirmação de um princípio inegociável do totalitarismo: os dissidentes nunca estão a salvo da violência real ou simbólica do "ato de repúdio".


O "ato de repúdio" é o equivalente político do estupro de gangue. Na China da Revolução Cultural, onde alcançou o apogeu, a prática chamava-se "assembleia de denúncia".

Segundo o relato de Jung Chang, uma jovem chinesa que testemunhou aqueles tempos, a Universidade de Pequim realizou sua pioneira "assembleia de denúncia" em 18 de junho de 1966, quando o reitor e dezenas de professores sofreram espancamentos e foram obrigados a permanecer ajoelhados durante horas em meio à multidão histérica.

"Enfiaram à força em suas cabeças chapéus cônicos de burro, com slogans humilhantes" e "derramaram tinta em seus rostos para deixá-los negros, a cor do mal" (Cisnes Selvagens: Três Filhas da China).

A matriz chinesa, nós dois sabemos, inspirou a ditadura cubana, cujos "atos de repúdio" excluem a tortura, mas não a violência física moderada, a intimidação direta e uma torrente de insultos.


Yoani relata no seu blog o primeiro "ato de repúdio" a que assistiu, quando tinha 5 anos ("as pessoas gritavam e levantavam os punhos ao redor da porta de uma vizinha"), e um outro, do qual foi vítima juntamente com as Damas de Branco ("as hordas da intolerância cuspiram em nós, empurraram e puxaram o cabelo").

No "ato de repúdio", o "inimigo do povo" deve ser despido de sua condição humana e convertido em joguete da violência coletiva. A agressão física é um corolário último desejável, mas não é um componente necessário do ritual - e, dependendo das circunstâncias políticas, deve ser prudentemente evitada.

Estou convicto de que sua embaixada levou isso em conta quando indicou o caminho dos atos contra Yoani.



Seu conhecido Breno Altman, um quadro político do PT, defendeu os "atos de repúdio" contra a blogueira em debate televisivo, alegando que "ninguém saiu ferido". De fato, apenas em Feira de Santana chegaram a empurrar Yoani e a puxar-lhe o cabelo.

Na mesma cidade e em São Paulo, gangues de vândalos insultaram-na em público, cassaram-lhe o direito à palavra, ameaçaram pessoas que queriam escutá-la, provocaram o cancelamento de eventos literários e cinematográficos.

Tudo isso caracteriza constrangimento ilegal, um crime contra as liberdades públicas e individuais.


No Brasil, a palavra de Yoani desmoralizou a ditadura cubana. Mas, nessa particular guerra de princípios, sua embaixada venceu: a polícia não interferiu, os "intelectuais de esquerda" silenciaram, a editora que publica Yoani eximiu-se da obrigação de protestar e uma imprensa confusa sobre a linguagem dos valores democráticos qualificou os vândalos como "manifestantes".

Por sua iniciativa, o "ato de repúdio" fincou raízes no meu país.

Creio que lhe devem uma medalha.





* Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP.

E-mail: demetrio.magnoli@uol.com.br.


28 de fevereiro de 2013



Charge




Chico Caruso


Analistas avaliam que pibinho 2012 será menor que o esperado pelo governo




Na véspera do anúncio, pelo IBGE, do resultado das Contas Nacionais do 4º trimestre e, consequentemente, do patamar de crescimento do PIB em 2012, a instituições financeiras consultadas pelo “Valor Data” apontam uma alta média de apenas 0,9%, o que configuraria o menor avanço da economia brasileira desde 1999.

Para os economistas e consultores do mercado, o gradual reaquecimento da economia observado nos últimos meses, o investimento que mais uma vez não decolou e a frágil retomada do setor industrial tiveram são problemas que não ajudaram a alavancar o crescimento do PIB.

Veja abaixo um gráfico preparado pelo Valor com as perspectivas das instituições para o resultado do quarto trimestre e o PIB de 2012.

(Postado por Eduardo Mota – assessoria de imprensa)


28 de fevereiro de 2013




quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Delacroix resolve pintar Lula: A Ignorância Guiando o Povo! Ou: O dia em que o Apedeuta e Collor mandaram seus adversários “calar a boca”




“Elite”, como grupo social a ser vencido, não é um conceito marxista. É só um chavão petista. E o petismo é uma derivação tardia, oportunista e rebaixada da teoria revolucionária.

Por Reinaldo Azevedo

Já escrevi muito a respeito. Do bolchevismo, o PT herdou apenas a tara autoritária, que pode ser aplicada, e eles estão tentando, também num regime capitalista. “E se herdasse tudo? Seria melhor?” É claro que não! Mas isso seria impossível. O socialismo como alternativa econômica acabou, morreu. Restaram o amor pela ditadura e esses idiotas que saem por aí ameaçando desafetos nas ruas com sua mordida hidrófoba. Mas volto ao ponto.

Lula está cumprindo ao menos uma de suas promessas mirabolantes: acabar com a elite brasileira — com qualquer uma, em qualquer área. Está em curso uma evidente marcha do emburrecimento, da qual, nem poderia ser diferente, ele é o líder. Eu o imagino no quadro de Delacroix em lugar da Liberdade, que carrega uma bandeira, com os seios nus. Título: A Ignorância Guiando o Povo. O rebaixamento a que esse sujeito submete a política e a sua contribuição à deseducação democrática ainda não mereceram a devida atenção científica — dos cientistas sociais; daquela parcela que ainda resiste à ditadura intelectual do partido. Por que isso tudo?

Nesta terça, tivemos um dia realmente exemplar do espírito do tempo. As personagens de destaque foram o próprio Lula e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Vamos ver.

Numa manobra vexaminosa — contando com a pressurosa ajuda de seu aliado petista Tião Viana (AC), que presidia a Mesa —, Collor conseguiu aprovar, na quinta-feira passada, um requerimento para que o TCU investigue a compra de 1.200 iPads feita pela Procuradoria-Geral da República. O alvo, mais uma vez, é Roberto Gurgel. O impichado tenta vingar-se do procurador-geral, de quem é desafeto, fazendo a vontade também do PT, para quem opera hoje quando não está cuidando exclusivamente de questões pessoais ou paroquiais.

Em 1992, como todos sabem ou se lembram, os petistas ajudaram a incendiar o país contra “o caçador de marajás”, que não resistiu. Hoje, são companheiros de jornada, parceiros, amigos. Quem mudou? Nem um nem outro. Ambos seguem sendo o que sempre foram.

Pois bem. Gurgel, acusado por Collor, fez o óbvio: defendeu-se. Chamou de risíveis as suspeitas. E como reagiu aquele senhor que dava murros no peito na década de 90 e dizia ter “aquilo roxo”? Ora, saiu ofendendo e vociferando, como é de seu feitio. Arrancou a pistola retórica, que traz sempre na cinta — não deixa de ser um avanço moral no seu caso —, e disparou:
“Ele [Gurgel] tem que calar a boca. Ele e a sua trupe corporativista de êmulos [rivais]. Agora é o Senado que quer saber de tudo. Por isso, cale a boca e espere o TCU dar a palavra final. Só ele é capaz de dizer se o senhor prevaricou ou não. Se cometeu mais um ilícito a acrescentar ao seu portfólio criminoso”.

Collor é valentão assim porque tem a imunidade parlamentar. Age como um pivete inimputável, que traz de cor e salteado trechos do Estatuto da Criança e do Adolescente para cometer crimes impunemente. É, nesse caso, um pivete ético. Quais são os crimes, afinal, do procurador-geral da República? Que seja Collor a se comportar como o seu Catão, eis uma ironia macabra. Esse é mais um dos vampiros do republicanismo aos quais o PT garantiu farto suprimento de sangue. Por quê? Porque quiseram as circunstâncias históricas e políticas, não sem a colaboração de setores da oposição e, sim!, da imprensa, que o velho e o novo patrimonialismos se estreitassem, como disse o poeta, “num abraço insano”.

No mesmo dia, a mesma fala!

Collor não foi o único a mandar um desafeto calar a boca. Nesta mesma terça, referindo-se ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula afirmou:
“Eu acho que o Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto. O que ele deveria fazer é contribuir para a Dilma continuar a governar o Brasil bem, ou seja, deixa ela trabalhar.”

Então ficamos assim: o PT lança um livreto eivado de mentiras sobre o governo do antecessor, e Lula acha que ao agredido não cabe nem mesmo o direito de defesa. Notem: para ele, FHC deveria “no mínimo, ficar quieto”. Ou por outra: essa é a menor das coisas que ele espera do antecessor: o silêncio obsequioso. Imagino a noção que deve ter do “máximo”. Mais: o presidente de honra do partido de oposição, segundo o Apedeuta, tem é de “contribuir” com o governo. Claro! É o que Lula sempre fez quando estava na oposição, certo? Impressionante!

Impressionante, mas não inesperado. Se há alguém “nestepaiz” que tem defendido, ao longo dos anos, que a oposição diga a que veio, este alguém é este escriba. Mas me parece evidente que os tucanos cometeram um erro e morderam a isca ao responder ao embate de caráter eleitoral proposto por Lula desde agora. Esse é o ambiente do Apedeuta. Fica mais feliz do que pinto no lixo. Pode sair por aí, distribuindo suas caneladas e rearranjando precocemente as forças governistas (ver post a respeito).

As ineficiências do governo perderam lugar no noticiário para o embate eleitoreiro com quase dois anos de antecedência.

Quem ganha com isso?

Não é o povo!

27/02/2013


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Vejam como Lewandowski pode atrasar até dezembro o capítulo final



 Daniel Pereira e Hugo Marques
VEJA

Dois meses depois do julgamento, o presidente do Supremo pede aos ministros que lhe encaminhem o voto revisado para que ele possa finalmente encerrar o processo e decretar a prisão dos mensaleiros.


Os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski atuaram em trincheiras opostas no julgamento dos principais pontos do processo do mensalão, numa dicotomia que transcendeu — e muito — o contraponto esperado entre o relator e o revisor.

Barbosa acolheu a tese da acusação e afirmou que o PT montou, no primeiro mandato do ex-presidente Lula, um esquema de compra de votos no Congresso custeado com recursos desviados dos cofres públicos. ...

Já Lewandowski, ecoando a defesa, alegou que essa denúncia não foi comprovada nos autos. Barbosa condenou à cadeia a antiga cúpula petista, enquanto Lewandowski votou pela absolvição de José Dirceu e José Genoino, ex-presidentes do partido.

Barbosa também defendeu a cassação imediata dos deputados condenados, prevalecendo, como nos casos anteriores, à recomendação de Lewandowski para que a última palavra sobre a perda dos mandatos fosse dada pela Câmara dos Deputados.

Ministro Ricardo Lewandowski: se depender dele, o fim do escândalo do mensalão pode ficar até para 2014
(Foto: STF)

Superada a parte principal do maior julgamento da história do Supremo Tribunal Federal (STF), o duelo se repete agora na definição do prazo para o cumprimento da sentença. Barbosa espera executá-la, o mais tardar, até julho. Lewandowski aposta em novembro ou dezembro.

Em 2012, o STF gastou 53 sessões plenárias e 138 dias para condenar 25 dos 38 réus do mensalão. Somadas, as penas chegam a quase 270 anos de prisão, e as multas, a 22 milhões de reais. Tais sanções só serão aplicadas depois de vencidas duas etapas derradeiras do processo.

A primeira é a publicação do acórdão. A segunda, a análise dos recursos que serão apresentados pelos advogados de defesa. Presidente do Supremo, Barbosa já pediu pelo menos duas vezes aos ministros que liberem rapidamente seus voto revisados, o que permitirá a divulgação do acórdão.

Na semana passada, o pedido constou de um ofício encaminhado formalmente aos colegas. No início do mês, Barbosa fez o mesmo apelo numa conversa informal entabulada pouco antes do início de uma sessão plenária. O prazo para a publicação do acórdão, segundo o regimento, acaba em 1º de abril, mas Barbosa quer ganhar tempo.


ENQUANTO ISSO -- O deputado José Genoino, condenado por corrupção e formação de quadrilha, e o ex-ministro José Dirceu, chefe da quadrilha do mensalão, continuarão soltos até o julgamento dos recursos
(Foto: Ed Ferreira / AE)


Se dependesse só dele, o texto seria publicado ainda neste mês. O problema é que apenas três ministros liberaram os votos: Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto, já aposentados, e Gilmar Mendes. Luiz Fux, Celso de Mello e Marco Aurélio Mello prometem fazer o mesmo até meados de março. Os outros ainda não se pronunciaram.

Depois de publicado o acórdão, os réus têm cinco dias para recorrer da decisão. Não há limite de tempo para o julgamento dos chamados embargos. Por isso, apesar de tais recursos raramente resultarem na extinção das penas impostas, o fim do processo depende do empenho dos próprios ministros.

Jogar com o tempo, prorrogando a tomada de decisões, foi uma estratégia urdida pelo próprio Lula quando era travada a discussão sobre a data do início do julgamento do mensalão. O petista queria que o caso ficasse para 2013. Falou isso diretamente a ministros, mas não conseguiu convencer a maioria deles. O fato de o revisor prever o desfecho apenas em novembro ou dezembro alimenta especulações nada edificantes.

Essa disputa pelo controle do andamento do processo interessa principalmente aos deputados condenados: José Genoino e João Paulo Cunha, do PT, além de Valdemar Costa Neto (PR) e Pedro Henry (PP). Se prevalecer o prazo idealizado por Barbosa, eles poderão perder os mandatos ainda neste ano. Caso o ritmo imaginado por Lewandowski se imponha, a cassação ficará, na melhor das hipóteses, para o próximo ano.

Como em 2014 haverá eleições gerais e os parlamentares praticamente não darão expediente em Brasília, na Câmara há até quem aposte que os mensaleiros conseguirão concluir o mandato. É justamente isso que Barbosa quer evitar, sob pena de desmoralizar a Justiça e tornar manca uma sentença histórica do STF.


26/02/2013