quinta-feira, 31 de maio de 2012
O "CHILIQUE" DO DEPUTADO SILVIO COSTA DURANTE SESSÃO DA CPMI DO CACHOEIRA: HUUUMMM!!!
Foi hilária a sessão da CPMI do Cachoeira, destinada a ouvir o senador Demóstenes Torres, pois diante do silêncio da testemunha diante das histéricas perguntas de alguns parlamentares, valendo-se de uma “faculdade prevista na Constituição Federal", alguns “abestados” entraram em estado de choque, ao verem escapar a oportunidade de fazer “proselitismo barato” frente às câmaras de TV, tal como costumam fazer nessas sessões que chamam atenção da mídia.
Entre as muitas participações que disputavam a prêmio das mais ridículas, sobressaiu-se a do deputado pernambucano Silvio Costa (PTB-PE), que exasperado com a frieza do inquirido frente aos seus “chiliques interrogativos”, perdeu a compostura e, em total desrespeito ao senador Demóstenes Torres, aos seus colegas membros da CPI, ao público brasileiro, que assistia aquela pantomima pela TV Senado, bradou, tal como bradam aqueles que estão acostumados frequentar prostíbulos, chamando-o, aos gritos, de "hipócrita" e "mentiroso", através de uma frase puramente teatral: "Se o céu existir, o senhor não irá para o céu, porque o céu não é lugar de mentiroso. Não é lugar de gente hipócrita!".
Pense numa palhaçada!!!
Júlio Ferreira
Recife – PE
E-mail: julioferreira.net@gmail.com
Blog: www.ex-vermelho.blogspot.com/
A voz voltou, a vergonha sumiu
POR AUGUSTO NUNES
A reaparição de Lula em Brasília, nesta quarta-feira, avisa que o achacador de juízes recuperou a voz, mas perdeu o que restava de pudor.
E a vergonha, se é que um dia existiu, desapareceu há muito tempo.
Não vale a pena perder tempo com a discurseira delirante ─ uma colagem de bazófias, bravatas, embustes e fantasias que jorram do cérebro baldio desde janeiro de 2003.
O palavrório não merece mais que uma sequência de internações no Sanatório Geral.
Além da reprodução, na seção Vale Reprise, do post publicado em 14 de julho de 2009.
Lula já mentiu com mais criatividade.
Convém que reencontre a inventividade antes que comece o Programa do Ratinho.
Ele terá de apresentar alguma versão para o encontro em que tentou chantagear o ministro Gilmar Mendes.
Se recitar tapeações intragáveis, poderá obrigar o apresentador do SBT a transformar-se em domador de auditório para impedir que a plateia traduza o que vai pela alma do país que presta.
31/05/2012
Marcadores:
bazófias,
bravatas,
Lula,
Mentiras,
Vale Reprise
Sobriedade de Dilma
OPINIÃO
”Ele (Lula) não está preocupado do ponto de vista institucional com as consequências do mensalão, e muito menos com a preservação do Supremo, mas teme que o PT seja atingido nas urnas em caso de condenação de seus membros mais importantes envolvidos no processo (do mensalão) como Dirceu, Genoino ou João Paulo Cunha”
Foto: Getty Images
Lula é a herança maldita do governo Dilma
Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Texto de Merval Pereira
Fonte: O Globo
Só não há uma crise institucional no país porque a presidente Dilma está tratando a disputa entre o ex-presidente Lula e o ministro do Supremo Gilmar Mendes de maneira equilibrada, sem envolver o governo.
Da mesma maneira, o presidente do Supremo, Ayres Britto, está cuidando de não dar ao fato a dimensão que ele realmente tem, na tentativa de esvaziar suas consequências.
O ministro Gilmar Mendes foi apenas o que denunciou a manobra de Lula para adiar o julgamento do mensalão, mas pelo menos outros dois ministros do Supremo estiveram com Lula nos últimos meses: o ministro revisor Ricardo Lewandowski e o ministro Dias Toffoli.
E Lula, no relato da conversa por Gilmar Mendes, revelou o que tratou com os dois. Considero a essência do relato do ministro verdadeira, pois só os ingênuos podem acreditar que Lula convidasse um ministro do Supremo para um encontro sem que o assunto principal fosse o julgamento do mensalão.
Outros, que fingem acreditar na versão edulcorada de que a reunião foi uma conversa de amigos sobre generalidades, são militantes petistas, empenhados no mesmo movimento de Lula: constranger o Supremo a adiar o julgamento do mensalão, ou pôr em dúvida o seu resultado.
Junto a Toffoli, Lula defendeu a tese de que ele deveria participar do julgamento, quando setores jurídicos consideram que deveria se declarar impedido, pois boa parte de sua carreira foi feita no PT.
De 1995 até 2000 foi assessor parlamentar da Liderança do PT na Câmara. Nas campanhas presidenciais de Lula em 1998, 2002 e 2006, foi o advogado do partido. Foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil de 2003 a 2005, durante a gestão de José Dirceu, acusado pela Procuradoria Geral da República de ser o chefe da quadrilha do mensalão. Em 2007 assumiu a Advocacia-Geral da União a convite de Lula, de onde saiu para ser ministro do Supremo.
Além de todo esse currículo petista, a namorada de Toffoli foi advogada de mensaleiros.
Lula se referiu a Lewandowski, dizendo que ele somente entregaria seu voto de revisor, sem o qual o processo não pode entrar em julgamento, no segundo semestre, mas está sendo pressionado a entregá-lo este mês.
Como esteve com Lewandowski recentemente, depreende-se que Lula soube dessa mudança de atitude do revisor do mensalão através do próprio, cuja família tem relação de amizade com a da ex-primeira-dama dona Marisa, em São Bernardo do Campo.
O estrago está feito pelo voluntarismo de Lula, que não sabe fazer outra coisa a não ser politizar todas as relações.
Um julgamento no Supremo tem, na visão de Lula, só um lado, o do prejuízo que pode causar aos seus projetos políticos.
Ele não está preocupado do ponto de vista institucional com as consequências do mensalão, e muito menos com a preservação do Supremo, mas teme que o PT seja atingido nas urnas em caso de condenação de seus membros mais importantes envolvidos no processo, como Dirceu, Genoino ou João Paulo Cunha.
Assim como primeiro pediu desculpas ao país pelo que acontecera, em cadeia de TV, para depois afirmar que o mensalão sequer existiu, sendo tentativa de golpe contra seu governo, Lula agora desmente o que prometeu ao sair do Planato. Disse que “desencarnaria” do papel de presidente e não se meteria em política, em crítica à atuação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Pois Lula não apenas não “desencarnou” do papel de presidente como está encarnando outro personagem, o do soberano que tudo pode.
Nunca esteve tão ativo politicamente, apesar de seu estado físico evidentemente precário. Como a confirmar que tudo para ele é política, ontem a única referência que fez aos últimos acontecimentos foi oblíqua, dizendo que tem “muita gente”que não gosta dele e que precisa “tomar cuidado” com essa “minoria”.
Isso para explicar que falaria em pé para que não dissessem que estava doente. Como se fosse possível, e até desejável, unanimidade em torno de sua figura política, ou que os que são contra ele lhe desejam mal.
Tanto Dilma quanto Ayres Britto tiveram a sensatez de não alimentar a disputa pública em que se envolveram Lula e um ministro do Supremo.
Ambos presidem Poderes que estão em confronto devido a uma atitude desastrada do ex-presidente Lula, que mais uma vez demonstra que não tem os cuidados que deveria com a separação e o equilíbrio de poderes, tentando usar sua força política para constranger ministros do STF.
Em vários momentos de seu governo, ele agiu assim, notadamente durante as campanhas eleitorais. A presidente Dilma, descrita normalmente como uma pessoa de pavio curto, está se revelando uma hábil política no exercício da Presidência da República.
Ao reverenciar as políticas sociais do presidente Lula, ela ressaltou o aspecto positivo da sua liderança política, deixando de lado as questões polêmicas em que anda se envolvendo.
A homenagem teve a justa medida de demonstrar sua solidariedade em um momento em que a liderança de Lula está fragilizada, por seus gestos temerários, e a lucidez de não envolver o governo no episódio.
*”Sobriedade” é o título original da coluna do Merval Pereira
**Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original
Está em curso uma operação para tentar desestabilizar Mendes e forçá-lo a se declarar impedido de julgar o mensalão
Ou: Desavergonhados, petistas proclamam por aí ter quatro votos certos pela absolvição da súcia
Está em curso, e não chega a ser exatamente uma novidade, uma operação de desestabilização do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Trata-se de uma ação ampla, que encontra eco até mesmo dentro do tribunal.
O JEG não esconde o propósito, escancara-o em suas páginas financiadas com dinheiro público: querem que ele se declare impedido de participar do julgamento dos mensaleiros, na suposição — sem lastro na realidade! — de que estaria praticando prejulgamento.
É uma falácia.
Nada no histórico de votos do ministro no STF indica antipetismo militante.
Ao contrário até: Mendes foi um dos que inocentaram — e deixei clara, então, a minha discordância — Palocci no caso da quebra do sigilo do caseiro, por exemplo.
Por se tratar de questão de natureza criminal, entendeu que não poderia condenar sem a prova provada, a ordem explícita para que um subordinado executasse a tarefa.
Como essa evidência documental não existia, optou, então, pela absolvição.
A questão, claro!, tem mais meandros do que isso.
Faço uma síntese.
E por que agora todo esse barulho em relação ao mensalão em particular?
Medo do suposto preconceito anti-PT?
Uma ova!
Medo das evidências que estão nos autos, isso sim!
Os petistas não fazem segredo de que têm os “seus ministros” — aqueles cujos votos dão como favas contadas.
Não listo aqui porque poderia apenas estar dando curso a uma difamação.
O fato é que eles não escondem de ninguém que consideram que QUATRO VOTOS ESTÃO GARANTIDOS.
Certos ou errados, os petistas avaliam que Mendes e Cezar Peluso votarão contra os mensaleiros.
E acham que Ayres Britto pode seguir o mesmo caminho.
Assim, Lula quer adiar o julgamento para 2013 porque estes dois últimos já não estariam na corte.
Para inocentar a súcia, bastam 6 votos — no caso de o tribunal estar completo.
Ganhar de goleada
Lula pôs na cabeça que não basta vencer, não! Ele quer ganhar de goleada. Acha que uma vitória apertada, por um voto, deixaria no ar a suspeita de arranjo. Tem de ser um placar convincente. Um julgamento sem Peluso e Britto e com um Mendes impedido seria um sonho.
É esse o pano de fundo dessa baixaria.
A canalha tenta desmoralizar Mendes, mas está, na prática, é desmoralizando todo o Supremo.
A cada vez que petistas dão como líquido e certo o voto de ao menos quatro ministros, tratam o tribunal como se fosse mera extensão ou franja do partido, dando a entender que passou a existir um critério para integrar a corte.
Não por acaso, os setores mais extremistas do petismo tratam Joaquim Barbosa e Peluso como traidores e Britto como um possível ingrato.
Mendes, por óbvio, está no radar desde sempre porque indicado para o tribunal por FHC.
Trabalho sujo
Os setores da imprensa que não dividem espaço no lixão financiado do lulo-petismo que dão curso às críticas a Gilmar Mendes — indo além da notícia, censurando o seu ato de coragem — estão contribuindo, na prática, para desmoralizar o Supremo. Engrossam a corrente daqueles que querem fazer do tribunal um quintal do Executivo, a exemplo do que se vê na Venezuela, na Argentina, no Equador, na Bolívia ou na Nicarágua, esses notáveis exemplos de cultura democrática.
31/05/2012
91% dos leitores acham que Lula mentiu

A enquete que o site WWW.polibiobraga.com.br disponibilizou, perguntando ao leitor quem estava falando a verdade, ofereceu estes resultados:
Ministro Gilmar Mendes, 91%
Lula, 9%
Ministro Gilmar Mendes, 91%
Lula, 9%
Foram 382 leitores em dois dias.
Postado por Polibio Braga

Imagens do dia: O BOBO DA CORTE
Muitas vezes eram as únicas pessoas que podiam criticar o rei sem correr riscos.
Bufão é um tipo característico do grotesco.
Existe desde a idade média, estando presente na corte, no teatro popular, sendo cômico e considerado desagradável por apontar de forma grotesca os vícios e as características da sociedade.
O corpo do bufão caracteriza-se pela deformidade e o exagero, sendo o excesso uma de suas principais características. Também apontado como Arlequim, ou Bobo da corte
Fonte: Wikipedia
Tumulto encerra sessão com Demóstenes na CPI
Deputado Sílvio Costa (PTB-PE) usou termos fortes contra Demóstenes, ouviu crítica do senador Pedro Taques (PDT-MT) e reagiu com palavrões
Tumulto e ofensas públicas marcaram nesta quinta-feira a breve sessão de cerca de 20 minutos da CPI do Cachoeira, que encerrou antecipadamente o depoimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) após o parlamentar anunciar que iria permanecer em silêncio. Inconformado com a dispensa do senador, que optou por ficar calado como argumento constitucional para evitar a auto-incriminação, o deputado Sílvio Costa (PTB-PE) acusou Demóstenes de “hipócrita” e disse que o senador deveria ser cassado.
Laryssa Borges
Senador Demóstenes Torres
(Ueslei Marcelino/Reuters)
(Ueslei Marcelino/Reuters)
“O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa. Esse seu silêncio escreve em letras garrafais: ‘eu, Demóstenes Torres, sou, sim, membro da quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Eu, senador Demóstenes Torres, sou, sim, o braço legislativo da quadrilha do senhor Cachoeira”, disse Sílvio Costa. “ Se o céu existir, e tenho certeza que o céu existe, o senhor não vai pro céu, porque o céu não é lugar de mentiroso, de gente hipócrita”, completou.
O protesto de Costa contra o silêncio de Demóstenes Torres foi interrompido pelo senador Pedro Taques (PDT-MT), procurador da República licenciado. Taques interveio contra as ofensas dirigidas ao político goiano e disse que, mesmo sob suspeita de integrar uma quadrilha, Demóstenes não poderia ser desrespeitado.
“Todos aqui, enquanto parlamentares, devem obedecer à Constituição da República. A Constituição afirma que o cidadão, seja lá quem for, não pode ser tratado com indignidade. Não me interessa quem seja”, disse Taques.
“Pessoas morreram no mundo em razão do direito constitucional ao silêncio. Pode ser o crime mais grave, mas o princípio constitucional ao silêncio e o direito fundamental da pessoa humana de ser respeitado precisam ser respeitados”, afirmou.
Com dedo em riste, Sílvio Costa voltou ao ataque contra Demóstenes, classificando-o como “ex-futuro senador” e ironizou: “o Conar (Conselho de Autorregulação Publicitária) deveria processá-lo por propaganda enganosa”.
Ao se levantar para deixar o plenário, Sílvio Costa ainda se dirigiu a Taques, que havia interrompido seu ataque a Demóstenes, e pediu que o encarasse. “Seu demagogo, seu m..., seu m..., filho da p...”, xingou.
O tumulto levou o senador Pedro Taques a encerrar abruptamente a sessão. Leia mais.
Em 2012, Lula se reuniu com 5 dos 11 ministros do Supremo
Pelo menos 5 dos 11 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se encontraram com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste ano, mas apenas Gilmar Mendes afirma ter discutido sobre o julgamento do mensalão
FOLHA
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
Os outros quatro ministros que encontraram o ex-presidente, todos indicados ao STF por Lula, são: José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Carlos Ayres Britto. Luiz Fux não respondeu aos questionamentos da reportagem.
No polêmico encontro com Mendes, o petista teria pedido ao ministro para tentar adiar o julgamento do mensalão. Lula e o ex-ministro Nelson Jobim, o anfitrião do encontro, negam.
Ontem, em palestra em Brasília, disse, sem citar nomes, que "tem que tomar cuidado" em relação "a uma minoria que não gosta de mim".
Em entrevistas a diversos veículos de comunicação na terça-feira, Mendes disse, entre outras declarações fortes, que Lula tem o objetivo de "melar o julgamento" do mensalão e que comanda uma "central de divulgação de intrigas.
31/05/2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Lula: os gritos do silêncio
Um Minuto com Augusto Nunes
O mais falante presidente da história resolveu perder a voz há cinco dias. Dom João VI tinha razão:
"Quando não se sabe o que fazer, melhor não fazer nada".
Lula
Lula para sempre
MARCO ANTONIO VILLA
O Globo
O Globo
Luiz Inácio Lula da Silva não é um homem de palavra.
Proclamou diversas vezes que, ao terminar o seu mandato presidencial, iria se recolher à vida privada e se afastar da política.
Mentiu.
Foi mais uma manobra astuta, entre tantas que realizou, desde 1972, quando chegou à diretoria do sindicato de São Bernardo, indicado pelo irmão, para ser uma espécie de porta-voz do Partidão (depois de eleito, esqueceu do acordo).
A permanente ação política do ex-presidente é um mau exemplo para o país. Não houve nenhuma acusação de corrupção no governo Dilma sem que ele apoiasse enfaticamente o acusado.
Lula pressionou o governo para não "aceitar as pressões da mídia".
Apresentou a sua gestão como exemplo, ou seja, nunca apurou nenhuma denúncia, mesmo em casos com abundantes provas de mau uso dos recursos públicos.
Contudo, seus conselhos não foram obedecidos.
Não deve causar estranheza este desprezo pelo interesse público. É típico de Lula. Para ele, o que vale é ter poder.
Qualquer princípio pode ser instrumento para uma transação. Correção, ética e moralidade são palavras desconhecidas no seu vocabulário.
Para impor a sua vontade passa por cima de qualquer ideia ou de pessoas. Tem obtido êxito. Claro que o ambiente político do país, do herói sem nenhum caráter, ajudou. E muito.
Ao longo do tempo, a doença do eterno poder foi crescendo. Começou na sala de um sindicato e terminou no Palácio do Planalto. E pretende retornar ao posto que considera seu.
Para isso, desde o dia 1 de janeiro deste ano, não pensa em outra coisa. E toda ação política passa por este objetivo maior.
Como de hábito, o interesse pessoal é o que conta. Qualquer obstáculo colocado no caminho será ultrapassado a qualquer custo.
O episódio envolvendo o ministro do Esporte é ilustrativo.
A defesa enfática de Orlando Silva não dependeu da apresentação de provas da inocência do ministro. Não, muito pelo contrário. O que contou foi a importância para o seu projeto presidencial do apoio do PCdoB ao candidato petista na capital paulista.
Lula sabe que o primeiro passo rumo ao terceiro governo é vencer em São Paulo.
2014 começa em 2012. O mesmo se repetiu no caso do Ministério dos Transportes e a importância do suporte do PR, independentemente dos "malfeitos", como diria a presidente Dilma, realizados naquela pasta.
E, no caso, ainda envolvia o interesse pessoal: o suplente de Nascimento no Senado era o seu amigo João Pedro.
O egocentrismo do ex-presidente é antigo. Tudo passa pela mediação pessoal. Transformou o delegado Romeu Tuma, chefe do Dops paulista, onde centenas de brasileiros foram torturados e dezenas foram assassinados, em democrata.
Lula foi detido em 1980, quando não havia mais torturas. Recebeu tratamento privilegiado, como mesmo confessou, diversas vezes, em entrevistas, que foram utilizadas até na campanha do delegado ao Senado.
Nunca fez referência às torturas. Transformou a casa dos horrores em hotel de luxo. E até chegou a nomear o filho de Tuma secretário nacional de Justiça!!
O desprezo pela História é permanente. Estabeleceu uma forte relação com o símbolo maior do atraso político do país: o senador José Ribamar da Costa, vulgo José Sarney. Retirou o político maranhense do ocaso político.
Fez o que Sílvio Romero chamou de "suprema degradação de retrogradar, dando, de novo, um sentido histórico às oligarquias locais e outorgando-lhes nova função política e social".
E pior: entregou parte da máquina estatal para o deleite dos interesses familiares, com resultados já conhecidos.
O desprezo pelos valores democráticos e republicanos serve para explicar a simpatia de Lula para com os ditadores. Estabeleceu uma relação amistosa com Muamar Kadafi (o chamou de "amigo, irmão e líder") e com Fidel Castro (outro "amigo").
Concedeu a tiranos africanos ajuda econômica a fundo perdido. Nunca - nunca mesmo - em oito anos de Presidência deu uma declaração contra as violações dos direitos humanos nas ditaduras do antigo Terceiro Mundo. Mas, diversas vezes, atacou os Estados Unidos.
Desta forma, é considerável a sua ojeriza a qualquer forma de oposição. Ele gosta somente de ouvir a sua própria voz. Não sabe conviver com as críticas. E nem com o passado. Nada pode se rivalizar ao que acredita ser o seu papel na história. Daí a demonização dos líderes sindicais que não rezavam pela sua cartilha, a desqualificação dos políticos que não aceitaram segui-lo.
Além do discurso, usou do "convencimento" financeiro. Cooptou muitos dos antigos opositores utilizando-se dos recursos do Erário. Transformou as empresas estatais em apêndices dos seus desejos. Amarrou os destinos do país ao seu projeto de poder.
Como o conde de Monte Cristo, o ex-presidente conta cada dia que passa. A sua "vingança" é o retorno, em 2014. Conta com a complacência de um país que tem uma oposição omissa, ou, na melhor das hipóteses, tímida.
Detém o controle absoluto do PT. Usa e abusa do partido para fortalecer a sua capacidade de negociação com outros partidos e setores da sociedade. É obedecido sem questionamentos.
Lula é uma avis rara da política brasileira.
Nada o liga à nossa tradição.
É um típico caudilho, tão característico da América Hispânica.
Personalista, ególatra, sem princípios e obcecado pelo poder absoluto.
E, como todo caudilho, quer se perpetuar no governo.
Mas os retornos na América Latina nunca deram certo.
Basta recordar dois exemplos: Getúlio Vargas e Juan Domingo Perón.
Este artigo (que estou republicando) saiu n'O Globo de 25 de outubro de 2011. Poderia ter saído ontem.(vou republicar, ao longo da semana, outros artigos que escrevi sobre o ex-presidente)Postado por Villa em 30/05/2012
35 mil pedem que Supremo julgue quadrilha mensaleira de Lula
Fachada do STF: pressão por julgamento do mensalão
(Dorivan Marinho/Fotoarena)
STF: 35 mil pedem julgamento do mensalão
Manifestantes entregam abaixo-assinado a ministros exigindo decisão sobre réus do maior escândalo do governo Lula ainda neste semestre
Representantes de movimentos de combate à corrupção devem entregar aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira, um abaixo-assinado com mais de 35 000 assinaturas pedindo que o julgamento do mensalão seja realizado ainda no primeiro semestre.
A previsão é que os integrantes do movimento “SOS STF – Julgamento do Mensalão Já” estejam no STF às 14 horas. Fazem parte do grupo o Movimento 31 de Julho, a organização não-governamental Transparência Brasil, a ONG Contas Abertas e o Movimento “Queremos Ética na Política”.
O principal objetivo do protesto é alertar para a possibilidade da prescrição de alguns crimes. "O nosso objetivo é fortalecer as instituições. Esse é um gesto de solidariedade aos ministros do STF.
Nós acreditamos que o próprio [presidente do STF] Carlos Ayres Britto tem a intenção de julgar o processo rapidamente. Então isso é um apoio a essa intenção”, afirmou Ana Luiza Archer, do Movimento 31 de Julho.
Apesar de a maioria das assinaturas ter sido colhida de forma eletrônica (cerca de 24 000), os organizadores da petição dizem estar satisfeitos com apoio físico. “A adesão na rua foi muito grande. No Rio, fizemos eventos na orla, em Copacabana, Ipanema, Leblon.
Os movimentos duravam apenas duas horas, mas a adesão era total”, afirma Marcelo Medeiros, também do 31 de Julho. “O corpo a corpo na rua foi muito interessante. Grande parte das pessoas aderiu, fez fila e elogiou muito”, completa Ana Luiza.
A campanha das entidades ocorre após a ação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem se lançado numa ofensiva sobre o STF para protelar o julgamento, como revelou reportagem da edição de VEJA desta semana.
Lula encontrou o ministro do STF Gilmar Mendes no dia 26 de abril no escritório do ex-ministro Nelson Jobim.
Em troca da lealdade do integrante do Supremo, ofereceu uma blindagem na CPI do Cachoeira – na leitura do ex-presidente, Mendes poderia se tornar alvo da investigação por ter se encontrado com Demóstenes Torres em Berlim.
Lula também planejava ter conversas semelhantes com outros ministros. Ou fazer chegar a eles suas intenções.
'Querem melar o mensalão trazendo uma crise ao Judiciário', diz Mendes
Ministro afirma que ex-diretor geral da Polícia Federal estaria por trás de 'armação' contra ele
Carlos Humberto/STF
Ministro do STF se diz vítima de 'futricas divulgadas por estelionatários'
Fausto Macedo
de O Estado de S. Paulo
de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira, 29, em entrevista ao Estado, que "querem melar o julgamento do processo do mensalão", e apontou para um ex-diretor geral da Polícia Federal, delegado Paulo Lacerda. "Dizem que (Lacerda) está assessorando o PT. Eu tive uma informação, em 2011, que o Paulo Lacerda queria me pegar".
Mendes suspeita que Lacerda estaria divulgando "informações distorcidas, informações falsas" sobre sua atuação.
O ministro também falou sobre o encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, da Defesa, onde o ex-presidente teria sugerido adiamento do julgamento do processo do mensalão.
Lula teria tentado intimidar o ministro do STF ao insinuar que ele viajou para a Alemanha com despesas bancadas pelo contraventor Carlos Cachoeira. O ex-presidente e o ex-ministro da Defesa negam que o mensalão tenha sido debatido naquele encontro, em 26 de abril.
Estado: Na conversa no escritório de Jobim, o ex-presidente Lula foi taxativo ou falou veladamente?
Ministro Gilmar Mendes: Em relação à CPMI ele foi taxativo e também quando falou da viagem a Berlim. Três ou quatro vezes ele disse: 'Eu tenho o controle da CPMI'. Eu fui me fazendo de desentendido. Percebi o intuito dele quando ele disse: 'Você tem que se preocupar com a CPMI'. Eu disse a ele que não tenho nada com o Demóstenes. 'Vá fundo na CPMI', eu disse a ele. Eu disse que não tenho que ter proteção. Ai ele levou um susto, tanto que fez um movimento corporal mais brusco. Mas em seguida veio com a pergunta. 'E Berlim? E essa história?'
Como o sr. respondeu?
Eu disse a ele: 'Presidente, o senhor está desinformado. Eu vou a Berlim frequentemente. Desde 1979 que vivo indo à Alemanha. Estudei lá, fiz doutorado, fiz mestrado. Vou a Berlim como você vai a São Bernardo do Campo. Contei ao presidente que na viagem a Praga fui recebido pelo embaixador, ex-chefe do cerimonial dele. E em Berlim fui recebido pelo embaixador Everton Vargas, designado por ele (Lula). O almoço (com o embaixador) estava na agenda, ninguém foi fazer turismo oculto.
E sobre o mensalão?
Repassamos vários assuntos, falamos de nomeação de ministros, da PEC da bengala e a falta de interlocução hoje com o STF. Aí ele falou do mensalão. Eu defendi um julgamento eminentemente técnico, fiz uma defesa nesse sentido. Ele falou: 'Não é bom agora porque vai pegar o clima eleitoral.'
Quem puxou o assunto sobre o mensalão?
Ele (Lula).
Como o sr. reagiu?
A conversa prosseguiu normalmente, depois é que percebi o intuito dele (Lula). Eu disse a ele que não seria possível o adiamento (do julgamento), por causa da repercussão e a possibilidade de que dois ministros que receberam a denúncia (contra os réus do mensalão) não mais poderiam participar (por causa da aposentadoria de ambos). Eu disse que (os ministros) são experientes e seria positivo que participassem (do julgamento). Estão fazendo uma grande confusão a partir de premissas evidentemente falsas. Eles construíram a ideia de que podiam melar o julgamento do mensalão trazendo uma crise para o Poder Judiciário. Achavam que podiam evitar o julgamento e passaram então a alimentar essa história com informações distorcidas.
Quais informações?
Eles subsidiaram isso com uma série de informações falsas. Hoje você tem um roteiro da viagem que fiz a Berlim dizendo que teria sido paga pelo Cachoeira, uma viagem para um encontro com o Demóstenes. Posso assegurar, e disso tenho provas documentais, que parte da viagem foi paga diretamente pelo Supremo e o restante por mim. Exibo a quem quiser os comprovantes das despesas que tive. Minha filha faz doutorado na Alemanha, vou lá toda hora. Vou à Europa quatro vezes por ano, participo da Comissão de Veneza (Comissão Europeia para a Democracia), faço os trajetos mais diversos e tenho convites. Em abril (de 2011) eu tinha a viagem a Granada e aí decidi ir a Praga, que eu não conhecia e, depois, segui para Berlim.
Quanto tempo durou a conversa?
Uma hora meia, duas horas.
O ex-presidente citou o nome do ex-ministro José Dirceu?
Falou sim, que às vezes batia desespero no Zé Dirceu.
Jobim nega que no encontro tenha sido abordado o mensalão.
Não vou ficar discutindo com ele. Evidente que a conversa houve, e com detalhes.
Lula também nega o teor da conversa e diz que se sente indignado.
Não vou emitir juízo sobre a nota dele, mas não recuo um passo. Minha visão, hoje, olhando todo esse conjunto é que o estão sobrecarregando pela responsabilidade política e tudo o mais. Acho que é isso. Esquecem que ele é um homem convalescente. Não sou que estou sob pressão, acho que quem está sob pressão é o presidente Lula.
O sr. está assustado?
Essas coisas não me intimidam, evidente que não me intimidam. Você lembra da história do Gilmar de Mello Mendes? A situação é muito similar. Sabe-se que uma notícia é falsa, não obstante divulga-se essa notícia para criar esse estado de pânico. A minha surpresa foi quando ouvi isso da boca do presidente Lula. E, depois, ao saber, de jornalistas que o próprio presidente Lula estava se incumbindo de divulgar essa fantasia de que Cachoeira pagou minhas despesas. Ele está muito mal assessorado, mal informado. Está dando vazão a informações falsas.
Quem está abastecendo o ex-presidente Lula?
Eu imagino que esse grupo de pretensos investigadores de CPI e coisa do tipo. Fala-se até que o Paulo Lacerda o está assessorando.
O sr. suspeita que Paulo Lacerda está por trás desses vazamentos que citam o sr.?
O que se noticia é que hoje ele está prestando assessoria ao PT. Eu já tinha recebido notícia de que Paulo Lacerda tinha como missão me destruir. Ele fez muito mal a esse País, instalando um Estado policial e é bom que fique distante. Realmente ele não respeitou as regras mínimas do Estado de Direito.
Na conversa com o ex-presidente foi citado o nome de Lacerda?
Sim. O Jobim perguntou ao Lula, 'e aí, e o Lacerda?' O Lula respondeu: 'Está chegando, está voltando'. Agora a ficha caiu para mim. Recebi notícias confirmando que (Lacerda) está prestando serviços ao PT na CPMI. Eu não sei, mas isso não tem a menor relevância. Que (Lacerda) tenha boa sorte, mas que não venha com bisbilhotagem e nem reinstalar concepções do Estado policialesco.
O sr. teme Paulo Lacerda?
Imagina, imagina, imagina. Veja que os embates vêm de 2007 quando o Tarso (Genro) era ministro (da Justiça) e ele (Lacerda) chefe da PF. Foi aí que houve aquela divulgação sobre o Gilmar de Mello Mendes (homônimo do ministro, citado em uma operação da PF) e todas as encenações em torno dessas ações continuaram. E nós reagindo às várias operações. NoO CNJ estabelecemos limites, os juízes passaram a fundamentar e a comunicar o CNJ as decisões de escutas telefônicas. Aprovamos a súmula das algemas. Meu papel foi institucional, em prol do Estado de Direito do País. A polícia, naquele período, tinha virado poder nas mãos de Lacerda não tenho nenhum arrependimento de ter enfrentado aquela situação. Desde que essa coisa começou temos sido, minha família e eu, alvos dessas constantes plantações.
O que mais se falou de Lacerda no escritório de Jobim?
Ao longo do tempo a conversa me causou muito incômodo. É sintomático, só hoje me faz sentido. O Jobim perguntou (a Lula) sobre Paulo Lacerda. 'Ele está voltando de Portugal', respondeu o presidente. 'Está por aí'. Eu digo que naquele momento não atribuí maior importância, mas a ficha caiu aos poucos. Dizem que (Lacerda) Está assessorando o PT. Eu tive uma informação, em 2011, que o Paulo Lacerda queria me pegar.
Por que o sr. não representou à Procuradoria Geral?
Não se tratava de representar. Na própria conversa (com Lula) eu demorei a perceber qual era o intuito. Percebi que havia algo errado, tanto que saí de lá (do escritório de Jobim), estava atrasado para um encontro com o senador Agripino, e logo disse a ele: 'Senador, passei por uma situação absolutamente atípica há pouco, diante de um homem ainda visivelmente doente. No dia seguinte comentei com o Sigmaringa Seixas o absurdo de uma situação daquela. Alguns jornalistas vieram me dizer que o próprio ex-presidente era a fonte de informação. Eu comecei a contar sobre aquela conversa (com Lula) para os jornalistas que diziam sobre comentários na CPMI. Veja o grau de desinformação. Depois que duas jornalistas falaram que a fonte era o próprio presidente, que ele estava difundindo essa versão, eu entendi todo o contexto da conversa.
O encontro com Lula no escritório de Jobim foi casual?
Eu tive vários contatos (com Lula), inclusive falei com ele em São Bernardo, quando voltou para casa. Chegamos até a pré agendar um encontro pessoal em São Paulo, mas aí ele foi hospitalizado novamente. O Jobim propôs me ligou um dia e disse: 'O Lula está aqui, não quer falar com ele?'. Para mim era uma oportunidade de revê-lo, de abraça-lo e, claro, colocar a conversa em dia. Óbvio que ele (Lula) continua um ator político importante.
O sr. demorou para revelar essa conversa com Lula. Por que?
Falei para as pessoas. Eu não tinha intuito de divulgar isso publicamente. A revista (Veja) veio me procurar e eu confirmei. Eu tratei de fazer interlocutores, inclusive do governo, saberem que havia algo de indevido. Olha, desde março isso vem sendo alimentado. Estamos vivendo de novo uma situação de descontrole. Por isso foi bom o vazamento de todo o inquérito porque evitou que esses estelionatários ficassem aí de posse de informações privilegiadas. Mas é claro que há uma bagunça no sistema, um quadro ridículo. A Procuradoria, a polícia e a Justiça têm que ordenar. Não é razoável que o cidadão que nada tem com a investigação fique se defendendo a partir de futricas divulgadas por esses estelionatários.
Que futrica?
Por exemplo, minha mulher celebrou aniversário. Enviamos convites públicos, (a revista) Caras estava lá, todos os convidados registrados fotograficamente. Saiu na imprensa. Aí aparecem pessoas, supostamente do grupo do Cachoeira, dizendo que Demóstenes iria faltar a um encontro porque teria que ir ao jantar do aniversário de minha mulher. O que isso mostra? Mostra o quadro surreal que estamos vivendo.
Que outra futrica o sr. pode citar?
Veja outra linha de idiotice. Eu seria responsável pelo retardo do Gurgel (Roberto Gurgel, procurador geral da República) em tomar medidas (com relação à Operação Monte Carlo, da PF). Isso está listado entre as bobagens. Outra linha que está no roteiro dessa investigação é o meu suposto envolvimento com o Jairo Martins, depois surpreendido nessa operação trabalhando com Cachoeira. Sei que (Jairo) é um desses antigos funcionários da Abin que tem uma firma de arapongagem. Eu não o conheço. Ele e ninguém da equipe dele trabalhou para o Supremo, pelo menos no nosso período. O caso da Celg (concessionária de energia elétrica de Goiás), uma decisão técnica tomada no processo vira tema de intrigas porque aparece numa conversa entre Demóstenes e Cachoeira. Alguém minimamente alfabetizado em Direito não faria um escarcéu em torno disso.
Como foi o encontro com Demóstenes na Europa?
O Demóstenes estava em Praga e nós nos encontramos lá. Fomos até Berlim. Não fizemos um passeio turístico oculto. Fomos recebidos pelos embaixadores em Praga e em Berlim. Uma viagem semioficial com toda a transparência e aí começam a fazer intrigas em torno disso, sobre o nosso relacionamento. Saímos lá publicamente, reitero, fomos recebidos pelo embaixador Everton Vargas em Berlim. O embaixador em Praga é o ex-chefe do cerimonial do presidente Lula. Aí a gente fica com esses investigadores, esses arapongas. Eles não precisavam disso, não precisavam fazer intrigas. Bastava telegrafar para a Embaixada via Itamaraty, que saberiam do trajeto que fiz.
A viagem à Berlim foi mesmo paga pelo sr.?
Eu viajo a toda hora, pago minhas despesas. Eu tenho o hábito de pagar as minhas despesas. Eu não vivo de subsídios sindicais. Eu tenho um livro que vendeu quase 100 mil exemplares. Só de direitos autorais eu poderia dar a volta ao mundo se quisesse. Não precisaria fazer uma viagem a Berlim paga por terceiros ou por sindicato.
O sr. está decepcionado com Demóstenes?
Nós tínhamos contatos. Eu fui o presidente do Supremo, ele (Demóstenes) era muito produtivo, foi o relator de quase todos os nossos projetos, era o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, um importante articulador para as questões do Judiciário.
29 de Maio de 2012
Se for convocado, Cavendish 'não vai ficar calado'
ALFREDO JUNQUEIRA / RIO
O Estado de S.Paulo
O Estado de S.Paulo
O empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, não pretende pedir habeas corpus ao Supremo Tribunal Federal, nem ficar calado caso venha a ser convocado a prestar depoimento à CPI do Cachoeira.
A afirmação é de seu novo advogado, Técio Lins e Silva, que passou a representá-lo no início da semana.
Ele substitui José Luis Oliveira Lima, que permanecerá como advogado da J&F - holding que está comprando a Delta.
"Onde quer que seja chamado, ele comparecerá para prestar a sua obrigação de cidadão, colaborando com as autoridades ou com quem quiser ou com quem estiver investigando em qualquer área ou instância", disse o advogado. "É o desejo dele."
Lins e Silva disse que, por enquanto, está apenas dando assistência jurídica a Cavendish, que "não é alvo de nenhum processo penal e não responde a nenhum inquérito policial, nem é indiciado na CPI".
Sobre ele, pessoa física, não há acusação.
"Portanto, não precisa de advogado criminal. Mas darei assistência para ajudá-lo a esclarecer tudo."
30 de maio de 2012
Deputado quer que CPI questione Lula sobre cerco ao STF
Democrata Onyx Lorenzoni encaminhou à comissão uma lista de perguntas para o ex-presidente, em que pede explicações sobre conversa com Mendes
Laryssa Borges
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista se reúne para ouvir o depoimento de Carlinhos Cachoeira
(Lia de Paula/Agência Senado)
(Lia de Paula/Agência Senado)
O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) encaminhou à CPI do Cachoeira uma lista de perguntas a serem enviadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele explique as investidas junto a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para atrasar o julgamento dos 38 réus do esquema do mensalão, o maior escândalo político do governo petista.
Reportagem da edição de VEJA desta semana revela que o ex-presidente tem coagido ministros da mais alta Corte do país para postergar o julgamento do mensalão para depois das eleições municipais de outubro.
Em relato a VEJA, o ministro Gilmar Mendes contou que Lula classificou como “inconveniente” que o STF julgue a ação penal envolvendo mensaleiros antes do pleito que irá definir prefeitos e vereadores em todo o país. Em troca do adiamento do julgamento, Lula ofereceu a Gilmar Mendes blindagem na CPI do Cachoeira.
O requerimento de Lorenzoni à CPI questiona o ex-presidente, por exemplo, sobre a razão pela qual Lula blindaria Mendes de possíveis investigações da comissão de inquérito e como o ex-chefe do Executivo poderia impedir a atuação dos parlamentares.
“Para que não paire dúvidas sobre a CPI”, o democrata ainda quer explicações sobre quem informou Lula de que o ministro teria viajado a Berlim e lá encontrado Demóstenes Torrer.
Contradição em termos
Dora Kramer
O Estado de S.Paulo
Em seu depoimento ao Conselho de Ética do Senado, durante cinco horas o senador Demóstenes Torres transitou entre dois papéis.
Ora mostrava profundo conhecimento do mundo e suas circunstâncias,
exibindo credenciais de larga experiência nas áreas jurídica, política e
administrativa, ora se apresentava como um néscio enganado durante 13
anos por um amigo íntimo, incapaz de se aperceber da impropriedade do
uso de telefone, despesas de festas e viagens em aviões pagos por
terceiros.
Como a figura do simplório não se coaduna com a atuação de
ex-procurador-geral de Goiás, ex-secretário de Segurança Pública do
mesmo Estado e senador sempre alerta para assuntos de desvios éticos e
corrupção, a versão que apresentou sobre suas relações com Carlos
Augusto Ramos (Cachoeira) revelou-se inverossímil.
Demóstenes Torres disse ao conselho que conheceu o hoje presidiário
em 1999, mas só veio saber de suas atividades ilegais em 29 de fevereiro
de 2012 quando Carlos Cachoeira foi preso, acusado de chefiar uma
organização criminosa envolvida em jogatina ilegal, lavagem de dinheiro,
tráfico de influência, espionagem e corrupção.
Buscou confundir a cena recorrendo a uma frase de efeito - "quero ser
julgado pelo que fiz não pelo que falei", como se a fala não traduzisse
no mínimo a intenção do gesto - e ao argumento de que é vítima de um
conluio entre o Ministério Público e a Polícia Federal, "para pegar um
parlamentar e instituir um estado policialesco no Brasil".
Além de surrada, a alegação conspiratória, de largo uso entre alvos
da cruzada ética em que o senador sustentou sua carreira, soa delirante
diante do fato essencial.
E este é a natureza de suas relações com Carlos Cachoeira.
O senador saiu do Conselho de Ética com elas mais complicadas do que quando entrou.
O senador saiu do Conselho de Ética com elas mais complicadas do que quando entrou.
A opção pela negativa de total desconhecimento sobre as atividades do
acusado de chefiar uma organização criminosa acabou conferindo
inverosimilhança à defesa do senador, justamente pela contradição
existente entre a argúcia marcante em sua trajetória profissional e a
ingenuidade extrema que buscou exibir ao se defender.
Com o quê, então, o rigoroso senador que no próprio dizer frequentava
todas as rodas de poder, defendia os interesses "republicanos"
(discernia-os, portanto) que fosse instado a defender, não percebeu que o
amigo próximo ao ponto de pagar pelos fogos de artifício da festa de
formatura da mulher era o mesmo flagrado pagando propina a Waldomiro
Diniz e depois indiciado pela CPI dos Bingos?
Segundo ele, acreditou quando Cachoeira lhe assegurou ter-se afastado
dos negócios ilegais.
Então sabia das ilegalidades, mas o teve como redimido?
Justiça seja feita ao senador Demóstenes, não foi o único alegadamente crédulo nessa questão.
Então sabia das ilegalidades, mas o teve como redimido?
Justiça seja feita ao senador Demóstenes, não foi o único alegadamente crédulo nessa questão.
O governador de Goiás, Marconi Perillo, bem como vários outros
empresários e políticos compraram a palavra de Carlos Cachoeira pelo
valor de face deixando ao encargo do passado os fatos que, como logo se
viu, estiveram sempre presentes.
No trânsito entre os dois personagens incorporados no depoimento, o senador Demóstenes deixou ao mais sagaz deles o cuidado de não envolver colegas, embora tenha acentuado as relações do réu com "dezenas de parlamentares", numa evidente aposta na salvação pelo voto secreto do plenário.
Ilegal, e daí?
Um trecho de telefonema entre Demóstenes Torres e Carlos Cachoeira publicado pelo Estado e citado no Conselho de Ética pelo relator Humberto Costa, diz bastante sobre doações legais e ilegais para campanhas eleitorais.
Um trecho de telefonema entre Demóstenes Torres e Carlos Cachoeira publicado pelo Estado e citado no Conselho de Ética pelo relator Humberto Costa, diz bastante sobre doações legais e ilegais para campanhas eleitorais.
Demóstenes demonstra receio de que a construtora Delta tenha feito
"doação oficial" para ele. Tranquiliza-se quando Cachoeira garante que
não.
Ou seja, caixa 2 tudo bem.
Recursos devidamente contabilizados já são complicados, pois podem vir a servir de prova ou indício em eventuais investigações sobre ilícitos envolvendo doador e receptor.
30 de maio de 2012
Recursos devidamente contabilizados já são complicados, pois podem vir a servir de prova ou indício em eventuais investigações sobre ilícitos envolvendo doador e receptor.
30 de maio de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)








