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terça-feira, 27 de março de 2012

Demóstenes já foi condenado à morte política pelo eleitorado que traiu


Renuncie ao mandato, senador



A reação do timaço de comentaristas à descoberta do lado escuro do senador Demóstenes Torres escancarou o abismo que separa o Brasil que presta do país reduzido pela Era Lula a um imenso clube dos cafajestes.

Confrontados com as ligações promíscuas entre o parlamentar do DEM goiano e o delinquente Carlinhos Cachoeira, reveladas por VEJA, os brasileiros decentes não engoliram as desculpas indigentes gaguejadas pelo amigo de bicheiros.

Continuaram a ver as coisas como as coisas são.

E enxergaram no que parecia um oposicionista engajado no combate à corrupção mais um prontuário em ação na Casa do Espanto.

Conforta-me a leitura dos comentários que enriqueceram o primeiro post sobre Demóstenes Torres.

Os textos não escondem a decepção e a perplexidade dos brasileiros que respeitam a lei, os valores morais e as normas éticas.

Mas nenhum cede à tentação de justificar o injustificável.

Nenhum escorrega no farisaísmo, na hipocrisia e na pouca vergonha que orientam a contra-ofensiva que inevitavelmente mobiliza pais-da-pátria e soldados rasos quando um bandido de estimação é pilhado em flagrante.

Para o país que pensa, o que já foi revelado é suficiente para a incorporação de Demóstenes à bancada dos desmoralizados.

Nenhum comentarista berrou que todos são inocentes até o julgamento do último recurso.

Ninguém exigiu mais provas, nem rabiscou outro poema celebrando o “devido processo legal”.
Isso é conversa de devoto da seita que primeiro inocenta e depois canoniza todos os culpados do rebanho.

Demóstenas capitulou?

Paciência.

A rendição não virá, e o vazio deixado pelo desertor começa a ser preenchido pelo senador Pedro Taques, do PDT de Mato Grosso.

Também originário do Ministério Público, Taques avisou nesta segunda-feira que não tratará com indulgência o colega com quem vivia dividindo projetos e ideias. “Vou tomar as minhas providências”, informou. “Não podemos proteger os amigos e prejudicar os inimigos”.

Numa das conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, a advogada Flávia Coelho, mulher do senador, conta a Carlinhos Cachoeira que o marido estava sob o assédio de cardeais do PMDB interessados em anexá-lo ao que Ciro Gomes qualificou de “ajuntamento de assaltantes”.

Flávia e Cachoeira parecem muito animados com a ideia, que por algum motivo gorou.

Pior para Demóstenes.

Se tivesse atendido aos desejos da dupla, estaria neste momento sob a proteção de Lula, amparado por Dilma Rousseff e transformado pela turma da esgotosfera em mais uma vítima da mídia golpista.

Como se trata de um político da oposição, as milícias festejaram histericamente a chance de recitar, de novo, o bordão celebrizado por Chico Anysio quando encarnava Tavares, o canalha. “Sou, mas quem não é?”.

Nós não somos, retrucam os textos do timaço dos comentaristas.

Canalhas são os que tentaram impedir o despejo dos ministros ladrões e tentam agora garantir o emprego de um Fernando Pimentel.

Canalhas são os que fazem do assalto aos cofres públicos um instrumento eleitoreiro.

Esses têm tanta autoridade para atacar o senador goiano quanto teria um pedófilo para fazer palestras sobre educação infantil.

Demóstenes já foi condenado à morte política pelo eleitorado que traiu.

Restam-lhe duas opções.

A primeira é ignorar as provas e evidências, apostar no corporativismo da Casa do Espanto e vagar feito zumbi pelo Congresso até ser formalmente sepultado na próxima eleição.

A outra é pedir desculpas aos eleitores ultrajados, devolver o cargo e voltar para casa.

A segunda alternativa é menos indigna.

E ofereceria à multidão de decepcionados o consolo de saber que alguns políticos ainda conseguem envergonhar-se dos pecados cometidos.
Renuncie ao mandato, senador.


26/03/2012 

segunda-feira, 26 de março de 2012

A democradura capimunista do crime organizado



Em um regime democrático de verdade, todos devem ter direito à livre manifestação do pensamento e expressão.

Tal liberdade deve ser exercida com responsabilidade e respeitando os outros que também têm o direito de pensar e se expressar de forma diferente.

Na democracia, a livre opinião não pode nem deve descambar para radicalismos e dogmas ideológicos que produzam conflitos na sociedade.

Quando isto ocorre, é sinal de que o totalitarismo está em marcha (e não necessariamente usando coturnos ou transportado em tanques de guerra).


A insistente propaganda ideológica contra os militares no Brasil, promovida desde a década de 60 e aprofundada quando o General João Figueiredo deixou o Palácio do Planalto pela garagem dos fundos, é um sinal da fragilidade institucional tupiniquim.

Forças Armadas fracas, atacadas permanentemente em sua imagem e submetidas à falta de recursos demonstram a fragilidade de uma nação.

Por isso o Brasil passa sempre a impressão de ser uma rica colônia de exploração mantida artificialmente na miséria pelo sistema globalitário que nos controla.


O ataque aos militares é um tiro fatal na soberania do Brasil – que eles têm o dever supraconstitucional de garantir.

Sim!

O dever do militar está acima até da Constituição.

Afinal, a Lei Maior só existe porque há uma Nação – e não necessariamente o contrário.
As Forças Armadas fazem parte das instituições nacionais permanentes.

Quando os militares são atacados, na verdade, quem leva o tiro mortal é a Pátria.

Os agentes conscientes ou inconscientes que promovem a guerra psicológica permanente contra as Forças Armadas, na realidade, jogam no time dos inimigos do Brasil – cujo principal objetivo é impedir nossa soberania, independência e desenvolvimento.


Analisando os ataques contra as Forças Armadas sob tal ótica, fica evidente que interessam aos inimigos do Brasil os confrontos ideológicos promovidos por ignorantes, radicalóides ou revanchistas.

Neste clima de desmoralização, cabe aos militares cada vez mais equilíbrio e respeito ao princípio democrático.

A neutralização dos inimigos não deve se dar pela via das armas.

Mas pelo (mais difícil) caminho da sabedoria – combinando inteligência, política e estratégia.


Os inimigos devem provar do próprio veneno.

Grupos de fanáticos (Tortura Nunca Mais, UNE e outros) estão usando redes sociais convocar pessoas a se reunirem em frente ao Clube Militar e incitando-as a hostilizar os sócios e convidados nos eventos que vão lembrar 1964.
Aqueles que agem assim devem ser apresentados à sociedade com o seu verdadeiro rótulo: ou são meros idiotas (agentes inconscientes), ou são meros fanáticos ideológicos, ou são inimigos do Brasil (agentes conscientes a serviço de nossos colonizadores).


Os ataques programados contra os militares lembram, claramente, a ação das SA no período anterior e durante o nazismo na Alemanha.

A Sturmabteilung era uma divisão de assalto que promovia o terror junto aos inimigos dos nazistas.

Como o grupo radicalóide se tornou uma ameaça ao poder de Hitler, aos poucos acabou substituído pela SS (Schutzstaffel), um grupo de elite que contava com homens selecionados e disciplinados.

A partir de 1939, o esquema evoluiu para a Waffen SS (SS Armada).


No Brasil atual, a coisa é um pouco diferente. Quando os radicalóides precisam usar e abusar da força, recorrem ao sistema do Crime Organizado.

Terceirizam a mão de obra das facções criminosas – onde têm membros infliltrados e de onde também retiram recursos financeiros (do tráfico de drogas, das operações mafiosas e da corrupção contra a máquina pública) para seus objetivos de inviabilizar a Pátria e conter as potencialidades nacionais.

O poder de tal Governo do Crime Organizado cresce, sem a devida reação da sociedade, principalmente dos militares – seus alvos preferenciais.


Eis o que está por trás do nazirevanchismo em voga há muito tempo no Brasil.

Militares também não devem responder às agressões com os mesmos métodos nazistóides.

Se agirem assim, fazem o manjado jogo do inimigo – que só aguarda uma oportunidade para um ataque mais pesado, empregando a força armada das organizações criminosas.

Aos militares, neste momento, cabe a nada fácil missão de resistir e neutralizar seus verdadeiros inimigos, indicando quem são e representam de verdade.


A sociedade brasileira é quem deverá reagir contra o projeto nazista do Governo do Crime Organizado.

Se ela não reagir – e os militares se tornarem cada vez mais fracos -, o Brasil vai caminhar para a democradura capimunistaum regime disfarçado de leis opressoras e injustas que a maioria será obrigada a obedecer, sob as ordens de um Estado que se intromete na vida nacional, aparelhado pela governança do crime organizado.


O Supremo Tribunal Federal terá um papel fundamental, na próxima quarta ou quinta-feira, no aprofundamento ou não desse sistema criminoso.

Se o STF flexibilizar a interpretação sobre a Lei de Anistia, teremos o sinal claro de que está escancarado o caminho para uma ruptura institucional, com radicalismos de todos os lados.

Novamente, cabe lembrar que isto só interessa aos inimigos do Brasil.

26 de março de 2012

Voz no deserto



Por que não formamos um grande coro?

Porque temos receio de críticas ou preferimos desviar o rosto e os olhos e fechar a boca?

Por Lya Luft
REVISTA VEJA

Nunca fui muito ligada em futebol, mas sempre me agradou o entusiasmo masculino por ele na minha casa, desde quando meu pai ouvia jogos e torcia nas tardes de domingo, no rádio (não, não havia televisão na minha infância, para espanto de um de meus netos quando bem pequeno, provocando-lhe a deliciosa pergunta: "Mas não tinha dinossauro, né, vovó?").

Com o tempo e o convívio, acabei apreciando, mesmo sem entender aquele jogo com termos e regras enigmáticos.


Essa introdução é para dizer que me causaram admiração e tristeza os comentários do agora deputado Romário sobre o Congresso, a Copa e outros temas.

Porque ele, político estreante, teve a coragem, e porque tudo me pareceu tão evidente, e tão corajoso neste nosso teatro de invenções e negação da realidade.

Animou-me um deputado comentar que ali no Parlamento poucos de verdade trabalham; que muito do que se anuncia sobre a Copa é bastante improvável; e que há perigo de também nela acontecerem propina, desvio de dinheiro, o circo habitual.


Entristeceu-me que tão poucas pessoas reagissem, e que coubesse a ele, jogador de futebol, e deputado novato, botar em palavras, publicamente, o que muitos de nós percebemos, com maior ou menor entendimento e lucidez, mas não fazemos nada.
Por que não formamos um grande coro?

Porque temos receio de críticas ou preferimos desviar o rosto e os olhos e fechar a boca?
As recentíssimas denúncias sobre propina em entidades públicas ligadas a hospitais e licitações são de estarrecer.

A naturalidade com que, entre nós, se cometem tais atos ilegais é espantosa.


Ou eu estou fora do esquadro, faço parte do pequeno bando anônimo que ainda se assombra?

Sei que os governantes que querem o bem deste povo, deste país, dos estados, municípios, podem ainda nos salvar.

Sem a pretensão de ensinarmos ao mundo, de sermos melhores que americanos ou europeus, mas tentando ser o melhor que nós aqui podemos ser.

E certamente é bem mais do que estamos sendo, com péssimos transportes, educação insuficiente e confusa, ideias mirabolantes, saúde um susto, primeiros consumidores começando a ficar inadimplentes porque o estímulo ao consumo pode agradar de um lado mas prejudicar de outro.

Não digam que sou pessimista: seria simples demais.

Nem digam que sou contra governos ou partidos: seria preconceituoso.

Na verdade não tenho partido, acho mesmo que existem raros partidos no velho sentido da palavra, siglas permanentes, seguidores fiéis, ideologia coerente, sensata e firme.

Eu apenas observo.

Leio.

Escuto.

Assisto a noticiosos.

Interpreto voz, entonação, semblante dos que por nós falam: não sou nem otimista nem negativa, quero apenas que tudo finalmente tome um rumo, firme, coerente, realista e eficiente.

Sem tanta gente ainda morrendo em hospitais ou emburrecendo nas escolas por falta de bons profissionais e ótimos projetos.

Projetos realizáveis, não impossíveis, não tentativas aleatórias com nossas crianças, jovens, velhos, operários, intelectuais, estudantes, garis, domésticas, agricultores, médicos, engenheiros, trabalhadores de qualquer ramo.

Que a gente não fique na utopia de que vamos ensinar os países mais adiantados, porque, repito, ainda não conseguimos encaminhar nossos próprios projetos, resolver alguns dos mais graves problemas deste povo que precisa tanto e muitas vezes nem sabe disso. Imagino a dificuldade dos bons governantes para mudar os rumos do que nos deixou fragilizados.

E acho que nós, os cidadãos comuns, poderemos ajudar, se não aceitarmos fatos ruins como coisa natural, não acreditarmos em promessas nem em exigências absurdas, se cumprirmos com excelência nosso dever de cada dia, que inclui trabalho, cuidado com a família, honradez e patriotismo – cada um dentro de suas possibilidades.

O que realmente estou querendo dizer é que, num deserto de ideias lúcidas e opiniões honradas, a gente precisa tentar, com amor e coragem, abrir caminhos, portas, janelas, e ajudar a mudar as coisas que podem ser mudadas.
26.03.2012

Ministro das Cidades pagou hospital com dinheiro público



Tribunal de Contas da PB diz que Aguinaldo Ribeiro recebeu R$ 137 mil



Segundo conclusão do órgão de fiscalização, por não fazer parte do contingente de pessoas carentes do estado, o hoje ministro não precisaria ter recebido recursos públicos para custear tratamento médico
André Coelho / Arquivo O Globo


RIO - Uma auditoria do Tribunal de Contas da Paraíba constatou que o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, recebeu junto com o pai e uma irmã, em 2008 e 2009, quando era deputado estadual (PP), quase R$ 137 mil da Assembleia Legislativa da Paraíba, usados para tratamento no Hospital Sírio-Libanês, revelou ontem reportagem do “Fantástico”.

Segundo conclusão do órgão de fiscalização, por não fazer parte do contingente de pessoas carentes do estado, o hoje ministro não precisaria ter recebido recursos públicos para custear tratamento médico.
Aguinaldo Ribeiro não se pronunciou sobre o caso.


Na mesma reportagem, o “Fantástico” mostrou um suposto esquema de cobrança de propina e indícios de superfaturamento na licitação de um programa que transformaria João Pessoa na primeira capital digital do país, monitorada por câmeras e com acesso gratuito a internet para todos os moradores.

O projeto Jampa Digital foi inaugurado por Aguinaldo Ribeiro em março de 2010, que, à época, era secretário de Ciência e Tecnologia de João Pessoa.

O projeto prometia acesso gratuito a internet em 20 pontos da cidade, mas, até hoje, não funciona.

  26/03/12

A Teoria do Atraso informa que Rebelo precisa de mais chutes nos fundilhos






Aldo Rebelo escapou por pouco de Salomé, lamentei no comentário de 1 minuto para o site de VEJA.

Se Chico Anysio não tivesse morrido nesta sexta-feira, a gaúcha de Passo Fundo que usava o telefone para dizer verdades a quem estivesse na Presidência da República já teria conversado com Dilma Rousseff sobre o mais recente monumento ao ridículo erguido pelo ministro do Esporte: a Teoria do Atraso.

Segundo o autor, brasileiro gosta tanto de atraso quanto de futebol ou de carnaval. É por isso que as obras ligadas à Copa do Mundo não vão ficar prontas no prazo combinado. É por isso que as promessas feitas à Fifa não foram ainda cumpridas.


“Nós também temos nossos problemas civilizatórios”, caprichou o ministro.

“Um deles é o atraso.

A gente atrasa até para sair de casa para o cinema, para o restaurante.

Então, isso é uma coisa da nossa cultura.

Mas tudo funciona”
.




Depois de lembrar que “até reunião ministerial atrasa”, Rebelo comparou o maior evento futebolístico do mundo a uma noitada na Sapucaí.

“Quem acompanha a preparação de um desfile de escola de samba acha que aquilo não vai sair, mas todo ano acontece e é um evento de referência”, discursou.

“O brasileiro tem um jeito próprio de organizar e sempre entrega o que precisa”.


Conversa fiada, deveriam ter berrado em coro os jornalistas que testemunharam o elogio da irresponsabilidade, da inépcia, do desperdício e da pouca vergonha.

Acordos devem ser cumpridos.

Quem esquece a palavra empenhada é vigarista.

Cronogramas têm de ser respeitados.

O “jeitinho brasileiro” é o outro nome da cafajestagem.


O que Rebelo qualifica de “coisa da nossa cultura” é apenas um sintoma de primitivismo.

Improviso é para craques de futebol .

Jogo de cintura fica bem em passistas de escola de samba.

Adotados como norma por um governo, tais virtudes apenas encurtam o caminho que leva ao fracasso e ampliam as dimensões do fiasco.

O atraso das obras desmata a trilha no matagal por onde avançam os contratos sem licitação, os preços superfaturados, o programa Propina para Todos, a roubalheira escandalosa.


Enquanto os pagadores de impostos bancam a gastança bandida, o ministro do Esporte promove a formas de arte o estelionato, a ladroagem e a fraude.

Enquanto o militante do Partido Comunista do Brasil mantém a cabeça estacionada no século 19, o supercartola do Planalto negocia em moeda cunhada no século 21.

É compreensível que o comunista-capitalista celebre a beleza do atraso.


O falatório desta semana informa que passou o efeito do merecidíssimo chute no traseiro.

Está na hora do segundo.

Um bom pontapé nos fundilhos pode tornar Aldo Rebelo tão pontual quanto um lorde inglês.



24/03/2012




domingo, 25 de março de 2012

Serra vence prévias e será candidato do PSDB à Prefeitura de SP




Ex-governador teve 52,1% dos votos neste domingo (25)

Tucano foi o último a entrar na corrida interna do partido


Paulo Toledo Piza
Do G1 SP



O ex-governador de São Paulo José Serra venceu as prévias do PSDB neste domingo (25) e é o candidato do partido à Prefeitura da capital paulista nas eleições deste ano. Serra recebeu 52,1% dos votos; seus concorrentes, o secretário estadual de Energia, José Aníbal, e o deputado federal Ricardo Tripoli, receberam, respectivamente, 31,2% e 16,7%.

Ao todo, 6.229 militantes do partido votaram, sendo que Serra recebeu 3.176 votos, seguido de Aníbal (1.902) e Tripoli (1.018). Os votos brancos ou nulos somaram 133.

Em seu discurso, o ex-governador pediu empenho à militância. “Temos que trabalhar muito na internet, na TV, no rádio, no horário eleitoral e, principalmente, no boca a boca, na conversa com o vizinho, o tempo inteiro”, disse. Ele evitou citar adversários, mas afirmou que seus correligionários têm que mostrar “a diferença entre nós e eles”. Serra ressaltou ainda que, se eleito, trabalhará com todo tipo de parceria, principalmente com o governo do estado.


Durante sua fala, ele também citou alguns projetos iniciados em sua gestão como prefeito e, depois, como governador. Antes de Serra discursar, os pré-candidatos derrotados tiveram a palavra. Tripoli disse que as prévias demonstraram uma “escolha limpa e justa”. Já Aníbal afirmou que o partido “sai fortalecido das prévias, principalmente em sua unidade”.


Serra discursa após anúncio do resultado das prévias do PSDB
(Foto: Paulo Toledo Piza/G1)

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que já tinha declarado o voto em Serra antes das prévias, disse que ele tem apoio total do partido na campanha municipal.

Participação tardia

O agora candidato à Prefeitura foi o último a entrar nas prévias do partido, em 28 de fevereiro. Sua participação tardia fez com que as prévias, que ocorreriam no início de março, fossem postergadas para este domingo (25).

Além do adiamento, a entrada do ex-governador fez com que outros pré-candidatos desistissem de concorrer internamente. O primeiro a anunciar a saída foi o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo. “Serra sempre será mais credenciado do que eu para cargos que disputarmos. Vou continuar lutando com o mesmo ímpeto”, afirmou na época.

Em seguida foi a vez do secretário de Estado do Meio Ambiente, Bruno Covas, retirar sua pré-candidatura. “No meu entender, o ex-governador José Serra tem uma densidade política, uma densidade eleitoral, uma possibilidade de vitória, de agregação de forças eleitorais dentro e fora do PSDB que a gente não pode negar e tapar o sol com a peneira.”


25/03/2012

sábado, 24 de março de 2012

Gravações revelam novos favores de Cachoeira a Demóstenes


Corrupção


Trechos de conversas obtidas pela Polícia Federal durante operação que investigou esquema de exploração ilegal de jogos mostram como era próxima a ligação entre o contraventor e o senador da oposição

Rodrigo Rangel
Veja

Gravações da PF revelam novos favores de Carlinhos Cachoeira a Demóstenes Torres (Montagem)


Novos trechos de conversas gravadas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, que investigou um esquema de exploração ilegal de jogos com sede em Goiás e negócios em Brasília e outros estados da federação, dão mostras da intimidade entre o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de ser o chefe da quadrilha.

Os diálogos, aos quais VEJA teve acesso, revelam novos favores do contraventor ao senador de oposição.

Num deles, gravado em maio do ano passado, Cachoeira avisa ao senador: “Não esquece do avião, não, tá aí esperando, tá?”.

Em outro telefonema, também do ano passado, ao ouvir de Demóstenes a queixa de que seu tablet iPad acabara de quebrar, Cachoeira é diligente na solução: diz que vai mandar alguém entregar um aparelho novo ao senador.
A conversa em que Cachoeira se refere ao avião é datada de 20 de maio de 2011, uma sexta-feira, e foi registrada nos relatórios da Polícia Federal sob o título “Carlinhos oferece aeronave para Demóstenes”:

Demóstenes - Fala, professor.

Cachoeira - Não esquece do avião não, tá aí esperando, tá?

Demóstenes - Já liguei pra ele, tô indo lá, dei uma enrolada aqui.

O diálogo em que Cachoeira diz que providenciará um tablet novo para o senador se deu duas semanas depois, em 4 de junho.

Num dos relatórios da operação, a PF resumiu assim a conversa: “Demóstenes reclama que seu iPad deu pau, Carlinhos diz que vai mandar alguém entregar um novo”.

No mesmo telefonema, Demóstenes diz a Cachoeira que está se dirigindo ao aeroporto “para buscar o Toffoli”.

De acordo com fontes ligadas à investigação, trata-se do ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

Em 11 de agosto de 2011, Cachoeira e Demóstenes conversam sobre o que seria, na avaliação do senador, “um tiro direto” no PT. Demóstenes fala em em abrir uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o partido do governo:

Cachoeira
– Eu vi, eu vi as cenas lá, hein?

Demóstenes
– É... Isso é bom, hein. Isso é bom que dá um tiro direto neles aí né, a gente faz a CPI do PT.

Cachoeira
– Exatamente. Beleza.

Demóstenes
– Falou mestre, um abraço.

Cachoeira
– Outro, doutor. Tchau.

Em outra conversa, Cachoeira fala com a mulher de Demóstenes, Flávia, que comemora a obtenção de sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil e trata com o contraventor da possibilidade de o senador se transferir para o PMDB.

Cachoeira se mostra favorável à mudança de partido – e também confiante de que um dia seu amigo Demóstenes possa se tornar ministro da Suprema Corte.


Flávia – Tô com a vermelha no bolso, 32.650, pode arrumar cliente aí pra mim (...) Tô com a vermelhaça no bolso (...)

Cachoeira - Ah, sua carteira, né? Parabéns, viu? Você vai usar ela muito e só em causa grande.

Flávia
– Eu fui num jantar no Sarney com o Demóstenes, o Demóstenes hoje é um dos influentes que existem no quadro nacional todo, tem trânsito com todo mundo.

Cachoeira – É, sei disso. Ele já foi pro PMDB não?

Flávia – Não, mas o Renan [refere-se a Renan Calheiros, um dos caciques do PMDB] tá todo amor por ele que tá é assustando.

Cachoeira – Ele me falou, você acha que ele vai?

Flávia – Carlinhos, é uma decisão tão difícil, né? Acho que uma das decisões mais difíceis que ele tem que tomar é essa, viu? Muito complicado, eu acho muito complicado.

Cachoeira
– É, mas ele não tem saída, não. Ele tem que ir para o PMDB. Vai fundir o PSDB com o DEM, aí ele tem que ir pro PMDB, até virar STF, né? Aí você não pode advogar e pronto.

Carlinhos Cachoeira, então, volta a parabenizar a mulher do senador por ter obtido a carteira da OAB e ela arremata, agradecendo: “Obrigado. Essa conquista aí é nossa. Depois vamos tomar um champagne”.

Há três semanas, VEJA revelou que Demóstenes recebeu de presente de casamento de Cachoeira uma geladeira e um fogão importados, de uma marca americana de luxo que usa como chamariz em suas propagandas o fato de estar presente nas casas de astros de Hollywood e também na cozinha da Casabranca.

Os dois presentes valem mais de 30 mil reais.


Durante a investigação, a Polícia Federal descobriu que Cachoeira e Demóstenes se falavam por meio de um rádio Nextel habilitado em Miami, nos Estados Unidos. Era uma estratégia do contraventor, segundo os investigadores, para dificultar grampos.

Na edição desta sexta-feira, o jornal O Globo mostrou que em outra investigação, feita em 2009, Demóstenes Torres aparece aceitando favores de Cachoeira em suas viagens de avião: o senador pedia que o contraventor pagasse uma despesa sua com táxi-aéreo, no valor de 3 mil reais.

Procurado por VEJA, Demóstenes não atendeu as ligações.

Sua assessoria informou que ele não está dando entrevistas sobre a investigação.

E repassou a tarefa ao advogado do senador, Antônio Carlos Almeida Castro, criminalista estrelado de Brasília, também conhecido como Kakay.

O advogado diz que não falará pontualmente sobre os diálogos sem antes ter acesso à integra das conversas envolvendo Demóstenes.

Ele afirma que há doze dias esteve pessoalmente com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para pedir acesso às escutas, mas até hoje não foi atendido.

“Ou essas conversas são triviais e não têm indício de crime ou os encarregados da investigação teriam que ter passado isso imediatamente para o Supremo Tribunal Federal, por envolver um senador. Se isso não foi feito, a investigação é ilegal”
, diz o advogado.


sexta-feira, 23 de março de 2012

Argentina temia ambição nuclear de Lula, diz WikiLeaks


'Luz amarela' acendeu no país vizinho com aproximação entre Brasil e Irã

Lula com Ahmadinejad durante visita do ex-presidente ao Irã (AFP)

A Argentina temia que as ambições internacionais do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva levassem o Brasil a rever seus compromissos na área de proliferação nuclear - caminhando perigosamente rumo à bomba atômica. Em conversa reservada com diplomatas americanos no dia de Natal de 2009, funcionários argentinos disseram que uma "luz amarela" acendera em Buenos Aires diante da aproximação do Brasil com o Irã e da abertura de uma embaixada brasileira na Coreia do Norte.

O relato completo do encontro está entre as centenas de arquivos da Embaixada dos EUA em Buenos Aires divulgados pelo WikiLeaks.

A mensagem confidencial revela como traços da rivalidade histórica no campo nuclear entre os vizinhos não foram totalmente apagados, nem mesmo com a aproximação a partir do fim dos anos 80 e a calorosa relação entre os governos Lula e Néstor Kirchner.

O chefe da direção de assuntos atômicos da Chancelaria de Buenos Aires, Gustavo Ainchil, falou sobre o temor argentino à embaixadora americana Vilma Martínez. Amparado em sua "imensa popularidade", Lula adotou uma postura "arriscada", analisou o argentino, classificando-o como um "aventureiro na política externa e nas questões de defesa".

Além do Irã e da missão em Pyongyang, Ainchil cita o fato de o Brasil ser "o único Bric" sem a bomba atômica - em 2009, a África do Sul ainda não integrava o grupo. Ainchil diz que há "certo alívio" na Argentina com o iminente fim do governo Lula.

"Nenhum sucessor tentará manter uma política externa tão arriscada."


Preocupação - Antes dessa conversa, outro diplomata argentino, não identificado, havia procurado a Embaixada dos EUA em Brasília com a mesma mensagem de preocupação.

O despacho revelado pelo WikiLeaks foi enviado dois meses após o vice-presidente José Alencar ter defendido uma arma nuclear brasileira, o que "daria mais respeitabilidade" ao país.

A Argentina chegou a pensar em uma resposta a uma eventual retirada do Brasil da agência argentino-brasileira de controle nuclear (ABACC) ou mesmo na possibilidade - "improvável" - de o país fabricar a bomba.

Os argentinos, então, buscariam "desenvolver tecnologia nuclear pacífica avançada para mostrar sua capacidade, mas sem seguir o caminho todo até a bomba".

Anchil também demonstrou preocupação com o ritmo das compras militares brasileiras.
A Argentina estava particularmente incomodada com uma visita a Buenos Aires do ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, quando ele fez um discurso sem coordenação prévia com o governo argentino.

Em represália, funcionários dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores da Argentina haviam sido instruídos a não comparecer ao evento, de acordo com Anchil.

Ele sugeriu ainda que a influência de Jobim era vista pelo governo argentino como "excessiva" dentro do Brasil.
(Com Agência Estado)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Imprensa 'enxovalha' o Judiciário



Sartori diz que imprensa 'enxovalha' o Judiciário

MARIÂNGELA GALLUCCI
Agência Estado

O presidente do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, Ivan Sartori, afirmou nesta quarta que a imprensa tem feito uma campanha para "enxovalhar" o Judiciário.

Após uma reunião com a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, que analisa pagamentos vultosos a magistrados paulistas, Sartori afirmou que os juízes não são alvo de investigação e disse que o TJ e o CNJ são "parceiros".

"Investigação é um termo parcial, um termo pejorativo e um termo perverso para enxovalhar a magistratura e isso é uma campanha que vem sendo feita por dois jornais do Estado de São Paulo, que são a Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo. Embora às vezes a reportagem saia no contexto a manchete sempre é depreciativa, sempre enxovalha a magistratura.
E isso nós não podemos admitir.
Eu não vou admitir e vou defender até a morte",
afirmou.

"Investigação diz respeito a indiciamento, diz respeito a suspeita. Leia a código de processo penal", disse Sartori para um jornalista.

O presidente do TJ afirmou que o tribunal paulista é transparente e apoia a inspeção nos pagamentos. "Eu converso diariamente com esses jornalistas, bato nas costas, dou café e assim mesmo vêm e distorcem o que eu estou dizendo", declarou.

Sartori afirmou que após conversar com Eliana Calmon concluiu que a corregedoria faz uma "aferição de rotina" por amostragem nos pagamentos da magistratura do País e não uma investigação direcionada aos juízes de São Paulo.

Durante a entrevista concedida ao lado de Eliana Calmon, Sartori negou que tenha lançado um "desafio de contracheques" ao afirmar na véspera que mostraria seu contracheque se a corregedora fizesse o mesmo.

A corregedora afirmou que o presidente do TJ disse isso porque os jornalistas "terminam irritando tanto". "Nós não precisamos entregar o contracheque. Sabe por quê? Porque no portal da transparência já está o quanto eu ganho, quanto o desembargador Sartori ganha. Não precisa mostrar os contracheques. Ele sabe disso. Ele disse isso porque vocês irritaram muito", disse.

Segundo Eliana, "a palavra investigação traumatiza a magistratura" porque dá a impressão de que a inspeção estaria direcionada para determinados juízes.

"Eu não vou direcionar essa investigação para nenhum desembargador. É uma inspeção de rotina", afirmou.

A corregedora contou que esse trabalho já foi feito em tribunais pequenos, sem que fossem feitos comentários.

"Quando se trata de um grande tribunal como São Paulo tudo fica superdimensionado", disse.

Precatórios - Eliana Calmon e Ivan Sartori estiveram reunidos hoje em Brasília para analisar um relatório elaborado pela Corregedoria sobre a situação dos precatórios no Estado de São Paulo.

De acordo com os dados mais recentes, a dívida é estimada em R$ 20 bilhões.

Segundo Eliana Calmon, o grupo do CNJ não encontrou irregularidades de ordem disciplinar.

"A ordem cronológica dos precatórios está embaraçada", disse.
21 de março de 2012

Sem consenso, votação da Lei Geral da Copa é adiada





Com pressa para atender à Fifa, governo erra ao orientar discussão sobre assunto mesmo sem acordo. Líderes de partidos obstruíram votação



Gabriel Castro e Luciana Marques
Veja

Um erro de avaliação do Planalto, em plena rebelião da base aliada, inviabilizou a votação da Lei Geral da Copa nesta semana.
Mesmo sem consenso entre os líderes partidários, o presidente da Casa, Marco Maia (PT RS), cedeu à pressão do governo e anunciou que o tema entraria em pauta nesta quarta.

O problema é que parte dos deputados (especialmente a bancada ruralista) exige, em troca, que seja definida a data para votar o Código Florestal - mas o governo não quer se comprometer com a apreciação do projeto que trata do uso do solo do país.

Isso, somado à insatisfação crescente na base aliada, gerou o resultado previsível para todos - só o governo não viu.


O imbróglio foi ignorado e Maia anunciou a votação: "A Lei Geral da Copa não tem nada a ver com o Código Florestal", disse, pouco antes do início da sessão da sessão.

O petista sabia, entretanto, o que estava por vir.

Em sequência, partidos adotaram uma artimanha regimental e começaram a anunciar a obstrução dos trabalhos, impossibilitando a votação por falta de quórum.



Foi o que fizeram PMDB, PSD, PR, DEM, PDT, PV, PSC, PMN e PSDB.

A insatisfação dos deputados vai além da falta de acordo sobre o Código: os líderes de PR e PDT, por exemplo, declararam abertamente em plenário que protestavam contra a falta de traquejo do governo na relação com a Câmara.

Os deputados nem chegaram a analisar o mérito da Lei da Copa: a sessão se encerrou ainda durante a votação de um requerimento do PSDB, que pedia a retirada do assunto de pauta.

Apesar do plenário repleto, boa parte dos deputados aderiu à obstrução e não marcou presença.

O placar, inútil, ficou de 135 votos contra oito para manter a votação nesta quarta.

Doze deputados se abstiveram.

O número mais impressionante, porém, foi o de parlamentares em obstrução: 138.

Foram eles que inviabilizaram a votação.


"Nós vamos agora dar um tempo ao governo. Digamos que nós entramos na prorrogação, vamos ver se não é necessário ir para os pênaltis", disse um resignado Marco Maia à imprensa, ao fim da sessão.

Do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), veio a avaliação mais lúcida: "Os líderes não estão segurando suas bancadas".

Ele afirmou que, se o texto da Lei da Copa fosse votado nesta quarta, como queria o governo, a chance de derrota seria altíssima.

Pela ótica de Alves, os peemedebistas até ajudaram quando defenderam a obstrução: desta forma, mantêm o projeto em pauta e evitam que a Câmara rejeite o texto.
Pressão

Os líderes aliados alegam que não são contra o projeto da Lei da Copa, mas, sim, contra o posicionamento do governo.

A postura do presidente da Câmara atende à pressão do Executivo, que quer ver a Lei da Copa aprovada rapidamente e, ao mesmo tempo, não pretende dar qualquer garantia sobre o Código Florestal.

"Eu acho razoável por parte do governo que haja uma preocupação com a votação do Código Florestal. É importante dar um tempo para o governo, e eu quero dar mais uma semana para que o governo possa construir sua opinião sobre o mérito de forma consensuada", justificou Marco Maia.

Boa parte da insatisfação dos aliados decorre, especialmente, da possibilidade de venda de bebidas alcólicas em estádios durante o torneio.

Para contornar a resistência, o governo pediu que a liberação expressa desse comércio no projeto fosse suprimida.

Agora, a proposta se omite sobre o tema e empurra a decisão para o colo dos governos estaduais que hoje proíbem a venda das bebidas alcoólicas.

Os parlamentares contrários à medida – inclusive o líder do PR, deputado Lincoln Portela (MG) - comemoraram o adiamento da votação.

Eles seguraram um cartaz com os dizeres: “Vamos dar um chute no traseiro do álcool nos estádios da Copa”.


O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), disse que a decisão sobre a liberação de bebidas alcóolicas nos estádios deve ser do Congresso Nacional, e não dos governos estaduais.

“Não abrimos mão das nossas prerrorativas de decidir sobre essa matéria”, disse Campos. “O Brasil vai abrir exceção apenas para atender a interesses do mercado?”, questionou.

Campos afirmou que os 76 parlamentares da bancada evangélica são contra a liberação das bebidas.


Dilma será recebida por Obama sem as honras de uma visita de Estado




As autoridades brasileiras estão ofendidas por que, apesar da ascensão do Brasil como potência global emergente, a Casa Branca não concedeu a viagem de Dilma Rousseff status de “Visita de Estado”, a distinção diplomática de mais alto nível.

As visitas de Estado geralmente incluem um jantar black-tie na Casa Branca, um discurso formal do líder visitante perante o Congresso e uma série de eventos culturais de alto nível.

A explicação da Casa Branca foi que, como este é um ano eleitoral nos Estados Unidos, Obama não está concedendo visitas de Estado.

Mas a imprensa brasileira rapidamente lembrou que o primeiro-ministro britânico David Cameron faria uma visita de Estado aos Estados Unidos duas semanas antes da viagem de Dilma Rousseff.

Um recente artigo o jornal O Estado de S. Paulo (intitulado “Dilma será recebida por Obama sem as honras de uma visita de Estado”) observou que o presidente chinês Hu Jintao e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, fizeram “Visitas de Estado” a Washington em 2011 e 2009, respectivamente.

E o presidente do México, Felipe Calderón, fez a sua em 2010.

“Cerca de 95% do conteúdo das relações internacionais é simbólica, e as “Visitas de Estado” são importantes”, disse Peter Hakim, do Instituto de Pesquisas Inter American Dialogue, em uma conferência realizada em 12 de março no Woodrow Wilson Center em Washington DC.

“O Brasil queria que essa fosse uma visita de Estado, e sentiu-se ofendido”.


21.03.2012


terça-feira, 20 de março de 2012

Inesperado cenário para o governo Dilma



EDITORIAL O GLOBO

Impossível imaginar que a presidente Dilma Rousseff tenha se surpreendido com a baixa qualidade ética da equipe montada sob a batuta do fisiologismo do seu patrono Lula.

Ministra desde 1 de janeiro de 2003, nenhum dos escândalos ocorridos em seus primeiros 12 meses de poder deve ter causado surpresa a ela.

Mas tem sido visível o cuidado da presidente em evitar a retomada do gabinete de ministros defenestrados por "malfeitos" pelo mesmo esquema fisiológico que fazia e desfazia na pasta.  Há exemplos indiscutíveis.
A troca de Orlando Silva por Aldo Rebello no Esporte. 

Os dois são do PCdoB, mas, até agora, não há indícios de que Rebello aceitará o ataque aos cofres públicos perpetrado por "camaradas" do partido sob o disfarce de ongueiros, como ocorria.  Outro caso é o do Ministério dos Transportes.

Pelas últimas notícias conhecidas, o Planalto resiste a devolver a pasta ao balcão de negociatas do PR, administrado, no tempo do senador Alfredo Nascimento (AM) no gabinete de ministro, pelo deputado Valdemar Costa Neto (SP).

A tentativa de confronto com Dilma feita pelo grupo "dono" do Senado (Sarney, Renan, Jucá), no caso da recondução do diretor da ANTT, foi bem aproveitada pela presidente para estabelecer limites.

Destituiu Romero Jucá como devia, no timing necessário, e o substituiu por Eduardo Braga (AM), um peemedebista dissidente do esquema fisiológico e clientelista do seu partido que domina a Mesa do Senado.

Dilma tem obtido apoio e ampliado a popularidade no eleitorado de oposição, na classe média do Sul e Sudeste, sensível ao avanço da corrupção nos últimos nove anos, e não dependente da grande rede de assistencialismo montada pelo lulopetismo, eficiente cabo eleitoral junto à massa pobre do Norte e Nordeste.

Dilma, diante das dificuldades da conjuntura econômica, precisa de uma equipe mais profissional e de uma base parlamentar capaz de apoiá-la em reformas politicamente difíceis, mas imprescindíveis.


Entre outras, a conclusão das mudanças na previdência dos servidores e medidas para conter, a curto prazo, a gastança em custeio.

Se o plano é de fato acabar ou pelo menos conter o toma lá dá cá, tem razão Eduardo Braga quando fala em estender a base em direção a parlamentares marginalizados num Congresso dominado pela mediocridade do fisiologismo.  Em entrevista ao GLOBO, Braga citou Jarbas Vasconcellos (PE).  Poderia incluir Pedro Simon (RS), também dissidente no atual PMDB.

O novo líder do governo no Senado não disse, mas será necessário negociar com a oposição.  Foi com ela que Lula conseguiu iniciar a reforma da previdência do funcionalismo em 2003.

A entrevista de Braga aponta para um cenário improvável, o de uma relativa ruptura com um dos cânones do lulopetismo: a manutenção do poder a qualquer preço. 

E com o apoio do próprio Lula, segundo disse Braga ao jornal. 

Aguardemos. 

Mas, se for isso mesmo, não haverá surpresa, pois o ex-presidente, se foi capaz de entender o risco que ele e o país correriam caso colocasse em prática no Planalto tudo o que havia pregado na oposição, pode muito bem perceber que chegou a hora de mais uma metamorfose.  No melhor estilo Raul Seixas, novamente na mídia, por coincidência.

  20/03/12


Charges



segunda-feira, 19 de março de 2012

Romário diz que Copa de 2014 será o 'maior roubo da história do Brasil'




O ex-jogador de futebol e deputado federal Romário, um dos principais críticos à forma com que a Copa do Mundo de 2014 tem sido organizada, afirmou neste domingo (18) que a competição se tornará o "maior roubo da história" do país, tudo por conta da má gestão dos políticos brasileiros.





ROMÁRIO

 "Esta palhaçada vai piorar quando faltar um ano e meio para o Mundial.

O pior está por vir porque o governo deixará que aconteçam as obras emergenciais, as que não precisam de licitações.

Ai vai acontecer o maior roubo da história do Brasil", disse Romário em sua página no Facebook.

Romário criticou a ausência de deputados na reunião entre o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e Dilma, na última sexta (16), quando se tratou do projeto da Lei Geral da Copa, previsto para ser votado na Câmara nesta semana.

Após a reunião, Blatter revelou que Dilma lhe deu garantias de que o Brasil respeitará "todos os compromissos assumidos com a Fifa", incluindo o de permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios.


18/03/2012


sexta-feira, 16 de março de 2012

Bravatas....



O Brasil ficou mal na foto


O Estado de S.Paulo




O governo brasileiro exibe um estranho troféu quando compara o pífio desempenho econômico do País em 2011 com o do resto do mundo e ainda tenta contar vantagem

No ano passado, o crescimento da economia brasileira foi menor que o do Grupo dos 20 (G-20), sua inflação foi maior e seu investimento continuou muito abaixo do necessário para uma expansão segura e continuada. No entanto, a presidente Dilma Rousseff aproveitou uma viagem à Alemanha para reclamar da política do Banco Central Europeu e recomendar mais investimentos públicos - como se o seu governo estivesse aplicando montanhas de recursos em estradas, portos, centrais elétricas e outras obras.

As bravatas da presidente e de seus principais ministros ficam ainda mais ostensivas - e indefensáveis - quando se examinam os dados sobre o desempenho do G-20 divulgados nesta semana pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No ano passado, as economias do G-20, as maiores do mundo, cresceram em média 2,8%, pouco mais que a brasileira (2,7%). Aquela média foi obviamente elevada pelo excelente desempenho da China (9,2%) e da Índia (7,3%), mas isso explica só em parte o resultado geral melhor que o do Brasil.

Pelo menos uma economia da zona do euro cresceu mais que a brasileira. Foi a alemã, com expansão de 3%. Também exibiram crescimento maior que o do Brasil a Indonésia (6,5%), a Coreia (3,6%), o México (3,9%), a Arábia Saudita (6,8%) e a África do Sul (3,1%).

O resultado final da Turquia, também membro do grupo, ainda não foi publicado, mas no terceiro trimestre seu Produto Interno Bruto (PIB) foi 8,5% maior que o de igual período do ano anterior.

A OCDE publicou também outros indicadores de desempenho dos países-membros do G-20.

A inflação média em 2011 chegou a 6,6% no Brasil.

Só três países tiveram desempenho pior nesse quesito: Argentina, com taxa oficial de 9,5% e taxa real provavelmente acima de 20%, Índia (8,9%) e Rússia (8,4%).

Em todos os demais, incluídos alguns com crescimento acelerado, os preços aumentaram menos intensamente - 5,4% na China e na Indonésia, por exemplo.

Na Alemanha, a alta de preços ficou em 2,3%, taxa muito maior que a de 2010, mas sem risco de descontrole.

O levantamento da OCDE inclui também a expansão dos investimentos produtivos, isto é, da formação bruta de capital fixo. Isso engloba os valores aplicados em máquinas, equipamentos, construções de fábricas, de moradias e de outros edifícios e, naturalmente, em obras de infraestrutura.

O desempenho do Brasil foi ruim também sob esse aspecto. No ano passado, o total investido pelo setor público e pelo setor privado brasileiros foi 4,7% maior que em 2010.

O governo apresentou esse resultado como altamente positivo, embora o investimento ainda tenha correspondido a 19,3% do PIB, proporção muito inferior à observada em outras economias.


O contraste é indisfarçável.

No ano passado, o investimento aumentou 7,2% na Austrália, 6,9% no Canadá, 6,4% na Alemanha (a presidente Dilma Rousseff não devia saber disso), 8,8% na Indonésia e 5,7% na Holanda, mas esses números mostram apenas uma parte do quadro.

Se a comparação envolvesse também as taxas de investimento, isto é, a porcentagem do PIB correspondente à formação de capital fixo, a desvantagem brasileira seria bem mais ostensiva.

O baixo nível de investimento limita fortemente as possibilidades brasileiras de expansão econômica.


O investimento do setor público depende principalmente da Petrobrás. O desempenho das outras estatais é, no melhor dos casos, medíocre.

Os programas e projetos inscritos no Orçamento-Geral da União e financiados diretamente pelo Tesouro são executados muito lentamente.

Apesar disso, a tributação brasileira é muito mais pesada que a dos outros emergentes e de boa parte dos países desenvolvidos. Essa é uma das limitações ao investimento privado.

Mas é muito mais simples, para as autoridades federais, protestar contra a expansão monetária na Europa e nos Estados Unidos e atribuir aos outros os males do Brasil.

Governar seriamente dá um trabalho terrível.


16 de março de 2012