Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Veja isso!


Temperaturas mais baixas complicam debate sobre aquecimento global, diz pesquisador brasileiro

Cientistas detectam resfriamento no norte da Antártida

Carlos Orsi,
do estado.com.br

Levantamento de cientistas brasileiros aponta tendência de resfriamento de 0,6º C por década na região

SÃO PAULO - O norte da Península Antártica vem se resfriando em tempos recentes. Dados meteorológicos da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), a base brasileira no continente gelado, indicam uma tendência de resfriamento de 0,6º C por década, nas temperaturas registradas nos últimos 14 anos.

A Península Antártica, como um todo, é uma das regiões do planeta que mais se aqueceu no século 20, acumulando uma elevação de temperatura de 3º C.

"Infelizmente, não tenho um termômetro para medir as variações causadas por fenômenos naturais e outro, para a influência do homem", diz o pesquisador Alberto Setzer, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que é o coordenador do projeto de meteorologia em Ferraz, ao comentar o que o resfriamento recente poderia representar no debate sobre o aquecimento global.

"Temos variações naturais que criam um ruído muito grande".


Dados acumulados de 65 anos ainda indicam tendência de aquecimento, a despeito do resfriamento recente.

O cientista americano Marco Tedesco, do City College de Nova York, que estudou a relação entre fenômenos climáticos como o El Niño e o degelo na Antártida, lembra que ainda existem muito poucas informações sobre o continente, que começou a ser pesquisado há relativamente pouco tempo.

Ele diz que, no Ártico, os sinais da mudança climática "são muito mais claros, e altamente significativos". "Na Antártida, as causas dos fenômenos climáticos são muito menos conhecidas".

Para 2010, Setzer espera um ano um pouco mais quente em Ferraz. "É difícil prever, mas se tivesse de chutar, diria que 2010 vai ficar na média das temperaturas, ou um pouco acima. É o que geralmente acontece, depois de um ano muito frio", diz ele.

E 2009 foi excepcionalmente frio na EACF, com uma temperatura média de 2,6º C negativos.

Neste século, apenas 2007 foi mais frio, com temperatura média de 3,1º C negativos.

Novembro teve a temperatura mais baixa para o mês em 11 anos, e dezembro, além de ter a terceira temperatura média mais baixa desde 2001, trouxe aos brasileiros que passaram lá o Natal e o ano-novo uma surpresa: neve, algo incomum para essa época do ano, de verão no hemisfério sul.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Acorrentados pelo medo



“As pessoas não querem que se lhes dê lições.

É por isso que não compreendem agora as coisas mais simples.

No dia em que o quiserem, verificar-se-á que são capazes de compreender também as coisas mais complicadas.

Até lá, as instruções são: continuar a trabalhar, discutir o menos possível.

Com efeito, só poderíamos dizer a um indivíduo: você é um imbecil, a outro: você é um patife, e há boas razões que excluem a realização expressiva de tais convicções.

Sabemos, de resto, que estamos diante de pobres diabos, que receiam por um lado chocar, prejudicar as suas carreiras e que, por outro lado, se encontram acorrentados pelo medo do que está recalcado neles próprios.

Teremos de esperar que todos eles morram ou se tornem lentamente minoritários. De qualquer maneira, o que acontece de fresco e de novo é a nós que pertence.”


Sigmund Freud, in "As Palavras de Freud"

em Janeiro 6, 2010

Eleições 2010: Dilma não aguenta mais as tentativas de Santana de mudar o seu jeito de ser



Há hoje uma situação de estresse entre Dilma Rousseff e João Santana, seu marqueteiro (e, mais importante, marqueteiro de Lula).

Aos mais próximos Dilma chega a dizer que não aguenta mais as tentativas de Santana de mudar o seu jeito de ser.

Isso significa que Santana está pela bola sete e que Duda Mendonça (com quem Dilma encontrou-se secretamente em dezembro) poderia substituí-lo?

A troca é muito improvável. Primeiro, porque Lula gosta de Santana e o apóia. Segundo, porque mostraria uma crise na campanha de Dilma logo na largada. E, em terceiro lugar, não são poucos os petistas que temem o nome de Duda Mendonça vinculado a uma campanha presidencial.

É praticamente certo, portanto, é que as coisas continuem como estão.

Autoridades turcas pedem a Amorim detalhes sobre apoio brasileiro ao programa nuclear do Irã


por Agência Brasil

Autoridades turcas pedem ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, detalhes sobre o apoio brasileiro ao programa nuclear do Irã.

Em novembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, em Brasília, a visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Na ocasião, Lula defendeu o direito de o Irã desenvolver um programa nuclear próprio.

O assunto foi tema de reuniões realizadas nos últimos dias entre Amorim e autoridades turcas, em Ancara (capital da Turquia), quando trataram também dos conflitos no Oriente Médio.

Tanto é que hoje (6) Amorim almoça com o ministro de Negócios da Palestina, Riad Al-Maki. No encontro, a busca por um acordo na região de Gaza é o tema principal.

Em novembro de 2009, Lula recebeu o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e em seguida, conversou com o presidente de Israel, Shimon Peres. Com ambos, ele se dispôs a ser intermediador.

Diplomatas que acompanham as reuniões de Amorim informaram à Agência Brasil que o chanceler brasileiro e o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Abdullah Gül, decidiram realizar consultas regulares para buscar uma aproximação de posições relacionando as prioridades para uma agenda internacional.

Tanto o Brasil como a Turquia terão assento provisório no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) até 2012. No total, o órgão reúne 15 países, dos quais cinco são permanentes e os demais ocupam lugar temporariamente por dois anos.

As reuniões de Amorim na Turquia motivaram os governos do Brasil e daquele país a intensificar as negociações para aumentar o comércio bilateral. 


A ideia é acabar com a bitributação imposta a nações que têm representações nos dois países e facilitar as medidas sanitárias para vários produtos, como carne vermelha e frango. Aqui.

OPINIÃO - O choque de ordem de Maria Moita

O choque de ordem de Maria Moita


POR ELIO GASPARI

O Rio de Janeiro precisa de um choque de ordem. Em pouco mais de 24 horas o governador Sérgio Cabral passou do descaso à empulhação e assumiu uma postura de dragão de festa chinesa para rebater as críticas de que sumira diante das tragédias de Angra dos Reis e da Ilha Grande.

Cabral anunciara que passaria a última noite de 2009 em sua casa de Mangaratiba. Dispondo de acesso a uma marina, estava a 40 minutos da Praia do Bananal ou da encosta da Carioca. Por terra, são 57 quilômetros, lembrou o repórter Ricardo Noblat, que passou o dia 1º procurando-o.

O tempo consumido por Cabral para chegar a Angra seria justificável se os desmoronamentos tivessem ocorrido em abril passado, quando estava de férias em Paris.

Caso tivesse recebido a notícia no hotel (o George V, apreciado por Greta Garbo) no início da manhã, teria como pousar no Galeão no meio da madrugada seguinte, debaixo de aplausos.

Sempre que um governante entra atrasado na cronologia de uma catástrofe, procura oferecer uma explicação racional. George Bush está explicando até hoje por que acordou tarde no episódio do furacão Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005. 


Cabral justificou-se com uma aula de ciência política autocongratulatória:

— Tenho discernimento e seriedade. Em uma situação de crise, quem tem que estar no local são as autoridades que de fato podem assumir o comando do problema. Você jamais vai me ver fazendo demagogia. No momento de crise, estavam aqui os dois secretários da pasta. Qualquer exploração política a respeito chega a ser um deboche com a população. Isso é ridículo.




Ridículo é pagar impostos para ouvir coisas desse tipo. Se não havia o que fazer na região do desastre na sexta-feira, por que ele foi lá no sábado?

Discernimento?

Seriedade?

Demagogia?

Pode-se dizer o que se queira do marechal-presidente Castello Branco (1964-1967), menos que ele fosse bonito ou demagogo.

Pois na enchente de 1966 ele foi à Rua das Laranjeiras, onde desabara um edifício.

Cabral saiu do ar na quinta-feira, dia 31. Às 15h daquele dia, estavam confirmadas as mortes de 19 pessoas na Baixada Fluminense e em Jacarepaguá, com pelo menos 600 desabrigados. (No dia seguinte seriam 4 mil.)

Admita-se que as visitas a locais de desastres (todas, inclusive as do Papa) são gestos simbólicos, pois o que conta é a qualidade da gestão.

Nesse aspecto, a de Cabral é pré-diluviana. Em 2009 seu orçamento tinha R$152,7 milhões alocados para obras de controle de inundações.

Numa conta, de seus técnicos, gastou 67% desse valor. Noutra conta, gastou nada.


Se não fez o que devia, o que não devia, fez. 

Em junho o governador afrouxou as normas de proteção ambiental da região do litoral e das ilhas de Angra, beneficiando sobretudo o andar de cima e seu mercado imobiliário. O Ministério Público entrou na briga e o caso está na mesa do procurador-geral Roberto Gurgel.

O choque de ordem de marquetagem que Cabral, seu prefeito e sua polícia aplicam espetaculosamente no Rio de Janeiro vale de cima para baixo. Pega mijões, camelôs e barraqueiros. O alvo é sempre o "outro".

Um dia, virá o choque de Maria Moita, trazido por Vinicius de Moraes e Carlos Lyra:


"Pôr pra trabalhar Gente que nunca trabalhou."

Pensem nisso - Olavo de Carvalho


Um dos traços constantes da vida brasileira é a coexistência de dois tipos de política heterogêneos e incomunicáveis:

de um lado, a política "profissional" cuja única finalidade é o acesso a cargos públicos, compreendidos como posições privilegiadas para a conquista de benefícios pessoais ou grupais (acompanhados ou não de boas intenções de governo);

de outro, a política revolucionária, empenhada na conquista do poder total sobre a sociedade e na introdução de mudanças estruturais irreversíveis.

A segunda usa ocasionalmente os intrumentos da primeira, mas sobretudo cria os seus próprios, desconhecidos dela.

Os "movimentos sociais", o adestramento de formidáveis massas militantes dispostas a tudo, a ocupação de espaços não só na administração federal mas em todas as áreas estrategicamente vitais e, last not least, a conquista da hegemonia cultural estão entre esses intrumentos, que para o político "profissional" são distantes e até incompreensíveis, tão obsessiva e autocastradora é a sua concentração na mera disputa de cargos eleitorais.

As próximas eleições presidenciais vão opor, numa disputa desigual, as armas da política revolucionária às da política "profissional".

Estas últimas consistem apenas no meios usuais de propaganda eleitoral, enquanto as daquela abrangem o domínio sistêmico de todos os meios diponíveis de ação sobre a sociedade:

o político "profissional" tem a seu favor apenas os eleitores, que se manifestam uma vez a cada quatro anos e depois o esquecem ou passam a odiá-lo.

O revolucionário tem a vasta militância organizada, devotada a uma luta diária e constante, pronta a matar e morrer por aquele que personifica as suas aspirações.

Nas últimas décadas a expansão maciça da política revolucionária colocou os políticos "profissionais" numa posição de impotência quase absoluta, que reduz a praticamente nada as vantagens de uma eventual vitória nas eleições.

Se eleito, o Sr. Jose Serra terá de comandar uma máquina estatal dominada de alto a baixo pelos seus adversários, a começar pelos oito juízes lulistas do Supremo Tribunal Federal.

O PT e seus partidos aliados comandam, além disso, uma rede de organizações militantes com alguns milhões de membros devotos, prontos a ocupar as ruas gritando slogans contra o novo presidente ao primeiro chamado de seus líderes.

Comandam também o operariado de todas as indústrias estratégicas e a rede de acampamentos do MST espalhados ao longo de todas as principais rodovias federais e estaduais: podem paralisar o país inteiro da noite para o dia.

Reinam, ademais sobre um ambiente psicossocial inteiramente seduzido pelos seus estereótipos e palavras de ordem, a que nem mesmo seus mais enfezados inimigos ousam se opor frontalmente.


Somente a política revolucionária entende o que é o poder na sua acepção substantiva. O velho tipo do político "profissional" entende apenas a disputa de cargos, confunde o mandato legal com a posse efetiva do poder.

Sem militância, sem ocupação de espaços, sem guerra cultural, não há domínio do poder.

Fernando Collor de Mello pagou caro por ignorar essa distinção elementar: confiou na iniciativa espontânea de seus eleitores – massa espalhada e amorfa, incapaz de fazer face à força organizada da militância.


Não vejo no horizonte o menor sinal de que os adeptos do Sr. José Serra tenham aprendido a lição: hipnotizados pela esperança da vitória eleitoral, não vêem que tudo o que estão querendo é colocar na presidência um homem isolado, sem apoio militante, escorado tão somente na força difusa e simbólica da "opinião pública" -- um homem que, à menor sombra de deslize, terá contra si o ódio da militância revolucionária explodindo nas ruas e será varrido do cenário político com a mesma facilidade com que o foi o ex-presidente Collor.

Há pelo menos vinte anos venho advertindo aos próceres antipetistas que o voto, ainda que avassaladoramente majoritário, não garante ninguém no poder:


o que garante é militância, é massa organizada, disposta a apoiar o eleito não só no breve instante do voto mas todos os dias e por todos os meios.

Vejam a situação da governadora do Rio Grande do Sul e entenderão o que estou dizendo: quando a oposição se vangloriou de ter "varrido o PT do Estado gaúcho", não percebeu que o expulsara somente de um cargo público.


Não desprezo as vitórias eleitorais, mas sei que, por si, elas nada decidem a longo prazo. E não vejo que, até agora, as forças de oposição tenham tomado consciência disso.

Charges

Lula deve ignorar parecer pró-caça sueco e manter opção por Rafale

Para presidente, compra dos 36 aviões é
'política e estratégica'
para consolidar parceria entre Brasil e França

Eugênia Lopes, Vera Rosa,
Denise Chrispim Marin e Leonêncio Nossa


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende ignorar relatório do Comando da Aeronáutica que avaliou o caça Gripen NG, da empresa sueca Saab, como o melhor para a renovação da frota da Força Aérea Brasileira (FAB), informou um de seus mais próximos auxiliares.

Lula já manifestou a preferência pelo caça francês Rafale e tem repetido que a decisão sobre a compra dos 36 aviões é "política e estratégica" para consolidar a parceria entre o Brasil e a França.

O vazamento do relatório do Comando da Aeronáutica para o jornal Folha de S. Paulo - com a avaliação ainda parcial das propostas para o projeto FX-2, de renovação da frota da FAB - irritou Lula e provocou mal-estar no governo.

Auxiliares do presidente disseram que o documento já foi modificado e não faz um ranking das melhores propostas, apenas avalia tecnicamente itens como transferência de tecnologia e aspectos comerciais e logísticos. Nota do Comando da Aeronáutica informou ontem que o relatório ainda não foi enviado ao Ministério da Defesa.

A compra dos caças é mais um capítulo da crise do governo com os militares. Na véspera de Natal, os comandantes das três Forças e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ameaçaram se demitir em represália à criação da Comissão da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos, que abre brechas para a revisão da Lei de Anistia.

Mas o impasse foi temporariamente contornado com a promessa de Lula de reexaminar os pontos de atrito.

A simpatia de setores da Aeronáutica pelo caça sueco já é velha conhecida do governo. Lula não queria, no entanto, que isso viesse a público. Afinal, dera o sim à compra dos Rafale antes mesmo de conhecer o relatório da Aeronáutica.

Desde que anunciou sua preferência pelo caça francês, durante visita do presidente Nicolas Sarkozy ao Brasil, em setembro, Lula aguarda que a empresa Dassault reduza em 40% os custos de operação do Rafale.

Naquela ocasião, Sarkozy chegou a garantir ao colega brasileiro que melhoraria substancialmente a proposta.




Lula tem demonstrado que não gosta de ser contrariado em decisões tomadas de antemão.

Ao dar a entender que poderá ignorar o relatório da FAB, ele praticamente repete o que disse em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu a possibilidade de responsabilizá-lo, caso opte por não extraditar o ex-militante de esquerda Cesare Battisti.

O italiano foi condenado à prisão perpétua em seu país, acusado de quatro assassinatos. Indagado sobre o caso, Lula reagiu:

"Não me importa o que disse o STF. Ele teve a chance de fazer e fez. Eu não dei palpite. A decisão é minha. Até lá não tenho comentários a fazer."

POLÊMICA



Três empresas competem para fornecer os 36 caças: além da Dassault e da Saab, a americana Boeing está no páreo com o F-18 Super Hornet. No relatório preliminar, o sueco Gripen NG ficou em primeiro lugar na avaliação técnica, seguido pelo Super Hornet.

O Rafale, preferido por Lula e Jobim, obteve o terceiro e último lugar, pelo preço, considerado extremamente alto.


"O Lula só tem duas alternativas:
ou mantém sua decisão política de comprar o Rafale ou não decide nada e empurra isso com a barriga, deixando o pepino para o próximo governo", opinou o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Frente Parlamentar da Defesa Nacional.

Anistia é irreversível

Lei da Anistia é irreversível, diz Brossard.

Por Paulo Brossard



Agora, em dezembro do ano que findou, dei-me conta de que completei 62 anos de formado em Direito e, naturalmente, lembrei-me dos professores que tive na Faculdade, falecidos, mas não esquecidos, dos colegas de turma e contemporâneos, de advogados, juízes e desembargadores que me honraram com sua amizade, deferência e exemplos, de servidores do foro e do Tribunal, modelos de correção e de urbanidade.

Contados os cinco anos do curso, mesmo sem incluir os dois do pré-jurídico, o período de Porto Alegre ultrapassa dois terços de século.

Um pedaço de tempo, se é que tempo tem pedaço.

Como visse que se cogita de revogar a lei da anistia, lembrei-me também do que aprendera a respeito quando estudante. A notícia me pareceu esdrúxula. Mais ainda, quando li que a projetada revogação da lei de 1979 teria sido concebida nos altos escalões do governo federal ou quem sabe dos baixos.

Sei que contou com a adesão do presidente Luiz Inácio, pelo menos com sua assinatura. E como uma lembrança puxa outra, recordei a figura do saudoso amigo e mestre José Frederico Marques que, em um de seus livros, ensina o que é corrente entre tratadistas, a anistia "é o ato legislativo em que o Estado renuncia ao direito de punir.

É verdadeira revogação parcial, hic et nunc, de lei penal. Por isso é que compete ao Poder Legislativo a sua concessão. Lei penal ela o é, por conseguinte: daí não a poder revogar o Legislativo, depois de tê-la promulgado, porque o veda o art. 141 §§3º e 29º", da Constituição de 1946, aos quais correspondem os incisos 36 e 40 do artigo 5º, da Constituição de 1988.

Se há dogmas em matéria jurídica, esse é um deles.

A lei penal só retroage quando benéfica ao acusado ou mesmo condenado.

Daí sua irrevogabilidade.

Os efeitos da lei da anistia se fizeram sentir quando a lei entrou em vigor. O próprio delito é apagado. A revogação da lei de anistia ou que outro nome venha a ter importaria em restabelecer em 2010 o que deixou de existir em 1979.

Seria, no mínimo, uma lei retroativa, pela qual voltaria a ser crime o que deixara de sê-lo no século passado.

O expediente articulado nos meandros do Planalto, a meu juízo, retrata o que em Direito se denomina inepto.

Popularmente, o vocábulo pode ter um laivo depreciativo.

Na terminologia jurídica, significa "não apto" a produzir o efeito almejado.

Por isso, não hesito em repetir que o alvitre divulgado é inepto, irremediavelmente inepto.

Em resumo, amigos do governo, mui amigos, criaram-lhe um problema que não existia.

É claro que estou a tratar assunto importante com a rapidez de um artigo de jornal.

Para terminar, a anistia pode ser mais ou menos justa, mas não é a justiça seu caráter marcante.

É a paz.

No arco-íris social, com suas contradições, essa me parece ser a nota dominante. Não estou dizendo novidade.

À maneira de post scriptum, lembro que a oposição, ao tempo encarnada no MDB/PMDB, foi quem levantou a tese da anistia, e era natural fosse ela; e desde o início falou em anistia recíproca.

O setor governista não aceitava a reciprocidade, até que algumas pessoas mais avisadas se deram conta de que, depois de período tão longo, em que tudo fora permitido, a anistia devia ser mesmo ampla, a ponto de abranger as duas partes em que o país fora dividido.

Tive ocasião de dizer isso depois da anistia, quando localizada, em Petrópolis, uma casa onde a ignomínia da tortura fizera pouso. Ninguém contestou. Está documentado e publicado. Repito agora com a mesma tranquilidade.

Paulo Brossard é jurista, ministro aposentado do STF.
Artigo originalmente publicado no jornal Zero Hora, em 4-1-2010

Saldo em queda, risco de bolha e erro da política comercial



por Míriam Leitão



A balança comercial teve em 2009 o pior resultado desde 2002.

O saldo comercial foi o menor em sete anos, de R$ 24,6 bilhões.
O "Estadão" mostrou que desde 1952 as exportações não caem tanto.

Caíram porque o mundo parou de crescer. Importações também caíram porque o Brasil não cresceu. US$ 91 bilhões deixaram de ser importados e exportados.

O ano de 2010 será um pouco diferente, mas saldo comercial será ainda pior. Conversei com empresários, consultores e especialistas. Eles disseram que o Brasil vai importar mais porque vai crescer. Já as exportações continuam difíceis porque muitos mercados na estão ainda a plena carga e o câmbio continua baixo.

Em alguns produtos os preços subiram tanto que compensaram a desvalorização do dólar.

José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB, acha que os preços dessas commodities estão com cara de bolha. Subiram muito e sem justificativa em 2009 os preços de produtos como açúcar (105%), algodão (55%), suco de laranja (90%), cobre (153%, alumínio (81%), zinco (129%).

José Augusto acha que como há muita liquidez e os juros estão baixos, as commodities se transformaram em ativos financeiros.

Só sobem os preços de commodities cotadas em Bolsa. Carne, por exemplo, não é cotada em Bolsa e os preços não cresceram.

Ele acha que o Brasil também pode ter errado em sua política comercial.

Em sete ano do governo Lula nunca foi feita uma única missão empresarial para promover exportações brasileiras para o mercado americano.

Tínhamos superávit com os EUA e agora temos déficit.

As exportação dos EUA era de 25% e caiu para 10%.

O Brasil não deve colocar todos os ovos na mesma cesta, mas não se pode anular clientes tradicionais.

Na CBN

Lula na praia: reforma da casa custou R$ 2 mi

Lula na praia: reforma da casa custou R$ 2 mi

A Marinha do Brasil gastou mais de R$ 2 milhões para reformar a casa agora utilizada pelo presidente Lula e família em sua temporada de férias na praia de Inema, da Base Naval de Aratu, litoral baiano.

As despesas para deixar a casa como queriam os inquilinos provocam grande revolta na Marinha, em razão dos problemas de manutenção das instalações e navios da própria Base Naval, por falta de dinheiro.

Outro lado

A Marinha prometeu resposta "o mais breve possível", após checar a informação "junto a outras organizações militares".

Do jeito dele

Lula também passou férias na Base Naval de Aratu, em 2008. Mas a casa não parecia estar do jeito que ele e sua família gostam.

Cansei

O presidente, que também levou amigos, ficará na praia até segunda (11), descansando de tantas viagens mundo afora e de ser “o cara”.

Silêncio no paraíso

Ponte cai no Sul, calamidade pública no Rio e em São Paulo, e Lula continua mudo al mare, com um isopor na cabeça, cheio de guaraná
.

Obama diz que defesa dos EUA falhou e podia ter evitado atentado a avião


Kevin Lamarque/Reuters
Nigeriano tentou detonar explosivos
a bordo de voo no dia de Natal.

Presidente diz que ele poderia ter sido interceptado.
Do G1,
com agências internacionais

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta terça-feira (5) que as agências de inteligência norte-americanas tinham informações suficientes para interromper a tentativa de um nigeriano de explodir um avião que seguia para Detroit, mas não conseguiram ligar os pontos.

Obama, em um comunicado feito na Casa Branca, disse que uma revisão das falhas sistêmicas que permitiram ao nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab tentar detonar uma bomba no avião em 25 de dezembro havia determinado que informação suficiente estava disponível para impedir Abdulmutallab de embarcar.


"Essa não foi uma falha na coleta de informações", disse.

O recente atentado fracassado mostrou que os sistemas de segurança do país falharam de forma "potencialmente desastrosa".

Depois de se reunir com membros do alto escalão de seu Governo, Obama afirmou que os erros nos sistemas de inteligência "não são aceitáveis" e ressaltou que não os tolerará.


Suspeito de tentar explodir avião deu 'informação útil' ao FBI,
diz Casa Branca


Nigeriano tentou detonar explosivos a bordo de voo no dia de Natal.
EUA afirmaram que não vão mandar presos de Guantánamo ao Iêmen.

O nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, acusado de tentar explodir uma bomba a bordo de um avião norte-americano que ia de Amsterdã a Detroit, deu "informações úteis" aos investigadores do FBI, informou nesta terça-feira (5) a Casa Branca.

Abdulmutallab passou "várias horas" com os investigadores do FBI, disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

Gibbs também disse que, por enquanto, os EUA não vão transferir para o Iêmen presos da base de Guantámano, como anteriormente previsto.

O presidente norte-americano, Barack Obama, tem sofrido pressão política de congressistas para não mandar mais prisioneiros ao país após revelações de que o autor do atentado teria recebido treinamento do braço da al-Qaeda naquele país.

"Enquanto seguimos comprometidos com o fechamento da prisão (de Guantánamo), uma determinação foi dada para agora --qualquer transferência adicional para o Iêmen não é uma boa ideia", disse Gibbs.

Umar Faruk Abdulmutallab em foto divulgada por um professor. (Foto: AFP)

Paquistão: Crianças-bomba são iludidas pelo Talibã com promessa de 'paraíso'


Suicidas
" Eles transformam jovens inocentes em assassinos a sangue-frio, disposto a atuar como homens-bomba "

RIO - Em meio a pinturas coloridas que mostram lindas paisagens, compostas por caudalosos rios de leite e mel, e verdes matas por onde animais selvagens e virgens correm livremente, crianças paquistanesas vem sendo cooptadas pelo Talibã para integrar um jovem exército de homens-bombas. Segundo a CNN, 90% dos suicidas que recebem treinamento militar do movimento islâmico no interior do Paquistão têm entre 12 e 18 anos.

- Eles transformam jovens inocentes em assassinos a sangue-frio, disposto a atuar como homens-bomba - disse o tenente-coronel do exército paquistanês, Yusuf. - Os jovens são submetidos a uma verdadeira lavagem cerebral.

Para atrair os jovens para centros de treinamento como o que foi "estourado" pelas forças paquistanesas há cerca de um mês, o Talibã promete às crianças uma série de "prazeres celestiais", como recompensa pelo "sacrifício". No céu, elas acreditam que viverão em meio a festas, e na companhia do Santo Profeta.

- Quando chegamos ao complexo ficamos muito chocados - comentou Yusuf.

Parte do complexo talibã tomado pelo Exército é composto por quatro salas - todas decoradas com pinturas coloridas, em claro contraste com a paisagem árida e dura da região. Uma delas, mostra uma casa semelhante às casas de barro localizadas na região, mas em meio a um cenário montanhoso e verdejante. Nela estão escritas as palavras "Viva o Talibã".

As imagens podem parecer simples. Mas para as crianças desta parte do Paquistão são extremamente cativantes. Eles crescem na pobreza abjeta cercados pela sujeira cor-de-serra com voçorocas traiçoeiras e vales, e sem nenhum contato com o mundo exterior.

- Eu nunca vi pinturas tão elaboradas - diz o especialista em Talibã, Zahid Hussein.

" O Talibã lhes oferece uma opção rápida para o paraíso, um jeito fácil de escapar de seu cotidiano cercado pela violência "

Ele viu táticas semelhantes no passado e conversou muito com homens-bomba suicidas sob custódia das autoridades.

- Eles [os militantes] dizem que a vida é um desperdício aqui e se você fizer uma boa coisa você vai para o céu, imediatamente para o céu. Para alguém que não tem nenhum objetivo na vida, que não possui oportunidades e está vivendo uma vida miserável, esse tipo de coisa vem como um grande incentivo - explica Hussein.

Ele diz que as crianças acabam acreditando que a sua vida neste mundo não vale nada, que a vida só começa no futuro.
Leia mais aqui.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

AOS MILITARES DAS TRÊS ARMAS



Escrito por Helio P. Leite
02.01.2010

O autocrata é, antes de tudo, um fraco. Ao parodiar Euclides da Cunha, desejo destacar a pobre personalidade do Comandante em Chefe, não só das Forças Armadas, mas também da Nação, e os seus parcos conhecimentos, aprendidos e apreendidos nas espertezas da vida, na Cidade das Sete Colinas.

Compreendo, perfeitamente, como se sentem os Militares, estudiosos dos problemas nacionais, conhecedores das urgências do País, que assumiram o compromisso cívico e a responsabilidade profissional de defendê-lo, quando se veem à frente de um indivíduo incapacitado, sequer, de dirigir um automóvel, pelo excesso de combustível em si próprio, e que, contrariando qualquer lógica, ostenta o título que a Constituição, por ele continuamente desrespeitada, lhe outorgou.

Que condições intelectuais tem tal indivíduo, para administrar uma Nação do porte do Brasil?

Mal comparando, é o que ocorre em determinados concursos, quando na prova prática de aula, um professor doutor, candidato à vaga, tem que se submeter a uma banca formada por mestres, o que deveria jamais ocorrer.

O conhecimento do primeiro, naturalmente, sobressai-se ao dos segundos, o que vai levar os componentes da banca a ter dificuldades em aceitar pontos de vista atualizados por leituras que eles ainda não adquiriram. A isso se chama ‘inversão de valores’.

A inversão de valores, na política, tendo em vista o endeusamento dos maus, dos criminosos, em detrimento dos bons, dos isentos de crime, tornou-se nesta República de opereta, o conceito magno da nova ética petista.

Assim, caros Militares das Três Armas, cabe-lhes imunizarem-se do pérfido ranço revanchista, porque aí tem o dedo, sujo, acusatório, covarde, do senhor ministro da justiça. As iniciais minúsculas estão de acordo com a estatura moral deste indivíduo. Cabe-lhes, também, levarem em conta que o autocratismo do Supremo Comandante, e as maiúsculas, aqui, são uma ironia, é resultante não da ausência de cultura acadêmica, mas de educação comportamental, que se adquire no mesmo grupo consaguíneo, chamado família, independente da pobreza ou da riqueza.

Este autocratismo é uma camuflagem para encobrir uma força e uma segurança de que não é possuidor; é um disfarce para encobrir a sua conhecida inaptidão para o trabalho, o seu horror à disciplina, a náusea que sente da hierarquia.

Este autocratismo o faz deleitar-se no emprego da linguagem chula, o faz ter o insuperável prazer da provocação constante aos Militares, culminando esta arrogância, no desrespeito aos Comandantes das três Forças ao chamá-los de “cumpaêro”, numa tentativa de nivelá-los aos seus acólitos vermelhos.

Este autocratismo do joão-ninguém deixa clara a sua fraca, frágil, debilitada, precária, pobre, medíocre personalidade.

O autocratismo faz crer ao indivíduo, falto de todas as qualidades morais, que ele é um Homem, sendo ele, ao contrário, unicamente, um reles representante da espécie, numa fase primária de compreensão do que sejam deveres, respeito, obediência às leis, numa demonstração cabal de permanecer, ainda, no início do processo de civilização.

Por esta razão, peço aos Militares das três Armas que olhem com desprezo aquele que despreza o seu próprio País; aquele que despreza as Forças que são a garantia da soberania da Nação que, engloba, infelizmente, a preservação de sua função de arrogante ‘Chefe de Estado’.

Olhem com desprezo o autocrata que cede os direitos da Nação Brasileira a outras nações espertas; que usa a diplomacia para ofender os brios do nosso Itamaraty, historicamente reconhecido como o centro de estadistas; desprezem-no, porém, atentos às suas artimanhas, às suas articulações dissimuladas e insidiosas, cujo objetivo é único e doentiamente perseguido: o de substituir as cores nacionais pelo vermelho do ódio.

Este autocrata, caros Militares, é presunçoso, prepotente e petulante, porque um povo irresponsável, que não merece ser chamado de ‘povo’, por não ter vínculos emocional e afetivo com o País, sem discernimento, fez alçar, infelizmente, por vias constitucionais, um pusilânime indivíduo ao cargo máximo da Nação.

Sei, perfeitamente, caros amigos Militares, que, no final, sempre recaem sobre os seus ombros as responsabilidades da paz social, pela ausência de consciência de unidade nacional, pela ausência de consciência cívica dos chamados ‘cidadãos’ brasileiros.

É lastimável que povo e Comandante em Chefe sejam imagens espelhadas, porque só assim torna-se compreensível a fantástica simbiose que intervém na vontade de reação de um, mas que estimula a ousadia e a insolência do outro.

Aileda de Mattos Oliveira