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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Ex-ministro Guido Mantega é preso na 34ª fase da Lava Jato


O ex-ministro da Fazenda foi preso em São Paulo.
Também estão sendo cumpridos mandados em outros quatro Estados e no Distrito Federal
Por Thiago Bronzatto
Veja.com

O ex-ministro Guido Mantega chega à sede da Polícia Federal, em São Paulo, após ser preso temporariamente durante a 34ª fase da Operação Lava Jato, intitulada Operação Arquivo X - 22/09/2016
(Marcos Bezerra/Futura Press/Folhapress)

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira a 34ª fase da Operação Lava Jato. O ex-ministro Guido Mantega da Fazenda foi preso temporariamente. Ele chegou por volta das 9h30 à sede da Superintendência da PF em São Paulo e deve ser levado ainda hoje para Curitiba, sede das apurações da Lava Jato. Além de Mantega, outros alvos da ação são executivos das empresas Mendes Júnior e OSX Construção Naval S.A., assim como representantes de empresas por elas utilizadas para o repasse de vantagens indevidas. Também estão sendo cumpridos mandados no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul, na Bahia e no Distrito Federal.


Além de Mantega, Victorio Duque Semionato, Socrates José Fernandes Marques da Silva, Rubem Maciel da Costa Val, Marcelo Henriques Monico, Luiz Eduardo Neto Tachard, Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, Luiz Claudio Machado Ribeiro, Luiz Arthur Andrade Correia, Julio Correia Oliveira Silva, José Antonio de Figueiredo, Francisco Corrales Kindelan, Flavio Godinho, Danilo Souza Baptista, Carlos Eduardo Sardenberg Bellot e Ana Tamm Drumond também são alvos da ação.

Batizada de Operação Arquivo-X, a nova fase da Lava Jato apura irregularidades em dois contratos assinados entre a Petrobras e o consórcio Integra Offshore, formado pela OSX e Mendes Júnior, para a construção das plataformas P-67 e P-70 para a exploração das reservas do pré-sal. Segundo a investigação, em meados de 2012, Mantega negociou com as empresas contratadas pela estatal para repassar recursos para pagamentos de dívidas de campanha. Entre as suspeitas de crimes, estão a prática de corrupção, fraude em licitações, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Ao todo, estão sendo cumpridos 33 mandados de busca e apreensão, oito prisões temporárias e oito mandados de condução coercitiva. O nome da operação, “Arquivo-X”, é uma referência à empresa OSX, do empresário Eike Batista, que costumava batizar as suas companhias sempre com a letra “X”, um sinal de multiplicação de riquezas, segundo ele.

Em julho de 2012, o Consórcio Integra Ofsshore, formado pelas empresas Mendes Júnior e OSX, firmou contrato com a Petrobras no valor de 922 milhões de dólares, para a construção das plataformas P-67 e P-70, que são unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de petróleo voltadas à exploração dos campos de pré-sal.

Segundo os procuradores, ao longo das fases anteriores foi possível colher indícios de que cerca de 7 milhões de reais foram transferidos, entre fevereiro e dezembro de 2013, pela Mendes Júnior para um operador financeiro ligado ao PT. Os repasses foram feitos por meio de empresa de fachada, que não possuía uma estrutura minimamente compatível com tais recebimentos.

Também foi identificado repasse de mais de 6 milhões de reais pelo Consórcio Integra Offshore com base em contrato ideologicamente falso firmado em 2013 com a Tecna/Isolux. O valor foi transferido no interesse de José Dirceu e de pessoas a ele relacionadas, conforme já foi apontado pelo Ministério Público Federal. Constatou-se ainda que, no mesmo período, empresas do grupo Tecna/Isolux repassaram cerca de 10 milhões de reais à Credencial Construtora – utilizada pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil para o recebimento de vantagens indevidas.

Também foram identificados, entre março de 2013 e junho de 2014, repasses de mais de 6 milhões de reais da Mendes Júnior a empresas ligadas a um executivo do grupo Tecna/Isolux. Além disso, o empresário Eike Batista, ex-presidente do Conselho de Administração da OSX, disse em depoimento ao MPF que, em novembro de 2012, recebeu pedido de Mantega, que era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, para que fizesse um pagamento de 5 milhões de reais para o PT.

Para operacionalizar o repasse da quantia, o executivo da OSX foi procurado e firmou contrato falso com empresa ligada a publicitários já denunciados na Operação Lava Jato por disponibilizarem seus serviços para a lavagem de dinheiro oriundo de crimes. Após uma primeira tentativa frustrada de repasse em dezembro de 2012, em 2013 foi realizada transferência de 2,3 milhões de reais no exterior, entre contas de Eike Batista e dos publicitários.

Mantega, segundo revelou VEJA, é citado, ainda, na proposta de delação premiada do marqueteiro João Santana e de sua esposa Mônica Moura. De acordo com o casal, o ex-comandante da Fazenda foi designado pela ex-presidente Dilma Rousseff para cuidar da arrecadação do caixa dois da campanha de 2014 junto aos empresários.

Em maio, Mantega foi conduzido pela PF para prestar esclarecimento na Operação Zelotes, que o investiga irregularidades no Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (Carf). Conforme revelou VEJA, ele é suspeito de ter usado o seu cargo como ministro para favorecer um amigo empresário.
 22 set 2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Um tiro nos pés...de Lula


Do alto de sua empáfia, o decano dos suspeitos submetidos a investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e auxiliar de fatiador da Constituição Renan Calheiros, presidente do Senado, disse:

“O exibicionismo da Lava Jato tira prestígio do Ministério Público”.


José Nêumanne
O Estado de S.Paulo



Agora cessa o que a antiga musa canta, pois um poder mais justo se alevanta: o juiz federal Sergio Moro calou os críticos da força-tarefa da “república de Curitiba” ao aceitar a denúncia dela contra Lula.

Ainda é difícil saber se, mesmo não estando mais incólume, o teflon que protegia Lula perdeu a capacidade de lhe manter o carisma. Antes de Renan, outros críticos desdenharam do pedido de sua prisão pelo promotor paulista Cássio Conserino. Tal impressão foi desfeita pela juíza Maria Priscila Ernandes Veiga Oliveira, da 4.ª Vara Criminal de São Paulo, que não achou a acusação tão imprestável assim: afinal, não a arquivou e, sim, a encaminhou para o citado Sergio Moro, titular da 13.ª Vara Federal do Paraná e responsável pela Operação Lava Jato, decidir. E as mesmas vozes ecoam esgares e esperneio da defesa de Lula contra o show de lógica clara dos “meninos de Curitiba”.

Acontece que em nada o dito espetáculo de uma semana atrás diferiu das coletivas anteriores, realizadas para a força-tarefa da Lava Jato comunicar à população, o que é necessário nesses casos pela gravidade dos crimes investigados e pela importância dos acusados sobre os quais recaem as acusações. À exposição sobre o cartel de empresas compareceram os mesmos procuradores, foi apresentado um libelo acusatório mais copioso (de quase 400 páginas à época e de 149 agora) e também se utilizaram recursos visuais (powerpoints) para ilustrar informações e explicações. Ainda como em todas as vezes anteriores, nesta a defesa do Lula respondeu apelando para recursos idênticos, e agora com uma agravante: a insistência numa frase para desmoralizar os procuradores, mas que não foi dita por nenhum deles: “Não temos provas, temos convicções”.

Em parte por nostalgia de suas ilusões, como milhões de brasileiros encantados com o coaxar rouco do líder que Brizola chamou de “sapo barbudo pra burguesia engolir”, em parte por medo da vingança do ex-ídolo, se lhe forem devolvidas as chaves dos cofres da viúva, os neocríticos crédulos perdem o sono. O pavor do chororô da jararaca que vira crocodilo é antigo. Em 2012, a delação proposta por Marcos Valério Fernandes, que cumpre pena pelo mensalão, sobre a compra do silêncio de um chantagista que ameaçava comprometer Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho na morte de Celso Daniel, sucumbiu à omissão do então procurador-geral, Roberto Gurgel, e do ex-presidente do STF Joaquim Barbosa.

O episódio acima foi narrado ao juiz Sergio Moro por Marcos Valério Fernandes, cuja versão não foi levada em conta porque seria um “bandido apenado”, ao contrário dos cúmplices com mandato, indultados no Natal pela mui compassiva companheira Dilma Rousseff. Deles só José Dirceu e Pedro Corrêa ainda moram na cadeia, acusados de terem delinquido direto das dependências do presídio da Papuda.

A versão de Valério, no depoimento repetido quatro anos depois, coincide com outra, que não deveria ser desqualificada, de vez que foi narrada pela voz autorizadíssima do ex-líder dos governos petistas no Senado Delcídio do Amaral (sem partido-MS). Nos autos do processo criminal, Sua Ex-excelência contou que, no início do primeiro mandato, o governo Lula era “hermético” e dele só participavam aliados tradicionais. Disso Dirceu discordava, pois já tinha combinado com o presidente do PMDB, Michel Temer, a continuação da “governabilidade” gozada pelo antecessor tucano, Fernando Henrique. Ante a perspectiva do impeachment, contudo, o chefão constatou: “Ou abraço o PMDB ou eu vou morrer”. Eis aí a lápide que faltava no quebra-cabeças.

Esta explica por que a bem pensante intelligentsia brasileira cantou em coro com os advogados dos empreiteiros nababos condenados por corrupção e a tigrada petralha o refrão “Valério bandido jamais será ouvido”, que manteve Lula fora do mensalão. E esclarece futricas da República de Florença em Brasília que põem o PMDB de Temer e Calheiros a salvo da luminosidade dos holofotes da História. Assim, enquanto acompanha Gil e Caetano entoando em uníssono “eu te odeio, Temer”, a esquerda vadia e erudita se acumplicia ao direito ao esquecimento que têm desfrutado o atual presidente e seus devotos do maquiavelismo no Cerrado seco.

Sabe por que esses celebrados “formadores de opinião” rejeitam a “nova ordem mundial” (apud Caetano Veloso, promovido sem méritos à companhia de Cecília, Drummond e Rosa, citados pela presidente do STF, Cármen Lúcia, em sua posse)? É que agora a corrupção não fica impune como dantes. E a maior evidência de que o velho truque de esconder castelos de areia sob tapetes palacianos escorre nos esgotos das prisões é o fato de os empreiteiros Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro optarem entre colaborar com a Justiça ou mofar na cadeia, por mais caros e bem relacionados que sejam seus causídicos. Só ficaram soltos os felizes mandatários que gozam de prerrogativa de foro. A patota desfruta o privilégio de não responder pelos próprios crimes e modificar as leis para moldá-las à sua feição.

É por isso que, enquanto faz juras públicas de amor à Lava Jato, o alto comando do Planalto planta suas “preocupações” com a excessiva vaidade ostensiva, capaz de, cuidado, comprometer o “digno” trabalho da força-tarefa. Pois saibam todos que estas linhas leem que a fraude Lula não engana mais a grande maioria, como já enganou um dia. E que, ao contrário de antes, ele vai desmoronar, mercê do combate mundial à formação de quadrilhas que usam a Justiça Eleitoral para lavar dinheiro sujo. De fato, Dallagnol e Pozzobon atiraram nos pés. Nos de Lula...

José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor


21 de Setembro de 2016

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ex-presidente - aquele que se julga a 'viva alma mais honesta do país' - passa a responder em Curitiba pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro


Moro aceita denúncia e Lula vira réu na Lava Jato


Por Laryssa Borges

Veja.com


RÉU - Sergio Moro aceita denúncia contra Lula
(Miguel Schincariol/AFP)


Luiz Inácio Lula da Silva deixou o posto mais importante da República com 83% de aprovação. Elegeu a sucessora Dilma Rousseff em 2010 em grande medida em decorrência da onda de popularidade que o cercava. Fora do Palácio do Planalto, mantinha a capilaridade política como se ainda fosse o comandante-em-chefe da República. Usava de contatos políticos para viajar em nome de empreiteiras, recolher dinheiro travestido de palestras e usufruir de benesses, como um sítio em Atibaia e a reforma de um tríplex em Guarujá. Hoje, Lula nem de longe ostenta a aura de poder de outrora. A situação do petista ficou ainda mais dramática nesta terça-feira, dia em que ele se tornou réu no âmbito da Lava Jato. O juiz Sergio Moro, magistrado de quem Lula tentou a todo custo se livrar, acolheu a denúncia apresentada pelos procuradores da República e considerou que existem indícios suficientes para que o petista possa responder pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.


Sem foro privilegiado, Lula terá de se submeter ao crivo da 13ª Vara Federal de Curitiba, de onde Moro toca, com mãos de ferro, os processos sobre o propinoduto na Petrobras – que já resultaram em 106 condenações e em mais de 38 bilhões de reais em pedidos de ressarcimento aos cofres públicos.

Lula passa a responder formalmente por mais duas acusações do rosário de suspeitas que pairam contra ele, desta vez pela imputação de ter recebido vantagens indevidas de pelo menos três contratos bilionários da construtora OAS, lavados por meio de uma reforma de luxo em um tríplex no Guarujá. Considerado o “comandante máximo” do petrolão pelo Ministério Público Federal, o ex-presidente derrete a aura da “viva alma mais honesta” que existe e cai na vala comum dos que devem prestar contas à Justiça. Lula já é réu na Justiça Federal do Distrito Federal sob a acusação de obstruir as investigações da Lava Jato.

No despacho em que acolhe a denúncia, Sergio Moro destaca que “juízo de admissibilidade da denúncia não significa juízo conclusivo quanto à presença da responsabilidade criminal”. “Tais ressalvas são oportunas pois não olvida o julgador que, entre os acusados, encontra-se ex-Presidente da República, com o que a propositura da denúncia e o seu recebimento podem dar azo a celeumas de toda a espécie”, disse o magistrado. “O fato de que grande parte, talvez a maior parte, do faturamento do Grupo OAS decorresse de contratos com a Petrobras, aliado ao comprovado (…) envolvimento do Grupo OAS no esquema criminoso que vitimou a Petrobras, tornam esses mesmos contratos uma provável causa e fonte dos supostos benefícios concedidos pelo Grupo OAS, sem aparente contraprestação financeira, ao ex-presidente, como o apartamento no Guarujá e o custeio do armazenamento dos bens recebidos durante o mandato presidencial, o que, em tese, pode caracterizá-los como vantagem indevida em um crime de corrupção”, afirmou o juiz em sua decisão.

Além de Lula, também passam à condição de réus a ex-primeira-dama Marisa Letícia, o amigo do petista e presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto e outras cinco pessoas. Agora eles terão de apresentar provas, elencar testemunhas e tentar desmontar a tese de que o petista foi fundador de uma “propinocracia” no país e de que o tríplex foi pago com dinheiro da Petrobras. Assim que a denúncia foi apresentada, na quarta-feira passada, reagiu: “Provem uma corrupção minha que irei a pé para a prisão”.

Segundo as investigadores da Lava Jato, o ex-presidente recebeu, apenas no caso relacionado ao tríplex, benesses de 3,7 milhões de reais “oriundas do caixa geral de propinas da OAS com o PT”. Como ele é alvo de outras apurações no petrolão, incluindo os nebulosos pagamentos por palestras, por meio da L.I.L.S. Palestras, Eventos e Participações, as vantagens indevidas devem ser confirmadas em escala exponencial. Dos cerca de 55 milhões de reais que o Instituto Lula e a L.I.L.S. receberam de empresas, mais de 30 milhões de reais foram repassados diretamente por empreiteiras enroladas com o escândalo na Petrobras. E mais: Lula, que não foi denunciado por organização criminosa pela força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba, é alvo de uma investigação sobre o tema em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

  20 set 2016

EXCLUSIVO: LULA VIRA RÉU NA LAVA JATO



Lula, finalmente, virou réu na Operação Lava Jato em Curitiba

Sérgio Moro acaba de aceitar a denúncia do MPF que aponta o ex-presidente como "comandante máximo" do petrolão. Ele e sua mulher, Marisa, responderão por corrupção e lavagem de dinheiro.

O MPF acusa Lula de receber propina de contratos da OAS com a Petrobras na forma de bens e outras benesses, como a reforma do triplex do Guarujá e o pagamento pela armazenagem de itens que recebeu como presidente num depósito da Granero.

Além do casal, também viraram réus Paulo Okamotto, Léo Pinheiro e os executivos Agenor Franklin Medeiros, Paulo Gordilho, Fábio Yonamine e Roberto Moreira.

MORO: "PRESENTES INDÍCIOS SUFICIENTES DE AUTORIA E MATERIALIDADE"

Em seu despacho, obtido em primeira mão por O Antagonista, o juiz Sérgio Moro declara que estão "presentes indícios suficientes de autoria e materialidade" para receber a denúncia contra Lula, Marisa, Léo Pinheiro, Paulo Okamotto e demais executivos da OAS.



MORO: "A DENÚNCIA INSERE-SE NO ESQUEMA CRIMINOSO QUE VITIMOU A PETROBRAS"

Em seu despacho, obtido em primeira mão por O Antagonista, Sérgio Moro confirma a denúncia do MPF que mostra Lula como beneficiário de "vantagens indevidas" no "contexto do esquema criminoso que vitimou a Petrobras".

Leiam o trecho do documento:

"Em primeiro lugar, trata-se de imputação de crime de corrupção no qual as vantagens indevidas teriam sido pagas a ex-Presidente da República em decorrência de seu cargo, o que determina a competência da Justiça Federal."

"Em segundo plano, a denúncia insere-se no contexto do esquema criminoso que vitimou a Petrobrás, relacionando o MPF as supostas vantagens concedidas ao ex-Presidente a acertos de propinas em contratos da Petrobrás com o Grupo OAS, entre eles contrato para obras na Refinaria Presidente Getúlio Vargas - REPAR, no Paraná, e para o qual [o esquema criminoso] houve prevenção deste Juízo, já que o primeiro crime investigado nesse aspecto envolvia operação de lavagem consumada em Londrina/PR."

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

MP denuncia Lula, Marisa Letícia e mais 6 pessoas no caso do tríplex do Guarujá


Força-tarefa afirma que imóvel no Guarujá é uma forma de pagamento de vantagem indevida

Por Cleide Carvalho, enviada especial
O Globo

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
MIGUEL SCHINCARIOL / AFP (9/9/2016)

CURITIBA — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mulher dele, dona Marisa Letícia, e mais seis pessoas foram denunciadas nesta quarta-feira por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do edifício Solaris, no Guarujá. O procurador do Ministério Público Deltan Dallagnol afirmou, em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, que Lula é o "comandante máximo" de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro investigados pela Lava-Jato. Esta é a primeira denúncia contra o ex-presidente que será encaminhada à 13ª Vara Federal de Curitiba, do juiz Sérgio Moro.

Também foram denunciados o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, e os ex-diretores da OAS Paulo Gordilho (responsável pela compra de móveis planejados para a cozinha do apartamento), Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.

Lula foi denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Foram denunciados por corrupção ativa o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro e o ex-diretor da OAS Agenor Medeiros. À exceção de Agenor Medeiros, os outros sete denunciados pelo MP, incluindo Lula e sua mulher, Marisa Letícia, são acusados de participação no crime de lavagem de dinheiro.

O procurador da República Deltan Dallagnol afirmou que a denúncia de lavagem de dinheiro diz respeito a repasse de recursos da OAS para Lula, por meio da reforma e decoração do tríplex em Guarujá, além de um "contrato falso" de armazenamento de bens pessoais. De acordo com Dallagnol, o valor total do esquema de lavagem de dinheiro, que dizia respeito às propinas pagas ao ex-presidente Lula por contratos firmados pela empreiteira com a Petrobras, chega a R$ 3,7 milhões.

Já o valor das propinas investigadas nos crimes de corrupção, referentes a contratos de refinarias Repar e RNEST, no âmbito das diretorias de Abastecimento e de Serviços da Petrobras, chega a R$ 87,6 milhões. A denúncia do MP pede o confisco e ressarcimento mínimo deste valor.

Segundo procurador do Ministério Público Federal (MPF) Roberson Pozzebon, embora não existam “provas cabais” de propriedade do tríplex em Guarujá por parte de Luiz Inácio Lula da Silva, há evidências que ligam o ex-presidente e sua família ao apartamento. Pozzebon afirma que há elementos indicando que a real propriedade do apartamento, registrado em nome da OAS, era na verdade de Lula e Marisa.

LULA REAGE À DENÚNCIA

Em sua página no Facebook, Lula reagiu à denúncia, dizendo que tornou públicos em janeiro o documentos que provariam que ele não é dono do tríplex de Guarujá. O comunicado reiterou a versão de que Lula esteve apenas uma vez no apartamento, na época em que avaliava uma possível compra do imóvel. "Jamais foi proprietário dele (o triplex) ou sequer dormiu uma noite no suposto apartamento que a Lava-Jato desesperadamente tenta atribuir ao ex-presidente", diz a nota. A publicação foi acompanhada de um link para uma matéria do Instituto Lula, com os documentos que supostamente provariam a inocência do petista.

A assessoria de imprensa da OAS informou nesta quarta-feira que não ia se manifestar sobre a denúncia. O advogado José Luis Oliveira Lima, que defende o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, informou que "no momento oportuno todos os esclarecimentos serão prestados às autoridades competentes".

Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, negou que tenha ocorrido crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro em relação ao tríplex e criticou os "abusos cometidos, da condução coercitiva do Presidente Lula e do Presidente do Instituto", o próprio Okamotto.

Lula já é réu em processo da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, por tentar obstruir a Justiça comprando o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, um dos delatores do esquema de corrupção na estatal. Também respondem à Justiça no mesmo processo o ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), o ex-chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves, o advogado Édson Ribeiro, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai.

O ex-presidente também é investigado pela compra do sítio de Atibaia, reformado com ajuda de outra empreiteira envolvida no esquema, a Odebrecht.

‘Lula era o comandante máximo do esquema de corrupção’, diz MPF


Lava-Jato denuncia ex-presidente nesta quarta-feira por corrupção e lavagem de dinheiro


Por Thiago Herdy e Dimitrius Dantas (*)O Globo



Procurador mostra gráfico que ilustra papel do ex-presidente Lula na Lava-Jato

Reprodução

 
SÃO PAULO. O coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, disse nesta quarta-feira que o ex-presidente Lula era o “comandante máximo do esquema de corrupção” identificado na Petrobras e em outros órgãos federais durante seu governo. O ex-presidente e seus aliados negaram a acusação e disseram “repudiar a denúncia” . Na coletiva, o procurador afirmou que a atuação de Lula tinha como propósitos a manutenção da governabilidade, a perpetuação de partidos no poder e o enriquecimento ilícito dos envolvidos.

— Hoje o MPF acusa o sr. Luiz Inácio Lula da Silva como o comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava-Jato — disse Dallagnol, que também se referiu ao ex-presidente como “maestro da orquestra concatenada para saquear os cofres da Petrobras e outros órgãos públicos” e “grande general do esquema de corrupção” descoberto durante as investigações.

De acordo com Dallagnol, Lula recebeu R$ 3,7 milhões em propina da empreiteira OAS, uma das beneficiárias do esquema de corrupção na Petrobras, aplicados em um apartamento no Guarujá (SP) — que Lula devolveu depois que o caso veio à tona na imprensa — e no armazenamento de itens do ex-presidente depois que ele deixou o Planalto.

Para embasar a denúncia, o procurador citou o poder de decisão do ex-presidente para nomear postos de alto escalão, sua proximidade com pessoas acusadas na Lava-Jato e com o PT, além do depoimento de políticos que relataram o conhecimento de Lula sobre o esquema de corrupção. Entre eles estão o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT) e Pedro Corrêa (PP). O procurador não informou se eles apresentaram mais provas de envolvimento do ex-presidente com os crimes, além do relato testemunhal.

Para Dellagnol, embora não se possa dizer que todos os apadrinhados que assumiram cargos públicos arrecadaram propinas, é possível “afirmar que existia um sistema com este objetivo, o qual abarcava seguramente diversos cargos públicos”.

— Só o poder de decisão de Lula fazia o esquema de governabilidade corrompida viável. (O ex-presidente) nomeou diretores para que arrecadassem propina. Sem o poder de decisão de Lula, esse esquema seria impossível.

O advogado de Lula, Cristiano Martins, classificou a entrevista desta quarta-feira como um “espetáculo de verborragia da força-tarefa da Lava-Jato” e negou envolvimento do ex-presidente em crimes. Quando perguntados sobre o tema, Lula e aliados argumentam que acordos políticos “são legítimos em uma democracia” e seguem o mesmo modelo de governos anteriores.

Dallagnol relembrou as semelhanças entre o caso do mensalão e o esquema de pagamentos de propinas na Petrobras para apresentar o que chamou de “propinocracia”, um governo que, de acordo com o procurador, é regido pelo pagamento de vantagens indevidas.

Segundo o procurador, os investigadores não desejam recuperar a Ação Penal 470 (do mensalão) para definir a responsabilidade de Lula naquele caso, mas a citam como “mais uma prova” contra o ex-presidente. Para ele, após a divulgação do esquema do mensalão, Lula não poderia mais alegar desconhecer outro esquema, que funcionava de forma semelhante.

— Dessa vez, Lula não pode mais dizer que não sabia de nada — disse.

No início da entrevista, Dallagonol observou que a conclusão sobre o envolvimento de Lula no esquema de corrupção descoberto pela Lava-Jato não leva em conta a história do ex-presidente ou a qualidade de seu governo:

— O MPF não está julgando aqui quem Lula foi ou é como pessoa. Não estamos julgando quanto o seu governo foi ou não foi bom, o quanto ele fez ou não fez pelo povo brasileiro. O que o Ministério Público faz aqui é imputar a ele a responsabilidade por crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro, em um contexto específico, afirmando qual é a medida de sua responsabilidade com base em evidências - afirmou Deltan.

O procurador disse que a mesma ressalva se aplica ao PT:

— Não se julga aqui a adequação de sua visão de mundo, sua ideologia, mas avalia sim se a agremiação se envolveu, por meio de seus diversos prepostos, em crimes específicos.

Ele disse também acreditar que a corrupção no Brasil não seria um problema exclusivo do grupo político denunciado nesta quarta.

— A corrupção no Brasil não é de partido A ou partido B. Ela é enraizada historicamente. Quando olhamos o momento presente, verificamos ainda que ela é sistêmica — afirmou.

Lula, a mulher dele, dona Marisa Letícia, e mais seis pessoas foram denunciadas nesta quarta-feira por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do edifício Solaris, no Guarujá. Também foram denunciados o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, e os ex-diretores da OAS Paulo Gordilho (responsável pela compra de móveis planejados para a cozinha do apartamento), Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.

(*) Sob coordenação de Flávio Freire


14/09/2016

O FUZILAMENTO DE LULA




Enio Mainardi

Estou dividido em dois, neste momento: metade de mim está grudada no Deltan Dallagnol , que vai explicando minuciosa e didaticamente a liquidação do lula e do pt.

Minha outra metade, está concentrada no meu Mac, onde escrevo agora.

Estou bestificado.

Depois de toda nossa impaciência exigindo que o Moro abrisse logo o esgoto do pt, finalmente...finalmente aconteceu.

Botaram fogo na colméia de corrupção do pt-pmdb, as abelhas do mal voejam enfurecidas e impotentes frente à hecatombe que as atingiu.

De hoje em diante, a História o Brasil mudou.

Não tem marcha ré, todos estamos conscientes de como a criminalidade petista invadiu a corrente sanguínea da nação, envenenando nossa moral e nosso futuro.

Também derrubando nossa confiança na Justiça, principalmente no seu lado mais visível e palpável, o STF.

Então, neste momento, vou continuar assistindo ao fuzilamento do velho criminoso lula.

E confesso: me sinto feliz e vingado.


14 de setembro de 2016



MPF denuncia Lula, Marisa e mais seis na Operação Lava Jato


Resultado de imagem para MPF denuncia Lula, Marisa e mais seis na Operação Lava Jato
Denúncia foi feita nesta quarta-feira (14) pela força-tarefa.

PF indiciou o ex-presidente por irregularidades em triplex no Guarujá.


Bibiana Dionísio e Isabela Camargo
Do G1 PR e da GloboNews


O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta quarta-feira (14) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mulher dele Marisa Letícia e mais seis pessoas no âmbito da Operação Lava Jato. Os procuradores farão uma coletiva nesta tarde para detalhar a denúncia.

Veja quem foi denunciado
Lula - ex-presidente

Marisa Letícia - mulher de Lula


Léo Pinheiro - ex-presidente da OAS


Paulo Gordilho - arquiteto e ex-executivo da OAS


Paulo Okamotto - presidente do Instituto Lula


Agenor Franklin Magalhães Medeiros - ex-executivo da OAS


Fábio Hori Yonamine - ligado à OAS


Roberto Moreira Ferreira - ligado à OAS


Indiciamento

Em agosto deste ano, a Polícia Federal (PF) indiciou Lula, Marisa Letícia, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, o arquiteto Paulo Gordilho e o presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto por crimes como corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

Os cinco foram investigados por supostas irregularidades na aquisição e na reforma de um apartamento tríplex do Edifício Solaris, no Guarujá, no litoral de São Paulo, e no depósito de bens do ex-presidente.

De acordo com o indiciamento, a OAS pagou por cinco anos (entre 2011 e 2016) R$ 21,5 mil mensais para que bens do ex-presidente ficassem guardados em depósito da empresa Granero.

Os pagamentos totalizam, conforme citado pelo delegado, R$ 1,3 milhão. De acordo com a Polícia Federal, o montante corresponde a vantagens indevidas pagas pela Construtora OAS em benefício de Lula.

Na ocasião, o advogado do ex-presidente e da ex-primeira-dama, Cristiano Zanin Martins, afirmou que as conclusões do relatório da Polícia Federal "tem caráter e conotação políticos e é, de fato, peça de ficção".

O Instituto Lula e a defesa de Paulo Okamotto informaram que, como não tiveram acesso aos detalhes do indiciamento, não têm como se pronunciar. Por meio do Instituto Lula, o ex-presidente reiterou que não é proprietário de nenhum imóvel no Guarujá.

Lula, Marisa e mais seis são denunciados pelo MPF
(Foto: Reprodução/MPF)


14/09/2016

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A volta do dinheiro


Investidores estrangeiros aumentam participação em ações brasileiras e dão voto de confiança à recuperação da economia

Prioridade Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, tenta atrair estrangeiros com reformas e projetos de infraestrutura


Mariana Queiroz Barboza IstoÉ

Próxima de completar sete anos, a célebre capa que a revista britânica The Economist publicou com o Cristo Redentor decolando como um foguete foi um marco do período em que o Brasil conquistou os holofotes dos mercados internacionais. A confiança adquirida naquele período, com a economia crescendo em ritmo acelerado, a ascensão de uma nova classe média e a expectativa gerada por grandes eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada no Rio, atraiu um volume expressivo de capital estrangeiro, mas acabou sendo gradativamente destruída nos anos seguintes de expansão insustentável de gastos públicos e decisões políticas equivocadas. A economia mudou de rota e passou a encolher, o mercado de crédito foi saturado, o País perdeu o selo de bom pagador concedido pelas agências de classificação de risco e os investidores acabaram tirando dinheiro daqui para aplicar em outros países. A boa notícia é que, aos poucos, eles parecem estar voltando.

Na semana passada, um relatório da consultoria EPFR Global mostrou que, em agosto, o nível de recursos aplicados no País por fundos de títulos de renda fixa que atuam em mercados emergentes chegou a 9,4%, o maior desde maio de 2015. O salto também foi significativo entre os fundos de ações na América Latina, em que a parcela investida no Brasil chegou a 53,2% e foi a maior desde o quarto trimestre de 2014, e os fundos de títulos na América Latina, que colocaram aqui 28,7% de seus recursos, atingindo o melhor patamar em dois anos. “O fato de que todos esses grupos aumentaram sua exposição é definitivamente um voto de confiança”, disse à ISTOÉ Cameron Brandt, diretor de pesquisa da EPFR Global. Para ele, as razões por trás do otimismo têm raízes políticas, como a conclusão do processo de impeachment contra Dilma Rousseff e o tom “menos estatista” do presidente Michel Temer, mas também são econômicas. “Há menos angústia em relação ao crescimento da China e os números macroeconômicos que saem do Brasil estão ligeiramente melhores”, afirma Brandt.

O País também se destacado nos índices que medem o desempenho do mercado acionário. Puxadas principalmente pelos papéis brasileiros, as ações de América Latina medidas pela S&P Dow Jones Indices avançaram 32,7% no acumulado do ano até agosto, superando todas as outras regiões, num embalo que surpreendeu até alguns gestores de recursos. No mesmo período, as ações brasileiras subiram 63,2%. “Com as taxas de juros muito baixas e até negativas nos países desenvolvidos e as incertezas geradas pela saída do Reino Unido da União Europeia, os investidores procuraram outros lugares para colocar seu dinheiro”, afirma Silvia Kitchener, diretora de desenvolvimento de produtos da S&P Dow Jones Indices. “Há muita expectativa em relação ao Brasil agora que o processo de impeachment foi finalizado e grandes empresas privadas e estatais, como a Petrobras, estão passando por programas de reestruturação.” Silvia avalia que, mesmo com os problemas recentes e os muitos desafios que ainda tem pela frente, os investidores estrangeiros ainda nutrem especial interesse pelo País. “Da nossa perspectiva, vemos muito potencial para o Brasil”, diz.

CONFIANÇA EM MEIRELLES
Boa parte da recuperação de confiança vem da equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que tem maior credibilidade nos mercados financeiros que as equipes anteriores. Eduardo Valle, consultor sênior para Relações Governamentais da Speyside Corporate Relations, que assessora multinacionais e investidores estrangeiros, diz que isso é “consensual” entre seus clientes, que, nos últimos meses, participaram de fusões e aquisições no setores elétrico e de petróleo e gás. “A equipe de Meirelles é reconhecidamente competente e com capacidade para implementar as medidas necessárias”, diz. “Ainda assim, percebo que os investidores estão agindo com muita cautela no mundo todo, como resquício do trauma da crise de 2008.” No Brasil, as dúvidas maiores estariam no empenho do governo em encaminhar ao Congresso Nacional a proposta de limite de gastos públicos e a reforma da Previdência – pontos que Meirelles já colocou como prioridade.

Em encontro com empresários brasileiros e chineses em Xangai, no início do mês, o ministro indicou que as oportunidades de investimentos em projetos de infraestrutura podem chegar a US$ 269 bilhões nos próximos quatro anos. Na volta ao Brasil, afirmou: “Todos confiam na nossa recuperação e estão preparados para considerar seriamente hipóteses de investimento aqui. Existem países que pretendem avançar em negociações bilaterais.”

R$ 70 bilhões
É quanto os bancos esperam que o governo arrecade com a repatriação de recursos

Termina em 31 de outubro o prazo para que os brasileiros que mantêm reservas não declaradas no Exterior possam regularizá-las. Com isso, os presidentes de bancos esperam que R$ 70 bilhões retornem aos cofres do País. A estimativa foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo na semana passada. O programa de repatriação do governo, que implica em pagamento de 15% de multa e 15% de imposto de renda, faz parte de um movimento global de regularização voluntária comandado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Foto: Murillo Constantino/Agência O Dia


09.09.16

“O beijo, Eduardo Cunha, é a véspera do escarro. Acostuma-te à lama que te espera”




“Vês!
Ninguém assistiu ao formidável/
Enterro de tua última quimera./
Somente a Ingratidão - esta pantera -/
Foi tua companheira inseparável!”

Por Reinaldo Azevedo


Ofereço um texto literário para o ex-deputado Eduardo Cunha (PDMB-RJ) enfrentar este momento difícil. Não resolve a vida dele de imediato, eu sei. Mas, ao menos, o político tem a chance de refletir um pouco sobre a natureza humana e fica sabendo que ele não é a única pessoa no Brasil a ser vítima da ingratidão, da traição, dos seus iguais… Trata-se de “Versos íntimos”, de Augusto dos Anjos:
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Cunha foi cassado por quebra de decoro, acusado de ter mentido numa CPI sobre a existência de dinheiro depositado no exterior. Sim, ele tinha. “Ah, era só beneficiário de um trust, não conta”. Ora, ora… Era o tal dinheiro que ele dizia não ter.

O placar foi humilhante: 450 votos a 10, com 9 abstenções. O resultado não foi surpreendente, mas o placar sim: nem os que torciam pela cassação esperavam tanto nem os que decidiram resistir ao lado de Cunha se achavam tão poucos. Desde a abertura da sessão, a coisa se afigurava ruim para o deputado. Ele, que conheceu com tanta ênfase o beija-mão, passava pelo dissabor do escarro. Foi abandonado por todos.

Atenção, segundo a Alínea b do Artigo 1º da Lei Complementar Nº 64, depois alterada pela Lei Complementar 135, a da Ficha Limpa, Cunha está inelegível até 31 de dezembro de 2026 — isso inclui o tempo que falta para o termino desta legislatura, que expira em 2018, e os oito anos subsequentes. Ele só recupera o direito de se candidatar em 2027 (tudo a depender, claro, do que aconteça com ele na esfera criminal), ano em que, mantido o calendário, não há eleição. Só poderá voltar a disputar um cargo eletivo em 2028, quando estará com 70 anos.

Chega ao fim o mais longo processo de cassação de um deputado da história. Tudo começou no dia 13 de outubro de 2015, quando o PSOL e a Rede entraram com uma denúncia contra o deputado, no Conselho de Ética, por quebra do decoro parlamentar. Ficou, então, evidente que ele havia mentido, num depoimento a uma CPI a que comparecera espontaneamente, sobre a inexistência de recursos seus no exterior.

A partir do início da tramitação da denúncia, assistiu-se a um espetáculo dantesco, com manobras as mais impressionantes para tentar retardar o processo. Ocorre que, quanto mais Cunha esticava a corda, tentando evitar que o processo chegasse ao plenário, mais o Ministério Público Federal ia revelando as entranhas de sua atuação. Nunca ninguém achou que ele fosse uma madre dos pés descalços. Mas poucos enxergavam o Mr. Hyde que o sem dúvida brilhante Dr. Jekyll escondia.

É até possível que Cunha tivesse sido cassado antes, não tivesse manobrado tanto. Mas não por 450 a 10. À medida que ele foi provocando sucessivos adiamentos, deu tempo para o Ministério Público escrever a sua biografia.

E se chegou, então, a esses números.

Cunha está acabado para a política.

A menos que decida fazer vítimas.

13/09/2016



Crítica à corrupção marca posse de Cármen Lúcia



Supremo.

Em cerimônia com a presença de políticos investigados na Lava Jato, ministra assume presidência do STF; decano da Corte e Janot falam em ‘delinquência governamental’


Beatriz Bulla Rafael Moraes Moura
Fábio Serapião / BRASÍLIA,
O Estado de S.Paulo

A vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia
Foto: Dida Sampaio


Discursos contra a corrupção no País dominaram a posse da ministra Cármen Lúcia como presidente do Supremo Tribunal Federal na tarde desta segunda-feira, 12. O decano da Corte, ministro Celso de Mello, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fizeram críticas à “delinquência governamental”. Os discursos foram ouvidos por uma plateia de políticos investigados na Operação Lava Jato, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) – sentado ao lado de Cármen –, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre Renan e o presidente da República, Michel Temer, Cármen pulou os tradicionais cumprimentos às autoridades presentes e direcionou seu discurso à “Sua Excelência, o povo”. “Vivemos momentos tormentosos. Há que se fazer a travessia para tempos pacificados. Travessia em águas em revolto e cidadãos em revolta”, disse a nova presidente da Corte, a segunda mulher a assumir a função.

Ela também defendeu a necessidade de garantir justiça aos cidadãos. “Homens e mulheres estão nas praças pelos seus direitos e pelo seus interesses. Quer-se um Brasil mais justo e é imprescindível que o construamos. Cansamos de sermos País de um futuro que não chega nunca. O futuro é hoje e há de ser construído pela união de todos, com direito às diferenças e respeito à identidade de cada um.”

No discurso de apresentação da nova presidente, Celso de Mello classificou o cenário atual como momento de “gravíssimos desafios”. Em longo e duro pronunciamento, ele afirmou que os fatos recentes revelam como se formou “no âmago do aparelho estatal e nas diversas esferas governamentais da Federação uma estranha e perigosa aliança entre determinados setores do Poder Público, de um lado, e agentes empresariais, de outro, reunidos em imoral sodalício com o objetivo ousado, perverso e ilícito de cometer uma pluralidade de delitos profundamente vulneradores do ordenamento jurídico instituído pelo Estado brasileiro”, disse o decano ao que chamou de “delinquência governamental”.

Citando Ulysses Guimarães, o ministro afirmou que a corrupção é “o cupim da República” e que “não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube” é o primeiro mandamento moral. A fala do decano foi mais longa do que a da própria presidente e recebeu fortes aplausos das autoridades presentes.

Além de Renan e Lula, ouviram o duro discurso anticorrupção outros investigados por suspeita de envolvimento em esquemas criminosos, como o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Ao deixar a solenidade, Pimentel relativizou as falas e disse que os ministros deixaram claro que a Corte irá primar pelo direito à ampla defesa.

“Vivemos momentos tormentosos. Há que se fazer a travessia para tempos pacificados. Travessia em águas em revolto e cidadãos em revolta', Cármen Lúcia, nova presidente do Supremo Tribunal Federal​

O procurador-geral da República aproveitou seu discurso para defender o pacote de 10 medidas contra a corrupção, encaminhado ao Congresso pelo Ministério Público. Janot afirmou que a Lava Jato demonstra “cabalmente a falência do nosso sistema de representação”.

Ele disse ainda que o Brasil se vê diante de duas saídas: a tentativa de abafar progressos, “calando os que bradam a verdade inconveniente, promovendo mudanças cosméticas”, ou a “autodepuração na busca de um novo arranjo democrático”. “Sinto que chegamos ao ponto do nosso processo em que precisamos escolher com desassombro o caminho a seguir”, afirmou Janot.

Justiça, diversão e arte. A nova presidente do Supremo destacou que o sentimento de Justiça é buscado pela sociedade. “Justiça é sentimento de que tem fome (...), porque sem ela a dignidade humana é retórica. Sem Justiça sobra a força de uma pessoa sobre a outra. E, como repito tanto, fome dói. Nosso encargo e compromisso é supri-la”, disse Cármen Lúcia.

Segundo ela, o cidadão não está satisfeito hoje com o Poder Judiciário e os juízes também não. “Faz-se urgente transformá-lo”, afirmou a ministra.

A ministra manteve a tradição de fazer citações literárias e musicais em sua fala. Mineira, fez referências aos conterrâneos Carlos Drummond de Andrade e João Guimarães Rosa. “Em tempos cujo nome é tumulto escrito em pedra, como diria Drummond, os desafios são maiores”, disse. Um pouco antes, citou Riobaldo, um dos personagens de Grande Sertão: Veredas. “Riobaldo afirmava que ‘natureza da gente não cabe em nenhuma certeza’. Mas parece-me que natureza da gente não se aguenta em tantas incertezas. Especialmente quando o incerto é a Justiça que se pede e que se espera do Estado”.


12 Setembro 2016

Câmara cassa mandato de Eduardo Cunha


Decisão põe fim a processo que se arrastou por mais de 300 dias - e ao ambicioso projeto político do peemedebista
Por Da redação
Veja.com
Cunha: cassado
(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)


Às 23h50 desta segunda-feira o plenário da Câmara dos Deputados anunciou: o outrora todo-poderoso Eduardo Cunha (PMDB-RJ) teve o mandato cassado por 450 votos. Somente dez deputados votaram para poupar o peemedebista. Houve nove abstenções. O resultado põe fim a um processo que se arrastou na Casa por mais de 300 dias – e ao ambicioso projeto político do peemedebista, que chegou a almejar a Presidência da República. Cunha é acusado de embolsar propinas milionárias do petrolão, de ser correntista oculto de bancos na Suíça e de mentir aos colegas, o que configura quebra do decoro parlamentar, justamente por esse motivo, foi cassado. Ele estava afastado das funções há quatro meses por determinação do STF – que na ocasião indicou inclusive que uma eventual prisão do peemedebista não estava descartada.


Cunha vivenciou ao longo das últimas semanas as dores do abandono. Antigos aliados sequer atendiam aos telefonemas do ex-deputado. O peemedebista dedicou o fim de semana a disparar telefonemas para se defender da ação por quebra de decoro e pedir clemência. Em muitos casos, sequer conseguiu ser ouvido. Somente dois parlamentares subiram à tribuna para defendê-lo nesta segunda. Do plenário, Cunha ouviu toda sorte de provocações: foi chamado de corrupto, golpista, mentiroso, chantagista, mafioso e até de psicopata. Virava as costas para os que discursavam em prol de sua cassação.

Até mesmo PSD e PR, partidos do chamado Centrão, cuja criação foi patrocinada por Cunha, decidiram votar pela cassação. A punição também foi apoiada em peso por PT, PSDB, DEM, PSOL, SD, PPS, PSB, PCdoB, PROS, PHS, Rede, PTdoB e PRTB. Cunha passou os últimos dias no apartamento funcional em Brasília, longe do séquito de aliados. Os antigos apoiadores agora se esforçam cada vez menos na defesa pública do deputado afastado e usam a campanha eleitoral para se distanciar do caso. O peemedebista, por sua vez, tentava convencer seus pares a faltar à sessão ou se abster na votação para evitar a cassação. Não funcionou. 

A pressão das ruas contra Cunha e sobre Temer levou o Palácio do Planalto a descartar qualquer possibilidade de ajudar o ex-presidente da Câmara a manter o mandato. Para o governo, a digital da presidência numa articulação favorável a Cunha poderia fortalecer os protestos anti-Temer. Ao ser questionado sobre a votação pela manhã, o presidente Michel Temer afirmou: “Perguntem ao Rodrigo”, em referência a Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados. Temer optou por ficar distante das articulações para tentar salvá-lo e vai assumir os riscos que a perda do mandato do peemedebista podem significar para o governo.

Agora, os processos da Operação Lava Jato a que o deputado responde deverão ser deslocados para a 13ª Vara Federal em Curitiba, sob o comando de Sergio Moro. O juiz já está à frente das ações a que respondem a mulher e a filha do agora ex-deputado, Cláudia Cruz e Danielle Dytz. Cunha é detentor de vastos segredos da República, inclusive do presidente Temer. Se resolvesse falar o que sabe à Lava Jato, seu depoimento seria considerado “a maior delação premiada do mundo”. Em março, o STF abriu processo contra ele por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tornando-o réu. Ele também responde a quatro inquéritos por suspeita de embolsar outras propinas milionárias, parte delas decorrente da venda de medidas provisórias.

Formado em economia, Cunha entrou na vida pública pelas mãos do tesoureiro da campanha de Fernando Collor à Presidência, o empresário Paulo César Farias, com quem trabalhou nas eleições de 1989. Com a vitória de Collor, foi nomeado para presidir a antiga estatal Telerj, de onde saiu acuado por suspeitas de irregularidades em licitações. Desde então, desfilou por outras estatais e escândalos, até que, em 2002, conquistou seu primeiro mandato de deputado federal.

A ascensão política tem como dínamo o voto conservador. Baterista amador e fã de rock, Cunha tornou-se evangélico por sugestão de um antigo aliado político. Passou a pregar no púlpito contra o aborto e a homossexualidade, como receita sua igreja, enquanto se delicia na esfera privada com hábitos mundanos, com destaque para a degustação de vinhos caros. O deputado nunca empunhou a bandeira do combate à corrupção. Ele só decidiu dar seguimento ao processo de impeachment de Dilma por seu instinto de sobrevivência.

Investigado no petrolão, concluiu que, se partisse para cima de uma presidente impopular, seria poupado pela opinião pública. A aliados, disse que, como timoneiro do impeachment, contaria com a condescendência da oposição. A estratégia deu certo, mas só por alguns meses. No início, tucanos e democratas não se esforçaram pela celeridade do processo. Fizeram vista grossa em nome de um objetivo maior: destronar o PT. Com o impeachment encaminhado, Cunha foi abandonado como Dilma – sua cassação se deu com os votos em massa de PSDB, DEM e até dos que integravam seu tropa de choque.


 12 set 2016