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terça-feira, 10 de maio de 2016

Dilma manda suspender cerimônia de descida de rampa



Avaliação é que a imagem de descer a rampa é muito forte e pode ser interpretada como 'capitulação' e 'entrega' do governo para Temer

Por Vera Rosa
O Estado de S.Paulo


BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff pediu para auxiliares suspenderem a cerimônia de descida da rampa do Palácio do Planalto depois que o plenário do Senado aprovar o impeachment contra ela, em votação prevista para esta quarta-feira, 11.

O governo dá como certo o afastamento de Dilma por até 180 dias.


A presidente Dilma Rousseff

A avaliação é que a imagem de descer a rampa é muito forte e pode ser interpretada como “capitulação” e “entrega” do governo para o vice-presidente Michel Temer. Dilma, ao contrário, quer passar a ideia de que a gestão Temer é ilegítima.

Representantes de movimentos sociais ainda pretendem fazer uma caminhada do Planalto até o Palácio da Alvorada, sede da residência oficial, em protesto contra o impeachment. Se não houver nenhuma mudança no roteiro da votação, a caminhada deverá ocorrer na quinta-feira, 12. Dilma, porém, não participará do ato.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva almoçou nesta terça-feira, 10, com os ministros Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e José Eduardo Cardozo (Advocacia Geral da União) no hotel Royal Tulip, em Brasília. Um dos assuntos discutidos foi a demissão coletiva dos ministros. Agora, Dilma estuda só dispensar os auxiliares que quiserem sair, e não mais toda a equipe, como estava combinado.


10 Maio 2016

A minutos de ser cassado, Delcídio ameaça Renan, Jucá, Lobão e Jader com revelações






Wilson Dias | Agência Brasil


Por Lauro Jardim

Delcidio Amaral decidiu não comparecer à sessão que está começando agora e que, ninguém duvida, irá cassá-lo.


— Para quê? O coronel Renan atropelou ontem o regimento do Senado para me cassar.

Delcidio diz que Renan prestou um serviço ao Planalto:

— Ele sabia que eu faria um discurso vigoroso na votação do impeachment contra o governo e contra ele.

O ainda senador promete ir ao STF para anular o ato de ontem de Renan. Não só. Delcidio ameaça seus colegas. Diz que fará na semana que vem um complemento de sua delação. Nele, centrará fogo em Renan, Édison Lobão, Romero Jucá e Jader Barbalho.

— Eles que me aguardem. Alguns senadores querem me esquecer, mas eu não me esquecerei de alguns senadores.


10/05/2016

Sessão do impeachment terá três blocos - Anastasia e AGU fecham debates


Roteiro prevê ainda que todos os senadores que se inscrevam para discursar tenham até 15 minutos para se manifestar da tribuna

Por Laryssa Borges, de Brasília

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), preside sessão no plenário da Casa, em BrasÌlia (DF) - 09/05/2016
(Andressa Anholete/AFP)

O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), informou nesta terça-feira que o advogado-geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, terá 15 minutos no fim da sessão plenária de amanhã para apresentar os argumentos finais contra o provável afastamento da presidente Dilma Rousseff. Antes dele, o relator na comissão especial, Antonio Anastasia (PSDB-MG), terá também 15 minutos para defender o processo contra Dilma por crimes de responsabilidade.

Pelo cronograma fixado pelo presidente do Senado, a sessão plenária desta quarta terá três blocos: um das 9 horas da manhã ao meio-dia, outro das 13 horas às 18 horas, e o último bloco, com relator e AGU, das 19 horas em diante.

O roteiro do impeachment prevê ainda que todos os senadores que se inscrevam para discursar tenham até 15 minutos para se manifestar da tribuna. A expectativa de Renan era de que cerca de 60 dos 81 integrantes do Senado se apresentassem para alternar, da tribuna, argumentos pró e contra o seguimento do processo de impeachment de Dilma. Até o momento, no entanto, 48 senadores se inscreveram para discursos. Não há previsão de que os juristas Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, autores do impeachment, se manifestem em plenário.

Para evitar questionamentos judiciais, a ideia é que, ao contrário do que ocorreu na Câmara dos Deputados, não haja orientação de voto dos líderes partidários. Esse foi um dos argumentos utilizados nesta terça-feira pelo advogado-geral José Eduardo Cardozo para pedir a anulação do processo de impeachment em um novo mandado de segurança enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). "Acho que não é necessário [encaminhar voto]. Até porque durante esse debate, como esse é um julgamento, qualquer orientação partidária acaba ajudando partidarizar um assunto. Isso não é bom que aconteça", explicou Renan Calheiros.


10/05/2016

Maranhão revoga artimanha que anulou o impeachment


Sob pressão, presidente interino da Câmara dos Deputados voltou atrás em decisão que invalidava a votação na Casa que aprovou o processo contra a petista


Por Marcela Mattos, de Brasília
Veja.com

O presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), concede entrevista coletiva em Brasília (DF) - 09/05/2016
(Andressa Anholete/AFP)


O presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), revogou na noite desta segunda-feira decisão que ele mesmo havia proferido para anular o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em decisão surpreendente e sem fundamento jurídico, Maranhão havia acatado na manhã desta segunda recurso ingressado pela Advocacia-Geral da União (AGU) que pedia pela retomada da ação contra a presidente da República. A canetada do novo comandante da Câmara provocou imediata reação e foi criticada pela oposição, por juristas e pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) - que classificou a medida como "brincadeira com a democracia" e decidiu ignorar a determinação, dando seguimento ao impeachment.


O recuo de Maranhão se deu por meio de uma breve nota em que ele diz, em cinco linhas, que revoga a decisão por ele proferida "em 9 de maio de 2016, por meio da qual foram anuladas as sessões do plenário da Câmara dos Deputados ocorridas nos dias 15, 16 e 17 de abril de 2016, nas quais se deliberou sobre a denúncia por crime de responsabilidade número 1/2015".

Sucessor de Eduardo Cunha na presidência da Câmara, Maranhão foi alvo, após a anulação do processo de impeachment, de uma série de ameaças de retaliação: dois partidos ingressaram contra ele no Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro já na tarde de segunda. A ação pode levá-lo à cassação do mandato. Em outra frente, o PP convocou reunião de emergência da Executiva para discutir a expulsão do deputado dos quadros da legenda e também para escolher um possível nome para substituí-lo no mais alto posto da Câmara. Nos bastidores, fala-se que o presidente da legenda, Ciro Nogueira, emparedou Maranhão: disse que ou ele revogaria o ato ou perderia o mandato.

Deputados de catorze partidos também prepararam uma rebelião contra Maranhão: planejaram uma debandada em massa da sessão convocada por ele para as 8h desta terça, quando estavam em pauta mais de 64 itens. Em outra frente, eles marcaram uma sessão para as 19h com objetivo único de questionar o ato de Maranhão. O presidente da Câmara, nesta noite, também cancelou a sessão da manhã, remarcando-a para as 14h.

O agora revogado ato de Waldir Maranhão contou com o respaldo de integrantes do governo Dilma, que já está de malas prontas para descer a rampa do Planalto. Nesta segunda, o Advogado-Geral da União, José Eduardo Cardozo, confirmou que esteve com o presidente interino da Câmara na última sexta e no domingo, um dia antes da decisão, e que o convenceu a acatar seu recurso ingressado em 25 de abril. O sucessor de Cunha também foi orientado pelo governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), e nos bastidores dizia-se que, em troca, ele receberia o apoio a uma candidatura ao Senado em 2018.

O congressista, por outro lado, acabou atropelado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, que descartou a medida tão logo voltou para Brasília e deu continuidade à ação contra Dilma. Renan pretende concluir a votação do impeachment já nesta quarta.

Apesar da revogação de Maranhão, partidos de oposição prometem manter a sessão convocada para emparedar o presidente da Câmara. O entendimento é o de que a ação do presidente interino, para não sobrar qualquer margem de contestação, deve ser anulada pelo plenário da Casa.

10/05/2016

segunda-feira, 9 de maio de 2016

PGR quer que Gleisi devolva R$ 2 milhões por danos morais e materiais


Janot acusa senadora, marido dela e empresário de corrupção e lavagem.

Defesa alega que Gleisi e o marido não receberam propina do esquema.



Mariana Oliveira
Da TV Globo, em Brasília
G1

Gleisi Hoffman durante café com jornalistas
(Foto:Antonio Cruz / Agência Brasil)


Na denúncia oferecida ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), o marido dela, Paulo Bernardo, e o empresário Ernesto Krugler, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pede que, além de abrir uma ação penal contra os três, a Corte estipule devolução de R$ 2 milhões por danos morais e materiais em razão do dinheiro desviado.


De acordo com Janot, o valor que precisa ser devolvido se refere ao dobro do que foi desviado da Petrobras para os três, acusados de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por suposto recebimento de valores desviados da Petrobras para a campanha de Gleisi ao Senado em 2010. Segundo Janot, delações premiadas da Lava Jato e provas obtidas a partir delas apontam indícios suficientes do envolvimento do trio em atos de corrupção.

No documento, o procurador diz que, em 2010, Gleisi, Paulo Bernardo e Ernesto "agindo de modo livre, consciente e voluntário, promoveram, em unidade de desígnios e conjugação de esforços, a solicitação e o recebimento de vantagem indevida, em razão de funções públicas subjacentes aos dois primeiros, no montante de R$ 1.000.000,00”. Conforme a denúncia, o dinheiro foi destinado á campanha de Gleisi ao Senado.

O procurador afirma na denúncia que deve ser pago R$ 1 milhão por danos morais e mais R$ 1 milhão por danos materiais por "lesões à ordem econômica, à administração da justiça e à administração pública, inclusive à respeitabilidade do parlamento perante a sociedade brasileira". Janot também pediu que Gleisi perca o cargo de senadora, caso o Supremo a condene. Segundo o PGR, ela violou “seus deveres para com o Poder Público e a sociedade".

Conforme a denúncia, o ex-ministro Paulo Bernardo agia como "verdadeiro operador de sua esposa" e ambos sabiam da origem ilícita dos valores. "Os denunciados tinham plena ciência do esquema criminoso e da origem das quantias ilícitas, tendo atuado concertadamente, em divisão de tarefas.

“Paulo Bernardo encarregou-se de transmitir a solicitação da vantagem indevida a Paulo Robero Costa [ex-diretor da Petrobras investigado na Lava Jato], no início de 2010, em local não precisamente identificado, e de comandar o seu recebimento, enquanto Enesto Kugler Rodrigues encarregou-se de receber materialmente a propina, ao longo de 2010, em Curitiba, a qual se destinava a custear a campanha eleitoral de Gleisi Helena Hoffmann, em favor de quem ambos atuavam", disse Janot.

Em abril, a Polícia Federal já havia inidiciado por corrupção a senadora e o marido dela, ao concluir inquérito sobre a campanha da parlamentar ao Senado. A PF entendeu que há indícios suficientes de que a campanha de Glesi recebeu R$ 1 milhão em propina.

O que disseram as defesas dos suspeitos
No último sábado (9), quando a denúncia contra os três foi divulgada, por meio de nota, os advogados Rodrigo Mudrovitsch e Veronica Abdala Sterman disseram ter recebido com "inconformismo" a denúncia da senadora do PT (leia a íntegra do comunicado ao final desta reportagem). Segundo os defensores, as provas obtidas no inquérito comprovam que ela não recebeu propina do esquema de corrupção.

"[A denúncia] baseia-se apenas em especulações que não são compatíveis com o que se espera de uma acusação penal", diz trecho do comunicado.

Rodrigo Mudrovitsch e Veronica Abdala Sterman também são responsáveis pela defesa de Paulo Bernardo. Em outra nota, os criminalistas afirmaram que as referências ao ex-ministro na denúncia se baseiam em "declarações contraditórias e inverossímeis".

"Não houve qualquer envolvimento dele com os fatos narrados na denúncia. Demonstraremos isso com veemência e acreditamos que a denúncia não pode ser recebida", enfatizam os advogados na nota.

Responsável pela defesa do empresário Ernesto Kugler, o advogado Cal Garcia afirmou ao G1 que não iria comentar a denúncia da Procuradoria Geral da República.

09/05/2016



CCJ aprova parecer pela cassação do mandato de Delcídio


Em sessão extraordinária, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a constitucionalidade do processo que recomendou a cassação do mandato do ex-líder do governo Delcídio do Amaral (ex-PT-MS)


Por Laryssa Borges, de Brasília
Veja.com

O senador Delcídio do Amaral, durante reunião do Conselho de Ética, em Brasília (DF) - 09/05/2016
(Beto Barata/Ag. Senado)


Preso em 25 de novembro por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), Delcídio foi formalmente acusado de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato ao tentar comprar o silêncio de uma testemunha crucial: o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que sabe como poucos como funcionou o processo de aparelhamento político na petroleira e de distribuição de propina a políticos do PT, PMDB e PP.


Com a constitucionalidade atestada pela CCJ, o mérito do processo de perda de mandato de Delcídio está pautado em plenário para esta terça-feira. A articulação de senadores como Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR) é para que o ex-petista seja banido o mais rápido possível. Renan e Jucá foram citados como destinatários de propina no acordo de delação premiada celebrado pelo próprio Delcídio.

Hoje, o senador apresentou defesa na CCJ. "Eu não roubei, não desviei dinheiro, não tenho conta no exterior. Estou sendo acusado de obstrução de Justiça", lembrou Delcídio, que se emocionou ao citar a família e reclamou da velocidade com que o processo correu no Conselho de Ética do Senado. Apesar de ter citado o ex-presidente Lula como o mandante da negociação, em entrevista a VEJA, o senador não mencionou o petista em sua fala na CCJ nesta segunda.

Escanteado por ex-aliados, o ex-líder do PT já havia afirmado que pretendia votar no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff nas sessões agendadas para quarta e quinta-feiras. Uma manobra encabeçada pelo PSDB, exposta hoje na CCJ, tentava atrasar o processo contra Delcídio até que o aditamento da denúncia em que ele figura como alvo fosse mandado para o colegiado. A alegação dos tucanos, endossada pela maioria da comissão, era a de que o processo não poderia ter seguimento se os novos fatos não fossem trazidos à tona. Esse aditamento se refere à denúncia apresentada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra o empresário José Carlos Bumlai e contra o filho dele Maurício Bumlai por indícios de que atuaram para atrapalhar as investigações da Lava Jato.

O problema detectado pelos senadores, no entanto, é que essas suspeitas contra Lula e a família Bumlai estão sob segredo de justiça e não poderiam ser compartilhadas com a CCJ, atrasando ainda mais o processo de cassação de Delcídio. Por isso, uma proposta alternativa foi apresentada: a de que o caso fosse tratado com urgência para se suprimirem prazos regimentais e abrir caminho para a votação do mérito da cassação em si.

A discussão regimental para encurtar prazos ocorreu depois de o presidente do Senado Renan Calheiros acusar políticos de estarem promovendo uma manobra procrastinatória para garantir sobrevida a Delcídio e de anunciar que não pautaria o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff enquanto a situação de Delcídio não fosse finalizada.

"Terei muita dificuldade de convocar uma sessão de afastamento da presidente antes do julgamento do senador Delcídio. Não podemos deixar o processo legislativo se procrastinar", disse Renan, que comparou o ineditismo de um voto de Delcídio no impeachment à esdrúxula decisão do presidente em exercício da Câmara dos Deputados Waldir Maranhão (PP-MA), que anulou hoje sessões do impeachment de Dilma. "O espetáculo de colocar aqui o senador Delcídio para votar o afastamento da presidente da República é tão grande quanto esse do presidente interino da Câmara", alegou.

09/05/2016

O deputado vigarista que tentou deter o avanço do impeachment vai morrer daquela espécie de idiotia que induz seu portador a julgar-se esperto demais



Waldir Maranhão subiu a bordo de um navio sem salvação depois da colisão com o iceberg

Por Augusto Nunes
Veja.com



“Vossa Excelência está desrespeitando o presidente de outro poder!”, gritou a senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB do Amazonas.

(Curioso: os parlamentares a serviço do governo agonizante jamais discursam, pedem apartes ou formulam questões de ordem em tom civilizado; as mulheres gritam, os homens berram. Mas isto é assunto para outro post. Voltemos à sessão desta segunda-feira e ao chilique da comunista do Brasil, dedicado ao presidente do Senado).


Motivo: Renan Calheiros acabara de sepultar a mais recente safadeza dos bucaneiros sob o comando do Planalto. Nesta manhã, o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, decidiu anular a sessão que aprovou o julgamento do impeachment pelo Senado. Renan resolveu ignorar o ofício enviado pelo deputado maranhense e manter o andamento do caso que vai chegando ao clímax no Senado. A chefe de um governo devastado pela incompetência e pela corrupção, fora o resto, não tem cura.

Até virar vice de Eduardo Cunha, o veterinário maranhense que se elegeu deputado pelo PPS do Maranhão em 2006, e conseguiu mais dois mandatos pelo PP, era apenas mais um prontuário driblando o camburão. Submerso no baixo clero da Câmara, ele se contentava com barganhas de verbas, votos e empregos públicos. Até a primeira quinzena de abril, a tropa do Planalto enxergava em Waldir Maranhão só um vassalo de Cunha engajado no golpe tramado para derrubar a presidente.

Às vésperas da sessão que acelerou a demissão da presidente, conversas reservadas com o governador do seu Estado, Flávio Dino, convenceram Waldir Maranhão a mudar de rumo e de lado. Sem revelar as razões ou o preço da metamorfose, tornou-se admirador de Dilma desde criancinha e inimigo do impeachment desde a adolescência. Com o afastamento de Cunha, aumentou suficientemente o cacife para acertar a revisão do contrato de aluguel.

A julgar pela audaciosa decisão autocrática desta segunda-feira, foi um negócio de bom tamanho ─ que, de quebra, fez de Waldir Maranhão o caçula dos heróis da pátria lulopetista. No domingo, viajou de São Luiz para Brasília no jatinho da Câmara, com Flávio Dino no papel de carona. No mesmo dia, encontrou-se no Palácio do Planalto com José Eduardo Cardozo, advogado de Dilma disfarçado de advogado-geral da União.

Nesta tarde, depois de promovido por Vanessa Grazziotin a “presidente do Poder Legislativo”, tratamento negado a Eduardo Cunha pela tropa governista, o parlamentar do PP arrendado pelo Executivo foi reverenciado por Gleisi Hoffmann como o estadista que faltava ao Congresso. Lindberg Farias, que enxerga em Michel Temer um traidor golpista, berrou que vê em Maranhão um sucessor com mais legitimidade que Eduardo Cunha.

Passados os dez minutos de fama, o bandido juramentado não demorará a descobrir que o bando ainda no poder não desperdiça tempo nem afagos com parceiros que falharam no cumprimento da missão. Ficou combinado que Waldir Maranhão impediria (ou pelo menos retardaria) o avanço do impeachment. Como não entregou a mercadoria, o veterinário especializado em compras e vendas ilícitas será alojado no canto do porão reservado aos que subiram a bordo depois da colisão com o iceberg.

Os poucos botes disponíveis já estão reservados aos tripulantes graduados. Não há esperança de salvação para o vigarista maranhense que embarcou tardiamente e no navio errado. Oficialmente, vai morrer afogado. A realidade grita que lá se vai outra vítima daquela espécie de idiotia que induz seu portador a julgar-se esperto demais.


09/05/2016


Senado tem de ignorar decisão de Maranhão; ele que recorra ao Supremo



Os argumentos do presidente interino da Câmara são de um ridículo sem par, e decisão é obviamente ilegal


Por Reinaldo Azevedo 


A decisão do senhor Waldir Maranhão (PP-MA), presidente interino da Câmara, de anular a sessão que aprovou o envio do processo de impeachment para o Senado é um despropósito e tem de ser solenemente ignorada pela Mesa do Senado. Ele, então, que recorra ao Supremo, que será a instância a decidir. E me parece que a resposta da corte será líquida e certa.

E o que evidencia tratar-se de uma decisão ilegal? Comecemos pela questão de princípio: se o senhor Maranhão pudesse anular essa votação, então poderia anular outras. Por que essa em particular? Por esse fundamento, até onde ele poderia chegar alegando haver vícios em decisões anteriores tomadas pela Câmara?

Suas alegações são de um ridículo sem par. Não há absolutamente nada que impeça os partidos de fechar questão nesse caso — como em nenhum outro, diga-se. No máximo, parlamentares eventualmente prejudicados pelo comando das legendas poderiam recorrer à Justiça. O senhor Maranhão, aliás, é um exemplo da ineficácia da medida em muitos casos: o PP fechou questão em favor do impeachment, e ele votou contra.

Alegar que houve cerceamento do direito de defesa é outro despropósito. As coisas falam por si: quantas vezes vimos o sr. José Eduardo Cadozo a vociferar para os deputados tratar-se de um golpe? Ainda que coubesse fazer um discurso adicional na Câmara — e não cabia —, será que Cardozo teria algo a dizer que pudesse diminuir os 367 votos pró-impeachment ou elevar os 137 do governo?

A afirmação de que a votação perdeu validade porque deputados anteciparam votos é, de todas, a mais cretina e absurda. A Câmara não estava julgando ninguém. O julgamento propriamente dito será feito pelo Senado.

De toda sorte, trata-se de uma argumentação estúpida mesmo para o Senado. Quer dizer que um senador do PSDB estaria impedido de dizer que votará em favor do impeachment de Dilma? E o que deve fazer um parlamentar do PT? Tenham a santa paciência! Será que a isenção de um senador realmente se equipara à de um juiz? Por que a Constituição reserva ao Senado o papel de juiz nos crimes de responsabilidade? Porque se trata de um julgamento principalmente político, desde que garantido o fundamento jurídico.

Mas há mais: agora é preciso este senhor seja cassado por seus pares. Digo por que no post seguinte.
09/05/2016

Renan vai rejeitar decisão de anular impeachment dada por interino da Câmara


 Leitura do parecer do relator está prevista para hoje
Por Cristiane Jungblut, Eduardo Bresciani, Maria Lima, Renan Xavier e André de Souza O Globo


O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)
Ailton Freitas / Agência O Globo / 27-4-2016


BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse a senadores que rejeitará o pedido do presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão, que anulou a aprovação do impeachment pela Câmara e pediu que o Senado devolvesse o processo. Renan ficou sabendo da decisão da Câmara ao desembarcar em Brasília e ficou "estupefato", segundo senadores que se reuniram com ele. Renan se reuniu com o segundo vice-presidente do Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e com o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Renan virá ao Senado para anunciar sua decisão, em plenário, a partir das 16h. A decisão de Maranhão foi classificada de "patetada e esdrúxula" pelos senador Jucá. Presidente do PMDB,Jucá não quis informar a decisão de Renan, mas defendeu que o Senado mantenha o processo de impeachment, alegando que ele é "correto juridicamente e equilibrado politicamente".

- O presidente Renan virá dizer sua posição. Mas eu defendo que o processo continue. Foi uma decisão esdrúxula. Não é por causa de uma patetada e uma decisão esdrúxula que vamos mudar o nosso rito. Foram três patetas, vamos saber quem são até o final do dia quem são - disse Jucá.

O Senado Federal abriu sua sessão desta segunda-feira sem nenhuma decisão tomada sobre o andamento do processo de impeachment.

A interpretação dos líderes que estão reunidos neste momento com Renan Calheiros (PMDB-AL), já era a de que seria mantido o cronograma da votação do processo do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Caso isso se concretize, a leitura do relatório da decisão da comissão especial, que aprovou o afastamento de Dilma na última sexta-feira, ocorrerá na tarde desta segunda-feira. Assim, começa o prazo de 48 horas para votação na quarta-feira no plenário do Senado, conforme previsto inicialmente.

Reunido com vários senadores em sua residência oficial, entre eles o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), Renan defendeu, antes da reunião, que a decisão de Maranhão não tem valor. Os defensores do impeachment defendem que Renan ignore o presidente interino da Câmara, não devolva o processo à Câmara e, em vez disse, dê prosseguimento a ele.

— Segue absolutamente normal. Não há nenhuma razão jurídica para não seguir. Eu quero tranquilizar o Brasil, Essa decisão tumultuou a economia brasileira, o processo político. Não foi bom para o Brasil. Temos que ter responsabilidade, a calma e, sobretudo, a serenidade para não criar nenhum fato novo para complicar a vida brasileira. Não tem nenhuma eficácia. Hoje (o processo de impeachment) pertence ao Senado Federal — avaliou o presidente da comissão do impeachment no Senado, Raimundo Lira (PMDB-PB).

— A tendência é Renan chegar às 16h e manter a leitura do relatório, mesmo que haja contestação do outro lado. Isso foi um desatino. Desafiaram o Senado Federal. Eu perguntei ao Renan: em todas as suas presidências, você presenciou um ato de hostilidade tamanha ao Senado? Ele respondeu: não. Isso é ousadia de quem está por trás do Waldir Maranhão — disse o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (DEM-RN).

O vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), que é contrário ao impeachment, passou alguns minutos na residência oficial de Renan. Ele deixou o local rumo ao Senado, para abrir sessão ordinária nesta tarde, mas sem adiantar oficialmente o que ocorrerá com o processo do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ele apenas avisou que, por enquanto, não vai ler no plenário a decisão da comissão especial que admitiu o afastamento da presidente Dilma Rousseff.

— Vou abrir a sessão e vamos discutir. Não vamos ler nada. Essa é uma questão muito grave, que todos nós vamos opinar. Na minha opinião, ou devolve para a Câmara, ou no mínimo cabe uma consulta ao Supremo. Com certeza essa questão vai ser judicializada — disse Jorge Viana, que não quis adiantar se o PT ou o governo vai entrar com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o processo se Renan não o devolver para a Câmara.

Viana destacou que o pedido de impeachment foi aceito pelo presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na última quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e determinou a suspensão do mandato de Cunha e, consequentemente, seu afastamento da presidência da Casa. Por 11 votos a 0, os ministros concluíram que Cunha usou o cargo em proveito próprio, seja para pressionar empresários para receber propina, seja para atrasar o andamento do processo que pede sua cassação no Conselho de Ética da Câmara.

— Do meu ponto de vista esse processo está viciado e a prova é o afastamento de Eduardo Cunha por 11 a 0 no Supremo. Está cada vez mais caracterizado que esse processo de impeachment é uma fraude — disse Viana.

— A decisão de Waldir Maranhão não tem valor algum. É apenas um momento de desespero do governo e cinco minutos de fama para o interino. A decisão do plenário é soberana e ele sabe disso. Entrou no jogo apenas para atender seus patrões — disse Caiado antes de participar da reunião.

Senadores favoráveis a Dilma, como Paulo Rocha (PT-PA), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Fátima Bezerra (PT-RN), Lindbergh Farias (PT-RJ), José Pimentel (PT-CE) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), também foram à residência de Renan. Segundo Caiado, Renan está ouvindo todo mundo separadamente e, às 16h, vai anunciar sua decisão, mas acha que há uma

REUNIÃO COMEÇA SEM DECISÃO

A reunião foi aberta pelo primeiro vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), que esteve com Renan. Ele abriu a sessão para debates. Estava prevista para as 16 horas a leitura do parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), aprovado na sexta-feira pela comissão do Senado. A senadora Ana Amélia (PP-RS) questionou logo no início da sessão se a leitura estava mantida.

— Como o Senado reagirá a essa manifestação intempestiva da Câmara? — questionou Ana Amélia.

Viana disse não ter informação se isso será mantido ou não, diante da decisão de Maranhão:

— Nesse momento, o presidente Renan está consultando o regimento e todo o aparato que rege o processo de impeachment, para tomar uma decisão sobre esse posicionamento do presidente da Câmara interino. A princípio está marcado para as quatro horas da tarde a leitura. Não estou afirmando que irá acontecer ou não. Teremos uma manifestação ainda hoje do presidente Renan.

O tema monopoliza os debates do início da sessão. Parlamentares favoráveis ao impeachment atacam a decisão de Maranhão.

— Essa é uma decisão que mais se parece com golpe. Nos últimos dias se debateu muito sobre golpe, mas o verdadeiro golpe é este, contra a instituição parlamentar — disse o líder do PV, Alvaro Dias (PR).

09/05/2016

Maranhão esteve hoje na AGU antes de anular impeachment



Deputado Waldir Maranhão (PP-MA)
(Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

O presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), foi visto na manhã desta segunda-feira na sede da Advocacia-Geral da União (AGU), em Brasília.

Antes de decidir anular a sessão plenária que aprovou o impeachment e autorizou o Senado a processar e julgar a presidente Dilma Rousseff por crime de responsabilidade, ele não pediu auxílio à consultoria legislativa da Câmara - a Secretaria Geral da Mesa Diretora também não tinha conhecimento dos termos da decisão, divulgada à imprensa por meio de nota.

(Felipe Frazão, de Brasília)

09/05/2016


Presidente interino da Câmara anula sessão que aceitou impeachment


Maranhão encaminhou ofício ao presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), pedindo que os autos sejam devolvidos à Câmara

Por Marcela Mattos, de Brasília
Veja.com

Deputado Waldir Maranhão (PP-MA)
(Geraldo Magela/Ag. Senado)

O presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), acatou nesta segunda-feira recurso ingressado pela Advocacia-Geral da União que pedia a anulação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Como a ação contra a petista já está no Senado, Maranhão encaminhou ofício ao presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), pedindo que os autos sejam devolvidos à Câmara.

A decisão surpreende a cúpula da Câmara dos Deputados - e causa estranhamento entre os parlamentares. Na última semana, a Secretaria-Geral da Mesa já tratava o recurso da AGU como prejudicado, já que a ação está em tramitação no Senado. A cúpula também entende que a petição ingressada por José Eduardo Cardozo não tinha poder para reverter uma decisão dada pelo plenário da Casa e chancelada por 367 deputados. "Não cabe mais ao presidente da Câmara tomar decisões em relação ao impeachment", afirma o líder do Democratas, Pauderney Avelino (AM). Ele afirma que, se necessário, a oposição ingressará ainda hoje com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal contra a decisão de Maranhão.

Maranhão, no despacho, afirmou que ocorreram vícios que tornaram nula a sessão da Câmara que deu prosseguimento à ação contra Dilma. Em um argumento controverso, o novo presidente afirmou que os partidos políticos não poderiam ter fechado questão ou firmado orientação para que os parlamentares votassem de um modo sobre o afastamento da presidente da República. "No caso, deveriam votar de acordo com suas convicções pessoais e livremente", escreveu.

"Não poderiam os senhores parlamentares antes da conclusão da votação terem anunciado publicamente os seus votos, na medida em que isso caracteriza prejulgamento e clara ofensa ao amplo direito de defesa que está consagrado na Constituição. Do mesmo modo, não poderia a defesa da senhora presidente da República ter deixado de falar por último no momento da votação, como acabou ocorrendo", continuou Maranhão.

A decisão de Maranhão anula as sessões realizadas nos dias 15, 16 e 17 de abril, quando foi discutido e votado o processo de impeachment, e determina uma nova sessão para julgar a ação no prazo de cinco sessões contadas a partir da data que o processo for devolvido pelo Senado à Câmara.

Outro ponto usado por Maranhão para anular a votação do processo de impeachment é que o resultado da sessão do último dia 17 de abril "deveria ter sido formalizado por Resolução, por ser o que dispõe o Regimento Interno da Câmara dos Deputados e o que estava originalmente previsto no processamento do impeachment do Presidente Collor, tomado como paradigma pelo STF para o processamento do presente pedido de impeachment".

Como informa a coluna Radar, o governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), orientou a decisão de Maranhão. Dino esteve em Brasília no domingo e se reuniu com o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo. Depois, conversou com Waldir Maranhão, que assumiu a presidência da Câmara na última quinta-feira, após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do comando da Casa e do mandato parlamentar. Na sexta-feira, Maranhão esteve na casa do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha. Investigado na Lava Jato, o deputado do PP teve reuniões com o ex-presidente Lula na véspera da votação do impeachment, quando votou contra a ação por crime de responsabilidade contra Dilma Rousseff. Como definiu nesta segunda a própria presidente, fingindo surpresa ao saber da decisão: "Tenham cautela porque vivemos uma conjuntura de manhas e artimanhas".

Confira a seguir a íntegra da nota de Maranhão:

NOTA À IMPRENSA

1. O Presidente da Comissão Especial do Impeachment no Senado Federal, Senador Raimundo Lira, no dia 27 de abril do corrente ano, encaminhou à Câmara dos Deputados, ofício em que indagava sobre o andamento de recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União contra a decisão que autorizou a instauração de processo de impeachment contra a Sra. Presidente da República, Dilma Rousseff.

2. Ao tomar conhecimento desse ofício, tomei ciência da existência de petição dirigida pela Sra. Presidente da República, por meio da Advocacia-Geral da União, em que pleiteava a anulação da Sessão realizada pela Câmara dos Deputados, nos dias 15, 16 e 17 de abril. Nessa sessão, como todos sabem, o Plenário desta Casa aprovou parecer encaminhado pela Comissão Especial que propunha fosse encaminhada ao Senado Federal para a eventual abertura de processo contra a Sra. Presidente da República, Dilma Rousseff, por crime de responsabilidade.

3. Como a petição não havia ainda sido decidida, eu a examinei e decidi acolher em parte as ponderações nela contidas. Desacolhi a arguição de nulidade feita em relação aos motivos apresentados pelos Srs. Deputados no momento da votação, por entender que não ocorreram quaisquer vícios naquelas declarações de votos. Todavia, acolhi as demais arguições, por entender que efetivamente ocorreram vícios que tornaram nula de pleno direito a sessão em questão. Não poderiam os partidos políticos ter fechado questão ou firmada orientação para que os parlamentares votassem de um modo ou de outro, uma vez que, no caso deveriam votar de acordo com as suas convicções pessoais e livremente. Não poderiam os senhores parlamentares antes da conclusão da votação terem anunciado publicamente os seus votos, na medida em que isso caracteriza prejulgamento e clara ofensa ao amplo direito de defesa que está consagrado na Constituição. Do mesmo modo, não poderia a defesa da Sra. Presidente da República ter deixado de falar por último no momento da votação, como acabou acorrendo.

4. Também considero que o resultado da votação deveria ter sido formalizado por Resolução, por ser o que dispõe o Regimento Interno da Câmara dos Deputados e o que estava originalmente previsto no processamento do impeachment do Presidente Collor, tomado como paradigma pelo STF para o processamento de presente pedido de impeachment.

5. Por estas razões, anulei a sessão realizada nos dias 15, 16 e 17 e determine que uma nova sessão seja realizada para deliberar sobre a matéria no prazo de 5 sessões contados da data em que o processo for devolvido pelo Senado à Câmara dos Deputados.

6. Para cumprimento da minha decisão, encaminhei ofício ao Presidente do Senado para que os autos do processo de impeachment sejam devolvidos à Câmara dos Deputados.

Atenciosamente,

Waldir Maranhão
Presidente em exercício da Câmara dos Deputados

09/05/2016


“Esqueletos” deixados pelo governo Dilma podem passar de R$ 250 bilhões



Por Alexa Salomão
Estadão


Já se sabe que um eventual governo de transição terá de administrar um déficit monumental para ajustar o orçamento público. O buraco pode ir a R$ 360 bilhões. Quem acompanha o funcionamento da máquina pública, porém, lembra que há outra conta, essa oculta, mas igualmente expressiva, de “esqueletos” que podem ser herdados da gestão de Dilma Rousseff. Como se tratam de gastos desconhecidos até que sejam devidamente contabilizados, vivem no terreno das estimativas.


Numa projeção conservadora, feita por especialistas de diferentes áreas, a pedido do Estado, a conta pode passar de R$ 250 bilhões. Mas há quem diga que pode ser ainda maior. Em relatório, a agência de classificação de risco Moody’s estimou que, no pior cenário, a conta vai a R$ 600 bilhões.

O que popularmente se chama de esqueleto, na literatura econômica é chamado de gasto contingente: despesa excepcional gerada por derrapadas na gestão da política econômica que fica escondida até que exploda ou que alguém jogue luz sobre ela.

Para os especialistas em contas públicas, essa despesa tende a proliferar. “Tem uma coisa que precisa ficar clara: a dinâmica do gasto social, do gasto com previdência, do gasto com pessoal, tudo isso, é muito previsível. Não há surpresa. A gente conhece e não deixou esqueletos. Mas a política setorial deixou”, diz o economistas Mansueto Almeida, especialista em contas públicas.

As estimativas de gastos extras feitas a pedido da reportagem incluem eventuais capitalizações que o Tesouro tenha de fazer nas estatais Petrobrás, Eletrobrás e Caixa Econômica Federal, a negociação das dívidas dos Estados, que vão gerar perdas para a União, o risco de inadimplência com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), e a manutenção do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).


Estimativas





A agência de risco Moody’s dedicou um relatório inteiro à discussão dos passivos contingentes no Brasil observando apenas os grandes desembolsos que podem vir pela frente. Pelas suas estimativas, ao longo dos próximos três anos, os gastos extraordinários podem variar entre 5% e 10% do PIB, o Produto Interno Bruto: algo entre R$ 295 bilhões e R$ 590 bilhões. Como esse tipo de gastos afeta o fôlego financeiro da União, a Moody’s estimou que os gastos levariam a dívida – hoje perto de 70% do PIB – para 90% do PIB em 2018.

A agência avaliou que há possibilidade de o governo socorrer tanto a Petrobrás quanto a Eletrobrás, porque ambas estão sob pressão financeira (leia mais abaixo). Entre 2016 e 2018, apenas a Petrobrás demandaria cerca de R$ 300 bilhões – mais de R$ 100 bilhões apenas para pagar dívidas. A agência analisou também a saúde dos bancos públicos: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Considerou que a Caixa é a instituição mais sensível a um eventual socorro (leia abaixo). Hoje, a Moody’s não vê risco no segmento, mas, se houver deterioração e estresse das instituições, o passivo contingente tende a explodir, indo a R$ 600 bilhões.


09.05.2016

Mantega usou cargo de ministro para favorecer amigo empresário, aponta Zelotes



O ex-ministro da Fazenda, conduzido para prestar depoimento na Polícia Federal nesta manhã, é acusado de ter beneficiado o executivo italiano Vitor Sandri -- que se livrou de uma multa fiscal de 110,4 milhões de reais


Por Thiago Bronzatto, de BrasíliaVEJA.com

O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante entrevista coletiva na sede do Banco do Brasil, na Avenida Paulista, em São Paulo
(Clayton de Souza/Estadão Conteúdo)



Ministro da Fazenda mais longevo em período democrático, Guido Mantega foi um dos poucos integrantes dos governos Lula e Dilma que escaparam do cadafalso de escândalos de corrupção na última década. Durante os 8 anos e quase 8 meses em que permaneceu sentado na cadeira de chefe da área econômica, Mantega viu os seus companheiros sendo guilhotinados, um após o outro, diante das revelações de inúmeras falcatruas. Para a presidente Dilma Rousseff, Mantega sempre foi uma pessoa honesta, um homem íntegro, de extrema confiança. Mas essa imagem começou a ser tisnada no mês passado, quando o nome do ex-ministro passou a ser citado pelos novos delatores da Lava Jato. Mantega é acusado de intermediar pagamentos de caixa 2 para a campanha à reeleição de Dilma em 2014. Na manhã desta segunda-feira, o ex-ministro da Fazenda está envolvido numa nova encrenca. Conduzido para a sede da Polícia Federal em São Paulo para prestar esclarecimentos, ele é alvo da nova fase da Operação Zelotes, que investiga vendas de decisões no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf) e compras de medidas provisórias.


De acordo com documentos obtidos por VEJA, Mantega utilizou o seu cargo de ministro da Fazenda para favorecer um amigo de longa data, o empresário italiano Vitor Sandri. Administrador do grupo Comercial de Cimento Penha, Sandri se envolveu com a rede de lobistas que orbitava em torno do Carf, influindo em julgamentos de multas fiscais bilionárias. Um dos integrantes desse esquema, José Ricardo da Silva, condenado a 11 anos de prisão na última semana, passou a operar a partir de 2011 para limpar a barra do grupo Penha no tribunal que julga processos administrativos da Receita contra os contribuintes. Para isso, contou com o apoio de Mantega, responsável pela nomeação de conselheiros do Carf.

Um e-mail encontrado pela Polícia Federal revela a estratégia dos operadores: "O italiano [Sandri] enviou um relatório escrito para a Amiga [Mantega], informando detalhadamente do conteúdo daquela mensagem que enviamos a ele, italiano, lembra?". De acordo com os investigadores, Vitor Sandri e José Ricardo trabalhavam junto a Mantega para indicar um nome de confiança para influenciar no Carf. E conseguiram com a nomeação de Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz para o cargo de presidente da Primeira Câmara da 1ª Seção do Carf em abril de 2010, em portaria assinada por Mantega. "Posição da 1ª [Câmara da 1ª seção] é dele italiano [Sandri], pois foi ele quem colocou lá o Paraíba [Francisco Queiroz]", diz José Ricardo, em outra mensagem eletrônica encontrada pela PF, com grifos feitos pelos próprios investigadores.

A nomeação de Francisco Sales, que trabalhava na Delegacia da Receita na Paraíba, para o Carf ocorreu após um revés sofrido pela empresa de Vitor Sandri na Primeira Câmara do colegiado. O Grupo Penha tinha duas opções: recorrer da decisão ou pagar a multa de 110,4 milhões de reais. Preferiu colocar um apaniguado para se safar de uma condenação, segundo os investigadores. Francisco Queiroz fez parte do primeiro acolhimento do recurso proposto pelo Grupo Penha. A segunda parte da estratégia da companhia consistiu em indicar outro integrante do Carf, Valmar Fonseca de Menezes, que influenciou na absolvição da empresa, de acordo com e-mails apreendidos pela PF. Valmar votou de acordo com os interesses de Vitor Sandri, e o grupo Penha acabou se livrando da autuação milionária da Receita.

De acordo com os investigadores, Mantega está relacionado diretamente com esse esquema. Os e-mails encontrados pela PF em computadores de lobistas revelam que o ex-ministro favoreceu a empresa de seu amigo Vitor Sandri ao nomear conselheiros do Carf que operaram para isentar o grupo Penha de uma condenação fiscal. O ex-ministro e o empresário não só são amigos de longa data como também já fizeram negócios juntos. De acordo com a quebra de sigilosos bancários e fiscal de Mantega, feitos com autorização judicial, os dois companheiros fizeram negócios imobiliários juntos no passado. Em 2007, quando foi alvo de um sequestro relâmpago, Mantega estava hospedado na chácara de Vitor Sandri em Ibiúna, interior de São Paulo. Conhecido como "italiano", Sandri era apontado por banqueiros e empresários como o amigo mais íntimo de Mantega, que dizia ter acesso a informações privilegiadas do ministério da Fazenda.

O ex-ministro da Fazenda também é investigado na Zelotes por suspeita de ter participado ativamente na criação de medidas provisórias confeccionadas para favorecer empresas do setor automotivo. Em sua última edição, VEJA revelou um e-mail enviado por um lobista que relata que uma das medidas suspeitas, aprovada em 2011, foi combinada diretamente entre as montadoras, Lula e a presidente Dilma. "A MP 512 foi um acerto do Lula com a Fiat. Ela foi editada bem no fim do governo dele, mas com a Dilma já eleita, combinado que ela cuidaria da sua aprovação", escreveu Vladimir Spíndola, filho de Lytha Spíndola, uma ex-funcionária da Casa Civil, por onde tramitam as MPs. Mantega foi um dos principais articuladores dessa medida suspeita, que foi concebida e aprovada em menos de 24 horas, sem passar por um rigoroso crivo técnico. Relatório da Receita aponta que a aprovação da MP 512 gerou um prejuízo de 12 bilhões de reais aos cofres públicos.


Relatório da Zelotes trata de atuação de Mantega em favor de amigo no Carf
(VEJA.com/VEJA)

09/05/2016

domingo, 8 de maio de 2016

Os últimos dias de Dilma Rousseff



Às vésperas do impeachment, a presidente se isola e evita até mesmo os empregados do palácio.

Sem expectativas de sobreviver à sessão no Senado e com poucas esperanças de vencer no julgamento final, já faz planos para um futuro longe do poder e não esconde a mágoa por aqueles que a traíram


Por Thaís Oyama
Veja.com
Dilma na chegada da tocha olímpica: o evento ficará para Temer
(Jefferson Coppola/VEJA)

Entre os muitos enganos que a presidente Dilma cometeu desde que subiu pela primeira vez a rampa do Palácio do Planalto, um foi definitivo para selar seu destino. Dilma sempre teve certezas demais. Acreditou que seria capaz de "corrigir" certas leis de mercado, convenceu-se de que poderia governar apenas com quem bem quisesse e pensou que conseguiria pairar, impoluta, "acima da sujeira do PT". Agora, a última certeza presidencial é que o seu afastamento iminente do poder é o resultado de um complô tecido com os fios da vingança, do oportunismo e da ambição - um golpe urdido por Eduardo Cunha, apoiado pela oposição e consumado por Michel Temer, a quem hoje dedica os epítetos mais cabeludos, sendo "santinho de prostíbulo" o mais suave deles.

A poucos dias da votação no Senado que deve determinar seu afastamento provavelmente sem volta, Dilma está mais isolada do que nunca. No Palácio da Alvorada, recolhida aos aposentos privativos no 2º andar, evita até mesmo lidar com os servidores, que trata como espiões ou espectadores incômodos do seu calvário. Na hora das refeições, a comida sai da cozinha e é enviada às dependências presidenciais por um elevador. Os servidores só ficam sabendo como anda o humor da chefe quando ela liga para a cozinha reclamando de algo (o fracasso em servir ovos cozidos no "ponto Dilma" - gema mole e clara dura - já derrubou ao menos um taifeiro).

Todos os presidentes da República padecem de solidão, mas é certo que Dilma é uma presidente mais sozinha do que foram seus antecessores. No Alvorada, mora só com a mãe. Dilma Jane, de 92 anos, é assistida diariamente por três enfermeiras, locomove-se em cadeira de rodas e, por causa dos lapsos de memória, já não é capaz de fazer companhia à filha. Recentemente, Dilma chamou um deputado petista, que é também advogado, para ir ao Alvorada num sábado discutir estratégias de defesa. O deputado chegou no meio da tarde e permaneceu a seu lado por duas horas e meia. Na saída, espantou-se ao perceber que, durante todo esse tempo, o celular de Dilma não tocara nenhuma vez - ninguém havia procurado a presidente.

Circunstâncias pessoais e políticas ajudaram Dilma a erguer seu próprio muro. Tendo ocupado cargos gerenciais na maior parte da vida, aprendeu sobretudo a mandar. Subordinados conhecem bem o seu estilo. A presidente quer tudo para ontem ("Te dou meio segundo pra me trazer essa informação"). Acha que entende de qualquer assunto ("O que ocê tá falando é uma besteira. Olha aqui, lição de casa pra você"). Impacienta-se diante de um trabalho que considera malfeito ("Ocês só fazem porcaria, só fazem m., pô"). Quando está exasperada, não deixa o interlocutor terminar as frases ("Ô... ô... ô, querido: negativo. Pode parar já"). Por fim, nos momentos de grande fúria, pode mesmo lançar objetos sobre o seu interlocutor (grampeadores de seu gabinete já tiveram de ser repostos mais de uma vez).

Pouco empenhada na arte de agradar, frequentemente frustra aliados carentes de afagos. No último dia 14, por exemplo, às vésperas da votação da Câmara que decidiu pela abertura do impeachment, convidou ministros e deputados da base para um café da manhã no Alvorada. Muitos dos parlamentares, governistas de primeira hora, nunca haviam pisado no palácio antes. Um deles, do PR mineiro, ao passar ao lado da piscina de 50 metros de comprimento onde Dilma entrou apenas duas vezes em seus seis anos como presidente, comentou com assessores palacianos: "Bem que ela poderia convidar a gente para nadar aqui um dia". Esse tipo de coisa nunca passou pela cabeça da petista. Pelo contrário, Dilma se notabilizou por gestos bem menos simpáticos, como riscar na última hora da lista de passageiros do avião presidencial parlamentares previamente convidados a viajar com ela.

Se nunca se deu ao trabalho de distribuir os pequenos mimos que tanto aquecem o coração dos políticos, não foi apenas porque isso não é do seu feitio, mas porque os atalhos que a levaram à Presidência permitiram-lhe pular certas etapas. "Dilma nunca disputou uma prévia nem tinha enfrentado uma campanha antes de virar presidente da República. Recebeu o cargo numa bandeja. Não teve de aprender a seduzir", afirma um de seus ministros mais próximos.

(Leia o texto integral na revista)

Com reportagem de Robson Bonin

06/05/2016