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terça-feira, 17 de março de 2015

FHC: Não é crível que Lula e Dilma não soubessem...




Valor Econômico


Para o ex-presidente FHC, o presidente Lula foge à sua responsabilidade: "Ele chamou seus exércitos, sumiu, e agora é Dilma que é a culpada de tudo?" O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estava no Rio no domingo. Acha que o momento ainda é das ruas e não dos partidos. Por isso não foi para o calçadão. Os panelaços o deixam mais preocupado do que os carros de som que pedem intervenção militar por traduzirem uma sociedade surda à ação do governo - "É grave isso". O ex-presidente chama à responsabilidade seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Diz que o recado de domingo é que Lula e a presidente Dilma Rousseff não terão como fugir de assumir suas responsabilidades na Lava-Jato. 
 
A seguir a entrevista concedida na sede do seu instituto no centro de São Paulo, na tarde de ontem, quando uma iminente tempestade se dissipou num céu nublado - "A política também é assim".

Valor: Como o senhor compara as manifestações de domingo com aquelas de junho de 2013?

Fernando Henrique Cardoso: Em junho de 2013 você tinha uma multiplicidade de objetivos, um mal estar generalizado. Agora esse mal-estar se transformou em indignação contra quem representa o poder, que é Dilma. Agora politizou mais.


Valo
r: Dos quatro carros de som da Avenida Paulista, um chamava intervenção militar e outro fazia pregação anticomunista. Ao contrário de 2013, não se viam tantos jovens, mas famílias. É outra marcha de direita, 51 anos depois?


FHC:
Isso é marginal. Esses grupos se aproveitaram da manifestação mas esse não é o sentimento da maioria. São palavras de ordem à la Bolsonaro. Ele queria me fuzilar quando era eu era presidente. Isso não expressa o sentimento popular que é de indignação em relação à corrupção ampla, geral e irrestrita e bem incrustada no Estado.



Valor:
Na campanha de 2010, Wanderley Guilherme dos Santos escreveu no Valor que aquela seria a última eleição da distribuição de renda. Não daria mais para avançar sem perdas a serem arbitradas. É este o confronto de hoje?



FHC: A distribuição de renda é um processo longo no Brasil. O impulso nessa direção veio da Constituição de 1988 que generalizou saúde e educação. Fomos materializando isso ao longo de vários governos. Se você olhar o coeficiente de gini já no meu governo começou a diminuir com os programas sociais. O mais importante fator de distribuição de renda foi o salário mínimo. Tudo isso está conectado com o ciclo da economia. Quando a economia expande globalmente você ganha mais margem de manobra. Hoje há mais dificuldade de persistir nessa política até que haja um novo ciclo de expansão mas não acho que haja margem para marcha a ré nas políticas sociais. O grau de consciência da necessidade de se diminuir a desigualdade é muito grande no Brasil para a manutenção não apenas da democracia mas da prosperidade. O livro do [Thomas] Piketty diz isso: olhaí se vocês não tiverem cuidado vão matar a galinha dos ovos de ouro.

Valor: Crescem as pressões no sentido de mandar o ajuste para as calendas e recuperar sua base social para dar uma resposta a manifestações como a do domingo. Como o senhor vê essa possibilidade?


FHC:
É um duplo erro. Não se recupera base assim de repente e a economia vai piorar. Talvez se possa dosar o ajuste. Ninguém faz ajuste fiscal pelo prazer de fazê-lo. É quando as contas estão desequilibradas. Se você não as reequilibrar vai piorando mais. E, sobretudo, explicar à população. Este agora veio a frio sem que a presidente politicamente assumisse o ônus do ajuste jogando a culpa ou em mim ou na situação internacional, de uma maneira muito tecnocrática e no sentido oposto do que ela disse na campanha.


Valor:
Tem sido muito lembrado que o estelionato eleitoral nesta campanha assemelha-se ao de 1998. Não há semelhanças?



FHC: Só que tem-se esquecido do seguinte: em 1998 eu fiz o discurso no Itamaraty em setembro, antes das eleições, dizendo que faria o ajuste e poderíamos apelar até ao fundo monetário. Além disso, as medidas fiscais foram tomadas antes da eleição. Não foi decisão do governo que estourou o câmbio. Foi o mercado. No dia em que publicar minhas memórias vocês vão ver minhas discussões com o Clinton em que eu dizia que não tinha nenhuma condição política de mexer no câmbio. Foi o Delfim [Netto] quem inventou isso do estelionato eleitoral. Não é verdade. Não houve a intenção de enganar, nós é que não tivemos força para manter. Agora ela pode dizer a mesma coisa, que não teve força. Mas não diz.

Valor:
O senador José Serra (PSDB-SP) apresentou um projeto de Nota Fiscal Brasileira que implica no pagamento, pela União, de metade daquilo que já é devolvido pelos Estados via restituição do IR. Distribui renda com mais gasto público. Será esse o caminho do PSDB?



FHC:
Não creio. A proposta é dele. Ele adotou a nota em São Paulo. E deu certo. Arrecadou mais que gastou. Faz no sentido de que possa ser uma medida positiva, mas não foi discutida, pelo menos não comigo.


Valor:
No domingo lideranças do PSDB não quiseram subir em carros de som porque os políticos não eram bem-vindos. O senador Aécio Neves acenou da varanda do seu apartamento. Há receio de envolvimento, mas lideranças dos movimentos que puxaram a manifestação cobram engajamento da oposição. O PSDB não vai assumi-los?



FHC:
Não cobraram antes. Queriam que fosse movimento espontâneo. Se fôssemos lá diriam o contrário, que queríamos surfar na onda. Não estamos na posição de cavalgar um movimento que é muito mais amplo que o partido. E é um movimento que ainda não tem um caminho político claro, nem mesmo obscuro, é apenas uma explosão. A responsabilidade dos partidos é construir esse caminho agora que passa por ser muito rígido e rigoroso na apuração dos fatos. Evitar qualquer tipo de pizza e marmelada e envolva quem quer que seja. Em português claro: não é crível que o que aconteceu na Petrobras fosse desconhecido por quem estivesse no poder, seja Lula seja Dilma. Não digo que estejam involucrados no assunto, mas não é crível que estivessem alheios. Foram muitos anos com diretores sustentados pelos partidos. O rei está nu e tá todo mundo fingindo que ele está vestido ainda, não está mais. Esse panelaço, por exemplo, é uma coisa curiosa. Não é o governo que está surdo para a sociedade. É a sociedade que está surda para o governo. É grave isso.



Valor:
Deixa a entender que não importa o que o governo faça dificilmente será ouvido e acatado?


FHC: Sim. O governo pode vir a recuperar a iniciativa, mas não vai recuperar com ministro enrolando na televisão. A resposta da reforma política não é crível. A saída é ir mais fundo nas investigações e reconhecer: erramos. Quantas vezes não disse que errei por não ter ajustado o câmbio antes de 1998? Tinha mil razões para dizer porque não ajustei mas não importa. Não se pode fugir da responsabilidade histórica. Fica esse jogo de cabra cega. O presidente Lula foi fazer uma declaração absolutamente imprópria, de pedir que os exércitos da CUT e do MST fossem para a rua. Depois ele se cala? Não se sente responsável se depois os ânimos se acirrarem? Ele sumiu e agora é só Dilma que é a culpada? Só se lê nos jornais que Lula reclamou da Dilma. Que é isso?


Valor:
O ex-presidente foge de suas responsabilidades?



FHC: Sim, claro. Esses desatinos que foram praticados pelo governos em várias áreas como na política de campeões nacionais, da retenção do preço da gasolina e da política energética. São responsabilidades históricas do Lula, da Dilma e do partido deles que conduziu esse processo. Agora dizem que foi o Guido?

Valor:
O senhor diz que não se pode ir a fundo na apuração das responsabilidades nos desmandos na Petrobras, mas no inquérito surgiram elementos como a delação do ex-diretor Pedro Barusco, que disse ter começado a cobrar propina em 1997. Como o senhor responde a isso?



FHC: Li todos os depoimentos do Barusco. Foi um ato individual dele. A institucionalização veio depois de 2004. Ele foi claro. Não existe isso, mas não tenho nenhum medo que se apure. Não tenho nada a ver com isso.


Valor:
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse que a corrupção se avolumou com a carta-convite adotada em seu governo em substituição à Lei de Licitações na Petrobras. Ele está errado?



FHC: Aquilo foi uma exigência natural do sistema econômico. Como a Petrobras deixou de ser monopólio, para ela poder competir com as outras empresas ou tem mais agilidade ou não consegue. Foi condição para viabilizar a flexibilização do monopólio e favorecer a Petrobras. Agora não foi com o propósito de se fazer o que se fez depois. Foi para competir. Se a carta-convite fosse a causa, toda empresa privada teria malandragem porque elas têm essa flexibilidade. E se estava errado porque deixaram aí por 12 anos? Era um decreto. É só mudar e deixar a Petrobras sem condições de competir com a Esso ou com a Shell.


Valor:
Que atualização o senhor faria da teoria dos anéis burocráticos?



FHC:
Tem alguma similitude, mas naquela época do regime militar eu dizia que o jogo político não estava fora do Estado estava dentro. Agora não é assim. Você tem os dois jogos. Fora e dentro. Quando Luciano Coutinho foi designado presidente do BNDES sabia que ele adotaria a política dos campeões nacionais, o modelo coreano. Só que a Coreia foi por outro modelo, do desenvolvimento tecnológico. Não foi fazer frigorífico lá fora. Ali começou a haver um bloco hegemônico, à la [Antonio] Gramsci. Começou a solidificar via anéis burocráticos, os interesses do governo com camadas empresariais importantes. E por vários caminhos. Os fundos de pensão também serviram para isso. Até no meu tempo.


Valor:
Nas privatizações...

FHC: Sim, tudo foi aprovado pelos fundos de pensão que eram controlados pelo PT. É mais do que uma coisa de interesse menor. É que coincidiu o interesse dos fundos de pensão com o grande capital. Isso deu hegemonia efetiva. Por que Lula era o queridinho de todos? Porque ele tinha bolsa família mas tinha também bolsa empresário. Quando o sistema econômico começou a fazer água qual foi a reação do bloco empresarial? Essa senhora não serve, tem que ser o Lula. Não foi ela quem montou isso. E não foi ela quem destruiu o sistema. Foi a própria expansão desordenada da economia que acabou o dinheiro. Isso rompeu a hegemonia, as bases de uma política de longo prazo que têm apoio na estrutura da sociedade. Estamos num momento de transição.

Valor:
Para que modelo?



FHC: Não pode ser uma ideia. Tem que se organizar forças sociais que sustentem um tipo de desenvolvimento. Quando o Aécio foi candidato, qual era a ideia? Vamos tentar reatar as bases de crescimento nas cadeias produtivas globais com uma separação mais nítida entre interesse público e privado para sustentar uma política para despertar o interesse de outros agentes sociais, econômicos e políticos. Mas Aécio não ganhou a eleição. E você não faz isso fora do poder. Vamos ter um período bastante ruim aqui no Brasil.


Valor:
É isso que diferencia hoje do impeachment de Collor?



FHC: Acho que sim. Não havia nada disso naquele período. Foi uma coisa mais circunscrita, uma crise política. A situação econômica não era brilhante, mas não foi por aí que a coisa arrebentou. Agora não, temos uma crise econômica, política e ainda não temos uma crise social. O desemprego cresceu mas ainda não é assustador. A inflação subiu, está pegando mais que o desemprego, mas ainda há margem de manobra do governo. Não sou fatalista. Não podemos deixar de contar com a reação do outro. Está visível que o ministro da Fazenda foi colocado lá não pela razão, mas pelo coração. E está visível também que ele tem uma força enorme, pela ideia de que se ele for embora a coisa explode. O ministro evitou até agora o downgrade do Brasil. E tomara que evite porque se houver downgrade pagaremos todos nós o preço. Não se soluciona a questão econômica sem solucionar a política.


Valor:
Nesse xadrez político como o senhor vê o papel do PMDB na sustentação do ajuste fiscal quanto na transição para 2018?



FHC:
É importante, mas já foi mais do que é hoje porque o PMDB encolheu numericamente. Tem hoje 66 deputados, o PSDB tem 54, o PT tem 68.


Valor:
Juntando os três não dá um terço da Câmara.



FHC:
Fica complicado. Como o PMDB tem um núcleo mais consistente dos seus interesses e tem capacidade de conversar com os outros, continua exercendo um certo papel. O PSDB vai ter papel crescente porque tem uma bancada no Senado extremamente competente. E o Senado é uma caixa de ressonância. Tem 10, 12 senadores de primeiro plano. Se atuarem em conjunto com o PMDB, há margem para avançar.



Valor:
O PSDB ao lado do PMDB pode dar esteio ao ajuste?



FHC: Do ajuste é difícil. Quem vai pagar esse preço é o PT. Ninguém vai por a mão no fogo para tirar as castanhas. Claro que não são malucos de negar o necessário. Acho que não haverá irresponsabilidade de negar o ajuste, mas vai custar para fazer.


Valor:
Mas o gesto do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) de devolver as MPs não foi saudado pelo PSDB?



FHC:
Claro, porque viram imediatamente um gesto de oposição ao governo mas não quer dizer que vão persistir nisso, nem o próprio Renan. Mas todas essas possibilidades no Congresso dependem da Lava-Jato. Não está claro ainda onde vai dar. É um processo longo, aflitivo. O tempo da aflição da vida da gente não é o da história. Como estou quase no além me preocupo mais com a história do que com a minha vida. Vai levar tempo para criar novas forças, mas tem que passar a limpo. Não dá para tapar o sol com a peneira e fazer conchavo. A tendência é grande porque há muitos envolvidos. A rua jogou o papel que tem que jogar. Com a pressão, o entendimento terá que ter bases mais claras.



Valor:
Como o senhor vislumbra um 2018 com um país devassado por ajuste fiscal e por um longo inquérito de corrupção. Na Itália deu Berlusconi. Aqui dá o que?



FHC: O risco Berlusconi só acontece se não houver estruturas partidárias com ação política que aglutine. Aqueles que dão as cartas no sistema político, o PT, o PSDB e o PMDB têm capacidade de aglutinar. O PT recusou lá atrás o caminho que era o mais razoável que era aglutinar com o PSDB. Inventaram que o inimigo era o PSDB porque era neoliberal. Como se eu dissesse agora que a Dilma é neoliberal porque está fazendo o ajuste. Quem sabe o PT agora um pouco mais sofrido e reduzido em suas pretensões passa a ser um ator mais razoável no jogo do poder. Risco sempre há de um caudilho, militar não. O que se precisa é de um fortalecimento contínuo das instituições que, bem ou mal, estão funcionando. Não vejo risco à democracia no Brasil.

Valor:
O senhor aceitaria um convite da presidente para conversar?



FHC: Nunca recusei chamado de ninguém para conversar. Nem da Dilma. Na crise de junho, se as coisas não avançaram não foi por minha conta. Até me arrisquei de tentar conversar. Agora o momento não é de conchavo. Se a presidente achar que é momento de chamar, deve ser público. Não se pode conversar sem uma pauta. Não sei se ela tem força convocatória, porque não tem que chamar só a mim. Tem que ampliar. Agora temos que digerir, todos nós, esse processo todo e ver o que vai acontecer nas próximas semanas. Vamos ver se o governo vai pagar o preço de correr mais fundo esse processo de estabelecimento das responsabilidades. Não no sentido de ficar açoitando o outro, mas para se ter uma conversa desarmada. Não posso ir conversar com uma pessoa que vai para a televisão e fica dizendo: foi FHC. Que é isso? Calei-me muitos anos sobre esses ataques que sempre me fizeram. Como se a privatização fosse um crime de lesa pátria. Agora estão privatizando tudo. Por que num caso é pecado e no outro é louvável? Não dá para achar que tudo o que o PSDB fez foi errado. Não acho isso do PT, nunca achei. Tem que baixar a bola.

Valor:
Que papel o senhor acha que o Lula deveria desempenhar nesse concerto?



FHC: Lula vai ter que deixar que as coisas aconteçam. Ele vai ter que explicar melhor toda essa confusão havida aí com Lava-Jato. Responsabilidade política ele tem. Você não sabe de uma porção de coisas mas, a partir de um determinado limite, você tem que agir. Qualquer pessoa medianamente informada em Brasília sabia. Uma característica do Lula é que em momentos de dificuldade ele some. Eu entendo que é uma saída tática, mas chegou a um limite, não dá mais. Não gosto de ficar criticando o Lula, mas acho que todo mundo tem que assumir seu papel na história e suas responsabilidades.

Valor:
Há quem tenha lido na declaração do senador Aloysio Nunes Ferreira, a de que o PSDB quer sangrar a presidente, a explicitação de uma estratégia. Foi?



FHC: Foi uma frase momentânea do Aloysio. A mim foi atribuído a mesma frase num momento de possibilidade de impeachment de Lula que era mais forte que o atual, quando o Duda Mendonça admitiu que recebia no exterior, mas não foi isso. Naquele momento Lula simboliza a ascensão social e política. Fazer o impeachment naquele momento era dividir o Brasil. Reproduzir UDN e Getúlio é um processo que leva anos para sanar. Minha razão era histórica, não era para Lula perder a eleição. Imagino que seja por aí que Aloysio pense. São preocupações institucionais. Impeachment é um processo político, mas tem que ter apoio na rua e no Congresso. Não é o julgamento de um crime.

Valor:
O senhor discorda da avaliação de que um presidente presidido por Michel Temer facilitaria a volta de Lula?



FHC: Tenho dúvidas sobre a volta do Lula. As coisas mudam. Não digo sobre ele querer ou não que é problema dele, mas de a população aceitar. O clima é outro hoje. Se fosse de imediato, a oposição ganharia, mas imagine o que seria esse processo. São dois que caem. E fazer uma eleição num momento desses, divide muito. Não estou dizendo que isso não possa acontecer. A história é mais complicada que a vontade das pessoas.

17 de março de 2015


segunda-feira, 16 de março de 2015

Coordenador da Operação Lava Jato afirma que tendência é investigação ir além da Petrobrás

'Maior parte das acusações ainda virá', diz procurador


Fausto Macedo e Ricardo Brandt
Estadão


Entrevista.
Deltan Martinazzo Dallagnol

Deltan Martinazzo Dallagnol, procurador da República, diz que “as investigações estão em pleno desenvolvimento e a maior parte das acusações ainda está por vir”. Ele é o coordenador da Operação Lava Jato, que fez ruir o cartel de empreiteiras infiltrado na Petrobrás para fraudes em licitações bilionárias e pagamento de propinas a pelo menos 50 políticos.

Em entrevista ao Estado, o procurador diz que “corrupção dessas proporções deve ser punida de modo mais firme do que um homicídio, porque mata muitas pessoas”.


O que alimenta a corrupção?

A corrupção é um fenômeno de causas complexas, no sentido de que várias condições tornam o indivíduo mais ou menos inclinado, e o ambiente mais ou menos propício, à sua ocorrência. Sob o ponto de vista individual, a corrupção pode ser vista como uma escolha racional, baseada em uma ponderação dos custos e dos benefícios dos comportamentos honesto e corrupto. O custo envolve não só os ônus morais e o tamanho da punição, mas também a probabilidade de ser descoberto e de a punição ser levada a efeito. A percepção da probabilidade de vir a ser punido é, assim, fator determinante. Nesse sentido, a percepção difusa de que corruptos não são punidos em razão de problemas sistêmicos da Justiça, decorrentes em boa medida da lei, conhecidos popularmente como ‘brechas da lei’, é certamente uma das principais condições que favorecem a corrupção.

Por que a corrupção domina praticamente boa parte das administrações?
Os índices de corrupção pública refletem, em grande medida, os índices de corrupção privada de uma sociedade. Contudo, a corrupção privada não explica completamente a pública, bastando ver que o grau de corrupção de um para outro órgão público varia. Há condições organizacionais da administração pública que operam em favor ou contra a corrupção. Uma das perspectivas mais perniciosas, que permite que a corrupção se alastre e perpetue em ambientes organizacionais, é conhecida como teoria da maçã podre, a qual ainda é bastante adotada no Brasil. Dentre as condições organizacionais, que contribuem para o comportamento corrupto e devem ser enfrentadas estão o mau exemplo de superiores, a alocação de recursos humanos e financeiros insuficientes em supervisão e em órgãos de corregedoria e controle, a inexistência de regras claras no tocante à corrupção, a ausência de cautelas no recrutamento e seleção de servidores, a insuficiência de treinos em ética e integridade, a falta de incentivos para que servidores reportem a corrupção de colegas, a falta de prestação de contas à população sobre decisões e de transparência de atos públicos, como no caso de diários secretos, sistemas não efetivos de controle interno, a ausência de rotatividade de servidores em setores de maior risco, bem como a inexistência de políticas de incentivo e motivação de servidores e de um sistema eficiente de firme punição das práticas corruptas.

Impunidade: Dallagnol afirma que, no Brasil, punições a criminosos de colarinho branco não são efetivas
Impunidade: Dallagnol afirma que, no Brasil, punições a criminosos de colarinho branco não são efetivas

O que é essa perspectiva chamada de teoria da maçã podre?
Segundo a teoria da maçã podre, a corrupção é um problema do indivíduo, que é uma maçã podre no meio de um cesto de maçãs boas. A decorrência disso é que bastaria retirar a maçã podre do cesto que ele estaria novamente limpo e a corrupção teria sido eliminada. Essa teoria é normalmente defendida por chefes que não querem reconhecer erros de gestão ou supervisão e a inadequação de mecanismos de controle. Porque a corrupção de subalternos pode repercutir negativamente sobre o chefe, ele pode estar mais interessado em isolar e abafar o problema do que em uma ampla investigação que enfrente as condições que favorecem o fenômeno corrupto. Estudos internacionais sobre a corrupção nos incentivam a abandonar a perspectiva da maçã podre e buscar alterações sistêmicas de estruturas organizacionais para coibir comportamentos corruptos.

Qual a melhor punição para corruptos e corruptores?
No tocante às empresas, punir apenas as pessoas, ignorando as entidades, implica adotar, nesse âmbito, a teoria da maçã podre, como se a corrupção fosse um vício dos indivíduos que as praticaram no seio empresarial. O que constatamos é bem diferente disso. A corrupção era, para essas empresas, um modelo de negócio que majorava o lucro em benefício de todos. Caso as empresas sejam isentadas de penalidades, eu não acredito que o susto será suficiente para forçar uma reorganização. Há evidências de que em 2014, quando a Lava Jato já estava em pleno andamento, práticas corruptas continuaram. Deve haver uma firme punição para que esse modelo de negócio levado a efeito mediante a corrupção não valha a pena, forçando as próprias empresas a se reorganizarem e desenvolverem mecanismos preventivos que as mantenham distantes de práticas ilícitas. Quanto aos agentes públicos e políticos, empresários e operadores financeiros envolvidos no esquema, a melhor punição é aquela prevista na lei que foi promulgada pela própria sociedade, por meio de seus representantes eleitos. É a condenação e a prisão dos responsáveis pelos crimes, em uma forte reação institucional contra esse para lá de absurdo desvio de bilhões de reais. Corrupção dessas proporções deve ser punida de modo mais firme do que um homicídio, porque ela mata muitas pessoas. Ela rouba ainda a escola, a água encanada, o remédio e a segurança de milhões de brasileiros. Os agentes públicos têm um dever qualificado de proteção da coisa pública, o que deve ensejar uma punição qualificada. Uma punição firme e efetiva, e é o que o Ministério Público quer para este e para outros casos. Precisamos de mudanças na legislação para poder entregar o que a sociedade espera.

As punições não são efetivas?
Não. Há vários problemas sistêmicos que precisam se resolvidos. Se eu pego meu filho me desobedecendo e digo que ele será punido daqui a mais de 10 anos, a punição passa a não ter efeito dissuasório nenhum. Todo pai sabe disso, faz parte do nosso senso comum, mas essa punição atrasada acontece no Brasil em relação aos criminosos de colarinho branco que, por terem acesso a habilidosos e caros advogados, manejam uma infinidade de recursos que têm demorado mais de dez anos para serem julgados. A prescrição, que é uma espécie de cancelamento do caso porque ele demorou muito para ser julgado, tem um contorno no Brasil que não tem em nenhum outro país, permitindo que quase todos os casos de réus de colarinho branco não tenham resultado. Anulações de casos inteiros são determinadas por Tribunais sem uma análise mais profunda de sua propriedade como ocorre nos Estados Unidos, o que coloca grande parte das operações policiais a perder. A pena da corrupção normalmente é substituída por alternativas à prisão que são indultadas, isto é, canceladas após o cumprimento de apenas, acreditem, um quarto delas. Precisamos de várias reformas.

A prisão intimida fraudadores?
Embora a solução da corrupção não passe apenas pela questão penal, englobando uma atuação sobre o complexo de condições que causam o fenômeno, eu acredito que punições sérias e efetivas podem sim inibir a prática de crimes, especialmente crimes preponderantemente racionais, como a corrupção, em que o agente, diferentemente do que ocorre num homicídio passional, avalia os custos e benefícios do comportamento. Se os custos forem maiores do que os benefícios, e uma punição séria e efetiva incrementa os custos, a pessoa poderá optar, ainda que movida por motivos egoístas, pela conduta honesta.

Nunca o sistema é efetivo? Como explica o sucesso do caso Lava Jato?
Os casos em que o sistema é efetivo são pontos fora da curva. O caso Lava Jato é produto de uma série de fatores que, de modo extraordinário, concatenaram-se e produziram um resultado positivo. Dentre esses fatores estão a experiência e sinergia das equipes do Ministério Público, Polícia e Receita Federal, compostas de profissionais técnicos e qualificados que têm bons relacionamentos pessoais, a alta qualidade técnica e capacidade de gestão do juiz, o apoio da imprensa e da opinião pública, o manejo responsável de acordos de colaboração por profissionais que acumularam conhecimento nessa matéria desde a Força Tarefa do Caso Banestado, a criação da Força Tarefa Lava Jato pelo procurador-geral da República, a manutenção das prisões mesmo após mais de 130 habeas corpus. São tantas as circunstâncias fortuitas que muitos chamariam isso de um grande acaso, uma conspiração do universo. Em razão de minha cosmovisão cristã, eu creio que Deus está agindo no meio das circunstâncias e nos dá uma oportunidade única na história de promovermos mudança estrutural em prol de uma sociedade mais justa e mais honesta. Depende de nós, como sociedade, contudo, propor e promover as mudanças.

A Lava Jato chegou ao seu limite?
Não. A Petrobrás é responsável por 75% do orçamento de investimento da União. Se alguém quer desviar recursos públicos, essa é a galinha dos ovos de ouro. Houve acusações até agora em relação a duas diretorias, e logo haverá em relação a uma terceira. Existem suspeitas sobre vários outros funcionários, mas o Ministério Público só fala sobre a culpa de alguém quando há provas consistentes, fundamentadas, sobre a responsabilidade daquela pessoa.

A Lava Jato vai além da Petrobrás?
Como decorrência das técnicas especiais de investigação que estamos empregando, da experiência e do conhecimento técnico da equipe, e do corpo que a investigação tomou em relação a inúmeras pessoas e empresas que atuaram também em outras áreas do governo, essa é a tendência. Há informações segundo as quais a corrupção no Brasil é endêmica, o que é apontado inclusive pelo índice de percepção da corrupção da Transparência Internacional. Segundo essa organização, o Brasil está em 69.º lugar no ranking de percepção de honestidade. Precisamos de reformas estruturais, de políticos e governantes com coragem para promover mudanças sistêmicas profundas, respeitados os pilares democráticos e republicanos. 
“Corrupção dessas proporções deve ser punida de modo mais firme do que um homicídio, porque mata muitas pessoas”

Há propinas em outras estatais?
O Ministério Público está investigando todos os fatos criminosos reportados e está comprometido com a punição de todos os responsáveis, na medida de sua atuação concreta e culpabilidade. Por padrão o Ministério Público não fornece detalhes sobre investigações em curso ou sobre estratégias de atuação futuras, para garantir o sucesso do que pretende fazer.

Políticos e empreiteiros dizem que doação de campanha não pode ser criminalizada. Qual a sua avaliação?
Doações de campanhas são uma expressão política do cidadão e não podem ser criminalizadas. Podem, eventualmente, ser regulamentadas ou mesmo ser sujeitas a determinadas condições para assegurar a lisura do processo democrático. O que está em questão no caso não são simples doações eleitorais, mas as doações simuladas que escondem o pagamento de propina. Quando o repasse de propina é dissimulado na forma de doação, caracteriza lavagem de dinheiro. Estou falando em tese, e não tratando da situação específica de um ou outro agente político. O fato de ser propina disfarçada de doação deve estar demonstrado de modo muito consistente, para além de qualquer dúvida razoável, para que possa conduzir a uma condenação criminal. Não se deve prejulgar ninguém, nem mesmo políticos. 

* O procurador Deltan Dallagnol coordena a força-tarefa da Lava Jato. Formado em Direito pela Universidade Federal do Paraná, ingressou na carreira em 2002 e especializou-se em investigações sobre corrupção, crimes financeiros e lavagem de ativos.

16 Março 2015

MPF denuncia João Vaccari e Duque por corrupção e lavagem de dinheiro


Além deles, outras 25 pessoas também foram denunciadas pelo MPF.

10ª fase da Operação Lava Jato foi deflagrada nesta segunda-feira (16).

Fernando Castro e Thais Kaniak
Do G1 PR
Vaccari está entre os denunciados pelo MPF
(Foto: Rede Globo)

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 27 pessoas por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre eles, o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto e o ex-diretor de Serviço da Petrobras Renato de Souza Duque.

A informação foi divulgada pelo MPF na tarde desta segunda-feira (16), dia em que a 10ª fase da Operação Lava Jato foi deflagrada.

O doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o engenheiro Pedro José Barusco Filho, que era gerente-executivo de Serviços e Engenharia da Petrobras e braço direito do diretor da área Renato Duque, também foram denunciados.

A Lava Jato começou em março de 2014 e investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.

Os 27 denunciados são:

-Adir Assad
-Agenor Franklin Magalhães Medeiros
-Alberto Elísio Vilaça Gomes
-Alberto Youssef
-Ângelo Alves Mendes
-Augusto Ribeiro de Mendonça Neto
-Dario Teixeira Alves Júnior
-Francisco Claudio Santos Perdigão
-João Vaccari Neto
-José Aldemário Pinheiro Filho
-José Américo Diniz
-José Humberto Cruvinel Resende
-Julio Gerin de Almeida Camargo
-Lucélio Roberto Von Lehsten Góes
-Luiz Ricardo Sampaio de Almeida
-Mario Frederico Mendonça Góes
-Marcus Vinícius Holanda Teixeira
-Mateus Coutinho de Sá Oliveira
-Paulo Roberto Costa
-Pedro José Barusco Filho
-Renato de Souza Duque
-Renato Vinícios de Siqueira
-Rogério Cinha de Oliveira
-Sérgio Cunha Mendes
-Sonia Mariza Branco
-Vicente Ribeiro de Carvalho
-Waldomiro de Oliveira

Quinze denunciados são de empreiteiras, cinco são operadores, quatro são ligados aos operadores, dois ex-diretores da Petrobras e um ex-gerente.
MPF fala sobre a Operação Lava Jato, em Curitiba
(Foto: Fernando Castro/G1)

De acordo com a denúncia, Vaccari partilhava de reuniões com Duque para tratar de pagamentos de propina, que era paga por meio de doações oficiais ao PT. Dessa maneira, os valores chegavam como doação lícita, mas eram oriundas de propina.

O MPF aponta que foram 24 doações em 18 meses, no valor de R$ 4,260 milhões.

Os procuradores do MPF Roberson Henrique Pozzobon e Deltan Dallagnol concedem uma entrevista coletiva, em Curitiba, nesta tarde para falar sobre as denúncias. O delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula e Roberto Leonel, da Receita Federal, também participam da coletiva.

Nesta 10ª fase da Operação Lava Jato, o ex-diretor de Serviço da Petrobras Renato de Souza Duque foi preso novamente. Ele é suspeito de participar do esquema de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro dentro da estatal.

Outros presos
O empresário paulista Adir Assad também foi preso. De acordo com o procurador Bozzobon, Assad aparece como um novo operador do esquema de propina, atuando junto às empresas prestadoras de serviço à Petrobras.

Assad é engenheiro civil e promove shows e eventos no Brasil. Ele trouxe a banda U2, a cantora Amy Winehouse e Beyonce para o país. Ele também era dono das empresas JMS Terraplanagem Ltda., S Terraplanagem Ltda. e Rock Star Merketing. Adir também já foi alvo em outros escândalos e foi investigado pela CPI do bicheiro Carlos Cachoeira, no Congresso Nacional, como suposto intermediário de propinas envolvendo a empreiteira Delta com o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit).


Também foi preso Lucélio Góes, filho de Mário Góes, apontado pela Polícia Federal como um dos operadores do esquema e que está detido desde fevereiro deste ano. De acordo com Bozzobon, o pedido de prisão contra Adir Assad foi estruturado após a apreensão de notas fiscais na casa de Mário Góes.

As prisões de Duque, Assad e Góes são preventivas, ou seja, sem prazo para acabar, dependendo de decisão judicial.

Outras duas pessoas foram presas temporariamente. Sônia Marisa Branco e Dario Teixeira Alves eram, conforme a investigação, "laranjas" do esquema. A prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada pelo mesmo período.

Um mandado de prisão temporária contra Sueli Maria Branco chegou a ser expedido. A suspeita, porém, segundo a Polícia Federal, já faleceu.

"Essas pessoas mantinham contato com os corruptores e eram peças fundamentais dentro da organização criminosa investigada pela Lava Jato”, explicou o procurador.

De acordo com Bozzobon, obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, e da Refinaria de Paulínia, no interior de São Paulo, foram usadas para o desvio de dinheiro.

“Essas pessoas presas hoje estavam relacionadas aos subnúcleos de operadores financeiros que tinham relações em comum. Eles comungavam de depósitos em contas idênticas no exterior e também participavam mediante realização de contratos ideologicamente falsos”, disse o procurador.

Todos os presos irão se juntar às outras 16 pessoas consideradas suspeitas de participação no esquema da Lava Jato que estão presas na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba.

Também foram apreendidos com os investigados documentos, como notas fiscais, e outras mídias que, conforme o Ministério Público Federal, serão analisados posteriormente.


Décima Fase
Conforme a Polícia Federal, nesta 10ª fase, serão cumpridos três mandados de prisão preventiva, três mandados de prisão temporária e 12 mandados de busca e apreensão.

De acordo com os policiais, o nome faz referência a uma frase dita por Duque quando foi preso pela primeira vez, em novembro de 2014.

O novo pedido de prisão contra Duque foi motivado pela movimentação financeira feita por ele no exterior, já com a investigação em curso.

Ao despachar favorável ao mandado de prisão, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância, afirmou que o ex-diretor de Serviços da Petrobras "esvaziou" contas na Suíça e enviou € 20 milhões para contas secretas no principado de Mônaco. O dinheiro, que não havia sido declarado à Receita Federal, acabou bloqueado pelas autoridades do país europeu.

“Autoridades estrangeiras comprovaram que Duque recentemente movimentou seus recursos de contas na Suíça titularizados por ele para contas de outros países na Europa. Notadamente, o principado de Mônaco, ao qual recebeu ainda no segundo semestre de 2014 quantia que superava R$ 5 milhões”, disse o procurador.






Sérgio Moro lava a jato caminho para chegar a Lula. Prisão de Duque e Assad aproxima investigação do ex-presidente e expõe o vexame do Supremo Tribunal Federal



Tremei, Lula!

LulaCocandoCabeca1


Felipe Moura Brasil

Não adiantou o STF vergonhosamente mandar soltar e depois deixar solto o petista graúdo Renato Duque, a pedido do ex-presidente da República.

A Operação Lava Jato acaba de prender de novo o ex-diretor de Serviços da Petrobras, afilhado do mensaleiro José Dirceu.
Motivo: o Ministério Público Federal descobriu que ele continuou lavando dinheiro mesmo depois da deflagração da Lava Jato, em março de 2014.

Duque, de fato, “esvaziou” suas contas na Suíça e enviou 20 milhões de euros para contas secretas no principado de Mônaco. O dinheiro, que não havia sido declarado à Receita Federal, acabou bloqueado pelas autoridades locais.

A 10ª fase da Lava Jato, batizada de “Que país é esse?”, responde portanto no nome e na prática ao cinismo de Duque, que pronunciou essa pergunta no dia em que foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado.

Como não adorar o trabalho do juiz Sérgio Moro e dos procuradores do MPF?

De quebra, eles pegaram também Adir Assad, apontado como verdadeiro dono de empresas utilizadas pelas empreiteiras para lavar dinheiro no esquema do petrolão.
Na época da CPI do Cachoeira, a VEJA descreveu Assad como o “rei dos laranjas e dos caixas de campanha”, tendo faturado 1 bilhão de reais com serviços de corrupção e financiamento clandestino de candidatos.
Queridinha do governo Lula, a JBS Friboi pagou 1 milhão de reais, na “véspera da eleição” de 2010, a uma empresa de Assad. Em 2011, a usina São Fernando Açúcar e Álcool desembolsou 3 milhões de reais para Assad.

O dono da JBS é “amigo do peito do ex-presidente” e o dono da São Fernando é José Carlos Bumlai, amigo íntimo de Lula que se tornou peça-chave do petrolão.

Foi Bumlai quem:

1)
garantiu a Fernando Baiano, operador do PMDB no esquema, o livre acesso dentro da Petrobras;

2)
avalizou a nomeação do até então desconhecido funcionário Nestor Cerveró para diretor internacional da estatal;

3)
assegurou os “privilégios” da UTC junto à Petrobras, permitindo que ela se tornasse uma das maiores empreiteiras do Brasil e uma das maiores doadoras do PT.


O desespero petista


É por essas e decerto outras que Gerson Camarotti, do G1, escreveu que “integrantes da cúpula do PT ouvidos pelo blog demonstraram apreensão com a prisão de Renato Duque. Apesar das negativas oficiais, no PT todos reconhecem que Duque era um homem ligado ao partido, principalmente a José Dirceu. O temor na legenda é que uma prisão prolongada de Duque acabe tendo efeito psicológico sobre o ex-diretor semelhante ao que ocorreu com Paulo Roberto Costa, que, depois de preso pela segunda vez, acabou fazendo delação premiada”.


O PT, portanto, teme que Duque diga a verdade e entregue seus comparsas do alto escalão.


Em mais uma jogada de craque, Sérgio Moro lavou a jato o caminho para chegar a Lula. Os 2,2 milhões de brasileiros que foram às ruas contra Dilma e o lulopetismo no domingo, segundo atualização do G1 nesta segunda, podem comemorar mais essa vitória.



16/03/2015

"Fora PT!"



É bobagem tentar esconder a verdade.

O grito que uniu os brasileiros que foram às ruas nesse histórico domingo foi a condenação ao "lulopetismo"


Por Eurípedes Alcântara



Manifestante usa uma máscara do ex-presidente Lula com nariz de Pinóquio durante ato na avenida Paulista - 15/03/2015(Bruno Santos/VEJA.com)

"Quanto a mim, fico com São Paulo, pois para lá se transportou a alma cívica da Nação". Com essa frase e sua atuação na Revolução de 32 o mineiro Arthur Bernardes, que presidiu o Brasil entre 1922 e 1926, se redimiu perante muitos de seus desafetos da justa fama de repressor e reacionário. Neste domingo, dia 15 de março de 2015, a alma cívica da Nação se transportou para São Paulo, onde se encarnou nos mais de 1 milhão de pessoas que, juntas na Avenida Paulista, fizeram a maior manifestação política da história da cidade e do Brasil.

Há trinta anos, nesta mesma data, acabava oficialmente o regime militar de 21 anos de duração. Ao protesto na Avenida Paulista se somaram outros em todos os Estados brasileiros. No final do dia, mais de 1,4 milhão de brasileiros tinham saído às ruas para protestar contra o PT, o partido que há doze anos detém o poder em Brasília. "Fora PT" foi o grito que uniu a maioria absoluta dos manifestantes. E o "Fora Dilma" ? Foi a palavra de ordem circunstancial. Dilma é a presidente e sobre ela recaíram as culpas imediatas da falência moral, ética e, agora, política do "lulopetismo".

A alma cívica vista nas caras-pintadas e nas roupas verde-amarelas do domingo, dia 15, foi a evidência que faltava - se é que faltava - de que venceu o prazo de validade do PT. O "lulopetismo" será lembrado na história apenas como mais uma das inúmeras e dolorosas ilusões populistas que acabam quando acaba a riqueza dos outros. Essas experiências ignoram que em comparação com o desafio de produzir riqueza, distribuir a riqueza já produzida é um piquenique no parque. Produzir riqueza é complexo. Não se faz com conversa fiada, com marqueteiro talentoso. Não se faz no palanque.

A escassez é um dado da vida humana desde a bíblica expulsão do paraíso. Todos os simulacros de socialismo, como é o caso do lulopetismo, acabaram pela incapacidade crônica de vencer a escassez. A presidente Dilma disse há dias que a situação de penúria atual do Brasil se deve ao fato de que "nós esgotamos todos os nossos recursos de combater a crise que começou lá em 2009". Nós quem, cara-pálida? A administração ruinosa do PT esgotou os recursos. Dito de outra maneira, a presidente afirmou o que o mundo inteiro já descobriu sobre ela e seu partido: suas políticas se esgotam quando esgotam os recursos criados por outros. Quem são os outros? São os brasileiros que foram às ruas neste domingo, dia 15. São os brasileiros que trabalham e entregam na forma de impostos, taxas e contribuições tudo que ganham nos primeiros cinco meses do ano ao governo e só depois trabalham para si próprios e suas famílias e, assim, conseguir pagar por todos os serviços que o governo não entrega: segurança, saúde, educação.

As formas de produção de riqueza com que o Brasil conta hoje já existiam antes da chegada do lulopetismo ao poder. Doze anos depois, todas essas fontes de riqueza ou estão quebradas ou fortemente abaladas pelo abuso sofrido pela gestão ruinosa e a corrupção endêmica do período. A corrupção institucionalizada na Petrobras no governo Lula custou 6 bilhões de dólares. Pois a Petrobras foi sangrada em 60 bilhões de dólares por ter sido obrigada por Dilma a subsidiar os combustíveis e, assim, não pressionar a inflação. Subsidiar combustíveis é distribuir riqueza? Sim. Mas os governos que sabem produzir riqueza controlam a inflação de outra maneira e, assim, evitam tirar riqueza que distribuem de uma empresa com milhões de acionistas privados - entre eles milhões de brasileiros que foram levados pelo governo a comprar ações da estatal do petróleo.

​Governos que não sabem produzir riqueza colocam a culpa de sua própria incompetência em crises externas - e quando o ambiente externo é favorável, como foi nos oito anos de Lula, fingem que as coisas estão dando certo por que são sábios. Embromação. Com Lula ou sem Lula teriam entrado no Brasil os mesmos 100 bilhões de dólares a mais pelo mesmo volume de ferro e soja exportados, o que se verificou pelo aumento do preço internacional dessas mercadorias. Lula, Chávez, Dilma, Cristina Kirchner sofrem da mesma incapacidade de gestão. Não sabem como criar um ambiente de negócios que incentive a produção de riquezas. São ignorantes nesse tema. Portanto, enquanto as pessoas não puderem se alimentar de vento e luz, sempre que o dinheiro dos outros acabar, acabam os lulopetismos. Dá para entender por que a alma cívica da nação gritou a todos pulmões, com mais força ainda na avenida Paulista: "Fora PT!"​
15/03/2015

As lições do dia em que o PT perdeu o controle das ruas e o povo insultou Lula como jamais o fizera


Manifestantes carregam a bandeira do brasil, São Paulo, 15-03-2015 (Imagem: VEJA Online)


Lição número um do domingo histórico de 15 de março de 2015, quando o Brasil celebrou com maturidade, coragem e alegria os 30 anos do fim da ditadura de 1964 e do início da redemocratização: o PT perdeu o controle das ruas.

De fato começara a perder desde que a corrupção passou a corroê-lo por dentro em 2005 – portanto, há exatos 10 anos –, tão logo o escândalo do mensalão fez o primeiro governo Lula tremer. Não caiu, é verdade. Mas perdeu a pose e nunca mais a recuperou.

Lição número 2 de um domingo histórico: Lula deixou de ser intocável. Em nenhum ato público de grande porte até aqui, manifestantes haviam ousado, em coro e por muito tempo, ofender Lula com palavras de ordem.

Os que tentaram em outras ocasiões não foram bem-sucedidos. Mas ontem foram sim. “Lula cachaceiro, devolve meu dinheiro” foi uma das agressivas palavras de ordem. Estamos longe da cultura nórdica que cobra boa educação a qualquer hora.

Infelizmente é assim e sempre será neste país abençoado por Deus e bonito por natureza. Não foi assim quando Dilma acabou insultada no jogo de abertura da Copa do Mundo, no ano passado? Não devemos nos julgar inferiores por isso.

Quantos países, de pouca experiência democrática como o nosso, seriam capazes de pôr mais de dois milhões de pessoas nas ruas pacificamente? Isso é quase metade da população da Noruega. É sete vezes mais do que a população da Islândia.

Atravessamos apenas 30 anos ininterruptos de Estado Democrático de Direito. A democracia por aqui está mais no papel do que na realidade das pessoas. Temos liberdade. Não temos rede de esgoto. E liberdade sem rede de esgoto não melhora a vida de ninguém.

Agravou-se a situação da presidente Dilma. Ela não pode falar ao país por meio de rede nacional de rádio e de televisão porque seria recepcionada por um panelaço. Não pode circular por aí para não ser vaiada. Muito menos confraternizar com seu povo sem medo.

À crise econômica somou-se a crise política. Roguemos para que disso não resulte uma crise institucional. No momento, Dilma nada tem a dizer aos brasileiros – nada de novo, nada que mude sua situação. E os brasileiros não desejam ouvi-la. Simples.

Como restabelecer o diálogo sem o qual o país entrará em uma das fases mais delicadas de sua história recente? O governo carece de líderes. Os partidos, idem. Por espontâneas e desorganizadas, as manifestações não têm quem as guie. E não admitem ser guiadas.

A solução não está no impeachment. Presidente só pode ser deposto se cometer um dos oito crimes de responsabilidades previstos na Constituição. Dilma não cometeu nenhum deles. O que fazer então? Eu não sei. De outras vezes pensei que sabia. Desta, não.


16/03/2015




" Que País é Esse? "





John Oliver, apresentador do programa Last Week Tonight, transmitido pela HBO, explica a americanos e canadenses o escândalo da Petrobras, fala sobre as desculpas de Dilma Rousseff -- e se junta ao panelaço.


O 15 DE MARÇO 1 – Dois milhões saem às ruas de verde e amarelo contra a roubalheira. Em paz, manifestantes protestam contra o PT, pedem a punição dos culpados e o impeachment de Dilma. Ou: O movimento das pessoas direitas





Quem mesmo estava nas ruas? Eram as pessoas direitas, o que parece insuportável aos “companheiros”


Por Reinaldo Azevedo

Dois milhões de pessoas foram às ruas nos 26 Estados do Brasil e no Distrito Federal — um milhão só em São Paulo. O número decorre da soma de estimativas feitas pelas PMs locais. O Datafolha, que vive sendo malhado pelos blogs sujos, agora mereceu testemunho de fé da companheirada porque assegura que 210 mil passaram pela Avenida Paulista. Considerada só a área dessa via, talvez.

Fui ao topo de um prédio muito alto. Todas as perpendiculares estavam tomadas por uma massa compacta. A Rua da Consolação também. A PM diz ter levado em conta essas áreas adjacentes, considerando cinco pessoas por metro quadrado, mesmo critério empregado para chegar aos 12 mil petistas que se concentraram na região no dia 13.


Quantos estiveram nas ruas na cidade de São Paulo, afinal, neste domingo? Participei ativamente dos comícios das Diretas e estive presente a algumas manifestações pelo impeachment de Collor. É experiência pessoal e memória, sei disto, mas nunca vi nada igual a este 15 de março. Se, no lendário comício das Diretas do dia 17 de abril de 1984, no Anhangabaú, havia 400 mil pessoas, parece-me difícil supor que, neste domingo, o contingente se resumisse à metade daquele.

Mas digamos, para efeito de pensamento, que o instituto esteja certo. Ainda assim, quase um milhão de pessoas teriam marchado em protesto contra o governo Dilma. Seja um número ou outro, já é a maior manifestação política da história. Até porque os comícios das Diretas ocorriam em uma determinada capital e pronto. Desta feita, houve protesto em todas elas e em 185 outras cidades.



A massa verde-amarela na Paulista. Um protesto sem vermelho (Foto: Hélvio Romero/Estadão)


Uma imensidão verde e amarela

Este 15 de março marca ainda outro fato inédito. Nas campanhas das Diretas e em favor do impeachment de Collor, as esquerdas davam o tom do discurso — aliás, assim tem sido desde a redemocratização do Brasil. Nas ruas, os petistas passavam a impressão de ser a força hegemônica. O vermelho disputava o espaço com o verde e amarelo. Neste domingo, não! O PT não estava presente. Ainda que Dilma tenha mobilizado boa parte das palavras de ordem, a maioria delas, no tempo em que acompanhei a manifestação — e foi bastante — tinha o PT como alvo principal. Horas depois, ficaria claro, uma vez mais, por quê.



Enquanto governistas falavam em ódio, violência e golpe, manifestantes levavam seus filhos para a rua (Foto: Beto Ribeiro)


Ódio? Qual? Violência? Onde?

Desde que começou a ficar claro que o país poderia assistir à maior manifestação de sua história, o PT, ministros de Estado e a própria presidente evocaram a palavra “golpe”, como se o vocabulário terrorista fosse afastar as pessoas das ruas. Não funcionou. Perdidos, mudaram, então, a estratégia e passaram a fazer estranhas advertências sobre o risco de violência e a política do ódio.

Nem uma coisa nem outra.

Hostilidade ao petismo?

Ah, havia, sim. Ou os petistas trataram com afeto, em suas pequenas manifestações do dia 13, os que hoje se opõem ao governo Dilma?

Violência?

Exceção feita a algumas escaramuças aqui e ali — especialmente no Distrito Federal e depois de encerrado o protesto —, nunca se viu povo tão ordeiro.

Em São Paulo, a Polícia Militar, em trabalho exemplar, prendeu um grupo de autointitulados “Carecas do Subúrbio”. Carregavam bombas caseiras e soco- inglês. Um deles conseguiu escapar e se escondeu no meio da multidão. Acompanhei o momento em que foi identificado. As pessoas se agacharam, colocaram-no em evidência e chamaram a Polícia. Funcionou.




Uma cartolina com uma verdade clara e simples: país mudo não muda


Sem black blocs

As manifestações deste domingo provaram uma tese antiga deste blog. Os “black blocs” nunca foram um fenômeno urbano, uma estética, uma ética — ou seja lá que outro lixo subintelectual se tenha tentado inventar. Eram e são bandidos tolerados e protegidos por movimentos de ultraesquerda.

Onde estavam no dia de ontem?

Sabiam que não seriam nem abrigados nem protegidos. Sabiam que seriam expulsos da rua pela massa de, estes sim, trabalhadores!


Como esquecer que Gilberto Carvalho, em entrevista histórica concedida à Folha, confessou ter se reunido várias vezes com lideranças da canalha mascarada?

Eram poucas as faixas porque praticamente não havia movimento organizado. Também não se permitiu que o protesto fosse aparelhado por partidos políticos — e, com isso, não estou rejeitando a política, não! Ao contrário! Vi nas ruas um momento de tomada de consciência de pessoas que já não aguentam mais a conversa mole e vigarista, segundo a qual, na prática, uma suposta justiça social serve de compensação à roubalheira descarada.

O Brasil está mudando.

Os reacionários do PT e suas franjas fascistoides na subimprensa optam, agora, por atacar a população de trabalhadores que vai às ruas. Perderam o eixo e a noção de tudo. Com satisfação, vi uma frase de um texto deste blog estendida na Paulista: “Não somos de direita. Somos brasileiros direitos”.


Atenção! A democracia nos reserva, sim, o direito de ser de direita. Mas, neste domingo, as pessoas direitas é que estavam nas ruas, de direita ou não.


16/03/2015





Ex-diretor da Petrobras Renato Duque é preso no Rio na 10ª fase da Operação Lava-Jato


A prisão faz parte de nova ação da Polícia Federal, que cumpre 18 mandados de prisão preventiva e foi batizada de
“Que país é esse?”



Por O GLOBO

RIO - Voltou a ser preso na manhã desta segunda-feira o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque. A prisão faz parte da 10ª fase da Operação Lava-Jato da Polícia Federal, que cumpre 18 mandados e foi batizada de “Que país é esse?”. A ação conta com 40 policiais no Rio e São Paulo. Também serão cumpridos quatro mandados de prisão temporária e 12 mandados de busca e apreensão.

Os crimes investigados nesta etapa são associação criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e fraude em licitação. Duque foi preso em sua casa, na Barra da Tijuca, e não ofereceu resistência.

O empresário paulista Adir Assad, ligado à construtora Delta e investigado na CPI do Cachoeira, também foi preso. Ambas as prisões são preventivas, e os detidos serão levados para o Paraná. Entre outros presos está o filho do empresário Mário Góes, também investigado na operação.

Nesta segunda, o Ministério Público Federal apresenta às 15h a primeira denúncia contra Duque. Ele é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro. A denúncia está baseada nos depoimentos do delator Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços. Ele admitiu à força-tarefa que recebeu propina em 87 obras da Petrobras para ele, Duque e para o PT. Barusco disse que as empreiteiras pagaram de R$ 150 a 200 milhões ao partido.

16/03/2015

domingo, 15 de março de 2015

Os alquimistas do Datafolha acabam de exterminar mais de 800 mil manifestantes




Direto ao Ponto

Por Augusto Nunes

Na sexta-feira, a Polícia Militar constatou que 12 mil pessoas participaram da manifestação organizada por centrais sindicais e pelo MST para defender o emprego de Dilma Rousseff e a impunidade dos companheiros bandidos do Petrolão. O Datafolha, amparado em alguma metodologia revolucionária, enxergou um rebanho com 41 mil cabeças.

Neste domingo, a PM constatou que 1 milhão de brasileiros participaram da manifestação contra o governo lulopetista promovida em São Paulo. O cálculo foi endossado por vídeos, fotografias e olhares capazes de ver as coisas como as coisas são. Ninguém discordou ─ à exceção do Datafolha. Onde até um bebê de colo viu 1 milhão de seres humanos os alquimistas do instituto contabilizaram 210 mil.

Imediatamente, uma jornalista da Globonews apontou o dedo para os suspeitos de sempre: o chefe da PM de São Paulo é um governador do PSDB, sussurrou com cara de sherloque . O Brasil anda precisando de um instituto especializado no recenseamento de cretinos, sabujos e trapaceiros. Agrupados, talvez não caibam na Avenida Paulista.

15/03/2015









Resumo das declarações de José Eduardo Cardozo e Miguel Rossetto





1) Disseram tacitamente que essas manifestações de hoje são fruto de golpismo de gente que não aceitou perder a eleição.

2) Citaram muito mais os pelegos alugados a 35,00 no dia 13/03 do que a multidão que foi às ruas hoje.

3) Advertiram que não aceitam uma tal "violência nas manifestações", algo que não houve.

4) Apresentaram novamente a reforma política bolivariana do PT que já tinha sido apresentada em 2013 e 2014 e que ninguém fora os puxa-sacos e sanguessugas lulopetistas quer.

5) Advertiram que "não admitem" que alguém peça impeachment, como se isso dependesse da autorização deles.

6) Prometeram que o governo vai lançar um "pacote contra a corrupção", como se colocar uma estrela de xerife no peito do bandido resolvesse o problema da criminalidade.

7) Praticamente afirmaram que hoje, 15/03, nas ruas só havia "insatisfeitos", "pessimistas de plantão" e "gente que já não gostava mesmo do governo".

8) Aconselharam todos a voltar calminhos para casa, porque vão ficar aí até 2018 (só faltaram avisar que depois tem Lula de novo).

Ao invés disso tudo me irritar, confesso que me deixou contente. Quanto mais se fizerem de surdos, quanto mais desqualificarem as pessoas insatisfeitas, quanto mais empurrarem a agenda de pelegos da CUT, vagabundos do MST, estudantes profissionais da UNE e sanguessugas de movimentos sociais, mais o PT e Dilma se enfiarão num buraco de onde só sairão para a lata do lixo da história a que pertencem.

A conclusão do pronunciamento dos ministros é: tudo vai continuar exatamente como está, até que Dilma e o PT não estejam mais ali.

Fica a dica.

Não é só por Dilma, é pelo PT! Ou: Perdeu, PiTboy. Ou ainda: Eles estão apenas no começo da guerra suja



Milhares se concentram em Copacabana, no Rio. Mensagem clara
(Foto: Ricardo Borges/FolhaPress)

Por Reinaldo Azevedo

Perdeu, PiTboy! Quantos já foram ou ainda estão nas ruas? Não dá para saber. Vamos tentar fazer um balanço depois. Agora, estou indo protestar um pouco.

O governo fez de tudo para impedir o povo de sair às ruas: chamou a manifestação de golpista, de reaça, de coxinha… Houve ameaças nas redes sociais. Tentaram intimidar os manifestantes com “o protesto a favor” do dia 13… Tudo inútil. Petistas famosos, ainda que sem carteirinha, vestindo a falsa camiseta da isenção, foram convocados para atacar os manifestantes, para desqualificá-los. Gente incapaz de ler um texto legal está opinando sobre a viabilidade do impeachment.

A batalha está apenas no começo. Os “PiTboys” da subimprensa de aluguel, dos blogs sujos, estão mais assanhados que “chinoca em dia de baile”, como se diz lá no Sul. Tentam requentar denúncias furadas contra jornalistas, fazer terrorismo contra a grande imprensa, que chamam de “mídia”, convocar todo mundo para a guerra na lama. Não vão conseguir. É medo de perder a boquinha.

Os manifestantes que estão nas ruas estão sem máscara.
Os manifestantes que estão nas ruas não querem bater em ninguém.
Os manifestantes que estão nas ruas querem democracia.
Os manifestantes que estão nas ruas não vão quebrar nada.
Os manifestantes que estão nas ruas respeitam as propriedades públicas e privadas.
Os manifestantes que estão nas ruas trabalham.
Os manifestantes que estão nas ruas estudam.
Os manifestantes que estão nas ruas trabalham e estudam.
Os manifestantes que estão nas ruas não são de um partido.
Os manifestantes que estão nas ruas têm o direito de ter um partido.
Os manifestantes que estão nas ruas, mesmo que membros de um partido, não pertencem a um rebanho.
Os manifestantes que estão nas ruas são pessoas livres.
Os manifestantes que estão nas ruas não têm medo.
Os manifestantes que estão nas ruas cansaram de um país decente submetido à sanha de ladrões.


Por muito menos, Dilma abriu as portas do Palácio para movimentos da esquerda ultrarradical. Embora sabidamente violentos, Gilberto Carvalho chamou os black blocs para conversar.

O que vem pela frente? A história. A ser escrita com firmeza, com serenidade, com clareza, com civilidade. Com o triunfo da lei. Com o triunfo da Constituição.

O país não pode se deixar nem intimidar nem provocar por reacionários. O que é um reacionário? Alguém que quer fazer o país andar pra trás. E ele vai avançar. Alguém que quer fazer o país refém de um partido. E ele não será refém de ninguém. Alguém que quer promover a guerra de todos contra todos para continuar pendurado nas tetas oficiais.

Não é só pela senhora, presidente! É pelo PT!

Perdeu, PiTboy!


15/03/2015