Ex-diretor da Siemens aponta envolvimento de secretários do governo paulista com cartel do metrô e pede cargo na Vale em troca de documentos que comprovariam as informaçõesAlana Rizzo
Veja.com
Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (Ueslei Marcelino/Reuters)
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu hoje a VEJA, por meio de sua assessoria, que foi ele quem repassou à Polícia Federal o depoimento de um ex-executivo da Siemens que acusa a cúpula do PSDB em São Paulo de envolvimento com o cartel que operava em licitações de trens e metrô no estado. A informação desmente a versão da PF, subordinada ao Ministério da Justiça, que até então atribuía a origem do documento ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. Revelado na quinta-feira, o depoimento envolveu pela primeira vez políticos da cúpula do PSDB nesse caso.
No documento, cujo destinatário é desconhecido, o ex-executivo da Siemens Everton Rheinheimer, que trabalhou na empresa por 22 anos até 2007, afirma ter provas do envolvimento dos políticos, sem no entanto apresentá-las. “Tenho em meu poder uma série de documentos (originais) que provam a existência de um forte esquema de corrupção no estado de São Paulo durante os governos [Mário] Covas,[Geraldo] Alckmin e [José] Serra e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa dois do PSDB e do DEM”, disse. Em troca das informações, Rheinheimer pede ao destinatário do texto um cargo na direção da Vale.
“O acordo que proponho a seguir não tem nenhum risco, mas envolve minha indicação para uma diretoria-executiva da Vale no médio prazo”, diz o ex-executivo. Como é sabido, nem o Cade nem a Polícia Federal e nem Ministério Público têm o poder de fazer nomeações para a mineradora. Essa prerrogativa é dos acionistas da ex-estatal, incluindo o governo federal — que detém 5% das suas ações — e representantes do partido do governo com influência na empresa.
O documento do ex-executivo envolve quatro secretários do governo do Estado de São Paulo, três do PSDB – Edson Aparecido (Casa Civil), Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e José Aníbal (Energia) e um do DEM, Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico), além do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e do deputado Arnaldo Jardim (PPS). Todos negam as informações.
A VEJA, a assessoria do ministro informou que ele costuma receber denúncias e encaminhá-las aos órgãos responsáveis. Não explicou, no entanto, por que ele passou a semana inteira em silêncio enquanto se discutia a origem do documento, atribuída ao Cade. Cardozo só admitiu que foi ele quem passou o depoimento à Polícia Federal depois de questionado pela reportagem da revista.
11.22.2013
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Acusação que atinge tucanos foi passada à PF pelo ministro da Justiça
KENNEDYS: Glamour, poder, paixão e tragédia
Por Ricardo Setti
JACKIE E JACK — Com apelidos quase idênticos, Jacqueline e Kennedy tinham consciência do poder da sedução que emanavam juntos. Um fotógrafo de moda, Mark Shaw, ajudou a projetá-los, registrando momentos descontraídos ou mais posados, em fotos em que tudo era impecável: produção, iluminação e, principalmente, os modelos
Reportagem de Vilma Gryzinski, publicada em edição impressa de VEJA
GLAMOUR, PODER, PAIXÃO E TRAGÉDIA
Atos públicos de grandeza, fraquezas da vida privada, casamento “perfeito” e os tiros que continuam a ecoar pelo mundo alimentam as múltiplas narrativas sobre John Kennedy
Jacqueline Kennedy beijou o pé do marido morto, que despontava “mais branco do que o lençol” estendido sobre o resto do corpo na sala de cirurgia do Hospital Parkland, em Dallas. Puxou o lençol para cobri-lo. Sobre a fina barreira de tecido, deu mais beijos de despedida.
Como nas tragédias gregas, tantas vezes evocadas para narrar a saga dos Kennedy, o personagem principal já era um mito. Mas nos dias, meses e anos subsequentes o mito seria filtrado, modulado, sintetizado. Jacqueline teria um papel essencial nisso, e não é impossível que tivesse começado a pensar a respeito quando ainda vestia a roupa cor-de-rosa e as luvas empapadas de sangue, endurecidas por pedaços do cérebro do presidente assassinado, como indicam os detalhes do enterro épico planejados pela viúva que mesmerizou o mundo com o véu negro e os olhos sem lágrimas.
UMA IMAGEM, 1355 PALAVRAS Nos Estados Unidos, o discurso de posse de John Kennedy, em 20 de janeiro de 1961, tornou-se provavelmente o mais citado do século XX. Cada uma das 1355 palavras, pronunciadas em catorze minutos, parece manter um vigor imune às infinitas repetições, desde as conhecidíssimas “Não perguntem o que seu país pode fazer por vocês, mas o que vocês podem fazer pelo seu país” até as sombrias referências à ameaça de guerra nuclear — “O mundo hoje é muito diferente, pois o homem detém
em suas mãos mortais o poder de abolir todas as formas de pobreza humana e todas as formas de vida humana”. Dinâmico e carismático, com uma mulher que o olhava com adoração (na foto, num dos bailes do dia da posse) e uma família feita para ser fotografada, ele era a própria encarnação da “tocha passada a uma nova geração de americanos” (Foto: Paul Schultzer / Getty Images)
Fez isso tão bem que até hoje é difícil separar acontecimentos históricos da imagem que se passou a fazer deles. Como toda boa história, a de Jack e Jackie, os apelidos quase xifópagos dos dois, continua a ser reescrita por quem a conta e por quem a ouve.
Pessoas normais têm contradições, mas em figuras mitológicas como John Fitzgerald Kennedy as qualidades, os defeitos e as características que não podem ser classificadas como uma coisa nem outra, embora igualmente impressionantes, assumem uma dimensão impossível de ser domada sob uma única narrativa.
Ele era eloquente, dinâmico, carismático. E também inclinado a riscos extremos e manobras obscuras. Citava os clássicos gregos e negociava votos com mafiosos. Escrevia livros e discursos espetaculares – e, quando não o fazia, amigos escritores cediam as próprias palavras e se sentiam felizes por isso.
Filho de um milionário dominador, foi contra as ideias do pai quando ainda se discutia se os Estados Unidos deveriam ou não participar da II Guerra Mundial. Falsificou um atestado sobre a própria e precária saúde, escondendo as muitas fragilidades, para poder ocupar uma posição de combate na selvagem frente de guerra do Pacífico.
John F. Kennedy beija sua pequena filha Caroline (Foto: Werner Baroni / AFP)
Liderou os sobreviventes do naufrágio da embarcação que comandava, nadou até uma ilha, escreveu uma mensagem a ponta de faca num coco verde e convenceu um habitante nativo a entregá-lo numa base americana em outra ilha, mas parece ter se sentido culpado por sobreviver enquanto o irmão mais velho explodiu num avião na Inglaterra.
Escolheu uma das garotas mais promissoras e independentes da alta sociedade para se casar e lhe abriu um espaço sem precedentes quando se tornou presidente. Viciado em sexo, traía-a incansavelmente, às vezes de forma torpe. Em alguns aspectos, estava tão à esquerda quanto hoje o presidente Barack Obama, que tem um poder parecido de inspirar e provocar sentimentos positivos – embora seja difícil imaginar Obama sujando os sapatos de golfe, que dirá salvando um companheiro queimado, a nado, com o colete salva-vidas dele preso pelos dentes. Em outras questões políticas, fecharia com membros do Tea Party.
Fez o programa para enviar o homem à Lua e mandou cubanos anticastristas para o desastre da invasão da Baía dos Porcos. Lá, abandonou-os à própria sorte. Abandonou também o aliado americano no Vietnã do Sul, o presidente Ngo Dinh Diem, assassinado vinte dias antes que o próprio Kennedy.
A GRAÇA DO ESTADO — Acontecimentos políticos dramáticos alternaram explosões de agonia e de euforia durante os dois anos e dez meses do governo Kennedy: a invasão fracassada de Cuba, a crise que quase jogou o mundo numa guerra nuclear, o impacto da construção do Muro de Berlim, o lançamento do programa para enviar astronautas à Lua, as conquistas do movimento pela igualdade dos negros. Tudo isso pontuado por momentos de graça e elegância protagonizados por Jacqueline, com seus próprios capítulos de destaque, como a visita de Estado à França, em 1961 (Foto: AP)
A encrenca nascente do Vietnã já levava sua assinatura. Durante os dois anos e dez meses de seu governo, fez discursos espetaculares pela liberdade e pela paz, mas o mundo esteve mais perto do que nunca de acabar, incinerado numa guerra nuclear resultante da crise desencadeada quando a União Soviética instalou secretamente mísseis com ogivas atômicas em Cuba.
Tantos filmes depois, muita gente conhece os principais lances dramáticos: os mísseis clandestinos são fotografados por aviões espiões, Kennedy manda fazer um bloqueio naval em volta de Cuba e navios de guerra soviéticos vão avançando, avançando, até ficarem literalmente a dezenas de metros dos americanos, quando Nikita Kruschev recua, temeroso das terríveis consequências (e também tendo obtido certas concessões).
Jackie — viagem sozinha à Índia — A maioria de suas roupas era feita por um costureiro baseado nos Estados Unidos desde a campanha presidencial do marido, que havia concorrido com Richard Nixon. Na época, disse que não queria aparecer usando “roupas de Paris enquanto a senhora Nixon faz as suas na máquina de costura” (Foto: AP)
Uma história menos pública da época dessa crise revela outra camada das narrativas em torno de Kennedy: o casamento com a fina e eternamente impecável Jacqueline não tinha nada de arranjo de fachada. Quando soube que seria mandada para longe da Casa Branca, alvo primário numa guerra nuclear, ela não aceitou. “Vamos todos ficar aqui. Mesmo se não tiver lugar no abrigo antiaéreo da Casa Branca, ficarei no gramado”, disse. “Quero ficar com você, morrer com você. E as crianças também.”
Que mulher expõe os filhos ao risco de um bombardeio nuclear? Uma mulher loucamente apaixonada e num dos piores lugares em que poderia estar nessas circunstâncias: casada com um homem de libido hiperativa, criado pelo pai desde menino a buscar relações constantes e variadas, a maioria delas coisa de meia hora entre conhecer, conquistar e consumar, algumas mais longas, umas poucas incrivelmente complicadas – a amante que também se envolveu com um chefão mafioso, a casada com um medalhão da CIA, a que espionava para os alemães, a que era Marilyn Monroe.
PARA MOSTRAR A “ELES” — “As mulheres dos republicanos vão estar com casacos de visom e pulseiras de brilhantes. Vamos mostrar aos texanos o que é realmente bom gosto”, propôs Kennedy ao pedir à mulher que usasse seu tailleur mais chique, um híbrido cor-de-rosa feito numa butique de Nova York com tecido e acabamentos mandados pela maison Chanel. Jacqueline não quis se trocar para a viagem com o corpo do marido. Desceu em Washington de mãos dadas com o cunhado Bob Kennedy e arrependida por ter lavado o sangue do rosto e do cabelo. Queria ter mostrado bem “o que eles fizeram” (Foto: AP)
A morte precoce de Marilyn combinou-se ao assassinato do presidente para alimentar a torrente de teorias conspiratórias que continua a jorrar até hoje. O mais provável é que a deprimida atriz tenha sido apenas um nome estrelado a mais na lista de conquistas de Kennedy, ao lado de outras beldades da época como Kim Novak e Angie Dickinson.
À veterana Marlene Dietrich perguntou se também tinha se envolvido com o pai dele, outro caçador de estrelas. Ela respondeu que não. “Preciso de carne fresca todos os dias, senão fico com dor de cabeça”, era a espantosa explicação de Kennedy para os íntimos. Os seguranças se horrorizavam com os riscos que o fluxo constante de “conhecidas” criava, quando na verdade o perigo estava em um único e desconhecido homem.
Jacqueline podia enganar a si mesma em relação às traições do marido, mas tinha a mente perfeitamente clara sobre a imagem heroica que queria deixar dele depois do assassinato. Como a editora de livros que viria a ser, depois de passar de viúva sacralizada a interesseira descontrolada via casamento com o milionário grego Aristóteles Onassis, ela eliminou as passagens ruins e exaltou as boas de Kennedy.
Uma semana depois de segurar seu corpo nos braços, chamou um jornalista de confiança e falou durante quatro horas sobre a vida, a morte e a “magia” do marido. Foi aí que fez a comparação entre o governo dele e a corte do rei Artur, evocando um trecho do musical Camelot, o nome do castelo do personagem mítico. A palavra foi infinitamente replicada como sinônimo de uma era encantada.
Para o enterro, usou como referência o cerimonial de outro presidente
assassinado, Abraham Lincoln (Foto: AP)
Como acontece com outros grandes líderes políticos, Kennedy, descrito por um biógrafo como “um dos homens mais complicados e enigmáticos que já ocuparam a Casa Branca”, pode ser usado por diferentes correntes ideológicas. O programa para mandar o primeiro homem à Lua é evocado como exemplo da grandeza, da singularidade e da incomparável capacidade de realização dos americanos. Portanto, coisa de “direita”.
As políticas sociais são sempre consideradas “progressistas”. O histórico discurso que fez à nação em 11 de junho de 1963 de alguma maneira reflete isso. Em alguns estados do Sul, ainda havia muita resistência das autoridades ao fim da discriminação vigente entre brancos e negros em lugares públicos, em especial as escolas.
Kennedy fez um apelo à consciência, aos valores morais e até aos ensinamentos bíblicos para acabar com essa “indignidade arbitrária”, mas não tratou os que ainda defendiam a segregação como inimigos ou aberrações – mesmo porque era o Partido Democrata que governava os sulistas. “É um problema que todos nós enfrentamos, no Norte ou no Sul”, conciliou.
Secretamente, havia autorizado que o FBI grampeasse o líder negro Martin Luther King. O exercício do poder é complicado e a democracia não é perfeita. A última frase foi pronunciada por Kennedy em outro discurso célebre, o de Berlim, com um adendo: “Mas nunca tivemos de erguer um muro para não deixar nosso povo sair”.
Tornou-se um lugar-comum, mas dito por ele, daquela forma e naquele momento, teve uma grandiosidade que continua a atravessar as camadas de uma história infinitamente repetida.
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22.11.2013
Visitas demais
É antiga e vale para quase todos os países a constatação de que, embora todos os cidadãos sejam iguais perante as leis, sempre há alguns que são mais iguais que os outros.
Estão nesse caso os petistas do primeiro escalão do partido que cumprem pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Pelas normas da prisão, os presos têm direito a visitas nas quartas e quintas-feiras. Mas isso não vale para os três petistas José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares. Na última terça-feira, o jornal constatou a presença na Papuda de quase 20 pessoas visitando os presidiários do PT José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares.
Os visitantes se aproveitaram de uma prerrogativa concedida — sabe-se lá por que motivo — a parlamentares de visitarem presídios quando quiserem. É óbvio que esse direito existe para que senadores e deputados obtenham informações necessárias ao cumprimento de seus deveres legislativos.
Mas o PT se aproveita disso apenas para melhorar a vida de seus membros que cumprem pena por crimes que deveriam envergonhar qualquer partido político. Pelo visto, para a cúpula do PT, José Dirceu e seus companheiros de prisão são heróis vítimas de uma decisão cruel do Judiciário. E, ao abusarem de uma norma criada para facilitar o trabalho de membros do Congresso, mostram desrespeito ao Poder Legislativo.
Além disso, não é exagero constatar que se trata de uma ofensa aos ministros do Supremo Tribunal Federal que, numa decisão que pode ser considerada histórica, mostraram à opinião pública do país que a classe política não está acima das leis.
Os petistas — e, provavelmente, políticos da maioria dos partidos — parece que não concordam com isso. E, pelo visto, mostram também que são solidários com seus companheiros condenados pela mais alta instância da Justiça do país.
O PT é, sem dúvida, um dos partidos mais importantes do país. Por isso mesmo, seus membros mais poderosos deveriam cuidar melhor de sua imagem. A solidariedade escancarada com aqueles que sujaram essa imagem é um comportamento equivocado — tanto do ponto de vista político como moral.
22.11.2013
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Vasto Mundo
Por Ricardo Setti
Imagem inédita até recentemente mostra Kennedy observado por admiradores em plena campanha presidencial de 1960: ícone do século 20
(Foto: Paul Schutzer – Time&Life Pictures/Getty Images)Em 1952, durante encontro com eleitoras em campanha pelo senado por Massachusetts – cargo que exerceria entre o ano seguinte e 1960Há exatos 50 anos, John Fitzgerald Kennedy recebia três tiros – um dos quais na cabeça – e morria no atendado durante visita a Dallas, nos Estados Unidos, que provocou um terremoto político e semeou dúvidas que perduram até hoje.
Seu mandato como o 35º presidente americano não durou nem três anos – precisamente entre 20 de janeiro de 1961 e 22 de novembro de 1963, data do assassinato -, mas antes mesmo seu carisma de popstar e a embalagem progressista de muitas de suas ideias, misturada à dureza de implacável protagonista da Guerra Fria, já lhe garantiam, antes da morte, um lugar especial entre as figuras mais icônicas do século XX.
Essa aura pode ser contemplada na compilação especial de fotos organizada pela revista americana Life, uma das que melhor cobriu a vida e a carreira política do presidente assassinado aos 46 anos. A seguir, algumas pérolas deste acervo, incluindo fotografias nunca antes publicadas pela própria Life.
(Foto: Yale Joel – Time & Life Pictures/Getty Images)
Em 1953, velejando com a então namorada Jacqueline Bouvier em Cape Cod, no
nordeste dos EUA
(Foto: Hy Peskin Collection)
O casamento, em setembro de 1953; a partir de então ela seria conhecida como Jaqueline (ou “Jackie”) Kennedy
(Foto: Lisa Larsen Time & Life Pictures/Getty Images)
Com Robert, irmão mais novo, político como ele – e que igualmente seria assassinado, em 1968 – e o sobrinho Bobby Jr., casa em Hickory Hill, 1957
(Foto: Paul Schutzer – Time&Life Pictures/Getty Images)
Foto clássica ao lado de Robert Kennedy, 1958
(Foto: Paul Schutzer – Time&Life Pictures/Getty Images)
Em 1958, com a filha mais velha, Caroline Bouvier Kennedy, nascida em novembro do ano anterior
(Foto: Ed Clark – Time & Life Pictures/Getty Images)
A família em casa em Georgetown, 1958
(Foto: Nina Leen: Time & Life Pictures/Getty Images)
A foto sua da qual mais gostava, feita em 1959 nas dunas de Hyannis, em Massachusetts
(Foto: Mark Shaw -mptvimages.com)
Cumplicidade com Robert em hotel de Los Angeles durante a Convenção do Partido Democrata de 1960 (Time&Life Pictures/Getty Images)
Retorno triunfal da convenção, em situação curiosamente semelhante à de seu futuro assassinato: desfilando em carro aberto, na companhia de Jackie
(Foto: Paul Schutzer – Time&Life Pictures/Getty Images)
Alegria na companhia de Caroline após a nomeação como candidato presidencial, 1960
(Foto:Alfred Eisenstaedt – Time & Life Pictures/Getty Images)
Imagem inédita de Kennedy discursando sobre uma cadeira de cozinha durante campanha de 1960, no estado americano de West Virginia
(Foto: Hank Walker – Time & Life Pictures/Getty Images)
Na mesma ocasião, agora tendo um carro como “palanque”; também publicada pela primeira vez apenas agora
(Foto: Hank Walker -Time & Life Pictures/Getty Images)
Debate televisivo com o oponente Richard Nixon (Foto: Ed Clark – Time & Life Pictures/Getty Images)
Imagem nunca antes publicada pela Life mostra o então candidato saltando de um carro durante a campanha de 1960
(Foto: Paul Schutzer – Time & Life Pictures/Getty Images
Outra imagem inédita capta admiradoras de Kennedy contidas pela polícia no estado de Michigan, 1960
(Foto: Paul Schutzer – Time&Life Pictures/Getty Images)
A cantora Marian Anderson entoa a voz na posse de Kennedy como presidente, a 20 de janeiro de 1961 (Foto: George Silk – Time&Life Pictures/Getty Images)
Harry Truman, o 33º presidente, assina o programa do tradicional baile inaugural de Kennedy como presidente, 20 de janeiro de 1961
(Foto: Paul Schutzer – Time&Life Pictures/Getty Images)
Outro registro do baile
(Foto: Paul Schutzer – Time&Life Pictures/Getty Images)
No Salão Oval da Casa Branca, 1961
(Foto: Cornell Capa – Magnum)
Em Cam David com o antecessor Dwight D. Eisenhower, em reunião para tratar da a Invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, por anti-castristas ligados aos EUA, 1961
(Foto: Ed Clark – Time&Life Pictures/Getty Images)
Anunciando o embargo a Cuba pela TV em 1962
(Foto: Ralph Crane – Time&Life Pictures/Getty Images)
22/11/2013
Puxa-sacos de ladrões!
Intimidar o Judiciário é delinquência; a doença do petista é real; a construção do mártir é uma farsa
POR REINALDO AZEVEDOFOLHA DE SÃO PAULO
No Brasil, não há presos políticos, mas políticos presos. A diferença entre uma coisa e outra é a que existe entre a ditadura cubana, que o governo petista financia, e a democracia, que o petismo difama. Se, no entanto, houvesse, a carcereira seria Dilma Rousseff. Ela pode fazer o STF sair com a toga entre as pernas. Basta evocar o inciso 12 do artigo 84 da Constituição: "Compete privativamente ao presidente da República (...) conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei". Também vale para "presidentas".
Paulo Vannuchi, um devoto da democracia à moda Carlos Marighella, comparou a condenação de José Dirceu à extradição de Olga Benário. É? Foi o STF que autorizou o envio para a Alemanha nazista de uma judia comunista. O fascistoide Getúlio Vargas, hoje herói das esquerdas, poderia ter impedido o ato obsceno. Deu de ombros. Que Dilma não cometa o mesmo erro e liberte a súcia de heróis. Ironia não tem nota de rodapé --ou vira alfafa.
Está em curso um processo inédito de satanização do Judiciário. A sanha difamatória, na semana em que se comemora o Dia da Consciência Negra, não poupa nem a cor da pele de Joaquim Barbosa. Racistas virtuosos acham que ele se comporta como um "negro de alma branca". Lula lhe teria feito um favor, e ele não beija a mão de nhonhô...
Protestar contra os três dias de regime fechado para José Genoino é do jogo. Intimidar o Judiciário é delinquência política. A doença do petista é real; a construção do mártir é uma farsa. No dia da prisão, ele recusou exame médico preventivo no IML. Era parte da pantomima do falso herói trágico. Barbosa não cometeu uma só ilegalidade. A gritaria é fruto da máquina de propaganda do PT, que se aproveita da ignorância específica de jornalistas. Não são obrigados a saber tudo; o problema, em certos casos, é a imodéstia...
Um dos bons fundamentos do cristianismo é amar o pecador, não o pecado. Fiel à tradição das esquerdas, o PT ama é o pecado mesmo. O pecador é só o executor da tarefa em nome da causa. Leiam a peça "As Mãos Sujas", de Sartre, escrita antes de o autor se tornar um comunista babão. É esquemática, mas vai ao cerne do surrealismo socialista.
Alguns de nossos cronistas precisam ler. Outros precisam ler Padre Vieira. No "Sermão do Bom Ladrão", ele cita a descompostura que Alexandre Magno passou num pirata. O homem responde ao Lula da Macedônia: "Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?" Vieira emenda: "Assim é. (...) o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres."
Na quarta, reportagem de Flávia Foreque, no site da Folha, foi ao ponto. Um grupo de deputados do PT visitou os varões de Plutarco na Papuda. Parentes de presos sem pedigree ideológico começaram a xingar os petistas: "Puxa-saco de ladrões!". A deputada Marina Sant'Anna (PT-GO) quis dialogar. Sem sucesso. A mulher de um dos piratas resumiu: "Qual é a diferença [entre presos do mensalão e os demais]? Só porque tem nível superior, porque roubou do povo?" Vieira via diferença, sim. Os bacanas são mais covardes.
Indulto já, presidente! Até porque, entrando no 12º ano de governo e com mensaleiros em cana, o PT descobriu a precariedade das prisões. Este ano vai terminar com uma queda de 34,2% no valor destinado ao Plano Nacional de Apoio ao Sistema Prisional: R$ 238 milhões, contra R$ 361,9 milhões em 2012. Nas cadeias, só havia piratas "pobres de tão pretos e pretos de tão pobres". Agora há os Alexandres vermelhos, mas não de vergonha.
22.11.2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
MENSALÃO: No caso de Genoino, há uma torcida sinistra para torná-lo um “mártir”
Genoino no momento em que se entregou à Polícia Federal: partidos políticos costumam atropelar tudo o que for possível para atingir seus objetivos.
No caso de Genoino, há quem torça para que ele se torne um “mártir” do mensalão
(Foto: Ivan Pacheco)
Antes tarde do que nunca — e cautela nunca é demais: hoje, quinta-feira, 21, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, determinou provisoriamente a prisão domiciliar ao deputado José Genoino, um dos condenados no caso do mensalão, que passou mal na Penitenciária da Papuda, em Brasília, onde está detido desde sexta-feira passada.
O ex-presidente do PT foi levado ao Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF), no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, após passar mal no Complexo da Papuda. A decisão do presidente do Supremo é provisória e tem validade até que uma junta médica de cardiologistas analise o quadro clínico do mensaleiro.
Antes, Barbosa já ordenara a realização dessa perícia médica para analisar o estado de saúde do deputado. Em sua decisão, o ministro destacou que a avaliação de Genoino deveria ser feita por, no mínimo, três médicos cardiologistas indicados pelos diretores do Hospital Universitário de Brasília (HUB). O ministro quer saber se, para o adequado tratamento do deputado, é necessário que ele permaneça em sua casa, em prisão domiciliar, ou internado em unidade hospitalar.
Acho que o ministro Joaquim demorou, mas fez a coisa certa.
Com saúde de ninguém se brinca — seja ele quem for.
E, no caso, por chocante que possa parecer dizer e escrever isso, há no ar um sinistro aspecto de “torcida”, que se nota por parte de gente do PT, para que a saúde de Genoino se deteriore a ponto de que ele se torne um “mártir” no caso do mensalão, cujas condenações, como se sabe, o PT não aceita por considerar que houve um “julgamento político”.
Partidos políticos, sobretudo os fanatizados por ideologias, passam por cima de tudo o que for possível atropelar para atingir seus objetivos. Se as condições de Genoino convergirem para que o PT use sua imagem como a de um “mártir”, não tenho dúvidas de que isso será feito.
Ninguém em sã consciência, ninguém com os sentimentos medianos de uma decente pessoa deseja que o deputado piore de saúde ou — Deus não permita — morra. Uma coisa é combater as ideias de um político. Outra, muito diferente, e detestável, é desejar-lhe mal como pessoa. Quem acredita nos direitos humanos e os defende para todos os cidadãos não pode pensar assim. E o cenário de um detento com direito à prisão semi-aberta morrendo no regime fechado, por falta de vagas, além de significar uma tragédia para a família do deputado jogaria no lixo o julgamento mais importante da história recente do país, revertendo dramaticamente o sentimento espalhado pelo país de que, enfim, se fez justiça num caso envolvendo poderosos.
Assim que Genoino foi preso, sua defesa em juízo encaminhou pedido de prisão domiciliar alegando ser “grave” seu estado de saúde. Pessoalmente, não tenho razão alguma para duvidar. O réu condenado sofreu uma cirurgia no meio do ano para reparar uma ruptura na parede interna da aorta, a mais importante artéria do corpo, e, no hospital Sírio-Libanês, enquanto se recuperava, sofreu um pequeno derrame. Sua hospitalização durou mais de dois meses.
Laudo do Instituto Médico Legal (IML) atesta que ele precisa de alimentação especial e medicamentos adequados. A perícia concluiu que Genoino é “paciente com doença grave, crônica e que necessita de cuidados gerais”.21/11/2013
Joaquim Barbosa não praticou uma só ilegalidade; gritaria é fruto da máquina de difamação do PT. Tire suas dúvidas
Por Reinaldo Azevedo
Joaquim Barbosa, relator do mensalão e presidente do Supremo Tribunal Federal, não cometeu ilegalidade nenhuma ao determinar a prisão dos mensaleiros.
Nada!
Zero!
A gritaria é só decorrência da máquina de propaganda e de difamação do petismo. Os presos estão sob a guarda da Polícia Federal, que também é polícia judiciária. A Vara de Execução Penal que cumpre as determinações do Supremo é a do Distrito Federal.
Pergunta com resposta óbvia: o deputado Natan Donadon (sem partido) cumpre pena em Rondônia ou na Papuda?
Agora, sim: executadas as prisões, analisam-se os pedidos para cumprimento em outros estados por esta ou por aquela razão.Wadih Damous, presidente do Comissão de Direitos Humanos da OAB, saiu atirando contra a Joaquim Barbosa. É o que ele sempre faz quando seus “companheiros” de esquerda estão em apuros. Esse senhor vinha se especializando, nos últimos tempos, em sair em defesa de mascarados violentos no Rio. Agora, arrumou uma causa ainda mais especiosa…
O Conselho Federal da OAB, ainda bem!, preferiu deixar o homem falando sozinho e não endossou seu chilique. Sabia que havia na gritaria mais ideologia do que questão técnica.Leiam abaixo algumas perguntas e respostas sobre a prisão dos mensaleiros, pubicadas na VEJA.com.Por Laryssa Borges
1. É legal transportar os condenados para Brasília previamente, mesmo antes da definição do local definitivo para o cumprimento da pena? Sim. O juiz responsável pela execução se encarrega de estabelecer todas as condições para o cumprimento da pena e isso pressupõe que todos os réus possam ser levados ao local onde fica o magistrado. A justificativa para a transferência dos condenados baseia-se, por exemplo, na possibilidade de o juiz achar necessário convocar audiências, determinar exames médicos ou verificar previamente condições de cumprimento de prisões em regime semiaberto. No caso do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, dividiu as funções de execução com o juiz Ademar Silva de Vasconcelos, da Vara de Execução Penal (VEP) do DF. Caberá ao relator do mensalão, por exemplo, analisar pedidos de indulto e liberdade condicional, enquanto a Vara será responsável por emitir guias de recolhimento dos mensaleiros e calcular as multas impostas aos condenados.2. É legal determinar a prisão de um condenado mesmo sem a expedição da carta de sentença? A Lei de Execução Penal e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) exigem a expedição da carta de sentença para se documentar o início do processo de execução da pena, mas não estabelecem nenhum tipo de sanção caso a guia não seja encaminhada previamente ao juiz. Para juristas, a divulgação do documento é um ato meramente protocolar e administrativo, ou seja, não se pode classificar como ilegal a prisão de um condenado sem a carta se sentença.3. Um condenado reconhecidamente em estado de saúde debilitada pode cumprir a pena normalmente em um presídio, independentemente de ser na ala para regime fechado ou semiaberto? Sim. A decisão cabe ao juiz de execução, que, para proferir seu veredicto, pode pedir laudos periciais e análises de juntas médicas especializadas. Com base nesses documentos, o juiz pode negar, por exemplo, pedido de prisão domiciliar e determinar que o detento continue no presídio. O condenado tem direito à assistência de médicos, enfermeiros, dentistas, psicólogos e nutricionistas, mas caso ele precise de atendimento específico na área da saúde, a direção do presídio e o juiz da execução podem conceder autorização especial para tratamento fora da unidade prisional.5. O juiz pode se recusar a enviar um preso para cumprir pena perto da família? Sim, desde que fundamente sua decisão. Em geral, os argumentos utilizados pelos juízes para negar pedidos desta natureza são questões de segurança, ausência de vagas e alertas para evitar que o condenado exerça influência de dentro da cadeia. Em casos específicos, o criminoso pode ser transportado para presídios distantes do local onde sua família vive. É o caso de presos que são encaminhados, por exemplo, aos presídios de segurança máxima no interior de São Paulo.6. O juiz pode se negar a autorizar trabalho externo para um condenado em regime semiaberto? Sim. A Lei de Execução Penal não prevê o trabalho externo como um direito automático dos condenados em regime semiaberto. Para pedir o benefício, o condenado precisa apresentar carta com proposta de emprego na unidade prisional onde estiver cumprindo pena. O presídio encaminhará uma assistente social ao local do emprego para fazer um relatório sobre as condições de trabalho. Por lei, o trabalho externo só é autorizado quando o condenado tiver cumprido, no mínimo, um sexto da pena, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem jurisprudência que autoriza o trabalho independentemente deste cumprimento. O Supremo Tribunal Federal (STF), entretanto, tem decisões em sentido contrário exigindo a comprovação de cumprimento prévio de parte da sentença.7. Em que circunstâncias um condenado pode utilizar tornozeleira eletrônica? O juiz, a seu critério, pode decidir se um condenado que cumpre pena nos regimes semiaberto ou domiciliar deve ser fiscalizado por meio de tornozeleira ou colar eletrônico. As tornozeleiras devem ser equipadas de sistemas GPS, blindadas e à prova de fogo e de água. No caso dos condenados no mensalão, a tornozeleira eletrônica pode ser usada para evitar que seja necessário deixar policiais federais na vigilância dos detentos.8. Que tipo de trabalho o condenado pode fazer na prisão? E em regime semiaberto? Cabe ao juiz analisar subjetivamente que atividades podem ser desenvolvidas pelo condenado, desde que as atividades tenham dever social e respeitem a dignidade humana. O trabalho do detento tem de necessariamente ter finalidade educativa e produtiva. O condenado pode trabalhar enquanto cumpre pena, inclusive em regime fechado, sendo remunerado por isso. A cada três dias de trabalho, o preso tem direito a redução de um dia da pena. A jornada é de seis a oito horas diárias, com descanso aos domingos e feriados. O trabalho externo é permitido para presos em regime fechado somente em obras públicas ou empreendimentos de entidades privadas, desde que tomadas cautelas contra fugas. A Lei de Execução Penal não traz orientação expressa sobre o trabalho dos condenados em regime semiaberto, mas cabe ao juiz autorizar ou não que o detento exerça atividade externa.Para a elaboração das respostas, o site de VEJA se baseou na Lei de Execução Penal, em documentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e ouviu dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além do ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior e do ex-presidente do STF Carlos Velloso.21/11/2013
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
A carta da “troika” “Dirceu-Delúbio-Genoino” de ódio à democracia. Ou: Um sotaque bolchevique para três corruptores
Por Reinaldo Azevedo
Nunca antes na história destepaiz o crime foi tão digno, tão senhor de si, tão cheio de honra. José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares insistem na farsa de que são presos políticos. Resolveram redigir uma carta, em lulês, a língua que se fala por lá, tornada pública por advogados. Dizem não aceitar “humilhação” e preferir o “risco e a dignidade”. O que isso quer dizer? Ora, nada! Trata-se apenas da demonização da Justiça. Os petistas estão tentando ver se o “povo” sai às ruas em defesa do crime. Até agora, não aconteceu. Abaixo, seguem os garranchos da “troika” de ódio ao estado de direito e à democracia. O que é “troika”? É “trinca”, “trio”, “grupo de três coisas semelhantes”. Escolhi a palavra russa para dar à coisa um sotaque bolchevique. É a carta-testamento de três corruptores e, por enquanto ao menos, três quadrilheiros. Mais uma vez, tentam pegar uma carona em Getúlio Vargas. É patético. Mas não creio que corram o risco de terminar como aquele, não é? Getúlio foi ao extremo porque era do tipo que acreditava na própria farsa. O petismo resolveu reviver o mito como comédia.
19/11/2013
Mentor do escândalo dos dólares na cueca e irmão do mensaleiro Genoino, José Nobre ameaça o STF
Sem limites
Por admin
Parte do processo do Mensalão do PT chegou ao fim com a prisão dos envolvidos no esquema criminoso de compra de parlamentares através de mesadas, pagas com dinheiro público desviado do Banco do Brasil, mas a ousadia continua a jorrar das entranhas do maior escândalo de corrupção da história nacional.
Certos de que a Ação Penal 470 terminaria como piada de salão, como afirmou o mensaleiro Delúbio Soares, os petistas condenados insistem em defender a tese de que são presos políticos e que o julgamento foi de exceção. Estratégia imunda e rasteira, típica de quem se envolve em casos de corrupção apostando na impunidade.
Abusando da vitimização na esteira de uma cardiopatia, o ex-presidente nacional do PT, José Genoino, quer cumprir a pena em prisão domiciliar por causa dos problemas de saúde. Trata-se de um direito do apenado que a Justiça deve analisar, como já providenciou o ministro Joaquim Barbosa, mas não custa destacar que para um cardiopata, que recentemente submeteu-se a cirurgia na aorta, Genoino está com a circunferência abdominal extremamente avantajada. Situação que não condiz com quem sofre de hipertensão.
Ademais, alguém que está com a saúde debilitada não encontra disposição para espetáculos midiáticos, como foi o momento em que cerrou o punho à porta da sede da Polícia Federal, em São Paulo, como se estivesse repetindo um gesto tipicamente bolchevique.
O ápice do absurdo nessa epopeia ficou por conta do deputado federal José Nobre Guimarães (CE), líder do PT na Câmara, irmão de Genoino. Mentor do escândalo dos dólares na cueca, Guimarães disse que sua família processará o Supremo Tribunal Federal, na pessoa do presidente Joaquim Barbosa, caso aconteça algo grave com José Genoino no cárcere. José Nobre Guimarães precisa compreender que o irmão não está passando uma temporada em SPA de luxo, mas cumprindo pena de prisão por envolvimento em corrupção e outros quesitos penais.
Se antes de colocar o pé no avião da Polícia Federal (o camburão com asas), que o levou de São Paulo a Brasília, José Genoino era um cidadão comum como outro qualquer, sujeito às garras da lei, agora que está na condição de presidiário essa condição de isonomia é ainda mais latente. No cárcere, os únicos itens do currículo levados em conta são os crimes cometidos pelo apenado. Fama e concentração de poder ficam retidas na porta do presídio.
O que os brasileiros não devem aceitar de forma passiva é que um cidadão como José Nobre Guimarães, representante do partido responsável pelo período mais corrupto da história nacional e envolvido em um escândalo bizarro, dê lições de moral e ameace o Judiciário, como se no País não existissem leis capazes de coibir tais abusos. O Judiciário precisa abandonar a frouxidão, assumir o seu papel de poder republicano constituído e fazer valer a lei, não sem antes manter a ordem.
19/11/2013
No Dia da República, o Brasil lembrou um país em que todos são iguais perante a lei
No vídeo de 5:11 , o Implicante resumiu a enorme relevância histórica do 15 de Novembro de 2013 com uma sequência de contrapontos entre a luz e a treva, a verdade e a mentira, a honestidade e a corrupção, a honradez e a indecência, a Justiça e o crime.Por Augusto Nunes
No Dia da República, para surpresa dos muito céticos e para assombro dos muito cínicos, a prisão dos quadrilheiros do mensalão, transmitida ao vivo pela TV, fez o Brasil ficar parecido, ao menos por algumas horas, com países onde todos são iguais perante a lei.
Arrogantes, presunçosos, atrevidos, os bandidos de estimação dos donos do poder só conseguiram acreditar que lhes fora confiscado o direito à perpétua impunidade depois de confrontados com os mandados expedidos pelo ministro Joaquim Barbosa e entregues por agentes da Polícia Federal.
Se soubessem ouvir os gritos do silêncio, teriam escutado nitidamente a voz de prisão berrada em coro por milhões de brasileiros que ─ apesar de tudo, apesar de tantos, apesar de todos ─ permaneceram agarrados à crença de que ainda há juízes no Brasil.
Os integrantes da resistência democrática venceram, e o triunfo pertence a todos: tanto aos que nunca perderam a fé quanto aos que sucumbiram a compreeensíveis surtos de ceticismo (e agora sabem que é preciso combater o bom combate sobretudo em tempos especialmente sombrios).
Nenhuma noite é suficientemente longa para assassinar a manhã. Demorou oito anos, mas os bandidos conheceram a insônia de cadeia. É muito mais opressiva, perturbadora, aguda. É também bastante pedagógica.
O Brasil, obviamente, não foi transferido para o Primeiro Mundo depois deste 15 de Novembro.
Mas soube que é possível ficar bem melhor no curto espaço de um dia.
Os brasileiros vão aprendendo que o país será o que eles quiserem.
Períodos históricos são frequentemente estrelados por farsantes.
Mas o protagonista é sempre o povo.
Ele é o condutor, desde que seja capaz de pensar, refletir, escolher; decidir.
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Papudos na Papuda
Por Reinaldo Azevedo
Ai, Ai…
Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay — que, até onde se sabe, não é advogado de José Dirceu no caso do mensalão — foi visitar o herói na Papuda. E saiu de lá com a seguinte avaliação, segundo informam Severino Motta e Flavia Foreque, na Folha Online: Dirceu está “altivo, lúcido e conversando sobre tudo”. Ora, por que não estaria? Foi torturado, por acaso? Ou espancado pelos outros presos? Fora o banho frio — que, entendo, pode tirar qualquer um do eixo —, que outra agrura sofreu a ponto de perder a razão, que é a alternativa oculta na fala de Kakay?
Com a retórica tão coruscante como as gravatas que costuma exibir, Kakay transforma Dirceu numa personagem além-do-humano, num super-homem: “Ele é feito de outro material. Não se verga, é muito forte”. Fico cá a me perguntar o que, nesse caso, seria vergar-se. A Papuda vai se transformar também no reduto dos papudos.18/11/2013
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Mensalão do PT: livre é a manifestação do pensamento, mas prisão de corruptos não é reality show
(*) Ucho Haddad
Determina a Constituição Federal de 1988 que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato” (Artigo 5º, Inciso IV). Essa garantia constitucional é um dos importantes pilares da democracia, que como tal não apenas garante o livre pensar, mas possibilita o direito ao contraditório. Ninguém é obrigado a concordar com a opinião alheia, mas o discordante não tem o direito de achincalhar com a dignidade e a honra daquele cujo pensamento é diverso. É preciso saber conviver com a divergência, sob pena de a sociedade existir à sombra de uma eterna ameaça.
O grande segredo da democracia é conseguir equilibrar os contrapontos, as forças contrárias, mas o que se desenha na esteira da prisão dos protagonistas do maior escândalo de corrupção da história nacional é exatamente o oposto. Em algumas matérias sugeri aos leitores que acolhessem com parcimônia a decisão do STF de prender de imediato uma dúzia de mensaleiros condenados na Ação Penal 470. Tal sugestão tinha como base dois pontos muito claros, pelo menos para mim: 1 – Nenhum ser humano deve comemorar o calvário alheio. 2 – O Brasil deu apenas um passo na dura caminhada que é e será o combate à corrupção.
Enquanto milhões de brasileiros se deram por satisfeitos com a decisão judicial que era esperada com desconfiança, outros tantos continuam afirmando que o julgamento da Ação Penal 470 foi de exceção e influenciado pela imprensa nacional. Cantilena conhecida e repetida à exaustão pelos inconformados. Cada um é livre para acreditar naquilo que lhe convém, até porque, como dizia Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Considerando que inexistem regras para a classificação do que é mentira e do que é verdade, cada qual faz de acordo com seu entendimento, quiçá faça em consonância com sua necessidade.
Não estou a defender os mensaleiros, condenados em processo legítimo e que tramitou dentro dos parâmetros da democracia e da legalidade, mas propondo que vencedores e vencidos mantenham a coerência diante dos fatos. Negar o inegável é utópico, mas há quem o faça por entender ser esse o melhor dos caminhos. Troca de farpas, como tem ocorrido nas últimas horas, em nada ajudará na dura batalha que a nação tem contra os corruptos. Réplica e tréplica são bem-vindas, desde que não caiam na esparrela da briga de rua.
A maioria dos que já estão atrás das grades sabe onde e por qual razão errou, mas por questões político-ideológicas é preciso negar os fatos até o último suspiro. Afinal, em jogo está não apenas a liberdade de cada um dos condenados, mas interesses partidários atrelados a cifras inimagináveis. Essa questão é muito simples. Se os petistas condenados no processo do Mensalão aceitassem passiva e silenciosamente a decisão judicial, o Partido dos Trabalhadores sofreria um golpe muito mais duro do que já sofre. De tal modo, é preciso bradar teses esdrúxulas como a da prisão política, do julgamento arbitrário, da manipulação da mídia, pois só assim é possível evitar uma perda considerável de eleitores. Há pouco mais de uma década no poder, o PT aparelhou o Estado “como nunca antes na história deste país”. Isso significa dinheiro e poder, algo que ninguém pensa em abrir mão.
O Mensalão do PT existiu e todos sabem disso. O Ministério Público Federal identificou a existência do criminoso esquema palaciano, confirmado pela mais alta instância do Judiciário nacional. Além disso, o ministro da Justiça, o petista José Eduardo Martins Cardozo, reconheceu a existência do Mensalão, que em seus primeiros capítulos levou o então presidente Lula a pedir desculpas ao povo brasileiro. Ora, ninguém se desculpa por algo que não cometeu. Ou será que Lula já não goza da plenitude de suas faculdades mentais?
Não aceito que integrantes da “esquerda caviar” ousem apontar o indicador na direção de um ou de outro, como se fossem os derradeiros donos da verdade. Que contentem-se com a própria indignação, ecoando-a aos bolhões, mas que não pensem em impor aos de opiniões contrárias resignação diante de um crime sem precedentes. Muitos esquerdistas de plantão, que por certo nada mais têm a fazer do que rebater as críticas dirigidas ao partido do Mensalão, insistem em comparar financeiramente o esquema de compra de parlamentares com outros escândalos de corrupção que marcaram a história brasileira. O Mensalão do PT precisa ser analisado não apenas pelo volume de dinheiro público desviado, mas pela ousadia do plano, que entre tantos objetivos tinha a arrecadação de R$ 1 bilhão, montante que permitiria ao partido avançar sobremaneira com seu projeto totalitarista de poder.
É inerente à acusação ou à condenação a alegação de inocência por parte do réu, mesmo que as provas apontem na direção contrária. Cabe à Justiça o dever constitucional de julgar com isenção e com base na legislação vigente, não se deixando influenciar pela opinião pública ou por grupelhos de pseudopoderosos, pois sua folclórica cegueira precisa, algum dia, se fazer real e verdadeira.
Depois de cinco séculos, o Brasil, pela primeira vez, começa a enxergar em horizonte distante que a lei não foi feita só para os desvalidos. Contudo, é absurdo tratar os mensaleiros presos como celebridades. Sentenças transitadas em julgado, os condenados no processo do Mensalão do PT devem receber o mesmo tratamento dispensado aos milhares de presos existentes no País. Qualquer regalia deverá ser considerada ilegalidade, devendo ser punido aquele que permitir privilégios, uma vez que reza a Carta Magna, de forma cristalina e inconteste, que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Cumpra-se a lei, nada mais.
O que os advogados dos presos tentam, com rapapés jurídicos e declarações contundentes – tudo absolutamente legítimo e aceitável –, é tentar influenciar o Judiciário para que eventuais solicitações sejam atendidas de pronto. Isso faz parte do exercício da advocacia, apesar de quem fala demais normalmente perde a razão. Os presos em questão devem ter os direitos garantidos e respeitados, mas não se pode esquecer que, nesse caso específico, o cárcere é decorrência do crime de corrupção e outros badulaques penais. Ninguém foi preso porque estava a comungar na igreja da esquina.
A perda da liberdade não é coisa fácil, até mesmo para o mais profissional dos criminosos. Ser livre é condição nata do ser humano, que reage das mais distintas formas quando perde o seu direito de ir e vir. Querer que o caso desapareça subitamente do noticiário é o mesmo que acreditar em cegonha, mas os veículos de comunicação deveriam tratar esse capítulo da história brasileira com a devida responsabilidade. O que a maioria dos órgãos midiáticos vem fazendo é abusar do sensacionalismo, como forma de aumentar os índices de audiência e o número de leitores, mas essa atenção redobrada não se vê quando o preso é um cidadão comum.
Destaco, por considerar de suma importância, que a régua usada no cárcere para avaliar o preso deve ser igual para todos que estão no sistema penitenciário brasileiro. De tal modo, que a imprensa tupiniquim não queira transformar o cotidiano prisional dos mensaleiros em “reality show”, repercutindo as declarações dos corruptos encarcerados, pois de embustes o Brasil está repleto e cansado.
(*) Ucho Haddad é jornalista político e investigativo, analista e comentaristapolítico, cronista esportivo, escritor e poeta.
domingo, 17 de novembro de 2013
De punhos cerrados
Blog do Noblat
Vítimas da elite, ícones da luta democrática, guerreiros do povo, heróis injustiçados. Foi assim, com a mesma desfaçatez com que chamou o mensalão de caixa dois ou piada de salão, que a tríade petista José Dirceu-José Genoíno-Delúbio Soares se apresentou para iniciar o cumprimento das penas impostas pelo STF. Um tiro de risco, próximo da culatra, que atende parte da militância e esbofeteia todo o resto.
Se os punhos cerrados e as estocadas na Suprema Corte agradam parcela dos petistas, inflam a indignação dos que passam longe dela. Pior: posam de democratas, mas agridem a Justiça, um dos pilares da democracia, considerando sua instância máxima tribunal de exceção.
A reação do trio pareceu ensaiada. Na sexta-feira, logo após a expedição do mandato de prisão, Delúbio publicou vivas ao PT em artigo no site Brasil247. Genoino, por meio de nota, e Dirceu, em o que chamou de “carta aberta ao povo brasileiro”, se colocaram como presos políticos, como se o País vivesse dias de chumbo.
José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares - condenados do mensalão
E ambos jogaram farpas na mídia, culpando-a pelo resultado do julgamento, como se houvesse conluio entre o STF as elites, sabem-se lá quais. Não devem ser as mesmas que fizeram de Dirceu um dos consultores mais bem pagos do país, queridinho da nata empresarial.
A carta aberta de Dirceu é um primor. Inverte-se a lógica, inventam-se argumentos, culpam-se outros, mente-se. Descaradamente.
O ex-ministro diz que vai cumprir tudo que a Justiça e a Constituição determinam. Mas, muito além de lamentações admissíveis em um condenado que apela por inocência, faz acusações gravíssimas ao STF. Afirma que foi condenado “sem ato de oficio ou provas, num julgamento transmitido dia e noite pela TV, sob pressão da grande imprensa.” Que sua condenação teve como base a teoria do domínio do fato, “aplicada erroneamente pelo STF”.
Chega ao absurdo de comparar a prisão de agora, fruto da condenação por malversação do dinheiro público e apropriação do Estado em favor de seu partido, com a da luta contra a ditadura. No caso dele, é bom lembrar, uma luta não em prol da democracia, mas por outra ditadura, a do proletariado. Ainda assim, pratica com destreza o ludibrio ao dizer que esta será a segunda vez na vida que pagará com a prisão por cumprir seu papel no “combate por uma sociedade mais justa e fraterna”.
Em favor de Dirceu, diga-se, sua prisão contribui, sim, para uma sociedade mais justa, em que poderosos e não só pobres vão para a cadeia.
Em um País que tarda e falha em honrar a balança e os olhos vendados da deusa Têmis, a prisão dos mensaleiros é colírio.
Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa dogovernador Mario Covas. Atualmente trabalha na agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa'. Escreve aqui aos domingos. Twitter: @maryzaidan, e-mail: maryzaidan@me.com
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