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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Aprovação do governo Dilma cai para 31%, revela pesquisa especial CNI-Ibope



Aumenta o número de brasileiros que desaprovam a maneira da presidente governar e dos que confiam em Dilma.

As áreas com as piores avaliações são saúde, segurança pública e educação


A inflação e as manifestações populares derrubaram a popularidade do governo Dilma Rousseff.

O percentual de pessoas que consideram o governo como ótimo ou bom caiu de 55% em junho para 31% neste mês, informa a Edição Especial da Pesquisa CNI-Ibope, divulgada nesta quinta-feira, 26 de julho, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O número de brasileiros que avaliam o governo como ruim ou péssimo também é de 31%.

A popularidade do governo é melhor na Região Nordeste, onde 43% dos entrevistados consideram o governo ótimo ou bom. Na Região Sudeste, esse percentual cai para 24%.


O levantamento, feito com 2.002 pessoas entre 9 e 12 de julho, mostra que a aprovação dos brasileiros em relação à maneira de governar da presidente também caiu de 71% em junho para 45% em julho.

O número de entrevistados que desaprovam a maneira da presidente governar alcançou 49% e supera o percentual de aprovação.


Além disso, a pesquisa revela que o percentual da população que confia na presidente Dilma caiu 22 pontos percentuais em relação a junho e ficou em 45% em julho, menor do que os 50% que disseram não confiar na presidente.

“A queda na popularidade da presidente também se refletiu na comparação entre seu governo e o do ex-presidente Lula”, avalia a CNI-Ibope.

Entre os entrevistados, 46% consideram o governo Dilma pior do que o de Lula e 42% acham que os dois governos são iguais. Apenas 10% consideram o governo Dilma melhor que o de Lula.


ÁREAS DE ATUAÇÃO - Na avaliação dos brasileiros, as áreas em que o governo federal tem a pior atuação são saúde (71%), segurança pública (40%) e educação (37%). As três áreas em que o governo apresenta melhor desempenho são: habitação e moradia (28%), fome e miséria (23%) e capacitação profissional (22%).

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.


25 de julho de 2013



quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ciro Gomes: ‘Dilma pilota uma aliança assentada na putaria’






O Globo
Em entrevista a rádio, ex-ministro chama ainda presidente de ‘arrogante’ e ‘inexperiente’

RIO - O ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) optou, na manhã desta terça-feira, por usar termos chulos para atacar adversários políticos. Depois de já ter dito que o PMDB era um “ajuntamento de assaltantes”, ele voltou à carga.

Desta vez, Ciro disse, em entrevista ao programa da rádio Verdinha AM, do Ceará, que a presidente Dilma Rousseff “pilota uma aliança assentada na putaria”.

Além de criticar a base aliada, Ciro fez duras críticas à presidente. Ciro chega a chamá-la de “arrogante” e “inexperiente”.


- Incrível a Dilma convocar uma rede de televisão e falar quase dez minutos para não dizer absolutamente nada. Inventar uma lambança de uma Constituinte exclusiva para fazer uma reforma política. Nenhum cartaz na rua pedindo reforma política, embora seja uma agenda emergente (...) Depois trocar os pés pelas mãos nesse negócio dos médicos (programa Mais Médicos) - dispara.

Ciro diz ainda que a presidente tem que fazer uma “reforma profunda do ministério” e cortar pastas da administração.

- A Dilma não é uma má pessoa. É uma pessoa decente, trabalhadora. Ela é meio arrogante e muito inexperiente. Muito, muito, muito inexperiente. Ou seja: isso já tava dito. Eu cansei de falar muitas vezes... e cercada de gente de quinta categoria. Esse é o grande problema. Pilotando uma aliança que é assentada na base da putaria - diz ele.
                       23/07/13


O papa e o palanque de Dilma



Fiel à ideia, por ela mesma proclamada, de que em campanha eleitoral é permitido fazer "o diabo", a presidente Dilma Rousseff transformou seu encontro protocolar com o papa Francisco num ato de palanque
O Estado de S.Paulo

Esse comportamento condiz perfeitamente com um governo fundado em artimanhas marqueteiras e disposto a fazer de tudo para recuperar a popularidade perdida.

Em lugar de dirigir algumas palavras de boas-vindas ao papa e desejar-lhe sucesso na Jornada Mundial da Juventude, Dilma fez um discurso mais longo que o do próprio pontífice, o que já foi, em si, um despropósito. Em seu pronunciamento, a presidente Dilma Rousseff empenhou-se não em recepcionar o papa, mas em explorar a figura do pontífice para fazer o elogio dos governos lulopetistas e reafirmar sua missão quase mística de salvar os miseráveis de todo o mundo.

"O Brasil muito se orgulha de ter alcançado extraordinários resultados nos últimos dez anos na redução da pobreza, na superação da miséria e na garantia da segurança alimentar à nossa população", discursou Dilma, reafirmando o evangelho petista segundo o qual só houve avanços sociais "nos últimos dez anos" e que, antes disso, só havia trevas.

Investida da condição de missionária, Dilma destacou também que seu governo "tem buscado apoiar a disseminação das experiências brasileiras em outros países", como o Bolsa Família, o programa assistencialista que deveria ser apenas temporário, mas que vai se perpetuando graças à incapacidade do governo de criar condições para que seus beneficiários possam dele abrir mão.

Em seguida, a presidente achou adequado convidar Francisco a integrar uma "ampla aliança global de combate à fome e à pobreza, uma aliança de solidariedade, uma aliança de cooperação e humanitarismo", naturalmente liderada pelo messianismo lulista.

A título de dar razão à voz dos jovens que saíram às ruas em protestos, Dilma tornou a dizer que as manifestações foram o efeito da melhoria de vida dos brasileiros, pois "inclusão social provoca cobrança de mais inclusão social, qualidade de vida desperta anseios por mais qualidade de vida". E então a presidente e candidata à reeleição fez escancaradas promessas de campanha: "Para nós, todos os avanços que conquistamos são só um começo. Nossa estratégia de desenvolvimento sempre vai exigir mais, tal como querem todos os brasileiros e todas as brasileiras. Exigem de nós aceleração e aprofundamento das mudanças que iniciamos há dez anos". Só faltou entregar um santinho a Francisco e pedir-lhe voto.

O contraste com o sereno discurso do papa acentuou ainda mais o deslocamento da fala eleitoreira de Dilma. Em seu rápido pronunciamento, Francisco não fez menção aos protestos nas ruas nem a questões políticas, preferindo dirigir-se aos jovens e deixando claro que sua visita tem caráter eminentemente religioso. Ele disse que a juventude é "a janela pela qual o futuro entra no mundo" e cobrou de sua geração que dê aos jovens condições para seu pleno desenvolvimento intelectual, material e moral.

"Não trago nem ouro nem prata", disse Francisco, repetindo fala de São Pedro, o primeiro papa, para enfatizar o despojamento de seu papado e a necessidade de retomar a essência dos valores espirituais. Segundo o Vaticano, essa mensagem norteará os discursos de Francisco sobre temas políticos, nos quais refutará "a opressão de interesses egoístas".

Em outras oportunidades, quando ainda era o cardeal Jorge Mario Bergoglio, o papa já criticou a substituição da política pela mera propaganda. "Endeusamos a estatística e o marketing", disse Bergoglio, no que poderia ser uma descrição dos governos lulopetistas. Para ele, "seria necessário distinguir entre a Política com P maiúsculo e a política com P minúsculo".

Como Francisco deve ter percebido logo em seu primeiro dia no Brasil, é longo o caminho para o resgate da política como atividade nobre, para, em suas palavras, acentuar valores "sem se imiscuir na pequenez da política partidária".
24 de julho de 2013

domingo, 21 de julho de 2013

Imagina no Leblon: o desfiladeiro de Sérgio Cabral



Como o governador do Rio se tornou o alvo principal dos manifestantes, um mês depois de iniciados os protestos e com passeatas esvaziadas no resto do país

João Marcello Erthal e Cecília Ritto
Veja.com
 

Governador Sérgio Cabral é o mais atacado nos protestos do Rio de Janeiro
(Marcelo Fonseca/Folhapress)

Diante do crescimento dos protestos, o governador acusou uma “antecipação de campanha” nociva ao Rio de Janeiro. O primeiro a levantar bandeiras para 2014, no entanto, foi o próprio PMDB, com o prefeito reeleito Eduardo Paes anunciando Pezão como pré-candidato já no discurso de comemoração ao resultado das urnas em 2012

Passado um mês do início dos protestos pela redução das passagens de ônibus, o Rio de Janeiro mantém, no eixo entre o Leblon e o Palácio Guanabara, um foco permanente de manifestações. Os endereços de residência e trabalho do governador Sérgio Cabral são os pontos de encontro de grupos que pedem desde o cancelamento da Copa do Mundo de 2014 até a suspensão das concessões de linhas de ônibus na cidade – dois assuntos fora da alçada de decisão do Executivo do estado.

O desfiladeiro da popularidade do peemedebista reeleito em primeiro turno em 2010, com a maior vantagem já obtida em uma eleição para o governo (66%), começou a ser cavado ainda em 2011, quando um acidente de helicóptero expôs a proximidade com o empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta e detentor de contratos milionários com o governo.

Menos de um ano depois, o mesmo empresário apareceu em fotos de uma viagem a Paris ao lado do governador e seu primeiro escalão, no episódio que ficou conhecido como o escândalo dos guardanapos.

Desde então, a visibilidade dos grandes eventos no Rio, palco da final da Copa das Confederações, e as críticas à atuação da Polícia Militar aumentaram o abismo entre o Guanabara e a rua – separados atualmente por duas fileiras de alambrados.

“O mandato do governador do Rio se fragilizou com a exposição de questões éticas e morais. E a pauta das ruas passa justamente por essas duas questões. Cabral encarnou isso e tornou-se o principal alvo dos manifestantes”, explica o sociólogo Paulo Baía, da UFRJ, que estuda há seis anos demandas por reconhecimento, direito e respeito que parte de ações nas ruas.

Baía aponta a ausência do governador como uma falha na estratégia adotada por Cabral para lidar com os protestos. “Nos outros estados, governadores e prefeitos foram rápidos em tomar algum tipo de medida para oferecer algum tipo de resposta.

A Câmara, o Senado e a Presidência foram pelo mesmo caminho. Cabral não, e acabou perdendo base no setor que mais o apoiava, a classe média mais abastada”, analisa. Cabral optou por ficar fora de um momento decisivo da reação aos protestos.

Apesar de escalado para anunciar, ao lado do prefeito Eduardo Paes, a redução nas tarifas de transporte interestadual, preferiu não aparecer, deixando para o afilhado político o anúncio.

Rompeu, assim, o combinado entre os governantes do Rio e de São Paulo, onde o prefeito petista Fernando Haddad comunicou o recuo no reajuste ao lado do governador Geraldo Alckmin.

Cabral não foi o único com dificuldade de entender o grito das ruas. Mas algumas declarações infelizes indicam um descompasso com o tom dos protestos.

Quando vieram à tona as viagens diárias do governador no helicóptero do estado, usado também para levar família, empregados e o cachorro Juquinha para os fins de semana em Mangaratiba, ele se defendeu alegando não ser o único.

“Não sou o primeiro a fazer isso no Brasil. Outros fazem também, e faço de acordo com o cargo que eu ocupo. Não é nenhuma estripulia”, afirmou.

Naquele momento, como agora, os manifestantes interpelaram os governantes não só pelo que consideram ilegal, mas pelos abusos que parecem ‘acobertados’ pela legalidade.

“No primeiro mandato, as notícias sobre Cabral eram positivas. E ele tem mérito: trouxe de volta a autoestima do estado. No segundo mandato, no entanto, lutas políticas fizeram vazar questões antiéticas, com a exposição de uma simbiose entre as esferas pública e privada”, diz Baía.

Charge






Amarildo

A visita do papa Francisco




"Ide e fazei discípulos entre as nações"

 
O Estado de S.Paulo

O papa Francisco chega amanhã ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, ocasião que está sendo considerada como uma espécie de estreia de um pontificado voltado para a recuperação do papel destacado da Igreja Católica na defesa dos mais pobres e na denúncia das desigualdades sociais.

Com essa disposição, o papa encontrará no Brasil uma audiência especialmente sensível, em meio a protestos por melhores condições de vida e contra a corrupção.

A imagem de um pontífice humilde e genuinamente interessado nos necessitados está sendo cultivada desde a eleição do cardeal Jorge Mario Bergoglio, em 13 de março, e afirmada na escolha do nome - homenagem a São Francisco de Assis, aquele que se dedica aos mais pobres dentre os pobres.

A atenção especial aos desassistidos deverá marcar esta que é a primeira viagem internacional de Francisco e que, portanto, está tomada de expectativa mundial.

O fato de que o papa falará aos jovens é especialmente importante. A mensagem central de Francisco, segundo a qual as considerações de caráter estritamente econômico não podem ser mais valorizadas do que o ser humano, tem o potencial de ir além do rebanho católico, pois é de natureza universal. Trata-se de um convite para que os jovens de todas as crenças se engajem na tarefa de superar as desigualdades.

Em 2007, na Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em Aparecida (SP), o então cardeal Bergoglio supervisionou a redação de um documento que atacou a "avidez do mercado" e a ideia de que a felicidade está no bem-estar econômico e na "satisfação hedonista".

Agora como papa, Bergoglio terá a oportunidade de enfatizar essa crítica, e a Igreja acredita que ela será bem recebida, porque as recentes manifestações de rua no Brasil e em outras partes do mundo, protagonizadas justamente pelos jovens, indicam maior consciência social.

As palavras de Francisco têm sido acompanhadas de atitudes firmes e autênticas. No início de julho, o papa foi a Lampedusa, ilha italiana que é o ponto de passagem para os milhares de imigrantes ilegais que, vindos da África e do Oriente Médio, tentam entrar na Europa. Foi o primeiro pontífice a fazê-lo. Ao lembrar que centenas de pessoas já morreram em naufrágios na região e que outras tantas se encontram na ilha sem conseguir completar a jornada rumo a uma vida melhor, Francisco disse que "ninguém chora esses mortos" e lamentou que o mundo tenha perdido "o sentido da responsabilidade fraterna".

O gesto indicou que o papa não se furtará a tratar de questões espinhosas, como a imigração e a economia, se isso for necessário para a defesa daqueles que são esquecidos. A busca enfática por justiça social reposiciona a Igreja no momento em que ela tenta se recuperar de diversos escândalos internos e reduzir o distanciamento que marcou o pontificado de Bento XVI, de modo a estancar a sangria de fiéis.

O Brasil é, nesse sentido, um caso de particular preocupação para o Vaticano. No maior país católico do mundo, o número daqueles que se declaram católicos caiu de 83% para 68% entre 1991 e 2010. Já os evangélicos saltaram de 9% para 20% no mesmo período.

Mesmo sem abrir mão das convicções doutrinárias - não se prevê que essa "revolução franciscana" faça concessões à Teologia da Libertação ou altere a posição do Vaticano sobre aborto e casamento entre homossexuais -, o papa espera sensibilizar os desgarrados, demonstrando que a Igreja, sob sua direção, está atenta a seus problemas e disposta a concentrar esforços para superá-los.

Nessa estratégia, cada gesto do papa conta. Por essa razão, o Vaticano já mandou avisar que Francisco dispensa proteção extraordinária em sua visita ao Brasil, pois quer estar o mais perto possível das pessoas.

A Jornada Mundial da Juventude, cujo tema é "Ide e fazei discípulos entre as nações", é a tradução mais importante, até aqui, desse momento de transição da Igreja. Com a mobilização proporcionada pelo carismático Francisco, a intenção é provar que é possível renová-la, apelando para a simplicidade.
21 de julho de 2013

O fantasma da órfã

A propalada truculência da presidente está virando folclore e em lugar de força, mais parece denunciar exasperação impotente


POR JOÃO UBALDO RIBEIRO

O GLOBO

Atribuem ao presidente Kennedy a observação de que a vitória tem muitos pais, mas a derrota é órfã.

Melancólica verdade, sobretudo na política, que sempre a confirma sem perdão, bastando ver como as mãos políticas que hoje afagam são as mesmas que ontem apedrejavam e vice-versa.

Em nosso caso, temos ainda uma tradição de adesismo por que zelar, bem como a prevalência do Sonho Brasileiro, que é descolar uma mamata vitalícia em algum lugar do governo ou do estado, porque aqui governo e estado são a mesma coisa.

Entra um governo novo e declara “o estado é nosso e só faz o que nós queremos”.

Isso torna impossível a realização do sonho sem que o sonhador abandone o inditoso derrotado e passe para o lado do futuroso vencedor.

Suponho que devemos encarar essas coisas com compreensão e até caridade, pois o pessoal está apenas querendo sobreviver e subir na vida, é natural.

Vários outros princípios e paradigmas de conduta estão também envolvidos na questão, entre os quais sobressai o “farinha pouca, meu pirão primeiro”, farol ético que parece nortear nossa formação coletiva, tal o vigor com que se evidencia no comportamento de nossos governantes.

Às vezes penso que a frase devia constar de algum emblema nacional, é muito injusto que não receba o reconhecimento merecido.

No momento, a farinha ainda não está propriamente pouca, mas há sempre os previdentes, que não querem deixar seu pirão aos cuidados do acaso. Melhor tratar de farejar os ares e descortinar por onde anda a temível assombração da derrota, para ir-se afastando dela quanto antes.

Não sei se já começou a debandada, mas acho que pelo menos há alguns sinais dela, difusos nos noticiários e comentários políticos.

O moral do governo não parece andar muito alto. O saco de gatos dos ministérios é um espetáculo triste, desanimado, desarvorado e sem aparentar saber muito para onde ir, ou o que fazer.

Ninguém — arrisco-me a dizer que nem mesmo a presidente — é capaz de lembrar todos os ministérios e muito menos todos os ministros.

Sabe-se que muitos destes se esgueiram obscuramente pelos corredores e salas dos fundos do poder, sem sequer terem a chance de dar um bom-dia à presidente, quanto mais de despachar alguma coisa.

Fica aquela pasmaceira, interrompida por momentos de falatório vago e repetitivo, que não prenunciam nada de importante. E há, seguramente, ministros que, se perguntados de surpresa, não saberão bem o que fazem suas pastas, acrescido o pormenor de que vários ministérios, ou grande parte deles, não fazem nada mesmo, a não ser dar despesa.

A reação às manifestações de rua mostrou um esforço atarantado para manter a aparência de calma, equilíbrio e controle da situação, quando era visível que não havia nada disso e estava todo mundo de olho arregalado e sem saber o que dizer ou, pior ainda, fazer.

Comentou-se em toda parte que, como já teria acontecido antes com frequência, a presidente peregrinou ao ex-presidente, para saber dele como agir, porque ela mesma não fazia ideia, o que vem sublinhando a imagem de despreparo e insegurança mal articulada que ela cada vez mais projeta.

Ouvidos também os vizires do momento, saiu do Planalto uma voz chocha e pouco inspiradora, naquele tom de professora repetindo uma aula decorada a contragosto e sem nenhum entusiasmo ou até confiança, propondo absurdos, tentando espertezas quase amadorísticas e, em última análise, mostrando a incompetência do esquema que a rodeia.

A tal governabilidade, que tanto mal tem produzido, tão pouco bem tem causado e nunca funcionou direito, servindo basicamente para o intricado jogo das nomeações, colocações, favores e outros objetivos dos nossos homens públicos, está cada vez mais caindo pelas tabelas.

Todo dia um cai fora, outro proclama dissidência e independência, formam-se alas e subalas, o rebuliço surdinado é grande. A turma da base aliada, que sempre deu trabalho e aporrinhação e nunca agiu pelos belos olhos da nação, começa a enxergar um governo fraco e a querer distância dele, ainda mais com as ruas pressionando.

A corte continua lá, o ex-presidente continua lá, mas é de se acreditar que, de agora em diante, a solidão da presidente vai agravar-se.

A inflação está voltando e as negativas e bravatas das autoridades não convencem, diante da realidade dos preços. As declarações otimistas do ministro da Fazenda são recebidas quase com deboche.

O crescimento é minguado, e a economia cambaleia cada vez mais e o governo caracteriza seu comportamento por ações meramente conjunturais e pontuais, respondendo de forma superficial e casuística aos problemas que aparecem.

Os índices de popularidade da presidente desabaram e mesmo um antes improvável segundo turno nas eleições já está sendo previsto. Até uma surpreendente vaia de prefeitos ela tomou em Brasília. Tudo isso com certeza provoca inquietude na alma e comichões nos pés de quem quer ficar longe da órfã derrota.

Para completar o quadro, o governo não dispõe de um Big Bang para apresentar, no encerramento destes seus quatro anos. Nenhuma grande obra, nenhum grande passo, nenhum grande marco.

Inflação subindo, PIB baixando, educação alarmante, saúde escangalhada, infraestrutura desmantelada, transporte urbano infernal, segurança pública impotente, estrutura fiscal pervertida, ferrovia Norte-Sul em descalabro, transposição do São Francisco roubada e sucateada — nada a apresentar, nada a trombetear, nada a comemorar.

A propalada truculência da presidente está virando folclore e em lugar de força, mais parece denunciar exasperação impotente.

Cara de derrota para o governo e ninguém vai querer ser o pai dela. Mas receio que não terão dificuldade em apontar a mãe.

21.07.2013

A queda



O valor das empresas do grupo X despencou, enquanto as dívidas pareciam se multiplicar

O BNDES pode perder bilhões do nosso dinheiro


  RODRIGO CONSTANTINO



Eike Batista está para a economia como Lula está para a política. O “sucesso” de ambos, em suas respectivas áreas, tem a mesma origem. Trata-se de um fenômeno bem mais abrangente, que permitiu a ascensão meteórica de ambos como gurus: Eike virou o Midas dos negócios, enquanto Lula era o gênio da política. Tudo mentira.

Esse fenômeno pode ser resumido, basicamente, ao crescimento chinês somado ao baixo custo de capital nos países desenvolvidos. As reformas da era FHC, que criaram os pilares de uma macroeconomia mais sólida, também ajudaram. Mas o grosso veio de fora. Ventos externos impulsionaram nossa economia. Fomos uma cigarra que ganhou na loteria.

A demanda voraz da China por recursos naturais, que por sorte o Brasil tem em abundância, fez com que o valor de nossas exportações disparasse. Por outro lado, após a crise de 2008 os principais bancos centrais do mundo injetaram trilhões de liquidez nos mercados. Isso fez com que o custo do dinheiro ficasse muito reduzido, até negativo se descontada a inflação.

Desesperados por retorno financeiro, os investidores do mundo todo começaram a mergulhar em aventuras nos países em desenvolvimento. Algo análogo a alguém que está recebendo bebida grátis desde cedo na festa, e começa a relaxar seu critério de julgamento, passando a achar qualquer feiosa uma legítima “top model”.

Houve uma enxurrada de fluxo de capitais para países como o Brasil. A própria presidente Dilma chegou a reclamar do “tsunami monetário”. Os investidores estavam em lua de mel com o país, eufóricos com o gigante que finalmente havia acordado. Havia mesmo?

O fato é que essa loteria permitiu o surgimento dos fenômenos Eike Batista e Lula. Eike, um empresário ousado, convenceu-se de que era realmente fora de série, que tinha um poder miraculoso de multiplicar dólares em velocidade espantosa, colocando um X no nome da empresa e vendendo sonhos.

Lula, por sua vez, encantou-se com a adulação das massas, compradas pelas esmolas estatais, possíveis justamente porque jorravam recursos nos cofres públicos. A classe média também estava em êxtase, pois o câmbio se valorizava e o crédito se expandia. Imóveis valorizados, carros novos na garagem, e Miami acessível ao bolso.

O metalúrgico, que perdera três eleições seguidas, tornava-se, quase da noite para o dia, um “gênio da política”, um líder carismático espetacular, acima até mesmo do mensalão. Confiante desse poder, Lula escolheu um “poste” para ocupar seu lugar. E o “poste” venceu! Nada iria convencê-lo de que isso tudo era efeito de um fenômeno mais complexo do que ele compreendia.

Dilma passou por uma remodelagem completa dos marqueteiros, virou uma eficiente gestora por decreto, uma “faxineira ética”, intolerante com os “malfeitos”. Tudo piada de mau gosto, que ainda era engolida pelo público porque a economia não tinha entrado na fase da ressaca. O inverno chegou.

O crescimento chinês desacelerou, e há riscos de um mergulho mais profundo à frente. A economia americana se recuperou parcialmente, e isso fez com que o custo do capital subisse um pouco. Os ventos externos pararam de soprar. Os problemas plantados pela enorme incompetência de um governo intervencionista, arrogante e perdulário começaram a aparecer.

A maré baixou, e ficou visível que o Brasil nadava nu. O BNDES emprestou rios de dinheiro a taxas subsidiadas para os “campeões nacionais”, entre eles o próprio Eike Batista. O Banco Central foi negligente com a inflação, que furou o topo da meta e permaneceu elevada, apesar do fraco crescimento econômico. Os investidores começaram a temer as intervenções arbitrárias de um governo prepotente, e adiaram planos de investimento.

A liquidez começou a secar. O fluxo se inverteu. E o povo começou a ficar muito impaciente. Eike Batista se viu sem acesso a novos recursos para manter seu castelo de cartas. As empresas do grupo X despencaram de valor, sendo quase dizimadas enquanto as dívidas, estas sim, pareciam se multiplicar. A palavra calote passou a ser mencionada. O BNDES pode perder bilhões do nosso dinheiro.

Já a presidente Dilma, criatura de Lula, mergulhou em seu inferno astral. Sua popularidade desabou, os investidores travaram diante de tantas incertezas, e todos parecem cansados de tamanha incompetência.

Eike e Lula deveriam ler Camus: “Brincamos de imortais, mas, ao fim de algumas semanas, já nem sequer sabemos se poderemos nos arrastar até o dia seguinte.”

Rodrigo Constantino, economista, preside o Instituto Liberal

9/07/13

sábado, 20 de julho de 2013

Charge







sexta-feira, 19 de julho de 2013

Fazendeiros do ar



Para os mais conhecidos já está difícil ir a bares e restaurantes, e os cinemas, mesmo escurinhos, ficam perigosos quando a luz acende. Estádios, nem pensar. Está dura a vida dos políticos brasileiros

NELSON MOTTA

Eles podem até acreditar que é tudo inveja e ressentimento dos que estão fora do ar, como devem lhes dizer seus assessores, mas os abusos de aviões da FAB pelos presidentes da Câmara e do Senado se tornaram um símbolo do ponto de saturação a que chegamos e de como estamos longe — e eles mais longe ainda — das transformações exigidas pelas ruas e que eles fingem que ouviram, votando projetos populistas de afogadilho, mas fazendo tudo para atrasar o fim de seus privilégios.

Diante de tudo que aconteceu ultimamente, a melhor justificativa que eles poderiam dar para voar em jatos da FAB para casamentos e jogos de futebol seria a segurança, a que têm direito por lei.

Como enfrentar um aeroporto lotado, escondido nas salas VIP e cercado de assessores e seguranças? Como entrar num avião de carreira sob vaias e insultos? Para os mais conhecidos já está difícil ir a bares e restaurantes, e os cinemas, mesmo escurinhos, ficam perigosos quando a luz acende.

Estádios, nem pensar. Está dura a vida dos políticos brasileiros.

Todo político adora ser conhecido, ter um rosto familiar, ser cumprimentado nas ruas, afinal eles vivem disso. Mas agora, com raras e notórias exceções, eles querem passar despercebidos, se possível invisíveis, como se fossem, ó ironia, cidadãos anônimos e comuns.

Mas suas fotos caíram na rede e vai ser arriscado enfrentar as multidões nas festas juninas do Nordeste sob a ameaça de vaias e insultos a qualquer parada da música ou imagem no telão. A quadrilha não pode parar.

Mas eles não mudam, é da sua natureza, só vão trocando de nome e de partido. O presidente da Câmara, Henrique Alves, é o arquétipo do político profissional brasileiro, com incontáveis mandatos, a mais completa tradução das oligarquias nordestinas e dos velhos políticos execrados pelas ruas.

Ele não se contenta com um avião da FAB exclusivo para transportá-lo, faz questão de dar carona a amigos, parentes e correligionários, distribuir assentos e privilégios no velho estilo coronelesco, para impressionar provincianos deslumbrados e demonstrar seu poder. É como se o avião fosse a sua fazenda.
Nelson Motta é jornalista

19/07/13

Cabral diz que não sai do Leblon e rejeita ajuda federal





DO RIO


O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou que não deixará sua residência no Leblon, zona sul do Rio, mesmo diante dos protestos que têm ocorrido em frente ao seu prédio. O governador disse não considerar se mudar para a residência oficial do governo do Estado, localizada no Palácio Laranjeiras, no bairro de mesmo nome, na zona sul da cidade.

"Em relação à minha residência, fizemos uma opção pela que já morávamos [no Leblon]. Nesse momento, o Palácio Laranjeiras passa por reformas. Permaneço onde moro", disse o governador.

A declaração foi dada em entrevista coletiva convocada pelo governo. Cabral respondeu a sete perguntas dos jornalistas, em uma coletiva que durou somente quinze minutos. Convocada para o meio-dia, a entrevista começou com trinta minutos de atraso.

O governador disse ainda que recebeu na noite de quinta-feira (18) um telefone da presidente Dilma Rousseff, que ofereceu apoio do governo federal. Cabral disse que não aceitou ajuda do palácio do Planalto por considerar que as forças de segurança no Rio estão preparadas para lidar com a situação na cidade

"A presidente Dilma de fato me ligou ontem por volta de 19h30, manifestando sua solidariedade e colocando a disposição como sempre. Eu disse que não precisaria [de ajuda federal]. As forças de segurança estão presentes [no combate à violência nas manifestações]", afirmou.

Shana Reis/Divulgação/Prefeitura RJ

Sérgio Cabral durante a coletiva de imprensa desta sexta-feira (19)


O governador disse ainda que, mesmo diante das manifestações que têm ocorrido também na frente do Palácio Guanabara, sede do Governo do Estado do Rio, não considera mudar o local onde receberá o papa Francisco no Rio de Janeiro, na próxima segunda-feira (22).

"Eu confirmo aqui a presença da Sua Santidade no dia 22, com a presença da presidente Dilma, do vice Michel Temer e de mais oito governadores de Estado que já estão confirmados. Será um clima que o papa Francisco tem inspirado no mundo inteiro, de respeito e fraternidade entre pessoas inclusive de outras religiões, ou até mesmo quem é ateu".

Sem citar nomes, Cabral afirmou ainda que os atos de vandalismo registrado em manifestações na cidade têm sido estimulados por organizações internacionais, por meio da internet. Ele disse que a comissão que será integrada pelo Ministério Público e as forças de segurança estadual servirá para dar celeridade às investigações desses grupos.

"Sabemos que há presença de organizações internacionais estimulando o vandalismo e o quebra-quebra. A internet permite um nível de comunicação que é algo que não se tinha no passado. Por isso, essa coesão, essa unificação, entre Ministério Público e o governo olhando a polícia e esse vandalismo vai ser muito positivo".

Cabral chegou à coletiva com uma cópia do decreto que cria a comissão em mãos. Questionado sobre a possibilidade de a comissão apurar também denúncias de abusos cometidos pela polícia, o governador passou a palavra para o secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, que disse que integrarão a comissão representantes do Ministério Público que atuam na auditoria militar, "que julgam a atuação dos policiais militares".
19/07/2013

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Isolado, PT recua e agora tenta 'plebiscito genérico'


Sem o apoio de siglas governistas, o partido desiste de sugerir questões específicas para o plebiscito e opta por apresentar quatro temas abertos


Laryssa Borges
Veja de Brasília
Deputado petista Cândido Vaccarezza: escolhido para comandar o grupo da reforma política
(José Cruz/ABr)


Numa tentativa desesperada de obter apoio de aliados para salvar a proposta de um plebiscito para a reforma política, o PT desistiu das cinco perguntas que havia sugerido levar à consulta popular. As questões haviam sido apresentadas pelos petistas às demais legendas na manhã desta terça, em busca das 171 assinaturas necessárias para emplacar o projeto de decreto legislativo sobre o plebiscito.

A lista de questionamentos abordava de forma camuflada interesses do próprio PT, como o financiamento público de campanha e o voto em lista fechada, uma versão atualizada do voto de cabresto. “A centralidade política no momento é o recolhimento de assinaturas para viabilizar o decreto do plebiscito. Estamos ajustando o texto e trabalhando”, tentou justificar o líder do PT na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

Porém, após a rejeição de aliados como PDT, PSB e PCdoB, os petistas optaram por uma nova versão do projeto resumindo toda a reforma política a quatro pontos, apresentados de forma genérica e redigidos da seguinte maneira: financiamento das campanhas eleitorais, sistemas eleitorais, iniciativas populares e coincidência das eleições. Por esta nova proposta, as perguntas seriam formuladas futuramente.

“Parece que o PT quer dar uma resposta à presidente Dilma Rousseff. Agora apresentam uma nova proposta que, em vez de questionamentos, traz apenas temas genéricos”, disse o deputado Marcos Rogério (PDT-RO), que participou das negociações.

Paralelamente, também houve uma briga na bancada do próprio PT. O motivo foi uma disputa entre os deputados Cândido Vaccarezza (SP), que saiu vitorioso, e Henrique Fontana (RS) pelo comando do grupo que analisará a proposta de reforma política. A comissão foi instalada hoje e funcionará por 90 dias.




16/07/2013

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Desespero da presidenta


The New York Times faz análise das atitudes de Dilma diante de protestos
#vemprarua
The New York Times


Artigo diz que ao pedir conselhos para Lula, a presidenta passa por marionete do mentor

A inabilidade política da presidenta Dilma foi tema de um artigo do The New York Times, escrito pelo desafeto de Lula, Larry Rohter. Aquele do visto suspenso, etc. Em seu artigo, Rohter faz uma análise das decisões da presidenta, desde o início dos protestos, e praticamente todas se voltaram contra ela.

Constituinte, plebiscito e até o dinheiro dos royalties para a educação e saúde, segundo Rohter, são ideias jogadas ao vento e sem nenhum efeito prático. As manifestações continuaram e a presidenta ficou sem saber o que fazer.

“Um mês após surgirem manifestações contra a corrupção oficial, superfaturamento das obras de infraestrutura e dos estádios da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, brutalidade policial e inúmeros outros assuntos, uma nuvem de desespero aparece no governo dela”, diz o artigo.

O jornalista ainda lembra as vaias que tem atormentado a presidenta, inclusive quanto às recebidas pelos prefeitos, logo após anunciar a liberação de R$ 3 bilhões para a Saúde nos municípios. Greves e fogo amigo tem atormentado Dilma como se não fosse sobrar ninguém para estender-lhe a mão.

O analista político Bolívar Lamounier, ouvido por Rohter, foi taxativo. “O que estamos vendo agora era óbvio durante a campanha: Ela não tem tino para a coisa, não tem jogo de cintura”.

De acordo com o texto, é visível que Dilma não sabe o que fazer, muito menos, como se portar em um cargo eletivo.

Tanto que no momento em que decidiu se aconselhar com o seu padrinho político, Lula, ela, a presidenta da República Federativa do Brasil, se deslocou para vê-lo.

Não falou ao telefone, não o convocou para um encontro na capital, ela foi ao encontro do mentor.

Isso teria deixado claro para a população que ela não está no comando e era apenas uma marionete nas mãos de Lula.
 14 de julho de 2013

Após manifestações, Lula e Dilma vivem desgaste na relação






As manifestações de junho não derrubaram apenas a popularidade da presidente Dilma Rousseff

Elas também ajudaram a desgastar sua relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

NATUZA NERY,VALDO CRUZ,CATIA SEABRA
DE BRASÍLIA


Petistas dizem que "criador" e "criatura" estão muito longe de um rompimento, e que errará quem apostar nesse desfecho, mas concordam no diagnóstico: a ligação dos dois chegou ao ponto mais difícil desde que Dilma assumiu o cargo, há dois anos e meio.

Nos bastidores do governo e no próprio PT, a distância foi percebida e virou alvo de comentários. Interlocutores de Dilma atribuem a aliados de Lula o vazamento de críticas à atuação do Executivo durante a onda de protestos que sacudiu o país em junho.

Interlocutores de Lula dizem que ele considerou uma "barbeiragem" a decisão do Planalto de propor uma constituinte para a reforma política sem ouvir o vice-presidente Michel Temer (PMDB), mas consultando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), adversário do PT.

Também há queixas partindo do governo. Uma delas: Lula chegou a sugerir a redução do número de ministérios, embora tenha promovido o aumento do número de pastas quando era presidente.

Pessoas que falaram com o ex-presidente nas últimas semanas o descrevem como "preocupado" e dizem que volta e meia ele expressa incômodo com a "teimosia" e a centralização da sucessora.

Desde dezembro, ele tem sido assediado por empresários, banqueiros, sindicalistas e políticos, que em geral reclamam do estilo de Dilma.

CAMPOS

Auxiliares de Lula notaram que o ex-presidente buscou nas últimas semanas uma reaproximação com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que desde o início do ano ameaça romper com o governo para se candidatar à Presidência em 2014.

Os dois se encontraram pela primeira vez após meses de afastamento e falaram por telefone. Numa dessas conversas, em 18 de junho, Lula disse a Campos que descarta a possibilidade de concorrer a presidente no ano que vem.

A reunião ocorreu horas depois de Lula ter tido um encontro com Dilma que foi descrito por petistas como o mais tenso até então. Alguns falaram em "briga" e "discussão acalorada", alimentando rumores depois negados de forma enfática pelos dois lados.

Nos dias seguintes, as queixas se multiplicaram, e manifestações a favor de uma nova candidatura de Lula voltaram a ser feitas em público.

No entorno de Dilma, há quem acuse o ex-presidente de ficar longe da crise para preservar sua imagem. No círculo de Lula, a acusação é considerada absurda e diz-se que ele procura evitar ofuscar a sucessora ou passar a impressão de que tenta interferir em sua administração.

Segundo auxiliares de Lula, ele indicou recentemente que só irá de novo ao encontro de Dilma se for chamado, o que foi interpretado como sinal de frustração diante da falta de acolhimento para sugestões feitas à presidente.

Lula sugeriu mudanças na área econômica do governo, para resgatar a credibilidade da política fiscal, e na articulação com o Congresso, para pacificar a relação do governo Dilma com seus aliados.

Petistas ligados a Lula defendem que a presidente troque pelo menos o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, apontado como responsável pelas manobras contábeis que fizeram o governo perder credibilidade na condução da política fiscal.

Mas Dilma resiste a substituí-lo. Ela também resiste a promover mudanças na comunicação institucional do governo, outro alvo de críticas de auxiliares de Lula.

Editoria de Arte/Folhapress



14/07/2013


domingo, 14 de julho de 2013

Uma crise puxa outra


Desde o dia 24 de junho, quando a presidente Dilma Rousseff foi à televisão tentar responder aos protestos, raro o dia em que o governo não criou uma crise

A cada tentativa de apagar o fogo acendeu um novo foco no incêndio


POR DORA KRAMER
ESTADÃO


Justiça seja feita: é de se admirar tanta competência na arte de fazer inimigos, não influenciar, afugentar e irritar pessoas.

Com a ajuda do PT e dos conselheiros a quem dá voz e ouvidos, a presidente saiu comprando brigas em série.


Todas as soluções apresentadas resultaram em problemas maiores. O de potencial mais danoso para o Executivo é o atrito com o Legislativo. Há provas de sobra na História de quem sai perdendo na briga do mar contra o rochedo: Getúlio Vargas saiu da vida, Jânio Quadros renunciou e Fernando Collor voltou à Casa da Dinda.

O Congresso sofre um processo de desgaste profundo e acelerado e é nisso que Dilma e companhia parecem apostar quando escolhem transferir os prejuízos aos combalidos partidos.

Não bastasse a proposta de Constituinte exclusiva sem consulta a ninguém, muito menos ao escrito na Constituição, não fosse suficiente o ardil do plebiscito inexequível, o novo homem forte do governo veio a público oficializar o confronto.

O ministro Aloizio Mercadante disse em espantosa entrevista à Folha de S.Paulo que o Congresso iria “pagar caro” junto à população por ter recusado a proposta do plebiscito para fazer a reforma política.

Se o que quis dizer é que muitos parlamentares não terão o mandato renovado, fez provocação desnecessária.

Ainda que nenhum dos atuais congressistas seja reeleito, a Câmara e o Senado continuarão onde estão.

Já o PT pode não estar mais no Planalto em 2015, se o governo e o partido continuarem tentando recuperar terreno nessa estratégia de socializar os prejuízos que não produz para si um só benefício.

Dilma comprou briga com os médicos, desagradou aos governadores ao usá-los como coadjuvantes de um prato feito no segundo pronunciamento durante os protestos, foi vaiada em recinto fechado por prefeitos normalmente servis e dependentes do poder central, falou grosso (no sentido de grosseria, não de austeridade) com os aliados políticos, subestimou a capacidade das pessoas de distinguir atuação de embromação.

Nenhum dos grupos recebidos pela presidente da República nos últimos dias saiu satisfeito nem convencido da veracidade da súbita disposição ao diálogo.Em outras palavras, e de forma mais elaborada, os convidados dizem o mesmo que a mocinha do Movimento Passe Livre na avaliação sobre a condição da mandatária para responder ao país:

“Despreparada”.

Irreverência excessiva, assim como a descortesia da vaia dos prefeitos em hora e local inadequados (sede de governo não é estádio de futebol nem praça de protesto).

Em contrapartida, a narrativa sobre os modos de convivência da presidente não é a de respeito por atos e opiniões alheias que contrariem a sua vontade.

De certa forma, colhe o que semeou. De igual maneira o PT paga o preço da arrogância junto aos partidos aliados, sempre tratados como meros subalternos.

Agora mesmo, no meio da crise, o deputado Paulo Teixeira – que pretende disputar a presidência do PT – convocou a base parlamentar a se manter unida em defesa do “nosso projeto”.

Ao que muitos reagiram com a pergunta óbvia: “Nosso de quem, cara pálida?”. Se a atitude não mudar, o dano hoje visto como transitório consolida-se permanente.

Tempo de estio. O encontro de terça-feira passada entre Dilma e Lula, em Brasília, foi cercado do mais absoluto sigilo a conselho do marqueteiro João Santana.

Para não alimentar mais os comentários de que a presidente atua sob orientação e tutela do antecessor.

14, julho, 2013