Artigo de J. R. Guzzo
Revista Veja
A elite brasileira é acusada todo santo dia pelo ex-presidente Lula de ser a inimiga número 1 do Brasil - uma espécie de mistura da saúva com as dez pragas do Egito, e culpada direta por tudo o que já aconteceu, acontece e vai acontecer de ruim neste país.
É possível até que tenha razão, pois se há alguma coisa acima de qualquer discussão é a inépcia, a ignorância e a devastadora compulsão por ganhar dinheiro do Erário que inspiram há 500 anos, inclusive os últimos dez e meio, a conduta de quem manda no país, dentro e fora do governo.
O diabo do problema é que jamais se soube exatamente quem é a elite que faz a desgraça do Brasil.
Seria indispensável saber: sabendo-se quem é a elite, ela poderia ser eliminada, como a febre amarela, e tudo estaria resolvido.
Mas continuamos não sabendo, porque Lula e o PT não contam.
Falam do pecado, mas não falam dos pecadores; até hoje o ex-presidente conseguiu a mágica de fazer discursos cada vez mais enfurecidos contra a elite, sem jamais citar, uma vez que fosse, o nome, sobrenome, endereço e CPF de um único de seus integrantes em carne e osso.
Aí fica difícil.
Mas a vida é assim mesmo, rica em perguntas e pobre em respostas; a única saída é partir atrás delas. Na tarefa de descobrir quem é a elite brasileira, seria razoável começar por uma indagação que permite a utilização de números: as elites seriam, como Lula e o PT frequentemente dão a entender, os que votam contra eles nas eleições?
Não pode ser.
Na última vez em que foi possível medir isso com precisão, no segundo turno das eleições presidenciais de 2010, cerca de 80 milhões de brasileiros não quiseram votar na candidata de Lula, Dilma Rousseff: num eleitorado total pouco abaixo dos 136 milhões de pessoas, menos de 56 milhões votaram nela.
É gente que não acaba mais.
Nenhum país do mundo, por mais poderoso que seja, tem uma elite com 80 milhões de indivíduos.
Fica então eliminada, logo de cara, a hipótese de os inimigos da pátria serem os brasileiros que não votam no PT.
As elites seriam os ricos, talvez?
De novo, não faz sentido: os ricos do Brasil não têm o menor motivo para se queixar de Lula, dos seus oito anos de governo ou da atuação de sua sucessora.
Ao contrário, nunca ganharam tanto dinheiro como nos últimos dez anos, segundo diz o próprio Lula.
Ninguém foi expropriado sequer em 1 centavo, ou perdeu patrimônio, ou ficou mais pobre em consequência de qualquer ato direto do governo.
Os empresários vivem encantados, na vida real, com o petismo; um dos seus maiores orgulhos é serem "chamados a Brasília" ou alcançarem a graça máxima de uma convocação da presidente em pessoa.
No puro campo dos números, também aqui, não dá para entender como os ricos possam ser a elite tão amaldiçoada por Lula e seus devotos.
De 2003 para cá, o número de milionários brasileiros (gente que tem pelo menos 2 milhões de reais, além do valor de sua residência) só aumentou.
Na verdade, segundo estimativas do consórcio Merrill Lynch Capgemini, apoiado pelo Royal Bank of Canada e tido como o grande perito mundial na área, essa gente vem crescendo cada vez mais rápido.
Pelos seus cálculos, surgem dezenove novos milionários por dia no Brasil, o que dá quase um por hora, ou cerca de 7 000 por ano; em 2011, o último período medido, o Brasil foi o país que teve o maior crescimento de HNWIs - no dialeto dos pesquisadores, "High Net Worth Individuais", ou "milionários".
O resultado é que há hoje no Brasil 170 000 HNWIs - os 156 000 que havia no levantamento de 2011 mais os 14 000 que vieram se somar a eles, dentro da tal conta dos dezenove milionários a mais por dia.
Não dá para entender bem essa história.
O número de milionários brasileiros, após dez anos de governo popular, não deveria estar diminuindo, em vez de aumentar?
Deveria, mas não foi o que aconteceu.
A sempre citada frota de helicópteros de São Paulo, com 420 aparelhos, é a segunda maior do mundo; no Brasil já são quase 2000, alugados por até 3 000 reais a hora.
Os 800 000 brasileiros, ou pouco mais, que estiveram em Nova York no ano passado foram os turistas estrangeiros que mais gastaram ali: quase 2 bilhões de dólares.
Na soma total de visitantes, só ficaram abaixo de canadenses e ingleses - e seu número, hoje, é dez vezes maior do que era dez anos atrás, início da era Lula.
O eixo formado pela Avenida Europa, em São Paulo, é um feirão de carros Maserati, Lamborghini, Ferrari, Aston Martin, Rolls-Royce, Bentley, e por aí afora.
Então não podem ser os ricos os cidadãos que formam a elite brasileira - se fossem, estariam sendo combatidos dia e noite, em vez de viverem nesse clima de refrigério, luz e paz.
Um outro complicador são as ligações de Lula com a nossa vasta armada de HNWIs, como diriam os rapazes da Merrill Lynch.
É um mistério.
Como ele consegue, ao mesmo tempo, ser o generalíssimo da guerra contra as elites e ter tantos amigos do peito entre os mais óbvios arquiduques dessa mesmíssima elite?
Ou será que bilionários e outros potentados deixam de ser da elite e recebem automaticamente uma carteirinha de "homem do povo" quando viram amigos do ex-presidente?
Para ficar num exemplo bem fácil de entender, veja-se o caso do ex-governador de Mato Grosso Blairo Maggi, uma das estrelas do círculo de amizades políticas de Lula.
O homem é o maior produtor individual de soja do mundo, e a extensão das suas terras o qualifica como o suprassumo do "latifundiário" brasileiro.
É detentor, também, do título de "Motosserra de Ouro", dado anos atrás pelo Greenpeace - grupo extremista e frequentemente estúpido, mas que ainda faz a cabeça de muita gente boa pelo mundo afora.
É claro que não há nada de errado com Blairo: junto com seu pai, André, fundador da empresa hoje chamada Amaggi, é um dos heróis do progresso do Brasil Central e da transformação do país em potência agrícola mundial.
Mas, se Blairo Maggi não é elite em estado puro, o que seria?
Um pilar das massas trabalhadoras do Brasil?
Lula anda de mãos dadas com Marcelo Odebrecht, presidente de uma das maiores empreiteiras de obras do Brasil e do vasto complexo industrial que crescerem torno dela.
Ainda há pouco foi fotografado em companhia do inevitável Eike Batista, cuja fortuna acaba de desabar para meros 10 bilhões de dólares, numa visita a um desses seus empreendimentos que nunca decolam; foi seu advogado, logo em seguida, para conseguir-lhe um ajutório do governo.
É um fato inseparável de sua biografia, desde o ano passado, o beija-mão que fez a Paulo Maluf, hoje um aliado político com direito a pedir cargos no governo - assim como Maggi, que ainda recentemente foi cotado para ser nada menos, que o ministro da Agricultura de Dilma.
Diz-me com quem andas e eu te direi quem és, ensina o provérbio. Talvez não dê, só por aí, para saber quem é realmente Lula. Mas, com certeza, está bem claro com quem ele anda.
As classes que Lula e o PT descrevem a "elite brasileira" não são suas amigas só de conversa - estão sempre prontas para abrir o bolso e encher de dinheiro a companheirada.
Nas últimas eleições presidenciais, presentearam a candidata oficial Dilma Rousseff quase 160 milhões de reais - mais do que deram a todos os outros candidatos somados.
Há de tudo nesses amigos dos amigos: empreiteiros de obras, é claro, banqueiros de primeira, frigoríficos empenhados até a alma no BNDES, siderúrgicas, fábricas de tecidos, indústrias metalúrgicas, mineradoras.
É o que a imprensa gosta de chamar de "pesos-pesados do PIB".
Ninguém, nessa turma, faz mais bonito que as empreiteiras, que dependem do Tesouro Nacional como nós dependemos do ar.
Foram as maiores doadoras privadas às eleições municipais do ano passado: torraram ali quase 200 milhões de reais, e o PT foi o partido que mais recebeu.
Ficou com cerca de 30% da bolada distribuída pelas quatro maiores empreiteiras do país, e junto com seu grande sócio da "base aliada", o PMDB, raspou metade do dinheiro colocado nesse tacho.
Todo mundo sabe quem são: Andrade Gutierriz, Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa.
Mas esses nomes não resolvem o enigma que continua a ocultar a identidade dos membros da elite.
Com certeza, nenhum dos quatro citados acima pertence a ela, já que dão tanto dinheiro assim ao ex-presidente, seu partido e seus candidatos. Devem ser, ao contrário, a vanguarda classes populares.
Restariam como membros da elite, enfim "inconformados" com o fato de que "um operário chegou à Presidência" ou que a "classe melhorou de vida.
Mais uma vez, não dá para levar a sério. Por que raios essa gente toda está inconformada, se não perdeu nada com isso?
Qual diferença prática lhes fez a eleição de presidente de origem operária, ou por que sofreriam vendo um trabalhador viajar de avião?
Num país com 190 milhões de habitantes, é óbvio há muita gente que detesta o ex-presidente, ou simplesmente não gosta dele.
E daí? Que lei os obriga a gostar?
Acontece com qualquer grande nome da política, em qualquer lugar do mundo.
Ainda outro dia, milhares de pessoas foram às ruas de de Londres para festejar alegremente a morte da ex-líder britânica Margaret Thatcher - que já não estava mais no governo havia 23 anos.
É a vida.
Por que Lula e seus crentes não se conformam com isso e param de encher a paciência dos outros com sua choradeira sem fim?
O resumo dessa ópera é uma palavra só: hipocrisia. Lula bate tanto assim na "elite" para esconder o fato de que ele é hoje, na vida real, o rei da elite brasileira.
O ex-presidente diz o tempo todo que saiu do povo. De fato, saiu - mas depois que saiu não voltou nunca mais.
Falemos sério: ninguém consegue viver todos os dias como rico, viajar como rico, tratar-se em hospital de rico, ganhar como rico (200 000 reais por palestra, e já houve pagamentos maiores), comer e beber como rico, hospedar-se em hotel de rico e, com tudo isso, querer que os outros acreditem que não é rico.
Lula exige jato particular para ir às suas conferências e Johnnie Walker Rótulo Azul no cardápio de bordo.
Quando tem problemas de saúde, interna-se no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, um dos mais caros do mundo.
Sempre chega ali de helicóptero.
Vive cercado por um regimento de seguranças que só o típico magnata brasileiro costuma ter.
O ex-presidente sempre comenta que só faIam dessas coisas porque "não admitem" que um "operário" possa desfrutar delas.
Mas onde está o operário nisso tudo?
É como se o banqueiro Amador Aguiar, que foi operário numa gráfica do interior de São Paulo e ali perdeu, exatamente como Lula, um dos dedos num acidente com a máquina que operava, continuasse dizendo, sentado na cadeira de presidente do Bradesco, que era um trabalhador manual.
Lula não trabalha, não no sentido que a palavra "trabalho" tem para o brasileiro comum, desde os 29 anos de idade, quando virou dirigente sindical e ganhou o direito legal de não comparecer mais ao serviço.
Está a caminho de completar 68 e, depois que passou a fazer política em tempo integral, nunca mais tomou um ônibus, fez uma fila ou ficou sem dinheiro no fim do mês.
Melhor para ele, é claro.
Mas a vida que leva é um igualzinha à de qualquer cidadão da elite.
O centro da questão está aí, e só aí.
Todo o resto é puro conto do vigário.05 de junho de 2013
terça-feira, 4 de junho de 2013
O ENIGMA DAS ELITES
Ministro veta mensagem 'Eu sou feliz sendo prostituta' de campanha
Texto fazia parte de campanha para prevenção da aids.
Deputados da bancada evangélica criticaram a iniciativa do Ministério da Saúde e pedem explicaçõesO ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recuou e mandou retirar a peça "Eu sou feliz sendo prostituta" da página do Departamento de Doenças Sexuais Transmissíveis (DSTs), aids e Hepatites Virais. O material integrava uma campanha do ministério nas redes sociais para prevenção da aids e redução do preconceito. Nesta terça-feira (4), no entanto, Padilha afirmou que o material estava em teste. "Enquanto for ministro, uma peça como essa não fará parte de campanha", disse.REDAÇÃO ÉPOCA,
COM ESTADÃO CONTEÚDO
AC
A peça exibida na página do departamento trazia o logotipo do ministério e havia sido divulgada no Twitter. Além disso, na página do departamento, havia chamadas com destaque para a campanha. Esta é a terceira vez que o Ministério da Saúde determina a retirada de material com potencial de causar polêmica.
A pasta, por determinação do governo, havia mandado recolher um kit de prevenção de aids dirigido a adolescentes. O material abordava temas como homossexualidade, drogas e gravidez. O ministro da Saúde, assim como fez nesta terça-feira, justificou na época que a distribuição tinha sido feita à revelia dele. Em 2012, um vídeo de carnaval trazendo um casal gay também foi retirado de veiculação. A justificativa foi que o material era de veiculação para públicos específicos.
A peça "Eu sou feliz sendo prostituta" integrava a campanha "Sem vergonha de usar camisinha."
O material, que traz ainda vídeos, é fruto da oficina de profissionais do sexo, realizada em março em João Pessoa. As peças da campanha trazem mensagens contra preconceito, sobre necessidade de prevenção contra DST-aids e a respeito da vontade das prostitutas de serem respeitadas.Reação no Congresso
Deputados da bancada evangélica usaram a comissão de Direitos Humanos, presidida pelo pastor Marco Feliciano (PSC-SP), para fazer críticas à campanha do Ministério do Saúde. Os parlamentares decidiram pedir informações ao ministério sobre o tema.
O assunto entrou em debate com uma manifestação do deputado João Campos (PSDB-GO). "Esse governo tem uma capacidade de buscar uns temas que me assusta. Eu sou feliz sendo prostituta, diz campanha do Ministério da Saúde do governo Dilma Rousseff. Não tem outra política pública decente para fazer?", questionou Campos. "Já vejo os títulos das próximas campanhas. Sou adúltero, sou feliz. Sou incestuoso, siga-me. Sou pedófilo, sou feliz, sou realizado".
Outros parlamentares fizeram manifestações na mesma linha. "Estamos combatendo a prostituição infantil e vem uma campanha incentivando. Você está combatendo, tirando das ruas, aí vem a campanha dizendo que é feliz, ninguém é feliz", disse a deputada Liliam Sá (PSD-RJ). "A mulher não nasceu para ser prostituta, nasceu para ser mãe de família", afirmou Costa Ferreira (PSC-MA).
Houve ataques ao governo e a parlamentares que defendem a legalização da profissão de prostituta. "Infelizmente a prática da prostituição não é crime. Agora, quando se trata de Estado brasileiro patrocinando é crime, é apologia à prostituição, é um crime praticado pelo Estado, pelo governo", disse Marcos Rogério (PDT-RO). "Tudo tem a ver com o mercado da prostituição, essa indústria que está de olho na Copa e Olimpíada", afirmou Pastor Eurico (PSB-PE).
Feliciano não fez uma manifestação sobre o tema, mas apoiou a iniciativa do deputado Roberto Lucena (PV-SP) de pedir informações ao Ministério da Saúde. "Vamos fazer esse requerimento de informação ao Ministério da Saúde sobre essa famigerada campanha", disse o presidente da comissão de Direitos Humanos.04/06/2013
UM ESPANTO E UM ABSURDO: há um Centro de Difusão do Comunismo em uma importante Universidade federal — pago com nosso dinheiro. O currículo inclui até “militância anticapitalista”
O comunismo como projeto de uma “nova sociedade” foi, provavelmente, o maior fracasso da história da Humanidade.
Durante décadas, oprimiu dezenas de países e centenas de milhões de pessoas, suprimiu-lhes a liberdade, condenou-as ao atraso e à carência.
Provocou milhões de mortes, prisões iníquas, violações sem conta dos direitos humanos.
Desabou a partir da queda do Muro de Berlim, em 1989, e morreu de vez, como projeto global em 1991, com o fim inglório da União Soviética, que já vinha caindo aos pedaços há vários anos.
Como relíquias de uma época da qual as pessoas querem distância, persistem regimes comunistas em países miseráveis e famélicos como a Coreia do Norte, ou próximos dessa situação, como Cuba.
E formalmente comunistas, a China e o Vietnã enveredaram por um feroz capitalismo de Estado e, da ideologia de Marx aplicada à realidade, só restou a ditadura de partido único.
Nada disso fez mudar uma importante universidade federal “deztepaiz” — a Universidade Federal de Ouro Preto (Unifop).
Com o suado dinheiro do contribuinte brasileiro, a Unifop mantém, sob as asas de sua Pró-Reitoria de Extensão (Proex), nada menos do que um inacreditável Centro de Difusão do Comunismo (CDC-Ufop).(TODAS AS ILUSTRAÇÕES DESTE POST FORAM EXTRAÍDAS DO SITE DESTE “CENTRO”).
Não se trata de um centro de ESTUDOS do comunismo, o que, naturalmente, se justificaria. Da mesma forma como se estudam dinossauros ou as pirâmides do Egito, o comunismo poderia, perfeitamente, ser objeto de estudos.
Mas não, vocês leram bem: uma Universidade federal abriga um centro de DIFUSÃO do comunismo.
De DI-FU-SÃO!
Há, na Unifop, sem disfarce de espécie alguma, até um Grupo de Debate e Militância Anticapitalista.
Sim, vocês leram corretamente: a universidade propõe e ensina MILITÂNCIA anticapitalista.
Não sei da existência de um suposto “centro de estudos” que proponha aos alunos militância política!
É o fim do mundo!
A coisa é tão espantosa, tão absurdamente distante do propósito de qualquer universidade pública, tão escandalosamente propagandística de uma ideologia totalitária, que, mais do que continuar a descrever do que se trata, vou simplesmente reproduzir um pouco do que diz o próprio site do tal “Centro”. (As letras maiúsculas estão no original).Vejam só:(Foto: Centro de Difusão do Comunismo / Universidade Federal de Ouro Preto)
“APRESENTAÇÃO
Liga dos Comunistas. Núcleo de Estudos Marxistas (CNPQ) é um PROJETO vinculado ao PROGRAMA CENTRO DE DIFUSÃO DO COMUNISMO (CDC – UFOP). Pretende ser um núcleo de estudo e pesquisa sobre o movimento do real, referenciado à teoria social de Marx e à tradição marxista.
JUSTIFICATIVA
Aberto à participação de alunos, professores e funcionários da UFOP e aos trabalhadores da região, a construção de um núcleo de estudo vinculado à tradição que se inspira em Marx e que defende o comunismo tem um objetivo seminal: a transformação da realidade.
Nesse momento histórico e determinado, essa realidade é dominada por um “sistema de controle do metabolismo social” específico, o capital.
METODOLOGIA
Através do núcleo de estudos, realizar encontros quinzenais para leitura de textos de Marx e da Tradição marxista sobre o “movimento do capital”, seguidos de debate sobre o tema, além de incentivar a investigação científica (pesquisa), a produção de artigos e a divulgação em eventos e revistas.”
Continuando com mais elementos do site — e chegamos à “militância anticapitalista”:(Foto: Centro de Difusão do Comunismo / Universidade Federal de Ouro Preto)
“EQUIPE ROSA LUXEMBURGO
APRESENTAÇÃO
Equipe Rosa Luxemburgo é um PROJETO vinculado ao PROGRAMA CENTRO DE DIFUSÃO DO COMUNISMO (CDC – UFOP) e se propõe a ser um Grupo de Debate e Militância Política Anticapitalista, com especial apoio ao movimento dos trabalhadores da mineração na região e às lutas próprias à educação na UFOP. Cabe à Equipe Rosa Luxemburgo a coordenação do PROGRAMA CDC – UFOP.
JUSTIFICATIVA
Existe na região de abrangência da UFOP um significativo número de trabalhadores na área da mineração que tem o direito de receber apoio da UFOP para fortalecer suas lutas. Dentro da UFOP também, alunos, professores e funcionários tem o direito de receber apoio em suas reivindicações.
METODOLOGIA
- Formação de uma equipe de debate anticapitalista que envolva estudantes, professores, funcionários e trabalhadores da região da UFOP.
- Apoio ao movimento dos trabalhadores e suas ações públicas.
- Encontros semanais para monitoramento do PROGRAMA CDC – UFOP (planejamento e avaliação das ações a serem desenvolvidas).”
Vou parando por aqui.
Se quiserem saber mais sobre essa aberração — uma universidade transformada em centro de militância –, cliquem no link do Centro de Difusão do Comunismo.
04/06/2013
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Oligarquia Globalitária já aposta em chapa Aécio-Eduardo para tirar Dilma-Lula da Presidência

Alerta Total
Por Jorge Serrão
O desgoverno do Brasil tem cada vez menos o controle do leme. Por isso, a Oligarquia Financeira Transnacional já prepara a substituição da petralhada no poder. Claro, será a velha troca de 13 por doze mais um. O controlador globalitário continua o mesmo. O modelo econômico neocolonial e entreguista também não se altera. Muda apenas o marionete.
Ninguém se surpreenda com uma chapa socialista fabiana formada entre Aécio Neves e Eduardo Campos, com o apoio de Marina Silva, arrastando insatisfeitos do PMDB com o PT para enfrentar Dilma Rousseff (ou, numa hipótese mais remota e mais desesperadora, Luiz Inácio Lula da Silva – que continua visitando o Hospital Sírio Libanês na calada das noites, em persistente tratamento de saúde). Os netos de Tancredo Neves e Miguel Arraes vêm com tudo contra a petralhada.
Enquanto a politicagem encena seu teatrinho, o sonho de riquezas do pré-sal já se transforma em mais um pesadelo da submissão do Brasil ao modelo globalitário da Nova Ordem Mundial. Para ilusionismo com os investidores, a Petrobrás promete dobrar a produção de petróleo e gás em 10 anos. Mas vão diminuir, pela metade, os repasses de royalties e participações especiais à União, Estados e Municípios. Esta é a interpretação da manchete-piada do jornal O Globo de hoje.
O que vier a ser produzido no pré-sal já tem destino certo: o mercado externo. A maior parte do óleo & gás daqui não vai servir para uso e nem como reserva energética ao Brasil. Diminuir os preços da gasolina, do diesel e do querosene nem passa pela imaginação do governo. Como a produção de “álcool” (marketeiramente batizado de etanol) também está sob controle estratégico de investidores estrangeiros e das transnacionais (principalmente a Shell), o consumidor brasileiro continuará pagando por um combustível caro e sem qualidade.
O Governo Dilma-Lula cumpre à risca o acordo entreguista com a Oligarquia Globalitária. Não foi à toa a pressa da Agência Nacional de Petróleo de antecipar para outubro o primeiro leilão de campos de petróleo do pré-sal. As grandes petroleiras - controladas pelos britânicos – devem arrematar o campo não por coincidência chamado de Libra (uma megareserva de 727 Km2, com supostos 12 bilhões de barris de óleo leve e de alta qualidade, na Bacia de Santos.
No leilão, literalmente para inglês ver e faturar, a Petrobrás ficará com 30% de participação. Mas tudo não passa de teatrinho do John Horn (João Minhoca). A Presidenta Dilma Rousseff já tem até pronta a minuta do decreto que vai criar mais uma estatal de economia mista para gerir o capital da exploração do pré-sal no regime de partilha. Trata-se da Pré-Sal Petróleo SA (provisoriamente chamada de PPSA).
Não è de graça que a revistinha Forbes elege a engenheira Maria das Graças Foster como a mulher mais poderosa do setor de negócios no Brasil. A Presidente da Petrobrás não foi posta no cargo por ser amiga da Presidenta Dilma. Graça está lá porque é casada com Colin Foster – que é o líder da Maçonaria Inglesa para a América Latina, representando diretamente os interesses da oligarquia britânica que comanda o sistema globalitário. Apesar do lobby maçônico da Graça, todo mundo sabe que quem manda de verdade na Petrobrás é seu diretor financeiro Almir Barbassa – este sim a linha direta da empresa com o sistema bancário transnacional.
Nesse cenário entreguista, o maior pregão do mundo – como já apregoa a propaganda do desgoverno entreguista dos petralhas – vai trazer grana para os cofres do governo – o que não garante que os recursos cheguem à sociedade. Ainda não se sabe como será a divisão dos royalties de Libra. O Supremo Tribunal Federal ainda vai decidir se a nova lei de distribuição dos recursos só vale para os novos contratos ou se pega também os antigos.
O modelo capimunista globalitário imposto à Petrobrás só aprofunda a dependência do Brasil às decisões da Matriz Colonizadora. De nada adianta o Brasil ter abundância de recursos naturais se o País não tira proveito deles. Sempre submisso ao modelo colonial, exportando matéria-prima, pouco produzindo coisas relevantes e importando o necessário para o consumismo –, a Terra do Nunca sempre será um mero projeto de Nação com futuro previsivelmente subdesenvolvido.
Neste clima de euforia entreguista, o cenário econômico parece uma piada de fazer chorar. A equipe econômica nunca esteve tão perdida. È vítima da própria armadilha do modelo improdutivo-entreguista. Não sabe como conter a inflação. A receita de aumentar os juros não tem efeito prático. O câmbio também deixa Guido Mantega e sua equipe em polvorosa. Até outro dia, a preocupação era com o Real valorizado. Agora, a dor de cabeça e o Dólar subindo.
O mercado já aposta na alta do dólar. Nem adianta o Banco Central do Brasil queimar reservas. Também de pouco serve contar mentiras – como faz o presidente do BC do B, Alexandre Tombini – de que o dólar subindo não afeta a nossa taxa de inflação. Só pode ser brincadeira dizer que isto não afeta a inflação (impactando todos os preços) de uma economia “brasileira” em franca desindustrialização e importando cada vez mais insumos e produtos.
Pé-fria?
3 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
Lula prepara o golpe em Dilma?
Por O EDITORComeçam a circular em Brasília rumores de que Lula está articulando abertamente para derrubar a reeleição de Dilma
Dora Kramer escreve, em sua coluna no Estadão:
Se as condições objetivas para a reeleição de Dilma sofrerem os efeitos da deterioração nas relações entre ela e os partidos aliados, o ex-presidente Lula estará posicionado na linha de largada. Nesse caso, a presidente alegará razões pessoais para desistir. A justificativa será a família, não a política. Para não passar recibo.
Ora,depois de três anos de trombadas, é óbvio que Dilma não vai mudar a sua relação com os partidos políticos.
Não é do seu temperamento.
Como Lula já foi nomeado como o articulador para 2014, é bem possível que articule a própria volta e não a reeleição da sua cria.
E que o poste seja apagado pelas ligações subterrâneas do ex-presidente.
2 de junho de 2013
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Dilma perdoou dívida de países africanos de olho em 2014
Reportagem de VEJA desta semana mostra que, por trás de presente de US$ 840 milhões, está a necessidade de ajudar empreiteiras amigas do governo
Otávio Cabral
Dilma entre os governantes africanos: dívida de 840 milhões de dólares perdoada (Roberto Stuckert Filho)
Na comemoração dos cinquenta anos da fudação da União Africana, realizada na semana passada na Etiópia, a presidente Dilma Rousseff deu aos anfitriões um presentão de 840 milhões de dólares. O valor equivale ao total da dívida que doze países do continente haviam contraído com o Brasil e que a partir de agora não terão mais de se preocupar em pagar. O governo brasileiro os perdoou.
Foi o pragmatismo eleitoral, mais do que a solidariedade aos povos sofredores, que orientou a decisão da presidente Dilma de perdoar a dívida dos países africanos. A questão é que empreiteiras, mineradoras e produtoras agrícolas que querem atuar nesses países com financiamento do BNDES (o órgão acaba de aprovar a criação de um escritório de representação na África do Sul). Ocorre que a legislação impede a concessão de benefícios a nações com dívidas atrasadas junto ao Brasil. Ao abrir mão da cobrança dos débitos, medida que ainda precisa ser aprovada pelo Senado, o governo pretende remover essa barreira – e deixar o caminho livre para as empresas amigas.
Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA no IBA, no tablet ou nas bancas.
Outros destaques de VEJA desta semana
‘Lulêu e Rosiêta’, um cordel de Fred Crux
Feira Livre
Por Augusto Nunes

LULÊU E ROSIÊTA
(um romance à brasileira)
1
No Reino do Bananal,
um país meio aloprado,
surgiu um dia um casal
que já estava fadado
a fazer parte da história
se bem que sem muita glória.
Corrijam se estou errado.
2
Eu vou contar a vocês
como tudo começou:
ele era o antiburguês
e assim que iniciou
carreira sindicalista
se tornou mero fascista
com tendência a ditador
3
Falava em qualquer comício
como um sujeito decente
e sem muito sacrifício
enganava toda a gente.
Sua cultura raquítica,
como convém na política,
começava a ganhar frente.
4
Fundou partido operário,
bem vermelho e revoltado,
que lutava por salário
do tal proletariado
mas que no fundo almejava
o poder, que só teimava
em ir para o outro lado.
5
Convenceu a classe média
que ele era a salvação
e seria uma tragédia
se perdesse a eleição.
Candidato derrotado,
repetia este seu fado
sem perder a direção.
6
Até que um dia se elege
e aí começa o drama
pois logo tornou-se herege,
deitou na fama e na cama,
meteu os pés pelos pés,
distribuiu capilés
e espojou-se na lama
7
E logo entornou a pipa,
reformou toda a “fachada”,
arrumou-se com uma “tipa”
que de “besta” não tem nada.
Uma tal de Rosemary
que morde, agrada e não fere
feito bichinha assanhada.
8
Essa dona, com prazer,
conquistou o manda-chuva
infiltrou-se no poder.
De tamarindo fez uva,
passou a mandar em tudo.
Conquistado o casacudo
lhe dava tapa de luva.
9
Viajou muito à vontade
por dezenas de países
no lugar da titular
e foi criando raízes.
Na cabine do avião,
ela jogava um bolão,
não deixava cicatrizes
10
E o presidente abobado
fazia todo o seu gosto.
Entregou-lhe o seu reinado,
mostrou-se muito disposto
a fazer qualquer benesse.
O que dona Rose quisesse,
cumpriria sem desgosto.
11
O Cara foi se enredando
com Rosemary, afinal
que um belo dia acordando
leu de pronto no jornal
A tramóia descoberta
a intimidade aberta
foi tombo descomunal
12
O choque foi tão agudo
que o papagaio falante
se tornou bicho trombudo
e naquele mesmo instante
teve horror a microfone,
desligou o telefone
e na hora ficou mudo
13
Hoje faz mais de seis meses
que Lula, rei da mentira,
escondeu-se dos fregueses,
camuflou a “pomba-gira”,
não quis mais um holofote,
apagou o seu archote
e multiplicou sua ira.
Rosemary, esse mistério
ninguém sabe se está viva
ou em algum ministério
fazendo uma tentativa
de esconder da polícia
toda aquela imundícia
que tramou quando era ativa.
14
O ex-presidente, então,
que já foi um poderoso,
fechou o seu matulão.
Boca-de-siri manhoso,
não fala nada de nada
camuflando a sua “fada”,
se escondendo do seu povo
15
Então, seu ex-presidente,
escolha agora o caminho.
Assuma o caso pendente
e abrace o seu espinho
porque já cheirou a Rosa,
que um dia foi formosa
e ainda quer seu carinho.
16
E que os dois, abraçados,
paguem pelo desmantelo
junto com os apaniguados.
Que desenrolem o novelo
de toda essa trambicagem.
É esta a minha mensagem
do nosso povo é o apelo !
31/05/2013
Por Augusto Nunes
LULÊU E ROSIÊTA
FRED CRUX
(um romance à brasileira)
1
No Reino do Bananal,
um país meio aloprado,
surgiu um dia um casal
que já estava fadado
a fazer parte da história
se bem que sem muita glória.
Corrijam se estou errado.
2
Eu vou contar a vocês
como tudo começou:
ele era o antiburguês
e assim que iniciou
carreira sindicalista
se tornou mero fascista
com tendência a ditador
3
Falava em qualquer comício
como um sujeito decente
e sem muito sacrifício
enganava toda a gente.
Sua cultura raquítica,
como convém na política,
começava a ganhar frente.
4
Fundou partido operário,
bem vermelho e revoltado,
que lutava por salário
do tal proletariado
mas que no fundo almejava
o poder, que só teimava
em ir para o outro lado.
5
Convenceu a classe média
que ele era a salvação
e seria uma tragédia
se perdesse a eleição.
Candidato derrotado,
repetia este seu fado
sem perder a direção.
6
Até que um dia se elege
e aí começa o drama
pois logo tornou-se herege,
deitou na fama e na cama,
meteu os pés pelos pés,
distribuiu capilés
e espojou-se na lama
7
E logo entornou a pipa,
reformou toda a “fachada”,
arrumou-se com uma “tipa”
que de “besta” não tem nada.
Uma tal de Rosemary
que morde, agrada e não fere
feito bichinha assanhada.
8
Essa dona, com prazer,
conquistou o manda-chuva
infiltrou-se no poder.
De tamarindo fez uva,
passou a mandar em tudo.
Conquistado o casacudo
lhe dava tapa de luva.
9
Viajou muito à vontade
por dezenas de países
no lugar da titular
e foi criando raízes.
Na cabine do avião,
ela jogava um bolão,
não deixava cicatrizes
10
E o presidente abobado
fazia todo o seu gosto.
Entregou-lhe o seu reinado,
mostrou-se muito disposto
a fazer qualquer benesse.
O que dona Rose quisesse,
cumpriria sem desgosto.
11
O Cara foi se enredando
com Rosemary, afinal
que um belo dia acordando
leu de pronto no jornal
A tramóia descoberta
a intimidade aberta
foi tombo descomunal
12
O choque foi tão agudo
que o papagaio falante
se tornou bicho trombudo
e naquele mesmo instante
teve horror a microfone,
desligou o telefone
e na hora ficou mudo
13
Hoje faz mais de seis meses
que Lula, rei da mentira,
escondeu-se dos fregueses,
camuflou a “pomba-gira”,
não quis mais um holofote,
apagou o seu archote
e multiplicou sua ira.
Rosemary, esse mistério
ninguém sabe se está viva
ou em algum ministério
fazendo uma tentativa
de esconder da polícia
toda aquela imundícia
que tramou quando era ativa.
14
O ex-presidente, então,
que já foi um poderoso,
fechou o seu matulão.
Boca-de-siri manhoso,
não fala nada de nada
camuflando a sua “fada”,
se escondendo do seu povo
15
Então, seu ex-presidente,
escolha agora o caminho.
Assuma o caso pendente
e abrace o seu espinho
porque já cheirou a Rosa,
que um dia foi formosa
e ainda quer seu carinho.
16
E que os dois, abraçados,
paguem pelo desmantelo
junto com os apaniguados.
Que desenrolem o novelo
de toda essa trambicagem.
É esta a minha mensagem
do nosso povo é o apelo !
31/05/2013
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Rosemary Noronha
PIB, um fracasso anunciado
Mais que um tropeço, o fraco desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre, com expansão de 0,6% em relação aos três meses anteriores, é um péssimo prenúncio
O Estado de S.Paulo
Se o ritmo for mantido, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentará apenas 2,4% neste ano, menos que nos primeiros 12 meses de governo da presidente Dilma Rousseff.
A cúpula federal havia decidido, segundo informou o Estado na terça-feira, batalhar por um crescimento de pelo menos 2,7%, igual ao de 2011 - algo parecido com uma questão de honra.
Pelos números divulgados na quarta-feira, a luta por esse objetivo será mais dura do que devem ter imaginado, poucos dias atrás, os formuladores da política econômica.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, referiu-se ao ritmo atual de atividade como equivalente a 2,2% ao ano, ao comentar os novos números das contas nacionais.
Pelo menos o investimento cresceu vigorosamente e isso aponta maior capacidade de produção nos próximos tempos, podem argumentar as autoridades. O volume de recursos destinado à compra de máquinas e equipamentos, à construção civil e a obras de infraestrutura foi 4,6% maior que o do trimestre final de 2012. Isso é consequência, segundo o ministro da Fazenda, dos estímulos proporcionados pela política oficial. Mas o aumento indicado pelos novos números nem sequer compensou a forte retração do ano anterior.
O total investido ficou 3% acima do contabilizado um ano antes, mas a comparação entre períodos de 12 meses ainda acusa uma redução de 2,8%. Além disso, o País investiu no primeiro trimestre apenas 18,4% do PIB.
Nos primeiros três meses do ano passado essa taxa havia ficado em 18,7%. Qualquer das duas taxas é muito inferior àquela fixada pelo governo como objetivo para os próximos anos, algo em torno de 24%.
Vários países emergentes, incluídos alguns latino-americanos, investem a cada ano pelo menos o equivalente a 25% do PIB. Na Ásia são encontradas taxas acima de 30%.
Além disso, o Brasil tornou-se mais dependente do capital externo para investir, porque a poupança interna caiu de 15,7% do PIB no primeiro trimestre de 2012 para 14,1% um ano depois.
Todos conhecem a explicação: o governo continua gastando em custeio mais do que deve e dificultando a formação da poupança nacional.
O ministro procurou também enfeitar os números muito ruins do amplo setor industrial. A queda de 0,3% em relação ao trimestre final de 2012, afirmou, resultou basicamente do recuo de 2,1% da mineração. A indústria de transformação, acrescentou, produziu mais que nos três meses anteriores.
As duas afirmações são verdadeiras, mas o trabalho de maquiagem foi inútil.
De fato, o produto da indústria de transformação cresceu, mas apenas 0,3%, e ainda foi 1,4% inferior ao de um ano antes.
Um dia antes a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) havia divulgado suas novas projeções para o ano: o crescimento do PIB foi revisto de 3% para 2,5%; o da indústria de transformação, de 2,4% para 1,9%; o da construção civil, de 3,3% para 1,9%; o dos serviços, de 3% para 2,7%; e o da agropecuária, de 3,4% para 3,7%.
A fraqueza da economia brasileira é visível de longe. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por economias desenvolvidas e algumas emergentes com histórico de boas políticas, cortou para 2,9% em 2013 e 3,5% em 2014 o crescimento estimado para o Brasil. As projeções feitas no fim de 2012 eram de 4% e 4,1%.
Não há novos estímulos na agenda, disse o ministro Mantega.
É uma boa notícia, diante do fracasso previsível das medidas já adotadas, um conjunto de incentivos improvisados.
Beneficiaram alguns setores, pouco ajudaram o conjunto da produção e agravaram a situação das contas públicas. Sem mais estímulos desse tipo, o governo terá uma oportunidade para agir mais seriamente, controlando seus gastos, contribuindo para o combate à inflação e cuidando com mais eficiência dos problemas de competitividade. Mas é preciso ser muito otimista para apostar nessa mudança.
31 de maio de 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Em dia de 'Pibinho' e decisão sobre juros, dólar vai a R$ 2,11 e Bovespa tem forte queda
Ibovespa recua com perdas nas ações de empresas que dependem do crescimento do consumoMoeda americana dispara após ministro Mantega declarar que real desvalorizado não preocupa o governoAlta da moeda americana coloca mais pressão sobre o Copom, que decide hoje o nível da taxa básica de juros.Bolsa paulista recua com fraco desempenho do PIB no 1º trimestre; ações de varejistas e construtoras caem
Dólar sobe a R$ 2,11 e Bolsa tomba com PIB abaixo do esperado
RIO — O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) abaixo do esperado no primeiro trimestre provoca um curto-circuito no mercado financeiro brasileiro nesta quarta-feira.
O dólar comercial disparou e está sendo negociado próximo de R$ 2,11 e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresenta a maior baixa entre os principais índices de ações pelo mundo.
O dólar comercial subia 1,73%, cotado a R$ 2,108 na compra e R$ 2,110 na venda, por volta das 16h30m, no quatro pregão seguido de valorização.
Operadores pressionam a taxa na expectativa de uma intervenção do Banco Central (BC), o que ainda não ocorreu.
O avanço se intensificou após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmar que o real mais fraco não preocupa e o estimularia as exportações brasileiras, ao comentar o resultado do PIB.
Já o Ibovespa, principal índice de ações do país, recuava 2,12%, aos 54.846 pontos, com R$ 5,7 bilhões em volume de negócios.
No pior momento do pregão, o índice chegou a tombar 2,20%, puxado pelas perdas dos papéis de empresas que dependem da economia interna para crescer, como varejistas e construtoras.
O IBGE divulgou nesta quarta-feira que o PIB brasileiro cresceu 0,6% no primeiro trimestre deste ano, em relação aos três meses anteriores.
O resultado foi abaixo do esperado por economistas do mercado financeiro, que previam uma alta de 0,9% da economia. O crescimento do consumo foi afetado pelo avanço da inflação no período.
No mercado de câmbio, a valorização do dólar frente ao real é a maior entre as 16 principais moedas acompanhadas pela Bloomberg News, superando a de outros emergentes como uon sul-coreano (+0,54%), o rand sul-africano (+0,33%) e o peso mexicano (+0,11%).
Para quem pretende viajar, a moeda americana no mercado turismo fechou o dia vendida a R$ 2,22 nas casas de câmbio do Rio, em média, segundo acompanhamento da consultoria CMA.
Além das declarações do ministro da Fazenda, os dealers de câmbio testam a tolerância do Banco Central para uma moeda mais valorizada, o que poderia gerar mais inflação.
No começo do ano, esse teto informal da moeda era de R$ 2,05. O mercado vê agora um teto de R$ 2,10, o que tem limitado uma alta ainda maior nesta quarta-feira.
— Os operadores estão puxando a cotação para cima e aguardam que, em algum momento, o BC faça uma intervenção no mercado e estabeleça, assim, um novo limite para a moeda.
E isso pode acontecer hoje ou nos próximos dias — explica Mario Battistel, diretor da mesa de câmbio da Fair Corretora.
Na sexta-feira, o BC vai formar a taxa de câmbio chamada ptax, usada por exportadores e importadores para pagamento de contratos.
Informalmente existiria um acordo para que o BC não fazer intervenções no mercado antes da formação dessa taxa, o que ocorre às 13h, para não beneficiar nenhum lado na queda de braço pela taxa.
— O mercado fica na expectativa de que, depois das 13h, o BC faça uma intervenção. Mas, na sexta-feira, como muitas empresas vão emendar o feriado de quinta-feira, talvez isso não aconteça — disse um operador, que pediu para não ser identificado.
Além da declaração de Mantega e do movimento técnico, o dólar avança nesta quarta-feira seguindo uma tendência do mercado internacional, onde operadores especulam sobre uma possível redução do programa de recompra de títulos públicos nos EUA pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano).Mercado coloca em dúvida modelo de crescimento do governo
Com o temor da retiradas dos estímulos nos EUA, o Dow Jones, principal índice da Bolsa de Nova York, opera em baixa de 0,58%. O Nasdaq, termômetro do setor de tecnologia, registra perda 0,58%. Mais cedo, os mercados europeus também tiveram um pregão de pesadas perdas.
O índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, caiu 1,99%; o CAC 40, de Paris, recuou 1,89%. E o DAX, da Bolsa de Frankfurt, teve perdas de 1,70%.
Segundo Maurício Pedrosa, da Queluz Asset Management, os investidores vendem fortemente ações de empresa dependentes do mercado doméstico do país, como varejistas e construtoras, após o fraco resultado do PIB brasileiro.
— O fato é que o modelo de crescimento do governo não está funcionando. A tolerância com a inflação mais alta não permitiu um crescimento maior da economia, pelo contrário.
O governo não está entregando. E esse câmbio mais alto vai pressionar ainda mais a inflação — disse Pedrosa. — Isso afeta o humor dos investidores, inclusive estrangeiros, que vendem ações e deixam o país.
Entre os destaques de perdas do Ibovespa estão ações de empresas varejistas, como Hering ON (-4,43%, a R$ 39,47), B2W Digital ON (-3,96%, a R$ 11,13) e Natura ON (-2,55%, a R$ 5150). É o setor mais sensível ao crescimento do país e que sustenta o desempenho do mercado de ações brasileiro desde o ano passado.
Também são destaque de perdas construtoras como a Brookfield ON (-3,57%, a R$ 1,89) e Rossi ON (-2,80%, a R$ 3,81). O PIB revelou que A indústria de construção civil também apresentou queda (1,3%) na comparação com o mesmo período de 2012.
Somente as ações da incorporadora Gafisa estão na contramão, em alta de 3,51%, com os rumores de que a companhia pode vender a subsidiária de loteamentos Alphaville Urbanismo.
Entre os maiores vendedores líquidos de ações do pregão estão clientes de corretoras normalmente associadas às pessoas físicas: Concórdia e XP Investimentos.
Os clientes de dois grandes bancos de investimentos aproveitam a baixa para comprar: Merrill Lynch e BTG Pactual, também considerando o saldo líquido das operações.
29/05/13
E agora? Com a Caixa e o governo admitindo “erro” na confusão do Bolsa Família, a ministra Maria do Rosário deveria pedir demissão, Rui Falcão deveria pedir desculpas — e por aí vai. Alguém acredita nisso?
Por Ricardo SettiRui Falcão, presidente do PT, e Maria do Rosário, ministra de Direitos Humanos: nada de desculpas nem de demissão (Fotos: Ricardo Weg / PT :: Marcelo Camargo / ABr)
De forma absolutamente irresponsável, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, acusou uma inexistente “central de boatos da oposição” pelo princípio de pânico e corrida a aos caixas eletrônicos de milhares de beneficiários do Bolsa Família no sábado, 18.
O inefável Rui Falcão, presidente nacional do PT, enxergou “terrorismo eleitoral” nos fatos, mirando igualmente, da mesma forma leviana e irresponsável, a oposição.
Lula, que não sossega a língua, atribuiu a coisa a “gente do mal”, enquanto o ministro da Justiça mencionava, sem contudo apontar culpados, uma suposta “manobra orquestrada”.
E, no entanto, como se viu, tudo se deveu a um “erro” da Caixa Econômica Federal, admitido e explicado pelo próprio presidente da entidade, Jorge Hereda, que teve a dignidade de também pedir desculpas.
Num país decente, numa democracia que se preze, a ministra Maria do Rosário deveria pegar seu boné e ir para a casa. Uma acusação absurda e infundada — mesmo que mal e canhestramente retificada depois — é motivo mais do que suficiente para, uma vez desmentida pelo próprio governo a que pertence, um integrante da equipe ir embora.
Somos, porém, uma República sem-vergonha, e a ministra está lá, feliz e lampeira, como se nada tivesse ocorrido.
Igualmente um dos luminares estalinistas do lulopetismo, Rui Falcão, agora finge que não é com ele a declaração de “terrorismo eleitoral”. Não dá um pio, e mais dia menos dia vai incidir no mesmo tipo de leviandade, hábito que se acentuou depois que assumiu o atual cargo, há pouco mais de dois anos.
Quem se houve bem no episódio foi a presidente Dilma Rousseff: fez com que gente do governo parasse de falar publicamente em conspiração, pediu uma apuração dos fatos e chamou o presidente da Caixa Econômica para uma conversa em que ficou clara a responsabilidade do próprio governo no episódio. É verdade que a presidente, enquanto imaginou que a origem de tudo fora um boato, classificou-o como “desumano e criminoso”, mas não chegou a insinuar responsabilidades.
Mais duas perguntinhas só:
1) Lula disse que a corrida aos caixas se deveu a ação praticada por “gente do mal”? Estaria se referindo ao presidente da Caixa? Ou a quem mais no governo?
2) O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, terá detectado uma “manobra orquestrada” da qual ele mesmo fez parte (leia abaixo)?
Confiram agora reportagem do Estadão mostrando quem de fato errou no episódio:CAIXA E GOVERNO ADMITEM “ERRO” AO OMITIR PAGAMENTO ANTECIPADO DO BOLSA FAMÍLIAAnne Warth e Ricardo Della Coletta / Brasília
O governo federal disse nesta segunda-feira, 27, que errou ao tratar publicamente dos boatos sobre o fim do Bolsa Família que levaram milhares de pessoas a caixas eletrônicos dez dias atrás.
Integrantes da gestão Dilma Rousseff admitiram que seguraram por pelo menos quatro dias a informação segundo a qual os recursos do programa social foram liberados para saque na véspera da corrida aos bancos iniciada no dia 18.
Entre segunda-feira, dia 20, e sexta-feira, dia 24, a versão oficial dava conta de que a liberação do benefício havia ocorrido só após o início dos tumultos em agências bancárias da Caixa Econômica Federal, responsável por distribuir as verbas.
Nesse período, integrantes do governo Dilma classificaram os boatos como uma “ação orquestrada”.
A ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, chegou a falar em uma “central de boatos da oposição”.
Após quatro dias a Caixa divulgou nota confirmando que a liberação havia, sim, sido feita no dia 17.
Nesta segunda-feira, 27, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, admitiram que sabiam já naquela segunda-feira do dia 20 que o banco havia antecipado a liberação dos recursos.
Hereda disse, em uma entrevista concedida após Dilma pedir que ele desse um esclarecimento público, que a primeira versão oficial se tratou de um “erro”.
A Caixa nega, porém, que a liberação excepcional de recursos do Bolsa Família na véspera tenha motivado os boatos sobre o fim do benefício e causado a corrida aos caixas eletrônicos. Já a oposição diz que esse pode, sim, ter sido o motivo do pânico.
Questionado sobre o motivo de ter levado quatro dias para confirmar a informação, Hereda disse que ordenou, ainda na segunda-feira, que fosse feito um levantamento completo sobre o ocorrido, que teria levado uma semana para ser concluído.
“Eu sou presidente de um banco e não vou a público apenas com parte da informação”, afirmou Hereda. “Essa imprecisão só se justifica pelo momento que a gente estava vivendo e eu peço desculpas pelo engano na manifestação”.
Já o vice-presidente de Governo do banco, José Urbano, disse que não houve demora. “Se três dias é muito tempo, é uma questão de opinião.”
Falhas.
Segundo a Caixa, desde março atualizações no sistema de beneficiários mostraram que cerca de 692 mil famílias possuíam mais de um cadastro, chamado de número NIS.
O banco decidiu eliminar a duplicidade e adotar apenas o número mais antigo para fazer o depósito.
Como o calendário de pagamentos segue a ordem do último número desse cadastro, o banco justificou a antecipação para evitar que algumas famílias tentassem sacar o benefício sem que ele estivesse liberado.
Mas, conforme Hereda, nenhum beneficiário foi avisado sobre essa liberação antecipada.
Segundo a Caixa, os beneficiários somente foram contatados a partir de segunda-feira, 20. Por SMS, 2,588 milhões de celulares, de usuários de 13 Estados, receberam às 20h a seguinte mensagem: “A Caixa informa: o Bolsa Família está sendo pago normalmente, de acordo com o calendário de pagamentos. Não acredite em boatos”.
Urbano negou também que a Caixa tenha deixado prosperar o boato de que o fim do Bolsa Família estivesse ligado à oposição. “Jamais iríamos tomar essa iniciativa de saber que houve um problema e deixar que ele continuasse acontecendo.”
O vice-presidente do banco disse que o boato ocorreu independentemente das ações da Caixa. “Ele aconteceu por um fator alheio à decisão, e pode ter se valido dessa decisão. A Polícia Federal vai investigar, mas esse não foi o fator motivador”, afirmou o dirigente da Caixa.
Dilma ficou preocupada com o impacto dos boatos sobre o fim do Bolsa Família, razão pela qual chamou Hereda na segunda-feira para uma reunião pela manhã.
Nesse encontro, pediu que o presidente da Caixa desse as explicações públicas.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criador do Bolsa Família, classificou nesta segunda os boatos sobre o fim do benefício como um “ato de vandalismo”.
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Vocês têm de ver isto e espalhar país afora para o debate: são 30 segundos que resumem o Brasil. A sociedade tem de fazer isso porque as oposições têm medo de falar com quem paga a conta!

Quero que vocês vejam este vídeo, bem curtinho. Esta senhora que fala aí é uma assistida do Bolsa Família lá de Fortaleza.
São só 30 segundos.
Mas eles resumem o Brasil que aí está e também apontam para um futuro — não muito promissor. Assistam. Volto em seguida.
Por Reinaldo Azevedo
Voltei
Escrevi ontem à noite um post sobre a irresponsabilidade dupla da Caixa Econômica Federal — que alterou o sistema de pagamento do Bolsa Família sem avisar ninguém e depois negou que o tivesse feito, sendo desmentida por reportagem da Folha — e das autoridades do governo federal, que saíram a acusar ou as oposições, caso de Maria do Rosário (a ministra dos Direitos Humanos, de inumana compreensão), ou um complô conspiracionista, sugerindo que, no fundo, seriam mesmo as oposições: José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça e aspirante a disputar o governo de São Paulo pelo PT, e Dilma Rousseff.
A governanta classificou a boataria sobre o Bolsa Família de “desumana e criminosa”. Tudo não passou de uma trapalhada da Caixa Econômica Federal, pela qual se desculpou Jorge Hereda, presidente da instituição.
Só desculpas?
Pois é… O que antes era “desumano e criminoso” não merecerá da soberana, pelo visto, nem mesmo um puxão de orelha. Cardozo continua em busca de um bode expiatório. Quem sabe apareça alguém para confessar, não é?, e se descubra, então, que ele é vizinho da tia da cabeleireira que vem a ser prima da cunhada da faxineira do secretário-geral do PSDB de Arapiraca…
É ridículo!
Mais do que o boato do fim do Bolsa Família, o que se espalhou como rastilho de pólvora foi a informação de que havia uma graninha a mais na CEF, um bônus. As pessoas que lá iam constatavam: havia mesmo! Aí, meus caros, foi o que se viu…
Como pergunta Silvio Santos — numa indagação que, suponho, toca universalmente o coração e o intelecto: “Quem quer dinheirooo?”.
No post em questão, destaquei também o ar robusto, primaveril mesmo em alguns casos, dos assistidos do Bolsa Família. O valor médio do benefício pago a cada família está aí na casa dos R$ 150. Muita gente recebe menos, mas há quem receba mais: nunca menos de R$ 32, nunca mais de R$ 306 — é o que informa o governo.
Muito bem. Agora volto à assistida do vídeo que está lá no alto. A entrevista foi concedida ao Jornal Nacional de sábado. Reproduzo a sua fala, uma das maiores contribuições jamais prestadas à compreensão sociológica destes dias.
“Eu fui na lotérica, como vou de costume, fazer um depósito na poupança do meu esposo. Fui depositar o dinheiro. Como eu já estava lá, eu tinha de ir fazer isso, eu aproveitei, levei o cartão e tirei o meu Bolsa Família. Quando eu tirei, saiu (sic) os dois meses”.
Entendi. Ela foi depositar, como faz habitualmente, um dinheiro na poupança do marido, certo? Já que estava lá, levou o cartão do Bolsa Família e pimba! Saíram os dois meses de uma vez só. Ai, ai, ai… Longe de mim querer cassar o benefício da distintíssima senhora Diane dos Santos — e espero que ninguém pegue no pé dela.
Mas me parece que alguém que tem dinheiro para fazer poupança não precisa do… Bolsa Família, certo? Reitero: acusarei aqui perseguição caso queiram lhe cortar o benefício — porque, é fato, como ela, há uma legião, há milhões hoje em dia.
O problema não é ela, mas o programa. Eu até confesso uma certa simpatia por Diane, uma brasileira brejeira, com o cabelo arrumado, brincos, pele boa… Ela desmoraliza os delírios dos bem-pensantes sobre o atavismo da fome no Brasil, que faz o coitadismo que embala as ideias de reparação social da esquerda universitária. Ela não! É, reitero, distinta! Ela nem fala “marido” — deve achar meio grosseiro. Prefere, como Daniela Mercury, mas mudando o gênero, a palavra “esposo”.
“Então Reinaldo Azevedo sustenta que não existem mais a fome, a miséria…” Aquela fome africana, que Lula dizia existir em 2002, que ele curaria com dois pratos de comida, não existe mais no Brasil há décadas, embora haja, é evidente, nichos de famélicos em algumas áreas do sertão e até nas periferias extremamente pobres das grandes cidades. Isso persiste.
Da mesma sorte, há, sim, pessoas com renda abaixo de R$ 70 em áreas restritas do Brasil profundo. Mas os pobres — eu sei do que falo — somos duros de morrer, fiquem certos, sobretudo de fome. Sempre se arranja um bico pra fazer, um serviço extra, alguma coisa que garanta o sustento dos filhos.
No mais das vezes, essa renda per capita entre R$ 70 e R$ 140 é uma fantasia estatística. Ou será que a distinta dona Diane está “depositando na poupança do marido” o dinheiro do Bolsa Família? Ela nem havia sacado ainda o de abril — e já era dia 17! Certamente, o depósito que fora fazer era uma sobra, não?, depois de satisfeitas as necessidades básicas. Sobra de que renda? Não era do Bolsa Família!
Sim, é possível que haja alguns milhões de brasileiros que precisam efetivamente de um Bolsa Família, mas serão mesmo 40 milhões, 45 milhões talvez, divididos em mais de 13 milhões de família? Não é só dona Diane dos Santos que prova que não.
Vocês certamente se lembram desta senhora, que, diz, “só ganha R$ 134 há oito anos”, o que, segundo ela, não dá nem comprar uma calça para a filha, “uma jovem de 16 anos”, porque, afinal, uma calça para essa faixa etária custaria R$ 300
De fato, ela não tem a menor dúvida de que comprar uma calça para a sua filha é, sim, um problema do governo brasileiro, não dela própria, do marido ou de sua família. “Ah, o Bolsa Família vai custar em 2013 apenas R$ 24,9 bilhões. Perto do que o governo gasta com o Bolsa BNDES ou com o Bolsa Juros… Reinaldo não quer dar grana para os pobres.” Nem para os ricos!!! Eu não acho que governos tenham de dar dinheiro para ninguém. No caso dos pobres, tem é de criar programas sociais que os estimulem a buscar uma saída.
E a injeção de recursos na conta do vivente só deve ser feita mesmo em último caso. E já está mais do que claro que o Bolsa Família, para muita gente, virou uma doação… O Nobel da Paz Muhammad Yunus está no Brasil (ver post na home).
Ele criou o programa de microcrédito em Bangladesh que deu origem a um banco. Ele critica no Bolsa Família justamente seu caráter assistencialista.
O “andar de cima”, como quer Elio Gaspari, com essa categoria sociológica haurida da construção civil, consome bem mais do que os R$ 25 bilhões do Bolsa Família em subsídios, trapaças, aditamento de contratos etc.? Certamente! Não deixa de ser uma forma de “bolsismo”, não é?, e das mais perversas.
Os dois extremos — os ricos cuidadosamente selecionados para as prebendas e os pobres que recebem todo mês um dinheirinho — se tornaram pilares de um modo de fazer política.
Uns são gratos ao governo de turno com doações eleitorais e outras que não aparecem nos registros do TSE; os outros expressam a sua gratidão com votos.
O Bolsa Família se tornou, assim, uma formidável máquina eleitoreira, e os que mais se entusiasmam com o governo nem são, suponho, os que realmente precisam, mas os que, não precisando, temem uma mudança de guarda e a perda de uma benefício de que, no fundo, sabem ser descabido. Assim, é melhor deixar tudo como está.
Oposição
Compreendo que a oposição venha a público disputar a paternidade dos programas sociais porque, com efeito, o Bolsa Família nada mais é do que a reunião dos programas que existiam no governo FHC numa única rubrica. Já demonstrei faz alguns anos que isso é verdade.
Faço-o de novo transcrevendo, em vermelho, trecho da Medida Provisória nº 132, que “criou” o Bolsa Família, no dia 20 de outubro de 2003. Essa MP foi depois convertida na Lei 10.836, de 9 de janeiro de 2004. O conteúdo era o mesmo. Prestem atenção:
(…) programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação – “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação – PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde – “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.
Retomo
Assim, é claro que os programas foram originalmente criados pelo governo FHC. A questão é saber se dá para disputar essa paternidade hoje. Parece-me que não! E a máquina de propaganda montada com o Bolsa Família tem, sim, um efeito eleitoral evidente, como ficou claro em 2006 e 2010. Menos do que fazer tal disputa, as oposições teriam de ter a coragem de perguntar quem paga a conta. É claro que os petistas partiriam pra cima, acusando-a de querer acabar com o programa. Ocorre que o eleitorado cativo, meus caros, cativo já está. Não será desse mato que vão sair tucanos. Não saem mesmo! Os que se apõem ao petismo, reitero, têm de aprender a falar com quem paga a conta — muito especialmente os trabalhadores.
Que país existe na outra ponta dessa forma de assistencialismo? Não tem outra ponta nenhuma! A outra ponta é esta que está aí. Está bom assim? É o que o modelo permite. As virtudes já se esgotaram. Com Bolsa BNDES e Bolsa Família, a gente vai ficando assim. Teremos um dia uma oposição capaz de politizar o que tem de ser politizado, fugindo do demônio do consenso, que é, numa democracia, o que é a censura na ditadura? Não sei. Se e enquanto não o fizer, pode ir brincar de outra coisa. Chegou a hora de conversar com quem, não tendo o Bolsa Família, não tem também uma sobra para depositar na poupança do “esposo”.
28/05/2013
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Uma mentira engole a outra, que engole a outra
O que foi que na semana passada a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, atribuiu à central de notícias da oposição?
O que Dilma, por sua vez, chamou de “desumano e criminoso”?
Lula, de ação praticada por “gente do mal”?
José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, de “manobra orquestrada”?
E Ruy Falcão, presidente nacional do PT, de “terrorismo eleitoral”?
No sábado 18, e no dia seguinte em 13 estados, um milhão de clientes do programa Bolsa Família invadiu agências lotéricas para sacar suas mesadas fora do dia marcado. Boatos davam conta de que o programa seria extinto ou suspenso. Ou que Dilma autorizara o pagamento de um bônus.
Houve quebra-quebra. A polícia foi acionada.
Ministra Maria do Rosário
A ministra Maria do Rosário corrigiu-se poucas horas depois de ter pendurado na conta da oposição as consequências dos boatos. Qualificou de “singela” sua própria opinião - não mais do que "singela". E garantiu com a inocência que Deus lhe deu: “Não quero politizar”.
Ora, ora, ora...
Quem por meio de uma “manobra orquestrada” poderia fazer “terrorismo eleitoral”? Aliados do governo? Claro que não.
Uma vez politizado o episódio, politizado está. Só que aos poucos ameaça se voltar contra o governo. Na melhor das hipóteses teria sido um caso de má gestão polvilhado com mentiras.
Entre as tardes do sábado e do domingo, quando pessoas em desespero se empurraram e depredaram agências lotéricas na caça ao tesouro do Bolsa Família, dois gerentes regionais da Caixa Econômica sugeriram que um erro do sistema de pagamento seria o responsável pela liberação do dinheiro em desacordo com o calendário do programa. Um deles, Hélio Duranti, do Maranhão, foi preciso.
“Os boatos surgiram após um atraso no pagamento do benefício ocorrido em todo o país. A situação foi normalizada, mas muita gente procurou os caixas eletrônicos ao mesmo tempo e o dinheiro acabou”, disse ele. “Quem não encontrou ficou revoltado e quebrou os caixas”.
A ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social, preferiu observar: “Não existe qualquer motivação para que a gente pudesse gerar esse tipo de intranquilidade para a população”.
Será?
A direção da Caixa Econômica atravessou a semana negando que tivesse mexido no calendário de pagamento. Até que na última sexta-feira, a Folha de S. Paulo encontrou em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza, a dona de casa Diana dos Santos, 34 anos. Na sexta anterior ela fora a um caixa eletrônico sacar os R$ 32,00 do Bolsa Família referentes a abril. Ao inserir seu cartão, sacou os R$ 32,00 de abril e os R$ 32,00 de maio.
“Recebo o Bolsa Família há anos e nunca pagaram antecipadamente”, comentou Diana. “Acho que outras pessoas receberam também, avisaram aos conhecidos e virou essa confusão”.
A Caixa inventou então outra história depois que se desmanchou no ar a história que ela vinha contando. Soltou uma nota dizendo:
- A Caixa Econômica esclarece que vem realizando, desde março, diversas melhorias no Cadastro de Informações Sociais. Em consequência desse procedimento, na sexta-feira (17), primeiro dia do calendário de pagamentos de benefícios do Bolsa Família do mês de maio, o banco disponibilizou o saque independentemente do calendário individual.
O pagamento é feito levando-se em conta o último número do cartão magnético de cada bolsista. A Caixa liberou o dinheiro para pagar de vez a todo mundo, mas não avisou a ninguém. De resto, não explicou como uma operação dessa natureza pode melhorar seu Cadastro de Informações Sociais.
É razoável desconfiar que a Caixa mentiu outra vez.
Para mudar o sistema de pagamento do Bolsa Família permitindo saques em outras datas, o Conselho Deliberativo da Caixa teria de ser obrigatoriamente consultado - e não foi, segundo me contou um dos seus membros. Ou informado - e também não foi.
A Caixa esconde que houve uma falha no sistema, o que tornou possíveis os pagamentos fora de hora.
No dia em que a Folha pegou a mentira da Caixa, uma fonte da Polícia Federal, mediante a garantia prévia de anonimato, revelou ao O Globo em Brasília que fora localizada no Rio de Janeiro a central de telemarketing responsável pela difusão dos boatos.
Não disse o nome da central. Nem do seu proprietário. Não disse quem a contratou. Nem como a central teve acesso aos números de telefones de inscritos no Bolsa Família.
Sem acesso aos números de telefones como a central poderia disseminar boatos?
Enquanto a Polícia Federal não revelar o nome da empresa e não apresentar o criminoso que encomendou o serviço, sobreviverá a suspeita de que ela mente para livrar a cara da Caixa Econômica.
27.05.2013
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