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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Contradição em termos





Dora Kramer 
O Estado de S.Paulo
 
Em seu depoimento ao Conselho de Ética do Senado, durante cinco horas o senador Demóstenes Torres transitou entre dois papéis.
Ora mostrava profundo conhecimento do mundo e suas circunstâncias, exibindo credenciais de larga experiência nas áreas jurídica, política e administrativa, ora se apresentava como um néscio enganado durante 13 anos por um amigo íntimo, incapaz de se aperceber da impropriedade do uso de telefone, despesas de festas e viagens em aviões pagos por terceiros.
Como a figura do simplório não se coaduna com a atuação de ex-procurador-geral de Goiás, ex-secretário de Segurança Pública do mesmo Estado e senador sempre alerta para assuntos de desvios éticos e corrupção, a versão que apresentou sobre suas relações com Carlos Augusto Ramos (Cachoeira) revelou-se inverossímil.
Demóstenes Torres disse ao conselho que conheceu o hoje presidiário em 1999, mas só veio saber de suas atividades ilegais em 29 de fevereiro de 2012 quando Carlos Cachoeira foi preso, acusado de chefiar uma organização criminosa envolvida em jogatina ilegal, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, espionagem e corrupção.

Buscou confundir a cena recorrendo a uma frase de efeito - "quero ser julgado pelo que fiz não pelo que falei", como se a fala não traduzisse no mínimo a intenção do gesto - e ao argumento de que é vítima de um conluio entre o Ministério Público e a Polícia Federal, "para pegar um parlamentar e instituir um estado policialesco no Brasil".

Além de surrada, a alegação conspiratória, de largo uso entre alvos da cruzada ética em que o senador sustentou sua carreira, soa delirante diante do fato essencial.
E este é a natureza de suas relações com Carlos Cachoeira.

O senador saiu do Conselho de Ética com elas mais complicadas do que quando entrou.
A opção pela negativa de total desconhecimento sobre as atividades do acusado de chefiar uma organização criminosa acabou conferindo inverosimilhança à defesa do senador, justamente pela contradição existente entre a argúcia marcante em sua trajetória profissional e a ingenuidade extrema que buscou exibir ao se defender.

Com o quê, então, o rigoroso senador que no próprio dizer frequentava todas as rodas de poder, defendia os interesses "republicanos" (discernia-os, portanto) que fosse instado a defender, não percebeu que o amigo próximo ao ponto de pagar pelos fogos de artifício da festa de formatura da mulher era o mesmo flagrado pagando propina a Waldomiro Diniz e depois indiciado pela CPI dos Bingos?
Segundo ele, acreditou quando Cachoeira lhe assegurou ter-se afastado dos negócios ilegais.

Então sabia das ilegalidades, mas o teve como redimido?

Justiça seja feita ao senador Demóstenes, não foi o único alegadamente crédulo nessa questão.
O governador de Goiás, Marconi Perillo, bem como vários outros empresários e políticos compraram a palavra de Carlos Cachoeira pelo valor de face deixando ao encargo do passado os fatos que, como logo se viu, estiveram sempre presentes.

No trânsito entre os dois personagens incorporados no depoimento, o senador Demóstenes deixou ao mais sagaz deles o cuidado de não envolver colegas, embora tenha acentuado as relações do réu com "dezenas de parlamentares", numa evidente aposta na salvação pelo voto secreto do plenário.
Ilegal, e daí?

Um trecho de telefonema entre Demóstenes Torres e Carlos Cachoeira publicado pelo Estado e citado no Conselho de Ética pelo relator Humberto Costa, diz bastante sobre doações legais e ilegais para campanhas eleitorais.
Demóstenes demonstra receio de que a construtora Delta tenha feito "doação oficial" para ele. Tranquiliza-se quando Cachoeira garante que não.
Ou seja, caixa 2 tudo bem.

Recursos devidamente contabilizados já são complicados, pois podem vir a servir de prova ou indício em eventuais investigações sobre ilícitos envolvendo doador e receptor.
                30 de maio de 2012




Laranjas, tchutchucas e tigrões


É o samba do Senado doido

Já temos o hino funk da CPI do Cachoeira e da Delta
(alguém ainda se lembra do Demóstenes?)


Tchutchuca treme o bumbum/treme treme treme/treme o bumbum/dando uma reboladinha/e vai descendo/com o dedinho na boquinha/agora sobe com a mão na cinturinha/levante o pé dê uma rodadinha.


Letra e música são do Bonde do Tigrão.





REVISTA ÉPOCA

Foi o deputado tucano Fernando Francischini, do Paraná, que levou tchutchucas e tigrões ao palco do circo, na quinta-feira passada.

Ele provocou o relator da CPI, Odair Cunha, do PT.

Disse que os petistas são “tchutchucas” quando falam do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e se transformam em “tigrões” quando atacam a Delta e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Nenhum dos acusados na CPI treme a voz ou o olhar.

Os réus estão todos com o dedo na boquinha.

São múmias sem nada a declarar.

Estão certos.

Por que abdicar do direito constitucional de ficar calados, diante de congressistas que não brigam pela verdade mas se engalfinham por seus partidos?

No máximo, os acusados dão um sorrisinho para as câmeras e botam a mão na cinturinha.

Ninguém quer pegar os seus ou os nossos. Só os adversários. A senadora Kátia Abreu (PSD), diante de um Cachoeira mudo após duas horas e meia de interrogatório, traduziu o sentimento da nação: “Senhores, estamos aqui fazendo papel de bobos”.

O bicheiro, defendido pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, só surpreendeu pelos cabelos grisalhos, que não podem ter embranquecido em apenas três meses de prisão.

O resto foi previsível: “Ele pode não falar nunca”, disse Thomaz Bastos. Pode mesmo. Mas Cachoeira ameaça: “Tenho muito a dizer”.

Se somos bobos, o que dizer das faxineiras e do ajudante de caminhoneiro usados no Rio de Janeiro como laranjas da Delta Construções e de Cachoeira?

Aparecem como sócios de firmas que sacaram meio milhão de reais de empresas fantasmas. Encontrados pelo jornal O Globo, os laranjas não acompanham escândalos nem funk, mas acham que tudo vai acabar em pizza.

Uma das faxineiras está sem emprego há um ano e mora com mãe e quatro filhos num casebre alugado por R$ 150 mensais.

A quem apelar, se o presidente da CPI do Cachoeira, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), usa dinheiro público para comprar reportagens em rádios e sites de seu Estado?

Rêgo repassou R$ 41 mil a três jornalistas (e os jornalistas, não se envergonham de defender políticos em reportagens pagas disfarçadas?).

O presidente da CPI emprega uma funcionária fantasma em seu gabinete, Maria Eduarda Lucena dos Santos, que se diz coautora do hit “Ai se eu te pego”, cantado por Michel Teló.

Rêgo prometeu “abrir uma sindicância” para saber se a moça está entre seus 54 funcionários (pagos por nós, eleitores).

É o samba do Senado doido.




Quem deve estar certa é a Câmara, que, numa votação relâmpago e de surpresa – fora da pauta do dia –, aprovou, com apoio de todos os partidos, as candidaturas dos “contas sujas”. É um desafio ao Tribunal Superior Eleitoral: em março, o TSE definiu que só políticos com contas eleitorais aprovadas poderiam se candidatar neste ano.

O ministro Marco Aurélio Mello, do TSE, reagiu: “É o faz de conta. Será que é razoável dar a quitação eleitoral mesmo diante da rejeição das contas?”

A Câmara aproveitou o ruído da CPI do Cachoeira para decidir, em causa própria, que “não se pode mudar a regra no meio do jogo”.
Difícil moralizar se estamos sempre no meio do jogo. Em que momento será possível traçar uma linha de conduta que revogue as práticas anteriores nos Três Poderes?

O bicheiro Cachoeira era, até outro dia, uma das figuras mais influentes de nossa República, a julgar por seus amigos.

A Delta era a empreiteira favorita do PAC, com R$ 3,6 bilhões de contratos federais.

O presidente da Delta, Fernando Cavendish, empregava 30 mil pessoas e era o preferido de vários governadores, entre eles o casal Garotinho e Sérgio Cabral.

O senador Demóstenes Torres era o tigrão da ética.

Hoje sem partido, Demóstenes tenta não cair do bonde.

Conta com o voto secreto dos colegas do Senado para não ser cassado.

Estima-se que ele já tenha 30 votos a seu favor.

A cassação de um mandato exige voto de 41 dos 81 senadores.

Há quase dois meses, escrevi nesta coluna: “Demóstenes sabe que será perdoado”.

Pode ser que não. Pode ser que ele seja mesmo cassado. Mas, sem voto aberto, sem o livre acesso do eleitor à consciência de cada senador, é menos provável. Demóstenes se escora no corporativismo e no rabo preso de tchutchucas e tigrões.

Vem tchutchuca linda/Vem, aqui com o seu Tigrão/Vou te jogar na cama/E te dar muita pressão/Sente a pressão.

Vamos decorar o refrão do hino funk da CPI.

Cachoeira é pop.



Uma visita a Lewandowski…





Uma visita a Lewandowski…


por Cristiana Lôbo  Todas

A preocupação de Lula com o julgamento do caso do Mensalão, conhecida de todos no mundo político, aumentou com a chegada de 2012 – ano do julgamento e, ainda, coincidindo com as eleições municipais nas quais o PT deposita grandes esperanças de crescer, particularmente, em São Paulo, antigo território adversário.

Foi a partir daí que ele incluiu o assunto em sua agenda prioritária do ano.

Fiel a seu estilo de falar muito e revelar seus passos políticos, mesmo aqueles que exigem maior discrição, Lula contou o desejo de visitar o ministro Ricardo Lewandowiski, ministro-revisor do relatório do Mensalão, um amigo de sua família.

E assim fez.

No começo do ano, acompanhado do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, ele foi à casa de Lewandowski e, conversa-vai-conversa-vem, chegou ao assunto: quando será julgado o mensalão?

Sua preocupação central…


Depois dessa conversa Lula passou a explicitar aos amigos políticos grande preocupação com a dificuldade de se deixar o julgamento para o ano que vem.

Ele diz abertamente que considera inconveniente o julgamento do caso este ano.

Com elogios à casa de Lewandowski, num condomínimo chique de São Bernardo, Lula relatou a um aliado a pressão que o ministro vem sofrendo para apresentar logo o seu voto-revisor.

E mais: o temor de que essa pressão de opinião pública possa afetar o conjunto do julgamento.

Este é Lula.

Por bravata ou relatando a realidade, ele conta a amigos os seus passos, até mesmo uns que deveriam ser inconfessáveis, como uma visita a um ministro do Supremo Tribunal Federal no ano do julgamento mais importante para sua história política – o caso que marcou negativamente o seu primeiro mandato.

Lewandowski ensaiou negar a conversa com Lula.

Mas, diante dos detalhes da conversa – a companhia do prefeito e os elogios à casa – ele sorriu e disse: “ele é amigo da família”.

De fato, a mulher de Lula, Marisa Letícia, foi amiga da mãe do ministro, falecida ano passado.
  


                     
29/05/12


Gilmar Mendes diz que ‘intuito é trazer STF à vala comum’


Ministro critica ex-presidente Lula e fala em ação orquestrada para enfraquecer instituição







O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes
Foto: O Globo / Gustavo Miranda

            O ministro do Supremo Tribunal  Federal Gilmar Mendes
                  O Globo / Gustavo Miranda



BRASÍLIA- Indignado com o que afirma ser uma sórdida ação orquestrada para enfraquecer o Supremo, levar o tribunal para a vala comum, fragilizar a instituição e estabelecer a nulidade da Corte, o ministro Gilmar Mendes afirmou nesta terça-feira, em entrevista no seu gabinete no início da noite, que o Brasil não é a Venezuela de Chávez, onde o mandatário, quando contrariado, mandou até prender juiz. Gilmar acredita que por trás dessa estratégia está a tentativa de empurrar o julgamento do mensalão para pegar o STF num momento de transição, com três juízes mais jovens, recém-nomeados, dois dos mais experientes para sair, uma presidência em caráter tampão. Gilmar, que afirma ter ótima relação pessoal com Lula, conta que se surpreendeu com a abordagem recente do ex-presidente na casa do ex-ministro Nelson Jobim. Gilmar afirma que há estresse em torno do julgamento do mensalão e diz que os envolvidos estão fazendo com que o julgamento já esteja em curso. Ironicamente, diz, as ações para abortar o julgamento estão tendo efeito de precipitá-lo.


O GLOBO: Como foi a conversa com o presidente Lula?
GILMAR MENDES: Começou de forma absolutamente normal. Aí eu percebi que ele entrava insistentemente com tema da CPMI, dizendo do controle, do poder que tinha. Na terceira ou quarta vez que ele falou, eu senti-me na obrigação de dizer pra ele: “Eu não tenho nenhum temor de CPMI, eu não tenho nada com o Demóstenes”.
Isso soou a ele como provocação?
GILMAR: Isso. A reação dele foi voltar para a cadeira, tomou um susto. E aí ele disse: “E a viagem a Berlim? Não tem essa história da viagem a Berlim?” Aí eu percebi que tinha uma intriga no ar e fiz questão de esclarecer.
Antes disso ele tinha mencionado o mensalão?
GILMAR: É. Aqui ocorreu uma conversa normal. Ele disse que não achava conveniente o julgamento e eu disse que não havia como o tribunal não julgar neste ano. Visões diferentes e sinceras. É natural que ele possa ter uma avaliação, um interesse de momento de julgamento.
Isso é indício de que o presidente Lula não se desprendeu do cargo?
GILMAR: Não tenho condições de avaliar. Posso dizer é que ele é um ente político, vive isso 24 horas. E pode ser que ele esteja muito pressionado por quem está interessado no julgamento.
Na substituição de dois ministros, acha que as nomeações podem atender a um critério ideológico?
GILMAR: É uma pressão que pode ocorrer sobre o governo. Toda minha defesa em relação ao julgamento ainda este semestre diz respeito ao tempo já adequado de tramitação desse processo. O presidente Ayres Britto tem falado que o processo está maduro. Por outro lado, a demora leva à ausência desses dois ministros que participaram do recebimento da denúncia e conhecem o processo, que leva à recomposição do tribunal sob essa forte tensão e pressão, o que pode ser altamente inconveniente para uma corte desse tipo, que cumpre papel de moderação.
A partir da publicação da conversa do presidente Lula com o senhor, os ministros do STF estariam pressionados a condenar os réus, para não parecer que estão a serviço de Lula?
GILMAR: Não deve ser isso. O tribunal tem credibilidade suficiente para julgar com independência (...) O que me pareceu realmente heterodoxo, atípico, foi essa insistência na CPMI e na tentativa de me vincular a algo irregular. E de forma desinformada.
Quem está articulando o adiamento do mensalão dá um tiro no pé?
GILMAR: Acho que sim. E talvez não reparar que o Brasil não é a Venezuela de Chávez... ele mandou até prender juiz. Um diferencial do Brasil é ter instituições estáveis e fortes. Veja a importância do tribunal em certos momentos. A gente poderia citar várias. O caso das ações policialescas é o exemplo mais evidente. A ação firme do tribunal é que libertou o governo do torniquete da polícia. Se olharmos a crise dos jogos, dos bingos, era um quadro de corrupção que envolvia o governo. E foi o Supremo que começou a declarar a inconstitucionalidade das leis estaduais e inclusive estabeleceu a súmula. Eu fui o propositor da súmula dos bingos.
Depois que o ministro Jobim o desmentiu, o senhor conversou com ele?
GILMAR: Sim. O Jobim disse que o relato era falso. Eu disse: “Não, o relato não é falso”. A “Veja” compôs aquilo como uma colcha de retalhos, a partir de informações de várias pessoas, depois me procuraram. Óbvio que ela tem a interpretação. O fato na essência ocorreu. Não tenho histórico de mentira.
O julgamento já está em curso?
GILMAR: Sim, de certa forma. Por ironia do destino, talvez essas tentativas de abortar o julgamento ou de retardá-lo acabou por precipitá-lo, ou torná-lo inevitável.
O momento é de crise?
GILMAR: Está delicado. O país tem instituições fortes, isso nos permite resistir, avançar.
Tem uma ação deliberada de tumultuar processos em curso?
GILMAR: Ah, sim.
Existe fixação da figura do senhor?
GILMAR: Isso que é sintomático. Ficaram plantando notícias.
Qual o motivo disso?
GILMAR: Tenho a impressão de que uma das razões deve ser a tentativa de nulificar as iniciativas do tribunal em relação ao julgamento desse caso.
Mas por que o senhor?
GILMAR: Não sei. Eu vinha defendendo isso de forma muito enfática (o julgamento do mensalão o quanto antes). Desde o ano passado venho defendendo isso. O tribunal está passando por um momento muito complicado. Três juízes mais jovens, recém-nomeados, dois dos mais experientes para sair, uma presidência em caráter tampão. Isso enfraquece, debilita a liderança. Já é um poder em caráter descendente.
Um tribunal com ministros mais recentes é mais fraco que um com ministros mais experientes?
GILMAR: Não é isso. Mas os ministros mais recentes obviamente ainda não têm a cultura do tribunal, tanto é que participam pouco do debate público, naturalmente.
Dizem que os réus do mensalão querem adiar o julgamento para depois das substituições.
GILMAR: Esse é um ponto de ainda maior enfraquecimento do tribunal. Sempre que surge nova nomeação sempre vêm essas discussões acerca de compromissos, que tipo de compromissos teria aceito. Se tivermos esse julgamento, além do risco de prescrição no ano que vem, vamos trazer para esses colegas e o tribunal esta sobrecarga de suspeita.
Haverá suspeita se a indicação deles foi pautada pelo julgamento?
GILMAR: Vai abrir uma discussão desse tipo, o que é altamente inconveniente nesse contexto.
O voto do senhor na época da denúncia não foi dos mais fortes...
GILMAR: Não. É uma surpresa. Por que esse ataque a mim? Em matéria criminal, me enquadro entre os mais liberais. Inclusive arquei com o ônus de ser relator do processo do Palocci, com as críticas que vieram, fui contra o indiciamento do Mercadante, discuti fortemente o recebimento da denúncia do Genoino lá em Minas. Ninguém precisa me pedir cautela em termos de processo criminal. Combato o populismo judicial, especialmente esse em processos criminais, denuncio isso.
Todas as figuras que o senhor citou são petistas proeminentes. Por que querem atacar o senhor agora?
GILMAR: Desde o início desse caso há uma sequência de boatos, valendo-se inclusive desse poder perverso, essa associação de vazamentos, Polícia Federal, acesso de CPI. Como fizeram com o (procurador-geral da República, Roberto) Gurgel, de certa forma.
Um ex-presidente empenhado em pressionar o STF não mostra alto grau de desespero com a possibilidade de condenação no mensalão?
GILMAR: É difícil classificar. A minha indignação vem de que o próprio presidente poderia estar envolvido na divulgação de boatos. E a partir de desinformação, esse que é o problema.
Ele pode ter sido usado?
GILMAR: Sim, a sobrecarga... Ele não está tendo tempo de trabalhar essas questões, está tratando da saúde. Alguém está levando esse tipo de informação. Fui a Berlim em viagem oficial. Por conta do STF. Pra que ficar cultivando esse tipo de mito? São historietas irresponsáveis. Qualquer agente administrativo saberia esclarecer isso.
Esses ataques não atingem o STF?
GILMAR: Claro, evidente. O intuito, obviamente, não é só me atingir, é afetar a própria instituição, trazê-la para essa vala comum.

29.05.12
 
 
 

Procurador da República no RS entra com representação contra Thomaz Bastos



Pastana diz que ex-ministro incide em receptação e lavagem de dinheiro. Por meio de nota, Thomaz Bastos diz que ação é 'retrocesso autoritário'.


Felipe Truda
Do G1 RS

 Cachoeira e Thomaz Bastos durante sessão da CPI
(Foto: Dida Sampaio / Agência Estado)


O procurador Manoel Pastana, da Procuradoria Regional da República da 4ª Região, de Porto Alegre, entrou nesta terça-feira (29) com uma representação na Procuradoria da República de Goiás contra o advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. Segundo Pastana, Thomaz Bastos pode ser acusado dos crimes de receptação culposa e lavagem de dinheiro, por receber R$ 15 mil para defender o empresário do ramo de jogos Carlinhos Cachoeira, que teve os bens bloqueados pela Justiça e foi preso em fevereiro sob a acusação de comandar uma quadrilha de jogo ilegal.
saiba mais
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Perillo diz que não há envolvimento de Cachoeira com governo de Goiás


Com a representação, o procurador pretende incentivar o Ministério Público de Goiás a investigar a origem do dinheiro pago ao advogado. “Não podemos ficar diante de um indício de crime, público e notório. Assim como há um ordenamento jurídico que garante o silêncio, como foi usado na CPI, há outro que obriga o Ministério Público a agir quando está diante de um crime, tanto de lavagem de dinheiro como de receptação”, disse ao G1 o procurador.

Por meio de nota, Thomaz Bastos repudiou a representação de Pastana. O texto nem sequer cita o nome do procurador. “Trata-se de retrocesso autoritário incompatível com a história democrática do Ministério Público. Esse procurador confunde deliberadamente o réu e o advogado responsável por sua defesa, abusando do direito de ação”, diz a nota.

No texto da representação, Pastana critica Bastos por defender um homem acusado de crimes que afetam a estrutura da administração pública, sendo ele um ex-ministro da Justiça. Segundo o procurador, no entanto, a lei não o impede de trabalhar no caso. O problema para ele é o alto valor do honorário. “Não estou impedindo o Thomaz Bastos de defender (Cachoeira). O que quero saber é se este dinheiro tem origem ilícita”, observa o autor da representação. “O Cachoeira tem renda declarada de R$ 200 mil anuais. É impossível pagar R$ 15 milhões”, acrescenta.

O procurador encaminhou a representação à Procuradoria da República de Goiás por fax nesta terça-feira (29), e no mesmo dia enviou o ofício pelo correio. Ele espera obter uma resposta dentro do prazo legal, de 30 dias. “Se não for comprovado (a origem), o dinheiro deve ser apreendido. O Thomaz Bastos pode ser acusado, por lavagem ou receptação, e o valor pode ser confiscado pela Receita Federal”, disse o procurador.

Na nota, Bastos ainda afirma que o escritório que dirige segue as regras da Receita Federal, e que os honorários pagos por Cachoeira “seguem as diretrizes preconizadas pelo Código de Ética da Advocacia e por outras leis”.

Leia a íntegra da nota de Thomaz Bastos:


O advogado Márcio Thomaz Bastos repudia as ilações de um procurador regional da República no
Rio Grande do Sul, por estar defendendo um acusado em caso de grande repercussão nacional. Trata-se de retrocesso autoritário incompatível com a história democrática do Ministério Público. Esse procurador confunde deliberadamente o réu e o advogado responsável por sua defesa, abusando do direito de ação.


Em seus quase 60 anos de atividade como advogado e defensor da causa do Estado Democrático de Direito, jamais se defrontou com questionamentos desse calão, que atentam contra o livre exercício do direito de defesa, entre outros direitos e garantias fundamentais, tanto do acusado como do seu defensor.



Os honorários profissionais remuneram o serviço de advocacia que está sendo prestado – fato público e notório – e seguem as diretrizes preconizadas pelo Código de Ética da Advocacia e por outras leis do País.



O escritório que dirige, como qualquer outra empresa, respeita todas as regras impostas pela Receita Federal do Brasil. Causa indignação, portanto, a tentativa leviana de intimidar o advogado, para cercear o direito de defesa de um cidadão. Trata-se de lamentável desvio de finalidade.

MÁRCIO THOMAZ BASTOS ADVOGADOS

Coaf detecta movimentação atípica em conta de Cachoeira




Investigação

Relatório foi enviado à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga contraventor

Dados revelam valores recebidos por ex-diretor da Delta
Hugo Marques e Gabriel Castro
Cachoeira: segundo Coaf, conta do BB em Goiás recebeu 420 727 reais entre março de 2004 e dezembro de 2005
(Dida Sampaio/AE)

O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda obtido pela CPI do Cachoeira mostra que o órgão detectou uma movimentação atípica em uma conta do contraventor Carlinhos Cachoeira no Banco do Brasil.

O documento aponta que a conta, sediada na agência 3005 de Anápolis (GO), recebeu 420 727 reais entre março de 2004 e dezembro de 2005.

Os valores, alega o Coaf, lançam suspeitas sobre Cachoeira porque são "considerados incompatíveis com sua capacidade econômica financeira presumida".

Essa foi a única conta em nome do próprio Cachoeira que chamou a atenção do Coaf por sua movimentação atípica de recursos - mas os valores não representam de forma significativa o volume movimentado pela quadrilha porque a maior parte das transações envolvia laranjas e empresas de fachada.

Em uma conta bancária em nome da Vitapan, indústria farmacêutica controlada por Cachoeira, o Coaf registrou a entrada de 128,3 milhões de reais entre janeiro de 2005 e fevereiro de 2012.

A indústria está registrada no nome da ex-mulher de Cachoeira, Andrea Aprígio, e do irmão dela, Adriano Aprígio.


O relatório encaminhado à CPI mostra ainda que a Vitapan possuía vínculo com a Leão & Leão - empresa que, em 2005, esteve no centro de acusações envolvendo o então ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.

O petista foi acusado de ter recebido uma mesada de 50 000 reais para manter contratos com a companhia enquanto era prefeito de Ribeirão Preto (SP).

O Coaf não dá detalhes da ligação entre a Vitapan e a Leão & Leão.


Abreu - Conforme o pedido da CPI, o relatório do Coaf também trata de Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste.

O documento aponta que ele recebeu de janeiro de 2005 a março de 2012 1,3 milhão de reais.

Em outubro de 2010, ele obteve da construtora Vale do Lontra, sediada em Tocantins, transferências que somam 600 000 reais. A partir de julho de 2011, a conta passa a ter um movimento financeiro pequeno.

O documento do Coaf informa ainda não ter detectado movimentações atípicas nas contas de José Olímpio Queiroga Neto e Idalberto "Dadá" Matias de Araújo, dois comparsas de Cachoeira.

No caso de Dadá, aparece apenas uma "operação de seguro" de 5 954 reais, apontada como movimentação de interesse porque ocorreu um dia depois da prisão do braço-direito de Cachoeira.

Os documentos em poder da CPI também mostram uma lista de 29 empresas que receberam recursos da construtora Delta por meio de duas companhias de fachada do esquema Cachoeira: a Brava e a Alberto & Pantoja.
Na lista, aparecem doze companhias de Goiás, sete de São Paulo, três do Distrito Federal, duas de Mato Grosso, duas do Rio de Janeiro, duas do Tocantins e duas do Paraná.
 
29/05/2012


CPI quebra sigilo da Delta; decisão sobre governadores sai amanhã


Reunião foi interrompida pois, de acordo com o regimento interno do Congresso, não pode haver atividades de comissões enquanto estiver ocorrendo uma sessão plenária

Do Portal Terra


Em uma sessão rápida, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira aprovou, nesta terça-feira (29), requerimento para a quebra do sigilo bancário da matriz da construtora Delta.

Contudo, por falta de tempo, não houve acordo para a convocação dos governadores Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás.

A reunião da CPI foi interrompida pois, de acordo com o regimento interno do Congresso, não pode haver atividades de comissões enquanto estiver ocorrendo uma sessão plenária. Uma nova reunião foi marcada para esta quarta-feira, às 10h.
Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina.

O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO).

Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo.

Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março.

No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna.

Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria.

O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás.

Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.
30.Mai.2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

Para reanimar o chefe em apuros, nada melhor que encomendar mais um recorde aos comerciantes de porcentagens





Por Augusto Nunes

Podem apostar: a seita lulopetista já encomendou a alguma loja de estatísticas outra “pesquisa” concebida para comunicar ao país, ainda na primeira semana de junho, que a popularidade do Supremo Pastor subiu mais um pouco e já se aproxima dos 100% (ou 103%, se computada a margem de erro para cima).

Imediatamente, jornalistas amestrados verão nos resultados a confirmação de que brasileiro não dá maior importância a miudezas políticas.


Estupros do Estado de Democrático de Direito, por exemplo.

Como até devotos delirantes desconfiam que o chefe foi longe demais na conversa com o ministro Gilmar Mendes, o comerciante de porcentagens encarregado do serviço terá de premiar o freguês com algum brinde espetacular.

Desta vez, não basta jurar que o índice de aprovação do governo Dilma Rousseff ultrapassou a fronteira dos 90%.

Para que o rebanho volte a acreditar que Deus, que é brasileiro, resolveu voltar ao país natal disfarçado de Lula, chegou a hora de resgatar Fernando Haddad do buraco dos 3% e instalar o poste de topete na faixa dos dois dígitos.
Os analistas estatizados saberão enxergar no fenômeno mais uma prova de que Gilmar Mendes mentiu.
29/05/2012

INACREDITÁVEL! UOL dá visibilidade a um sujeito que maneja uma máquina mágica, que estaria acusando que Mendes mentiu! Huuummm…


                                                

 O Portal só se esqueceu de dizer quem é o cara e o que andou afirmando em 2005 sobre o mensalão!

É fim da picada!É espantoso! Chega a ser inacreditável!

Afinal, a, por assim dizer, notícia está publicada no UOL, o maior portal do país.

Um sujeito chamado Mauro Nadvorny, que maneja uma engenhoca que seria uma espécie de “detector de mentiras”, teria apontado “trechos fraudulentos” numa entrevista concedida por Gilmar Mendes à GloboNews.
                                        

                                             Por Reinaldo Azevedo


E quando o ministro teria mentido, segundo a máquina mágica de Nadvorny? Justamente quando o Mendes afirma que o mensalão fez parte da conversa, que Lula se referiu várias vezes à CPI e que ele, Mendes, não tem relação com Demóstenes.

Entenderam?

A máquina da verdade de Nadvorny parece falar tudo aquilo que os petistas gostam de ouvir.
Esse cara é novo nessa ramo?

Nãããooo!!!

É até bem antigo. Não só é propagandista de sua engenhoca — que não é reconhecida em tribunal nenhum do mundo — como tem veleidades de pensador político, conforme se lê num, bem…, artigo publicado em seu blog em 30 de agosto de 2005.

Já tirei cópia da página e fiz PDF, para ficar tudo documentado.
Quem ler aquela glossolalia vai ver um Nadvorny indignado com as denúncias do mensalão. Já naquele tempo, a gente nota que ele acha que é tudo uma conspiração contra Lula.

Para esse grande pensador, a coisa toda não passava de uma “alucinação coletiva”. Reproduzo um trecho, que segue na língua original:


“Estamos vivendo um momento único. Não, não é o fato de termos descoberto que até o PT seria capaz de fazer o que os outros partidos sempre fizeram. Refiro-me ao fato de que estamos diante de uma das maiores lavagens cerebrais nunca jamais vistas. Estamos diante de uma alucinação coletiva. Todos falam de supostos acontecimentos como se eles tivessem ocorrido e aguardam a punição dos culpados, como se culpados houvessem de algo que sequer foi provado sua ocorrência.”
Nadvorny, como vocês verão abaixo, faz com a sua maquininha o que bem entende. Ela confessa tudo aquilo em que ele próprio acredita. Quando Roberto Jefferson denunciou o mensalão, ele submeteu a fala do então deputado à sua engenhoca. Leiam:
“Analisei as palavras de Roberto Jefferson com a Tecnologia de Análise de Voz israelense com a qual trabalho. Ele realmente acreditava no que dizia (na verdade no que o ex-presidente do PTB, José Carlos Martinez havia contado a ele), mas isto não prova que o PT pagava as bancadas do PP e do PL mesadas de qualquer tipo. É mais ou menos como analisar um sujeito que diz ter sido abduzido por um disco voador. A análise pode comprovar que ele está dizendo a verdade. Isto prova que ele realmente acredita ter estado num disco voador, mas de maneira alguma prova a existência deles.”
Compreenderam?

Este grande analista concluiu que Jefferson falava a verdade — vale dizer, aquilo que ele, segundo Nadvorny, pensava ser a verdade! Santo Deus!

O pensador das engenhoca explica por que estava tão indignado com as acusações do mensalão:


“A vitória de um trabalhador para a presidência do Brasil não foi suportada por muita gente. Nem de longe somos um país de maioria socialista, sequer de esquerda. Lula chegou lá por seu mérito, muito mais do que pelo de seu partido. Tanto assim que não fez maioria absoluta no Congresso e alianças com outros partidos foram à única forma de poder governar. Simples e pragmático. Qualquer coisa diferente disso seria o mesmo que entregar a presidência ao segundo colocado.”
Encerrando

Acho que já está de bom tamanho, não é mesmo?

É um sujeito com essa qualificação e com esse histórico que está no UOL, o maior portal do país, se atrevendo a dizer que um ministro do Supremo mentiu, alegando que chegou a essa conclusão com dados técnicos tirados de uma máquina mágica.
Que tempos!

Gurgel encaminha representação contra Lula




Partidos da oposição pediram que Ministério Público investigue se Lula cometeu crime de tráfico de influência em suposto encontro com ministro Gilmar Mendes

REUTERS

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, repassou nesta terça-feira, 29, a representação de partidos da oposição contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Procuradoria da República no Distrito Federal, que atua na primeira instância do Judiciário.


Segundo a assessoria de imprensa da Procuradoria Geral da República, a decisão de Gurgel se deve ao fato de Lula não possuir mais foro privilegiado por ter deixado a Presidência.


Na segunda-feira, 28, partidos da oposição pediram ao Ministério Público que investigue se Lula cometeu crimes de tráfico de influência, coação em processo em andamento e corrupção ativa.
Segundo reportagem publicada no fim de semana pela revista Veja, citando relatos do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula teria pressionado o magistrado a apoiar o adiamento do julgamento do mensalão em troca de proteção na CPI que investiga as relações do empresário Carlinhos Cachoeira com empresas e políticos.

Isso porque Mendes teria se encontrado com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) durante uma viagem a Berlim. Demóstenes responde a processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro por conta de suas relações com Cachoeira, preso desde fevereiro acusado de comandar uma rede de jogos ilegais.

O senador depôs ao Conselho de Ética nesta terça e negou as denúncias.

Na segunda-feira, Lula declarou-se "indignado" ao negar ter pressionado Mendes em nota divulgada por seu instituto. Ele confirmou ter se encontrado com Mendes, mas disse que o conteúdo da conversa relatado pela revista é "inverídico".

29 de maio de 2012

Mendes diz que 'bandidos' plantam boatos contra ele para atingir STF




Ministro vê 'armação' contra STF antes do julgamento do mensalão

Segundo ele, Lula faz papel de 'central de divulgação' dessas informações

Do G1
em Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou na tarde desta terça-feira (29) que "gângsters" e "bandidos" estão plantando informações contra ele com o objetivo de atingir o Supremo Tribunal Federal.
Segundo Mendes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era uma "central de divulgação" dessas informações. O G1 consultou a assessoria de Lula, que informou que o ex-presidente não comentará as declarações.

Reportagem da revista "Veja" publicada no último final de semana relatou encontro entre Mendes e o ex-presidente no qual Lula teria supostamente pressionado o ministro com o objetivo de adiar o julgamento do mensalão.

Em troca, segundo a revista, teria oferecido a Mendes proteção na CPI do Cachoeira, em razão de uma viagem do ministro a Berlim, em companhia do senador Demóstenes Torres.

Segundo a revista, "boatos" davam conta de que a viagem teria sido patrocinada pelo bicheiro.

Mendes disse que viajou com recursos próprios. Demóstenes afirmou que não viajou junto com o ministro.


Na segunda (28), em Manaus, Mendes reafirmou o que diz a reportagem de "Veja" (leia: "Gilmar Mendes confirma que conversou com Lula sobre mensalão") e Lula se disse "indignado".

"Não viajei em jatinho coisa nenhuma. Até trouxe para vocês para vocês [documentos] para encerrar esse negócio.

Vamos parar com fofoca.
 

 A gente está lidando com gângsters.

Vamos deixar claro: estamos lidando com bandidos.

Bandidos.

Bandidos que ficam plantando essas informações",
declarou Mendes em conversa com jornalistas no Supremo Tribunal Federal.


Mendes apontou a existência de uma "armação" com o objetivo de atingir o STF, que deve julgar ainda neste ano o processo do mensalão, escândalo de suposta compra de apoio político de parlamentares durante o governo Lula.

"Claro que isso é uma armação, obviamente. Mas não é para me atingir. As minhas posições em direito penal vocês conhecem. Era para atingir o tribunal, criar um clima de corrupção geral, era esse o objetivo", declarou.

Indagado se Lula tinha relação com isso, ele afirmou que recebeu "notícias" de que o ex-presidente era uma "central de divulgação" dessas informações.
"Ele [Lula] recebeu esse tipo de informação. Gente que o subsidiou com esse tipo de informação e ele acreditou nela.

Vamos encerrar com isso"
declarou.

Perguntado se Lula estava repassando essas informações, Mendes afirmou: "As notícias que me chegaram era que sim. De que ele era a central de divulgação disso. O próprio presidente".

Mendes admitiu ter viajado duas vezes para Goiânia em aeronaves disponibilizadas por Demóstenes Torres.

De acordo com o ministro, uma das viagens foi na companhia de Jobim e do ministro do STF Antônio Dias Toffoli.

Na ocasião, em 2010, os três teriam participado de um jantar na capital de Goiás.

Na segunda viagem a convite de Demóstenes, detalhou o ministro, ele foi paraninfo de uma formatura.

Mendes afirmou que Toffoli e a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Fátima Nancy Andrighi o acompanharam no voo.


"Vamos dizer que o Demóstenes me oferecesse uma carona num avião, se ele tivesse. Teria algo de anormal?

Eu fui duas vezes a Goiânia a convite do Demóstenes. Uma vez com Jobim e Toffoli. E outra vez com Toffoli e a ministra Fátima Nancy. Avião que ele colocou à disposição.

Tudo combinado e muitos de vocês já ouviram. Tenho tudo anotado. Era avião da empresa Voar. Foi tudo combinado, público. Eu não estava escondendo nada.

Por que esse tipo de notícia? Vamos dizer que eu tivesse pego um avião se ele tivesse me oferecido?

Eu tinha algum envolvimento com o eventual malfeito dele? Que negócio é esse? Grupo de chantagistas, bandidos. Desrespeitosos",
declarou o ministro.



                                     Entrevista

Confira abaixo a transcrição dos oito primeiros minutos da entrevista de Gilmar Mendes:

Pergunta - Como fica essa história que o ministro Jobim disse, que não teve esse teor de conversa exatamente como o senhor falou? Um diz uma coisa, outro diz outra.
Se eu fosse Juruna eu gravava a conversa, né? Ficaria interessantíssimo.

Pergunta - O que o senhor acha da situação toda? Leu a Carta Maior? A informação de que o senhor teria viajado num jatinho?
Não viajei em jatinho coisa nenhuma. Até trouxe para vocês para vocês [documentos] para encerrar esse negócio. Vamos parar com fofoca. A gente está lidando com gangsters. Vamos deixar claro: estamos lidando com bandidos. Bandidos. Bandidos que ficam plantando essas informações.

Vocês se lembram do Gilmar de Mello Mendes [em 2007, o nome "Gilmar de Melo Mendes" apareceu em uma suposta lista da Polícia Federal de suspeitos de receber "presentes" da empresa Gautama, suspeita de fraudes em licitações.

Posteriormente, a PF disse que se tratava de um homônimo, ex-secretário no governo de Sergipe]
.

É o mesmo nível de informação. Estamos lidando com gângsters. Está aqui. A minha viagem para Berlim, a partir de Granada. Voces têm todos os documentos com hotéis. Tem o voo TAM voltando de....

Chega de lidar com bandidos. Gângsters. Pegam essas informações e ficam plantando. Que nível. E com pouca inteligência. Aparece o Demóstenes dizendo lá que estava comigo. Guarulhos, Brasília com os pontos. Vamos parar com confusão, vamos parar com molecagem.

Vamos encerrar isso. Negócio de viagem. Por que não se esclarece isso? Vamos dizer que o Demóstenes me oferecesse uma carona num avião, se ele tivesse.

Teria algo de anormal? Eu fui duas vezes a Goiânia a convite do Demóstenes. Uma vez com Jobim e Toffoli. E outra vez com Toffoli e a ministra Fátima Nancy. Avião que ele colocou à disposição. Tudo combinado e muitos de vocês já ouviram. Tenho tudo anotado. Era avião da empresa Voar. Foi tudo combinado, público. Eu não estava escondendo nada.

Por que esse tipo de notícia? Vamos dizer que eu tivesse pego um avião se ele tivesse me oferecido? Eu tinha algum envolvimento com o eventual malfeito dele? Que negócio é esse? Grupo de chantagistas, bandidos. Desrespeitosos.


Mas eles não querem me constranger não, queriam constranger o tribunal. É preciso encerrar de uma vez por todos com isso. Vamos encerrar com isso. Não quero ter relação com bandidagem e quem está fazendo isso é bandido.

É a mesma história de Gilmar de Mello Mendes. [Agora voltam com essas historinhas.] Hoje tem um roteiro no "Valor" dizendo das investigações: "Viagem a Berlim". Vocês sabem que desde 1979 frequento a Alemanha a todo tempo. Tenho uma filha que mora lá. Dou aula lá. Sou professor de Granada. Todo ano vou lá. Vocês vão ver, a minha passagem é tirada pelo Supremo. Quem pagou? Eu preciso que alguém pague a minha passagem, gente?

O meu livro "Curso de Direito Constitucional" vendeu de 2007 até agora 80 mil exemplares. Dava para dar algumas voltas ao mundo. Não é viagem a Berlim. Vamos parar de conversa. Eu não preciso de ficar me apropriando de fundo sindical e nem de dinheiro de empresa.

Pergunta - Quando o senhor se refere a bandidos o senhor está se referindo às pessoas que fizeram as gravações?
Gente que está usando esse tipo de informação. É coisa de gangsterismo.



Pergunta - Onde o presidente Lula entra nessa história?


Ele recebeu esse tipo de informação. Gente que o subsidiou com esse tipo de informação e ele acreditou nela. Vamos encerrar com isso.



Pergunta - Ele estava passando essas informações adiante?


As notícias que me chegaram era que sim. De que ele era a central de divulgação disso.



Pergunta - Quem era a central?


O próprio presidente.

Estive com o embaixador Everton Vargas (em Berlim), que foi designado pelo Lula. Quem vai para Berlim clandestinamente vai a embaixada? Coisa de moleque e de baixa inteligência. É gente que não tem [meio] neurônio. Para esclarecer tudo isso bastava um telefonema para a embaixada. Não precisava se fazer essa rede de intriga que está se fazendo. Chega disso.


Pergunta - Quando o senhor diz que estão tentando coagir o Supremo, o que quis dizer?


O objetivo era melar o julgamento do mensalão. Dizer que o Judiciário está envolvido em uma rede de corrupção. Era isso. Tentaram fazer isso com o Gurgel e estão tentando fazer isso agora. Porque desde o começo eu assumi e não era para efeito de condenação. Todos vocês conhecem as minhas posições em matéria penal. Eu tenho combatido aqui o populismo judicial e o populismo penal.

Mas por que eu defendo o julgamento? Porque nós vamos ficar desmoralizados se não o fizermos. Vão sair dois experientes juízes, que participaram do julgamento anterior, virão dois novos, que virão contaminados por uma onda de susp....

Por isso, o tribunal tem que julgar neste semestre. Por isso que tem que julgar logo. E por isso essa pressão para que o tribunal não julgue. Vamos encerrar com isso.

Agora, eu que viajo o mundo, vou quatro vezes por ano à Comissão de Veneza, sou o representante do Brasil na comissão, preciso de alguém para pagar passagem para mim? Vamos parar de futrica. Não preciso ficar extorquindo van para obter dinheiro. O que é isso? Um pouco mais de respeito, p....


Pergunta - Réus do mensalão estariam envolvidos nessa tentativa de melar o julgamento?
Sei lá, mas alguém construiu essa lógica burra, irresponsável, imbecil. Mas construiu.



Pergunta - O senhor quando diz que o presidente Lula é a central de divulgação disso
tudo...
Colegas de vocês que me disseram isso.


Pergunta - Quando o senhor falou que o presidente Lula tocou no assunto CPI, o senhor falou 'vai fundo na investigação'. Como ele reagiu?


Ele ficou decepcionado e disse assim: "E Berlim?" Aí eu expliquei a ele que em Berlim eu ia tanto quando ele ia a São Bernardo.



Pergunta - Por que o senhor avalia que ele ficou decepcionado?
Alguém passou essa informação infeliz para ele, errada. Esses roteiros meus de viagem são públicos. Vocês podem pedir no meu gabinete. Eu não vou escondido para lugar nenhum.



Pergunta - Na sua avaliação o presidente foi uma vítima desses gangsters ou estaria incluído nesse grupo de pessoas?
Acho que ele está sobreonerado com isso. Estão exigindo dele uma tarefa de Sísifo.



Pergunta - E essa tarefa seria adiar o julgamento?


Evidente que... [a tarefa dele seria adiar o julgamento].


                        29/05/2012

 

Representação contra Lula na Procuradoria-Geral







Blog do
Alvaro Dias

O senador Alvaro Dias anunciou no Plenário que o PSDB e demais partidos de oposição encaminharão representação à Procuradoria-Geral da República, alegando que os fatos divulgados pela revista “Veja” no último fim de semana apontam graves indícios da prática de crimes, pelo ex-presidente Lula, de corrupção ativa, coação e tráfico de influência.

A representação cita artigos do Código Penal Brasileiro, segundo os quais constitui crime usar de violência ou grave ameaça contra autoridade, a fim de favorecer interesse próprio ou alheio e de intervir em processo judicial, policial ou administrativo.

Os líderes dos partidos de oposição na Câmara e no Senado pedem, na representação, instauração de inquérito policial e que seja promovida a devida ação penal, em face da conduta flagrantemente explícita do ex-presidente da República.

“O fato é grave, inusitado, afrontoso, ofende a consciência democrática dos brasileiros. A atitude de Lula, entretanto, não surpreende, já que nos acostumamos a vê-lo durante oito anos como advogado de defesa dos desonestos, a passar a mão na cabeça dos corruptos e ditadores mundo afora.

Causa espanto, entretanto, ver o ex-presidente tentando derrotar o STF, que não foi derrotado nem mesmo pelo autoritarismo”, disse.

Veja a íntegra da representação, clique aqui.



(Postado por Eduardo Mota – assessoria)
28 de maio de 2012 

Base alugada fará de tudo para que CPI blinde a Delta e não convoque governadores, para salvar Lula



Hoje é o dia D para a Comissão Paralamentar a Impunidade do Cachoeira


Alerta Total 
Por Jorge Serrão

Lula da Silva, que agora precisa de um tratamento contra ele mesmo, está com o dele na reta e apertadinho.

Se a CPI votar a quebra de sigilo do escritório central da Delta Construções, no Rio de Janeiro, alguns documentos têm tudo para mostrar que a relação entre o Doutor Chefão Lula e o governador Sérgio Cabral vai muito além da amizade política.

Mas tudo indica que a base alugada (ops, aliada) deve blindar a Delta e ainda recusar a convocação dos governadores Marconi Perillo, Agnelo Queiroz e Cabralzinho.


Apesar de todas as evidências em contrário, o presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), alegou ontem que não há motivos para pedir explicações do Presidente Lula sobre a tentativa de tráfico de influência e extorsão contra o ex-Presidente e atual ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Sem se expor publicamente (porque mesmo quem tem rêgo de aliado tem medo), Lula usou o instituto com nome dele para lançar uma nota (oficial) negando toda história e chamando Gilmar de mentiroso.

Já o ministro voltou ontem a confirmar a postura nada republicana de Lula no encontro deles, dia 26 de abril, no escritório de Nelson Jobim, em Brasília.


Até um bebê de colo sabe que Lula cometeu crime ao propor ao ministro Gilmar Mendes o adiamento do julgamento do Mensalão em troca de eventual "blindagem" do magistrado na CPI do Cachoeira.
Por isso, o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, tem o dever legal de pedir a abertura de um inquérito para investigar a revelada tentativa de crime de tráfico de influência e até de extorsão praticadas pelo ex-Presidente da República contra um ministro titular e ex-Presidente do Supremo Tribunal Federal.

Será que o povão vai ter de perguntar: “Cadê você, MP?”


Do jeito que a coisa vai, a CPI terá de pedir ao pessoal do Casseta, com urgência, que convoque para lá o solucionador de problemas retrofurinculares, Doutor Jacinto Leite no Rego.

Aliás, um País que não se indigna com mais uma atitude despudorada do ex-Presidente Lula tem duas opções.

Ou recorre ao famoso médico do Agamenon Mendes Pedreira, ou convoca o também famoso Marechal Oriental Massarikonoku para curar tanta apatia generalizada (no sentido denotativo e no conotativo do termo).

29 de maio de 2012

Autoritários do Brasil, vocês perderam! Se Lula insistir em violar a Constituição, tem de fazer a sua pregação na cadeia!






Ou: Queremos os mensaleiros algemados!

Ou: CHEGA, LULA!!!

Duas expressões do território do sagrado se confrontaram nesta segunda-feira nas redes sociais: a falsa e a verdadeira.

De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva, o falso sagrado;

de outro, a Constituição da República Federativa do Brasil, o verdadeiro.

De um lado, a mistificação, a empulhação político-ideológica, a mesquinharia travestida de força popular;

de outro, os fundamentos do estado de direito, da democracia e da liberdade.


De um lado, o vale-tudo que está na raiz das ditaduras, da violência institucional, do mandonismo;

de outro, as instituições.

De um lado, a lógica dos privilégios, da inimputabilidade, da impunidade;

de outro, o triunfo da igualdade perante a lei, que faz de Lula um homem como outro qualquer.


E EU LHES DIGO: DESTA FEITA, E NÃO TEM SIDO ASSIM TÃO USUAL, O BEM TRIUNFOU SOBRE O MAL; a legalidade rechaçou o arbítrio; a democracia repudiou a vocação tirana.
Nas redes sociais, os porta-vozes das trevas gritavam: “Não toquem em Lula, ou haverá rebelião popular!”

E uma autêntica rede da legalidade tecia a sua teia para gritar em uníssono: “Demos a Lula, segundo os limites da lei, o direito de governar o país por oito anos, mas não lhe entregamos a nossa honra, a nossa dignidade, a nossa liberdade!”

De um lado, em suma, um passado que não quer passar vociferava: “Ele é intocável!”

Do outro, com voz ainda mais potente, ouvia-se a resposta: “Intocável é a Constituição da República Federativa do Brasil”!




E a luz se impôs sobre as trevas.

Eles bem que tentaram. Os falsos perfis e os robôs atuaram com força inédita nas redes sociais, buscando dar o tom do debate, “trollando” os que ousavam manifestar uma voz divergente, molestando os adversários, atacando-os com a brutalidade oficialista, cavalgando as mentiras de sempre, esgrimindo as generalizações mais grosseiras, ressuscitando os preconceitos mais rombudos.

Mas nada conseguia disfarçar o real propósito de sua ação. Ali estava uma súcia encarregada de defender bandidos, de amparar malandros, de endossar larápios, de apoiar ladrões de dinheiro público e ladrões da institucionalidade.

Lula tentou roubar do Brasil e dos brasileiros aquilo que não o faz especialmente rico, mas que nos deixa pobres como nação, como país, como povo: o império da lei.

Lula tem tentando reescrever o passado à custa do futuro.

A constatação indeclinável e a verdade inescapável é que um país que deixe impunes os mensaleiros estará assinando um compromisso com a fraude, com a mentira, com a empulhação, com a roubalheira.

Um país que — desta feita sim, com a devida condenação legal — não meta algemas nos pulsos desses malandros estará condenando a si mesmo ao atraso, ao vexame, à ignomínia.
Há muito Lula ultrapassou o limite do aceitável, com seus discursos bucéfalos, com suas escandalosas falsificações da história;

com sua vocação para mentir sobre o próprio passado e o passado do país;

com sua disposição para empenhar o futuro em nome de arranjos presentes;

com sua disposição para acomodar interesses subalternos;

com sua inclinação para lavar a reputação, por mais suja que fosse, de quantos lhe prestassem vassalagem e sujar a biografia, por mais limpa que se mostrasse, de qualquer um que ousasse enfrentá-lo.



Há muito Lula escandaliza o bom senso com sua incrível capacidade de amordaçar o debate, reduzindo-o a um mero arranca-rabo de classes — já que “luta de classes” é debate para gente com mais preparo intelectual do que ele, ainda que equivocada —, enquanto, que espanto!, se beneficia dos privilégios que ele e os seus concederam e concedem a alguns eleitos da República.
Não por acaso, em 2011, num ano não-eleitoral, empresas doaram a seu partido mais de R$ 50 milhões!

Essa é a República de Lula, que faz da concessão desses privilégios um ato de resistência ideológica.


Dada a condescendência com que sempre foi tratado, pouco importava a besteira que dissesse ou fizesse, Lula foi criando balda.

Com o tempo, até ele próprio acreditou que, de fato, era o Lula criado pela máquina de propaganda e endeusado pela súcia de “funcionários” do partido.

Com o tempo,
ele passou realmente a acreditar que era aquela figura mágica que recebe títulos de doutor honoris causa às baciadas.

Com o tempo, imaginou que o Brasil inteiro cabia naquela sala de professores e reitores áulicos, que se dispunham a lhe entregar tudo, muito especialmente a honra.

E partiu, então, para o gesto tresloucado: chantagear um ministro do Supremo Tribunal Federal, depois de ter molestado, ainda que com sua famosa e falsa candura, alguns outros.

Desta feita, no entanto, deu tudo errado.

Um valor mais alto se alevantou.


O verdadeiro se impôs sobre o falso.

Acabou a era do bezerro de ouro.

Ou Lula se submete à Constituição ou diz na cadeia por que não.

Este país, como estado, adora um único Deus: a Constituição!

Chega, Lula!
Chega de Lula!
Lula já era e não quer que o Brasil seja!

29.05.2012