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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Jovens vão marchar contra corrupção no 7 de setembro


Protesto



Pelo menos 35 cidades em dezessete estados entraram no mapa da mobilização que surgiu na internet e já atraiu mais de 130 000 pessoas

Fernanda Nascimento
Integrantes do grupo "Dia do Basta" protestam pela saída de José Sarney



Na próxima quarta-feira, os festejos do dia da Independência não se limitarão aos desfiles militares.

A comemoração verde e amarela será invadida por cartazes de indignação contra a safra de escândalos envolvendo figuras ligadas ao governo.

Manifestantes espalhados por pelo menos 35 cidades vão pedir o fim da corrupção e da impunidade. Não há partidos políticos nem lideranças engajadas no movimento.

Espontaneamente, 130 000 pessoas já confirmaram presença nos protestos através das redes sociais.

“Muita gente me pergunta: será que vai funcionar mesmo? Eu acho que vai. O governo tem que acordar e perceber que não aguentamos mais”, aposta a gerente de projetos Carla Zambelli, organizadora do movimento NASRUAS.

Como ela, jovens preparam manifestações e tentam estimular a disseminação da campanha.

“O importante é unir forças”, diz.

São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro abrigam o maior número de cidades que terão eventos próprios.

Mas a mobilização foi muito além da Região Sudeste. Haverá protestos no Acre, na Bahia, no Pará, no Paraná e em mais dez estados.

Só na cidade de São Paulo, duas passeatas vão sair diante do prédio do Masp. Às 9 horas de quarta, um grupo abrirá o ato de protesto junto com o desfile da Independência.

Durante a tarde, às 14 horas, uma escola de samba batizada de “Unidos contra a corrupção” tomará a avenida Paulista vestida de preto. Por enquanto, espera-se o comparecimento de 25 000 pessoas.

Poucos habitantes, muitos manifestantes – Não só os moradores das capitais prometem protestar no dia da Independência. Com 60 000 habitantes, o município gaúcho de Carazinho já está vendendo camisetas para gritar contra a corrupção.

Quase mil quilômetros distante, os moradores de Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo, também já reuniram cerca de 500 pessoas através da divulgação boca a boca.

Panfletos, bandeiras e cartazes ficam por conta dos manifestantes, que bancam as despesas com a organização das passeata.

"Já pensamos em procurar alguns partidos para tentar algum apoio ou parceria, mas decidimos ser apartidários”, conta o estudante Vitor Lorenze, organizador do grupo “Dia do Basta”, que protestará em São Paulo.

Jovens promotores
– Aos 18 anos, Vitor é um dos rostos mais jovens a frente das mobilizações. Ao lado de amigos que têm entre 15 e 19 anos, ele já organizou três atos na capital paulista ao longo deste ano. Agora, vai se juntar a outros grupos e reunir o maior número possível de pessoas.

“Uma coisa muito triste que costumo ouvir é que a juventude hoje em dia não faz nada. Mas existem, sim, jovens interessados nos problemas do país que saem às ruas para protestar”, afirma.

Resta saber se todos estarão lá no dia 7. Para Carla Zambelli, já passou da hora de acordar. “Desde os caras-pintadas, o brasileiro não fez mais nada”, diz.

“Todos ficaram dormindo, sem tempo para pensar nisso.

Agora chegou o momento de reavivar este sentimento.”

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

PT planeja "campanha forte" por marco regulatório da mídia no país








O Partido dos Trabalhadores (PT) contrariou a presidenta Dilma Rousseff e prevê uma "campanha forte" para a regulamentação da mídia no país, projeto interno da legenda tocado discretamente mas, agora, escancarado em documento oficial na conclusão do 4º Congresso Nacional, neste domingo (4), em Brasília.

O marco regulatório é um projeto elaborado no governo Lula, pelo então ministro Franklin Martins, a pedido do próprio presidente, e agora nas mãos do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Os petistas se adiantam em ressaltar que não se trata de censura, mas de "liberdade de opinião" de todas as partes e direito de resposta imediato a pessoas citadas e/ou denunciadas em reportagens.

O debate será levado ao Congresso Nacional, em forma de projetos ainda a serem apresentados.


Outra proposta foi a de limitação de propriedade de veículos de mídia por parte de um só grupo, o que os petistas classificaram de propriedade cruzada - uma só empresa ser dona de emissoras de rádio e TV, através de concessão, mais portal de internet, jornais e veículos afins.

O PT quer barrar conglomerados.

O que vai de encontro ao projeto dos grandes grupos de mídia no país.

O partido também quer vetar parlamentares à frente de jornais, rádios e TVs.

04/09/2011

domingo, 4 de setembro de 2011

Os fascistas saem da toca!



É sob pressão que pessoas, partidos e até instituições revelam a sua real natureza.

Os cemitérios tendem a ser iguais nas ditaduras e nas democracias.

A grande diferença se dá mesmo no mundo dos vivos.



 O 4º Congresso do PT, que começou ontem e termina hoje, está prestando um grande serviço ao país e à política.

Os petistas revelam que não aprenderam nada nem esqueceram nada depois de nove anos de poder.

Continuam os autoritários de sempre, decididos a substituir a sociedade pelo partido, conforme seu projeto original.

Quem presta um pouco de atenção à história das idéias não está surpreso.


O petismo é um descendente do bolchevismo no que concerne à organização da sociedade, entendendo que a nação deva ser conduzida por um ente que decide em lugar dos cidadãos, porém adaptado — e como! — aos tempos modernos.

Para o modelo, que ainda está em construção, pouco importa se os petistas estão ou não oficialmente no poder: eles sempre estarão por intermédio dos fundos de pensão, dos sindicatos, do aparelhamento das estatais. O petismo é um fascismo de esquerda.


No que concerne à ordem econômica, tudo vai muito bem para os companheiros, até porque têm como seu principal aliado o capital financeiro, que não quer saber a cor dos gatos desde que eles cacem ratos.

O curioso embate que se dá no Brasil é entre a esquerda financeira, financista e rentista, com a qual os petistas compuseram, e a direita assalariada, que trabalha.

Chamo de “direita” aqui, para deixar claro, as pessoas que ainda se ocupam de alguns dos velhos (!) e bons fundamentos das sociedades liberais: liberdade individual, igualdade perante a lei, incentivo ao empreendedorismo, estado enxuto, tudo o que parece hoje fora de moda.

Os petistas não querem mexer no “sistema”.

Ao contrário: pretendem reforçá-lo por meio, por exemplo, de uma reforma política estúpida, que extrema todos os males do modelo vigente.


Só uma coisa incomoda o PT: o regime de liberdades públicas que se respira no país. Isso eles não podem suportar. Então um partido ganha uma eleição — ou três… ou dez —, e ainda há gente na imprensa que se atreve a criticá-lo, que não concorda com suas ilegalidades, que resiste às suas tentações e práticas totalitárias, que não se submete a seus desejos e vontades?
“Mas a gente não conquistou nas urnas o direito de fazer o que bem entende?”, eles se perguntam espantados.

E a resposta, evidentemente, é “Não!”

Eles conquistaram nas urnas A OBRIGAÇÃO de seguir as regras do estado de direito, de se submeter à lei, de nos servir por intermédio de um mandato, que pode ser revogado numa nova eleição ou mesmo num processo de impedimento.


Com a reportagem que revelou as lambanças de José Dirceu em Brasília, VEJA denunciou mais do que as lambanças do “consultor de empresas privadas” — poderoso chefão de um “governo paralelo” e sua mímica asquerosa de chefe de máfia —; a revista denunciou um método.

E os petistas estão infelizes.

Em outros tempos, eles mandariam empastelar a publicação, fariam quebra-quebra, perseguiriam os profissionais, exigiriam a demissão desse ou daquele, lotariam os porões do regime com essa gente recalcitrante…

Hoje eles se civilizaram; pretendem perseguir seus desafetos por meio de instrumentos legais.


O texto do PT que volta a pregar o controle da “mídia” expõe como nunca a natureza do jogo.

Eles até se mostravam dispostos a condescender com a democracia desde que nós não fizéssemos uso efetivo dela.

Era como se dissessem: “Nós garantimos a sua liberdade, mas a condição é que não nos incomodem”.

Tanto é assim que, não faz tempo, a Executiva Nacional do partido aprovou um documento em que abandonava essa estupidez.

Mudou radicalmente de idéia. VEJA decidiu demonstrar que liberdade de imprensa não é uma licença que se pede no cartório partidário, mas um direito garantido pela Constituição, um fundamento das sociedades livres.

Nos limites da lei, não pede licença nem pede desculpas.


Aí não dá!

Figurões do partido como Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, defenderam ontem a “regulamentação da mídia”.

Não custa notar que, durante a campanha — e mesmo depois de eleita —, Dilma Rousseff repudiou qualquer forma de controle.

Ministros exercem cargos de confiança e falam pela presidente.

Chegou a hora de enquadrá-los ou de confessar um estelionato.


Os fascistas de esquerda descobriram o gosto pelo capitalismo, mas não viram graça nenhuma na liberdade, que será sempre a liberdade de quem discorda de nós.

Mas vão perder
.


É crescente o número das pessoas que lhes dizem:

“Não, vocês não podem.

Não podem porque estamos aqui”.






Quem apostar na ideia de que um dia a criatura Dilma tomará rumos diferentes do criador Luiz Inácio perderá feio.




O lulismo e o dilmismo

Por Gaudêncio Torquato
O Estado de S.Paulo

Ao entrar no nono mês, o governo Dilma deixa transparecer os primeiros traços de sua cara.

Que permite divisar contornos mais homogêneos e menos oblíquos que a do ciclo Lula.

As diferenças não se devem a razões de natureza política e nem de longe se abrigam na discutível hipótese, de viés conspirador, de que as criaturas, mais cedo ou mais tarde, acabam se rebelando contra o criador.

Quem apostar na ideia de que um dia a criatura Dilma tomará rumos diferentes do criador Luiz Inácio perderá feio.


Os dois atores fazem parte do mesmo enredo.

E até se completam, pois o que sobra nele falta nela, e vice-versa.

Exemplo: carisma e experimentação, de um lado, apuro técnico e organicidade, de outro.

Um distanciamento, mesmo ocasional, traria perda para ambos.

A configuração mais retilínea da atual administração resulta da identidade da presidente, da qual se extrai a ênfase em vetores como planejamento, controles e cobranças, análise de performances, calibragem da máquina, substituição de peças e sintonia fina nos programas.

O dilmismo, como se pode designar tal modelagem, terá o condão de lapidar o lulismo, expurgar excessos, preencher reentrâncias, aplainar caminhos.


A imagem do "pente-fino" cai bem nas operações que o lulismo desenvolveu em diversas frentes.

Convém definir o lulismo: um ajuntamento de programas, alguns de argamassa frouxa, implantados sob o escudo do real estável, que geraram um "novo milagre brasileiro", expressão de Rudá Ricci para explicar o ingresso de 30 milhões de pessoas no meio da pirâmide.

Ainda conforme o sociólogo, "o lulismo teria se formado a partir do encontro com as classes menos abastadas do País, que rejeitam ideologias".

E, claro, trombeteado por um líder que, no dizer de José Nêumanne Pinto em seu livro O que Sei de Lula, "é e sempre foi, sobretudo, um manipulador de emoções da massa".

Sendo assim, diferencia-se do petismo, porquanto este tinha como foco as classes trabalhadoras organizadas em estruturas tradicionais e aquele abre os braços a contingentes desorganizados, desideologizados e pragmáticos.

A análise do ciclo Lula permite distinguir alta dose de experimentalismo, como se constata nas idas e vindas que marcaram o início do Fome Zero.

E mesmo após arrumar as coordenadas na área social, a partir da integração de projetos da era FHC, que redundou no símbolo da redenção de milhões de brasileiros, o Bolsa-Família, o lulismo deixou, ao fim de oito anos de império de Luiz Inácio, a impressão de larga defasagem entre discurso e prática.
Espaços como os de infraestrutura e educação registraram resíduos de improvisação, como se vê nas planilhas do PAC ou em livros didáticos editados sob o selo de patrulhas que ousaram apresentar nova versão para a História do País.

Aduz-se, portanto, que o dilmismo veste o figurino adequado ao momento.

Primeiro, por mostrar disposição de cortar gorduras acumuladas no corpo administrativo, tarefa complexa, diga-se, porque decisão dessa natureza contraria interesses da base partidária.

Confira-se, a título de exemplificação, a assepsia que a presidente tenta realizar nos recônditos ministeriais.

De forma lenta e gradual, a chefe do governo desobstrui dutos congestionados por sujeira, formando novas composições com quadros técnicos.

O estilo Dilma incomoda aliados?

Sem dúvida.

Os parceiros não lhe dão o troco, ouve-se à boca pequena, por sentirem que manobra contrária à limpeza seria um bumerangue.

Andar na contramão da faxina é defender sujeira. Um risco para a imagem pública do representante do povo
.

A condição de mulher, ademais, ajuda-a a empreender o mutirão de depuração, eis que projeta os valores encarnados pela dona de casa: zelo, preocupação, cuidados com a organização do lar.

Se parcelas governistas ameaçam ir para o confronto, juntando-se à oposição, como indicam a votação da Emenda 29 e da PEC 300, o governo brande o argumento da crise que nos ameaça.

No planeta quase em chamas, onde nações poderosas dão sinais cada vez mais próximos de calote em credores, o Brasil não se pode dar ao luxo de gastança desbragada, como se via na era Lula.

Querem mais dinheiro para a saúde?

Indiquem a fonte, diz a presidente.

Eis mais um elemento de diferenciação entre o ontem e o hoje.

Luiz Inácio era um ás no campo da articulação política.

Escudava-se na conversa ao pé do ouvido, no conchavo, na capacidade de convencimento.

Lábia declamada com o mel do carisma é puro acalento.

Tranquilizante.

Já o estilo duro, direto, conciso de Dilma gera temor. É inegável, porém, que o País não aguentaria mais uma jornada de experimentações, andando em curvas, algumas bem fechadas, subindo em palanques no interregno de pleitos, escancarando cofres, expandindo ao infinito os gastos públicos.
Se o dilmismo aperfeiçoar a rota da governança sob a marca da responsabilidade, ganhará o reconhecimento da sociedade.

Neste ponto, convém pinçar mais um traço relevante na metodologia da atual governante: a altanaria, a capacidade de não se deixar envolver pela competição interpartidária quando estão em jogo questões de absoluta prioridade.

O programa Brasil sem Miséria, que complementa e ajusta a rede social tecida no ciclo anterior, foi lançado no Palácio dos Bandeirantes, ao lado do governador Alckmin e do ex-presidente Fernando Henrique. Significado: a vida pátria deve ser uma obra comum. Compartilhada por gregos e troianos.

Gestos como esse abrem a esperança de que o dilmismo faça muito bem ao País.
JORNALISTA, É PROFESSOR TITULAR DA USP, CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO
TWITTER: @GAUDTORQUATO

04 de setembro de 2011

Que país é este?




Este vídeo mostra como foi a Era Collor (1990-1992), período em que o Brasil foi governado por Fernando Collor de Mello, o primeiro governo de cunho neoliberal que o país teve, a insatisfação popular frente a incapacidade de conter a inflação, o confisco das poupanças e a corrupção, levou ao impeachment de Collor em 1992.


Este vídeo tem a tilha sonora de
"Que país é esse?", Legião Urbana

 rodgalvao99

28/12/2010

sábado, 3 de setembro de 2011

O que ele fazia lá?



Dilma Rousseff ficou surpresa ao saber que o presidente da Petrobras foi ao encontro do "consultor" José Dirceu num quarto de hotel em horário de expediente - e logo depois de uma reunião com ela no Palácio do Planalto.
REVISTA VEJA

O ex-ministro José Dirceu ficou tiririca depois de VEJA revelar que ele usa um quarto de hotel, em Brasília, para conspirar contra integrantes do governo e garimpar informações sobre a administração federal, a matéria-prima de sua bem-sucedida carreira como consultor de empresas privadas.


Apesar de estar com os direitos políticos cassados e figurar como comandante de uma "organização criminosa sofisticada” no processo do mensalão, Dirceu mostrou que continua a dar as cartas no PT.

Os líderes da legenda no Congresso manifestaram solidariedade a Dirceu, acusando a revista de invadir a sua privacidade.

Sob a batuta do ex-chefe da Casa Civil, o partido resolveu até incluir na pauta do congresso petista que se realizaria no fim de semana uma moção de desagravo a Dirceu, devidamente acompanhada de uma ofensiva pela regulamentação da "mídia" - uma proposta explícita de censura à imprensa inventada no governo do ex-presidente Lula, mas já rechaçada pela presidente Dilma Rousseff.

Dirceu, quando é conveniente, adora cultivar o mito de vítima de uma conspiração das elites - das quais, é claro, os grandes meios de comunicação são instrumento.

Isso apesar de andar acompanhado de figurões, com os quais toma vinhos de milhares de reais a garrafa. Mas, depois da fase tiririca, ele se mostra envaidecido.

Em conversa com pessoas próximas, o ex-ministro disse que a revelação de sua atividade clandestina na capital do país certamente renderá mais clientes para sua empresa de consultoria.

Os potenciais clientes, acredita o poderoso chefão, devem ter ficado impressionados com o plantel de ocupantes de cargos de destaque na hierarquia do poder que beijam a sua mão.

Dirceu afirmou ainda ter recebido a solidariedade de figuras de proa do próprio governo.

Do Palácio do Planalto, no entanto, não se ouviu até sexta-feira uma única palavra de "solidariedade" ao ex-ministro.

Muito pelo contrário.


Apesar de monitorar os passos de Dirceu, a presidente ficou surpresa ao saber da presença de integrantes do governo nos tais encontros no hotel.


Mostrou-se especialmente irritada com o fato de o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, ter se reunido com o ex-ministro sem seu conhecimento.


A presidente espera que Gabrielli se explique.

Afinal de contas, não se trata de um petista qualquer. Presidente de uma das maiores empresas do mundo, ele é guardião de informações estratégicas e, por consequência, muito valiosas.

Antes da publicação da reportagem, Gabrielli foi indagado sobre o encontro com José Dirceu.

"Sou amigo dele há muito tempo e não tenho de comentar isso (a reunião) com ninguém", respondeu.

Na semana passada, perguntado mais vez, por meio de uma nota, reiterou o que já havia dito: "Sou amigo do José Dirceu há trinta anos e não comentarei o que converso com meus amigos".

Em 6 de junho passado, essas inocentes almas gêmeas se encontraram. Sergio Gabrielli estava em Brasília a trabalho.

Deslocou-se do Rio de Janeiro em um jato fretado pela empresa e visitou o amigo em horário de expediente.

Ficou no quarto durante trinta minutos. Entrou com as mãos vazias e saiu de lá carregando papéis.

Dirceu tem em seu rol de clientes gigantes com interesses na área de energia e construção civil.

Ele já prestou serviços ao bilionário Eike Batista, à Delta Construções e à Engevix - conglomerados que atuam no mercado de energia.

Grandes empreiteiras também contrataram os trabalhos de Dirceu para que ele prospectasse projetos e abrisse portas em países da América Latina.

A conversa entre Dirceu e Gabrielli ocorreu momentos depois de o presidente da Petrobras ter participado de uma reunião com Dilma Rousseff e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

A pauta da reunião no Palácio do Planalto: assinatura de acordos bilaterais nas áreas de energia e construção civil.



Assuntos, portanto, bastante interessantes para o consultor Dirceu. Sem os devidos esclarecimentos, coincidências como essas causam suspeitas. “A partir de fotos de pessoas entrando e saindo de um hotel, a revista faz ilações absurdas sobre o que teria sido discutido e conversado nesses encontros", diz Gabrielli.

Mas o que o presidente da Petrobras estava fazendo no quarto de Dirceu?


Às voltas com uma tentativa de faxina ética custosa do ponto de vista político, Dilma Rousseff tem a dimensão do risco decorrente desse flerte entre interesses públicos e privados. A presidente sabia que José Dirceu usava o hotel para conspirar contra seu governo.

Informada por auxiliares, alguns inclusive frequentadores do "gabinete secreto" de Dirceu, ela chegou a abortar a tentativa do ex -ministro de usar o PT para pressioná-la a nomear um homem da sua confiança para o comando da Secretaria de Relações Institucionais. Mas a imagem de Gabrielli a espantou, antes de irritá-la.

Ainda assim, o presidente da Petrobras considera que não deve satisfações sobre um encontro com o "amigo".

Deve, sim - e não apenas à presidente, mas aos acionistas da Petrobras, entre eles trabalhadores que investiram parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em ações da empresa.

A oposição também cobra explicações.

"O encontro realizado entre o presidente da estatal e o suposto consultor do segmento petrolífero não está de acordo com os padrões estabelecidos no Código de Conduta da Alta Administração Federal", dizem os deputados tucanos Duarte Nogueira, líder da bancada na Câmara, e Antônio Imbassahy em representação encaminhada à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.


Os dois pedem a aplicação de uma "advertência" a Gabrielli. Reivindicam a mesma punição a Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Na semana passada, a bancada do PT na Câmara divulgou uma nota de repudio a VEJA, acusando a revista de invadir a privacidade de Dirceu.

O texto foi assinado pelo líder Paulo Teixeira. Do outro lado do Parlamento, Humberto Costa, líder do PT no Senado, aproveitou o caso para defender limites a ações da imprensa "danosas às imagens das pessoas públicas".

Disse o senador: "A democracia conquistada neste país é um bem precioso, mas ela também vem acompanhada de outros valores: a apuração minuciosa dos fatos, a partir de provas contundentes e de resultados de investigações já feitas, é necessária antes de se lançar qualquer acusação sem cabimento contra qualquer pessoa: homem público, cidadão ou cidadã".
Estava pavimentado o terreno para a retomada da pregação em favor da censura à imprensa.

A aparente indignação dos petistas não passa de uma tentativa de desviar o foco do constrangimento geral com o fato de que Dirceu é o poderoso chefão do PT e da companheirada acomodada na máquina pública.

Ele e os petistas temem que as revelações sobre as atividades clandestinas do ex-ministro sirvam como elemento de convicção aos poucos que têm dúvida da consistência da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República ao Supremo Tribunal Federal.

Ou seja: o papel do ex-ministro como chefe da quadrilha do mensalão, o maior escândalo de corrupção da história do país.

“Trata-se de uma tentativa de chantagear a Justiça", bradou o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira.

Ainda na intenção de dar credibilidade ao papel de vítima de uma acusação injusta planejada por adversários, pessoas próximas ao ex-ministro afirmam que ele recebeu um telefonema de apoio do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência.

Petista histórico, servidor leal a Lula e amigo de Dirceu, Carvalho não confirmou a ligação.

Também não informou se a deferência, se realmente ocorreu, teve o aval de Dilma.

Interlocutores de Dirceu disseram que a própria presidente afagou o ex-chefe da Casa Civil, com quem manteria "conversas e reuniões frequentes".

O Palácio do Planalto negou que Dilma tenha manifestado solidariedade e desmentiu os tais "encontros frequentes".

Na sexta-feira, na abertura do congresso do PT, o chefe do mensalão deu mais uma demonstração do poder que ainda exerce sobre o partido.

Num evento organizado por seus asseclas, foi o primeiro dirigente a subir no palco. Ovacionado por mais de 1000 militantes com brados de "guerreiro do povo brasileiro", sentou-se em uma cadeira na segunda fileira, rigorosamente no centro do palco.

À sua frente estavam os lugares reservados a Lula e Dilma.

A configuração foi cuidadosamente pensada.

Com a imprensa postada no fundo do salão, em qualquer foto da presidente inevitavelmente aparecerá Lula ao lado e Dirceu ao fundo.

Lula, como era de esperar, elogiou Dirceu e criticou a imprensa.

Dilma começou seu discurso saudando os presentes.

Quando terminava, alguém na plateia gritou: "E o Zé Dirceu? ".
A presidente, de maneira protocolar, saudou a presença do "companheiro José Dirceu".

Foi aplaudida pela claque.

Aparências salvas, o conteúdo permanece imutável:

Dirceu é mesmo um espectro.

A quermesse dos pecadores sem remorso




Direto ao Ponto


Estou acompanhando com atenção o 4° Congresso Nacional do PT, que vai merecer mais de um post de bom tamanho. Mas o primeiro dia da quermesse dos pecadores sem remorso exige a antecipação de dois registros.

1. A ressurreição da censura à imprensa ─ ora disfarçada de “controle social da mídia”, ora travestida de “marco regulatório” ─ é perseguida pelo PT desde o berço.
Mas o palavrório desta sexta-feira confirma que o alvo imediato mudou.

Quando José Dirceu ainda podia dizer que a seita “não róba nem dexa robá” sem ouvir de volta uma gargalhada nacional, os censores estavam de olho no noticiário político.

Essencialmente, não queriam que os leitores soubessem que, batidas num liquidificador, as ideias do PT viram um suco com cheiro de Venezuela e sabor de Cuba.

Depois da roubalheira do mensalão, o alvo se deslocou para o noticiário policial.

Foi nas páginas reservadas a casos de polícia que se consumou a implosão do templo das vestais venais. Ali emergiram as informações que escancararam o embuste: depois de atravessar a infância e a adolescência reivindicando o monopólio da ética, a turma caiu na vida, gostou dos acasalamentos pervertidos e muito lucrativos com a escória dos partidos alugados, trocou programas políticos por projetos de enriquecimento pessoal, virou gigolô de cofres públicos, confundiu a montagem de equipes ministeriais com formação de quadrilha ou bando, transformou canteiros de obras do governo em viveiros de assaltantes e institucionalizou a corrupção sem castigo.

Hoje nadando em dinheiro, os Altos Companheiros acham que honestidade é coisa de otário. Mas também acham que isso não é assunto para jornal, revista, rádio e TV.

O direito à privacidade se estende aos bandidos de estimação, informa a discurseira em Brasília.

Se tem CPF e RG, como explicou o chefe Lula, todo gatuno governista merece muito respeito.

2. Ovacionado por centenas de comparsas que o promoveram, aos berros, a “guerreiro do povo brasileiro”, José Dirceu ganhou afagos de Lula e foi tirado para dançar por Dilma Rousseff.

Nas primeiras páginas dos jornais deste sábado, sempre entre o padrinho e a afilhada, o papagaio de dois piratas exibe o sorriso de condenado à impunidade.

Reinaldo Azevedo sugeriu-lhe que confirme a promoção a soldado do povo com uma aparição de surpresa num Corinthians x Flamengo.

Esse teste de popularidade nunca falha:
é só o locutor do serviço de som do estádio dizer o nome de quem acabou de chegar. A reação das arquibancadas mostrará se a figura está bem no retrato.

Cansado de engolir pitos e palavrões despejados por vizinhos de mesa, Dirceu deixou há muito tempo de dar as caras em bares e restaurantes perigosamente movimentados.

Desde 2005, desconfia que talvez nem passe da largada caso tente cruzar sem escolta o Viaduto do Chá. Mas certamente se consola com a suspeita de que isso é coisa da elite golpista, trama urdida por granfinos quatrocentões, armação da mídia reacionária.

O teste proposto por Reinaldo Azevedo não pode ser influenciado pela direita ultraconservadora.

Uma plateia formada por flamenguistas e corintianos é puro povo.


E o povo não pode permitir que quem guerreia em seu nome seja afrontado por um punhado de eternos descontentes.

Coragem, companheiro.

Aceite o desafio.

Faça o teste.

E tente sobreviver.

03/09/2011

Dirceu e Delúbio são homenageados em congresso do PT


Ex-ministro da Casa Civil no governo Lula foi ovacionado pela plateia aos gritos de ‘Dirceu, guerreiro do povo brasileiro’ e recebeu o apoio do ex-presidente e de Dilma

BRASÍLIA
O Estado de S.Paulo


A abertura do 4.º Congresso do PT, na noite desta sexta-feira, 2, foi um desagravo ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Réu no processo do mensalão, ele foi ovacionado pela plateia aos gritos de ‘Dirceu, guerreiro do povo brasileiro’ e recebeu o apoio da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.

A festa também marcou a reestreia do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares – reintegrado ao partido há cinco meses – nos encontros do partido.

Lula disse que ninguém havia pedido a ele que subscrevesse uma moção de solidariedade a Dirceu, conforme foi publicado.

"Mas já que falaram, agora você tem o meu aval", comentou o ex-presidente.

Dilma também dirigiu um afago a Dirceu.

"Quero saudar os ex-presidentes do PT aqui presentes e cumprimento todos eles em nome do companheiro Dirceu", disse ela.

A homenagem a Dirceu ocorreu depois que ele foi citado por reportagem da revista Veja como chefe de uma "conspiração" contra o governo Dilma Rousseff.

A revista publicou fotos de deputados, senadores e até de um ministro (Fernando Pimentel, do Desenvolvimento), que se encontraram com Dirceu em junho, antes e depois da queda do então titular da Casa Civil, Antonio Palocci.

Dirceu acusou um repórter da revista de tentar invadir o seu apartamento no hotel onde um circuito interno registrou os encontros.

A revista nega.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, foi quem primeiro puxou o coro dos defensores do ex-chefe da Casa Civil.

"Quero propor aqui uma moção de repúdio ao crime cometido por uma certa revista contra Dirceu", afirmou Henrique, muito aplaudido.

Diante de uma plateia composta por 1.350 delegados, Dirceu não discursou, mas sorriu várias vezes e acenou para os companheiros.

À saída, tirou fotos com petistas. Delúbio, também réu no mensalão, ficou na plateia e não parava de cumprimentar correligionários.
02 de setembro de 2011

Uma imagem, mil palavras..



Imagem de Silsaboia
Lula, conta seus milhões...
Dilma pensa como acobertar...
E Dirceu ri da cara da gente!

*

Queridos amigos,


Por Siegmar Metzner

O cinismo, o deboche, a provocação, a mentira, a imundície, a ignorância, a raiva e a vergonha, se fazem presentes nesta imagem.

Uma imagem sempre nos diz mais do que mil palavras.

Uma imagem verdadeira, sem retoques, sem montagens, sempre nos diz a verdade.

Não precisa comentários, explicações, ela adquire vida, voz própria e salta aos
olhos.

Até hoje, não encontrei nenhuma outra imagem que nos nos mostre tão claramente
a triste realidade que nos cerca.

Repassem aos amigos esta imagem.

Ela é atual, uma foto tirada hoje.

Nesta imagem, três coisas ficam assutadoramente claras. Tudo o que já foi denunciado na mídia, nas últimas semanas, é mais do que real e verdadeiro.

Reparem bem, com cuidado, e todos poderão perceber distintamente, três expressões
diferentes.

IGNORÂNCIA, DEBOCHE E VERGONHA.

Cada um poderá dar a ordem que quiser, mas na verdade ela tem apenas uma sequência.

A ignorância pura está visivelmente estampada no rosto de Lula.

O deboche e o cinismo, mais do que
evidente na cara de José Dirceu e, a vergonha, mais do que clara no rosto de Dilma Rousseff.

Um misto de
vergonha e raiva, por saber que, sem a ignorância de Lula e sem o deboche e cinismo de José Dirceu,
jamais poderá governar por si própria. 

FICA MAIS DO QUE EVIDENTE NESTA IMAGEM, QUEM REALEMENTE DITA AS ORDENS E GOVERNA O NOSSO PAÍS.

Siegmar

COMENTÁRIO



O da esquerda, olhos postos no futuro, antecipa como chegará lá.

A da direita, olhos postos no presente, está dividida, e perdida.

O de trás foi cassado por uma Câmara que absolveu uma ladra.


Ari


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

RECADO AOS PORCOS: “NÃO, VOCÊS NÃO PODEM!”


RECADO AOS PORCOS:
“NÃO, VOCÊS NÃO PODEM!”




Eles acham que podem tudo. E é nosso dever moral, ético, político, humano, dizer-lhes que não.


É nosso dever de pais, de filhos, de professores, de alunos, de trabalhadores, de empresários, de leitores, de jornalistas.

É nosso dever!

Dos homens e das mulheres livres!


Se militantes políticos, mas cidadãos como quaisquer um de nós, eles podem fazer tudo o que não está proibido em lei — ou arcar com as conseqüências da transgressão. Se funcionários do Estado, podem fazer apenas o que a lei lhes permite. Num caso e noutro, é preciso que lhes coloquemos freios.

Não são os donos do poder, mas seus ocupantes. E têm de dançar conforme a música da democracia e do estado de direito. Mas eles estão mal acostumados.

Porque o método da mentira deu certo uma vez, eles repetiram a dose. Porque deu certo outra vez, eles insistiram. Agora estão empenhados em transformar o engodo e a trapaça numa categoria de pensamento, num fundamento, num — e isso é o mais pateticamente ridículo — ato de resistência.

Têm de ser relatados.

Têm de ser denunciados.

Têm de ser combatidos onde quer que se manifestem com seu falso exclusivismo ético, com sua combatividade interesseira; com suas duas morais: a que usam para incensar os crimes de seus pares e a que usam para crimininalizar a decência de homens de bem.


Criminalizaram a Lei de Responsabilidade Fiscal. E ela era boa.
Criminalizaram as privatizações. E elas eram boas.
Criminalizaram o Proer. E ele era bom.
Criminalizaram a abertura do país ao capital estrangeiro. E ela era boa.
Criminalizaram os programas sociais, chamando-os de esmola.

E eles eram bons.


Não há uma só virtude que se lhes possa atribuir que não decorra de escolhas feitas antes deles — e que trataram aos tapas e, literalmente, aos pontapés.

Construíram a sua reputação desconstruindo a biografia de pessoas de bem.

E acabaram se aliando ao que há de mais nefasto, mais degradante, mais atrasado, mais reacionário, mais vigarista na política brasileira.

Poucos são hoje os canalhas da República que não estão abrigados sob o seu guarda-chuva, vivendo o doce conúbio da antiga com a nova corrupção. Se algum canalha restou fora do arco, foi por burrice, não por falta de semelhança.

Corromperam, aliás, mais do que as relações entre o público e privado.

Promoveram e promovem uma contínua corrupção do caráter.

Perceberam — e há uma vasta literatura política a respeito, que faz o elogio da tirania — que o regime democrático tem falhas, tem fissuras, por onde o mal pode se insinuar e prosperar.

Corroem o princípio fundamental da igualdade promovendo leis de reparação destinadas a criar clientela, não cidadãos.
E essa doença da democracia já chegou ao Supremo Tribunal Federal.

Estimulam movimentos criminosos, ditos sociais, ou com eles condescendem, porque isso alimenta a sua mística dita socialista — se o socialismo era essencialmente criminoso, e eu acho que era, para eles é a virtude possível para esconder seus vícios.


São os porcos de George Orwell, de quem parecem simular também o cheiro.

Para eles, a única coisa feia é perder.

E isso significa, então, que pouco importam os meios que conduzem à vitória.

Tentaram comprar o Congresso com o mensalão.
Tentaram fraudar uma eleição com os aloprados.
Tentaram destruir um adversário produzindo falsos dossiês.

Tentam agora aprovar uma reforma política que é um escárnio à decência, ao bom senso, à inteligência, à racionalidade.

E tudo porque não estão aí para aperfeiçoar os instrumentos do estado do direito que tornem cada homem mais livre, mais senhor de si, mas independente do estado.

Eles querem precisamente o contrário.

É por isso que “ele” já se disse o pai do Brasil e anunciou que elegeria a mãe.

Não é o amor filial que os move, mas o vocação para o mando.

Querem um país de menores de idade: de miseráveis pidões, de trabalhadores pidões, de empresários pidões…

Até de jornalistas — e como os há! — pidões!

E eles odeiam os que não precisam pedir, rastejar, implorar. Acostumaram-se com os mascates de elogios, que têm sempre um “bom negócio” para arrancar um dinheirinho dos cofres públicos. Compram consciências e consideram que os que não se vendem só podem ter sido comprados pelos adversários. Esqueceram-se de que são eles a bênção para os que se vendem porque sempre podem pagar mais.


Estão em toda parte!

São uma legião!


Realizam a partir desta sexta-feira um congresso partidário, que se estende até domingo.

Aproveitarão a ocasião para fazer um desagravo a um dos seus, aquele que se tornou notável, aos 14 anos, segundo testemunho do próprio, porque roubava as hóstias da igreja.

Que têmpera corajosa já se formava ali!


Até hoje, ao comungar, lembro da minha meninice e colo o Santo Pão no céu da boca.

Temíamos, os muito jovens, que o corpo de Cristo sangrasse. Ainda não entendíamos a Transubstanciação da Eucaristia, mas já tínhamos idade para saber que não se deve roubar.

É um dos Mandamentos da Lei de Deus!

E deve ser um dos mandamentos da lei dos homens.

Em qualquer idade.


O ladrão de hóstias pretende ser hoje um ladrão de instituições cheio de moral e razão. Mais do que isso: quer dar à sua saga uma dimensão verdadeiramente heróica.

Se, antes, pretendeu ser o paladino da liberdade contra a ditadura, numa história superfaturada, apresenta-se hoje como o paladino da ditadura contra a democracia.

O herói é um lobista de potentados da economia nacional e global e reivindica o direito de ter como subordinados homens de estado — cuja conduta é regulada por princípios de ética pública —, com os quais pretende despachar num governo clandestino, paralelo, que se exerce em quartos de hotel, numa espécie de lupanar institucional.

E vilã, na boca e na pena daqueles que tentaram comprar o Congresso, fraudar eleições e destruir adversários, é a imprensa livre, que faz o seu trabalho, que vigia a coisa pública, que zela pelos bons costumes da República — aqueles consubstanciados na Constituição.



Querem censurar a imprensa.

Querem eliminar a oposição.

Querem se impor pela violência institucional.

Como os porcos!

Aqueles passaram a andar sobre duas patas para imitar seus antigos inimigos.

Estes não têm qualquer receio de andar de quatro, escoiceando vigarices, para homenagear os amigos.

Mas não passarão!
Não passarão porque a liberdade de imprensa lhes diz: “Não, vocês não podem!”

Não passarão porque as pessoas de bem protestam: “Não, vocês não podem!”

Não passarão porque a decência se escandaliza: “Não, vocês não podem!”


E por isso eles estão bravos e mobilizam seus sicários na rede. Começam a perceber que o movimento ainda é tímido, mas é crescente.

A cada dia, surgem evidências de que suas mentiras perdem vigor, de que suas falcatruas perdem encanto, de que seus crimes buscam mesmo é o conforto dos criminosos, não o bem-estar da população.

Não, eles não podem!
Não calarão a imprensa livre!
Não calarão os homens livres!
Não calarão os fatos.


Agora é a eles que me dirijo, que leiam direito e escutem bem:
“NÃO, VOCÊS NÃO PODEM!!!”

Entre outras coisas, não podem porque estamos aqui.


02/09/2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dilma tratorou o BC



 Quando meio governo começa a dar justificativas sem dizer coisa com coisa é porque a suspeita está confirmada:

Dilma passou por cima da autonomia do BC e mandou baixar os juros na marra

  


Veja a entrevista abaixo, concedida ao Estadão  pelo  ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni.

Ele classificou de "ousada" a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Para ele, o que está em jogo agora é a credibilidade do BC.


O Sr. achou da decisão do Copom?

Acho uma decisão ousada porque, na realidade, os dados de inflação, principalmente as expectativas, apontam para uma inflação acima da meta. O mercado de trabalho continua aquecido, a pleno emprego, com massa salarial crescendo na base de 6%. Mesmo com a desaceleração da indústria, as pressões de demanda ainda estão aí. Mais prudente seria manter os juros pelo menos até outubro.


Qual então é a justificativa?


A única justificativa técnica que vejo para essa decisão é que o Banco Central está apostando que a política fiscal vai continuar apertada, não só este ano, mas também no ano que vem. É uma proposta arriscada. O governo acaba de encaminhar a proposta orçamentária para o ano que vem e, como todo mundo antecipava, há um impacto enorme nos gastos correntes, principalmente em gastos com pessoal e Previdência, em função do mega reajuste do salário mínimo já estava contratado.


O superávit pesou?


Sem dúvida. É a única justificativa técnica. Imagino que o BC continua com sua autonomia preservada, o que é essencial para as expectativas inflacionárias. O BC vai ter que explicar muito bem, na ata, a fundamentação técnica da decisão. Que não é simplesmente resultado de pressões políticas. A função de um BC independente e autônomo é tomar decisões que não sejam necessariamente aquelas que pressões políticas desejam. Foi a grande conquista do Brasil a partir do Armínio Fraga.


O BC cedeu à pressão?


Espero que não. O Brasil tem uma experiência tão bem-sucedida na construção de uma independência conquistada pelo BC, com saldo extremamente positivo. Foi a principal âncora para enfrentar a crise de 2008. O que está em jogo agora é a credibilidade do BC. Fica a expectativa de elementos que o BC disponha, que ainda não aparecem nos dados oficiais, para justificar a decisão.


1 de setembro de 2011


Charges







Governo aceita nova CPMF, diz líder na Câmara


Cândido Vaccarezza defende nova fonte de financiamento para a saúde.

Mas diz que recursos também podem sair da regulamentação dos cassinos no país


Gabriel Castro
Vaccarezza: fonte de recursos adicionais para saúde ainda será discutida, mas criação de tributo é proposta viável (Cristiano Mariz)

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou nesta quinta-feira que o governo aceitaria, mas não apoia a criação de um novo imposto para financiar a saúde nos moldes da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

No momento em que a Câmara discute a regulamentação da Emenda 29, que regula os repasses para a saúde, o petista disse que é preciso discutir a criação de um mecanismo que aumente os recursos para o setor.

De acordo com ele, o governo gastará 71 bilhões de reais com o setor em 2011. Se a CPMF ainda estivesse de pé, esse valor ultrapassaria os 100 bilhões.


O petista afirma que a fonte dos recursos adicionais para a saúde ainda será discutida, mas diz que a criação de um novo tributo é uma das propostas mais viáveis.

Outra alternativa, segundo ele, seria aumentar a taxação sobre a remessa de lucros para o exterior.
A medida viria acompanhada da regularização dos bingos e dos cassinos e do aumento do DPVAT para carros de luxo.


A Emenda 29 atualiza o percentual do orçamento que os gestores devem destinar à saúde. O impacto ficaria sobre os governos estaduais, já que municípios e o governo federal já ultrapassaram o limite estabelecido pela proposta.

A oposição acusa o governo de protelar a aprovação da medida, por medo que o projeto seja alterado e crie despesas também ao Planalto. E se opõe à criação de tributos. O texto original da Emenda 29 cria a Contribução Social para a Saúde (CSS), imposto nos moldes da CPMF. Mas, para sair do papel, o tributo ainda precisa ser regulamentado pelo Congresso.


Fonte extra - Em visita a Minas Gerais, nesta quinta, a presidente Dilma Rousseff disse que haverá necessidade de criar um imposto para o financiamento da Saúde. Ela também afirmou que os recursos provenientes dessa fonte têm que ser destinados exclusivamente ao setor.

Em entrevista à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, Dilma declarou que se opôs à CPMF porque os recursos arrecadados com o tributo eram "desviados", mas que há necessidade de uma fonte extra de recursos para custear gastos que terão os três níveis de governo com a possível aprovação da Emenda 29, que regulamenta os gastos do setor.

"Não há saúde sem médico. Estávamos formando menos médicos que dez anos atrás, proporcionalmente. Não sou a favor daquela CPMF, por conta de que ela foi desviada.

Agora, entre esse fato e falar que não precisa, precisa sim", declarou a presidente. Dilma disse ainda que vai "lutar" para que os recursos cheguem ao seu destino.
"Pessoas que melhoraram e que vão melhorar de vida vão querer o quê?

Serviço público de qualidade.

É função de um governo buscar isso com todas as suas forças.

Vou trabalhar diariamente para garantir que aquele R$ 1 destinado a determinado lugar chegue naquele lugar.

Vou lutar para isso."

(Com Agência Estado)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Muita sede ao pote - Dora Kramer



A declaração da presidente Dilma Rousseff de que não aceitará "presentes de grego" do Congresso, referindo-se à possível aprovação de novas fontes de despesa para a saúde e salários de agentes de segurança em todo o País, é a manifestação externa de uma preocupação que ela vem transmitindo aos auxiliares.

Por Dora Kramer
O Estado de S.Paulo


Dilma tem dito internamente que o Congresso não pode absorver todas as atenções do governo.

Ela quer manter uma boa relação com o Parlamento - até por consciência de que do contrário não governa - e acha que começou a fazer isso quando mudou a sistemática cotidiana e passou a receber os partidos aliados para reuniões de trabalho e até encontros de caráter social.


Mas considera também que tudo tem um limite.

A frase que traduz esse estado de espírito e que tem sido repetida por ela é a seguinte:

"As relações entre Executivo e Legislativo são importantes, mas os problemas do País não se resumem a isso".


A presidente observa em conversas com um ou outro ministro que priva mais amiúde de sua convivência que os aliados têm sido particularmente implacáveis em suas demandas. Mais do que eram, por exemplo, com o antecessor.

E até mais do que seria natural. Pela análise dela, os parlamentares não têm sequer respeitado a tradição do que chama de "ciclos da política".

Por eles, o normal é que os políticos tendam a ser mais generosos com o dinheiro público em períodos pré-eleitorais e arrefeçam os ânimos na época da entressafra.

"Comigo isso não aconteceu. A eleição acabou e o Congresso não reduziu o ímpeto de fazer bondades com o Orçamento", comentou Dilma com um ministro, acrescentando que não está disposta a passar o mandato apagando incêndios.

A presidente até tem razão, mas se esquece de que a maioria congressual foi formada justamente na base da expectativa da exacerbação dos ganhos e da redução das perdas.

Os jogadores.

Pode ser que Fernando Henrique e Aécio Neves estejam sugerindo a Dilma Rousseff que faça um pacto geral em prol do combate à corrupção apenas para expor a falácia da faxina, cientes que estão da impossibilidade da aceitação de tal proposta.

Pode ser que estejam se oferecendo para conversar apenas para testar a disposição da presidente de convidar.
Pode ser também que estejam apostando na tática de incensar Dilma para alimentar uma comparação negativa com Lula, investindo em um improvável distanciamento entre os dois.

Pode haver várias razões, mas o que parece mesmo aos mortais desprovidos de raciocínio sofisticado é que estão loucos para aderir e que a oposição no Brasil entregou de vez os pontos.

Paralelas.

Não bastasse Lula despachando com ministros em seu instituto em São Paulo, Dilma está bem (mal) arranjada com José Dirceu e seu "shadow gabinet" em hotel de Brasília.


Segundo quem sabe das coisas no governo, Lula influencia Dilma, mas José Dirceu não tem passagem com ela. A força dele é no PT.

No Planalto identifica-se nessa ascendência a origem de rebeldias entre parlamentares do partido.

Três deles fotografados pela reportagem da revista Veja que relata o entra e sai de figuras importantes da República na sala de despachos hoteleiros de Dirceu.


Deixa estar.

Sentado em seu gabinete, um ministro do PT explica assim o trânsito dos colegas no "escritório" de José Dirceu:

"Se ele me convidar para conversar vou fazer o que, chamar aqui? É melhor ir lá".


Ou, por outra, era. Antes de Veja estourar o aparelho.

Ajuste.

Convenhamos, governo que quer cortar gastos de verdade não é governo que possa manter 38 ministérios e ainda pense em criar mais um.

Com a anunciada pasta das Micro e Pequenas Empresas, serão 39. Em 2002, antes de Lula assumir, eram 24.


31 de agosto de 2011

VEM AÍ O IMPOSTO DO CHEQUE





A SAÚDE PÚBLICA É A DESCULPA

Como se não bastasse tudo que gastam com corrupção, fraude, desvios, malversação e golpes tipo cartão corporativo; depois de tudo quanto não fizeram pela saúde pública com os rios de dinheiro que arrecadavam com a CPMF, o imposto do achaque ao cheque, os aproveitadores da República, reunidos com a faxineira arrependida, querem trazer de volta mais um tributo em nome da saúde dos brasileiros.
Se essa canalhice vingar é só porque o governo tirou mesmo do povo toda a sua capacidade de indignação.

O imposto do achaque vem aí; pode vir desfarçado, mas vem.