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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Discurso do senador Aécio Neves: Em ataque direto ao governo Lula, Aécio afirmou: “Ao contrário de que alguns querem fazer crer, o País não nasceu ontem”.

O governo brasileiro vende um "Brasil cor-de-rosa apoiado pela farta e difusa propaganda"


Confira íntegra do discurso do senador Aécio Neves

Por psdbmg

Foto Geraldo Magela
Agência Senado

Confira íntegra do discurso do senador Aécio Neves (PSDB/MG) proferido nesta quarta-feira, dia 6, no plenário do Senado Federal.

Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores senadores,

Ocupo hoje a tribuna do Senado Federal para examinar de forma mais profunda a conjuntura e os grandes desafios do País, nesse meu reencontro com o Parlamento Nacional.

Chego a essa Casa, por delegação dos mineiros.

Retomo aqui o trabalho que, por 16 anos desenvolvi no Legislativo, onde tive a honra de receber importantes missões, entre elas a de presidir a Câmara dos Deputados.

Trago desse período lembranças de vigorosas iniciativas pela valorização do Parlamento.

Destaco, entre elas, a limitação das medidas provisórias e a aprovação do “Pacote Ético”, que acabou com a imunidade parlamentar para crimes comuns, criou o Conselho de Ética e institucionalizou o princípio da legislação participativa.

É com a mesma convicção democrática, com o mesmo respeito ao Congresso e com a mesma disposição para o trabalho e o diálogo que chego a essa Casa.

Os que ainda não me conhecem bem e esperam encontrar em mim ataques pessoais no exercício da oposição vão se decepcionar.

Não confundo agressividade com firmeza.

Não confundo adversário com inimigo.

Os que ainda não me conhecem bem e acham que vão encontrar em mim tolerância diante dos erros praticados pelo governo, também vão se decepcionar.

Não confundo o direito à defesa e ao contraditório, com complacência ou compadrio.

Estarei onde sempre estive, como homem do diálogo que não foge às suas responsabilidades e convicções; não teme o enfrentamento do debate nem as oportunidades de convergência em torno dos interesses do Brasil.

Farei a política que sempre fiz, aquela que entende que, neste campo, brigam as ideias e não os homens.

Saúdo inicialmente essa Casa através dos grandes brasileiros que por aqui passaram e também através de todos os parlamentares que, hoje, aqui honram a delegação que receberam, respeitando a sagrada autonomia do Parlamento.

Parlamentares que reconhecem ter apenas um senhor: o povo brasileiro.

E apenas uma senhora: a sua própria consciência.

Senhores senadores e senhoras senadoras,

A memória e o conhecimento da própria história são patrimônios preciosos de uma nação. Mais do que isso, formam a matéria prima essencial e insubstituível à construção do futuro.

A consciência do que fomos e do que somos é que nos permite, todos os dias, moldar os contornos do que seremos, ou do que poderíamos vir a ser.

O Brasil de hoje é resultado de uma vigorosa construção coletiva que, desde os primeiros sopros da nacionalidade, vem ganhando dimensão, substância e densidade.

Ao contrário do que alguns nos querem fazer crer, o País não nasceu ontem.

Ele é fruto dos erros e acertos de várias gerações de brasileiros, de diferentes governos e líderes, e também de diversas circunstâncias históricas e econômicas.

Juntos, nós, brasileiros, percorremos os caminhos que nos trouxeram até aqui.

Mas é importante e justo que nos lembremos, sempre, que não chegamos até aqui percorrendo os mesmos caminhos.

Não podemos nos esquecer das grandes diferenças que marcam a visão de País das forças políticas presentes na vida nacional nas ultimas décadas.

Porque, por mais que queiram, os partidos não se definem pelo discurso que fazem, nem pelas causas que dizem defender.

Um partido se define pelas ações que pratica. Pela forma como responde aos desafios da realidade.

Em 85, quando o Brasil se via diante da oportunidade histórica de sepultar o autoritarismo e reingressar no mundo democrático, nós estávamos ao lado do povo brasileiro e do presidente Tancredo Neves.

Os nossos adversários não.

Permanecemos ao lado do Presidente José Sarney, naqueles primeiros e difíceis anos de consolidação da nova ordem democrática.

Os nossos adversários não.

Mais à frente, em um momento especialmente delicado da nossa história, quando foi preciso convergir para apoiar a governabilidade e o presidente Itamar Franco, nós estávamos lá.

Os nossos adversários não.

Recusaram, mais uma vez, a convocação da história.

Para enfrentar a grave desorganização da vida econômica do país e a hiperinflação que penalizava de forma especial os mais pobres, o governo Itamar criou o Plano Real.

Neste momento, o Brasil precisou de nós e nós estávamos lá.

Os nossos adversários não.

Sob a liderança do presidente Fernando Henrique aprovamos a Lei de Responsabilidade Fiscal para proteger o País dos desmandos dos maus administradores.

Nossos adversários votaram contra. E chegaram ao extremo de ir à Justiça contra essa saneadora medida, importante marco da moralidade administrativa do Brasil.

Para suportar as crises econômicas internacionais e salvaguardar o sistema financeiro nacional, estruturamos o Proer, sob as incompreensões e o ataque cerrado dos nossos adversários.

Os mesmos que o utilizaram para ultrapassar o inferno da crise de 2009 e que o apresentam, agora, como exemplo de boa governança para o mundo.

Estruturamos os primeiros programas federais de transferência de renda da nossa história.

A partir de sucessos locais, como o do prefeito Grama, em Campinas, e do governador Marconi Perillo, em Goiás, criamos o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação e o Auxílio Gás. Que, depois, serviram de base para, ampliados e concentrados, se transformarem no emblemático Bolsa Família.

Quando os fundamos nossos adversários também não estavam lá.

E, ironicamente, nos criticaram por estarmos criando políticas assistencialistas de perpetuação da dependência e não de superação da pobreza.

As mudanças estruturais do governo Fernando Henrique, entre elas as privatizações, definiram a nova face contemporânea do País.


A democratização do acesso à telefonia celular talvez seja o melhor exemplo do acerto das medidas corajosamente tomadas.

Porque disso é feito um bom governo: de decisões e não apenas de circunstâncias.

Senhoras e Senhores,

Faço essas rápidas considerações apenas para confirmar o que continuamos a ver hoje: sempre que precisou escolher entre os interesses do Brasil e a conveniência do partido, o PT escolheu o PT .

Por isso, não é estranho a nós que setores do partido tentem, agora, convencer a todos de que os seus interesses são, na verdade, os interesses da nação.

Nem sempre são.

Não é interesse do País, por exemplo, a subordinação das agências reguladoras ao governo central, gestadas que foram para terem independência técnica e, pelo país, atuarem livres de pressões políticas.

Não é interesse do País que o Poder Federal patrocine o grave aparelhamento e o inchaço do Estado brasileiro, como nunca antes se viu na nossa história.

Da mesma forma, não posso crer que seja interesse do País que o governismo avance sobre empresas privadas, com o objetivo de atrelá-las às suas conveniências. Como se faz, agora, sem nenhum constrangimento, com a maior empresa privada do Brasil, a Vale, criando perigoso precedente.

Senhoras e senhores,

Não sou, como todos sabem, daqueles cegos pela paixão política, que não se permite enxergar méritos no adversário.

Reconheço avanços no governo Lula.

A manutenção dos fundamentos da política econômica implantada pelos governos anteriores é, a meu ver, o primeiro e o mais importante mérito da administração petista.

E é necessário reconhecer que o adensamento e ampliação das políticas sociais, foram fundamentais para que o Brasil avançasse mais.


Acredito que, mais adiante, por mais que isso desagrade a alguns, a independência dos historiadores considerará os governos Itamar, Fernando Henrique e Lula um só período da história do Brasil, de estabilidade com crescimento, sem rupturas.

Meus amigos,

Não ocupo essa tribuna para fazer uma análise dos primeiros meses do governo da Presidente Dilma Rousseff.

O processo de governança instalado à frente do País – com suas falhas, equívocos, mas também virtudes –, não conta apenas alguns dias.

Pontua-se, de forma concreta, o início do nono ano de um mesmo governo. Quase uma década.

Ainda que seja nítido e louvável o esforço da nova presidente em impor personalidade própria ao seu governo, tem prevalecido a lógica dominante em todo esse período e suas heranças.

Não há ruptura entre o velho e o novo, mas o continuísmo das graves contradições dos últimos anos.

O Brasil cor-de-rosa vendido competentemente pela propaganda política – apoiada por farta e difusa propaganda oficial – não se confirma na realidade.

E nós vivemos no Brasil real.

Por isso, senhoras e senhores, cessadas as paixões da disputa eleitoral, o Brasil precisa, neste momento, de um choque de realidade.


Um choque de realidade que nos permita compreender corretamente a situação do País hoje, e, essencial, que nos permita também compreendê-la dentro do mundo que nos cerca.

Escondido sob o biombo eleitoral montado, o desarranjo fiscal, tantas vezes por nós denunciado, exige agora um ajuste de grande monta que penalizará investimentos anunciados com pompa e circunstância.

E não é bom para um partido inaugurar uma nova fase de governo sob a égide do não cumprimento de compromissos assumidos com a população.

É consenso que o país convive com o grave risco de desindustrialização de importantes setores da nossa economia.

A participação de produtos manufaturados na nossa pauta exportadora, que era de 61%, em 2000, recuou para 40%, em 2010.

Vemos, infelizmente, renascer, da farra da gastança descontrolada dos últimos anos, e em especial do ano eleitoral, a crônica e grave doença da inflação.

E não há razão para otimismo quando comparamos a nossa situação com a de outros países.

Estudo feito a partir do relatório de competitividade do Fórum Econômico Mundial mostra que, comparado a outros 20 países com os quais concorre, o Brasil ficou apenas na 17ª colocação no quesito qualidade geral da infraestrutura. Empatamos com a Colômbia.

No item qualidade da infraestrutura portuária o Brasil teve o pior desempenho. Fomos os lanternas do grupo.

A qualidade das estradas brasileiras, por onde trafega mais da metade das cargas no País, supera apenas a da Rússia. Ficamos na penúltima colocação.

E, enquanto isso, em 2010, a nossa carga tributária atingiu 35% do PIB.

Impressiona também saber que, apesar de todos os avanços que, reconheço , existiram nos últimos anos, a carga tributária das famílias com renda mensal de até dois salários mínimos passou, segundo o IPEA, de 48,8%, em 2004, para 53,9% da renda em 2008

E, lamentavelmente, repete-se agora o que se viu nos últimos anos: não há espaço e dedicação real à discussão do essencial. As reformas constitucionais continuam à espera de decisão política para que sejam debatidas e aprovadas.

Senhoras e senhores,

A população brasileira nos delegou a honrosa tarefa de exercer oposição ao atual governo.

Repito o que disse recentemente o governador Alckmin: “ser oposição é tão patriótico quanto ser governo”.

Aproveito este momento para fazer a minha homenagem aos companheiros do PSDB, do DEM e do PPS, pela coragem e coerência com que têm honrado no Parlamento a delegação recebida das urnas.

Hoje, cerca de metade da população vive em estados governados pela oposição.

No plano nacional tivemos a confiança de cerca de 44 milhões de brasileiros que caminharam ao nosso lado e optaram pela experiência e competência de José Serra para liderar o País.

Esses números, por si só, demonstram a dimensão política e a responsabilidade das oposições no País.

Acredito, no entanto, que o tamanho da oposição será equivalente à nossa capacidade de interpretarmos e defendermos os valores e expectativas da nossa gente.

Como oposição, é nosso dever atuar com firmeza e lealdade em três diferentes e complementares frentes.

Uma, que define a nossa postura perante o governo.

Outra, que nos remete ao nosso compromisso inalienável com o resgate da Federação.

E a terceira frente, a que nos permitirá uma aproximação ainda maior com os brasileiros.

Em relação ao governo, temos como obrigações básicas:

Fiscalizar com rigor.

Apontar o descumprimento de compromissos assumidos com a população.

Denunciar desvios, erros e omissões.

E cobrar ações que sejam realmente importantes para o país.

O segundo eixo de atuação que defendo é o compromisso de resgatarmos o princípio da Federação no Brasil.

Aqui, peço licença para fazer uma manifestação de apreço aos prefeitos municipais de todas regiões, que vêm travando, há anos, inglória luta para sensibilizar o governo federal, o Parlamento e a opinião pública acerca da difícil realidade das administrações locais.

Hoje, suportamos uma das mais graves concentrações de impostos, recursos e poder de decisão na esfera da União de toda a nossa história.

Esta é uma realidade que avança dia após dia e compromete o equilíbrio federativo.

Meus amigos,

Como terceiro eixo de ação, acredito que a nossa aproximação ainda maior com os vários setores da vida nacional vai ocorrer a partir da coragem que tivermos para assumirmos e partilharmos as indagações e indignações do nosso tempo.

Assumirmos e partilharmos os sonhos e utopias da nossa geração.

Nesse sentido, peço licença para trazer aos senhores trechos daquele que considero o mais importante documento político produzido nos últimos tempos no País.

Trata-se do Manifesto em Defesa da Democracia, que tem entre seus signatários, brasileiros da dimensão de Hélio Bicudo e Dom Paulo Evaristo Arns.

Manifesto que não pertence a um partido, mas ao Brasil e aos brasileiros.

Diz o manifesto em alguns trechos:

É um insulto à Republica que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo (como denuncia todos os dias o senador Itamar Franco) …

O poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder não lhe conferem licença para ignorar a Constituição e as leis…

É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político…

Esse documento, ao meu ver, reflete a alma e o coração de tantos de nós e, ao fazer isso, nos traz a dimensão maior da política.



Senhoras e senhores,

Precisamos romper a inércia.

A ausência de iniciativas concretas do governo em torno das grandes reformas não pode ser justificativa para deixarmos de fazer o que pode ser feito hoje.

E o que é nosso dever fazer hoje.

Ouso apresentar algumas primeiras ideias para serem examinadas por esta Casa.

Começo por aquela que, defendida inicialmente pelo nosso candidato José Serra, foi acolhida e transformada em compromisso pela presidente Dilma Roussef, na campanha presidencial, e que, por isso, pode significar uma inédita convergência em torno de um dos nossos mais legítimos interesses nacionais.

Refiro-me à redução de tributos cobrados em setores estratégicos da nossa economia, no caso a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins das empresas de saneamento.

Podemos somar forças e apoiar iniciativas como a do ilustre Senador Dornelles, que defende proposta semelhante para capitalizar as empresas de água e esgoto e fomentar novos investimentos em saneamento em todas as regiões.

É também compromisso assumido pela Presidente – e bandeira defendida pela oposição – a extensão da mesma iniciativa à área de energia.

Podemos construir um consenso mínimo entre as várias propostas que tramitam na Câmara e no Senado, que buscam reduzir os mais de uma dezena de tributos federais cobrados na conta de luz dos brasileiros

Se o governo federal seguisse o exemplo do governo de Minas e de outros estados que concedem isenção total de ICMS às famílias de baixo consumo, as contas de luz dessas famílias poderiam chegar a ser 20% mais baratas!

Por outro lado, não há, senhoras e senhores, justificativa para que permaneçamos passíveis diante das reconhecidas dificuldades de execução orçamentária em áreas fundamentais ao País.

Segundo o Contas Abertas, por razões as mais diversas, nos últimos oito anos o Ministério dos Transportes, não executou parte expressiva do orçamento que dispunha para investir.

Para enfrentar esse e outros problemas trago uma proposta que, sei, parecerá, para muitos, ousada:

Estarei propondo a transferência gradual dos recursos e da gestão das rodovias federais para a competência dos estados.

Isso poderia ser iniciado imediatamente com a transfer”encia de parclea mais expressiva da CIDE para os estados e municípios.

Meus amigos,

Do ponto de vista dos interesses da Federação, proponho ainda:

Que 70% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança e do Fundo Penitenciário, tantas vezes contingenciados, sejam distribuídos mensalmente, de forma republicana, proporcionalmente à população de cada estado.

Sabemos, todos, que a Federação brasileira vive um processo de esfacelamento.

O mal é conhecido.

Do ponto de vista tributário, vivemos grave injustiça federativa.

Nesse sentido, proponho adotarmos mecanismos que protejam a participação na receita dos estados, especialmente das regiões mais pobres, e das prefeituras, sobretudo as do interior e de pequeno porte.

Estou encaminhando iniciativa capaz de recompor gradualmente o tamanho da fatia que o FPE e o FPM tinham no bolo tributário federal, impedindo que as isenções tributárias dadas pelo Governo Federal continuem a alcançar a parcela dos estados e municípios, que já foi, de 27% em 2002 e, hoje, é de apenas 19,4%.

No campo da geração de empregos, defendo a revisão da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, criando o Simples Trabalhista, universalizando o direito de opção pelo Simples Nacional e estendendo os benefícios do Empreendedor Individual para as micro e pequenas empresas.

No meu entendimento, decisões como essas atendem muito mais às justas demandas do setor do que a criação de mais cargos públicos e de novas estruturas burocráticas.

Precisamos, insisto, buscar a equação que nos permita progressivamente desonerar as microempresas, mas também as exportações, os investimentos, a produção e a folha salarial.

Senhoras e senhores,

Reafirmo meu compromisso com outros grandes desafios do país.

Não faltará a mim e, estou certo, a outros membros da oposição, disposição para discutir com o Governo, medidas efetivas e corajosas que nos permitam superar os sempre prioritários desafios da qualidade da educação e da saúde publica no Brasil.

Assim, como estaremos presentes na defesa de medidas que permitam que a questão ambiental possa alcançar um novo patamar e permear todas as áreas de ação do poder publico.

Senhoras e Senhores

Acredito que devemos organizar o exercício da oposição em torno de três valores.

São eles: coragem, responsabilidade e ética.

Coragem.

Para resistir à tentação da demagogia e do oportunismo.

Responsabilidade.

Não podemos cobrar do governo responsabilidade se não a tivermos para oferecer ao país.

E Ética.

Não só a ética que move as denúncias.

Não só a ética que cobra a transparência e a verdade.

Mas uma ética mais ampla, íntima, capaz de orientar nossas posições, ações e compromissos, todos os dias.

Acredito, senhoras e senhores senadores, que estamos vencendo um ciclo.

Hoje, o Brasil não acredita mais no discurso que tenta apontar uma falsa contradição entre responsabilidade administrativa e conquistas sociais.

Em 2002, quando criamos a expressão “choque de gestão” – e fomos criticados por nossos adversários – tínhamos como objetivo afirmar que não pode haver avanço social permanente, sem responsabilidade administrativa. Os emblemáticos avanços de Minas Gerais comprovam a tese.

Hoje, para o bem do Brasil, podemos visitar, País afora, uma densa agenda de gestão pública, empreendida por uma nova geração de líderes e gestores brasileiros, de diferentes partidos, que nos apontam caminhos para a transformação que nos exige a população.

Há muito a ser feito.

Nos apresentamos hoje, sem batalhas próprias, prontos para iniciar um denso debate sobre os grandes desafios que nos esperam.

É nosso dever contribuir para que a travessia iniciada – e empreendida por muitas mãos – avance na direção do pleno desenvolvimento.

Esta é a grande tarefa inconclusa.

E se há um erro que juntos não podemos cometer é nos perdermos na grandiloquência do discurso oficial, como se tivéssemos alcançado o nosso ponto de chegada.

Não alcançamos. Estamos longe dele, apenas no inicio da jornada.

Há grandes desafios a serem enfrentados e vencidos, que não pertencem apenas ao governo.

Ou às oposições.

Mas ao País inteiro.

E ,aqui, não posso deixar de lembrar Minas, a história de Minas e as lições que nos legaram os homens e mulheres de Minas.

Elas nos dizem que cada geração tem o seu compromisso com a história.

Elas nos dizem que a Pátria é honrosa tarefa diária, coletiva e compartilhada.

Não a realizaremos sob o signo do confronto irracional, nem tampouco da complacência.

A oposição que defendo não é a de uma coligação de partidos contra o Estado ou o País, mas a da lucidez da razão republicana contra os erros e omissões do poder público.

Convoca-nos, neste momento, a responsabilidade para fazer o que precisa ser feito.

Ou o faremos ou continuaremos colecionando sonhos irrealizados.

Não temos, senhoras e senhores, esse direito.

Precisamos estar, todos, à altura dos sonhos de cada um dos brasileiros.

Nós, da oposição, estaremos.

Muito obrigado.

06.04.2011

O ilusionista terá cinco dias para planejar o próximo ato do interminável espetáculo da mentira — e preparar o próximo truque .

O relatório da Polícia Federal sobre o mensalão fez Lula perder a pose e a voz


Surpreendido pela divulgação do relatório da Polícia Federal sobre o mensalão, que ampliou o número de integrantes e o acervo das bandalheiras da quadrilha, o ex-presidente Lula perdeu de novo a pose e a voz.

Achou melhor guardá-las para duas palestras pagas em dólares e proibidas para jornalistas — uma em Washington, outra em Acapulco — e um encontro (sem remuneração em dinheiro) com banqueiros internacionais na Cidade do México.

Nesta terça-feira, depois do acesso de mudez que o livrou da imprensa na véspera, embarcou num jatinho alugado rumo aos Estados Unidos e mandou avisar que só estará de volta no fim de semana.

O ilusionista terá cinco dias para planejar o próximo ato do interminável espetáculo da mentira — e preparar o próximo truque.


Desde julho de 2005, quando o país foi confrontado com o pai de todos os escândalos, Lula já pediu desculpas por não ter enxergado o mensalão, já se declarou traído sabe-se lá por quem, já procurou transformar roubalheira em caixa 2, já tentou reduzir crimes hediondos a erros corriqueiros, já jurou que o mensalão não existiu – até decidir, há um ano e meio, que tudo não passou de uma invencionice forjada pela oposição para derrubar o governo.

E prometeu apurar a trama assim que deixasse a Presidência.

Em 5 de novembro de 2009, numa entrevista ao repórter Kennedy Alencar, caprichou na imitação de detetive de filme classe C para impressionar os espectadores da RedeTV! com a frase enigmática:


“Essa história de mensalão é uma das muitas histórias que ainda não estão devidamente esclarecidas e explicadas.

Quando estiver fora do governo, eu vou me dedicar a estudar o caso até entender o que realmente aconteceu”.



Se tivesse lido a denúncia do procurador-geral Antonio Fernando Souza, trataria de manter-se distante do tema de altíssima voltagem.

Se conhecesse o conteúdo do processo que corre no Supremo Tribunal Federal, não teria embarcado na falácia irresponsável.

Se pressentisse a aproximação do relatório da Polícia Federal, teria procurado Kennedy Alencar para retirar o que disse.

Ou por sobra de autoconfiança ou por falta de juízo, segue na trilha que leva ao penhasco.


Oficialmente, Lula ainda não comentou o relatório por ignorar-lhe o teor. Como não teve acesso ao documento, mandou dizer por um assessor de imprensa que só poderia falar mais tarde.

Quem jamais leu um livro dificilmente encontrará ânimo para a travessia das 332 páginas que resumem as descobertas dos investigadores.

Mas decerto pediu que alguém lesse em voz alta o noticiário dos jornais. Descobriu que a bravata declamada em 2009 foi implodida de vez pela Polícia Federal.


E soube que o bando de mensaleiros ficou um pouco maior.


Ficou também um pouco pior para quem sempre alegou não ter visto nem ouvido nada que o alertasse para a roubalheira arquitetada nas salas ao lado ou um andar acima do gabinete no Planalto.

A turma que acaba de subir ao palco inclui, por exemplo, o notório Freud Godoy, amigo e ex-segurança de Lula, que confessou aos investigadores da Polícia Federal ter embolsado dinheiro do propinoduto administrado por Marcos Valério.
Lula está dispensado de investigar o falso enigma. Ele sabe o que houve. Sempre soube.

Se acaso esqueceu alguns detalhes da grande farra de 2005, basta convocar para uma noitada de drinques e conversas os companheiros Delúbio Soares, José Genoíno, Freud Godoy e mais dois ou três comparsas.

Com José Dirceu como convidado especial, naturalmente.



06/04/2011

Declarações como as de Bolsonaro contribuem para o debate, opina filha de Marcelo Tas

Marcelo Tas e a filha, Luiza Athayde, em foto veiculada durante o programa CQC, da Band

Por André Mascarenhas
 Estadão

A estudante de direito Luiza Athayde, de 22 anos, teve sua orientação sexual exposta na TV, pelo próprio pai, mas não viu problema nisso. Pelo contrário, até o incentivou a fazê-lo.

Homossexual assumida desde os 15 anos, Luiza é filha do apresentador Marcelo Tas, do CQC, e protagonizou na noite desta segunda-feira, 4, mais um capítulo da novela envolvendo o deputado federal Jair Bolsonaro, acusado de racismo e homofobia por outros parlamentares e entidades da sociedade civil.

Em entrevista ao Radar Político nesta terça-feira, 5, ela defendeu o direito de Bolsonaro em expor suas opiniões e criticou as tentativas de criminalizá-lo pelas declarações.

“Quanto mais pessoas como o Bolsonaro aparecem na mídia e falam essas coisas, e mais discussão tem com relação a esse assunto, melhor”, disse a estudante, após garantir ter sido mais fácil para ela do que para o pai a decisão de colocá-la no programa.

“A reação das pessoas a essas coisas que ele [Bolsonaro] fala, super preconceituosas, é a melhor forma de ter esse diálogo. É um diálogo super importante que não existe no Brasil. No Brasil, a gente tem essa postura de todo mundo falar que não preconceito contra nada, e ninguém discute nada. Agora esse diálogo está começando a ser criado.”

Após veicular uma nova entrevista com Bolsonaro, na qual o deputado voltou a atacar os homossexuais, Tas usou sua filha para dar o exemplo de que pais de gays e de lésbicas podem conviver muito bem com a questão.

“Esta pessoa que está aqui comigo se chama Luiza. Ela é minha filha”, disse Tas, ao fim da reportagem, com a foto acima nas mãos.

“Essa foto foi feita em Washington, onde ela vive hoje. Ela ganhou uma bolsa para estudar na American University, é estagiária da Organização dos Estados Americanos.

Ela é gay e eu tenho muito orgulho de ser pai da Luiza. Tá certo deputado?”


Bolsonaro foi parar no topo dos assuntos mais comentados da semana passada após afirmar, em resposta a uma pergunta da cantora Preta Gil, no CQC, não correr o “risco” de um filho seu se apaixonar por uma mulher negra. “Meus filhos foram muito bem educados”, alegou o parlamentar na ocasião.

Nesta segunda, o programa veiculou uma nova reportagem com o deputado, que voltou a carga contra os homossexuais. “Ninguém tem o prazer de ter um filho gay. Ou alguém tem?”, disse Bolsonaro em um dos trechos da matéria.


A iniciativa de expor a orientação sexual de Luiza foi uma reação à atitude do parlamentar, que mostrou uma foto do cunhado negro para garantir que não tem preconceito de raça.


“A única coisa decente que um pai tem a fazer é amar seus filhos”.

Reinaldo Azevedo


terça-feira, 5 de abril de 2011

Opinião do Estadão: Um golpe para Lula

Mensalão: A PF levou seis anos para confirmar o que todo mundo já sabia, menos os petralhas e o Lula


A Polícia Federal (PF) levou nada menos de 6 anos para confirmar que o esquema petista de pagamentos ilícitos a políticos conhecido como mensalão, trazido à tona em 2005, não é a "farsa" de que fala cinicamente o ex-presidente Lula, mas um fato objetivo, documentado e que não comporta mais de uma interpretação.

Assim não fosse, o Supremo Tribunal Federal (STF) não teria aceito praticamente na íntegra a denúncia do então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra os 40 membros da "organização criminosa" liderada pelo titular da Casa Civil, José Dirceu, e autora do maior escândalo de corrupção já identificado no País.

Dezenas de parlamentares de cinco partidos receberam no mínimo um total de R$ 55 milhões, ou para votar com o governo ou, no caso de deputados do PT, para abastecer seus cofres eleitorais.

Neste último fim de semana, faltando menos de meio ano para prescrever talvez o principal delito de que são acusados os mensaleiros – o de formação de quadrilha, mencionado mais de 50 vezes na peça incriminatória acolhida pelo Supremo -, a revista Época revelou ter tido acesso às 332 páginas que formam o relatório final da PF, do qual transcreveu trechos contundentes.

A investigação não deixa em pé nenhuma dúvida sobre a origem do dinheiro usado para comprar políticos venais e reforçar as finanças da companheirada.

Na esmagadora maioria dos casos, foram os contribuintes que pagaram indiretamente a lambança, mediante recursos transferidos da área pública para as empresas do publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, o operador do mensalão recompensado com opulentos contratos com setores da administração federal.

O Fundo Visanet, do qual participa o Banco do Brasil, repassou R$ 68 milhões a Marcos Valério. As datas dos recebimentos tendiam a coincidir com as dos pagamentos que fazia aos políticos.

O dinheiro saía das contas do publicitário no Banco do Brasil e passava pelo Banco Rural antes de chegar aos beneficiários. Não havia portas no governo Lula que não se abrissem para Valério, concluiu a PF.

A apuração, requerida pelo ministro Joaquim Barbosa, relator do processo no STF, acrescenta aos acusados de envolvimento com o mensalão nomes como os do atual ministro do Desenvolvimento, o petista Fernando Pimentel, e do líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá, do PMDB. Mas, principalmente, trouxe Lula mais para perto do escândalo.

Em agosto de 2006, este jornal já havia revelado que Freud Godoy, segurança do então candidato presidencial em 1998 e 2002, recebeu R$ 98,5 mil do valerioduto. Agora se sabe que Godoy disse aos federais que o dinheiro obtido de Marcos Valério se destinava a cobrir parte dos R$ 115 mil da conta que apresentara ao PT pelos serviços prestados na campanha lulista. Foi o partido que o encaminhou à agência de Valério.

Claro que Lula poderá alegar que não teve nada com isso, assoberbado que estaria com questões mais importantes do que o custo e a forma de pagamento do seu segurança (e amigo há 20 anos). Poderá também repetir, como disse quando rebentou o escândalo do mensalão, que "foi traído" – naturalmente, sem apontar os presumíveis traidores. Penitente, poderá mais uma vez afirmar que "devia desculpas" ao País.

Mas a volta do mensalão ao noticiário, a partir de um documento da Polícia Federal que não apenas corrobora o que já era de conhecimento público, porém adiciona novos nomes e fatos, como a conexão Lula-Godoy-PT-Valério, é um golpe para a pretensão do ex-presidente de sair por aí desmoralizando a denúncia que marcou para sempre o seu governo.

O alvo do ex-presidente é o Supremo. Contando com a erosão da memória nacional, ele decerto há de ter calculado que a passagem do tempo e a pressão implícita na sua anunciada campanha acabariam pesando na decisão da Corte sobre o destino dos 38 réus remanescentes no processo.

A sentença está prevista para 2012. Paradoxalmente, dependendo do que a Justiça fizer com o tardio relatório da PF, os acusados poderão ensaiar novas manobras para protelar o que, pelas evidências recolhidas, só poderia conduzir a uma condenação exemplar.

5 abril, 2011

Michel Temer é investigado no STF por suposta participação em esquema de cobrança de propina

Denúncia

RIO - A suposta participação do vice-presidente Michel Temer em um esquema de cobrança de propina de empresas detentoras de contratos no porto de Santos é investigada em um inquérito que está no Supremo Tribunal Federal (STF).


 De acordo com informações da "Folha de S.Paulo" , o caso chegou à Corte no dia 28 de fevereiro e seguiu na semana para a apreciação da Procuradoria-Geral da República.

Em 2002, o então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, determinou o arquivamento de um processo administrativo preliminar sobre o caso. Mas, em 2006, a Polícia Federal instaurou um inquérito, onde já constava o nome de Temer como eventual beneficiário do esquema.

A PF reuniu, então, indícios de que empresas pagavam propinas para vencer licitações para exploração de áreas do porto de Santos, administrado pela Companhia de Docas do Estado de São Paulo. A empresa, por sua vez, era uma área de influência política do PMDB, tendo o partido indicado o presidente da Companhia entre 1995 e 1998, Marcelo de Azeredo.

Algumas planilhas - entregues em 2000 pela mulher de Azeredo durante o processo de dissolução de união estável - indicavam repasse de propinas que teriam sido pagas por duas empresas: Libra Terminais S/A e Rodrimar S/A. As planilhas indicavam ainda, segundo a PF, que o dinheiro foi entregue a Azeredo por uma pessoa identificada apenas como "Lima" e a alguém identificado pelas iniciais "MT", que se refere, segundo a PF e a procuradoria, a Michel Temer.

O vice-presidente nega ter recebido suborno.
05/04/2011

Mantega vê problema


Mantega confirma medidas para o câmbio

Por Eduardo Rodrigues e Fabio Graner

O Estado de S. Paulo

Ministro comemora elevação da nota pela Fitch, mas diz que País vai atrair mais dólares e que o governo ""seguirá tomando medidas""


Apesar de mostrar contentamento com o aumento da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que essa situação deve estimular ainda mais a entrada de dólares, o que no momento é um problema.

Mantega admitiu que o governo continuará tomando medidas para conter o excesso de entrada de dólares, que tem levado à valorização do real e minado a competitividade do setor exportador nacional, além de tornar mais dura a concorrência interna com importados.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse ontem por meio de nota à imprensa que a decisão da Fitch de elevar a nota do Brasil foi "um reconhecimento da consistência da política econômica ao longo dos anos e da melhora dos seus fundamentos alcançada por meio das políticas de meta de inflação, câmbio flutuante, acúmulo de reservas internacionais, responsabilidade fiscal e solidez do sistema financeiro".
De acordo com Tombini, a boa notícia, contudo, não reduz a "determinação do BC em continuar trabalhando para que os avanços obtidos até agora continuem a ocorrer em um ambiente econômico de estabilidade monetária e solidez financeira".

Leia mais.



Repercussão

"O BC continua trabalhando para que os avanços continuem em ambiente de estabilidade monetária e solidez financeira"

Exceção


"Ainda que tenhamos críticas ao País do ponto de vista macroeconômico, o Brasil está melhor do que países da Europa e os EUA", diz o economista da PUC-SP Antonio Corrêa de Lacerda

ALEXANDRE TOMBINI
PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL


 05/04/2011

30 dias para Lulinhas devolverem passaportes irregulares


Finalmente alguém tomou alguma providência: o Ministério Público Federal do Distrito Federal considerou irregulares os passaportes diplomáticos concedidos a sete parentes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Deu um prazo de 30 dias para os passaportes serem recolhidos ao Ministério das Relações Exteriores, sob pena de responderem uma ação judicial

Fotomontagem Toinho de Passira


Os irregulares passaportes diplomáticos concedidos aos filhos e netos de Lula, por determinação do então Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, atendendo solicitação direta ex-presidente, terão que ser devolvidos ou recolhidos pelo Itamarati, sob o risco da Procuradoria Federal do Distrito Federal entrar com uma ação judicial, para ver a irregularidade sanada.

No período de 2006 a 2010, 328 passaportes diplomáticos foram concedidos sob a alegação de "interesse do país", iguais e sob a mesma motivação que os concedidos aos filhotes e netos de Lula.

Depois de examinar toda a lista, o Ministério Público, concluiu que apenas os passaportes dados aos parentes de Lula estão irregulares e exigiu sua devolução.

Tudo começou quando fontes do Itamaraty vazaram para a Folha de São Paulo que o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia fornecido dois passaportes diplomáticos aos dois filhos mais velhos de Lula, no dia 29 de dezembro de 2010, a 2 dias para encerramento do mandato do ex-presidente. Um gesto típico de quem quer continuar obtendo privilégios ilegais, até o último minuto, no apagar das luzes.

Legalmente para obter o benefício, o presidente Lula deveria está no exercício do cargo e os filhos precisariam ser menores de 21 anos ou portadores de deficiência física ou mental.

Física e mentalmente os dois parecem serem absolutamente sãos. Quanto ao fator idade também não se enquadram pois os beneficiados, Luís Cláudio tem 25 e Marcos Cláudio, 39 anos.

Depois da primeira denúncia se descobriu que anteriormente a farra havia sido estendida a toda família real dos Silva de Caetés.

Regularmente o passaporte diplomático é concedido apenas a funcionários em missão diplomática, representando o país no exterior. As exceções para familiares do presidente, em exercício, servem para facilitar os trâmites da migração, quando esses descendentes acompanham o mandatário em suas viagens oficiais.

A desculpa apresentada pelo Itamaraty é uma daquelas emendas que piora o soneto: Disseram que os Silva beneficiados já tinham o passaporte especial e tratava-se apenas de uma renovação. Ou seja, confirmaram que a ilegalidade vinha de longe e criaram o direito adquirido do trambique.

Na decisão de conceder os passaportes, segundo a Folha de São Paulo, o despacho de Celso Amorim determina que a expedição dos passaportes seja feitas "em caráter excepcional" e "em função de interesse do país" (?).

Se o Ministério Público ficar satisfeito em apenas conseguir que o beneficio seja cancelado, vai sair muito barato tanto para Celso Amorim, quanto para Lula, que deveriam ser processados por abuso de poder.

Procurado pela Folha de São Paulo, Lula através da assessoria, como se não tivesse nada a ver com isso, nem satisfação a dar ao povo brasileiro, disse que não ia falar sobre o assunto.

Fotos : Arquivos “thepassiranews”
SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? - Luís Cláudio, Marcos Cláudio Lula da Silva e Lurian Cordeiro da Silva, filhos de Lula, alguns dos que ganharam, por baixo dos panos, o passaporte diplomático brasileiro.

Agora vão ser revistados e entrar nas filas dos aeroportos como todo mundo.

Será?


Leia ainda no “thepassiranews”:
Farra dos passaportes é maior que se imaginava

Olavo de Carvalho: esquerda ocupou vácuo pós-ditadura


Por Gabriel Castro 
Entrevistas - Entrevistas
Mídia Sem Máscara

Filósofo diz que espaço deixado pela ditadura militar foi tomado por esquerdistas, que contaram com a conivência de direitistas.

"A classe política, que era de maioria direitista, acabou sendo marginalizada e deixando um espaço vazio. Esse espaço foi preenchido pelos políticos de esquerda que voltavam do exílio. Quando veio a Constituição de 1988, a esquerda já era praticamente hegemônica".

O filósofo Olavo de Carvalho se notabilizou pelas críticas à hegemonia esquerdista no espaço cultural e político do país. Desde que publicou o livro O Imbecil Coletivo, obra que ataca consensos construídos no ambiente cultural brasileiro, ele se tornou uma espécie de porta-voz da diminuta intelectualidade conservadora do país (embora tenha aversão a este papel).

Em entrevista concedida por telefone ao site de VEJA, ele diz que a direita tem boa parte da culpa pela própria derrocada e critica o fato de legendas liberais terem se apegado à discussão meramente econômica.

O filósofo, que mora na zona rural da Virgínia, diz que o eleitorado conservador não vai encontrar tão cedo um partido que represente suas ideias no país.

A ausência de um partido conservador no Brasil é resultado das circunstâncias políticas ou de uma estratégia bem-sucedida da esquerda?

Não é nem só uma coisa nem só outra. O processo começou durante o regime militar, quando tecnocratas assumiram todo o comando do processo e marginalizaram a política, reduzindo a função dos políticos a carimbar decretos oficiais. E, na concorrência de poder e prestígio, eles eliminaram alguns políticos de direita da mais alta qualidade, como Carlos Lacerda. A Arena era ideologicamente inócua. De lá para cá, a classe política, que era de maioria direitista, acabou sendo marginalizada e deixando um espaço vazio. Esse espaço foi preenchido pelos políticos de esquerda que voltavam do exílio. Quando veio a Constituição de 1988, a esquerda já era praticamente hegemônica.


O regime militar não conseguiu sufocar a oposição de esquerda?


O governo militar se ocupou de combater a guerrilha, mas não de combater o comunismo na esfera cultural, social e moral. Havia a famosa teoria da panela de pressão, do general Golbery do Couto e Silva. Ele dizia: "Não podemos tampar todos os buraquinhos e fazer pressão, porque senão ela estoura". A válvula que eles deixaram para a esquerda foram as universidades e o aparato cultural. Na mesma época, uma parte da esquerda foi para a guerrilha, mas a maior parte dela se encaixou no esquema pregado por Antonio Gramsci, que é a revolução cultural, a penetração lenta e gradual em todas as instituições de cultura, mídia etc. Foi a facção que acabou tirando vantagem de tudo isso - até da derrota, porque a derrota lhes deu uma plêiade de mártires.



Então a hegemonia cultural veio antes da partidária?

Claro. Acompanhe, por exemplo, as sessões ditas culturais dos principais jornais do país. Você vai ver que, durante 30 anos, não teve uma ideia conservadora lá. O primeiro passo para marginalizar uma corrente de ideias é excluí-la da alta cultura. Você trata aquilo como se fosse uma corrente popular, um bando de caipiras, um bando de fanáticos que não tem respeitabilidade intelectual. O período militar foi a época de maior progresso da indústria editorial de esquerda no Brasil. Nunca se publicou tanto livro de esquerda. Além de ter destacados colunistas de esquerda nos jornais, ainda havia vários semanários importantíssimos de oposição como os tabloides Movimento, Fato Novo, O Pasquim, Ex, Versus, as revistas Civilização Brasileira, Paz e Terra e muitas outras. Além disso, praticamente todos os grandes jornais eram dirigidos por homens de esquerda como Luís Garcia, Claudio Abramo, Alberto Dines, Narciso Kalili e Celso Kinjo. Outra coisa importantíssima: todos os sindicatos de jornais do país eram presididos por esquerdistas.




O presidente do DEM, José Agripino Maia, diz que o partido é de centro e que suas bandeiras estão ligadas ao liberalismo econômico apenas. Como o senhor vê essa declaração?


A limitação do ideário conservador ao aspecto econômico é uma estratégia da esquerda. O que o governo faz? Reserva uma margem de manobra para a empresa privada, mas exerce o controle total sem exercer a responsabilidade. Se tudo dá certo, é glória do governo. Se tudo dá errado, é culpa do empresário. Uma oposição que se limite à defesa da propriedade privada não oferece risco algum para o socialismo. A verdadeira corrente conservadora se manifesta também por um ideário de direitos civis, de liberdade religiosa, da defesa da moral judaico-cristã, da educação clássica, com padrões exigentes. É uma concepção integral da sociedade. Os liberais que acabam concordando com a esquerda no seu ideário cultural e moral são traidores. Uns são traidores conscientes, outros por idiotice.

Na última campanha, o aborto chegou ao debate eleitoral por causa da mobilização de parte da sociedade. Só depois os partidos passaram a debater o tema. É um sinal de que a população é mais conservadora do que seus representantes políticos?

Há uma faixa conservadora, cristã, que não aceita políticas como o "abortismo" e o "gayzismo". Uma faixa imensa da população não aceita essa brincadeira e se mobilizou fora dos partidos para combater o aborto, num movimento iniciado por grupos religiosas, por igrejas, e o PSDB acabou tirando alguma vantagem disso por falta de alternativa. É o princípio do mal menor: "Não tem mais ninguém, vamos votar no PSDB". Mas o PSDB não tem mérito nenhum nisso.


Como o senhor vê a implosão do DEM, que vem perdendo força e de onde saíram os fundadores do PSD?

O DEM decidiu se transformar-se num instrumento servil da política de esquerda. Então se autocastrou de propósito.


O que a direita precisa saber para reequilibrar o quadro político? Reocupar os espaços na esfera cultural?


A esquerda, devido à enorme facilidade que teve para ocupar os espaços, começou a promover o que tinha de pior na pseudo-intelectualidade esquerdista. E destruiu a cultura superior no Brasil. Num lugar onde se chamam de intelectuais Emir Sader, Chico Buarque de Hollanda e Tarso Genro, está tudo perdido. É a barbárie completa. A Comissão de Educação e Cultura da Câmara têm entre seus membros o Tiririca, que é um sujeito que quase foi recusado lá por ser analfabeto. A esquerda se aproveitou da facilidade de conquistar esses meios, mas evidentemente não tinha intelectuais de grande gabarito para ocupar todos postos. Então pegou qualquer um. Pegou o lixo. A solução é criar uma nova intelectualidade capaz de desmoralizar esses indivíduos, demonstrar que são vigaristas e charlatães.


A polaridade entre PT e PSDB não exerce esse papel?


Uma vez eu vi um diálogo entre o Cristovam Buarque, quando era o principal intelectual do PT, e o Fernando Henrique Cardoso. Ambos concordavam que os seus partidos não tinham divergência ideológica nenhuma, apenas disputa por cargos. Aqui, a disputa de cargos se substituiu à concorrência ideológica, de propostas. A essência da democracia é a existência de correntes opostas e o seu rodízio no poder, de forma que nenhum governo possa introduzir modificações desastrosas que um governo seguinte não possa fazer. Funcionou em toda a Europa e está provado que é a única saída eficiente. Ninguém tem a solução de todos os problemas. Às vezes, a direita tem a ideia melhor, às vezes a esquerda tem.


Há quem comemore o fim da distinção entre esquerda e direita como um avanço da democracia.
O que existe de positivo em esconder a realidade das forças que estão em jogo?

O fato de que uma boa parte do pessoal dito direitista esteja servindo à esquerda não significa que direita e esquerda tenham desaparecido.

A população brasileira é conservadora. E as pesquisas têm comprovado isso.

Ela apenas não está informada sobre quem é quem no cenário eleitoral. Então, se vota nos candidatos que existem.

É uma situação onde o engano, a mentira e a farsa foram oficializados.

A farsa ganhou o jogo.

Publicado no site da revista Veja

04 Abril 2011

Obama 2012


“Barack Obama”
Petar Pismestrovic, «Kleine Zeitung»

Publicado em notas ao café
por JN
Barack Obama anunciou, nesta segunda-feira, a sua candidatura às presidenciais de 2012.

Por tradição, os Presidentes em exercício sempre o fizeram a partir da Casa Branca, mas na era digital e com o actual Presidente — que sempre soube utilizar as novas tecnologias de comunicação em massa — tudo foi diferente.

O início foi no Twitter e com um envio de e-mail a apoiantes; tudo isto levou a um vídeo (também este diferente) colocado na página oficial de Barack Obama no qual se pergunta “Are you in?”

A campanha presidencial de Obama não começa com o Presidente; começa com o americano comum. Para já mais de 19 milhões disseram que sim.

Josh Green analisa alguns aspectos do vídeo de lançamento da campanha:

[...] To me, the most important character here is Ed from North Carolina, the older white man who rationalizes his support for Obama even though he “doesn’t agree with him on everything.”

I suspect the thrust of Obama’s campaign will be geared toward winning over the Eds of the country, people who aren’t rapturous about Obama, or even sure they like him, but are nonetheless open to supporting him, especially if they can be prompted, or led, to engage in the same sort of dispassionate analysis we see Ed making here.

In that way–passion versus dispassion–I think we’re probably getting a glimpse of how the upcoming campaign will differ from the last one


Para Michael Scherer a campanha de Barack Obama estará centrada mais no carácter do homem do que na aprovação das suas políticas:

[...] Obama will be running on his character.

The most interesting quote of the video comes from the southern white guy. “I don’t agree with Obama on everything. But I respect him and I trust him.”

Consider what an extraordinary line this is for a video meant to recruit volunteers to organize for a presidential campaign.

Have you ever met a campaign organizer that goes door-to-door or works the phones for a candidate that they admit they don’t agree with? The reasoning behind this line can be found in a recent Associated Press poll.

As of late March, 53% of the country approved of the way Obama was doing his job as president.

But 59% said they had a favorable view of Obama, 59% said Obama “cares about people like” them, and 84% said he was a likable person. Obama would rather make his pitch to 84% of the country than from 53% of the country. That white guy from North Carolina represents the gap between.


Em 1984 Ronald Reagan fez o mesmo.

 Abril 5, 2011

The Soviet Story - Socialismo: por que matar é essecial?



The Soviet Story explica por que é essencial matar para o socialismo e sublinha as semelhanças entre os regimes Nazi e Soviético.

"Felizmente o Nazismo caiu pelas mãos de uma guerra, mas infelizmente o comunismo não.

No dia de hoje, se um beócio se afirmar Nazista, ou se o mesmo tentar defender a honra de Hitler, se não for preso certamente acaba num hospício.

Infelizmente o mesmo não pode ser dito de um cretino que defenda o comunismo (no Brasil os temos aos montes, inclusive um Ministro da Justiça) e os seus perpetradores, muitos deles ainda vivos, como o facínora Fidel Castro e sua camarilha, ou mesmo Vladmir Putin que ainda dá guarida a ex-torturadores do regime soviético, inclusive condecorando-os por heróis da pátria."

.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dilma e Lula aparecem na guerra eleitoral deflagrada por Obama; republicanos reagem à campanha precoce de democrata


Vinte meses antes do pleito, o presidente Barack Obama deu largada à campanha à reeleição



Tenta embarcar nos primeiros números positivos da economia e, bem…, explica-se, em parte, o seu empenho em “proteger os civis” na Líbia.

Vocês sabem que ele é louco por isso. O lema, desta vez, é “It begins with us”“Começa com a gente!”.

Na campanha, é o Obama de sempre, apelando à mobilização da rede, com um claro apelo multi-étnico.

A principal personagem da peça publicitária diz que não concorda sempre com ele, mas que é uma pessoa em quem se pode confiar. O vídeo já foi visto por 108.327 pessoas enquanto escrevo.



E cadê Lula e Dilma?

Aqui:





Os republicanos já contra-atacaram com um vídeo que tenta desconstruir a imagem do presidente.

Obama é “elogiado” como aquele que “uniu os americanos” — e são exibidas cenas de protesto contra o presidente. Ouve-se sua voz garantindo a independência dos EUA em energia, e ele aparece ao lado de Lula e Dilma saudando o petróleo descoberto no Brasil e dizendo que os americanos serão os maiores clientes do país.

É o presidente que teve “a coragem” de dizer aos americanos que não descansaria — e eis o homem jogando golfe e pescando.

É aquele que prometeu reduzir o déficit do país à metade — e um quadro mostra que o buraco cresceu.

O presidente dos EUA falaria com figuras-chave do mundo, mas aparece ao lado de Paul McCartney.

Iria enfrentar os desafios de uma geração, mas se envolve no bolão de uma disputa de basquete.

Ao fim, o agora declarado candidato democrata à Presidência surge cavalgando um unicórnio, enquanto o locutor fala em “mais quatro anos”.

O bicho dá uma relinchada, e a gente ouve um riso de Obama, como se escarnecesse dos espectadores.

Sabem o que mais chama a atenção nisso tudo? No Brasil, até a oposição reagir a uma campanha governista, daria tempo de ler e reler Guerra e Paz.

Nos EUA, Obama mal teve tempo de agir, e a reação foi imediata.

O vídeo dos republicanos já foi acessado 612.145 vezes.

Ah, sim: no Brasil, a peça republicana também seria considerada absurdamente agressiva.

No país que não tem mais direita, esquerda ou centro; em que os partidos se declaram a favor do que é bom e contra o que é ruim (ainda bem que não é o contrário…), fazer política é quase uma ofensa.



Nos EUA, a política sobrevive.

Gente estranha!!!


04/04/2011

Aí vai um recado do TITIRICA...


O grande parlamentar brasileiro TIRIRICA foi diplomado em 17.12.2010..



Salário: R$ 26.700,00

Ajuda Custo: R$ 35.053,00

Auxilio Moradia: R$ 3.000,00

Auxilio Gabinete: R$ 60.000,00

Despesa Médica pessoal e familiar: ILIMITADA E
INTERNACIONAL
(livre escolha de medicos e clinicas).

Telefone Celular: R$ ILIMITADO.

Ainda como bônus anual:
R$ (+ 2 salários = 53.400,00)

Passagens e estadia:
primeira classe ou executiva sempre

Reuniões no exterior: dois congressos ou equivalente todo ano.

Mensalão: A COMBINAR!!!

Custo médio mensal: R$ 250.000,00

Aposentadoria: total depois de 8 (oito) anos e com pagamento integral.

Fonte de custeio: NOSSO BOLSO!!!

Dá para chamá-lo de palhaço?

Pense bem, quem é o palhaço???!!!

Nem é preciso dizer...



... e pensar que eu ria da cara dele!!

Recebido por e-mail de Paulo

04.04.2011

O que selou o destino de Agnelli para que ele perdesse o comando da Vale





Segundo fontes ouvidas pelo 'Estado', a demissão do executivo foi motivada principalmente pela parceria entre o Bradesco e Banco do Brasil


Por Adriana Fernandes, Karla Mendes,
Lu Aiko Otta e João Domingos

Oficializada na quinta-feira pelo conselho de administração, a saída de Roger Agnelli da presidência da Vale foi comemorada no Palácio do Planalto e no Ministério da Fazenda. O saldo final da disputa em torno do comando da mineradora revela que Agnelli, 51 anos, vai sair depois de um desgaste político sem precedentes imposto pelo governo.

Sai porque defendeu a empresa das ingerências partidárias, sai porque não teve "jogo de cintura" - como admitem até seus aliados -, mas sai sem que essas sejam as verdadeiras razões de sua queda.

Na semana passada, a reportagem do Estado ouviu dois diretores da Vale e um ex-funcionário, três ministros, quatro parlamentares e dois advogados do sistema financeiro. Em comum, todos mantêm relacionamento direto com a mineradora e todos são ou foram (nos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) intermediários de conversações e negociações da empresa com o governo.

O estoque de trombadas políticas entre Agnelli e o Planalto é significativo, mas a síntese que melhor explica a queda do executivo é esta: os interesses empresariais do Bradesco, a partir da crise de 2008 e da parceria com o Banco do Brasil, definiram o destino de Agnelli.

"Genuinamente, o Bradesco não queria a saída de Agnelli, mas pesaram os interesses empresariais (do banco) e, então, ele topou", resumiu um executivo da Vale que pediu, assim como as demais fontes ouvidas, para não ser identificado.

Após essa mudança de posição do Bradesco, o governo passou a reclamar em público, e num tom cada vez mais agressivo, da gestão Agnelli. Procurado pela reportagem, o Bradesco afirmou: "O Bradesco declara que são improcedentes todas as ilações colocadas".

Agnelli foi tachado de "financista", de só querer "cavoucar minério para exportar", mas sem pagar impostos na proporção do lucro auferido. O governo vê na briga sobre royalties a disposição "financista" do gestor Agnelli, que "esticou a corda numa interpretação tão dura que deixou as prefeituras sem benefícios reais".

Foi acusado de dirigir a Vale "como se ela fosse uma empresa estrangeira", de ser "turrão e pavão", de não negociar e de não investir na industrialização do minério.

No meio da semana passada, com o destino de Agnelli selado, um ministro avaliou assim o efeito da queda: "Só o fato de trocar, mostrar que aquilo não é um emirado, já é bom. Até nos Emirados Árabes a permanência no poder tornou-se incerta".

Ao ser questionado sobre o desgate imposto à maior empresa privada brasileira e ao executivo, o ministro acrescentou: "Demissão em empresa privada é um pé na bunda. Pode até passar um talquinho antes, se for o caso."

Aliado do BB. Os advogados ouvidos pela reportagem trabalharam no bastidor de associações como Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras). Eles e mais dois ministros e três dos quatro parlamentares entrevistados fizeram o mesmo retrato sobre a movimentação do banco antes, durante e depois da crise financeira mundial.

Didaticamente, eles descreveram assim o perfil do sistema financeiro: "No Brasil existiam três tipos de bancos, os públicos, os privados (nacionais e estrangeiros) e o Bradesco". A ironia por trás da definição serve para lembrar que, tradicionalmente, o Bradesco sempre manteve filiação com as associações do sistema, mas com uma trilha própria de atuação e foco em um ponto.

"O que sempre mobilizava o Bradesco era a crítica aos bancos estatais e públicos pela facilidade que eles têm para pegar dinheiro e se financiar no Tesouro Nacional. Mas quando o Itaú e o Unibanco anunciaram a fusão (novembro de 2008), o Bradesco se aliou ao BB, o maior banco brasileiro", descreveu a fonte.

A decisão estratégica multiplicou os interesses do Bradesco junto ao governo - de negócios em cartões de crédito ao Banco Postal, passando pela associação até para explorar investimentos na África.

As duas instituições, que disputaram por anos a liderança no sistema financeiro nacional, passaram a ser parceiras em um setor cada vez mais competitivo e com players internacionais do porte do HSBC, Santander e outros. A parceria chega a causar ciúmes no outro grande banco oficial, a Caixa Econômica Federal. Na área de cartões de crédito, o Bradesco se uniu com o BB no lançamento da bandeira Elo, voltada para as classes C e D.

Em 15 de março, o Bradesco firmou memorando de entendimentos como BB para "verticalizar" a nova bandeira de cartões.

Em agosto do ano passado, outro memorando juntou BB, Bradesco e o segundo maior banco comercial privado de Portugal, o Banco Espírito Santo (BES), presente em 18 países e quatro continentes. A holding coordenará futuros investimentos envolvendo a aquisição de participações em outros bancos e o estabelecimento de operações próprias no continente africano.

Em agosto do ano passado, o BB anunciou parceria na empresa OdontoPrev, que já tem o Bradesco entre os sócios, ingressando no ramo odontológico de seguros. O BB, Bradesco e o Santander também vão compartilhar os terminais eletrônicos.

Banco Postal. Atualmente, a exclusividade de uso do Banco Postal, da estatal Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), está nas mãos do Bradesco. Em 2001, o banco pagou R$ 200 milhões pelo serviço - desembolsa mais cerca de R$ 360 milhões ao ano por participação dos Correios na quantidade de transações realizadas nas agências do Banco Postal. O faturamento mínimo estimado para o Bradesco nesse segmento é de R$ 1 bilhão.

O negócio financeiro da ECT vai ser licitado novamente neste ano e, agora mais do que nunca, o Bradesco evita confrontos com o Planalto, articulando, ao mesmo tempo, uma solução negociada para a escolha do substituto de Agnelli na Vale. A ideia é escolher um "homem da mina", e não "um financista" - o nome mais cotado é Tito Martins, atual diretor de Operações de Metais Básicos. No Planalto, todas as fontes tratam Tito como um "nome cotadíssimo", mas que "não está 101% decidido".

Enquanto não decide o sucessor de Agnelli, o Bradesco trabalha para manter o Banco Postal nas suas mãos. O edital diz que só podem participar bancos com ativos de R$ 21,6 bilhões e patrimônio líquido de R$ 2,16 bilhões, no mínimo. Com essas condições, podem participar do leilão BB, Itaú, Bradesco, Caixa, Santander, HSBC, Votorantim, Safra, BTG Pactual, Banrisul, BNP Paribas e Citibank, conforme levantamento da consultoria Austin Rating.

Advogados que analisaram o edital dizem que o item 5.1.11.1 pode favorecer o Bradesco ao estabelecer que o valor total estimado para repasse à ECT, pelo período inicial de um ano, referente às transações bancárias, será de R$ 337,3 milhões. Como o Bradesco já opera o Banco Postal, é mais fácil para a instituição cumprir a regra do que um entrante.

Procurando cadeira. Depois da decisão do Bradesco de fechar a parceria com o BB, uma declaração dada durante a campanha eleitoral do ano passado, quando os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) disputavam o segundo turno da sucessão, funcionou como a dose fatal de veneno político que transformou Agnelli em "inimigo do PT". Apesar do bom relacionamento mantido com o governo Lula ao longo do primeiro mandato, as lideranças petistas passaram a chamar Agnelli de "tucano".

Sem a blindagem do Bradesco - que não queria mais se desgastar no apoio ao executivo que o próprio banco botou no comando da Vale, em 2001 -, o ano eleitoral de 2010 foi pródigo em atitudes que exibiram Agnelli em rota aberta de colisão com o governo. O tratamento cordial que existiu quase até o fim do primeiro mandato de Lula, quando Agnelli conviveu com Dilma no Conselho de Administração da Petrobrás, foi trocado por farpas e estocadas em público que beiraram a grosseria.

Em junho, na pré-campanha eleitoral, o presidente da República inaugurou a terraplanagem da futura Usina Siderúrgica de Aços Laminados do Pará (Alpa) e disse que a governadora Ana Júlia Carepa (PT) precisou "encher o saco de Roger (Agnelli)" para que a Vale decidisse fazer o investimento de R$ 5,8 bilhões. Do alto de um palanque, Lula disse que a Alpa evitaria que a Vale "só exportasse minério para o chinês produzir brinquedo para vender para nós". Segundo a Vale, a usina entrará em operação em 2014, produzindo 2,5 milhões de lâminas de aço por ano.

Em outubro, entre o primeiro e o segundo turnos, quando Serra parecia que podia endurecer a disputa com Dilma, Agnelli voltava de uma viagem à Africa e, na Zâmbia, criticou a tentativa de o governo aparelhar a Vale: "Tem muita gente procurando cadeira. E, normalmente, é a turma do PT. Em toda a eleição acontece isso". A mensagem foi lida, no governo, como apoio declarado ao candidato tucano. Depois disso, definiu um senador da base governista, "a relação Agnelli-Planalto encaroçou de vez".

Esse nível de embate levou Agnelli até a tratar, em público, e com sete meses de atraso, de um assunto que irritou Mantega. "Demiti assim como contratei. Não consultei ninguém", afirmou, numa entrevista, referindo-se aos diretores Demian Fiocca (indicação de Mantega) e Walter Cover (indicação do ex-ministro José Dirceu), demitidos da Vale em abril de 2009.

Tapa na cara. Lula, que dizia no início do seu governo ter "paixão" por Agnelli, começou a criticá-lo insistentemente a partir de agosto de 2007, data em que a empresa encomendou cinco supercargueiros em estaleiros da China e da Coreia. Lula disse a vários assessores que a decisão da Vale havia sido "um tapa na cara", pois seu governo havia patrocinado uma política de ressurreição da indústria naval.

Para Lula, ao optar por fazer os supercargueiros na Ásia, Agnelli impediu a geração de milhares de empregos no Brasil. Os navios - dois deles devem entrar em operação até o início do ano que vem - deverão medir 360 metros de uma ponta a outra, com capacidade para transportar 400 mil toneladas de minérios. O governo ficou tão impressionado com a encomenda que foi atrás de estudos comparativos. Ficou sabendo, por exemplo, que o maior porta-aviões do mundo, o Enterprise (EUA), mede 342 metros de ponta a ponta e que os dois maiores navios de passageiros da Royal Caribean têm 350 metros. Eles são capazes de transportar até 5 mil passageiros e 2,5 mil tripulantes. Os navios da Vale são maiores do que o porta-aviões e os navios da Royal Caribean./ Colaboraram Vera Rosa, Eugênia Lopes, Denise Madueño, Christiane Samarco, Andrea Jubé, Renato Andrade e Rui Nogueira


03 de abril de 2011

Vale do Rio Doce – Privatização, lucros e ganância petista

A privatização da Vale do Rio Doce foi envolta em nebulosidades

Uma montanha de minério de ferro, que já estava nos estoques da empresa, simplesmente não foi considerada na hora da elaboração do preço final e, magicamente, reapareceu após a privatização no capital da empresa.


Por Arthurius Maximus*
Perspectiva Política

Mesmo assim, nenhum outro exemplo de privatização – talvez só no setor de telecomunicações – foi tão cabalmente coroado de sucesso como este.

Hoje, apesar da falácia petista e da gritaria da massa de “paus-mandados” que forma a militância feroz e descerebrada do partido, a Vale do Rio Doce paga em impostos para o Governo Federal várias vezes mais do que antes pagava em lucros. E isso sem que o governo tenha que se preocupar com qualquer despesa.

Mas nem tudo são flores. Como o governo ainda é um acionista importante e detêm larga influência no conselho diretor da Vale, através dos fundos de pensão das estatais, o PT pressiona o conselho de acionistas para demitir o atual presidente da Vale – responsável pelo salto gigantesco nos lucros da empresa e considerado um verdadeiro “Midas” – para colocar um fantoche que permita ao governo Dilma utilizar a Vale como moeda de troca para saciar a voracidade dos aliados por cargos.

Além disso, sabe-se muito bem, o PT deseja controlar todas as fontes de recursos do Tesouro Nacional ou dividi-las com o PMDB como parte do “plano de trinta anos” de dominância petista.

Afinal de contas, dominado o dinheiro, domina-se o poder e assegura-se a “base aliada” fisiológica e serviçal aos seus pés.

O mais triste de tudo é que com a saída praticamente certa do atual presidente e a entrega da Vale às mãos sedentas do governo petista, o povo brasileiro e os pequenos acionistas serão os principais prejudicados, pois o valor da Vale já caiu nas bolsas e a má gestão, advinda da interferência política e do loteamento de cargos, pode acabar destruindo todo o trabalho excepcional feito pelo atual presidente.

A privatização da Vale e do setor de telecomunicações são exemplos de sucesso que deveriam servir como modelo para ampliar o processo e garantir que o governo atuasse apenas nos setores de interesse maior da população: Saúde, educação, defesa, etc… Infelizmente, no caso do setor de telecomunicações e elétrico, as privatizações encontram problemas atualmente, principalmente provocados pela ação apática e danosa das agências reguladoras – cooptadas pelas empresas e desarticuladas pelo próprio governo como parte de um plano de desarticulação para conseguir vantagens dos setores envolvidos.

Ao mesmo tempo, a farra dos cargos de confiança e a indicação política de pessoas completamente despreparadas para exercer postos de comando em nossas empresas é a causa evidente do fracasso, do desperdício de verbas, da corrupção desenfreada e do mau serviço prestado ao povo brasileiro em todas as áreas da administração pública.

Infelizmente, como é tradição, o povo permanece alheio e ausente de qualquer um desses fatos.

Embevecido com a propaganda e iludido pelas fantasias populistas, o brasileiro segue aceitando de cabeça baixa e bico calado o mau serviço, a mamata descarada e o assalto sistemático e sem pudor aos cofres públicos.

Até quando?

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em @arthurius_maxim.


28/03/2011

domingo, 3 de abril de 2011

França localiza destroços do voo 447 da Air France

Airbus A330 caiu no Oceano Atlântico quando fazia a rota Rio-Paris em
1º de junho de 2009


A França anunciou neste domingo, 3, ter descoberto destroços do voo 447 da Air France que caiu no Oceano Atlântico no dia 1º de junho de 2009, quando fazia a rota Rio de Janeiro - Paris.
Destroço do Airbus A330 recolhido no mar chega a Recife dias após o acidente
Alexandre Severo/Reuters 
14.06.2009


Um veículo de salvamento em águas profundas localizou na últimas 24 horas pedaços de um avião que especialistas franceses identificaram como sendo parte do Airbus A330-200 que desapareceu no mar, disse a autoridade de investigação de acidentes BEA.

No mês passado, a França começou uma quarta operação de busca de destroços e das caixas pretas do avião. A queda matou todas as 228 pessoas a bordo.

Uma busca inicial conseguiu encontrar destroços e corpos, mas os gravadores de voo, que podem fornecer pistas sobre o que aconteceu, não foram localizados.

(Com informações de Reuters e AP)

03 de abril de 2011