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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Senado aprova em votação simbólica texto-base do mínimo de R$ 545




Falta agora analisar a emenda que elimina do projeto a fixação do valor por decreto.

As de R$ 560 e R$ 600 foram derrubadas


Senado derruba também proposta de mínimo de R$ 560


Adriana Vasconcelos
e Cristiane Jungblut
O Globo
BRASÍLIA - Com 54 votos contra, 19 a favor e quatro abstenções, o Senado acaba de rejeitar a emenda do líder do DEM, senador José Agripino (RN), que propunha que o salário mínimo fosse fixado em R$ 560.

Na votação da emenda dos R$ 600, das cinco abstenções, quatro foram de senadores do PMDB: Pedro Simon (RS), Roberto Requião (PR), Luiz Henrique (SC) e Cassildo Maldaner (SC).

A quinta abstenção foi da senadora Katia Abreu (DEM-TO).

Entre os dissidentes da base governista que votaram a favor da proposta do PSDB estavam apenas dois parlamentares: Ana Amélia (PP-RS) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

23/02/2011

A trajetória do ditador líbio Muammar Kadafi



No comando da Líbia desde 1969, o coronel Muammar Kadafi é o líder há mais tempo no poder na África e no mundo árabe.

Quando tinha apenas 27 anos, Kadafi organizou o golpe de Estado no qual o rei Idris foi derrubado, e, desde então, tem mantido um controle à 'mão de ferro', dizimando seus opositores e controlando o petróleo líbio. A atual revolta da população contra seu líder é o maior desafio de seu longo governo.

Entre suas muitas excentricidades, duas das mais conhecidas são o hábito de dormir em uma tenda beduína e de andar com dezenas de seguranças mulheres para sua proteção em viagens ao exterior.

Kadafi nasceu em 1942, na área costeira de Sirte, ao norte da Líbia. Ingressou na Universidade de Benghazi para estudar geografia, mas logo abandonou o curso para se juntar ao exército.

Depois do golpe de Estado em 1969 e com sua chegada ao poder, Kadafi estabeleceu o país no pan-arabismo, com uma filosofia anti-imperialista misturada com aspectos do Islã. Enquanto isto, ele permitia o controle privado sobre as pequenas empresas, enquanto as maiores eram do governo.

Kadafi era um admirador do líder egípicio Gamal Abdel Nasser (1918-1970), do seu socialismo árabe e da ideologia nacionalista.

Durante grande parte do seu governo, Kadafi tentou unir Líbia, Egito e Síria em uma federação, mas sem sucesso. Anos mais tarde, tentaria uma tática semelhante com a Tunísia, novamente sem conseguir o fim desejado.

Esmagando dissidentes

Em 1977, Kadafi mudou o nome do país para Grande Socilaismo Popular da Líbia Árabe Jamahirya (Estado das massas) e as pessoas puderam expor seus pontos de vista em congressos.

Porém, muitos que participaram destes congressos criticaram a liderança de Kadafi, acusando-a de ser uma ditadura militar, reprimindo a sociedade civil e esmagando impiedosamente seus dissidentes. A mídia, então, passou a ficar sob forte controle governamental.

O regime tem centenas de pessoas presas e condenadas à morte por violarem a lei, segundo a Organização de Direitos Humanos.

Kadafi sempre teve um papel proeminente na organização da oposição dos árabes ao acordo de paz de Camp David entre Egito e Israel, em 1978. Porém, com opiniões extremas sobre as resoluções do conflito Israel-Palestina, entre outros, a política externa da Líbia sofreu uma mudança: com vários países árabes ignorando as opiniões do líder líbio, o foco do país passou a ser para os africanos.

Na África, Kadafi foi mais ouvido e, com isso, conseguiu a formação da União Africana. Mas, no Ocidente, a visão do líder da Líbia é de um "terrorista", acusado de apoiar grupos armados, incluindo as Farc, na Colômbia, e o IRA, na Irlanda do Norte.

O suposto envolvimento da Líbia em um atentado, em 1986, dentro de uma discoteca na cidade de Berlim, resultando na morte de dois soldados americanos, acarretaram em ataques áreos dos EUA a Trípoli e Benghazi, matando 35 líbios, inclusive a filha adotiva de Kadafi. Ronald Regan, então presidente dos EUA, o chamou de 'cachorro louco'.

Outro episódio terrorista que envolve a Líbia é o bombardeio do voo da Pan Am que iria de Londres para Nova Iorque, sobre a cidade de Lockrbie, na Escócia, em 1988. O atentado matou 270 pessoas (11 em terra e 259 no avião). Este é o mais conhecido e controverso incidente terrorista em que Kadafi teve seu nome mencionado como um dos envolvidos.

Por muitos anos, Kadafi negou envolvimento, o que resultou em sanções da ONU e o status da Líbia como um estado pária (excluído do cenário mundial). Mas Abdel Basset al-Megrahi, agente secreto líbio, foi condenado por plantar a bomba e, assim, o regime de Kadafi assumiu formalmente a responsabilidade pelo ataque, em 2003. Ele pagou indenização às famílias dos mortos.
Fim do isolamento

Também em 2003, Kadafi rompeu o isolamento com o Ocidente, ao entregar seu inventário inteiro de armas de destruição em massa.Em setembro de 2004, George W. Bush, então presidente dos EUA, terminou formalmente o embargo comercial dos americanos como resultado do desmantelamento do programa de armas da Líbia e pela responsabilidade do atentado de Lockerbie. A normalização das relações com as potências ocidentais permitiu que a economia líbia tivesse um crescimento econômico relevante, principalmente na indústria petrolífera.

Porém, Kadafi voltou a mostrar seu lado controverso, quando o responsável pelo atentado de Lockerbie, al-Megrahi, voltou à Líbia e foi recebido como herói pelo líder. EUA, Reino Unido e outros países condenaram a atitude.

Em setembro de 2009, Kadafi visitou os EUA e pela primeira vez compareceu à Assembleia Geral da ONU. Seu discurso, que duraria 15 minutos, acabou durando 1h30min. Ele rasgou um exemplar da Carta da ONU, acusou o Conselho de Segurança de ser um corpo terrorista semelhante à Al-Qaeda e exigiu 7,7 trilhões de dólares em compensação para a África, pelo passado de colonização do continente.

Durante visita à Itália, em agosto de 2010, a convite de Kadafi, milhares de jovens e mulheres se converteram ao Islã, obscurecendo uma viagem de dois dias, destinada a cimentar os crescentes laços entre Trípoli e Roma.
Relação com Lula
Lula e Kadafi se reuniram por quatro vezes durante os dois mandatos do líder brasileiro.

O ex-presidente sempre afirmou que o Brasil não tinha preconceitos em sua "diplomacia pragmática". Esta relação se deu, provavelmente, devido à entrada de empresas brasileiras na Líbia.

Algumas construtoras investiram 1,4 bilhão de dólares no país, e Lula se aproximou de Kadafi, para garantir o sucesso desse investimento.

Essa relação deve sofrer um baque, já que Dilma Rousseff não abre mão dos direitos humanos - para ela, uma área inegociável. E com os últimos acontecimentos na Líbia, é provável que o exêntrico líder fique longe dos interesses brasileiros.

Veja fotos do líder líbio:
 









Taxa de desemprego sobe para 10,4% em janeiro, segundo Dieese


Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese é feita mensalmente na regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e no Distrito Federal

Por Vinicius Konchinski
Agência Brasil
A taxa de desemprego subiu para 10,4% em janeiro nas sete maiores regiões metropolitanas do país. O índice foi divulgado hoje (23) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)  é de 0,03 ponto percentual maior do que registrado em dezembro do ano passado (10,1%).

A Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese é feita mensalmente na regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e no Distrito Federal. Segundo o estudo, em janeiro, foram eliminados 165 mil postos de trabalho nesses locais.

Mais 108 mil pessoas deixaram a População Economicamente Ativa (PEA). Isso resultou em um aumento de 57 mil pessoas no número de desempregados.


A taxa de desemprego aumentou em Recife (de 12,8% para 13,5%), Belo Horizonte (de 7,1% para 7,7%) e São Paulo (de 10,1% para 10,5%). Porém, manteve-se praticamente estável em Fortaleza (de 8,3% para 8,5%), Porto Alegre (de 7,2% para 7,3%) e Salvador (de 13,8% para 13,6%). No Distrito Federal, ela caiu ligeiramente (de 12,9% para 12,6%).


Já entre os setores, o nível de ocupação caiu nos serviços (1,1%), na indústria (1%), na construção civil (2,1%) e no agregado de outros setores (1,2%). Só o comércio registrou aumento do nível de ocupação, com crescimento de 1,1% e 35 mil postos gerados.


Na comparação entre janeiro deste ano e janeiro do ano passado, porém, a taxa de desemprego caiu 2 pontos percentuais. Baixou de 12,4% no início de 2010 para os 10,4% em janeiro de 2011. Destaque para Porto Alegre, que reduziu seu desemprego de 9,7% para 7,3%.


Já o número de trabalhadores ocupados subiu 3,6%. Foram mais de 680 mil vagas de trabalho geradas em todos os setores da economia, nas sete regiões metropolitanas pesquisadas. 

 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pergunta que não quer calar


Terá Lula enviado uma mensagem de apoio a seu “amigo, irmão e líder “Kadhafi?

Essas coisas são assim, né?


Na alegria e na tristeza…

Por Reinaldo Azevedo

Kadhafi ameaça manifestantes armados com 'pena de morte'

 
AFP

TRÍPOLI — O dirigente líbio, Muamar Kadhafi, confrontado por uma revolta popular sem precedentes, ameaçou nesta terça-feira os manifestantes armados com a "pena de morte", e convocou o exército e a polícia a tomar o controle da situação.

"Entreguem suas armas imediatamente, senão haverá derramamento de sangue", lançou durante um discurso de uma hora e vinte minutos transmitido pela televisão.

Apesar dos depoimentos mencionando uma repressão mortífera, o coronel Kadhafi, que vestia uma túnica marrom, afirmou: "Nós ainda não fizemos uso da força". Mas, "se a situação piorar, nós a utilizaremos conforme as leis internacionais e a Constituição líbia".

"O povo líbio está comigo", disse, convocando seus partidários a se manifestar a partir de quarta-feira.

O "Guia", que tinha em mãos seu Livro Verde, uma coletânea de seus pensamentos publicada nos anos 1970 e que serve de Constituição para o país, igualmente afirmou que ele "lutaria até a última gota de seu sangue".

"Muamar Kadhafi não possui um posto oficial para que ele possa renunciar. Muamar Kadhafi é o chefe da revolução, sinônimo de sacrifícios até o fim dos dias. Este é meu país, o país de meus pais e ancestrais", afirmou, em um discurso inflamado, referindo-se a si mesmo em terceira pessoa.

O coronel Kadhafi chegou ao poder após ter derrubado, no dia 1º de setembro de 1969, o rei Idriss.

Em 1977, ele proclamou a "Jamahiriya" - "Estado das massas" que seria governado por comitês populares eleitos - atribuindo para si o papel de "Guia da revolução".

Ameaçou os "rebeldes" com uma resposta "similar àquela de Tiananmen (na China) e Fallujah (no Iraque)" e de "purgar a Líbia casa por casa".

Fallujah foi devastada em 2004 por dois assaltos do exército americano contra a rebelião. Já a intervenção do exército chinês contra a população civil de Pequim na Praça Tiananmen, na noite do dia 3 para o dia 4 de junho de 1989, acabou matando centenas, ou até mesmo mais de mil pessoas.

"Todos os jovens devem criar amanhã comitês de defesa da revolução: eles protegerão as estradas, as pontes, os aeroportos", continuou.

"Todos devem assumir o controle das ruas, o povo líbio deve tomar o controle da Líbia, nós vamos lhes mostrar o que é uma revolução popular", acrescentou, ao ler um texto do discurso pontuado por silêncios e gagueiras.

"Capturem os ratos", lançou, referindo-se aos manifestantes antiregime.

"Nenhum louco poderá despedaçar nosso país", disse ainda o coronel Kadhafi, que discursava em frente a sua casa bombardeada em abril de 1986 pelos americanos.

A Líbia enfrenta desde o dia 15 de janeiro um movimento de contestação sem precedentes, que está sendo violentamente reprimido.

Na manhã de segunda-feira, a Federação Internacional das Ligas de Direitos Humanos (FIDH) havia aumentado o número de mortos no país de 300 para 400. A Humans Rights Watch (HRW) anunciou um balanço de ao menos 233 mortos desde o início do movimento.

Uma reunião do Conselho de Segurança da ONU voltada para a violência na Líbia está sendo realizada nesta terça-feira em Nova York.

O embaixador da Alemanha Peter Wittig pediu uma ação "rápida e clara" para a situação.

Lula e ex-ministro da Previdência são alvos de ação no MPF por improbidade administrativa


 O Globo

BRASÍLIA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Previdência Social Amir Francisco Lando são acusados de improbidade administrativa por utilizar a máquina pública para realizar promoção pessoal e favorecer o Banco BMG.

O Ministério Público Federal no DF (MPF/DF) entrou na Justiça e pede o bloqueio dos bens dos acusados e o ressarcimento aos cofres públicos de cerca de R$ 9,5 milhões gastos indevidamente. De acordo com o Ministério Público, o processo está em fase de intimação dos réus. Ele foi protocolado no último dia 31 de janeiro, na 13ª Vara Federal.

Entre outubro e dezembro de 2004, segundo apurações do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União (TCU), mais de 10,6 milhões de cartas de "conteúdo propagandístico" foram enviadas aos segurados do INSS com dinheiro público.

As cartas informavam sobre a possibilidade de obtenção de empréstimos consignados com taxas de juros reduzidas. No total, foram gastos cerca de R$ 9,5 milhões com a impressão e a postagem das cartas.

A ação, datada de 26 de janeiro, defende que não havia interesse público no envio das informações e a assinatura das correspondências diretamente pelo então presidente da República e pelo ex-ministro da Previdência foi realizada para promover as autoridades.

O Ministério Público também aponta o favorecimento do Banco BMG, única instituição particular apta a operar a nova modalidade de empréstimo naquela época.

As investigações mostraram que a única novidade na época do envio das cartas era o convênio recém firmado entre o banco e o INSS, pois a lei que permitia aos segurados efetuarem empréstimos consignados foi sancionada dez meses antes.

Outro fato que chamou atenção foi a rapidez no processo de convênio entre o BMG e o INSS: durou apenas duas semanas, quando o comum é cerca de dois meses.

A investigação mostrou, ainda, que os custos de postagem das cartas também causaram prejuízo aos cofres públicos, uma vez que os valores pagos pelo INSS aos Correios foram mais altos do que os valores de mercado.

De acordo com o Ministério Público, se forem condenados pela Justiça, os acusados poderão, ainda, ter os direitos políticos suspensos; pagar multa; ficar proibidos de contratar ou receber benefícios do Poder Público; e perder a função pública ou aposentadoria, quando for o caso.

A polícia suspeita que a primeira fase das negociações entre o BMG e o governo federal em torno do crédito consignado em folha está na origem do mensalão, pagamentos do PT em troca de apoio dos partidos da base governista entre 2003 e 2004, o maior escândalo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 22/02/2011


O neurônio entrou em pane de novo


O neurônio entrou em pane de novo



O discurso em que Dilma Rousseff confundiu em Sergipe uma cidade baiana com outra pernambucana, foi corrigida pelo governador Eduardo Campos, deu um pito na assessoria e acusou a internet de incompetência já valeu uma internação no Sanatório Geral.

O vídeo que documenta a performance do neurônio solitário mostra que a coisa foi pior do que se imagina.

Reparem, por exemplo, na perplexidade da jovem encarregada de traduzir em sinais um falatório em dilmês erudito:



No mesmo pronunciamento, a presidente anunciou a criação do Ministério das Pequenas e Médias Empresas e de uma Secretaria Nacional de Irrigação. As novidades jogam alguma luz sobre um dos mais densos mistérios da campanha eleitoral. Dilma devia estar querendo dizer alguma coisa parecida quando, conforme registra o vídeo abaixo, o neurônio entrou em pane.





Sem poupar críticas, José Serra diz que governo não cumprirá projetos de campanha


“O destaque é o estelionato eleitoral.

Há quatro meses falavam em investir num monte de coisas, milhões de casas, milhões de creches, de quadras esportivas, de estradas, de ferrovias.

A realidade é que está tudo parado, a herança maldita deixada por Lula é gigantesca em razão do descontrole dos gastos, dos maiores juros do mundo, da desindustrialização.

A montagem do governo foi um festival de barganhas e, antes de terminar o segundo mês, ainda tivemos o bloqueio a um salário mínimo melhor, o escândalo de Furnas e a não apuração dos escândalos da Casa Civil.

Não é à toa que a presidente fala pouco e nunca de improviso.

O atual governo optou por fingir que nada disso é com ele.”


Entrevista com o x-governador José Serra (PSDB-SP)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sobrevivem no Brasil muitos resquícios do passado inflacionário.


Legado inflacionário




Indexação de ajustes do salário mínimo alimenta a transmissão de aumentos do passado para o futuro, que dificulta o combate à inflação

A aprovação do salário mínimo de R$ 545 para este ano, com manutenção da regra de correção negociada pelo governo com as centrais sindicais até 2015, reforça um problema que ainda aflige a economia brasileira: a indexação.


A vigorar a norma, que prevê correção do mínimo pela inflação do ano anterior somada à variação do PIB de dois anos antes, a alta em 2012 será de 13%.

O Brasil passou por um longo processo de desinflação desde o advento do regime de metas em 1999. Entre 2005 e 2010 a média da inflação anual ficou em 4,9% -um bom resultado considerando-se a meta de 4,5%. Parece claro, porém, que reduções para patamar entre 2% e 3% esbarram em obstáculos -entre os quais a indexação salarial, que a nova regra do mínimo ressuscita.

Sobrevivem no Brasil muitos resquícios do passado inflacionário. O principal é o repasse automático da inflação passada a preços importantes da economia, como aluguéis, telefonia, energia elétrica, ônibus, pedágios, água, esgoto, escolas etc.

A maior parte desses ajustes segue, formal ou informalmente, o IPCA, índice oficial do consumidor, ou o IGP, muito influenciado pela taxa de câmbio e por preços no atacado, que guardam pouca ou nenhuma relação com os setores citados.


Com isso, um choque inflacionário como o que se vê hoje na agricultura é transmitido a praticamente todos os preços, independentemente do quadro competitivo de cada setor da economia. Em 2010, por exemplo, a alta do IGP foi de 11,3%, por conta da elevação das cotações de matérias-primas. Por que razão o aluguel residencial ou o valor do pedágio teriam de ser corrigidos na mesma proporção no ano seguinte?

As consequências desse mecanismo são perversas. Vão além da redução do poder de compra da população. Quando o pedágio sobe 11%, encarece a logística das empresas, que repassam os custos aos preços. E assim ocorre com todos os itens indexados. Cria-se um crônico problema de competitividade e uma tendência quase irresistível a passar tudo para o preço final. Não surpreende que o Brasil venha se tornando um país caro para produzir e consumir.

A indexação também contamina as expectativas de inflação, que são influenciadas fortemente pelos aumentos passados. Isso faz com que seja maior o sacrifício, em termos de desaceleração, para debelar os efeitos de um choque inflacionário -e essa é uma das explicações para juros tão altos.

Seria desejável que o governo começasse a desmontar esses mecanismos, mas infelizmente a investida para indexar o mínimo vai em sentido contrário.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

PT quer lista fechada para passar por cima da folha corrida dos seus mensaleiros.


Tudo o que interessa ao PT, não interessa ao Brasil!

Toda vez que eles ganham, o Brasil perde!

Comentário de um leitor anônim
o



Por O EDITORBlog do Coronel


Para a reforma politica, o PT é o único partido que defende a adoção do voto em lista. Lista fechada. Nesta modalidade, os donos do partido definirão quem serão os eleitos. Cada corrente indicará os seus.
 

Obviamente, encabeçando a relação, estarão aqueles companheiros que foram pegos com a boca na botija: Silvinho, Delúbio, o pobre diabo do Genoino, que não tem mais voto.

Com uma absolvição no STF, o próprio Zé Dirceu estará abrindo a lista fechada do PT.

O eleitor, comprado pelas bolsas dadas até para bandidos, escolherá o partido que está no poder, não o candidato.

Os ratos ficarão todos iguais. Como em Cuba, onde não há renovação e os membros do partido se eternizam.

Portanto, senhores parlamentares, olho vivo: se o PT apóia é porque tem algo de podre na proposta. Na lista fechada, não precisa nem pensar muito para perceber onde está a podridão.

Mais uma lenda ameaçada


Mais uma lenda ameaçada
POR CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SÃO PAULO

Era uma vez a lenda da queda da desigualdade no Brasil, já desmontada.

Agora, todo mundo sabe que o que caiu foi a desigualdade entre salários, mas não entre a renda do capital e a do trabalho.

E esta é a desigualdade de fato obscena.

Muito bem. Agora, surgem dados que põem em dúvida até a queda tão celebrada da desigualdade entre assalariados. São dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), organismo oficial e bastante empenhado, de resto, na propaganda do governo.

O que diz o estudo?

Que o desemprego aumentou entre os 10% mais pobres no período 2005-2010. Exatamente o período em que tanta gente se ufanava de que a desigualdade diminuíra.

Vejamos a comparação: em 2005, 23,1% da população mais pobre estava desempregada. No ano passado, esse número saltou para 33,3%. Já entre a parcela da população de maior poder aquisitivo, o desemprego diminuiu 57,1% nesses cinco anos. Caiu de 2,1% para 0,9%.

Mais: o desemprego entre os mais pobres, que era 11 vezes maior em 2005, pulou para 37 vezes mais cinco anos depois.

A notícia colhida nesta Folha acrescenta a palavra de técnicos do Ipea: "A taxa de desemprego, que tende a ser mais elevada entre os trabalhadores de menor rendimento, tornou-se ainda mais um elemento de maior desigualdade no mercado de trabalho".

Se os mais pobres perdem emprego e, portanto, renda, e os mais ricos, ao contrário, obtêm mais empregos e, portanto, mais renda, como é possível que a desigualdade entre assalariados caia?

Deve haver alguma boa explicação, dada a qualidade técnica dos arautos da lenda, mas seria conveniente que eles viessem a público para explicar essa contradição aparentemente insanável, em vez de silenciarem como o fazem quando se aponta a outra lenda.

 20/02/11


O governo e o Congresso tentam constranger o STF com a absolvição simbólica dos mensaleiros



Vista de longe, a ascensão do deputado João Paulo Cunha à presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara parece uma patifaria a mais na rotina de obscenidades que transformou o Congresso numa Casa do Espanto.

Se um José Sarney preside o Senado, se reuniões de líderes frequentemente lembram rodas de conversa em pátio do presídio, se o corregedor da Câmara chegou ao posto por ter sido o melhor aluno do professor de bandalheiras Severino Cavalcanti, não há nada de espantoso na entrega do comando da mais importante comissão a um parlamentar acusado de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro no processo sobre o mensalão que corre no Supremo Tribunal Federal.

Sim a escolha feita pela bancada do PT não surpreendeu ninguém: essa gente não não desperdiça chances de debochar dos brasileiros honestos.

Mas a exumação festiva do presidente da Câmara do Mensalão não foi um ultraje qualquer, alerta a contemplação menos ligeira do episódio.

Associada a meia dúzia de infâmias recentes, a afronta atesta que está na fase dos arremates a ofensiva, concebida em parceria pelo governo e pelo Congresso, destinada a constranger o STF e livrar do merecidíssimo castigo a quadrilha que protagonizou o maior escândalo da história da República.

Em 17 de julho de 2005, depois de 40 dias de sumiço e mudez impostos pelo dilúvio de revelações desencadeado pelo deputado Roberto Jefferson, Lula recuperou a voz em Paris para explicar que onde todos viam uma roubalheira de dimensões amazônicas ele só conseguia enxergar um caso de caixa 2.

Em agosto, num pronunciamento transmitido pela TV, o presidente ainda na defensiva declarou-se “traído” sabe-se lá por quem, reconheceu que o PT cometera “erros” e recomendou ao partido que pedisse desculpas ao país.

Mudou abruptamente de rumo em janeiro de 2010. “O mensalão não existiu”, decidiu a metamorfose ambulante.

Como é que é?, deveriam ter berrado em coro milhões de brasileiros estarrecidos com o colosso de provas e evidências expostas nas conclusões da CPI dos Correios, na denúncia encaminhada ao STF pelo procurador-geral da República Antonio Fernando Souza e no processo conduzido pelo ministro Joaquim Barbosa.

Num país menos surreal, o assassino da verdade seria alvejado por pilhas de depoimentos e malas abarrotadas de dinheiro. Aqui, a frase virou manchete.



(Abro um parêntese para registrar que o azar de Al Capone foi ter nascido um século mais cedo e no lugar errado. Caso agisse no Brasil deste começo de milênio, poderia afirmar sem medo de réplicas que a máfia só existiu na cabeça de um bandido chamado Elliot Ness, e garantir que trata o Fisco com tamanho respeito que acabou de ser convidado para cuidar das declarações de renda das carmelitas descalças. Terminaria a entrevista como forte candidato a acumular a superintendência da Receita Federal com a chefia Casa Civil. Fecho o parêntese).

A frase de Lula, sabe-se agora, foi a senha para o início da operação destinada a premiar os pecadores com absolvições simbólicas antes que o bando dos 40 fosse julgado pela última instância do Judiciário. No banco dos réus, estariam bons companheiros inocentados pelo Executivo e pelo Legislativo. “O mensalão não existiu”, repetiram Dilma Rousseff, José Sarney e Marco Maia até que o mantra se transformasse em síntese da versão partilhada pelos dois poderes. Se o mensalão não existiu, não houve crimes. Se não houve crimes, não há criminosos a punir. Há injustiças a reparar e injustiçados a redimir. Como João Paulo Cunha.

ESPERTEZA PERIGOSA


É ele o terceiro da lista que começou com José Dirceu, prosseguiu com José Genoíno e será completada por Delúbio Soares e Sílvio Pereira. Dirceu recuperou o direito de entrar no Planalto pela porta da frente e foi incorporado à coordenação da campanha de Dilma Rousseff. Rebaixado pelas urnas a suplente de deputado federal, Genoíno foi convidado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, para servir ao país como assessor especial. No processo que o STF promete julgar ainda neste ano, Dirceu se destaca como “chefe da organização criminosa sofisticada” e Genoíno, então presidente do PT, capricha no papel de gerente da fábrica de dinheiro sujo.

Ambos acusados de formação de quadrilha e corrupção ativa, um já virou conselheiro da presidente e outro logo estará aconselhando o ministro que, envergando uma toga, presidiu o Supremo nos piores momentos do escândalo. Falta agora reconduzir Delúbio e Silvinho à direção do PT. Consumada a reabilitação da dupla, os cinco oficiais graduados do bando dos 40 poderão sentar-se no banco dos réus exibindo na lapela o crachá com a inscrição “inocente”.

“Não há pena definitiva ou perpétua”, declamou nesta semana o deputado Marco Maia. “O Delúbio, como outros dirigentes do partido, já pagaram uma pena altíssima pelas atitudes que tiveram”, prosseguiu o assassino da verdade e da gramática. “Precisamos dar oportunidade ao Delúbio ou a qualquer outro que tenha passado por essa situação a reconstruir sua vida política”. Uma pausa ligeira e, de novo, o mantra: ” Tenho dito em todos os momentos que essa questão de mensalão não existiu”.

Se tudo não passou de miragem, Delúbio nem precisa ser julgado por formação de quadrilha e corrupção ativa. E Sílvio Pereira merece reaparecer nas seções de polícia dos jornais como vítima de um grave erro judicial.

Também enquadrado por formação de quadrilha, resolveu confessar as bandidagens cometidas em troca de uma pena mais branda: 750 horas de trabalho comunitário na subprefeitura do Butantã.


Se o mensalão foi inventado pela imprensa, pela oposição ou pela elite golpista, Silvinho só admitiu a culpa sob tortura. Recolocá-lo na secretaria-geral do PT é pouco. A vítima da violência deve exigir do governo uma indenização maior que as boladas das malas pretas de Marcos Valério.

Confiantes na exasperante lentidão da Justiça e na amnésia endêmica do país, os comandantes da ofensiva contra o Estado Democrático de Direito apostam na prescrição dos prazos e na discurseira sobre “falta de provas”. Acham que o processo dará em nada. Acham que, na pior das hipóteses, sobrará para os alevinos: como sempre, os peixes grandes escaparão. Acham, em resumo, que já não há juízes no Brasil.

Lula e seus generais podem aprender tarde demais que a esperteza, quando é muita, fica grande e come o dono. A maioria dos ministros sabe que, se os chefões da quadrilha forem absolvidos, o STF terá optado pela rota do suicídio. Os partidários da capitulação precisam ouvir a voz do país que presta: se o Supremo avalizar a falácia segundo a qual o mensalão não existiu, o Judiciário deixará de existir como poder independente.



Direto ao Ponto

18/02/2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sob nova (?) direção - Dora Kramer


Sob nova (?) direção

Por Dora Kramer
O Estado de S.Paulo


A presidente Dilma Rousseff tem sido muito elogiada por seu estilo, na forma e no conteúdo. Faz por merecer no gestual firme, porém contido, no tocante aos apetites fisiológicos (só do PMDB, note-se), nas ações racionais em relação aos gastos públicos, na inflexão democrática no que tange à política externa e principalmente na conduta cotidiana comedida.


Dilma não desfruta abusivamente do poder para destratar críticos nem se exibe desfrutável para cima e para baixo a tagarelar despropósitos ao molde do antecessor. Aos olhos e ouvidos fartos de espetáculos diários de vaudeville presidencial, a presidente assume feição de maravilha curativa.

Mas Dilma, como governante algum, não é um bálsamo. Trata-se apenas de uma pessoa, digamos, normal, que identifica os problemas e se dispõe a atacá-los. Por exemplo, dá à aproximação da volta da inflação acima do razoável sua real dimensão de desastre a ser evitado.

Nada disso, contudo, dá à presidente da República um salvo-conduto para se eximir da responsabilidade que tem sobre o atual cenário resultante da inconsequência do governo Luiz Inácio da Silva em relação à realidade da Nação. Notadamente em relação às irracionalidades cometidas durante o ano eleitoral de 2010.

Entre outros motivos porque decorrentes do afã de Lula em elegê-la como sucessora. De repente, parece que Dilma Rousseff é fruto de outra árvore, que chegou à Presidência depois de uma longa vida de serviços prestados à política e à construção de uma candidatura por esforço próprio.

Até poucos meses atrás ela dizia amém a tudo o que seu mestre mandasse. Estava ao lado dele para, como gerente administrativa do governo, corroborar a justeza de toda e qualquer decisão tomada. Inclusive aquelas que rendem agora um montante de R$ 11,5 bilhões de contas atrasadas, mais de R$ 4 bilhões em relação às pendências de 2009 para 2010.

Louve-se a mudança, mas que não se perca o discernimento. Não se pode imaginar que Dilma, candidata de Lula, o desmentisse a cada bravata nem que brigasse internamente para que o governo não entrasse na rota da gastança.

Tampouco ser aceitas de forma acrítica as providências de contenção tomadas agora, como se na campanha que a elegeu não houvesse sido vendido ao público um horizonte de esplendores num País arrumadíssimo sob todos os aspectos da economia.

Nada ia mal e iria muito melhor, dizia Lula com a anuência de Dilma.

Não cabe, evidentemente, à presidente nem aos governistas imprimir uma boa dose de relatividade aos fatos. Eles estão no papel deles: representam e, onde essa representação significar ganhos coletivos, ótimo.

Mas a sociedade não pode perder de vista o passado a fim de que no futuro não venhamos a dizer que a cigana nos enganou. Nem deixar essa tarefa ao encargo da oposição para depois reclamar que o Brasil não dispõe de oposicionistas à altura.

E que futuro é esse? Está muito próximo: mais exatamente em 2012, quando, então, haverá de novo eleições, poder em disputa e oportunidade para conferir se o País está mesmo ou não sob uma nova, racional, civilizada e legalista direção.

Lição do abismo. Eis o PSDB: o partido decide apoiar a proposta de um salário mínimo de R$ 600, baseado em promessa de campanha, sustentando que há condições objetivas para tal. Certa ou errada, foi uma decisão.

Mas uma ala, liderada pelo senador Aécio Neves, na última hora abraça a tese de R$ 560 no intuito de se "aproximar das centrais sindicais", posando ao lado de um dos maiores detratores da candidatura presidencial tucana, Paulo Pereira da Silva.

Considerando que o governo tem os instrumentos que as centrais gostam e está apenas começando, com no mínimo mais quatro anos pela frente e uma identidade indissociável, o PSDB não consegue uma coisa nem outra: não quebra a aliança com os sindicalistas incrustados e dependentes da máquina e perde a chance de unir o partido numa discussão de repercussão nacional.

É assim, privilegiando disputas internas, que se constroem as grandes derrotas.
17 de fevereiro de 2011

A trajetória do PT


Quando foi fundado, o Partido dos Trabalhadores (PT) se proclamou agente das transformações políticas e sociais que, pautadas pelo rigor da ética e pelo mais genuíno sentimento de justiça social, mudariam a cara do Brasil.


Trinta e um anos depois, há oito no poder, o PT pode se orgulhar de ter contribuído - os petistas acham que a obra é toda sua - para melhorar o País do ponto de vista do desenvolvimento econômico e da inclusão social. Mas nada no Brasil mudou tanto, nessas três décadas, como a cara do próprio PT.

O antigo bastião de idealistas, depois de perder pelo caminho todos os mais coerentes dentre eles, transformou-se numa legenda partidária como todas as outras que antes estigmatizava, manobrada por políticos profissionais no pior sentido, e, como nem todas, submissa à vontade de um "dono", porque totalmente dependente de sua enorme popularidade.

Esse é o PT de Lula 31 anos depois.


Uma vez no poder, o PT se transformou em praticamente o oposto de tudo o que sempre preconizou. O marco formal dessa mudança de rumo pode ser considerado o lançamento da Carta ao Povo Brasileiro, em junho de 2002, a quatro meses da eleição presidencial em que pela primeira vez Lula sairia vitorioso.

Concebido com o claro objetivo de tranquilizar o eleitorado que ainda resistia às ideias radicais e estatizantes do PT no âmbito econômico, entre outras coisas a Carta arriou velhas bandeiras como o "fora FMI" e passou a defender o cumprimento dos contratos internacionais, banindo uma antiga obsessão do partido e da esquerda festiva: a moratória da dívida externa.

Eleito, Lula fez bom uso de sua "herança maldita".

Adotou sem hesitação os fundamentos da política econômico-financeira de seu antecessor, redesenhou e incrementou os programas sociais que recebeu, barganhou como sempre se fez o apoio de que precisava no Congresso e, bafejado por uma conjuntura internacional extremamente favorável, bastou manejar com habilidade os dotes populistas em que se revelou um mestre para tornar-se um presidente tão popular como nunca antes na história deste país.

E o balzaquiano PT?

O partido que pretendia transformar o País passou a se transformar na negação de si mesmo. E foi a partir daí que começaram as defecções de militantes importantes, muitos deles fundadores, decepcionados com os novos rumos, principalmente com os meios e modos com que o partido se instalou no poder.

O mensalão por exemplo.

Os anais da recente história política do Brasil registram enorme quantidade de depoimentos de antigos petistas que não participaram da alegre festa de 31.º aniversário do partido - na qual o grande homenageado foi, é claro, ele - porque se recusaram a percorrer os descaminhos dos seguidores de Lula.

Um dos dissidentes é o jurista Hélio Bicudo, fundador do PT, ex-dirigente da legenda, ex-deputado federal, ex-vice-prefeito de São Paulo. Em depoimento à série Decanos Brasileiros, da TV Estadão, Bicudo criticou duramente os partidos políticos brasileiros, especialmente o PT: "O Brasil não tem partidos políticos.

Os partidos, todos, se divorciaram de suas origens. E o PT é entre eles - digo-o tranquilamente - um partido que começou muito bem, mas está terminando muito mal, porque esqueceu sua mensagem inicial e hoje é apenas a direção nacional que comanda.

Uma direção nacional comandada, por sua vez, por uma só pessoa: o ex-presidente Lula, que decide tudo, inclusive quem deve ou não ser candidato a isso ou aquilo, e ponto final".

Bicudo tem gravada na memória uma das evidências do divórcio de seu ex-partido com o idealismo de suas origens. Conta que, no início do governo Lula, quando foi lançado o Bolsa-Família, indagou do então todo-poderoso chefe da Casa Civil, José Dirceu, os objetivos do programa.

Obteve uma resposta direta: "Serão 12 milhões de bolsas que poderão se converter em votos em quantidade três ou quatro vezes maior. Isso nos garantirá a reeleição de Lula".

De qualquer modo, há aspectos em que o PT é hoje, inegavelmente, um partido muito melhor do que foi: este ano, com base na contribuição compulsória de seus filiados, pretende recolher a seus cofres R$ 3,6 milhões. Apenas 700% a mais do que arrecadava antes de assumir o poder.

O PT está completamente peemedebizado.

17 de fevereiro de 2011