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terça-feira, 28 de abril de 2009

Elite

Pois é esqueceram o que é 'elite':

Por Rivadavia Rosa

Elite – em sua acepção geral compreende um grupo de pessoas que, numa determinada sociedade ocupam posições eminentes; especificamente – um grupo de pessoas expoentes num determinado campo – empresarial, científico, educacional, sindical, e, principalmente a minoria governante e os círculos onde é recrutada.

CONCEITOS: AURÉLIO: “1. O que há de melhor em uma sociedade ou num grupo; nata, flor, fina flor, escol. [Cf. flor (5)]. Sociol. Minoria prestigiada e dominante no grupo, constituída de indivíduos mais aptos e/ou mais poderosos.” PARETO: “Formemos uma classe com as pessoas que apresentem os mais elevados índices no seu ramo de atividade e demos-lhe o nome de elite ...

Dessa maneira, teremos dois estratos da população:

a) um estrato inferior, a não-elite ....;

b) um estrato superior, a elite, dividido em dois:

i) a elite governante; ii) a elite não governante”

(PARETO, V. The mind and society. /trad. ingl. A. Bongiorno e A. Livingston. London, J. Cape, 1935, v. 3. p. 1.423-4);

LASSWELL definiu elite como aqueles que dispõem de maior acesso aos valores e ao seu controle, nesses termos:

“ ... as pessoas que ocupam as mais altas posições numa determinada sociedade. O número de elites é tão grande quanto o de valores.
Além da elite do poder (elite política) existem elites de riqueza, respeitabilidade e conhecimentos (para falar apenas de algumas).
Como é preciso um termo para designar as pessoas que constituem elite em relação a uma série de valores, utiliza-se a expressão elite ( a elite da sociedade)”

(LASSWELL, H.D.; LERNER, D.; ROTHWELL, C.E. The comparative study of elites. Stanford, Stanford Univ. press, 1952, p. 6)


Não se conhece sociedade que possa dispensar a função das elites. Nem se vislumbra qualquer indício histórico-social consistente que prenuncie o seu desaparecimento.

Nas sociedades democráticas - uma elite não se mantém por longo tempo na posição dominante quando provoca desequilíbrios e crises no ecossistema social.

O CERTO É QUE quando um País que não tem uma elite dirigente responsável - que é o que há de mais qualificado a serviço da sociedade (interesse público) -

LAMENTAVELMENTE - é governado por uma minoria, sobretudo por facções, grupos e 'máfias' políticas - a serviço de seus próprios interesses. E TUDO EM NOME DO RESPEITÁVEL E DISTINTO POVO - SOBERANO ABSOLUTO.


Abs Rivadávia

Vírus podem se espalhar pelos continentes

Vídeo: tráfego aéreo mundial em 24 h!
Velocidade com que as pessoas e os vírus podem se espalhar pelos continentes


http://radar.zhaw.ch/

Twitter do ExBlogCesarMaia

Por Jorge Serrão

O escândalo das passagens começa a fugir do controle da classe política.
O Ministério Público federal solicitou às companhias aéreas estrangeiras uma lista completa emissão de passagens emitidas em nome de deputados e senadores ou a pedido deles, pagas com dinheiro do Congresso.

O pavor na Câmara e no Senado é que tal informação venha à tona. Pior seria se o povo soubesse que o Congresso gasta R$ 4,6 bilhões por mês para sustentar sua máquina de gastos e privilégios.


A suspeita é de que o número de viagens para fora do Brasil seja 40% maior que o divulgado até agora.
As empresas de aviação já sofrem pressão para não divulgar a lista que comprometeria a maioria do Congresso nos gastos abusivos. O MPF já estuda como pedir à Agência Nacional de Aviação Civil uma punição às companhias que se recusarem a fornecer os nomes dos parlamentares viajantes.


O escândalo se amplifica porque, enquanto suas excelências fazem turismo ou sustentam, com dinheiro público, as viagens de parentes, amigos ou aspones, o Congresso simplesmente não trabalha como deveria.

A Câmara só votou quatro projetos de lei, em três meses de legislatura este ano. Deputados culpam as medidas provisórias impostas totalitariamente pelo desgoverno para justificar o atraso. Mas o problema é que a Câmara não funciona.


Vivemos a plena democradura.

O deputado, como individuo, é um mero recebedor de “subsídios” e mordomias públicas.

No sistema mafioso hoje em vigor no Brasil, o parlamentar faz tudo, menos legislar.

Tudo na Câmara é decidido por votos de lideranças.

Na quase totalidade dos casos, tudo se resolve em favor dos interesses do governo.

Os deputados e senadores se submetem aos caprichos do Executivo.


O remédio para tal situação está no aprimoramento institucional urgente.

Diminui ritmo de mortes por suposto contágio de gripe suína

México assegura que diminui ritmo de mortes
por suposto contágio de gripe suína

CIDADE DO MÉXICO - O ministro da Saúde do México, José Ángel Córdova, informou que o ritmo de mortes pelo surto de gripe suína se reduziu nos últimos três dias ao passar de seis no sábado para cinco no domingo e três nas últimas horas, em alusão aos falecimentos confirmados.

Córdova, em entrevista coletiva conjunta com a chanceler Patricia Espinosa e o ministro do Trabalho, Javier Lozano, entre outras autoridades, disse que estes dados apresentam um panorama alentador.

EFE

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Tire suas dúvidas sobre a gripe suína

Infectologistas em todo o mundo estão trabalhando para responder a casos de gripe suína no México, nos Estados Unidos e no Canadá, além de suspeitas em outros países. Entenda o que é a doença e quais seus riscos.
O que é a gripe suína?

É uma doença respiratória que atinge porcos causada pelo vírus influenza tipo A, que tem diversas variantes. Algumas das mais conhecidas são a H1N1, a H2N2 e a H3N2.

O atual surto, que teve início na América do Norte, é provocado por uma versão mutante do vírus H1N1 capaz de infectar humanos e se propagar de pessoa para pessoa.

Quão perigosa é a gripe suína?

Os sintomas da gripe suína em humanos parecem ser semelhantes aos produzidos por gripes comuns, sazonais.

Esses sintomas incluem febre, tosse, garganta inflamada, dores pelo corpo, sensação de frio e fadiga.

A maioria dos casos registrados até agora no mundo parecem ser brandos, mas no México foram registradas várias mortes.

Esta doença no México é um novo tipo de gripe suína?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou que alguns dos casos registrados são formas não conhecidas da variedade H1N1do vírus Influenza A.

Ele é geneticamente diferente do vírus H1N1 que vem atacando humanos nos últimos anos e contém DNA associado aos vírus que causam as gripes aviária, suína e humana, incluindo elementos de viroses europeias e asiáticas.

Os vírus da gripe têm a capacidade de trocar componentes genéticos uns com os outros, e parece provável que a nova versão do H1N1 resultou de uma mistura de diferentes versões do vírus, que podem normalmente afetar espécies diferentes no mesmo animal hospedeiro.

Os porcos normalmente oferecem uma condição boa para que esses vírus se misturem.

O quanto as pessoas devem se preocupar?

Quando um novo tipo de vírus da gripe aparece e adquire a capacidade de ser transmitido de pessoa para pessoa, é monitorado de perto para verificar seu potencial de gerar uma epidemia global, ou pandemia.

A Organização Mundial da Saúde advertiu que, considerados em conjunto, os casos no México e nos Estados Unidos podem gerar uma pandemia e afirma que a situação é séria.

Porém os especialistas dizem que ainda é muito cedo para avaliar completamente a situação.

Atualmente, eles dizem que o mundo está mais perto de uma pandemia do que em qualquer época após 1968.

Ninguém conhece todo o impacto potencial de uma pandemia, mas especialistas advertem que poderia custar milhões de vidas em todo o mundo.

A pandemia de gripe espanhola, iniciada em 1918 e também causada por um tipo de vírus H1N1, matou 50 milhões e infectou 40% da população mundial.

Mas o fato de que em todos os casos registrados nos Estados Unidos os sintomas eram leves pode ser encorajador.

Isso sugere que a gravidade do foco no México pode ser resultante de algum fator específico ligado à localização - possivelmente um segundo vírus não relacionado que circula na comunidade.

Outra hipótese é de que as pessoas infectadas no México podem ter buscado tratamento num estágio posterior da doença.

Também pode ser o caso de que a forma do vírus circulando no México seja ligeiramente diferente da registrada em outros lugares, mas isso só poderá ser confirmado por análises de laboratório.

Também há a esperança de que, como os seres humanos são normalmente expostos a formas do H1N1 por meio de gripes sazonais, nossos sistemas imunológicos já estão preparados para combater a infecção.

Porém o fato de que muitas das vítimas serem jovens aponta para algo incomum. As gripes sazonais normais tendem a afetar mais os idosos ou os bebês.

O vírus pode ser contido?

O vírus parece já ter começado a se espalhar pelo mundo, e muitos especialistas acreditam que a sua contenção, numa era de viagens aéreas fáceis, deverá ser muito difícil.

A gripe suína pode ser tratada?

As autoridades americanas dizem que duas drogas geralmente usadas para tratar casos de gripe, Tamiflu e Relenza, se mostraram úteis no tratamento de casos que aconteceram até agora.

Porém esses remédios devem ser ministrados nos estágios iniciais da doença para terem efeito.

O uso desses medicamentos também torna mais difícil que pessoas infectadas passem o vírus para outros.

Ainda não está claro que efeito as atuais vacinas podem ter para oferecer proteção contra o novo tipo do vírus, já que ele é geneticamente diferente de outros tipos.

Uma vacina foi desenvolvida em 1976 para proteger os seres humanos de um tipo de gripe suína.

Porém a vacina provocou efeitos colaterais graves, com mais mortes por causa da vacina do que por causa do foco de gripe.

O que eu devo fazer para me proteger?

Qualquer pessoa com sintomas de gripe e que podem ter tido contato com o vírus da gripe suína, como aqueles que moram em áreas afetadas do México ou viajaram para o país, devem procurar ajuda médica.

Mas os pacientes não devem ir a clínicas médicas, para evitar transmitir a doença para outras pessoas. Em vez disso, elas devem ficar em casa e contactar seus serviços de saúde para receber recomendações.

Nesta segunda-feira, a União Europeia recomendou aos seus cidadãos que evitem viajar às áreas afetadas pela doença.

Que medidas posso tomar para evitar a infecção?

Evite contato com pessoas que parecem não estar bem e que tenham febre e tosse.

Medidas comuns para se evitar infecções e de higiene manual podem ajudar a reduzir a transmissão de viroses, incluindo a gripe suína em humanos.

Estas medidas podem ser simples como cobrir a boca e o nariz quando tossindo ou espirrando, usar um lenço de papel quando possível e jogando-o fora logo após o uso.

É importante também lavar as mãos frequentemente com água e sabão para evitar que o vírus se propague de suas mãos para a face ou para outra pessoa. Outra providência é limpar a maçaneta de portas com frequência, usando produtos normais de limpeza.

Ao cuidar de uma pessoa gripada, o uso de máscara cobrindo o nariz e a boca diminui o risco de transmissão.

É seguro comer carne de porco?

Sim, não há evidência de que a gripe suína pode ser transmitida ao se comer carne de animais infectados.

Mas é essencial que a carne tenha sido cozida direito. Uma temperatura acima de 70 C mataria o vírus.

E a gripe aviária?

O tipo de vírus da gripe aviária responsável pela morte de algumas centenas de pessoas no sul da Ásia nos últimos anos é diferente do da gripe suína.

O vírus da atual gripe suína é o H1N1 e o da gripe aviária é oH5N1.Especialistas temem que o H5N1 tem o potencial de gerar uma pandemia por causa de sua capacidade de mutação rápida.

Mas até agora, ela permanece de forma geral uma doença de pássaros.

Os humanos infectados, sem excessão, trabalhavam em contato próximo com pássaros e casos de transmissão entre humanos são extremamente raros. Não há indícios de que o H5N1 tem a habilidade de ser transmitido facilmente de uma pessoa à outra.

site da BBC Brasil

O BRASIL E A LÓGICA DO GENOCÍDIO

O BRASIL E A LÓGICA DO GENOCÍDIO

Maria Lucia Victor Barbosa

A lógica do genocídio consiste na destruição total ou parcial de um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Foi posta em prática pelo comunismo e pelo nazismo, sistemas que utilizaram, entre outros métodos, a revolta das massas contra determinados “malditos” que deveriam ser aniquilados ainda que isso fosse absurdo. “Creio porque é absurdo”, eis o primeiro princípio da crença ideológica formulada por Tertuliano em sua época.

A fé no absurdo se obtém através da mentira calcada num malabarismo vocabular, no qual as palavras são pervertidas para provocar um entendimento desfocado da realidade. Algo, como se nota, muito utilizado em propaganda e nos discursos de cunho totalitário.

Assim, os campos de concentração soviéticos seriam “obra de reeducação” e os carrascos “educadores aplicados em transformar os homens de uma sociedade antiga em homens novos”.

Na China, a vítima do campo de concentração era denominada de “estudante que deveria estudar o pensamento justo do partido e reformar seu próprio pensamento imperfeito”. O nazismo pregava que “os judeus não são humanos”. Logo, estava justificado para os alemães o assassinato de judeus, inclusive de crianças judias, nas câmaras de gás, porque era como se dissessem: “vocês não têm direito de viver, vocês são judeus”.


A lógica terrorista do genocídio implica, pois, o exercício do terror através de um grupo designado como inimigo. Desse modo, a segregação baseada em classe se torna muito similar à segregação por raça. Tudo é justificado por um ideal, ainda que absurdo. A sociedade nazista deveria ser construída em torno da “raça pura”. A sociedade comunista futura com base no povo proletário, purificado de toda “escória burguesa”.

As monstruosidades cometidas pelo nazismo e pelo comunismo teriam ficado para trás, enterradas no século passado e servindo como advertência para que não se cometa mais abominações como a do holocausto? Teria o ser humano evoluído através da experiência aterrorizante dos horrores cometidos em passado recente?

Estaria agora o homem mais compassivo, menos preconceituoso, menos sujeito à crença no absurdo na medida em que obteve espetacular evolução na ciência, na tecnologia, nos meios de transporte e de comunicação?

Nada indica que houve progresso em termos humanísticos.
Exemplo disso foi a Conferência contra o Racismo (20/04 a 24/04) promovida pela ONU. Aberto o evento pelo presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, caiu por terra qualquer boa intenção que o Organismo possa ter tido, pois o que se ouviu se enquadrou na mais pura lógica do genocídio.

O déspota de fato do Irã mencionou amor e destilou ódio. Simulou humildade dizendo que perdoava os que o tinham insultado, mas os qualificou de ignorantes com sorrisos de escárnio. Acusou Israel de racista sendo ele ferrenho racista, contumaz torturador, opressor das minorias. Mas, segundo Ahmadinejad, se Israel é racista deve ser destruído.

Como sempre ele negou o Holocausto, afirmando que o Estado de Israel foi criado “sob o pretexto do sofrimento de todos os judeus e da ambígua e duvidosa questão do Holocausto”. E aproveitando o momento, além de seus ataques a Israel o perigoso homenzinho defendeu o direito do Irã de controlar a tecnologia nuclear.

O discurso pleno de violência contra os judeus provocou a retirada coletiva dos representantes da União Européia e vários protestos, entre os quais, o do sobrevivente do Holocausto e Nobel da Paz, Elie Wiesel, que disse em relação a Ahmadinejad: “Sua presença é um insulto à decência e à humanidade”.

O próprio secretário-geral da ONU, Ban Kimoon, expressou seu constrangimento ao criticar o iraniano: “deploro o uso dessa plataforma pelo presidente iraniano para acusar, dividir e incitar.

A imensa delegação brasileira chefiada pelo ministro da igualdade racial, Edson Santos, não se moveu do salão de conferência e Santos ainda criticou a retirada dos europeus. Reação de se esperar, pois o Brasil, sob a influência de Marco Aurélio Garcia, nosso chanceler de fato, e sob o comando do governo petista de Lula da Silva, tem mostrado acentuada tendência ao antissemitismo.

Note-se que Lula, que já deve ter dado volta ao mundo várias vezes, inclusive para visitar ditaduras islâmicas do Oriente Médio e ditaduras Africanas, nunca foi a Israel. Além disso, o Brasil votou contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, porém não condenou o governo genocida do Sudão. Aliás, nossa diplomacia sempre se absteve de tocar na questão dos direitos humanos, pisoteados em países como China, Cuba ou Coréia do Norte.

Dia 6 de maio, o Brasil receberá com pompas e honras o patrocinador terrorista do Hisbullah, do Hamas, da Jihad Islâmica. Será a consagração em solo pátrio da lógica do genocídio sob a aparência de negócios com o Irã. Indiferente, o povo pensará que está sendo homenageado um técnico importante de futebol. No encontro pode ser que Lula, num agrado ao companheiro Ahmadinejad, ataque de novo os irracionais brancos de olhos azuis, pois os petistas, sejamos justos, sabem de forma exponencial acusar, dividir e incitar.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

Embargo a Cuba!

Caro CESAR MAIA,


Tenho lido suas abordagens sociopolíticas expressas com pertinência e acurada percepção da realidade.


Porém fiquei surpreso com sua tomada de posição com relação ao Gulag cubano no artigo Embargo a Cuba! - em que o embargo dos EUA a Cuba é taxado de gigantesca irracionalidade, é relatada sua visita à Ilha de Cuba, depoimentos de pessoas, mas de nenhum membro de grupos dissidentes... – o que leva a identificação de um filhote dos irmãos-democidas Raúl e Fidel Castro.

Sabemos que o embargo norte americano a Cuba – se deu em relação à posição da ditadura cubana de expropriar bens de cidadãos norte americanos na ilha e de ‘exportar sua revolução liberticida’ aos países latinos americanos o que levou inclusive à sua expulsão da Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja Carta Democrática não admite ditadura.


Cuba opera como um verdadeiro país seqüestrador e de seu próprio povo, mantidos em cárcere há meio século e, agora os responsáveis pelo crime querem ainda levar vantagem (benefício pelo seqüestro de seu próprio povo), contando com vozes enternecidas e cheias de amor pelos irmãos-ditadores, mas nenhuma em favor dos presos de consciência (ainda em pleno século XXI).


Ora, a questão é simples – basta Cuba abrir suas prisões e promover eleições democráticas na Ilha que o mundo democrático vai aplaudir e aquele país poderá retornar ao seio das nações democráticas. Os EUA sinalizaram nesse sentido - mas os irmãos-democidas fingem que não é com eles.


E, mais o SISTEMA INTERNACIONAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS – não pode mais manter-se como mero observador descompromissado - diante da barbárie e da apologia aos atos criminosos, terroristas e de lesa humanidade praticados pelas facções terroristas, a partir dos anos setenta do século passado com o treinamento, apoio e financiamento do ditador cubano e, tampouco permitir que determinados membros de governos simpatizantes da barbárie – continuem protegendo e contribuindo com apoio logístico a terroristas remanescentes como as FARC filha de Cuba sob que pretexto for.

Abs Rivadávia


Embargo a Cuba!
CESAR MAIA

EM DEZEMBRO de 2004, em nome de representantes das cidades presentes na recepção para comemorar os 485 anos de Havana, afirmei que, visto de uma perspectiva liberal, o embargo econômico dos EUA a Cuba era uma gigantesca irracionalidade, inclusive política.

Visitei Havana com toda a liberdade, conhecendo os progressos da revitalização do centro histórico e as ruínas e cortiços de toda a área que está fora desse núcleo. Conversei com os seus dirigentes.

domingo, 26 de abril de 2009

Vem aí uma chuva de meteoritos.

AirViúva, a preferida dos milionários
Elio Gaspari

Só a voracidade explica que os cinco maiores turistas da Câmara tenham patrimônio superior a R$ 1 milhão

UM CRUZAMENTO da lista dos deputados que foram ao exterior com o dinheiro da Viúva e as declarações patrimoniais de cada um deles à Justiça Eleitoral em 2006 informa: A média do ervanário de 214 parlamentares que listaram bens fica em R$ 2,8 milhões.

Os cinco deputados que mais viajaram (Dagoberto Nogueira, Léo Alcantara, Marcelo Teixeira, Arnaldo Faria de Sá e Jilmar Tatto, com 167 passagens), são todos milionários.

Há algo de voracidade nisso, sobretudo quando se vê que os dois deputados mais ricos da lista, Odilio Balbinotti (R$ 123,8 milhões) e Sandro Mabel (R$ 70 milhões) tungaram a Viúva em apenas dez bilhetes.

Se eles não tivessem tirado essas passagens, a média patrimonial dos viajantes cairia para pouco mais de R$ 1 milhão.

Num caso, o cruzamento da exuberância turística contraria a modéstia patrimonial. O deputado Paulo Henrique Lustosa beneficiou-se com 24 bilhetes no circuito Paris-Madri-Nova York, mas seu patrimônio declarado resume-se a R$ 145 mil.

A defesa da farra no plenário da Câmara indica apenas que os doutores não estão entendendo nada. Quem paga essas contas é uma patuleia que pouco viaja ao exterior e, quando o faz, economiza centavos para comprar um iPod pela metade do preço.


Vem aí uma chuva de meteoritos.

(Como a chuva ainda não ocorreu, é impossível assegurar a composição química do meteorito, mas pode-se supô-la.)

Temer e Sarney podem explicar aos seus pares que não há outro caminho. Devem contar ao baixo clero que Adolf Eichmann, o homem mais procurado do século passado, escondeu-se na periferia miserável de Buenos Aires e foi descoberto por um cego.

(Essa história vai contada logo abaixo.)

Os alemães não queriam procurar seus bandidos, os americanos queriam cooptá-los. Em suma, parecia melhor fingir que não se via.
O cego viu.


QUANDO NINGUÉM VIA, O CEGO ENXERGOU

O coronel Adolf Eichmann, da tropa de elite nazista, foi o gerente da máquina de extermínio que matou cerca de 6 milhões de judeus.

Acabada a guerra, escondeu-se e, em 1950, fugiu para a Itália.
De lá foi para a Argentina. (Seu navio passou rapidamente pelo Rio.)

Com o nome de Ricardo Klement, Eichmann viveu entre fracassos e pequenos empregos. Morava com a mulher e os dois filhos na periferia de Buenos Aires, numa casa sem água, luz ou esgoto.

Fingia ser o segundo marido da viúva do coronel, mas os filhos usavam seu sobrenome. Um deles, Nick, defendeu o extermínio dos judeus durante uma conversa na casa de uma namorada.

O pai da garota, Lothar Hermann, era um advogado cego que ocultava sua ascendência judaica e perdera a visão na Alemanha, depois de uma surra de nazistas.

Ele passou suas suspeitas adiante. Em 1958, um agente do Mossad foi mandado a Buenos Aires, vigiou a casa onde vivia o suspeito e concluiu que o poderoso Eichmann jamais viveria num fim de mundo.

Acreditava-se que ele enriquecera pilhando e extorquindo judeus.
Lothar Hermann insistiu. Um segundo agente reuniu-se com ele e, a partir daí, a operação começou a ser montada. O resto é história.
Eichmann foi capturado em maio de 1960 quando desceu de um ônibus.

Levado secretamente para Tel Aviv, foi julgado e enforcado em 1962.

(Essa história não é nova, mas está muito bem contada num livro que acaba de sair nos Estados Unidos: "Hunting Eichmann" -"Caçando Eichmann"- do jornalista Neal Bascomb.)

PAPELÓRIO

O Supremo Tribunal Federal está a poucos passos de uma guerra de dossiês.

Petistas e palacianos estão eufóricos com o desempenho de Dilma

Petistas e palacianos estão eufóricos com o desempenho de Dilma ao anunciar a doença; candidatura está mantida
  • ministra retoma agenda de viagens nesta segunda-feira, indo com Lula para Manaus às 8h da manhã

    ritmo de trabalho será reduzido em 30% dentro do Planalto para manutenção de périplo pelo país

Ninguém vai dizer isso em público, mas todos os principais assessores palacianos e o próprio presidente da República, Luz Inácio Lula da Silva, estão eufóricos com o desempenho da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao anunciar que se submeterá a um tratamento preventivo depois da descoberta de um câncer em seu sistema linfático.

A frase lugar-comum “o limão vai virar uma limonada” foi muito ouvido hoje (26.abr.2009) quando petistas de alto coturno e gente do Planalto comentavam a entrevista de Dilma Rousseff no sábado (24.abr.2009). A avaliação geral é que Dilma ganhou uma oportunidade única para receber solidariedade geral por enfrentar publicamente a doença.

Há muita confiança no diagnóstico segundo o qual o câncer estava em estágio muito inicial e a possibilidade de cura é alta –90%, segundo os médicos.
O resultado da biópsia –realizada nos Estados– foi considerado muito positivo pelos médicos brasileiros.

Por estar em um estágio inicial, a recomendação vinda dos EUA era quase ambígua, falando sobre a recomendação de uma quimioterapia preventiva.


Ou seja, será um tratamento que pode realmente apenas garantir a Dilma mais segurança, pois há a chance de o câncer ter sido completamente extirpado com a retirada do nódulo na região de sua axila esquerda. Neste fim de semana, Dilma já recebeu mensagens de solidariedade dos presidentes dos dois principais partidos de oposição, PSDB e Democratas.

Ambos, Sérgio Guerra (PSDB) e Rodrigo Maia (DEM) deram declarações aos jornais desejando pronto restabelecimento da ministra.

Lula telefonou para Dilma depois da entrevista de sábado cumprimentando sua ministra pelo desempenho ao falar sobre como será o tratamento. A ministra será apresentada a partir de agora por aliados como uma pessoa com coragem de enfrentar em público uma doença que muitos até hoje não gostam de pronunciar o nome.

Sua face humana será ressaltada. Ritmo alterado
Mesmo antes de o câncer ter sido diagnosticado, já estava decidido internamente no Palácio do Planalto que Dilma reduziria sua carga de trabalho interno. A ideia era que ficasse mais livre para viajar pelo país. Agora, essa decisão será levada a cabo imediatamente.

A Subchefia de Articulação e Monitoramento (SAM), comandada por Miriam Belchior, vai assumir cada vez mais a tarefa de acompanhar o cronograma de execução de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Assim, Dilma poderá viajar pelo país, apesar de estar se submetendo ao tratamento quimioterápico. Amanhã, segunda-feira (27.abr.2009), a ministra já retoma sua agenda viagens. Vai a Manaus com o presidente Lula logo cedo, às 8h da manhã.
Negociata, maquinação, conluio, conspiração e conchavo,
honestidade e ética em desuso.

Veja!

sábado, 25 de abril de 2009

"O Estado é a grande ficção através da qual todo mundo se esforça para viver à custa de todo mundo." (Frédéric Bastiat)


"No Brasil, ninguém tem a obrigação de ser normal. Se fosse só isso, estaria bem.
Esse é o Brasil tolerante, bonachão, que prefere o desleixo moral ao risco da severidade injusta.
Mas há no fundo dele um Brasil temível, o Brasil do caos obrigatório, que rejeita a ordem, a clareza e a verdade como se fossem pecados capitais. O Brasil onde ser normal não é só desnecessário: é proibido.
O Brasil onde você pode dizer que dois mais dois são cinco, sete ou nove e meio, mas, se diz que são quatro, sente nos olhares em torno o fogo do rancor ou o gelo do desprezo. Sobretudo se insiste que pode provar".

(Andrei Pleshu)

"Não pode existir vergonha maior para uma sociedade do que se deixar subjugar pela covardia, pelo suborno, e por um Parlamento espúrio, que apesar de ser o mais bem pago do mundo simboliza a degradação moral e ética da sociedade, sendo um instrumento da tomada do Estado pelos representantes de uma ideologia fundamentada na leviandade, na falsidade, na hipocrisia, na corrupção, no corporativismo sórdido, e no assistencialismo clientelista que transforma os menos favorecidos em palhaços do Circo do Retirante Pinóquio."
(Geraldo Almendra)


"Quando alguém mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando alguém trapaceia, está roubando o direito à justiça".

(Khaled Hosseini em The Kite Runner - O caçador de pipas.
Tradução de Maria Helena Rouanet - Editora Nova Fronteira)


"Não se conhece nação que tenha prosperado na ausência de regras claras de garantias ao direito de propriedade, do estado de direito e da economia de mercado."

(Prof. Ubiratan Iorio de Souza)


"Quando a propriedade legal de uma pessoa é tomada por um indivíduo, chamamos de roubo. Quando é feito pelo governo, utilizamos eufemismos: transferência ou redistribuição de renda."

(Dr. Walter E. Williams é professor de economia na Universidade George Mason em Fairfax, Va, EUA.)

"Além disso, o homem, criado para a liberdade, leva em si a ferida do pecado original, que continuamente o atrai para o mal e o torna necessitado de redenção. Esta doutrina é não só parte integrante da Revelação cristã, mas tem também um grande valor hermenêutico, enquanto ajuda a compreender a realidade humana.

O homem tende para o bem, mas é igualmente capaz do mal; pode transcender o seu interesse imediato, e contudo permanecer ligado a ele. A ordem social será tanto mais sólida, quanto mais tiver em conta este facto e não contrapuser o interesse pessoal ao da sociedade no seu todo, mas procurar modos para a sua coordenação frutuosa.
Com efeito, onde o interesse individual é violentemente suprimido, acaba substituído por um pesado sistema de controle burocrático, que esteriliza as fontes da iniciativa e criatividade.


Quando os homens julgam possuir o segredo de uma organização social perfeita que torne o mal impossível, consideram também poder usar todos os meios, inclusive a violência e a mentira, para a realizar.
A política torna-se então uma «religião secular», que se ilude de poder construir o Paraíso neste mundo. Mas qualquer sociedade política, que possui a sua própria autonomia e as suas próprias leis , nunca poderá ser confundida com o Reino de Deus.


A parábola evangélica da boa semente e do joio (cf. Mt 13, 24-30. 36-43) ensina que apenas a Deus compete separar os filhos do Reino e os filhos do Maligno, e que o julgamento terá lugar no fim dos tempos. Pretendendo antecipar o juízo para agora, o homem substitui-se a Deus e opõe-se à sua paciência".

(Johannes Paulus II - Carol Wojtyla)


Fala, mãe de santo!

FALA, MÃE DINAH!

Lula, o da “marolinha”, garantiu ontem na Argentina, que não há “nenhum problema político ou institucional” no Paraguai, com a anunciada prole do bispo e presidente Fernando Lugo: “É questão privada”.

Foi no banheiro?


Coluna Claudio Humberto.
Revista Veja

O DIA DE ÍNDIO DE JOAQUIM BARBOSA

A descompostura quase provoca uma crise institucional no STF por causa do destempero de Joaquim Barbosa – justo ele, um ministro símbolo de coragem, cultura, inteligência e elegância

por Alexandre Oltramari

POLÍTICA NO TRIBUNAL

O ministro Joaquim Barbosa (à dir.) fez acusações sem provas ao presidente Gilmar Mendes: explosão de temperamento
Leia aqui.

"O Congresso conseguiu a proeza de democratizar e universalizar a bandalheira com o dinheiro público"

"O Congresso conseguiu a proeza de democratizar e universalizar a bandalheira com o dinheiro público", afirma o filósofo Roberto Romano, da Unicamp.

"A mediocridade de seus membros não pode contaminar a instituição", alerta Denis Rosenfield, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

CHORE POR NÓS, SENADOR

Os desvios éticos e a falta de pudor de deputados
e senadores com o dinheiro público desmoralizam
o Parlamento, mas isso não pode abrir um flanco
para os inimigos da democracia

por Otávio Cabral

Givaldo Barbosa/Ag. O Globo
PECADO CAPITAL O senador Gerson Camata se emociona no plenário: ele e a esposa deputada recebem auxílio-moradia mesmo tendo apartamento em Brasília

Não, o senador Gerson Camata, do PMDB do Espírito Santo, não estava comovido com o comportamento repulsivo de seus colegas quando chorou na última segunda-feira no Congresso Nacional. Indignado, ele foi ao plenário reclamar de ter seu nome citado como mais um exemplo da impressionante falta de pudor, compostura e honestidade que assola uma parte substancial do Parlamento brasileiro.

Gerson Camata não é o único e está longe de ser o pior caso do festival de pilantragens que deputados e senadores vêm promovendo com o nosso dinheiro. Ele, porém, é um bom exemplo da ausência de parâmetros minimamente civilizados quando o tema é o uso de recursos públicos.

O senador está em seu terceiro mandato, mora em Brasília com a esposa, a deputada Rita Camata, é proprietário de um apartamento na cidade, mas o casal não abre mão do auxílio-moradia de 6 800 reais por mês. Confrontado, ele se disse vítima de aleivosias – e foi às lágrimas. "Como é fácil destruir 42 anos de vida pública, de trabalho, de dedicação, com seriedade, sem nenhuma comprovação", lamentou. Os sentimentos de Gerson Camata provavelmente são verdadeiros.

A maioria dos parlamentares não vê problema algum em usar dinheiro público para passear com a família no exterior, pagar a conta de telefone celular dos filhos ou abrigar parentes e empregados domésticos nos gabinetes.

Um grupo – felizmente menor – ainda se permite acrescentar ao rol de facilidades contratar fantasmas, embolsar parte do salário dos funcionários e até receber propina. Portanto, se há alguém que tem motivos de sobra para chorar são os eleitores.

Não é de agora que deputados e senadores confundem o público com o privado. Em fevereiro passado, o deputado Michel Temer e o senador José Sarney, dois veteranos e profundos conhecedores do que há de bom e de ruim no Congresso, tomaram posse nas presidências da Câmara e do Senado com promessas de moralização. Mas o que aconteceu na prática foi exatamente o contrário. Nos últimos três meses, o Congresso não votou nada de importante e submergiu na maior crise ética de sua história.

Na semana passada, a imagem do Legislativo bateu no fundo do poço.
A troça com dinheiro público em benefício pessoal atingiu igualmente deputados e senadores, oposicionistas e governistas, éticos e fisiológicos, veteranos e iniciantes, figuras do alto e do baixo clero.

Em entrevista publicada na edição passada de VEJA, ao explicar o caso do deputado Fábio Faria – que levou a então namorada Adriane Galisteu para um passeio nos Estados Unidos por conta do Erário –, Michel Temer disse que o ocorrido não passava de um "equívoco de A, B ou C" em meio a um "comportamento correto da maioria dos parlamentares".

Não era. A malandragem envolvia o abecedário completo, do A de Agaciel Maia, o ex-diretor-geral do Senado, passando pelo C de Ciro Gomes, pelo F de Fernando Gabeira, atingindo o M de Michel Temer e terminando com o Z de Zé Geraldo. Mais da metade dos deputados, assim como o galã Fábio Faria, usou passagens aéreas da Câmara para fazer turismo no exterior com namoradas, esposa, filhos e amigos.

Pelas regras, os parlamentares têm direito a uma cota de passagens aéreas que pode chegar a 18 000 reais por mês. O benefício foi criado para permitir que eles retornassem todas as semanas para seus estados de origem. A maioria não usa a totalidade da cota e, em vez de devolver o dinheiro, como seria o correto, transforma o crédito em bilhetes para o exterior. Foram 1 881 viagens de 2007 a outubro de 2008. Pelo menos 261 dos 513 deputados, o que corresponde a 51% da Casa, fizeram turismo para o exterior com dinheiro público.

Michel Temer, por exemplo, levou a mulher a Paris. Fernando Gabeira (PV-RJ), que sempre se destacou pelos discursos em defesa da ética e combate aos desvios, cedeu uma passagem para a filha visitar a irmã no Havaí. O corregedor da Câmara, ACM Neto (DEM-BA), foi passar uma temporada na França com a mulher.

Ele é o responsável por julgar os desvios éticos de seus colegas. Se for medi-los com a mesma régua que usa para si, os deputados-turistas, é óbvio, não terão com que se preocupar. O abecedário dos viajantes continuou no Senado. Heráclito Fortes, o primeiro-secretário, usou uma parte do dinheiro para fretar jatinhos, o mesmo expediente de que outro colega seu, o senador Tasso Jereissati, já havia lançado mão.

"O Congresso conseguiu a proeza de democratizar e universalizar a bandalheira com o dinheiro público", afirma o filósofo Roberto Romano, da Unicamp.

Político é pouco sensível a pressões populares. Mas, quando os financiadores de campanha começaram a nos atacar, sentimos que era a hora de reagir",


Além do salário de 16 500 reais, os parlamentares têm verbas para contratar assessores, comer, beber, pagar aluguel de escritório e combustível. Não enfrentam fila do check-in em aeroporto nem carregam as próprias malas. Trabalham apenas três dias por semana, têm motoristas, reembolso integral de despesas médicas e furam fila para atendimento nos principais hospitais do país.

A vida de um parlamentar é recheada de benefícios que não passam de sonho para um cidadão comum, mesmo para aqueles com bons empregos e altos salários. "O Congresso hoje é um ambiente ruim, sem transparência, com muitas benesses e pouca produção", avalia o historiador Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos.

Segundo uma pesquisa do instituto Datafolha, 37% dos brasileiros consideram a atuação dos parlamentares ruim ou péssima, enquanto apenas 16% acham ótima ou boa. Apesar disso, há uma tremenda resistência a adotar medidas de transparência que poderiam impedir a maioria dos escândalos.

Duas semanas atrás, logo após a revelação do caso das passagens, Michel Temer e a direção da Câmara anunciaram que o detalhamento dos voos dos parlamentares seria colocado na internet, mas continuariam sendo permitidas viagens de mulheres e parentes na cota oficial. Era a legalização da mordomia. Pegou muito mal.

No feriado de 21 de abril, o presidente da Câmara e um grupo de parlamentares participaram do 8º Fórum Empresarial de Comandatuba, no litoral da Bahia. Logo no início do encontro, uma surpresa: a empresária Luiza Trajano, dona da rede Magazine Luiza, fez um discurso duro cobrando satisfação dos políticos e apontando o Congresso atual como um empecilho ao desenvolvimento do país.

No mesmo dia, a classe política também foi criticada por José Jacobson Neto, dono do Grupo GP. Diante da pressão, Temer convocou uma reunião no próprio hotel para discutir as repercussões."Político é pouco sensível a pressões populares. Mas, quando os financiadores de campanha começaram a nos atacar, sentimos que era a hora de reagir", confessa um dos deputados presentes.

Estavam na reunião representantes do PT, PSDB, DEM e PCdoB. "Se não tomarmos uma atitude, vamos começar a ser hostilizados na rua", afirmou Temer no início do encontro.

Entre goles de uísque e baforadas de charutos cubanos, ficou decidido que para preservar a imagem da Câmara seria necessário, entre outras medidas, assumir o sacrifício de colocar um fim na farra das passagens.

DE A a Z Irregularidades na contratação de funcionários, aluguel de jatinhos, uso ilegal de servidores e farra com a cota de passagens aéreas. Os escândalos não pouparam ninguém: José Sarney, Renan Calheiros, Heráclito Fortes. Inocêncio Oliveira, Michel Temer, Fernando Gabeira

O acordo da praia, porém, não resistiu muito. Deputados do chamado baixo clero e até alguns um pouco mais respeitados, como Ciro Gomes, do PSB do Ceará, reagiram (veja matéria).


Além de se rebelar contra a restrição ao uso de passagens aéreas, o grupo quer impedir o fim da verba de gabinete – uma espécie de caixa dois oficial no valor de 15 000 reais que os parlamentares recebem para custear despesas inerentes ao mandato. "Não tem sentido mudar as regras que são legítimas há quarenta anos por causa de duas ou três reportagens. A Casa não tem de se curvar", bradou Ciro Gomes. Resultado: emparedado pelos deputados que o elegeram presidente, Michel Temer recuou e decidiu levar ao plenário a proposta de restringir o uso das passagens a parlamentares e assessores.

O resultado pode ser o pior possível. "Temer achou que tinha força para derrotar o baixo clero com um discurso de dar satisfação à opinião pública. Não percebeu que o baixo clero hoje é majoritário e não liga para a opinião pública", avalia o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília.

Descontada a indecorosa descompostura de seus integrantes, o apequenamento institucional do Congresso é um risco para o país. Na última década, enquanto os parlamentares degeneram numa espiral de escândalos que vai da roubalheira pesada ao fisiologismo explícito, sua função legisladora vem sendo realizada na prática pelo Executivo e pelo Judiciário.

Atualmente, quase todos os debates relevantes, com repercussão real na vida dos cidadãos comuns, são decididos pelo Judiciário. Do uso científico de células-tronco ao casamento homossexual, passando pelo fim do uso abusivo de algemas, tudo tem de ser definido pelos onze togados do Supremo Tribunal Federal por absoluta negligência dos congressistas. Em vez de legislarem, tarefa para a qual são remunerados, os parlamentares gastam dias discutindo se suas esposas podem ou não viajar com dinheiro público.

Nos Estados Unidos, os congressistas têm suas passagens reembolsadas quando voam de Washington para as cidades onde são votados ou quando estão em missões oficiais aprovadas pela mesa da Casa – mesmo assim, pagam do próprio bolso despesas de refeição e hospedagem. Viagens que envolvam participações em eventos partidários, empresariais ou políticos não são reembolsadas, mesmo se seguidas ou precedidas por missões oficiais. Tudo claro, sem espaço para interpretações, publicado no site do Congresso.

Desvios éticos como no caso das passagens e reações intempestivas e tolas de alguns parlamentares produzem ideias nocivas à democracia, como a inutilidade do Legislativo. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) chegou a sugerir um plebiscito para definir o futuro do Congresso, mas recuou quando viu o tamanho da bobagem.

Boa parte dos atuais ocupantes do Congresso não é digna do cargo – talvez esteja aí a raiz do problema –, mas o Legislativo está acima de seus membros. "A mediocridade de seus membros não pode contaminar a instituição", alerta Denis Rosenfield, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A ausência do Congresso leva obrigatoriamente a um regime autoritário e autocrático.

O Legislativo é uma instituição fundamental para a mediação entre o cidadão e o estado. É o único dos três poderes com seus membros eleitos em todos os níveis. No Judiciário, não há eleição. No Executivo, elege-se apenas o seu chefe (presidente, governador ou prefeito), que escolhe todos os outros ocupantes. Portanto, essa escolha direta dos membros faz do Legislativo o poder mediador, recebendo pressão da sociedade e impedindo atos arbitrários do Executivo e do Judiciário. O filósofo italiano Norberto Bobbio (1909-2004) escreveu que pode haver Congresso sem que haja democracia, mas não pode haver democracia sem Congresso. A história prova que ele tinha razão. Há vários casos de ditaduras que mantiveram um Legislativo de fachada, como a Alemanha de Hitler, a Itália de Mussolini, a União Soviética de Stalin e a Espanha de Franco. Mas não há um único caso conhecido de regime democrático que funcionou plenamente sem Congresso.

Mesmo quando o Congresso produz pouco e está mergulhado em escândalo, como ocorre agora no Brasil, seu simples funcionamento serve como anteparo contra medidas antidemocráticas. O PT, por exemplo, só desistiu do projeto de viabilizar um terceiro mandato para Lula porque sabia que havia um Congresso aberto que não aprovaria essa medida. "No presidencialismo, os chefes do Executivo têm a tendência de se achar acima de tudo.

A única maneira de conter essa tentação autoritária é o pleno funcionamento do Legislativo", afirma o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília. Hoje, o Congresso pode rejeitar propostas do Executivo, derrubar vetos do presidente a leis, propor legislação de iniciativa popular, criar CPIs para investigar corrupção nos outros poderes e, em caso extremo, até mesmo cassar o mandato de um presidente corrupto, como ocorreu com Fernando Collor de Mello. Sem Congresso, nada disso seria possível e o presidente teria plenos poderes. Poderia fechar o Judiciário, criar tribunais de exceção contra adversários, prender, torturar, praticar corrupção sem ser incomodado e perpetuar-se no poder. E isso não é apenas suposição.

A história confirma todas essas possibilidades. Getúlio Vargas governou o Brasil de 1930 a 1934 sem Legislativo, quando prendeu adversários e perseguiu inimigos. De 1937 a 1945, novamente Getúlio fechou o Congresso, criou um tribunal político e decidiu unilateralmente a entrada do Brasil na guerra.

No regime militar, o Congresso foi fechado em 1968 para a instituição do AI-5, que restringia as liberdades individuais. O mandato de todos os deputados federais e de dois terços dos senadores acaba em 2010. O voto é livre e universal – e a melhor maneira de corrigir o que está errado.

http://veja.abril.uol.com.br/290409/p_066.shtml